O Que É O Solo E Como Se Forma?

O intemperismo refere-se às alterações físicas e químicas a que estão sujeitas as rochas e minerais na superfície da Terra. Diferente de erosão, que consiste no transporte de partículas e matéria, o intemperismo é a quebra e alteração de materiais nas proximidades da superfície para produtos que estão mais em equilíbrio com as novas condições físicas e químicas impostas.

O Que É O Solo E Como Se Forma?Mapa com zonas de intemperismo no mundo (Foto: Reprodução)

O gráfico abaixo compara precipitação, temperatura e intemperismo na superfície terrestre. É possível observar que a média de precipitação está diretamente relacionada à temperatura, criando com isso características do mando de intemperismo, diferenciado de acordo com determinadas regiões climáticas. 

O Que É O Solo E Como Se Forma?Gráfico sobre intemperismo (Foto: Colégio Qi)

O intemperismo físico é a desagregação da rocha transformando-a em material descontínuo e friável. Abaixo, seguem-se alguns dos fatores que influenciam o intemperismo físico:

O Que É O Solo E Como Se Forma?Esquema sobre intemperismo físico (Foto: Colégio Qi)

Expansão térmica e pressãoA variação de temperatura produzida pela insolação durante o dia e pelo resfriamento noturno desempenha papel importante na desintegração das rochas, principalmente em regiões áridas ou semi-áridas. As rochas fragmentam-se em partículas granulares ou em escamas de tamanhos variados, dependendo das características litológicas e da intensidade do fenômeno.

O Que É O Solo E Como Se Forma?Desintegração no solo influenciada por temperatura (Foto: Colégio Qi)

Rochas escuras em climas desérticos podem alcançar temperaturas de até 80°C, com amplitudes (variações) de até 50°C. As diferenças nos coeficientes de dilatação térmica dos minerais provoca deslocamento entre os cristais.

Congelamento da água (térmica/pressão)As grandes alternâncias de temperaturas diárias nas regiões frias e temperadas, acompanhadas de congelamento e descongelamento, são também muito eficazes na desagregação das rochas.As rochas são desintegradas, sendo seus materiais mais suscetíveis reduzidos a pó.

Este material muito fino é posteriormente transportado pelos ventos, dando origem aos depósitos de “loess”, um sedimento fértil de coloração amarela.

As rochas desagregadas por sucessivos congelamentos e descongelamentos da água nos poros, fendas ou diáclases foram submetidas a um processo denominado de cunha de congelamento.

Crescimento de cristaisO crescimento de cristais nos interstícios, fissuras ou fendas favorece a desintegração das rochas. O crescimento desses cristais nas rochas fraturadas provoca uma pressão e, consequentemente, o alargamento das fraturas. Este tipo de processo é de importância local.

  • A ação de cristalização de sais verifica-se também na região semi-árida do Nordeste, onde ocorrem eflorescência de salitre (KNO$$$_3$$$) e cloreto de sódio (NaCl), entre outras substâncias salinas.
  • Na abrasão glacial, os fenoclastos transportados pelas geleiras, em contato com o substrato rochoso, tendem a adquirir superfícies planas e estriadas, recebendo o nome de blocos ou seixos facetados.
  • Os fenoclastos expostos no pavimento detrítico desértico, pela ação da abrasão eólica, tendem a desenvolver uma ou mais faces aplainadas ligeiramente côncavas e, frequentemente, muito polidas, orientadas de acordo com os ventos predominantes.

O intemperismo químico atua sobre os minerais das rochas através de reações químicas, as quais sob condições naturais são bastante complexas, envolvendo grande número de variáveis: dissolução, hidratação, hidrólise, carbonatação, oxidação e redução, quelatação, resultantes de atividades inorgânicas e/ou orgânicas. Essas reações alteram a composição químico-mineralógica das rochas com a formação de novas substâncias.

Nos processos de intemperização, as propriedades físicas e químicas da água desempenham um papel importante. Sua densidade máxima a 4ºC, na fase líquida, é uma peculiaridade ímpar, bem como sua expansão durante o congelamento. Outra propriedade notável da água reside no seu poder solvente generalizado. A tensão superficial da água é maior do que a de qualquer outro fluído.

Dissolução

A dissolução talvez represente o primeiro estágio do processo de intemperismo químico. Determinados minerais ou rochas são mais facilmente dissolvidos pela água do que outros. A halita, a calcita, a dolomita, o gipso e o calcário são particularmente susceptíveis à dissolução. Os sais minerais, via de regra, são facilmente solúveis em água. Outros minerais são mais resistentes ou mesmo insolúveis. Em condições normais, o quartzo como referimos, é praticamente insolúvel. Geralmente, um aumento de temperatura contribui para maior solubilidade dos minerais.O Que É O Solo E Como Se Forma?Dissolução do calcário em contato com a água (Foto: Reprodução)

Em água pura, a calcita é pouco solúvel, porém com um aumento progressivo de CO$$$_2$$$ na água, solubilidade aumenta consideravelmente. A composição química influi no grau de solubilização dos minerais. Por exemplo, com referência aos feldspatos, os potássicos são mais solúveis do que os sódico-cálcicos.

A água pura constitui um solvente poderoso. Quando contém outros agentes químicos naturais, como oxigênio e gás carbônico, entre outros, sua eficiência no intemperismo aumenta consideravelmente. O oxigênio do ar dissolve-se facilmente na película de água que recobre as partículas minerais das rochas.

Via de regra, a reação com o oxigênio resulta na oxidação.

  1. Hidratação
  2. CaSO$$$_4$$$ + 2H$$$_2$$$O $$$
    ightarrow$$$ CaSO$$$_4$$$.H$$$_2$$$O
  3. Hidrólise

A hidratação constitui a adição de água num mineral e sua adsorção dentro do retículo cristalino. Certos minerais são passíveis de receber moléculas de água em sua estrutura, transformando-se física e quimicamente. Na hidratação, os minerais expandem-se. A desidratação representa o fenômeno inverso, no qual o mineral perde água quando tem o seu volume reduzido.      A expansão dos minerais por hidratação é capaz de exercer pressões com efeitos similares àqueles verificados durante o congelamento da água. A eficácia dessas pressões é reduzida em virtude do amolecimento dos minerais. Uma das reações de hidratação mais conhecidas é aquela da transformação de anidrita em gipso:A hidrólise consiste na reação química entre o mineral e a água, isto é, entre os íons H$$$^+$$$ ou OH$$$^-$$$ da água e os íons do mineral. A decomposição dos silicatos (feldspatos, micas, hornblenda, augita, etc.) processa-se através da hidrólise, ou seja, da ação da água dissociada.

Na hidrólise, a água não constitui apenas o solvente dos reagentes, mas é igualmente um deles. Quando pura, em condições normais de pressão e temperatura, apresenta pequeno grau de dissociação.

Entretanto, um aumento de temperatura contribui para incrementar a dissociação da água. Por outro lado, qualquer reação que favoreça o aumento da concentração de íons H$$$^+$$$ na solução, contribui para aumentar a eficiência da hidrólise.

Como sabemos, na dissociação da água formam-se íons positivos (H$$$^+$$$) e íons negativos (OH$$$^-$$$).

O Que É O Solo E Como Se Forma?Alteração de um feldspato potássico (Foto: Reprodução)

A hidrólise de um feldspato alcalino (ortoclásio) segue aproximadamente a seguinte reação:KalSi$$$_3$$$O$$$_8$$$ + 4H$$$_2$$$O $$$
ightarrow$$$ K$$$^+$$$ + OH$$$^-$$$ + Al$$$_3^+$$$ + 3OH$$$^-$$$ + 4H$$$^+$$$ + Si$$$_3$$$O$$$^{4-} _8$$$ CarbonataçãoO gás carbônico dissolvido na água dá origem a uma solução ácida referida hipoteticamente como se fosse de ácido carbônico (H$$$_2$$$CO$$$_3$$$). A reação entre esta solução e os minerais é designada de carbonatação. Toda  água em contato com o ar contém gás carbônico dissolvido.CO$$$_2$$$ + H$$$_2$$$O  ⇔  H$$$_2$$$CO$$$_3$$$

O CO$$$_2$$$ é mais solúvel na água fria do que na quente. O grau de dissolução aumenta com o incremento da pressão.

No intemperismo, a ação das águas superficiais faz com que a carbonatação seja um dos fenômenos mais comuns na natureza. A água das chuvas é levemente ácida.

A acidez pode aumentar durante a percolação no solo, ao passar através das raízes ou da matéria orgânica em decomposição, onde o teor de CO2 pode ser até cem vezes maior do que na atmosfera.

Os minerais mais facilmente atacáveis pela ação do “ácido carbônico” são aqueles que contêm um ou dos dois seguintes elementos principais: Fe, Ca, Mg, Na ou K. Nas reações geralmente formam-se carbonatos desses elementos. Via de regra, a carbonatação é incrementada pela ocorrência de rochas calcárias.

A calcita e a dolomita são pouco solúveis em água pura. Entretanto, sua solubilidade aumenta consideravelmente na água com o CO$$$_2$$$ dissolvido. Forma-se então bicarbonato. O bicarbonato de cálcio, por exemplo, é muito mais solúvel em água do que o carbonato de cálcio. Na solução encontram-se íons de cálcio e íons de bicarbonato.

CaCO$$$_3$$$ + H$$$_2$$$CO$$$_3$$$  à  Ca$$$^++$$$ + 2HCO$$$^-_3$$$

Com a diminuição de temperatura, aumenta o teor de CO$$$_2$$$ dissolvido na água e, consequentemente, sua atividade química. O bicarbonato só se mantém dissolvido enquanto existir CO$$$_2$$$ livre na água. Se a temperatura aumentar, haverá escape de CO$$$_2$$$ e precipitação de carbonato de cálcio.

A água é designada “dura” ou saturada quando possui alto teor de bicarbonato de cálcio. Quando favorece a deposição do CaCO$$$_3$$$, na natureza, citam-se:

-rebaixamento da pressão nas áreas de surgência das fontes;-aquecimento das águas na superfície do terreno;

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-aeração das águas nas corredeiras e cascatas com possibilidade de pedra de CO$$$_2$$$;

-assimilação do CO$$$_2$$$ pelos vegetais.Os aspectos típicos de dissolução das rochas calcárias são encontrados nas regiões cársticas. A dissolução inicia-se no diaclasamento e fratura das rochas alargando-se em formas mais arredondadas. O trabalho lateral da dissolução origina as cavernas, cujo comprimento pode atingir vários quilômetros. Seu estudo constitui o objeto da espeleologia. O aspecto irregular ou ramificado das grutas evidencia que a dissolução depende e segue os padrões da estrutura e do fraturamento das rochas. Com a abertura das grutas, origina-se uma drenagem subterrânea na qual entra em jogo a ação mecânica das águas.

Nas regiões tropicais, a carbonatação é intensa e estimulada pela contribuição de CO$$$_2$$$ proveniente da vegetação exuberante. O transporte posterior do material carbonatado parece ser menor do que aquele verificado para as regiões de climas mais frios. No primeiro caso, a rápida redeposição no próprio relevo cárstico.

Oxidação e redução

Uma das principais reações que ocorrem durante o intemperismo químico é a oxidação. Quando a água com oxigênio dissolvido penetra no subsolo, a oxidação processa-se primeiramente nos primeiros metros superficiais, cessando totalmente o lençol freático.No processo de oxidação, o oxigênio reage com os minerais, principalmente com aqueles que contêm ferro, manganês e enxofre. A oxidação é favorecida pela presença de umidade. Na ausência de água, é pouco efetiva.

O ferro “ferroso” (Fe$$$^{++}$$$) encontrado em muitos minerais (tais como: pirita, hornblenda, augita, biotita, olivina, entre outros) é transformado em compostos férricos (Fe$$$^{+++}$$$).

Os compostos ferrosos possuem coloração cinza-esverdeada, enquanto que os férricos têm cor amarelada, castanha, avermelhada até preta. Uma oxidação ligeira produz hematita avermelhada.

Quando ocorre simultaneamente à hidratação, forma-se limonita de coloração amarelada ou ocre.

Os sulfetos oxidam-se para sulfatos. O manganês na forma Mn$$$^{++}$$$ passa a Mn$$$^{+++}$$$ e Mn$$$^{++++}$$$ de coloração rosa-avermelhada. Certos minerais, como a pirita (FeS$$$_2$$$), são altamente susceptíveis à oxidação em virtude do ferro possuir grande afinidade pelo oxigênio.

2FeS$$$_2$$$ + 2H$$$_2$$$O + 7O$$$_2$$$ $$$
ightarrow$$$ 2FeSO$$$_4$$$ + 2H$$$_2$$$SO$$$_4$$$

A adição de mais água e oxigênio transforma o sulfato ferroso em ácido sulfúrico e limonita. O ácido sulfúrico formado (mesmo em solução fraca) constitui um reagente muito eficiente que age sobre outros compostos minerais. A oxidação da pirita se constitui para as reações subsequentes.

Ao ar seco, o ferro metálico permanece praticamente inalterado por longo tempo.

Quando exposto ao ar úmido, a superfície brilhante do aço “enferruja” devido à formação de um mineral mole, de coloração amarelada ou castanha denominada limonita (Fe$$$_2$$$O$$$_3$$$.H$$$_2$$$O). A matéria orgânica também oxida-se na presença de oxigênio.

Em águas paradas e estagnadas, o teor de oxigênio presente é consumido junto à superfície. Nessas condições, as substâncias orgânicas não decompostas podem acumular-se no fundo.

Principalmente, nas regiões de clima úmido, os óxidos de ferro conferem ao manto de intemperismo colorações avermelhadas, castanhas ou amareladas, as quais dependem do grau de oxidação e da quantidade de água presentes no óxido de ferro. Nas rochas sedimentares (arenito ou calcário), as cores vermelhas, castanhas ou amareladas quase sempre indicam deposição em ambiente bem oxidado.

Caiu no Enem! Questão 29 de 2012 envolve Geografia Física e Intemperismo 

Pref.

Itajobi/SP – 2013 – Geografia – Questão 38 O processo de formação do relevo envolve diversos fenômenos, dentre os quais, destaca-se o intemperismo, responsável pela desagregação das rochas, sobre este, é correto afirmar que: a) O intemperismo físico ou mecânico é responsável pela degradação das formas superficiais por meio da exposição à umidade, esta age de forma intensa e é o agente que atua com maior ênfase. b) Intemperismo físico é semelhante ao intemperismo químico, no entanto, este fenômeno promove alteração química das rochas por meio da exposição ao calor. c) Pode ocorrer o chamado intemperismo químico, ocorre principalmente em regiões tropicais, pela oferta de água, e sua principal ação é alteração na composição das rochas. d) O intemperismo mecânico é derivado da ação de seres vivos, estes degradam as estruturas superficiais ao se moverem sobre elas e no processo de decomposição de matéria orgânica morta.

Gabarito

Letra A. A definição correta referente a intemperismo físico ou mecânico está na letra A, descrevendo que reflete a degradação das formas superficiais. Nesse caso exposto, a umidade pode ocasionar tanto o intemperismo físico quanto químico.

SOLOS – FATORES DE FORMAÇÃO, HORIZONTES E TIPOS PRINCIPAIS – ProEnem

  • O solo é um componente fundamental do ecossistema terrestre, pois além de ser o principal substrato utilizado pelas plantas para o seu crescimento e disseminação, fornecendo água, ar e nutrientes, exerce, também, multiplicidade de funções, tais como:
  • distribuição, armazenamento, escoamento e infiltração da água da chuva e de irrigação;
  • armazenamento e ciclagem de nutrientes para as plantas e outros elementos;
  1. ação filtrante e protetora da qualidade da água e do ar;
  2. matéria-prima ou substrato para obras civis (casas, indústrias, estradas).
  3. Como recurso natural dinâmico, o solo é passível de ser degradado em função do uso inadequado pelo homem, o que acarreta interferências negativas no equilíbrio ambiental, diminuindo, drasticamente, a qualidade de vida nos ecossistemas, principalmente, naqueles que sofrem mais diretamente com a interferência humana, como os sistemas agrícolas e urbanos.
  4. Atualmente, pode-se observar a degradação do solo em diversos processos, tais como: redução de sua fertilidade natural; diminuição da matéria orgânica do solo; perda de solo e água por erosão hídrica (causada pelas chuvas) e eólica (causada pelo vento); contaminação do solo por resíduos urbanos e industriais; retirada do solo para obras civis (cortes e aterros); exploração mineral; a desertificação e a arenização dos solos.
  5. O conhecimento de solos é utilizado por diversos profissionais, tais como: produtor agrícola, produtor florestal, pecuarista, técnico agropecuário, técnico flores- tal, engenheiro civil, engenheiro ambiental, engenheiro agrônomo, zootecnista, geólogo, engenheiro agrícola, geógrafo, biólogo, engenheiro florestal, dentre outros.

FORMAÇÃO DOS SOLOS

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Sem o solo, todas as paisagens seriam iguais e teriam o aspecto de uma enorme pedreira, assim como uma selva de pedras. O solo é a camada mais superficial da crosta terrestre, e é chamado também de “terra” ou “chão”. Ele é o resultado de muitos anos de “trabalho” da natureza.

O Que É O Solo E Como Se Forma?

Os solos são formados pela interação complexa dos processos físicos e biológicos na superfície da Terra.

Cada tipo de solo expressa as características dos materiais que o originaram e reflete as mudanças impostas pelo meio em que foi formado.

As condições em que se formaram os solos de um determinado lugar são fundamentais para compreender a dinâmica de sua paisagem. Seu uso incorreto e predatório pode provocar danos irreparáveis ao meio ambiente.

O processo de formação dos solos é conhecido como pedogênese.

As rochas que compõem a superfície terrestre, por estarem expostas à ação do clima, da água e dos organismos vivos, sofrem uma série de processos químicos, físicos e biológicos que levam à sua fragmentação e decomposição (alteração química). Esses processos denominados em seu conjunto de processos de intemperismo, constituem uma etapa essencial para a formação dos solos.

É bom lembrar que o tempo de formação de um solo desenvolvido, apesar de ser variável, nunca é uma reação instantânea, requerendo centenas de milhares de anos para se completar.

O Que É O Solo E Como Se Forma?

Há milhões de anos, não havia solo, mas sim enormes rochas dos mais variados tamanhos – conhecidas como “rocha-mãe”. As chuvas, o vento, o calor e o frio, fizeram com que o enorme rochedo começasse a ruir. Nessas rachaduras, instalaram-se os líquens – que produziam uma espécie de ácido capaz de dissolver pequenas porções de rocha.

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A ação desses organismos continuou a desgastar as rochas que se quebraram em pedaços menores, deixando espaços entre si. Chegou um momento em que as rochas haviam se quebrado tantas vezes que se tornaram pequenos grãos. Finalmente, esses dividiram-se em partes cada vez menores até tornarem-se minerais.

A partir daí, plantas maiores puderam se desenvolver, e então os animais – as plantas surgiram antes dos animais.

Restos dos vegetais (lembre-se que plantas são vegetais) e animais mortos ao entrar em decomposição enriqueciam o solo em formação, de nutrientes. Esses, chamados de húmus misturavam-se com os minerais. O solo é o resultado dessa mistura.

Após milhares de anos, a camada de solo depositada sobre a rocha-mãe, estava mais espessa e continuava a engrossar. Muitos tipos diferentes de solo se formaram, conforme a quantidade de minerais e nutrientes que predominava em cada ambiente.

HORIZONTES DO SOLO

As camadas de um solo são chamadas de horizontes. Um solo pouco desenvolvido terá poucas camadas. Um solo mais maduro e desenvolvido será mais estruturado e terá mais camadas. Em suma, um solo bem formado é aquele que apresenta, pelo menos:

  • o horizonte C, isto é, aquele formado pela intemperização da rocha-mãe;
  • o horizonte B, que é a camada intermediária do solo, onde podem estar presentes materiais transportados de outros lugares;
  • o horizonte A, onde ocorre a decomposição de organismos vivos e rico em matéria orgânica.

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Um solo bem desenvolvido é profundo e bem estruturado, isto é, apresenta os três horizontes bem definidos. Já os solos jovens praticamente não possuem horizonte B, pois apresentam o contato do manto de intemperismo com as condições superficiais de atividade orgânica.

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TIPOS DE SOLO

Os solos negros das planícies (tchernoziom, em russo), assim como os solos das pradarias, ocorrem nas regiões centrais da Eurásia e da América do Norte.

São solos bem estruturados e ricos em matéria orgânica,  de onde provém sua coloração escura.

Normalmente, revelam-se muito férteis para a agricultura, embora práticas agrícolas predatórias tenham contribuído para depauperar vastas extensões desses solos.

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Os latossolos são bem desenvolvidos, com grande profundidade e porosidade. Por isso, considera-se que sejam solos cujos materiais são os mais decompostos.

Classificam-se como solos velhos ou maduros, formados sob condições tropicais.

Por causa do intenso processo de intemperismo e lixiviação a que foram submetidos, apresentam quase que uma ausência total de minerais facilmente intemperizáveis.

Os solos lixiviados, isto é, literalmente lavados pela ação das chuvas, são dominantes nas florestas equatoriais, onde a grande quantidade de precipitações carrega, por dissolução, os nutrientes dos solos, tais como, nitrogênio, fósforo e potássio, o que resulta em solos pobres, pouco recomendáveis para a agricultura.

Os demais solos, geralmente, são jovens e pouco desenvolvidos, formados em condições de clima desértico ou semiárido, nos quais a ausência de água leva à pouca evolução de seus perfis, sendo os mais vulneráveis à ação da erosão.

Tipos de Solo

Lana Magalhães

Professora de Biologia

O Solo é a camada superficial da crosta terrestre. Trata-se de um complexo composto de materiais minerais e orgânicos.

Formação e composição do solo

O solo é resultado da ação de vários elementos: água, clima, organismos vivos, relevo, tipo de rocha e o tempo de atuação desses fatores. Em função da ação conjunta dos diversos fatores, originam-se diversos tipos de solo.

A decomposição das rochas por ação dos agentes físicos, químicos ou biológicos dão origem aos componentes minerais. A incorporação e a decomposição de elementos orgânicos animais e vegetais (húmus), dão fertilidade ao solo.

Classificação dos solos

Com relação a cor, a maior parte dos solos podem ser agrupadas em três tipos:

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  • avermelhados e amarelos – indicam forte presença de óxido de ferro
  • escuros – indicam forte presença de materiais orgânicos
  • claros – indicam a fraca presença ou ausência de materiais orgânicos.

Com relação a textura os solos, são classificados:

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  • arenoso – retém pouca água e nutrientes, pois possuem grandes poros, facilitando o escoamento da água
  • argiloso – o solo argiloso retém mais água e nutrientes (cálcio, potássio, ferro)
  • orgânico – é composto de materiais orgânicos em processo de decomposição, além de areia e argila

Entre os solos mais comuns encontrados no Brasil, destacam-se o massapê e a terra roxa:

  • Massapê – é um solo escuro, argiloso e orgânico, originado da desagregação e decomposição da rocha gnaisse. Aparece em grande trecho do Nordeste Brasileiro, na região chamada de Zona da Mata, onde desde o século XVI se cultiva a cana-de-açúcar, que se adapta muito bem a esse tipo de solo.
  • Terra roxa – é um solo avermelhado e vulcânico, originado da decomposição do basalto. Aparece no oeste do estado de São Paulo e no norte do Paraná. É excelente para a agricultura e, desde o século passado é utilizado para a cultura do café.

Curiosidade: Você Sabia?

A terra roxa, na verdade é vermelha e não roxa. O nome surgiu com os colonos italianos das lavouras do café que falavam “terra rossa”, que em italiano quer dizer vermelho. O povo confundiu rossa com roxa.

Complemente sua pesquisa:

Licenciada em Ciências Biológicas (2010) e Mestre em Biotecnologia e Recursos Naturais pela Universidade do Estado do Amazonas/UEA (2015). Doutoranda em Biodiversidade e Biotecnologia pela UEA.

Solo – camadas e composição do solo – Geografia e Geologia

O solo é um recurso natural básico e fundamental, que levou milhões de anos em sua formação, resultante dos processos de desintegração e decomposição das rochas devido ao intemperismo. Por mais que muitas rochas, devido aos seus níveis de dureza, pareçam indestrutíveis, todas elas acabam se decompondo, mesmo que lentamente.

O intemperismo é o processo geral que causa a deterioração das rochas. Ele é responsável por produzir todas as argilas, todos os solos e as substâncias dissolvidas que acabam carregadas pelos rios até os oceanos. Podemos subdividi-lo em dois tipos: intemperismo químico e intemperismo físico.

O primeiro ocorre quando os minerais de uma determinada rocha sofrem uma alteração ou dissolução química – e aqui a ação da água é importantíssima. Já o segundo ocorre quando há uma fragmentação da rocha sólida, através de processos mecânicos que não mudam sua composição química. Ambos se reforçam mutuamente.

Quanto menores os pedaços de rocha criados pelo intemperismo físico, maior é a superfície para o intemperismo químico agir.

As rochas, reduzidas em partículas através do intemperismo, podem acumular-se como solo ou, através da erosão, serem transportadas ou depositadas na forma de sedimentos em algum outro lugar.

A erosão é definida então como o processo em que os materiais intemperizados (isto é, desmanchados em frações minerais menores) são deslocados ou removidos de sua origem, geralmente por ação das correntes de água ou de ar.

Um terceiro processo geológico que cabe ser mencionado é a dispersão de massa, que costuma mover em eventos isolados, encosta abaixo, materiais terrestres modificados ou não pelo intemperismo, inclusive grandes fragmentos de rochas inalteradas.

Tendo claro que os solos são resíduos do intemperismo, e compreendendo que são materiais alterados, heterogêneos e desagregados sobrepostos à camada rochosa, podemos prosseguir entendendo que os mesmos se formam em encostas moderadas e suaves, planícies e terras baixas, ou também quando estão protegidos por cobertura vegetal. Isso ocorre porque esses tipos de terreno estão sujeitos a uma menor intensidade de erosão.

Dentre os produtos do intemperismo, os solos podem incluir partículas de argilominerais, óxidos de ferro e metais diversos, e também pedaços da rocha-matriz.

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Para os geólogos, o termo solo é usado para se referir às camadas de material inicialmente criadas por fragmentação de rochas durante o intemperismo, que têm novos materiais adicionados, materiais originais perdidos, e modificações devido às misturas físicas e reações químicas.

Conhecida como húmus, a matéria orgânica é também um componente muito importante da grande maioria dos solos da Terra, sendo formada pelos resíduos e restos de organismos que vivem nos solos.

Os restos de folhas da Floresta Amazônica, por exemplo, são fundamentais para o solo da região e a manutenção da floresta. Mas nem todos os solos dão garantia à vida e há locais em que mesmo havendo solos, há pouquíssima vida ou até ausência dela, como em áreas congeladas ou mesmo em outros planetas.

Os solos podem ser compreendidos como geossistemas, com entradas, processos e saídas. Após a alteração da rocha, e das entradas adicionais de matéria orgânica e poeira atmosférica, ocorrem transformações e translocações, já que os solos são dinâmicos e respondem de variadas formas às influências de diferentes fatores.

Os cinco fatores mais importantes para a variabilidade desses processos são: 1. Material-matriz: a solubilidade dos minerais, o tamanho dos grãos e os padrões de fragmentação do substrato rochoso. 2. Clima: temperaturas, níveis de precipitação e as variações sazonais. 3.

Topografia: a declividade das encostas e sua direção (encostas menos íngremes voltadas ao Sol favorecem o solo). 4. Organismos: a diversidade de organismos que vivem nos solos. 5. Tempo: a quantidade de tempo que um solo possui para se formar. A maior parte dos solos forma diferentes camadas durante seu desenvolvimento.

Sua composição e aparência são denominadas perfil do solo.

Os perfis do solo são formados por até seis horizontes (camadas de distintas cores e texturas, comumente paralelas à superfície terrestre) e, dependendo da configuração dos fatores de desenvolvimento do solo presentes nessas camadas, originam diferentes tipos de solo, cada qual com um modelo de perfil distinto.

O Que É O Solo E Como Se Forma?

Camadas do solo e sua composição. Ilustração: Ellen Bronstayn / Shutterstock.com [adaptado]

No Brasil, podemos distinguir 13 grandes classes de solos. Há grande predominância dos Latossolos e Argissolos, que se estendem por cerca de 58% do território. São solos profundos, altamente intemperizados, de baixa fertilidade natural, ácidos e, algumas vezes, saturados de alumínio.
O Que É O Solo E Como Se Forma?

Distribuição dos solos no Brasil. Fonte: EMBRAPA.

Leia também:

  • Fauna do solo
  • Camadas da Terra

Fontes:

EMBRAPA. Centro Nacional de Pesquisa de Solos (Rio de Janeiro, RJ). Sistema brasileiro de classificação de solos. 2. ed. – Rio de Janeiro: EMBRAPA-SPI, 2006. Disponível em: . Acesso em: 05/10/2019.

GROTZINGER, John P.; JORDAN, Thomas H. Para entender a terra. 6. ed. Porto Alegre: Bookman, 2013.

LUCCI, Elian Alabi; BRANCO, Anselmo Lazaro; MENDONÇA, Cláudio. Território e sociedade no mundo globalizado, Geografia geral e do Brasil, volume único. São Paulo: Saraiva, 2014.

TEIXEIRA, Wilson. Decifrando a Terra. 2. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2009.

Texto originalmente publicado em https://www.infoescola.com/geografia/solo/

Assinale a alternativa incorreta em relação às características dos solos que são importantes para a agricultura.

O que é solo?

O Que É O Solo E Como Se Forma? Imagem de Giulia Bertelli em Unsplash

Solo é todo material inconsolidado formado na superfície dos continentes pela ação do intemperismo e pedogênese, e que é capaz de suportar a vida, seja ela em sua forma vegetal ou animal. Em função das condições ambientais, os solos podem apresentar características e propriedades físicas, químicas e físico-químicas diferentes.

Assim, os solos podem ser argilosos, arenosos, vermelhos, amarelos ou cinza esbranquiçados. Eles ainda podem ser ricos ou pobres em matéria orgânica, e espessos (algumas dezenas de metros) ou rasos (alguns poucos centímetros), apresentando homogeneidade ou diferenças facilmente percebidas horizontalmente.

Intemperismo e pedogênese

O intemperismo é o conjunto de modificações de ordem física e química que as rochas sofrem ao aflorar na superfície da Terra.

A rocha alterada e o solo, que são os produtos desse processo, também estão sujeitos a erosão, transporte e sedimentação, que acabam levando à denudação continental (termo geológico que indica a remoção da superfície de uma região por efeito erosivo), com consequente aplainamento do relevo.

Já a pedogênese, denominação referente à formação do solo, ocorre quando as modificações causadas nas rochas pelo intemperismo, além de serem químicas e mineralógicas, tornam-se sobretudo estruturais, com importante reorganização e transferência dos minerais formadores do solo.

Perfil de solo

O intemperismo e a pedogênese levam à criação de um perfil de alteração, também chamado de perfil de solo.

Ele é estruturado verticalmente a partir da rocha-mãe na base, sobre a qual formam-se o saprolito e o solum (horizontes de transição entre a rocha e o solo), que constituem o manto de alteração ou regolito.

Os materiais do perfil vão se diferenciando com relação à rocha parental em termos de composição, estruturas e texturas quanto mais afastados se encontram dela.

Sendo dependentes do clima e do relevo, o intemperismo e a pedogênese ocorrem de maneira distinta nos diversos compartimentos morfoclimáticos do globo, levando à formação de perfis de solo compostos de horizontes de estruturas e composições diferenciadas entre si.

Os horizontes são divididos em:

  • Horizonte O
  • Horizonte A
  • Horizonte B
  • Horizonte C
  • Horizonte D ou rocha-mãe

Os horizontes mais superficiais do perfil, por conterem quantidades maiores de matéria orgânica, apresentam uma tonalidade mais escura, enquanto os horizontes inferiores, mais ricos em argilominerais e oxi-hidróxidos de ferro e de alumínio, são mais claros (em regiões temperadas) ou mais avermelhado-amarelados (em regiões tropicais).

Classificação dos solos

Os solos podem ser classificados em três grupos principais conforme à sua formação: solos residuais, solos sedimentares e solos orgânicos.

Os solos residuais são aqueles que permanecem no local da rocha de origem (rocha-mãe), observando-se uma gradual transição da superfície até a rocha.

Para que ocorram os solos residuais, é necessário que a velocidade de decomposição da rocha seja maior que a velocidade de remoção pelos agentes externos.

Estando os solos residuais apresentados em horizontes (camadas) com graus de intemperismos decrescentes, podem-se identificar as seguintes camadas: solo residual maduro, saprolito e a rocha alterada.

Já os solos sedimentares ou transportados são os que sofrem a ação de agentes transportadores, podendo ser aluvionares, eólicos ou glaciares.

Por fim, os solos orgânicos são aqueles originados da decomposição e posterior apodrecimento de matérias orgânicas, sejam estas de natureza vegetal ou animal.

Em algumas formações de solos orgânicos, ocorre uma importante concentração de folhas e caules em processo de decomposição, formando as turfas (matéria orgânica combustível).

Os solos também podem ser classificados de acordo com o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (SiBCS). Ele se propõe a ser um sistema hierárquico de classificação e consolidar a sistematização taxonômica que expresse o conhecimento para a discriminação de classes de solos identificadas no País. Sendo assim, esse sistema divide os solos em treze categorias distintas:

  1. Argissolos
  2. Cambissolos
  3. Chernossolos
  4. Espodossolos
  5. Gleissolos
  6. Latossolos
  7. Luvissolos
  8. Neossolos
  9. Notssolos
  10. Organossolos
  11. Planossolos
  12. Plintossolos
  13. Vertissolos

No Brasil, há o predomínio de três tipos de solos, os latossolos, argissolos e neossolos, que abrangem cerca de 70% do território nacional. Os latossolos e argissolos ocupam aproximadamente 58% da área e são solos mais profundos, altamente intemperizados, ácidos e de baixa fertilidade natural.

Em certos casos, também ocorrem solos de média a alta fertilidade, em geral pouco profundos em decorrência de seu baixo grau de intemperismo. Estes se enquadram principalmente nas classes dos neossolos, luvissolos, planossolos, nitossolos, chernossolos e cambissolos.

Importância do solo

O solo é o recurso mais importante de um país, já que ele fornece os recursos necessários para alimentar suas populações. No entanto, diversas atividades antrópicas têm provocado erosão e contaminação do solo, gerando diversos prejuízos. Por isso, é importante que hajam políticas públicas que preservem esse recurso e planejem seu uso consciente e sustentável.

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