Como Vomitar Tudo O Que Comeu?

Como Vomitar Tudo O Que Comeu?Foto Shutterstock

Uma estudante inglesa revelou que não ingere nada sólido há 16 meses. Isso aconteceu após ela desenvolver uma situação raríssima que faz com que vomite todas as vezes que come, revelou o jornal The Daily Mail. Jessica Newman, de 26 anos, conta que sua última refeição foi um frango ao curry em junho de 2017.

Depois de perder mais de 12 kgs em apenas um mês, os médicos acreditavam que ela podia ter intoxicação alimentar ou que fosse, inclusive, anoréxica. Mas exames revelaram que a estudante de música estava sofrendo de uma síndrome que comprimia as artérias do sistema digestório – condição que afeta apenas 500 pessoas no mundo todo.

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Para que não morresse de fome, ela precisou receber suplementação via sonda nasal, que levava o alimento até seu estômago durante 20 horas por dia.

Contudo, essa via estava incomodando muito, já que precisava levar os equipamentos para todos os lugares.

Após uma pequena cirurgia, agora ela recebe os nutrientes (cerca de 1500 calorias/dia) diretamente na veia, que faz com que os absorva mais rapidamente.

Agora, a esperança está em uma cirurgia que deve fazer com que a garota possa ter um jantar de Natal ao lado de sua família. “Minha primeira refeição será um pote imenso de enroladinhos de salsicha somente para mim”, disse.

“Eu sinto muita saudade de comer. Até mesmo quando não estou com fome, só quero um bom prato de comida. A pior parte é quando as pessoas estão comendo ao meu redor.

Quando meu namorado, Steve, senta ao meu lado para comer, apenas olho para aquilo, mas sei que não posso”.

Como tudo começou

Em junho de 2017, Jessica começou a vomitar depois de todas as refeições. Primeiramente, ela acreditou estar com alguma virose, mas continuou passando mal por semanas. Médicos estavam incertos sobre o que estaria acontecendo com a estudante, então recomendaram mudanças na dieta, o que não funcionou.

“Eu não conseguia segurar nada no meu estômago. Um médico em Londres salvou a minha vida quando fez um exame para ver as artérias do meu estômago.”

Enquanto estava internada no hospital The Princess Grace, Jessica foi diagnosticada com quatro síndromes que restringem as funções do sistema digestório. Elas fazem com que as artérias sejam comprimidas e beliscam as paredes do intestino.

Vomitar para emagrecer | Blog Psicoblog da Rede Globo

Como Vomitar Tudo O Que Comeu?

             A imagem do magro associada à beleza tornou-se padrão nas últimas décadas.  Por trás deste apelo há uma porcentagem alta da população que faz qualquer coisa para se encaixar nesta ditadura estética, seja entrando e saindo de dietas, radicalizando em exercícios ou qualquer  outro sacrifício que lhe dê o tão sonhado corpo ideal.

            Não há nada de errado em cuidar do corpo, mas é preciso reconhecer quando há exageros.  A preocupação obssessiva com o peso pode desencadear uma doença psiquiátrica denominada Bulimia.

Este Transtorno Alimentar caracteriza-se por ingerir grandes quantidades de comida  para, em seguida, expulsar através da indução do vômito ou pelo uso de laxantes e diuréticos. Tudo escondido da família.

Claro que estas formas compensatórias devem ocorrer de duas a três vezes por semana e num período de pelo menos três meses para diagnosticar o transtorno.

Há ainda outros comportamentos que estão incluídos nesta doença como a prática excessiva de exercícios físicos, sentimento de culpa após comer muito, além de prejuízos no trato digestivo, boca ou dentes.

Não é fácil identificar os sintomas da bulimia de imediato em uma pessoa uma vez que, geralmente, ela tem um peso adequado e um comportamento social equilibrado.  Mas é possível observar uma falha narcísica.

O bulimico busca a sua valorização através do reconhecimento de fontes externas.  Condiciona sua autoestima à aprovação do olhar do outro e o mínimo de frustração frente a isso causa ansiedade. Daí  ele busca formas exageradas de reduzir esta ansiedade. Comer pode ser uma delas e o vômito, ou outros métodos, vêm para reduzir o sentimento de culpa pelo imediatismo do ato.

Em uma cultura que prioriza a imagem, observa-se que os valores, a inteligência ou formas de pensar do individuo passam a não ter tanta importância. O ser tornou-se secundário e, para alguns, até mesmo descartável.  E muita gente aceita passivamente esta ideia.

Cuidar do corpo é importante, mas não deve ser uma ação desconectada de sentido. É preciso refletir as razões pelas quais o individuo quer melhorar sua aparência, desde que não ultrapasse a linha divisória do bem-estar. 

O culto do corpo perfeito não pode ser o ideal de felicidade.

  • Jô Alvim é psicóloga clínica. Mestre em Educação (UNESP). Especialista em Neuropsicologia (USP) e Gestão de Pessoas (UNOPAR). Apaixonada por comportamento, é professora de Graduação e pós-graduação.

Como Vomitar da Forma Mais Confortável Possível

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    Ninguém gosta de vomitar em público! Crises de vômito apresentam alguns sinais de aviso prévio: os lábios ficam pálidos, a pele sua mais que o normal, a boca começa a salivar e muitas pessoas ficam tontas. Se você sentir algo do tipo, vá ao banheiro o quanto antes para passar mal na privada ou, no máximo, em uma lata de lixo.[1]

    • Não é legal vomitar em pias, mas elas também são úteis em último caso.
    • Se você estiver em um lugar aberto, vá a uma área mais reservada e sem pessoas.
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    Afaste o cabelo do seu rosto quando você for passar mal. Se você tem cabelo longo, prenda-o em um rabo de cavalo antes de começar a vomitar. Caso isso não seja possível, pelo menos ponha os fios por baixo da gola da sua camiseta.[2]

    • Sempre é melhor e mais confortável pedir para uma pessoa de confiança segurar o seu cabelo!
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    É normal ficar um pouco cansado depois de vomitar. Deite-se e repouse por alguns minutos. Caso você precise beber mais água, sente-se para não engasgar.[5]

    • É normal vomitar várias vezes seguidas quando as crises são fortes. Fique perto do banheiro até você sentir que já expurgou tudo.
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    Você precisa reidratar o corpo depois de vomitar. Tente tomar algum fluido transparente e natural, como suco de fruta sem açúcar. Evite produtos ácidos, como frutas cítricas (laranja, maçã etc.), pois eles podem piorar a situação.[6]

    • Evite também alimentos oleosos, apimentados ou gordurosos enquanto você estiver passando mal ou se recuperando.
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    O seu estômago vai precisar de um tempinho. Mesmo que você se sinta melhor logo depois de vomitar, espere entre uma e duas horas antes de voltar a comer. O seu estômago precisa desse tempo para se recuperar mais.[7]

    • Se tiver comido muito, você provavelmente não vai sentir fome logo de cara. Nesse caso, fica mais fácil esperar um pouco.
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    Depois de vomitar, você precisa esperar um tempo antes de voltar a se alimentar normalmente. Até lá, é melhor comer apenas produtos leves, como banana, um pouco de arroz ou torrada — e somente se você sentir fome.[8]

    • Alguns médicos recomendam um período de espera de oito horas antes que a pessoa coma até coisas leves.
    • Volte a se alimentar normalmente depois de 24 a 48 horas.[9]
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    Ibuprofeno e paracetamol podem piorar o problema. Se você acabou de vomitar, espere até conseguir comer de novo antes de tomar qualquer medicamento. Analgésicos podem causar diarreia, o que pioraria o quadro de desidratação.[10]

    • Se você estiver cuidando do seu filho ou de outra criança pequena, consulte um pediatra antes de dar qualquer remédio.
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    A maioria das pessoas para de vomitar depois de algumas horas ou, no máximo, dois dias. Se você continuar passando mal após 48 horas, é hora de ir ao pronto-socorro. Caso esteja cuidando do seu filho pequeno, leve-o ao pediatra se o quadro não melhorar dentro de um único dia.[11]

    • Vá ao pronto-socorro imediatamente se você notar sinais de desidratação, como boca seca, vontade frequente de urinar, urina escura, fraqueza ou tontura.
    • Chame uma ambulância se você apresentar dor no peito, confusão, dor abdominal, sangramento pelo reto ou febre alta e ficar com o pescoço rígido.
  • Se você tem algum trauma de vomitar, tente se acalmar e respirar fundo. Lembre-se de que esse episódio é temporário!

Vômitos em crianças – Informações, especialistas e perguntas frequentes

Quase todos os bebês vomitam de vez em quando. Depois da amamentação, etc.

Quando uma criança fica doente, seu estômago não irá funcionar corretamente, não se esvazia tão rápido como de costume e isso faz com que o alimento seja expelido para o exterior. A criança vomita facilmente.

Vomitar é incômodo para a criança, mas raramente é perigoso.

O que faz vomitar?

Existem muitas razões pelas quais uma criança pode vomitar.

  • Se a quantidade é pequena e o bebê está OK, pode ser simplesmente porque a criança tem comido demais e vomita o que é ingerido em excesso.
  • Vômitos podem ocorrer em casos de indigestão, acompanhada muitas vezes com diarreia. Uma possível causa é uma infecção do estômago por um vírus.
  • Quando uma criança sofre de uma infecção no ouvido (otite), trato da garganta, vias respiratórias ou pulmões, trato urinário ou apêndice (apendicite), enquanto experimenta um aumento na temperatura (febre), também existem vômitos freqüentes.
  • Crianças sob forte estresse na escola ou em casa podem vomitar uma vez. Se isso acontece com mais freqüência, você deve consultar o seu médico.
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Como devo tratar vômitos em crianças?

  • Uma vez que a criança tenha vomitado, ajudar a lavar a boca com água, porque o vômito deixa um gosto azedo. Crianças pequenas que não sabem comer usamos um pouco de água de enxágüe.
  • Depois de vomitar, a criança geralmente sente frio, suado e cansado. Limpe o rosto com uma toalha úmida e deixe descansar. A maioria das crianças quer dormir depois de vomitar e isso é normal. Verifique em sua freqüência e estão prontos para ajudar se você se sentir mal novamente.
  • A amamentação deve ser mantida, mas se o vômito persistir, contacte o seu médico.
  • Se a criança é mais velha, pode ser benéfico não dar leite nem produtos lácteos por uns dias.
  • Certifique-se que a criança não está desidratada dando bastante líquidos para ela beber. Especialmente recomendado  diluir suco ou cola sem gás (ou removidos anteriormente com uma colher para removê-lo).
  • Não há necessidade de ingerir uma grande quantidade de líquido imediatamente depois de vomitar, porque o líquido pode irritar o estômago e que você faz errado de novo. Se a criança não tolera qualquer fluido, deixe descansar por algumas horas e tente, em seguida, dar pequenas quantidades, mas freqüentes.
  • Se, entretanto, a criança está com sede, dê-lhes pequenas quantidades de água com uma colher de chá.
  • O estômago tolera melhor se a água está muito fria. Se a criança quer beber demais ou com grande avidez, dê um cubo de gelo para el air chupando.

Como prevenir a desidratação?

  • Quando o vômito enquanto tiver diarréia, pode produzir uma perda excessiva de líquido. Esta condição não é grave se ele dura apenas alguns dias, mas se repetido ou prolongado, deve consultar o seu médico.
  • O seu médico poderá aconselhá-lo a comprar a partir de sua farmácia uma solução de carboidratos e eletrólitos, ou envelopes de pó para se preparar. A estas soluções adicionar uma água potável extras hidratante e sais que fornecem energia.
  • Uma alternativa menos desejável é você preparar a solução de reidratação oral diluído com limonada ou água adicionando um pouco de sal e açúcar. Adicionar a um litro de água 8 colheres de chá (40 gramas) de açúcar e uma colher de chá (5 gramas) de sal. Se a criança não melhorar em um ou dois dias, consulte o seu médico.
  • Se a criança estiver vomitando ou com diarréia persistente, contacte o seu médico.

Como você pode saber se o seu filho precisa de líquidos?

Verificar quantas vezes ele evacua. Se ainda usa em fraldas, você tem que contar a mudança. Outro sinal de desidratação é que a criança chora sem lágrimas. Olhe dentro da boca: a mucosa oral deve ser úmida e rosa, a língua deve ser úmida e ter saliva.

Se a criança se recusa a beber líquidos, você precisa chamar o médico.

Vômitos podem ser graves?

Em raras ocasiões, quando uma criança de três a cinco semanas de idade, de repente começa a vomitar repetidamente e violentamente, pode ocorrerestenose pilórica , que consiste em um fechamento ou estreitamento da saída do estômago (piloro) por um estritamento excessivo do anel muscular que a controla. Nestes casos, obter ajuda médica rapidamente. O transtorno pode requerer cirurgia, mas a recuperação é completa.

Uma imagem de vómitos graves em uma criança com menos de quatro anos pode ser devido à intussuscepção. As crianças podem levantar as pernas, pálidas e remover o sangue com os movimentos intestinais. É necessário consultar imediatamente um médico, mas a cirurgia nem sempre é necessária.

Se a criança está se comportando estranhamente, parece confusa ou com dificuldade de se comunicar, consulte o seu médico.

Escolha a consulta online para iniciar ou continuar o seu tratamento sem sair de casa. Se precisar, você também pode marcar uma consulta no consultório.

Mostrar especialistas Como funciona?

Vômitos em crianças na maioria das vezes não são uma doença, mas sim uma defesa da criança para eliminar algo contaminado ou estragado que tenha ingerido, ou fazem parte de doenças benignas e autolimitadas como gripes, resfriados ou gastroenterites agudas. Quando acompanhados de outros sintomas como dores abdominais intensas, ausência de evacuações, febre ou cefaleia, podem fazer parte de uma doença mais grave e a consulta com o médico deve ser mais urgente. O objetivo do tratamento é manter a criança hidratada, aumentando ingestão de líquidos como água, chás, água de coco e suco de frutas. Procure manter dieta normal e nunca o medique sem orientação de seu pediatra. Todos os conteúdos publicados no doctoralia.com.br, principalmente perguntas e respostas na área da medicina, têm caráter meramente informativo e não devem ser, em nenhuma circunstância, considerados como substitutos de aconselhamento médico.

Vomitar após comer é um distúrbio alimentar e não ajuda a emagrecer

Além de não evitar a absorção de calorias, devido à desidratação constante causada pelo vômito, o corpo ficará “inchado” piorando ainda mais seu problema

Bulimia é um distúrbio alimentar que afeta 4% da população mundial e está cada vez mais comum. Geralmente, quem tem a doença, ingere grande quantidade de alimentos, depois induz o vômito ou abusa de laxantes para provocar diarreia.

A ideia é tentar se livrar das calorias logo após a refeição para evitar o ganho de peso. Porém, vomitar para emagrecer é extremamente perigoso para a saúde, pois pode causar uma série de complicações. Além disso, o método não ajuda a perder gordura e pode, inclusive, deixar a pessoa mais gorda.

O que se vomita já está parcialmente digerido, ou seja, o organismo começa a absorver os alimentos  e as calorias a partir do momento em que entra na boca.

Como apenas água é eliminada durante o processo, além de não emagrecer, provavelmente o corpo ficará desidratado.

Os fluidos na alimentação, entretanto, têm muitos minerais e eletrólitos importantes que ajudam o coração e outros órgãos a funcionar corretamente.

Devido à desidratação constante causada pelo vômito, o corpo começa a armazenar muito mais água que o normal, deixando a sensação de “inchaço”. Isso dará a impressão de estar mais gordo, piorando ainda mais seu problema.

Sendo que, em um estado de desidratação, o corpo está muito mais propenso a episódios de compulsão alimentar, já que a sede crônica confunde o cérebro, convencendo-o de que você está com fome quando, na verdade, está apenas com muita sede.

Estudos científicos comprovam que mesmo após o vômito, depois de comer compulsivamente, achando que esvaziou o estômago, seu corpo ainda continua absorvendo até 75% das calorias consumidas.

Acredite: vomitar só vai te fazer comer mais. Devido aos seus efeitos sobre os hormônios e os níveis de açúcar no sangue. É um ciclo vicioso que só deixa a pessoa mais depressiva e com a saúde ainda pior. Um psicólogo, um educador físico e um bom nutricionista são os profissionais adequados para realmente ajudar a perder peso e vencer a compulsão alimentar.

A autoindução dos vômitos pode causar vários problemas de saúde, como: danificar o esôfago, o tubo que transporta o alimento da boca para o estômago, fazendo com que as paredes do orgão fiquem inchadas ou até mesmo rasgue, causando dores insuportáveis.

E com relação aos laxantes e diuréticos o raciocínio é o mesmo: perda de líquidos e sais minerais. Esses remédios podem provocar desidratação, redução dos níveis de potássio, cálcio e magnésio no sangue. Podendo causar arritmias cardíacas, fraqueza muscular, cansaço constante e até mesmo parada cardíaca.

Não há discussão, as pesquisas científicas são unânimes em afirmar que essa atitude é extremamente danosa ao organismo e metabolismo de uma pessoa. Se você, está forçando o vômito para tentar perder peso, pode parar, não vai te emagrecer. E caso você não consiga, procure ajuda de um profissional. Isso é um problema sério e que, se não for tratado, pode levar à morte.

Aí vai uma playlist do djraasanderson para te encorajar a levar um estilo de vida saudável.

Histórias de quem sofre de bulimia. “Cheguei a vomitar em caixotes do lixo e no meio da rua”

“Para mim, os alimentos são uma obsessão e compulsão. Há quem se refugie em álcool, drogas. Eu procuro conforto na comida”, começa por contar Ângela (nome fictício), de 49 anos, natural de Lisboa, à MAGG. “Tive fases em que comia às escondidas durante a noite.”

Atualmente a passar por uma fase de compulsão alimentar, tinha 13 anos quando teve o primeiro momento de bulimia. O episódio aconteceu depois de ter sido vítima de bullying na escola “por ser gorda”, numa altura em que pesava 47 quilos.

“Em jovem vomitava logo a seguir a comer, tanto que deixei de ter fome. Geralmente ia cuspindo a comida para os guardanapos. Fingia que limpava a boca. No fim, deitava fora e o que comia, vomitava. Tinha stocks de batatas fritas, pão, queijo e chocolates no meu quarto, no armário, para os ataques de fome”, recorda.

Segundo a médica Paula Pereira, a bulimia “é uma doença do comportamento alimentar. É um distúrbio alimentar. Caracteriza-se pela ingestão desregrada de alimentos, frequentemente sem controlo.

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Depois destes episódios existe uma tentativa de neutralizar o ganho de peso, pelo que a doente ou vomita ou toma laxantes e até diuréticos. O mais comum é a indução do vómitos após a refeição.

Depois, habitualmente, também adota dietas extremamente restritivas.”

Secretária de profissão, Ângela, que também “sempre” sofreu de depressão, recorda que naquele tempo existiam locais próprios onde se ensinava como vomitar, como fazer jejum ou como deixar de comer. “Penso que ainda devem existir, mas lembro-me de pesquisar esses sítios.”

Os pais “não sabiam o que se passava”, uma vez que era uma época em que não se falava destes temas. “Estávamos por nossa conta, os pais não faziam ideia.

Não se falava sequer de depressão, nem de bullying. Aliás, naquela altura não se falava de grande coisa com os pais.

Se eu aparecia em casa depois de ser fisicamente agredida, era porque tinha andando à bulha. Eram fases de uma adolescente.”

Pedro Brás, psicoterapeuta na Clínica da Mente, entende que a bulimia é uma junção de outras duas perturbações: por um lado, uma vontade “extrema” de não engordar ou de emagrecer “excessivamente” e, por outro, a compulsão alimentar.

“O que origina esta fobia de engordar é, na maior parte dos casos, o bullying sofrido na infância, em que as pessoas são ou foram alvo de gozo por causa do seu peso e da sua imagem corporal”, explica.

Estas situações criam “estados de angústia tão fortes” que levam as pessoas a fazer um “controlo da ingestão alimentar para emagrecer, começam a não gostar do seu corpo e entram em dietas muito severas”.

Agora, a pressão ainda é pior porque na altura não havia internet. Hoje em dia é a pressão da televisão, da internet, dos vídeos de música, das Kardashians”

No caso de Ângela, a bulimia e a anorexia andaram de mãos dadas. Com 15 anos chegou a pesar 39 quilos. Deixou de ter menstruação e o seu corpo cobriu-se de penugem — alguns doentes com anorexia podem desenvolvê-la para que o corpo permaneça aquecido.

“Quando o meu médico me disse que ou começava a comer ou me internava, comecei a comer. Aí ganhei peso e comecei novamente a comer demais.” Sofreu de anorexia durante quase dois anos, quando a bulimia regressou. Só viria a atenuar-se quando tinha 22 anos. Ângela ficou com problemas de rins e de tiroide para toda a vida.

Para a secretária natural de Lisboa, a sociedade daquele tempo também exercia uma certa “pressão”. “Eram as supermodelos e algumas atrizes.

Lembro-me de criar um ódio de estimação à Kate Moss, e depois quando a Angelina Jolie apareceu num videoclipe dos RollingStones: eram altas, lindas e tinham uma vida perfeita — pensava eu — e eu era gorda, tinha acne e era uma geek que estudava e lia livros tanto como comia.”

Na opinião de Ângela, atualmente a pressão continua a existir. E até com mais força. “Agora, a pressão ainda é pior porque na altura não havia internet. Hoje em dia é a pressão da televisão, da internet, dos vídeos de música, das Kardashians. A inteligência não conta para quase nada, o que importa é ter o corpo como o das pessoas famosas.”

Assim que entro numa fase mais depressiva, volto à comida. É automático. É o meu conforto instantâneo.”

Os episódios de bulimia voltaram “em força” quando Ângela tinha 40 anos, ao mesmo tempo que estava a passar por uma crise depressiva que durou cerca de três anos. Ao longo de todo este tempo nunca teve apoio psicológico em relação aos distúrbios alimentares, apenas para a questão depressiva.

No entanto, e apesar de a compulsão alimentar continuar, neste momento está numa “fase boa”. Vai conversando com quem “passa pelo mesmo” e encontrou no ioga um “refúgio”. “Pouco a pouco [o ioga] vai-me reconciliando com o meu corpo, com os meus traumas e com a parte da minha mente que não me ama e me trai.”

Ainda assim, é necessário manter a vigilância. “Assim que entro numa fase mais depressiva, volto à comida. É automático. É o meu conforto instantâneo. Mas neste momento estou numa fase tranquila q.b., consigo ser racional e controlar tudo.”

“O ‘vamos jantar e falamos sobre isso’ é uma frase deliciosa para a maior parte das pessoas, mas para mim é aterrorizadora”

“Tenho a memória vivida da primeira vez que vomitei. Foi na casa de banho da cave da casa de férias da minha família, que era de apoio a um pequeno quarto de hóspedes.

Nunca ninguém ia lá, pelo que, em certa medida, eu tinha mais ou menos consciência de que estava a fazer uma coisa errada, que aquele não era um comportamento normal”, começa por relatar Joana Marques, de 35 anos, à MAGG.

“Inicialmente foi difícil, porque provocar o vómito sem ter a ajuda do organismo — enjoos, náuseas, etc. — não é fácil. Nos primeiros tempos levava os dedos à boca e só posteriormente é que me ‘treinei’.”

O episódio aconteceu no verão de 1997 e Joana, à semelhança de Ângela, também tinha 13 anos. “Tinha atingido o máximo do meu peso — 85 quilos. Embora fizesse desporto com regularidade, uma vez que era atleta federada numa escola de ténis, era incentivada a comer, muitas vezes mais do que o necessário.”

Sinto que a bulimia é sempre ‘uma fase mais complicada’ devido ao desgaste psicológico que implica estar sempre em alerta para que ninguém desconfie do que se passa connosco e à energia despendida a inventar estratégias perante situações que fogem à rotina”

Joana inspirou-se na série televisiva “Models, Inc.”, emitida em Portugal em 1995, mais precisamente numa cena em que uma modelo se dirigiu para a casa de banho para vomitar, porque tinha ganho peso e precisava de emagrecer para conseguir competir com as restantes modelos.

“Juntando as peças, na altura pareceu-me a solução perfeita: podia comer tudo o que queria e gostava, vomitar de seguida e não engordar.” Começou a perder peso e um ano depois já tinha menos 20 quilos. A perda de peso não suscitou desconfiança, e foi associada à “mudança de idade”, ao “pulo que os adolescentes dão”.

“Nos primeiros anos comia de forma descontrolada, sem me preocupar se os outros percebiam que estava a comer exageradamente. Quando comecei a perder peso de uma forma rápida e repentina, comecei a ser mais cautelosa, porque já tinha consciência de que não era verosímil continuar a comer compulsivamente à frente de todos e perder peso, pois sempre tive tendência para engordar.”

  • De acordo com o psicoterapeuta Pedro Brás, uma pessoa que sofre de bulimia:
  • — Come excessivamente (uma pessoa bulímica pode comer 15 pães de uma vez só, por exemplo);
  • — É alguém que come excessivamente e não engorda;

— Ausenta-se sempre da mesa antes das refeições acabarem. Normalmente está sempre a arranjar desculpas para sair do contacto social para ir à casa de banho.

Foi então que entre os 15 e 16 anos, Joana Marques passou para a restrição alimentar, em que comia uma maçã e um iogurte por dia, por exemplo. Nas refeições em família ou com amigos vomitava o que ingeria. Para si, não havia “outra hipótese” sem ter que dizer que tinha uma doença.

“Foi a partir desta altura que passei a ter comigo uma banana ou uma barra de cereais, que comia às escondidas na casa de banho, quando me levantava da mesa para ir ‘fazer um xixi’.

” Na realidade, Joana ia vomitar e o que comia nesse dia ou noite era o “alimento SOS” que tinha consigo para não desmaiar de fome ou ter sintomas de fraqueza.

“Sinto que a bulimia é sempre ‘uma fase mais complicada’ devido ao desgaste psicológico que implica estar sempre em alerta para que ninguém desconfie do que se passa connosco e à energia despendida a inventar estratégias perante situações que fogem à rotina”, refere.

Apanhei sustos de morte em sítios nos quais a força do autoclismo não era suficiente para fazer com que a comida desaparecesse e houve vezes em que ‘aquilo’ ficou tudo a boiar e sujeito a ser visto pela pessoa que estivesse à espera”

Pedro Brás, psicoterapeuta na Clínica da Mente considera que, de todas as perturbações alimentares como a anorexia e a obesidade, a bulimia é das “piores”. “Primeiro, porque a pessoa está confortável com este estado: come o que quer e não engorda.

Depois, a maior parte das pessoas que vem à clínica fá-lo porque os dentes estão a ficar estragados, ou porque o marido a chateia muito com isso, ou seja, não há uma vontade genuína na mudança e no tratamento.

E, mesmo fisicamente, ao olhar para uma pessoa com bulimia, ninguém se apercebe de que está a passar por um distúrbio.”

As horas das refeições em família eram “sempre momentos de ansiedade e de tensão”. Joana sabia que o seu comportamento não era “normal” e “descontraído” e, como tal, estava “psicologicamente ausente” do convívio e das conversas que sucediam à mesa.

“Num dia muito mau podia chegar a vomitar meia dúzia de vezes: pequeno-almoço, almoço e jantar. Nos intervalos, se tivesse acessos de compulsão alimentar comia e vomitava várias vezes todo o tipo de comida de plástico ou de má qualidade que conseguisse comprar — chocolates, batatas fritas, bolos, etc..

Por várias vezes aconteceu estar em sítios onde não havia casa de banho ou nos quais estava avariada. Cheguei a vomitar em caixotes do lixo e no meio da rua.

Apanhei sustos de morte em sítios nos quais a força do autoclismo não era suficiente para fazer com que a comida desaparecesse e houve vezes em que ‘aquilo’ ficou tudo a boiar e sujeito a ser visto pela pessoa que estivesse à espera.”

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O psicoterapeuta Pedro Brás não consegue constatar se existe um aumento no número de casos de bulimia, uma vez que “quem sofre desta patologia vive assim durante anos em segredo”.

Mas há quem tenha outra opinião: Paula Pereira, médica no Hospital Lusíadas do Porto, considera que pela sua experiência clínica se tem assistido a um aumento no número de casos de bulimia.

“São cada vez mais frequentes”, diz.

Para além de também se verificarem casos no sexo masculino, este distúrbio alimentar tem uma maior prevalência nas jovens do sexo feminino. Segundo a médica, há ainda a questão da hereditariedade, isto é, “se houver distúrbios alimentares na família direta, elas [jovens] têm maior probabilidade de também vir a desenvolvê-los”.

Joana, agora jornalista freelancer e assistente pessoal, conseguiu esconder o problema dos familiares e amigos durante vários anos. Só aos 22 anos é que pediu ajuda pela primeira vez e contou à mãe. Foi então que começou a ser acompanhada por um psiquiatra. Mas “pedir ajuda não é a mesma coisa do que querer ser ajudada”.

A jovem foi medicada com fluoxetina — um antidepressivo utilizado para o tratamento da bulimia —, que acabava por não tomar quando a mãe não estava em casa; quando tomava, vomitava de seguida.

“Olhando para trás, não consigo perceber como é que enganei toda a gente que sabia da minha bulimia, inclusivamente o psiquiatra, que acabou por me dar alta cerca de um ano depois, como se a doença estivesse controlada.

” Desde os 13 anos e até ao momento, Joana Marques já passou por três psiquiatras e confessa que a medicação tem sido uma “grande ajuda” no controlo da bulimia e da sua vida.

De acordo com o psicoterapeuta Pedro Brás, a psicoterapia é o tratamento mais indicado nos casos de bulimia. “O psicoterapeuta vai tentar descobrir as causas da fobia a engordar, o que nestes casos é uma patologia, uma perturbação no ato de engordar, por exemplo, 100 gramas. Depois a psicoterapia também pode ajudar a controlar os apetites da alimentação excessiva.”

A jornalista e assistente pessoal não tem dúvidas em afirmar que, durante mais de 20 anos, a bulimia a “afastou do mundo real” e de tudo o que acontecia à sua volta, bem como da sua vida social que, segundo a própria, em Portugal se faz em grande parte à mesa.

Para Joana, era e é mais “fácil” ficar em casa, afastar-se dos amigos, das saídas à noite e dos convívios como uma “simples” ida ao café, do que ter que lidar e enfrentar o imprevisível.

Pode haver sempre alguém que pergunte se “queremos mais alguma coisa para além do café — um bolo”.

  1. Segundo a médica Paula Pereira, há sinais e sintomas físicos que vão surgindo:
  2. — Erosão dentária;
  3. — Queimor retroesternal (resultante do refluxo do ácido gástrico para a boca);
  4. — Sintomas pouco específicos como: cefaleia, dor torácica, falta de ar e azia.

“O ‘vamos jantar e falamos sobre isso’ é uma frase deliciosa para a maior parte das pessoas, mas para mim é aterrorizadora.

Se antes de estar em tratamento era um tormento comer fora de casa porque cheguei a uma altura em que acabava sempre comigo dobrada sobre mim mesma e com a cabeça enfiada numa sanita, hoje em dia a ‘tortura’ é diferente.

Ainda não consigo comer de tudo com conta, peso e medida, e perco muito tempo a ver previamente as ementas de potenciais restaurantes. Só fico descansada se existirem opções 'saudáveis' e que não me engordem.”

Joana deixou de fazer “praticamente tudo” que implicasse ir para longe da sua zona de conforto e do espaço onde ela conseguia ter um certo controlo sobre as “implicações comportamentais que um bulímico enfrenta”: assegurar com “certeza absoluta” de que há sempre uma sanita por perto e ter novamente a “certeza absoluta” de que esta funciona. Viajou muito, ainda que fossem férias curtas. Nunca fez Erasmus e recusa-se a acampar ou a ir a festivais.

Bulimia: Medo de engordar pode ser sinal de transtorno alimentar

O medo mórbido de engordar faz parte do quadro de bulimia. E comer exageradamente também. Quem tem esse transtorno alimentar pode devorar até 15 mil calorias de uma só vez. Logo depois, corre ao banheiro para vomitar ou usa medicamentos para tentar eliminar o que comeu.

Algumas dessas pessoas fazem uso exagerado de laxantes, diuréticos, hormônios da tireoide ou praticam exercício de forma excessiva.

Para o diagnóstico de bulimia nervosa é necessário haver ataques de comilança – o que os especialistas chamam de “episódio do comer compulsivo” -, pelo menos duas vezes por semana, ao longo de três meses seguidos, de acordo com a definição da Associação Americana de Psiquiatria.

Auto-imagem distorcida

O bulímico sempre pensa que está gordo – mesmo se, como costuma acontecer, apresenta peso normal. E a doença demora a ser descoberta por familiares ou pessoas mais próximas.Quem tem bulimia, disfarça o problema.

Sabe que seu comportamento é absurdo, mas não tem controle sobre ele, come de forma compulsiva e depois provoca o vômito. É comum entre os bulímicos o hábito de esconder comida no quarto, para futuros episódios.

Bulímicas – a maioria dos casos é de mulheres – têm humor depressivo, baixa auto-estima e vivem tentando perder peso com dietas radicais, fazendo jejuns. Também podem evitar ter vida social porque sabem que seu comportamento está fora da normalidade.

  • Sinais de alerta da bulimia
  • O peso permanece dentro dos limites normais para 70% dos pacientes com bulimia, porém, seus organismos se ressentem bastante da falta de nutrientes causada pelos episódios repetidos de vômito.

Alguns sinais podem aparecer, como ferimentos ou calos nas costas das mãos, provocados pelo hábito de colocar o dedo na garganta para induzir o vômito. “Outro traço evidente é a queda de unhas e dentes por causa do contato constante com os efeitos corrosivos do suco gástrico do vômito”, diz o especialista em odontologia clínica Fausto Eduardo Lang, de São Paulo.

Depoimentos ajudam a vencer preconceito

A atriz Jane Fonda, que se tornou guru da forma física com um programa de aeróbica, sofreu de bulimia, de 1950 a meados dos anos 1970. “Por 25 anos, eu não conseguia colocar um garfo de comida na boca sem sentir medo”, disse ela em um programa de televisão sobre transtornos alimentares.

Nos anos 1980, a princesa britânica Diana, a Lady Di, morta em 1997, sofreu de anorexia e bulimia, que chamou de “mal secreto” em sua autobiografia, de 1995.

Seu testemunho público sobre sua luta contra o distúrbio ajudou milhares de mulheres a enfrentar o problema e procurar tratamento, na Europa, de acordo com um estudo do Instituto de Psiquiatria de Londres.

  1. Depois da publicação do livro, deu-se o chamado “efeito Diana” e as pessoas perceberam que podiam procurar tratamento: os casos declarados de bulimia passaram de 25 a cada 100 mil mulheres em 1990 para 60, em 1996 – e a busca por ajuda médica continua a crescer.
  2. O que desencadeia a bulimia?

Muitos fatores podem desencadear a bulimia. Há relatos de pessoas que descontam as frustrações do cotidiano na comida, e depois vomitam para se sentirem aliviadas de seus problemas. Nesses casos, a causa da bulimia não é o desejo de emagrecer, mas sim a vontade de “descontar” frustrações. Por isso, a bulimia é também conhecida como bulimia nervosa.

Também há relatos em que a bulimia está relacionada com a anorexia – a paciente vomita o pouco que come. A maioria dos casos acontece entre 18 e 20 anos de idade, em mulheres com peso normal, mas que buscam ficar o dia inteiro fazendo dieta ou controlando o seu peso.

Os problemas que a bulimia traz

O ato de vomitar, tomar laxantes e diuréticos de forma constante por meses ou anos seguidos, gera graves problemas de saúde e pode levar à morte, por parada cardíaca ou hemorragia.

Muitas vítimas da bulimia só procuram tratamento quando estão com esofagite (inflamação do estômago), gastrite, sangramentos intestinais (devido ao uso excessivo de laxantes), ou com alterações dentárias – os dentes estragam por causa do contato com o ácido do estômago.

Existem outros problemas que andam junto da bulimia, como a depressão e a ansiedade.Se, ao olhar-se no espelho, você fica com a impressão de estar gorda (embora esteja no seu peso normal), cuidado. Você tem o que os médicos chamam síndrome parcial.

Nesse caso, as chances de desenvolver transtornos alimentares como a bulimia são vinte vezes maiores e é indicado procurar ajuda médica.

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