Quem É Conhecido Como O Pai Da Medicina?

Outubro/2014

Max Altman | Operamundi

Há 2.380 anos, em 370 a. C. morria Hipócrates, considerado o “pai da Medicina” e o maior médico da Antiguidade. Um homem que mudou o conceito desta disciplina, transformando-a numa ciência. Nascido em Cós e pertencendo a uma linhagem de médicos, era previsível que também se dedicasse à medicina.

A medicina era exercida inicialmente pelos sacerdotes. Se tornou ciência médica quando passou a adotar métodos específicos para a pesquisa dos males humanos.

Assim como a filosofia se distanciou dos mitos, a medicina também se afastou dos sacerdotes em busca de soluções que eles não conseguiam dar. Por meio de métodos filosóficos de conhecimento, a medicina grega formou sua própria identidade.

Quem É Conhecido Como O Pai Da Medicina?

Hipócrates é considerado um dos maiores nomes da ciência. Wikicommons

Hipócrates recebeu as primeiras lições do pai, completando-as com estudo de retórica e filosofia nos dois maiores centros médicos da época, Cós e Cnidos. Era dotado de um agudo espírito de observação e amor ao trabalho.

Sua fama como clínico teria começado em 430-429 a.C. Nesta época, Atenas sofria com uma peste que assolava a população. A epidemia foi derrotada depois que Hipócrates mandou acender fogueiras pela cidade. Ele taria feito isso a partir da observação de que os artesãos, obrigados por profissão a se manter perto do fogo, pareciam imunes ao contágio da doença.

Um dos seus conceitos terapêuticos foi a distinção entre sintomas e doenças. Os sintomas eram apenas manifestações exteriores de algo que estava ocorrendo no organismo.

O procedimento tinha por objetivo descobrir como funcionava o corpo humano, levando sempre em conta a ação do ambiente e da alimentação.

Elaborou e cumpriu um rigoroso código de ética, cujos preceitos estão contidos no juramento que até hoje todo médico faz ao se formar.

“Prometo que, ao exercer a arte de curar, me mostrarei sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência. Penetrando no interior dos lares, meus olhos serão cegos, minha língua calará os segredos que me forem revelados, o que terei como preceito de honra. Nunca me servirei da profissão para corromper os costumes ou favorecer o crime.

Se eu cumprir esse juramento com fidelidade, goze eu a minha vida e minha arte boa reputação entre os homens e para sempre. Se dele me afastar ou infringi-lo, suceda-me o contrário.”

Como características principais, destacava-se a tranquilidade, a seriedade, a reflexão e a discrição. Na busca de maiores conhecimentos buscava pensar em como aquilo poderia trazer benefícios aos enfermos e também a seus colegas de profissão. No ‘Corpus Hippocraticum’ é possível encontrar certas descrições de estados mórbidos que constituem verdadeiros modelos de observação clínica.

“Ares, Águas e Lugares” é considerado o primeiro e grande tratado sobre saúde pública, climatologia e fisioterapia. Do ponto de vista clínico, um dos principais pontos do legado de Hipócrates são as descrições de inúmeros casos reais de doenças. Ainda hoje são consideradas modelos do que deva ser uma história clínica sucinta; claras e breves.

Um exemplo de suas descrições, sobre um caso de difteria: “A mulher com anginas que vivia em Aristion. Sua enfermidade começou na língua; voz inarticulada, língua vermelha e com manchas. Primeiro dia, tiritou de frio; em seguida, sentiu calor.

Terceiro dia:calafrios, febre aguda; inflamação avermelhada e dura em ambos os lados do pescoço e do peito; extremidades frias e lívidas; respiração agitada; devolução de bebidas pelo nariz; não podia engolir; evacuações e urina supressas.

Quarto dia: todos os sintomas agravados.Quinto dia: morreu”.

Seu grande mérito foi utilizar método científico na cura das doenças, iniciar a literatura médica e os registos clínicos. Em sua escola se cria a deontologia profissional, expressa no célebre juramento. Nele se resumem, com admirável precisão e atualidade, os principais deveres do clínico no exercício da profissão.

Pela primeira vez, Hipócrates tratou a epilepsia como doença. O opúsculo ‘Sobre a doença sagrada’ que cuida do assunto, é considerado um dos mais acabados exemplos do racionalismo grego:

“Vou agora discutir a respeito da doença a que chamam de sagrada. Na minha opinião ela não é nem mais divina nem mais santa que qualquer outra doença tendo, ao contrário, uma causa natural, sendo que sua suposta origem divina se deve à inexperiência dos homens e ao seu espanto ante seu carácter peculiar.

Ora, enquanto os homens ficam assim a crer em sua origem divina, por motivo de não conseguirem explicá-la, na realidade estão a repelir sua divindade,com o emprego do fácil método de curar que consiste em purificações e encantamentos.

Mas se a houvermos de considerar como divina só porque é espantosa, não existirá apenas uma, mas sim muitas doenças sagradas, pois que demonstrarei que outras doenças há que não são menos maravilhosas e portentosas.”

  • Fonte: Operamundi
  • Leia em HCSM:
  • – Da natureza do homem Corpus hippocraticum, de Henrique Cairus

História da Medicina do Trabalho

Bernardino Ramazzini, médico italiano nascido em Carpi, em 1633, é considerado o pai da Medicina do Trabalho (MT) pela contribuição do livro As Doenças dos Trabalhadores, publicado em 1700 e traduzido para o português pelo Dr. Raimundo Estrela.

Nele, o autor relaciona 54 profissões e descreve os principais problemas de saúde apresentados pelos trabalhadores, chamando a atenção para a necessidade de os médicos conhecerem a ocupação atual e pregressa de seus pacientes ao fazer o diagnóstico correto e adotar os procedimentos adequados.

A Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra no século XVIII, desencadeou transformações radicais na forma de produzir e de viver das pessoas e, consequentemente, deu novo impulso à MT.

Desde então, acompanhando as mudanças e exigências dos processos produtivos e dos movimentos sociais, suas práticas têm se transformado, incorporando novos enfoques e instrumentos de trabalho, em uma perspectiva interdisciplinar, delimitando o campo da Saúde Ocupacional e, mais recentemente, da Saúde dos Trabalhadores.

No artigo Da Medicina do Trabalho à Saúde do Trabalhador (1991), o Dr. René Mendes e a
Dra. Elizabeth Dias falam sobre a evolução dos conceitos e práticas da especialidade

desde sua criação, passando pelo primeiro registro de serviço de MT no mundo, em 1830, com a iniciativa do empresário do setor têxtil Robert Dernham, que, na época da Revolução Industrial inglesa, colocou seu médico pessoal dentro da fábrica para verificar o efeito do trabalho sobre as pessoas e estabelecer as formas de prevenção.

Esse modelo se expandiu rapidamente por outros países, paralelamente ao processo de
industrialização. A preocupação em prover serviços médicos aos trabalhadores começa a

se refletir no cenário internacional.

Entre outros fatores, a grande importância da proteção à saúde dos trabalhadores motivou a criação de duas grandes organizações em âmbito mundial: a Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 1919, e a Organização Mundial de Saúde (OMS), em 1948. Juntos, esses dois órgãos estabeleceram, em 1950, o objetivo da Saúde Ocupacional: adaptar o trabalho ao homem e cada homem à sua atividade.

Mais recentemente, em 1995, o conceito de “Saúde Ocupacional” ou “Saúde no Trabalho” foi revisto e ampliado pelo Comitê Misto OIT-OMS, tendo sido enunciado nos seguintes termos:

“O principal foco da Saúde no Trabalho deve estar direcionado para três objetivos:

  • A manutenção e promoção da saúde dos trabalhadores e de sua capacidade de trabalho;
  • O melhoramento das condições de trabalho, para que elas sejam compatíveis com a saúde e a segurança;
  • O desenvolvimento de culturas empresariais e de organizações de trabalho que contribuam com a saúde e segurança e promovam um clima social positivo, favorecendo a melhoria da produtividade das empresas. O conceito de cultura empresarial, neste contexto, refere-se a sistemas de valores adotados por uma empresa específica. Na prática, ele se reflete pelos sistemas e métodos de gestão, nas políticas de pessoal, nas políticas de participação, nas políticas de capacitação e treinamento e na gestão da qualidade.”

História brasileira

No Brasil, em 1921, foi criada a Inspeção do Trabalho, circunscrita ao Rio de Janeiro. Com a reforma constitucional de 1926, estabeleceu-se a competência da União para legislar sobre o assunto.

E em 1931, durante o governo Getúlio Vargas, foi criado o Departamento Nacional do Trabalho, com a função de fiscalizar o cumprimento de leis sobre acidentes laborais, jornada, férias, organização sindical e trabalho de mulheres e menores.

Um ano depois, foram criadas as inspetorias regionais nos estados da federação, posteriormente transformadas em Delegacias Regionais do Trabalho.

A obrigatoriedade de comunicação de acidentes dessa natureza à autoridade policial foi estabelecida por decreto, em 1934, pelo Departamento Nacional do Trabalho, que também previa a imposição de multas administrativas. Decretos-lei de 1940, por exemplo, definiam a competência do Ministério da Agricultura para fiscalizar e estabelecer normas de trabalho nas minas.

O crescimento das indústrias resultou no aumento do número de trabalhadores urbanos,
o que, consequentemente, trouxe novas preocupações para o governo brasileiro. É nesse cenário que surge no país, em 1943, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e, com ela, as primeiras referências à higiene e segurança no trabalho.

Na década de 1940, também emergem as Comissões Internas de Prevenção de Acidentes (Cipas), organizadas pelas empresas. A Portaria do Ministério do Trabalho que criou as Cipas foi estruturada pela Associação Brasileira de Medicina do Trabalho e é considerada uma das medidas mais efetivas no contexto das ações para prevenção dos acidentes do trabalho.

As primeiras comissões trouxeram bons resultados e incentivaram a realização de congressos sobre prevenção de acidentes. Os médicos passaram a se dedicar mais às doenças específicas dos trabalhadores, principalmente àquelas que atingiam um grupo maior na época, como era o caso da intoxicação por chumbo.

Tal preocupação obrigou os médicos a aprimorar seus estudos e as empresas a investir na Saúde Ocupacional.

Em 1947, a OIT adota a Convenção nº 81, que estabelece que cada membro da organização deve ter um sistema de inspeção do trabalho nos estabelecimentos industriais e comerciais.

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A experiência dos países industrializados transformou-se na Recomendação nº 112, de 1959, estabelecida pela OIT, que tratava dos “Serviços de Medicina do Trabalho”.

Posteriormente, ela foi substituída pela Convenção nº 161 da OIT, de 1985, e sua respectiva Recomendação, de nº 171.

No Brasil, esse desenvolvimento ocorreu tardiamente e reproduziu o processo dos países
do Primeiro Mundo. No campo das instituições, destaca-se também a criação da Fundacentro (1966), versão nacional dos modelos de institutos desenvolvidos no exterior a partir da década de 1950.

No fim da década de 1960, a MT já contava com uma legislação específica, o que melhorou a fiscalização.

O setor estava se ampliando, e os médicos brasileiros relacionados à área que compareciam aos congressos internacionais sentiram a necessidade de uma associação onde pudessem se reunir para atualizar e trocar conhecimentos.

É nesse cenário que surge, em 26 de março de 1968, por iniciativa do médico Oswaldo Paulino, a Associação Nacional de Medicina do Trabalho [link Conheça a Anamt].

Formalmente, a MT foi reconhecida como especialidade médica pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) em 2003, por meio da resolução CFM 1643.

Dia do Médico: quem foi Hipócrates, o pai da medicina?

Nesta quinta-feira, 18 de outubro, comemora-se aqui no Brasil o Dia do Médico, que teve essa data escolhida por também ser o Dia de São Lucas.

Um dos santos mais influentes da Igreja Católica e autor de dois livros do Novo Testamento – o Evangelho que leva seu nome e o Ato dos Apóstolos –, São Lucas foi médico na região onde hoje se encontra a Síria e teria convivido com os seguidores de Jesus Cristo.

Outro nome importante para a medicina é o de Hipócrates, que ficou conhecido como o pai da medicina moderna. Seu juramento é entoado até hoje nas formaturas dos novos doutores; porém, tirando os médicos, pouca gente sabe exatamente quem foi esse cara e sua importância para a profissão.

Hipócrates recusando os presentes de Artaxerxes (Hektoen International)

Nascido provavelmente no ano 460 a.C., na ilha grega de Cós, Hipócrates acabou se tornando uma lenda, já que sobre sua vida não se tem certeza de muita coisa porque poucos registros datam da época em que ele atuou como curandeiro.

Sua primeira biografia foi escrita mais de 500 anos depois, pelo também médico Sorano de Éfeso, que se baseou em relatos que foram passados de geração em geração e em textos incluídos na coletânea Corpus Hippocraticum, que traziam diversas explicações médicas e religiosas para algumas enfermidades – ainda que a sua autoria não possa ser comprovadamente dada a Hipócrates.

Hipócrates: homem e lenda

Na Grécia Antiga, acreditava-se que a energia vital era uma obra dos deuses, por isso a medicina e a religião andavam muito interligadas.

Hipócrates, porém, não se baseava apenas no plano espiritual para exercer a profissão, tendo sido um grande estudioso da medicina e da anatomia humana – primeiro através dos ensinamentos de seu pai, também médico, e depois pela vivência nas regiões onde hoje se encontram a Grécia, a Líbia e o Egito.

Mural retratando Hipócrates e Galeno (Wikimedia Commons)

Ele era tão importante curandeiro que resolveu transmitir seu conhecimento aos dois filhos e criou uma importante escola de medicina na ilha de Cós, por volta do ano 400 a.C.

O Corpus Hippocraticum, que é creditado a ele, é uma coleção com mais de 60 textos sobre a medicina, escritos provavelmente por contemporâneos de Hipócrates e até por ele próprio, tendo sido compilado 100 anos após sua morte e considerado um dos mais antigos livros sobre a profissão médica.

O Juramento de Hipócrates, que todo médico faz durante a formatura, se refere às práticas, à ética e à moral da profissão. O que muita gente não sabe é que provavelmente ele foi escrito por seguidores do grego após a sua morte, mas, como reproduzia informações contidas no Corpus Hippocraticum, acabou tendo sua autoria concedida a quem ficou conhecido como o “pai da medicina moderna”.

A medicina nos dias de hoje

“Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém”, diz um dos trechos do Juramento de Hipócrates.

Hoje em dia, porém, a medicina passa por diversos problemas.

Ainda que muito se tenha avançado em técnicas e conhecimentos desde a época do pai da medicina, o acesso universal e as condições de trabalho não são os melhores.

Pai da Medicina (Uranium Wisdom)

No texto em que contamos a história do SUS, o Sistema Único de Saúde aqui do Brasil, elencamos alguns dos problemas enfrentados hoje em dia para o bom exercício da medicina no país.

Infraestrutura precária, formação abaixo da qualidade, ausência de um plano de carreira estatal e falta de investimento em especialidades são algumas das reclamações apontadas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

Por conta disso, o CFM lançou um manifesto (que você pode ler na íntegra neste link) apontando os desafios que os novos governantes terão com o SUS a partir de 2019.

E como o Dia do Médico acontece a 10 dias do segundo turno das eleições para presidente e governadores, fica a pergunta: você sabe as propostas do seu candidato para a saúde no Brasil? Elas estão de acordo com o que o país realmente precisa? Pense nisso!

Volume 50 nº 2 – Editorial – Revista RBAC

Personalities of the History of Health II: Hippocrates

Quem foi Hipócrates? A eterna pergunta sobre o Pai da Medicina. As únicas fontes antigas que mencionam o nome de Hipócrates, e que foram escritas perto do período de sua vida, são duas passagens de Platão.

Uma delas é em Protágoras e a outra em Fedro.

Na geração seguinte de filósofos, existe um breve comentário de Aristóteles, em A Política, que fala sobre a morte de Hipócrates, e uma outra menção a ele nos escritos médicos de Meno.

Em Protágoras, é atestado que Hipócrates era um nativo da ilha grega de Kos e que era aparentemente bem conhecido em sua época. Além disso, em Fedro é estabelecido que Hipócrates praticava medicina baseada em um princípio organístico.

A ele é atribuído o princípio de que a natureza de qualquer componente ou órgão só pode ser adequadamente compreendida após análise cuidadosa do todo ao qual ela pertence.

Em Fedro, a discussão gira em torno de uma analogia socrática entre a retórica e a medicina.

Em A Política, Aristóteles menciona Hipócrates pelo nome, o descreve como um grande médico e sugere que ele teria pequena estatura.

Em seu ponto de vista, a grandeza de Hipócrates provinha de sua excelência como um médico, que cumpriu bem o seu dever.

  Ainda para Aristóteles, a importância de Hipócrates não era apenas devido a seu nascimento nobre ou riqueza ou tamanho físico, mas sim devido ao seu intelecto.

Aluno de Aristóteles, Meno, que escreveu um compêndio doxográfico do início da medicina grega, afirma que Hipócrates sustentava uma teoria sobre a doença, na qual a comida mal digerida ou a comida imprudentemente selecionada produz ar pútrido dentro do corpo, que invade os órgãos e tecidos, causando a doença. Essa teoria de putrefação é atribuída a Hipócrates, no chamado Anonymous Londinensis, que contém também alguns dos escritos médicos de Meno.

Para seus contemporâneos gregos, Hipócrates era considerado um médico famoso, mas ele era um entre muitos. Por exemplo, em seu histórico médico, Meno discute vinte médicos gregos famosos.

Hipócrates não é apontado como mais importante do que os demais.

Além disso, Platão refere-se a uma série de outros médicos em seus diálogos e ele parece sugerir que esses eram quase tão famosos e bem conhecidos por seus leitores quanto Hipócrates.

Com a crescente reputação de Hipócrates entre os seus muitos discípulos médicos, os estudiosos da biblioteca de Alexandria, no Egito, provavelmente, em algum momento durante o século IV a.C.

, começaram a buscar e a montar textos médicos associados com os ensinamentos de Hipócrates, juntamente com o material de outros médicos famosos de diversos centros de ensino gregos. É possível que eles tenham começado com um número razoável de manuscritos de autoria anônima dos séculos V e IV.

Com o tempo, esses textos compilados foram sendo creditados, efetivamente, ao médico de Kos, no mais impressionante texto médico da Antiguidade, o Corpus Hippocraticum.

Se o âmago da Coleção de Hipócrates, de fato, se formou nessa ou em alguma direção relacionada, talvez tenha continuado a aumentar devido à compilação e incorporação incessantes de novos textos médicos de outras autorias. Assim, pode-se imaginar que, nos séculos seguintes, o nome de Hipócrates tenha ultrapassado a fama e o status da vida já proeminente que o verdadeiro Hipócrates tinha vivido.

Somado a isso, devem ser incluídos três situações fortuitas relacionadas com a fama de Hipócrates. Em primeiro lugar, os romanos do período imperial reverenciavam a Grécia do século V como a idade de ouro.

Escritores gregos e pensadores daquele período eram considerados incomparáveis pela maioria dos intelectuais romanos. Esse tipo de avaliação romana romantizada da idade de ouro grega, sem dúvida, aumentava ainda mais a fama de Hipócrates.

Hipócrates era, afinal, o mais conhecido de todos os médicos gregos do século V, na Roma de Nero. Em segundo lugar, enquanto o próprio Galeno questionou a autenticidade de alguns dos manuscritos de Hipócrates, ele, pessoalmente, reverenciou Hipócrates como o médico ideal. Isso foi realmente providencial.

O aval pessoal de Galeno não poderia ter trazido para o nome de Hipócrates uma certificação mais duradoura e poderosa de seu valor por séculos a frente.

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Em terceiro lugar, não se pode negligenciar que os valores éticos expressos no Juramento de Hipócrates se coadunavam, em muitos aspectos, com aqueles associados à ética da vida humana, que eram defendidas pelo cristianismo. A aceitação de grande parte do Juramento, popularmente creditado a Hipócrates, pelos primeiros padres da igreja, contribuiu bastante para sustentar sua lenda.

Na realidade, dessa lenda, o que se sabe de mais concreto é que Hipócrates nasceu na ilha de Kos, que está localizada no mar Egeu, perto da costa da atual Turquia, entre os anos de 469 a 460 a.C. Sua morte parece ter ocorrido entre os anos de 399 a 370 a.C, em Tessália, sendo enterrado, todavia, perto de Lárissa, no continente grego.

Sabe-se ainda que era filho de Heraclides e tinha o mesmo nome de seu avô paterno. Heraclides era um asclepíada, ligado à seita de médicos-sacerdotes que cultuavam o semideus Asclépio/ Esculápio e cuja prática se baseava no sobrenatural.

Com essa origem familiar, é possível que Hipócrates tenha tido sua iniciação à medicina através de seu pai médico. De fato, posteriormente, estudou medicina e filosofia no Asclepeion de Kos, um templo de cura consagrado a Asclépio.

No entanto, a partir de uma reação frente às ideias teúrgicas aceitas pelos médicos de sua época, rompe com essa proposta, fundando uma medicina menos mágica e mais naturalista. Nesse momento, passa a exercer uma medicina itinerante, viajando pela Grécia e Egito.

Em suas viagens, entra em contato com outras escolas médicas, complementando seus conhecimentos e agregando mais técnica à medicina que praticava. Com o grande conhecimento acumulado, Hipócrates passou também a ensinar medicina a discípulos de diferentes lugares, em troca de pagamento.

Tendo em vista suas ideias naturalistas acerca da medicina e seu contato com outras escolas médicas, Hipócrates profere sua sentença revolucionária: Não há nenhuma necessidade da invocação de deuses para explicar a saúde e a doença do homem.

Com base nessa assertiva, se fundamenta toda a medicina hipocrática. Na realidade, utilizando a razão, Hipócrates tenta construir uma medicina lógica que dê explicações racionais para os sintomas das enfermidades.

Como ponto de partida de sua medicina, está a observação do doente. Para Hipócrates, nada pode substituir os dados clínicos.

A partir de Hipócrates, o conhecimento médico transformou-se numa ciência sistemática, o que permitiu a análise e a interpretação dos diferentes quadros mórbidos, sem a inspiração divina e utilizando apenas a capacidade intelectual do médico.

Toda a Teoria Hipocrática só pôde ser construída em função das mudanças de paradigmas filosóficos ocorridas na Grécia antes do nascimento de Hipócrates.

A ideia de fenômeno natural surge com os filósofos pré-socráticos que introduzem a noção de natureza (physis), ordem natural (cosmos) e lei natural (nomos).

Esses conceitos, ainda no período pré-socrático, são também estendidos ao ser humano em todos os âmbitos de sua vida. Utilizando esse arcabouço filosófico, então, Hipócrates criou uma doutrina lógica da doença.

Adepto da patologia humoral criada por Pitágoras e Alcmeão e da teoria dos quatro elementos da natureza (fogo, ar, água e terra) estabelecida por Empédocles, Hipócrates desenvolveu, a partir de suas observações clínicas, a Teoria dos Quatro Humores. Essa teoria afirma que existem quatro substâncias (bile amarela, bile negra, fleuma e sangue) que compõem o organismo dos seres humanos. O equilíbrio e o desequilíbrio desses quatro humores redundam em saúde e doença, respectivamente.

Cada um dos quatro humores está relacionado a um dos elementos da natureza (physis). Desse modo, a bile amarela está associado ao fogo, a bile negra está associada à terra, a fleuma está associada à água e o sangue está associado ao ar.

Centros de controle em diferentes órgãos coordenam essas substâncias no corpo humano. Assim sendo, a bile amarela é regulada pelo fígado, a bile negra é regulada pelo baço, a fleuma é  regulada pelo cérebro e o sangue é regulado pelo coração.

Além disso, os humores representam também alguns dos componentes do coágulo sanguíneo, um estado determinado de temperatura e as estações do ano.

Nesse sentido, a bile amarela representa o soro sanguíneo e é quente e seca e aumenta no verão, a bile negra representa a parte escura do coágulo e é fria e seca e aumenta no outono, a fleuma representa a fibrina e é fria e úmida e aumenta com o inverno e, por fim, o sangue representa a parte vermelha do coágulo e é quente e úmido e aumenta na primavera.

Uma correlação entre os humores e os temperamentos humanos foi ainda estabelecida.  Nessa correlação, o temperamento colérico domina a bile amarela, o temperamento melancólico domina a bile negra, o temperamento fleumático domina a fleuma e temperamento sanguíneo domina o sangue.

Os textos de Hipócrates sobre medicina naturalista foram compilados, juntamente com diversos textos de outros autores anônimos, na obra Corpus Hippocraticum, composto por cerca de 72 livros e 59 tratados, que versavam, com maior ou menor profundidade, sobre anatomia, fisiologia, patologia geral e aplicada, terapêutica, prognóstico e diagnóstico, cirurgia, gineco-obstetrícia, doenças mentais e ética. De nota, devem ser citados ainda Os Aforismos, além do já mencionado Juramento Hipocrático. Importa mencionar também que a característica principal da obra de Hipócrates é a introdução de uma metodologia ao exercício médico.

Em resumo, a medicina hipocrática utiliza três paradigmas com alto grau de interrelacionamento. O paradigma clínico, que vê o doente como realidade essencial da medicina, o paradigma patológico, que interpreta a enfermidade como um desequilíbrio, e o paradigma que promove a physis como força que preserva o equilíbrio cósmico e individual e leva à cura.

BIBLIOGRAFIA

  • Mena JM. Historia de la Medicina Universal. Bilbao. Ediciones Mensajero, 1987. 371pp.
  • Entralgo PL. Historia de la Medicina. Barcelona. Masson, 2006. 717pp.
  • Madera PG. Manual de Historia de la Medicina. 2. Ed. Málaga. Grupo Editorial 33, 2009. 277pp.
  • Piñero JM. Breve Historia de la Medicina. 2. Ed. Madrid. Alianza Editorial, 2017. 300pp.
  • Rovetto P. Ideas Médicas: Una Mirada Histórica. Cali. Programa Editorial Universidade del Valle, 2010. 316pp.
  • Tubiana M. História da Medicina e do Pensamento Mágico. Lisboa. Editorial Teorema, 1995. 468pp.

Paulo Murillo Neufeld, PhD                                  

Editor-Chefe da Revista Brasileira de Análises Clínicas

A medicina na Grécia Antiga

Em todas as civilizações e culturas, o saber médico desenvolveu-se de alguma forma, logicamente relacionada com as peculiaridades de cada uma dessas civilizações.

Dessa forma, a medicina oriental, sobretudo a chinesa, possuía (e ainda possui) procedimentos que levavam em conta a harmonia de todo o corpo (ou organismo) humano, isto é, correspondências entre partes de um membro (como pé) e um órgão, em especial, por exemplo, o fígado.

Na Antiguidade Ocidental, sobretudo no mundo helênico, isto é, grego, a medicina também nasceu levando em consideração esse tipo de harmonia, porém com algumas diferenças que estão expressas nos tratados médicos de homens como Hipócrates e Galeno.

Hipócrates de Cós desenvolveu, entre os séculos IV a.C. e V a.C., uma criteriosa análise das patologias que afetavam os seres humanos.

O pensamento médico de Hipócrates foi considerado uma ruptura com o tipo de “pensamento mágico” sobre as doenças, muito presente em culturas primitivas que se valiam do xamanismo, por exemplo.

Para Hipócrates, o corpo humano estava em conexão com a phisis, a natureza, e essa conexão, a priori, era harmoniosa. A doença tornava-se verificável quando essa harmonia alterava-se.

A atenção para sinais como febre, inchaços, amarelamento e demais traços que na moderna medicina são chamados de sintomas e a tentativa de relacionar tais sinais com possíveis distúrbios na harmonia do corpo foram uns dos principais avanços do pensamento de Hipócrates. Além disso, Hipócrates também avançou em direção à prescrição de cura e de prevenção de doenças por meio de propostas de dietas que advinham da observação de quais alimentos combinavam ou não com o tipo de humor do indivíduo.

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Humor, na medicina grega (e esse legado estendeu-se até a Idade Média), era entendido como aquilo que definia a composição alquímica de uma pessoa, isto é, a relação entre sua alma e seu corpo, seu temperamento e as manifestações físicas corporais. Os quatro humores principais aos quais se enquadravam os organismos eram: o colérico, o melancólico, o sanguíneo e o fleumático.

Sendo assim, Hipócrates, seguido por outros, como Galeno, e por medievais, como Avicena e Pedro Hispano, construiu as bases para a medicina ocidental. A diferenciação entre o normal (o estado de harmonia) e o patológico (o estado de afetação do corpo – desarmonia) foi a principal contribuição da medicina antiga para a ciência médica moderna.

Publicado por: Cláudio Fernandes

Origens da História da Medicina

A questão “como viver saudavelmente?” É muito antiga. A questão da vida saudável está diretamente relacionada a doenças, diagnóstico e tratamento. Portanto, a medicina é a profissão mais antiga para resolver este problema e é considerada a ciência do diagnóstico, tratamento e prevenção de doenças.

Essas práticas fundamentais datam de milhares de anos. A medicina foi provavelmente primeiro institucionalizada pelos antigos egípcios.

 O mais antigo médico conhecido é um egípcio, Imhotep (2980 aC), cujo nome foi dado a uma universidade do templo em Men-Nefer (Memphis), onde (o chamado “pai da medicina”) Hipócrates estudou.

 Naqueles dias, o solo fértil do rio Nilo era chamado ke-meth (solo marrom úmido molhado), enquanto os médicos egípcios antigos eram conhecidos como sunu ou swnw (pronuncia-se “sewnew”). Sunus eram médicos-mágicos ou curandeiros de sacerdote-magistas (egípcios antigos).

 A combinação dos dois termos; ke-met sunu é pronunciado como met-sunu ( keé o artigo e não pronunciado com met ) que é muito próximo do termo latino medicina e pode ter sido adotado por estudiosos da Grécia antiga, então transformado em latim ao longo do tempo.

Na Índia, uma coleção de textos incluindo exercícios terapêuticos chamados ' Arthava Veda ' pode ser encontrada em fontes escritas por volta do século VIII aC. Infelizmente, pouco se conhece desta rica herança cultural. Por exemplo, Susruta (600 aC) deixou informações importantes sobre a relação entre saúde e atividade.

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 Susruta era um antigo cirurgião indiano comumente creditado como autor do tratado Sushruta Samhita . Ele é apelidado de “pai fundador da cirurgia” e o Sushruta Samhita é identificado como um dos principais comentários históricos sobre a ciência médica da cirurgia.

 Diz-se que ele era um médico originalmente do sul da Índia, que praticava em Varanasi e viveu algum tempo entre o período de 1200 a 600 aC. OSushruta Samhitafoi traduzido para o árabe durante o século VIII dC por Ibn Abillsaibial. O trabalho era conhecido como Kitab Shah Shun al-Hindi em árabe ou alternativamente como Kitab i-Susurud .

 O médico persa do século IX, Rhazes, estava familiarizado com o texto. A obesidade era conhecida por Susruta, que a relacionou com diabetes e distúrbios cardíacos. Ele recomendou o trabalho físico para ajudar a curá-lo e seus efeitos colaterais.

A evolução da medicina mostrou uma característica distinta que é baseada – e inteiramente dependente – da saúde humana.

 Por exemplo, embrulhar um cadáver com lençóis para mumificação provavelmente levou a bandagens e enfaixamento para fixação de extremidades quebradas e feridas nos anos posteriores.

 Relacionando a medicina ao exercício (mais especificamente o esporte), o primeiro uso do exercício terapêutico é creditado a Heródico no quinto século AEC, que se acredita ter sido um dos professores de Hipócrates.

Os médicos da Grécia Antiga, incluindo Hipócrates e Galenos e o médico islâmico Ibn-I Sina (Avicena), foram capazes de dissociar a medicina da religião para uma prática mais secular.

Esses três pioneiros da medicina moderna serviram bem a sua profissão documentando suas observações e diferenciando a medicina da metafísica. É por isso que, em inglês, “médico” se refere a um médico – alguém que está estudando a natureza exata de uma doença.

 Em outras palavras, os médicos estudam matéria e energia em termos físicos relacionados a problemas de saúde e saúde.

desde o início, a medicina esportiva tem sido multidisciplinar – com uma obrigação não apenas de tratar lesões, mas também para instruir e preparar os atletas 1 . Galeno foi para Roma em 162 dC e deixou sua marca como médico praticante.

 Ele observou os efeitos de um estilo de vida sedentário e as consequências da inatividade para a saúde, por exemplo, a obesidade.

 Tratado de Galeno ' No exercício com a pequena bola'(medicine ball hoje) foi bem recebido por estudiosos de esportes antigos por sua descrição de jogos de bola e também por estudiosos da medicina antiga para a discussão dos benefícios do exercício. Galen argumenta que todos devem se envolver em jogos desse tipo.

Ele recomenda: “tome ar fresco, durma bem, coma e beba adequadamente, controle as emoções e esvazie os intestinos uma vez por dia!” Ele acrescenta: “nenhuma atividade é exercida a menos que você fique sem ar”.

Naturalmente, não são apenas os antigos médicos egípcios ou Hipócrates e Galeno que contribuíram para o desenvolvimento da medicina esportiva. Existem outros médicos famosos também.

 Ibn-I Sina (Avicenna 980 a 1036), Gerolamo Mercuriale (1530 a 1606), Santorio Santorius (1561 a 1636) e Bernardino Ramazzini (1633 a 1714) foram apenas alguns dos médicos que também praticavam a medicina esportiva desenvolvendo técnicas para promover saúde e fitness e garantir a segurança e o bem-estar de todos que participaram de competições esportivas 3 .

Avicena (Ibn-I Sina) é um nome eminente na medicina. Ele era persa, nascido em Buhara (980 dC) e morreu em Hamedan (1037 dC).

 Ele se tornou médico aos 19 anos e escreveu 450 artigos, dos quais 240 estão disponíveis hoje e 40 estão relacionados à medicina.

 Seus dois livros famosos em medicina são Kitabü's-Sifa (' Livro de Cura ') e El-Kanun fi't-Tıb (' Lei da Medicina '). El-Kanun fi't-Tıb foi o principal livro didático em muitas escolas médicas europeias até 1650.

Ibn-I Sina (Avicena) dá exemplos de estilo de vida saudável (incluindo exercícios) na Lei da Medicina.

August Bier (1861-1949), um pioneiro da anestesiologia e Arlie V. Bock (1888 a 1984), que estudou as respostas circulatórias e sanguíneas ao exercício, também foram figuras-chave na implementação da medicina esportiva como um campo formal de estudo na Europa e na Europa. Estados Unidos, respectivamente.

O fisiologista italiano Ângelo Mosso (1846 a 1910) detém um lugar significativo na história da fisiologia do exercício. No primeiro Congresso Internacional de Fisiologistas em Basiléia, Suíça, em 1889, Mosso discutiu suas descobertas sobre a fadiga muscular, enquanto demonstrava a função de um ergógrafo (gravador de trabalho).

 Depois de se formar em Medicina e Cirurgia em Turim, na Itália, em 1870, Mosso foi capaz de estudar e interagir com os renomados fisiologistas Wilhelm Ludwig, Emil Du Bois e Reymond, Hugo Kronecker e Etienne Marey.

 Em 1879, ele era professor de fisiologia na Universidade de Turim, onde realizou pesquisas relacionadas à circulação sanguínea, respiração, educação física, fisiologia em grandes altitudes e fadiga muscular

O Harvard Fatigue Laboratory foi fundado em 1927 como parte da Harvard Business School.Muitas pessoas creditam o Laboratório como a origem da fisiologia do exercício nos Estados Unidos. O diretor David Bruce Dill estava interessado em efeitos ambientais no desempenho do exercício e – entre outros tópicos – estudou os efeitos da altitude no exercício e na termorregulação durante o exercício.

O primeiro estabelecimento de medicina esportiva do mundo tomou forma em Dresden, na Alemanha, em 1911. O 'Primeiro Congresso para a investigação científica de esportes e exercícios físicos' foi realizado em 1912 (Oberhof, Alemanha) e o termo 'esportes médico' ou 'sportarzt (cunhado por Arthur Mallwitz) foi usado pela primeira vez em 1913.

O primeiro jornal de medicina esportiva foi publicado pela Sociedade Francesa de Medicina Esportiva (SMEPS) em 1922. Outras sociedades médicas relacionadas a esportes seguiram o exemplo, publicando revistas em 1921 na Holanda e em 1922, na Suíça. Trinta e três médicos de 11 países participantes dos 2º Jogos Olímpicos de Inverno em St.

Moritz fundaram a Associação Internacional de Medicina Esportiva (AIMS). Em 1934, o nome da organização foi mudado para 'Fédération Internationale de Médecine Sportive (FIMS)'.

 A FIMS era predominantemente uma organização europeia até que o COI reconheceu a FIMS como “a organização internacional competente designada para pesquisa biológica e médica para medicina e esporte e assistência médica de atletas”.8

Em 1958, após a 2 ª Guerra Mundial, a primeira Escola de Especialização em Medicina Esportiva foi criada em Milão, Itália, pelo professor Rodolfo Margaria

A medicina esportiva é uma profissão bem estabelecida com um longo histórico em ciências da saúde. Também pode ser considerada uma disciplina científica em cooperação com as ciências do esporte. O esporte é um fenômeno cultural.

 Qualquer aspecto relacionado no esporte é observado, medido, avaliado, analisado e documentado usando técnicas e métodos por várias disciplinas científicas – as chamadas ciências do esporte. Coaching, como a prática médica clínica, aplica as informações obtidas através de estudos em ciências do esporte.

 Ambos servem para beneficiar pessoas e profissionais ativos dentro de duas perspectivas distintas: uma empurra os limites, o outro protege a saúde dentro desses limites 10.

  • Emin Ergen MD
  • Professor de Medicina Esportiva
  • Al Attar para Medicina Física, Reabilitação e Medicina Esportiva
  • Doha, Qatar

JOGOS OLÍMPICOS

A reintrodução dos Jogos Olímpicos em 1896 promoveu a  pesquisa interdisciplinar  das lesões induzidas pelo esporte. Nos anos seguintes, a Alemanha tornou-se o país fundador da medicina esportiva. O desenvolvimento médico esportivo foi decisivamente influenciado pela  exposição internacional de higiene em Dresden 1911.

O sucesso desta exposição levou à organização do primeiro congresso de exercício físico. Durante este congresso foi fundado o „Comitê Alemão de Reich para a Pesquisa Científica de Esportes e Exercícios “, que foi renomeado para „ Federação Alemã de Médicos para a Promoção do Exercício “em 1924. Este foi o começo da medicina esportiva organizada.

Em 1933, a “Federação Alemã de Médicos para a Promoção do Exercício” foi renomeada novamente, agora na “Associação Alemã de Médicos Esportivos”. Esta associação foi dissolvida durante a segunda guerra mundial e foi restabelecida em 1950.

Desde 1951, as diretrizes revisadas de 1925 para a qualificação  Sport Physician  foram válidas.

 Em 1970, a “Sociedade Alemã de Médicos Esportivos” concordou com as diretrizes modificadas para obter a qualificação adicional para  Medicina Esportiva  em sua assembléia geral.

O primeiro  Departamento de Medicina Ambulatorial do Esporte  foi criado na zona ocupada pelos soviéticos em 1947. Com a fundação da „Universidade Alemã de Cultura Corporal “em 1950, em Leipzig, o primeiro departamento de medicina esportiva foi estabelecido.

 O alto valor da medicina esportiva na RDA tornou-se evidente com a introdução do  especialista em medicina esportiva .

 A Sociedade de Medicina Esportiva da RDA se juntou à Associação Alemã de Médicos Esportivos, que foi renomeada em 1998 como Sociedade Alemã de Medicina e Prevenção do Esporte .

Referências

  1. Appelboom T, Rouffin C, Fierens E. Esporte e medicina na Grécia antiga. Am J Sports Med 1988; 16: 594-596.
  2. Ergen E. Raízes da medicina esportiva. Disponível em: http: // archivosdemedicinadeldeporte. comarticulos / upload / rev01_162.pdf Acessado em agosto de 2016.
  3. Peltier LF. Geronimo Mercuriali (1530-1606) e o primeiro livro ilustrado sobre medicina esportiva. Clin Orthop Relat Res 1985; (198): 21-24.
  4. Buchanan WW. Bernardino Ramazzini (1633-1714), médico de comerciantes, e possivelmente um dos “pais” da medicina esportiva. Clin Rheumatol 1991; 10: 136-137.
  5. Guarnição FH. Uma introdução à história da medicina, 4th.edition. WB Saunders, Philadelphia, 1929: 17-105.
  6. Hollmann W, Prinz JP. Ergoespirometria e sua história. Sports Med 1997; 23: 93-105.
  7. Hoberman JM. História da ciência do desempenho humano no esporte. Disponível em: www.sportsci.org/encyc/drafts/History_sport_science.doc Acessado em agosto de 2016
  8. Tittel K, Wesseling J. 75 anos FIMS, Druckhaus GmbH 2005, Alemanha.
  9. Novotny V. 50 anos do Instituto de Medicina Esportiva da Escola de Medicina da Universidade Charles, no 650º aniversário de sua fundação. Sb Lek 1999; 100: 139-154.

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