Que Planeta Tem Como Lua “calisto”?

Com as últimas descobertas feitas em 2017, Júpiter possui oficialmente 79 satélites naturais (também chamados de luas) orbitando em torno de si. As quatro maiores luas de Júpiter, conhecidas como luas galileanas, foram avistadas pela primeira vez no século XVII pelo astrônomo italiano Galileu Galilei.

Que Planeta Tem Como Lua Satélite Io orbitando em torno do gigante planeta Júpiter. Crédito: NASA/JPL/University of Arizona.

Apesar de 79 ser um número impressionante (tendo em vista que a Terra só tem uma lua), o planeta do Sistema Solar com o maior número de satélites é Saturno, contabilizando ao todo 82 corpos celestes.

Saiba o que são as luas de Júpiter

O maior planeta do Sistema Solar tem várias características curiosas. Uma dessas características que chamam a atenção é a sua grande quantidade de satélites naturais.

O que são satélites naturais, as chamadas luas?

Segundo a Agência Espacial Brasileira, satélites naturais – como os 79 de Júpiter – são objetos que, devido à ação da gravidade, giram em torno de corpos celestes, como os planetas. Eles são chamados de “naturais” para diferenciar dos “artificiais”, que são aqueles produzidos pelos seres humanos.

As primeiras luas de Júpiter foram descobertas por Galileu

Que Planeta Tem Como Lua As quatro luas descobertas por Galileu no século XVII. Crédito: NASA/JPL/DLR.

Uma das maiores façanhas do famoso astrônomo Galileu Galilei (1564-1642) foi a descoberta das primeiras luas de Júpiter. Sabe quando isso ocorreu? Na longínqua noite do dia 7 de janeiro de 1610.

Com o auxílio de um telescópio produzido por ele mesmo, Galileu notou que Júpiter, em seu movimento pelo espaço sideral, era sempre acompanhado por quatro objetos. Claro que ele só chegou a essa conclusão após noites e noites de observação. As luas de Galileu foram batizadas com nomes da mitologia greco-romana: Ganimedes, Calisto, Europa e Io.

As quatro grandes luas de Júpiter: as luas galileanas

Após a sua descoberta, Galileu provavelmente pensou que essas quatro luas eram as únicas a orbitar em torno de Júpiter. Hoje sabemos que elas não são as únicas, mas são de longe as maiores.

Ganimedes

Com 5268,2 km de diâmetro, Ganimedes é apenas 2,4 vezes menor que a Terra. Trata-se da maior lua do Sistema Solar, maior até que Plutão e Mercúrio. O Telescópio Hubble detectou recentemente a presença de uma quantidade bem pequena de ozônio (um dos gases da atmosfera) na superfície de Ganimedes. Claro que não estamos falando de uma atmosfera respirável, mas já é alguma coisa.

Que Planeta Tem Como Lua O maior satélite do Siste Solar fica pequeno perto do gigante Júpiter. Crédito: NASA/JPL/University of Arizona.

Calisto

Na mitologia grega, Calisto foi uma jovem bela. Já o satélite Calisto, o segundo maior dos satélites de Júpiter, é formado basicamente por gelo e rochas e tem uma superfície repleta de crateras. A paisagem lá não deve ser tão bela quanto a jovem que encheu os olhos de Zeus.

Que Planeta Tem Como Lua Cratera de Valhalla, em Calisto. Crédito: Nasa.

Europa

A superfície deste satélite é predominantemente composta por gelo. De cordo com a Nasa, há evidências de que haja um gigantesco oceano por baixo dessa camada sólida. E quando falamos de gigantesco, não estamos de brincadeira: a quantidade de água ali pode ser até 2 vezes superior à quantidade de água encontrada na Terra.

Que Planeta Tem Como Lua Satélite Europa, conhecido como “lua gelada”. Crédito: NASA / JPL-Caltech / SETI Institute.

Io

Constituído de material rochoso, esse satélite se caracteriza por sua intensa atividade vulcânica. Segundo a Nasa, trata-se do corpo celeste com maior atividade vulcânica do Sistema Solar. Em termos de diâmetro, é 3,5 vezes menor que a Terra, mais ou menos do tamanho da nossa Lua.

Que Planeta Tem Como Lua Imagem da lua Io captada por nave não tripulada. Crédito: NASA / JPL / University of Arizona.

Conheça as 12 novas luas descobertas em 2017

O planeta Júpiter é um velho conhecido da humanidade. Séculos de pesquisa permitiram um acúmulo significativo de informações sobre o “gigante gasoso”.

A última descoberta importante sobre Júpiter foram 12 novos satélites avistados meio que por acaso por pesquisadores do Instituto Carnegie, sediado em Washington, nos EUA. A equipe do astrônomo Scott S. Sheppard investigava, com uso de telescópio, uma área do Sistema Solar para além de Plutão quando decidiu procurar novas luas em Júpiter. E não é que encontrou? Não só uma, mas 12.

Que Planeta Tem Como Lua Montagem reúne os quatro maiores satélites de Júpiter numa única imagem. Crédito: NASA/JPL.

O que sabemos sobre essas novas luas

Essa descoberta elevou para 79 o número de satélites naturais de Júpiter. Segundo observações da equipe de Sheppard, 9 dessas luas compõem um conjunto mais distante em relação às demais e são retrógradas (ou seja, orbitam no sentido oposto ao da rotação do planeta).

Essas 9 luas retrógradas levam aproximadamente 2 anos para completar a volta em torno de Júpiter. Outras duas luas, mais próximas do planeta, têm movimento orbital de menos de 1 ano. A título de comparação, o único satélite natural da Terra (a famosa Lua de todas as noites) leva 27,3 dias para dar a volta completa ao redor do nosso planeta.

A menor lua de Júpiter

A última das 12 luas descobertas leva 1 ano e meio para orbitar Júpiter. O mais curioso sobre ela é que, com menos de 1 km de diâmetro, ela talvez seja a menor dentre todas as luas de Júpiter. Só para se ter uma ideia dessa pequenez, Ganimedes, o maior satélite natural de Júpiter e de todo o Sistema Solar, tem espantosos 5.262 km de diâmetro.

Quer saber mais sobre o planeta Júpiter? Então leia:

Júpiter: 10 fatos, curiosidades e características do maior planeta do Sistema Solar

Calisto

Calisto é o quarto satélite galileano de Júpiter e, de todos, o menos bem conhecido. Embora seja quase do tamanho de Mercúrio tem apenas cerca de um terço da sua massa.

A superfície de Calisto é das mais antigas que se conhecem no Sistema Solar: é toda muito craterizada e assemelha-se às Terras Altas de Marte e da Lua, o que permite estimar a idade da sua superfície em mais de 4000 Ma.

Até à missão Galileo pensava-se que Calisto não tinha estrutura interna, consistindo numa mistura mais ou menos homogénea de gelo e rochas. Os dados da Galileo, em particular a gravimetria e a magnetometria, permitem-nos pensar hoje de maneira diferente (Figura 1).

Que Planeta Tem Como Lua Figura 1 – Modelo do interior de Calisto. C. Hamilton.

Assim, a crosta do planeta será composta por uma camada de gelo com cerca de 200 km de espessura, possivelmente flutuando sobre um oceano, “salgado”, com cerca de 10 km de profundidade.

Abaixo deste oceano seguir-se-á uma mistura de gelo, rocha silicatada e metais (ferro? níquel?), que se diferenciará por gravidade com a profundidade, mas de forma contínua, com aumento do teor de rocha e diminuição do teor de gelo.

A superfície de Calisto também apresenta peculiaridades. Ao contrário de Io ou Ganimedes não tem montanhas. A maior parte do relevo está relacionado com o craterismo; tem algumas enormes crateras como Valhalla (Figura 2), a maior, com uma região central, de maior albedo, com 600 km de diâmetro, mas cujos anéis se estendem até um diâmetro total de 3000 km.

Que Planeta Tem Como Lua Figura 2 – Vista da região da bacia Valhalla, nos infravermelhos. Galileo.

Estes anéis, profundamente fracturados pela longa história de impactos sobre a superfície planetária, assemelham-se, por vezes, a cadeias de montanhas (Figura 3).

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Que Planeta Tem Como Lua Figura 3 – A superfície de Calisto nas vizinhanças de Valhalla. Galileo.

Por outro lado, também apresenta escarpas, algumas muito extensas (Figura 4). Pensa-se que podem ser cadeias de crateras contemporâneas, formadas por um impacto múltiplo “em rosário” como o do cometa Shoemaker-Levy 9 sobre Júpiter.

Que Planeta Tem Como Lua Figura 4 – Escarpa. Galileo.

Orbita Júpiter
Distância média a Júpiter (km) 1 883 000
Excentricidade orbital 0.0074
Período sideral (dias) 16.6890
Inclinação orbital 0.51º
Velocidade orbital média (km/s) 8.21
Período de rotação (dias) 16.6890
Inclinação do eixo de rotação
Magnitude visual máxima 5.65
Número de Satélites 0
Raio equatorial (km) 2410.3
Massa (kg) 1.0759 X 1023
Volume (km3) 5.865 X 1010
Densidade média (g/cm3) 1.830
Gravidade à superfície no equador (m/s2) 1.24
Velocidade de escape equatorial (km/s) 2.45
Temperatura à superfície (K) ~100-150
Albedo normal 0.20
Momento magnético dipolar (Gauss R3)
Pressão atmosférica à superfície (mbar)

Luas de Galileu – Espaço do Conhecimento UFMG

Dentre as 79 luas atualmente conhecidas de Júpiter, Io, Europa, Ganimedes e Calisto são as quatro mais conhecidas.

Elas são facilmente visíveis com a ajuda de um telescópio amador e aparecem no céu como quatro pontos brilhantes alinhados ao redor do gigante gasoso.

  Essas quatro luas são conhecidas como as luas galileanas, ou Luas de Galileu, e têm nomes que remetem a amantes do deus grego Zeus. 

O físico, matemático, astrônomo e filósofo Galileu Galilei foi o primeiro astrônomo a registrar, em 1610, a observação desses satélites naturais de Júpiter.

Um outro astrônomo alemão, Simon Marius, alegou ter observado as luas na mesma época, mas, como demorou mais para publicar as suas observações, Galileu ganhou todo o crédito.

Se você quiser saber mais sobre essa história, assista ao vídeo Galileu e as primeiras observações com uma luneta, da nossa atividade semanal Descobrindo o Céu.

Em seu telescópio caseiro, Galileu observou Júpiter pela primeira vez e, primeiramente, pensou ter observado três estrelas próximas ao planeta. Nos dias seguintes, ele o observou novamente e as estrelas aparentemente tinham se movido em uma direção estranha, o que chamou sua atenção.

Depois de um tempo, uma outra suposta estrela apareceu. Galileu também notou que as quatro estrelas pareciam se movimentar junto ao planeta e mudar de posição em relação ao mesmo, sempre alinhadas.

Ao final de várias observações e estudos, Galileu acreditou ter visto corpos planetários que estavam na órbita de Júpiter.

A descoberta das luas de Galileu foi um passo muito importante para a época, pois, até então, muitos acreditavam no geocentrismo, ou seja, que todos os objetos celestes orbitavam a Terra.

A existência de objetos que orbitavam outros planetas fortaleceu as ideias do sistema proposto por Copérnico, que mostrava que nem tudo orbita o planeta Terra.

Além de terem grande importância na história da ciência, as luas de Galileu despertam bastante interesse por suas características interessantes.

Io

Io é a terceira maior lua de Júpiter e é o objeto com mais atividade vulcânica do nosso Sistema Solar. Sua superfície é coberta de enxofre em composições químicas diferentes, fazendo com que ela tenha uma coloração com tons avermelhados.

Com exceção dos lugares com atividade vulcânica, a temperatura na superfície de Io é muito mais baixa do que o ponto de congelamento da água.

A órbita elíptica de Io causa uma grande variação na distância dessa lua em relação ao planeta Júpiter, e esta diferença de distância causa variações no formato de Io.

Que Planeta Tem Como Lua

Io, terceiro maior satélite natural de Júpiter

Europa

Um satélite natural de Júpiter que desperta muito interesse é Europa. Sua superfície é coberta de gelo e acredita-se que sob ela se encontra um vasto oceano.

Estudos mostram que em algumas partes de sua superfície congelada há uma quantidade considerável de água, que é expelida em forma de vapor por pequenas rachaduras na crosta.

Assim como a Terra, o satélite possui um núcleo composto por ferro e níquel que, por sua vez, é coberto por uma camada rochosa.

Que Planeta Tem Como Lua

Superfície da lua Europa é coberta de gelo

Calisto

Dentre os satélites de Galileu, Calisto é o que se encontra mais distante de Júpiter e, dentre as 79 luas, é a segunda maior. Sua superfície é muito cheia de crateras, sendo algumas das mais antigas do Sistema Solar. Calisto é formada por gelo e rochas e acredita-se que seu núcleo é composto de silicatos. Também há estudos que indicam que esse satélite pode ter água subterrânea. 

Que Planeta Tem Como Lua

Calisto, segunda maior lua de Júpiter

Ganimedes

A maior lua de nosso Sistema Solar é Ganimedes, maior que o planeta Mercúrio. Ela é também, até agora, a única lua que conhecemos que tem um campo magnético.

Também é um satélite que desperta muito interesse por ter fortes evidências da existência de oceanos subterrâneos de água salgada que são maiores do que os da Terra.

  O telescópio Hubble mostrou que Ganimedes possui um oceano com uma espessura de 100 quilômetros.

Que Planeta Tem Como Lua

Ganimedes, o maior satélite natural de todo o Sistema Solar

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[Texto de autoria de Letícia Rioga, estagiária do Núcleo de Astronomia]

As luas geladas e suas implicações para a astrobiologia: Viajando por Ganimedes, Calisto e Io

No começo da nossa série sobre as “luas geladas”, conhecemos um pouco mais sobre o que essas luas precisam ter para receber essa definição (aqui) e conversamos um pouco mais sobre Europa, lua de Júpiter e uma das “luas geladas” mais famosas nos últimos anos, tanto em discussões acadêmicas como na mídia (e aqui). A parte III da nossa saga de 6 textos, ainda fala sobre as luas de Júpiter, e traz pra vocês mais informações sobre Ganimedes, Calisto e Io. Então, mãos à obra.

Pré-requistos para a existência e a manutenção da vida

Para começar, vou resgatar um trechinho do nosso primeiro texto para lembrarmos o que são as “luas geladas”. Elas são satélites naturais, cobertos principalmente por gelo, que orbitam os gigantes gasosos do nosso Sistema Solar, sendo eles Júpiter, Saturno, Urano e Netuno.

Para que recebam esta nomenclatura é necessário que as “luas geladas” apresentem três pré-requisitos, sendo eles: a presença de um meio líquido, de uma fonte de energia e de condições necessárias para a formação de moléculas complexas.

Esses também são considerados responsáveis pelo surgimento e pela manutenção da vida.

Viajando por Ganimedes

Ótimo! Agora que já lembramos o que esses satélites têm em comum, vamos então para os escolhidos de hoje. Ganimedes, a maior lua de Júpiter e do nosso Sistema Solar, é a segunda lua jupteriana de maior interesse para a astrobiologia no que se refere à busca de vida fora da Terra. Maior do que o planeta Mercúrio, Ganimedes é formada por partes iguais de material rochoso e água.

Acredita-se que ela possua um oceano líquido sob a sua superfície, porém, muito tem se debatido se esse oceano estaria ou não em contato com o manto rochoso da lua ou se estaria isolado por uma camada rígida de gelo.

Como a ciência não é algo que traz verdades absolutas e sim hipóteses e teorias que melhores descrevem os fenômenos que observamos, muita coisa interessante ainda pode surgir sobre essa lua.

Ainda assim, mesmo considerando essas discussões sobre a exata localização do oceano de Ganimedes, essa lua já se encontrava próxima à Europa no que se diz respeito a sua possibilidade de abrigar de vida.

Um dos argumentos mais fortes que suportam essa ideia, é de que Ganimedes seja um satélite com fontes de energia e indícios de química complexa.

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Dessa forma, se o contato entre o oceano líquido e o manto (que possibilita trocas e fornece as condições necessárias para a formação de moléculas complexas) for confirmado, Ganimedes será consolidada como um dos ambientes mais propícios para o surgimento da vida em nosso Sistema Solar, equiparada com Europa.

Que Planeta Tem Como Lua

Figura 1. Visão global de Ganimedes. Créditos: Nasa/JPL.

Nessa lua então, acreditamos que os três pré-requisitos de ouro sejam: (1) água existente na forma líquida, encontrada em seu oceano interno; (2) força de maré originada no oceano interno da lua, decaimento radioativo de seu núcleo, e possivelmente também proveniente da radiação ionizante dos anéis radioativos de Júpiter, assim como ocorre em Europa; (3) provável interação água líquida-manto rochoso e a interessante reciclagem de sua superfície através do seu ativo ciclo geoquímico.

Um rápido pulo em Calisto e Io

E os interesses pelas luas de Júpiter não param por aí. Calisto e Io, ainda que em proporções menores quando comparadas às demais “luas geladas” que conversamos, são satélites interessantes para a ciência no que se trata da procura de vida fora da Terra.

Calisto, a lua mais distante de Júpiter pode possuir um oceano líquido em seu interior, porém, devido a sua superfície ser bastante antiga e pouco diferenciada, acredita-se que pouca atividade geológica ocorra por lá, o que acarretaria em uma menor disponibilidade de energia (Figura 2).

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Figura 2. Visão global de Calisto. Créditos: Nasa/JPL.

Io, a quarta maior lua do Sistema Solar e a “lua gelada” mais próxima de Júpiter, ao contrário de Calisto, possui energia abundante (Figura 3). Contando com mais de 400 vulcões ativos, Io é considerado o objeto com maior atividade geológica do Sistema Solar.

Porém, a lua possui pouca água e pouco carbono disponíveis, o que torna a existência de vida como a que conhecemos na Terra, pouco provável.

Ainda sim, essas luas são consideradas bem mais prováveis para a existência de vida quando comparadas ao Sol, a lua da Terra e os planetas gigantes gasosos, por exemplo, ainda permanecendo interessantes para os astrobiólogos.

Figura 3. Visão global de Io. Créditos: Nasa/JPL.

Como conversamos no primeiro texto, o interesse por essas luas é tão grande que grandes empresas de exploração espacial já estão preparando missões para entendê-las melhor.

A missão programada pela ESA, a JUICE, (acrônimo em inglês para “The JUpiter ICy moons Explorer”, em português “Explorador das Luas Geladas de Júpiter”), tem lançamento previsto para 2022 e chegada em Júpiter em 2030. Um de seus principais objetivos será responder questões sobre o funcionamento do Sistema Solar e as condições para a formação de planetas e para a emergência da vida.

Embora esta missão tenha a lua Ganimedes como foco de trabalho, Calisto e Europa também serão estudados a fim de facilitar o entendimento sobre a emergência de mundos habitáveis formados ao redor de gigantes gasosos.

Por hoje é isso! Nos próximos textos, vou contar um pouco mais pra você sobre as luas dos outros gigantes que ainda não abordamos para que juntas, possamos compreender um pouco mais sobre a nossa vizinhança cósmica.

Referências

CANUP, R. M.; WARD, W. R. Formation of the gallilean satellites: conditions of accretions. The Astronomical Journal, v. 124, n. 6, p. 3404-3423, 2002.

ESA. JUICE.

GALANTE, D. et al. Astrobiologia [livro eletrônico]: uma ciência emergente. Tikinet Edição: IAG/USP, São Paulo, 2016.

IRWIN, L. N.; SCHULZE-MAKUCH, D. Assessing the plausibility of life on other worlds. Astrobiology, v. 1, n. 2, p.143-160, 2001.

PASACHOFF, Jay M.; FILIPPENKO, Alex. The Cosmos: Astronomy in the new millennium. Cambridge University Press, 2013.

SCHUBERT, G. et al. Interior composition, structure and dynamics of the Galilean satellites. Jupiter: The planet, satellites and magnetosphere, v. 1, 2004.

SHOWMAN, A. P.; MALHOTRA, R. The Galilean satellites. Science, v. 286, p. 77-84, 1999.

Quais são as maiores luas do sistema solar?

Que Planeta Tem Como Lua

Por ordem decrescente, as cinco maiores são: Ganimede, Titan, Calisto, Io e a Lua “original”, a da Terra. As luas, ou satélites naturais, são astros que circulam em torno de um planeta. Existem cerca de 160 no sistema solar – só em volta de Júpiter são 63! Tem luas de todos os tamanhos. Ganimede e Titan chegam a ser maiores que o planeta Mercúrio – que tem 4 880 quilômetros de diâmetro. Já Deimos, em Marte, uma das menores luas conhecidas, tem apenas 12,6 quilômetros de diâmetro. Há várias explicações para o surgimento dos satélites naturais. A nossa Lua provavelmente pertenceu ao mesmo corpo da Terra até que um terceiro astro atingiu o bloco e o separou em dois pedaços. “Como a massa que ficou no pedaço da Terra era muito maior, a Lua foi atraída e passou a circular em volta do planeta”, afirma o astrônomo Rundsthen Vasques. Origem diferente têm Io, Ganimede e Calisto, provavelmente atraídas por Júpiter após a explosão que criou o sistema solar. “Há ainda satélites menores que eram asteróides ou cometas e que foram atraídos por planetas”, diz o astrônomo Tasso Napoleão.

Astros coadjuvantes
Titan pode ter vida, e superfície de Io lembra uma pizza derretidaLua

  • Planeta – Terra
  • Diâmetro – 3 476 km
  • A superfície da Lua é coberta por uma camada de poeira e restos de rochas produzida pela queda de meteoros. Foi esse bombardeio constante de meteoros e cometas que provavelmente trouxe o gelo que hoje se concentra nos pólos do satélite
  • IO
  • Planeta – Júpiter

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  1. Diâmetro – 3 630 km
  2. A Nasa, agência espacial americana, compara Io com uma pizza coberta com queijo e azeite… É que ela é o corpo mais vulcanicamente ativo do sistema solar e o calor intenso deixa sua amarelada superfície em constante estado líquido
  3. Calisto
  4. Planeta – Júpiter

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Diâmetro – 4 800 km

Com um núcleo rochoso envolto por uma grossa camada de gelo, Calisto é provavelmente o astro mais cheio de crateras do sistema solar. A paisagem lá é a mesma há 4 bilhões de anos. Desde então, não houve atividades geológicas

  • Titan
  • Planeta – Saturno
  • Diâmetro – 5 150 km

Possui uma densa atmosfera que cientistas acreditam ser muito parecida com a atmosfera primitiva da Terra. A existência de matéria orgânica (metano e etano) pode ser indício da presença de vida. “É um ambiente muito propício para bactérias”, diz Tasso Napoleão

Ganimede

Planeta – Júpiter

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Diâmetro – 5 262 km

Ganimede tem um núcleo rochoso e a superfície formada por rocha e camadas de gelo. Tem um lado escuro cheio de crateras e outro iluminado que abriga vales e montanhas que podem chegar a quilômetros de altura

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  • Astronomia
  • PLANETA SUSTENTÁVEL
  • Sistema solar

China avalia duas missões em Júpiter para pousar naves nas luas Calisto e Io

A China iniciou o ano trazendo as primeiras amostras lunares que recebemos desde 1976 — as últimas foram obtidas pela missão soviética Luna 24 naquele ano.

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Além disso, a CNSA, a agência espacial do país, também tem planos para lançar uma nave com destino a Júpiter que, talvez, possa incluir um lander para estudar a lua Calisto.

Agora, os cientistas chineses estão solidificando dois conceitos de missões espaciais que possam revelar os mistérios das origens e funcionamento do gigante gasoso com uma nave principal e outros veículos menores.

Na verdade, essa ideia começou a ser desenhada em 2016, quando foi publicado um estudo apontando que o país conduziria estudos e pesquisas para trazer amostras de Marte, explorar asteroides, estudar o sistema joviano e realizar sobrevoos no planeta. Agora que o plano está mais maduro, restaram dois diferentes conceitos de missões para estudos de Júpiter — embora seja provável que apenas um deles possa avançar —, com lançamento estimado para 2029.

Que Planeta Tem Como Lua Idealizadas para estudos sobre as luas jovianas, as missões foram construídas com base nas missões Chang'e e Tianwen-1 (Imagem: Reprodução/JPL-CALTECH/NASA, DLR)

Um deles é a missão Jupiter Callisto Orbiter (JCO), que poderia voar por alguns satélites irregulares (ou seja, objetos capturados pelo planeta) de Júpiter antes de iniciar uma órbita polar em torno da lua Calisto, a mais externa das quatro principais e com menos calor interior em relação às demais. Calisto pode ter se formado a partir dos materiais que restaram da formação do gigante gasoso e esteve “tranquila” deste então: sua superfície vem sofrendo apenas impactos de asteroides, e a estrutura pode guardar informações sobre os momentos iniciais do sistema joviano além do nosso próprio Sistema Solar, o que seria um excelente foco de estudos para um lander. Além disso, Calisto tem uma fina atmosfera com pequenas quantidades de oxigênio o que lhe confere grande valor científico — além de ser mais fácil de pousar por exigir menos combustível e estar fora do campo radioativo do planeta.

Já a outra candidata é a Jupiter System Observer (JSO), que poderia trocar um possível pouso em Calisto para focar na lua vulcânica Io.

Nesse caso, a nave iria realizar alguns sobrevoos para estudar como a gravidade do planeta afeta a atividade vulcânica da lua, além de estudar também a massa, densidade, dinâmica e outros aspectos dos satélites irregulares.

Após terminar o “passeio”, a JSO poderia ser enviada para orbitar o ponto L1 de Júpiter-Sol para aproveitar o equilíbrio entre a gravidade do planeta e da nossa estrela, ficando por lá por longos períodos. Essa visão privilegiada poderia permitir que a missão monitorasse a atuação do vento solar fora do campo magnético de Júpiter, por exemplo.

As duas missões seriam lançadas em 2029. Elas fariam um sobrevoo em Vênus e dois na Terra para chegarem ao destino em 2035. É possível, também, que levem cargas úteis para estudos de pontos do campo magnético de Júpiter e complementem a ciência feita pelas missões Europa Clipper e Lucy.

Entretanto, ambas são bastante ambiciosas e exigem avanços consideráveis na propulsão elétrica, energia solar e comunicação entre as naves e equipes na Terra.

Assim, instituições como a Chinese Academy of Sciences deverão realizar reuniões para discutir os objetivos científicos e possíveis parcerias com outros países.

Fonte: Planetary

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Há 409 anos Galileu Galilei descobriu as primeiras luas de Júpiter

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Io, EUropa, Ganímedes e Calisto (Foto: Wikimedia/NASA/JPL/DLR)

Há 409 anos, no dia 7 de janeiro, Galileu Galilei descobria quatro satélites de Júpiter – Io, Europa, Ganímedes e Calisto. Esses são os primeiros do que viriam a ser 67 satélites de que se tem notícia do planeta.

Em um primeiro momento, o astrônomo italiano pensou ter visto três estrelas em torno de Júpiter. Após semanas de avaliação, um quarto corpo apareceu e a partir disso ele sugeriu a existência de quatro satélites na órbita do planeta. Com isso, esses corpos ganharam o nome de Luas de Galileu.

Galileu criou um sistema de nomenclatura dos satélites que utilizava números romanos. Dessa forma, as luas eram chamadas de Júpiter I, Júpiter II, Júpiter III e Júpiter IV.

As quatro luas são as maiores entre as 67 de Júpiter (Foto: Wikimedia/NASA)

No ano de 1614, o astrônomo alemão Simon Marius publicou um artigo chamado Mundus Iovialis, no qual afirmava ter ter descoberto as quatro luas de Júpiter antes de Galileu.

A disputa continuou séculos depois e só foi resolvida em 2003, quando um tribunal da Holanda investigou todos os episódios e evidências dos dois astrônomos.

As autoridades acreditam que provavelmente Marius descobriu os satélites primeiro, no entanto, começou a tomar notas sobre eles depois de Galileu – fato complicado pelo fato de o alemão usar o calendário juliano e o segundo usar o gregoriano, causando uma diferença de 13 dias entre os dois.

saiba mais

A partir do século XX a nomenclatura sugerida por Marius para os quatro satélites passou a ser utilizada. Júpiter I, II, III e IV se tornaram Io, Europa, Ganímedes e Calisto, em homenagem às amantes do deus grego Zeus.

As quatro luas são as maiores das 67 de Júpiter. Io possui um diâmetro de 3643 quilômetros e uma massa de 8.93×1022  quilos.

O satélite é o que fica mais próximo ao planeta e possui uma atividade vulcânica que atinge temperaturas por volta dos 1700 ºC, bem maior do que as da Terra.

Acredita-se que essa atividade seja relacionada às interações gravitacionais da lua com Júpiter e até mesmo Europa e Ganímedes.

A superfície de Io conta com uma mistura de cores quentes, resultantes do enxofre e do dióxido de enxofre presentes no satélite e pelas temperaturas liberadas por sua atividade vulcânica.

Io, lua de Júpiter (Foto: Wikimedia/NASA)

Já a Europa, com 3122 quilômetros de diâmetro e 4.8×1022 quilos de massa, é a menor entre as luas galileanas. Sua superfície é congelada e composta por materiais mais escuros, dando aos astrônomos a impressão de que a crosta foi separada e depois preenchida. Acredita-se que abaixo do gelo existam oceanos de água líquida.

Assim como a Terra, o satélite possui um núcleo composto por ferro e níquel que, por sua vez, é coberto por uma camada rochosa.

Europa, Lua de Júpiter (Foto: Wikimedia/NASA)

Ganímedes é a principal lua de Júpiter e é o maior satélite do Sistema Solar. Com 5262 quilômetros de diâmetro, o satélite chega a ser maior do que o planeta Mercúrio, que possui 4879 quilômetros na mesma medida.

A superfície de Ganímedes é parecida com a da Terra: ela possui terra e água salgada – inclusive mais que o nosso planeta. Usando o telescópio Hubble, cientistas da NASA estudaram melhor a superfície do satélite, que possui um oceano com uma espessura de 100 quilômetros

Ganímedes, lua de Júpiter (Foto: Wikimedia/NASA)

Calisto é a lua galileana mais distante de Júpiter e tem 4,5 bilhões de anos, aproximadamente a mesma idade do planeta.

Por conta disso, estima-se que a superfície do satélite, que é cheia de crateras, seja uma das mais antigas do Sistema Solar.

Calisto é composto por gelo e rocha e, segundo a NASA, seu núcleo provavelmente contém silicato (silício e oxigênio). Também é possível que o satélite tenha água líquida abaixo de sua superfície.

Calisto, lua de Júpiter (Foto: Wikimedia/NASA)

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