Dislexia O Que É E Como Identificar?

17 de setembro de 2018

  |  Tempo de leitura: 11 minutos

Dislexia é uma transtorno específico de aprendizagem, de origem neurobiológica. Trata-se  de um conjunto de sintomas, que resultam em pessoas com dificuldades com habilidades específicas de linguagem, particularmente a leitura.

A dislexia é caracterizada por uma dificuldade no reconhecimento preciso e/ou fluente da palavra, na habilidade de decodificação e em soletração.

Dislexia O Que É E Como Identificar?

Sintomas da dislexia

Os sinais de dislexia variam dependendo da idade. Se o seu filho tem um ou dois sinais, isso não significa que ele ou ela tem dislexia, mas ter vários dos sinais listados abaixo pode significar que seu filho deve ser avaliado por um profissional especializado.

A fase das primeiras palavras de uma criança é uma alegria na família: é encantador vê-la começando a se comunicar. Geralmente o pequeno pronuncia suas primeiras palavras por volta de um ano e as primeiras frases por volta de um ano e meio a dois anos. Um atraso na fala deve acender um sinal de alerta – pode ser o primeiro indicativo de dislexia.

“Crianças vulneráveis à dislexia talvez não comecem a pronunciar as primeiras palavras antes de cerca de um ano e três meses de vida. E talvez não pronunciem frases antes de completar dois anos”, diz a neuropsicóloga Márcia Lazzarotto Vizzotto, profissional parceira da Vittude.

O que é a Dislexia?

Definida como um distúrbio ou transtorno de aprendizagem na área da leitura, escrita e soletração, a dislexia é o quadro de maior incidência em salas de aula. E a pré-escola é, de certa forma, um divisor de águas para a identificação do distúrbio.

A aparente facilidade com a qual a maioria das crianças aprende a ler, contrasta fortemente com o dilema de um subgrupo surpreendentemente grande de crianças que tentam extrair o significado de palavras impressas.

De acordo com a definição da International Dyslexia Association (IDA, 2002), tal dificuldade ocorre “apesar de haver uma habilidade intelectual adequada e uma exposição a uma educação efetiva”.

“A dislexia é caracterizada por dificuldades de reconhecimento de palavras, de soletração, decodificação, lentidão na leitura e na escrita, inversão de letras e números e problemas de memorização.

O fracasso do desenvolvimento da leitura fluente (capacidade de ler um texto não somente com precisão, mas com rapidez e expressão adequada) também é uma característica do distúrbio que persiste na adolescência e idade adulta.

Trata-se de uma condição hereditária, com alterações genéticas, apresentando ainda alterações no padrão neurológico”, explica a neuropsicóloga Márcia Lazzarotto Vizzotto.

Reconhecimento e diagnóstico da dislexia

É preciso ficar atento ao desenvolvimento da criança de forma geral e se notar qualquer dificuldade, procurar orientação de especialistas. O diagnóstico e o tratamento da dislexia exigem a participação de equipe multidisciplinar, com profissionais como pedagogo, fonoaudiólogo e psicólogo.

Na Pré-escola

Uma criança em idade pré-escolar pode:

  • Ter problemas de aprendizagem de rimas; falta de interesse pelas rimas; palavras mal pronunciadas; dificuldade em aprender e lembrar o nome da letra; deficiência em saber o nome das letras de seu próprio nome.
  • Falar mais tarde do que a maioria das crianças.
  • Ter mais dificuldade do que outras crianças ao pronunciar as palavras.
  • Ser lento para adicionar novas palavras de vocabulário e ser incapaz de recordar a palavra certa.
  • Ter dificuldade em aprender o alfabeto, números, dias da semana, cores, formas, como soletrar e como escrever seu nome.
  • Demonstrar dificuldade ao tentar rimar palavras e reconhecer letras e fonemas.
  • Ser lento para desenvolver habilidades motoras finas. Por exemplo, seu filho pode levar mais tempo do que outros da mesma idade para aprender a segurar um lápis na posição de escrever, usar botões e zíperes e escovar os dentes.
  • Ter dificuldade em separar sons em palavras e misturar sons para fazer palavras.

No Jardim de Infância até a 4ª série

  • Possuem dificuldade em entender que as palavras podem ser divididas em partes;  dificuldade em associar letras a sons; incapacidade de ler palavras simples; reclamações de o quanto é difícil ler; histórico de problemas de leitura presente nos pais e irmãos.
  • Tem dificuldade em ler palavras simples que não estão cercadas por outras palavras.
  • Podem ser lentos para aprender a conexão entre letras e sons.

No Ensino Fundamental

  • Possuem discurso não fluente (pausas ou hesitações frequentes, muitos “hummm…”);
  • Não ser capaz de encontrar as palavras corretas, confundindo as que tenham a sonoridade semelhante; problema ao lembrar datas, nomes, números de telefone, listas; medo de ler em voz alta; desempenho fraco em testes de múltipla escolha;
  • Ter dificuldade em terminar provas no tempo estabelecido; problemas na leitura dos enunciados dos problemas matemáticos; leitura lenta e cansativa;
  • Apresentar deveres de casa incompletos e intermináveis; necessitam de ajuda para ler o enunciado; extrema dificuldade para aprender uma língua estrangeira.

No Ensino Médio e Faculdade

Estudantes no ensino médio e na faculdade podem:

  • Ler muito lentamente com muitas imprecisões.
  • Continuar a soletrar incorretamente, ou soletrar frequentemente a mesma palavra diferentemente em uma única parte de escrita.
  • Evitar testes que exigem leitura e escrita, e procrastinar em tarefas de leitura e escrita.
  • Ter dificuldade em preparar resumos e contornos para as aulas.
  • Trabalhar intensamente em tarefas de leitura e escrita.
  • Ter poucas habilidades de memória e completar o trabalho atribuído mais lentamente do que o esperado. 
  • Ter um vocabulário inadequado e ser incapaz de armazenar muita informação da leitura.

“A avaliação segue as regras determinadas pela definição de dislexia: uma dificuldade de leitura de uma criança ou adulto que em todos os outros aspectos possui boa inteligência, forte motivação e escolaridade adequada.

É um diagnóstico clínico que tem como base uma síntese já ponderada de informações – do histórico escolar da criança (ou do adulto), das observações de sua fala e leitura e dos testes de leitura e de linguagem”, explica Márcia.

Dislexia e os sinais mais comuns

A maioria dos disléxicos exibirá cerca de 10 dos seguintes traços e comportamentos. Estas características podem variar de dia-a-dia ou minuto-a-minuto. A coisa mais consistente sobre disléxicos é a sua inconsistência.

Geral

  • Crianças e adultos disléxicos podem se tornar ávidos e entusiastas leitores quando dadas as ferramentas de aprendizagem que se encaixam no seu estilo de aprendizagem criativa.
  • Aparece brilhante, altamente inteligente e articulado, mas incapaz de ler, escrever ou soletrar ao nível da classe.
  • Marcado como preguiçoso, mudo, descuidado, imaturo, “não tentando o suficiente” ou com “problema de comportamento”.
  • Não é “atrasado o suficiente” ou “ruim o suficiente” para ser ajudado no ambiente escolar.
  • Alto em QI (Coeficiente de Inteligência), ainda  que não seja academicamente bem avaliado. Vai bem em testes orais, mas não em testes escritos. 
  • Parece estúpido;
  • Tem baixa autoestima;
  • Esconde ou encobre suas fraquezas com estratégias compensatórias engenhosas; Facilmente frustrado sobre a leitura da escola ou a realização de testes.
  • Talentoso em arte, drama, música, esportes, mecânica, contador de histórias, vendas, negócios, projeto, construção ou engenharia.Parece viajar ou sonhar acordado muitas vezes;
  • Se perde facilmente ou perde a noção do tempo.
  • Dificuldade em manter a atenção.
  • Aprende melhor através da experiência prática, demonstrações, experimentação, observação e ajudas visuais.

Dislexia O Que É E Como Identificar?

Visão, leitura e ortografia

  • Queixa-se de tonturas, dores de cabeça ou dores de estômago durante a leitura
  • É confundido por letras, números, palavras, sequências ou explicações verbais.
  • Ao ler ou escrever mostra repetições, adições, transposições, omissões, substituições e reversões em letras, números e / ou palavras.
  • Queixa-se de sentir ou ver movimento inexistente durante a leitura, escrita ou cópia.
  • Parece ter dificuldade com a visão, mas exames oculares não revelam um problema.
  • Tem visão extremamente aguçada e é excelente observador. Possui falta de percepção de profundidade e visão periférica.
  • Lê e relê com pouca compreensão.
  • Soletra foneticamente e inconsistentemente.

 Audição e Discurso

  • Tem audição prolongada; Ouve coisas não ditas ou aparentes para os outros; É facilmente distraído por sons. 
  • Possui dificuldade em colocar pensamentos em palavras; Fala utilizando frases hesitantes; Deixa frases incompletas; Gagueja sob estresse; Pronuncia incorretamente palavras longas, ou transpõe frases, palavras e sílabas ao falar.

Escrita e habilidades motoras

  • Apresenta problemas com a escrita ou cópia; O aperto do lápis é incomum; A caligrafia varia ou é ilegível. 
  • É desajeitado, desordenado, possui dificuldade na prática de esportes de bola ou de equipe; Dificuldades com habilidades e tarefas motrizes finas e/ou grossas; Pode estar mais propenso à doenças. 
  • Pode ser ambidestro, e muitas vezes confunde esquerda/direita.
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Matemática e gestão do tempo

  • Tem dificuldade em gerenciar o tempo, aprender informações ou tarefas sequenciadas, ou estar no horário. 
  • Computação matemática mostra dependência na contagem de dedos e outros truques; Sabe respostas, mas não pode fazê-lo no papel. 
  • Pode contar, mas tem dificuldade em contar objetos e lidar com dinheiro. 
  • Pode fazer aritmética, mas falha em problemas de palavra. Tem dificuldade em compreender álgebra ou matemática superior.

Memória e Cognição

  • Possui excelente memória de longo prazo para experiências, locais e rostos.
  • Má memória para sequências, fatos e informações que não tenham sido experimentadas. 
  • Pensa principalmente com imagens e sentimentos, não sons ou palavras (pouco diálogo interno).

Comportamento, Saúde, Desenvolvimento e Personalidade

  • Extremamente desordenado ou compulsivamente ordenado.
  • Pode ser o palhaço da classe, um gerador de problemas (muito bagunceiro) ou extremamente quieto.
  • Pode possuir fases de desenvolvimento inusitadamente precoces ou tardias (conversando, rastejando, andando, amarrando sapatos).
  • Tendência a ter a infecções de ouvido; Sensíveis a alimentos, aditivos e produtos químicos.
  • Pode sofrer com insônia ou hipersonia; Pode estar propenso a urinar na cama em determinadas idades.
  • Tolerância incomumente alta ou baixa para a dor.
  • Forte senso de justiça;
  • Emocionalmente sensível;
  • Esforça-se para a perfeição.
  • Erros e sintomas aumentam dramaticamente com locais bagunçados, pressão do tempo, estresse emocional ou má saúde.

Famosos com Dislexia

Você sabia que muitas pessoas famosas possuem dislexia? Sabia que grandes gênios, músicos, pintores e atletas também possuíam ou possuem este diagnóstico?

Confira abaixo alguns famosos disléxicos:

  • Albert Einstein
  • Alexander Graham Bell
  • Henry Ford
  • John Lennon
  • Leonardo da Vinci
  • Muhammad Ali
  • Pablo Picasso
  • Walt Disney

Orientações aos pais

Quanto mais cedo se fizer um diagnóstico, mais rápido a criança poderá contar com ajuda de profissionais adequados (fonoaudiólogos, psicólogos especializados). Assim, muito provavelmente também se conseguirá evitar problemas decorrentes que atingem  a auto-estima. A psicoterapia ajudará seu filho a ter uma melhorar adaptação e mais qualidade de vida.

Se notar  a presença de algum sinal de dislexia, é fundamental conversar com o professor de seu filho. Mas não fique dependendo somente da escola para realizar uma avaliação. O pediatra pode fazer o encaminhamento para que seja feito um teste.

É fundamental que os pais, professores e principalmente a criança entendam a natureza do problema de leitura, para que ela desenvolva uma opinião positiva sobre si mesma.

“E muito importante: não subestime a criança ou reduza suas expectativas. Trate-a sempre como uma pessoa com muitas variáveis, não simplesmente como alguém que tenha um problema de leitura. Deixe que suas habilidades –  e não suas deficiências – a definam como pessoa!”, finaliza a neuropsicóloga Márcia Lazzarotto Vizzotto.

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* Texto atualizado em 21/04/2019

Tatiana Pimenta

CEO e Fundadora da Vittude. É apaixonada por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudiosa de temas como Psicologia Positiva e os impactos da felicidade na saúde física e mental.

Cursou The Science of Happiness pela University of California, Berkeley. É maratonista e praticante de Mindfulness. Encontrou na corrida de rua e na meditação fontes de disciplina, foco, felicidade e produtividade.

Você também pode me seguir no Instagram @tatianaacpimenta

Dislexia em crianças: saiba o que é e como identificar os sintomas

  • Os sintomas de dislexia, que é caracterizada como a dificuldade na escrita, na fala e no soletrar, normalmente são identificados durante o período de alfabetização na infância, quando a criança entra para a escola e demonstra maior dificuldade para aprender.
  • No entanto, a dislexia também pode acabar só sendo diagnosticada na idade adulta, especialmente quando a criança não frequentou a escola.
  • Apesar da dislexia não ter cura, existe tratamento para ajudar a pessoa com dislexia a superar, dentro do possível e das suas capacidades, a dificuldade na leitura, escrita e no soletrar.

Dislexia O Que É E Como Identificar?

Principais sintomas na criança

Os primeiros sintomas de dislexia podem surgir logo na primeira infância, incluindo:

  • Começar a falar mais tardiamente; 
  • Atraso no desenvolvimento motor como engatinhar, sentar e andar;
  • A criança não entende o que ouve;
  • Dificuldade em aprender a andar de triciclo;
  • Dificuldade em se adaptar à escola;
  • Problemas em dormir;
  • A criança pode ser hiperativa ou hipoativa;
  • Choro e inquietação ou agitação com frequência.

A partir dos 7 anos de idade, os sintomas de dislexia podem ser:

  • A criança demora muito tempo para fazer a lição de casa ou pode fazê-la rapidamente mas com muitos erros;
  • Dificuldade em ler e escrever, inventando, acrescentando ou omitindo palavras;
  • Dificuldade em compreender textos;
  • A criança pode omitir, acrescentar, trocar ou inverter a ordem e direção das letras e sílabas;
  • Dificuldade em se concentrar;
  • A criança não quer ler, principalmente em voz alta;
  • A criança não gosta de ir à escola, ficando com dor de barriga na hora de ir para a escola ou com febre em dias de testes;
  • Seguir a linha do texto com os dedos;
  • A criança esquece-se facilmente do que aprende e perde-se no espaço e no tempo;
  • Confusão entre esquerda e direita, cima e baixo, frente e atrás;
  • A criança tem dificuldade para ler as horas, para sequências e em contar, precisando dos dedos;
  • A criança não gosta da escola, da leitura, da matemática e da escrita;
  • Dificuldade em soletrar;
  • Escrita lenta, com letra feia e desordenada.

A criança disléxica também costuma ter dificuldade para andar de bicicleta, abotoar, amarrar o cordão dos sapatos, manter o equilíbrio e fazer exercícios físicos. Além disso, problemas na fala como trocar o R pelo L também ser causados por um distúrbio chamado Dislalia. Entenda melhor o que é a dislalia e como se trata.

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Principais sintomas no adulto

Os sintomas de dislexia no adulto, embora possam não estar todos presentes, podem ser:

  • Demorar muito tempo a ler um livro;
  • Ao ler, saltar os finais das palavras;
  • Dificuldade em pensar o que escrever;
  • Dificuldade em fazer anotações;
  • Dificuldade em seguir o que os outros dizem e com sequências;
  • Dificuldade no cálculo mental e na gestão do tempo;
  • Renitência em escrever, por exemplo, mensagens;
  • Dificuldade em compreender adequadamente o sentido de um texto;
  • Necessidade de reler várias vezes o mesmo texto para o compreender;
  • Dificuldade na escrita, com erros de trocas de letras e esquecimento ou confusão em relação à pontuação e gramática;
  • Confundir instruções ou números de telefone, por exemplo;
  • Dificuldade no planejamento, organização e manejo do tempo ou tarefas.

No entanto, geralmente, o indivíduo com dislexia é muito sociável, se comunica bem e é afável, sendo muito amigável.

Substituições comuns de palavras e letras

Muitas crianças com dislexia confundem letras e palavras com outras semelhantes, sendo comum ocorrer inversão de letras durante a escrita, como por exemplo escrever 'me' no lugar de 'em' ou 'd' no lugar de 'b'. No quadro a seguir indicamos mais exemplos: 

trocar o 'f' por 't'  trocar o 'w' por 'm'  trocar o 'som' por 'mos' 
trocar o 'd' por 'b'  trocar o 'v' por 'f'  trocar o 'me' por 'em'
trocar o 'm' por 'n'  trocar o 'sol' por 'los'  trocar o 'n' por 'u'

Outro fator que deve ser levado em consideração, é que a dislexia tem uma componente familiar, por isso a suspeita aumenta quando um dos pais ou avós já foi diagnosticado com dislexia anteriormente. 

Como confirmar o diagnóstico

Para confirmar que a pessoa tem dislexia é preciso realizar testes específicos que devem ser respondidos pelos pais, professores e pessoas próximas da criança. O teste consiste em diversas perguntas sobre o comportamento da criança nos últimos 6 meses e deve ser avaliado por um psicólogo que também dará indicações de como deve ser feito o acompanhamento da criança.

Além de identificar se a criança tem dislexia, pode ser necessário responder a outros questionários para saber se além da dislexia a criança possui alguma outra condição como o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, que está presente em quase metade dos casos de dislexia.

Dislexia: o que é, como identificar e qual o tratamento?

Trocar letras e sons para ler e escrever é o sinal mais famoso da dislexia. Saiba como identificar essa condição e quais são as formas de tratamento.

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Dislexia O Que É E Como Identificar?

Trocar letras e sons para ler e escrever é o sinal mais famoso da dislexia. Saiba como identificar essa condição e quais são as formas de tratamento.

Quando uma criança tem dificuldades para ler e escrever, é comum que pais e professores desconfiem da dislexia. Porém, essa condição vai além desse quadro, podendo afetar inclusive os adultos.

Segundo a Associação Brasileira de Dislexia, esse quadro acomete até 17% da população no mundo todo, atingindo duas pessoas do sexo masculino para cada pessoa do sexo feminino. Saiba mais sobre o assunto.

O que é dislexia?

É um distúrbio que causa dificuldades para ler e escrever. Dessa forma, embora a pessoa com dislexia tenha inteligência normal, o aprendizado das habilidades de leitura e escrita é prejudicado, afetando assim seu desempenho escolar.

Esse distúrbio tem origem genética, ou seja, é causado por alterações nos cromossomos que são passadas de geração para geração. Em função disso, mais de 80% das pessoas com dislexia têm familiares com essa mesma característica.

Essas alterações cromossômicas afetam a porção do sistema nervoso responsável por associar letras e sílabas aos seus respectivos sons e fonemas, criando assim as dificuldades para ler e escrever.

Contudo, essa condição não afeta outras funções do sistema nervoso, como a cognição e a acuidade visual. Por isso, a dislexia é classificada como um transtorno específico de aprendizagem.

Como identificar a dislexia

Ela costuma ser identificada na infância, especialmente quando a criança começa a ser alfabetizada. No entanto, como a condição se manifesta com intensidades variadas, casos mais leves podem ser diagnosticados apenas na adolescência ou até mesmo na vida adulta.

Os sinais mais comuns da dislexia incluem:

Dislexia em idade pré-escolar

  • Atraso na fala e na linguagem;
  • Desinteresse por livros e historinhas em material impresso;
  • Dificuldade em memorizar canções e rimas infantis;
  • Atraso no desenvolvimento da coordenação motora;
  • Dificuldade em monta quebra-cabeças apropriados para a idade;
  • Dispersão;
  • Troca de sons ao pronunciar palavras (“pipoca” x “popica”);
  • Dificuldade em nomear as cores.

Dislexia em idade escolar

  • Dificuldade em nomear letras e números;
  • Leitura em voz alta com muitas pausas e lentidão;
  • Medo de ler em voz alta;
  • Dificuldade para compreender frases e textos apropriados para a faixa etária;
  • Troca de letras com sons parecidos ao escrever (“b” e “p”, “d” e “t”, “f” e “v” etc.);
  • Muitos erros de ortografia, mesmo em palavras comuns e já conhecidas;
  • Dificuldade em apontar direita e esquerda;
  • Falta de concentração;
  • Desorganização com os estudos;
  • Dificuldade em manusear dicionários, mapas e outros materiais escolares;
  • Dificuldade e lentidão em copiar textos do livro ou da lousa;
  • Lentidão na produção de textos em relação ao esperado para a idade;
  • Vocabulário reduzido;
  • Discurso desorganizado (dificuldade para encadear ideias e expressá-las oralmente).

Diagnóstico da dislexia

Como os sinais da dislexia podem ser causados por diversas outras condições, o diagnóstico inclui avaliações e exames para diferenciá-la de outros transtornos, como problemas visuais, problemas auditivos, alterações neurológicas, déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e transtornos emocionais.

Por isso, além da avaliação com o médico neurologista, o diagnóstico do distúrbio pode incluir a avaliação psicológica e/ou psicopedagógica, exame de audiometria, exame oftalmológico, testes de fluência verbal e avaliação do desempenho cognitivo.

Qual é o tratamento da dislexia

A dislexia é uma característica genética, por isso não existe cura. Dessa forma, o objetivo do tratamento é oferecer suporte para que a pessoa supere as dificuldades na associação entre letras e sons e, assim, consiga lidar melhor com os obstáculos impostos pela condição.

As necessidades variam de pessoa para pessoa, por isso a melhor abordagem só pode ser estabelecida depois da avaliação individual. De modo geral, os recursos utilizados no tratamento da dislexia incluem:

  • Métodos de alfabetização próprios para pessoas com dislexia, como o método fônico e o método multissensorial;
  • Reforço escolar com professor particular;
  • Acompanhamento psicopedagógico;
  • Acompanhamento fonoaudiológico;
  • Estratégias para a adaptação da família da pessoa com dislexia.

É importante ter em mente que dificuldades de leitura e escrita nem sempre são sinal de dislexia e que somente a equipe multidisciplinar capacidade pode fazer o diagnóstico. Por isso, em caso de dúvida, utilize o site ou o aplicativo do MEDPREV para agendar uma consulta.

Fonte(s): Associação Brasileira de Dislexia, Saúde Abril, Drauzio Varella, Minha Vida.

Dislexia

Dislexia O Que É E Como Identificar?

Dislexia é um distúrbio causado por uma alteração cromossômica hereditária e que acomete de 0,5% a 17% da população mundial. Os sintomas tornam-se mais evidentes durante a fase da alfabetização.

Dislexia é um transtorno genético e hereditário da linguagem, de origem neurobiológica, que se caracteriza pela dificuldade de decodificar o estímulo escrito ou o símbolo gráfico.

A dislexia compromete a capacidade de aprender a ler e escrever com correção e fluência e de compreender um texto.

Em diferentes graus, os portadores desse defeito congênito não conseguem estabelecer a memória fonêmica, isto é, associar os fonemas às letras.

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De acordo com a Associação Brasileira de Dislexia, o transtorno acomete de 0,5% a 17% da população mundial, pode manifestar-se em pessoas com inteligência normal ou mesmo superior e persistir na vida adulta.

A causa do distúrbio é uma alteração cromossômica hereditária, o que explica a ocorrência em pessoas da mesma família. Pesquisas recentes mostram que a dislexia pode estar relacionada com a produção excessiva de testosterona pela mãe durante a gestação da criança.

Sintomas

Os sintomas de dislexia variam de acordo com os diferentes graus de gravidade do distúrbio e tornam-se mais evidentes durante a fase da alfabetização. Entre os mais comuns encontram-se as seguintes dificuldades:

  • Para ler, escrever e soletrar;
  • De entendimento do texto escrito;
  • Para de identificar fonemas, associá-los às letras e reconhecer rimas e aliterações;
  • Para decorar a tabuada, reconhecer símbolos e conceitos matemáticos (discalculia);
  • Ortográficas: troca de letras, inversão, omissão ou acréscimo de letras e sílabas (disgrafia);
  • De organização temporal e espacial e coordenação motora.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito por exclusão, em geral por equipe multidisciplinar (médico, psicólogo, psicopedagogo, fonoaudiólogo, neurologista).

Antes de afirmar que uma pessoa é disléxica, é preciso descartar a ocorrência de deficiências visuais e auditivas, déficit de atenção, escolarização inadequada, problemas emocionais, psicológicos e socioeconômicos que possam interferir na aprendizagem.

É de extrema importância estabelecer o diagnóstico precoce de dislexia para evitar que sejam atribuídos aos portadores do transtorno rótulos depreciativos, com reflexos negativos sobre sua auto-estima e projeto de vida.

Tratamento

Ainda não se conhece a cura para a dislexia. O tratamento exige a participação de especialistas em várias áreas (pedagogia, fonoaudiologia, psicologia, etc.) para ajudar o portador de dislexia a superar, na medida do possível, o comprometimento no mecanismo da leitura, da expressão escrita ou da matemática.

Veja também: Quem fala o que?

Recomendações

  • Algumas dificuldades que as crianças podem apresentar durante a alfabetização só ocorrem porque são pequenas e imaturas e ainda não estão prontas para iniciar o processo de leitura e escrita. Se as dificuldades persistirem, o ideal é encaminhar a criança para avaliação por profissionais capacitados;
  • O diagnóstico de dislexia não significa que a criança seja menos inteligente; significa apenas que é portadora de um distúrbio que pode ser corrigido ou atenuado;
  • O tratamento da dislexia pressupõe um processo longo que demanda persistência;
  • Portadores de dislexia devem dar preferência a escolas preparadas para atender suas necessidades específicas;
  • Saber que a pessoa é portadora de dislexia e as características do distúrbio é o melhor caminho para evitar prejuízos no desempenho escolar e social e os rótulos depreciativos que levam à baixa-estima.

Sinais de Alerta

Dada a natureza neurodesenvolvimental desta Perturbação da Aprendizagem Específica, as crianças com com Dislexia evidenciam um conjunto significativo de sinais de alerta e sintomas durante a infância e o início da idade escolar.

De seguida são apresentados alguns Sinais de Alerta da Dislexia na infância e em idade escolar para que pais, professores e educadores possam mais facilmente identificar estas possíveis alterações nos seus educandos.

Na eventualidade de identificar vários destes sinais de alerta e a criança manifestar dificuldades significativas nos processos de leitura e escrita é recomendado o encaminhamento da criança para uma avaliação especializada por profissionais [nomeadamente (neuro)psicólogos] com larga experiência neste âmbito.

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Sinais de Alerta durante a Infância

  • Atraso no desenvolvimento da linguagem. Começou a dizer as primeiras palavras mais tarde do que o habitual e a construir frases mais tardiamente.
  • Apresentou alguns problemas na linguagem durante o seu desenvolvimento, nomeadamente dificuldades em pronunciar determinados sons/fonemas (e.g., /r/, /l/, /ʃ/), linguagem “abebezada” para além do tempo normal, etc.
  • Na linguagem oral revelou dificuldades em construir frases lógicas e com sentido, as suas frases eram curtas e com palavras mal pronunciadas (com omissões ou substituições de fonemas).
  • Durante a pré-escola revelou dificuldades em memorizar e acompanhar as canções infantis, as lenga-lengas e demonstrou bastantes dificuldades nas atividades de rimas e de segmentação silábica das palavras.
  • Dificuldade em memorizar e recordar algumas letras, nomeadamente algumas do seu nome.
  • Apresentou dificuldades em tarefas de consciência fonológica (rimas, lenga-lengas, segmentação sílabica, etc.).
  • Presença de pessoas da família nuclear ou alargada com Dislexia ou com dificuldades de aprendizagem (hereditariedade da Dislexia).
  • Entre vários outros sinais (…).

Sinais de Alerta na Idade Escolar

  • Lentidão na aprendizagem da leitura e escrita. Desfasamento face à turma na aquisição das letras, sílabas e ditongos, bem como no reconhecimento de palavras.
  • Dificuldades de leitura e escrita: lentidão na aprendizagem e na memorização das letras, e na automatização dos processos da leitura e escrita.
  • Dificuldade em compreender que as palavras se podem segmentar em sílabas e fonemas (segmentação silábica e fonémica).
  • Dificuldades na consciência fonológica (segmentação fonémica e manipulação fonológica, etc.).
  • A velocidade da leitura é significativamente abaixo do esperado para a idade, muitas vezes silábica e por soletração.
  • Bastantes dificuldades na leitura, com a presença constante de erros (substituição, omissão, inserção e inversão de letras), fragilidades nos processos de descodificação e de reconhecimento de palavras.
  • Dificuldades na compreensão de textos devido à sua reduzida precisão e fluência leitora. Normal compreensão quando as histórias lhe são lidas.
  • A leitura e a escrita surgem com muitos erros, nomeadamente erros fonológicas (e.g., p-t, f-v, ch-j, nh-lh, ai-ia, …) e/ou erros lexicais (e.g., o-u, e-i, s-ss-c-ç-x, x-ch, z-s-x, c-qu, …).
  • Na escrita surgem fragilidades na organização/estruturação das ideias no texto, na construção frásica e no planeamento e revisão do texto.
  • Demora demasiado tempo na realização dos trabalhos de casa (uma hora de trabalho rende 10 minutos).
  • Utiliza estratégias e truques para não ler. Não revela qualquer prazer pela leitura.
  • Distrai-se com bastante facilidade, parecendo que está a “sonhar acordado”. Curtos períodos de atenção quando está a ler ou a escrever, cansando-se muito rapidamente. Esta desatenção poderá ser resultante de questões emocionais/motivacionais relacionadas com a leitura/escrita, mas também podem ser indicadores clínicos de Perturbação de Hiperatividade/Défice de Atenção (PHDA).
  • Os resultados escolares não são condizentes com a sua capacidade intelectual. Melhores resultados nas avaliações orais do que nas escritas.
  • Dificuldades em memorizar e processar informações verbais.
  • Muitas dificuldades na aprendizagem de uma língua estrangeira (Inglês).
  • Não gosta de ir à escola ou de realizar atividades com ela relacionada.
  • Apresenta “picos de aprendizagem”, nuns momentos parece assimilar e compreender os conteúdos curriculares e noutros momentos parece ter esquecido o que tinha aprendido anteriormente.
  • Entre vários outros sinais (…).

Rastreio e Intervenção Precoce

Apesar da existência de vários sinais precoces de Dislexia, de alterações neurofuncionais (observadas através de técnicas neuroimagiológicas) e de dificuldades significativas no processamento fonológico (consciência fonológica, nomeação rápida e memória de trabalho verbal) serem já claramente evidentes durante o período pré-escolar, o diagnóstico da Dislexia só pode ser efetuado após o início da aprendizagem formal da leitura e escrita.

Este diagnóstico na maioria da vezes ocorre (ou deveria de ocorrer) durante o 1º Ciclo do Ensino Básico.

De acordo com as recomendações de vários autores e instituições, é aconselhável que o diagnóstico formal da Dislexia não seja estabelecido muito antes de meados do 2º ano de escolaridade, pois dificuldades na fase inicial da aprendizagem da leitura/escrita podem ser banais pela sua frequência, pela necessidade de se ter que observar dificuldades persistentes (e não transitórias) na aprendizagem da leitura/escrita e para compreender se as dificuldades nos processos leitores/ortográficos não estão apenas associadas a um ligeiro atraso no desenvolvimento destas competências mas sim a um défice no seu desenvolvimento (que é o caso da Dislexia). 

Inversamente, um atraso na avaliação, identificação e diagnóstico da Dislexia poderá levar ao acumular de dificuldades nas várias áreas curriculares, a uma menor eficácia da intervenção e ao surgimento de significativas alterações emocionais.

De facto, é essencial que o rastreio (“screening”) dos sinais precoces de dificuldades na leitura e/ou de Dislexia e uma intervenção intensiva ocorra o mais cedo possível, pois está cientificamente comprovado que uma intervenção fonológica é mais eficaz no período pré-escolar e nos anos iniciais da escolaridade.

Ou seja, aos primeiros sinais de dificuldades na aquisição da leitura e/ou de Dislexia deveria de ser realizada uma avaliação especializada e uma adequada intervenção (idealmente no período pré-escolar ou nos anos iniciais da escolaridade), muito embora o diagnóstico definitivo da Dislexia seja recomendado que ocorra após, pelo menos, um ano (e meio) de frequência escolar. Esta intervenção precoce nas funções do processamento fonológico permite, não só, minimizar muitas das dificuldades na fase inicial da aquisição da leitura, bem como analisar a resposta da criança à intervenção (“response to intervention”) auxiliando, assim, a melhor clarificar o diagnóstico.

5 brincadeiras que ajudam a identificar dislexia em crianças

Com mais de 15 anos de atuação profissional nas áreas clínica e pedagógica, a especialista em dislexia Sheila Leal é idealizadora do Projeto Filhos Brilhantes, que produz conteúdo especializado em desenvolvimento infantil.

Questionada sobre a dislexia, que atinge 4% da população brasileira conforme uma pesquisa do Instituto ABCD, Sheila explica que este transtorno de aprendizagem não tem cura, mas quanto mais cedo for detectado, melhor poderá ser trabalhado pelos estímulos corretos, que vão diminuir os reflexos no processo escolar.

“Existem vários tipos de dislexia, bem como diversos graus”, explica a especialista, que lembra que é possível dar um diagnóstico após dois anos do início do processo de alfabetização.

A especialista alerta que a aquisição tardia da fala, dificuldades motoras e de memorização das cores, por exemplo, são elementos a serem observados até mesmo antes do processo de alfabetização.

“Problemas em guardar o nome dos objetos e dificuldade em aprender a cantar músicas reforçam algumas suspeitas”, destaca, alertando que o diagnóstico completo só é possível com uma equipe multidisciplinar, que inclui neuropediatra, fonoaudiólogo, neuropsicólogo e psicopedagogo.

“A forma ideal de encarar a dislexia é identificar as potencialidades da criança, para valorizar o que é positivo”, explica Sheila, que lista cinco brincadeiras que podem ser utilizadas para identificar uma possível dislexia.

Sheila ensina que uma das brincadeiras mais importantes na infância é o ato de desenhar. A coordenação motora e o esquema corporal, podem ser identificados e trabalhados através de um simples desenho. “Desenhe no chão, no papel kraft ou na cartolina, por exemplo, pois desenhos grandes permitem a exploração do papel”, explica.

“Observe se a criança tem dificuldade em pegar o giz, canetinha ou lápis”. A especialista sugere que os pais brinquem de adivinhar desenhos, e verifiquem se os pequenos se recusam a desenhar ou não sabem fazer objetos simples, como quadrados ou círculos.

Fique atento se o seu filho com 4 anos ainda tem dificuldades para executar esses movimentos solicitados.

ALERTA

Além das brincadeiras, Sheila indica uma prática importante para verificar como está o desenvolvimento das crianças de na faixa dos 6 aos 8 anos: fazer uma lista de supermercado com os itens que devem ser comprados – mesmo que seja apenas em forma de desenhos ou as letras iniciais – e que depois as compras sejam feitas em conjunto. “Peça que seu filho te ajude a encontrar os itens da lista”.

Por fim, a especialista adverte que os pais não devem rotular os filhos, nem com o diagnóstico dos profissionais, e jamais chamá-los de preguiçosos ou outro adjetivo semelhante. “Ao fazer isso, o sentimento negativo é enraizado, afetando a autoestima e prejudicando ainda mais o processo de leitura e escrita”, conclui.

Fonte: Assessoria de imprensa – Sigma Six Comunicação
Imagem: Nadezhda1906/Fotolia

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