São Os Comunistas Que Pensam Como Os Cristãos?

São Os Comunistas Que Pensam Como Os Cristãos?Foto: L'Ossevatore Romano| Foto:

O papa Francisco voltou a afirmar que o projeto de uma sociedade igualitária é originariamente cristão e não comunista. Em uma entrevista ao jornal italiano La Repubblica publicada hoje (11/11), o jornalista Eugenio Scalfari perguntou ao papa se ele pensa em uma sociedade de tipo marxista. Francisco respondeu: “No máximo, podemos dizer que são os comunistas que a pensam como os cristãos. Cristo falou de uma sociedade onde quem decide são os pobres, os fracos, os excluídos. Não os demagogos, não os ‘Barrabás’, mas o povo, os pobres, tenham ou não fé no Deus transcendente, são eles que devemos ajudar a obter a igualdade, a liberdade.”

Francisco já havia expressado a mesma opinião em 2014, em uma entrevista ao jornal italiano Il Messaggero. “Eu só posso dizer que os comunistas têm roubado a nossa bandeira. A bandeira dos pobres é cristã.

A pobreza está no centro do Evangelho, os pobres estão no centro do Evangelho”, disse o papa na ocasião, citando o capítulo 25 do Evangelho de Mateus, que retrata que o critério do julgamento divino será a ajuda ao necessitado.

“Os comunistas dizem que tudo isso é comunismo. Sim, como não: vinte séculos depois!”, ironizou Francisco.

São Os Comunistas Que Pensam Como Os Cristãos? O jornalista Eugenio Scalfari, autor de entrevistas polêmicas com o papa (foto: Wikimedia Commons).

No mesmo ano, em um discurso aos movimentos sociais, reivindicando o direto fundamental a terra, teto e trabalho para todos, o papa comentou: “É estranho, mas se falo disto para alguns o papa é comunista. Não se compreende que o amor pelos pobres está no centro do Evangelho. Terra, casa e trabalho, aquilo pelo que lutais, são direitos sagrados. Exigi-lo não é estranho, é a doutrina social da Igreja”.

“Para mim, o coração do Evangelho é dos pobres. Dois meses atrás ouvi alguém dizendo: ‘Este papa é comunista!’ Não! Esta é uma bandeira do Evangelho, não do comunismo: do Evangelho! Mas a pobreza sem ideologia”, disse Francisco, também em 2014, em um encontro com jovens.

Já em 2013, em um encontro no Rio de Janeiro com bispos do Conselho Episcopal Latino-Americano, Francisco enunciou algumas formas de ideologização do Evangelho que ele vê aparecerem na América Latina.

A primeira a que se referiu foi o “reducionismo socializante”: “É a ideologização mais fácil de descobrir. Em alguns momentos, foi muito forte. Trata-se de uma pretensão interpretativa com base em uma hermenêutica de acordo com as ciências sociais.

Engloba os campos mais variados, desde o liberalismo de mercado até às categorizações marxistas”, afirmou o papa.

Trump e os movimentos sociais

Na entrevista publicada hoje, Scalfari perguntou ainda a opinião do papa sobre Donald Trump, o presidente eleito dos Estados Unidos. Francisco respondeu: “Não faço julgamentos sobre pessoas e políticos. Só quero entender quais sofrimentos o seu modo de proceder causa aos pobres e excluídos”.

O jornalista ainda questionou se o incentivo do papa aos movimentos sociais comporta o uso de luta armada. Francisco deixou claro que a guerra e as armas ficam de fora e, se algum sangue é derramado, é o dos cristãos martirizados “em quase todo o mundo”.

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Scalfari perguntou então sobre o inevitável conflito que a política comporta e disse que “sem o poder não se vence”. O senhor esquece que também existe o amor. Com frequência o amor convence e vence”, respondeu o papa, citando que os cristãos hoje no mundo são cerca de dois bilhões e meio de pessoas. “Foi preciso armas e guerras? Não. Mártires? Sim, e muitos”, disse Francisco.

Scalfari conta que, ao final da conversa, os dois se despediram com um abraço. O jornalista disse ao papa que descansasse de vez em quando. Segundo Sacalfari, Francisco respondeu dizendo que ele também deveria descansar, porque um ateu precisa estar o mais longe possível da morte.

Vale lembrar que Scalfari, de 92 anos, foi desmentido duas vezes, em 2013 e 2014, pelo então porta-voz do Vaticano, o padre Federico Lombardi, pelas palavras que atribuiu ao papa em entrevistas publicadas pelo La Repubblica – jornal fundado pelo próprio Scalfari. Ele mesmo reconheceu depois que não havia gravado as entrevistas e nem sequer feito anotações durante as mesmas, tendo escrito as afirmações atribuídas ao papa “de memória”, e admitiu que tinha inserido frases que Francisco não disse.

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As críticas e ataques ao Papa Francisco têm fundamento?

* Artigo escrito por Dom Amilton Manoel da Silva, CP, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Curitiba – PR

São Os Comunistas Que Pensam Como Os Cristãos?Foto: AFP

Nos últimos tempos têm circulado, nas redes sociais, inúmeras críticas e ataques maldosos ao Papa Francisco. Isso tem me incomodado, por isso escrevo este artigo sem muitas pretensões, apenas com o objetivo de afirmar a unidade da Igreja, no momento vacilante, e discutir alguns pontos que não estão sendo levados em consideração.

Defendo que essas críticas são infundadas e quase sempre elas partem de pessoas ou de grupos do interior da própria Igreja, dizimando a unidade e fomentando a rejeição ao Sumo Pontífice.

Para início de conversa, é bom lembrar nossa fé católica de que Jesus Cristo edificou a sua Igreja sobre Pedro (cf.

Mt 16,18) e este “ofício pastoral de Pedro e dos outros Apóstolos faz parte dos fundamentos da Igreja e é continuado pelos Bispos sob o primado do Papa” (CIC n. 881).

O teólogo Victor Codina, no seu artigo “Francisco, um Papa que incomoda”, situa essas críticas em duas vertentes (na primeira vertente, exponho uma síntese do pensamento do autor; na segunda vertente, tomo a liberdade de discorrer sobre a acusação ao Papa Francisco de ser comunista), a saber:

  • Teológica: Onde se afirma que Francisco não é um teólogo, por isso comete “erros doutrinais” nos seus documentos e discursos.Nesse sentido vale a afirmação de Santo Tomás de Aquino, quando distingue entre a cátedra magisterial (dos teólogos professores das universidades), da cátedra pastoral correspondente aos Bispos e ao Papa; embora em muitos momentos ambas aparecem juntas. Não é preciso muito esforço, para perceber que Francisco é um teólogo que parte da realidade: da injustiça, da pobreza, da destruição da natureza e do clericalismo eclesial.
  • Sociopolítica: Neste aspecto, as acusações são de que Francisco é “comunista”, pela insistência numa Igreja pobre para os pobres em busca de uma sociedade justa e solidária.Fico a pensar se as pessoas ou grupos que fazem tal acusação, têm lido os documentos e exortações do Papa, escutado seus pronunciamentos, prestado atenção nos seus gestos e na sua maneira de ser. Indago-me se conhecem o manifesto de Karl Marx e Friedrich Engels e o pensamento comunista… E mais ainda, se têm lido e rezado a Palavra de Deus, “mantido os olhos fixos em Jesus” (Hb 12,2), nas suas ações (Mt 9,35) e mandamentos (Mt 25, 35-45). Creio que não, pois se assim fosse, nos poupariam de tais aberrações e calúnias.

Sobre a segunda vertente é importante um aprofundamento:

• O Marxismo defende uma Sociedade igualitária – ateísta – materialista. O Papa Francisco, em muitos pronunciamentos, tem se manifestado contrário a essa concepção, como no capítulo IV da Exortação Apostólica Evangelli Gaudium, onde destaca que a construção de uma sociedade justa exige, em primeiro lugar, uma confissão de fé.

A sociedade nova é a instauração do Reino de Deus, que está no coração do Evangelho e que significa um espaço de fraternidade, de justiça, de paz e dignidade para todos. Porém, isto só é possível com uma relação pessoal com Deus, de amor, uma vez que Ele reina no mundo (cf. n. 177 a n. 258).

“Sem amor e sem Deus, nenhum homem pode viver sobre a terra” (Encontro com os jovens, na Romênia, 01/06/2019).

• O Marxismo privilegia a sociedade (coletivo) e não a pessoa humana, sua liberdade e seus direitos.

O Papa Francisco defende a pessoa em vista de uma Igreja nova e uma sociedade mais humana, como nesta afirmação: “Cada ser humano é objeto da ternura infinita do Senhor e, Ele mesmo, habita na sua vida. Na cruz, Jesus Cristo deu o seu sangue precioso por essa pessoa.

Independentemente da aparência, cada um é imensamente sagrado e merece o nosso afeto e a nossa dedicação. Por isso, se consigo ajudar uma só pessoa a viver melhor, isso já justifica o dom da minha vida” (EG, n. 274).

Algumas declarações suas estão na mesma linha: “Para mim, o âmago do Evangelho pertence aos pobres. Há dois meses ouvi uma pessoa dizer ‘Este Papa é comunista’. Não! Esta é uma bandeira do Evangelho, não do comunismo.

A pobreza sem ideologia… E por isso creio que os pobres estão no centro do anúncio de Jesus. É suficiente lê-lo! O problema é que esta atitude em relação aos pobres, às vezes, na história, foi ideologizada.

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No Evangelho não há ideologia, a ideologia é algo diferente…” (Resposta do Papa Francisco a um grupo de jovens da Bélgica, 2014).

Perguntado se gostaria de uma sociedade de inspiração marxista, respondeu: “Isso me foi perguntado muitas vezes e minha resposta sempre foi essa: se há alguma semelhança, na busca de cuidar dos pobres, então são os comunistas que pensam como os cristãos.

Cristo falava de uma sociedade onde os pobres, os fracos e os marginalizados tinham direito de decidir. Não os demagogos, nem Barrabás, mas o povo, os pobres, tendo eles fé em um Deus transcendente ou não.

São eles (os pobres) que precisam ajudar para alcançar a igualdade e a liberdade (…)” (Entrevista ao jornal italiano La Repubblica, 2014).

Durante a Missa celebrada na Casa Santa Marta, na manhã do dia 24/05/2018, o Papa Francisco lamentou que se identifique como comunistas os que pregam a “pobreza”, uma vez que a pobreza está no centro do Evangelho.

Sobre a caridade: “A caridade nunca é ideológica, dado que não se servem ‘ideias’, mas ‘pessoas’, e nesse sentido, amar não se reduz a uma atitude de servilismo, mas fixa sempre o rosto do irmão, toca a sua carne, como a carne de Cristo, sente a sua proximidade” (Homilia em Cuba, 2015).

Diante disso pergunto: As críticas e ataques ao Papa Francisco, têm fundamento? Não! Desde que assumiu o ministério petrino, em março de 2013, Francisco tem buscado dar à Igreja um rosto mais simples, serviçal e misericordioso.

Estas características se fundamentam na pessoa de Jesus que “veio para servir e não para ser servido” (Mt 20,28), nas exigências do Evangelho e na vivência cristã das comunidades primitivas.

Suas mensagens confirmam as decisões do Concílio Vaticano II e a doutrina social da Igreja. Onde o Papa está errando?

Permaneçamos em comunhão com o “Vigário de Cristo” (LG, n.22), zelemos pelo respeito e obediência ao Pastor, eleito num conclave, sob a condução do Espírito Santo, para guiar a Igreja Católica Apostólica Romana e descartemos toda forma de agressão que não gera a unidade.

Deus abençoe a todos (as)!

Dom Amilton Manoel da Silva, CP
Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Curitiba – PR

Decreto contra o Comunismo – Wikipédia, a enciclopédia livre

Decreto contra o comunismo foi uma designação popular de um documento da Igreja Católica, publicado pelo Santo Ofício no dia 1 de julho de 1949, durante o pontificado do Papa Pio XII.

Este documento afirmava a excomunhão automática ipso facto (ou latae sententiae) de todos os católicos que, em obstinação consciente, aderem ao ateísmo e ao materialismo associado ao comunismo e às doutrinas marxistas.

Além deste célebre documento de 1949, outros decretos contra o comunismo também foram publicados pelo Santo Ofício entre as décadas de 1940 e 1950.

Os decretos

Em 15 de julho de 1948, L'Osservatore Romano publicou um decreto contra o comunismo do Santo Ofício, que excomungou os que propagavam “os ensinamentos materialistas e anti-cristãos do comunismo“, que foi amplamente interpretado como uma excomunhão do Partido Comunista Italiano (em italiano: Partito Communista D'Italia), que, no entanto, não foi mencionado no decreto.[1]

Em 1 de julho de 1949, o Santo Ofício publicou mais um decreto condenatório, aquele que passou a ser popularmente conhecido como o Decreto contra o comunismo.

Neste documento, o Santo Ofício proibiu os católicos de favorecerem, votarem ou se filiarem em partidos comunistas; e de ler, publicar ou escrever qualquer material que defendesse o comunismo (citando o cânone 1399 do Código de Direito Canónico de 1917, actualmente revogado).

Este decreto voltou também a confirmar a excomunhão automática ipso facto (ou latae sententiae) de todos os católicos que, em obstinação consciente, defendiam abertamente o comunismo, porque eram considerados apóstatas.[2]

O texto completo do decreto de 1949, escrito em latim, pode ser livremente traduzido da seguinte maneira:[nota 1]

Foi perguntado à Suprema Sagrada Congregação:
1. Se é permitido aderir ao partido comunista ou favorecê-lo de alguma maneira?
2. Se é lícito publicar, divulgar ou ler livros, revistas, jornais ou tratados que sustentam a doutrina e a ação dos comunistas, ou escrever neles?
3. Se fiéis cristãos que consciente e livremente fizeram o que está em 1 e 2, podem ser admitidos aos sacramentos?
4. Se fiéis cristãos que professam a doutrina materialista e anticristã do comunismo, e sobretudo os que defendem ou propagam, incorrem pelo próprio facto, como apóstatas da fé católica, na excomunhão reservada de modo especial à Sé Apostólica?
Os Eminentíssimos e Reverendíssimos Padres, responsáveis pela protecção da fé e da moral, tiveram o voto dos Consultores, na reunião plenária de 28 de junho de 1949, e responderam decretando:
Quanto a 1.: Não; o comunismo é de facto materialista e anticristão; embora declarem às vezes em palavras que não atacam a religião, os comunistas demonstram de facto, quer pela doutrina, quer pelas acções, que são hostis a Deus, à verdadeira religião e à Igreja de Cristo.
Quanto a 2. Não, pois são proibidos pelo próprio direito (cf, Código de Direito Canônico, cân. 1399);
Quanto a 3.: Não, segundo os princípios ordinários determinando a recusa dos sacramentos àquele que não tem a disposição requerida.
Quanto a 4.: Sim.
No dia 30 do mesmo mês e ano, o Papa Pio XII, na audiência habitual ao assessor do Santo Ofício, aprovou a decisão dos Padres e ordenou a sua promulgação no comentário oficial da Acta Apostolicae Sedis. De Roma, dia 1 de Julho de 1949.[3]

Nos anos seguintes, o Santo Ofício continuou a emitir condenações:

  • Excomunhão do padre Jan Dechet, que foi nomeado bispo pelo governo comunista checoslovaco, a 18 de fevereiro de 1950.[4]
  • Filiação a organizações da juventude comunista, a 28 de setembro de 1950[5]
  • A usurpação de funções da Igreja pelo Estado, a 29 de junho de 1950[6]
  • Ilegitimação de bispos ordenados pelo Estado, a 09 de abril de 1951[7]
  • Publicações favorecendo o comunismo totalitário, a 28 de junho e 22 julho de 1955[8]

Contexto histórico

Embora a Santa Sé tenha oficialmente se posicionado contra o marxismo e o comunismo, desde 1849 [9], aproximadamente um ano após a publicação do livro Das Kapital, antes da segunda guerra, publicou a Encíclica Papal Quadragesimo Anno, em 1931, e durante toda a segunda guerra buscou ações para reduzir o seu poder e expansão [10]. Porém, no período pós-guerra, adotou uma postura mais severa ainda contra o comunismo para evitar que a Itália se tornasse comunista. Em 1948, no contexto das eleições gerais italianas, comunistas e socialistas coligaram-se contra a Democracia Cristã liderada por Alcide De Gasperi. Para evitar uma vitória comunista, Pio XII se empenhara naquela eleição e com ele toda a Igreja Católica para garantir a vitória da Democracia Cristã, que de facto aconteceu, e evitar que sucedesse na nascente democracia italiana o que vinha ocorrendo então, na denominada Cortina de Ferro, onde os comunistas suprimiram as liberdades individuais e perseguiram fortemente a Igreja.

Esta postura severa da Santa Sé entrava em continuidade com uma longa tradição de documentos pontifícios que condenavam o comunismo, tais como o Divini Redemptoris (1937), que foi uma forte crítica ao comunismo e suas variantes cristãs.

Por isso, no período pós-guerra, o Santo Ofício (actual Congregação para a Doutrina da Fé) voltou a emitir vários decretos contra o comunismo sobre as seguintes categorias:

  • A defesa dos direitos da Igreja sobre a ordenação de bispos e atividades da Igreja e,
  • A condenação de participação em partidos comunistas e organizações comunistas.

Evolução, alterações e situação actual

Em 4 de abril de 1959, o Papa João XXIII autorizou a publicação do Dubium, um documento do Santo Ofício de 25 de março, que confirmava o decreto contra o Comunismo de 1949.

Neste documento de 1959, reafirmou-se que não era permitido aos católicos darem o seu voto a partidos ou candidatos que sejam comunistas ou aliados dos comunistas.

[11] O texto do Dubium, escrito em latim, pode ser livremente traduzido da seguinte maneira:[nota 2]

Foi perguntado à Suprema Sagrada Congregação se é permitido aos cidadãos católicos ao elegerem os representante do povo, darem o seu voto a partidos ou a candidatos que, mesmo se não proclamam princípios contrários à doutrina católica e até reivindicam o nome de cristãos, apesar disto se unem de facto aos comunistas e os apoiam por sua acção.
Dia 25 de Março de 1959
Os Eminentíssimos e Reverendíssimos Padres, responsáveis pela protecção da fé e da moral, responderam decretando:
Não, segundo a directiva do decreto do S. Ofício de 1º de julho de 1949, n. 1 (A.A.S., vol. XLI, 1949, p. 334).[3]
No dia 2 de abril do mesmo ano, o Papa João XXIII, na audiência ao Cardeal Pró-secretário do Santo Ofício, aprovou a decisão dos Padres e ordenou a sua publicação. De Roma, dia 4 de Abril de 1959.

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Segundo fontes tradicionalistas, o decreto de 1949 teria sido confirmado mais uma vez pelo Papa João XXIII no dia 3 de janeiro de 1962, quando foi anunciado que Fidel Castro fora excomungado por liderar a revolução comunista em Cuba.

A excomunhão de Fidel Castro, no entanto, ainda é motivo de controvérsias, havendo quem afirme (o que seria corroborado por relatos do secretário particular de João XXIII, o bispo Loris Capovilla) que ela de fato nunca existiu.

[12]

Em 1966, o Papa Paulo VI aboliu o Index Librorum Prohibitorum [13], bem como os cânones 1399 e 2318 do Código de Direito Canónico de 1917, que respectivamente proibia ipso iure certos livros e impunha penas aos infractores das leis de censura e de proibição de livros.

Com isto, o ponto 2 do decreto de 1949 deixou de ter efeito.

Mas, apesar da abrogação do cânon 1399 e da absolvição das penas impostas pelo cânon 2318 (também abrogado), o Santo Ofício relembrou o valor da eterna lei moral que proíbe absolutamente os católicos de pôr em perigo a fé e a moral.

Por fim, em 1983, o Código de Direito Canónico de 1917, no qual se baseou os decretos contra o comunismo, foi abrogado pelo novo Código de Direito Canónico, publicado pelo Papa João Paulo II em 1983.

No cânon 6 do novo Código, está explicitado que, “com a entrada em vigor deste Código, são ab-rogados: o Código de Direito Canónico promulgado no ano de 1917; as outras leis, quer universais quer particulares, contrárias às prescrições deste Código, a não ser que acerca das particulares se determine outra coisa; quaisquer leis penais, quer universais quer particulares, dimanadas da Sé Apostólica, a não ser que sejam recebidas neste Código; as outras leis disciplinares universais respeitantes a matéria integralmente ordenada neste Código. Os cânones deste Código, na medida em que reproduzem o direito antigo, devem entender-se tendo em consideração também a tradição canónica.“[14]

Contudo, o novo Código reserva aos apóstatas da fé, aos hereges e aos cismáticos a pena da excomunhão latae sententiae (cânon 1364),[15] de forma mais abrangente e geral do que no Código anterior.

Tendo em atenção que o Catecismo da Igreja Católica (1992) afirma que a Igreja rejeita as ideologias totalitárias e ateias, associadas, nos tempos modernos, ao «comunismo» ou ao «socialismo, e por outro lado, recusa, na prática do «capitalismo», o individualismo e o primado absoluto da lei do mercado sobre o trabalho humano,[16]ã.

No Brasil o sacerdote católico e mestre em direito canónico Paulo Ricardo de Azevedo Júnior afirma que[17] decretos não são datados ou restritos, sendo que os documentos têm validade até hoje.

Mas ele diz: ” Os comunistas já eram considerados apóstatas e estavam excomungados desde sempre. O decreto veio apenas confirmar e esclarecer o fato “.

Além disso ele sustenta que as alterações ao Código de Direito Canónico de 1983, serviriam apenas para renovar a linguagem do próprio Decreto de 1949.

Papa Francisco

Apesar de Papa Francisco ter se pronunciado publicamente contra o comunismo em 2015[18], já tinha sido rotulado como marxista após criticar capitalismo e a ineficiência das políticas pró-mercado em sua primeira exortação apostólica (Evangelii Gaudium), no ano de 2013.

[19] Na ocasião, o Pontífice chegou a afirmar que a política pró-mercado é apenas uma opinião “que nunca foi confirmada pelos factos, exprime uma confiança vaga e ingénua na bondade daqueles que detêm o poder económico e nos mecanismos sacralizados do sistema económico reinante“, e desde então várias características de seus discursos têm sido comparadas à retórica socialista. Em junho de 2014, o Papa respondeu que os comunistas é que se teriam apropriado da bandeira de defesa aos pobres, que está no centro do Evangelho cristão, declarando em tom descontraído que na verdade seriam os comunistas que apresentam similaridades com os princípios cristãos, e não o contrário.[20]

Em entrevista recente na Bolívia, o Papa Francisco adotou novamente um discurso anticapitalista. O Papa pregou “mudança de estruturas” e disse que mesmo entre a elite econômica que se beneficia do sistema “muitos esperam uma mudança que os libere dessa tristeza individualista que os escraviza”.

Além disso, propôs que a economia deveria trabalhar ao serviço dos povos, ao invés de ser um mecanismo para acumulação de capital, defendendo que a verdadeira função da economia seria “a administração correta da casa comum“.

[21] No mesmo encontro, o Papa Francisco foi presenteado pelo presidente boliviano Evo Morales com um crucifixo na forma da foice e martelo cruzados (um símbolo comunista) – tal crucifixo estilizado trata-se de uma reprodução da escultura do sacerdote jesuíta Luis Espinal, que tinha ligação com movimentos sociais bolivianos e foi assassinado por paramilitares em 1980.[22] Na ocasião, o Santo Padre manifestou visível desconforto com a peça, a princípio hesitando em recebê-la, para logo após devolvê-la. Durante entrevista ao jornal italiano La Repubblica no dia 11 de novembro de 2016 o papa afirmou que “São os comunistas os que pensam como os cristãos. Cristo falou de uma sociedade onde os pobres, os frágeis e os excluídos sejam os que decidam”[23] Ao ser questionado se uma sociedade mais marxista era necessário, respondeu que “São os comunistas os que pensam como os cristãos. Cristo falou de uma sociedade onde os pobres, os frágeis e os excluídos sejam os que decidam. Não os demagogos, mas o povo, os pobres, os que têm fé em Deus ou não, mas são eles a quem temos que ajudar a obter a igualdade e a liberdade.”[24]

Porém, as acções e atitudes do Papa Francisco devem ser vistas à luz dos ensinamentos da Doutrina Social da Igreja, que, para além de condenar o comunismo, também criticou vários aspectos desumanos e injustos do capitalismo. Aliás, como já foi anteriormente referido, o Catecismo da Igreja Católica (1992) afirma que a Igreja recusa, na prática do «capitalismo», o individualismo e o primado absoluto da lei do mercado sobre o trabalho humano.

Desmentindo mais uma mentira sobre o Papa Francisco

Mais uma vez circula na grande mídia uma matéria que tenta desmoralizar o Santo Padre e a doutrina social da Igreja.

Saiu uma matéria no site de uma grande revista brasileira dizendo que o Papa afirmou que “os comunistas pensam como os cristãos”.

De fato, o Papa falou essas palavras em entrevista ao jornal italiano La Repubblica, no entanto, a revista apresentou a afirmação completamente fora de contexto, abrindo pretexto para interpretações errôneas.

O jornalista Eugênio Scalfari, fez a seguinte pergunta à Sua Santidade:

Você me disse há algum tempo atrás que a máxima “Ame seu próximo como a si mesmo” tinha que mudar, dando aos tempos sombrios que estamos passando, mais do que nós mesmos. Então você anseia por uma sociedade onde a igualdade domina. Isso até onde eu sei é um programa do socialismo marxista, e logo, do comunismo. Você estaria portanto pensando em um tipo de sociedade marxista?

O Papa respondeu o seguinte:

Isso me foi dito muitas vezes e minha resposta sempre foi essa: se há alguma semelhança, então são os comunistas que pensam como os cristãos.

Cristo falava de uma sociedade onde os pobres, os fracos e os marginalizados tinham direito de decidir. Não os demagogos, nem Barrabás, mas o povo, os pobres, tendo eles fé em um Deus transcendente ou não.

São eles (os pobres) que precisam ajudar para alcançar a igualdade e a liberdade.

Ou seja, o Papa não disse que precisamos nos inspirar numa sociedade marxista e nos igualar ao pensamento socialista.

Muito pelo contrário, Sua Santidade disse que nós, Cristãos, somos aqueles que amam os pobres, seguindo assim o mandamento de Cristo que nos envia aos necessitados.

E que se por acaso essa sociedade marxista quer cuidar dos pobres, então é ela quem pensa como nós, e não o contrário.

O Papa Francisco falou na homilia de hoje, em missa celebrada na Casa Santa Marta sobre o mal das ideologias: “as ideologias sobre o amor, as ideologias sobre Igreja, as ideologias que tiram da Igreja a Carne de Cristo. Essas ideologias escarnecem a Igreja!”

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Como é possível o Papa condenar as ideologias e nos mandar segui-las ao mesmo tempo?! Ou seja, tomemos cuidados com as mentiras e manipulações que tentam fazer com a Santa Igreja e a Verdade de Cristo.

Se você quer saber sobre a Igreja, leia sites de confiança, não leia opiniões mundanas que apenas querem destruir a Igreja de Cristo.

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Papa diz que "comunistas pensam como os cristãos" e evita "julgar" Trump

O papa Francisco afirmou que “são os comunistas os que pensam como os cristãos”, ao responder sobre se gostaria de uma sociedade de inspiração marxista, em entrevista publicada nesta sexta-feira no jornal italiano “La Repubblica”. O papa ainda evitou fazer um julgamento pessoal sobre o presidente eleito dos EUA, Donald Trump.

“São os comunistas os que pensam como os cristãos. Cristo falou de uma sociedade onde os pobres, os frágeis e os excluídos sejam os que decidam. Não os demagogos, mas o povo, os pobres, os que têm fé em Deus ou não, mas são eles a quem temos que ajudar a obter a igualdade e a liberdade”, disse.

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Papa Francisco disse esperar que os Movimentos Populares entrem na política, “mas não no político, nas lutas de poder, no egoísmo, na demagogia, no dinheiro, mas na política criativa e de grandes visões”.

Questionado sobre o que achava do presidente eleito dos EUA, Francisco disse: “Não faço julgamentos sobre pessoas e homens políticos, quero apenas entender que sofrimento o comportamento deles causa aos pobres e aos excluídos”.

Reprodução da página na internet com a entrevista do Papa Francisco ao jornal italiano La Repubblica

Imagem: Reprodução

Francisco disse que sua maior preocupação é o drama dos refugiados e imigrantes, e reiterou que é necessário “acabar com os muros que dividem, tentar aumentar e estender o bem-estar, e para eles é necessário derrubar muros e construir pontes que permitam diminuir as desigualdades e dar mais liberdade e direitos”.

Mais cedo neste ano, o papa sugeriu que a posição de Trump sobre a imigração, que inclui uma promessa de campanha de construir um muro na fronteira entre EUA e México para manter afastados os imigrantes ilegais, “não era cristã”. Um porta-voz papal disse posteriormente que a declaração não foi um ataque pessoal.

Sobre os supostos “adversários” que tem no seio da Igreja, Francisco afirmou que não os chamaria assim e que “a fé une todos, embora naturalmente cada um veja as coisas de maneira diferente”.

Por que o marxismo odeia o Cristianismo

O marxismo autêntico sempre odiou e sempre odiará o cristianismo autêntico. Se não puder pervertê-lo, então terá que matá-lo. Sempre foi assim e sempre será assim.

E por que essa oposição manifestada ao cristianismo por parte do marxismo? Por que o ódio filosófico, a política anticristã, a ação assassina direcionada aos cristãos? Por que o país número um em perseguição ao cristianismo não é muçulmano e sim a comunista Coréia do Norte?

As pessoas se iludem quando pensam no marxismo como doutrina econômica ou política. Economia e política são meros pontos. Marx não acreditava ter apenas as resposta para os problemas econômicos. Acreditava ter todas as respostas para todos os problemas.

Marxismo na verdade é uma crença, uma visão de mundo, uma fé. O socialismo nada mais é do que a aplicação dessa fé por um governo totalitário. O comunismo, por sua vez, é apenas a escatologia marxista, o suposto mundo paradisíaco que brotaria de suas profecias.

E esta fé não apresenta o caráter relativista de um hinduísmo ou de um budismo. Tendo nascido dos pressupostos cristãos, o marxismo roubou seus absolutos e se apresenta como a verdade absoluta, como o único caminho para redenção da humanidade. E ainda que tenha se apossado dos pressupostos cristãos, inverteu tais pressupostos tornando-se uma heresia anticristã.

No lugar do teísmo o ateísmo, no lugar da Providência Divina o materialismo dialético. Ao invés de um ser criado à imagem e semelhança de Deus, um primata evoluído cuja essência é o trabalho, o homo economicus.

O pecado é a propriedade privada, o efeito do pecado, simplesmente a opressão social. O instrumento coletivo para aplicar a redenção não é a Igreja, mas o proletariado, que através da ditadura de um Estado “redentor” conduziria o mundo a uma sociedade sem classes.

E o resultado seria não os novos céus e a nova terra criados por Deus, mas o mundo comunista futuro, onde o Estado desaparecerá, as injustiças desaparecerão e todo conflito se transformará em harmonia.

Está é a fé marxista, um evangelho que não admite rival, pois assim como dois corpos não ocupam o mesmo espaço, duas crenças igualmente salvadoras não podem ocupar o mesmo mundo, segundo o marxismo real.

Sim, o comunismo de Marx era um evangelho, a salvação para todos os conflitos da existência, fosse o conflito entre homem e homem, homem e natureza, nações e nações. Assim lemos em seus Manuscritos de Paris:

O comunismo é a abolição positiva da propriedade privada e por conseguinte da auto-alienação humana e, portanto, a reapropriação real da essência humana pelo e para o homem… É a solução genuína do antagonismo entre homem e natureza e entre homem e homem. Ele é a solução verdadeira da luta entre existência e essência, entre objetivação e auto-afirmação, entre liberdade e necessidade, entre indivíduo e espécie. É a solução do enigma da história e sabe que há de ser esta solução.

E como o marxismo nega qualquer transcendência, qualquer realidade além desta realidade, seu “paraíso” deve se realizar neste mundo por meio do controle total. Não apenas o controle político e econômico, mas o controle social, ideológico, religioso. Não pode haver rivais.

Não pode haver cristãos dizendo que há um Deus nos céus a quem pertencem todas as coisas e que realizou a salvação através da morte e ressurreição de Cristo. Não pode haver outra visão de mundo que não a marxista, não pode haver outra redenção senão aquela que será trazida pelo comunismo.

O choque é inevitável.

Está é a raiz do ódio marxista ao cristianismo. Seu absolutismo não permite concorrência. David H. Adeney foi alguém que viveu dentro da revolução maoísta (comunista) na China. Ele era um missionário britânico e pode ver bem de perto o choque entre marxismo e cristianismo no meio universitário, onde trabalhou. Chung Chi Pang, que prefaciou sua obra escreveu:

“(…) a fé cristã e o comunismo são ideologicamente incompatíveis. Assim, quando alguém chega a uma crise vital de decisão entre os dois, é inevitavelmente uma questão de um ou outro (…) [o autor] tem experimentado pessoalmente o que é viver sob um sistema político com uma filosofia básica diametralmente oposta à fé cristã”

Os marxistas convictos sabem da incompatibilidade entre sua crença e a fé cristã. Os cristãos ainda se iludem com uma possível amizade entre ambos. “… para Marx, de qualquer forma, a religião cristã é uma das mais imorais que há”. (Mclellan, op. Cit., p.54). E Lenin, que transformou a teoria marxista em política real, apenas seguiu seu guru:

“A guerra contra quaisquer cristãos é para nós lei inabalável. Não cremos em postulados eternos de moral, e haveremos de desmascarar o embuste. A moral comunista é sinônimo de luta pelo robustecimento da ditadura proletária”

Assim foi na China, na Rússia, na Coreia do Norte e onde quer que a fé marxista tenha chegado. Ela não tolerará o cristianismo, senão o suficiente para conquistar a hegemonia. Depois que a pena marxista apossar-se da espada, então essa espada se voltará contra qualquer pena que não reze conforme sua cartilha.

Os ataques aos valores cristãos em nosso país não são fruto de um acidente de percurso.

É apenas o velho ódio marxista ao cristianismo, manifestando-se no terreno das ideias e das discussões, e avançando no terreno da legislação e do discurso.

O próximo passo pode ser a violência física simples e pura. Os métodos podem ter mudado, mas sua natureza é a mesma e, portanto, as conseqüências serão as mesmas.

Se nós, cristãos, não fizermos nada, a história se repetirá, pois como alguém já disse, quem não conhece a história tende a repeti-la. E parece que mesmo quem a conhece tende a repeti-la quando foi sendo anestesiado pouco a pouco pelo monóxido de carbono marxista. Será que confirmaremos a máxima de Hegel, que afirmou que a “história ensina que não se aprende nada com ela”?

Escrito por Eguinaldo Hélio Souza.

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