Como Sei Que Abortei Primeiro Mês?

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*Tradução: Juliana Secchi

Pode ser estressante que sua menstruação comece mais tarde do que o esperado. Apesar de que a duração do ciclo menstrual pode variar, algumas pessoas podem se preocupar que sua menstruação atrasada seja na verdade um aborto espontâneo bem no começo.

Um aborto espontâneo ou a perda da gravidez nas primeiras 20 semanas (1) é muito comum. Pelo menos 1 em cada 3 gestações terminam em aborto espontâneo (2), apesar de que as pessoas nem sempre sabem que estão grávidas quando isso acontece.

Às vezes o óvulo se prende apenas por um período curto de tempo e então é perdido. A maioria das pessoas nem saberia que estão grávidas nesse cenário.

Estima-se que cerca de 1 em cada 5 gestações clinicamente reconhecidas, isto é, gestações que a maioria das pessoas tomaria conhecimento e que geralmente levam a pular uma menstruação, terminam em aborto espontâneo (2, 3).

Abortos espontâneos são mais comuns nas primeiras seis semanas de gestação, se tornando menos prováveis na medida em que a gravidez avança (2, 3). Se a perda de uma gravidez ocorre, é mais provável que aconteça no primeiro trimestre (as primeiras 13 semanas por idade gestacional) (4).

Quando acontece um aborto espontâneo antes que uma pessoa saiba que está grávida, pode ser difícil distinguir entre uma menstruação normal e um aborto espontâneo.

Sintomas coincidentes de menstruação e aborto espontâneo podem incluir:

  • Sangramento, sangramento intenso ou sangramento além do normal
  • Cólicas
  • Dor (1, 4-7).

Em um aborto espontâneo, você também pode notar:

  • Redução ou desaparecimento dos sintomas da gravidez (por exemplo, náusea, vômito) (5)
  • Sinais de estar doente, como febre (se o aborto espontâneo for causado por uma infecção) (5, 6)

Se você menstruar menos de duas semanas após o início esperado da sua menstruação, fica difícil saber se é uma menstruação atrasada ou um aborto espontâneo. Abortos espontâneos dentro desse prazo não costumam apresentar sangramento mais intenso ou de maior duração (7).

Além disso, pessoas que perdem a gestação cedo assim (isto é, menos do que ou igual a duas semanas após o início esperado da menstruação) têm muita pouca probabilidade de apresentar complicações.

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Quanto mais tarde na gravidez ocorrer um aborto espontâneo, mais diferente ele será de uma menstruação

O sangramento de um aborto espontâneo mais tardio vai conter tecido fetal e os coágulos de sangue provavelmente serão maiores do que os que ocorrem durante menstruais normais. O tecido provavelmente terá aparência diferente do sangue menstrual em cor (por exemplo, cinza), consistência/textura e formato.

Aborto espontâneo e fertilidade

Embora os abortos espontâneos que acontecem por volta de uma menstruação não representem uma ameaça à saúde de uma pessoa, as pessoas podem se preocupar com as chances de ter uma gravidez saudável no futuro.

Como os abortos espontâneos precoces acontecem com bastante frequência e muitas pessoas que passam por esse tipo de aborto nem sequer sabem que abortaram, é improvável que um único aborto espontâneo precoce que ocorra antes mesmo de ter sido detectado tenha implicações na fertilidade a longo prazo. Muitas pessoas que perdem a gravidez, mesmo mais tarde na gestação e várias vezes, podem ter uma gravidez saudável no futuro (2, 6, 8).

Se você tem preocupação com a possibilidade de estar passando por uma gravidez e quer saber se o seu sangramento é um aborto espontâneo ou uma menstruação normal, faça um teste de gravidez ou consulte profissionais de saúde.

Como Sei Que Abortei Primeiro Mês?Oi, eu sou a Steph! Enviaremos histórias educativas e curiosas sobre saúde feminina, além de compartilhar dicas e truques para você aproveitar o Clue app ao máximo!

Quando fazer um teste de gravidez?

Se sua menstruação está atrasada, você está tentando engravidar ou tem a preocupação de que a gravidez já tenha acontecido e não tem certeza se deve fazer um teste de gravidez, considere o seguinte:

Você está em risco de gravidez se teve sexo intravaginal desprotegido ou teve alto risco de esperma ter tido contato com suas genitais. O risco varia durante o ciclo.

Para pessoas com ciclos regulares (por exemplo, o período entre menstruações raramente varia entre mais do que dois dias), a exposição ao esperma apresenta o maior risco de gravidez desde o meio do ciclo até cerca de duas semanas antes da previsão da menstruação, porque é quando a maioria das pessoas ovula. Isso só funciona de uma forma geral e pode não refletir um determinado ciclo. Portanto, você não deve confiar nessa estimativa aproximada para a prevenção da gravidez.

(Observe que o dia da ovulação e a janela de fertilidade exibida no Clue são apenas uma estimativa. O dia real da ovulação pode acontecer num momento diferente que pode variar de ciclo para ciclo, juntamente com a data de início da sua menstruação.)

A exposição ao esperma no início ou no final do ciclo, de forma geral, apresenta menor risco de gravidez, porque é menos provável que uma pessoa tenha ovulado próximo ou durante esses dias.

Você deve fazer um teste de gravidez ou entrar em contato com seu profissional de saúde se sua menstruação estiver com nove ou mais dias de atraso.

Se você deseja fazer um teste de gravidez antes disso, geralmente é recomendável aguardar pelo menos duas semanas após o dia estimado da sua ovulação, ou aproximadamente quando você espera menstruar.

Para obter resultados mais precisos, é melhor aguardar alguns dias após a data esperada da sua menstruação. Alguns testes de gravidez anunciam que você pode fazê-los antes disso, mas quanto mais cedo você faz o teste, menos preciso é (9).

Depende de você se deseja realizá-lo mais cedo.

Se você tem um ciclo irregular (ou seja, você não sabe quando sua menstruação acontecerá e a diferença entre o seu ciclo mais longo e o mais curto é de mais de 7 a 9 dias), sexo desprotegido ou exposição ao esperma em seus genitais na maioria das vezes representa um risco maior, já que é mais difícil de estimar quando a exposição aconteceu. Você pode fazer um teste de gravidez cerca de duas semanas depois de sua última relação sexual desprotegida, embora esperar mais alguns dias ajude a melhorar a precisão dos resultados.

Se você estiver usando uma forma de contraceptivo natural (também conhecido como métodos baseados na conscientização da fertilidade ou planejamento familiar natural, a tabelinha) ou estiver monitorando sinais de fertilidade para a conhecimento corporal, terá uma ideia melhor do momento da ovulação e poderá usá-lo para avaliar seu risco de gravidez.

(Lembre-se, qualquer forma de sexo desprotegido em qualquer momento representa risco de infecções sexualmente transmissíveis.)

Se você sabe que engravidou e começa a sangrar

É importante contatar um(a) profissional de saúde. Sangramento durante o início da gravidez é comum e não é necessariamente um sinal de aborto espontâneo (10), mas é bom que se saiba o que está acontecendo.

Se você tiver sangramento anormal, dor intensa desde a pélvis até os ombros e sentir fraqueza ou desmaiar, procure atendimento médico imediatamente (11).

Esses podem ser sinais de gravidez ectópica (quando um óvulo fertilizado se prende e cresce em um lugar que não seja o útero, geralmente nas trompas de falópio) (11).

A gravidez ectópica pode ser fatal e deve ser tratada como emergência médica.

Artigo originalmente publicado em Novembro. 7, 2017.

Sinais que podem indicar um aborto espontâneo

Uma gravidez que termina sozinha nas primeiras 20 semanas de gestação é chamada de aborto. Pequenas quedas, lesões ou estresse durante o primeiro trimestre da gravidez podem contribuir para isso. Algumas gestantes não descobrem até fazerem um ultrassom. Mas, geralmente, existem sinais e sintomas que podem indicar um aborto espontâneo.

Os mais comuns são sangramento e cólica pélvica. A cólica nem sempre se traduz em aborto, mas deve ser investigada. Já o sangramento vaginal é motivo de preocupação maior. Quanto maior o sangramento mais elevado é o risco.

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Crédito: Cosmin4000/istockSangramento e cólica podem ser sinais de aborto e devem ser investigados

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Além desses dois sinais, outros também devem ser observados. São eles:

  • Dor nas costas leve a intensa  (geralmente pior que as cólicas menstruais normais)
  • Perda de peso
  • Contrações muito dolorosas (a cada 5-20 minutos)
  • Uma diminuição repentina nos sinais de gravidez
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É importante lembrar que náuseas, vômitos, alteração do apetite, distúrbios do sono, instabilidade do humor costumam acompanhar o evoluir dos níveis hormonais da gestante. Quando esses sinais diminuem de forma repentina, também podem ser sinais de um aborto espontâneo.

Vale ainda dizer que alguns abortos acontecem sem a gestante perceber qualquer sinal.

Testes e exames

Na suspeita de aborto espontâneo, o médico pode realizar um ultrassom abdominal ou vaginal para verificar o desenvolvimento e os batimentos cardíacos do bebê, bem como a quantidade de sangramento. Também é feito exame pélvico para verificar seu colo do útero.

Os seguintes exames de sangue podem ser feitos:

  • Teste Beta-HCG (quantitativo) durante um período de dias ou semanas para confirmar se a gravidez continua
  • Hemograma completo para determinar a presença de anemia
  • Nível de progesterona
  • Contagem de glóbulos brancos com contagem diferencial para descartar infecção

Quando uma mulher sofre mais de dois abortos consecutivos, o médico pode decidir fazer testes para ajudar a determinar se algo específico está causando problemas na gravidez. Os testes vão investigar, por exemplo, se há desequilíbrios hormonais, distúrbios genéticos ou outros problemas. Algumas dessas condições podem ser tratadas.

Fontes: Organização Mundial de Saúde

6 sintomas do aborto espontâneo que toda grávida deve saber

Como Sei Que Abortei Primeiro Mês?Foto Shutterstock

Vamos esclarecer uma coisa: ter um outro ser vivo dentro do seu corpo não é uma tarefa fácil, então é totalmente compreensível se sentir sempre em seu limite ou preocupada. Como informação é o melhor remédio, veja os sintomas do aborto espontâneo para saber se você deve se preocupar.

Mas fique tranquila, porque você não está sozinha nessa. Segundo o American College of Obstetricians and Gynecologists (EUA), os abortos espontâneos acontecem em cerca de 10% das gestações. Na metade das vezes, eles acontecem por anomalias cromossômicas que podem ser prevenidas.

Já de acordo com um estudo de 2015 publicado na revista Obstetrics & Gynecology, 41% das mulheres entrevistadas que sofreram um aborto sentiram que fizeram algo errado. Muitas delas acreditaram (incorretamente) que levantar objetos pesados ou serem muito estressadas pode ter sido a causa a perda de seus bebês.

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  • Embora às vezes as mulheres possam sofrer abortos recorrentes – quando há duas ou mais perdas consecutivas na gravidez –, na maioria das vezes o aborto espontâneo é um evento isolado.

Ainda assim, é sempre importante ficar de olho em alguns sinais, como qualquer pontada, sangramento ou cãibras durante a gravidez. Se você está preocupada, certamente deve procurar seu médico, que poderá lhe dizer se você precisa ser examinada.

Também vale dizer que notar algum alguns desses sinais de aborto precoce não significa que há algo de errado.

Dito isso, não faz mal informar-se sobre possíveis sinais. Aqui estão alguns fatores que devem ficar em alerta:

1. Você está sangrando muito

Embora, sim, o sangramento seja um sinal de aborto espontâneo, isso depende do tipo que você está enfrentando. “Como o óvulo fertilizado se enterra ou se implanta no útero, você pode ter algumas manchas de sangue”, explica Kecia Gaither, ginecologista obstetra (EUA). “Você também pode sentir sangramento por trás da placenta em desenvolvimento”, completa.

“Sangue vermelho vivo e intenso, no entanto, devem soar os alarmes”, aponta ela. Se a gravidez continuar depois de algum sangramento, precisa ser monitorada por um ginecologista, de acordo com a U.S. National Library of Medicine.

2. Você está vendo muito coágulos sanguíneos

Embora algumas hemorragias e manchas possam ser normais (ou seja, sem motivo para preocupação), a coagulação de qualquer tipo deve fazer com que você chame seu ginecologista. Alguns podem se tornar tão grandes quanto um limão, por exemplo.

Seu corpo também pode passar outro tecido (que se parece muito com sangramento intenso), ou um fluido vaginal rosa claro. De qualquer forma, se você está grávida e notar que algo diferente está saindo da sua vagina, é hora de ver um médico.

3. Você sente dores como na TPM

“Cólicas menstruais podem ser totalmente normais à medida que seu útero começa a se expandir”, diz Gaither. Contudo, outras vezes as cólicas podem ser um sinal de um aborto precoce. “Elas podem contrair o útero tentando expulsar a gravidez”, explica.

Sangramento e cólicas também podem ser sinais de outros problemas, como gravidez ectópica (quando um óvulo fecundado se fixa em algum lugar fora do útero – geralmente numa trompa de falópio). Então, se você estiver com esse sintoma, é bom visitar o médico.

4. Suas costas estão te matando

Assim como as cólicas, você também pode sentir uma dor na parta mais baixa das costas, que pode variar de leve a grave desconforto. Porém, novamente, isso também pode ser normal em uma gravidez saudável. O melhor conselho é entediante, mas verdade: fale sempre com o seu médico se estiver preocupado com os seus sintomas – eles estão aí para ajudá-la de todas as formas possíveis.

5. Seu obstetra não encontra um batimento cardíaco

Ok, isso não é um sintoma. Mas é porque às vezes não há sintomas em um aborto espontâneo. “Também pode ser tão simples quanto não se sentir mais grávida”, de acordo com a Planned Parenthood.

“Em outras situações, as mulheres podem ter uma “’gravidez inviável’”, diz Gaither. Isso acontece quando uma gravidez não progride, especialmente no primeiro trimestre. “Você pode notar que os sintomas que sentiu antes (náusea, por exemplo) desapareceram, embora eles não sumam até que os níveis hormonais diminuam”, completa.

6. Você está com a menstruação atrasada

“Se o seu período geralmente é como um relógio, mas chegou um pouco tarde desta vez (e você está fazendo sexo desprotegido), você pode ter passado por uma gravidez química”, diz Gaither. Isso geralmente acontece sem que você saiba (a menos que você esteja tentando fazer um teste de gravidez).

“Basicamente, uma gravidez química ocorre quando o óvulo e o espermatozoide se encontram, implantam e seu corpo produz o hormônio HCG, mas as coisas não se desenvolvem mais”, conclui a profissional.

Essas gestações químicas podem ser de 50% a 75% de todos os abortos espontâneos, segundo dados da American Pregnancy Association (EUA).

8 possíveis sintomas de aborto espontâneo

Os sinais e sintomas do aborto espontâneo podem surgir em qualquer grávida até às 20 semanas de gestação.

Os principais sintomas de um aborto espontâneo são:

  1. Febre e calafrios;
  2. Corrimento vaginal com mau cheiro;
  3. Perda de sangue pela vagina, que pode começar com uma cor amarronzada;
  4. Dor abdominal forte, tipo uma intensa cólica menstrual;
  5. Perda de líquidos pela vagina, com ou sem dor;
  6. Perda de coágulos de sangue pela vagina;
  7. Dor de cabeça intensa ou constante;
  8. Ausência de movimentos fetais por mais de 5 horas.

Algumas situações que podem levar ao aborto espontâneo, isto é, que pode começar de uma hora para outra, sem causa aparente, incluem a má formação fetal, consumo exagerado de bebidas alcoólicas ou drogas, traumatismo na região abdominal, infecções e doenças como diabetes e hipertensão, quando estas não são devidamente controladas durante a gestação. Veja 10 Causas do Aborto Espontâneo.

Como Sei Que Abortei Primeiro Mês?

Em caso de suspeita de aborto, o que se deve fazer é ir ao hospital o mais rápido possível e explicar ao médico os sintomas que apresenta. O médico deve pedir alguns exames para verificar se o bebê está bem e, se necessário, indicar o tratamento adequado que pode incluir o uso de medicamentos e o repouso absoluto.

Como evitar um aborto

  • A prevenção do aborto pode ser feita através de algumas medidas, como, por exemplo não ingerir bebidas alcoólicas e evitar tomar qualquer tipo de medicamento sem o conhecimento do médico. Saiba os remédios que podem causar o aborto;
  • Além disso, a grávida só deve praticar exercícios físicos leves ou moderados ou especialmente indicados para gestantes e realizar o acompanhamento pré-natal, comparecendo a todas as consultas e realizando todos os exames solicitados.
  • Algumas mulheres possuem uma maior dificuldade em levar a gravidez até ao fim e tem maiores riscos de sofrer um aborto e, por isso, devem ser acompanhadas semanalmente pelo médico.
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Tipos de aborto

O aborto espontâneo pode ser classificado como sendo precoce, quando a perda do feto acontece antes da 12ª semana de gestação ou tardio, quando a perda do feto se dá entre a 12ª e a 20ª semana de gestação. Em alguns casos, ele pode ser induzido por um médico devido, geralmente, a motivos terapêuticos.

Quando ocorre um aborto, a expulsão do conteúdo uterino pode ocorrer na totalidade, não ocorrer ou pode não se dar por completo, podendo ser classificado da seguinte forma:

  • Incompleto – quando ocorre a expulsão de apenas parte do conteúdo uterino ou há uma ruptura das membranas,
  • Completo – quando ocorre a expulsão de todo o conteúdo uterino;
  • Retido – quando o feto está retido morto no útero por 4 semanas ou mais.

O aborto é proibido no Brasil e somente as mulheres que conseguem provar na justiça que possuem um feto que não será capaz de sobreviver fora do útero, como pode acontecer em caso de anencefalia – uma alteração genética onde o feto não possui cérebro – poderão recorrer ao aborto legalmente.

Outras situações que podem ser avaliadas pelo juiz são quando a gravidez é resultado de abuso sexual ou quando coloca em risco a vida da mulher.

Nestes casos a decisão pode ser acordada com o Supremo Tribunal Federal Brasileiro pela ADPF 54, votada em 2012, que neste caso descreve a prática do aborto como sendo um “parto antecipado para fim terapêutico”.

À exceção destas situações, o aborto no Brasil é crime e é punido por lei.

O que acontece após o aborto

Após o aborto, a mulher deve ser analisada pelo médico, que verifica se ainda há vestígios do embrião dentro do útero e, caso isto aconteça, uma curetagem deverá ser realizada.

Em alguns casos, o médico pode indicar medicamentos que provocam a expulsão dos restos embrionais ou poderá realizar uma cirurgia para retirada do feto imediatamente. Veja também o que pode acontecer após um aborto provocado.

Aborto Espontâneo: conheça alguns sinais que podem indicar um aborto

O aborto espontâneo é mais comum nos 3 primeiros meses de gravidez, chegando a atingir até 20% das mulheres grávidas. Como isso normalmente acontece no início da gestação, muitas vezes a mulher ainda nem percebeu que estava grávida e não considera isso como aborto. Mas afinal, quais os sinais que podem indicar uma interrupção da gravidez? Confira os os principais sinais aqui no post!

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Sangramento vaginal

A perda de sangue pela vagina durante a gravidez é o principal sinal do aborto, já que ocorre devido à descamação da parede uterina na qual o embrião havia nidado. Mas calma, que nem todo sangramento durante a gravidez é sinal de aborto! Geralmente, ele está associado a um sangramento de maior porte acompanhado por dores fortes, aumentando de intensidade até se completar.

Menstruação atrasada

Se o aborto ocorre bem no início da gravidez, por volta da data da próxima menstruação, e a mulher ainda não desconfiou da gravidez nem realizou um teste caseiro, é comum que ela entenda o sangramento como apenas isso: uma menstruação atrasada. Assim, muitas vezes, se ocorreu uma relação sexual desprotegida durante o período fértil e a menstruação ocorre em uma data inesperada, tendo um aspecto diferente dos outros meses, há uma chance de que na verdade se trate de um aborto espontâneo.

Cólicas

Assim como durante a menstruação o útero se contrai para expelir o sangue, durante o aborto as contrações uterinas visam eliminar o feto e a placenta, limpar o útero e voltá-lo ao tamanho normal para reduzir o sangramento. Por isso, é comum que o aborto esteja associado a dores em cólicas constantes ou intermitentes.

Eliminação de um material sólido

O aborto só se completa quando há a eliminação do feto. Se isso ocorre no início da gravidez, o feto é tão pequeno que consegue ser expelido apenas com as contrações do útero, sendo eliminado no meio do sangramento. Por isso, é comum que as mulheres que tiveram aborto espontâneo relatem que observaram algo semelhante a um grande coágulo de sangue.

Fim dos sintomas de gravidez

Se a náusea, a sensibilidade das mamas e outros sintomas da gravidez desaparecem de repente após um sangramento vaginal, a chance de o aborto ter ocorrido é grande, indicando que o corpo da mulher retornou ao seu estado habitual, sem os hormônios da gestação.

Ausência de movimentos fetais

Nos abortos que ocorrem após a 20ª semana, época em que as mulheres começam a sentir o movimento fetal, o desaparecimento desse movimento por mais de 5 horas seguidas pode indicar o aborto.

Independentemente de qualquer sinal, o aborto só pode ser confirmado após um exame médico. Por isso, em caso de suspeita, procure um serviço de saúde.

Atenção!

As vezes o sangramento vaginal ocorrendo no 1º trimestre de gravidez pode ser sinal que o embrião se implantou fora do útero, mais comumente em uma das trompas. Por isto é importante entrar em contato com seu médico.

Equipe Médica Revisora do Texto

Dr. Ricardo Marinho, Dra. Hérica Mendonça, Dra. Leci Amorim, Dr. Fábio Peixoto, Dra. Luciana Calazans e Dr. Leonardo.

Aborto e Interrupção da Gravidez | Associação para o Planeamento da Família

Um aborto consiste na interrupção de uma gravidez com menos de 20-22 semanas de gestação.

Aborto espontâneo consiste na interrupção de uma gravidez devido a uma ocorrência acidental ou natural. A maioria dos abortos espontâneos tem origem numa incorreta replicação dos cromossomas e/ou em fatores ambientais. O aborto espontâneo pode ser precoce (se ocorrer até às 12 semanas de gestação) ou tardio (após 12 semanas de gestação).

Aborto induzido é um procedimento usado para interromper uma gravidez, também denominado Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG). Quando realizado precocemente, em serviços de saúde legais e autorizados, é um procedimento médico seguro e com reduzidos riscos para as mulheres.

Quadro legal

Até 1984, o aborto era proibido em Portugal.

A Lei nº 6/84 veio permitir a interrupção voluntária da gravidez em casos de perigo de vida da mulher, perigo de lesão grave e duradoura para a saúde física e psíquica da mulher, em casos de malformação fetal ou quando a gravidez resultou de uma violação.

Em 1997 a legislação foi alterada ( Lei n.º 90/97), com um alargamento do prazo para interrupção em casos de malformação fetal e em situações de “crime contra a liberdade e autodeterminação sexual da mulher”.

Apenas em 2007, e após um Referendo nacional, foi incluída na lei a possibilidade de se realizarem interrupções de gravidez a pedido das mulheres.

Em resumo, com a Lei nº 16/2007, a interrupção da gravidez pode atualmente ser realizada em estabelecimentos de saúde oficiais ou oficialmente reconhecidos desde que:

  • a) Constitua o único meio de remover perigo de morte ou de grave e irreversível lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida; 
  • b) Se mostre indicado para evitar perigo de morte ou de grave e duradoura lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida, e seja realizada nas primeiras 12 semanas de gravidez; 
  • c) Haja seguros motivos para prever que o nascituro venha a sofrer, de forma incurável, de grave doença ou malformação congénita, e for realizada nas primeiras 24 semanas de gravidez, excecionando-se as situações de fetos inviáveis, caso em que a interrupção poderá ser praticada a todo o tempo; 
  • d) A gravidez tenha resultado de crime contra a liberdade e autodeterminação sexual e a interrupção for realizada nas primeiras 16 semanas de gravidez; 
  • e) Por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas de gravidez.

FAQ – Perguntas frequentes

Suspeito que estou grávida. O que devo fazer? 

Quando a mulher suspeita que pode estar grávida deve, em primeiro lugar, confirmar a gravidez com um teste.

Se optar por fazer um teste à urina, este pode ser realizado 3 semanas após a relação de risco ou no primeiro dia após a falta da menstruação.

O teste pode ser realizado na farmácia (opção mais económica) ou em casa, caso a mulher o compre na farmácia ou supermercado. Se a mulher optar por fazer um teste sanguíneo, este poderá ser realizado 15 dias após a relação de risco.  

Estou grávida, quero interromper a gravidez. O que devo fazer?

A mulher deve dirigir-se ao Centro de Saúde a que pertence ou ao Hospital da sua área e pedir uma consulta de interrupção de gravidez. Se desejar pode recorrer a uma clínica privada reconhecida oficialmente. Seja qual for o estabelecimento escolhido, seguir-se-á a Consulta Prévia.

Saber mais sobre as etapas do processo de IVG

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Posso escolher o método de IVG? 

De acordo com a legislação em vigor, a mulher pode escolher o método para interromper a gravidez e este pedido deve ser comunicado na Consulta Prévia. A decisão sobre o método deve, porém, ser tomada em conjunto com o médico, que avalia o método clinicamente mais adequado à situação.

  • De salientar que, analisadas as estatistísticas anuais publicadas pela DGS, o mais comum no Sistema Nacional de Saúde (isto é, hospitais públicos) é a prática do método medicamentoso e, nos serviços privados legais e reconhecidos, o mais comum é a prática do método cirúrgico.
  • Saber mais sobre os métodos previstos para IVG
  • Tenho 15 anos e estou grávida, posso interromper a gravidez sem os meus pais saberem?
  • No caso de uma mulher menor de 16 anos querer interromper a gravidez, este processo terá obrigatoriamente que ser do conhecimento do seu representante legal (pai, mãe ou tutor), uma vez que estes terão que assinar o documento “Consentimento Livre e Esclarecido”, entregue na Consulta Prévia.
  • Posso interromper a gravidez num outro hospital que não o da minha área de residência?

De acordo com a lei, a mulher pode interromper a gravidez em qualquer hospital.

No entanto, os hospitais têm uma regulamentação própria em que estipulam o atendimento de mulheres da sua área de residência, no sentido de se organizarem e não haver sobrecarga em alguns hospitais.

Se desejar interromper a gravidez num serviço fora da sua área de residência, deverá falar com o técnico de saúde de referência do seu Centro de Saúde ou Hospital para poder ser encaminhada.

Sou estrangeira, resido em Portugal, e pretendo interromper a gravidez. Quais são os meus direitos?

Os estrangeiros que residem legalmente em Portugal podem utilizar, tal como os portugueses, os serviços de saúde oficiais.

 Para isso, as pessoas que apresentem no Centro de Saúde da sua área de residência a “autorização de permanência ou residência” ou o “visto de trabalho”, terão acesso ao “cartão de utente” do Centro de Saúde.

No caso dos estrangeiros que descontam para a Segurança Social, o pagamento dos cuidados de saúde têm exatamente os mesmo custos que a lei indica para os portugueses.

Os estrangeiros que não tenham “autorização de permanência ou residência” ou “visto de trabalho” podem ter acesso aos serviços de saúde se apresentarem um documento na Junta de Freguesia da zona onde residem, indicando que residem em Portugal há mais de 90 dias. A estes estrangeiros, poderão ser cobrados os cuidados de saúde prestados, segundo as tabelas em vigor.

  1. Fonte: Circular informativa DGS n.º 14/DSPCS, de 02/04/2002 
  2. A IVG tem custos para a mulher? 

Não. Em estabelecimentos de saúde públicos oficialmente reconhecidos, o processo de IVG não tem qualquer custo para as mulheres.

É necessário internamento para uma IVG? 

Só em situações muito particulares é necessário internamento. Na grande maioria das vezes o aborto, quer cirúrgico quer medicamentoso, é realizado em ambulatório, sem necessidade de internamento.

A IVG medicamentosa pressupõe uma consulta para a primeira administração dos fármacos; a segunda administração dos fármacos pode ser feita em casa, pela mulher, ou no serviço de saúde; por fim, deverá haver uma nova consulta cerca de 2 semanas depois, para verificar a IVG.

  • No caso da IVG cirúrgica, tendo em conta a preparação e os procedimentos pré-cirúrgicos, a permanência no serviço de saúde dura normalmente uma manhã ou uma tarde, embora a intervenção tenha apenas a duração de poucos minutos.
  • Quais os sinais de alarme pós-aborto? 
  • A mulher deve recorrer a um serviço de urgência caso se verifique:
  • Hemorragia muito abundante (utilização de mais de 2 pensos ultra absorventes por hora, durante 2 horas consecutivas);
  • Sensação de desmaio
  • Súbita e abundante perda de sangue nas 2 semanas ou mais pós IVG;
  • Febre alta e persistente;
  • Cólicas abdominais acompanhadas de dores violentas;
  • Episódios de diarreia persistentes após as primeiras 24 horas;
  • ​Desconforto emocional muito intenso e prolongado, a ponto de interferir com o quotidiano.
  1. A mulher pode ficar infértil por interromper uma gravidez? 
  2. Os riscos de ocorrerem complicações, nomeadamente infertilidade, decorrentes de uma IVG são muito reduzidos quando esta é feita em serviços de saúde e com o acompanhamento médico adequado.
  3. Posso fazer uma Interrupção Voluntária da Gravidez e continuar a trabalhar? 

Em princípio sim. Mas essa é uma situação que varia de mulher para mulher e vai depender também do método de IVG (cirúrgico ou medicamentoso), da situação física da mulher e da vivência pessoal de todo o processo.

Após uma IVG quanto tempo devo esperar para voltar a ter relações sexuais? 

Depois de uma IVG, a mulher deve ter acompanhamento clínico e será o profissional de saúde a pessoa indicada para lhe dizer quando pode reiniciar a vida sexual. Deve ser considerada uma contraceção adequada ao seu caso, uma vez que a fertilidade pode voltar 10 dias após uma IVG de 1º trimestre. Em qualquer caso, a mulher deve reiniciar a vida sexual quando se sentir preparada para tal.

Fiz uma interrupção de gravidez com o método medicamentoso. É normal um sangramento vaginal de 3 semanas? 

Quando ocorre o aborto, a hemorragia dura em média 10 a 14 dias sendo que, em alguns casos, pode durar até 60 dias. A hemorragia maior deve acontecer nos primeiros 3 dias; após isto, a perda de sangue deve tornar-se cada vez menos abundante. Em caso de dúvida, deve recorrer ao serviço de saúde onde está a ser acompanhada.

Quanto tempo após uma IVG pode uma mulher engravidar novamente? 

A fertilidade pode voltar cerca de 10 dias após uma IVG no 1º trimestre, pelo que a mulher deve ser informada e escolher na consulta prévia o método contracetivo mais adequado. Assim poderá assegurar proteção contracetiva pós-IVG.

Referências

Links úteis

Vídeo explicativo sobre IVG – SPdC-Sociedade Portuguesa da Contracepção, 2017 (tradução e adaptação). 

IPPF – Internacional Planned Parenthood FederationFederação internacional das associações para o planeamento da família. Defende os direitos e saúde sexual e reprodutiva para todos.

IPAS – Proteting Women’s Health, Advancing Women’s Reproductive RightsOrganização internacional que trabalha por todo mundo para melhorar a capacidade das mulheres para exercerem os seus direitos sexuais e reprodutivos, e reduzir a mortalidade e morbilidade materna relacionada com aborto.

FIAPAC – Fédération Internationale des Associés Professionnels de l’Avortement et de la ContraceptionFederação que defende o direito ao aborto como um direito da mulher, a harmonização das leis do aborto de acordo com os princípios da federação e o acesso a todos os métodos de interrupção da gravidez em todos os países. É uma federacão aberta a todos os profissionais europeus que trabalhem na contracepção e/ou aborto.

Guttmacher InstituteOrganização sem fins lucrativos de defesa da saúde sexual e reprodutiva, através da investigação, análise de políticas e educação.

Mary Stopes InternationalPrincipal associação prestadora de cuidados de saúde sexual e reprodutiva no Reino Unido, empenhada em proporcionar toda a ajuda necessária para que mulheres e homens possam tomar decisões informadas sobre a sua saúde sexual e reprodutiva.

Women on WavesOrganização Holandesa sem fins lucrativos de defesa dos direitos humanos das mulheres. A sua missão é prevenir gravidezes indesejadas e abortos inseguros no mundo. 

DGS – Direcção Geral de Saúde (Ministério da Saúde)A DGS, tem como principal missão o estudo e apoio à definição, desenvolvimento e execução da política global da saúde, bem como a orientação, a coordenação e a fiscalização das actividades de promoção da saúde, prevenção da doença e da prestação de cuidados de saúde e o apoio técnico à cooperação internacional.

Associação Médicos pela EscolhaAssociação criada em 2006, com o objectivo de promover a defesa dos direitos sexuais e reprodutivos em Portugal, a defesa do direito à escolha informada e medicamente assistida, assim como a promoção da igualdade de direitos e oportunidades independentemente do género e da orientação sexual de cada um. Defende ainda um Sistema Nacional de Saúde tendencialmente gratuito e de acesso a todos.

Contactos

  • Sexualidade em Linha (APF e IPDJ) – 800 222 003Informação, esclarecimento e encaminhamento sobre Saúde Sexual e Reprodutiva: sexualidade, desenvolvimento, relações de namoro, amizade, conjugalidade, contraceção, gravidez e gravidez não desejada, violência sexual, infeções sexualmente transmissíveis, orientação sexual, entre outras.Gratuita, Confidencial, Anónima
  • Horário: dias úteis, das 11:00h às 19:00h / Sábados, das 10:00h às 17:00h
  • Linha SAÚDE 24 (Linha de Cuidados de Saúde e Direcção-Geral da Saúde) – 808 24 24 24Funcionamento 24 horas por dia
  • SOS Grávida (Ajuda de Mãe) – 808 200 139Funcionamento nos dias úteis, das 10:00h às 18:00h

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