Tudo O Que Vejo Está Nítido Como Um Girassol Analise?

Tudo O Que Vejo Está Nítido Como Um Girassol Analise?

  • O meu olhar é nítido como um girassol 
  • O meu olhar é nítido como um girassol. 
  • Tenho o costume de andar pelas estradas 
  • Olhando para a direita e para a esquerda, 

E de vez em quando olhando para trás… 

E o que vejo a cada momento 

É aquilo que nunca antes eu tinha visto, 

E eu sei dar por isso muito bem… 

Sei ter o pasmo comigo 

Que tem uma criança se, ao nascer, 

Reparasse que nascera deveras… 

Sinto-me nascido a cada momento 

Para a eterna novidade do mundo… 

Creio no mundo como num malmequer, 

Porque o vejo. Mas não penso nele 

Porque pensar é não compreender… 

  1. O Mundo não se fez para pensarmos nele 
  2. (Pensar é estar doente dos olhos) 
  3. Mas para olharmos para ele e estarmos de 
  4. acordo.  

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos… 

  • Se falo na Natureza não é porque saiba o que 
  • ela é, 
  • Mas porque a amo, e amo-a por isso, 
  • Porque quem ama nunca sabe o que ama 

Nem sabe por que ama, nem o que é amar… 

Amar é a eterna inocência, 

E a única inocência não pensar… 

CAEIRO, Alberto. O meu olhar é nítido como  um girassol. In: PESSOA, Fernando. Poesia: Alberto Caeiro. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. p. 26. 

1. Identifique a temática desenvolvida no poema. 

2. Relacione essa temática à poesia de Alberto Caeiro. 

3. Explique o sentido de “pasmo”, presente no verso “Sei ter o pasmo comigo”. 

4. Interprete o verso” pensar é estar doente dos olhos”, considerando o contexto do poema. 

5. Aponte duas características marcantes da escrita de Alberto Caeiro e identifique-as no poema. 

Gabarito

1. O poema desenvolve a ideia de que os olhos são os órgãos responsáveis pela apreensão direta e sensível do mundo, a qual deve basear-se principalmente no empirismo, ou seja, na experiência e na observação. 

2. O poema apresenta a temática característica de Alberto Caeiro, que, segundo a biografia criada por Fernando Pessoa, teve apenas instrução primária e viveu sempre muito próximo à natureza. O poema, relacionado ao universo bucólico, apresenta uma lógica bastante objetiva e mediada pelas sensações. 

3. “Pasmo” pode ser compreendido como a admiração e o encantamento decorrentes da incessante descoberta da novidade do mundo. Trata-se de uma abstração, relacionada à ideia de Caeiro de que o mundo se renova a cada novo olhar lançado sobre ele. 

4. O verso condensa a perspectiva de Caeiro sobre a vida, pautada pela eterna descoberta do mundo. Em sua perspectiva, a relação com a vida deve ser simples e prescindir de racionalização. Daí a ideia de que os olhos são os órgãos responsáveis pela apreensão direta do mundo. 

5. As características são o bucolismo, presente em versos como” O meu olhar é nítido como um girassol” e “Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é, / Mas porque a amo, e amo-a por isso”, e o empirismo, presente em “Eu não tenho filosofia; tenho sentidos… “.

Uma análise do Poema II de "O guardador de Rebanhos"

Tudo O Que Vejo Está Nítido Como Um Girassol Analise?

  • O meu olhar
  • O meu olhar é nítido como um girassol.
  • Tenho o costume de andar pelas estradas
  • Olhando para a direita e para a esquerda,

E de vez em quando olhando para trás…

E o que vejo a cada momento

É aquilo que nunca antes eu tinha visto,

E eu sei dar por isso muito bem…

Sei ter o pasmo essencial

Que tem uma criança se, ao nascer,

Reparasse que nascera deveras…

Sinto-me nascido a cada momento

Para a eterna novidade do Mundo…

Creio no mundo como num malmequer,Porque o vejo. Mas não penso nele

Porque pensar é não compreender…

O Mundo não se fez para pensarmos nele(Pensar é estar doente dos olhos)

Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…

Eu não tenho filosofia; tenho sentidos…Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,Mas porque a amo, e amo-a por issoPorque quem ama nunca sabe o que ama

Nem sabe por que ama, nem o que é amar…

Amar é a eterna inocência,E a única inocência não pensar…

Alberto Caeiro, em “O Guardador de Rebanhos”, 8-3-1914

O texto trata da questão da percepção do mundo pelo homem, da relação entre o homem e um mundo cuja essência é uma eterna novidade, caso o homem saiba “olhar”.

O poema, escrito em versos livres, apresenta um texto repleto de palavras que fazem referência à natureza humana: inicialmente uma referência (positiva) aos sentidos do homem, à possibilidade de um contato direto com o mundo; posteriormente, há uma referência (negativa, por assim dizer) à sua capacidade de reflexão.

Na primeira metade do poema temos palavras como “olhar”, “andar”, “vejo”, “nascer”. É interessante notar que a partir do 13º verso (justamente o verso que divide o poema ao meio), aparecem palavras que remetem à mente humana: “pensar”, “compreender”, “filosofia”, “saiba”.

No entanto, tais palavras, aparecem revestidas de uma carga negativa, algo perceptível, como seria de se esperar, desde a escolha sintática: “Mas, não penso nele [Mundo] (…)”, “(…) Pensar é não compreender… / O Mundo não se fez para pensarmos nele / (Pensar é estar doente dos olhos) (…

)”, “Eu não tenho filosofia (…)”, “(…) não é porque saiba o que ela [Natureza] é (…)”, “(…) Quem ama nunca sabe o que ama / Nem sabe porque ama, nem o que é amar (…)”, “E a única inocência [é] não pensar”.

É igualmente interessante, a forma indireta como o autor constrói algumas dessas estruturas de negação, especificamente as sentenças em que ensaia uma definição do ato de pensar: ela não afirma que “Pensar não é isso”, mas que “Pensar é não isso”.

Até quando não há um lexema de negação, essa estrutura é seguida, “Pensar é estar doente dos olhos”: não há o referido lexema, mas a própria palavra “doente” carrega consigo essa carga negativa, abominável, desagradável. O eu-poético faz uso dessa indicação negativa indireta nas sentenças em que deseja conceituar o ato de Pensar. Quando ele expressa a sua experiência individual no que diz respeito a esse tema, a indicação negativa é direta: “Mas, não penso nele [Mundo] (…)”,“Eu não tenho filosofia (…)”.

Voltando os olhos à estrutura geral do poema, o que se percebe é que há uma relação dialética entre as duas partes do poema: na primeira o eu-poético sugere que a partir do “olhar”, um olhar sem intermediários, é que o homem tem a possibilidade de acesso “à eterna novidade” do Mundo; na segunda, ele afirma que esse acesso é bloqueado a partir do momento em que há a intermediação da reflexão entre o olhar e a experiência de percepção do Mundo. Digo sugere quanto à primeira parte, porque o que o eu-poético descreve é a sua conduta (“meu olhar”, “tenho o costume”, “o que vejo”, “eu sei”, “sinto-me nascido”). Ao descrever de forma tão positiva e promissora a sua experiência pessoal, por assim dizer, há uma sugestão de que esse é o caminho desejável. Quanto à segunda parte, não há sugestão, há afirmações (parafraseando: ‘O Mundo não se fez para isso, mas para aquilo’, ‘pensar é não isso’, ‘quem ama nunca sabe o que ama’, ‘amar é isso’) e nessas afirmações, contraditoriamente, há negação, há a impressão (no sentido de imprimir) no leitor de algo indesejável no ato de refletir.

Concluindo, para não nos alongarmos mais, considerando todo esse movimento dialético interno ao poema, há uma contradição latente que salta aos olhos: o eu-poético deprecia a reflexão, a filosofia, o pensar, entretanto, o próprio poema é produto de um ato de reflexão, de um pensar filosófico, no sentido de um pensar que problematiza. Nada mais filosófico, mais problematizador do que questionar a validade do ato de pensar.

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ENSAIO SOBRE “II – O MEU OLHAR É NÍTIDO COMO UM GIRASSOL”, DE ALBERTO CAEIRO / FERNANDO PESSOA – ADRIANO B. ESPÍNDOLA SANTOS

Da leitura do poema “II- O meu olhar é nítido como um girassol”, de Alberto Caeiro / Fernando Pessoa, destaco a singularidade do instante, com o choque, sempre presente, da novidade, do nascimento, do descobrimento. Receio cair no raso da vulgaridade; mas, me fiando à percepção, à vontade e ao desejo – sensações primais –, noto a espontânea relação com a natureza, que é a própria poesia – ou própria da poesia.

Alberto Caeiro, considerado o mestre dos heterônimos do poeta português Fernando Pessoa, trata categoricamente do natural e da sua aversão ao pensamento crítico, sobretudo da filosofia. Nesse sentido, o pensamento seria um obstáculo para a límpida percepção.

O pensamento turvaria o que se pode intuir de modo simples, direto. Alheia-se do real, do sentimento nato, aquele que se atreve a adentrar o campo das ideias. Pensar e sentir são inconciliáveis. Pensar interrompe a fruição. Ver e sentir são os mais orgânicos dos sentidos, em suma.

Penso que é um exercício de recobrar a ancestralidade, de Fernando Pessoa.

Alberto Caeiro teria vivido entre os anos de 1889 a 1915, com biografia humilde, principalmente no campo; não se ateve à subjetividade.

Consegue-se apreender do poema que, apesar da filosofia intrínseca, Fernando Pessoa buscou apartar-se da modernidade, da subjetividade e, talvez, da metafísica, para retornar à pureza das coisas[1]. O estilo é bucólico, na medida em que tende a acompanhar a oralidade da época, com um fluxo muito espontâneo.

O mecanismo poético, portanto, é o contato direto, para dizer o que está à vista, e que se mete nas entranhas, sem obscuridades. É translúcido o contato do poeta com a natureza.

Percebo estreita ligação com a poesia de Manoel de Barros[2], como nos poemas “Os caramujo-flores” e “Uma didática da invenção”, pela afinação no arranjo das palavras. Com Mario Quintana também, o poeta da simplicidade, pela objetividade e pela lucidez dos versos – revela isso no “Poeminho do Contra” e no “Relógio”, por exemplo.

Na prosa contemporânea, a marca da poesia de Alberto Caeiro parece viva e familiar aos textos de Valter Hugo Mãe, além da poética inserta em suas obras; como também, algo mais antigo, do outro lado do Atlântico, à poética e à objetividade de Adolfo Caminha. Inclusive, deve ser lembrado João Guimarães Rosa, poeta do povo, por sua escrita singular, ligada à oralidade e às vivências do campo.

O autor tem a disposição de ultrapassar as complexidades, para penetrar a essência. Libera-se e entrega-se à imensidão de possibilidades, que passa muitas vezes despercebida, como um passo dado, a contemplação à flor; os atos de renascer e de se redescobrir, que eclodem a cada “esquina”. Rechaça o que detém a sorção de luz pelas retinas.

Alberto Caeiro declara ser o seu olhar nítido como o girassol. Pelo heliotropismo, a flor se guia pela luz; é um movimento irrefletido, à guisa das determinações naturais. Fala em não pensar no mundo: “Pensar é estar doente dos olhos”, porque pensar é complicar e se distanciar do cerne, do núcleo: do coração.

Olhar para o mundo e estar de acordo é simplesmente deixar-se fluir (inclusive, o autor se entrega à repetição das palavras, sem adjetivação); não entrar nas minúcias que possam interferir nas ligações naturais, ou seja, permitir-se à contemplação infinita.

O mundo, para ele, o alter ego de Fernando Pessoa, é muito além do que pregam; do que programam para robotizar as pessoas.

Quando trata dos sentidos, mormente da visão, fala dos poros abertos; da dinâmica que admite as interações entre sistemas (o corpo e a natureza; o corpo, que é a natureza: indivisíveis). E amar, de tal modo, é a oferta desobrigada, descomprometida; amar é a ingenuidade de não pensar no porvir e nas incertezas de uma vida enformada.

Com essa pretensa crítica, volto à condição primitiva do existir; menos rebuscada, mais direta aos sentidos – uma experiência magnífica, já que tenho a ambição da simplicidade.

_______________________
Adriano B. Espíndola Santos
. Natural de Fortaleza, Ceará. Autor do livro Flor no caos, pela Desconcertos Editora, 2018. Advogado humanista. Mestre em Direito. É dor e amor; e o que puder ser para se sentir vivo: o coração inquieto.

::
[1] “Aparece a Fernando Pessoa no dia 8 de Março de 1914, de forma aparentemente não planeada, numa altura em que o poeta se debatia com a necessidade de ultrapassar o paúlismo, o subjectivismo e o misticismo.

É nesse momento conflituoso que aparece, de rompante, uma voz que se ri desses misticismos, que reage contra o ocultismo, nega o transcendental, defendendo a sinceridade da produção poética, um ser manifestamente apologista da simplicidade, da serenidade e nitidez das coisas, um ser dotado de uma natureza positivo-materialista e que rejeita doutrinas e filosofias”. (Site de poesias coligidas de Fernando Pessoa, on-line).

[2] “Com uma poética da miudeza e da singeleza, narrada a partir do universo do interior, assim se construiu a lírica do criador mato grossense”. (FUKS, Rebeca, on-line).


:: Referências

Poema II ("O Guardador de Rebanhos")

          Se, no poema I, Caeiro definiu a sua filosofia, assente no sensacionismo, na objectividade na análise da natureza, neste segundo poema da obra O Guardador de Rebanhos refere-se mais concretamente ao seu processo de pensamento. É preciso não esquecer que, para deixar de pensar, é necessário pensar no assunto.

          O texto inicia-se com uma comparação (“O meu olhar é nítido como um girassol.”) que significa que o sujeito poético vê a realidade à luz do sol, com toda a nitidez que essa luz lhe propicia. Dito de outra forma, a comparação evidencia a nitidez do olhar do «eu», dado a planta a que o seu olhar é comparado segue continuamente a luz solar.

À semelhança de Cesário Verde, o sujeito poético assume uma atitude deambulatória (“Tenho o costume de andar pelas estradas…” – v. 2), observando atentamente a realidade, atento à diversidade que o rodeia, (“Olhando para a direita e para a esquerda…

“), descobrindo novas «coisas» a cada olhar, constituindo, assim, a visão, o sentido primordial que nos permite conhecer o mundo.
          O verso 9 apresenta-nos uma nova comparação, desta vez com uma criança, um símbolo recorrente em Caeiro, pela inocência e ingenuidade que lhe estão associadas.

Neste caso específico, a comparação é estabelecida com uma criança “ao nascer”, o que remete para um ser não contaminado, constantemente surpreendido pelos estímulos da realidade que lhe chegam através dos sentidos e que provocam o seu espanto (“pasmo essencial” – v. 8), resultante do que o rodeia, novo para quem acabou de nascer.

De modo semelhante, o sujeito poético sente-se como a criança recém-nascida, que vê com uma inocência primordial, isto é, vê tudo como se visse pela primeira vez, espantado perante “a eterna novidade do Mundo”. Todos estes dados confirmam, no fundo, a afirmação de Jacinto do Prado Coelho: “Caeiro (…

) vive de impressões, sobretudo visuais, e goza em cada impressão o seu conteúdo original.”.

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          À semelhança do que sucede na primeira estrofe, a segunda abre com nova comparação (neste caso, entre a sua crença no mundo e um malmequer), que é uma forma de objectivação, concretização, através dos sentidos, de uma realidade eminentemente abstracta dado que reside apenas no pensamento.

No entanto, este versos confirmam-nos que, apesar do seu esforço para afirmar o contrário, o sujeito poético ainda pensa e não vê apenas. Dito de outra forma, ele apresenta uma teoria à qual falta uma prática efectiva e continuada, confirmada por uma espécie de «insistência doentia» nas explicações dos seus actos.

Repare-se como ele começa por fazer uma constatação (“Creio no Mundo”), para de seguida se justificar: “Porque o vejo. Mas não penso nele (…)”. Se estivesse convicto das suas afirmações, não necessitaria do raciocínio justificativo. Ainda assim, prossegue a sua afirmação da supremacia do olhar sobre o pensamento: “Porque pensar é não compreender…” – v. 15; “(Pensar é estar doente dos olhos)” – v. 17). Este último verso é uma confirmação da negação do pensamento, da metafísica, pois não devemos procurar procurar ou atribuir significados ao mundo, devemos antes deixar-nos guiar pelos sentidos, pelas sensações puras, aceitando pacificamente as coisas tais quais elas são (“Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…” – v. 18).

          A terceira estrofe abre com uma afirmação categórica: “Eu não tenho filosofia: tenho sentidos…”. Esta afirmação clarifica a sua veia antifilosofia, evidenciando a recusa da metafísica, do pensamento abstracto, defendendo em alternativa o primado dos sentidos.

Os restantes versos acabam por comprovar / aprofundar esta ideia, ao aclararem o tipo de relação que o «eu» estabelece com a natureza, uma relação de amor (“Mas porque a amo…” – v. 21).

E é uma relação de amor porque no amor não há perguntas, não há certezas acerca do «objecto» amado, não há «razões» que justifiquem o «amor por», nem sequer uma definição do que é amar.

 Deste acto amoroso, está ausente o pensamento, a racionalidade; o sujeito aceita apenas as coisas tais como são. Há, portanto, uma tentativa de equiparação do amor ao seu desejo de inconsciência, de não pensar

          A última estrofe é constituída por um dístico silogístico: se “amar é a eterna inocência” (v. 24) e se “a única inocência é não pensar” (v. 25), então “amar” é “não pensar”.

Neste sentido, não pensar é uma espécie de amor sem objecto, um amor ideal. É um amor pela Natureza, um amor natural e sinónimo de aceitação incondicional, sem questionação.

No fundo, estamos perante a necessidade humana de amor, de carinho, mesmo que unicamente no seio da Natureza.

          Em suma, «Persegue Caeiro a inocência como Mestre, para que Pessoa conquiste o amor como discípulo.» (Nuno Hipólito, in No Altar do Fogo)

ME AJUDEM POR FAVOR !!!! É URGENTE.
O meu olhar é nitido como um girassol .
Tenho o costume de

Não sei se responderei tão corretamente, mas posso lhe ajudar a interpretar:

1.

Neste verso inicial, Caeiro faz menção ao girassol, que acompanha o movimento do Sol, com o intuito de representar sua forma de ver o mundo, que é dinâmica e capaz de capturar as transformações do real.

o eu lirico se compara a flor que naturalmente percebe a luz do mundo. expõe imagens e paisagens, e sim uma estrutura do próprio pensamento.

2. Assemelha-se ao olhar de uma criança pelo seu atentamento, pela observação, ou pela forma curiosa com que vê as novas coisas. Porém torna-se diferente do recém-nascido pois tal ainda não tem o poder de conhecimento do que está ao redor, e o eu lírico tem.

3. De acordo com o pensamento de Caeiro não necessidade de buscar explicações ou fundamentos (neste caso o pensar)

 quando um fenômeno já pode ser diretamente acessado. O eu lírico expressa que quando você pensa acaba não vendo o que existe ao redor de forma clara. “Estar doente dos olhos” é uma metáfora que explica o não ver. Assim, se pensa não enxerga.

4. 

No geral, ele quer dizer que não pensar é amar, não  somente Ver e Interpretar.

5. Creio que remete ao mito, ou seja, ao “bom selvagem”, onde a natureza é mais importante, pois esse é o sentimentalismo  que se vê claramente no texto.

6. Usando como base um pensamento europeu da Idade Média, trata-se de casos onde os escritores colocavam o homem como primeira opção em lugar de Deus, tendo assim um homem em total espírito de natureza, em total contato com a natureza, assim como o mito do “bom selvagem”.

não tô conseguindo responder A5 e A6 ​

1. O que é um homônimo?a) Palavras que se escrevem igualmente, porém, têm significados diferentes.b) Palavras que são pronunciadas da mesma forma e es

critas diferencialmente, mas com signifacados diferentes.c) Palavras que se escrevem iguais e pronunciam iguais, e têm significados iguais.

d) Palavras parecidas mas têm significados totalmente diferentes.2. Cela e sela são homônimos. Sela significa:a) Prisão; sala de castigob) Quarto; sala fechada3. Arreio de cavalo, onde cavaleiros sentam-se.a) Pensamento positivo; alguém extrovertidob) Cerração é o mesmo que:c) Nevoeiro.d) Ato de serrar.e) Coletivo de balas.f) Jeito, maneira de viver.3.

Complete: Meu piano foi para o ___ por isso, não haverá ___.a) conserto/concertob) conçerto/consertoc) consserto/consertod) concerto/conserto4. Inserto significa “o que não está certo”. Verdadeiro ou falso?a) Verdadeirob) Falsoc) Complete: Transigir significa ___. (C…)5. Marque a opção em que o significado da palavra está INCORRETO.

a) Retificar – corrigirb) Argumentar – discutirc) Opção – escolhad) Desleixado – ativoe) Cozer e coser significam:f) Cozinhar e costurar.g) Costurar e cozinhar.h) Salário e costurar.i) Criatividade e limpeza.6. Insipiente e incipiente são espectivamente:a) Ignorante e alto.b) Ignorante e preguiçoso.C) Ignorante e principiante.d) Ignorante e esforçado.7.

Tacha é imposto e taxa é prego. erdadeiro ou falso?a) Verdadeirob) Falsoc) Conferir respostas​

Questão 5 – Identifique o predicado verbo-nominal que aparece na tirinha, e destaque, sublinhando o núcleo verbal e o núcleo nominal.

Com base na leitura dos textos motivadores e no seu conhecimento sobre o gênero textual, escreva uma notícia, com o tema “Maus-tratos aos Animais”.

primeira geração modernista em Portugal: contexto histórico, características, primeira fase, segunda fase, terceira fase.​

a) Que variedade linguistica o personagem da imagem acima usou para se expressar. linguagem celta oucoloquial?b) Observando bem a imagem, diga pelo me

nos dois motivos que contribuem para que o personagem fale dessaforma​

classifique as coordenadas em destaque:​

Me ajudemquestão na imagem​

QUESTÃO 1Falando de obras do romantismo mundial.

Quais são os escritores mais marcantes e assuas obras?a) Na Inglaterra Lord Byron, A Peregrinaçãode Ch

ilde Harold; na Alemanha, por JohannWolfgang von Goethe Fausto e Ossofrimentos do jovem Werthe; na FrançaVitor Hugo, autor de Os miseráveis e oCorcunda de Notre Dame, em Portugal,Camilo Castelo Branco com a obra Amorde Perdição; no Brasil, Gonçalves Diascom a obra Canção do Exilio.b) Na França, Vitor Hugo, autor de Osmiseráveis e O Corcunda de Notre Damec) Em Portugal, Camilo Castelo Brancocom a obra Amor de Perdição; no Brasil,Gonçalves Dias com a obra Canção doExilio.d) Na Inglaterra Lord Byron, APeregrinação de Childe Harold naAlemanha, por Johann Wolfgang VonGoethe Fausto e Os sofrimentos do jovemWerthe, Na França, Vitor Hugo, autor de Osmiseráveis e O Corcunda de Notre

qual é o processo empregado na formação das palavras rezas danças e cantos (manifestações culturais)? a partir de que palavra foram criadas​

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PROPOSTA DE CORRECÇÃO DO TESTE

  •  ESCOLA SECUNDÁRIA PROF. JOSÉ AUGUSTO LUCAS
  • Prova escrita de Português – 12º A
  • I – Lê atentamente o poema de Alberto Caeiro e responde de forma clara e cuidada às questões.
  • II

O meu olhar é nítido como um girassol.

Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás…
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem…
Sei ter o pasmo comigo
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras…
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo… Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender…
O mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo. Eu não tenho filosofia: tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar… Amar é a eterna inocência,

E a única inocência é não pensar…                                  Alberto Caeiro

1 – Interpreta a comparação que se estabelece no primeiro verSO.

No primeiro verso compara-se o olhar ao girassol. Tal co mo o girassol olha sempre o sol de frente, assim um “olhar nítido como um girassol” é aquele que vê o real com nitidez, à luz do sol. Tal como o girassol o olhar procura a luz, a sabedoria, o conhecimento.

2 – Explica como progride ao longo da estrofe o sentido desse primeiro verso.

Olhar é conhecer. Seguindo a proposta de Caeiro, o sujeito poético parte desse princípio e enumera as várias circunstâncias em que se manifesta o “olhar nítido”.

A progressão do sentido centraliza-se nessa enumeração, “olhar para a direita e para a esquerda, olhando para trás, o que nunca antes tinha visto, sei dar por isso, sei ter o mesmo pasmo, sinto-me nascido a cada momento, eterna novidade do mundo”. 

3 – O sujeito poético opõe o olhar à compreensão. De que modo?

Esta oposição entre olhar e compreender, ou seja, pensar é um tópico fundamental do sensacionismo de Caeiro. De facto, na segunda estrofe afirma acreditar na realidade porque a vê, isto é, a sensação visual basta-lhe para estabelecer uma relação com o mundo. Rejeita a reflexão afirmando que “pensar é não compreender”.

4 – Explica o sentido do verso: “Eu não tenho filosofia: tenho sentidos…”

O verso “Eu não tenho filosofia, tenho sentidos…” é a afirmação suprema do sensacionismo como estratégia de apreensão do real.

Considerando a filosofia a arte de pensar e a forma pura da procura incessante da busca de resposta para o conhecimento humano, a interrogação do mundo, o verso corresponde a uma afirmação absoluta, convincente, e estabelece o primado do empirismo sobre o pensamento.

  1. 5 – Indica os versos que evidenciam que o mundo não tem significação, mas existência.
  2. Há inúmeros versos que remetem para o contraste significação/existência. Destaco:
  3. “Para a eterna novidade do mundo”
  4. “Creio no mundo como num malmequer”
  5. 6 – Faz a análise formal do poema.

O poema é constituído por quatro estrofes com número variado de versos normalmente  heterométricos e versos brancos, isto é, sem recurso à rima.

Em termos de linguagem, o poema evidencia o predomínio da frase coordenada, com recurso à comparação, enumeração e à antítese, bem como vocabulário do campo lexical dos sentidos.

Cada um dos versos que iniciam as estrofes são afirmações sentenciosas que se desenvolvem ao longo de cada estrofe. Destaca-se também o uso das reticências como forma de obrigar o leitor a preencher espaços vazios ou imaginar outros pensamentos associados.

II – Comentário

Elabora um comentário entre 120 e 180 palavras, tendo em conta os versos, e o texto de Fernando Pessoa:

“Não sei quantas almas tenho./Cada momento mudei./ Continuamente me estranho.”

“Aparecido Alberto Caeiro, tratei logo de lhe descobrir – instintiva e subconscientemente – uns discípulos”.

Tanto os versos do poema, primeira citação, como o texto sobre os heterónimos, remetem-nos para o drama da unidade e diversidade em Fernando Pessoa. Neste contexto podemos falar da problemática pessoana e a sua multiplicação noutros “eus” existenciais e poéticos.

Se em Fernando Pessoa ortónimo assistimos à procura da decifração do enigma de ser expresso muitas vezes na dor de pensar, obsessão da análise, incapacidade de viver a vida, fragmentação do sujeito e à perda de identidade, bem patente nos versos “não sei quantas almas tenho/cada momento mudei/continuamente me estranho”. No meu entender, essa fragmentação e a identidade perdida dão origem ao processo de heteronímia e à atribuição de caracteres próprios a cada um dos heterónimos: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Bernardo Soares….

Explicando de modo breve diria que Alberto Caeiro, o mestre dos heterónimos e do próprio Pessoa, vive sem pensar e envelhece sem angústia, há pois uma recusa da introspeção, mas é clara a aceitação do sensacionismo e admiração pela natureza. É o poeta do real e do olhar que recusa qualquer espécie de misticismo.

Por sua vez Campos, poeta modernista por excelência, apresenta três fases distintas na sua poesia: futurista (fortemente sensacionista), decadentista e intimista.

A primeira fase caracteriza-se pela busca de sensações e confissão emocional pelo progresso, é por isso um vanguardista.

 A segunda e terceira fases evidenciam aspectos de pessoa ortónimo, caracterizando-se pelo tédio e estados de alma perturbados, evocando o passado ou tempos indetermindados, como fuga ao presente entediado e doentio. 

Por último Ricardo Reis. Este é um poeta tipicamente passadista, isto é, fora da sua época tanto na filosofia de vida como nos costumes e no próprio estilo poético marcadamente moralista e sentencioso. Inspirado em Horácio (poeta romano do sec.

I) evidencia um caráter lúcido perante o tempo e o sofrimento, por isso a sua máxima assenta na aceitação das coisas terrenas e do além tal como elas são, pois mesmo os deuses nada podem contra o destino inexorável que tudo rege.

Epicurista e estoicista, a sua poética assenta pois no “carpe diem” (frui o momento) e na disciplina. Considera que é sábio aquele que contempla o espetáculo do mundo!

Por fim, acho que os quatro poetas que aqui foram referidos fecham o quadrado de um ser multifacetado artisticamente implicado na construção do belo, Fernando Pessoa, que se considera discípulo de Caeiro na medida em que este é exemplo de ingenuidade, inocência e vive de acordo com a natureza, por isso um neopagão puro.

Assinala a opção correcta:    ESTÃO ASSINALADAS A VERMELHO AS RESPOSTAS CORRETAS.

1 – Álvaro de Campos é um:

    A) pseudónimo de tendências neopagãs.
    B) heterónimo de tendências classicizantes.
    C) heterónimo de tendências futuristas.

2 – Alberto Caeiro é um heterónimo de tendências:

3 – Caeiro assume a função de mestre:

    A) em relação aos outros heterónimos, mas não a Pessoa ortónimo.
    B) só em relação a Ricardo Reis.
    C) em relação aos outros heterónimos e a Pessoa ortónimo.

4 – A sobreposição de elementos como o aqui e o além, o agora e o passado, o real e o onírico caracteriza:

5 – São marcas de Pessoa ortónimo:

    A) a angústia existencial e a nostalgia.
    B) a felicidade existencial e a sua “alegria de viver”.

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