Quem Ficou Conhecido Como O Pai Da India?

L�der pacifista indiano

Mahatma Gandhi (1869-1948) foi um l�der pacifista indiano. Principal personalidade da independ�ncia da �ndia, ent�o col�nia brit�nica. Ganhou destaque na luta contra os ingleses por meio de seu projeto de n�o viol�ncia.

Al�m de sua luta pela independ�ncia da �ndia, tamb�m ficou conhecido por seus pensamentos e sua filosofia. Recorria a jejuns, marchas e � desobedi�ncia civil, ou seja, estimulava o n�o pagamento dos impostos e o boicote aos produtos ingleses.

As rivalidades entre hindus e mu�ulmanos retardaram o processo de independ�ncia. Com o in�cio da Segunda Guerra Mundial, Gandhi voltou a lutar pela retirada imediata dos brit�nicos do seu pa�s. S� em 1947 os ingleses reconheceram a independ�ncia da �ndia.

Inf�ncia e forma��o

Mohandas Karamchand Gandhi, conhecido como Mahatma Gandhi, nasceu em Porbandar na �ndia, no dia 2 de outubro de 1869. Sua fam�lia pertencia � casta dos comerciantes, conhecida por bania. Foi criado sob a cren�a no deus hindu Vishnu, que tem como preceito a n�o viol�ncia.

Como era costume, Gandhi teve um casamento arranjado aos 13 anos de idade. Nessa �poca, a �ndia estava sob o dom�nio brit�nico. Foi para Londres estudar Direito e em 1891 voltou ao seu pa�s para exercer a profiss�o.

Movimento pacifista na �frica do Sul

Em 1893, Mahatma Gandhi foi morar na �frica do Sul, � �poca tamb�m col�nia brit�nica, onde sentiu pessoalmente os efeitos da discrimina��o contra os hindus. Em 1893, iniciou a pol�tica de resist�ncia passiva em protesto contra os maus tratos sofridos pela popula��o hindu.

Em 1894, fundou uma se��o do Partido do Congresso indiano, destinada a lutar pelos direitos de seu povo. Em 1904, Gandhi come�ou a editar o jornal �Opini�o Indiana�.

Nessa �poca, al�m dos textos religiosos hindus, Gandhi leu os Evangelhos, o Cor�o, e as obras de Ruskin, Tolstoi e Henry David, quando descobriu as bases da desobedi�ncia civil.

Em 1908 escreveu �Autonomia Indiana�, em que ele coloca em discuss�o os valores da civiliza��o ocidental. Em 1914 retornou ao seu pa�s e come�ou a difundir suas ideias.

Independ�ncia da �ndia

Terminada a Primeira Guerra Mundial, a burguesia na �ndia, desenvolveu forte movimento nacionalista, formando o Partido do Congresso Nacional Indiano, tendo como l�deres Mahatma Gandhi e Jawaharlal Nahru.

O programa pregava: a independ�ncia total da �ndia, uma confedera��o democr�tica, a igualdade pol�tica para todas as ra�as, religi�es e classes, as reformas socioecon�micas e administrativas e a moderniza��o do Estado.

Quem Ficou Conhecido Como O Pai Da India? Mahatma Gandhi e seguidores

Mahatma Gandhi destacou-se como principal personagem da luta pela independ�ncia indiana. Recorria a marchas e a desobedi�ncia civil, incentivando o n�o pagamento de impostos e o boicote aos produtos ingleses.

Embora usassem a viol�ncia na repress�o ao movimento nacionalista da �ndia, os ingleses evitavam o confronto aberto. Em 1922 uma greve contra o aumento de impostos re�ne uma multid�o que queima um posto policial e Gandhi � detido, julgado e condenado a seis anos de pris�o.

Libertado em 1924, Gandhi abandonou por alguns anos a atividade pol�tica ostensiva. Em 1930, organizou e liderou a c�lebre marcha para o mar, quando milhares de pessoas andaram mais de 320 quil�metros, de Ahmedhabad a Dandi, para protestar contra os impostos sobre o sal.

As rivalidades que existiam entre hindus e mu�ulmanos, que tinham como representante Mohammed Ali Jinnah e que defendia a cria��o de um Estado mu�ulmano, retardaram o processo de independ�ncia.

Em 1932, sua greve de fome chama a aten��o do mundo inteiro.

Quem Ficou Conhecido Como O Pai Da India? Mahatma Gandhi em greve de fome

Com o in�cio da Segunda Guerra Mundial, Gandhi volta � luta pela retirada imediata dos brit�nicos do seu pa�s.

Em 1942, foi preso novamente. Por fim, em 1947 os ingleses reconheceram a independ�ncia da �ndia, contudo mantendo seus interesses econ�micos.

Territ�rio dividido

Logo ap�s a independ�ncia, Gandhi procurou evitar a luta entre hindus e mu�ulmanos, mas seus esfor�os de nada adiantaram. Em Calcut�, as lutas deixaram um saldo de 6 mil mortos.

Por fim, o governo decidiu aprovar a divis�o da �ndia, por crit�rios religiosos, em duas na��es independentes � a �ndia, de maioria hindu, governada pelo primeiro ministro Nehru, e o Paquist�o, com maioria mu�ulmana.

Essa divis�o gerou violenta migra��o de hindus e mu�ulmanos em dire��o opostas da fronteira, que resultou em s�rios conflitos. Gandhi foi obrigado a aceitar a divis�o do pa�s o que atraiu o �dio dos nacionalistas.

Morte

  • Um ano ap�s conquistar a independ�ncia, Gandhi foi assassinado a tiros por um hindu, quando se encontrava em Nova D�lhi, capital indiana.
  • Segundo a tradi��o, seu corpo foi incinerado e suas cinzas foram jogadas no Rio Ganges, local sagrado para os hindus.
  • Mahatma Gandhi morreu em Nova D�lhi, �ndia, no dia 30 de janeiro de 1948.

Pensamento de Gandhi

A atividade pol�tica de Mahatma (grande alma) esteve sempre ligada ao seu pensamento filos�fico da n�o viol�ncia, o �nico caminho para a conquista da igualdade.

Opor viol�ncia a viol�ncia s� aumenta o mal. Para ele, a liberta��o da alma humana, em rela��o � servid�o terrestre, s� pode ser alcan�ada atrav�s de uma disciplina di�ria, uma rigorosa medita��o, jejuns e ora��es que conduz a um completo dom�nio dos sentidos.

Gandhi � considerado uma importante refer�ncia hist�rica para os movimentos pacifistas ocorridos no mundo.

Frases de Mahatma Gandhi

  • Felicidade � quando o que voc� pensa, o que voc� diz e o que voc� faz, est�o em harmonia.
  • O fraco nunca pode perdoar. Perd�o � um atributo dos fortes.
  • Um n�o dito com convic��o � melhor e mais importante que um sim dito meramente para agradar, ou, pior ainda, para evitar complica��es.
  • Assim como uma gota de veneno compromete um balde inteiro, tamb�m a mentira, por menor que seja, estraga toda a nossa vida.
  • As religi�es s�o caminhos diferentes convergindo para o mesmo ponto. Que import�ncia faz se seguimos por caminhos diferentes, desde que alcancemos o mesmo objetivo?

Achamos que voc� tamb�m vai gostar de ler:�Mahatma Gandhi: 10 momentos mais importantes na vida do pacifista indiano.

Marco Polo

Juliana Bezerra

Professora de História

Marco Polo foi um comerciante, diplomata, explorador e viajante conhecido pelas suas viagens ao Oriente. Nasceu em 1254, em Veneza, capital da república de mesmo nome e faleceu em 8 de janeiro de 1324, na mesma cidade.

Seus relatos foram reunidos no livro “As viagens de Marco Polo” que foram um sucesso na sua época e que continua sendo editado até hoje.

No entanto, alguns estudiosos duvidam que Marco Polo possa ter estado na China, pois o livro não comenta uma série de características da sociedade chinesa como a caligrafia.

Quem Ficou Conhecido Como O Pai Da India?Mosaico retratando Marco Polo carregando seu livro e mapas. Origem: Palazzo Tursi, Itália

Biografia de Marco Polo

A família de Marco Polo dedicava-se ao comércio com o Oriente e desde cedo ele ouvia as histórias do seu pai e tio sobre as cidades por onde passavam.

Neste período, Veneza era um dos principais portos europeus e recebia grande parte dos produtos da Índia e da China. Assim, Marco Polo já estava familiarizado com línguas distintas e pessoas provenientes de todas as partes do mundo.

Em 1271, o pai e o tio resolvem levar Marco Polo para uma viagem à China. Eles seguem pela Rota da Seda, uma das mais utilizadas pelos comerciantes para chegar a este país. Primeiro, viajam em barco e depois seguem por terra.

Quatro anos depois, em 1275, Marco Polo chega à China e conhece o imperador mongol Kublai Khan. Neste momento, a China está dominada por este povo e Kublai era neto do célebre conquistador Genghis Khan.

O imperador o emprega como embaixador e deste modo, Marco Polo viaja por todo o reino. Em cada missão, ele observa as paisagens, a arquitetura, a fauna, a flora, e o aspecto dos seus habitantes.

Igualmente, o explorador chega à Índia e descreve os encantadores de serpente, os religiosos que rezavam pela proteção dos pescadores de pérolas e os temperos locais como o gengibre e a noz-moscada.

Após 17 anos no Oriente, ele retorna à Veneza. A viagem dura quatro anos e ninguém o reconhece na sua cidade natal, pois chega à cidade vestido como um mongol e falando o dialeto veneziano com sotaque.

Marco Polo trouxe várias pedras preciosas e ricos produtos do Oriente. Por isso, o palácio de sua família ficou conhecido como “Il Milione” (O Milhão) uma referência à riqueza que possuíam.

Pouco depois de seu regresso, Veneza entra em guerra com sua eterna rival, a República de Gênova. Marco Polo arma navios e participada das batalhas, mas é feito prisioneiro em 1296. Nesta ocasião, ele narra suas histórias pelo Oriente para seu companheiro de cela, Rustichello de Pisa.

Após ser libertado e voltar à Veneza, Marco Polo retoma suas atividades de comerciante, casa-se e tem três filhas. Também fará parte do Grande Conselho da República de Veneza e falece em 1324.

Livro “As viagens de Marco Polo”

  • Os relatos de Marco Polo foram reunidos no “Livro das Maravilhas”, mais conhecido em português sob o título de “As viagens de Marco Polo”.
  • O história não é de autoria de Marco Polo, mas sim de Rustichello de Pisa, mas acredita-se que Marco Polo tenha revisado o manuscrito.
  • No livro são narradas as aventuras de Marco Polo em lugares como a Turquia, Armênia, Geórgia, Afeganistão, Cachemira, Tibete, China, Mongólia e Japão.

Igualmente, comenta sobre a grandiosidade da atual Pequim, narra as festas locais e descreve animais como o unicórnio.

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Do mesmo modo, conta sobre as curiosidades da Ásia que seriam estranhas para um europeu daquele momento como o fato do imperador Kublai Khan ter quatro esposas e vinte e dois filhos.

A publicação também é um manual de conselhos para os comerciantes que precisam fazer negócios com os povos orientais, pois há recomendações sobre os trajetos e precauções que o viajante deve ter ao entrar na Rota da Seda.

No último capítulo, Marco Polo descreve as características econômicas e assim relata como era feita a preciosa seda, que era obtida a partir da criação do inseto em plantações de amoreiras. Não esconde sua admiração pela porcelana e pensa que é derivada de um molusco que recebia este nome.

Marco Polo esteve ou não no Oriente?

  1. Vários estudiosos duvidam que Marco Polo tenha estado no Oriente.
  2. Além de não mencionar vários aspectos da vida da corte chinesa, não há nenhum documento, seja mongol ou chinês, que confirme que ele tenha servido como diplomata para o imperador.

  3. Ademais, ele não cita lugares importante como a Muralha Chinesa e nem faz comentários sobre o costume de tomar chá, bebida que ainda não existia na Europa, nem sobre a caligrafia chinesa, algo exótico até hoje para os ocidentais.

  4. No entanto, em 2012, o historiador alemão Hans Ulrich Vogel, argumentou que, provavelmente, Marco Polo não destacou a Muralha da China porque esta construção ainda não tinha a grandiosidade que alcançaria um século mais tarde.

O estudioso também chama a atenção para o fato que o explorador descreveu com precisão a produção de sal na Era Yuan, por exemplo. Segundo ele, seria a prova que a história de Marco Polo é verídica.

Quer saber mais sobre a época em que Marco Polo viveu? Descubra aqui:

  • Baixa Idade Média
  • Capitalismo Comercial
  • Mercantilismo

Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.

Mahatma Gandhi – Mundo Educação

Mahatma Gandhi foi um ativista indiano que ficou internacionalmente conhecido pela sua atuação como liderança na luta pelo fim da colonização britânica e pela independência da Índia.

Além de lutar pela independência de seu país, Gandhi notabilizou-se por lutar pelos direitos dos indianos nas duas décadas em que viveu na África do Sul.

O ativismo de Gandhi ficou notavelmente conhecido por causa do seu método de resistência não violento, o Satyagraha.

Juventude de Gandhi

Mahatma Gandhi nasceu em Porbandar (região oeste da Índia), no dia 2 de outubro de 1869. Seu nome de registro era Mohandas Karamchand Gandhi.

Seu pai, que se chamava Karamchand Gandhi, era governador da província em que viviam na Índia. A mãe de Gandhi chamava-se Putlibai Gandhi e era extremamente religiosa.

Gandhi pertencia à casta dos comerciantes, os Vaixás.

Durante a idade escolar, os biógrafos de Gandhi descrevem-no como uma criança tímida e que não se destacou nas atividades escolares.

Aos 13 anos, segundo a tradição local, os pais de Gandhi fizeram seu casamento arranjado com Kasturba Gandhi (na época, ela tinha 14 anos).

Poucos anos depois do casamento, Gandhi teve de deixar sua mulher e filho na Índia pra estudar Direito em Londres.

Em Londres, Gandhi dedicou-se aos estudos para tornar-se um advogado e aprofundou seus conhecimentos sobre religião, sobretudo sobre o hinduísmo. Abandonou o hábito de comer carne, tornando-se vegetariano, e ingressou em uma sociedade de vegetarianos que existia na cidade.

A permanência de Gandhi na Inglaterra estendeu-se até sua a graduação, que aconteceu em 1891. Após isso, Gandhi retornou para a Índia para exercer a função de advogado. No entanto, passados dois anos, a carreira de Gandhi na advocacia não estava dando muito certo, principalmente por causa da sua personalidade tímida.

Em 1893, Gandhi recebeu uma oferta de trabalho na África do Sul com contrato de duração de um ano. A oferta agradou a Gandhi e, então, ele novamente deixou sua família e partiu para a África do Sul (na época também uma colônia inglesa) para trabalhar. Os anos que passou na África do Sul mudaram por completo a vida de Gandhi.

Anos na África do Sul

Na África do Sul, Gandhi teve um forte contato com o preconceito que existia com a população indiana. As experiências de Gandhi com o preconceito racial levaram-no a lutar pelos direitos da comunidade indiana local. Um acontecimento importante marcou a vida de Gandhi na África do Sul.

Poucas semanas após chegar à África do Sul, durante uma viagem de trem para Pretória em 1893, Gandhi foi informado pelos funcionários da locomotiva que teria de se retirar da primeira classe para a terceira classe porque um passageiro havia se incomodado com a presença dele. Como Gandhi recusou-se a se retirar, pois havia adquirido ingressos para a primeira classe, foi então expulso da locomotiva.

Pouco tempo depois, uma lei local decretada pelas autoridades britânicas retirou o direito de voto dos indianos.

Após isso, Gandhi optou por permanecer na região – mesmo com o fim do seu contrato – e lutar pela melhoria dos direitos da comunidade indiana. Com isso, Gandhi converteu-se em uma liderança local.

Foi na África do Sul que Gandhi desenvolveu sua resistência não violenta, que ficou conhecida como Satyagraha.

Retorno de Gandhi para a Índia

Gandhi permaneceu durante 21 anos na África do Sul e, ao longo desses anos, ficou notabilizado como defensor da comunidade indiana, vítima da política racista praticada por autoridades coloniais. Gandhi optou por retornar à Índia em 1914 e, quando retornou, já era uma personalidade bastante conhecida e destacada.

Apesar do seu retorno, Gandhi somente iniciou a luta pela independência da Índia em 1919, quando a Primeira Guerra Mundial já havia terminado. A partir de 1919, Gandhi colocou em prática seu princípio de resistência não violenta que havia sido utilizado na África do Sul. A mobilização das massas sob a influência de Gandhi conduziu a Índia à independência.

O Satyagraha é um conceito que defende a resistência não violenta a partir de atos de desobediência civil.

A intenção do Satyagraha é mobilizar a população de forma não violenta para, a partir de seus atos de resistência, convencer aquele que comete a injustiça de que suas ações são nocivas, levando-o ao arrependimento.

Foi o ativismo de Gandhi a partir da Satyagraha que lhe rendeu o nome de “Mahatma” (grande alma, em português).

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Ao longo das décadas de 1920, 1930 e 1940, Gandhi incentivou a população a realizar ações de desobediência civil com o objetivo de enfraquecer o domínio colonial da Inglaterra sobre a Índia. Uma das formas de desobediência civil incentivadas por Gandhi foi a de motivar as pessoas a produzirem sua própria roupa e a não comprar as roupas produzidas pelos ingleses.

Para dar o exemplo, Gandhi passou a carregar consigo um tear manual, que utilizava para produzir suas próprias roupas. O tear manual utilizado por Gandhi transformou-se em um símbolo nacional da Índia e atualmente está estampado na bandeira do país. Outra demonstração de desobediência civil muito conhecida foi a Marcha do Sal, que aconteceu em 1930.

A Marcha do Sal foi um desafio direto de Gandhi às autoridades coloniais. Na época, os ingleses proibiam os indianos de comprarem sal que não fosse o produzido pelo Império Britânico.

Em resposta a isso, Gandhi mobilizou uma multidão, que marchou para uma região litorânea da Índia, onde extraíram e produziram seu próprio sal.

Essas atitudes de Gandhi fizeram com que as autoridades britânicas ordenassem a prisão dele por diversas vezes.

O movimento pela independência da Índia ganhou força principalmente quando as autoridades britânicas declararam que a Índia se uniria aos esforços de guerra da Inglaterra durante a Segunda Guerra Mundial. No entanto, à medida que o movimento de independência fortalecia-se, uma divisão interna também ganhava força.

A população muçulmana da Índia não via com bons olhos uma Índia independente sob a influência dos indianos hindus. Assim, a rivalidade entre os dois lados aumentou consideravelmente e demandas pelo separatismo surgiram entre os indianos muçulmanos. Apesar dos protestos de Gandhi, o conflito entre as duas partes não cessou.

O domínio inglês na região foi finalizado em 1947, e a disputa existente entre muçulmanos e hindus fez com que o país se dividisse em dois: o Paquistão, ocupado pela população muçulmana, e a Índia, ocupada pela população hindu. Essa divisão também levou a um conflito: a Primeira Guerra indo-paquistanesa. Até hoje as relações entre os dois países não são amigáveis.

A separação entre as duas nações também foi o motivo da morte de Gandhi. No dia 30 de janeiro de 1948, Gandhi foi assassinado em sua residência, que se localizava em Nova Delhi.

O assassino de Gandhi era Nathuram Godse, um nacionalista hindu que culpava Gandhi pela separação entre Índia e Paquistão.

Nathuram Godse foi preso e executado em 1949.

Críticas a Gandhi

Apesar de toda a atuação destacada na independência da Índia e em seus protestos pacíficos, a figura de Gandhi tem recebido algumas críticas conduzidas por novos estudos sobre a vida dele.

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Primeiramente, Gandhi tinha opiniões racistas e manifestou-as, sobretudo, durante os anos em que esteve na África do Sul.

Novos estudos conduzidos por dois professores sul-africanos trouxeram novas evidências sobre as posturas racistas defendidas por Gandhi|1|.

Além disso, existem relatos de que Gandhi possuía opiniões machistas, e o tratamento dado a sua mulher é considerado inadequado por muitos de seus críticos. Muitos criticam Gandhi por ter proibido os médicos de tratarem a pneumonia de sua mulher com penicilina. A recusa de Gandhi ao tratamento de sua mulher fez com que ela morresse vítima da doença |2|.

Por fim, há aqueles que criticam Gandhi por negligenciar a luta dos dalits, a casta mais baixa da Índia, por mais direitos sociais.

|1| “What did Mahatma Gandhi think of black people?” Para acessar, clique aqui [em inglês]. |2| “The Truth about Gandhi”. Para acessar, clique aqui [em inglês].

*Créditos da imagem: Catwalker e Shutterstock

Publicado por: Daniel Neves Silva

Mahatma Gandhi

Mohandas Karamchand Gandhi, também conhecido como Mahatma Gandhi (a palavra “Mahatma” significa “grande alma”), foi um ativista indiano que ficou mundialmente conhecido por liderar os indianos na luta pela independência. A atuação de Gandhi tornou-se particularmente conhecida em virtude do uso do Satyagraha, um princípio de protesto não violento. Esse princípio utilizado por Gandhi serviu de inspiração para muitos ao longo do século XX.

Críticas à imagem de Gandhi

No entanto, apesar da sua reconhecida atuação pela independência da Índia e pelos direitos dos indianos na África do Sul de maneira pacífica, a figura de Gandhi, a partir de novos estudos e evidências, tem sofrido diversas críticas.

As críticas feitas a Gandhi sugerem que ele era racista e considerava os sul-africanos inferiores aos indianos e ingleses.

Sobre isso, um estudo recente conduzido por dois professores sul-africanos trouxe novos relatos sobre a visão racista de Gandhi sobre os negros |1|.

Além disso, existem críticas que afirmam que Gandhi possuía certo desprezo pela casta mais baixa da Índia, os dalits (intocáveis), e que negligenciava em parte a obtenção de alguns direitos por parte dessa comunidade marginal da Índia. Grandes críticas também são feitas à forma que Gandhi tratava as mulheres. Há relatos do péssimo tratamento que dedicava especialmente a sua esposa e de suas visões machistas.

Nascimento e juventude

Mohandas Karamchand Gandhi nasceu em Porbandar, no litoral oeste da Índia (na época colônia da Inglaterra e parte do Império Britânico), no dia 2 de outubro de 1869.

Era filho de Karmachand Gandhi, na época governador daquela parte da Índia. Sua mãe se chamava Putlibai Gandhi (era a 4ª esposa de Karmachand).

O apego de Gandhi à religião veio da influência de sua mãe, adepta do hinduísmo e devota do deus Vishnu.

Durante a infância, os relatos narram Gandhi como uma criança bastante introvertida e que não teve destaques durante sua fase escolar. Assim que completou 13 anos, conforme demandava a tradição da região, foi organizado um casamento arranjado. Gandhi casou-se com Kasturba Gandhi (Kasturba possuía apenas 14 anos na época do casamento).

Em 1888, Gandhi deixou mulher e filho na Índia e mudou-se para Londres, na Inglaterra, onde ingressou na universidade para se tornar advogado. Durante o período em que esteve em Londres, Gandhi aprofundou-se em seus conhecimentos religiosos do hinduísmo e, além disso, tornou-se vegetariano ao ingressar na London Vegetarian Society (Sociedade Vegetariana de Londres).

Concluiu seus estudos em Direito em meados de 1891 e então retornou à Índia para atuar na advocacia, no entanto, sua personalidade tímida fez com que Gandhi não tivesse sucesso na área.

Em 1893, recebeu uma oferta de trabalho na África do Sul (também colônia inglesa) e, assim, novamente deixou mulheres e filhos na Índia e foi a trabalho para a África do Sul.

Foram as experiências vividas na África do Sul que transformaram Gandhi em um grande ativista.

Gandhi na África do Sul

Foi durante sua estadia na África do Sul que Gandhi teve suas primeiras experiências com o preconceito racial, vindo tanto das autoridades como dos habitantes europeus da região. Um caso marcante que foi um dos fatos que levaram Gandhi ao ativismo aconteceu durante uma viagem que Gandhi fazia para Pretória em 7 de junho de 1893.

Durante a viagem, um passageiro incomodou-se com a presença de Gandhi na primeira classe, e os funcionários do trem solicitaram que Gandhi se retirasse para a terceira classe. Como Gandhi se recusou a se transferir para a terceira classe – ele possuía passagens para a primeira classe, foi expulso do trem.

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Essa experiência, somada a uma lei discriminatória decretada pelas autoridades coloniais contra os indianos, convenceu Gandhi a iniciar o ativismo em defesa dos direitos dos indianos na região.

Durante os 21 anos em que esteve na África do Sul, Gandhi atuou em defesa dos indianos e lá desenvolveu seu método de protesto não violento, que foi importantíssimo na luta pela independência da Índia e que o popularizou em seu país de origem.

O retorno à Índia e a luta pela independência

Após retornar à Índia, Gandhi retomou seu ativismo político somente após o fim da Primeira Guerra Mundial. A Índia ainda era parte do Império Britânico, e a luta de Gandhi foi justamente para emancipar seu país do domínio colonial britânico. Em 1919, autoridades britânicas decretaram uma lei que permitia a prisão de qualquer pessoa que fosse julgada como ameaça.

A partir disso, Gandhi retomou o seu princípio de Satyagraha, que propunha um protesto não violento contra as injustiças existentes de maneira que o agressor se convencesse da injustiça que estava cometendo. Foi exatamente a defesa de uma atuação pacífica que fez Gandhi receber o apelido de “mahatma”, que para os indianos significa “grande alma”.

A atuação de Gandhi na luta contra a Inglaterra ocorreu a partir de ações de desobediência civil, instigando o povo a se recusar a colaborar com as autoridades britânicas de forma a enfraquecer o domínio sobre a Índia. A atuação de Gandhi como liderança do ativismo indiano, naturalmente, rendeu-lhe a prisão por diversas vezes.

As principais ações tomadas por Gandhi foram incentivar o povo a produzir sua própria roupa e não comprá-la dos britânicos como era comum na época. Para dar o exemplo, Gandhi carregava consigo um tear manual que ele utilizava para produzir suas próprias roupas. O tear manual utilizado por Gandhi tornou-se um símbolo nacional na Índia e atualmente é estampado na bandeira do país.

Outro destaque vai para a “marcha do sal”, na qual Gandhi liderou uma multidão que marchou a pé até uma região litorânea da Índia para que pudesse extrair sal do mar. A marcha do sal aconteceu como forma de desafiar as autoridades britânicas, que haviam instituído um novo imposto sobre o preço do sal na Índia.

A partir da década de 1920, uma rivalidade muito forte surgiu na Índia entre hindus e muçulmanos e, por mais que Gandhi se posicionasse pelo fim da violência e pelo convívio pacífico entre os dois lados, a violência continuou existindo.

O crescimento do movimento de independência durante a Segunda Guerra Mundial fez com que a Índia conquistasse a sua independência em 1947. No entanto, a divisão existente entre muçulmanos e hindus permaneceu, o que fez com que o território indiano se fracionasse em duas nações.

A porção muçulmana da Índia fundou o Paquistão.

A separação da Índia e do Paquistão foi o motivo da morte de Gandhi, quando, no dia 30 de janeiro de 1948, um nacionalista hindu chamado Nathuram Godse atirou à queima-roupa em Gandhi, em Nova Deli.

Nathuram Godse assassinou Gandhi porque o considerava responsável pela separação do Paquistão. Depois de preso, foi julgado e condenado à morte. Nathuram Godse foi executado no dia 15 de novembro de 1949.

|1| Para mais informações a respeito disso, acesse o artigo “What did Mahatma Gandhi think of black people?” [em inglês].

  • *Créditos da imagem: d_odin e Shutterstock Por Daniel Neves
  • Graduado em História

Mahatma Gandhi

Mahatma Gandhi foi o grande nome da luta dos indianos pelo fim do colonialismo britânico e pela independência da Índia. Popularizou-se pelos seus protestos não violentos.

Mahatma Gandhi foi um reconhecido ativista indiano que lutou durante as décadas de 1920 a 1940 pelo fim do regime colonial inglês e pela independência da Índia.

O ativismo de Gandhi ficou particularmente conhecido por ter desenvolvido um método de manifestação não violento conhecido como Satyagraha.

A vida de Gandhi encerrou-se tragicamente após ser assassinado por um nacionalista hindu.

Os primeiros anos da vida de Gandhi

Mahatma Gandhi (o termo “mahatma” significa “grande alma”) nasceu no dia 2 de outubro de 1869, mas foi registrado com o nome de Mohandas Karamchand Gandhi.

O nascimento de Gandhi aconteceu em Porbardar, região da costa oeste da Índia, e seus pais chamavam-se Karmachand Gandhi e Putlibai Gandhi.

O pai de Gandhi – Karmachand – era governador da região que habitavam na Índia durante o período do Império Britânico.

O apreço de Gandhi pela religião ocorreu em razão da grande influência de sua mãe, conhecida por ser uma religiosa fervorosa e devota à Vishnu, um deus do hinduísmo, uma religião tradicional da Índia. Os biógrafos de Gandhi retratam-no como uma criança de personalidade tímida e que, por isso, não possuiu destaque algum durante seu período escolar.

Assim que completou 13 anos, segundo a tradição daquela região da Índia, Gandhi casou-se com uma garota chamada Kasturba Gandhi (na época do casamento, ela possuía 14 anos). Alguns anos depois do casamento, Gandhi mudou-se para Londres, na Inglaterra, para que pudesse estudar Direito e tornar-se advogado.

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Gandhi partiu em 1888, deixando de viver temporariamente com sua esposa e filho. No período em que esteve na Inglaterra, Gandhi aprofundou seus conhecimentos religiosos, sobretudo do hinduísmo, a partir da leitura de textos sagrados e também se tornou vegetariano, passando a frequentar um clube social para vegetarianos em Londres.

Retornou para a Índia em 1891 após terminar seus estudos. Uma vez de volta à Índia, tratou de procurar emprego no ramo da advocacia.

A trajetória de Gandhi como advogado não deslanchou, principalmente pelas dificuldades que lhe eram causadas pela sua timidez.

Em 1893, Gandhi recebeu uma oferta de emprego na África do Sul e, assim, novamente, deixou sua família, dessa vez para poder trabalhar.

O ativismo de Gandhi na África do Sul

Foram as situações de preconceito experimentadas por Gandhi na África do Sul que o transformaram em um grande ativista na defesa dos indianos. Os indianos sofriam com as ações discriminatórias tanto das autoridades coloniais como da população local de origem europeia. Uma situação marcante para Gandhi aconteceu durante uma viagem de trem que fazia rumo à cidade de Pretória, em 1893.

Durante essa viagem, Gandhi foi solicitado a se retirar da primeira classe – local pelo qual ele havia pago para estar – porque um passageiro branco havia se incomodado com a sua presença. A rejeição de Gandhi em acatar o pedido de se retirar para a terceira classe – local destinado para os negros – fez com que ele fosse expulso da locomotiva.

Outras situações, como decreto de leis discriminatórias contra a população indiana na África do Sul, convenceram Gandhi da necessidade de lutar pela defesa dos direitos dos indianos naquela região. Com o passar do tempo, Gandhi transformou-se em uma liderança para a comunidade de indianos do local e, durante sua militância, nasceu o Satyagraha, o seu conceito de protesto não violento.

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Ao todo, Gandhi permaneceu durante 21 anos na África do Sul, tornando-se um grande nome local pela defesa dos indianos. A atuação de Gandhi na África do Sul rendeu-lhe notoriedade e, quando retornou para a Índia, em 1914, já era uma personalidade conhecida no país. No entanto, por causa da Primeira Guerra Mundial, ele só iniciou o ativismo pela independência da Índia em 1919.

Na Índia, Gandhi tornou conhecido internamente o Satyagraha, princípio pelo qual defendia o protesto de maneira não violenta a partir de demonstrações de resistência e de desobediência civil.

A intenção de Gandhi com essas ações era fazer aquele que cometeu a injustiça perceber o dano que estava causando e arrepender-se.

Foi por causa de seu papel na independência da Índia que Gandhi recebeu a alcunha de “mahatma” (grande alma).

Das décadas de 1920 a 1940, Gandhi incentivou ações de desobediência civil para incentivar a população a se levantar contra os dominadores e enfraquecer o domínio colonial na Índia. A atuação de Gandhi no ativismo pela independência fez com que ele fosse preso pelas autoridades britânicas diversas vezes.

A liderança de Gandhi nas ações de desobediência civil repercutiu profundamente em dois momentos diferentes. No primeiro deles, Gandhi incentivou a população indiana a produzir suas próprias roupas e a parar de comprar roupas dos comerciantes ingleses. Para dar o exemplo, Gandhi passou a levar consigo um tear manual.

O tear manual carregado por Gandhi gerou tanta repercussão que se transformou em um símbolo nacional da Índia e hoje é estampado na bandeira do país.

Outro evento bastante conhecido foi a “Marcha do Sal”, de março de 1930. Nesse evento, Gandhi liderou uma multidão em uma marcha até o litoral indiano para que pudessem extrair sal.

Isso aconteceu porque as autoridades locais haviam instituído imposto sobre o preço do sal comprado pelos indianos.

A atuação de Gandhi seguiu durante as décadas de 1930 e 1940 em meio aos crescentes conflitos entre indianos hindus e indianos muçulmanos.

Apesar dos esforços de Gandhi em combater a escalada da violência, a rivalidade entre os lados só aumentou.

O domínio colonial britânico encerrou-se na região em agosto de 1947, no entanto, a rivalidade existente entre muçulmanos e hindus levou o país à divisão. Dessa divisão, a parte muçulmana da Índia transformou-se no Paquistão.

A divisão da Índia foi o motivo da morte de Gandhi em 1948. No dia 30 de janeiro, Gandhi foi alvejado pelo nacionalista hindu Nathuram Godse e morreu instantaneamente. Nathuram Godse matou Gandhi porque o considerava responsável pela separação entre o Paquistão e a Índia. Ele foi preso, julgado e sentenciado à morte, sendo executado em 1949.

Críticas à Gandhi

Após a morte de Gandhi, diversos estudos foram conduzidos sobre a vida dele. Muitos estudos apontaram inúmeras críticas a diversas ações realizadas por Gandhi.

Os grandes destaques vão para a visão racista que Gandhi possuía dos sul-africanos, tratando-os como inferiores; a negligência de Gandhi com os dalits, os intocáveis; a forma que ele tratava sua mulher e as opiniões machistas que possuía.

*Créditos da imagem: Andrea Izzotti e Shutterstock

Estátua em homenagem a Gandhi construída na cidade de Londres, Inglaterra*

Por Daniel Neves Silva

1948: Assassinato de Mahatma Gandhi

“A luz se foi de nossas vidas”, declarou o então primeiro-ministro da Índia, Jawaharlal Nehru, em 30 de janeiro de 1948, dirigindo-se pelo rádio à nação que se tornara independente apenas alguns meses antes.

O líder Mohandas Karamchand Gandhi, conhecido por Mahatma (“grande alma”), fora assassinado a tiros pelo nacionalista hindu Nathuram Godse. Antigo seguidor de Gandhi, Godse discordava da liberação de recursos financeiros da Índia para o Paquistão, num momento em que os dois jovens países iniciavam sua primeira guerra pela Caxemira.

A morte violenta contribuiu para idealizar ainda mais a figura de Gandhi como “pai na nação”. Não há cidade ou povoado na Índia que não tenha um monumento ao homem magro e curvo, portando apenas uma túnica e uma bengala na mão. A questão é se a herança deixada por ele ainda tem algo a ver com a prática política na Índia de hoje.

Na verdade, numa sociedade repleta de conflitos – entre as castas, os grupos religiosos, as etnias, ou simplesmente pobres e ricos –, não há espaço para a ideia da não-violência pregada por Gandhi. Tampouco teve vez a ideia de desenvolvimento que ele defendia, ao estimular o renascimento dos processos artesanais.

Pacifismo x autoritarismo

Gandhi, porém, já era um santo enquanto vivo – e sobre os santos, não se discute. O enorme abismo entre seus ideais e a corrupção dos políticos de hoje leva antes à resignação. O que se esquece facilmente é que o próprio Gandhi era um político com grande senso de poder e muitas vezes até autoritário. Seu engajamento em prol dos párias é reconhecido para além das fronteiras da Índia.

Sendo filho de uma alta casta hindu, Gandhi lutou contra a marginalização dos párias, empenhou-se para que as portas dos templos hinduístas lhes fossem abertas. Chamou a atenção de muitos indianos que gozavam de educação britânica para a vida miserável nos povoados do país e sobretudo das castas mais baixas.

Ao mesmo tempo, porém, ele tendia a idealizar a situação e insistia obstinadamente em sua própria visão. O mais importante político dos párias em sua época, Ambedkar, defendia que os párias tinham outros interesses que os hindus. Eles deveriam, portanto (da mesma forma que os muçulmanos), votar separadamente dos demais eleitores e escolher seus próprios representantes para os parlamentos.

Gandhi, por sua vez, insistia em incluir os párias entre os hindus. Irritou-se de tal forma com as reivindicações de Ambedkar, que ameaçou jejuar até a morte, fazendo com que este cedesse. Era esta a forma pela qual Gandhi se utilizava da “não-violência”, e não apenas perante os senhores coloniais.

A herança de Gandhi

Gandhi empenhou-se, como poucos políticos de seu tempo, por uma reconciliação com os muçulmanos. Mas o hinduísmo desempenhou um papel central em sua vida. Suas ideias, seu programa político, tudo é impregnado do vocabulário hinduísta. Grande parte dos muçulmanos não se sentia representado por ele e insistiu na criação de um Estado próprio, o Paquistão.

Mahatma Gandhi não contribuiu apenas para que a Índia se tornasse independente sem muito derramamento de sangue.

Muitos de seus pensamentos acerca do abismo entre a cidade e o campo, acerca da solução de conflitos sem o apelo à violência continuam sendo atuais, e não apenas dentro das fronteiras da Índia.

Mas, para poder debater a esse respeito, seria preciso poder discutir também a respeito de suas falhas.

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