Quem Faz Perfume Como Se Chama?

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Quem Faz Perfume Como Se Chama?

Com base em pesquisas de mercado e da escolha de essências que formam a fragrância certa. Os perfumes surgiram em 3 mil a.C. Naquela época, os egípcios usavam fumaças aromáticas durante as orações. Vem daí a origem da palavra: per (através) e fummum (fumaça).

Por volta de 800 a.C., os gregos já exportavam óleos de flores e plantas maceradas e, quase dois séculos depois, a Babilônia se tornou o centro comercial de especiarias e perfumes. Hoje, uma fragrância é feita misturando de 30 a 300 ingredientes.

Todas elas têm três “notas” (cheiros).A nota de saída é a que se dispersa no ar mais facilmente: nós a sentimos logo ao abrir o frasco. A de coração é menos volátil: só a percebemos quando o produto seca na pele. E a de fundo é a que garante a fixação do aroma na pele.

Costuma ser a mais densa (e cara de produzir).

AROMA SOB MEDIDA

Opinião de consumidores orienta produção

1.Uma pesquisa de mercado define o conceito do novo produto, identificando o público-alvo (jovem, adulto, homem ou mulher) e seu estilo (esportista, roqueiro, romântico…). Com base nesses dados, é possível criar uma identidade visual e olfativa – a embalagem e a fragrância, respectivamente

A paleta de um perfumista tem mais de 2,5 mil ingredientes. Só a rosa tem mais de 20 cheiros diferentes!

2.Com essas informações, um perfumista começa a misturar matérias-primas para compor a fórmula. Cabe ao laboratório combinar de 30 a 300 ingredientes para reproduzir o perfume idealizado por esse profissional. O resultado são cerca de 15 fragrâncias, que são testadas com alguns consumidores

3.Definida a fragrância favorita, o processo de produção no laboratório passa a ser repetido em larga escala. A matéria-prima é pesada, misturada com outros ingredientes (como essências, água e álcool) e guardada em um tonel para ganhar intensidade

4.Dos tonéis, o líquido desce por tubos até a máquina de envase, onde é colocado em frascos. Uma encartuchadora monta a tampa, enquanto outra máquina adiciona o protetor e a embalagem. Por fim, a caixinha recebe um filme plástico externo

5.O produto vai para um armazém na própria fábrica. De lá, segue para várias linhas de distribuição: lojas físicas (da própria marca ou de revendedoras), representantes de vendas e pessoas autorizadas que vendem o produto por catálogo, entre outros

Em 2010, o Brasil se tornou líder mundial no setor, com um crescimento de 33% e um faturamento de US$ 6 bilhões

QUAL É SEU CHEIRO?

Cada tipo de fragrância remete a um estilo

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  • Floral
  • Com bases de flores como rosa, jasmim e narciso, entre outros. Aqui está a maior concentração de perfumes femininos
  • Cítrico
  • Vem de frutas como tangerina, limão e bergamota. Fresco, leve e popular no verão, está na maioria das fragrâncias unissex
  • Madeira
  • Vem de diferentes tipos de madeira. Possui notas quentes e sensuais, muito empregadas em perfumes masculinos
  • Oriental
  • É uma das famílias olfativas mais intensas. Utiliza especiarias exóticas, como musk, almíscar, âmbar e pimenta
  • Fougére
  • De origem francesa, utiliza ervas e plantas herbáceas. Costuma ser usado em produtos para homens mais tradicionais
  1. FONTES Fabio Artoni, gerente de perfumaria da Natura, Renata Ashcar, especialista em perfumes e autora de Brasilessencia: A Cultura do Perfume
  2. – Por que a dama-da-noite só solta perfume à noite?
  3. – Por que as flores têm perfume?

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  • aroma
  • cosmético
  • fabricação
  • feito
  • Maquiagem
  • Moda
  • Perfume

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Quero ser perfumista, quero fazer perfume: sobre cursos de perfumaria

O perfumista junior Frédéric Sacone preparando modelos para Thierry Wasser, perfumista da Guerlain

Um monte de gente chega no site e me pergunta sobre curso de perfumaria, como que acontece a formação, etc. Acho que antes de responder, a primeira coisa é saber se quer ser perfumista ou trabalhar com perfumaria. Por que aí caberia estar no departamento de marketing, vendas, ser avaliador, para falar alguns, e existem outros caminhos para isso.

Para ter uma idéia do tamanho do negócio e da quantidade de gente envolvida, você pode começar lendo este post, que fala sobre o que é o briefing e depois este, que fala do papel do avaliador, que é um cara que trabalha do lado do perfumista.

Se a resposta for sim, é isso mesmo, quero ser perfumista, já dou uma adiantada no assunto: não existe graduação em perfumaria no Brasil. 

Para responder a primeira pergunta minha sugestão é dar uma ciscada, beliscar o assunto lendo muito, tudo o que conseguir e fazendo um curso solto (mais abaixo).

Vai que você descobre que o seu negócio é mais pelas bordas da criação? Todo mundo que escreve sobre comida quer ser cozinheiro? Ou quem cozinha de fim de semana quer se profissionalizar? Acho que não.

E dá para ser chef no Rancho da Traíra (recomendo), num buffet, tem quem faz bolo e doce de festa em casa mesmo, formou freguesias ótimas e está muito bem, obrigado.

A mesa de Thierry Wasser. Qual será o próximo a explodir nas vendas?

Ser perfumista é um monte de coisa, desde trabalhar nas casas de fragrância (Firmenich, IFF, Symrise, Givaudan), que são mega-empresas multinacionais que tem clientes enormes (como a L’oréal, Boticário), até no distribuidor da casa de fragrância (que tem clientes menores), ou então ser independente total como a Bruna Sá e o Renato Crestincov, por exemplo.

 Estes vendem aromatizador de ambiente e perfumes e outros produtos direto ao público, e atendem clientes pequenos, como uma loja querendo desenvolver um perfume único. O Renato já fez aromatizador para o império noturno de Facundo Guerra, em São Paulo.

E nada impede que com alguma informação e sensibilidade você consiga se divertir misturando óleos e bases em casa, e chegar a resultados interessantes.

Cursos e formação

O 1 nariz oferece cursos para amantes dos perfumes com regularidade. Você pode ver aqui qual o próximo ou cadastrar seu e-mail aqui, para ser avisado (esta é uma lista só para avisar dos cursos).

Em geral, os perfumistas brasileiros que trabalham na grande indústria se graduaram em química ou farmácia, e depois foram treinados na própria casa de fragrância. Começando de baixo, claro, num processo longo.

É resquício da tradição da profissão, passada de pai para filho (ou de mestre para aprendiz) e um jeito de contornar a formação deficiente pelas vias tradicionais. É para quem quer muito e tem esse tempo e disposição para investir.

Lendo esta entrevista com a perfumista Monica Rossetto você entende a trajetória dela e tem mais contato com o dia a dia da profissão.

Para quem imagina trabalhar numa outra escala, existem os cursos de aromaterapia (o By Sâmia é um), o curso de Perfumaria Criativa da Associação Brasileira de Cosmetologia. Eu nunca fiz esses cursos então não posso recomendar.

E também existem duas pós-graduações na área, uma na Faculdade Santa Marcelina e outra na Oswaldo Cruz –mas é no espírito “trabalhar com”, ninguém vai sair perfumista. Esses são só alguns exemplos, provavelmente existem mais, e todos na cidade de São Paulo.

Imagino que a coisa se reproduza, em proporção muito menor, nos grandes centros do país. Pesquise.

É importante lembrar que tudo que é aplicado na pele oferece um risco. A indústria se organiza na IFRA (Internacional Fragrance Association) e elabora regras restritivas de ingredientes tidos como problemáticos.

Há materiais que são fotossensibilizantes, por exemplo. Tenha isso em mente quando for fazer suas criações ou usar algo de um criador muito pequeno, que talvez desconheça essas regras.

Um caminho para contornar problemas é aplicar somente na roupa ou se aventurar apenas em sprays de ambiente. Informe-se.

Quem Faz Perfume Como Se Chama?

A ISIPCA em Versalhes

Para quem tem intenções e possibilidades internacionais

Existe uma graduação em perfumaria em Versalhes, na França, na ISIPCA, que também oferece cursos de extensão para graduados em áreas afins. Ao que parece existem cursos menores em Grasse, no sul da França.

Na Califórnia, especialmente em Los Angeles, existe uma cena de perfumistas e cursos independentes, cada vez mais vejo coisas na internet, agora me lembro do Institute for Art and Olfaction.

Enfim, são alguns pontos de partida para quem está procurando por onde começar. Quero conhecer o primeiro perfume que você fizer.

Especialista em Perfumes: Conheça Mais sobre essa Profissão

Quem Faz Perfume Como Se Chama?

Na década de 1990, quando, no Brasil, não existiam especialistas nos grupos olfativos, matérias-primas e combinações que dão origem aos perfumes, Renata Ashcar começou a desbravar, sozinha, esse universo. Nessa entrevista, você vai saber tudo para ser um especialista em perfumes.

O interesse pelo tema se mostrou mesmo antes de concluir a faculdade de Publicidade. Seu trabalho de conclusão de curso foi a criação de uma linha de perfumes.

“Nesse momento, vislumbrei possibilidades enormes, porque era um mercado quase virgem. O Brasil era um país de economia fechada…”, relembra Renata. Ela começou sua atuação profissional como designer de frascos e hoje é a maior autoridade brasileira em perfumes.

Além de avaliar as criações das mais importantes empresas brasileiras, ela realiza palestras. E, atualmente, é professora do curso de Consultor de vendas especializado em perfume, da ETEC Parque da Juventude, em São Paulo.

Além disso, ela é autora do livro Brasil Essência: a Cultura do Perfume, primeiro em português sobre o assunto.

Todos os desafios inevitáveis a quem decide abrir caminho por uma área nova trouxeram a Renata conhecimento e experiências únicas. E hoje, ela compartilha com o mundo.

“Posso dizer que trilhei um caminho onde não existia nada. Fui me desenvolvendo com muita garra, vontade e acreditando que era possível fazer algo diferenciado”, conclui.

PC: Qual é a essência (sem trocadilhos rs) do trabalho que você faz? O que significa ser um especialista em perfumes no Brasil?

Como uma autoridade nessa área no Brasil, meu trabalho está, acima de tudo, na difusão da cultura do perfume.

Tenho um compromisso muito grande com a causa da educação.

O Brasil é um mercado muito importante na perfumaria. Hoje nós estamos em segundo lugar do mundo em consumo de perfumes, só perdemos para os Estados Unidos.

E as pessoas conhecem pouco sobre o assunto, embora se interessem bastante.

PC: Como é o seu dia a dia como especialista em perfumes?

É alucinante. Acredito que até mesmo pela posição que alcancei, não me faltam atividades. Estou sempre avaliando perfumes.

Todas as empresas me enviam suas criações quando lançam. Eu avalio, classifico, faço uma pesquisa completa de todos os perfumes lançados e publico no meu guia todos os anos.

Atendo a várias palestras e eventos. Também estou fazendo um curso na ETEC Parque da Juventude para formação de vendedores especializados em perfumes. Com duração de 500 horas.

Um curso maravilhoso.

PC: Qualquer pessoa pode se tornar especialista em perfumes ou existe algum talento nato ou habilidade a se desenvolver antes de ingressar nessa carreira?

Nesses tempos de redes digitais, o que aparece de especialistas não é brincadeira.

Mas o profissional precisa conhecer muitas coisas. Imagine que um perfumista, para formular um perfume, assim como um artista usa as cores, deve conhecer cerca de três mil ingredientes.

Leia também:  Como Conquistar Uma Rapariga Que Eu Gosto?

Temos que passar a vida inteira cheirando, conhecer os grupos olfativos, as matérias-primas, os tipos, as combinações.

É um conhecimento maravilhoso, mas muito extenso, porque perfumaria também é História, Geografia, Química, envolve várias vertentes de aprendizado.

PC: Este é um nicho bastante específico do mercado. Você acredita que há espaço para mais profissionais se especializarem no ramo em que você atua?

Existe bastante espaço. A perfumaria envolve várias atividades. A Geografia, por exemplo, para o estudo de cada matéria-prima, pois, embora existam 200 tipos de rosas, apenas três têm cheiros que podem ser usados em perfumes, uma na Turquia, outra na Bulgária, outra no Sul da França.

E tem toda a equipe que trabalha junto com o perfumista. O avaliador, o pessoal de laboratório, marketing… é uma área com muitas oportunidades e eu acredito que vai crescer cada vez mais.

PC: Quais foram os principais desafios que você enfrentou para chegar ao patamar em que está hoje?

O principal desafio que enfrentei foi aos 21 anos, quando me formei. Sofri um acidente de carro muito grave e fiquei em coma por um mês, entre a vida e a morte.

Neste momento, descobri Deus na minha vida e isso me deu muita fé, a força de viver e a coragem para chegar onde estou. Depois disso, perdi o medo de tudo. Sou movida a desafios.

Quando decidi fazer o livro também foi um momento bem importante. O livro se chama Brasil Essência: a Cultura do Perfume e, nessa época, como eu comentei, não havia nada escrito sobre o assunto.

Então eu fiz um trabalho de pesquisa superextenso e foi um desafio enorme.

Na época, eu estava no topo como designer de vidros de perfume e deixei tudo para fazer o livro, acreditando no sonho.

PC: Existe algum aspecto do seu trabalho que você considera chato?

Não, nenhum. Eu amo meu trabalho na perfumaria.

É fascinante, um universo que me deixa encantada por mais que eu trabalhe com isso há 30 anos.

Sempre há descobertas, coisas novas para fazer. Uma dica para quem está em busca de uma profissão: nós temos que trabalhar com o que gostamos, porque aí o trabalho é um prazer.

PC: O que você entende por sucesso? Considera-se bem-sucedida profissionalmente?

Considero-me muito bem-sucedida. Sucesso é quando você faz o que quer e recebe o reconhecimento das pessoas.

Todo esse trabalho que eu tive, de abrir caminhos e fazer tudo pela primeira vez, me trouxe um reconhecimento enorme da comunidade da perfumaria e uma autoridade única.

Hoje eu posso me considerar uma pessoa de sucesso não só no Brasil como no mundo, pois são poucas as pessoas que conhecem a história da perfumaria do Brasil como eu.

Ele cria perfumes. E diz: "O nariz não faz nada"

Acredita que a pessoa que compra o perfume e que o borrifa em casa tem noção dessas duas dimensões? Ou só quer cheirar bem?
Não sei. Acho que o consumidor não chega a esse nível de detalhe. Ou ama ou odeia, ou o perfume fala com ele ou não fala. É por isso que há sempre o perigo de explicar uma fragrância. Ao explicar mata-se o sonho.

De que forma?
Explicar demasiado faz com que o perfume se torne sobretudo num produto funcional onde é preciso justificar cada gesto. É como explicar todas as pinceladas de um quadro, e eu sou contra isso. Prefiro deixar que as pessoas usem a sua imaginação quando descobrem uma fragrância.

Se eu digo que este novo perfume é um manifesto feminino, e este é o nosso eixo de comunicação, estou a evidenciar uma afirmação política que não tem nada a ver com o perfume em si.

Quando comecei a criar esta fragrância tinha a imagem de uma mulher na minha cabeça, mas será que precisa dessa informação para gostar ou não gostar do aroma? Não tenho a certeza.

Normalmente como é que nasce um perfume?
Aqui a minha ideia foi celebrar o nosso aniversário, foi muito simples. O raciocínio foi mais ou menos: 190 anos de beleza, beleza feminina, o retrato de uma mulher. Mas no caso de La Petite Robe Noire, houve um conceito antes da fragrância, o chamado “vestidinho preto”.

Eu estava a anos-luz de inventar uma coisa assim! Foi a Ann Caroline [Ann Caroline Prazan, diretora de marketing da Guerlain] que me apresentou o conceito e eu fiquei completamente baralhado. Disse-lhe que ela era louca, que esse não era conceito que se desse a um perfume.

Mas depois achei muito curioso uma casa de beleza, que nunca fez outra coisa senão beleza, apropriar-se de um ícone de moda. E isso acabou por despoletar a minha imaginação. Mas aí tinha outra questão: a que cheira o preto? A chá? O chá é preto.

A cereja pode ser preta, o alcaçuz é preto, o patchouli é escuro, o cumaru é escuro… Por isso tinha cinco materiais com que brincar. E normalmente arranca assim, com ingredientes que é preciso combinar.

Chamei a Ann Caroline e mostrei-lhe: olha este pequeno acorde, é o preto. Mas precisava de mais, e perguntei-lhe: esse vestido, que textura é que tem? É de seda? Lã? Algodão? Veludo? Ela olhou para mim como se eu estivesse louco. Não sabia. Mandei-a embora.

Mas como já tinha o preto, que é uma cor pesada, percebi que queria que a textura fosse leve. E aí nasceu toda a estrutura floral do perfume: o jasmim e sobretudo a rosa da Bulgária, que é uma flor tão leve que quase dança.

É assim que um conceito se transforma num perfume ou, no caso de Mon Guerlain, que um perfume se transforma num conceito. Não há regras.

Deu o exemplo de uma cor e de diferentes tipos de tecidos. Tudo tem um cheiro?
Não. Isso é algo que está presente na memória cultural de cada um. Associamos coisas de forma a poder explicá-las.

Se eu disser que vou fazer uma textura pesada ou leve num perfume, o que é que isso significa? Ninguém percebe.

Mas se usar um vocabulário com que os outros se possam relacionar, como veludo, lã, algodão ou seda [vai levantando as mãos no ar cada vez mais alto, para transmitir a ideia de leveza], depois é minha função saber que se estiver a falar de seda devo escolher um floral leve, e se estiver a falar de veludo vou buscar a baunilha e procurar uma nota ainda mais escura do que a do preto. Falar de aromas é sempre algo muito complicado. Se a Ann Caroline me diz que o perfume tem de ser mais molhado, eu tenho de perceber o que é que essa palavra significa para ela.

Costuma viajar pelo mundo para se abastecer dos ingredientes que usa e acompanhar as suas produções. É algo de que faz questão?
Faz parte do meu trabalho. O meu antecessor, Jean-Paul Guerlain, já o fazia, e é algo exclusivo da marca, porque não há mais ninguém a fazê-lo.

Para além de desenvolver novas fórmulas com a equipa em Paris, supervisiono o trabalho na fábrica — vou lá uma vez por semana, quando não estou a viajar — e, de forma a alimentar a fábrica, tenho de me assegurar que conseguimos ter as matérias-primas de que precisamos e fazer o chamado sourcing.

Já era responsabilidade do perfumista da geração anterior — eu não inventei nada — mas para mim fortalecer rotas quando elas são instáveis, como acontece com a madeira de sândalo, ou criar novas rotas quando elas não existem, como no caso da baunilha — a baunilha é sempre de Madagáscar, mas neste novo perfume temos uma variedade do Tahiti que cresce na Papua-Nova Guiné — é uma forma de não dar um tiro no pé. Porque se não me conseguisse abastecer das matérias-primas que eu próprio escolhi para o meu perfume, seria isso que estaria a fazer. Está tudo ligado. De tal forma que o fornecimento pode influenciar a fórmula de um perfume.

Dê-nos um exemplo.
Neste momento é impossível adquirir madeira de sândalo, por isso como é que eu acabei de introduzir sândalo num novo perfume? Porque encontrei um fornecedor gigante e sustentável na Austrália. Se não o tivesse encontrado, esse ingrediente não estaria na fragrância.

E nestas viagens há também algum trabalho de pesquisa para descobrir novos ingredientes?
Às vezes, sim. Por vezes até são as próprias pessoas que dizem “tenho isto” ou “tenho aquilo”. Pode ser uma nova extração, o que é impressionante, mas aí tenho de assegurar quantidades, e geralmente elas não existem.

Porque as pessoas acham que só por terem conseguido produzir três gotas de algo que cheira maravilhosamente bem, nós vamos querer saltar-lhe em cima. Eu digo: três gotas? Está bem, mas vou precisar de três milhares de milhões de gotas, consegue arranjá-las? E ficamos por aí.

É por isso que ser um perfumista com ideias, e ao mesmo tempo um fabricante racional, obriga a um diálogo constante em que uma coisa influencia a outra.

Existe uma flor maravilhosa na Índia chamada “champaca”. Houve uma altura em que a variedade vermelha era usada em perfumes, mas hoje em dia as quantidades são tão pequenas que eu não me atreveria a utilizá-la. O perfumista em mim tem pena, o fabricante sabe que tenho razão.

Outro exemplo: o vetiver é uma planta endémica da Índia, cresce em Tamil Nadu, no sul, mas não a produzem, compram-na no Haiti ou em Java. Agora temos um programa na Índia para produzir óleo de vetiver.

Começámos com dez gotas de óleo, agora já temos 200 e temos um objetivo de fazer alguns milhares.

Tem algum ou alguns ingredientes de culto?
Sim. Tenho estado obcecado com a rosa da Bulgária há alguns anos, mas agora encontrei esta pequena história de amor no jasmim-árabe, e este fornecedor de sândalo… Não sei o que é ser um marido infiel mas digamos que a rosa da Bulgária continua cá, como se me tivesse casado, mas o jasmim-árabe e o sândalo não me saem da cabeça.

História do Perfume

Ao longo de sua história, a relação do homem com os aromas foi se tornando cada vez mais sofisticada. Na medida em que as primeiras civilizações se desenvolviam, as práticas de manipulação dos recursos naturais também se aperfeiçoavam, de modo a se ajustarem aos sentidos da percepção.

A prática da composição de perfumes está para o olfato assim como a arte da culinária está para o paladar, ou a arte da música, para os ouvidos.

A história do perfume, tal como a história da culinária ou da música, pode dar testemunho de todo um quadro cultural e civilizacional.

Os primeiros usos de perfumes estavam associados a ritos religiosos, que acrescentavam o uso de vegetais cujas propriedades naturais continham essências e fragrâncias especiais.

O uso no cotidiano, para fins de apreciação não ritualística do aroma, remete aos egípcios. Vários escritos egípcios documentam o uso de perfumes pelos membros mais destacados da sociedade.

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Além disso, os perfumes também eram usados no processo de embalsamamento das múmias, que demandava uma grande quantidade de óleos aromáticos.

Mas foi entre os antigos gregos que a perfumaria recebeu um tratamento sistemático, tanto na prática quanto na teoria.

Teofastro é considerado um dos primeiros (senão o primeiro) autores a escrever sobre a arte da perfumaria. Esse autor publicou um tratado sobre o perfume em 323 a.C.

, e seu interesse pelas fragrâncias proveio de sua grande destreza no estudo da botânica (conhecimento dos vegetais).

A propósito, a arte da perfumaria sempre exigiu um grande conhecimento de Botânica e de variadas técnicas de extração de odores. Essas técnicas foram desenvolvidas por vários povos, além dos gregos, sendo muito praticadas entre indianos, árabes, romanos e persas, por exemplo.

O interesse pela perfumaria foi potencializado na Europa a partir do processo de interação com outros locais e culturas, inicialmente com Ásia e, depois, com o continente americano, de onde provieram muitos espécimes vegetais e especiarias que foram incorporados aos perfumes.

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No século XVII, com o amplo crescimento da população europeia e com o consequente aumento dos centros urbanos, o uso dos perfumes tornou-se notório e intensivo.

Isso exigiu uma maior acuidade nos processos de fabricação, fato que culminou no aparecimento das casas especializadas na produção de perfumes.

No século XVIII, muitas dessas casas começaram a ficar famosas por conta do desenvolvimento de técnicas ainda mais sofisticadas, que conseguiam notas de fragrâncias mais duradouras que as de costume.

A obra do romancista alemão Patrick Süskind, O Perfume (Das Parfum, no original, em alemão), publicada em 1985, exemplifica esse contexto do aparecimento das casas de perfumaria na Europa do século XVIII, sobretudo na França. No trecho a seguir é possível observar os conhecimentos necessários a um bom perfumista:

“Não só precisava saber destilar, também se precisava ao mesmo tempo ser um produtor de pomadas e um manipulador de drogas, um alquimista e artesão, comerciante, humanista e hortelão.

Era preciso saber distinguir entre sebo de rins de carneiro e sebo de bezerro, e entre uma violeta Vitória e uma violeta de Parma. Era preciso dominar o latim.

Era preciso saber quando o heliotrópio deve ser colhido e quando o gerânio floresce e saber que a flor do jasmim pedre o seu perfume com o sol nascente.” [1]

Percebe-se, com o texto, o tamanho da complexidade envolvida na criação de perfumes. Ainda hoje o processo é complexo, a despeito da aplicação de toda a tecnologia industrial.

Para finalizar, resta assinalar que o termo perfume provém do latim “per fumum”, cujo significado é “por meio da fumaça”. Essa analogia com a fumaça explicita o caráter ritualístico (vide o exemplo do incenso) do uso dos aromas que mencionamos acima.

NOTAS

[1] SÜSKIND, Patrick. O Perfume. [trad. Flávio R. Kothe] São Paulo: Record, 2010. p. 57.

Por Me. Cláudio Fernandes

Saiba como se tornar um perfumista

Um trabalho anônimo e cada vez mais valorizado, num mercado que não para de crescer e o do perfumista, o profissional que tem como missão deixar a vida mais cheirosa. “Não é possível elegância sem perfume”, sentenciava Coco Chanel. Um perfume pode dizer muito sobre quem o usa.

O brasileiro adora andar cheiroso e assim se tornou o maior consumidor de perfumaria do mundo. Foram quase R$ 14 bilhões em vendas no ano passado – R$ 2 bilhões a mais do que no ano anterior.

É para fabricante rir à toa. Um deles já tem mais de três mil pontos de venda Brasil afora e lança 20 novas fragrâncias por ano.

“Esse é um mercado que está em crescimento diferente do mercado americano, do mercado europeu que apresenta um crescimento pequeno, o mercado brasileiro está crescendo numa faixa de 9%, 8% ao ano.

O consumidor está tendo mais acesso a diferentes perfumarias, perfumarias internacionais, buscando mais qualidade no mercado nacional também”, fala a diretora de marketing O Boticário, Isabella Wanderley.

Se o mercado está em expansão, há cada vez mais profissionais interessados nele. Existem dois cursos de pós-graduação em perfume no Brasil, um no Rio de Janeiro, outro em São Paulo. “A possibilidade não só identificar, mas também entender como é constituído esse perfume”, explica a coordenadora de pós-graduação em perfume da Faculdade Santa Marcelina, Andréia Miron.

“Você entende o mundo do perfume de forma geral, o mercado, como ele funciona, qual o próximo caminho”, fala o estudante de pós-graduação, Clóvis Alves.

Esse caminho pode ser o de uma atividade ainda restrita a poucos no Brasil: a de perfumista. É um trabalho quase anônimo, o de criar um produto que depois vai ganhar um rótulo com o nome de quem encomendou o perfume – não de quem o fez.

Existem apenas 46 profissionais no país e chegar lá não é fácil: um perfumista precisa de quase dez anos para guardar na memória o odor das seis mil matérias-primas, naturais e sintéticas, utilizadas na composição das novas fragrâncias.

Um dos mais respeitados profissionais do país tem nome que veio da França, é claro. Napoleão Bastos cresceu em meio a essências e foi treinando o nariz no pequeno laboratório de fragrâncias do pai, dono de uma fábrica de sabonetes. “A perfumaria pra mim é sempre um desafio. É dar prazer ao consumidor”.

Não há escolas para perfumistas no Brasil. A graduação em química ou farmácia ajuda, mas formação específica mesmo, só na Europa.

A fórmula criada pelo perfumista vai para as mãos dos assistentes. São eles que fazem a mistura de ingredientes para conseguir a fragrância e alguns são bem estranhos. “Um dos mais caros que nós temos deve estar hoje por volta de uns US$ 15 mil US$ 16 mil o quilo”, avisa Napoleão.

No ateliê do perfumista, a química vira arte.  

Perfumista: Conheça essa profissão e veja como se tornar um

Curioso(a) para saber o que faz um perfumista e como se tornar um? Neste artigo, você confere tudo sobre essa profissão. Acompanhe!

O que é um perfumista?

A perfumaria surgiu há milênios de anos. Seu nome vem do latim ?pro fumum?, que significa ?através da fumaça?. O nome provavelmente vem dos rituais primitivos de incensar plantas aromáticas em homenagem aos deuses. Foram os egípcios antigos quem desenvolveram as técnicas de maceração de plantas, as transformando em óleos perfumados. 

Sendo assim, os perfumistas nada mais são do que criadores de perfumes. De acordo com a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), os perfumistas podem desenvolver aromas e fragrâncias. Em geral, os perfumistas atuam na indústria de cosméticos.

Eles são os responsáveis por controlar a qualidade de insumos e de matérias-primas, coordenar ações para o cumprimento de normas legais, desenvolvem atividades de divulgação e de pesquisa e prestam suporte técnico a clientes internos e externos.

Para desenvolver diferentes aromas, o perfumista deve ter o olfato bem apurado, pois deve ser capaz de distinguir e combinar centenas de fragrâncias de óleos essenciais, extraídos de plantas.

É importante saber que a profissão é rara no Brasil, existem pouquíssimos perfumistas no país. Mas, por outro lado, o Brasil é um dos países que mais consome perfumes no mundo, rendendo ao ramo da perfumaria um faturamento de bilhões por ano.

Qual o salário de um perfumista?

Segundo os últimos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), elaborados pelo portal Salario.com.br, a média salarial de um perfumista no Brasil é de R$ 1.344,21.

A faixa salarial dos perfumistas podem variar de R$ 1.226,85 (média do piso salarial), R$ 1.275,19 (salário mediana da pesquisa) e R$ 2.057,83 (teto salarial), considerando os profissionais com carteira assinada em regime CLT de todo o Brasil.

O que é preciso para ser um perfumista?

Infelizmente, no Brasil, ainda não existe uma formação acadêmica específica para se tornar perfumista. No exterior, os cursos superiores e livres de Perfumaria são mais comuns. Por aqui, é comum que os perfumistas sejam formados em Química, Engenharia Química ou Farmácia.

Qual curso fazer para ser perfumista?

Como já falado, não existe um curso específico de Perfumaria no Brasil. Porém, é possível buscar cursos superiores de áreas que habilitem competências relacionadas à atuação de perfumista. Confira algumas das opções:

Química

O curso de Química é oferecido nos níveis bacharelado e licenciatura e tem duração média de 4 anos. O curso habilita profissionais a realizar ensaios, análises químicas e físico-químicas, selecionando metodologias, materiais, reagentes de análise e critérios de amostragem, homogeneizando, dimensionando e solubilizando amostras. 

  • Os químicos também podem produzir substâncias, desenvolver metodologias analíticas, interpretar dados químicos, monitorar impacto ambiental de substâncias, supervisionar procedimentos químicos e coordenar atividades químicas laboratoriais e industriais.
  • Durante o curso, os estudantes aprendem técnicas básicas de utilização de laboratórios e equipamentos, realizar e direcionar as transformações da matéria, controlando os seus produtos, interpretando criticamente as etapas, efeitos e resultados.
  • Engenharia Química

A graduação em Engenharia Química é um bacharelado com duração média de 5 anos. O curso capacita profissionais a controlar processos químicos, físicos e biológicos, definindo parâmetros de controle, padrões, métodos analíticos e sistemas de amostragem.

Após formado, o engenheiro químico ainda pode implantar sistemas de gestão ambiental e de segurança em processos e procedimentos de trabalho ao avaliar riscos, implantar e fiscalizar ações de controle, bem como desenvolver processos e sistemas por meio de pesquisas, testes e simulações de processos e produtos. 

Farmácia

O curso superior de Farmácia é um bacharelado e dura, em média, 5 anos. Essa graduação habilita profissionais ao exercício de atividades referentes aos fármacos e aos medicamentos, às análises clínicas e toxicológicas e ao controle, produção e análise de alimentos.

  1. Durante o curso, os estudantes aprendem sobre toda cadeira produtiva de medicamentos, cosméticos e produtos de higiene pessoal, desde a pesquisa, produção, manipulação, controle de qualidade até a comercialização.
  2. No mercado de trabalho, os farmacêuticos  são os responsáveis por cuidar da liberação de produtos e serviços farmacêuticos, além de poder desenvolver, produzir, realizar o controle de qualidade, gerenciar armazenamento, distribuição e transporte desses produtos.
  3. Estética e Cosmética

A graduação em Estética e Cosmética é um curso tecnólogo com duração de 2 anos, em média. O curso qualifica profissionais a aplicar procedimentos estéticos e terapêuticos manipulativos, energéticos, vibracionais e não farmacêuticos, visando sua saúde e bem estar. Eles podem recomendar exercícios, bem como o uso de cosméticos, cosmecêuticos e óleos essenciais. 

Durante o curso, os estudantes aprendem a identificar, selecionar e executar procedimentos estéticos utilizando produtos cosméticos, técnicas e equipamentos; elaborar e aplicar programa de avaliação do cliente submetido a procedimentos estéticos; e propor e participar de estudos científicos para o desenvolvimento de novas tecnologias na área de tratamentos estéticos.

Onde estudar para ser perfumista? 

Se interessou por algum dos cursos acima? Além de escolher o curso que mais combina com você, também é importante pesquisar mais sobre a instituição de ensino que se deseja ingressar e consultar suas avaliações no Ministério da Educação (MEC).

Algumas faculdades particulares dão ótimos descontos em suas mensalidades e ingresso sem burocracia, com ou sem a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Se interessou? Então, dê uma olhada em algumas dessas instituições bem reconhecidas pelo MEC para você estudar pagando menos, no ensino presencial ou a distância:

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O que você achou da carreira de perfumista? Compartilha sua opinião com a gente nos comentários!

Quer trabalhar com perfumes? Conheça as profissões desse universo

O Brasil é um dos maiores mercados consumidores de perfumes e, segundo a Abihpec (Associação Brasileira de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos), as oportunidades de trabalho no setor de higiene e beleza tiveram um crescimento de 101,8% nos últimos 10 anos.

O leque de profissões nesta área vai muito além do perfumista, que cria as fragrâncias de fato.

Marketing, Comercial, Pesquisa e Desenvolvimento das indústrias, empreendedorismo e até mesmo empregos menos divulgados como avaliador olfatista são opções no mundo dos perfumes.

Alessandra Tucci, sócia-fundadora da Perfumaria Paralela, já trabalhou no ramo e contou para gente sobre o dia a dia deste profissional.

Como você descobriu e se interessou pela profissão de avaliadora olfativa?

Na verdade, apesar de sempre ter gostado muito de perfumes, nunca tinha sonhado em trabalhar nessa área.  Eu não imaginava que esse universo existisse, foi uma descoberta e tanto.

Minha formação é em Administração de Empresas e eu tinha acabado de retornar de um ano de estudos em Nova York, em 1992, quando uma amiga que atuava na área me perguntou se eu gostaria de participar de um processo para uma vaga de assistente de avaliação olfativa na Firmenich no Brasil.

A Firmenich tem sede na Suíça e é uma das maiores casas de fragrância do mundo. Eu não fazia ideia que tal profissão existisse, um mês depois de voltar ao Brasil, eu começava a atuar na indústria apaixonada pela profissão.

Como foi a preparação para entrar neste mercado?

A perfumaria tem uma linguagem própria e aprendê-la envolve um processo que combina aprendizado intelectual e sensorial, pois há experimentação e memorização contínua de ingredientes e produtos da perfumaria. Aprender sobre perfumes equivale a aprender um novo idioma, um instrumento musical ou sobre vinhos.

Eu comecei minha carreira participando das avaliações de outras profissionais mais experientes, que atuavam em diferentes segmentos de mercado, isso me deu um olhar 360 graus de categorias como cosméticos, perfumaria fina, produtos de limpeza da casa e de cuidado e limpeza das roupas, dessa forma pude vivenciar as fragrâncias em diferentes formulações e contextos, com níveis de desafios técnicos diferentes, já que no Brasil na década de 1990 não existiam escolas de perfumaria para buscarmos este aprendizado, ele era construído dentro das empresas chamadas Casas de Fragrância. Essas empresas se responsabilizam pelo treinamento de suas equipes técnicas, existem programas de treinamento no Brasil, que são complementados em Nova York, Paris e Genebra.

Aliás, foi exatamente por perceber que não havia possibilidades para as pessoas aprenderem sobre esse segmento, caso não estivessem já trabalhando no setor, é que decidi fundar a Perfumaria Paralela em 2012, em parceria com a renomada escola francesa de perfumaria Cinquième Sens. E ainda hoje a Paralela é a única escola de perfumaria do Brasil, por isso, a equipe de professores, formada por profissionais com grande experiência nas diversas áreas da perfumaria, compartilham o conhecimento tanto com quem já é profissional e precisa se capacitar quanto com quem quer começar nessa área. Em 2017, vamos ter a terceira edição de nosso curso Formação em Perfumaria, é um curso com duração de um ano, amplo e englobando conceitos teóricos e práticos. Além disso, temos o curso específico Avaliadores Olfativos.

O que é mais importante para um avaliador olfativo?

Aprender a avaliar os produtos simulando o uso do consumidor.

Vamos usar amaciantes como exemplo: no momento em que trabalhamos com o perfumista, que irá criar novas fragrâncias para amaciantes, ambos levam em consideração a forma de uso do consumidor, as fases que ele tem contato com a fragrância, que, no caso do amaciante, seria no frasco do produto no supermercado, no momento que coloca o amaciante na máquina, no molho, na roupa sendo pendurada no varal e, por fim, na roupa seca.

Já na perfumaria fina, categoria na qual me especializei ao longo da minha carreira, você aprende a avaliar a fragrância na fita olfativa (papéis inodoros e altamente absorventes, tipo mata borrão) e apreciar seu impacto inicial, depois acompanhar a fragrância na fita ao longo das horas para perceber como a evaporação se comporta, inclusive, é importante avaliar após muitas horas para checar a durabilidade das fragrâncias, atributo muito valorizado pelos brasileiros.

Como é o dia a dia de uma pessoa que trabalha com isso?

É importante diferenciar que o avaliador olfativo não cria o perfume, quem faz isso é o perfumista. Ele analisa a criação do perfumista, identificando, por exemplo, se a fragrância é ideal para determinado perfil de consumidores e se está alinhada com a marca.

Ele é um gerente de projetos, com habilidades olfativas superdesenvolvidas, além da capacidade de comunicação e organização.

Gosto de compará-lo a um ator, já que a cada projeto ele deve pesquisar sobre a marca que irá desenvolver e deve incorporá-la uma vez que ele não desenvolve perfumes com os perfumistas para eles mesmos, mas sim, para as várias marcas com as quais trabalha, cada uma com suas caraterísticas próprias e que são destinadas a consumidores com preferências próprias.

Existem dois ramos para seguir na profissão: atuar nas tradicionais casas de fragrâncias, Firmenich, IFF, Givaudan, Symrise entre outras, sendo responsável por desenvolver fragrâncias para todos os tipos de produtos perfumados que usamos ao longo do dia.

Ou é possível atuar em empresas de bens de consumo, como Unilever, P&G, O Boticário, Natura, Avon, Estée Lauder, cada uma possui um ou um pequeno grupo de especialistas em fragrâncias que conduzem as estratégias olfativas de suas marcas.

Esses especialistas trabalham em parceria com os avaliadores das Casas de Fragrâncias, que na realidade são fornecedoras de fragrâncias dessas marcas.

O ponto alto da profissão é a rotina de desenvolvimento de fragrâncias com o perfumista e a interação com o cliente/marca que “encomenda” a fragrância.

O avaliador é justamente esta ponte, é quem traduz o pedido do cliente (marca/ indústria) para o perfumista, é quem conhece a marca e o mercado para orientar o trabalho criativo do perfumista, para que esse crie a fragrância alinhada com a marca e com o briefing.

Ao mesmo tempo, normalmente é o avaliador quem apresenta as fragrâncias ao cliente, explica e demonstra as criações dos vários perfumistas que trabalham em um projeto.

  • Quais são as habilidades esperadas de um avaliador?
  • Domínio de idiomas, capacidade de adaptação, boa comunicação, conhecimento técnico associado à forte capacidade de argumentação, disponibilidade para viajar, curiosidade.
  • Tem como treinar estas habilidades?

Claro, qualquer pessoa pode trabalhar neste mercado. É claro que algumas apresentam um dom mais natural do que outras em relação ao olfato, mas todos podem ser treinados.

Além de treinar o olfato e adquirir conhecimento sobre perfumes para se tornar um avaliador olfativo, essas mesmas habilidades são importantes para profissionais que atuam no setor de perfumaria em diversas áreas.

Por ser um setor técnico, profissionais de atendimento comercial, marketing, pesquisa de mercado, pesquisa e desenvolvimento, que entendam de perfumaria são muito procurados e valorizados.

Há espaço neste mercado aqui no Brasil?

Sim, o mercado brasileiro é imenso.

Segundo a Abihpec (Associação Brasileira de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos), o Brasil é o quarto maior mercado consumidor do mundo do setor que engloba higiene, perfumaria e cosméticos e as oportunidades de trabalho nesse segmento tiveram um crescimento de 101,8% nos últimos 10 anos.

Dentro desse mercado, em perfumaria fina, por exemplo, o Brasil está na liderança, e em cabelos é o segundo mercado mundial. Além disso, o brasileiro tem uma relação com a fragrância diferente de outras culturas – valoriza muito os cheiros.

O atributo fragrância em categorias como shampoo, amaciantes, sabonetes, está entre o primeiro ou segundo atributo na decisão da compra. Isso demonstra a importância da fragrância nesse enorme mercado e em todas as categorias.

Vale destacar ainda que o mercado brasileiro de perfumes movimentou 5,7 bilhões de dólares no ano passado, segundo a Euromonitor, e cerca de 90% dos produtos consumidos são nacionais. Isso significa que muito é produzido aqui.  Dentro desse cenário, costuma haver grande demanda pelo avaliador olfativo, cujo salário inicial está em torno de R$ 5 mil, podendo chegar até R$ 15 mil, no caso de profissionais experientes, com anos de atuação e com um portfólio de sucessos em seu currículo pessoal.

Qual é uma boa dica para quem quer seguir esta profissão?

Capacite-se! Existem ainda poucos profissionais com conhecimento formal no Brasil, por isso, quem estiver preparado com certeza terá grandes chances de sucesso na área.

Para quem ainda não se decidiu e quer ter o primeiro contato com a área, recomendo cursos de iniciação, na Perfumaria Paralela, por exemplo, oferecemos esses cursos o ano todo. Para quem já se decidiu, recomendo cursos mais amplos, como o nosso anual de Formação em Perfumaria ou Avaliador Olfativo.

Vale lembrar também que, como em qualquer outra profissão, o networking é muito importante, e, mais uma vantagem dos cursos de capacitação é poder ampliar a rede de contatos com profissionais da área.

Conheça mais sobre outras profissões na área de perfumaria!

Perfumista

A maior honra na carreira de alguém que segue esta área é receber o título de “Mestre Perfumista”. Existem apenas 25 pessoas no mundo que podem ser chamadas assim e uma delas é o brasileiro Paulo Fonseca.

Também graduado em Engenharia Química, já desenvolveu centenas de fórmulas para todos os setores da indústria cosmética desde perfumaria fina, fragrâncias para cosméticos e para produtos de cuidado para roupas, como sabões em pó e amaciantes.

Ou seja, o dia a dia desta profissão vai muito além de apenas frascos de perfume.

Marketing

A equipe de marketing de uma marca de fragrâncias é responsável por entender o que o mercado procura e desenvolver produtos que casem com isso.

Erika Dauch faz parte do time de Marketing de Desenvolvimento Global de Fragrâncias da Avon e contou um pouco para gente sobre o seu dia a dia: “O meu trabalho é identificar as oportunidades de crescimento das marcas, incluindo criação e desenvolvimento de novos produtos, novos cheiros, como também dar suporte às marcas existentes para que elas se renovem e continuem com bom desempenho no mercado”.

Empreendedorismo

Criar o seu próprio negócio no meio também é uma opção na perfumaria.

A engenheira civil Cibele Paiva sempre se interessou no assunto, mas só investiu em um negócio na área após perceber sucesso dos kits com difusores e sabonetes líquidos que ela mesma criou para presentear amigos e familiares no Natal.

“Tinha acabado de sair de uma grande empresa onde trabalhei na área de Engenharia por 18 anos. Vi nos kits uma oportunidade para ter uma renda naquele momento, fiz então 800 kits. Vendi todos e decidi mudar de área, ser empreendedora e trabalhar com perfumaria”, conta.

Publicado originalmente em Elle.

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