Paises Que Reconhecem Jerusalem Como Capital De Israel?


Sidney e São Paulo
| AFP

  • A Austrália reconheceu Jerusalém Ocidental como a capital de Israel, anunciou neste sábado (15) o primeiro-ministro Scott Morrison, mas a transferência da embaixada de Tel Aviv só ocorrerá após um acordo de paz com os palestinos.
  • Morrison também se comprometeu a reconhecer as aspirações de um futuro Estado para os palestinos tendo Jerusalém Oriental como sua capital quando o status desta cidade for estabelecido em um acordo de paz.
  • “A Austrália reconhece, a partir de agora, Jerusalém Ocidental —onde estão o Knesset (Parlamento) e numerosas instituições governamentais— como capital de Israel”, afirmou Morrison em um discurso em  Sidney. 

Paises Que Reconhecem Jerusalem Como Capital De Israel? O primeiro-ministro da Austrália, Scott Morrison – Mick Tsikas/Reuters

  1. “Pretendemos transferir nossa embaixada para Jerusalém Ocidental quando for factível, após a conclusão de um status final” para esta cidade, informando que as obras no novo local da embaixada já estavam em andamento.
  2. Enquanto isto, a Austrália estabelecerá um escritório encarregado de Defesa e Comércio na parte oeste da Cidade Santa. 
  3. “Reafirmando nosso compromisso em uma solução de dois Estados, o governo australiano também está decidido a reconhecer as aspirações do povo palestino para um futuro Estado com capital em Jerusalém Oriental”, acrescentou o primeiro-ministro.
  4. Ele disse ainda que a Austrália não vai mais se abster na ONU sobre resoluções que, segundo ele, “atacam” Israel, como a que exige o não estabelecimento de missões diplomáticas em Jerusalém.
  5. Jerusalém é reivindicada tanto por israelenses como por palestinos, mas a maioria dos países prefere não instalar suas representações diplomáticas na cidade. 
  6. O presidente americano, Donald Trump, reconheceu a cidade como capital de Israel em dezembro de 2017 e em maio de 2018 transferiu a embaixada dos EUA de Tel Aviv para Jerusalém. 

A cerimônia coincidiu com um banho de sangue na Faixa de Gaza, palco de violentos confrontos entre palestinos e soldados israelenses ao longo da fronteira. Ao menos 62 palestinos morreram baleados.

Protestos contra Donald Trump no Oriente Médio Paises Que Reconhecem Jerusalem Como Capital De Israel?

O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, anunciou planos de transferir a embaixada brasileira de Tel  Aviv para Jerusalém durante a campanha. Depois de eleito, ele disse que a decisão ainda não estava tomada. 

Durante viagem aos EUA, no fim de novembro, o filho do presidente eleito, Eduardo Bolsonaro, disse que a mudança estava decidida. “A questão não é perguntar se vai, a questão é perguntar quando será”, afirmou.​

Segundo a colunista Mônica Bergamo, Bolsonaro não pretende recuar da ideia, mas pretende deixar o assunto em banho-maria, sem anunciar uma data para a mudança. 

No início de dezembro, a Liga Árabe alertou o presidente eleito em uma carta que a transferência da embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém poderia prejudicar as relações com os países árabes.

O premiê australiano já havia mencionado em outubro, antes de uma eleição crucial para sua estreita maioria, essa mudança de direção na política externa australiana. Mas havia dado um passo atrás após a comoção política provocada na Austrália.

  • Aclamado na época pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, o anúncio irritou a vizinha Indonésia, que possui a maior população muçulmana do mundo, e causou o congelamento de negociações para um acordo comercial bilateral.
  • Antecipando o anúncio de sua decisão, Canberra aconselhou cautela aos australianos que viajem à Indonésia.
  • O primeiro-ministro procura seduzir o eleitorado judeu e cristão conservador e conquistar as boas graças da Casa Branca, embora tema um revés eleitoral no ano que vem.
  • Ao comentar a decisão de Morrison, o embaixador palestino na Austrália, Izzat Abdulhadi, disse à AFP que seu governo pretende incitar os países árabes e muçulmanos a “retirar seus embaixadores” e adotar “medidas de boicote econômico” contra a Austrália.

A ONG Australia Palestine Advocacy Network (APAN) afirmou neste sábado que a decisão do primeiro-ministro Morrison “não serve aos interesses australianos”. Ela “mina qualquer possibilidade real de alcançar um acordo futuro e encoraja Israel em suas violações diárias dos direitos dos palestinos”, segundo seu presidente, o bispo George Browning.

Especial Turismo – Jerusalém Paises Que Reconhecem Jerusalem Como Capital De Israel?

Jerusalém

Jerusalém, uma das mais antigas cidades do mundo, localiza-se no oeste do continente asiático, entre o Mar Mediterrâneo e o Mar Morto, na extremidade de um planalto.

Israelenses e palestinos disputam há décadas essa cidade, que é considerada sagrada para três grandes religiões: judaísmo, cristianismo e islamismo.

Divide-se em uma porção oriental, que representa a parte leste, atualmente sob o domínio de Israel, mas reivindicada pelos palestinos como capital, e uma porção ocidental, que é a porção da cidade que permaneceu sob controle de Israel após a guerra árabe-israelense.

Leia também: História de Jerusalém

Dados Gerais de Jerusalém

População 857.752 habitantes
Significado Em hebraico: Yerushaláyim / Cidade da Paz Em árabe: Al-Quds / A Sagrada
Religião
  • 64% de judeus
  • 32% de muçulmanos
  • 2% de cristãos
  • 2% de outras religiões
Densidade populacional 5.750,4 habitantes por km2

Onde fica?

A cidade de Jerusalém está situada na extremidade de um planalto, na parte montanhosa no sul de Israel conhecida como Judeia. Está a leste da cidade de Tel Aviv e do Mar Mediterrâneo e a oste do Mar Morto. A cidade está cercada por vales, como o Vale do Cédron, na porção sul, e o Vale do Tyropoen, a noroeste.

Mapa

Paises Que Reconhecem Jerusalem Como Capital De Israel? Localização da cidade de Jerusalém entre Israel e Jordânia.

Clima

O clima é o mediterrânico, caracterizado por uma estação de verão quente e seca e uma estação de inverno com temperaturas baixas e períodos chuvosos, com incidência de neve.

A temperatura média na cidade é de 17,5ºC. Janeiro é o mês mais frio, com temperatura média de 9ºC, e agosto é o mês mais quente, com temperatura média de 24,5ºC. Os índices pluviométricos alcançam anualmente 550 milímetros, e o período de chuva geralmente ocorre entre os meses de novembro e março.

Demografia

Jerusalém é constituída principalmente por judeus, que representam cerca de 64% da população. Os árabes representam cerca de 32% da população, e os cristãos, 2%. A cidade costuma receber bastante imigrantes, mas o número de habitantes que a deixam ainda supera o número de pessoas que chegam.

O crescimento populacional na cidade é elevado, em razão das altas taxas de natalidade, principalmente entre a população árabe. Em 2007, Jerusalém tinha uma população de 732.100 habitantes. O número cresceu para 857.752 habitantes em 2015.

O número de judeus na cidade tem decrescido. Muitos têm saído à procura de outros lugares para viver, em razão do elevado custo de habitação em Jerusalém e da falta de oportunidades de trabalho. A taxa de natalidade entre os palestinos também supera a dos judeus.

Saiba também: Qual a diferença entre árabes e muçulmanos?

Governo

Jerusalém é atualmente cidade de Israel e a sede do governo, fato não reconhecido pelas Nações Unidas e União Europeia. A cidade é disputada e reivindicada por israelenses e palestinos como sua respectiva capital, o que gera grandes tensões.

O governo local é formado por 31 membros eleitos a cada quatro anos. O prefeito é escolhido por meio do voto em eleição, estando no poder por 5 anos e escolhendo 6 deputados.

Economia

Por muitos anos, a economia de Jerusalém foi baseada na sua significância religiosa. Por ser uma cidade sagrada para três religiões, atrai muitos visitantes. Um dos seus principais lugares sagrados é o Muro das Lamentações.

Jerusalém Ocidental tem apresentado melhor desenvolvimento econômico do que Jerusalém Oriental.

A taxa de desemprego em Jerusalém (8,3%) é maior que a média nacional (9,0%), e as famílias árabes estão mais inseridas no mercado de trabalho que as famílias judaicas.

A cidade de Tel Aviv constitui o centro financeiro de Israel, contudo, o número de empresas de alta tecnologia estão instalando-se em Jerusalém, gerando empregos e incentivos para novos negócios.

Educação

A cidade de Jerusalém conta com diversas universidades, como a Universidade Hebraica de Jerusalém, a Universidade Al-Quds e o Instituto de Tecnologia de Jerusalém. Os cursos normalmente são oferecidos em hebraico, árabe e inglês. A cidade oferece diversos incentivos financeiros para que estudantes possam alugar apartamentos para morar e frequentar as universidades.

Cultura

Apesar da atratividade religiosa, Jerusalém conta com muitos eventos artísticos. Podemos destacar o Museu de Israel, o Museu Rockefeller e o Museu Islâmico. Há também a presença da Orquestra Sinfônica de Jerusalém e o Centro Internacional de Convenções. A cidade também conta com o Festival de Israel, que apresenta peças de teatro, música e danças, e o Festival de Cinema de Jerusalém.

Religião e o Muro das Lamentações

Jerusalém é considerada uma cidade sagrada por três grandes religiões: judaísmo, cristianismo e islamismo. Para os judeus, a cidade é sagrada por ter sido capital do Reino de Davi.

Foi também o local em que o Rei Salomão ergueu o templo para guardar a Arca da Aliança, objeto que continha as tábuas sagradas em que foram escritos os “Dez Mandamentos”.

Esse templo foi destruído pelos romanos, restando apenas uma de suas paredes, que hoje é conhecida como o Muro das Lamentações.

Para os muçulmanos, Jerusalém é considerada a cidade onde Maomé ascendeu ao céu. Para os cristãos, a cidade de Jerusalém representa o local onde Jesus realizou muitos milagres e, no local em que Jesus foi sepultado e ressuscitou, foi construída a Igreja do Santo Sepulcro.

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Paises Que Reconhecem Jerusalem Como Capital De Israel? O Muro das Lamentações é o segundo local mais sagrado para os judeus.

Política

No ano de 1949, o primeiro-ministro de Israel proclamou Jerusalém como capital de Israel, tornando-se então sede do governo. Nesse momento, Jerusalém foi repartida entre Israel e Jordânia, e apenas a parte oeste da cidade foi considerada capital de Israel.

Ocorreu então um fato marcante na história de Israel, a Guerra dos Seis Dias, em 1967.

Nessa disputa entre árabes e judeus, Israel derrotou o Egito, Jordânia e Síria, anexando então para si diversos territórios, como a Faixa de Gaza (ocupada por palestinos), e as Colinas de Golã, pertencentes à Síria.

A partir dessa guerra, os judeus assumiram o controle de Jerusalém, anexando a parte leste da cidade. Com isso, consideraram a parte oeste e leste de Jerusalém como sua capital, assumindo o status de “completa e unificada”. Esse status tornou-se um problema, visto que a comunidade internacional não reconhece a área anexada como território de Israel.

Em 1980, Israel criou uma lei para anexar oficialmente Jerusalém Oriental ao seu território.

A ONU e diversos países consideraram a ação ilegal e, portanto, transferiram suas embaixadas para a cidade de Tel Aviv com a justificativa de que, se mantivessem suas missões diplomáticas em Jerusalém, estariam atestando que de fato a cidade era a capital de Israel, pertencendo então aos judeus. No ano de 2017, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconheceu Jerusalém como a capital de Israel, transferindo a embaixada estadunidense para a cidade.

Leia também: O que é uma embaixada? E missão diplomática?

Confronto entre judeus e palestinos

Desde o século XX, judeus e árabes disputam para reconhecer Jerusalém como capital de Israel ou como capital da Palestina, respectivamente. No início dos anos 20, a região da Palestina estava sob controle do Reino Unido. Apoiados pelos britânicos, os judeus começaram a migrar para Israel. Até 1948, Jerusalém era a capital do Mandato Britânico da Palestina.

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Nesse mesmo ano, Israel tornou-se independente, fato que resultou na Primeira Guerra Árabe-Israelense. Com a guerra, houve a divisão de Jerusalém em uma parte ocidental, que estava sob controle de Israel, e uma parte oriental, sob controle da Jordânia.

Em 1967, com a Guerra dos Seis Dias, Israel anexou a parte oriental de Jerusalém ao seu domínio. Esse fato foi considerado ilegal pela comunidade internacional e pela Organização das Nações Unidas, que não reconhecem Jerusalém como a capital de Israel.

Desde então os palestinos reivindicam a parte oriental de Jerusalém como sua capital. É válido ressaltar que cerca de um terço da população de Jerusalém é composta por palestinos. Desde então, essa região tem sido palco de conflitos e tensões por disputas territoriais.

Leia mais: Conflitos na Palestina: Faixa de Gaza

Jerusalém é a capital de Israel?

No que tange ao status de Jerusalém como capital, não há um consenso. Por muitas décadas, essa região tem sido disputada e reivindicada por israelenses e palestinos. A comunidade internacional, inclusive os países-membros da ONU, não reconhecem o status de “completa e unificada”, declarado por Israel em 1980, portanto, não há aceitação de que Jerusalém seja a capital de Israel.

Para a comunidade, a cidade deveria ser partilhada, ficando a porção ocidental para os israelenses e a porção oriental para os palestinos. Todas as embaixadas, exceto a estadunidense, situam-se na cidade de Tel Aviv.

Paises Que Reconhecem Jerusalem Como Capital De Israel? Para a comunidade internacional e as Nações Unidas, Jerusalém não é a capital de Israel.

Tel Aviv

Tel Aviv é a segunda maior cidade de Israel e é reconhecida por muito como a capital de fato do país, visto que compreende a região em que se encontram as embaixadas dos países, exceto a dos Estados Unidos.

É considerada um importante centro econômico de Israel, sendo a capital financeira do país. Foi em Tel Aviv que Israel declarou sua independência no ano de 1948 e passou a organizar o seu governo.

Portanto, enquanto não for reconhecido o status de Jerusalém como capital, Tel Aviv é a capital por ser sede provisória do governo de Israel.

Jerusalém foi reconhecida pelos Estados Unidos como capital de Israel

Transferir a embaixada dos Estados Unidos para Jerusalém estava previsto em uma lei aprovada pelo Congresso Estadunidense em 1995. Essa lei incluía adiamento do prazo para transferência a fim de proteger os interesses de Segurança Nacional.

Presidentes como Bill Clinton e Barack Obama prorrogaram o máximo que puderam esse prazo. O atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia também prorrogado o prazo, visto que mudar a embaixada para Jerusalém poderia gerar conflitos e polêmica.

Contudo, o prazo da última prorrogação expirou, e Trump decidiu por finalmente fazer a transferência.

Donald Trump afirma que “Israel é uma nação soberana e que tem direito de determinar sua capital”. A transferência foi concluída em 2018 para Jerusalém Ocidental.

Países como Guatemala, Paraguai, Brasil, Romênia e República Tcheca propõem fazer o mesmo. Essa transferência é, portanto, um posicionamento desses países a respeito do reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel.

Esse fato pode gerar conflitos com os árabes, estremecendo relações. Por Rafaela Sousa

Graduada em Geografia

Por que o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel pelos EUA é tão polêmico – BBC News Brasil

  • Alessandra Corrêa
  • De Winston-Salem (EUA) para a BBC Brasil

5 dezembro 2017Atualizado 6 dezembro 2017Paises Que Reconhecem Jerusalem Como Capital De Israel?

Crédito, AFP

Legenda da foto,

Israel considera Jerusalém sua capital eterna e indivisível, mas palestinos reivindicam parte da cidade como capital de seu futuro Estado

O pronunciamento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconhecendo Jerusalém como capital de Israel tem sido recebido com alarme por líderes de diversos países do Oriente Médio, e também na Europa, que veem na medida potencial para colocar em risco o já frágil processo de paz entre israelenses e palestinos.

“É tempo de reconhecer oficialmente Jerusalém como capital de Israel. Presidentes anteriores haviam feito disso uma promessa de campanha, mas fracassaram em cumpri-la. Hoje, eu estou cumprindo”, afirmou o presidente americano em discurso nesta quarta-feira.

Trump afirmou também que a embaixada americana será realocada em Jerusalém – medida alvo de críticas na comunidade internacional pela possibilidade de comprometer a neutralidade dos EUA na mediação do conflito – e que a medida é parte de uma nova abordagem ao processo de paz entre Israel e Palestina.

“É um passo que já deveria ter sido dado no processo de paz e no trabalho para um acordo duradouro. Repetir a mesma fórmula do passado não produzirá resultados diferentes”, agregou. “Reconhecer oficialmente Jerusalém como capital de Israel é condição necessária para alcançar a paz. (…) Não é nada além do que o reconhecimento da realidade.”

A primeira reação internacional foi do secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, criticando “medidas unilaterais” relacionadas à questão e afirmando que Jerusalém tem de ser reconhecida como “capital de Israel e da Palestina”.

A transferência de embaixada é prevista em uma lei que o Congresso americano aprovou em 1995, que prevê, ainda, o reconhecimento de Jerusalém como capital do Estado israelense.

A lei estipulava 31 de maio de 1999 como data final para a mudança de sede da embaixada, sob pena de sanções ao Poder Executivo. Contudo, incluía a possibilidade de adiamento do prazo por seis meses, caso necessário para “proteger os interesses de segurança nacional”.

E é isso o que todos os presidentes desde então (Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama) têm feito.

Trump seguiu o exemplo de seus antecessores e, em junho, renovou a prorrogação por seis meses – decisão que o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, chegou a avaliar como “sábia”, na época, tendo em vista que mover a embaixada em um contexto em que os dois lados reivindicam Jerusalém como capital poderia complicar as negociações para a retomada de um processo de paz genuíno.

Agora, com o prazo de sua última prorrogação expirado nesta semana, Trump decidiu pela mudança a Jerusalém.

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Decisão de Trump quanto ao reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel gera preocupação internacional

Na avaliação de diversos analistas, essa medida colocaria em risco o plano de paz, que já é encarado com ceticismo diante das dificuldades da negociação, do fracasso de iniciativas anteriores e da inexperiência da equipe responsável, liderada por Jared Kushner, genro de Trump.

“Pelo menos desde os anos 1990 (após os acordos de Oslo, em que israelenses e palestinos, com mediação dos EUA, concordaram que o status de Jerusalém deveria ser abordado bilateralmente em negociações de paz) o entendimento é de que Jerusalém Ocidental será capital de Israel e Jerusalém Oriental será capital de um futuro Estado palestino. Ambos os reconhecimentos devem ocorrer ao mesmo tempo”, afirma à BBC Brasil Fayez Hammad, especialista em Oriente Médio da Universidade do Sul da Califórnia (USC).

“A aplicação assimétrica coloca mais lenha na fogueira”, avalia.

Ao mesmo tempo, o historiador Barry Trachtenberg, diretor do Programa de Estudos Judaicos da Universidade Wake Forest, na Carolina do Norte, ressalta que os EUA, em todos os governos anteriores, permitiram que Israel continuasse construindo assentamentos no território disputado.

“Os Estados Unidos nunca tomaram medidas fortes (para impedir as construções). Então, nesse sentido, Trump talvez seja o mais honesto sobre o assunto. Sobre o fato de que os EUA na verdade são parciais, e não neutros”, afirma.

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O presidente palestino, Mahmoud Abbas, disse que o reconhecimento americano é 'inaceitável' | Foto: Valter Campanato/Ag. Brasil

O reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, que é reivindicada como capital por ambas as partes, gerou reações no mundo árabe e por parte do presidente da França, Emmanuel Macron, que chamou a decisão de “lamentável”.

Por telefone, o francês teria alertado a Trump que reconhecer Jerusalém como capital de Israel seria má ideia – e que a questão deve ser resolvida por meio de negociações entre israelenses e palestinos.

O secretário-geral da Liga Árabe, Ahmed Aboul Gheit, declarou que a decisão vai alimentar extremismo e violência.

O ministro do Exterior da Jordânia, Ayman Safadi, alertou o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, que a medida poderia ter consequências perigosas, aumentando a tensão na região e comprometendo os esforços de paz. Alerta semelhante foi feito pelo ministro do Exterior egípcio, Sameh Shoukry, e pelo vice-primeiro-ministro turco, Bekir Bozdag.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, disse que o reconhecimento americano é “inaceitável” e representaria uma ameaça ao futuro do processo de paz.

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O presidente francês, Emmanuel Macron, defende que a questão seja resolvida por meio de negociações entre israelenses e palestinos

O governo Trump vem trabalhando em um plano de paz entre Israel e palestinos, objetivo no qual seus antecessores fracassaram. Mas analistas afirmam que, ao reconhecer Jerusalém como capital de Israel, o país comprometeria seu papel de mediador.

“O reconhecimento mostraria os EUA como completamente parciais nesse conflito”, disse Trachtenberg. “Isso tornaria muito difícil levar os Estados Unidos a sério como árbitros.”

No conflito entre Israel e palestinos, o status diplomático de Jerusalém, cidade que abriga locais sagrados para judeus, cristãos e muçulmanos, é uma das questões mais polêmicas e ponto crucial nas negociações de paz.

Israel considera Jerusalém sua capital eterna e indivisível. Mas os palestinos reivindicam parte da cidade (Jerusalém Oriental) como capital de seu futuro Estado.

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Tel Aviv é, atualmente, sede da embaixada americana: Na campanha eleitoral, Trump prometeu transferi-la para Jerusalém

A posição da maior parte da comunidade internacional, e dos Estados Unidos até então, é a de que o status de Jerusalém deve ser decidido em negociações de paz. Os países mantêm suas embaixadas em Tel Aviv, a capital comercial de Israel.

Em 1947, quando a Assembleia Geral da ONU decidiu pelo plano de partilha da Palestina entre um Estado árabe e outro judeu, Jerusalém foi designada como “corpus separatum” (corpo separado), sob controle internacional. O plano, porém, não chegou a ser implementado.

Em 1948 foi declarada a Independência do Estado de Israel e, logo em seguida, a guerra árabe-israelense. Ao final daquele conflito, Jerusalém foi dividida, com a parte ocidental sob controle de Israel e a parte oriental controlada pela Jordânia.

Em 1967, Israel capturou a parte oriental da cidade e, desde então, vem construindo assentamentos em Jerusalém Oriental. Esses assentamentos são considerados ilegais pela comunidade internacional, posição que é contestada pelo governo israelense.

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“O reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel seria uma mudança na política adotada pelos Estados Unidos desde a criação do plano de partilha pela Assembleia Geral da ONU”, disse o especialista em Oriente Médio Fayez Hammad.

“Desde a criação do Estado de Israel no ano seguinte, os Estados Unidos nunca reconheceram a soberania de Israel em Jerusalém Ocidental ou da Jordânia em Jerusalém Oriental (até 1967)”, ressalta Hammad.

Entenda por que o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel pelos EUA é tão polêmico

Israel considera Jerusalém sua capital eterna e indivisível. Mas os palestinos reivindicam parte da cidade (Jerusalém Oriental) como capital de seu futuro Estado.

Apesar de apelos por parte de líderes árabes e europeus, e de advertências que a decisão poderia desencadear uma onda de protestos e violência, Trump declarou que adota agora uma nova abordagem, considerando que mesmo com a postura anterior dos EUA, a paz na região até hoje não foi atingida.

Atualmente, a maioria dos países mantém suas embaixadas em Tel Aviv, justamente pela falta de consenso na comunidade internacional sobre o status de Jerusalém. A posição da maior parte da comunidade internacional, e dos Estados Unidos até o anúncio desta quarta, é a de que o status de Jerusalém deve ser decidido em negociações de paz.

No conflito entre Israel e palestinos, o status diplomático de Jerusalém, cidade que abriga locais sagrados para judeus, cristãos e muçulmanos, é uma das questões mais polêmicas e ponto crucial nas negociações de paz.

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EUA reconhecem Jerusalém como capital de Israel — Foto: Arte/G1

EUA reconhecem Jerusalém como capital de Israel — Foto: Arte/G1

O plano da ONU em 1947 previa a partição da então Palestina em três entidades: um Estado judeu, um Estado árabe e Jerusalém, formando um “corpus separatum” sob regime internacional especial administrado pelas Nações Unidas.

O plano foi aceito pelos dirigentes sionistas, mas rejeitado pelos líderes árabes.

Na esteira da saída dos britânicos da região e da primeira guerra árabe-israelense, o Estado de Israel é criado em 1948, e tem Jerusalém Ocidental instituída como capital, com a parte leste da cidade ainda sob controle da Jordânia.

Israel toma conta de Jerusalém Oriental ao longo da guerra dos Seis Dias, em 1967, anexando o território. Em 1980, uma lei fundamental israelense confirma o status de Jerusalém como capital “eterna e indivisível” de Israel.

Veja abaixo o que alguns atores internacionais pensam sobre a questão.

Nesta terça (5), o governo israelense voltou a reafirmar sua posição: “Jerusalém é a capital do povo judeu há 3.000 anos e a capital de Israel há 70 anos”. Isso vale para toda a Jerusalém, Oriental e Ocidental, cidade “reunificada”.

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Palestinos se manifestam sobre o iminente anúncio da mudança da embaixada — Foto: Reuters/Ibraheem Abu Mustafa

Palestinos se manifestam sobre o iminente anúncio da mudança da embaixada — Foto: Reuters/Ibraheem Abu Mustafa

O que pensam os palestinos

Interlocutora da comunidade internacional e de Israel, a Autoridade Palestina reivindica Jerusalém Oriental como a capital de um futuro Estado palestino independente. Já o Hamas, que não reconhece Israel, evoca toda a cidade de Jerusalém como a capital de um futuro Estado da Palestina.

Em 1995, o Congresso americano adotou o Jerusalem Embassy Act (Lei da Embaixada de Jerusalém), com um apelo para que o governo mude a embaixada de Tel Aviv para Jerusalém, “capital do Estado de Israel”.

A lei é obrigatória para o governo americano, mas uma cláusula permite aos presidentes adiar sua aplicação por seis meses. Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama acionaram a cláusula, sistematicamente, a cada seis meses.

A contragosto, Trump fez isso pela primeira vez em junho de 2017, e agora acaba de declarar Jerusalém a capital de Israel, e anunciar a mudança da embaixada de Tel Aviv para lá.

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Bandeiras de Israel e Estados Unidos projetados no muro da Cidade Velha de Jerusalém pelas autoridades municipais — Foto: AFP/Ahmad Gharabli

Bandeiras de Israel e Estados Unidos projetados no muro da Cidade Velha de Jerusalém pelas autoridades municipais — Foto: AFP/Ahmad Gharabli

Qual a posição da comunidade internacional

A ONU não reconhece a anexação de Jerusalém Oriental, considerada como território ocupado. Ela declarou a lei israelense de 1980 como uma violação Direito Internacional.

Para o organismo, o status final de Jerusalém deve ser negociado entre as partes.

Em 1980, a ONU fez um apelo, por meio da resolução 478, a todos os países com missão diplomática em Jerusalém para que se retirassem de lá.

Treze países (Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Holanda, Panamá, Uruguai, Venezuela) transferiram sua embaixada para Tel Aviv.

O Brasil, assim como a maior parte dos países que reconhecem Israel, também mantém sua embaixada em Tel Aviv.

Em abril de 2017, a imprensa israelense fez grande alarde de um comunicado do governo russo, no qual Moscou disse considerar “Jerusalém Ocidental como a capital de Israel”.

Comemorada por uma parte da classe política israelense, ainda que sem consequências concretas, a nota também reconhecia “Jerusalém Oriental como a capital de um futuro Estado palestino”.

“Confirmamos lealdade às decisões da ONU sobre os princípios de resolução, incluindo o estatuto de Jerusalém Oriental como capital do futuro estado palestiniano. Entretanto, achamos necessário acrescentar que, neste contexto, classificamos Jerusalém Ocidental como a capital de Israel”, diz o comunicado do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, citado pela imprensa estatal.

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Judeus rezam no Muro das Lamentações, local mais sagrado de oração para o judaísmo, na Cidade Velha de Jerusalém — Foto: Reuters/Baz Ratner

Judeus rezam no Muro das Lamentações, local mais sagrado de oração para o judaísmo, na Cidade Velha de Jerusalém — Foto: Reuters/Baz Ratner

EUA RECONHECEM JERUSALÉM COMO CAPITAL

Países islâmicos reconhecem Jerusalém como capital palestina

A Organização para a Cooperação Islâmica (OIC), grupo que reúne 57 países de maioria muçulmana, anunciou nesta quarta-feira o reconhecimento de Jerusalém Oriental como a capital da Palestina.

A medida foi tomada em reunião extraordinária convocada pelo presidente da Turquia, Recep Erdogan, após a decisão dos Estados Unidos de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel e mudarem a embaixada do país em Tel-Aviv para a cidade.

“Pedimos a todos os países que reconheçam o Estado da Palestina, e Jerusalém Oriental como sua capital ocupada”, lê-se o comunicado assinado pela organização, que se declara como “a voz coletiva do mundo muçulmano”.

Na resolução, o grupo pede que a Organização das Nações Unidas (ONU) intervenha para “acabar com a ocupação israelense” e assume o compromisso de “um plano de paz justo e compreensivo baseado na solução de dois Estados”.

Erdogan, anfitrião do encontro da OIC em Istambul, fez duras críticas a Israel, classificado por ele como “um Estado terrorista”, e disse que a decisão de Donald Trump de reconhecer a cidade sagrada como a capital do Estado judaico “ é uma recompensa a Israel por suas ações terroristas”. A medida, que causou uma série de protestos na Palestina e no mundo islâmico, foi considerada pela organização como “nula e sem nenhuma legitimidade”.

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, também se manifestou na cúpula, e declarou a saída da Palestina dos Acordos de Oslo e outros posteriores envolvendo israelenses e palestinos.

“A decisão sobre Jerusalém nos libera de todo acordo que tenhamos assinado”, anunciou o líder palestino, que disse que  Washington é “desqualificada” para mediar quaisquer acordos de paz por “provar sua parcialidade em favor de Israel”, acrescentou.

De acordo com a rede Al Jazeera, mais de vinte chefes de Estado participaram do encontro da OIC em Istambul, entre eles o presidente libanês Michel Aoun, os emires de Catar e Kuwait e o líder venezuelano Nicolás Maduro, que, em seu discurso, pediu para que Israel “encerre a ocupação” na Palestina.

O presidente iraniano Hassan Rouhani também esteve presente na cúpula, e disse que o país “está pronto para cooperar com todos os países muçulmanos, sem nenhuma precondição, para defender os direitos legítimos dos palestinos”, informou a agência de notícias Reuters. A Arábia Saudita, que disputa com Teerã a hegemonia política no Oriente Médio, enviou apenas um oficial de seu ministério de Relações Exteriores para a reunião.

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Trump provoca árabes e reconhece Jerusalém como capital de Israel

Donald Trump abriu os braços para a discórdia.

Num gesto destinado a enfurecer grande parte do Oriente Médio, o presidente dos Estados Unidos reconheceu nesta quarta-feira Jerusalém como capital de Israel e anunciou um plano para transferir a embaixada norte-americana de Tel Aviv para a cidade sagrada, embora a mudança efetiva, por “motivos logísticos, de segurança e construtivos”, ainda levará anos. De nada serviram as advertências da União Europeia e do presidente francês, Emmanuel Macron, nem as súplicas e ameaças dos países muçulmanos. O presidente Trump, longe de qualquer consenso, tornou a demonstrar que só é fiel aos seus interesses.

“Estamos aceitando o óbvio. Israel é uma nação soberana e Jerusalém é a sede do seu Governo, Parlamento e Supremo Tribunal”, disse Trump.

Jerusalém é uma ferida aberta. Um labirinto cuja saída ninguém até hoje encontrou. Há 70 anos, o acordo de partição da Palestina situava provisoriamente a cidade sob administração internacional. Mas logo a parte ocidental foi ocupada por Israel, e depois da Guerra dos Seis Dias, em junho de 1967, também o lado oriental – justamente a área que os palestinos consideram como sua capital.

Nesse vespeiro, Trump mexeu com fogo. Sabedor de que todas as embaixadas ficam em Tel Aviv, deixou vazar sua intenção de reconhecer Jerusalém como capital e inclusive alertou as representações diplomáticas norte-americanas sobre o risco de protestos.

Guardando silêncio, como já fizera ao retirar os EUA do pacto climático global, permitiu que a tensão cênica se elevasse ao máximo.

O resultado foi que, no Oriente Médio e na Europa, se multiplicaram as pressões para que abandonasse a ideia, enquanto ele, com todos os holofotes voltados para si, se sentava em cima do barril de pólvora para meditar. É o seu jeito de fazer política.

A decisão oficial, comunicada nesta quarta-feira em um discurso, já havia sido transmitida por Trump ao líder palestino, Mahmoud Abas, e ao rei Abdallah II, da Jordânia, em uma rodada de diplomacia telefônica. Sua intenção é reconhecer a “realidade histórica” de Jerusalém e transferir a embaixada para lá assim que possível.

A mudança de sede já foi aprovada pelo Congresso em 1995, mas, por questões de “segurança nacional”, foi adiada por todos os presidentes desde então. A Casa Branca argumenta que o movimento, embora desejado, é atualmente impossível por questões logísticas. “Não há maneira de fazer isso rapidamente.

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Só as autorizações e a segurança podem levar anos”, observou um porta-voz.

Em todo caso, o reconhecimento de Jerusalém, com sua enorme carga simbólica, significa adentrar um território hostil.

Não só acaba com um consenso internacional mantido durante décadas pelos Estados Unidos como também arruína, ao menos em curto prazo, os esforços do genro e assessor presidencial Jared Kushner de forjar um acordo no Oriente Médio e aproximar Israel dos países de maioria sunita como Egito, Arábia Saudita e Jordânia, com a finalidade de criar um escudo contra o Irã.

Em contrapartida, Trump reafirma sua fé pró-Israel, que tão bons dividendos eleitorais já lhe rendeu. Como fez em fevereiro, lança aos palestinos o aviso de que não se sente amarrado pelo passado e que seu objetivo é abrir um novo ciclo, onde nem sequer a solução de dois Estados seria necessária.

É uma guinada radical e de alta capacidade desestabilizadora. Um novo vendaval que foi recebido com consternação numa zona devastada por décadas de sangue e fogo.

O movimento islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza, já ameaçou com uma nova Intifada, e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) qualificou a medida como o “beijo da morte” para a paz. Na Turquia, o presidente Recep Tayyip Erdogan cogitou represálias.

“Elas poderiam chegar ao rompimento das nossas relações diplomáticas com Israel. É um limite intransponível para a órbita muçulmana”, sentenciou.

De forma menos belicosa, embora com as mesmas doses de indignação, expressou-se a Organização para a Cooperação Islâmica (OCI), que aglutina países muçulmanos.

Em nota, advertiu aos EUA que a transferência da embaixada significaria reconhecer Jerusalém como a capital do Estado israelense e ignorar a ocupação militar da parte oriental, que é território palestino.

“Seria uma agressão descarada, não só contra a comunidade árabe e islâmica, mas também contra os direitos dos muçulmanos e dos cristãos em partes iguais, e contra os direitos nacionais dos palestinos”, disse o texto.

Do lado europeu, o presidente francês, Emmanuel Macron, manteve uma conversa telefônica em que tentou sem sucesso demover Trump, argumentando que “a questão de Jerusalém deveria ser tratada no âmbito das negociações de paz entre israelenses e palestinos, aspirando à criação de dois Estados que convivam em paz, com Jerusalém como capital [de ambos]”. Tampouco funcionou a iniciativa da chefa da diplomacia europeia, Federica Mogherini, que pediu a Trump que “evite qualquer ação que mine uma solução com dois Estados entre Israel e a Palestina”. Nem muçulmanos nem europeus foram ouvidos. A Casa Branca, novamente, ignorou a comunidade internacional.

Países que já reconhecem Jerusalém a Capital de Israel

Estados Unidos – Historicamente, os Estados Unidos consideraram que deveria se estabelecer um regime internacional para a cidade, com seu status final resolvido através de negociações e não reconhecia Jerusalém como capital de Israel antes do anúncio do presidente Donald Trump em 6 de dezembro de 2017.

A decisão de Donald Trump em 6 de dezembro de 2017 é definitivamente uma mudança de direção na política internacional, demonstrando que ele assumiu, como líder da mais poderosa nação do Mundo a liderança mundial. Esta decisão com certeza abençoará muito Israel, mas principalmente os Estados Unidos da América.

Taiwan – De acordo com um anúncio de 7 de dezembro de 2017 do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Taiwan (MOFA), Taiwan considera que Jerusalém é a capital de Israel, mas não tem planos de mover seu escritório de representação para a cidade na sequência do reconhecimento formal de Donald Trump como capital de Israel. Embora Jerusalém seja listada como a capital de Israel no site do governo, o ministério observa que seu status como tal “não foi amplamente reconhecido pela comunidade internacional” e continua sendo altamente controverso.

República de Vanuatu  – O país que fica na Oceania e é composto de 80 ilhas no pacífico, reconheceu Jerusalém como a capital de Israel em junho de 2017. O presidente de Vanuatu, Baldwin Lonsdale, emitiu o reconhecimento em resposta a controvertida resolução da UNESCO aprovada em outubro de 2016 que minimiza a conexão judaica com o Templo Monte.

República Checa – No coração da Europa anti-semita existe um oásis de equilíbrio e justiça, a República Checa disse em um comunicado que reconhece a Jerusalém Ocidental desde antes de 1967 como a capital de Israel. Mas só considerará a mudança de embaixada de Tel Aviv para a cidade após acordos de Israel com parceiros regionais.

O anúncio aconteceu horas depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que sua administração estava reconhecendo Jerusalém como a capital e que havia instruído o Departamento de Estado dos EUA a se preparar para mover sua embaixada de Tel Aviv. Trump não fez nenhuma distinção entre Jerusalém oriental ou ocidental em sua declaração.

Agora a pergunta que eu faço é, onde está o Brasil? Vai esperar vergonhosamente ser o último a reconhecer ou vai ter coragem e se por ao lado do Estado de Israel? O Brasil que se diz um país cristão, cujas bases foi o colonialismo português, deveria se por ao lado das verdades bíblicas. Jerusalém nunca foi capital de nenhum outro país desde a antiguidade até os dias de hoje, então nada mais justo do que reconhecer que ela é hoje, como no passado, a Capital de Israel.

Jerusalém é a capital de Israel? Não para todos. Entenda os argumentos

Não há consenso sobre o status de Jerusalém. Há sete décadas, a cidade é disputada por Israel e Palestina como capital de seus respectivos estados. Para a comunidade internacional, a cidade deveria ser partilhada entre israelenses (porção ocidental) e palestinos (porção oriental), enquanto Israel diz que a cidade toda, unificada, é sua.

Toda essa disputa se dá em um território onde vivem 810 mil habitantes em apenas 150 quilômetros quadrados – um décimo da cidade de São Paulo ou um oitavo do Rio. Encravada entre Israel e a Cisjordânia (território palestino ocupado por Israel), Jerusalém funciona como um microcosmo do conflito israelense-palestino.

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A antiga disputa ganhou fôlego com a inauguração da embaixada americana em Israel em Jerusalém em maio de 2018, o que representa um reconhecimento por parte de uma das grandes potências mundiais para a reivindicação do estado judeu. O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro (PSL), deu sinais de que pretende fazer o mesmo.

Na época da mudança feita pelos EUA, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, afirmou que a decisão norte-americana foi “unilateral”. “Não há alternativa viável à solução dos dois Estados, com a Palestina e Israel vivendo lado a lado em paz, cada um com sua capital em Jerusalém”, disse por meio de seu porta-voz.

Abaixo, conheça argumentos a favor e contra o reconhecimento da cidade berço das três religiões monoteístas (cristã, muçulmana e judaica) como capital de Israel.

Jerusalém não é capital para a comunidade internacional

Para a maior parte da comunidade internacional, incluindo a maioria dos países membros ONU e o Brasil, a capital de Israel não é Jerusalém. Todas as embaixadas – excetuando-se, agora, a dos Estados Unidos – estão em Tel Aviv, a 90 quilômetros dali.

Imagem: Arte/UOL Isso porque foi em Tel Aviv onde, em 14 de maio de 1948, Israel declarou sua independência e começou a organizar o governo do novo país.

“A posição quase consensual internacional é: enquanto não for definido o status de Jerusalém, são reconhecidas como capitais as sedes provisórias de seus governos. No caso da Palestina, o governo de fato está em Ramala, a alguns quilômetros de Jerusalém. E o mesmo vale para Israel”, explica o historiador Danilo Guiral Bassi. 

Israel, no entanto, declarou Jerusalém como sua capital “completa e unificada” em 1980, anexando formalmente a porção oriental da cidade e contrariando compromissos firmados em 1949. Na época, após a guerra árabe-israelense, criou-se a chamada “linha verde”, que definiu as fronteiras internacionalmente reconhecidas para Israel até hoje, dividindo Jerusalém entre Palestina e Israel.

“Como Jerusalém em sua totalidade tem sido administrada por Israel, muitos consideram que reconhecer Jerusalém como capital israelense é dar aval para a ocupação do setor oriental, contrariando o direito internacional”, diz Guiral.

Para a coordenadora da Frente em Defesa do Povo Palestino, Soraya Misleh, brasileira filha de refugiado palestino, reconhecer Jerusalém como capital de Israel, como fez os EUA agora, “é uma provocação, uma afronta aos palestinos. E viola o direito internacional”.

Jerusalém é a capital israelense para Israel e os EUA 

“Israel é uma nação soberana que tem direito a determinar sua capital”, disse o presidente americano, Donald Trump, na última segunda-feira ao inaugurar a embaixada de seu país em Israel em Jerusalém Ocidental – a parte da cidade que, de acordo com o consenso internacional, pertence à Israel.

Guatemala e Paraguai também anunciaram a mudança de suas respectivas embaixadas. Romênia e República Tcheca também pretender fazer o mesmo.

Ao transferirem suas embaixadas para Jerusalém, tacitamente esses países reconhecem a legislação israelense que não só reivindica a parte ocidental da cidade como sua capital, mas toda a sua integralidade.

Atualmente, Israel já mantém em Jerusalém boa parte de sua estrutura administrativa, incluindo o Knéset – o parlamento.

Para embasar essa decisão, o governo de Israel evoca diversos argumentos. Um deles é a Guerra dos Seis Dias, de 1967.

Após o conflito, para defender-se de uma coalizão de países árabes, Israel tomou territórios até então sob controle palestino – incluindo a parte leste de Jerusalém.

Na sequência, Israel passou a ampliar os assentamentos judeus na região, de maneira a reforçar sua presença na área.

Argumentos religiosos também estão presentes nos discursos oficiais. “Jerusalém é mencionada no Novo Testamento 220 vezes. Na Bíblia judaica, aparece 260 vezes. Não aparece uma vez no Alcorão”, disse ao UOL Yossi Shelly, embaixador de Israel no Brasil.

O diplomata lista também o direito de autodeterminação ao embasar a decisão do país. “Jerusalém é a capital de Israel. Como Brasília é a capital do Brasil. Essa decisão é soberana do estado”, disse Shelly.

Quem mora em Israel?

A população de Jerusalém é hoje de maioria judaica. Na parte oriental, prevalecem palestinos, que vivem lá com uma permissão de residência concedida pelo governo de Israel – são os palestinos jerusalemitas. Embora eles tenham liberdade de circulação no território, não são considerados cidadãos israelenses e, portanto, não gozam dos mesmos direitos que os israelenses. 

Grosso modo, é a mesma dinâmica que acontece no restante do território palestino ocupado. Desde a guerra, o número de assentamentos israelenses segue crescendo na Cisjordânia a cada ano.

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