Ser Como O Rio Que Flui Resumo?

Leitura Concluída em 29 de julho de 2013

Ficha Técnica

Ser Como O Rio Que Flui Resumo?
Obra: Ser Como o Rio que Flui

  • Autor: Paulo Coelho
  • Editora: Agir
  • Ano: 2009
  • ISBN: 9788522010240
  • Número de Páginas: 256

Avaliação:Ser Como O Rio Que Flui Resumo?

Sinopse

     Ser Como o Rio Que Flui: Pensamentos & Reflexões é um corte transversal na anatomia da escrita de Paulo Coelho. Esta compilação de contos, opiniões e ideias constitui um belíssimo reflexo da vasta criação do escritor. Peças literárias de vários períodos e publicações compõem este livro que tece uma linha sensível, acompanhada pelo olhar do criador, detendo-se naqueles pormenores da realidade quotidiana e da contemplação que destilam a sutil filosofia de quem observa a existência com a mesma placidez com que contempla um rio.

Sobre o autor

Ser Como O Rio Que Flui Resumo?
     Paulo Coelho de Souza, nascido no Rio de Janeiro em 24 de agosto de 1947, é um escritor, letrista e jornalista brasileiro. Foi vice-presidente da Fundação Cacique Cobra Coral entre 2004 e 2006. Nascido numa família de classe alta, aos 7 anos Paulo Coelho ingressou no tradicional Colégio Santo Inácio, da então capital do Brasil, o Rio de Janeiro. Profissionalmente, além de diretor e ator teatral, exerce também a função de jornalista em publicações alternativas com as revistas “A Pomba” e “2001”, quando em 1972 conhece Raul Seixas, então executivo da gravadora CBS. Os dois se tornam parceiros em diversas músicas que exerceriam influência no rock brasileiro. Foi o responsável por apresentar a Lei de Thelema a Raul Seixas, que fez surgir a partir deste último a Sociedade Alternativa. Compõe também para diversos intérpretes, tais como Elis Regina, Rita Lee e outros. Católico não praticante, em 1986, Paulo Coelho conheceu a viagem de peregrinação pelo Caminho de Santiago. Percorreu quase 800 km do sul da França até a cidade de Santiago de Compostela, na Galiza, experiência de que retirou detalhes para o seu livro O Diário de um Mago, editado em 1987.

     No ano seguinte, 1988, publicou O Alquimista.

Nos anos subsequentes, foram lançados os seguintes livros: Brida (1990), As Valkírias (1992), Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei (1994), Maktub (1994), O Monte Cinco (1996),Manual do Guerreiro da Luz (1997), Veronika Decide Morrer (1998), O Demônio e a Srtª Prym (2000), Histórias para Pais, Filhos e Netos (2001), Onze Minutos (2003), O Gênio e as Rosas(2004), O Zahir (2005), A Bruxa de Portobello (2006), Ser Como o Rio Que Flui (2006), O Vencedor Está Só (2008), O Aleph (2010), Fábulas (2011), Manuscrito Encontrado em Accra(2012), Adultério (2014). 

     Como escritor, ocupa as primeiras posições no ranking dos livros mais vendidos no mundo.

Vendeu, até hoje, um total de 218 milhões de livros, em mais de 150 países, tendo suas obras traduzidas para 66 idiomas e sendo o autor mais vendido em língua portuguesa de todos os tempos, ultrapassando até mesmo Jorge Amado, cujas vendas somam 55 milhões de livros. Paulo Coelho vive em Genebra, Suiça, desde 2007.

Gostaria de saber mais sobre o autor e suas obras? Clique AQUI para acessar seu website.

Resenha e opinião

     Magnífico! “Ser Como o Rio que Flui” é uma compilação de vários textos de Paulo Coelho: contos, lendas, pensamentos e reflexões. Alguns deles são apenas fonte de entretenimento, mas a maioria nos passa uma mensagem interessante. Há aqueles que nos mostram como é importante a realização de nossos sonhos, por menores que sejam. Outros falam sobre amor. Alguns falam sobre a religiosidade e a espiritualidade.

“(…)mas eu aprendi que este sentimento está presente nas pequenas coisas, manisfestando-se na mais insignificante das atitudes que tomamos, portanto é preciso ter o amor sempre em mente, quando agimos ou quando deixamos de agir.”
     A riqueza do livro está na diversidade das histórias, incluindo as que retratam experiências de viagens do autor pelo Mundo, e que mostram as mais variadas culturas conhecidas por ele ao longo de suas excursões! Gostei muito da obra, e recomendo a leitura!

“Qualquer ação motivada pela fúria é uma ação condenada ao fracasso.”

Capa e diagramação

   A obra possui capa simples, apresentando a imagem de um rio. Diagramação também simples, com páginas brancas. O livro é frágil e não possui orelhas.

Capas pelo mundo

Ser Como O Rio Que Flui Resumo?Ser Como O Rio Que Flui Resumo?Ser Como O Rio Que Flui Resumo?

Ser Como O Rio Que Flui Resumo?Ser Como O Rio Que Flui Resumo?Ser Como O Rio Que Flui Resumo?

→Os preços variam entre R$12,90 e R$29,90←

→ Mais informações sobre a obra no Skoob.

→ Clique AQUI e conheça mais obras do autor.

→ Clique AQUI e conheça mais obras da editora.

→ Clique AQUI e conheça mais obras de CONTOS.

→ Clique AQUI e veja a lista de resenhas do gênero NÃO FICÇÃO.

→ Clique AQUI e veja a lista de resenhas do gênero MEMÓRIAS.

→ Clique AQUI e veja a lista de resenhas do gênero DRAMA.

→ Clique AQUI e veja a lista de resenhas de livros da LITERATURA NACIONAL.

Resenha: A vida não é útil, de Ailton Krenak- Amazônia Latitude

Ser Como O Rio Que Flui Resumo?
Ser Como O Rio Que Flui Resumo?

A vida não é útil
Autor: Ailton Krenak
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2020

Quanto tempo nos dedicamos a desfrutar o privilégio de estar vivo? Somos instigados a fazer algo a todo tempo, em vez de simplesmente viver. Nossa cultura dificulta a concepção de uma vida que não tenha o trabalho como razão primordial da existência.

Acreditando na realização pessoal por meio da produção e do consumo, esgotamos a possibilidade de preservação da espécie humana no planeta. Isto porque, desde a chamada Modernidade, fomos instigados a confiar na emancipação do homem em relação à natureza, sem ver problema na modificação permanente do meio ambiente a nosso serviço.

A crise sistêmica que enfrentamos desmente a ideia de autossuficiência. Pela ausência de soluções concretas ao atual impasse da humanidade, muitos olhos têm se voltado para a sabedoria de uma constelação de culturas que enxerga a vida como parte inerente da Terra, a grande mãe que nutre tudo aquilo que respira.

O pensamento do escritor, jornalista, filósofo, ativista e líder indígena Ailton Krenak pertence a essa visão de mundo e, ao lado de outros intérpretes, vem dando corpo à chamada epistemologia indígena. Suas reflexões destacam as contradições do nosso tempo e criticam as práticas auto-aniquilação das sociedades contemporâneas ocidentalizadas.

Para desmobilizar a noção de superioridade humana, Krenak defende que, por mais que pareçamos donos da Terra, não passamos de inquilinos barulhentos e podemos ser convidados a nos retirar sem aviso prévio. Para bom entendedor, a Covid é um aviso prévio.

Dividido em cinco capítulos – Dinheiro não se come, Sonhos para adiar o fim do mundo, A máquina de fazer coisas, O amanhã não está à venda e A vida não é útil – seu novo livro retoma a tradição oral de transmissão de conhecimento dos povos indígenas. “A vida não é útil” é um apanhado de entrevistas e palestras organizado por Rita Carelli.

Best-seller desde que publicou “Ideias para adiar o fim do mundo”, em 2019, com mais de 50 mil cópias vendidas e tradução para diversos idiomas, Ailton garante que seus livros não são manuais de autoajuda. Seu objetivo, insiste, não é dar conselhos, mas fazer uma alerta: acordem!

Viciados em modernidade

Presos à ideia de progresso, de que estamos indo para algum lugar, naturalizamos a substituição do aparato natural pelo técnico, atrofiando nossa capacidade inata de relação com o planeta. Toda a experiência que temos é mediada por objetos fabricados para supostamente aprimorá-la.

“Estamos a tal ponto dopados por essa realidade nefasta de consumo e entretenimento que nos desconectamos do organismo vivo da Terra”, afirma Krenak no livro. Impulsionados por um sistema que toda hora nos oferece uma mercadoria nova para nos distrair, consumimos compulsivamente e ignoramos o sentido de existir.

É nesse contexto que o autor questiona a ânsia dos bilionários em colonizar o espaço, buscando refúgio para quando o planeta ficar inabitável: “quantas Terras essa gente precisa consumir até entender que está no caminho errado?”. Para o indígena, vivemos verdadeiro abismo cognitivo, incapazes de compreender que “a vida é transcendência, está para além do dicionário, não tem definição”.

Apesar de afirmar que não há mais separação entre gestão política e financeira do mundo, Krenak não alivia para os indivíduos. Não dá para esperar iniciativa de entes invisíveis: “seja na floresta, seja em um apartamento, precisamos despertar nosso poder interior e parar de ficar caçando um culpado ao nosso redor”, diz.

Incentivando o olhar para dentro de si mesmo, reproduz trecho de poema de Drummond que sugere que o homem, após colonizar, civilizar e humanizar os outros sistemas, depois que esgotar o Solar, só restará descobrir, em suas próprias e inexploradas entranhas, a insuspeitada alegria de “con-viver”. Segundo o filósofo, não é para fora que a humanidade realizará sua maior conquista.

Em meio às aflições do presente, para Ailton, quando tudo parece desmoronar é preciso ter alguém para chamar. Seu principal “paraquedas colorido”, que explica em “Ideias para adiar o fim do mundo”, é o poeta mineiro. A poesia é apontada como refúgio, uma vez que exala subjetividade humana; é na conexão com outras percepções sobre o mundo que as civilizações se curam.

Ser Como O Rio Que Flui Resumo?Confiando na ciência e na tecnologia, a humanidade crê que “não só pode incidir impunemente sobre o planeta como será a última espécie sobrevivente e a única a decolar daqui quando tudo for pelo ralo”. Aglomerado de estrelas Westerlund 2. Crédito: NASA, ESA, Hubble Heritage Team (STScI/AURA), A. Nota (ESA/STScI) e Westerlund 2 Science Team

Descolamento da vida

Apesar de parecerem naturais e imutáveis, nossos valores foram culturalmente construídos. Deixar de olhar nosso modo de ser como o único possível dá margem a descobrir outras maneiras de se viver. Há, contudo, uma questão: é possível frear a ambição pelo consumo, considerando que, para muitos, isso simboliza uma ascensão social?

“‘Mas agora que chegou a minha vez, você vem me dizer que acabou a festa?’ Existe um desejo de que essa condição de consumo da vida se estenda por tempo indeterminado, sem que a máquina de fazer coisas precise ser desligada”, reflete Krenak. Segundo o autor, sabemos que precisamos renunciar ao que estraga nossa vida no planeta, mas só consideramos substituir, não eliminar.

Outro retrato de nossa civilização é a crença de que podemos nos blindar da morte. Para o filósofo, a extensão da vida por meio dos aparatos médico-científicos é uma falsificação e deixa “de fora a escolha das pessoas de viver dentro do ciclo da vida e da morte que a natureza proporciona”.

Leia também:  Como É Que Os Jovens Vivem E Sentem A Religião?

Ao compreender que nós e a Terra somos uma mesma entidade, Ailton diz que desenvolvemos uma relação cósmica com o mundo.

“Habitar harmoniosamente o cosmos” é compartilhar uma espécie de Ubuntu com todas as formas de vida, “eu sou porque nós somos”, extrapolando o caráter humanista da filosofia africana.

Respeita-se tudo que é vivo não apenas pela solidariedade, mas pela noção de pertencimento.

O autor fala sobre povos que atribuem à Terra as mesmas suscetibilidades do corpo humano, dizendo que o planeta está doente, e afirma que aqueles que não estão engajados com o consumo do planeta são a sua cura: “eles são os remédios da febre do planeta”.

“Nós não somos constituídos de dois terços de água e depois vem o material sólido, nossos ossos, músculos, a carcaça? Somos microcosmos do organismo Terra, só precisamos nos lembrar disso”, arrebata.

Apesar de não planejar o conteúdo das entrevistas, Krenak nos presenteia com reflexões inestimáveis, como a que segue: “os outros seres são junto conosco, e a recriação do mundo é um evento possível o tempo inteiro”.

Um anzol fisga a consciência

Publicado como e-book antes do lançamento de “A vida não é útil”, o capítulo “O amanhã não está à venda” discute o que parecia impossível: a suspensão de atividades econômicas, um mundo parado. Inserido em outro contexto, ganhou novas interpretações.

“E temos agora esse vírus, um organismo do planeta, respondendo a esse pensamento doentio dos humanos como um ataque à forma de vida insustentável que adotamos por livre escolha, essa fantástica liberdade que todos adoram reivindicar, mas ninguém se pergunta qual o seu preço”.

Afinal, somos mais livres porque podemos escolher entre mais produtos, ou isso só aumenta a nossa angústia, diante da dificuldade de decisão? É um dos questionamentos que Luiz Bolognesi faz em Ex-Pajé, quando o personagem central do documentário passeia pelas gôndolas de um supermercado ⎼ cena que impressiona pelo contraste cultural.

O fato do vírus não matar outros animais, apenas os humanos, mostra que foi o nosso mundo artificial que entrou em crise. Vivendo no que Krenak chama de uma abstração civilizatória, experimentamos a ecologia do desastre por meio de uma economia do desastre.

“Dizer que a economia é mais importante é como dizer que o navio importa mais que a tripulação”, diz o autor em referência à descartabilidade da vida, comum na metástase do pensamento branco sobre a Terra. Subvertemos a lógica: colocamos as pessoas para servirem a economia, ao invés de uma economia que dê às pessoas uma condição de vida digna.

Em “O amanhã não está à venda”, Krenak interpreta a pandemia como um silenciamento feito pela mãe Terra aos seus filhos. A humanidade-zumbi, interrompida de seu automatismo, foi forçada ao recolhimento.

“Não sei se vamos sair dessa experiência da mesma maneira que entramos. É como um anzol nos puxando para a consciência. Um tranco para olharmos para o que realmente importa”, avalia.

No entanto, se algo brotou dessa introspecção coletiva foi o medo. Apesar do mundo estar cada vez mais cheio de gente e de conexões, estamos cada vez mais solitários. Há, ainda, uma sensação generalizada de desproteção e insegurança. “Deixamos de ser sociais porque estamos num local com mais 2 milhões de pessoas”, afirma.

Nesta passagem, seu relato lembra o da antropóloga Aparecida Vilaça sobre o assombro de seu pai indígena, Paletó, da etnia Wari’, a respeito de ela não conhecer as pessoas com as quais cruzavam nas ruas do Rio de Janeiro.

“Era inconcebível para ele que se pudesse viver ao lado de pessoas sem que se estabelecessem com elas relações de parentesco, algo que se constrói fazendo coisas juntos, de modo a produzir memórias mútuas, especialmente compartilhando a comida”, disse a pesquisadora à revista Piauí.

A construção da existência a partir de uma perspectiva coletivista e de contato com a terra nos mostra o grau de pertencimento que os laços afetivos podem criar. Dentre as muitas coisas que os povos originários nos ensinam estão o desfrute da vida e a conexão com os outros seres.

Ser Como O Rio Que Flui Resumo?“Não sei se vamos sair dessa experiência da mesma maneira que entramos. É como um anzol nos puxando para a consciência. Um tranco para olharmos para o que realmente importa”, diz Ailton Krenak. Crédito: Ascom/Funai

Suspender o céu

Em “Sonhos para adiar o fim do mundo”, o pensador dialoga com os estudos do neurocientista Sidarta Ribeiro, para quem o sonho significa espaço de revelação, viagem e aprofundamento das ideias. Krenak afirma que os sonhos que temos ao dormir são “onde as pessoas aprendem diferentes linguagens, se apropriam de recursos para dar conta de si e do seu entorno”.

Além de ser uma instituição que prepara as pessoas para lidarem com o dia a dia, para Krenak, é também um lugar de veiculação de afetos, na medida em que grupos se reúnem de manhã para contar o sonho que tiveram. A civilização ocidental, industrial e capitalista, contudo, abraçou a técnica e abandonou a arte de narrar os sonhos, diz Sidarta.

Para o neurocientista, essa é uma das origens do mal estar da civilização. Por isso, defende que devemos voltar a sonhar o futuro, semelhante ao que Krenak chama de sonho coletivo de mundo: um conjunto de desejos capazes de transformar a realidade.

O indígena pensa que a pandemia, enquanto crise, pode ser o ponto de partida para essa transformação, desde que admitamos que nosso sonho coletivo de mundo seja outro e a inserção da humanidade na biosfera tenha que se dar de outra maneira.

Como superar, no entanto, toda a tralha cultural que carregamos? “Como imaginar uma coisa melhor se nossa imaginação é feita de fragmentos do passado?”, questiona Sidarta a Krenak no festival Na Janela, promovido pela Companhia das Letras.

No capítulo “Sonhos para adiar o fim do mundo”, que teve origem nesta conversa, Krenak responde que a formação do comum começa com o movimento de cada indivíduo: “cada um de nós – não a economia, não o sistema todo – pode atuar positivamente nesse caos e trabalhar (…) por uma auto-harmonização”.

“Acho que o que estamos passando é uma espécie de ajuste de foco no qual temos a oportunidade de decidir se queremos ou não apertar o botão da nossa autoextinção, mas todo o resto da Terra vai continuar existindo”, afirma. “Suspender o céu é ampliar os horizontes de todos, não só dos humanos”, completa.

Envolver em vez de desenvolver

As notícias são velhas: “nós estamos, devagarzinho, desaparecendo com os mundos que nossos ancestrais cultivaram sem todo esse aparato que hoje consideramos indispensável”.

Krenak reforça a tese de que quem vive na cidade não experimenta a sensação de que o mundo ao redor está sumindo, como dito no filme Amazônia Sociedade Anônima: “quem está no ar condicionado, não sente o aquecimento”, diz o cacique Juarez Saw Munduruku .

Krenak nos chama à reflexão: “na cidade (…) tudo parece ter uma existência automática: você estende a mão e tem uma padaria, um supermercado, um hospital. Na floresta não há essa substituição da vida, ela flui, e você, no fluxo, sente a sua pressão”. Na sua percepção, enquanto as bases materiais da nossa vida estão operantes, a gente não se pergunta de onde vem o que consumimos.

Para o ativista, além da ideia de pertencimento à natureza, “a consciência de estar vivo deveria nos atravessar”. E tenta multiplicar o seu olhar com enorme generosidade: “eu tenho uma alegria muito grande de experimentar essa sensação e fico procurando comunicá-la, mas também respeito o fato de que cada um tem a sua passagem por este mundo”.

O pensador critica a naturalização da mercantilização da vida desde a infância e, sobre o roteiro que seguimos, comenta: “o que chamam de educação é, na verdade, uma ofensa à liberdade de pensamento, é tomar um ser humano que acabou de chegar aqui, chapá-lo de ideias e soltá-lo para destruir o mundo. Para mim isso não é educação, mas uma fábrica de loucura que as pessoas insistem em manter”.

Falta à escola branca uma experiência geracional de troca, destaca. Os pais deixaram de transmitir o que aprenderam, sua memória, para que seus descendentes possam existir no mundo com alguma herança, algum sentimento de ancestralidade.

Nesse sentido, é possível observar um paralelo entre o utilitarismo da educação, que só forma trabalhadores, mas não forma espiritualmente, como disse Byung-Chul Han em entrevista ao El País, e da vida, voltada exclusivamente para o consumo. À Ruth de Aquino, no Globo, Krenak afirmou: “a vida não pode ser uma caixa registradora”.

No livro, também levanta a polêmica de que a sustentabilidade é uma vaidade pessoal, além de uma narrativa para que se perpetue o consumismo. Apesar de reconhecer a importância da conscientização do gasto excessivo de tudo, não crê que seja por meio desse “mito” que vamos avançar.

É uma “mentira bem embalada” essa história de que, se economizarmos água, comermos orgânico e andarmos de bicicleta, vamos diminuir a velocidade com que esgotamos o planeta. Não dá para “abrir a boca para dizer que existe qualquer coisa de sustentável neste mundo de mercadoria e consumo”, crava.

Reforça, ainda, que iniciativas individualistas não são suficientes para mudarmos a relação com o mundo.

“Vamos apenas nos enganar, mais uma vez, como quando inventamos as religiões. Tem gente que se sente muito confortável se contorcendo na ioga, ralando no caminho de Santiago ou rolando no Himalaia, achando que com isso está se elevando. Na verdade, isso é só uma fricção com a paisagem, não tira ninguém do ponto morto”.

E segue: “trata-se de uma provocação acerca do egoísmo: eu não vou me salvar sozinho de nada, estamos todos enrascados. E, quando eu percebo que sozinho não faço a diferença, me abro para outras perspectivas. É dessa afetação pelos outros que pode sair uma outra compreensão sobre a vida na Terra”.

Krenak não evita apontar a letargia de cada um de nós, que culpa as instituições e os políticos pelo cataclisma do planeta.

E reitera: “a vida é fruição, (…) uma dança cósmica, e a gente quer reduzi-la a uma coreografia ridícula e utilitária”. “Nós temos que ter coragem de ser radicalmente vivos, e não ficar barganhando a sobrevivência”, afirma. “Sobreviver já é uma negociação em torno da vida, que é um dom maravilhoso e não pode ser reduzido”.

Leia também:  Algo Deve Mudar Para Que Tudo Continue Como Está?

“O pensamento vazio dos brancos não consegue conviver com a ideia de viver à toa no mundo, acham que o trabalho é a razão de existência”. Segundo o filósofo, para quem a vida não tem a menor utilidade, nos resta apenas “viver as experiências, tanto a do desastre quanto a do silêncio”. Sua coragem impressiona, mas que alternativa têm os que já vivem o fim do mundo há 500 anos?

Veja outras resenhas aqui

Ser como o rio que flui – ficha de leitura e carta endereçada ao autor, por Jorge Moleiro, 10º I, Curso Profissional de Multimédia

Ser Como O Rio Que Flui Resumo?

Identificação da obra:

Titulo e autor: “Ser Como o Rio que Flui” de Paulo CoelhoEditor, local e data de edição: Pergaminho (Mário de Moura)Nº páginas: 239Descrição da Capa: A capa mostra-nos um Homem em contra luz, com um rio a passar bem perto dos seus pés, com o céu nas suas costas e o sol a pôr-se. No topo tem em letras maiúsculas o nome do autor e logo por baixo o Titulo do livro. Em seguida a imagem que descrevi, e no fim cá em baixo o nome da editora.

Biobibliografia do autor:

O escritor brasileiro PAULO COELHO nasceu em 1947, na cidade do Rio de Janeiro. Antes de se dedicar inteiramente à literatura, trabalhou como director e actor de teatro, compositor e jornalista. Em 1982, editou o seu primeiro livro, Arquivos do Inferno, que não teve qualquer repercussão. Em 1985, participou no livro O Manual Prático do Vampirismo, que mais tarde mandou recolher, por considerar, segundo ele mesmo, ''de má qualidade''.Em 1986, PAULO COELHO fez a peregrinação pelo Caminho de Santiago, cuja experiência seria descrita no livro O Diário de um Mago. No ano seguinte (1988), publicou O Alquimista, que, apesar da sua lenta venda no inicio, mais tarde se transformaria no livro brasileiro mais vendido de todos os tempos. Publicou outros livros como Brida (1990), As Valkírias (1992), Na margem do rio Piedra eu sentei e chorei (1994), a colectânea das melhores colunas publicadas na Folha de São Paulo, Maktub (1994), uma compilação de textos seus em Frases (1995), O Monte Cinco (1996), O Manual do Guerreiro da Luz (1997), Veronika decide morrer (1998), O demônio e a Srta. Prym (2000), a colectânea de contos tradicionais em Histórias para pais, filhos e netos (2001), Onze Minutos (2003), O Zahir (2005), A Bruxa de Portobello (2006) e a compilação de textos Ser como o rio que flui (2006), que foi publicada em apenas alguns países.Os seus trabalhos estão traduzidos em 67 idiomas e editados em mais de 150 países.PAULO COELHO é:Mensageiro da Paz da ONUEmbaixador da União Europeia para o Diálogo Intercultural para o ano de 2008Membro do Board do Instituto Shimon Peres Para a PazConselheiro Especial da UNESCO para “Diálogos Interculturais e convergências espirituais”Membro da directoria da Schwab Foundation for Social EntrepreneurshipMembro da Academia Brasileira de Letras

Dados sobre a obra:

Género Literário: São pequenas crónicas e muitas delas retiradas de livros anteriores escritos por Paulo coelho, e outras são apenas desabafos e histórias vividas por ele.Personagens: Este livro não tem uma personagem principal, porque todas as personagem que vão aparecendo ao longo de cada crónica ou são imaginarias, ou amigos, conhecidos, pessoas com quem se cruzou ou, mais frequentemente, ele mesmo e a mulher.

Tempo e Espaço: A maioria das histórias decorre durante o dia. O local é mais difícil de descrever, pois ele conta história passadas no seu pais natal (Brasil), em países da India, América do Norte, Europa e muitas das vezes no seu moinho situado num povoado com cerca de duzentas pessoas nos Pirenéus.

Classificação do narrador: O narrador é o próprio Paulo Coelho. Na maioria das histórias é uma das personagens, porque são histórias reais vividas por ele.

Mas algumas vezes ele refere-se a partes da Bíblia e outras histórias onde ele não é nenhuma das personagens.

Portanto, em algumas das crónicas temos um narrador Participante, em outras temos um narrador Não Participante.

Resumo da obra: Ser como o rio que flui é um livro escrito por Paulo Coelho e que não conta uma história, mas sim várias histórias e experiências da sua vida.É me difícil resumir este livro, porque fala de muita coisa interessante que poderia resumir em 5 linhas ou num novo livro com o tamanho do original.

Ser como o rio que flui é uma experiência de vida única vivida através das letras e da leitura.Apesar de se basear muita vez em cultos religiosos, é um livro que pode ser lido até por alguém que não acredita em nenhum deus. Porque tudo o que está ali no fundo é verdade.

Identifiquei-me bastante com o livro por isso, fala-nos da amizade, da morte, da vida, do futuro, do passado do presente e de Deus. Como costumo dizer: “Sou crente, mas é essa crença que me afasta do catolicismo. Graças a Deus.

” Mesmo assim, e nunca tendo lido a Bíblia, revejo-me em partes do livro inspirados na Bíblia e em Deus, porque mais do que uma coisa que fala de religião, este livro fala da vida, e do seu sentido. Quem somos e para onde vamos.

É impossível reter tudo aquilo que o livro diz, mas a mensagem principal diz-nos que nada nem ninguém para além de nos próprios pode viver a nossa vida. Cabe a nós decidir, bem ou mal, aquilo que queremos fazer. E que os maiores actos de coragem são aqueles que são vividos em silêncio.Aconselho este livro a toda a gente, certamente uns vão gostar outros não. Mas com certeza todos vão encontrar uma história onde se vão recriar, e reflectir em silêncio.

Posição crítica do leitor:Como tive conhecimento desta obra: Tive conhecimento desta obra através da minha madrasta, que lê Paulo Coelho há muito tempo e que por achar que sou um pensador e uma pessoa que reflecte na vida e nas coisas me aconselhou este livro. Neste momento dou por mim a devorar os livros dele.

O que mais apreciei: O que mais apreciei foi a forma como ele encara coisas tão simples com o cortar a relva do jardim, coisas como a amizade, o amor e a morte. Também gostei da forma como cada crónica termina, sempre com uma frase de reflexão.

O que menos apreciei: Gostei de tudo neste livro. Mas apesar de ser católico, é um livro que para mim fala demasiado em Deus. Não que seja errado, porque não é. Mas não podemos acreditar todas da mesma forma.

Mesmo assim é um livro que nunca deixa de fazer sentido na sua mensagem.

Selecção de um enxerto: “Muitas vezes aquilo que chamamos “experiência” nada mais é que a soma das nossas derrotas.”, “Que a morte esteja sempre sentada ao teu lado. Assim quando precisares de fazer coisas importantes, ela dar-te-á a força e a coragem necessárias.

” ou “Todos nós, mais cedo ou mais tarde, vamos morrer. E só quem aceita isto está preparado para a vida.”. Peço desculpa por não conseguir escolher uma, e certamente mais escolheria se pudesse.

Mas escolho estas três de entre todas as outras que poderia escolher, porque adoro pensar na vida, reflectir e sem dúvida estas frases têm esse efeito em mim. É a tal questão,” quem somos e para onde vamos?” Sei que nenhuma delas responde a isto, mas fazem-nos pensar, e encarar a vida de maneira diferente.

Ter medo da morte! Porquê? Ela um dia vai vir na mesma.Recomendação da obra a outros leitores: Simplesmente recomendo este livro porque sim! Por todas as razões e mais algumas, que já referi anteriormente. É um livro excelente para quem, tal como eu, gosta de pensar e reflectir.

Se vão ler este livro e não estão minimamente interessados na sua mensagem, não vale a pena, porque assim não vai passar de um monte de letras juntas dentro de um livro.

Carta ao autor:

Ao Paulo CoelhoUm grande obrigado. Graças a si e à sua literatura, posso dizer que gosto de ler!Tenho 17 anos e dou por mim a devorar livros seus como nunca tinha feito antes com nenhum outro livro. Adoro as suas mensagens que a meu ver dão mais que uma lição de vida e são mais que meras mensagens escritas num livro, principalmente para mim, um rapaz de tão pouca idade e ainda com tanto para aprender. Os seus livros dão-me mais qualquer coisa cá dentro que estava a faltar. No fundo ela estava cá, mas precisava de algo para carregar no botão do On.Quero agradecer-lhe e desejar que a morte esteja sempre sentada ao seu lado, pois enquanto assim for, será sinal de que ainda vive.Saúde, e cumprimentos de um jovem fã.Jorge Moleiro.P.S. Desculpe qualquer erro no sentido das frases, mas ainda sou um pequeno aprendiz a tentar aprender com os pergaminhos do seu mestre.

Sidarta

Hermann Hess, em um primeiro momento de sua vida, foi um jovem obstinado. Fugiu do seminário em Maulbronn aos quatorze anos, e o seu total desprezo pela educação formal nos fornece algumas pistas para o entendermos.

Ele seguiu um programa rigoroso de autoestudo em que a literatura, a filosofia e a história estiveram presentes em seus estudos e quando trabalhou na Livraria Heckenhauer, na cidade universitária de Tübingen.

O desejo crônico de viajar ganhou força em razão da sua vida bucólica, que ele não aguentava mais, o que o levou para as Índias Orientais em 1911.

O romance que o levou ao (vamos dizer assim) estrelato, foi “Demian”, que eu ainda não li. Mas com certeza ainda este ano vou ler.

A proposta de Hesse em busca de uma autorrealização, juntamente com a sua celebração do misticismo oriental lhe rende um grande número de seguidores entre a contracultura na América na década de sua morte.

Hermann Hess continua amado por todos os jovens que estão à procura do autoconhecimento.

Para olharmos para dentro, devemos olhar abaixo do nível do ego, abaixo do nível da personalidade, do nível de predisposição genética, descer até o submundo arquetípico.

Hesse sempre esteve convencido de que nós, humanos, podemos alterar a realidade alterando nossas percepções dela.

O desespero, a miséria e a degeneração pessoal são o resultado da forma como fruímos a vida, com as nossas atitudes e nossas visões distorcidas da realidade.

Leia também:  Como Saber Com Quem A Pessoa Conversa No Whatsapp?

Assim como os existencialistas, Hermann Hesse via a humanidade presa em uma armadilha criada por ela mesma. Seguindo um caminho diferente de Camus e Sartre, a solução do impasse da humanidade poderia ser desencadeada por meio de uma transcendência espiritual. E isso envolve a procura.

Sidarta, por exemplo, busca o seu caminho não através de uma doutrina. Para ele, a realidade nunca pode ser capturada em uma rede feita de pensamentos, e existe uma diferença entre o conhecer e o desejo de saber. Para ele, o caminho da iluminação é uma estrada de terra fechada ao transporte público.

A viagem deve ser feita sozinho e desimpedido, pois a sabedoria não pode ser passada adiante.

Vamos ao livro? O romance começa com uma breve retrospectiva da história familiar do brâmane (casta sacerdotal hindu) de Sidarta, sua educação, sua inocência e a tranquilidade de sua infância.

  Simultaneamente, observamos o brâmane ortodoxo, pai de Sidarta, que, com seu filho, realiza o “rito de ablução sagrada e dos sacrifícios rituais” no rio.

Govinda, amigo de Sidarta, filho de brâmane, são tão próximos intelectualmente e fraternalmente que parecem ser quase um.

Sidarta recebe todo o amor de sua família, mas algo está errado. Ele se sente miserável por dentro. Ele vive para agradar o seu pai e aqueles ao seu redor em vez de a si mesmo. Ele não vê o mais sábio daqueles ao redor capaz de converter conhecimento em vida. Sidarta sabe que Atman (a Alma suprema universal, a força vital) dentro dele:

“ Já era capaz de perceber no íntimo da sua natureza a presença do Atman, indestrutível, uno com o Universo.” (pg 6)

Sidarta está preocupado com o fato de ninguém – nem os professores mais sábios, nem seu pai, nem as canções sagradas – podem leva-lo à descoberta do Eu. Os professores e as escrituras produziram apenas aprendizado de segunda mão da qual o conhecimento emana.

“Começava a vislumbrar que seu venerando pai e seus demais mestres, aqueles sábios brâmanes, já lhe haviam comunicado a maior parte dos seus conhecimentos; começava a perceber que eles tinham derramado a plenitude do que possuíam no receptáculo acolhedor que ele trazia em seu íntimo.

E esse receptáculo não estava cheio; o espírito continuava insatisfeito; a alma andava inquieta; o coração não se sentia saciado. As abluções, por mais proveitosas que fossem eram apenas água; não tiravam dele o pecado; não curavam a sede de espírito; não aliviavam a angústia do coração.

” (pg 7)

À medida que os anos foram passando, Sidarta alimentava uma ideia, até que um dia ele dá a notícia de que decidiu se libertar de sua casta hindu predeterminada e planeja deixar seu pai para se juntar aos Samanas (que eram os ascetas capazes de viver na mais absoluta penúria). O pai fica inquieto, mas aceita com a seguinte condição: que busque a bem-aventurança caso a encontre na floresta entre os Samanas. A sombra de Govinda (seu amigo) então aparece e ele se junta a Sidarta.

Sidarta tem como objetivo erradicar o ego. E continua durante a sua busca aprendendo muitas coisas novas. Mas ele chega à conclusão de que quanto mais você tenta perder o Eu, mais voltamos a ele.

Começa a se questionar se ele não está andando em círculos e se enganando em encontrar “o essencial, o Caminho dos Caminhos”. Ele chega à conclusão de que não existe aprendizado – apenas conhecimento.

“Os samanas ensinavam muita coisa a Sidarta e ele aprendia numerosos métodos de separa-se do eu. Trilhava a senda da desindividualização, através da dor, através do tormento voluntário e do triunfo sobre o sofrimento, sobre a fome, a sede, o cansaço.

Desindividualizava-se, mediante a meditação, tirando do seu espírito toda e qualquer representação, até deixa-lo vazio. Aprendia a percorrer esse e outros caminhos, saindo inúmeras vezes do próprio eu e conservando-se no não eu, hora e dias a fio.

Mas por mais que os caminhos o afastassem do eu, ao fim sempre o reconduziam a ele. (pg 15)

O caminho da abnegação não oferecia uma solução permanente para ele. Sidarta ressalta que os Samanas mais velhos viveram essa vida por muitos anos, mas ainda não atingiram a iluminação espiritual. Foi quando conhecem Gautama, o Buda, que atingiu a iluminação espiritual, ou seja, o Nirvana. Govinda convence Sidarta a deixar os Samanas e a seguir Gotama (que no livro é o Buda)

Inicialmente Sidarta se identifica com Gotama e, juntamente com Govinda seguem o mestre. Nesse ponto há uma dúvida por parte de Sidarta. Ele percebe uma contradição nos ensinamentos de Gotama:  Sidarta exalta a doutrina de Gotama (Buda) de compreender o mundo como uma cadeia completa, ininterrupta e eterna de causa e efeito.

No entanto, Sidarta aponta que a doutrina da salvação não pode ser mostrada nem provada. Para isso, seu questionamento é o seguinte: como abraçar a unidade de todas as coisas como Buda propõe se todos são instruídos a superar o mundo físico? Sidarta percebe que o budismo não lhe dará a resposta a essa indagação.

Enquanto Govinda segue com Gotama, Sidarta segue o seu caminho sem nenhuma instrução religiosa.

Embarca em uma vida livre da meditação e das buscas espirituais que vem perseguindo e, em vez disso, busca aprender com os prazeres do corpo e do mundo material. Em suas andanças acaba conhecendo um barqueiro amigável, que vive feliz sua vida simples. Sidarta cruza o rio do barqueiro e chega a uma cidade. Aqui ele conhece uma bela cortesã chamada Kamala que o deixa entrar.

Ele sabe que ela seria a melhor pessoa que poderia ensiná-lo sobre o mundo do amor, mas Kamala não o aceitará a menos que ele prove que pode se encaixar no mundo material. Ela o convence a seguir o caminho do comerciante Kamaswami, e ele começa a aprender o ofício. Sidarta aprende a sabedoria do mundo dos negócios e começa a dominar as habilidades que Kamaswami lhe ensina.

À medida que os anos passam, a perspicácia empresarial de Sidarta aumenta. Logo ele se torna um homem rico. Ele joga, bebe e dança, e tudo o que pode ser comprado no mundo material está à sua disposição.

Sidarta está separado dessa vida, ele sabe que tudo isso não passava de um jogo. E quanto mais ele obtém do mundo material, menos isso o satisfaz, e ele é pego em um ciclo de infelicidade do qual tenta escapar engajando-se ainda mais em jogos de azar, bebidas e sexo.

A desilusão com o mundo material aparece na forma de sonhos:

“O mundo apanhara-o nas suas malhas, o prazer, a cobiça, a inercia e, finalmente, também aquele vício que sempre lhe afigurava, o mais estúpido de todos: a avareza.

Também a posse os bens materiais, a riqueza haviam-se apoderado dele, cessando de representar para ele um brinquedo uma bagatela e transformando-se em grilhões e cargas. A essa derradeira dependência, à mais vil de todas, chegara Sidarta por um caminho curioso e pérfido: pelo jogo de dados.

Desde aqueles dias em que, no fundo do coração, desistira de ser samana, dedicava-se ele com crescente fervor e paixão a esse jogo por dinheiro e por objetos preciosos” (pg66)

Na medida em que a desilusão começa a dar sinais, Sidarta se vê em completo desequilíbrio, Ele percebe que o mundo material está matando-o, sem fornecer a iluminação que ele estava procurando. Foi quando ele sonha com um pássaro:

“Numa gaiola de ouro, Kamala guardava um passarinho canoro, muito raro. A visão do bichinho apareceu diante de Sidarta. O pássaro, que normalmente cantava nas primeiras horas do dia, parecia mudo.

Como se esse fato lhe chamasse a atenção, ele aproximou-se da gaiola e viu que o passarinho jazia no chão, morto, enrijecido. Retirou-o; por um momento segurou-o na mão e, em seguida, atirou-o na calçada da rua. Mas logo se assustou terrivelmente.

O coração doía-lhe como se ele houvesse jogado fora não só o cadáver da ave, como também tudo que fosse bom tivesse valor.

Despertou bruscamente. Sentia-se invadido de profunda tristeza. Atormentava-o a impressão de ter levado uma existência vil. Miserável, insensata.” (pg 68)

Sidarta abandona a sua vida e, com o coração doente, vagueia até encontrar um rio. Enquanto ele dorme, Govinda aparece, agora ele é um monge budista. Protege o sono dele contra as cobras.

Ele observa as transformações de Sidarta desde os seus dias com os Samanas. Sidarta reconhece Govinda e deseja se tornar alguém novo.

Govinda parte em sua jornada, e Sidarta senta-se à beira do rio e considera aonde sua vida o levou.

Sidarta encontra o mesmo barqueiro que conheceu anos antes. O barqueiro, que se apresenta como Vasudeva, irradia uma paz interior que Sidarta queria alcançar.

Sidarta expressa o desejo de conhecer o rio e começa a obter dele uma iluminação espiritual diferente de qualquer outra que ele já conheceu.

Enquanto ele está sentado à beira do rio, ele contempla a unidade de toda a vida, e na voz do rio ele ouve a palavra “Om”.

Sidarta estuda o rio por anos, e Vasudeva ensina Sidarta como aprender os muitos segredos que o rio tem para contar.

E ao contemplar o rio, Sidarta tem uma revelação: assim como a água do rio flui para o oceano e é devolvida pela chuva, todas as formas de vida estão interconectadas em um ciclo sem começo ou fim.

Nascimento e morte fazem parte de uma unidade atemporal. Vida e morte, alegria e tristeza, bem e mal − são todas partes do todo e são necessárias para compreender o significado da vida.

Quando Sidarta aprendeu todas lições do rio, Vasudeva anuncia que sua presença no rio havia acabado. Ele retira-se para a floresta, deixando Sidarta sozinho navegando o rio como barqueiro.

O romance termina com o reencontro com Govinda. E Sidarta chega à conclusão de que ninguém pode ensinar a sabedoria porque as explicações verbais são limitadas e nunca podem comunicar a iluminação completa. E termino por aqui.

“Sidarta”, de Hermann Hess, é um livraço que merece um lugar especial na sua estante.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*