Pessoas Que Nos Ensinam A Nao Ser Como Elas?

A Psicologia é a ciência que se preocupa em estudar a subjetividade humana. Atua tanto nas expressões humanas visíveis (comportamentos) como naquelas que não podem ser vistas, como nossos pensamentos. O termo “psicologia” tem origem grega e é formado a partir da junção de duas palavras:

Psique (mente) + logia (estudo)

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Escolas da Psicologia

Assim como muitas áreas do conhecimento, a Psicologia apresenta diferentes abordagens de estudo. Como exemplo de escolas da Psicologia, temos o Behaviorismo e a Psicanálise.

Pessoas Que Nos Ensinam A Nao Ser Como Elas? Entender a mente humana é um dos papéis do psicólogo.

  • Behaviorismo: está voltado para o estudo do comportamento humano. Para os psicólogos que utilizam essa escola, existem dois tipos de comportamentos: o respondente e o operante. No comportamento respondente, o indivíduo comporta-se involuntariamente. Já no operante, o indivíduo apresenta consciência de seu comportamento.
  • Psicanálise: tem como pilares as ideias de Sigmund Freud. Essa escola visa ao estudo da mente e tem como foco o inconsciente do indivíduo. De acordo com essa abordagem, o inconsciente expressa-se de modo velado no consciente. Assim, o inconsciente pode, por exemplo, manifestar-se nos atos falhos e sonhos. A cura de certos problemas, portanto, seria possível por meio da conscientização do inconsciente. De acordo com Freud,
sofremos de reminiscências que se curam lembrando”.

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Curso de Psicologia

O curso de Psicologia possui duração média de cinco anos eintegra a área de conhecimento das ciências humanas.

Esse curso é oferecido em várias faculdades públicas e também na rede privada.

Dependendo da instituição de ensino escolhida, além da formar psicólogos, podem também ser oferecidas as opções de cursar as habilitações em bacharelado e licenciatura.

Pessoas Que Nos Ensinam A Nao Ser Como Elas? As universidades oferecem formação de psicólogo e também habilitações em bacharelado e licenciatura.

A lei nº 4.119, de 27 de agosto de 1962, dispõe sobre os cursos de formação em Psicologia e regulamenta a profissão do psicólogo. De acordo com essa legislação, “a formação em Psicologia far-se-á nas Faculdades de Filosofia, em cursos de bacharelado, licenciado e Psicólogo”. Ainda segundo essa lei, temos:

  • “Art. 11. Ao portador do diploma de Bacharel em Psicologia, é conferido o direito de ensinar Psicologia em cursos de grau médio, nos termos da legislação em vigor.
  • Art. 12. Ao portador do diploma de Licenciado em Psicologia é conferido o direito de lecionar Psicologia, atendidas as exigências legais devidas.
  • Art. 13. Ao portador do diploma de Psicólogo, é conferido o direito de ensinar Psicologia nos vários cursos de que trata esta lei, observadas as exigências legais específicas, e a exercer a profissão de Psicólogo.”

O que se estuda em Psicologia?

A Psicologia estuda a subjetividade humana e, portanto, atua na análise dos comportamentos e dos pensamentos humanos. No curso de Psicologia, o estudante terá disciplinas como:

  • História da Psicologia
  • Fisiologia do Sistema Nervoso
  • Anatomia do Sistema Nervoso
  • Gênero
  • Corpo e Sexualidade
  • Neuropsicologia
  • Direitos Humanos
  • Teoria e Técnicas Psicoterápicas
  • Psicologia Geral
  • Genética
  • Psicopatologia
  • Psicofarmacologia
  • Teoria Psicanalítica
  • Psicologia Social
  • Psicologia Genética
  • Ética

Vale salientar que as disciplinas variam de uma instituição de ensino para outra. Além disso, em muitas instituições, é possível cursar matérias optativas.

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Símbolos da Psicologia

Pessoas Que Nos Ensinam A Nao Ser Como Elas? Lápis-lazúli é a pedra do curso de Psicologia.

De acordo com o Conselho Federal de Psicologia,

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  • A faixa da beca dos formandos do curso de graduação em Psicologia é da cor azul;
  • A pedra para o anel de formatura é a pedra lápis-lazúli;
  • O símbolo da Psicologia é a letra grega “psi”.

Pessoas Que Nos Ensinam A Nao Ser Como Elas? A letra grega “psi” é o símbolo da Psicologia.

Juramento do psicólogo

O Conselho Regional de Psicologia de São Paulo, por meio da Resolução CFP nº 002/2006, estabelece o seguinte texto para juramento:

“Como psicólogo, eu me comprometo a colocar minha profissão a serviço da sociedade brasileira, pautando meu trabalho nos princípios da qualidade técnica e do rigor ético. Por meio do meu exercício profissional, contribuirei para o desenvolvimento da Psicologia como ciência e profissão na direção das demandas da sociedade, promovendo saúde e qualidade de vida de cada sujeito e de todos os cidadãos e instituições.”

Áreas da psicologia

  • De acordo com a Resolução CFP nº 013/2007, que institui a consolidação das resoluções relativas ao título Profissional de Especialista em Psicologia e dispõe sobre normas e procedimentos para seu registro, as especialidades da Psicologia são:
  • I. Psicologia Escolar/Educacional
  • II. Psicologia Organizacional e do Trabalho
  • III. Psicologia de Trânsito
  • IV. Psicologia Jurídica
  • V. Psicologia do Esporte
  • VI. Psicologia Clínica
  • VII. Psicologia Hospitalar
  • VIII. Psicopedagogia
  • IX. Psicomotricidade
  • X. Psicologia Social
  • XI. Neuropsicologia

Código de Ética Profissional do Psicólogo

O Código de Ética Profissional do Psicólogo visa a determinar os padrões esperados em relação à atividade prática desse profissional. Trata, portanto, dos padrões de conduta esperados para a categoria. De acordo com esse código, os princípios fundamentais são:

  1. Pessoas Que Nos Ensinam A Nao Ser Como Elas? O psicólogo trabalhará a fim de promover a saúde e a qualidade de vida das pessoas.
  2. I – O psicólogo baseará seu trabalho no respeito e na promoção da liberdade, da dignidade, da igualdade e da integridade do ser humano, apoiado nos valores que embasam a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
  3. II – O psicólogo trabalhará visando a promover a saúde e a qualidade de vida das pessoas e das coletividades e contribuirá para a eliminação de quaisquer formas de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.
  4. III – O psicólogo atuará com responsabilidade social, analisando crítica e historicamente as realidades política, econômica, social e cultural.
  5. IV – O psicólogo atuará com responsabilidade por meio do contínuo aprimoramento profissional, contribuindo para o desenvolvimento da Psicologia como campo científico de conhecimento e de prática.
  6. V – O psicólogo contribuirá para promover a universalização do acesso da população às informações, ao conhecimento da ciência psicológica, aos serviços e aos padrões éticos da profissão.
  7. VI – O psicólogo zelará para que o exercício profissional seja efetuado com dignidade, rejeitando situações em que a Psicologia seja aviltada.
  8. VII – O psicólogo considerará as relações de poder nos contextos em que atua e os impactos dessas relações sobre suas atividades profissionais, posicionando-se de forma crítica e em consonância com os demais princípios deste código.

Ainda de acordo com o Código de Ética Profissional do Psicólogo, é importante frisar que “é dever do psicólogo respeitar o sigilo profissional a fim de proteger, por meio da confidencialidade, a intimidade das pessoas, grupos ou organizações a que tenha acesso no exercício profissional”. Além disso, “o psicólogo não divulgará, ensinará, cederá, emprestará ou venderá a leigos instrumentos e técnicas psicológicas que permitam ou facilitem o exercício ilegal da profissão”.

Por Ma. Vanessa Sardinha dos Santos

Algumas pessoas passam por nossas vidas para nos ensinar a não ser como elas – A mente é maravilhosa

Algumas pessoas passam pelas nossas vidas para nos ensinar a não ser como elas.

Porque como disse Oscar Wilde, “algumas pessoas levam felicidade onde quer que vão; outras, a deixam quando vão embora”.

Ainda assim, obtemos um benefício de qualquer relacionamento, mesmo que seja fruto do mal-estar, pois nossas vivências nos trazem a possibilidade de administrar nossos sentimentos de outra forma.

Viktor Frankl escreveu que a vida é potencialmente significativa, pois podemos extrair significados até mesmo do sofrimento. Portanto, mesmo que às vezes não encontremos o sentido de certos relacionamentos negativos, o fato é que nos trazem uma visão do mundo que desconhecíamos.

Isto, colocado de outra forma, significa que nos ensinam o que valorizamos e o que nos incomoda, traz mal-estar ou machuca. Em resumo, nos mostra uma faceta que não queremos desenvolver.

Nossos princípios se reforçam graças a certas experiências

Ser testemunha de injustiças e sentir um grande mal-estar pelos gestos realizados por certas pessoas nos ajuda a refletir sobre nossos princípios e reforçar assim nossas crenças sobre o que é bom e o que é ruim.

A traição, a frieza, e a prepotência doem. Doem com intensidade. Às vezes o mais doloroso é, justamente, conhecer de verdade aquelas pessoas que cercaram você por um tempo. Existem pessoas que você termina conhecendo quando se mostram de verdade, quando já não precisam mais de você e refletem o seu verdadeiro interesse.

Quando isto acontece o luto nos faz repensar nossas prioridades e nossas próprias atitudes com relação aos outros. Por isso, às vezes passar por maus bocados no relacionamento nos torna pessoas melhores.

As dificuldades nos ajudam a valorizar outros sentimentos e nos apoiam em nosso crescimento. Isto requer uma grande elaboração interior própria que nos permita avançar para não ficarmos estancados no mal-estar, na culpa ou no ressentimento.

Afastar-se das pessoas conflitantes melhora a saúde e a alma

Na hora de nos afastarmos daquelas pessoas que nos prejudicam é bom jogar com a vantagem da antecipação. Ou seja, aproveitar que suas reações e intenções são cada vez mais previsíveis. Isto nos permite nos relacionarmos de outra forma, pois saberemos lidar com nosso próprio entorno segundo o nosso próprio desejo.

  • Neste sentido, é preciso não dar tanta importância ao que estas pessoas fizerem, mas sim focar a atenção no que podemos aprender com o que fizeram, nos ajudando assim a criar oportunidades de crescimento e trabalhar nossa própria autoestima e nossa própria força.
  • Porque no fim das contas, quem espera se decepciona, e esperar tudo de alguém pode trazer frustração e submissão, fazendo desaparecer nosso oxigênio psicológico, contaminando nossa própria atmosfera emocional e minando nossas próprias inquietudes.
  • Portanto, manter a perspectiva nos ajudará a conseguir sentir uma certa indiferença e a descer dessa montanha russa emocional, conseguindo separar nossas preocupações e nos libertando das inseguranças e das reações desproporcionais.

A ideia é esclarecer a própria mente e poder expor nossos pensamentos e emoções sem medo das consequências quando chegar a hora. Isto terá um resultado tão rápido e direto quanto realizador: nossos problemas diminuirão e poderemos viver em paz.

A vida é realmente curta para viver angustiado pelo que cada pessoa que nos rodeia nos faz ou deixa de fazer. Por isso, a melhor decisão que podemos tomar é nos distanciarmos do negativismo de algumas pessoas e nos aproximarmos daqueles que nos fazem sentir bem.

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Pessoas boas nos ensinam a amar. As más a não ser como elas!

Sim, existem pessoas más e elas, meu caro, estão separadas em dois grupos: as que ser orgulham de serem assim e deixam isso explícito em suas ações e as que fingem serem boas pessoas.

Imagem: andrey_l/shutterstock

Sim, existem pessoas más e elas, meu caro, estão separadas em dois grupos: as que ser orgulham de serem assim e deixam isso explícito em suas ações e as que fingem serem boas pessoas, disfarçando-se de amigos, namorados e familiares que “torcem” para o seu bem.

Provavelmente, você já conviveu com muita gente assim e só percebeu o nível de maldade, depois que saíram da sua vida. O comportamento delas é quase padrão: ficam mal ao verem o outro bem, se deprimem ao saberem que a amiga encontrou um grande amor e quase morrem quando testemunham o sucesso profissional do colega de trabalho.

Pessoas maldosas são tão perigosas quanto veneno injetado na veia. Manipuladoras, interesseiras, invejosas e fracassadas (sim, tudo isso), essas pessoas não conseguem ver a felicidade alheia com naturalidade e entusiasmo. Julgam-se merecedoras de toda a atenção do mundo e, muitas vezes, não medem as consequências de suas palavras ou atos.

Se na vida social conviver com elas é um martírio, na vida sentimental as coisas conseguem ser piores. Elas diminuem o parceiro frequentemente, humilham, traem e jogam no outro a culpa de todos os erros. Além de tentar convencê-lo de que eles possuem sorte em tê-los em suas vidas. Triste, não? Mas é assim que acontece.

Se eu pudesse te dar um conselho hoje seria: afaste-se! Mas, afaste-se muito! Corra na velocidade da luz dessas pessoas. Egocêntricas, elas não sabem o limite entre a falta de respeito e a brincadeira saudável. Utilizam-se das pessoas como marionetes, encontram motivos para denegrir a imagem dos outros e subestimam a inteligência alheia para esconder o mau caráter que possuem.

Muitas vezes não é possível nos afastar fisicamente de quem nos faz mal, às vezes, é necessário suportar a falsidade de colegas de trabalho, de um familiar invejoso ou de um “amigo” maldoso com pele de cordeiro, mas podemos nos afastar psicologicamente e sermos felizes sem elas.

Tomar distância dos conflitos que essas pessoas geram e não compactuar das maldades que praticam já é um bom começo. Einstein dizia que “o mundo não está ameaçado pelas pessoas más, e sim por aquelas que permitem a maldade” e eu concordo com ele. Não permita que seus princípios sejam corrompidos.

Quando você consegue fazer isso, a vida muda o rumo. Tudo começa a dar certo, os planos saem do papel, a vida financeira flui e o grande amor da sua vida chega. Parece exagero, não é? Mas, acredite, é exatamente isso que acontece! Porque você começa a desintoxicar seu coração e a perceber que a maldade que via nas pessoas, na verdade, era uma distorção da realidade alheia.

Deixe a maldade e a carga da consciência pesada para quem caminha com elas. Mantenha em sua vida pessoas humildes e sinceras. Dessas que carregam em sua essência a generosidade de um coração limpo e de uma alma leve e segue tua vida. Tudo é aprendizagem. Enquanto as pessoas boas nos ensinam a amar, as más nos ensinam a não ser como elas.

Movimento LGBT: 7 lições que podemos aprender com essa causa

Um dos movimentos sociais que mais ganhou proeminência nos últimos anos foi o da população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros).

Leis e decisões judiciais como o casamento civil igualitário, a utilização do nome social e o reconhecimento de direitos previdenciários para casais homoafetivos, garantiram avanços recentes para esses grupos, apesar de ainda haver muito a se conquistar.

Você sabe quais são as lições que podemos aprender com essa causa? O que o movimento LGBT trouxe de bom para a sociedade brasileira? Acompanhe:

1. Movimento LGBT e o ensino do respeito à diversidade

Um dos principais avanços trazidos pelo movimento LGBT no Brasil e no mundo é em relação ao respeito à pluralidade. Essa talvez seja a principal mensagem: respeitar o próximo, ainda que ele seja diferente de você.

  • Isso significa que ninguém precisa ter uma orientação sexual homoafetiva ou não se identificar com seu próprio sexo para entender, respeitar e ter empatia por esses grupos.
  • Essa é uma máxima que se aplica às mais variadas situações: no ambiente de trabalho, relacionamentos interpessoais, ambientes educacionais, etc.
  • É preciso enxergar e entender a diversidade como uma boa qualidade, algo que traz aprendizado, dinamismo, progresso e novas reflexões.

2. Não julgar pela aparência é imprescindível

Por mais que nossa sociedade esteja cada vez mais consumista, visando à exposição da própria imagem nas redes sociais e supervalorizando a individualidade, é preciso se atentar para o fato de que a aparência diz pouco sobre uma pessoa.

A forma como ela se veste, se cuida e se porta socialmente não reflete, necessariamente, seu caráter, dignidade e outros valores morais socialmente importantes.

Por que então julgar alguém pela aparência? O movimento LGBT nos ensina a lidar melhor com isso. Se alguém não se encaixa nos padrões sociais que consideramos “normais”, isso não quer dizer que essas são pessoas que precisam ser corrigidas. Pelo contrário, elas têm muito a ensinar!

3. A necessidade de manter sua mente constantemente aberta

  1. Essa lição pode ser aplicada em diversos campos de nossa vida.
  2. Assim como o movimento LGBT ensina a aceitar novos estilos de vida e conceitos de família, também devemos ter a mesma atitude em relação a pautas mais progressistas, como a criminalização da homofobia, da mesma forma que acontece com o racismo.

  3. Por mais que você não concorde com essas temáticas, ainda assim é possível dialogar com seus defensores, entender sua relevância para certos segmentos da população e exercitar a empatia por eles.

  4. Esse é um exercício que devemos colocar em prática diariamente, já que, mantendo a mente aberta, temos muito a ganhar por meio de discussões mais ricas e diversas.

4. Reconhecimento das qualidades de uma pessoa pelo que ela faz

Assim como a cor da pele de alguém não reflete suas características pessoais e morais, a orientação sexual e de gênero também não é motivo para preconceito.

É preciso reconhecer as qualidades de uma pessoa por suas ações, sua ética de trabalho, suas atitudes como amigo, irmão, filho, etc. Nesse sentido, o movimento LGBT veio reforçar a necessidade de valorizar a personalidade e as atitudes de uma pessoa, não seu exterior.

Justamente por essas razões, esse é um movimento que celebra a diversidade, seja sexual, de gênero, racial e até mesmo etária.

5. Saber que a homofobia mata

Não são poucos os homicídios motivados por homofobia no país. De acordo com dados divulgados no final de 2016 pela ONG Transgender Europe, o Brasil é campeão mundial nos crimes contra a população LGBT.

A presença marcante da violência na nossa atual sociedade não implica que esses crimes não ocorriam antes, mas sim que hoje há uma maior divulgação sobre essas motivações para crimes, e inclusive, uma comoção pública maior.

Ainda assim, não há aprovação de uma legislação voltada para a garantia da inserção das pessoas LGBT no país, que também carece de estatísticas oficiais sobre o número de crimes homofóbicos cometidos a cada ano.

6. Os países mais avançados também caminham nesse sentido

Pare por alguns minutos para refletir sobre aqueles lugares que você considera mais desenvolvidos, como países nórdicos, Dinamarca, Suíça, Alemanha e até mesmo Estados Unidos (que legalizaram a união civil homoafetiva em 2015).

Todos esses países possuem legislações que aceitam, igualam direitos e proíbem a discriminação de cidadãos LGBT. São nações que encontraram a solução para o progresso social, muitas vezes por meio da educação, igualdade econômica e, porque não, igualdade sexual e de gênero.

Muitas pessoas que ainda resistem a esse tipo de avanço social, no Brasil, o fazem por razões religiosas, morais, medo de serem rotuladas como homossexuais ou até mesmo por desconhecimento.

No entanto, basta uma análise desse cenário internacional para perceber que os movimentos LGBT não estão na contramão do progresso. Ao contrário, cada vez mais países têm caminhado no sentido de atender as demandas destes grupos.

7. Nem sempre direitos são conquistados por meio da política

  • Essa é uma lição importante, que vários outros movimentos sociais podem aproveitar em suas lutas cotidianas, no Brasil e no exterior.
  • Por mais que se elejam deputados, vereadores, governadores, presidentes e outros cargos políticos, nem sempre essas pessoas implementam efetivos progressos sociais, como a garantia de direitos e oportunidade iguais para a população LGBT.
  • Por essa razão, várias ações bem-sucedidas desse movimento se deram em outras esferas de poder, como nos tribunais.
  • Como a Constituição Federal mencionava o casamento civil como sendo unicamente entre um homem e uma mulher, provocou-se o Poder Judiciário, em suas várias instâncias, até que o STF reconhecesse a legalidade da união homoafetiva em 2011.

O mesmo ocorre com as frentes de sensibilização nas ruas e redes sociais. Por meio de incentivos às paradas LGBT no Brasil, de campanhas online de orgulho gay, entre outras ações, essas pessoas ganharam mais espaço na mídia e nos tópicos nacionais de discussão popular.

Atitudes como essas garantem mais visibilidade da população LGBT, que passa a ser retratada em novelas, séries, literatura, música, entre outros setores relevantes de representação social.

E você? Apoia os avanços decorrentes do movimento LGBT? Compartilhe então este post nas suas redes sociais e ajude a espalhar essas notícia!

Como desenvolver a capacidade de aprender – Brasil Escola

São três os fatores que influem no desenvolvimento da capacidade de aprender: Primeiramente, a atitude que querer aprender. É preciso que a escola desenvolva, no aluno, o aprendizado dos verbos querer e aprender, de modo a motivar para conjugá-los assim: eu quero aprender.

Tal comportamento exigirá do aluno, de logo, uma série de atitudes como interesse, motivação, atenção, compreensão, participação e expectativa de aprender a conhecer, a fazer, a conviver e a ser pessoa. O segundo fator diz respeito às competências e habilidades, no que poderíamos chamar, simplesmente, de desenvolvimento de aptidões cognitivas e procedimentais.

Quem aprende a ser competente, desenvolve um interesse especial de aprender. No entanto, só desenvolvemos a capacidade de aprender quando aprendemos a pensar. Só pensamos bem quando aprendemos métodos e técnicas de estudo. É este fator que garante, pois, a capacidade de auto-aprendizagem do aluno. O terceiro fator refere-se à aprendizagem de conhecimentos ou conteúdos.

Para tanto, a construção de um currículo escolar, com disciplinas atualizadas e bem planificadas, é fundamental para que o aluno desenvolva sua compreensão do ambiente natural e sociais, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade, conforme o que determina o artigo 32 da LDB.

Um pergunta, agora, advém: saber ensinar é tão importante quanto saber aprender? Responderei assim: há um ditado, no meio escolar, que diz assim: quem sabe, ensina. Muitos sabem conhecimentos, mas poucos ensinam a aprender. Ensinar a aprender é ensinar estratégias de aprendizagem.

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Na escola tradicional, o P, maiúsculo, significa professor-representante do Conhecimento; o C, maiúsculo, significa Conhecimento acumulado historicamente na memória social e na memória do professor e o a, minúsculo, significa o aluno, que, a rigor, para o professor, e para a própria escola, é tábula rasa, isto é, conhece pouco ou não sabe de nada. Isto não é verdade.

Saber ensinar é oferecer condições para que o discípulo supere, inclusive, o mestre. Numa palavra: ensinar é fazer aprender a aprender, de modo que o modelo pedagógico desenvolva os processos de pensamento para construir o conhecimento, que não é exclusividade de quem ensina ou aprende.

É papel dos professores levar o aluno a aprender para conhecer, o que pode ser traduzido por aprender a aprender, em que o aluno é capaz de exercitar a atenção, a memória e o pensamento autônomo. As maiores dificuldades dos docentes residem nas deficiências próprias do processo de formação acadêmica.

Nas universidades brasileiras, os cursos de formação de professores (as chamadas licenciaturas) se concentram muito nos conteúdos que vêm de ciências duras, mas se descuidam das competências e habilidades que deve ter o futuro professor, em particular, o domínio de estratégias que permitam se comportar docentes eficientes, autônomos e estratégicos.

Os docentes enfrentam dificuldades de ensinar a aprender, isto é, desconhecem, muitas vezes, como os alunos podem aprender e quais os processos que devem realizar para que seus alunos adquiram, desenvolvam e processem as informações ensinadas e apreendidas em sala de aula.

Nesse sentido, o trabalho com conceitos como aprendizagem, memória sensorial, memória de curto prazo, memória de longo prazo, estratégias cognitivas, quando não bem assimilados, no processo de formação dos docentes, serão convertidos em dores de cabeça constantes, em que o docente ensina, mas não tem a garantia de que está, realmente, ensinando a aprender.

A noção de memória é central para quem ensinar a aprender. As maiores dificuldades dos alunos residem no aprendizado de estratégias de aprendizagem. A leitura, a escrita e a matemática são meios ou estratégias para o desenvolvimento da capacidade de aprender. Entre as três, certamente, a leitura, especialmente a compreensão leitora, tem o seu lugar de destaque.

Ler para aprender é fundamental para qualquer componente pedagógico do currículo escolar. Através dessa habilidade, a leitura envolve a atividade de ler para compreender, exigindo que o aluno, por seu turno, aprenda a concentrar-se na seleção de informação relevante no texto, utilizando, para tanto, estratégias de aprendizagem e avaliação de eficácia.

Aprender, pois, a selecionar informação, é um tarefa de quem ensina e desafio para A escola e a família são instituições ainda muito conservadoras. Nisso, por um lado, não há demérito mas às vezes também não há mérito. No Brasil, muitas escolas utilizam procedimentos do século XVI, do período jesuítico como a cópia e o ditado.

Nada contra os dois procedimentos, mas se que tenham uma fundamentação pedagógica e que valorizem a escrita criativa do aluno, decerto, terão pouca repercussão no seu aprendizado. Muitas escolas, por pressões familiares, não discutem temas como sexualidade, especialmente a vertente homossexual.

Sexualidade é tabu no meio familiar e no meio escolar mesmo numa sociedade que enfrenta uma síndrome grave como a AIDS. A escola ensina, como paradigma da língua padrão, regras gramaticais com exemplário de citações do século XIX, e não aceita a variação lingüística de origem popular, que traz marcas do padrão oral e não escrito. E assim por diante.

São exemplos de que a escola é realmente conservadora. Isso acontece também com as pedagogias. Tivemos a pedagogia tradicional, a escolanovista, piagetiana, Vigostky e já falamos em uma pedagógica pós-construtivista com base em teoria de Gardner.

Umas cuidam plenamente de um aspecto do aprendizado como o conhecimento, mas se descuidam completamente da capacidade cognitiva e metacognitiva, interesses e necessidades dos alunos.

Na história educacional, no Brasil, os dados mostram que quanto mais teoria educacional mirabolante, menos conhecemos o processo ensino-aprendizagem e mais tendemos, também a reforçar um distanciamento professor-aluno, porque as pedagogias tendem a reduzir ações e espaços de um lado ou do outro. Ora o professor é sujeito do processo pedagógico ora o aluno é o sujeito aprendente.

O desafio, para todos nós, é o equilíbrio que vem da conjugação dos pilares do processo de ensino-aprendizagem: mediação, avaliação e qualidade educacional.

Seja como for, o importante é que os docentes tenham conhecimento dessas pedagogias e possam criar modelos alternativos para que haja a possibilidade de o aluno aprender a aprender, ou seja, ser capaz de descobrir e aprender por ele mesmo, ou, em colaboração com outros, os procedimentos, conhecimentos e atitudes que atendam às novas exigências da sociedade do conhecimento.

A Constituição Federal, no seu artigo 205, e a LDB, no seu artigo 2, preceituam que a educação é dever da família e do Estado. Em diferentes momentos, a família é convocada, pelo poder público, a participar do processo de formação escolar: no primeiro instante, matriculando, obrigatoriamente, seu filho, em idade escolar, no ensino fundamental.

No segundo instante, zelando pela freqüência à escola e num terceiro momento se articulando com a escola, de modo a assegurar meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento e zelando, com os docentes, pela aprendizagem dos alunos.

O papel da família, no desenvolvimento da capacidade de aprender, é tarefa, pois, de natureza legal ou jurídica, deve ser, pois, o de articular-se com a escola e seus docentes, velando, de forma permanente, pela qualidade de ensino. O papel, pois, da família é de zelar, a exemplo dos docentes, pela aprendizagem. Isto significa acompanhar de perto a elaboração da proposta pedagógica da escolar, não abrindo mão de prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento ou em atraso escolar bem como assegurar meios de acesso aos níveis mais elevados de ensino segundo a capacidade de cada um. As mídias convencionais ou eletrônicas apontam para uma revolução pós-industrial, centrada no conhecimento. Estamos na chamada sociedade do conhecimento em que um aprendente dedicado à pesquisa pode, em pouco tempo, superar os conhecimentos acumulados do mestre. E tudo isso é bom para quem ensina e para quem aprende. O conhecimento é possível de ser democraticamente capturado ou adquirido por todos: todos estão em condições de aprendizagem. Claro, a figura do professor não desaparece, exceto o modelo tradicional do tipo sabe-tudo, mas passa a exercer um papel de mediador ou instrutor ou mesmo um facilitador na aquisição e desenvolvimento de aprendizagem. A tarefa do mediador deve ser, então, a de buscar, orientar, diante das diversas fontes disponíveis, especialmente as eletrônicas, os melhores sites, indicando links que realmente trazem a informação segura. Infelizmente, por uma série de fatores de ordem socioeconômica, muitos docentes não acessam a Internet e, o mais grave, já sofrem conseqüência dessa limitação, levando, para sala de aula, informações desatualizadas e desnecessárias para os alunos, especialmente em disciplinas como História, Biologia, Geografia e Língua Portuguesa.

Vicente Martins, palestrante, é professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú(UVA), em Sobral, Estado do Ceará. E-mail: [email protected]

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Publicado por: Vicente Martins

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O que é um relacionamento abusivo? Livro ensina a identificar sinais

Além de lidar com o medo de se infectar com o novo coronavírus, o sexo feminino infelizmente está sofrendo com mais um problema durante a pandemia.

De acordo com levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, houve um crescimento de 27% das denúncias de violência contra as mulheres de abril a março de 2020, em relação ao mesmo período de 2019.

As queixas aconteceram pelo número 180.

A agressão física não é a única forma de violência contra as mulheres: há a psicológica, a sexual, a moral e a patrimonial. Todas elas são consequências de um relacionamento abusivo. Só que uma parcela das vítimas não consegue identificar que está vivendo esse tipo de relação com seu companheiro.

De olho nisso, a psicoterapeuta Anahy D’Amico, de São Paulo, decidiu escrever um livro sobre o tema.

“O amor não dói”, publicado pelo selo Paidós da Editora Planeta (clique aqui para ver e comprar), é a obra de estreia da especialista, conhecida por participar do programa “Casos de Família”, no SBT. Além disso, ela atende em consultório e tem um canal no Youtube, que já conta com mais de 900 mil inscritos.

VEJA SAÚDE conversou com Anahy para entender melhor o que caracteriza um relacionamento abusivo e se é possível preveni-lo:

VEJA SAÚDE: Por que você escolheu as relações abusivas como tema do seu primeiro livro?

Anahy D’Amico: Esse é um tema muito recorrente no “Casos de Família”. Comecei a perceber que ele atingia não só aquele público ou os participantes, mas a sociedade como um todo. E nem sempre se tratava de violência física, mas havia a patrimonial, a psicológica… Em paralelo, temos visto cada vez mais casos de feminicídio.

Fui analisando a criação das mulheres, que é muito baseada em ser dependente de um homem, querer ser salva por ele e constituir família. Só que muitas não têm bons modelos, ou seja, um repertório saudável sobre relacionamento.

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Então, achei que o primeiro livro tinha que ser sobre isso. Vejo a população feminina pedindo socorro o tempo todo. Isso foi me incomodando, porque acredito que elas têm plenas condições de se proteger e de escolher uma vida diferente. Empoderamento é entender que não precisamos ser salvas por ninguém: a gente se salva sozinha.

Esse livro é um alerta para elas entenderem como funcionam os abusos, mas também é para os homens. Quem abusa precisa de ajuda.

Como podemos identificar que estamos vivendo um relacionamento abusivo?

Há muitos sinais, porque o abuso não significa uma agressão “do nada”. Ninguém chega dando tapa na cara da namorada. Até porque, se fizer isso, ela vai cair fora. Então, o abuso pode culminar na violência física, mas ele começa com as formas verbal e psicológica.

Dito isso, é muito importante notar que existe um mito de que ciúme é um sinal de amor. Isso não é verdade. Muito ciúme não quer dizer mais amor, e sim que a pessoa está te manipulando. Esse abuso acontece pelo controle, e é representado por falas como “eu te amo tanto que te quero só para mim” ou “eu te amo tanto que vou te dar tudo, então não quero que você trabalhe”.

A mulher passa a ser cerceada. Não possui mais independência financeira, não consegue ir e vir porque tudo gera briga. E, em nome do amor – até porque foi ensinada que é necessário abrir mão de coisas para fazer o casamento dar certo –, ela vai se anulando.

Aí, o abusador começa a expressar coisas como “sua amiga não presta”, “sua família não gosta de mim, não quero que você vá lá”, “para que sair com amiga para jantar? Janta comigo, eu saio com você”. O abuso tira toda a rede apoio dela.

Também há muito “gaslighting”, que significa fazer a mulher acreditar que perdeu o senso crítico. O companheiro fala que ela nunca entende de verdade o que ele diz.

Um exemplo: “Comentei que você está gorda, mas foi brincadeira, você que não entendeu”. Ela vai, assim, desacreditando da própria percepção.

Ao longo do tempo, isso vai fragilizando-a de uma maneira que, quando se dá conta, já está com depressão e pânico, afastada de todo mundo.

O abuso sexual é outra coisa que vemos muito nos casamentos. Às vezes, a esposa não deseja transar e o marido fala “você é minha, precisa fazer o que eu quero”. Isso é estupro! O casamento não significa que a mulher deve fazer o que não tem vontade nem que o homem pode fazer tudo que quiser.

E por que é tão difícil sair de uma situação assim?

Quando a mulher tenta, não consegue. Criou uma dependência emocional. E aí, começa a ouvir do parceiro que, se ele não a quiser mais, ninguém vai querer também, porque ela é desinteressante. Ora, se ela permanece só dentro de casa, é claro que falará só do filho, dos afazeres domésticos e do cachorro.

Se acontece uma traição, é o momento em que escuta “você está louca, eu não fiz nada disso, está vendo coisa!”. Enfim, vai perdendo o senso crítico e se abandonando. Isso não acontece de uma vez, são doses diárias.

No livro, você fala sobre como contos de fada, filmes e séries influenciam nossa ideia do que é um bom relacionamento. Como as histórias de amor deveriam ser apresentadas?

Deveriam ser apresentadas de uma maneira mais igualitária. Veja: todos os contos de fada foram escritos por homens. Eles criaram a ideia da princesa linda, rica e perfeita, mas que está sempre em perigo e, por isso, será salva por um príncipe supereducado, carinhoso e que morre de amor por ela. No fim, eles serão felizes para sempre.

Nada é mais equivocado do que isso, porque não há príncipe nem princesa, e sim seres humanos que precisam se respeitar. Só que essa ideia de a mulher encontrar um homem magnífico com quem ela será feliz eternamente está incutida no imaginário feminino.

O que existe, na verdade, é uma construção diária de um relacionamento satisfatório.

Eu sou extremamente a favor de casamento e constituição de família, assim como acho maravilhoso quem não quer nada disso. Temos que aprender a respeitar posições, e não vejo isso acontecendo.

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As mulheres entram em pânico se, em determinado momento da vida, ainda não casaram. Começam a correr contra o relógio como se isso fosse obrigatório.

Ninguém perde valor porque não tem um homem ao lado. Nós somos inteiras e não necessitamos de uma “metade da laranja” – o mesmo vale para eles. São construções sociais que precisamos desmitificar. Não é preciso ser contra. Basta entender que há quem não queira viver assim.

Como podemos ajudar se soubermos de alguma amiga ou familiar que está vivendo um relacionamento abusivo?

Devemos alertar, porque quem está de fora percebe com mais facilidade. Por exemplo: quando a mulher falar “olha como ele me ama! Não me deixa sair de casa, só se for com ele”. Aí, é possível trazer questionamentos: “Mas você acha isso legal? Porque o amor é livre, generoso, carinhoso, gentil”.

Nós temos que fazer uma visita, pontuar algumas coisas. Existem mulheres que ficam tão desnorteadas que rejeitam esses comentários. Porque é muito difícil admitir que você não está num relacionamento legal, que há coisas erradas e que você precisa tomar uma atitude. É complicado, porque a mulher vai ficando fragilizada e se sentindo sozinha.

No livro, aconselho o seguinte: se você estiver se sentindo completamente perdida na situação, apele para o coração. Você sente quando não está feliz.

Depois que a mulher se livra de um relacionamento abusivo, o que ela deve fazer para não entrar em outro?

Isso é de fato recorrente. A mulher consegue sair de um relacionamento abusivo e já se enfia em outro. Possuímos uma tendência de repetir comportamentos. Mas, quando a gente consegue entender o padrão, fica mais fácil não ter recaída.

No relacionamento abusivo, sofremos uma espécie de lavagem cerebral. Você passa a achar que é um ser dependente e que não consegue ficar sozinha.

Então, o primeiro passo é “fechar para balanço”, isto é, entender como funcionou aquela relação e avaliar o que você não quer mais para sua vida. Fique sozinha, procure amigas, vá se divertir, busque um trabalho, estude e procure a ajuda da família e dos amigos.

É necessário buscar toda essa rede protetiva de apoio para ir se fortalecendo. E, obviamente, fazer terapia seria o ideal para entender esse processo.

Você acha que o amparo oferecido pelo Estado brasileiro para mulheres que sofrem violência doméstica funciona bem? Tem algo que acredita que precisa melhorar?

Acredito que é preciso realmente ter toda uma rede de apoio. No sentido de, por exemplo, oferecer uma colocação de trabalho e uma medida efetiva de proteção, porque muitas vezes as mulheres morrem.

Mas há cada vez mais formas de ajuda. Vejo um esforço. A gente possui muito contato com ONGs no programa, então dá para perceber que há uma mobilização maior.

A população feminina tem que se proteger em primeiro lugar. A ideia que quero passar é essa. É complicado falar isso, porque parece que estou culpando a vítima. Pelo contrário: nunca se culpa a vítima, de maneira nenhuma. Mas existe uma escolha anterior. É por isso que eu falo dos passos do abusador, porque ele dá sinais.

É claro que existem homens que são maravilhosos e viram “bichos” depois que casam, mas, quando a mulher detecta sinais de abuso, tem o poder de sair daquilo. Que ela não fique dando chance, que não ache que o amor vai curar tudo. Existe uma autoproteção muito necessária para evitar abuso.

Vejo que muitas ignoram completamente os sinais. Acham que, quando casar, será melhor, quando, na verdade, a situação só piora.

Se o homem fala coisas como “não usa essa saia, está muito curta” e a mulher cede, ele vai se sentindo com permissão e força para continuar exercendo o controle. Temos que entender isso em primeiríssimo lugar.

Como podemos criar as meninas hoje para que elas não se submetam a relações abusivas e os meninos para que eles não se tornem abusadores?

Um grande problema é que, aos meninos, se ensina que a força traz respeito e, às meninas, que a sensibilidade e a meiguice estimulam amor. Assim, incentivamos nossas filhas a serem submissas sem perceber. Ninguém faz isso de propósito, porque nós fomos educados por pais que representavam comportamentos machistas. Isso é social.

A menina pode brincar com o que quiser. Temos que parar de dar somente panela e boneca para ela se divertir. É preciso oferecer jogos e brinquedos que instiguem a imaginação, deixá-la aprender lutas, etc. Essa história de “coisa de menino e de menina” precisa acabar.

Ao trabalhar em escolas, já vi situações em que o menino batia na menina e diziam a ela “não fica triste, é que ele gosta de você”. Então, você ensina que quem ama bate? É preciso falar que isso não é bacana. Temos que ensinar que o corpo dela é sagrado, ninguém vai tocar se ela não deixar.

Também é essencial avisar para o filho que ele pode chorar e demonstrar sentimentos, porque os meninos também sofrem nessa educação.

Esse tema tem sido mais discutido hoje, principalmente por causa da internet. Como você enxerga isso?

Ajuda muito, porque isso sempre foi um assunto fechado. As mulheres sofriam quietas, tinham vergonha de falar ou nem percebiam o que se passava. Mas, agora, elas estão começando a despertar. Acho que, no final, é bem positivo.

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