Quando E Como Surgiu O Escutismo E O Cne.?

O Escutismo

O Escutismo surgiu em Agosto de 1907.Foi fundado por Baden-Powell, um militar inglês.

Quando E Como Surgiu O Escutismo E O Cne.?A 25 de julho de 1907, Baden-Powell ou BP, partiu com vinte rapazes, organizados em quatro patrulhas (Corvo, Maçarico, Touro e Lobo) para a Ilha de Brownsea, onde realizaram o primeiro acampamento de Escoteiros. 

Devido ao sucesso deste primeiro acampamento, BP resolveu publicar o livro “Escotismo para Rapazes” (“Scouting for Boys”), onde escreveu todas as suas experiências e aventuras vividas e conhecidas, fazendo com que desperta-se nos jovens o gosto pelas aventuras e pelo Escotismo. Este livro foi um êxito, que não só em Inglaterra, mas em muitos outros países se formaram novas patrulhas de escoteiros.Foram-se realizando mais acampamentos, seguidos de publicações de novos livros, que se tornaram êxitos, onde BP escreveu outras experiências e métodos do Escotismo.Passado o tempo o Escotismo deu origem ao Escutismo, na qual a diferença é que os escuteiros são católicos, enquanto os escoteiros não o são.

E em pouco tempo o Escutismo tal como o Escotismo foram mundializados, o que provou que as suas atividades, métodos e experiências eram universalmente válidos.

CNE – Corpo Nacional de Escutas

O CNE ou Corpo Nacional de Escutas é a maior organização de juventude de Portugal e é um movimento da Igreja Católica, destinada à formação integral de jovens, com base nos princípios e métodos criados por BP e no voluntariado dos seus membros.
Foi fundado pelo Arcebispo D. Manuel Vieira de Matos e Dr. Avelino Gonçalves, em Braga a 27 de maio de 1923.
Este grupo foi aprovado pelo governador civil de Braga no próprio dia, e confirmados a 26 de Novembro pela portaria nº 3824 do Ministério do Interior e Direção Geral de Segurança, começando a partir desse dia, a existir oficialmente, com legalidade e personalidade jurídica.Mais tarde, começou-se a gerar um movimento de norte a sul do país, formando novos agrupamentos e núcleos, tendo sido sempre aprovado até aos dias de hoje.

  • Curiosidade!  Existem mais de mil agrupamentos do CNE no nosso país, implantados por paróquias locais de todo o país. Existe em todos os concelhos do território continental, Região Autónoma dos Açores e da Madeira, como também há agrupamentos do CNE em Macau e em Genebra, na Suíça.

 

História do C.N.E

Quando E Como Surgiu O Escutismo E O Cne.?O Corpo Nacional de Escutas – Escutismo Católico Português – nasceu em Braga a 27 de Maio de 1923. Foram seus fundadores o Arcebispo D. Manuel Vieira de Matos e Monsenhor Dr. Avelino Gonçalves, que em Roma mantiveram os primeiros contactos com o Movimento, quando ali assistiram, em 1922, a um desfile de 20.000 Escutas, por ocasião do Congresso Eucarístico Internacional que esse ano se realizou na Cidade Eterna.

Depois de bem documentados regressaram a Braga e rodearam-se de um grupo de 11 bracarenses corajosos e valentes que, a 24 de Maio de 1923, faziam a sua primeira reunião, no prédio n.

° 20 da Praça do Município, para estudarem a possibilidade e oportunidade da criação de um grupo de Scouts Católicos em Portugal: Assim nasceu o Corpo de Scouts Católicos Portugueses, cujos estatutos foram aprovados a 27 de Maio desse mesmo ano pelo governador civil de Braga, e confirmados em 26 de Novembro pela portaria n.

° 3824 do Ministério do Interior e Direcção Geral de Segurança, começando a partir desse dia a existir oficialmente, com legalidade e personalidade jurídica.

A 26 de Maio de 1924 é publicado o Decreto-lei n.° 9729, que confirma a aprovação dos estatutos e alarga a todo o território Português o âmbito da Associação.

Em Janeiro de 1925, reuniu em Braga, pela primeira vez a Junta Nacional com: D. Manuel Vieira de Matos, Director Geral; D. José Maria de Queirós e Lencastre, Comissário Nacional; Dr. Avelino Gonçalves, Inspector-Mór; Cap.

Graciliano Reis S. Marques, 1.° Vogal e Álvaro Benjamim Coutinho, 2.° Vogal.

O CNE tem actualmente cerca de 1.100 Agrupamentos em todo o território português, com mais de 60.000 associados, número bastante apreciável se tivermos em conta que a sua preocupação é a qualidade e não a quantidade.

O Fundador do Escutismo, Lord Baden-Powell, visitou Portugal Continental por duas vezes – 1929 e 1934 – e esteve na Ilha da Madeira em 1930.

Cronologia

  • 26 de Novembro de 1923
    A Portaria nº 3824 aprova os Estatutos do CSCP – Corpo de Scouts Católicos Portugueses.
  • 26 de Maio de 1924
    Publicação do Decreto nº 9729 que confirma a aprovação, já dada em Portaria, dos Estatutos referidos e alarga a todo o território nacional o âmbito da associação.
  • Fevereiro de 1925
    Sai o primeiro número da revista “Flor de Lis”.
  • 15 de Março de 1925
    É aprovada a redação do Regulamento Geral.
  • 4 de Abril de 1929
    Principia em Coimbra o 1º Congresso Nacional de Dirigentes.
  • 2 de Maio de 1929
    Admissão na Organização Mundial do Movimento Escutista (WOSM ).
  • 24 de Setembro de 1950
    O Corpo Nacional de Escutas (CNE) é condecorado com a “Medalha de Ouro do Tiradentes” da União de Escoteiros do Brasil.
  • 5 de Novembro de 1950
    A Sede do CNE é transferida de Braga para Lisboa.
  • 19 a 25 de Setembro de 1961
    Conferência Internacional do Escutismo, no Seminário dos Olivais, em Lisboa.
  • 21 de Junho de 1963
    Inauguração oficial do Campo-Escola Nacional Calouste Gulbenkian, em Fraião, Braga.
  • 15 de Agosto de 1966
    1º Encontro Nacional de Dirigentes, em Fátima.
  • 9 de Março de 1975
    Aprovação de novos Estatutos do CNE, no Conselho Nacional em Fátima.
  • 16 de Dezembro de 1982
    O CNE é condecorado pelo Ministro da Qualidade de Vida com a “Medalha de Bons Serviços Desportivos”.
  • 3 de Agosto de 1983
    O CNE é declarado de Utilidade Pública, conforme despacho do Primeiro-Ministro, publicado no Diário da República, IIª Série, nº 177 (Despacho de 20 de Julho de 1983).

29 de Novembro a 1 de Dezembro de 1986
1º Congresso do Escutismo Católico Português, “Que Escutismo para o ano 2000?”.

7 de Maio de 1988
Inauguração do Centro Nacional de Formação Ambiental de São Jacinto, Aveiro.

22 de Maio de 1989
Concessão ao CNE da “Medalha de Honra da Cidade de Lisboa”.

28 de Maio de 1989
Inauguração da actual Sede Nacional do CNE, na Rua D. Luís I, 34, Lisboa.

26 de Maio de 1990
Inauguração do novo espaço do Depósito de Material e Fardamento (DMF).

17 de Julho de 1992
Publicação do Alvará da condecoração da “Ordem do Mérito”; é publicado no Diário da República nº 257 – IIª Série de 6-11-1992.

Setembro de 1995
O Agr. 19 do CNE envia a sua bandeira para o espaço sideral.

10 de Outubro de 1995
Aparece o primeiro site português sobre Escutismo na Internet.

4 a 10 de Agosto de 1997
XIX Acampamento Nacional em Valado de Frades, Nazaré, com cerca de 10.000 participantes, sob o tema geral: “Não há longe nem distância”.

1 de Outubro de 1997
Entra em vigor o novo Regulamento Geral do CNE

27 de Maio de 1998
O CNE comemora 75 anos de vida.

30 de Maio de 1998
O CNE é condecorado pelo Presidente da República, a título honorífico, com a Ordem do Infante Dom Henrique. Em Sessão Solene realizada em Barcelos.

29 Julho-05 Agosto 2002
XX ACANAC – Acampamento Nacional 2002 “O Mundo nas tuas mãos” Santa Margarida – Abrantes

31 Julho a 6 Agosto de 2007
XXI ACANAC – Idanha-a-Nova

O Escutismo visto pelo seu dirigente mundial

Entrevista a João Armando Gonçalves No contexto da sua visita à Madeira, João Armando Gonçalves — Presidente do Comité Mundial do Escutismo — concedeu uma entrevista exclusiva ao Educatio Madeira.

Dirige o órgão executivo da Organização Mundial do Movimento Escutista (OMME), entidade que congrega cerca de 40 milhões de membros de mais de 220 países e territórios. Foi orador convidado no Seminário ‘CNE Madeira: que futuro?’, organizado pela Junta Regional da Madeira do Corpo Nacional de Escutas, em novembro de 2016.

Nascido em Leiria e residente na Figueira da Foz, é Professor-Adjunto no Instituto Superior de Engenharia de Coimbra (ISEC), na área do Ambiente Urbano, e investigador no Centro de Investigação do Território, Transportes e Ambiente, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

A relação entre o Escutismo — o maior movimento mundial de juventude — e a Educação revela-se central nesta entrevista. Educatio (ED)— No Escutismo, o desenvolvimento de valores para a vida, de competências e de capacidades está associado a um código ético de comportamento.

Estas são palavras vãs ou têm aplicação real? João Armando Gonçalves (JAG)— O Escutismo tem subjacente — e faz parte da sua matriz inicial, do seu método — o código ético comportamental.

Os elementos que nós consideramos do método [escutista] decorrem da adesão livre ao compromisso com a Lei do Escuteiro.

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Os jovens são chamados a compreenderem-na e a comprometerem-se perante ela. Na Lei do Escuteiro — que tem dez artigos — falamos da honra, da confiança, da lealdade, da amizade para com os outros, da pureza dos pensamentos. As várias propostas que são feitas constituem, de facto, a matriz ética daqueles que aderem ao movimento.

Para nós, nesse compromisso formal — que cada um dos jovens faz quando entra para o Escutismo — está a proposta [ética] que lhe é feita.

Tentamos, de modo adequado a cada uma das idades, que os jovens possam entender o tipo de compromisso que estão a fazer e que possam, depois, aderir a esse compromisso na perspetiva de que prometem fazer o seu melhor para, a cada dia, terem esses valores presentes na sua vida.

Para nós, é muito claro que essa vivência se faz no quotidiano, quer nas atividades escutistas quer na vida pessoal.

ED — O Escutismo está, historicamente, associado a atividades ao ar livre. Este é um ponto fulcral, um pormenor limitativo ou apenas uma parte da história deste movimento? JAG — O ar livre é uma parte integrante, também, do nosso método de educar. E não apenas porque faz parte da tradição.

Sempre entendemos o ar livre como um ambiente educativo.

O ar livre não é uma obrigatoriedade, uma limitação, mas um mundo de oportunidades que podemos explorar e onde os jovens são confrontados com um conjunto de desafios.

Quando os jovens vão acampar e lhes é dito que «nos próximos sete dias, este é o vosso ambiente, não há comida feita, não há conforto» e são eles próprios que vão construir as suas mesas, montar as suas tendas, enfim, organizar o campo onde vão viver durante aqueles dias, tudo isso constitui um desafio que apela à criatividade, às vezes, até ao desenrasque. É uma enorme oportunidade para que os jovens possam ser estimulados no seu desenvolvimento pessoal. Hoje em dia, obviamente, a natureza representa um bem para muitas pessoas e para muitos movimentos educativos.

Para nós, há mais de 100 anos que a natureza representa um bem, precisamente por ser um local que, do ponto de vista da educação não formal, tem uma riqueza enorme.

ED —  “Be prepared!” é o lema original. O Escutismo, enquanto educação não-formal, prepara um jovem para ser um elemento preparado e ativo na sociedade, nomeadamente a nível social e político? JAG — Sim, estamos convencidos de que o Escutismo prepara os jovens para serem cidadãos ativos.

É isso que está escrito na nossa Declaração de Missão e a cidadania para nós tem as duas dimensões, social e política. Política, não no sentido de partidária, mas no sentido da intervenção.

Essa transformação pode ser feita de várias maneiras, desde a escola, desde o trabalho, desde a sua rua; essa capacidade transformativa existe.

Depois, obviamente, [pode ser feita] ao nível do que são as instituições, do que são as estruturas que estão instituídas.

Por exemplo, na escola pode ser pela associação de estudantes, na freguesia pode ser pela junta de freguesia, pode ser pelo grupo desportivo, a ideia é que, de alguma maneira, os jovens possam participar dessa ‘Pólis’, como diríamos num sentido mais geral.

Do ponto de vista político, isso é claro nesta aceção mais genérica; do ponto de vista social, parece que também é evidente, relacionado com o que já afirmei anteriormente.

Há um conjunto de competências sociais que se vão desenvolvendo pelo contacto e pelo conhecimento de outras pessoas, até do ponto de vista mais global, porque o Escutismo tem uma dimensão global muito forte.

Portanto, há um conjunto de competências de socialização que se vai desenvolvendo, desde o grupo mais pequeno, até a esta casa comum a que chamamos mundo.

ED —  Qual é o fator diferenciador do movimento escutista em relação a outros movimentos educativos? JAG —  Mais diferenciador é o facto de ser uma educação ativa, ou seja, uma educação que se socorre de métodos ativos. […]

Digo muitas vezes que o nosso método de educar é um método muito particular, é diferente dos outros.

Na relação que se estabelece entre cada um dos jovens e o educador, há uma relação individual que, para nós, é muito importante, porque cada jovem é diferente do outro.

A natureza é outra das componentes do método. Temos também a lei e a promessa, com o tal código de conduta.

Temos ainda um certo sentido de simbologia, um conjunto de rituais e tradições que fazem parte deste método.

Há um outro elemento muito importante que é a dimensão internacional, a dimensão global, e o facto de os jovens escutistas pertencerem a uma família muito grande, de cerca de 40 milhões.

Esta dimensão global do Escutismo é-lhes dada de forma muito próxima e muito facilmente.

É mais uma das dimensões que o Escutismo tem, do ponto de vista educativo, e das mais-valias que, provavelmente, o diferencia de outras escolas de educação. ED — Robert Baden-Powell fundou o Escutismo num período histórico em que o desenvolvimento industrial se impunha, paulatinamente, nas sociedades ocidentais.

Na atualidade, o mundo vive desenvolvimentos assimétricos, em sociedades com características pré-industriais, industriais e pós-industriais.

O método escutista permite dar resposta às necessidades diferenciadas dos jovens em cada sociedade? JAG —  Esta capacidade adaptativa do movimento escutista, ao longo do tempo e no mundo inteiro, é uma das marcas mais importantes enquanto organização e explica o seu sucesso.

Não haverá muitos movimentos que tenham resistido durante tanto tempo — estamos a falar de quase 110 anos — e que tenham uma expressão tão global. Nós somos 40 milhões espalhados por mais de 200 países e territórios.

É precisamente essa capacidade de poder responder às necessidades dos diferentes ambientes sociais, económicos, etc. que me parece fascinante e que explica esse sucesso. Como digo muitas vezes, fazer Escutismo no Benim, por exemplo, não é o mesmo que o fazer nos Estados Unidos. As necessidades são diferentes, as características sociais são diferentes e as respostas do Escutismo são adaptadas a isso. Possivelmente, os jovens do Benim serão equipados com competências muito próprias, que poderão vir a ser úteis enquanto cidadãos daquele país, com necessidades muito específicas. Quando o Escutismo proporciona competências do tipo vocacional e fornece atividades relacionadas com aprender a cultivar uma pequena horta, quando proporciona competências relacionadas com o comércio de produtos para que os jovens possam apoiar a economia familiar, estas são coisas muito diretas.

Um dos objetivos do Escutismo é o de apoiar as pessoas nas suas necessidades.

Na Europa, poderá ser a educação para os valores ou o respeito pela diversidade, pois há outro tipo de características que serão mais importantes. Ora, o Escutismo tem precisamente esta latitude e consegue responder — respeitando o método de que vos falava antes e com o tipo de atividades que faz — a essas diferentes necessidades.

Não tenho dúvidas de que essa é uma das características mais importantes do movimento e da organização que lhe dá suporte: o conseguir adaptar-se aos vários ambientes.

Até do ponto de vista da expressão, muitas pessoas veem o uniforme como uma coisa dos escuteiros e, em muitos sítios, é. Mas, há alguns locais do mundo em que comprar o uniforme não é possível ou é muito difícil e não é por isso que as pessoas deixam de ser escuteiras. Esta capacidade adaptativa é uma mais-valia do movimento.

ED —  O Escutismo integra e interliga jovens de todo o mundo.

Como consegue fazer esta conjugação e respeitar as características da cultura de cada um? JAG — […] Tenho dito, algumas vezes, que há este sentido de fraternidade e que, às vezes, nós encontramos outra pessoa que nunca vimos na vida, mas, que só pelo facto de ter um lenço ao pescoço é como se fizesse parte da família.

Há um enorme respeito pelas convicções e pelas diferenças culturais do outro. Mais do que respeito, o Escutismo aproveita isso como instrumento de educação.

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O movimento escutista reúne-se a cada 4 anos. Organiza um Jamboree, um grande encontro que atrai escuteiros de todo o mundo. O último foi realizado no Japão, no ano passado, e reuniu quase 40 mil escuteiros.

É verdadeiramente uma enorme festa de descoberta do que é o ‘outro’, do que é hoje ser cidadão do mundo e do que é ter, no mesmo local, uma ‘cidade’ de 40 mil pessoas com várias culturas e religiões. Trazer essas pessoas todas ao mesmo local, durante 12 dias, é proporcionar aos jovens uma experiência absolutamente inesquecível, porque, pela primeira vez, estão em contacto com realidades totalmente diferentes e podem explorar, podem descobrir aquilo que é ser um jovem da sua idade noutro canto do mundo, completamente diferente, e essa convivência faz-se de forma muito normal e muito saudável.

Neste último encontro no Japão, uma das áreas foi a das ‘Fés e Convicções’, onde grande parte das religiões estava representada com ‘stands’ e atividades.

Os jovens podem ter acesso e compreender o que significam [as religiões]. Posso-vos dizer que foi uma das áreas de atividade mais populares durante o Jamboree, das mais bem cotadas pelos jovens. Foi um daqueles dias em que as pessoas que organizavam as atividades estiveram em grande cooperação, a ajudarem-se uns aos outros, a montar os stands em grande convívio.

É uma coisa especial, talvez difícil de compreender para quem não é escuteiro, mas temos esse respeito e utilizamos as diferenças como riqueza e como factor de descoberta, não como fator de divisão.

ED —  Como está o Escutismo em Portugal? No caso específico da Madeira, o que nos reserva o futuro? JAG — O Escutismo em Portugal está de saúde. Existem duas associações [– a Associação de Escoteiros de Portugal (AEP) e o Corpo Nacional de Escutas (CNE)]. Pelo cargo que desempenho, não acompanho com grande proximidade o que vai acontecendo.

Nos últimos anos, tem-se verificado um crescimento, ainda que pequeno, do efetivo em Portugal.

Convém não esquecer que estamos num cenário demográfico em que temos cada vez menos jovens e poderá vir a acontecer que isso também se reflita no movimento, tal como acontece nas escolas.

Ambas as organizações são estáveis e sólidas, participando ativamente no movimento ao nível europeu e mundial.

São organizações que têm uma grande solidez do ponto de vista doutrinal. Se pensarmos nos princípios e no Escutismo desde a sua origem, estas conservam grande parte desses princípios originais. Viver o Escutismo de forma tão intensa é, de facto, uma das marcas que têm. Portanto, do ponto de vista geral, as coisas funcionam bem.

Ao nível da Madeira, não acompanho bem, mas, segundo o que me foi dado a conhecer pelos contactos que tenho ultimamente, parece registar-se estabilidade.

Um dos problemas que me foi comunicado foi o facto de ser difícil mobilizar adultos para desempenhar funções como educadores e dirigentes dos escuteiros. Este é um problema que existe não só ao nível da Madeira, mas até a nível europeu e mundial.

Apesar de sermos um movimento que acredita que o ato educativo se centra no jovem e que o jovem é o protagonista do seu próprio desenvolvimento, acreditamos também que isto não se faz sem uma presença do adulto.

Não é uma presença de imposição, mas é uma presença de acompanhamento e de apoio.

Parece-nos que isso é essencial, pelo que esta dificuldade de mobilizar adultos é uma preocupação existente a vários níveis e, pelos vistos, também na Madeira. Desejo que isso possa vir a ser ultrapassado a breve trecho.

ED —  Para finalizar, como prospetiva o desenvolvimento do Escutismo mundial? JAG —  A nível mundial, as prospetivas que existem são positivas e de grande esperança.

O movimento, há pouco tempo, decidiu uma nova visão, uma nova estratégia.

A estratégia vai no sentido do crescimento, de conseguirmos atingir mais pessoas, de conseguirmos tocar a vida de mais jovens e de podermos, dentro de uma dezena de anos, ser 100 milhões em vez de 40 milhões.

Esta questão do crescimento não é apenas porque queremos ter mais números, mas precisamente porque acreditamos nesta missão. Acreditamos que o movimento escutista contribui efetivamente para os tais cidadãos ativos de que o mundo precisa e para a felicidade individual de cada um deles.

É nessa perspetiva que temos acordado esta visão, nesse posicionamento do Escutismo como o maior movimento de educação não formal do mundo. Hoje em dia já o seremos, mas gostaríamos de reforçar esta ideia. Está em mais territórios. Haverá alguns, poucos, aos quais o Escutismo ainda não chegou.

Mas, mais do que isso, nos territórios onde já existe, [é essencial] poder reforçar a sua posição, expandir o seu efetivo.

Queremos, por um lado, tocar a vida das pessoas, tornando-as melhores e mais felizes e, por outro lado, ter uma intervenção positiva, através dessas pessoas, naquilo que é o desenvolvimento do mundo.

É assim que nos vemos, nesta dupla abordagem: individual, por um lado, numa perspetiva de desenvolvimento pessoal, mas também, coletiva.

Acreditamos que as pessoas que passam pelos escuteiros e por esta experiência em conjunto podem, realmente, ter um impacto positivo nas comunidades e no mundo.

Credit: Educatio, the Regional Secretariat of Education of Madeira, Portugal

Escutismo Cat�lico Portugu�s quer maior aproxima��o � Pastoral Juvenil

Escutismo Cat�lico Portugu�s quer maior aproxima��o � Pastoral Juvenil

Passados mais de cem anos, o escutismo continua a ser actual e � ainda hoje uma escola de valores. Na semana em que o Escutismo foi premiado pela Gulbenkian, o assistente nacional do CNE, padre Rui Silva, explica como se faz escutismo cat�lico e expressa o desejo de estreitar rela��es com a pastoral juvenil.

Qual a import�ncia do escutismo para a Igreja, enquanto movimento juvenil?

Para falar do escutismo � importante dizer que existe o escutismo cat�lico e o n�o cat�lico. E considerando que existe o cat�lico, este � inteiramente parte da Igreja. � um enorme potencial que a Igreja tem ao seu dispor, ao servi�o da educa��o e da evangeliza��o da juventude. Isto recorrendo ao m�todo escutista.

O que � que distingue o escutismo cat�lico do n�o cat�lico?

O escutismo nasceu de uma forma pluri-confessional, e embora o fundador [Baden Powell] fosse anglicano, logo desde o in�cio surgiram grupos escutistas n�o anglicanos. Mas vai ser atrav�s de algumas pessoas, de modo especial por um padre jesu�ta, o padre Jacques Sevin, que aparece em Fran�a o que hoje chamamos de escutismo cat�lico.

Tamb�m a It�lia teve um papel importante nisso, mas o padre Jacques Sevin ter� sido a figura principal. Assim, o nosso escutismo cat�lico, do Corpo Nacional de Escutas (CNE), nasce desde o princ�pio com essa matriz claramente cat�lica. E isso faz toda a diferen�a, porque o escutismo � uma oportunidade para fazer aquilo que, enquanto crist�os, achamos que � importante.

E � nesse sentido que achamos que o escutismo est� ao servi�o da evangeliza��o.

N�s costumamos dizer que antes de tudo somos um grupo de cat�licos que utiliza o escutismo para a forma��o integral da juventude com base nos valores cat�licos.

Isso nota-se, depois, na maneira como trabalhamos no escutismo, como desenvolvemos a espiritualidade, como trabalhamos as quest�es da m�stica e da simbologia [terminologia pr�pria do escutismo], que s�o, no fundo, as quest�es religiosas que d�o base a todo o sistema de progresso que desenvolvemos.

Isto n�o significa, por�m, que no escutismo cat�lico estejamos sempre a falar de quest�es de f�, mas quer dizer que a f� est� sempre subjacente.

Pode dizer-se que h� uma espiritualidade do escuteiro?

Parece dif�cil dizer que h� uma espiritualidade escutista. Sen�o vejamos alguns exemplos: h� uma quest�o forte que marca o escutismo – a liga��o com a natureza e a dimens�o ecol�gica. Se formos a ver, nisso n�o fomos pioneiros.

Em S�o Paulo, e depois mais tarde desenvolvido por S�o Tertuliano, fala-se do livro da natureza e do livro da Palavra. J� o Beato Jo�o Paulo II usa isso num texto que escreveu a escuteiros. Por outro lado, os franciscanos desenvolveram muito a dimens�o de contempla��o da cria��o, vendo nela o dedo de Deus.

Portanto, a nossa marca a� n�o � exclusiva, assim como tamb�m n�o se confunde com outro tipo de movimentos ecol�gicos.

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Vejamos a dimens�o mariana: o escuta � filho de Nossa Senhora, a quem chamamos ‘M�e dos escutas’. Tamb�m, como � evidente, isso n�o � exclusivo dos escuteiros cat�licos porque existe um pouco por toda a Igreja. E ent�o em Portugal, um pa�s com uma matriz mariana t�o forte, encontramos isso em muitas associa��es e grupos religiosos.

Sobre a quest�o da pr�tica, do aprender fazendo que marca muito o escutismo, n�s dizemos isso, mas ao mesmo tempo promovemos momentos de ora��o, intimidade e reflex�o. E o que � isso, sen�o uma aplica��o do 'ora et labora' beneditino! Como vemos, vem exactamente na mesma linha. E muitos outros….

A pedagogia de pequenos grupos – que � do mais essencial que h� no escutismo – e o nosso sistema de patrulhas temos de reconhecer que tamb�m nisso o escutismo n�o � pioneiro. Pode ser um pouco for�ado, mas mesmo na din�mica de Cristo com os Ap�stolos vemos j� o pequeno grupo a nascer.

Enviados dois a dois, chamados, constitu�dos enquanto grupo dos doze…. e muito mais tarde, em S�o Jo�o Bosco, vai ser usada a din�mica de pequenos grupos nos jogos. Portanto, vemos que todos os elementos que definem o que � o escutismo n�o s�o inovadores.

Por isso, aquilo que � uma espiritualidade escutista tem um pouco de cada coisa, mas �, no fundo, a espiritualidade que cada escuteiro tiver. E a�, n�o h� uma s�.

Na exorta��o pastoral da Confer�ncia Episcopal Portuguesa sobre ‘O Escutismo Cat�lico, Escola de Educa��o’ (29 de Dezembro de 1995), o CNE � apontado como “Caminho para a Nova Evangeliza��o”. Como � que o escutismo pode ser este meio de nova evangeliza��o?

Essa � uma quest�o pertinente e a resposta n�o � f�cil. Certamente que convida a uma reflex�o interna por parte de todos os escuteiros, e em especial dos dirigentes. Eu penso que uma das virtudes que o movimento escutista tem � o de ser um movimento de fronteira.

Est� dentro da Igreja mas ao mesmo tempo consegue atrair jovens que n�o est�o. Porque � interessante e din�mico, porque chama para actividades que as pessoas gostam de fazer na natureza, no jogo, e at� as t�o faladas actividades radicais, que tamb�m h� e t�m sempre uma t�nica pedag�gica.

Por isso, pelo facto de sermos um movimento de fronteira, permite que sejamos uma esp�cie de vanguarda. Faz com que possamos levar a Palavra da Igreja, que � a Palavra do Evangelho, a pessoas que n�o t�m pr�tica crist� e que n�o est�o familiarizadas com uma comunidade.

O nosso objectivo �, atrav�s do nosso exemplo, cativar outros para que v�o descobrindo este tesouro que n�s j� conhecemos. E nesse sentido, podemos dar um grande contributo para a Nova Evangeliza��o.

O CNE est� a implementar um novo programa educativo, designado por ‘Renova��o da Ac��o Pedag�gica’ (RAP). O que traz de novo na linha da anima��o da f�?

Eu diria que um dos aspectos que mais foi trabalhado foi precisamente essa quest�o da dimens�o espiritual. O novo programa educativo foi constru�do a partir de uma nova vis�o da espiritualidade. Com v�rias etapas, de acordo com as idades e caracter�sticas pr�prias de cada sec��o escutista.

Estabelecemos, ent�o, objectivos finais: assim, quando a crian�a ou jovem chega a determinada fase, pretendemos que a n�vel espiritual tenha descoberto, por exemplo, no caso dos mais pequeninos, o que � o louvor a Deus que criou tudo quanto existe.

Depois, avan�amos um pouco mais e falamos do compromisso que Deus estabelece com a humanidade, a sua Alian�a, e nos faz p�r a caminho daquilo que Ele nos oferece. A� temos os objectivos da Segunda Sec��o. Depois, j� num certo grau de maturidade crescente, procuramos que os Pioneiros e Marinheiros descubram que eles pr�prios s�o pedras vivas do templo.

E por isso s�o chamados a construir Igreja. Tudo isto para que, no final, eles vivam crist�mente dentro daquilo que eles s�o e fazem nas dimens�es de trabalho, de namoro, de cultura, pol�tica, escola… que sejam crist�os a s�rio!

Este � o nosso objectivo e vai ser a partir daqui que vamos fazer jogos, actividades, acampamentos, raids…. Depois temos, ainda, alguns s�mbolos que nos ajudam a perceber esta realidade, tal como escolhemos os diferentes patronos, enquanto �cones do caminho que queremos percorrer. S�o est�mulos para que os jovens queiram crescer como outros j� cresceram.

Que desafios o escutismo cat�lico enfrenta actualmente em Portugal?

Actualmente, � desafio permanecer aberto �quele que pensa de maneira diferente mas, ao mesmo tempo, convicto da proposta que tem a fazer. � assim que n�s devemos situar-nos no di�logo, inclusive com escuteiros n�o cat�licos.

E tamb�m no di�logo com outras inst�ncias religiosas, nomeadamente com a Pastoral Juvenil. Tem havido um esfor�o nosso, nos �ltimos anos, de aproximar o escutismo � Pastoral Juvenil. Sobretudo o escutismo na faixa et�ria correspondente � pastoral juvenil.

O caminho tem de ser por a�, de comunh�o que busca a unidade na diversidade de que j� falava o Conc�lio.

E se n�s mantivermos a nossa matriz forte, ligados �s comunidades de base e procurando sempre evangelizar no respeito pela diferen�a dos outros e de outras culturas, creio que estaremos a seguir no caminho certo.

Pode dizer-se que a pedagogia deixada por Baden Powell ainda � actual?

Sim, claro que �, e tem provas dadas.

Por vezes, o pormenor do que ele disse tem de ser adaptado, porque � evidente que numa altura em que n�o havia internet, Baden Powell n�o podia sugerir que os escuteiros se ligassem uns aos outros atrav�s dessa rede.

E quando surgiu o ‘Jamboree no Ar’, faziam-no atrav�s de outros meios, nomeadamente pelo R�dio-Amador. � necess�ria uma adapta��o da forma, mas o conte�do, na sua ess�ncia, � v�lido e com frutos dados e muitos ainda por dar.

Perfil

Ordenado a 23 de Setembro de 2001, o padre Rui Silva � sacerdote do Patriarcado de Lisboa, que est� nomeado pela Confer�ncia Episcopal Portuguesa como assistente nacional do CNE.

Antes dos escuteiros, foi vig�rio paroquial, durante tr�s anos, de sete par�quias: Arruda dos Vinhos, Sobral de Monte Agra�o, Santana da Carnota, Sapataria, S�o Quintino, Cardosas e Arranh�. Depois, foi nomeado p�roco de S�o Bartolomeu dos Galegos, Moledo e Reguengo Grande, no concelho da Lourinh�, onde esteve mais tr�s anos.

Em 2007, � nomeado assistente nacional do Corpo Nacional de Escutas, cargo que desempenha h� dois mandatos, e mais tarde assume fun��es como assistente espiritual da Regi�o Europa-Mediterr�neo da Confer�ncia Internacional Cat�lica do Escutismo (CICE), um organismo internacional que procura dar o apoio de que as associa��es locais necessitam, e ao mesmo tempo organiza actividades pontuais de forma��o, de encontro e de reflex�o.

A miss�o do Assistente Nacional

Cabe ao assistente nacional do CNE velar para que a dimens�o de catolicidade e de espiritualidade esteja sempre presente no escutismo que � desenvolvido.

Ao mesmo tempo, o assistente nacional � o elemento de liga��o entre a Confer�ncia Episcopal Portuguesa e o Movimento do CNE, e vice-versa.

� um trabalho feito por uma equipa nacional de assist�ncia, sendo que h� ainda os assistentes nos diferentes n�veis do CNE.

Apelo a maior comunh�o

Padre Rui Silva: “� importante ver o escutismo cat�lico como algo de �til e interessante para a Igreja.

Quem, por ventura, alimenta algum tipo de desconfian�a ou de mal-estar com o movimento, deve libertar-se de preconceitos e abrir-se � diversidade e � especificidade escutista. � importante ver o escutismo como um potencial.

Localmente, os escuteiros t�m de ser ajudados a fazer pontes de liga��o ao n�vel paroquial. Fa�o este apelo de busca de comunh�o e de aproveitamento de um potencial enorme que tem o escutismo”.

  • Organiza��o internacional escutista recebe Pr�mio GulbenkianA Organiza��o Mundial do Movimento Escutista (OMME), da qual faz parte o CNE, recebeu na passada quarta-feira o 'Pr�mio Internacional' atribu�do pela Funda��o Calouste Gulbenkian, pelo contributo para o di�logo e a aproxima��o entre as diferentes culturas e religi�es.
  • O secret�rio-geral da OMME, Luc Panissoud, manifestava em comunicado enviado � imprensa a sua satisfa��o com a atribui��o deste pr�mio, referindo o orgulho “pelos mais de 100 anos de actividades de educa��o n�o-formal, a educar pessoas jovens a serem cidad�os aut�nomos e respons�veis nas suas comunidades”.

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