Ensaio Filosófico O Que É Como Se Faz?

Temas/problemas do mundo contemporâneo (10º) / Temas/problemas da cultura científico-tecnológica, de arte e religião (11º) 

O desenvolvimento do tema deverá ter por horizonte a elaboração de um ensaio filosófico, sendo que a sua extensão e grau de aprofundamento deverá ter em consideração a maturidade dos alunos. 

Como escrever um ensaio filosófico?

Atividades e Recursos Complementares Como escrever um ensaio filosófico? Como escrever um ensaio filosófico? Como escrever um ensaio filosófico? Como escrever um ensaio filosófico? A importância da Filosofia e os problemas filosóficos Determinismo e liberdade na ação humana A criação artística e a obra de arte Lógica: algumas noções básicas Filosofia da arte: teorias essencialistas Das proposições às conetivas proposicionais

Filosofia da arte: teorias não essencialistas

As conectivas proposicionais e as tabelas de verdade

A salvação de Wang-Fô: uma experiência estética

Tabelas de verdade. Teste de validade de argumentos

O sentido da vida e o conceito teísta de Deus

Formas de inferência válida (1)

A prova da existência de Deus: o argumento teleológico

Modus ponens, modus tollens e principais falácias formais

Prova da existência de Deus: o argumento cosmológico

Argumentos não dedutivos: a indução

Provas da existência de Deus: o argumento ontológico

Argumentos não-dedutivos: argumentos por analogia e por autoridade

O fideísmo e a aposta de Pascal

Falácias informais: falsa relação causal, petição de princípio, boneco de palha e ad hominem

Como escrever um ensaio filosófico?

A natureza dos juízos morais

Negação de proposições e o quadrado da oposição

A natureza dos juízos morais: subjetivismo e emotivismo

A natureza dos juízos morais: relativismo e objetivismo

A definição tripartida de conhecimento: o conhecimento como crença verdadeira justificada

A definição tripartida de conhecimento (CVJ) e o problema de Gettier

As limitações do relativismo cultural e o problema dos Direitos Humanos

O fundacionalismo de Descartes: das razões para duvidar ao resultado positivo da dúvida

O fundacionalismo de Descartes: do “eu” confinado à redescoberta do mundo exterior

A liberdade de expressão tem limites?

O fundacionalismo de David Hume: o princípio da cópia e a bifurcação

O fundacionalismo de David Hume: das questões de facto ao problema da indução

René Descartes e David Hume: tête-à-tête

Intenções e consequências: como decidir?

A ética deontológica de Kant

A ética deontológica de Kant: objeções e contra-objeções

Antígona: do conflito entre deveres à desobediência civil

Ensaio Filosófico

4 de Fevereiro de 2009   Filosofia

Eduardo Dayrell de Andrade Goulart

Ensaio Filosófico: O Que é, Como se Faz A. P. Martinich Tradução de Adail U. Sobral

São Paulo: Edições Loyola, 2002, 254 pp.

A boa escrita em filosofia é uma habilidade difícil de adquirir e, entretanto, deve ser a mais valorizada. Exige trabalho e repetição. Não é uma questão de gênio, pode ser ensinada e aperfeiçoada.

Com boa escrita quero significar uma escrita clara, organizada, direta e simples; onde os argumentos sejam construídos conforme uma ordem e estrutura, e onde não haja espaço para palavrórios e obscuridades pseudofilosóficas; mecanismos que ajudam a espalhar a falsa idéia de que a filosofia é uma atividade incompreensível, e profunda só por ser difícil.

Depois da leitura de Ensaio Filosófico fica bem clara a diferença entre a atividade filosófica desses grandes figurões e a filosofia praticada e ensinada pelo trabalho de A. P. Martinich. O objetivo central do livro é desenvolver técnicas que ensinam, aperfeiçoam e facilitam a escrita de ensaios filosóficos.

Um método eficaz, útil, simples e produtivo; e que acima de todas as condições faça da filosofia uma disciplina rigorosa e profissional.

Além disso, não se restringindo apenas ao ensino da redação filosófica, o livro é capaz de transmitir a verdadeira idéia do que é fazer filosofia, atividade não somente de repetição e reverência a idéias, mas a de criticar e avaliar argumentos, idéias e crenças.

Esta edição brasileira é uma tradução do livro Philosophical Writing: An Introduction (2.ª edição).

A tradução é boa e oferece a leitura de um texto bem articulado e coerente, um bom trabalho para o mercado editorial brasileiro onde são raras e muito mal divulgadas as traduções de bons livros de filosofia.

Felizmente, está disponível para os estudantes brasileiros um excelente manual de escrita de ensaios filosóficos.

O livro tem oito capítulos. No Capítulo 1 é apresentada a relação entre público e autor do ensaio, mais especificamente a relação entre professor/público e aluno/autor que é a situação vigente nas salas de aula.

Nesse capítulo são explicitadas todas as características dessa relação: o que o aluno deve entender como um ensaio para o professor, conhecer o que o professor irá avaliar no ensaio do aluno, o que o aluno deve escrever e pressupor para o professor na situação da avaliação e como o aluno deve se comportar na produção do ensaio afim de que o professor entenda seus pontos de discussão.

O capítulo dois consiste na explicação de conceitos fundamentais, de lógica formal e informal, que devem ser usados na produção do ensaio filosófico.

Uma vez que um ensaio consiste na defesa de proposições com argumentos; e que os argumentos são um dos objetos de estudo da lógica, fica claro porque esses conceitos lógicos são importantes na construção do texto, pois facilitam a organização do ensaio oferecendo uma clareza impossível de ser adquirida de outra maneira.

A meta principal de um bom ensaio filosófico é ser capaz de desenvolver um bom argumento. Mas o que é um bom argumento? Um bom argumento é um argumento sólido que é reconhecido como tal em virtude da apresentação de sua forma lógica e de seu conteúdo. Nessa definição existem termos técnicos tanto de lógica formal como de lógica informal.

É preciso o trabalho conjunto dessas duas disciplinas para elucidar os elementos da definição de um bom argumento. A começar com a definição de argumento sólido, que é um argumento válido somente com premissas verdadeiras, percebemos ainda um outro termo técnico que também necessita ser definido, o termo “validade”, para a análise do bom argumento.

A validade é a característica dos argumentos que garante a transmissão da verdade das proposições para a conclusão. Portanto, um argumento é válido se, e somente se, for necessário que se, as premissas são verdadeiras, a conclusão seja verdadeira. Entretanto, a solidez sozinha ainda é insuficiente para explicar o que seja um bom argumento.

Muitos argumentos são sólidos, mas ruins, ou seja, não são argumentos convincentes. Por exemplo, o argumento “Todo homem é mortal; portanto, todo homem é mortal” é sólido, mas dificilmente será reconhecido por um público como um bom argumento. Portanto, o bom argumento deve ser sólido e também ser reconhecido como tal em virtude de sua forma lógica e de seu conteúdo.

A forma lógica é o objeto de estudo da lógica formal, é a análise da validade do argumento. O conteúdo é a informatividade e verdade das premissas, é a análise dos indícios para a verdade das premissas.

Assim, o reconhecimento do bom argumento ultrapassa as capacidades da lógica formal e requer, além da validade e solidez, três características: a relevância, plausibilidade e informatividade das premissas para a conclusão. Um bom argumento é aquele argumento que contém premissas relevantes para a conclusão. Por isso o argumento acima não é bom, a premissa não é relevante para a conclusão.

No bom argumento, as premissas também devem ser mais plausíveis do que a conclusão, elas devem representar fatos mais conhecidos e certos do que os da conclusão. O bom argumento deve apresentar premissas informativas, no sentido de que os fatos que essa premissa apresenta não são triviais. Portanto, o bom ensaio filosófico é aquele que introduz o argumento, o desenvolve e depois o resume.

O ensaio deve mostrar de maneira racional como a partir das premissas inferir uma conclusão.

No desenvolvimento do argumento no ensaio o autor deve apresentar todas as provas e fatos para a verdade das premissas, explicar a relevância das premissas para a conclusão, explicar por que as premissas são mais plausíveis do que a conclusão, explicar e explicitar a regras de inferência que justificam a validade do argumento e o autor deve, depois de todo esse trabalho, demonstrar para seu público que seu argumento é sólido e fazer com que o público o reconheça como tal exatamente pela apresentação da sua forma lógica e pelos indícios de que as premissas são verdadeiras, informativas e mais plausíveis. O autor deve adequar o argumento e suas informações ao sistema de crenças do seu público, deve explicitar minuciosamente e rigorosamente todas as características do argumento, as de caráter formal e informal. O bom argumento do ensaio impele o público a aceitar sua conclusão em virtude do reconhecimento da validade do argumento e da verdade das suas premissas.

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Nos Capítulos 3 e 4, Martinich fornece orientações para a estrutura ideal do ensaio, prescreve regras para a produção de esboços e dos respectivos ensaios e exemplifica suas idéias com esboços que ele mesmo construiu.

Os exemplos são pedaços de ensaios mal construídos que são aperfeiçoados conforme a apresentação das regras e orientações. O caráter didático dessa apresentação é impressionante.

Nesses capítulos é apresentada a estrutura de um ensaio filosófico em sua forma mais simples:

  1. Apresentar a proposição a ser provada;
  2. Apresentar o argumento em favor da proposição;
  3. Demonstrar que o argumento é válido;
  4. Demonstrar que as premissas são verdadeiras;
  5. Retomar de modo conclusivo o que foi provado.

A exposição da estrutura do ensaio é caracterizada de forma tão pormenorizada que ela inclui elementos que vão desde a maneira de como escolher o tema do ensaio a até dicas de aperfeiçoamento do texto final.

O Capítulo 5 é sobre as táticas disponíveis para a produção de textos analíticos. As táticas discutidas são: dilemas, argumentos com reductio ad absurdum, contra-exemplos, raciocínio dialético, análise, distinção e definição. Os dilemas são situações que introduzem problemas e explicitam aspectos contraditórios de crenças amplamente sustentadas.

A reductio ad absurdum é um dos métodos de resolução dos problemas acusados pelos dilemas. Consiste em um argumento no qual se nega a proposição ou tese a ser provada e demonstra-se que a negação é falsa ou absurda. Se a negação da tese é falsa, então a tese é verdadeira.

O contra-exemplo é a forma de refutar uma proposição ou argumento sem se comprometer com qualquer outra tese ou solução de um problema; é apenas uma tática crítica, como são os famosos contra-exemplos de Edmund Gettier para refutar a tese do conhecimento como crença verdadeira justificada.

O raciocínio dialético é uma forma de pensar que pode ser adaptada para a produção do ensaio. O raciocínio consiste na apresentação de uma tese simples e não qualificada, submetê-la a críticas, explicar as críticas, rever a tese e reformulá-la numa versão mais sofisticada, complexa e adequada.

A análise é a tática de decomposição de um conceito complexo em elementos mais simples, assim como a análise química é a decomposição de uma molécula química complexa em elementos mais simples. As distinções são táticas que possibilitam a categorização dos objetos. No ensaio, elas são fundamentais, pois ajudam na clareza e precisão dos argumentos.

As definições, assim como as distinções, reforçam a clareza do ensaio; são usadas para explicar termos técnicos e termos comuns usados em contextos que modificam o sentido usual desses termos.

No Capítulo 6 são apresentadas três possibilidades gerais para a busca de indícios a favor das proposições do argumento do ensaio. A primeira é a busca da verdade. O autor do ensaio sempre deve assegurar-se de que está a acreditar e defender a verdade. A segunda é o uso da autoridade.

Consiste no uso legítimo de argumentos descobertos por grandes filósofos ou cientistas, aceitando suas autoridades para fornecer indícios. A terceira possibilidade é relativa ao ônus da prova de cada proposição ou tese defendida pelo autor.

O ônus da prova recai sempre naquele que afirma ser verdadeira sua tese.

O Capítulo 7 é sobre a importância da inteligibilidade como característica principal de um artigo filosófico. Nesse capítulo são apresentadas quatro qualidades que garantem a inteligibilidade do ensaio e asseguram sua compreensão: clareza, coerência, concisão e rigor. A clareza é uma qualidade de interação entre o conteúdo e o público do ensaio.

Por exemplo, um ensaio sobre o teorema da incompletude de Gödel poder ser claro para um grupo de alunos de Oxford, mas talvez não para funcionários públicos. Contudo, essa qualidade não se esgota apenas nessa relação de interação, pois um ensaio claro é também aquele que apresenta distinções precisas e definições esclarecedoras.

A coerência é a qualidade que diz respeito ao percurso da argumentação no ensaio. O percurso de um ensaio coerente deve ser contínuo: a maneira como se movimenta, da introdução para o meio, e do meio para a conclusão sem ruptura abrupta ou exagerada. A concisão é outra qualidade do ensaio que diz respeito da relação entre brevidade e conteúdo.

Um ensaio conciso é aquele que fornece o maior número possível de informação no menor espaço possível. Essa qualidade é fundamental porque exige menos atenção do leitor para a compreensão do artigo. O rigor é a qualidade que reuni a qualidade da clareza e da explicitação. Um ensaio rigoroso é aquele ensaio que é preciso, direto e nada deixa implícito na argumentação.

Se existe pelo menos um mínimo de dúvida ou ambigüidade no seu ensaio, deve-se dizer da maneira mais explícita possível.

O Capítulo 8 apresenta alguns problemas que acontecem na introdução dos ensaios. Três maneiras de como não começar seu ensaio são discutidas.

O primeiro é o desvio de assunto: autores que logo na introdução misturam seus objetivos e não os especificam de maneira clara.

O segundo problema é o de como alguns autores mascaram seus argumentos e indicam que eles são soluções gerais para problemas restritos. O terceiro problema é o de começar o ensaio fazendo rodeios, sem ir direto ao ponto.

O livro termina com um apêndice intitulado “Domingo à Noite, Tenho de Entregar um Ensaio na Segunda de Manhã”, que é um resumo muito simples e básico de toda a estrutura e conteúdo do livro e destina-se aos alunos que não tiveram tempo de ler o livro inteiro.

Ensaio Filosófico é um manual sensacional, capaz de ensinar e estimular o trabalho filosófico através da idéia de que a filosofia é uma disciplina tão profissional como qualquer outra.

O livro apresenta o conteúdo de maneira bastante esquemática e também oferece uma série de exercícios no final de alguns tópicos, assim como qualquer manual de química ou matemática oferece exercícios de fixação no final de seus capítulos.

Em um país onde a tradição filosófica valoriza outras qualidades que não a clareza, coerência e rigor de seus textos, a publicação do livro é muito bem-vinda e de grande importância para a tentativa de reverter essa deplorável situação da filosofia no Brasil.

Espero em breve poder ver nos cursos de Introdução à Filosofia ou Metodologia de Pesquisa Ensaio Filosófico como o principal manual na referência bibliográfica. Não só para os estudantes de filosofia, mas para qualquer estudante universitário que necessita do ensaio como forma de transmissão e troca de informações, o livro é muito útil. Porque além de ensinar a escrever ensaios filosóficos, o livro ensina a escrever ensaios.

Eduardo Dayrell de Andrade Goulart

Dicas para elaboração de um ensaio científico-filosófico

  • Dicas são apresentadas na forma de perguntas e respostas
  • Marcos Pereira dos Santos (*)
  • Nas universidades, tanto em cursos de graduação quanto de pós-graduação, a elaboração de alguns trabalhos acadêmicos de pesquisa científica, tais como: ensaios, artigos, informes, resumos, sinopses, resenhas, papers, relatórios, monografias, dissertações e teses, entre outros, ainda se configura como uma espécie de “bicho de sete cabeças” para muitos estudantes e professores.
  • Em linhas gerais, pode-se dizer que essa preocupação em relação ao como desenvolver tais trabalhos científicos estão diretamente atrelados à falta de domínio da escrita acadêmica por parte de alguns pesquisadores e à quantidade, muitas vezes excessiva, de normas técnicas existentes para a apresentação e elaboração de trabalhos acadêmicos em geral.
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Escrever textos científicos não é uma tarefa fácil, pois requer dos pesquisadores dedicação, tempo disponível, hábito de leitura, domínio da linguagem escrita, conhecimento aprofundado acerca do tema a ser abordado e certa dose de paciência. Trata-se de uma atividade complexa, porém não impossível de ser realizada.

No intuito de desmistificar alguns tabus e estereótipos que gravitam em torno do processo de elaboração de trabalhos acadêmicos de pesquisa, buscamos neste texto apresentar, mesmo que de forma breve, algumas dicas úteis e práticas para o desenvolvimento de ensaios científicos de cunho filosófico, os quais, vinculados a temáticas próprias da Filosofia, exigem um nível diferenciado de estrutura textual e atenção redobrada por parte de acadêmicos e professores da área, bem como de outros campos do conhecimento (Matemática, Pedagogia, Direito, Sociologia etc.) que abordam questões de âmbito filosófico.

Eis, portanto, algumas perguntas e respostas concernentes ao o que é e como se faz um ensaio científico-filosófico: 

1. O que é ensaio filosófico?

Ensaio filosófico é um texto argumentativo em que se defende uma posição, ideia ou concepção sobre um determinado problema filosófico. Uma vez que a melhor maneira de formular um problema é fazer uma pergunta, o objetivo principal de um ensaio filosófico é responder a uma indagação e defender essa resposta, oferecendo argumentos condizentes e refutando as objeções.

2. O que se espera que um estudante mostre ao escrever um ensaio?

Um ensaio deve mostrar que o seu autor sabe relacionar o problema formulado com as teorias científicas existentes e os argumentos em causa. É por isso que um ensaio deve ter a forma de resposta a uma pergunta.

A essa pergunta, há de ser possível responder com um “sim” ou com um “não”, procurando o estudante, em seguida, avaliar criticamente os principais argumentos em confronto; de modo a tomar uma posição pessoal na disputa. Num ensaio, o estudante não pode limitar-se a dar apenas a sua opinião.

Tem também de avançar com argumentos e de responder aos argumentos contrários. Caso não lhe pareça possível defender uma das partes, deverá dizer, ainda assim, por quê.

3. Como escolher o título do ensaio?

A melhor maneira de intitular o ensaio é apresentar, o mais claramente possível, o problema que se vai tratar. E o melhor modo de fazê-lo é elaborar uma pergunta.

  1. Eis, pois, alguns exemplos de títulos de ensaios:
  2. * Será que os animais têm direitos?
  3. * É a existência do mal compatível com a existência de Deus?
  4. * Terá a lógica lugar na filosofia?
  5. * Deveremos avaliar uma ação unicamente em função das suas consequências?
  6. * Será que todas as obras de arte expressam sentimentos?
  7. Sejam, outrossim, os seguintes títulos:
  8. * Os direitos dos animais.
  9. * Deus e o mal.
  10. * A lógica filosófica.
  11. * O consequencialismo.
  12. * A arte e a expressão de sentimentos.
  13. Embora possam ser adequados em ensaios mais longos e abrangentes, os mesmos devem ser evitados em ensaios filosóficos, pois não parecem obrigar os seus autores a tomar posição nem a ser críticos e argumentativos.

4. Como se prepara um ensaio?

Leia criticamente os textos indicados pelo professor, e que tratam do tema proposto. Nessa leitura, procure identificar as teses em confronto e os argumentos que as sustentam. Procure também assegurar-se de compreender corretamente o que está em causa. Uma boa ideia é discutir o problema em xeque e os argumentos com outras pessoas.

Consequentemente, isso lhe dará uma ideia mais clara acerca da complexidade do problema elaborado e da força dos argumentos subjacentes.

Uma vez realizada a leitura crítica dos textos indicados pelo professor e formulado corretamente o problema de pesquisa, faça um rascunho (esboço) do ensaio, indagando para si mesmo: Qual a tese a defender? Que argumentos apresentar? Em que ordem? Quais as objeções a discutir? Quando? O que se pretende introduzir pressupõe uma discussão anterior? Ademais, tenha em mente que a clareza do seu ensaio depende, em grande parte, da sua estrutura. Por isso, é importante começar por determinar o que se propõe fazer e como fazê-lo.

5. Como se deve estruturar um ensaio?

Habitualmente, um ensaio apresenta três partes distintas, a saber: a introdução, o corpo (desenvolvimento) do ensaio e as considerações finais. É interessante salientar que, num ensaio, apesar de a introdução ser a primeira coisa que se lê, é geralmente a última parte a ser escrita; isso porque só depois da redação final é possível ter uma visão de conjunto do ensaio.

  • Grosso modo, um ensaio deve ser estruturado de acordo com as seguintes regras:
  • 1ª) Formule o problema.
  • 2ª) Diga qual é o objetivo do ensaio.
  • 3ª) Mostre a importância do problema.
  • 4ª) Identifique as principais teses concorrentes.
  • 5ª) Apresente a tese que quer defender.
  • 6ª) Explicite os argumentos a favor dessa proposição.
  • 7ª) Apresente as principais objeções ao que acabou de ser defendido.
  • 8ª) Responda às objeções.
  • 9ª) Tire as suas próprias “conclusões” a respeito.

6. Como se formula o problema de pesquisa do ensaio?

Em geral, um ensaio começa a ser elaborado pelo problema de pesquisa.

Mas, muitas vezes, não basta formular o problema o mais objetivamente possível para as coisas ficarem completamente claras e, assim, não haver margem para possíveis dúvidas ou ambiguidades.

Se, por exemplo, perguntamos se os animais têm direitos, é preciso dizer exatamente que direitos são esses e dar exemplos concretos. Ademais, deve-se, igualmente, deixar bem claro se está se referindo a todos os animais ou somente a alguns deles.

7. Como explicitar o objetivo do ensaio?

Um ensaio pode ter diferentes objetivos. Se o seu intuito é oferecer razões para acreditar numa determinada tese, então deve dizer que é isso o que vai procurar fazer. Um erro frequente, ao escrever um ensaio, é não saber exatamente qual o objetivo que se tem em mente, ao fazê-lo.

Se não sabemos onde queremos chegar, dificilmente saberemos que caminho escolher. O resultado disso é, grosso modo, um ensaio repleto de afirmações vagas e inadequadamente defendidas. Um objetivo claramente definido é mais do que meio caminho andado para um ensaio estar bem estruturado.

8. Como mostrar, num ensaio, a importância do problema de pesquisa?

Num ensaio, deve-se procurar mostrar por que razão é importante que nos ocupemos do problema de que se fala. Uma maneira de fazer isso é explicitar o que estaríamos perdendo se não o fizéssemos. Suponhamos, por exemplo, que se pergunta se a lógica formal tem lugar, na Filosofia.

Por que razão devemos nos ocupar disso? Se você escolheu ocupar-se desse problema é porque o considera importante.

Nesse caso, sua resposta deve mostrar, por exemplo, que se não nos preocupássemos com a forma do raciocínio, não só nos arriscaríamos a cometer erros de raciocínio, mas também a não compreender os raciocínios dos outros.

9. Como identificar as principais teses concorrentes na escrita de um ensaio?

Aqui se deve, muito brevemente, apresentar as teses mais conhecidas que respondem a essa problemática. Se, por exemplo, perguntamos se as nossas ações são boas ou más apenas em função das suas consequências, é preciso dizer que há duas teorias principais concorrentes – o consequencialismo e o deontologismo – e o que defende cada uma delas.

10. Como apresentar a tese que se pretende defender num ensaio?

Nesse momento, deve-se apresentar a sua posição. Isso deve ser feito mostrando qual é a proposição que será defendida.

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Por exemplo: em relação ao problema de saber se a existência do mal é compatível com a existência de Deus, você pode tornar clara a sua posição começando por dizer, caso a sua resposta seja afirmativa, que defende a proposição expressa pela frase “Deus existe, apesar de haver o mal no mundo”, e explicar sucintamente o que isso significa. Em certos casos, é possível e desejável apresentar exemplos dos tipos de ideias que se quer defender.

11. Como explicitar, num ensaio, os argumentos a favor de uma proposição?

Deve-se apresentar cuidadosamente os argumentos a favor da proposição que se quer defender. É recomendável fazer uso de alguns argumentos tradicionais, discutidos por filósofos mais conhecidos.

Nesse caso, devemos nos concentrar apenas em dois ou três argumentos que nos pareçam ser os mais fortes e expô-los com as próprias palavras, tentando mostrar que são válidos e que as suas premissas são verdadeiras ou plausíveis. Um erro a ser evitado é pensar que não há necessidade de muita argumentação para defender uma proposição que é, para você, evidente: afinal, já a aceitamos.

Mas, muitas vezes, temos tendência a sobreestimar as nossas convicções. Assim, devemos partir do princípio de que o leitor (ainda) não aceita a nossa posição, e pensar o ensaio como uma tentativa de persuadi-lo.

12. Como apresentar as principais objeções ao que se pretende defender num ensaio?

É preciso enfrentar as principais objeções aos seus argumentos, quer indicando possíveis contra-exemplos ao que é afirmado em alguma das premissas, quer disputando a sua plausibilidade, quer questionando a validade dos próprios argumentos.

Você deve procurar as objeções que lhe parecem mais “fortes” e não escolher apenas as mais “fracas” e fáceis de responder. Nessa parte, devemos nos apoiar nas leituras que foram previamente recomendadas pelo professor.

Tornar-se profícuo, pois, apresentar as objeções com suas próprias palavras, e não limitar-se a citar os autores consultados. Dessa forma, você mostra compreender o que escreve.

13. Como responder às objeções num ensaio?

Uma vez apresentadas as objeções à sua tese, deve-se dizer o que há de errado com elas, ou como respondê-las.

14. Num ensaio, como o autor deve apresentar as suas “conclusões”?

Finalmente, deve o autor do ensaio resumir brevemente o seu argumento principal e expor as suas dúvidas, caso existam. Mesmo que se incline mais para uma das respostas concorrentes, não se deve hesitar em apresentar os seus “pontos fracos”.

Se lhe parecer haver razões para não tomar posição na disputa, deve-se, ainda assim, expor essas razões. É preciso ter em mente que nenhum argumento é mais “forte” do que a sua premissa mais “fraca”.

Enfim: você não deve apresentar seja o que não tenha sido dito anteriormente no corpo (desenvolvimento) do ensaio.

15. O que se avalia num ensaio?

A avaliação que se fará de um ensaio em nada depende do fato de corroborar ou não com a “conclusão” a que chega o autor do mesmo.

Se você pretende defender, por exemplo, que Deus existe, apesar de existir também o mal, a avaliação do seu ensaio em nada depende do fato de o seu professor ser ou não ser ateu.

É possível que não estejamos de acordo quanto ao que seria a melhor solução para o problema abordado, mas também não é difícil que se esteja em concordância sobre se a maneira como chega à solução apresentada é correta ou não.

  1. Em suma, ao avaliar um ensaio o professor deve, por exemplo, perguntar para si próprio:
  2. * O problema apresentado está corretamente formulado?
  3. * A importância do problema é mostrada pelo autor?
  4. * O autor explicita as principais teses concorrentes?
  5. * A tese que o autor defende é “óbvia” para o leitor?
  6. * Os argumentos apresentados são bons e não há falácias evidentes?
  7. * As principais objeções são explicitadas no ensaio?
  8. * As objeções apresentadas pelo autor são refutadas?
  9. * As “conclusões” expostas são coerentes em relação a premissas?
  10. * A prosa é fácil de ler e compreender?
  11. * As ideias são apresentadas de forma pessoal?

16. Como se classifica um ensaio?

É provável que o seu ensaio satisfaça alguns critérios totalmente, alguns parcialmente e, eventualmente, não satisfaça outros. Em geral, é possível argumentar que todos os critérios são importantes, mas não numa mesma escala de igualdade.

Pode-se observar, por exemplo, que tornar “óbvia”, para o leitor, a tese que se pretende defender no ensaio é mais importante do que estabelecer claramente a importância do problema de pesquisa, ou que é mais importante apresentar bons argumentos do que refutar as objeções. Mas, dificilmente estaríamos de acordo quanto ao que é mais importante.

Além disso, ainda que chegássemos a um sistema rigoroso de atribuição de “pesos” a cada um dos critérios estabelecidos, aplicá-lo poderia tornar a avaliação de um ensaio, de algumas páginas, uma tarefa quase impossível; sem contar que tal sistema poderia acabar por revelar-se inútil. Portanto, em matéria de avaliação, não há regras infalíveis.

Sendo assim, é possível classificar um ensaio científico como sendo péssimo, ruim, bom, ótimo ou excelente.

Face ao exposto, almejamos que as dicas aqui apresentadas possam, efetivamente, auxiliar professores e estudantes universitários de diferentes cursos de graduação e pós-graduação no processo de elaboração de ensaios científicos de viés filosófico.

Conforme dito anteriormente, trata-se apenas da exposição de algumas dicas, ou melhor, pistas didático-metodológicas; e não de “receitas” ou regras “engessadas”, uma vez que criatividade é o seu contrário.

Dizemos isso, porque entendemos que, para redigir um ensaio científico-filosófico, é preciso seguir alguns “passos” logicamente ordenados.

Ademais, o ensaio científico deve ser concebido como uma proposta de pretensão científica, dentro de certo raio de liberdade de expressão por parte do pesquisador.

Diz respeito a um texto opinativo-argumentativo, que pode ser mais ou menos formal, dependendo dos objetivos propostos. Todavia, faz-se imprescindível não exagerar na opinião pessoal, esquecendo a argumentação.

Por sua tendencial brevidade, o ensaio científico equivoca-se completamente quando permanece apenas em “achismos” subjetivos, “considerações gerais”, “reflexões frouxas”, “achegas que não chegam”.

Daí a importância de o pesquisador atentar para alguns cuidados didático-metodológicos específicos. Se bem escrito, um ensaio científico torna-se arte de primeira linha para a comunicação científica. Pensemos nisso, e “mãos à obra”.       

Referências

DEMO, P. Metodologia da investigação em educação. Curitiba: Editora do IBPEX, 2003. (Coleção Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Metodologias Inovadoras Aplicadas à Educação – modalidade a distância).

GOMES, B. F. Ensaios de pesquisa filosófica. São Paulo: Perspectiva, 1986.

GRANGER, G. G. Filosofia do estilo. São Paulo: Perspectiva/EDUSP, 1974.

MARTINS, R. B. Metodologia científica: como tornar mais agradável a elaboração de trabalhos acadêmicos. Curitiba: Juruá, 2004.

SANTOS, A. R. Metodologia científica: a construção do conhecimento. 5.ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2002.

SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. 22.ed. São Paulo: Cortez, 2002.

VITIELLO, N. Redação e apresentação de comunicações científicas. São Paulo: BYK, 1998.

VIVEIROS PINTO, A. Ciência e existência: problemas filosóficos da pesquisa científica. 2.ed. São Paulo: Paz e Terra, 1979.

(*) Marcos Pereira dos Santos é doutorando em Educação, linha de pesquisa “Ensino e Aprendizagem”, pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Escritor, poeta, cronista e articulista.

Professor adjunto de Filosofia Geral e Filosofia da Educação na Faculdade Sagrada Família (FASF), junto a cursos de graduação (bacharelado/licenciatura) e pós-graduação lato sensu, em Ponta Grossa – Paraná.

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