Sou Como Sou E Nao Como Querem Que Seja?

Sou Como Sou E Nao Como Querem Que Seja?

Tenho mil defeitos e erro toda hora, mas sou assim mesmo e acho que jamais irei mudar.

Sou Como Sou E Nao Como Querem Que Seja?

Nem sempre tenho as melhores atitudes, nem sempre faço o que está certo, mas o que sai de mim é genuíno, é tudo que tenho para dar.

Sou Como Sou E Nao Como Querem Que Seja?

Quero quente ou frio, alegria ou tristeza; quero viver esta vida por inteiro e com intensidade máxima.

Sou Como Sou E Nao Como Querem Que Seja?

Eu sou assim, de um jeito meio torto mas uma originalidade sem fim!

Sou Como Sou E Nao Como Querem Que Seja?

Hoje eu sou assim, amanhã posso mudar. Tenho a cabeça aberta e não tenho medo de crescer e me transformar.

Sou Como Sou E Nao Como Querem Que Seja?

Não sou como muitos gostariam que fosse, mas sou assim como eu quero ser do jeito que sou feliz.

Sou Como Sou E Nao Como Querem Que Seja?

Eu sou como sou e nada vai me desviar do meu caminho.

Sou Como Sou E Nao Como Querem Que Seja?

Em constante construção, praticando o bem em qualquer circunstância: eis quem eu sou.

Sou Como Sou E Nao Como Querem Que Seja?

A verdadeira felicidade é ser exatamente quem você é!

Sou Como Sou E Nao Como Querem Que Seja?

Eu não sou como muitos gostariam que fosse, mas sou do jeito que Deus me fez e sinto orgulho em ser assim!

Fernando Pessoa

    Sou Como Sou E Nao Como Querem Que Seja? Não sou nada.Nunca serei nada.Não posso querer ser nada.À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.Janelas do meu quarto,Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é(E se soubessem quem é, o que saberiam?),Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,E não tivesse mais irmandade com as coisasSenão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da ruaA fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitadaDe dentro da minha cabeça,E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.Estou hoje dividido entre a lealdade que devoÀ Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.Falhei em tudo.Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.A aprendizagem que me deram,Desci dela pela janela das traseiras da casa.Fui até ao campo com grandes propósitos.Mas lá encontrei só ervas e árvores,E quando havia gente era igual à outra.Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!Gênio? Neste momentoCem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,E a história não marcará, quem sabe?, nem um,Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.Não, não creio em mim.Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?Não, nem em mim…Em quantas mansardas e não-mansardas do mundoNão estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,E quem sabe se realizáveis,Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?O mundo é para quem nasce para o conquistarE não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,Ainda que não more nela;Serei sempre o que não nasceu para isso;Serei sempre só o que tinha qualidades;Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,E ouviu a voz de Deus num poço tapado.Crer em mim? Não, nem em nada.Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardenteO seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.Escravos cardíacos das estrelas,Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;Mas acordamos e ele é opaco,Levantamo-nos e ele é alheio,Saímos de casa e ele é a terra inteira,Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.(Come chocolates, pequena;Come chocolates!Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.Come, pequena suja, come!Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)Mas ao menos fica da amargura do que nunca sereiA caligrafia rápida destes versos,Pórtico partido para o Impossível.Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,Nobre ao menos no gesto largo com que atiroA roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,E fico em casa sem camisa.(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,Ou não sei quê moderno – não concebo bem o quê -Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!Meu coração é um balde despejado.Como os que invocam espíritos invocam espíritos invocoA mim mesmo e não encontro nada.Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,Vejo os cães que também existem,E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)Vivi, estudei, amei e até cri,E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o raboE que é rabo para aquém do lagarto remexidamenteFiz de mim o que não soubeE o que podia fazer de mim não o fiz.O dominó que vesti era errado.Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.Quando quis tirar a máscara,Estava pegada à cara.Quando a tirei e me vi ao espelho,Já tinha envelhecido.Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.Deitei fora a máscara e dormi no vestiárioComo um cão tolerado pela gerênciaPor ser inofensivoE vou escrever esta história para provar que sou sublime.Essência musical dos meus versos inúteis,Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,Calcando aos pés a consciência de estar existindo,Como um tapete em que um bêbado tropeçaOu um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltadaE com o desconforto da alma mal-entendendo.Ele morrerá e eu morrerei.Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,E a língua em que foram escritos os versos.Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como genteContinuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,Sempre uma coisa defronte da outra,Sempre uma coisa tão inútil como a outra,Sempre o impossível tão estúpido como o real,Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.Semiergo-me enérgico, convencido, humano,E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-losE saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.Sigo o fumo como uma rota própria,E gozo, num momento sensitivo e competente,A libertação de todas as especulaçõesE a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.Depois deito-me para trás na cadeiraE continuo fumando.Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.(Se eu casasse com a filha da minha lavadeiraTalvez fosse feliz.)Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.

    • Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo

    Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.Álvaro de Campos, 15-1-1928

Cinco poemas de amor de Fernando Pessoa – Português

Fernando Pessoa, poeta português que ao longo de sua vida produziu não só em língua portuguesa, mas também em língua inglesa, deixou uma vasta contribuição para a literatura universal. Poeta de múltiplas faces, foi vários e ao mesmo tempo um só: seus heterônimos são sua marca registrada, todos eles com biografias e estilos próprios, característica que fez dele um escritor incomparável.

Seus poemas mais conhecidos foram assinados por seus principais heterônimos: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis, além de um semi-heterônimo, Bernardo Soares, que seria o alter ego do escritor.

Como o amor sempre foi uma temática constante em sua obra literária, o sítio de Português escolheu cinco poemas de amor de Fernando Pessoa para você adentrar no universo desse enigmático e surpreendente poeta.

Poucos souberam traduzir em palavras, e com tamanha maestria, esse sentimento que nutre a vida humana. Boa leitura!

Sou Como Sou E Nao Como Querem Que Seja? Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis estão entre os heterônimos de Pessoa. O Livro do desassossego é assinado por Bernardo Soares

Presságio

 O AMOR, quando se revela,  Não se sabe revelar.  Sabe bem olhar p'ra ela,  Mas não lhe sabe falar.    Quem quer dizer o que sente  Não sabe o que há de dizer.  Fala: parece que mente…  Cala: parece esquecer…

   Ah, mas se ela adivinhasse,  Se pudesse ouvir o olhar,   E se um olhar lhe bastasse  P'ra saber que a estão a amar!    Mas quem sente muito, cala;  Quem quer dizer quanto sente  Fica sem alma nem fala,  Fica só, inteiramente!    Mas se isto puder contar-lhe  O que não lhe ouso contar,  Já não terei que falar-lhe

 Porque lhe estou a falar…

Fernando Pessoa

Todas as cartas de amor…

Todas as cartas de amor são Ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem Ridículas. Também escrevi em meu tempo cartas de amor, Como as outras, Ridículas. As cartas de amor, se há amor, Têm de ser Ridículas.

Mas, afinal, Só as criaturas que nunca escreveram Cartas de amor É que são Ridículas. Quem me dera no tempo em que escrevia Sem dar por isso Cartas de amor Ridículas. A verdade é que hoje As minhas memórias Dessas cartas de amor É que são Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas, Como os sentimentos esdrúxulos, São naturalmente

Ridículas.)

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Álvaro de Campos

Quando Eu não te Tinha

Quando eu não te tinha  Amava a Natureza como um monge calmo a Cristo.  Agora amo a Natureza  Como um monge calmo à Virgem Maria,  Religiosamente, a meu modo, como dantes,  Mas de outra maneira mais comovida e próxima …

  Vejo melhor os rios quando vou contigo  Pelos campos até à beira dos rios;  Sentado a teu lado reparando nas nuvens  Reparo nelas melhor —  Tu não me tiraste a Natureza …  Tu mudaste a Natureza …

  Trouxeste-me a Natureza para o pé de mim,  Por tu existires vejo-a melhor, mas a mesma,  Por tu me amares, amo-a do mesmo modo, mas mais,  Por tu me escolheres para te ter e te amar,  Os meus olhos fitaram-na mais demoradamente  Sobre todas as cousas.  Não me arrependo do que fui outrora 

  • Porque ainda o sou. 
  • Só me arrependo de outrora te não ter amado.
  • Alberto Caeiro
  • O Amor É uma Companhia

O amor é uma companhia.  Já não sei andar só pelos caminhos,  Porque já não posso andar só.  Um pensamento visível faz-me andar mais depressa  E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.  Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.

  E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.  Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.  Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.  Todo eu sou qualquer força que me abandona.

  Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio. 

  1. Alberto Caeiro
  2. Não Sei se é Amor que Tens, ou Amor que Finges

Não sei se é amor que tens, ou amor que finges,  O que me dás. Dás-mo. Tanto me basta.              Já que o não sou por tempo,              Seja eu jovem por erro.  Pouco os deuses nos dão, e o pouco é falso.  Porém, se o dão, falso que seja, a dádiva              É verdadeira. Aceito,              Cerro olhos: é bastante.              Que mais quero? 

Ricardo Reis

Quem eu realmente sou

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Reflexões do Dia

Reflita sobre os mais diversos assuntos do cotidiano!

Sou o que sou e não o que dizem

Cerca de 287 frases e pensamentos: Sou o que sou e não o que dizem

Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso! Sou é caladão, introspectivo. Não sei porque sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros?

Mario Quintana

Para mim é um fato que, se todos os homens soubessem o que os outros dizem deles, não haveria quatro amigos no mundo. Isto resulta das contendas, que referências indiscretas ocasionalmente originam.

Blaise Pascal

Não sou tão certinha quanto dizem
E, na verdade nem quero ser,
Afinal não sou perfeita e cansei de tentar ser… Não sou obrigada a concordar com tudo,
Tenho minha própria maneira de pensar,
Chega de tentar superar expectativas de alguém,
Sou humana e cheia de imperfeições…

porém gosto de agradar quem amo, e por isso posso fazer me parecer fraca, mas isso me fortalece. Sei fazer minhas próprias escolhas,
Pois sei distinguir certo do errado,
Mas se eu errar, lembra, já disse, que não sou perfeita…
ninguém é, então não espere que eu seja.

As vezes ajo em meio a raiva, por impulso, tenho meus cinco segundos, faço coisas que gera espanto… então mais uma vez não espere de mim só perfeição… Não sou uma pessoa de meios termos… sou de extremos… ou amo, ou não… (não sei odiar, prefiro ignorar).
Brigo quando não estou satisfeita, não sei ser falsa e fingir que tudo estar bem.

Quando falo e não sou entendida… até tento, tento, falo novamente, uma, duas, três vezes, mas quando eu desisto, esquece dificilmente eu volto atrás. Não sei contar piadas,
Não entendo o porquê de algumas polêmicas e o pior, que por algum motivo acham que eu as crio!
Canto pra ficar feliz e pra espantar a carga negativa.

Gosto de ser paparicada, respeitada…
Sou do tipo romântica, dramática, já fui muito sonhadora (não que agora não tenha sonhos) hoje prefiro acreditar na realidade. Há dias que choro por nada e há dias que estou tão feliz que nem sei o porquê…

Se pedir minha opinião, vou lhe dizer o que penso, de uma forma simpática, mas vou lhe dizer a verdade.
Então, agora em meio ao pouco que sabe de mim, fale o que quiser, não vou deixar de ser eu mesma para evitar críticas. Sou tudo isso e mais um pouco…

Ou muito mais…

Fabiana Barbosa

Lobo Solitário Muitos dizem que sou triste por escolha própria, talvez seja. Penso que eles não veem o meu lado. Todos eles estão apenas interessado em seu clã, eu… Bom… Sou apenas um lobo solitário sem nenhuma matilha.

Tentei me encaixar, mas parece que sou fogo sobre água, não se misturam, acontece justamente o contrário um acaba destruído o outro. Bom… “A viajem é longa” e com a igualdade de um lobo não posso esperar, estou sempre a caminho, pensando bem não há nenhum lugar para chegar.

Todos encontraram seu lugar, eu ainda distante de todos me encontro perdido, não sei aonde ir ou por onde começar. Apenas sei que o caminho para o nada é para qualquer lugar, e o qualquer lugar não é logo alí do outro lado. Tudo é confuso e difícil, nada é fácil. Talvez eu dificulte tudo.

Na longa viagem rumo a caminho do nada, encontro lobos como eu, aqueles que não se adaptam, aqueles que querem se encaixar no mundo, aqueles que estão perdidos sem razão, que são solitários por não ter opção, talvez eles amem isso como eu amo.

“Não sabemos de onde viemos, ou, para onde iremos” tudo o que queremos é uma boa família que nos acolhem, talvez algum dia a encontramos.

Orlando Biotoviski

As pessoas dizem que tudo é questão de tempo e de jeito de falar! Mas pra mim isso não é a realidade que vivemos, claro que tudo isso contribui dependendo da situação, mas nada muda, somos diferentes, com aparências e jeitos diferentes, ninguém nunca vai agradar a todos, primeiro porque todo mundo tem suas qualidades e seus defeitos, os quais de vez em quando vão ” bater de frente ” com seu próximo! Mas apesar de tudo somos seres humanos, erramos, e só assim aprendemos, alguns demoram, outros não, mas faz parte, e cabe a você reparar os seus fracassos primeiro, pra depois pensar em apontar o do seu próximo! Julgar, duvidar, brigar, querer andar no caminho errado, é muito fácil, e muita das vezes até bom, mas é um bem momentâneo, que com certeza não vai ter um bom fim se não houver mudanças antes. Precisamos entender que pra começar uma nova história, não podemos apenas virar a página, porque podemos enfraquecer e voltarmos nela para relembrar de vez em quando e isso nos impede de viver o nosso presente, então não vire a página, arranque ela; e comece um novo capitulo em uma nova pagina, onde não há rascunhos, e sim uma bela folha branca onde você já está curando o seu passado, vivendo o seu presente, e tendo esperança o bastante para sonhar o futuro que você molda a cada dia! E não deixe nada pra depois, o tempo passa muito rápido, e a pior coisa é se arrepender de uma coisa que nunca tentou, e não espere nada de ninguém, mude a si mesmo e tente até conseguir!
” O futuro é o presente, e o presente já passou “

Não deixe o tempo passar, e perder o que você poderia ganhar se não fosse pelo medo de tentar!

Carol Andrade

Sei quem sou, mas prefiro não ter uma opinião formada sobre mim. Dizem que quem se define se limita, discordo. Quem se define, possui autoconhecimento. Mas me definir eu diria que é uma tarefa difícil, porque as vezes nem eu mesmo me entendo.

Hareeý Araújo.

Me importo sim com o que dizem de mim, mas isso não quer dizer que eu vá mudar a minha vida por causa de um comentário de alguém que acha que pode me julgar.

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Pineapple – Poesia Acústica #9 – Melhor Forma

[Intro: Lourena]Ah, ah, ah, ah, ah, Poesia 9. Salve Malak.

[Verso: L7nnon]Se ela disser que me ama, eu vou mudar de vida, ahnMe chama de vida pra tu verse eu não te faço feliz como ninguém fezAinda, bebêOlha só como ela dança, olha só como ela desceSerá que ela tá com alguém? Se não tiver, humm, esqueceEsse teu jeito me deixa maluco, hoje ela tá de laceAno passado ela disse pra amigaque me conheceu navegando no Face'Olha pra mim, disfarça, ela gostou do meu disfarceEssa parece complicada, deve ser uma mulher de fasesMe diz: qual a necessidade de tu ser tão linda?Ou melhor, como que a gente não se conhece ainda?Eu quis dizer: linda, seja muito bem-vindaEu tento falar sério, mas na beleza ela brincaNós brinda, deita na grama e observa o marNós brinca, deita na cama e larga o celularNosso amor tem muito mais valor que cédulaVou vender os finin' de ouro pra te comprar pérolaHoje tô pra te levar naquele lugar da primeira vezMas preciso saber se você vemHoje eu tô pra te contar, tô pra te encontrar às trêsEla é a perdição e acabou que eu virei refémCinto da Louis Vuitton, bebendo GuaravitonHoje eu borro teu batomvai me dizer que tu não tá a fim? Ah tá bomOlha o caminho que nós trilhaprefere praia, cachoeira ou trilha?Como essa boneca anda sem pilha?L7, Poesia mais de cem milha' e fé[Verso 2: Chris Mc]Enrolado em seus caracóisJurando que se ela disser que me amahoje eu mudo de vidaJá pensou, bem? Se 'cê vem: bem vindaPensando na primeira vez que te viEngraçado eu não ter notadoque o que eu procurava tava bem aliHoje é só amor e fé e se for amor, 'cê já sabeSó eu… Na real, só nós, quero sua voz suaveMesmo sem entender de quase nada'Cê dá sinais falando a madrugadaSobre querer sumir no mundo e não lembrar de nadaSobre eu viver a vida pra te imaginar peladaLinda, a gente se dá bem… Tão bemAhn, infinitas vezes seu refém, meu bem, ahn[Verso 3: Xamã, Chris Mc, Xamã & Lourena]Quantas vezes eu vou ter que te falar que ela não presta?Mas sem ela eu não sou felizTô cansado dessa porra, várias gostosa na festaTô contigo, 'cê sabe o que dizXamã inventa qualquer desculpaQue essa filha da puta ainda te ama demaisMermão, eu já tô preso, envolvidoEla adora um bandido, eu tô fudido demaisFoi bom te ver vilã, amante, amiga, ex-namoradaPorque sorri como se fosse uma flor machucada?Meu tempo é curto, já não perco mais tempo com nadaMudei de número, no outro 'cê tá bloqueadaBebê, não tô vendo você, vemDá um beijo aqui no Darth VaderNós que manda nessa porra, heinIgual o negão daquele filme, o BladeCheio de marra, peida pra ninguémHoje eu vou voltar pra casa às seis eTouca raio laser, a vida é louca e zenEu quero sex, baby, eu sou o Jhonny BlazerAqueles malvadão' do Wu-TangFugir da polícia de FaserE ela me disse, eu sou tão louco às vezesMeu aniversário é sexta-feira 13A vida é realmente uma piadaMeu quarto ainda tem seu cheiro, minha anja safadaViajo todo tempo mesmo sem sair de casaDe volta pro futuro, te encontrei na minha quebrada[Verso 4: Lourena]Você sabe bem quando faz bemMas 'cê sabe bem como faz malNessa briga na real não sei bem nem o finalQual é o motivo dessa vez? Não seiLiguei pras amiga' que já tô decididade acabar com tudo e fuder com a tua vidaSe tu vier de graça, acabo com a tua marraVerdade na sua cara, 'cê gosta das que falam, né?Quando você reparar, quando você me notarJá vai ser tarde demais, não vai dar tempo, mudarQuero alguém pra me valorizardizer que eu amo sem me preocuparSe é uma verdade ou é uma mentiraque no fundo, futuro vai machucarFala, fala, mas não me esqueço do que foi (Se foi)Quantas vezes você fez promessas pra nós dois (Nós dois)Eu pensando no agora e tu sempre no depois (Depois)Nunca mais diga que ama se tua responsanão condiz com a famaA vida é realmente uma piadaE quem diria eu estaria aqui tão bem cuidadaO meu amor é o que me rege, eu não te devo nadaMudei meu número, não quero essa agenda lotadaAh, como é que eu faço pra lidarCom esse defeito de amarNão dá pra bem entender, mas eu gosto de vocêQuando a gente se junta, esquenta[Verso 5: Cesar Mc]Ela disse assim pra mimQue esse amor não vai ter fimEu disse “linda, não importa o tempo maissó você me satisfaz”Quando ela passa o olhar não disfarçao quanto, no peito, você é bem vindaLinda, desculpa o olhar de espanto'cê parece tanto o amor da minha vida, né?Fala pra mim assim, que isso é realidadeComo dizia Chorão: é guerreirauma deusa, mulher de verdadeVamo daqui pra outra cidade, ela me chamaOnde as pessoas são de verdade, ela me chamaE eu vou mandar umas flores só pra te dizerQue a vida tem espinhos, pode machucarMas lembre dessas flores sempre que doerPra saber que, em meio as dores, vale a pena amarMe diz, quando essa quarentena acaba?Eu vou matar o Corona nem que seja na porradaBateu saudade ouvindo sua voz pela chamadaEu poderia ouvir a vida inteira sua risadaÉ que ela disse assim pra mimQue essa amor não vai ter fimNão importa o tempo maisSó você me satisfaz[Verso 6: Djonga]Nós embalado' ao som de Marília MendonçaLembrei que sou louco por vocêIgual Mendonça d'A Grande FamíliaLouco com a amiga da Dona NenêFalar em família, quero uma bem grandeTu topa uma tropa saindo d'ocê?Dou papá na boca e de falta de tapa na bundajuro, tu nunca vai sofrerBebel, deixa eu ser seu Agostinho CarraraNão dirijo Tx, tô de FerrariHá um tempo atrás, sabe, eu tava ferradoEra o ferro na cinta e nada no bolsoAté onde o sol toca é o nosso reinoSó não foge igual Simba do MufasaNós tá igual Gabigol em 2019 (Uh) que fase, heinDiz que me acha original (Yeah)Os outros paralelo ou réplicaMe falou no ouvido “que flow, que métrica” e etc, etcQuê que 'cê quer ser na minha vida?Ela disse “eterna”, quer ser motoristae não passageira igual aquela onda de lança láPromessa se faz pra poder pagarEntão tipo Julius eu vou 'tá láÓ que contradição, ela de costasé um problema que o pai gosta de encararNo meu colo, hoje tu vai delirarNo seu calo, eles vão querer pisarAfetar quem eu amo é arma do covardejá que não achei um pra me peitarÉ que tu me chama de tudoMuitos me acham nadaSou feliz assim porque unanimidade é piadaÉ que eu enchi o bolso mas não mudei de causaE aquele boy só quer saber se ela é de marca ou falsaA qualquer governo, sou oposiçãoNunca deram nada pra nós, né, minha filha?Se aceite, somos perfeitos, um foda-se ao padrãoNossos corpos são muito mais do que mercadoriaAí, Malak… Nunca mais faço isso, tá?Mas o som é sobre amor, tá doidaE tu fica tão bem pelada ou de roupaMas tá difícil sorrir, nesse mundodoente com tanta gente loucaE eu quero que as pessoas me entendamQuero que os porteiros me atendamOu melhor, que as portas se abramE meus irmãos nunca se vendamAceitei meus anjos e demôniosFiz um mix, deu nisso, tá vendo?Sou a voz de Deus porque vim do povoDjonga: se rendam[Verso 7: Filipe Ret]Ret, boladãoSem rodeio, só visãoApenas façaTu pode não ter talento mas raça é obrigaçãoSem perdão, louco pra sempreTô deixando que o bobo se queimeOs que tentaram falar: um tirou o som do aros outros são peso morto no gameEu te proponho o genial porque fiz desse sonho, realEvolução sim, eu sei, se eles se acham reivirei patrimônio imaterialEstilo original, Fr, supere, na peleeu tô fudendo com o que tem que acabarO mundo quer ver seu nível 'baixar, eleveNão dê amor pra quem merece balaAtrás do money, tô acelerando pela estradaSaudades de você no olho a olho, cara a caraNós dois no clima, tu por cima na onda da bala (Oi)Enquanto o governo mente na televisãoMorro odiando esses filho' da putaprefiro viver da minha disposiçãoE nosso amor é redençãovisão além do alcance nunca foi uma prisãoEu amo nosso lanceLá pro alto, sempre avante (Tey)Positividade, a vida é oportunidade

Eu aproveitei minha chance

Composição: L7NNON | CHRIS | Xamã | Lourena | Cesar Mc | Djonga | Filipe RetOuça estações relacionadas a Pineapple no Vagalume.FM

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Ele não porque eu sou policial

Encontrei uma amiga com a qual estudei durante a sétima série há 15 anos. Adicionei-a ao facebook, fucei um pouco no perfil dela e começamos a conversar. Depois das típicas falas de quem não conversa há tanto tempo, começamos a falar da nossa atual vida.

Ela sempre foi de fazer planos, de ter tudo calculado. Ela desejava ser farmacêutica, depois se casar e ter um neném. E para a minha surpresa, ela havia realizado todos esses sonhos. Depois de o assunto ser a vida dela o assunto virou a minha. Disse que era um policial militar. A resposta dela me surpreendeu.

“Nossa! Você também alcançou o seu sonho!”

Meu sonho? Eu nem me lembrava disso. Que um dia ser policial foi um sonho, mas ela tinha razão. Esforçando-me muito eu consegui me lembrar. Eu sonhava em ser policial desde criança, um policial militar.

Por quê? Por que tinha esse sonho? Mais algumas horas de reflexão para me lembrar de tudo.

Desde pequeno eu via injustiças. Meninos mais fortes maltratarem meninos mais fracos; e eu não era dos mais fortes. Claro, aquilo tudo era coisa de criança. Às vezes brincadeiras, mas eu percebia que aquilo fazia alguém sofrer. Eu queria impedir aquilo com todas as minhas forças, mas eu era fraco.

Meu desejo de equilibrar as coisas me fez querer ser forte, querer ser policial. Desejos de criança, num mundo de criança.

  • Entrei na polícia para isso: para diminuir o sofrimento das pessoas.
  • Bobo, né?
  • Eu queria ser um super-herói, salvar pessoas, lutar contra o mal.

Fui crescendo, muita coisa mudou. Com 17 anos eu não sabia o que fazer da vida. Então entrei na polícia. Uma entrada nada romântica, mas a paixão voltou.

Acho que aquele fogo de criança reacendeu e eu me dediquei o máximo que pude. Não só para absorver a técnica, mas também para absorver a cultura. Se quiser andar com os lobos, seja como os lobos.

Lá ouvi pela primeira vez que não houve ditadura no Brasil, que foi tudo para nos salvar do comunismo. O estudo não era muito valorizado, as provas eram pura decoreba, inclusive a prova de um ano era idêntica a do ano anterior em diversas matérias. Bastava decorar a sequência de respostas para passar.

Também aprendi que mulheres na polícia não servem para nada. Só querem se aproveitar e usar seu charme para conseguir vantagens com os chefes.

Também aprendi que oficial de escritório é Mané, Policial de verdade vai para a rua, trocar tiros, prender ladrão. Policial de verdade está na rua para matar ou morrer.

Aprendi que lá fora é a guerra. Que bandidos querem te matar a todo o momento e que é melhor matá-los antes.

Aprendi que o judiciário nos persegue. Ficam investigando os policiais que trabalham de verdade. Aqueles que trocam tiros, que apreendem drogas, em vez de investigarem bandidos.

Aprendi que para ser um policial reconhecido tem de ter homicídio na ficha. Os mais admirados da minha época chegavam a ter 40 homicídios. Lembro-me de ver um deles passar por nós alunos. Todos pararam para olhar, nos cutucávamos e nos perguntávamos: Qual de nós será igual a ele? Quem será o primeiro a trocar tiros? A matar alguém?

Mas por que matar alguém? Para salvar alguém. Aprendi que o mundo era dividido entre bonzinhos e mauzinhos. Comete crime quem quer. Se quisesse, tinha emprego. E como vou responder ao criminoso? Com flores? Tinha de matar. Matar quem tentasse me matar.

Uma lição valiosa que aprendi: só usa droga quem quer. E quem usa droga financia o crime. São esses cidadãos que causam o caos no mundo. Se não fossem por eles, não tinha arma na rua, não tinha tanto crime. A droga é a culpada de tudo. Por isso precisamos de uma guerra às drogas. Vamos prender drogas até elas acabarem ou ficarem tão caras que ninguém mais vai comprar.

Aprendi que esse negócio de direitos humanos é uma coisa para defender bandidos. Sempre tem um infiltrado de facção criminosa que usa os direitos humanos para prejudicar os policiais que estão dando as suas vidas para o bem da sociedade.

Aprendi que militar não pode sorrir. O termo usado era: fecha a cara. Militar é preparado para a missão! Não pergunte, não questione, apenas cumpra. É sim, senhor ou não, senhor. Nem mais, nem menos.

Aprendi que as regras e leis são importantes, mas é mais importante ter moral com o chefe. Se for para fazer uma moral com o chefe, pode até descumprir uma regra ou lei.

Aprendi que ninguém aprende na conversa, ou com explicação. Só se aprende com punição. Errou? Punido. Uma cadeia ensina tudo. Pena que meus colegas mais punidos estavam cada vez menos se importando com as regras, mas ninguém percebia esse fenômeno. A estratégia era sempre a mesma: punir.

Aprendi que não adianta prender, pois a justiça solta. Ouvi diversas vezes histórias de que policiais prendiam e a justiça soltava. Que os policiais já tinham prendido umas cinco vezes a mesma pessoa, que só tinha um jeito de parar aqueles criminosos (você deve imaginar qual).

Depois dessas e outras importantes lições eu me formei. Animado demais para salvar a sociedade. Pronto para enfrentar qualquer desafio.

Comecei meu trabalho nas ruas. Eu queria prender criminosos, queria participar de confrontos, queria fazer a diferença. Queria ser um bom policial. E onde geralmente dava confronto armado? Nas favelas. Era nelas que eu vivia. Vivia procurando ser o herói para alguém que estaria sofrendo por conta de um crime.

Foi nesse período que eu tive a primeira sensação estranha. Eu andei por todas as favelas que pude, nas cidades mais perigosas, nos bairros mais perigoso, e nada de confronto. Tudo bem, confronto não é algo que aparece quando a gente quer, mas tinham me dito que traficantes queriam matar policiais, e eu andei em todas as bocas de trafico possíveis e nada.

Aquilo era estranho porque meus cálculos não batiam. Eu não conseguiria chegar aos 40 homicídios e ser reconhecido naquele ritmo. Se os melhores tinham 40 homicídios em 10 anos de serviço, eu teria de ter, pelo menos, 1 confronto a cada 3 meses. As coisas estavam estranhas. Traficantes não queriam me matar e confrontos não eram tão abundantes.

Será que mentiram para mim?

Tomei uma decisão em nome da sociedade. Se era preciso ir além para ser um grande policial, para salvar o meu povo, então eu faria. Decidi começar a andar com os policiais reconhecidos, os policiais verdadeiramente operacionais.

Andando com os policiais operacionais a coisa me pareceu ainda mais estranha. A forma que eles narravam os confrontos não parecia um confronto. Alguns deles, inclusive, tinham medo de confrontos armados.

Eu estava ficando confuso. O que me mantinha no foco era a ideia de que eles estavam acabando com o mal. Eles estavam confrontando, ou seja lá o que estivessem fazendo, pessoas más.

Afinal, existem pessoas boas e más.

Eu sempre pensei que estupradores eram aquelas caras tipo o maníaco do parque. Um sujeito bronco, mau por natureza, que sentia prazer no sofrimento da vítima.

Mas todos os estupros que atendi, praticamente, eram casos em que familiares que abusavam de alguma criança ou adolescente. E a família, muitas vezes, escondia o autor.

Talvez o sujeito mau não andasse com uma placa por aí, talvez a gente não pudesse ver pelos olhos. Talvez todos nós possamos fazer maldades, às vezes pensando que estamos fazendo o que é certo.

Com o tempo eu ganhei a confiança dos policiais e aí começaram as revelações sobre a corrupção. Algumas bocas de tráfico não eram diligenciadas, pois algum policial ganhava dinheiro ali, e muitas vezes eram aqueles policiais mais bem vistos.

Eu questionei o porquê e tive como resposta que aquele dinheiro era dinheiro de tráfico, acabaria em mãos corruptas mesmo e, por isso, os policiais pegavam para eles. Não era roubo, eles só estavam tirando de circulação mesmo. Afastei-me.

Perguntei por que ninguém denunciava esses policiais? E descobri que se alguém fizer isso, morre. Morre o policial e a família. Em alguns casos só abusam sexualmente da esposa, do policial e da família. Queria muito lutar contra esse tipo de corrupção, mas não sentia que tinha poder para isso. Até tentei, mas não era capaz. Primeira vez que descobri que realmente existiam milícias.

Comecei a abandonar a operacionalidade pura e partir para a estratégia. Dizia para meus chefes quais seriam os pontos de patrulhamento, dizia quais os locais estavam mais carentes e o que um policial precisava saber e treinar.

Infelizmente, descobri que segurança pública não é prioridade para todo policial, mas promoção é prioridade para uma grande parte. Ações desastrosas, como operações caríssimas que somente apareciam, mas não tinham resultado nenhum, eram e ainda são a moda. Cada um quer erguer o próprio nome.

Agora temos uma nova moda: corridas. Acreditem em mim e confiram a nova tendência.

Descobri que o traficante da favela é um fantoche na mão de um traficante rico, que sequer anda pela favela. Nós prendíamos o pobre, abordávamos todos com a mesma característica (pobre, morando na favela, negro).

A abordagem já era quase uma acusação. Mas abordar um carro de luxo já causava um nervoso nos policiais.

E se o cara questiona a abordagem? E se ele tem advogado? E se ele conhece algum político? A favela era mais segura.

Por que eu não encontrava muitos traficantes armados? E por que, quando encontrava um, ele não atirava em mim? E por que alguns traficantes apareciam mortos e outros não? O que estava acontecendo?

O meu mundo caiu quando eu percebi que aprendi um monte de mentiras. Mentiras que circulam na sua televisão, no seu cotidiano, na sua cultura. Traficantes, normalmente, não tem interesse em matar policiais. Afinal, o policial não incomoda em nada o traficante.

A apreensão de drogas já é contabilizada para o tráfico, é uma perda esperada. Traficantes precisam matar pessoas que ficam devendo, já que eles não têm código de defesa do consumidor.

Eles também precisam matar outros traficantes, já que eles não pagam impostos e a venda é muito lucrativa, logo, como não há como registrar um ponto de venda, você ganha ele na bala.

O policial só incomodaria em dois casos: quando começa a matar traficantes ou quando começa a pegar dinheiro de traficantes. Triste foi descobrir que alguns traficantes morriam porque não pagavam policiais.

Mais triste ainda foi descobrir que, de tanto morrerem, os traficantes mudaram de estratégia. Eles não esperavam mais a polícia matar, eles começaram a matar os policiais. Por causa da ganância de alguns policiais, milhares de outros perderam suas vidas.

Por causa da ganância de policiais o tráfico tomou conta. E aí, redescobrimos que quem mora na favela também é humano. Descobrimos que tem favela que prefere o traficante, pois ele dá comida, saúde, educação e segurança. Tudo que o estado e eu, policial, deveríamos dar.

E qual a resposta que Bolsonaro sugere? Mais mortes.

Não vai adiantar. Quanto mais traficantes morrerem, mais policiais vão morrer, mais gente vai perder filhos com balas perdidas, mais crianças entrarão para o tráfico. Chega de mentir.

Um assalto, um roubo, um furto, um homicídio ferem os direitos humanos. Depois de me formar eu continuei a estudar, sempre gostei. Fui ler, depois de formado, as convenções internacionais de direitos humanos e fui descobrir o que era aquilo que me diziam que “defendia bandidos”.

Li uma das coisas mais lindas. Se os direitos humanos fossem cumpridos, não teríamos roubos, mortes, tanta violência. Por isso não voto em Bolsonaro, pois ele não quer fazer valer os direitos humanos, ele quer restringi-los. O que significa mais mortes, mais violência, mais sofrimento.

Bolsonaro diz que não há excludente de ilicitude e que policiais sofrem por causa da justiça, como eu também aprendi, mas isso é mentira.

Primeiro porque existem excludentes de ilicitude no código penal, ou seja, se um policial matar alguém para se proteger ou proteger terceiros ele será inocentado.

Essa tentativa de diminuir a investigação em cima de policiais que participaram de confrontos só ajuda o policial corrupto e causa a morte do policial correto.

Em quase 10 anos de polícia, eu nunca vi um policial inocente ser condenado, mas já vi alguns casos estranhos gerarem absolvição. A ideia de um judiciário que persegue o policial é falsa. E ela não e disseminada à toa, tem muito policial que precisa de investigação frouxa para continuar corrompendo.

A droga deixou de ser nossa inimiga e fizemos do usuário o nosso alvo. A polícia gasta uma parte enorme do seu efetivo caçando drogas e traficantes, tempo que poderia ser gasto prevenindo assaltos, estupros, furtos, etc. Estamos com o foco errado.

Eu não uso nenhuma droga, nem mesmo álcool, mas tem gente que gosta. Eu não sei por que as pessoas usam drogas, mas elas usam, e isso não significa que cometerão crimes. Nem todo usuário de álcool bate na esposa.

Precisamos mudar o foco para a sociedade e abandonar esse apreço ao dinheiro e esse ódio à droga e ao drogado.

Aprendi muitos nos últimos anos. Tornei-me um policial que luta pelo que acredita. Acabei sendo odiado por alguns, mas paciência. Eu entendi, eu vi, eu estudei. Minha conclusão é: o caminho da violência só gerará mais violência. As propostas de Bolsonaro para a segurança nos transformarão em uma nação caótica.

Existem pessoas más no mundo, pessoas que sentem prazer com a dor dos outros, mas elas são a esmagadora minoria. A maioria dos criminosos não tirou a vida de ninguém e nem teria coragem para fazê-lo. A maioria não teve nenhuma oportunidade de vida, não teve educação.

Somente punir não é o caminho, educar é o caminho, dar chances é o caminho. Como disse, eu conheci policiais que de tanto serem punidos não ligavam mais para a punição e tinham atitudes iguais ou piores depois delas.

Se, em vez de punidos sempre, eles tivessem sido educados, incentivados, certamente a postura seria outra. E não estou dizendo que um crime não deva ser punido, estou dizendo que só a punição não é o suficiente. Todo o mundo quer ser feliz.

Eu já vi bons policiais serem presos porque entraram para grupos de extermínio achando que estavam fazendo o bem. Esse não é o caminho do bem. Violência só gera mais violência.

Está na hora de parar esse ciclo. Por isso é que #elenão.

Martel Alexandre del Colle tem 28 e é policial há 9 anos. É aspirante a Oficial da Polícia militar do Paraná.

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