Rainha Portuguesa Que Teve Como Amante O Conde Andeiro?

Rainha Portuguesa Que Teve Como Amante O Conde Andeiro?

Quando subiu ao trono, em 1367, o rei D. Fernando herdou uma grande fortuna que lhe foi deixada pelo pai, D. Pedro I. Mas as três guerras perdidas com Castela e as sequelas da Peste Negra tiveram graves consequências económicas, obrigando o monarca a desvalorizar várias vezes a moeda nacional.

Tomou medidas que ficaram para a história, como a Lei das Sesmarias, em 1375, e a criou a Companhia das Naus, mas que tiveram poucos resultados no curto prazo. O carácter do rei cognominado “o Formoso” também influenciou a política.

A paixão por Leonor Teles, mulher casada, levou-o a violar um tratado que o obrigava a casar com uma princesa espanhola, criou má vizinhança que culminou com uma nova guerra com Castela, lançou as bases para a sucessão de tratados que deixaram Portugal na dependência de Inglaterra e reforçou a influência de um sector da nobreza, encabeçado pela família da nova rainha.

Os desaires que sofreu como chefe militar permitiram que Lisboa fosse ocupada pelos exércitos de Henrique II de Castela, em 1373, e cercada por Juan I, em 1382. Camões sintetizou assim o reinado de D. Fernando: “Um fraco rei faz fraca a forte gente”.

O último soberano da primeira dinastia morreu em Outubro de 1383 e dias depois já D. Leonor Teles assumia abertamente a sua condição de amante (“barregã”, como lhe chamava o povo) do nobre galego João Fernandes Andeiro.

Galego morto à cutilada

Rainha Portuguesa Que Teve Como Amante O Conde Andeiro?No dia 6 de Dezembro de 1383, o Mestre da Ordem Militar de Avis, D. João (filho ilegítimo de D. Pedro I e, como tal, meio-irmão do defunto D. Fernando) dirigiu-se ao palácio real – o Limoeiro (Paço de a-par de São Martinho), em Lisboa, onde hoje funciona o Centro de Estudos Judiciários – com um grupo de amigos armados.

Depois de apresentar cumprimentos à rainha D. Leonor Teles e aos nobres que a acompanhavam, D. João pediu ao conde de Ourém, o galego João Fernandes Andeiro, que o acompanhasse porque precisava de falar-lhe a sós. O conde desconfiou, fez sinal aos seus homens para que fossem buscar armas, mas acompanhou, sozinho, o Mestre de Avis.

Num recanto do salão, junto à janela, trocaram umas palavras em voz baixa. De repente, o filho bastardo de D. Pedro I empunhou um cutelo comprido e desferiu um golpe na cabeça do amante da rainha. O conde Andeiro não morreu logo e ainda tentou chegar aos aposentos de D. Leonor Teles, mas um dos companheiros do Mestre de Avis, Rui Pereira, acabou com ele a golpes de espada.

Embora fosse filho de rei, D. João, na altura com 26 anos, não sonhava com a coroa. Assassinou o conde Andeiro porque temia pela própria vida: fora avisado de que a viúva do seu meio-irmão e o amante desta conspiravam para matá-lo. Foi por medo que o Mestre de Avis apunhalou o galego.

Insurreição

Depois, limitou-se a montar o cavalo do poder, estribado no conselho que o cronista Fernão Lopes atribuiu ao mentor do golpe, Álvaro Pais, um político experiente e muito popular em Lisboa, que tinha sido chanceler-mor de D. Pedro I e de D. Fernando: “Dai o que não é vosso, prometei o que não tendes e perdoai a quem não vos errou.”

Quando os lisboetas souberam do sucedido, a capital do reino entrou em alvoroço. O povo acorria, alarmado com os gritos de Gomes Freire, o pajem de D.

João, que cavalgava a galope pelas ruas: “Matam o Mestre! Matam o Mestre nos paços da rainha! Acudi ao mestre que o matam!” O pajem dirigiu-se a casa de Álvaro Pais, que congeminara a intriga patriótica que culminou na morte do Andeiro, a quem odiava.

Ao ouvir o clamor, Álvaro Pais montou a cavalo e começou a gritar: “Acudamos ao mestre, amigos, acudamos ao Mestre, que é filho de el-rei D. Pedro!”

Juntou-se uma multidão às portas do palácio, ameaçando invadi-lo. Para evitar que a situação descambasse numa revolta popular descontrolada, o próprio Mestre D. João, veio à janela principal do Limoeiro tentar acalmar os ânimos: “Amigos, sossegai, que eu estou vivo e são, a Deus graças.”

Mas não sossegaram: indignados com recusa do bispo de Lisboa em mandar tocar os sinos, os populares desceram à Sé, quase paredes-meias do palácio, e, lembrando que o bispo, D.

Martinho, era castelhano, atiraram-no da torre, juntamente com dois clérigos do seu séquito. Os revoltosos dirigiram-se então à judiaria para matar e saquear as casas e lojas dos moradores.

Os judeus foram salvos ‘in extremis’ por um magistrado que invocou o nome do Mestre de Avis.

Apoio da ‘arraia-miúda’

D. João ficou receoso com o alcance do motim. Sabia que o rei de Castela não tardaria a invadir Portugal e temia pela sua vida. Pensou em fugir para Inglaterra, mas desistiu. Enviou emissários a Alenquer, para onde se retirara D. Leonor Teles, pedindo em casamento a viúva do seu meio-irmão, cujo amante assassinara. Mas a rainha, compreensivelmente, recusou.

Quando os proprietários e mercadores, pressionados pelos mesteirais (homens dos ofícios) e pela arraia-miúda da capital lhe declararam o apoio e prometeram pegar em armas e combater por ele e pela independência de Portugal, o Mestre de Avis assumiu o compromisso de encabeçar a revolução. Aceitou o título de Regedor e Defensor do Reino e preparou a resistência ao invasor.

Nos dois anos seguintes, Portugal foi palco de duras batalhas entre os defensores de um rei português e os castelhanos e os apoiantes de um monarca estrangeiro.

O assassínio do conde Andeiro e a sublevação de Lisboa agudizaram o clima de tensão em que o país vivia desde a morte de D. Fernando.

As derrotas deste rei nas três guerras que travou com Castela levaram à assinatura do Tratado de Salvaterra de Magos, que impôs o casamento da sua filha única, D. Beatriz, com o rei castelhano Juan I. Quando D.

Fernando morreu, o soberano de Castela quis receber a herança da mulher.

A maioria dos nobres portugueses, com a rainha viúva D. Leonor Teles à cabeça, seguiu o direito feudal e reconheceu a soberania de D. Beatriz. Mas outros membros da fidalguia, tal como a maior parte “homens bons” dos concelhos – proprietários de terras e mercadores -, além do povo pobre, opôs-se a que a coroa de Portugal fosse enfeitar a cabeça de um estrangeiro.

A revolta de Lisboa foi seguida por sublevações em Beja, em Portalegre, em Estremoz, no Porto. Muitas cidades e vilas tomaram voz pelo Mestre de Avis, que conseguiu fazer-se reconhecer como o rosto da independência, num processo decisivo para a formação da identidade nacional.

Eleito em Coimbra, legitimado em Aljubarrota

A sua capacidade de liderança durante o cerco de Lisboa, em 1384, e a resistência à invasão castelhana levou os representantes do clero e da nobreza a imitarem o povo e escolhê-lo como rei. O processo que formalizou essa eleição culminou com as cortes de Coimbra, em Abril de 1385.

Aí, a argumentação patriótica do legista (perito em leis) João das Regras seguiu uma estratégia explicada de forma brilhante na crónica de Fernão Lopes. Primeiro, convenceu os presentes de que D. Beatriz e o seu marido Juan I de Castela não tinham direito a herdar a coroa de Portugal.

A seguir, afastou também da sucessão os filhos de D. Pedro e D. Inês, infantes D. Dinis e D. João – que entretanto tinham declarado o seu apoio ao rei castelhano.

Reconhecendo que o trono estava vago, João das Regras concluiu que a responsabilidade dos procuradores às cortes era… escolher um novo rei.

E não era muito difícil encontrar o único candidato que já tinha provas dadas de ser capaz de lutar pela independência nacional e defender o povo, sendo, além do mais, filho de rei.

Rainha Portuguesa Que Teve Como Amante O Conde Andeiro?Apesar da argúcia da exposição do doutor João das Regras, ainda havia alguns membros da nobreza e do clero renitentes em aceitar como rei o Mestre de Avis. Aí entrou outro tipo de persuasão, protagonizado pelo condestável D. Nuno Álvares Pereira, que embora hoje seja venerado nos altares como São Nuno de Santa Maria, não hesitou em apelar ao ‘argumentum baculinum’ para convencer os recalcitrantes. E D. João, Mestre de Avis, acabou mesmo por ser aclamado nas cortes de Coimbra D. João I, rei de Portugal.

A legitimação definitiva, essa, teve-a o novo rei quatro meses depois: a batalha de Aljubarrota.

Rainhas de Portugal – Leonor Teles

Rainha Portuguesa Que Teve Como Amante O Conde Andeiro?

Leonor Teles, cognominada a Aleivosa (Trás-os-Montes e Alto Douro, c. 1350 — Tordesilhas, 27 de abril de 1386), foi rainha de Portugal entre 1371 e 1383, pelo seu casamento com Fernando I de Portugal. Foi regente de Portugal de 1383 a 1384.

  • Família:
  • Sobrinha de João Afonso Telo de Meneses, conde de Barcelos, descendia por seu pai Martim Afonso Telo de Meneses do rei Fruela II das Astúrias e Leão e, por sua mãe Aldonça Anes de Vasconcelos, de Teresa Sanches, filha bastarda do rei Sancho I de Portugal.
  • Rainha:
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Ainda muito jovem, Leonor casou-se com João Lourenço da Cunha, filho do morgado do Pombeiro, com quem teve um filho: Álvaro da Cunha. Conta-se que, numa altura em que visitou a irmã Maria Teles, aia da infanta Beatriz, o rei Fernando I de Portugal ficou loucamente apaixonado por Leonor – que Fernão Lopes descreveu como sendo “louçana e aposta e de bom corpo (…

), com suas fremosas feiçõoes e graça” –, querendo-a tomar por amante. Leonor resistiu, e o rei ficou sabendo que só a teria por via de casamento. Alegando-se uma remota consanguinidade, foi obtida a anulação do primeiro casamento de Leonor Teles e preparado o casamento com o rei.

Isto motivou uma enorme reprovação popular e perturbação social e política, que gerou um clima de insegurança em todo o reino.

O casamento público com o rei ocorreu no Mosteiro de Leça do Balio, em 15 de maio de 1372, havendo notícia de que teria sido precedido por um outro, este secreto, ainda em 1371. Em meados de fevereiro de 1373, nascia a infanta Beatriz. Temendo o prestígio do infante D.

João, que se casara com sua irmã Maria Teles de Menezes, Leonor concebeu o plano de casar o infante com sua filha Beatriz. Mas para isso era preciso eliminar Maria Teles de Menezes, sua própria irmã, acção por que terá sido responsável, ao insinuar que esta seria adúltera.

João, enfurecido, matou a mulher, e apresentou-se como viúvo disponível à cunhada, que logo o acusou de homicídio, tendo sido preso e exilado pelo crime cometido, afastando assim um temível rival ao trono.

As rainhas de Portugal contaram, desde muito cedo, com os rendimentos de bens, adquiridos, na sua grande maioria, por doação.

Leonor Teles, através de doação de Fernando, recebeu Vila Viçosa, Abrantes, Almada, Sintra, Torres Vedras, Alenquer, Atouguia, Óbidos, Aveiro, bem como os reguengos de Sacavém, Frielas, Unhos e a terra de Melres, em Ribadouro. Trocou Vila Viçosa por Vila Real em 1374 e adquiriu Pinhel em 1376.

Crise de 1383-1385:

Com a morte de Fernando em 22 de outubro de 1383, Leonor assumiu a regência do reino e o seu amante galego, João Fernandes Andeiro, passou a exercer uma influência decisiva na corte. Esta ligação e influência desagradavam manifestamente ao povo e à burguesia e a alguma nobreza, que odiavam a regente e temiam ser governados por um soberano castelhano.

D. João, Mestre de Avis, apoiado por um grupo de nobres, entre os quais Álvaro Pais e o jovem Nuno Álvares Pereira, foi incentivado pelo descontentamento geral a assassinar o conde Andeiro. A acção ocorreu no paço, a 6 de dezembro de 1383, e iniciou o processo de obtenção da regência em nome do infante João.

Leonor abandonou Lisboa, fiel ao Mestre de Avis, e refugiou-se em Alenquer e depois em Santarém, cidades fiéis à causa da rainha, onde tentou manobrar politicamente a sua continuidade no poder.

No entanto, com o desenvolver do conflito entre o Mestre de Avis e o rei castelhano, a regente perdeu espaço de manobra e acabou por ser constrangida a abdicar da regência a favor de João I de Castela e de Beatriz, sua filha, a esposa do rei castelhano.

Com a vitória do partido do Mestre de Avis na guerra civil e contra Castela, este tornou-se regente e depois rei. D.

João I de Castela, genro de Leonor, logo em 1384, pouco depois dela ter renunciado à regência, havia-a internado no Mosteiro de Tordesilhas, perto de Valhadolide, onde, segundo alguns historiadores, faleceu em 1386.

No entanto, referências do cronista castelhano Lopez de Ayala, seu contemporâneo, dão-na como viva em 1390 e em data ainda mais tardia.

Descendência:

Do seu primeiro casamento com João Lourenço da Cunha (+ Cerco de Lisboa, 1384), filho do morgado do Pombeiro, nasceu:

  • Álvaro da Cunha (c.1371-1415), partidário de D. João, Mestre de Avis, durante a Crise de 1383–1385, morreu de peste no regresso da Conquista de Ceuta

Depois de anulado o primeiro matrimónio por motivos de consanguinidade a 15 de Maio de 1372 casou-se em segundas núpcias com o rei D. Fernando I de Portugal. Desta união nasceram:

  • Beatriz de Portugal (1373), pretendente ao trono do pai, rainha consorte de Castela, casada com o rei D. João I de Castela
  • Afonso (1382), que morreu quatro dias após o nascimento
  • Menina (1383), que morreu à nascença

Títulos e Estilos:

  • 1371 — 1383: Dona Leonor, pela graça de Santa Maria, Rainha de Portugal e do Algarve
  • 1383 — 1384: Dona Leonor, pela graça de Deus, Rainha, Governadora e Regente dos reinos de Portugal e do Algarve

1383: o ano de todos os perigos

Em Janeiro de 1383, Portugal é um barril de pólvora pronto para explodir à mais pequena faísca. D. Fernando está doente (envenenado?, pergunta uma biografia recente), ‘perdeu’ a esposa, cuja ligação com o fidalgo galego João Fernandes Andeiro é pública e, pior do que isso, perdeu há muito o seu povo.

O reinado deste monarca atraente e carismático até começara bem: sucedendo em 1367 a seu pai, D. Pedro, teria recebido dele um país em excelente condição financeira, com um tesouro impressionante e um reino em paz com Castela. A nobreza desde há muito que se mostrava dividida.

Algumas das linhagens mais antigas estavam extintas, outras, tentando resistir ao precoce e quase ininterrupto esforço de centralização régia, tinham-se aliado ao Infante D. Afonso na sua luta contra o pai, D. Dinis.

Mas nas últimas décadas do século XIV o problema era outro: devido à guerra civil que dilacerou Castela, opondo Pedro I ao seu meio-irmão Henrique de Trastâmara, na corte portuguesa acotovelavam-se fidalgos castelhanos exilados, ironicamente dos dois partidos que se impuseram à vez.

Chegou-se a esta situação extrema: no reinado de D. Fernando, todos os títulos portugueses (na altura, apenas existia o título de “conde”) estavam nas mãos de castelhanos (Andeiro, por exemplo, era o Conde de Ourém; os Teles de Meneses e os Castros dominavam os restantes). D.

Fernando teve casamento apalavrado e contratado com várias famílias importantes da Europa.

Desrespeitou-os a todos para – crime dos crimes – ‘roubar’ a um fidalgo seu vassalo a mulher legítima, Leonor Teles, casando com ela clandestinamente, ‘a furto’, como se dizia, no mosteiro de Leça do Bailio, o que provocou a segunda grande revolta popular.

A primeira ocorrera alguns anos antes, quando mesteirais de várias cidades se levantaram em armas, reivindicando maior intervenção política nos governos urbanos. Essas revoltas foram brutalmente reprimidas, os dirigentes mortos e as famílias infamadas e condenadas à miséria.

Seguiram-se três guerras com a vizinha Castela, porque D.

Fernando, pressionado pelos seus cortesãos exilados, julgava-se (com algum fundamento) com direito ao trono daquele reino: três guerras, três desastres, dos quais o país saiu exangue, com muitas zonas destruídas, uma inflação assustadora e o povo sujeito a provações atrozes.

Conhecemos a sequência.

Em Abril de 1383, Fernando assinará com Juan I de Castela, que acabara de enviuvar, o estranho Tratado de Salvaterra de Magos, que incluía o casamento da sua única filha, a pequena Beatriz, com o rei de Castela (creio que esse tratado tem sido quase sempre mal interpretado). Beatriz que, tal como o pai, estivera prometida a uma mão cheia de príncipes estrangeiros, para acabar, aparentemente, a ‘dormir com o inimigo’.

A faísca foi a morte de Fernando, em Outubro de 1383. E a explosão começou em Lisboa e nas terras mais próximas, com dois momentos-chave: a recusa do povo e de alguns fidalgos em aceitar Beatriz como rainha de Portugal, com muitas vozes a manifestarem o seu apoio ao Infante D. João, filho de D.

Pedro e de Inês de Castro, que se exilara em Castela e que o rei Juan I mandara prudentemente prender, para afastar um eventual concorrente ao trono de Portugal; o pequeno golpe palaciano, gizado pelo Conde de Barcelos, João Afonso Telo, irmão de Leonor, e por um veterano servidor de D.

Fernando, Álvaro Pais.

Alguém devia entrar no palácio régio e matar o amante da rainha, o Conde Andeiro, libertando Leonor Teles da sua pérfida influência. Para isso os dois homens escolheram D. João, Mestre de Avis, meio-irmão de D. Fernando porque filho ilegítimo de D. Pedro.

Era provável que o Mestre morresse na aventura; um dano colateral perfeitamente aceitável. Não morreu e, pelo contrário, saiu em triunfo pelas ruas da capital.

Nascia mais um candidato ao trono, apesar do escárnio de João Afonso Telo, que se ria desse ‘pretendente’ apoiado por “dois sapateiros e dois alfaiates”. 

Mas voltemos a Janeiro de 1383: um D. Fernando enfraquecido doava ao irmão de Leonor Teles, João Afonso Telo, a mais importante alcaidaria do país, a do castelo de Lisboa. Quando morresse, a mulher ficaria como regente e o irmão como senhor militar da capital, cujo destino condicionava o de todo o reino.

No documento recentemente vindo a público, o Conde de Barcelos, perante um tabelião público da cidade, faz copiar a doação de D. Fernando e confia o castelo de Lisboa, cuja alcaidaria acaba de receber, a Martim Afonso Valente, que o terá em nome do conde.

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Julgo que este documento fulcral era desconhecido; não conheço referências a ele nos trabalhos clássicos sobre a época e o tema; não o encontrei numa rápida consulta à Chancelaria de D. Fernando; não sei se o Marquês de Abrantes o terá indicado em algum dos seus trabalhos monográficos. Diria que não.

Para a História: João Afonso Telo combateu em Aljubarrota do lado de Juan I, morreu na batalha e foi sepultado no próprio campo; Martim Afonso Valente acabou por entregar o castelo de Lisboa ao Mestre de Avis e passou-se para o partido dele.

Leonor Teles – Wikipédia, a enciclopédia livre

 Nota: Para a realizadora portuguesa com o mesmo nome, veja Leonor Teles (realizadora).
 Nota: Para outros significados de Leonor, rainha de Portugal, veja Leonor, rainha de Portugal (desambiguação).

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Leonor Teles

Dona Leonor Teles, consorte do rei Dom Fernando I de Portugal

Rainha de Portugal

Reinado

Março de 1372 – 22 de outubro de 1383

Regente de Portugal

Reinado

1383 – 1384

 

Cônjuge

Fernando I de Portugal

Descendência

Beatriz, Rainha de Castela Afonso de Portugal

Casa

Teles de Meneses Borgonha

Nascimento

1350

 

Trás-os-Montes e Alto Douro, Portugal

Morte

1405 (55 anos)[1]

Enterro

Convento de la Merced, em Valladolid, Espanha[1]

Pai

Martim Afonso Telo de Meneses

Mãe

Aldonça Anes de Vasconcelos

Leonor Teles, cognominada a Aleivosa (Trás-os-Montes e Alto Douro, c. 1350 — Tordesilhas, 27 de abril de 1386, ou 1390-1406[1]) foi rainha de Portugal entre 1372 e 1383, pelo seu casamento com Fernando I de Portugal. Foi regente de Portugal de 1383 a 1384.

Vida

Leonor era sobrinha de João Afonso Telo de Meneses, conde de Barcelos, descendia por seu pai Martim Afonso Telo de Meneses do rei Fruela II das Astúrias e Leão e, por sua mãe Aldonça Anes de Vasconcelos,[2] de Teresa Sanches, filha bastarda do rei Sancho I de Portugal.

Ainda muito jovem, Leonor casou-se com João Lourenço da Cunha, filho do morgado do Pombeiro, com quem teve um filho: Álvaro da Cunha. O casamento foi anulado, pois o rei Fernando quis casar com ela, rompendo o noivado que tinha com a filha do rei de Castela, também ela de nome Leonor.

Leonor Teles foi a primeira rainha nascida em Portugal. Foi regente por alguns meses e foi afastada depois duma revolta.

Rainha

Estátua de Fernando I e Leonor Teles em Leça do Balio.

Conta-se que, numa altura em que visitou a irmã Maria Teles, aia da infanta Beatriz, o rei Fernando I de Portugal ficou loucamente apaixonado por Leonor – que Fernão Lopes descreveu como sendo “louçana e aposta e de bom corpo (…), com suas fremosas feiçõoes e graça”, querendo-a tomar por amante. Leonor resistiu e o rei ficou sabendo que só a teria por via de casamento. Alegando-se uma remota consanguinidade, foi obtida a anulação do primeiro casamento de Leonor Teles e preparado o casamento com o rei. Isto motivou uma enorme reprovação popular, a revolta foi reprimida e manchou negativamente a imagem da rainha.[3]

O casamento público com o rei ocorreu no Mosteiro de Leça do Balio, em 15 de maio de 1372, havendo notícia de que teria sido precedido por um outro, este secreto, ainda em 1371.

Leça do Balio era pertença da Ordem do Hospital, o prior era Álvaro Gonçalves Pereira, pai de Nuno Álvares Pereira.[4] Em fevereiro de 1373, nascia a infanta Beatriz.

Nesse mesmo ano, na altura da segunda guerra fernandina, a rainha armou por sua vontade Nuno Álvares cavaleiro, ficando o jovem, com cerca de treze anos, escudeiro da rainha.

Temendo o prestígio do infante D. João, que se casara com sua irmã Maria Teles de Menezes,[5] Leonor concebeu o plano de casar o infante com sua filha Beatriz. Mas para isso era preciso eliminar Maria Teles de Menezes, sua própria irmã, acção por que terá sido responsável, ao insinuar que esta seria adúltera.

João, enfurecido, matou a mulher, e apresentou-se como viúvo disponível à cunhada, que logo o acusou de homicídio, tendo sido preso e exilado pelo crime cometido, afastando assim um temível rival ao trono. Seguindo a mesma linha, em 1382, mandou prender em Évora, outro cunhado: João, mestre de Avis e com ordem de execução.

Valeu a João a ajuda do conde de Cambridge e foi solto.[6]

As rainhas de Portugal contaram, desde muito cedo, com os rendimentos de bens, adquiridos, na sua grande maioria, por doação.

Leonor Teles, através de doação de Fernando, recebeu Vila Viçosa, Abrantes, Almada, Sintra, Torres Vedras, Alenquer, Atouguia, Óbidos, Aveiro, bem como os reguengos de Sacavém, Frielas, Unhos e a terra de Melres, em Ribadouro. Trocou Vila Viçosa por Vila Real em 1374 e adquiriu Pinhel em 1376.[7]

Em 1382 terminou a última guerra fernandina. No ano seguinte é assinado o tratado de Salvaterra de Magos que estipula as condições de paz e quem seria o próximo rei.

Crise de 1383–1385

Ver artigo principal: Crise de 1383-1385
Morte do Conde de Andeiro (Museu Nacional Soares dos Reis, Porto)

Com a morte de Fernando em 22 de outubro de 1383, Leonor assumiu a regência do reino e o seu amante, João Fernandes Andeiro, passou a exercer uma influência decisiva na corte.[8] Esta ligação e influência desagradavam manifestamente ao povo e à burguesia e a alguma nobreza que odiavam a regente e temiam ser governados por um soberano castelhano.

D.

João, mestre de Avis, apoiado por um grupo de conspiradores, entre os quais o jovem Nuno Álvares Pereira, que terá tido a ideia original, e Álvaro Pais, foi incentivado pelo descontentamento geral a assassinar o conde Andeiro.[8] A acção ocorreu no paço, a 6 de dezembro de 1383 e iniciou o processo de obtenção da regência em nome do infante João, mas este foi preso pelo rei de Castela.[9]

Leonor abandonou Lisboa, fiel ao mestre de Avis, e refugiou-se em Alenquer e depois em Santarém, cidades fiéis à causa da rainha, onde tentou manobrar politicamente a sua continuidade no poder.

Álvaro Pais propôs à rainha casar com o mestre de Avis, mas ela recusou.

[8][9] Com o desenvolver do conflito entre o mestre de Avis e o rei castelhano, a regente perdeu espaço de manobra e acabou por ser constrangida a abdicar da regência a favor de João I de Castela e de Beatriz, sua filha, a esposa do rei castelhano.

Com a vitória do partido do mestre de Avis na guerra civil e contra Castela, este tornou-se regente e depois rei.

O rei João I de Castela, genro de Leonor, logo em 1384, pouco depois dela ter renunciado à regência, havia-a internado no Mosteiro de Tordesilhas, perto de Valladolid, onde, segundo alguns historiadores, faleceu em 1386.

No entanto, referências do cronista castelhano López de Ayala, seu contemporâneo, dão-na como viva em 1390 ou até 1406.[1]

Descendência

Do seu primeiro casamento com João Lourenço da Cunha, filho do morgado do Pombeiro, nasceu:

  • Álvaro da Cunha (c.1371-1415), partidário de D. João, mestre de Avis, durante a Crise de 1383–1385, morreu de peste no regresso da Conquista de Ceuta.

Depois de anulado o primeiro matrimónio por motivos de consanguinidade, a 15 de Maio de 1372 casou-se em segundas núpcias com o rei D. Fernando I de Portugal. Desta união nasceram:

  • Beatriz de Portugal (1373), pretendente ao trono do pai, rainha consorte de Castela, casada com o rei D. João I de Castela;
  • Afonso (1382), que morreu quatro dias após o nascimento;
  • Menina (1383), que morreu logo à nascença.

Títulos e estilos

A rainha usou os seguintes títulos:

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  • 1371 — 1383: Dona Leonor, pela graça de Santa Maria, Rainha de Portugal e do Algarve;[10]
  • 1383 — 1384: Dona Leonor, pela graça de Deus, Rainha, Governadora e Regente dos reinos de Portugal e do Algarve.[11]

Na literatura

  • Fernão Lopes, cronista do reino de Duarte I, faz um exaustivo retrato de Leonor na Crónica de el-rei D. Fernando e na primeira parte da Crónica de El-Rei D. João I de Boa Memória.
  • O romance histórico, em versão novela, de Alexandre Herculano, Aras por Foro de Espanha – parte da sua famosa colecção Lendas e Narrativas.
  • O romance Rosa Brava de José Manuel Saraiva é baseado na vida de Leonor Teles[12].
  • O romance Eu, Leonor Teles de Maria Pilar Queralt del Hierro.
  • O romance Dona Leonor Teles de Heloísa Maranhão, escritora brasileira, conta como uma brasileira do século XX alucina que é a rainha e passa a viver a vida de Leonor.
  • A peça D. Leonor, Rainha Maravilhosamente, de Alice Sampaio.
  • O romance Leonor Teles ou o Canto da Salamandra de Seomara da Veiga Ferreira.
  • O romance Vida Ignorada de Leonor Teles de António Cândido Franco.
  • O romance ” Padeira de Aljubarrota” de Maria João Lopo de Carvalho.

Referências

  1. a b c d CAMPOS, ISABEL MARIA GARCIA DE PINA N. BALEIRAS S. (2008), Leonor Teles, uma Mulher de Poder?, p. 226
  2. ↑ CAMPOS, ISABEL MARIA GARCIA DE PINA N. BALEIRAS S. (2008), Leonor Teles, uma Mulher de Poder?. p. 20
  3. ↑ Saraiva, (1993).

    História de Portugal. p. 123

  4. ↑ CAMPOS, ISABEL MARIA GARCIA DE PINA N. BALEIRAS S. (2008), Leonor Teles, uma Mulher de Poder?. p. 24
  5. ↑ CAMPOS, ISABEL MARIA GARCIA DE PINA N. BALEIRAS S. (2008), Leonor Teles, uma Mulher de Poder?, p. 21
  6. ↑ Mattoso, (1993).

    História de Portugal — A Monarquia Feudal. p. 496

  7. ↑ CAMPOS, ISABEL MARIA GARCIA DE PINA N. BALEIRAS S. (2008), Leonor Teles, uma Mulher de Poder?, pp. 50-54
  8. a b c FERNÃO LOPES, Crónica de El-Rei D.

    João I de Boa Memória

  9. a b Mattoso, (1993). História de Portugal — A Monarquia Feudal. p. 494
  10. ↑ Lopes, Fernão. «Crónica de D. João I». Consultado em 22 de Janeiro de 2016 
  11. ↑ CAMPOS, ISABEL MARIA GARCIA DE PINA N. BALEIRAS S.

    (2008), Leonor Teles, uma Mulher de Poder?, p. 169

  12. ↑ Rosa Brava, por José Manuel Saraiva, Oficina do Livro

Bibliografia

  • FERNÃO LOPES, Crónica de El-Rei D. João I de Boa Memória.
  • ALEXANDRE HERCULANO, Lendas e narrativas, tomo I
  • ANTÓNIO SÉRGIO, tomo VI; Marcelino Mesquita, D. Leonor Teles, drama, em verso, em 5 actosEnsaios,
  • MAURÍCIA DE FIGUEIREDO, (1914). Leonor Teles
  • ANTERO DE FIGUEIREDO, (1916). Leonor Teles Flor de Altura
  • JOAQUIM DE OLIVEIRA, (1965). Rainha D. Leonor, Figura Enigmática de Mulher (Sep. da rev. Ocidente, Lisboa.
  • FERREIRA ALVES, (1972). Dois Caluniados (D. Fernando I e D. Leonor Teles)
  • ALICE SAMPAIO (1968), D.Leonor, Rainha Maravilhosamente, peça representada no Teatro de São Luís, em Lisboa, em 1979
  • Maria Pilar QUERALT DEL HIERRO. Eu, Leonor Teles
  • HELOÍSA MARANHÃO, Dona Leonor Teles
  • JOSÉ MANUEL SARAIVA; 2005, Rosa Brava
  • CAMPOS, ISABEL MARIA GARCIA DE PINA N. BALEIRAS S. (2008), Leonor Teles, uma Mulher de Poder?, Tese de Mestrado, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
  • José Saraiva, (1993). História de Portugal. Mem Martins: Publicações Europa-América
  • José Mattoso, (1993). História de Portugal — A Monarquia Feudal. Círculo de Leitores.

Ligações externas

  • D. Leonor Teles in Artigos de apoio Infopédia (em linha). Porto: Porto Editora, 2003-2017. (consult. 2017-02-02 04:02:45).
  • Leonor Teles, uma Mulher de Poder?, Isabel Maria Garcia de Pina N. Baleiras S. Campos, Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras, Departamento de História, Mestrado em História Medieval de Portugal, 2008
  • D. Leonor Teles, a Aleivosa: Modelo de anti-herói nas crônicas de Fernão Lopes para legitimação da segunda dinastia portuguesa, por Jefferson Luiz de Almeida, Universidade Federal do Espírito Santo, Centro de Ciências Humanas e Naturais, Departamento de História, Vitória, 2017
Precedida porBeatriz de Castela Rainha de Portugal1372 — 1383 Sucedida porFilipa de Lencastre
Precedida porAfonso III de Portugal Regente de Portugal1383 — 1384 Sucedida porJoão, Mestre de Avis
  • Portal de biografias

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História Insólita de Portugal: a Rainha que dizia ser virgem… mas já tinha um filho

Senhora de grande formosura, despertou amor no rei e ódio no povo. Mas se a ambição de Leonor Teles alcançou o trono, na história ficou como uma das piores rainhas de Portugal. Com ela no poder, o reino esteve em risco de perder a independência.

No início de 1372 corria em Lisboa o rumor de que o rei D. Fernando podia em breve desposar a dama a quem chamavam barregã, aleivosa e adúltera.

A jovem, nascida na região de Trás-os-Montes, tinha sangue nobre mas não correspondia ao modelo de rainha virgem que o povo se habituara a ver no trono.

D. Fernando I

Leonor Teles era já casada e tinha um filho quando conheceu o monarca apelidado de Formoso e começou a partilhar o leito real. Apesar de saber da importância do matrimónio na frágil relação com Castela, D.

Fernando, que tinha compromisso ajustado com uma infanta do reino vizinho, preferiu o coração aos interesses políticos.

Para a arraia-miúda e alguma burguesia, o rei não resistira aos jogos de sedução da bela e ambiciosa fidalga do norte.

Para anular o casamento com o seu primeiro marido e poder casar com o Rei D. Fernando, D. Leonor Teles alega perante o Papa que o marido é impotente. O Rei D.

Fernando corrobora a versão e chega mesmo a dizer que D. Leonor Teles é virgem, o que constitui uma prova das suas acusações contra o esposo.

Tal facto é deveras curioso dado que, a futura Rainha, já tinha um filho do homem que ela dizia agora ser impotente.

O casamento era tão impopular que, para evitar arruaças, a cerimónia realizou-se no discreto Mosteiro de Leça do Bailio, nos arredores da cidade do Porto. É por este mosteiro, palco de outros acontecimentos importante, que começa a história da rainha mal-amada, a quem Alexandre Herculano chamou de “Lucrécia Bórgia portuguesa”.

Leonor Teles

Os protestos foram afogados em sangue, e Leonor recebe meio Portugal como presente de casamento. Receosa do prestígio do seu cunhado o infante D. João, filho de Pedro I e Inês de Castro, casado com a sua irmã D. Maria Teles, promete a este a mão de sua filha a infanta D. Beatriz, ficando portanto herdeiro do trono, mas teria que matar primeiramente a sua sua mulher.

D. João assim o faz, matando-a à punhalada e apresentando o pretexto do seu mau comportamento. Mas D. Leonor Teles casou a filha com D. João I rei de Castela e o infante assassino teve que fugir de Portugal.

A conduta de Leonor Teles tornou-se mais odiosa depois da morte do jovem rei em 1383, quando assumiu a regência, prevista nas cláusulas do contrato nupcial por falta de herdeiro masculino. Tendo por conselheiro o Conde Andeiro, um nobre galego feito seu amante ainda D. Fernando era vivo, os dois usavam de poucos escrúpulos para manter o governo, cada vez menos apoiado.

Se por um lado as manobras políticas pareciam querer evitar que o genro, o rei de Castela casado com D. Beatriz, tomasse o trono português, por outro,  foi D. Leonor quem o convidou a invadir Portugal.

Por duas vezes tentou e por duas vezes foi derrotado: primeiro pelas tropas comandadas por Nuno Álvares Pereira e, da segunda vez, em Aljubarrota pelo mestre de Avis, que se proclamou rei com o título de D. João I.

 Com ele começava a segunda dinastia.

Morte do Conde Andeiro

Morto D. Fernando, em 22 de Outubro de 1383, Leonor que ainda em vida do rei, como dizia o povo, era amante de João Fernandes Andeiro, conde de Ourém, toma a regência do reino.

Andeiro acaba por ser morto pelo Mestre de Avis e por Rui Pereira em 6 de Dezembro de 1383.

Nas lutas e intrigas que se seguem foge de Lisboa para Alenquer, mas acaba por ser desterrada para Castela, e internada, na condição de prisioneira, no Mosteiro de Tordesilhas, onde morre a 27 de Abril de 1386.

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