Os Planetas Alinharam-se Como Que Numa Vénia Cósmica?

  • Alejandro Millán Valencia
  • Da BBC News Mundo

Os Planetas Alinharam-se Como Que Numa Vénia Cósmica?

Crédito, Getty Images

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Alinhamento dos planetas ocorre a cada duas décadas, mas não de modo tão próximo como o previsto em dezembro

Entre 16 e 21 de dezembro, uma grande parte dos habitantes da Terra poderá observar um fenômeno que não ocorria pelo menos desde 1623 – ou, segundo alguns astrônomos, desde o século 13: o que é conhecido como a “grande conjunção” de Júpiter e Saturno.

Durante esses dias, e especialmente às noites, os dois planetas estarão alinhados de tal maneira que parecerá que formam um planeta “duplo”.

“Depois de meses de aproximação lenta, em 21 de dezembro, que coincide com o solstício de inverno, Júpiter e Saturno se reunirão em uma espetacular grande conjunção”, diz à BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC) Hernando Guarín, professor de Astronomia da Universidade del Valle, na Colômbia, e diretor da Rede Colombiana de Astronomia.

Para Guarín, a noite de 21 de dezembro será um “presente de Natal” antecipado para os fãs de astronomia.

“É algo especial, porque Júpiter e Saturno são considerados os 'reis da observação', e o fato de estarem juntos não é algo que ocorra normalmente”, diz.

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Fenômeno será visível em áreas com o céu limpo, principalmente perto da linha do Equador

Segundo Guarín, esse alinhamento e a possibilidade de vê-lo desde a Terra são excepcionais por conta do próprio movimento dos três planetas.

“A Terra leva um ano para dar volta no Sol; Júpiter leva 12 anos e Saturno, 30 anos”, explica. “Isso torna difícil que o fenômeno aconteça com regularidade.”

Embora o alinhamento ocorra aproximadamente a cada duas décadas, o fenômeno deste ano tem características específicas que são inéditas há muitas centenas de anos.

“Esta conjunção será excepcionalmente rara devido a quão próximos os planetas estarão entre si”, explica Patrick Hartigan, astrônomo da Universidade de Rice (EUA).

Uma conjunção com os planetas próximos entre si ocorreu em 16 de julho de 1623, mas Hartigan acha que o que vai acontecer em dezembro só tem paralelo com um fenômeno ainda mais antigo.

“Seria preciso retroceder até antes do amanhecer de 4 de março de 1226 para ver um alinhamento mais próximo entre esses planetas (de modo) visível no céu noturno”, diz.

Passado 21 de dezembro, “aqueles que preferirem esperar e ver Júpiter e Saturno tão perto e mais acima no céu noturno terão que aguardar até 15 de março de 2080. Depois disso, a dupla não fará aparição semelhante até depois de 2400”, diz ele.

Para Guarín, há outro ponto a ser levado em conta.

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Conjunção dos planetas depende da rotação deles ao redor do Sol

“Podemos ver como os planetas estão se aproximando entre si. Ou seja, é um espetáculo que podemos seguir desde agora até 21 de dezembro, quando infelizmente eles voltarão a se separar”.

A relevância é desde o ponto de vista científico, mas também “para as pessoas que queiram voltar a olhar para o céu”, opina Guarín.

A luminosidade de ambos os planetas no mês de dezembro tornará ainda mais simples essa observação: segundo o pesquisador, será possível ver o fenômeno a olho nu, principalmente de pontos próximos à linha do Equador, embora a visão através de um telescópio ou observatório seja muito melhor.

Mas para conseguir avistar a conjunção “é essencial ter um bom horizonte, totalmente limpo, sem nuvens, montanhas ou edifícios”.

Ao mesmo tempo, Peter Lawrence, assessor editorial da revista Sky at Night, da BBC, aponta que é é preciso ter cuidado ao observar tais fenômenos com binóculos.

“Binóculos podem separar os planetas devido ao efeito ótico, por isso é melhor usar um telescópio”, afirma o astrônomo. “Com um telescópio você não verá apenas um disco duplo (dos planetas alinhados), como também poderá apreciar os anéis de Saturno e os cinturões de Júpiter.”

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Estrela de Natal: Conjunção de Júpiter e Saturno acontece hoje; acompanhe

Nesta segunda-feira (21) acontece a tão esperada super conjunção dos planetas Júpiter e Saturno. Eles estarão tão perto que vão aparentar brilhar como uma única estrela gigante. Um raro beijo cósmico, que não é visível assim há quase 800 anos. O fenômeno poderá ser observado ao anoitecer.

Nos últimos meses, Júpiter e Saturno já vinham dando um show no céu noturno, se aproximando a cada dia mais um pouquinho. Hoje, do ponto de vista da Terra, os dois planetas gasosos finalmente se encontrarão em uma versão moderna da “Estrela de Natal”.

Eles estarão a menos de 0,1 grau um do outro e, a olho nu, parecerão se tocar e fundir. Claro que tudo depende da perspectiva. Na realidade, considerando a distância das órbitas, cerca de 700 milhões de quilômetros separam Júpiter e Saturno.

“Esta observação de Júpiter e Saturno é o evento astronômico mais aguardado do ano por vários motivos. O primeiro deles é que eles estarão muito próximos visualmente.

Desde de o dia 12 de dezembro, usando um telescópio pequeno e uma ocular de 25 mm, é possível observar os dois maiores planetas do sistema solar ao mesmo tempo, é incrível! Isso é possível até dia 29 de dezembro”, ressalta o astrônomo amador Diego de Bastiani, do site Astronomia Chapecó.

Como Júpiter e Saturno são bem brilhantes, refletindo muita luz solar, é fácil ver este espetáculo histórico. Basta um céu limpo, sem nuvens densas ou chuva.

Algumas dicas importantes:

1. Seja rápido: daqui do Brasil, só conseguiremos ver a conjunção por pouco mais de uma hora. Quanto mais próximo à linha do Equador você estiver, mais tempo de visibilidade.

2. Busque um lugar alto, com a vista do horizonte poente o mais desobstruída possível, sem grandes prédios, montanhas ou fortes luzes artificiais.

3. Meia hora após o pôr do Sol, por volta das 19h, olhe para a direção Noroeste, no mesmo caminho em que o Sol se pôs.

4. Estique o braço nesta direção, alinhando o dedo mínimo (conhecido como mindinho) com o horizonte, e abra a mão. Os planetas devem estar próximos ao seu polegar (25 graus acima do horizonte). Júpiter é o mais brilhante, abaixo e à esquerda — a olho nu, será quase impossível separá-lo de Saturno, menor, acima e à direita.

Se tiver dificuldades em localizá-los, use um app de observação astronômica, como Star Walk, Star Chart, Sky Safari ou SkyView.

5. Observe Júpiter e Saturno mergulhando juntinhos no horizonte, com uma bela Lua crescente acima deles. Os dois planetas se põem por volta das 20h30. Quanto mais desobstruída sua vista, por mais tempo conseguirá ver o abraço dos planetas.

6. Continue observando os dois planetas nos próximos dias, para vê-los se afastando. Até 29 de dezembro 12, ainda teremos uma bela conjunção. Júpiter se aproximou, deu um beijo e agora vai ultrapassar Saturno, se movendo para a direita e acima dele. Em janeiro de 2021, porém, o brilho deles será ofuscado pelo Sol.

7. O espetáculo fica mais bonito através de lentes: binóculos, um pequeno telescópio ou uma câmera fotográfica profissional com teleobjetiva. Dependendo da capacidade de aumento do aparelho, será possível até ver as maiores luas de Júpiter (Io, Europa, Ganímedes, Calisto) e de Saturno (Titan e Jápeto), além dos clássicos anéis.

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Eles estão tão próximos que, no mesmo campo da ocular do telescópio ou da câmera, é possível ver e registrar os dois planetas, sem precisar movimentá-lo.

O que é conjunção?

Conjunção é o termo astronômico para quando dois ou mais corpos celestes (planetas, Lua, sol) aparecem bem próximos no nosso céu — uma proximidade apenas em relação a um determinado ponto de vista (no caso, o da Terra). Não há nenhum risco de impacto.

Um eclipse solar, por exemplo, é uma conjunção entre a Lua e o Sol. Conjunções envolvendo a Lua são as mais comuns — já que nosso satélite muda de posição no céu mais rapidamente, dando uma volta inteira na Terra por mês. Ela pode até compor uma linha reta ou triângulo com dois planetas.

Quando acontece entre Júpiter e Saturno, ganha o título de grande conjunção, por ser a mais rara entre os planetas visíveis, envolvendo os dois maiores do Sistema Solar. Isso ocorre, aproximadamente, a cada 20 anos terrestres, devido a suas órbitas grandes e lentas – Júpiter leva 11,86 anos para completar uma volta no Sol; Saturno demora 29,4 anos.

A grande conjunção é um momento em que a Terra e os dois planetas estão alinhados na elíptica. Mas o fenômeno nem sempre é visível daqui (precisa acontecer no céu noturno e em uma posição favorável), e a separação aparente entre Júpiter e Saturno costuma ser maior, entre 1° e 2°. A mais recente, em 31 de maio 2000, a 1,2°, não foi observável pois os dois estavam muito perto do Sol.

Por isso, a conjunção de hoje não é apenas grande, é super: um décimo de grau (ou 6 minutos de arco) é muito perto. Isso representa uma distância do tamanho de um quinto do diâmetro aparente da Lua. E está em nosso céu noturno, bem posicionada, visível praticamente no mundo inteiro.

“Um casal de mãos dadas é uma conjunção de 1 grau, mais comum, a cada duas décadas. Um casal dando um super abraço, bem juntinhos, é a de 0,1 grau. Esse evento tão especial acontece, aproximadamente, a cada 400 anos. É lindo e uma raridade”, explica Julio Lobo, astrônomo do Observatório Municipal de Campinas Jean Nicolini.

A última vez que os planetas estiveram em uma conjunção tão próxima, de menos de 0,1°, foi em 16 de julho de 1623, quando chegaram a 0,083° de separação. Mas também estavam posicionados muito perto do Sol – ou seja, provavelmente, ninguém da Terra conseguiu ver; os primeiros telescópios começavam a ser criados naquela época.

Calcula-se que a última vez em que o “beijo” aconteceu nesta intensidade e à noite, com boas condições de observação, foi em 4 de março de 1226, na Baixa Idade Média, quando brilharam a apenas 0,033° de distância, a menor já registrada.

A próxima conjunção Júpiter-Saturno bem pertinho assim não vai demorar séculos, está prevista para 15 de março de 2080. Depois disso, só em 2417 e 2477.

“Quem sabe ainda poderei observar mais uma vez. Claro, é um fenômeno que demora muito tempo para acontecer, mas o que me deixa feliz é que são uma porta para aproximar ainda mais pessoas a conhecer o céu e, lá no futuro, contar para seus netos/as o que você viu, para que eles também observem esse mesmo evento”, celebra de Bastiani.

Em 31 de outubro de 2040 e em 7 de abril de 2060, os dois planetas poderão ser vistos juntos novamente, mas a uma “grande” distância de pelo menos 1,1°.

Estrela de Belém?

Será que, justamente no período de Natal, o que estamos vendo é a “Estrela de Belém” das histórias cristãs? De acordo com a Bíblia, os três Reis Magos foram guiados ao local de nascimento de Jesus Cristo por uma estrela muito brilhante, que anunciou a “boa nova” a todos os povos do mundo.

A estrela pode ser apenas uma metáfora do Evangelho de Mateus. Mas, se de fato existiu algo diferente no céu, cientistas acreditam que poderia tratar-se de uma grande conjunção planetária – talvez uma tripla, entre Júpiter, Saturno e Vênus —, um cometa muito luminoso ou mesmo uma supernova explodindo.

“Se você retroceder o tempo nos programas que mostram o céu, na noite do dia 25 não há nada. Mas, segundo alguns historiadores, quando os Reis Magos chegaram, Cristo já teria uns 4 anos de idade.

Afinal, eles atravessaram desertos de camelo. Então esse sinal deve ter ficado muito tempo aceso no céu. Segundo registros chineses, houve um cometa bem brilhante naquela época, que poderia explicar.

Pode também ter sido algo que não compreendemos”, diz Lobo.

Enquanto todos tentamos manter distância um dos outros, Júpiter e Saturno desafiam a pandemia. Com a super conjunção acontecendo ao fim de um ano tão desafiador, o astrônomo também o enxerga como um presente celestial: “Eu prefiro chamar o evento de hoje de 'A Estrela da Esperança'. Porque é isso que toda humanidade precisa agora”.

Para tornar o dia astronomicamente mais especial, 21 de dezembro também é a data do solstício de verão aqui no hemisfério Sul. É o dia mais longo do ano, quando os raios solares incidem perpendicularmente sobre o Trópico de Capricórnio, marcando o início oficial do verão.

Será possível que todos os planetas se alinhem um dia?

Quem gosta de ficção científica já deve ter lido ou assistido algo sobre o lendário alinhamento dos planetas. Nas estórias sempre que isso acontece algo extremamente desagradável vem logo na sequência, geralmente uma destruição da Terra.

Mas desconsiderando as consequências ficcionais, uma pergunta fica no ar: A partir do momento em que os corpos celestes estão em constante movimento e se cruzando algumas vezes por ano, é possível que ocorra um alinhamento entre 8 planetas?

E se for possível, isso realmente poderia ter alguma consequência aqui na Terra? É o que veremos nesse texto.

É possível acontecer um alinhamento total de planetas?

Antes de mais nada há de se definir o que será usado como alinhamento neste post, já que a palavra pode significar muita coisa.

Na leitura que você vai fazer hoje eu utilizei como “alinhado” o seguinte: o sol (ou algum outro planeta do tal alinhamento) sendo atravessado por uma linha reta infinita.

Aqueles planetas que estivessem tocando nesta linha estaria, portanto, “alinhados”. E se um escopo mais abrangente for utilizado para fins de comparações, eu irei informar.

Pois bem, agora sim, sem rodeios, a resposta mais aguardada: Embora fosse bonito de ver um alinhamento completo, isso nunca vai acontecer. Não tem como 🙁

O fator mais gritante e que pode desmontar qualquer teoria de ficção científica é bem fácil de entender: órbitas. Todo planeta tem uma órbita ao redor do sol, cada qual com seu tempo de duração. E é esse tempo para fazer uma volta completa no sol que faz toda a diferença.

Detalhe: E nem estamos considerando Plutão (que é agora um planeta anão) e não entra mais na conta dos “planetas alinháveis”, senão teríamos outro problema. Se Plutão contasse a coisa ficaria ainda mais complicada já que sua órbita não é bastante inclinada, o que dificultaria (ou impossibilitaria) seu alinhamento.

Mas ok, voltando ao tempo que levaria para uma conjunção completa e a matemática que mostra as chances do fenômeno acontecer tenho uma péssima notícia caso um dos seus sonhos seja ver um alinhamento completo em vida.

Como dito antes, por cada planeta ter um caminho em torno do sol a percorrer diferente dos demais e girar em torno do sol também numa velocidade diferente, para que os 8 se encaixassem em um alinhamento demoraria muuuuuito tempo.

Urano, por exemplo, demora 84 anos para dar a volta no sol e Netuno mais do que o dobro: 165 anos.

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Assim, quando Netuno chegasse em um ponto específico e estivesse alinhado com Marte, por exemplo, teria que dar o acaso de Urano estar ali também (o que não ocorre com frequência já que sua volta completa no sol demora mais de 8 décadas). Se a oportunidade se perder, precisará começar tudo de novo.

Tempo que os planetas levam para completar uma volta no sol em escala

Por conta disso e de um outro motivo é que foi dito que somente em teoria o alinhamento poderia acontecer, mas não na prática. E esse segundo motivo é tudo por culpa do sol, que morreria antes do tempo calculado para o alinhamento acontecer, levando junto com ele todas as chances de um espetáculo de alinhamento.

Nosso sol tem uns 4.6 bilhões de anos e já é um senhor de meia idade.

Os cientistas acreditam que ele vá viver ainda mais uns 5 bilhões de anos, quando irá ficar sem combustível para queimar (hidrogênio) e irá começar a queimar hélio e se tornar uma Gigante Vermelha (nosso sol não é grande o suficiente para virar um buraco negro).

Quando isso acontecer ele irá se expandir rapidamente engolindo as órbitas de Mercúrio, Vênus e talvez até a Terra. Assim, antes que um alinhamento de 8 planetas pudesse acontecer, pelo menos 2 ou 3 deles seriam destruídos.

Mas se você está se perguntando, afinal quanto tempo isso vai demorar para acontecer e espera uma resposta concreta, nem mesmo que seja algo como 1 trilhão de anos, uma péssima notícia. Essa resposta eu vou ficar te devendo. E a culpa não é minha que não fiz a pesquisa direito, é que não se pode fazer um cálculo do que realmente não tem como acontecer, concorda?.

Mas se um alinhamento de 8 planetas é impossível, ainda assim dá para calcularmos quanto tempo demoraria para os casos mais simples ou então para umas “gambiarras”.

E foi isso mesmo que fez o astrônomo Jean Meeus; segundo os cálculos dele, se tirarmos Plutão (que na época do estudo ainda era um planeta), o mais próximo de um alinhamento total ocorreu em 1128 quando os 8 corpos celestes ficaram em um mesmo espaço de cerca de 40° de abertura.

O próximo encontro dos 8 vizinhos será em 2161 (69° de abertura) e 2176 (78° de abertura).

Ou seja, com estes graus de abertura o máximo que se consegue garantir é que eles vão estar visíveis em um mesmo céu noturno, mas mesmo assim bastante longe um dos outros para caracterizar um alinhamento, uma verdadeira gambiarra. Mais informações sobre como calcular estes eventos podem ser obtidas aqui.

O alinhamento abaixo foi simulado por este site (você pode, inclusive, fazer suas próprias simulações) e tem uma aproximação de cerca de 30º. Ele representa o que pode ser visto em 1128 e, caso você queira simulá-lo, basta colocar “1128-04-11 0:00:00” no campo de busca do site.

Conjunção de 1128

Lembra que eu falei antes que uma conjunção total ficou bem mais fácil depois que Plutão deixou de ser planeta? Pois olha as contas com 9 planetas a serem alinhados: Segundo Meeus o alcance máximo de alinhamento com ele foi alcançada no ano de 949 com uma abertura de 90º, mesma aproximação recorde que só voltará a ocorrer em 2492. Um intervalo de mais de 1500 anos para um “alinhamento” máximo que faria qualquer pessoa com TOC ficar desesperada tamanha falta de organização.

Mas certamente você já ouviu falar em algum alinhamento menor. Isso porque alinhar 4 planetas (contando com a Terra) é bastante comum, ocorrendo a cada 2 anos, mais ou menos (a última vez que um alinhamento visível aconteceu foi em 2015 quando Vênus, Júpiter e Marte se alinharam no céu).

Atente para um fato singular: Quando pensamos em alinhamento costumamos pensar sempre nos planetas à frente da Terra de modo que possamos ver todos eles alinhados, porém, o alinhamento pode ocorrer às nossas costas também.

No próprio alinhamento de 2015 Urano ficou alinhado, porém do outro lado.

Alinhamento dos planetas de 2015

Mas se o alinhamento de 4 planetas é fácil, vá incrementando o número de itens a alinhar e a raridade vai aumentando exponencialmente. Com 5 planetas ele acontece em um intervalo de décadas a séculos, 6 planetas em séculos a cada mais de mil anos e com 7 ou 8…. Bom, daí vai ser difícil.

É bem provável que nunca tenhamos tido um alinhamento de mais de 6 planetas, desde a formação do sistema solar até os dias de hoje.

E se você quiser ir mais a fundo na questão da impossibilidade do alinhamento, tem a Teoria da Relatividade Geral de Einstein, que também ajuda a explicar que isso nunca ocorrerá.

Segundo ela podemos concluir que o espaço não é um “espaço euclidiano” 2D, ou seja, ele sofre com a gravidade do sol e dos demais corpos nas 3 dimensões, o que impossibilitaria aquela tal linha imaginária retinha através do sol ou da Terra que falei logo no início.

Porém, se seguirmos nessa linha teórica o texto vai ficar muito mais complicado do que eu consigo explicar (ou entender).

Alinhamento de 2011 visto da Austrália

Mas e se um alinhamento completo acontecesse?

Ok, mas digamos que você é teimoso e insiste no fato de que em algum momento o alinhamento vai ocorrer. Neste caso, quais seriam as consequências diretas na Terra?

Sinto muito em desapontar – mais uma vez -, mas as consequências seriam mínimas para não dizer inexistentes. O que aconteceria, por exemplo, seria que o centro de massa do sistema solar se deslocaria um pouquinho pro lado. Ele mudaria de 7% do raio solar em relação à sua superfície para algo como 7,6%.

Embora os autores de ficção e pseudociência gostem de imaginar que um alinhamento planetário resultaria em uma união dos campos gravitacionais dos planetas e com essa união viessem os maremotos, terremotos, inundações, tornados, pragas, extinções em massa ou qualquer outra forma de desgraça, esqueça. Na verdade, existem apenas dois objetos do sistema solar com gravidade suficiente para afetar significativamente a Terra: a lua e o sol, que já estão fazendo isto neste exato momento.

A gravidade do sol é forte porque o sol é algo incrivelmente maciço.

Sozinho, ele responde por 99,86% de toda a massa do Sistema Solar inteirinho ou cerca de 330 mil vezes a massa da Terra(se fizéssemos um recipiente do tamanho do sol poderíamos colocar 1 milhão de planetas Terra lá dentro). Já a gravidade da lua se explica pela sua proximidade com o nosso planeta, já que ela é pequeninha.

Catástrofes ficam somente na ficção mesmo

Na prática, é por causa do sol e de sua gravidade que a Terra tem essa órbita que dura um ano e, aliada à inclinação do nosso planeta, temos as quatro estações. Já a gravidade da lua é a responsável pelas marés oceânicas diárias. Ou seja, os maiores – e únicos – objetos capazes de influenciar nosso planeta já estão exercendo gravidade sobre nós neste exato instante, então nada mudaria.

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Outra coisa a se notar é que, mesmo que os 8 planetas mais o sol ficassem em uma linha retinha, nada mudaria já que os nossos vizinhos ficariam à mesma distância de sempre, logo a mesma gravidade será exercida sobre a Terra. Vênus está a 261 milhões de quilômetros de um lado e Marte a 225 milhões de quilômetros de outro.

O último alinhamento máximo que tivemos recentemente

Talvez você se lembre do último alinhamento máximo que vivenciamos aqui na Terra. Ele aconteceu em 2002 e “alinhou” Mercúrio, Vênus, Marte, Saturno e Júpiter, além da Terra, é claro.

E sim, aquele alinhou está entre aspas de propósito já que Júpiter, embora alinhado na imagem, não está alinhado na disposição planetária como pode ser visto na comparação ao lado.

Isso acontece por conta do ângulo de abertura que pode causar uma ilusão de ótica.

Detalhando melhor a tal ilusão: Imagine uma folha de papel recortada em formato de um círculo. Se você olhar para o círculo de cima, você vê um círculo.

Se você olhar para ele de um determinado ângulo, verá uma elipse, e se você colocar o círculo ao seu lado, na altura dos olhos, ela irá ver apenas uma linha. A Terra está no mesmo plano que os outros planetas, então todos os planetas parecem estar se movendo em uma linha.

Isso significa que as posições dos planetas no céu “sempre” estarão em uma linha, mesmo quando não houver alinhamento.

O plano da eclíptica parece uma linha, porque a Terra está no seu plano. No entanto, quando há um alinhamento com a Terra (como ocorreu em 2002), os planetas parecerão não apenas na linha da eclíptica, mas bastante próximos no céu.

Alinhamento de 5 planetas de 2002

Por isso, mesmo que tenham sido só 5 planetas alinhados + 1 “parecendo alinhado” eu tomei a liberdade de colocá-lo como o último alinhamento máximo que tivemos (mesmo que em 2011 também tenhamos tido um outro de 5 planetas, só que sem o adendo de um sexto planeta em um falso alinhamento). Esse de 2002 ocorreu em fins de abril e o fenômeno ficou visível com um planeta mais aqui, outro mais acolá por cerca de 3 semanas no céu noturno do hemisfério norte.

Um alinhamento com estes planetas (mais ou menos alinhados, na verdade) havia acontecido em maio de 2000, porém havia um sol entre nós, o que impossibilitou que o fenômeno fosse visto daqui da Terra (e dessa vez não fui eu que forcei a barra em chamar de alinhamento, foi a NASA mesmo). Os próximos alinhamentos dos 5 planetas se darão em 8 de setembro de 2040 e julho de 2060 e depois em novembro de 2100, sendo em nenhum dos casos tão visíveis como a de 2002. A próxima conjunção de 5 planetas que ficará tão próxima como essa somente em 2675.

Fontes para seguir a leitura: 1, 2, 3, 4

Lenda (Testo) – NERVE – MTV Testi e canzoni

  • Um dia, eles vão dizer que eu fui uma farsa e que todas as minhas peças foram escritas por uns anónimos génios da minha época; que eu era fraco nas aulas, sem dívidas à inteligência e não podia andar para aí a parir poemas.
  • Porra, eu perdi centenas de horas, eras, de volta desta obra.
  • Estou pronto a pregar uma sesta como o campónio do Miguel Torga.
  • Já vi tudo.
  • A vida é somente fumar, queimar o tempo, escrever, deprimir e recusar concertos.
  • Lamento mas, ó minha gente, vim agraciar-vos só com a presença.
  • Tudo indicava que hoje ficava em casa, a encher a cabeça.
  • Conheçam-me, longe de mim.
  • Cuspo fogo viscoso num vergonhoso nicho.

Misto de loucos, freaks, geeks, que me segue como se eu fosse Cristo. – Nerve ouve-se. – É?

  1. Fixe.
  2. Deixa só queimar uma década e ele sai do alçapão, pálido, de barba pelo pélvis, e diz: fiz um novo disco.
  3. Já estou a ver os fãs com náuseas, a sair da sala, tipo: “foda-se, eu paguei para ver um espectáculo, este gajo está a brincar com a malta”.
  4. Interacção com o público?
  5. Eu?
  6. Eu subo ao palco e tenho um monólogo.
  7. Agora é ter paciência como o meu psicólogo.
  8. Se, por obra do destino, isto está a gravar, antes de mais, eu queria agradecer por tão privilegiada oportunidade de expor o meu pranto, perante vós, com sangue na voz.
  9. Se for demais, digam: “
  10. Nerve, isso não é interessante para nós”.
  11. Quem?
  12. Eu?
  13. Não sabeis?
  14. Uma lenda.
  15. Quem eu sou?
  16. Uma Lenda.
  17. Depois de séculos a aviar versículos, querem que eu vá surgir numa de: “
  18. Ah, não sei.
  19. Já foi há muito.
  20. Por agora, eu fico-me.
  21. E amanhã, quem sabe, eu sou”.
  22. Quem?
  23. Eu?
  24. Não sabeis?
  25. Uma lenda.
  26. Quem eu sou?
  27. Uma Lenda.
  28. Quando eu nasci, planetas alinharam-se como que numa vénia cósmica ao Imperador, a luz mudou e estrelas escreveram o meu nome num céu bordô.
  • Ouve, não me oiças.
  • Morre.
  • Olá, Boa noite.
  • O meu nome é N-n-n-não interessa e eu costumava escrever umas coisas.
  • Não se incomodem comigo.
  • Eu estou só para aqui a gastar membranas de microfones, quando dava um óptimo mendigo.
  • O tempo que perdi no disco chegou para incorporar versos sobre isso mesmo e agora ter um verso sobre ter versos sobre isso.
  • Não singrei por um triz.

Tão feliz, dei concertos de merda em algumas das melhores casas do país. – É?

E então? – E não estou nisto para, mais tarde, ter o prazer de dizer “filho, olha o que eu fiz com a tua idade”, mas sim para, quando ele perguntar “porque é que a mãe nos deixou e não há comida na mesa?”, eu lhe pregar uma lição acerca de prioridades.

  1. No outro lado do mundo, eu teria esta casa cheia.
  2. E umas sete capas de CD com esta cara feia.
  3. Eis a mente visionária e sem emprego, como se a minha especialidade fosse Tapeçarias da Malásia.
  4. Aposta que, se esta brincadeira da conquista mundial der para o torto, eu sei onde é a saída e tenho a nave lá fora.
  5. Vou de casa e ego às costas.
  6. Sem destino, porém sem medo, pois quando fizerem um filme de mim, isto ainda vai enriquecer o enredo.
  7. Quem?
  8. Eu?
  9. Não sabeis?
  10. Uma lenda.
  11. Quem eu sou?
  12. Uma Lenda.
  13. Do meu pináculo, digo: Mãe, perdoa eternizar-me por nome este, em vez do nome que por mim escolheste.

Não quero parecer ingrato, mas… quem?

  • Eu?
  • Não sabeis?
  • Uma lenda.
  • Quem eu sou?
  • Uma Lenda.
  • Se, por ventura, a minha conduta não se coaduna com os “princípios e parâmetros de avaliação de carácter” desta escumalha, então quero mais é que morram longe.
  • Quem?
  • Eu?
  • Não sabeis?
  • Uma lenda.
  • Quem eu sou?
  • Uma Lenda.
  • Quando eu nasci, planetas alinharam-se como que numa vénia cósmica ao Imperador, a luz mudou e estrelas escreveram o meu nome num céu bordô.

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