Que Navegador Portugues Provou Em 1519 A Forma Da Terra Como?

[RESUMO] Há 500 anos o português Fernão de Magalhães iniciava expedição marítima castigada por tempestades, rebeliões, fome e mortes, mas que realizou a façanha de dar a primeira volta ao mundo.

Em setembro de 1522, chegava ao porto espanhol de Sanlúcar de Barrameda (próximo a Sevilha, no sul da Espanha) uma estranha embarcação com o casco perfurado. Os 18 homens que compunham a tripulação vinham muito magros, com barbas e cabelos longos. Na pele queimada de sol traziam feridas mal curadas. 

Quando desembarcaram, suplicaram por velas de cera. Queriam ir até a igreja mais próxima acendê-las em agradecimento aos céus por terem retornado à terra, depois de três anos no mar.

Da última vez que a embarcação havia partido daquele porto, estava acompanhada de outras quatro naus, e a tripulação era de 243 marinheiros.

Durante os anos no mar, aqueles homens enfrentaram tempestades capazes de destruir frotas inteiras, batalhas campais, rebeliões, naufrágios, doenças desconhecidas e frio. No meio do mar, passaram sede e fome severas.

Depois de devorar os ratos, comeram pedaços de couro que cobriam os barcos.

Com muitas perdas e só alguma carga valiosa a bordo, os viajantes retornavam de uma expedição que parecia fadada a ser vista como um fracasso. Ainda assim, a primeira viagem a contornar a Terra, que neste 2019 completa 500 anos de seu início, entrou para a história como um dos maiores feitos da humanidade. 

Para alguns, a saga iniciada pelo português Fernão de Magalhães é comparável à chegada do homem à Lua. Para outros, trata-se de façanha ainda maior, por ser a primeira viagem que efetivamente descobriu o planeta Terra.

“Há um paralelismo feliz desta viagem com a ida à Lua. Os astronautas nos anos 1960, antes mesmo de chegarem à Lua, sempre falavam de Magalhães, Vasco da Gama e Colombo como pessoas inspiradoras, homens que fizeram algo, em certos aspectos, mais difícil do que eles estavam fazendo”, explica o historiador português João Paulo Azevedo de Oliveira e Costa.

De fato, em 1970, quando a Apollo 13 sofreu um grave acidente no espaço, só conseguiu retornar à superfície da Terra com ajuda remota dos engenheiros nos EUA. “Isso não existia para os navegadores. Não havia comunicação com Lisboa ou Sevilha, e os riscos eram maiores”.

Nascido em uma família fidalga portuguesa, Magalhães cresceu tendo como heróis os navegadores que voltavam das Índias carregados de tesouro e glória. Logo que teve idade para subir a bordo, começou a viajar. Passou pela África e pelas Índias.

Aos 34 anos, sentia-se preparado para organizar sua própria expedição, mas seu pedido foi rechaçado pelo rei português. Pesava contra ele o temperamento insolente e a acusação de que havia cometido desvio de bens enquanto trabalhou no Marrocos em nome da Coroa.

Mesmo rejeitado, Magalhães ficou em Portugal e se dedicou a estudar todos os mapas e livros sobre navegações em que podia colocar as mãos. Muitos desses documentos eram mantidos sob sigilo por Portugal, que tinha interesse em ocultar parte de suas descobertas com as navegações.

“Existia uma política de sigilo. Não só das rotas como das mercadorias e dos pontos em que eles passavam. As mercadorias eram assim mantidas como monopólio português”, explica a professora de história da USP Iris Kantor.

Os principais rivais eram os reinos vizinhos de Castela e Aragão, embriões do que logo se tornaria a Espanha.

As potências disputavam o controle da melhor rota comercial até as Índias, origem das cobiçadas especiarias.

Um conjunto de ilhas, em específico, não saía dos planos de Magalhães: as Molucas (atual Indonésia), a joia do Índico, onde o cravo-da-índia crescia naturalmente nas florestas e chegava a forrar as praias.

Após anos de estudo, Magalhães atravessou a fronteira de Portugal em busca do rei espanhol. Queria que Carlos 1º financiasse sua viagem e, para isso, o português levava debaixo do braço mapas e cálculos indicando que as tais ilhas ficavam do lado espanhol do mundo.

Afinal, de acordo com o Tratado de Tordesilhas, o globo havia sido dividido entre Portugal e Castela. A linha imaginária que cortava o litoral brasileiro também dividia o sudeste asiático em local até então desconhecido. Magalhães, porém, garantia que o rei espanhol teria direito a todas as riquezas vindas de Molucas.

  • Àquela época, portugueses já dominavam uma rota bastante sólida para as Índias, num caminho que consistia em: 1) contornar o norte da África; 2) aproveitando as correntes oceânicas, apontar a proa para a América; 3) no meio do Atlântico, retornar para o sul do continente africano até 4) entrar no oceano Índico, já no rumo das Índias. 
  • Com esse conhecimento, portugueses fundaram portos, fortalezas e centros de comércio por toda a costa africana e pelo Brasil, fazendo do Atlântico um mar hostil a embarcações estrangeiras.
  • Assim, a opção óbvia dos espanhóis para chegar às Índias era rumar para oeste, em direção a um mundo praticamente desconhecido, até chegar a Molucas.

A chegada dos portugueses ao Brasil em 15 imagens Que Navegador Portugues Provou Em 1519 A Forma Da Terra Como?

Foi com essa estratégia que, quase 30 anos antes, Cristóvão Colombo havia partido da mesma Espanha com destino às Índias.

Chegou ao Caribe, mas voltou à Europa acreditando que tinha cumprido a missão de ir ao Oriente.

Morreu com essa certeza, enquanto outros navegadores logo perceberam que Colombo havia, na verdade, topado com uma imensa massa continental que se estendia de norte a sul, a América.

A tarefa de Magalhães, portanto, era transpor pela primeira vez as Américas no seu caminho ao Oriente e retornar com os porões cheios de especiarias.

“Esses produtos, que hoje estão baratos, àquela altura eram caríssimos e ajudaram a montar um império. Algo interessante é que os grandes impérios coloniais foram montados em função de produtos desnecessários. Ninguém precisava de especiarias, bebidas, tabaco, chocolate, chá, café para viver. É como a Coca-Cola de hoje”, compara Oliveira e Costa.

O historiador observa que os navegadores daquele tempo, além dos lucros com o comércio, perseguiam algo mais: a ambição da glória pessoal ao realizar uma proeza inédita e marcar seu nome na história. Assim, em setembro de 1519, Magalhães partiu da Espanha em um comboio de cinco naus com a missão de chegar às ilhas Molucas.

Ele levava sob seu comando uma expedição composta sobretudo por espanhóis (embora houvesse também portugueses, gregos, franceses etc.). Grande parte da tripulação não confiava no português. Também não acreditava que ele soubesse como contornar a América.

Um ponto importante para a expedição é a entrada no que é hoje o rio da Prata, um estuário de grandes rios que divide o Uruguai e a Argentina.

Quatro anos antes de Magalhães, havia estado por ali o navegador espanhol João Dias de Solis, com a mesma missão de transpor a América. Solis entrou no rio da Prata pensando ser aquela uma passagem para outro oceano. Enquanto explorava a região, o espanhol foi atacado por índios tupi e devorado em um ritual antropofágico.

Magalhães entrou nesta baía, mas percebeu que o rio não dava acesso a outro oceano. Restava a ele, então, retornar para a Espanha ou procurar uma nova passagem nos mares do sul, completamente desconhecidos.

O português optou pela segunda alternativa e foi tateando qualquer baía, qualquer reentrância do mar, apostando ser a passagem para outro oceano. Quando já estava mais ao sul do que qualquer outro europeu já estivera, e às vésperas da chegada do inverno, Magalhães decidiu ancorar em um porto natural no que é hoje o sul da Argentina. Ali passaram cinco meses até que o inverno findasse.

Os espanhóis decidiram então tomar o controle da frota e retornar à Europa, abandonando uma missão que julgavam ser suicida. Nada garantia que houvesse uma passagem navegável para o outro oceano. A América bem poderia ser uma enorme porção de terra ancorada nos polos Norte e Sul. E se a passagem existisse, nada garantia que estaria onde Magalhães insistia em procurar.

O português, contudo, conseguiu controlar o motim. Os chefes do movimento foram castigados ou sentenciados ao esquartejamento. A frota então retomou viagem, cada vez mais ao sul, até finalmente encontrar uma passagem navegável entre o Atlântico e um novo oceano.

O feito de 500 anos até hoje inspira o explorador Amyr Klink. “Ele acabou descobrindo a passagem mais difícil de todas. O estreito de Magalhães é um labirinto.

Eu já naveguei nesses lugares e vou de carro para lá todo ano. E a vida lá é um inferno. Mesmo com um veleiro equipado como o nosso, é uma navegação super dura, dura dura. O canal é largo, o vento levanta ondas curtas.

É absolutamente extraordinário o que eles fizeram.”

Ao avistarem o novo oceano, marujos rezaram em agradecimento. E por tê-los recebido com mares tão calmos, foi batizado de Pacífico.

O contorno da Argentina, porém, custou a perda de duas das cinco naus. Uma naufragou e outra desertou na travessia do estreito. Ainda assim, por instinto ou estudo, Magalhães conseguiu provar seu ponto: existia uma rota navegável às Índias pelo lado espanhol do mundo. 

No entanto, outro problema atingiu a expedição. O navegador percebeu que aquele oceano era maior do que imaginara, obrigando a tripulação a um racionamento extremo de comida e água. Marinheiros batalhavam pelo direito de comer os ratos dos porões das embarcações.

Antonio Pigafetta, um italiano que completou a viagem e registrou suas observações num diário de bordo, escreveu sobre a miséria durante a travessia do Pacífico.

“Já não tínhamos nem pão para comer, mas apenas polvo impregnado de morcegos, que tinham lhe devorado toda a substância, e que tinham um fedor insuportável por estar empapado em urina de rato. A água que nos víamos forçados a tomar era igualmente pútrida e fedorenta.

Para não morrer de fome, chegamos ao ponto crítico de comer pedaços do couro com que se havia coberto o mastro maior, para impedir que a madeira roçasse nas cordas.

Esse couro, sempre exposto ao sol, à água e ao vento, estava tão duro que tínhamos que deixá-lo de molho no mar durante quatro ou cinco dias para amolecer um pouco. Em seguida, nós o cozinhávamos e comíamos”.

Com uma dieta baseada em couro, serragem e ratos, os marinheiros adoeciam rapidamente. As gengivas inchavam com a doença do escorbuto, ao ponto de encobrir os dentes. Os marujos eram castigados por fortes dores e sangramentos. A enfermidade impossibilitava qualquer tipo de alimentação.

Só na travessia do Pacífico, 19 homens morreram, incluindo indígenas que haviam sido capturados e eram levados como escravos à Europa. Diante de uma travessia tão dura, Pigafetta anotou em seu diário que acreditava que ninguém viria a se aventurar novamente por aquela rota. 

Após três meses no meio do deserto azul do Pacífico, Magalhães encontrou ilhas grandes, onde resolveu desembarcar em busca de repouso.

Naquelas ilhas, atuais Filipinas, um dos escravos do português percebeu que os habitantes locais falavam sua língua materna. Ele havia nascido na Malásia antes de ser levado para a Europa.

Leia também:  Como Dizer Ao Chefe Que Esta Insatisfeito?

Por isso, alguns historiadores defendem que esse escravo seria o primeiro homem a dar a volta ao mundo e que agora retornava a sua região natal. 

Com a chegada às Filipinas, o ânimo de Magalhães declinou. Talvez por ter percebido que a viagem fora mais desgastante do que o razoável para uma rota comercial ou porque se deu conta de que as ilhas Molucas, na verdade, não estavam do lado espanhol do mundo, ficou abatido. 

“Magalhães estava preso na teia que ele próprio havia criado. Não tinha como voltar atrás. É provável que ele tenha tido a consciência de que a viagem era, no fundo, um fracasso.

Ele começa a buscar uma agenda pessoal qualquer que o permita ter uma sobrevivência ali”, analisa o historiador Paulo Azevedo de Oliveira e Costa.

“Ele no fundo sabe que está num beco sem saída, sem poder voltar a Portugal e à Espanha.”

O português, então, começou a entrar em conflitos com reis locais. Meteu-se em desavenças alheias. Com uns criou inimizades, a outros prometia apoio militar.

A um líder filipino ele chegou a dizer que um de seus homens, vestindo uma armadura europeia, era capaz de guerrear contra cem aldeões. Assim, ele se ofereceu para guerrear em nome de um rei local, numa batalha onde teria pouca chances de sobreviver. A bordo de um bote com cerca de 60 de seus homens, Magalhães desembarcou numa praia tomada por mais de mil guerreiros rivais.

Manco por um ferimento que há anos tinha na perna, avançou com dificuldade entre as ondas. Batalhou sob uma chuva de flechas e lanças que vinham da praia. Foi atingido e derrubado três vezes até ser cercado e morto a golpes de lança e sabre. Os soldados retornaram às suas embarcações feridos e sem seu capitão.

Após a morte de Magalhães, oficiais da frota disputaram o comando da viagem, que caiu nas mãos de um navegador espanhol, secundário até este ponto da história: Juan Sebastián Elcano. Ele era um dos que haviam se rebelado contra Magalhães ainda na América.

Coube a Elcano chegar às ilhas Molucas e negociar a compra das especiarias que enchiam as três naus. Os marinheiros tiveram, porém, que deixar para trás grande parte do produto comprado, já que duas das embarcações tinham infiltrações e não aguentariam a viagem de retorno. 

Elcano percebeu também que aqueles marujos, já tão castigados, não conseguiriam refazer o caminho de volta pelo Pacífico, como era previsto. O espanhol, então, tomou a decisão que colocou a viagem para sempre na história. Escolheu abandonar o plano de retorno pelo Pacífico e voltou para a Europa pelo Oceano Índico, mesmo correndo o risco de ser pego por alguma frota portuguesa.

“Magalhães não queria dar a volta ao mundo. É Elcano que, depois de tudo o que a tripulação passou, decide voltar pelo Ocidente. Então, é o que chamam de volta ao mundo por acaso, por acidente”, explica Iris Kantor. 

Que Navegador Portugues Provou Em 1519 A Forma Da Terra Como? Mapa desenhado por Abraham Ortelius em 1589 mostra a nau Victoria, de Fernão de Magalhães, navegando pelo oceano Pacífico rumo ao Oriente. – Helmink

A nau Victória avançou pelo mar, por seis meses sem parar, desviando de portos e navios portugueses até chegar às ilhas de Cabo Verde, onde os marinheiros tiveram de ludibriar as autoridades locais para não serem presos por terem percorrido mares portugueses.

Três anos após deixarem a Espanha, os 18 homens retornavam ávidos por velas para poderem agradecer aos céus a graça de terem sobrevivido à viagem que deu a primeira volta ao mundo.

“Naquela época a Terra era redonda. E eles comprovaram isso”, brinca Amyr Klink diante de teorias cada vez mais disseminadas de que a Terra é plana. “Eu lamento desapontar os crentes dessa teoria, mas eu fui lá e vi. Adoraria sentar na beira da Terra, balançar as perninhas e dar tchau para o Universo. Mas não dá, a terra é redonda”.

Quinhentos anos depois do feito da primeira viagem ao redor do mundo, Espanha e Portugal travam uma discreta disputa pelo legado da expedição. Portugueses exaltam o gênio e a tradição marítima lusitana representada por Magalhães, o homem por trás do projeto e que iniciou a expedição (ainda que algumas gerações lusitanas o tenham visto como traidor).

Espanhóis iluminam a parte da saga em que Elcano conduz com maestria o retorno à Europa, passando fome e desviando com astúcia dos portugueses. Em sua homenagem, por exemplo, foi batizado o navio-escola da Marinha espanhola. O historiador Oliveira e Costa gosta da versão que confere os louros aos dois países ibéricos.

Na disputa internacional, Magalhães parece ter obtido maior notoriedade. Virou nome de galáxia, de cratera na Lua e em Marte, além de uma sonda da Nasa dedicada a explorar o Sistema Solar. Com seu nome foi ainda batizado o estreito na ponta sul da América, vencido apenas por sua teimosia. 

Fabrício Lobel é repórter de Cotidiano.

Marcelo Pliger é designer e infografista, mestre em semiótica e professor nos cursos de jornalismo e design da ESPM.

quando Fernão Magalhães] descobriu que a Terra era esférica

ruanisantos94

ruanisantos94

Em outras palavras, as diferentes constelações que vemos no céu dependem de onde estamos Há mais de 2 mil anos, o filósofo grego Aristóteles já tinha entendido tudoOutro grande pensador e matemático grego, Eratóstenes, foi além e conseguiu medir a circunferência da Terra. Ele descobriu que ao meio-dia, em uma certa cidade do Egito, o Sol estava sempre acima da sua cabeça. Mas em outra localidade, o Sol não subia tanto naquela exata hora do dia.

Desde então, o fato de a Terra ser redonda se tornou o senso comum, pelo menos entre as pessoas mais poderosas e ilustradas.

Mais recentemente, muitos exploradores conseguiram completar a volta ao mundo. O português Fernão de Magalhães circunavegou a Terra entre 1519 e 1522, algo que teria sido muito mais difícil de fazer caso o planeta tivesse uma borda.

No entanto, mesmo antes do feito de Magalhães, navegadores mais atentos já tinham percebido que a Terra era redonda, ao observarem que, ao apontar rumo a um objeto alto, como uma montanha, o topo aparece sobre o horizonte antes de todo o resto.

Fernão de Magalhães é um nome pouco conhecido se o compararmos a Cristóvão Colombo ou a Pedro Álvares Cabral. No entanto, os feitos desse navegador português, nascido em 1480, se equiparam aos de Colombo e Cabral quando estes descobriram as Américas e o Brasil.

É que no dia 20 de setembro de 1519, Magalhães deu início a uma viagem que faria 'cair por terra' alguns dos principais paradigmas vigentes na época. Apesar de ter morrido antes de concluir seus planos de navegação, o navio comandado por ele foi o primeiro na História a circumnavegar o globo, provando que o mundo era redondo.

Fernão de Magalhães estudou cartografia e navegação e, no início da juventude, já navegava à serviço da coroa portuguesa. Em uma de suas expedições ao Oriente tornou-se amigo de Francisco Serrão, que veio a ser o feitor das ricas ilhas das Molucas, na Indonésia.

 Através desta amizade, Magalhães teve acesso a informações preciosas sobre a localização daquelas ilhas que tinham especiarias em abundância, consideradas o ouro da época. 

De volta a Lisboa, em 1513, das muitas riquezas que consquistou, o navegador trouxe pouca coisa consigo: apenas algumas moedas de ouro e um escravo. E não demorou muito a cair no ostracismo da corte portuguesa de D. Manuel.

Que Navegador Portugues Provou Em 1519 A Forma Da Terra Como?

giovanaaraujo11

giovanaaraujo11

A esfericidade da Terra foi provada em 1522, com a circunavegação de Fernão de Magalhães, mas foi somente no final do século 17, que Newton apresentou uma solução científica para o problema do parágrafo anterior, com o conceito de gravidade.

Einstein apresentou uma solução diferente, no início do século 20, mas essa, que requer análise em quatro dimensões, quase todos continuam sem entender.

Se foram feitos 2/5 de um relatório em 8 dias por 8 alunos, que estudaram 8 horas por
dia, então quantos dias foram gastos no total para elaborar esse

relatório, sabendo-se
que a partir de um determinado momento, apenas a metade dos alunos permaneceram
estudando e que o restante agora estuda 4 horas por dia?
R:_______

refere-se a:O a) MontesquieuO b) VoltaireOc) RousseauO d) John Locke6. Segundo esse filósofo, todos osseres humanos tem o direito à vida, àop TopVolta

r Avançar Inicio Favoritos Abas​

Quem foi Leonardo da Vinci?​

Como o estudo de martinho lutero pode ajudar no entendimento das igrejas evangelicas

a principal atividade econômica desenvolvidas pelos escravos no haitianas plantations​

oque foi a guerra fria e o mundo bipolar?​

Sobre a Revolução Agrícola, ocorrida no Período Neolítico, é possível afirmar que:

– Julgue o item referente aos aspectos conceituais no âmbito do patrimônio cultural.

Transmitido pelas gerações e sempre recriado por grupos e pelas c

omunidades, em face de sua interação com a natureza, de seu ambiente e de sua história, o patrimônio imaterial gera sentimento de identidade e de continuidade, o que acaba por ajudar a promover o respeito à diversidade cultural e à própria criatividade humana certo errado ​

egípcios foram os primeiros povos a criar um sistema de numeração os humanos também inventaram uma forma de contar as coisas ou seja seu sistema de nu

meração conhecidos como número romano dos símbolos escritos abaixo Quais são os símbolos​

Apresente cinco mudanças surgidas com a idade Moderna

A 1ª volta ao mundo: os 500 anos da viagem de Fernão de Magalhães, da qual só 18 dos 250 tripulantes sobreviveram – BBC News Brasil

Que Navegador Portugues Provou Em 1519 A Forma Da Terra Como?

Crédito, Getty Images

Legenda da foto,

Os 250 homens que deixaram o porto de Sanlucar de Barrameda em 20 de setembro de 1519 não tinham ideia da repercussão que a viagem teria

No dia 20 de setembro de 1519, cinco navios com 250 homens deixaram o porto de Sanlúcar de Barrameda, no sul da Espanha, em direção ao Atlântico. No comando da nau Trinidad estava o capitão português Fernão de Magalhães.

Nem Magalhães ou mesmo seus homens sabiam que a expedição mudaria o curso da história: eles seriam os primeiros a dar a volta ao mundo, um marco que celebra seu quinto centenário.

Mas também foi considerado um feito real da resistência humana: a primeira circunavegação do mundo foi um verdadeiro inferno de doenças, fome e violência, relata o historiador Jerry Brotton na BBC History Magazine.

Leia também:  Como Saber Que Um Leonino Esta Apaixonado?

De fato, apenas 18 dos 250 tripulantes retornaram a Sanlúcar três anos depois de deixar o porto.

E embora muitos atribuam a Magalhães o crédito de ser a primeira pessoa a circunavegar a Terra, o português não está entre esses 18 sobreviventes.

Mas isso não tira o mérito de ser o explorador que idealizou e empreendeu essa dura e histórica jornada.

O principal objetivo da viagem não era dar a volta ao mundo, mas alcançar as Ilhas Molucas (ou Ilhas das Especiarias), na Indonésia, e sua riqueza ao longo da rota oeste, que era o que Cristóvão Colombo pretendia quando encontrou o continente americano.

Portugal controlava a rota conhecida para o leste através do Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África.

Legenda da foto,

Fernão de Magalhães não sobreviveu à expedição

Depois de examinar mapas e globos, Magalhães chegou a uma conclusão surpreendente.

Ele acreditava que poderia chegar à região mais rapidamente se viajasse na direção oposta, contornando a ponta da América do Sul, através do recém-descoberto Oceano Pacífico, até as ilhas produtoras de especiarias, no arquipélago indonésio.

Mas Manuel 1º, o rei de Portugal, rejeitou a ideia de Magalhães.

Isso não impediu o explorador português, que passou a oferecer seus serviços ao arquirrival de Manuel 1º: Carlos 1º, da Espanha, e 5º do Sacro Império Romano.

“Portugal dominou completamente o caminho para o leste, mas não estava interessado em montar uma expedição para o oeste, porque já detinha controle sobre o outro lado. Assim, o projeto de Magalhães fazia pouco sentido. Mas a Espanha o recebeu muito bem”, explica à BBC Mundo Braulio Vázquez, arquivista do Arquivo Geral das Índias, em Sevilha.

Embora muitos nobres espanhóis suspeitassem de uma expedição sob o comando de um português, Carlos 1º aceitou a proposta de Magalhães.

Legenda da foto,

Mapa do oceano Pacífico desenhado em 1595

Isso consistia em velejar pelo Cabo Hornos, atravessar até as Molucas, embarcar um carregamento de especiarias e retornar pela mesma rota, reivindicando as ilhas para a Espanha.

Logo após a descoberta de Colombo, em 1494, Espanha e Portugal, as potências da época, chegaram a um acordo para dividir as áreas de navegação do Oceano Atlântico e os territórios do “Novo Mundo”, no chamado Tratado de Tordesilhas.

Magalhães estava convencido de que as Molucas ficavam dentro da esfera de influência castelhana e, portanto, poderia trazer as especiarias de lá sem problemas.

Por trás dessa crença, porém, havia um erro de cálculo que traria consequências terríveis para sua expedição.

A frota partiu de Sanlúcar para as Ilhas Canárias, depois seguiu para as Ilhas de Cabo Verde, antes de cruzar o Atlântico até a costa sul-americana, chegando à atual costa do Rio de Janeiro, em dezembro de 1519.

Crédito, Arquivo Geral da Índia

Legenda da foto,

Relação dos tripulantes que formaram a 1ª expedição de circunavegação

É a partir desse momento, relata o historiador Brotton, que as condições começam a se deteriorar.

Depois de meses pesquisando a costa leste da América do Sul, Magalhães não conseguiu encontrar uma passagem para o oeste.

A tripulação enfrentou um inverno brutal – e os marinheiros tiveram que dormir no convés em condições quase congelantes –, enquanto as rações diminuíam e a fome aumentava, resultando em tumultos nos navios.

“O clima piorou ainda mais quando um dos navios naufragou devido ao agravamento do tempo, e a busca do prometido estreito no Pacífico se estendeu por semanas, depois meses”, escreveu o historiador.

Na difícil travessia nessas águas desconhecidas, outro navio desertou e tomou rumo de volta para a Espanha.

Foi uma perda enorme, explica Vázquez, porque era o San Antonio, a maior embarcação e a que trazia mais comida.

“Foi uma expedição que, entre motins, rebeliões, fome, sede… perdeu muitos de seus membros no primeiro semestre”, diz o arquivista.

Legenda da foto,

Magalhães não tinha ideia da verdadeira dimensão do Oceano Pacífico

Mas, depois de sobreviver ao inverno e aos muitos meses de buscas infrutíferas, Magalhães e seus homens finalmente chegaram ao outro lado da América do Sul.

No dia 28 de novembro de 1520, eles entraram no que Magalhães batizou como Mare Pacificum (mar do Pacífico).

O navegador português, no entanto, não conhecia a magnitude da ameaça que ainda o esperava.

Magalhães achava que a parte mais difícil da viagem já havia passado e restava apenas um pequeno cruzeiro pelas ricas Ilhas das Especiarias.

“Mas a combinação de mapas ruins, cálculos ruins e o fato de ele ser o primeiro europeu a estar nessas águas transformaram esse 'breve cruzeiro' em um pesadelo de 100 dias de fome, escorbuto (doença grave causada pela falta de vitamina C) e mortes”.

Assim relatou à BBC Paul Rose, especialista em navegação e comandante da estação de pesquisa britânica Rothera, na Antártida, por 10 anos.

Magalhães usou mapas e globos que subestimavam a circunferência da Terra.

Não conseguia nem imaginar a escala do Pacífico, um oceano que tem o dobro do tamanho do Atlântico e que cobre um terço da superfície da Terra.

“Dessa forma, eles passaram os três meses seguintes atravessando o Pacífico em busca de terra. As condições eram horríveis e o escorbuto começou a devastar a tripulação”, escreveu Brotton na BBC History Magazine.

Assim também contou Antonio Pigaffeta, um dos tripulantes cujas crônicas a bordo se tornaram um dos relatos mais conhecidos da viagem:

Durante três meses e vinte dias não conseguimos comida fresca.

Comemos bolo, embora não fosse bolo, mas poeira misturada com minhocas e o que restava cheirava a urina de rato.

Bebíamos água amarela, que estava podre, por muitos dias. Também comemos algumas peles de boi que cobriam a parte superior do pátio principal.

Legenda da foto,

O desespero dos marinheiros por causa das más condições dos navios causou diversos distúrbios

Quando Magalhães percebe o tamanho do Pacífico, “fica claro que as Ilhas das Especiarias não estão na esfera da influência castelhana”, explica Vázquez.

Então ele traça um outro objetivo: as Ilhas Filipinas.

“Quando ele toca o solo nas Filipinas e faz contato com os caciques e reis locais, ele vê que há recursos, ouro… e decide entrar na política local dessas ilhas para tentar tirar vantagem”, diz o arquivista.

Em uma “péssima decisão”, Magalhães inicia uma política de fazer alianças com reis locais. Mas o rei da ilha de Mactan se opõe.

Os portugueses decidem invadir a ilha junto com outros 40 membros da tripulação.

“Foi um exagero fatal. O povo de Mactan resistiu violentamente, e Magalhães e seus marinheiros entraram em choque com centenas de guerreiros locais”, escreveu Brotton.

Magalhães foi morto e seu corpo nunca foi recuperado. Para o navegador português, a travessia terminou em Mactan, sem concluir a volta ao mundo.

Ele não terminou, desta maneira, a expedição que planejou e empreendeu.

O capitão espanhol Juan Sebastián Elcano se tornou o novo comandante da expedição, e foi sob suas ordens que eles navegaram para o destino que Magalhães queria: as Ilhas das Especiarias ou Molucas, aonde chegaram em novembro de 1521.

Legenda da foto,

Ilustração colorida de Juan Sebastián Elcano

Até então, eles imaginavam que aquelas ilhas não estavam na área da influência castelhana que havia estabelecido o Tratado de Tordesilhas.

Então, eles carregaram as especiarias às pressas nos dois únicos navios que ainda restavam e decidiram terminar a odisseia e embarcar no caminho de volta.

O dilema que surgiu então foi qual seria o caminho a seguir. A Trinidad, que havia sido comandada por Magalhães, tentou retornar pelo Pacífico, mas não obteve sucesso, e foi capturada por navios portugueses.

O navio Victoria, com Elcano à frente, voltou para a Espanha através do Oceano Índico e contornando a costa no Cabo da Boa Esperança.

“Foi uma navegação totalmente épica, porque desde a ilha de Timor até chegar às ilhas de Cabo Verde, no Atlântico, eles não encontraram terra e enfrentaram novamente os problemas de fome, sede, fadiga… além do navio em mau estado, depois de quase três anos de navegação”, explica Vázquez.

Embora não quisessem atracar em Cabo Verde, sob o domínio português, as condições os obrigaram.

Então, conta o arquivista, “eles planejaram uma manobra”: eles não podiam dizer que vinham das Ilhas das Especiarias, porque isso implicaria em sua prisão; por isso, disseram que era um navio vindo da América.

Embora a princípio acreditassem neles, os portugueses acabaram capturando 13 tripulantes. Apenas 18 conseguiram escapar, no navio Victoria.

Finalmente, em 6 de setembro de 1522, o Victoria atracou no porto de Sanlúcar, com apenas 18 tripulantes dos 250 que partiram – completando assim a primeira circunavegação no mundo da qual existem evidências.

Além de Elcano e Pigafetta, os outros marinheiros que retornaram foram: Juan de Acurio, Juan de Arratia, Juan de Zubileta, Juan de Santander, Diego Carmena, Vasco Gómez Gallego, Hernando de Bustamante, Miguel de Rodas, Hans, Antón Hernández Colmenero, Juan Rodríguez, Francisco Rodríguez, Martín de Yudícibus, Francisco Albo, Nicolás el Griego e Miguel Sánchez.

“Todos chegaram em condições absolutamente penosas”, diz o arquivista do Arquivo Geral das Índias.

Legenda da foto,

A nau Victoria se tornou a primeira a circunavegar a Terra

Carlos 1º recebeu alguns dos sobreviventes e concedeu a Elcano uma renda anual e um brasão de armas com um globo e a legenda: Primus circumdedisti me (“O primeiro que me circunavegou”).

Mais tarde, o capitão retornou para outra expedição ao Pacífico, onde morreu em 1526.

A expedição de Magalhães para chegar às Ilhas das Especiarias por outra rota mudou o curso da história, mas teve um enorme custo humano: mais de 200 tripulantes morreram, muitos em terríveis circunstâncias.

Para Vázquez, o mundo muda principalmente por dois motivos.

“Primeiro, o tamanho do mundo, isto é, o Pacífico, que a partir de então tem seu tamanho descoberto, e as viagens seguintes o levarão muito em consideração.”

Crédito, Arquivo Geral da Índia

Legenda da foto,

Carta de Maximiliano Transilvano, secretário de Carlos 1º, na qual é reconhecida a ação de Elcano e seus homens

“E, por outro lado, eles percebem que não existem, como foi dito nas crônicas medievais, seres monstruosos ou mitológicos. Em todas as partes encontramos a mesma coisa: todos são seres humanos.”

Além disso, a Europa passa a ter ciência “da complexidade e das diferenças culturais do mundo”.

Por outro lado, no nível geopolítico, a viagem de Magalhães exacerbou as tensões políticas e comerciais entre Espanha e Portugal durante alguns anos.

Mas as consequências da jornada empreendida pelo explorador português devem ser vistas a longo prazo, avalia Brotton.

E faz uma referência ao “florescimento das rotas comerciais na segunda metade do século 16, já que os vínculos que Magalhães ajudaram a estabelecer entre a Europa e o sudeste da Ásia permitiram a circulação de pessoas e bens pela América do Sul”.

Leia também:  Como Ter Sexo Com Esposa Sem Que Ela Se Aperceba?

“A mentalidade de Magalhães, sua imaginação e sua determinação em usar globos terrestres, em vez de mapas planos para entender o mundo, abriu uma profusão de novas oportunidades de negócios”, diz ele.

“É possível dizer que sua grande viagem deu o tiro inicial na corrida à globalização, com todos os riscos e oportunidades que isso nos apresenta hoje.”

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!

500 anos depois de Magalhães, há outro português a preparar uma volta ao mundo

Ricardo Diniz quer que a viagem de homenagem a Magalhães seja também uma forma de alertar para a importância de cuidar dos oceanos.

© Pedro Granadeiro/Global Imagens

20 de setembro de 1519. O navegador português Fernão de Magalhães, financiado pela coroa espanhola, parte de Sanlúcar de Barrameda, em Cádis, para uma viagem que entraria na história: a primeira circum-navegação da Terra, que haveria de ser concluída em 1522 pelo espanhol Sebastián Elcano, após a morte de Magalhães (1521), nas Filipinas, aos 41 anos.

20 de setembro de 2019, exatamente 500 anos depois do início da epopeia de Magalhães. É esta a data que o velejador português Ricardo Diniz aponta para iniciar, em Sevilha, ao comando de um moderno catamarã, uma volta ao mundo que terá como principais objetivos “dar a conhecer a história de Magalhães, promover Portugal e alertar para a importância de cuidar do mar”.

O projeto começou a ser idealizado por Ricardo Diniz há muito tempo. Em agosto de 2017, em entrevista ao DN, já o velejador mostrava o desejo de assinalar os 500 anos da viagem de Magalhães apontando 2019 como o ano certo para fazer uma volta ao mundo. Mas esta será uma viagem com características especiais.

Desde logo porque, ao contrário de outros projetos que abraçou, Ricardo Diniz não vai navegar em solitário mas sim com uma tripulação internacional (nem sempre de velejadores) e com convés aberto à entrada de convidados que vão poder cumprir etapas da viagem.

É também um projeto que tem nos seus alicerces uma mensagem de sustentabilidade ecológica.

Fechar

Subscreva as newsletters Diário de Notícias e receba as informações em primeira mão.

Se Magalhães partisse hoje qual seria a sua mensagem? “Estou convicto de que seria por um futuro mais sustentável e harmonioso. Por isso, esta viagem vai ser o mais vegana possível, com pequenas exceções culturais em alguns pontos do globo, mas não se vai comer animais a bordo.

Vamos viajar em harmonia com o ambiente pois seguimos num barco à vela. Vamos ter uma horta, para servir comida fresca, dezenas de painéis solares e dois geradores eólicos para que o barco seja o mais ecológico possível.

Vamos fazer mergulho, praticar meditação e yoga todos os dias, estar sempre em contacto com escolas de todo o mundo para divulgar boas práticas de sustentabilidade. Queremos que as pessoas se apaixonem pelo mar e que cuidem dele.

Será um barco que representa aquilo que acredito serem valores essenciais e urgentes para que exista um futuro sustentável”, explica ao DN.

Será também um barco “grande, inovador, capaz de gerar a sua energia e a sua água, com autonomia para poder navegar três anos sem vir a terra” e que deverá ser preparado num estaleiro espanhol para “que possa transportar com segurança e conforto cientistas, secretários de Estado, embaixadores, primeiros-ministros, chefes de Estado, e não só”.

Ricardo Diniz com a bandeira portuguesa junto ao farol de Fastnet Rock, na Irlanda.

“Obcecados com Vasco da Gama”

Dar a conhecer a história de Magalhães é outra prioridade. “Sinto que ele é uma espécie de herói esquecido em Portugal. O mundo reconhece-o e aprecia-o muito mais.

Magalhães é nome de marcas de roupa, de fundos de investimentos, de inúmeros barcos, de marcas de GPS e até de crateras na Lua e programas espaciais da NASA. Nós, em Portugal, vivemos muito obcecados com Vasco da Gama.

Só em Lisboa tem o seu nome numa ponte, num centro comercial, num aquário, num jardim…

Claro que o que ele conseguiu [descoberta da rota marítima para a Índia] foi muito importante e trouxe imensa riqueza ao país, mas por outro lado Magalhães provou muita coisa, abrindo novos caminhos, e mostrou coragem, liderança, visão e determinação até ao final da sua vida. Esses são valores essenciais ao mundo de hoje. E o exemplo de Magalhães ajuda a transmiti-los”, frisa Ricardo Diniz.

De momento, o velejador/orador/empresário está empenhado em reunir os apoios necessários para organizar a Missão Magalhães, que considera ser o seu “maior desafio até agora”.

A viagem terá a duração de três anos e, tal como a expedição de 1519, irá terminar em Espanha.

Com 70% do itinerário já definido, tentando ser “o mais fiel possível” ao roteiro original – embora estejam previstos pequenos desvios até destinos por onde Magalhães não passou -, Ricardo Diniz procura agora que Portugal se associe ao projeto.

“Já nos reunimos com o governo português, por uma questão de respeito e oportunidade, para serem os primeiros a conhecer as nossas intenções, mas também estamos a reunir-nos com o mundo.

O meu cenário ideal seria que esta missão fosse uma enorme expedição para promover Portugal, os nossos produtos, as nossas marcas, e ser, ao contrário de há 500 anos, um projeto muito português.

Gostava muito que a história não se repetisse e poder encontrar apoio suficiente no meu país, pois esta será uma oportunidade para Portugal se comunicar ainda mais e criar novas oportunidades.”

“Isto é Portugal”

De facto, há 500 anos, com Magalhães revoltado com o rei português D. Manuel I, foi a coroa espanhola (Carlos V) quem aceitou financiar a expedição.

O objetivo era encontrar uma nova rota até às Molucas (situadas na atual Indonésia) através do Ocidente e provar que essas cobiçadas ilhas, ricas em especiarias, encontravam-se do lado espanhol do mundo, isto de acordo com o Tratado de Tordesilhas, que, em 1494, dividiu o mundo em duas áreas de influência: uma portuguesa e outra espanhola. Impedido de navegar em águas sob o domínio de Portugal, o plano obrigava a rumar para sul do continente americano, onde o navegador português acabou por encontrar passagem para o oceano Pacífico (o qual batizou) através de um estreito que também viria a ser batizado com o seu nome.

A missão, iniciada por um português e concluída por um espanhol (que continuou a navegar para ocidente até atingir Espanha, completando, assim, a circum-navegação, tendo para isso desobedecido a diretivas de Carlos V e atravessado domínios port ugueses pela rota do cabo da Boa Esperança), acabaria por ficar historicamente ligada a Espanha, mesmo que, mais tarde, se tenha provado que as Molucas estavam no lado português do mundo.

Agora, Ricardo Diniz quer que seja Portugal o foco de atenção. “Adorava ter um cunho diplomático português para que quem olhe diga “isto é Portugal”. O barco vai ser uma embaixada flutuante.

Desejo que o projeto seja o mais português possível, mas isso não significa que o financiamento tenha de ser unicamente português. E nesse sentido tenho-me reunido com vários empresários.

Em breve, estarei com o líder da Tesla, Ellon Musk, para explicar este projeto e como ele faz sentido para uma empresa como a dele, que aposta na energia elétrica, mais amiga do ambiente.”

Para reforçar a ligação ao país, o velejador garante que todos os cabos e as velas vão ser construídos em Portugal e que um dos principais materiais a utilizar no barco é cortiça, “um produto premium português”, que ajuda, por exemplo, a tornar o barco mais leve ou a controlar a temperatura a bordo, assim como a sua insonorização.

Depois há ainda a ideia de transportar produtos portugueses e divulgá-los em vários portos e junto das pessoas que possam seguir a bordo em algumas etapas.

Uma mistura de idiomas que, de resto, já acontecia nos navios comandados por Fernão de Magalhães, que quando partiu de Espanha ia “acompanhado de 239 homens de seis nacionalidades, em que 10% eram portugueses”, como explicou ao DN o historiador José Manuel Garcia, acrescentando que o navegador português, mesmo tendo morrido antes do final da expedição, foi de facto o primeiro a completar uma volta ao mundo, ainda que em duas partes, pois “já tinha ido com os portugueses de Lisboa até às Molucas”.

Aos 41 anos, o velejador português considera que este é o momento ideal para abraçar o desafio da Missão Magalhães.

© Andy Dyo/DR

“A maior de sempre”

As principais expedições (ou “missões”, como faz questão de dizer) de Ricardo Diniz tiveram sempre como pano de fundo a divulgação de Portugal e da sua cultura além-fronteiras, como aconteceu, por exemplo, em 2012, com a Mare Nostrum, em que circum-navegou a Zona Económica Exclusiva portuguesa para mostrar que a sua dimensão é vinte vezes superior à da superfície terrestre (na altura fora distribuídos por centenas de escolas mapas que mostravam os limites da ZEE), ou, mais recentemente, na Fé Paz Amor em que levou de Peniche ao Brasil uma imagem de Nossa Senhora de Fátima para assinalar, simultaneamente, o centenário das aparições em Fátima e os 300 anos de Nossa Senhora Aparecida.

Contudo, não hesita em afirmar que a Missão Magalhães “será a maior de sempre” e que chegou no momento ideal da sua vida. “Lanço o projeto com 41 anos, a mesma idade que Magalhães tinha quando morreu.

É um alinhamento que me faz sentir a responsabilidade de abraçar esta aventura.

Podia ter nascido em qualquer outro ano, mas fui nascer num timing que me permite estar pronto, ter a experiência e os contactos certos para saber que, precisamente no ano dos 500 anos de Magalhães, sou mesmo capaz de fazer uma coisa destas”.

Comemorações oficiais até 2022

Para assinalar os 500 anos da viagem de circum-navegação, foi apresentado na semana passada um programa de comemorações que se estende até 2022. A partir de setembro, no site www.magalhaes500.

pt será possível acompanhar de forma virtual a viagem iniciada em Espanha, a 20 de setembro de 1519.

Outra iniciativa é o lançamento, a 17 de abril, de uma moeda de coleção com o valor facial de 7,5 euros, seguindo-se a 8 de maio a moeda corrente de dois euros.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, anunciou também que até final de março será apresentado “em Espanha, com a presença dos portugueses, e em Portugal, com a presença dos espanhóis”, um programa de atividades conjuntas luso-espanholas para celebrar a circum-navegação, que foi concluída por Sebastián Elcano.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*