Queremos Que O Sporting Seja Um Grande Clube, Tão Grande Como O Benfica?

Queremos Que O Sporting Seja Um Grande Clube, Tão Grande Como O Benfica?

Quantos de nós aos 20 anos fizemos algo que durasse mais de um século e influenciasse a vida de muitos milhões? E com perspectivas para continuar a crescer por muitos anos, senão mesmo para sempre? José Alfredo Holterman Roquette, José Alvalade, fê-lo. E hoje ainda somos a prova vida da visão que teve.

Quem era José Alvalade

José Alvalade era um homem a quem a vida não trouxe grandes dificuldades sejamos sinceros. O Avô Alfredo Augusto das Neves Holtreman, 1º Visconde de Alvalade, era um membro da nobreza, e um dos mais conceituados advogados do país.

Apaixonado pelo ser humano e pela forma física foi mesmo estudar medicina para Harvard onde viria a conhecer melhor os desportos mais em voga no seu tempo. Entre eles o Ténis e o Futebol que veio a praticar.

Quando voltou a Lisboa começou a fazer parte de um clube que existia localmente, mas ficou chocado quando notou que era um clube mais virado para organizar festas do que para o desporto.

Com este choque, e por não haver em Lisboa nenhum Clube verdadeiramente desportivo com as bases e ambição para se tornar marcante no desporto, resolve com dois amigos fundar um novo clube. O Sporting Clube de Portugal.

Foi com esta frase que lançou as bases do que ainda hoje somos. E passados 23 dias formalizou-se tudo, e nasceu de forma oficial e inequívoca o Sporting Clube de Portugal. Um Clube tão grande como os maiores da Europa. E claramente o maior de Portugal.

Obrigado José de Alvalade, por teres vivido, sonhado e deixado esta visão. O estádio que ostenta o teu nome será sempre uma parca homenagem à obra que deixaste.

Faleceu, cedo demais, aos 33 anos de idade, a 19 de Outubro de 1918, vítima da epidemia pneumónica que assolou a Europa e matou milhões.

Mas estará sempre vivo entre nós.

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Sporting Tático

???? Campeonato Nacional de Hóquei em Patins – Sporting CP 10-6 AD Sanjoanense

???? Leão com olhos no rinque e ouvidos no rádio consegue um importante e merecido segundo lugar!

O Sporting entrava esta tarde a jogar em dois pavilhões. Se por um lado precisava de cumprir a sua obrigação e levar de vencida a equipa da Sanjoanense, por outro lado precisava também de uma “ajuda” do eterno rival frente ao Óquei de Barcelos para conseguir chegar à segunda posição na fase regular do campeonato nacional de hóquei em patins.

Contudo, não se esperava tarefa fácil. A boa equipa da Sanjoanense também tinha objectivos a atingir nesta jornada.

Na oitava posição a equipa de São João da Madeira sabia que era obrigada a pontuar para conseguir garantir um lugar no playoff final e na taça WSE Europe na próxima época, evitando que a época terminasse esta tarde no pavilhão João Rocha.

Havia assim bastante expectativa para assistir ao que se perspectivava ser um bom jogo de hóquei em Patins.

E a realidade é que o jogo começou com uma máxima dos tempos bíblicos….Imperar a lei do mais forte.

De facto, logo no primeiro minuto Pedro Gil com um fantástica jogada inaugurava o marcador colocando os leões em vantagem. No entanto, quem pensava que este golo abalaria a Sanjoanense enganou-se redondamente.

Hugo Santos vai repor a igualdade para a equipa de São João da Madeira, num lance em que Zé Diogo ficou mal na fotografia.

O jogo estava interessante. Parecendo um verdadeiro jogo de consola disputado entre amigos, as equipas procuravam chegar à vantagem para cumprir os seus objectivos.

Ora, foi no meio desta verdadeira disputa que Gonçalo Nunes vai puxar a “culatra” e enviar um verdadeiro míssil que não vai dar qualquer hipótese a Marco Lopes e colocar mais uma vez o Sporting em vantagem.

Este golo parece ter abalado a equipa da Sanjoanense o que permitiu aos leões crescerem no jogo e dominarem as operações, estando continuamente a colocar à prova os reflexos do guardião da equipa de São João da Madeira.

Este domínio natural vai traduzir-se em golos para a turma verde e branca. Primeiro, Tóni Perez com uma “picadinha” vai fazer o 3-1, seguido este golo de um novo golo apontado por Verona depois de uma bela jogada de Ferran Font.

O Sporting chegava assim a uns confortáveis 4-1 e que punha os leões a depender do que se passava no pavilhão da luz para chegarem ao ambicionado segundo lugar. E se calhar foi esse conforto que fez mal… A Sanjoanense assistindo a um Sporting mais apático não atirou a toalha ao chão e decidiu ir atrás do resultado. E a verdade é que esta atitude deu frutos…

Tiago Almeida e Hugo Santos vão marcar e voltar a colocar o resultado na diferença mínima (4-3).

Contudo, quando toda a gente já esperava que este fosse o resultado ao intervalo, o inconformado Alvarinho fez uma bela jogada e oferece o golo a Font que na cara do guarda-redes adversário aumenta a diferença para 5-3 fixando este resultado ao intervalo. Dois golos de diferença e óptimas perspectivas para os leões cumprirem o seu papel neste jogo.

E a verdade é que os leões, tal e qual como um bom aluno que não chega atrasado à sala de aula, voltaram a entrar fortes na segunda parte e com o intuito de fechar o jogo.

Platero e Gonçalo Nunes com tiraços ampliaram para os leões que assim ficava com uma diferença de quatro bolas no marcador. Mas a Sanjoanense não desistia….

sabendo no que se estava a passar em Almeirim a equipa do distrito de Aveiro vai cerrar os dentes, não desistir e lutar mais uma vez pelo resultado criando alguns “cabelos brancos” aos leões. Nomeadamente, quando reduz por João Cruz e Pedro Cerqueira (7-5).

Ora, parecia que íamos ter jogo até ao fim….e quando isto era o mais provável Pedro Gil vai dar a “machadada final” nas aspirações da equipa de São João da Madeira enviando um verdadeiro “torpedo” e aumentando a diferença para 8-5.

A partir desse momento o jogo ficou decidido.

A Sanjoanense percebeu que já não tinha hipótese de entrar na partida e os leões passaram a ter mais o “ouvido” no que se estava a passar no outro lado da segunda circular do que na intensidade que estavam a colocar no jogo.

Contudo, isto não impediu que a competência de ambas as equipas se traduzisse em alterações no marcador. Gonçalo Nunes e Alvarinho marcaram para o Sporting e João Cruz marcou para a Sanjoanense fixando o resultado final em 10-6.

O Sporting cumpria assim a sua obrigação tendo boas noticias do que se passou entre Benfica e Barcelos (5-4), o que lhe permitia na “reta da meta” chegar ao segundo lugar e obter uma vantagem importante para os quartos e meias finais (se lá chegar) do Playoff para apuramento do campeão Nacional. Assim, face ao importante segundo lugar conquistado, os nossos leões irão entrar neste novo playoff já no próximo Sábado, frente à equipa do Valongo (7º classificado), no Pavilhão João Rocha.

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???? Análise aos jogadores:

⚠️ Zé Diogo. Não aproveitou a oportunidade Sabemos que não é fácil substituir Girão. Contudo, para lutar pelo lugar com um “Deus” deve quando é dada a oportunidade mostrar serviço. E a verdade é que Zé Diogo não mostrou tendo tido culpas directas em 4 dos 6 golos da Sanjoanense.

✅ Alvarinho. Por favor não vás embora…. Excelente jogo (mais um!) do jovem leão. Muito forte ofensivamente o nosso “Harry Potter” criando várias ocasiões de golo e coroando a sua exibição com o último golo dos leões no jogo. Sempre que é chamado tem estado muito bem, razão pela qual todos nós esperamos que as noticias que esta semana circularam sobre a sua saída não passem de especulação…

✅ Platero. Voltámos a ter o Platero das outras épocas! Platero não tem feito uma grande época. Em várias análises apontamos vários jogos que o nosso leão não esteve ao nível que nos habituou. Tudo mudou nas últimas semanas! Este é o terceiro jogo seguido em que faz um excelente jogo tanto defensivamente como ofensivamente. Coroou a sua exibição com um belo golo.

???? Gonçalo Nunes. Excelente jogo e três torpedos! Fez um excelente jogo a todos os níveis. Ofensivamente esteve muito bem marcando três golos em que certamente dois deles ficam no vídeo dos melhores do ano.

⚠️ Font. Esteve apagado Hoje não fez um grande jogo. É verdade que marcou um bom golo e assistiu outro mas esteve muito apagado no resto da partida. Que volte ao nível das últimas jornadas!

✅ Verona. Cumpriu! Não jogou mal. Marcou um golo e foi muito dinâmico ofensivamente. Tem vindo a perder “gás” face ao que mostrava em Fevereiro mas continua a ter bons desempenhos

???? Pedro Gil. “Si yo fuera Pedro Gil Viviría como él!” O cantor Franco-Espanhol Manu Chao criou uma música (“La vida Tombola”) em homenagem a Diego Armando Maradona.

E tal como o “astro” argentino o nosso “astro” do hóquei voltou a mostrar que alguém como ele nunca está verdadeiramente acabado. Não estava a fazer uma boa época e recebeu muitas criticas (incluindo nós!) pelo seu desempenho.

Nos últimos dois jogos voltou ao nível que colocou todo o mundo a seus pés. Que jogaço fez! Dois golos, três assistências, uma bola no ferro. Palavras para quê?

✅ Toni Pérez. Grande golo e boa exibição! Fez uma vez mais um belo jogo. Muito solidário e com a “garra” que o caracteriza foi um excelente elemento no ataque do Sporting. Marcou um grande golo em “picadinha” e colocou a cabeça em água do guarda-redes da equipa de São João da Madeira

✅ Gonzalo Romero. Já sabemos que é um “motor”, mas não sabíamos que era de qualidade Alemã! Poucas vezes joga mal. Mesmo quando não é dos melhores (como aconteceu hoje) raramente faz más exibições. Foi uma vez mais um dos motores da equipa

???? Marcadores:

???? Gonçalo Nunes (3) ???? Pedro Gil (2) ???? Ferran Font (1) ???? Toni Pérez (1) ???? Alvarinho (1) ???? Matías Platero (1) ???? Alessandro Verona (1)

“Um grande Clube tão grande como os maiores…”

Editorial do Director do Jornal Sporting na edição n.º 3618

Coincide com a data de saída do nosso Jornal para as bancas, o aniversário do nascimento do primeiro Visconde de Alvalade. Nascido a 6 de Abril de 1837 e de seu nome Alfredo Augusto das Neves Holtreman, completaria hoje, caso fosse vivo, 180 anos.

O Visconde de Alvalade foi o primeiro Presidente Honorário do Clube e aquele que tornou possível a realização do sonho do seu neto José Alfredo Holtreman Roquette, o fundador do Sporting Clube de Portugal, e que é comummente conhecido como José Alvalade.

 

O Visconde de Alvalade era um homem de posses, advogado de profissão e que detinha várias propriedades.

Quando José Alfredo, filho da sua filha primogénita, lhe pediu dinheiro para fundar o nosso Clube, foi ele quem de pronto o financiou com dinheiro e com os terrenos para a construção do Estádio.

Permitiu assim o Visconde que, em 1906, o seu neto concretizasse o seu sonho e perpetuasse a sua visão: “Que o Sporting seja um grande Clube, tão grande como os maiores da Europa” e por tudo isto lhe prestamos aqui o nosso tributo.

E porque falamos de efemérides, cumpriram-se também, na passada terça-feira, quatro anos que estou à frente dos destinos do nosso Jornal que, como oportunamente fizemos referência, completou na passada sexta-feira 95 anos, aquela que é a publicação de Clubes mais antiga do Mundo, que em 31 de Março de 1922 dava à estampa na primeira página a “Razão de Ser”. 

A “Razão de Ser” continua, mais do que nunca, actual e, felizmente para o nosso Clube, com a possibilidade de lhe dar voz numa dimensão multiplataformas.

O Jornal Sporting mantém-se como a publicação que coloca toda a verdade verde no branco e a insurgir-se, sempre que necessário, contra os ataques vis que são desferidos contra o nosso Clube.

O mais recente episódio é a tentativa de silenciamento e aniquilação, a todo o custo, da intervenção do Presidente do Sporting Clube de Portugal que, como é seu dever, defende incondicionalmente os superiores interesses do Clube.

Legitimado pela maior votação de sempre, o nosso Presidente não cede, nem pode ceder, para cumprir a função para a qual foi eleito. Como em qualquer país democrático, o exercício do seu mandato não pode ficar refém de qualquer aplicação da “Lei da Rolha”, quando esta viola a mãe de todas as leis, a Constituição da República Portuguesa. 

Entende-se por isso que, mesmo em figuras fictícias saídas da imaginação de Walt Disney e nas quais se enquadram Huguinho, Zezinho e Luizinho, não se pode a bel-prazer deixar de cumprir o ideal de boas acções preconizado no Manual do Escuteiro-Mirim que eles transportam sempre religiosamente consigo.

A criação de Walt Disney também tem regras, há que respeitar normas pelo que os três irmãos têm que usar a farda de escuteiro e não podem vestir outro qualquer adereço, qual manto protector.

Este manto seria sem dúvida mais ajustado, não aos sobrinhos do Pato Donald mas, pela luz que irradiam, às sobrinhas de Margarida, esse sim que se apresenta como grupo rival: Lalá, Lelé e Lili.

Na realidade o termo “Escuteiros-Mirins” não é consensual e tem sido mesmo fonte de controvérsia por este sugerir um paralelo entre o grupo fictício de Walt Disney e o movimento de escuteiros, o que pode levar a confusões e deturpações sobre os reais princípios do escutismo.

Mas seja com figuras fictícias ou reais, a verdade é que o Sporting Clube de Portugal não pode parar, e aquele que é o seu Presidente não pode, nem sabe, estar parado. No passado Domingo voou para Angola para inaugurar mais uma Escola Academia Sporting.

Neste país irmão, a agenda inclui uma série de contactos com entidades oficiais locais e com a imensa comunidade Sportinguista desta nação amiga.

Assim, quando evocamos o aniversário do Visconde de Alvalade e a visão do seu neto, com o trabalho desenvolvido e o crescimento que o nosso Clube vem verificando, parece-nos mais condizente com a realidade que a visão seja ajustada e, em vez de “um Clube tão grande comos os maiores da Europa”, passemos a ter, “um Clube tão grande como os maiores do Mundo”!

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Boa leitura!

“Queremos fazer do Sporting um grande clube, tão grande como os maiores da Europa”

O Estádio chama-se José Alvalade, um tipo que se chateou com os amigos durante um jogo de poker, em pleno baile da primavera, porque estava farto daquilo e queria jogar à bola. Foi pedir dinheiro ao avô, que lhe deu também uns terrenos para meter duas balizas. Nasceu o Sporting. No dia da fundação, este tipo decidiu proferir a frase acima…

… não me interessam as análises edipianas sobre o estado actual do Sporting. Há precisamente 21 dias o Sporting era outro completamente diferente nas mentes de todos. As circunstâncias no futebol não se controlam, apenas se condicionam. Pelas competências mas, mais importante em momentos como o actual, pelas atitudes.

No primeiro jogo da sua história, o Sporting perdeu 5-1. Mas o sr. José Alvalade não terá mudado nem um grama da sua convicção na frase acima. Foi essa atitude que fez com que todos nós estejamos agora a sofrer por algo tão abstracto como a paixão por um conjunto de símbolos. Foi uma atitude de um homem maior que ele próprio.

O homem que diz, como se pode ler abaixo, que o resultado de Munique não foi uma humilhação, um homem que está num permanente estado de sobrevivência, que não tem coragem de fazer o mais difícil, como responsabilizar quem comete erros danosos para a imagem do clube, um homem que diz apenas que foi muito mau para a grandeza do Sporting, este homem não percebe que também ele é muito mau para a grandeza de um clube que começou com uma ideia de coragem. Este homem é um pequeno homem. Um tipo cuja presidência diz mais do estado do Sporting do que dele próprio. E um homem que devia ter vergonha de entrar num estádio chamado José Alvalade, para quem, cem anos depois, ser minúsculo com os grandes da Europa seria, seguramente, uma humilhação.

Inverta-se a história. Se tivesse sido Soares Franco a fundar o Sporting, o clube não tinha sobrevivido aos 5-1 do primeiro jogo da sua história… Porque um líder passa pelos momentos difíceis com um ideal como guia e com a eloquência como arma para fazer multidões.

O ideal deste pequeno homem é um almoço numa esplanada do Guincho e a eloquência uma coisa qualquer que, certamente, será possível enquadrar num “project finance”.

Se José Alvalade fosse presidente do Sporting hoje, o Paulo Bento já não seria o treinador, os jogadores não tinham saído de Alcochete, os adeptos tinham sido tratados com respeito e não com desdém e o sr.

desceria ao relvado, antes do próximo jogo, para se dirigir à multidão em fúria. E com a força das suas convicções e a sua eloquência, teria recolocado o clube rumo ao seu ideal da fundação.

O problema do Sporting não é o Miguel Veloso, nem o Polga. Nem a total ausência de bom senso do treinador. O verdadeiro problema do Sporting é a pequenez dos seus líderes.

10 marcos 100 anos

Uma marcha de sportinguistas entre o Marquês de Pombal e o Estádio de José Alvalade, denominada Sporting 100, comemora esta manhã o centenário do clube do “leão”.

Na Praça do Centenário, junto ao recinto, será inaugurada uma peça escultórica, que visa homenagear todos os sócios, depois de, ontem à noite, cerca de 3200 convidados terem participado num megajantar no relvado do estádio.

São muitas as estórias e os êxitos que pautaram os cem anos de existência do Sporting Clube de Portugal. O PÚBLICO recorda aqui alguns dos mais importantes marcos da história de um clube que, de Lisboa, cresceu para o país. Por Paulo Curado

A fundação”Vou ter com o meu avô e ele me dará dinheiro para fazer outro clube.” Foi esta frase, proferida por José Alvalade, que esteve na base do nascimento do Sporting Clube de Portugal.

Estava-se nos alvores de 1906 e consumava-se o “divórcio” entre o jovem neto do visconde de Alvalade – Alfredo Augusto das Neves Holtreman – e o Sport Club de Belas, fundado quatro anos antes.

No centro da discórdia, a existência de duas tendências sobre o futuro da colectividade: os que pretendiam um clube vocacionado para festas e actividades sociais e aqueles que defendiam que a prática desportiva seria o caminho a trilhar.

A liderar esta facção encontrava-se José Alvalade, que abandonou o emblema, acompanhado por perto de duas dezenas de outros dissidentes. Em Abril do mesmo ano, nascia o Sporting.

Primeiro sem nome, depois, a partir de 26 de Maio, com a designação provisória de Campo Grande Sporting Clube, e, a 1 de Julho de 1906, por sugestão de António Félix da Costa Júnior (um notável jogador de ténis na época), passou a ter o actual nome, apadrinhado pelo visconde de Alvalade, seu primeiro presidente e “sócio protector”.

Este cedeu as verbas e os terrenos para o campo de jogos numa zona que continua hoje a ser a sua “casa”, e tendo inicialmente o ténis como modalidade prioritária e a única imposta pelos seus estatutos. “Queremos que este clube seja um grande clube, tão grande como os maiores da Europa”, proferiu, ambicioso, o aristocrata. A 3 de Fevereiro de 1907, o novo emblema lisboeta disputou, em Alcântara, o seu primeiro jogo oficial de futebol, sofrendo uma derrota, por 5-1, frente ao Cruz Negra. Os êxitos, contudo, não tardariam.

As primeiras vitórias

Conduzido por Francisco Stromp – fundador e uma das lendas do clube, que abandonaria o futebol em 1924 -, o Sporting vence, em 1912, o seu primeiro Campeonato de Lisboa, ainda que em quartas categorias, conquistando, três anos depois, a mesma prova na categoria de Honra, a que juntou, na mesma altura, a Taça de Honra, ao derrotar o Benfica, na final, por 3-1. Iniciava-se uma longa rivalidade que dura até hoje. A par do futebol, surgem também os êxitos no ciclismo, com Laranjeira Guerra a vencer a clássica Porto-Lisboa, em 1912. Foi o primeiro de muitos nomes grandes das duas rodas que passaram pelo clube, destacando-se Alfredo Trindade e Joaquim Agostinho (que alcançou um terceiro lugar na Volta à França, em 1978 e em 1979). Em 1922-23, surge a primeira vitória no Campeonato de Portugal de futebol, ao vencer, na final disputada no Algarve, a Académica, por 3-0. Na temporada de 1934-35, arrancou o campeonato nacional verdadeiramente dito, ou seja, mais dentro dos actuais parâmetros, mas os “leões” teriam de esperar até 1940-41, para alcançarem a sua primeira vitória na prova, quebrando um ciclo de total hegemonia do FC Porto e Benfica. Um novo título em 1943-44 serviria de aviso para o domínio sportinguista nos anos que se seguiriam.

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Os Cinco Violinos

Jesus Correia, Vasques, Peyroteo, Travassos e Albano formaram, nos anos 40 e 50, uma linha avançada temível que garantiu, desde logo, ao Sporting um lugar na história do futebol português, com a equipa a conquistar, nessas duas décadas, dez dos 18 títulos de campeão nacional e quatro das 13 Taças de Portugal que hoje ostenta na sua sala de troféus. A forma harmoniosa como jogavam e os autênticos “recitais” de bola que davam aos adversários levaram a que o jornalista e treinador Tavares da Silva apelidasse este quinteto de Cinco Violinos. Com eles, veio uma era de total domínio no futebol nacional do “leão”. A fama da equipa e do seu ataque avassalador ultrapassou fronteiras, levando a que fosse convidada para participar na primeira edição da Taça dos Campeões Europeus, em 1955-56, apesar de não ter conquistado o campeonato nacional no ano anterior. O Sporting inaugurou a competição numa histórica partida frente ao Partizan de Belgrado, da então Jugoslávia, realizada no Estádio Nacional, registando um empate por 3-3, com João Martins a marcar o primeiro golo da actual competição milionária de clubes. Com os Cinco Violinos, o conjunto de Alvalade alcançou ainda um feito tão notável quanto inédito na altura de conquistar um tetracampeonato nacional (entre 1950-51 e 1953-54). Inauguração do Estádio de José Alvalade Inaugurado a 10 de Junho de 1956, perante cerca de 60 mil espectadores eufóricos, o desaparecido Estádio de José Alvalade foi o sexto recinto desportivo a ser utilizado pelo Sporting e o segundo a ser baptizado com o nome do seu fundador (o primeiro de raiz). Obra muito avançada para a época, resultou de um esforço sem precedentes de mobilização dos sócios e adeptos, que, através de donativos e muita imaginação, lograram juntar uma verba, impressionante para a altura, de 7.716.535 escudos (a construção ficou orçada em 25 mil contos). Este acontecimento marcante assinalou o meio século de existência do emblema, que passou a estar dotado de um recinto monumental, ultramoderno, dispondo de condições únicas em toda a Península Ibérica

A Taça das TaçasNo final da temporada de 1963-64, o Sporting conquistou aquele que ainda hoje é o seu mais importante troféu em termos internacionais: a Taça das Taças.

Depois de ultrapassar a Atalanta, de Itália, o Apoel, de Chipre (vencendo por 16-1, no jogo da primeira mão, o que constitui ainda hoje um recorde nas várias competições da UEFA), o Manchester United, de Inglaterra (numa eliminatória dramática, onde o Sporting recuperou de uma desvantagem de 4-1 trazida de Old Trafford, vencendo em casa por 5-0), o Olympique Lyon, de França, e defrontando na final, em Antuérpia, na Bélgica, o MTK, da Hungria. Com um empate a três golos, na primeira partida, ouve necessidade de recorrer a um segundo jogo, onde Morais, na cobrança de um canto directo, apontou o único golo do encontro, eternizando-se na galeria de heróis de Alvalade.

O fim de um jejum de 18 anos

No dia 14 Maio de 2000, o Sporting interrompeu em Vidal Pinheiro, na última jornada da liga de futebol, frente ao Salgueiros, um longo jejum de 18 anos sem vencer o campeonato nacional, naquele que é o mais negro registo da sua história futebolística.

Conduzida por Augusto Inácio, com o gigante dinamarquês, ex-glória do Manchester United, Peter Schmeichel na baliza, o veterano argentino Beto Acosta no ataque e o internacional brasileiro André Cruz, na defesa, entre outros, os “leões” interromperam um ciclo vitorioso do FC Porto em Portugal, com cinco campeonatos consecutivos conquistados (um recorde). A festa imediatamente se espalhou a todo o país, pautada por cenas de loucura verde e branca, mostrando um clube vivo, apesar do ciclo negativo que deixara para trás. Na presidência do clube, José Roquette, descendente do fundador do clube, anunciava uma nova era de sucesso na história leonina.

Abertura do Alvalade XXI

A 6 de Agosto de 2003, 50 mil adeptos assistiram à inauguração do novo Estádio de Alvalade, integrado num moderno complexo multidesportivo denominado Alvalade XXI.

Um empreendimento de vulto, que, a par da Academia do Sporting, em Alcochete, destinada a albergar todo o futebol dos “leões”, colocava em prática o denominado “projecto Roquette”, que – arrancara anos antes com a constituição da Sociedade Anónima Desportiva – visava a modernização do clube e das suas infra-estruturas, direccionando a sua estratégia para a formação de talentos como forma de responder aos novos desafios do futebol. Um projecto ambicioso que, no entanto, acabou por endividar o emblema, que se debate actualmente com graves encargos financeiros para liquidar as dívidas contraídas à banca para financiar o empreendimento.

Uma escola de estrelas

Paulo Futre, Luís Figo, Simão Sabrosa, Luís Boa Morte, Marco Caneira, Nuno Valente, Hugo Viana, Ricardo Quaresma ou Cristiano Ronaldo são algumas das estrelas “produzidas” pelas escolas do Sporting nos últimos anos.

Jogadores que têm passeado classe pelos relvados e contribuído para a fama da formação leonina além-fronteiras.

Esta tem sido, nos últimos anos, a principal fonte de receitas do clube lisboeta, que profissionalizou todos os vectores da formação, para o que muito têm contribuído as condições fornecidas pela Academia de Alcochete. João Moutinho e Nani são as mais recentes jóias da constelação leonina.

Êxitos no atletismo

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De entre todas as modalidades que foram e são praticadas no Sporting, o atletismo será aquela que mais êxitos trouxe aos “leões”, com atletas de renome que se têm destacado tanto a nível nacional como internacional ao longo das últimas décadas.

Exemplos disso são Carlos Lopes, com três campeonatos mundiais de corta-mato, uma medalha de ouro e uma medalha de prata em Jogos Olímpicos; Fernando Mamede, ex-recordista mundial dos 10 mil metros; Francis Obikwelu, campeão da Europa e vice-campeão olímpico; Rui Silva, com várias conquistas nos 1500m, incluindo uma medalha olímpica e títulos europeus e mundiais; Naide Gomes, campeã do pentatlo e do comprimento em pista coberta.

O eclectismo

Nem só de atletismo e futebol se faz a história desportiva do Sporting. Centenas de títulos nacionais e internacionais enriquecem a sala de troféus leonina nas mais diversas modalidades, do hóquei em patins à pesca desportiva, do andebol ao full-contact.

Entre os símbolos do eclectismo sportinguista estão Joaquim Agostinho, o melhor ciclista português de todos os tempos, António Livramento, hoquista, Armando Marques, medalha de prata no fosso olímpico, Jorge Theriaga, multicampeão de bilhar, Fernando Fernandes, campeão de full-contact, ou o nadador José Couto, vice-campeão da Europa em piscina curta.

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