Quando Se Tem Um Ovulo Seco, Como O Tiramos?

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*Tradução: Sarah Luisa Santos

A liberação mensal do óvulo pelo ovário é um processo fascinante. É algo que as pessoas buscam entender a fundo quando querem engravidar. Mas aprender sobre ovulação pode te ajudar mesmo que você não esteja tentando conceber, já que a ovulação afeta o seu corpo e o seu cérebro de formas que você nem imagina.

Primeiro, leia nosso artigo introdutório sobre ovulação para as informações básicas sobre o tema. Depois de ler como tudo funciona, você é hora de se aprofundar nos mitos e dúvidas frequentes sobre os quais falaremos abaixo.

Posso ovular duas vezes no mesmo ciclo?

Não. Apenas uma ovulação pode acontecer por ciclo menstrual. Você pode, no entanto, ovular dois (ou mais) óvulos ao mesmo tempo. Quando isso acontece, existe a possibilidade de se conceber gêmeos fraternos (não-idênticos) se ambos os óvulos forem fertilizados. Mas acontecer de haver óvulos separados e liberados em momentos diferentes no mesmo ciclo, isso não ocorre.

Uma vez que você ovulou, seu folículo vazio se transforma em um corpus luteum. Esse corpus luteum é responsável por assegurar que outra ovulação não aconteça (entre outras coisas). Ele começa bombeando progesterona, assim como estrogênio e um hormônio chamado inibina.

A concentração desses três hormônios dá uma resposta negativa ao eixo hipopituitário (HPA), que inibe a liberação de outros três hormônios: hormônio estimulante gonadal, hormônio folículo-estimulante (FSH) e hormônio luteinizante (LH).

Ao suprimir a liberação destes hormônios, os folículos não vão desenvolver a ponto de ficarem prontos para liberar outro óvulo (1).

Tomar certos remédios como analgésicos, ibuprofeno ou aspirina pode cessar a ovulação?

AINEs (anti-inflamatórios não esteroides) são um grupo de medicamentos usados para tratar dor e diminuir a febre e inflamação. AINEs são usados com frequência para dores de cabeça, resfriados, cólicas menstruais e artrite. AINEs têm muitos tipos e nomes diferentes, alguns NSAIDS comuns são a aspirina e o ibuprofeno.

Esses medicamentos funcionam ao parar a ação do grupo de enzimas chamadas ciclo-oxigenase 1 e 2 (COX-1 e COX-2) (2).

Essas enzimas em particular são relacionadas à ovulação porque elas estão envolvidas em produzir prostaglandinas (a mesma composição hormonal responsável pela sua menstruação).

Durante a ovulação, as prostaglandinas também são envolvidas na resposta inflamatória necessária para o seu folículo liberar o óvulo. Se o folículo não libera o óvulo, a ovulação não pode ocorrer (2).

Quando Se Tem Um Ovulo Seco, Como O Tiramos?

Em 2015, um estudo anunciou uma baixa dramática na ovulação em mulheres que estavam tomando esse anti-inflamatórios em doses que precisariam de prescrição médica, na maioria dos casos (3).

Nesta pesquisa, 39 mulheres em idade fértil que sofriam de dor nas costas tiveram um dos três tratamentos diferentes com AINEs, começando no décimo dia de seu ciclo menstrual (essa é a fase folicular, antes da ovulação) (3,4).

Os anti-inflamatórios AINEs usados neste estudo em dose diária foram o diclofenaco (100mg diárias), naproxen (500mg duas vezes ao dia), etoricoxib 90 mg. Na maioria dos países, estes medicamentos e suas doses precisariam de prescrição médica para serem receitados para dor e dor crônica.

Embora esses AINEs sejam da mesma família, os resultados do estudo não devem ser comparados quando você toma uma única dose de ibuprofeno de vez em quando.

Esses são medicamentos fortes que precisam de prescrição médica e com fortes contra-indicações (para quem tem uma gravidez, úlceras ou doenças do fígado) e efeitos colaterais como (e não só) trombose cardiovascular e hemorragia gastrointestinal (5,6,7).

Depois de 10 dias consecutivos do tratamento com AINEs, os hormônios e a saúde folicular das pacientes foram estudados. Muitas das mulheres tomando os anti-inflamatórios AINEs não ovularam – elas não liberaram um óvulo, em comparação às mulheres tomando o placebo (3). Quando os AINEs foram removidos, os efeitos foram reversos, e a ovulação ocorreu normalmente no mês seguinte (3,4).

Outros pesquisadores também notaram esses resultados em ratos e coelhos desde os anos 80 (2).

Outro estudo recente com foco na fertilidade e usuários de NSAIDs descobriu que mulheres com artrite reumatoide tomando o NSAIDs inexplicavelmente demoraram mais para ficarem grávidas, se comparadas com as pessoas com AR que não estavam tomando NSAIDs. Essa informação também sugere que existe uma conexão entre concepção e o uso de NSAID (8).

Cientistas suspeitam que essas investigações científicas possam ser úteis para as concepções de emergência num futuro próximo. Mas mais pesquisas seguem necessárias aqui (4).

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Podemos regenerar nossos óvulos? É possível que novos óvulos sejam criados depois que nascemos?

O dogma científico mais comum sobre o “relógio biológico” feminino é que as mulheres nascem com todos os óvulos que terão. Esses óvulos lentamente vão se expirando à medida que movemos do nascimento até a menopausa – com alguns óvulos sortudos que são liberados durante a ovulação. Essa noção, no entanto, foi desafiada pelos pesquisadores ao longo da última década.  

Em 2014, uma série de experimentos demonstraram a inconsistência entre o número de oócitos (células imaturas de óvulos) disponíveis em um ovário de um rato no seu nascimento, em comparação com a quantidade da decomposição do folículo (células em desenvolvimento do óvulo) acontecendo ao longo da vida do rato. Havia um desequilíbrio matemático – mais folículos estavam morrendo do que originalmente disponíveis no nascimento. Isso sugeriu que as células oócitas estavam sendo regeneradas depois do nascimento (9).

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Outro estudo revelou que as células germinativas (células que podem gerar novos óvulos) em ovários humanos poderiam ser identificadas e extraídas. Essas células germinativas extraídas geraram novas células de óvulos em um laboratório, e também geraram células imaturas de óvulos quando injetadas no tecido ovariano humano enxertado em um rato de laboratório (10).

Até agora, nenhum nascimento humano ou concepção foram atribuídos diretamente às células germinativas, mas outros avanços em tratamentos de fertilidade estão sendo feitos. Cientistas estão injetando a mitocôndria destas células em células mais velhas de óvulos, para promover um aumento em produção de energia celular, o que ajudou a aumentar a fertilidade em até 30% (11).

Um estudo de 2016 também demonstrou a regeneração de células germinativas em ovários humanos, em pessoas sendo tratadas com medicamentos de câncer para linfoma de Hodgkin.

Participantes tomando um coquetel quimioterapêutico tinham maior densidade folicular (mais folículos) nos seus ovários do que participantes que não tomavam tal medicação.

Quando esses folículos preliminares tratados com quimioterapia foram retirados dos ovários, eles não se desenvolveram tão bem no laboratório em comparação com as células de ovários não tratados (12).

Essas novidades das pesquisas científicas ainda estão em fase inicial. Há bastante criticismo, desafios e problemas com a reprodução destes experimentos sobre células germinativas regenerativa – mais pesquisas são necessárias.

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Quando Se Tem Um Ovulo Seco, Como O Tiramos?Oi, eu sou a Steph! Enviaremos histórias educativas e curiosas sobre saúde feminina, além de compartilhar dicas e truques para você aproveitar o Clue app ao máximo!

O que é gravidez anembrionada ou ovo cego? – BLOG IVI Brasil

Comitê Editorial IVI Salvador

A gravidez anembrionada também conhecida como ovo cego acontece quando o óvulo fecundado se fixa na parede do útero, mas o embrião não se desenvolve ou interrompe seu desenvolvimento de forma muito prematura.

Nestes casos, como aconteceu a fecundação e o embrião iniciou a nidação, o corpo começou a preparar-se para a gravidez gerando o hormônio da gravidez (hCG), que é a substância que o teste de gravidez detecta. No entanto, apesar da presença do hormônio no sangue, no momento de realizar o ultrassom não se observa o embrião e tão pouco as estruturas para o desenvolvimento do bebê.

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Neste tipo de gestação sem feto, é comum apresentar os sintomas normais da gravidez, como por exemplo, cansaço, enjoo, dor nos seios, o que leva a mulher a concluir que o embrião está se desenvolvendo e que tudo está bem.

Os níveis hormonais do corpo reduzem quando o embrião deixa de se desenvolver, o que reduz também os sintomas de gravidez. Para expulsar o saco gestacional vazio gerado ocorre um sangramento, que costuma vir acompanhado de cólicas.

A dor e a hemorragia é o sinal do processo de abortamento do tecido acumulado durante o processo de preparação da gestação. A expulsão costuma acontecer de forma natural em torno da quinta ou sexta semana de gestação.

Quando o corpo não expele o tecido de forma natural, o diagnóstico da interrupção da gestação é identificado através da ultrassonografia transvaginal.

Por que o embrião não se formou?

As causas da não formação do embrião costumam ter origem em erros espontâneos da divisão das células ou também pode ter sido provocado a partir de uma baixa qualidade genética do óvulo ou espermatozoide, que geram um erro originado por uma codificação genética incorreta ou incompleta levando ao desenvolvimento de um ovo cego, ou seja, a formação da placenta sem embrião.

O corpo da mulher inicia o mecanismo para expelir a placenta ao detectar que o embrião não foi formado. E apesar de não ter existido um embrião, que é o que daria origem ao bebê, isso não impede que este processo seja vivido como uma perda gestacional, já que o positivo da gravidez inicial gerou todos os sentimentos e sintomas da gravidez.

Quanto tempo após uma gravidez anembrionada posso engravidar novamente?

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o tempo ideal para esperar antes de engravidar novamente após uma gravidez de ovo cego é de 6 meses. Existem estudos que sugerem que o tempo de espera pode ser menor, em trono a três ciclos menstruais.

O ideal é que cada caso seja tratado de forma personalizada e que você siga o conselho do médico que acompanha o seu caso, que irá avaliar o seu histórico e talvez solicitar algum exame, como por exemplo o cariótipo do casal ou ainda, se houver tempo hábil ou se for um caso de repetição, o estudo o material da placenta expelido.

Apoio emocional diante da perda

Uma perda sempre é algo doloroso e difícil, mesmo quando não existia um embrião, as emoções vividas são iguais ou muito parecidas à experiência de um aborto espontâneo.

É preciso dar atenção aos sentimentos que esta perda gera, que podem afetar o desejo de tentar engravidar novamente. Contar com um apoio emocional do entorno e também de um profissional pode ser necessário para superar este momento difícil.

Período fértil: o que é e como calcular?

  • Uma relação sexual tem maior probabilidade de resultar em gravidez quando se leva em consideração os sinais do corpo da mulher.
  • Analisar o ciclo menstrual e determinar o período fértil é importante para quem deseja engravidar.
  • O ciclo menstrual da mulher é composto por diferentes etapas, que se sucedem na preparação do organismo para receber um possível óvulo fecundado.

O ciclo menstrual é geralmente dividido em três fases, determinadas pelas alterações hormonais.

São elas a fase folicular, a fase ovulatória e a fase lútea.

Entender o funcionamento desse ciclo é importante para calcular o período fértil e, assim, perceber como aumentar as possibilidades de engravidar.

Continue lendo o texto e saiba mais sobre o período fértil.

O que é o período fértil?

O período fértil é o momento mais propício, durante o ciclo menstrual, para que a fecundação do óvulo ocorra pelo espermatozoide.

Nesse intervalo de tempo, a probabilidade de que ocorra uma gravidez é maior.

O tempo de sobrevivência de um espermatozoide dentro do organismo feminino é, em média, de 48 a 72 horas. O óvulo, ao ser liberado, pode ser fecundado em até cerca de 24 horas.

O período fértil geralmente começa três dias antes e termina três dias depois da ovulação, portanto a janela de fertilidade é de cerca de seis dias.

Esse é o momento mais propício à fecundação. De forma geral, as relações sexuais que têm maior chance de resultar em gravidez costumam ocorrer de um a dois dias antes da data da ovulação.

O acompanhamento do período fértil é um dos métodos utilizados por clínicas de reprodução assistida para aumentar as chances de gravidez.

Como calcular o período fértil em ciclos regulares e como identificá-lo em irregulares?

  1. Para mulheres que têm ciclos regulares, a utilização de uma tabela ou calendário pode ser eficiente para calcular o período fértil.
  2. De maneira geral, a ovulação ocorre cerca de duas semanas após o primeiro dia da menstruação, na metade do ciclo.

  3. Portanto, é possível fazer uma estimativa do dia da ovulação ao contar, no calendário, 14 dias após o início do período menstrual.

  4. Mulheres que têm ciclos irregulares podem recorrer a testes urinários, que detectam o pico de LH, hormônio produzido com maior intensidade nos períodos que se aproximam à possibilidade de uma fecundação do óvulo e, por isso, é um marcador do período fértil.
  5. Alguns sinais fisiológicos também podem ser eficientes para indicar a ovulação.

  6. Um desses sintomas é a secreção vaginal, que se torna mais translúcido, assemelhando-se à clara do ovo.
  7. Algumas mulheres também relatam dor pélvica e pequena perda de sangue.
  8. Entretanto, apenas esses sinais não são suficientes para que se possa determinar com precisão a ovulação.

Fases do ciclo menstrual

O ciclo menstrual é composto por três fases. Embora sua duração média seja de 25 a 30 dias, os médicos costumam utilizar como exemplo o ciclo de 28 dias.

  • Já o ciclo irregular varia em duração e pode ser um indicativo de ausência de ovulação (anovulação).
  • A primeira fase do ciclo menstrual é chamada de fase folicular e inicia no primeiro dia da menstruação, com duração entre 5 e 10 dias.
  • É nessa fase que os ovários são estimulados para que o folículo, estrutura que contém o óvulo, desenvolva-se até amadurecer.
  • É também durante essa fase que os ovários estimulam a produção do estrogênio, hormônio responsável por estimular o crescimento da camada que reveste o útero (endométrio) a fim de prepará-lo para uma possível implantação do embrião no útero, que dá início à gravidez.
  • A fase folicular é seguida pela fase ovulatória, em que é produzido o hormônio LH.
  • Esse hormônio faz com que o folículo se rompa e libere o óvulo mais maduro em direção às tubas uterinas (também chamadas de trompas de Falópio), processo conhecido como ovulação.
  • É durante essa fase que ocorre o período fértil, em que a mulher tem maiores probabilidades de engravidar.
  • A última fase, conhecida como fase lútea, acontece durante os 14 dias finais do ciclo, em que o organismo continua a produzir hormônios a fim de revestir o útero para prepará-lo para uma possível gravidez.
  • Quando a fecundação não ocorre, esse revestimento é eliminado por meio da menstruação.
  • Se a fecundação ocorrer, o óvulo fecundado irá fixar-se na parede do útero e a gestação terá início.

É possível engravidar fora do período fértil?

  1. A gravidez fora do período fértil não é possível, já que é necessário que a ovulação ocorra para que haja uma fecundação.
  2. O que acontece muitas vezes é que o período fértil de algumas mulheres pode variar de acordo com as condições de saúde e também de determinados eventos.

  3. Por exemplo, mulheres que tomam anticoncepcional de maneira irregular ou esquecem de tomar a pílula acabam por alterar seu ciclo.
  4. Há também casos em que ocorre uma sobrevida do espermatozoide ou o óvulo permanece no organismo por mais tempo e, desse modo, a fecundação ocorre.

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Entretanto, para que uma mulher engravide, é necessário que ela, de alguma forma, esteja em seu período fértil. Elaboramos também um conteúdo dedicado ao cálculo do período fértil.

9 perguntas e respostas sobre fertilidade

A ciência assina embaixo: existem hábitos e atitudes que aumentam a fertilidade. Por isso, respondemos as principais dúvidas que pairam na cabeça dos casais quando pinta a vontade de ter filhos. Olha só:

1. Há momento e frequência certos para fazer o bebê?

Sim. É o que afirma um documento recém-publicado pela Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, que traz conselhos para elevar as chances de sucesso da concepção. A entidade recomenda respeitar a janela fértil e ter uma relação sexual por dia ou a cada dois nessa fase.

A janela fértil é o período de seis dias que se inicia, em média, duas semanas após a menstruação. Nele, ocorre um aumento do muco cervical, que funciona como substrato energético para o espermatozoide – incentivo e tanto para marcar o gol.

“No cenário ideal, a relação sexual deve ocorrer 24 a 36 horas antes da ovulação. Assim, quando a mulher ovular, o espermatozoide já está na trompa à espera do óvulo”, explica o ginecologista Alvaro Petracco, diretor do Fertilitat – Centro de Medicina Reprodutiva, em Porto Alegre.

2. A idade importa só para a mulher?

Não é por aí. Novos estudos começam a mudar a percepção de que o avanço dos anos pesa mais para elas. Uma pesquisa recente da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, indica que mulheres de 35 a 40 anos que tentam engravidar com homens da mesma idade obtêm êxito em 54% dos casos. Mas, quando os parceiros são mais novos, na casa dos 30 anos, as chances sobem para 70%.

Com o tempo, tanto a quantidade quanto a qualidade do esperma sofrem alterações. A mobilidade das células sexuais pode cair até 37% em homens de 50 anos. Hoje, a orientação é que o casal procure um especialista após seis meses de tentativas frustradas quando as velinhas da mulher somarem 40. A dica é não perder tempo. Com acompanhamento, aumentamos a taxa de sucesso.

3. Testes para o período fértil valem a pena?

Sim. O mais certeiro mesmo é o exame de ultrassom. Existem, no entanto, métodos realizados em casa que também funcionam. Um deles mensura o hormônio luteinizante (LH). Por meio da urina, a mulher pode identificar um aumento do LH, que ocorre de 24 a 48 horas antes da ovulação – é o momento-chave para a fecundação.

Observar o muco cervical é outra possibilidade. No pico de fertilidade, a secreção fica mais volumosa, com tom claro e textura escorregadia. Há evidências de que as chances de concepção aumentam quase 30% nos dias em que se percebe esse tipo de líquido.

4. Lubrificantes vaginais não são indicados?

Melhor deixá-los na gaveta se a ideia é ter bebês. Já há um consenso de que eles não devem ser usados nessa fase.

“Isso porque são tóxicos para o espermatozoide”, explica o ginecologista João Pedro Junqueira Caetano, presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH).

Um trabalho da Universidade do Texas, em solo americano, concluiu que lubrificantes à base de água inibiram de 60 a 100% a movimentação de espermatozoides no laboratório.

Géis, óleos especiais e saliva prejudicaram em 6,25%. Só o óleo mineral não causou danos. A recomendação é que casais com problemas de fertilidade não devem utilizar esses produtos.

5. Excesso de peso diminui as chances mesmo?

Sim. Ter uma boa fertilidade depende de um trabalho afinado da nossa orquestra hormonal. E a obesidade desregula essa sinfonia, além de criar um cenário inflamatório péssimo para os nossos gametas. São mudanças que afetam pra valer a ovulação e a quantidade e a qualidade do sêmen.

“Homens com IMC acima de 35 têm uma probabilidade muito maior de ficar sem nenhum espermatozoide”, afirma Edson Borges, chefe do Departamento de Infertilidade da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Já as mulheres sofrem com menstruação irregular e maior risco de aborto espontâneo. Motivos extras para perder peso, não?

6. Atividade física ajuda pra valer?

Se for regular e moderada, sim. Além de reduzir o peso, suar a camisa aprimora a circulação, a oxigenação das células e o aproveitamento de glicose. Ponto para os óvulos e espermatozoides.

Um experimento australiano com 67 mulheres obesas em tratamento para engravidar identificou que aquelas que passaram por um programa de seis meses de exercícios e reeducação alimentar apresentaram taxa de sucesso superior.

Só não pode se matar na academia! “Mulheres muito magras, anoréxicas ou maratonistas não têm muita gordura corporal. Só que os hormônios precisam dessa reserva. Sem ela, algumas até param de ovular”, diz o especialista em reprodução Marcio Coslovsky, da Clínica Primórdia, no Rio de Janeiro.

7. Anabolizante deixa os homens menos férteis?

Sim, senhor! E mulheres que fazem uso também sofrem consequências. Ao recorrer a anabolizantes à base de testosterona, os mais comuns, o corpo entende que há hormônio além da conta e cessa a produção natural. Os testículos param de fabricá-lo e, em ritmo de greve, deixam de gerar também os espermatozoides – atrofiam literalmente.

“Eles podem voltar ao normal, mas tudo vai depender das doses e do tempo de utilização”, esclarece Valter Javaroni, chefe do Departamento de Medicina Sexual e Infertilidade da SBU no Rio. E a ala feminina? “Na mulher, essas substâncias causam irregularidades no ciclo menstrual”, avisa.

8. As DSTs se intrometem nessa história?

Com certeza. As principais vilãs são a clamídia, a gonorreia e a sífilis. As bactérias por trás dessas doenças sexualmente transmissíveis desgovernam a produção, o armazenamento e a trajetória dos gametas.

Na mulher, podem atacar as trompas, enquanto no homem inflamam o epidídimo, tubo localizado atrás do testículo que armazena e transporta os espermatozoides, ou o próprio testículo. A clamídia é uma das mais preocupantes, por não apresentar tantos sintomas. Daí a importância de um checkup anual a fim de flagrar e tratar as infecções a tempo de elas não afetarem a fertilidade do casal.

9. Há alimentos bons para a fertilidade?

Ingredientes específicos para ajudar a engravidar não passam de mito, segundo a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva. “Tem gente que diz que o vinho ajuda a engravidar, mas, na verdade, ele só desinibe as pessoas a ter mais atividade sexual”, exemplifica Caetano.

O que faria diferença é manter uma dieta equilibrada. A boa alimentação auxilia a evitar o estresse oxidativo, que causa danos às células. E o conselho é o mesmo dado para zelar pela saúde em geral: evite os produtos ultraprocessados e invista mais em frutas, verduras, grãos integrais e carnes magras. Até a próxima geração irá agradecer.

O que sabota a fertilidade pra valer

  • Abuso de álcool
  • Quem bebe demais vê a ameaça de infertilidade crescer 60%.
  • Obesidade
  • Dobra o tempo para a mulher conseguir engravidar.

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  1. Muita cafeína
    Exagerar no café e em energéticos reduz a fecundidade em 45%.
  2. Cigarro
    Aumenta a propensão à infertilidade em cerca de 60%.

  3. Agentes tóxicos
  4. Solventes e outros materiais agravam o problema em 40%.
  5. Drogas
  6. Substâncias ilícitas elevam o risco de dificuldades em 70%.

As principais causas de infertilidade

  • Nas mulheres
  • Inflamação da pelve: consequência de infecções bacterianas, como a clamídia, chega a comprometer os órgãos reprodutivos.
  • Endometriose: o extravasamento do tecido do útero pode levar a bloqueios na trompa, impedindo a fecundação.
  • Problemas de ovulação: distúrbios hormonais, envelhecimento e estilo de vida desequilibrado estão por trás deles.
  • Nos homens
  • Varicocele: doença, que provoca dilatação das veias dos testículos, afeta com frequência a qualidade do sêmen.
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Infecções: podem interferir com a produção e a passagem do esperma. As principais são a gonorreia e a clamídia.

Azoospermia: refere-se à ausência de espermatozoides no sêmen. Atinge cerca de 20% dos homens inférteis.

Quando o médico entra em cena

  1. Estimulação ovariana
  2. Remédios induzem a mulher a liberar mais de um óvulo em um ciclo menstrual, o que facilita a concepção.

  3. Inseminação artificial
  4. Espermatozoides são implantados já no útero para abreviar a viagem até o óvulo e aumentar a taxa de sucesso.

  5. Fertilização in vitro

Óvulos são fecundados pelos espermatozoides em laboratório. Daí o embrião pode ser implantado no útero.

Injeção intracito-plasmática

Usada quando há poucas células sexuais. Em laboratório, o espermatozoide é injetado direto no óvulo.

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Conheça 8 maneiras de como aumentar a fertilidade! – Nilo Frantz – Medicina Reprodutiva

Para entender como aumentar a fertilidade, é preciso ter clareza de que a fertilidade é definida como a aptidão de se reproduzir, ou seja, a capacidade natural de um indivíduo de produzir uma gravidez através do método natural (relação sexual). Ela depende de uma série de fatores que envolvem não apenas questões físicas nos aparelhos reprodutores masculinos e femininos, mas também aspectos psicológicos, estilo e a qualidade de vida dos indivíduos. 

Nesse sentido, a fertilidade é também muito influenciada pelos hábitos alimentares e escolhas nutricionais de homens e mulheres. Desta forma, alguns ajustes na alimentação e no estilo de viver o dia a dia de cada um podem contribuir para  aumentar a fertilidade.

O que significa aumentar a fertilidade?

Aumentar a fertilidade significa buscar caminhos para ampliar as chances de uma gravidez natural, já que a probabilidade de um casal engravidar naturalmente é baixa: cerca de 15% a 20% a cada ciclo menstrual da mulher.

Além disso, um casal é considerado fértil quando consegue a gravidez em um período de 12 meses, através de relações sexuais, sem uso de métodos contraceptivos.

Nesse sentido, estudos mostram que aproximadamente 70% dos casais, sem problemas de fertilidade, engravidam nos primeiros 6 meses de tentativas, e 85% deles atingem a gravidez ao final de um ano.

Quando isto não acontece, ou seja, quando o casal não engravida após um ano de tentativas, apresenta-se um quadro de infertilidade que deve ser investigada. De acordo com as causas da infertilidade masculina e ou feminina, médicos especialistas em reprodução humana podem avaliar qual o melhor tratamento.

Como saber se tenho problemas de fertilidade?

Para saber se existe algum problema na fertilidade, homens e mulheres podem fazer o Check Up da fertilidade, uma avaliação médica completa para verificar e acompanhar como está o potencial reprodutivo.

As pessoas já estão acostumadas a fazer anualmente um check up da saúde geral, mas poucos sabem da importância de fazer o check up da fertilidade.

Sendo assim, mesmo que ter filhos seja um plano para o futuro, é importante acompanhar desde cedo o potencial reprodutivo masculino e feminino.

Para isso, uma avaliação periódica pode evitar problemas, detectar doenças tratáveis e ajudar pacientes a se planejarem para o momento que decidirem se tornar pais.

Como funciona o check up da fertilidade para homens e mulheres?

O check up da fertilidade inicia com uma consulta médica: ginecologista para mulheres e urologistas para os homens. Nesta conversa, o especialista vai conhecer melhor o paciente, entendendo aspectos como: 

  • Histórico familiar
  • Estilo de vida;
  • Existência ou não de hábitos como alcoolismo ou tabagismo
  • Presença ou não de doenças crônicas, como diabetes, hipertensão etc.

Problemas com ovulação – Problemas de saúde feminina – Manual MSD Versão Saúde para a Família

A reprodução é controlada por um sistema que inclui o hipotálamo (uma região do cérebro), a hipófise, os ovários e outras glândulas, tais como as glândulas adrenais e a tireoide. Problemas com a ovulação (liberação de um óvulo) resultam quando uma parte deste sistema falha. Por exemplo,

  • É possível que o hipotálamo não secrete o hormônio liberador de gonadotrofina, que estimula a hipófise a produzir os hormônios que estimulam os ovários e estimulam a ovulação (o hormônio luteinizante e o hormônio folículo-estimulante).
  • É possível que a hipófise não produza uma quantidade suficiente de hormônio luteinizante ou de hormônio folículo-estimulante.
  • É possível que os ovários não produzam uma quantidade suficiente de estrogênio.
  • É possível que a hipófise produza excesso de prolactina, um hormônio que estimula a produção de leite. Uma concentração elevada de prolactina (hiperprolactinemia) pode causar uma baixa concentração de hormônios que estimulam a ovulação. A concentração de prolactina talvez esteja alta em decorrência de um tumor na hipófise (prolactinoma), que quase nunca é canceroso.
  • É possível que o funcionamento de outras glândulas seja defeituoso. Por exemplo, é possível que as glândulas adrenais produzam hormônios masculinos (por exemplo testosterona) em excesso, ou é possível que a tireoide produza uma quantidade excessiva ou escassa de hormônios da tireoide, que ajudam a manter a hipófise e os ovários em equilíbrio.

Muitos distúrbios podem causar problemas de ovulação. Uma das causas mais comuns é:

Outras causas de problemas de ovulação incluem

  • Prática excessiva de atividade física
  • Certos medicamentos (como estrogênios e progestinas e antidepressivos)

Às vezes, a causa é a menopausa precoce – quando a produção de óvulos é interrompida precocemente.

Um problema de ovulação geralmente é a causa da infertilidade em mulheres com menstruação irregular ou sem menstruação (amenorreia). Raramente, um problema de ovulação é a causa da infertilidade em mulheres com menstruação regular, mas que não apresentam sintomas pré-menstruais, como dores nas mamas, inchaço abdominal inferior e alterações de humor.

O ciclo menstrual é regulado pela interação complexa dos hormônios: hormônio luteinizante, hormônio folículo-estimulante e os hormônios sexuais femininos estrogênio e progesterona. O ciclo menstrual tem três fases:

  • Folicular (antes da liberação do óvulo)
  • Ovulatória (liberação do óvulo)
  • Lútea (depois da liberação do óvulo)

O ciclo menstrual começa com sangramento menstrual (menstruação), que marca o primeiro dia da fase folicular. No início da fase folicular, a concentração de estrogênio e de progesterona está baixa. Assim, as camadas superiores do revestimento uterino (endométrio) espesso se rompem e derramam, dando início ao sangramento menstrual. Nesse período, a concentração do hormônio folículo-estimulante aumenta levemente, estimulando o desenvolvimento de vários folículos nos ovários. Cada folículo contém um óvulo. Posteriormente durante esta fase, conforme a concentração do hormônio folículo-estimulante diminui, somente um folículo continua a se desenvolver. Este folículo produz estrogênio. A fase ovulatória começa com um surto na concentração do hormônio luteinizante e do hormônio folículo-estimulante. O hormônio luteinizante estimula a liberação do óvulo (ovulação), o que normalmente ocorre de 32 a 36 horas após o início do surto. O pico da concentração de estrogênio ocorre durante o surto e a concentração de progesterona começa a aumentar. Durante a fase lútea, ocorre uma redução na concentração do hormônio luteinizante e do hormônio folículo-estimulante. O folículo rompido se fecha após a liberação do óvulo e forma um corpo lúteo, que produz progesterona. Durante a maior parte dessa fase, a concentração de estrogênio é alta. A progesterona e o estrogênio fazem com que o revestimento do útero fique ainda mais espesso, para se preparar para uma possível fecundação. Se o óvulo não for fecundado, o corpo lúteo se degenera e já não produz mais progesterona, a concentração de estrogênio diminui, as camadas superiores do revestimento se rompem e são derramadas e ocorre o sangramento menstrual (o início de um novo ciclo menstrual).

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