Tudo O Que Como Me Da Diarreia?

A diarreia constante pode ser causada por inúmeros fatores, sendo os mais frequentes infecções por vírus e bactérias, uso prolongado de medicamentos, alergias alimentares, distúrbios intestinais ou doenças, que geralmente provocam outros sintomas como mal estar, dor abdominal, enjoos e vômitos.

O tratamento depende da causa que está na sua origem, mas para todas elas é muito importante evitar a desidratação através da ingestão de líquidos ou de soluções de reidratação oral. Existem também remédios que podem ajudar a parar a diarreia, mas que só devem ser usados por indicação médica, podendo-se também fazer uso de remédios caseiros. 

1. Vírus, bactérias e parasitas

Tudo O Que Como Me Da Diarreia?

As infecções por vírus e bactérias geralmente causam o surgimento repentino de diarreia intensa, acompanhada de outros sintomas como náuseas e vômitos, dor de cabeça e dor muscular, febre, arrepios, perda de apetite, perda de peso e dor abdominal. Porém, no caso de infecções por parasitas, esses sintomas demoram mais tempo para surgir e duram por mais tempo, podendo levar ao surgimento de diarreia constante.

Este tipo de infecções geralmente ocorre devido à ingestão de água contaminada, peixe ou carnes crus ou mal cozidos que estejam contaminados ou por manusear alimentos sem lavar bem as mãos. Alguns dos alimentos mais frequentemente contaminados são o leite, carne, ovos e verduras. Saiba como identificar os sintomas de uma intoxicação alimentar.

Como tratar

No caso da infecção ser provocada por vírus, o tratamento consiste na prevenção da desidratação, através da ingestão de líquidos e soluções de reidratação oral. Em casos mais graves, pode ser necessário administrar fluídos na veia.

Já o tratamento da intoxicação alimentar por parasitas e bactérias depende da gravidade da infecção, e embora possa ser curado em casa, ingerindo muitos líquidos e evitando alimentos com gordura, lactose ou cafeína, em muitos casos é necessário consultar um médico, clínico geral, pediatra ou gastroenterologista, para iniciar o tratamento com antibióticos e remédios antiparasitários.

2. Uso prolongado de remédios

Tudo O Que Como Me Da Diarreia?

Alguns medicamentos, como os antibióticos, remédios para o câncer ou antiácidos contendo magnésio podem causar diarreia.

A diarreia provocada pelos antibióticos acontece porque estes atacam as bactérias boas e más do organismo, destruindo assim a microbiota intestinal e dificultando a digestão.

Dependendo do tipo de medicamento, a diarreia pode ser constante, especialmente se o medicamento precisar ser ingeridos todos os dias por muito tempo.

Como tratar

No caso dos antibióticos, uma boa solução para evitar ou atenuar a diarreia é tomar junto um probiótico, que tem na sua composição bactérias boas para o intestino que vão ajudar a restabelecer a flora intestinal. Veja outros benefícios dos probióticos. No caso dos antiácidos com magnésio, o ideal é optar por associações que além desta substância ativa, contenham também alumínio, que ajuda a reduzir a diarreia.

3. Intolerância à lactose

Tudo O Que Como Me Da Diarreia?

A lactose é um açúcar que pode ser encontrado no leite e derivados.

Algumas pessoas são intolerantes a este açúcar porque não têm ou têm quantidade insuficiente de uma enzima chamada lactase, que é responsável por degradar este açúcar em açúcares mais simples, para depois serem absorvidos.

 Por isso, nestes casos, se forem ingeridos frequentemente lacticínios é comum o desenvolvimento de diarreia constante. Veja como saber se tem intolerância à lactose.

Os bebês também podem ter diarreia quando ingerem lactose porque como o seu sistema digestivo é ainda imaturo, podem não ter quantidades de lactase suficientes para digerir corretamente o leite, por isso, é importante que a mãe que está a amamentar reduza a ingestão de produtos lácteos e que não substitua o leite materno por leite de vaca, por exemplo, em bebês menores de 6 meses.

Como tratar

Para evitar os efeitos gastrointestinais provocados pela lactose, deve-se reduzir o consumo de leite e derivados ou optar por aqueles que não tenham lactose na composição, em que esta foi degradada industrialmente em açúcares mais simples. Existem também remédios como o Lactosil ou Lactaid, que têm esta enzima na composição, que podem ser tomados antes das refeições.

4. Distúrbios intestinais

  • Tudo O Que Como Me Da Diarreia?
  • Pessoas com distúrbios e doenças intestinais como doença de Crohn, colite ulcerativa, doença celíaca ou síndrome do cólon irritável, têm muitas vezes episódios de diarreia constante, enjoos e vômitos, principalmente em situações em que haja ingestão de alimentos mais fortes ou contra-indicados para estes distúrbios.
  • Como tratar
  • Muitas destas doenças não têm cura e o tratamento consiste geralmente no alívio dos sintomas com medicamentos para a dor abdominal, náuseas e vômitos e soluções de reidratação oral.
  • Além disso, dependendo do tipo de doença em questão, devem ser evitados alimentos com cafeína, verduras cruas e frutas com casca, lacticínios, aveia, gorduras e fritos, doces ou carnes vermelhas, por exemplo.

5. Alergias alimentares

Tudo O Que Como Me Da Diarreia?

A alergia alimentar é uma reação exagerada do sistema imune a determinados alimentos como ovo, leite, amendoim, trigo, soja, peixe ou frutos do mar por exemplo, que pode manifestar-se em várias regiões do corpo como pele, olhos ou nariz e provocar vômitos, dor abdominal e diarreia. É importante saber distinguir alergia alimentar de intolerância alimentar, já que a alergia é uma situação mais grave, que pode pôr em risco a vida da pessoa. Saiba como identificar uma alergia alimentar.

Como tratar

O tratamento para a alergia alimentar depende da gravidade dos sintomas, podendo ser feito com remédios anti-histamínicos como Allegra ou Loratadina ou com corticoides como a Betametasona. Nos casos mais graves, quando ocorre choque anafilático e falta de ar, pode ser necessário tomar uma injeção de adrenalina e usar uma máscara de oxigênio para ajudar na respiração.

Além disso, devem-se evitar os alimentos que provocam alergia alimentar. Para saber quais os alimentos que podem provocar a alergia, pode realizar-se um teste de intolerância alimentar. Saiba mais sobre o tratamento.

6. Câncer do intestino

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Geralmente o câncer do intestino causa diarreias frequentes com presença de sangue, associadas a dor de barriga, cansaço, perda de peso sem causa aparente e anemia. Caso estes sintomas persistam por mais de um mês deve-se ir ao médico para que seja estabelecido um tratamento o mais rápido possível. Confira 8 sintomas que podem indicar câncer intestinal.

  1. Como tratar
  2. O tratamento para câncer de intestino pode ser feito com cirurgia, quimioterapia, radioterapia ou imunoterapia, dependendo da localização, tamanho e desenvolvimento do tumor.
  3. Assista ao seguinte vídeo e veja que alimentação deve fazer durante os períodos de diarreia:

Tudo O Que Como Me Da Diarreia?

Diarreia | Drauzio Varella

Tudo O Que Como Me Da Diarreia?

Quadros de diarreia podem ocorrer em algum momento da vida, mas é importante identificar quando é necessário intervenção médica, principalmente quando se trata de crianças e idosos, que podem desidratar muito depressa.

As principais características da diarreia são o aumento do número de evacuações e a perda de consistência das fezes, que se tornam aguadas. Uma das complicações mais perigosas é a desidratação. Adultos são mais resistentes, mas bebês, crianças e idosos desidratam-se com facilidade, até em menos de 1 dia.

Boca seca, lábios rachados, letargia, confusão mental e diminuição da quantidade de urina são sintomas de desidratação que, além de diminuir as reservas de água do corpo humano — constituído por cerca de 75% de água –, reduzem os níveis de dois importantes minerais: sódio e potássio.

Veja também: Listas de alimentos que devem ser consumidos e evitados em casos de diarreia

Causas de diarreia

Embora estejamos acostumados a relacionar diarreia à intoxicação alimentar (logo pensamos no que comemos antes do episódio, tentando identificar alguma comida diferente do habitual), há muitas causas possíveis:

  • Toxinas bacterianas como a do estafilococus;
  • Infecções por bactérias como a Salmonella e a Shighella;
  • Infecções virais;
  • Disfunção da motilidade do tubo digestivo;
  • Parasitas intestinais causadores de amebíase e giardíase;
  • Efeitos colaterais de algumas drogas, por exemplo, antibióticos, altas doses de vitamina C e alguns medicamentos para o coração e câncer;
  • Uso de antibióticos;
  • Abuso de laxantes;
  • Intolerância a derivados do leite pela dificuldade de digerir lactose (açúcar do leite);
  • Intolerância ao sorbitol, adoçante obtido a partir da glicose.

Tipos de diarreia

  • Diarreia comum: Caracteriza-se normalmente por provocar apenas fezes soltas e aguadas e durar no máximo 2 semanas. Ocorre mais em crianças. Pode estar associada a uma combinação de estresse, remédios e alimentos. Por exemplo, excesso de gorduras, de cafeína, mudança do tipo de água ingerida ou mesmo ansiedade diante de acontecimentos importantes podem provocar esse tipo de diarreia;
  • Diarreia infecciosa: Comum em crianças, provoca além dos sintomas da diarreia comum, febre, perda de energia e de apetite. É causada por vírus e bactérias. Se não for convenientemente tratada, pode demorar até 1 semana para os sintomas desaparecerem;
  • Diarreia crônica: Dura mais de 2 semanas seguidas, mesmo que os casos de evacuações típicas de diarreia sejam pontuais durante esse período. Nesses casos, é necessário investigar a causa. As mais frequentes são intolerâncias alimentares (como à lactose ou ao glúten) e a síndrome do intestino irritável.
  • Amebíase: Pode ocasionar desde leve dor de estômago e flatulência até febre, prisão de ventre, debilidade física e fezes aguadas com manchas de sangue. É causada por um protozoário que invade o sistema gastrintestinal transportado por água ou comida contaminada. Infecção típica dos trópicos, manifesta-se também nos habitantes de regiões de clima temperado;
  • Giardíase: Causada pela giárdia, um protozoário, seus sintomas variam da simples dor estomacal à diarreia persistente ou à presença de fezes pastosas. Outros sintomas também podem aparecer: desconforto abdominal, eructação (arroto), dor de cabeça e fadiga. A giárdia espalha-se no aparelho digestivo através da ingestão de água e alimentos contaminados. Também pode ser transmitida por relações sexuais ou por excrementos;
  • Intolerância à lactose: Algumas pessoas não conseguem digerir a lactose, açúcar encontrado no leite e seus derivados, porque não produzem uma enzima chamada lactase. Entre seus sintomas, destacam-se tanto diarreia quanto prisão de ventre, desarranjos estomacais e gases.

O que consumir e o que evitar se estiver com diarreia

  • Não deixe de comer. Em geral, pessoas com diarreia associam comida à disfunção gastrintestinal e suspendem toda a alimentação. Tal medida, além de agravar o quadro de desidratação, suspende o fornecimento dos nutrientes necessários para o organismo reagir. Prefira ingerir arroz, caldos de carne magra, bananas, maçãs e torradas. Esses alimentos dão mais consistência às fezes e a banana, especialmente, é rica em potássio;
  • Suspenda a ingestão de alimentos com resíduos: saladas, bagaço de frutas, sementes e outros que contenham fibras;
  • Beba muito líquido, de 2 a 3 litros por dia. Como a água não repõe a perda de sódio e potássio, procure suprir essa necessidade com soro caseiro ou outros líquidos que contenham tais substâncias. Chás de camomila, erva-doce e hortelã, por exemplo, podem ajudar;
  • Pessoas com pressão alta, diabetes, glaucoma, doenças cardíacas ou com histórico de derrames devem consultar o médico antes de ingerir bebidas que contenha sódio porque correm o risco de elevar a pressão;
  • Evite café, leite e sucos de frutas;
  • Evite consumir álcool, que é um desidratante poderoso;
  • Evite alimentos muito temperados ou com alto teor de gordura (frituras, alguns cortes de carne, embutidos etc.) até que as fezes voltem ao normal;
  • Não faça uso de adoçantes à base de sorbitol;
  • Evite consumir leite e derivados, principalmente se tiver intolerância à lactose. Lembre-se, porém, de suprir a necessidade de cálcio ingerindo alimentos como salmão, tofu etc.
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Quando procurar ajuda médica

Diarreia pode ser sintoma inicial de várias doenças graves: úlcera gastrointestinal, alguns tipos de câncer, aids e de patologias que acarretam a má absorção dos nutrientes. Não se descuide e procure assistência médica imediatamente:

  • Se os sintomas não passarem em 1 ou 2 dias. Crianças e idosos desidratam muito depressa. É preciso estar alerta;
  • Em caso de crianças, se elas tiverem mais de 3 ou 4 episódios de diarreia e estiverem bebendo pouco líquido. Caso estejam bebendo líquidos e urinando normalmente, procurar um médico se a criança estiver com diarreia por 2 dias ou se tiver mais que 6 a 8 episódios em um único dia;
  • Se houver sinais de desidratação, como apatia, boca seca e choro sem lágrimas;
  • Se houver presença de sangue nas fezes que adquirem coloração preta ou avermelhada;
  • Se as fezes adquiriram aspecto volumoso e com traços evidentes de gordura indicativos de má absorção;
  • Se os episódios de diarreia forem repetidos e, principalmente, se eles se alternarem com crises de prisão de ventre (sintomas sugestivos de tumores intestinais).

Recomendações para evitar a diarreia

  • Não se esqueça de lavar bem as mãos várias vezes por dia e, especialmente, antes das refeições;
  • Não deixe de ferver a água de rios, lagos, riachos ou mesmo a de torneiras nos locais em que não seja tratada, se tiver necessidade de bebê-la;
  • Não beba refrigerantes ou outra bebida qualquer no próprio vasilhame. Use um copo limpo;
  • Faça gelo com água tratada ou fervida.

Perguntas frequentes sobre diarreia

Como saber se a diarreia é sintoma de uma infecção?

Geralmente, diarreias decorrentes de infecções começam repentinamente. Outros sinais incluem febre, náuseas e vômito.

Diarreia é o mesmo que disenteria?

Não. A disenteria é um quadro clínico caracterizado por inflamação do intestino, o que causa dor abdominal e diarreia com sangue, muco ou pus.

A inflamação pode ter várias causas, geralmente infecções por bactérias e vírus ou verminoses. Uma das causas mais comuns é a ingestão de alimentos ou água contaminados pela bactéria Shigella.

Embora o tratamento geralmente seja simples, é necessário procurar ajuda médica imediatamente, pois há risco de desidratação.

Como identificar diarreia em crianças?

Bebês que ainda não ingerem alimentos sólidos podem ter fezes mais líquidas, mas ainda assim, em geral elas não são totalmente líquidas.

Nesses casos, fique atento ao número de evacuações e em mudanças na consistência. Também procure assistência se houver fezes aquosas por mais de 24 horas.

Lembre-se que bebês e crianças desidratam muito rapidamente, possivelmente em menos de 1 dia, daí a importância de estar sempre atento.

Como preparar o soro caseiro?

O soro é extremamente importante porque repõe não só a água, mas eletrólitos essenciais para o organismo. Use 1 litro de água mineral, filtrada ou fervida. Misture uma colher pequena (café) de sal e uma grande (sopa) de açúcar. Se usar água fervida, espere esfriar para fazer a mistura. Tome em colheradas ao longo de todo o dia.

Diarreias constantes podem ser sinal de doença inflamatória intestinal

“Foi em 1997 que comecei a ter crises de diarreia. No começo, achei que era algo que havia comido no dia anterior, mas o problema começou a ficar cada vez mais constante. As idas ao banheiro e a dor na barriga aumentavam mais e mais, porém demorei três meses para ir ao médico.

A sorte é que o profissional que sempre atendeu minha família é gastroenterologista que, após alguns tratamentos, resolveu pedir exames mais aprofundados. O problema é que eu, naquela época uma jovem do interior de Minas Gerais, tinha muito preconceito em realizar uma colonoscopia, por exemplo.

Com isso, o diagnóstico demorou quase um ano para sair: eu tenho doença de Crohn.”

Essa é parte do relato de Julia Assis, 45, dentista, e que há 23 anos convive com essa DII (doença inflamatória intestinal). O problema tem como característica a inflamação crônica e progressiva do intestino, levando a quadros de diarreia, dor abdominal e perda de peso.

De acordo com estudos de associações de pacientes e do Ministério da Saúde, as DIIs afetam mais de 100 mil brasileiros. Porém, esses números podem estar bastante defasados, já que nos dados apontados pelo órgão público, por exemplo, são apresentados apenas os casos de pessoas que recebem medicamentos pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

Doenças distintas, sintomas semelhantes

Responsável por afetar mais de 50% dos pacientes com DII, de acordo com uma pesquisa realizada pela ABCD (Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn), a doença de Crohn é caracterizada pela inflamação de toda a parede intestinal, podendo afetar desde o começo do órgão até o ânus.

Quem sofre com o problema pode apresentar o que é chamado de padrão salteado, com áreas de intestino saudáveis intercaladas com regiões doentes. Além disso, a doença pode evoluir e apresentar complicações como estenoses (estreitamento intestinal) ou fístulas, que é quando um pedaço do órgão acaba se conectando a outra área do intestino.

Já a retocolite ulcerativa —que atinge mais de 35% dos pacientes—, também é uma inflamação, mas afeta somente o intestino grosso e não apresenta áreas saudáveis. Os sintomas são muito parecidos entre as duas doenças. Envolvem dor abdominal, cólica, alteração da consistência das fezes, diarreia com a presença de muco e também com ou sem sangue, emagrecimento, falta de apetite e fadiga.

Diagnóstico tardio

O grande problema é que esses sinais da DII podem passar desapercebidos por muito tempo. Afinal de contas, quando uma refeição não cai bem, por exemplo, é normal ir ao banheiro mais de uma vez ao dia, ou ter uma diarreia.

Na maioria das situações, a pessoa acaba restringindo a dieta, acreditando que seja algum alimento o responsável pelos sintomas constantes, ou até mesmo algum problema com lactose ou glúten.

Sem esquecer também do fator médico. Isso porque muitos profissionais da saúde que recebem pacientes em seus consultórios ou no pronto-socorro podem não valorizar os sintomas ou pensar em outros diagnósticos que não a doença inflamatória intestinal. Então, o tempo passa e os sinais ficam ainda mais fortes e o problema se torna crônico.

Para um diagnóstico correto, rápido e preciso é importante não esperar muito tempo para procurar ajuda médica.

Se a pessoa estiver com diarreia por mais de três dias e estes sintomas forem ciclos, isto é, seguidos de melhora ou piora, ou observar a presença sangue ou uma espécie de catarro nas fezes, é necessário procurar imediatamente um médico gastroenterologista ou coloproctologista.

Eles serão os responsáveis por analisar a história clínica do indivíduo, pedir exames laboratoriais e de fezes, colonoscopia e, em alguns casos, tomografia ou ressonância magnética de abdome.

Doença de Crohn e retocolite ulcerativa são duas doenças inflamatórias intestinais

Imagem: Getty Images

O lado psicológico

E a demora no diagnóstico tem um impacto importante na vida pessoal e profissional de quem vive com DII. “Evitava participar de eventos sociais. Primeiro, porque tinha medo de comer alguma coisa e ter que ir ao banheiro e também pelo fato de que não queria ser aquela pessoa que estava sempre reclamando de dor”, conta a dentista Julia.

As épocas conhecidas como crises da doença, que é quando os sintomas estão constantes, podem ainda ser piores.

“Pacientes com retocolite, por exemplo, chegam a precisar ir ao banheiro de 4 a 8 vezes por dia, com sangramento e sentem dores.

Então, do ponto de vista de relacionamento, atividade social, no trabalho, isso tem um impacto muito forte”, alerta Rogério Saad, coloproctologista e presidente do GEDIIB (Grupo de Estudos da Doença Inflamatória Intestinal do Brasil).

Grupos suscetíveis

Ainda segundo o estudo da ABCD, a faixa etária mais acometida pela DII vai dos 25 aos 54 anos, e pode atingir tanto homens quanto mulheres em proporções muito próximas. “Porém, crianças e idosos também sofrem com o problema em uma porcentagem grande e crescente. E ainda não se sabe a causa exata da origem da doença”, esclarece Marta Machado, gastroenterologista e presidente da ABCD.

São diversas as hipóteses, entre elas, a genética, assim como o meio ambiente em que o indivíduo vive —com muita poluição, dietas com consumo excessivo de produtos industrializados, entre outros fatores.

“Alguns estudos apontam, também, que indivíduos que receberam antibióticos na primeira infância ou tiveram um tempo de amamentação menor do que o recomendado estão mais sujeitos a desenvolver o problema na fase adulta.

A explicação é que acredita-se que esses dois fatores podem alterar a flora intestinal, que tem um papel de proteção contra o desenvolvimento de enfermidades que modificam o sistema imune, como as doenças inflamatórias intestinais”, explica Luiz Felipe de Campos Lobato, cirurgião, coloproctologista do departamento de cirurgia da Faculdade de Medicina da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e coordenador da regional Minas Gerais do GEDIIB.

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Tratamento e mais qualidade de vida

Quando o paciente com DII começa a terapia, após alguns meses as mudanças na rotina são perceptíveis. O tratamento para as duas doenças é muito semelhante e deve seguir pelo resto da vida, mesmo em épocas de remissão, ou seja, quando o paciente não tem nenhum sintoma.

A escolha da melhor terapia dependerá do momento e do estágio em que a doença se encontra e das condições dos pacientes. “Mas, basicamente, inicia-se com o uso de corticoides por um curto período.

Depois, são indicados medicamentos anti-inflamatórios, imunossupressores e biológicos.

Alguns pacientes podem necessitar de tratamentos cirúrgicos, especialmente na presença de complicações como estenoses e fístulas”, afirma Guilherme Grossi Lopes Cançado, chefe do serviço de gastroenterologia do Hospital da Polícia Militar de Minas Gerais.

E mesmo nessa época de pandemia, é bastante importante seguir com a terapia. De acordo com o Ministério da Saúde e as associações médicas, caso o paciente esteja com sintomas ou seja diagnosticado com covid-19, a conduta em relação ao medicamento para DII deve ser determinada pelo médico responsável pelo tratamento.

Dessa forma, é possível seguir sem grandes riscos e mantendo a qualidade de vida. “Hoje, sei que tenho que tomar os remédios regularmente e entendo os sinais do meu corpo para assim poder resolver o problema o quanto antes. E o melhor de tudo: posso fazer atividades rotineiras sem grandes problemas”, comemora Julia Assis.

Diarreia: conheça um dos principais sintomas do tumor neuroendócrino (TNE)

Muitas vezes os sintomas do tumor neuroendócrino (TNE) não são específicos e são comuns a outras doenças, o que dificulta seu diagnóstico.1 A diarreia é um deles, que por se manifestar em condições de saúde não graves, é encarada como normal por muitas pessoas que acabam deixando de procurar ajuda médica.2

Mas ao perceber o sintoma, é sim preciso consultar um especialista para um diagnóstico correto.2 É importante lembrar que a detecção precoce do TNE é fundamental para sua cura.3 Além disso, as pessoas devem ter consciência de que a diarreia não é normal e existem maneiras de superar ou conviver melhor com esse sintoma.2,4

Diarreia persistente: sinais de que algo não vai bem

A diarreia consiste na evacuação de fezes líquidas de forma frequente e sem controle, que ocorre três ou mais vezes ao dia.5,6 Existem diversas causas possíveis, muitas vezes sendo apenas uma infecção estomacal ou intoxicação alimentar.

5,7 Nesses casos, a diarreia é aguda e dura somente alguns dias.5,6 Quando o sintoma se apresenta por mais de duas semanas, a diarreia é considerada crônica e necessita de acompanhamento médico.

5,6 Procure um especialista imediatamente caso note algum dos seguintes sinais e sintomas:8

  • Seis ou mais evacuações líquidas/pastosas diárias por mais de dois dias8
  • Sangue nas fezes ou na região retal8
  • Perda de peso causada pela diarreia8
  • Febre de 38°C ou mais alta8
  • Incapacidade de controlar evacuações8
  • Diarreia ou cólicas abdominais por mais de um dia8
  • Diarreia acompanhada por tontura8
  • Diarreia secretora (noturna e em grandes quantidades)6

A diarreia persistente, principalmente a noturna, pode ser um indício de alguma doença.

6,7 É importante consultar um especialista para checar se há uma condição de saúde mais grave por trás do sintoma, como o tumor neuroendócrino.

1,7 Não a encare como algo normal, mas sim como um alerta de que algo não está bem com seu organismo e busque o diagnóstico correto com um especialista.7

Buscando ajuda médica especializada

A manifestação de diarreia não significa a existência do tumor neuroendócrino, mas indica a necessidade de procurar ajuda médica especializada.3 O diagnóstico precoce de TNE é fundamental para o combate do tumor, aumentando inclusive as chances de cura da doença.3

O gastroenterologista é o médico mais indicado para o diagnóstico e tratamento de doenças ou alterações de todo o trato gastrointestinal.9 Ele será capaz de descobrir a causa exata da diarreia, de modo a oferecer recomendações e tratamento específicos para seu caso, garantindo os melhores resultados possíveis.7 Busque ajuda para tentar superar esse sintoma e viver com qualidade.

Caso o paciente seja diagnosticado com TNE, ele deverá ser tratado por uma equipe formada por gastroenterologistas, cirurgiões, oncologistas, endocrinologistas, entre outros especialistas.1,10 O objetivo é trabalhar em conjunto visando atingir os melhores resultados para cada paciente.1,10

Por que a diarreia: o que acontece no corpo de quem tem TNE?

As células neuroendócrinas são aquelas responsáveis pela produção de hormônios que regulam diversas funções do nosso corpo, como a digestão.

1 Os TNEs são tumores raros que podem se originar em qualquer região onde essas células estão presentes, sendo mais comuns no tubo digestivo, no pulmão e no pâncreas.

1,11 Esses tumores são classificados de acordo com a região onde se originam, de modo que os sinais e sintomas são bem variados e dependem da localização do tumor.1,11 A diarreia é um dos principais sintomas do tumor neuroendócrino gastrointestinal e pancreático – dois dos tipos mais comuns de TNE.11

Alguns tipos de TNE secretam hormônios, além de sintetizar e armazenar outros hormônios em excesso.1,10 Quando isso ocorre com hormônios gastrointestinais como a serotonina, o resultado é a diarreia.

10 Outros tipos de TNEs que não produzem hormônios também causam sintomas como a diarreia ao bloquear o órgão onde está localizado.11 Existem outras doenças secundárias em pacientes de TNE que podem gerar esse sintoma.

5 Por isso, é importante buscar um especialista capaz de diagnosticar a causa exata da diarreia para poder tratá-la da melhor forma possivel.5

Como viver com qualidade após receber o diagnóstico de TNE

Apesar da diarreia ser um grande problema enfrentado por quem lida com alguns dos tipos mais comuns de tumor neuroendócrino (TNE), existem várias medidas que podem ser tomadas para superar esse sintoma e garantir uma melhor qualidade de vida.4 Aliviar os efeitos colaterais é uma parte vital do tratamento, chamada de cuidado paliativo.12

Medidas simples como uma dieta saudável são essenciais para o controle da diarreia, já que ela ocorre quando algo não anda bem no trato gastrointestinal.4,8 Algumas formas de ajudar a prevenir o aparecimento ou aliviar o sintoma são:

  • Evitar cafeína, bebidas alcóolicas, lactose, gordura, fibra, suco de laranja e ameixa, vegetais não cozidos, frutas com casca, frutos do mar, carnes malpassadas e comida apimentada.7,8,12
  • Evitar medicamentos laxantes12
  • Comer porções de comida menores e com mais frequência (5 ou 6 refeições pequenas)7,8,12
  • Optar por alimentos de fácil digestão e com pouca fibra. Isso inclui banana, arroz branco, compota de maçã e torrada de pão branco8,12
  • Comer alimentos ricos em potássio como batata, suco de fruta diluído, banana e maçã7
  • Beber água e outros líquidos como soros, sopas e sucos (8 a 12 copos por dia) para previnir a desidratação. Isso também ajuda a substituir os líquidos que você está perdendo7,8,12
  • Comer alimentos que contém probióticos – um tipo de bactéria que ajuda a restaurar uma digestão normal. São encontrados em iogurte e suplementos alimentares8

Outro fator de desconforto que a diarreia pode causar é irritação da pele na região retal.8 Para aliviar, lave a região com água morna, use lenços de bebê para limpá-la e não se esqueça de secá-la gentilmente.8 Pomadas impermeabilizantes, como as que contém gelatina de petróleo, podem ajudar a minimizar a irritação e devem ser aplicadas após a região estar limpa e seca.8

Além disso, manter uma rotina de exercícios três ou mais vezes por semana, como caminhadas de meia hora, propicia um estilo de vida saudável que te ajudará a se sentir melhor.

4 Outra medida importante para aliviar o estresse de se conviver com a doença é procurar ajuda emocional da família e amigos ou até de grupos de apoio.

4 Cuidar da sua saúde física e mental ajuda nos resultados do tratamento do TNE.4

Vale ressaltar que é sempre bom conversar abertamente com sua equipe de especialistas e perguntar quais as melhores maneiras de controlar a diarreia.

12 Um nutricionista será capaz de indicar o melhor plano alimentar para o seu caso, já que o tratamento de TNE deve ser individualizado.

2,4 Pergunte também sobre dicas e recomendações de medicamentos para ajudar no controle da diarreia, mas evite qualquer remédio sem que haja orientação médica.7,12 Tomando precauções e fazendo mudanças no estilo de vida, é possível aliviar os sintomas e viver bem com TNE.4

Referências

1. Minha Vida. Tumor neuroendrócrino: sintomas, tratamentos e causas. Disponível em: https://www.minhavida.com.br/saude/temas/tumor-neuroendocrino Acesso em agosto de 2018.
2. The NET Alliance. What are symptoms caused by GI NET (carcinoids)? Disponível em: http://thenetalliance.com/patient/gastrointestinal-net/gi-net-symptoms.jsp Acesso em agosto de 2018.
3. Canadian Cancer Society.Prognosis and survival for neuroendocrine. Disponível em: http://www.cancer.ca/en/cancer-information/cancer-type/neuroendocrine/prognosis-and-survival/?region=bc Acesso em agosto de 2018.
4. WebMD. Take Care of Yourself With Neuroendocrine Tumors. Disponível em: https://www.webmd.com/cancer/neuroendocrine-tumors-self-care#2 Acesso em agosto de 2018.
5. Living with Neuroendocrine Cancer. Disponível em: https://ronnyallan.net/2016/09/15/neuroendocrine-cancer-the-diarrhea-jigsaw/ Acesso em agosto de 2018.
6. Targeted Oncology. Diagnosing and Treating NET-Related Diarrhea. Disponível em: https://www.targetedonc.com/conference/2017-nanets/diagnosing-and-treating-netrelated-diarrhea Acesso em agosto de 2018.
7. Minha Vida. Diarreia: causas, tratamentos e como previnir. Disponível em: https://www.minhavida.com.br/saude/temas/diarreia Acesso em agosto de 2018.
8. Mayo Clinic. Diarrhea: Cancer-related causes and how to cope. Disponível em: https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/cancer/in-depth/diarrhea/art-20044799 Acesso em agosto de 2018.
9. Tua Saúde. O que faz o gastroenterologista. Disponível em: https://www.tuasaude.com/gastroenterologista/ Acesso em agosto de 2018.
10. Revista Onco. Tumores neuroendócrinos, a “zebra” da oncologia. Disponível em: http://www.oncologiador.com.br/portal/wp-content/uploads/2016/05/ONCO_ED.30-NEUROENDOCRINOS.pdf Acesso em agosto de 2018.
11. WebMD. Types of Neuroendocrine Tumors and Their Symptoms. Disponível em: https://www.webmd.com/cancer/neuroendocrine-tumors-types-symptoms#3 Acesso em agosto de 2018.
12. Cancer.Net. Diarrhea. Disponivel em: https://www.cancer.net/navigating-cancer-care/side-effects/diarrhea Acesso em agosto de 2018.

Diarreia em adultos – Distúrbios digestivos – Manual MSD Versão Saúde para a Família

Normalmente, 60% a 90% das fezes são água. A diarreia ocorre quando não é removida água suficiente das fezes, fazendo com que as fezes fiquem pouco consistentes e mal formadas. As fezes podem conter muita água se

  • Passarem muito rapidamente pelo trato digestivo
  • Contiverem certas substâncias que impedem a absorção de água pelo intestino grosso
  • Contiverem excesso de água secretada pelo intestino
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A passagem (trânsito) rápida das fezes é uma causa frequente de diarreia. Para que as fezes tenham uma consistência normal, deverão permanecer no intestino grosso durante um determinado período. As fezes que saem do intestino grosso muito rápido são aquosas.

Muitos quadros clínicos e tratamentos médicos podem reduzir o período que as fezes ficam no intestino grosso.

Esses quadros clínicos incluem tireoide hiperativa (hipertireoidismo); síndrome de Zollinger-Ellison (um quadro clínico em que ocorre superprodução de ácido por um tumor); remoção cirúrgica de parte do estômago, intestino delgado ou grosso; derivação cirúrgica de parte do intestino; doença inflamatória intestinal (por exemplo, colite ulcerativa); remoção cirúrgica da vesícula biliar (colecistectomia) e o uso de medicamentos como, por exemplo, antiácidos contendo magnésio, laxantes, prostaglandinas, serotonina e até mesmo cafeína. Muitos alimentos, especialmente os ácidos ou com quantidade muito alta de açúcar (como xarope de waffle ou de bordo), podem aumentar a taxa de trânsito. Algumas pessoas não toleram alimentos específicos e sempre desenvolvem diarreia depois de consumi-los. O estresse e a ansiedade também são causas comuns.

A diarreia osmótica ocorre quando certas substâncias que não podem ser absorvidas pela parede do cólon permanecem no intestino. Essas substâncias fazem com que uma quantidade excessiva de água permaneça nas fezes, causando diarreia.

Alguns alimentos (como certas frutas e leguminosas) e substitutos do açúcar em alguns alimentos, doces e gomas de mascar dietéticas (como hexitol, sorbitol e manitol) podem causar diarreia osmótica. A deficiência de lactase também pode causar diarreia osmótica.

A lactase é uma enzima que normalmente se encontra no intestino e converte a lactose (açúcar do leite) em glicose e lactose, de modo que possam ser absorvidas pela corrente sanguínea. Quando as pessoas com deficiência de lactase bebem leite ou consomem laticínios, a lactose não é digerida.

À medida que a lactose se acumula no intestino, ela causa diarreia osmótica – um quadro clínico conhecido como intolerância à lactose. A gravidade da diarreia osmótica depende da quantidade de substância osmótica consumida. A diarreia cessa logo que se deixe de beber ou comer a substância.

O sangue presente no trato digestivo também atua como agente osmótico e resulta em fezes negras tipo alcatrão (melena). Outra causa de diarreia osmótica é um crescimento excessivo de bactérias intestinais ou de bactérias que normalmente não são encontradas no intestino. Os antibióticos podem causar diarreia osmótica ao destruírem as bactérias intestinais normais.

A diarreia secretora ocorre quando o intestino delgado e o grosso secretam sais (especialmente cloreto de sódio) e água nas fezes. Certas toxinas, como a toxina produzida durante uma infecção de cólera ou durante algumas infecções virais, podem causar essas secreções.

As infecções por certas bactérias (por exemplo, Campylobacter) e parasitas (como Cryptosporidium) podem estimular as secreções. A diarreia pode ser intensa, com evacuação de mais de um litro de fezes por hora em casos de cólera.

Outras substâncias que causam a secreção de água e sais incluem determinados laxantes, como o óleo de rícino e os ácidos biliares (que podem se acumular no cólon após cirurgia de remoção de parte do intestino delgado).

Certos tumores raros como, por exemplo, o carcinoide, o gastrinoma e o vipoma também podem causar diarreia secretora, assim como alguns pólipos.

A diarreia exsudativa ocorre quando o revestimento do intestino grosso se inflama, apresenta ulceração ou se congestiona e libera proteínas, sangue, muco e outros líquidos, aumentando o volume e o conteúdo líquido das fezes.

Esse tipo de diarreia origina-se a partir de diversas doenças, como colite ulcerativa, doença de Crohn, tuberculose e câncer, como o linfoma e o adenocarcinoma.

Quando o revestimento do reto é afetado, as pessoas tendem a sentir urgência em defecar e o fazem frequentemente, pois o reto inflamado é mais sensível à expansão (distensão) provocada pelas fezes.

A diarreia causada por má absorção é caracterizada pela presença de óleo ou gordura nas fezes e marcas oleosas no vaso sanitário depois de dada a descarga. A má absorção dos sais biliares, algo que pode ser causado por outros distúrbios, pode provocar diarreia através do estímulo da secreção de água e eletrólitos; as fezes têm coloração esverdeada ou alaranjada.

Ingrediente que causa diarreia
Goma de mascar e balas sem açúcar, cerejas doces ou ameixas Hexitol, sorbitol ou manitol
Suco de maçã, suco de pera, uvas, mel, tâmaras, castanhas, figos, refrigerantes (especialmente com sabor de fruta), ameixas, xarope de waffle ou de bordo
Leite, sorvete, iogurte ou queijo cremoso
Café, chá, refrigerantes à base de cola ou remédios para dor de cabeça de venda livre
Certas batatas fritas ou sorvete sem gordura

Diarreia é uma defesa do corpo e não deve ser interrompida, dizem médicos

A diarreia é uma defesa do corpo para eliminar vírus, bactérias ou parasitas, os três principais causadores da doença. Junto com esses micro-organismos, saem água, sais minerais e outros nutrientes, além das fezes, que se tornam mais líquidas e intensas.

Por ser um mecanismo para combater invasores, o problema não deve ser interrompido por remédios, e passa sozinho em dois dias a duas semanas. Os primeiros momentos são os piores, em que há mais volume de cocô e/ou vômito. Após três dias, a mucosa do intestino é capaz de se regenerar totalmente.

Quem tirou todas as dúvidas sobre o tema no Bem Estar desta quinta-feira (21) foi a pediatra Ana Escobar, ao lado do clínico geral e infectologista Paulo Olzon. Por dia, o Brasil registra mais de 4 mil novos casos e 15 mortes por diarreia, que se não tratada da forma correta – com a hidratação do paciente – pode até matar, principalmente crianças menores de 1 ano.

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Essa infecção ocorre principalmente pela falta de saneamento básico ou higiene, alimentos e água contaminados. Lavar e desinfetar superfícies, utensílios e equipamentos antes da preparação da comida, além de proteger a cozinha contra insetos e animais de estimação, são passos fundamentais.

Outro gesto simples, como guardar o açucareiro na geladeira para evitar formigas, é capaz de impedir a transmissão, que ocorre de pessoa para pessoa. Outras medidas básicas são: dar descarga com a tampa do vaso sanitário fechada e manter o lixo sempre tampado, já que o contágio pode acontecer em um raio de até seis metros.

Além de micróbios, fatores emocionais, como estresse ou nervosismo, e uma descarga de adrenalina podem desencadear a diarreia.

A principal recomendação é tomar muito líquido – como água, água de coco, sucos, chás, isotônicos e o soro de reposição oral (disponível nos postos de saúde) –, manter uma alimentação leve e esperar que a situação passe. Refrigerante não deve ser consumido nesse caso.

Situações mais graves, em que o indivíduo fica sem forças e desnutrido, exigem internação. O paciente também pode apresentar náusea, vômito, febre, dor abdominal e até sangue ou muco nas fezes.

Na superfície intestinal, há uma série de ondinhas (vilosidades) que servem para “atrasar” o trânsito dos alimentos e favorecer a absorção dos nutrientes.

Bactérias, por exemplo, grudam no topo dessas vilosidades, e as substâncias ruins (toxinas) produzidas por elas abrem uma espécie de “comporta” na parte de baixo da onda, liberando água das células.

A água leva embora as toxinas e também os nutrientes, acelerando todo o trânsito intestinal.

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece para menores de 1 ano uma vacina contra um dos vírus causadores da diarreia infecciosa, o rotavírus. A primeira dose deve ser tomada entre 1,5 mês até 14 semanas e a segunda, entre 14 semanas e 5,5 meses. O intervalo mínimo entre elas deve ser de 30 dias.

Segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), de 2000 a 2009 o país teve 49.573 mortes por diarreia e gastroenterite de origem infecciosa presumível. Por ano, foram 5,5 mil óbitos.

A taxa de mortalidade para cada 100 mil habitantes variou, entre 2000 e 2009, de 27,18 para 85,21 (mais que triplicou) em menores de 1 ano; de 2,37 a 4,11 (quase dobrou) na faixa etária de 1 a 4 anos; de 0,18 a 0,38 (mais que dobrou) na faixa de 5 a 9 anos; e de 1,58 para 2,18 (aumento de 40%) em maiores de 10 anos.

Na região Norte, o índice passou de 2,80 para 3,88 (aumento de quase 40%); no Nordeste, de 3,53 para 5,89 (aumento de quase 70%); no Sudeste, de 1,34 para 2,07 (aumento de mais de 50%); no Sul, de 1,21 para 2,30 (aumento de 90%); e no Centro-Oeste, de 1,82 para 3,02 (aumento de 65%). As regiões Sul e Nordeste são, portanto, as que tiveram uma maior elevação de óbitos no período.

  • Sinais clínicos para identificar a gravidade da diarreia: – Dobrar a pele da barriga (na criança) ou da testa (no idoso). Se ela demorar para voltar, pode ser sinal de desidratação
  • – Pressão arterial abaixo do normal (12 por 8), o que pode indicar desidratação
  • – Aumento da frequência cardíaca: o sangue circula mais rápido em caso de desidratação. Os batimentos por minuto sobem, por exemplo, de 80 para 120
  • – Secura da boca, língua ressecada e sede
  • – Apertar as unhas e abrir e fechar as mãos para observar a irrigação sanguínea. Se o sangue demorar para retornar, pode ser desidratação
  • – Urina concentrada, de cor amarelo escuro
  • – Olhos fundos, principalmente em crianças
  • – Prostração. Não conseguir fazer atividades normais é sinal de alerta e exige uma ida ao pronto-socorro
  • Medicamentos

A automedicação é muito ruim e pode piorar o quadro de diarreia. A indicação de antibióticos só pode ser feita por um médico e ocorrer quando o benefício for inquestionável, pois a doença aguda, em grande parte das vezes, tem um curso limitado.

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