Como Se Sabe Que Se Tem Um Orgasmo?

Você está conversando com suas amigas, o assunto é sexo e aí você se pega pensando: será que eu já tive um orgasmo? Se você se identificou com a cena, não se preocupe. Muitas mulheres ficam em dúvida se já sentiram ou não.

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Como Se Sabe Que Se Tem Um Orgasmo?

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O corpo apresenta uma série de sinais na hora do orgasmo, como coração acelerado e respiração mais rápida

O orgasmo
é uma sensação que percorre o corpo todo no momento mais intenso de prazer durante o sexo ou a masturbação. Mais do que isso, ele dá alguns sinais físicos de que algo está acontecendo, como aumento da frequência cardíaca e respiratória.

A sexóloga Débora Pádua ainda explica que é comum a vulva ficar mais inchada, o corpo ter contrações involuntárias e aumentar a sudorese. “Só que o orgasmo pode ter intensidades diferentes. Em alguns momentos mais intensos, pode ficar claro para a mulher essas alterações. E, às vezes, em um orgasmo não tão intenso você não consegue perceber tanto”, pontua.

Por isso, é sempre bom buscar o autoconhecimento, se tocando e prestando atenção de que forma o corpo reage a determinados estímulos. Nesse sentindo, Débora fala que é possível sentir o orgasmo em vários momentos. Então, o ápice do prazer pode ser tanto no sexo oral, quando na penetração vaginal ou até anal.

É importante lembrar que não há uma regra de como sentir orgasmo
e na forma como se manifesta. Os sinais falados pela sexóloga são os mais comuns, mas é possível que o seu corpo apresente outras reações, como espasmos e vontade de gritar. A dica é se entregar e curtir o prazer naquele momento.

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Saiba tudo sobre orgasmo

Essa reportagem faz parte do nosso especial sobre orgasmo. Até domingo vamos publicar diariamente conteúdos sobre o tema para te ajudar a “chegar lá” com mais facilidade. Veja o que já foi publicado e o que ainda vem pela frente:

#Bônus: 5 posições sexuais para ter orgasmo com mais facilidade

O sexo é algo muito único e particular de cada casal. Por isso, é difícil indicar uma posição ideal para sentir o orgasmo. Segundo Débora, é mais interessante que os dois explorem diferentes posições sexuais para
descobrir o que mais funciona.

No entanto, como a maioria das mulheres chega ao orgasmo com o estímulo clitoriano, selecionamos cinco posições que podem te ajudar a “chegar lá” com mais facilidade. Confira:

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De quatro

Como Se Sabe Que Se Tem Um Orgasmo?

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Nessa posição o homem consegue estimular o clitóris da mulher ou ela mesma se masturbar enquanto é penetrada

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Com as pernas para cima, a mulher é penetrada mais profundamente, o que ajuda a chegar ao orgasmo

Cavalgada

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Na famosa posição de cavalgada fica mais fácil estimular o clitóris

Cavalgada reversa

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A cavalgada reversa permite que a mulher estimule o clitóris enquanto é penetrada

Sentada

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Sentada no parceiro, ele consegue estimulá-la durante a penetração

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Como é ter um orgasmo? 12 mulheres descrevem tudo o que sentem

Antes de pesquisadores norte-americanos descobrirem, no ano passado, o porquê de o orgasmo feminino sequer existir, ele representava um grande e completo mistério para a ciência.

Para muita gente, aliás, ele permanece até hoje um fenômeno um tanto quanto enigmático: de acordo com pesquisa publicada em fevereiro deste ano no Archives of Sexual Behavior, mulheres heterossexuais são as que menos chegam ao orgasmo.

Apenas 65% afirmam gozar “geralmente ou sempre” ao transar – em oposição a 66% das bissexuais e 86% das lésbicas.

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Ainda é comum ouvir de mulheres por aí, inclusive, que elas nunca atingiram o clímax – ou que não sabem bem dizer se o fizeram. Seja você uma delas ou não, o MdeMulher compilou relatos de 12 mulheres sobre o que elas sentem durante o orgasmo. Será que, assim, conseguimos quebrar um pouco esta aura de “mistério”?

Vontade de socar ou apertar

“Sinto vontade de contorcer o corpo, reflexo pra socar ou apertar algum lugar – acaba sendo sempre a pessoa, né, foi mal – e no final eu dou risada. E tenho espasmos. E sinto calafrios”.

Vontade de gemer bem alto

“Quando eu chego ao orgasmo, minha vontade é de gemer muito alto. Algumas vezes eu me sinto até mais sonolenta e vulnerável, já chorei por diversas vezes e fico querendo mais proximidade, carinho etc. Diferente dos homens, que já ficam com sono. Mas a vontade maior de todas é gemer, mesmo, beijar, ter mais proximidade, continuar o sexo, ter outro orgasmo”.

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Como se tivesse morrido e retornado

“Poucos minutos antes de atingir o orgasmo, sinto como se meu corpo, principalmente a parte do ventre, virilha e pernas se enrijecesse com uma forte tensão, até que sobe uma onda de calor muito grande e um frio na barriga, uma euforia toma conta de mim, solto gargalhadas espontâneas.

Sinto como se tivesse morrido e retornado de alguma forma, provavelmente porque após toda aquela tensão e euforia, uma sensação de tranquilidade profunda toma conta de todo meu ser, todos meus músculos relaxam, sinto o corpo solto e palpitações em todo ele. Me entrego para aquele momento”.

Como Se Sabe Que Se Tem Um Orgasmo? – Reprodução/Giphy

Um fio de energia no corpo inteiro

“Acho que como toda mulher hétero, infelizmente, eu demorei um pouco pra saber o que é orgasmo. Até hoje não tive um com penetração, só no oral ou usando as mãozinhas mesmo.

Mas o que eu sinto quando tenho um orgasmo bom demais mesmo é um negócio muito doido, parece que passa um fio de energia no meu corpo inteiro e eu fico focada naquela sensação, em aproveitar aquele momento de prazer.

Eu me sinto muito consciente do meu corpo e eu só quero fazer aquela sensação durar, sabe? Mas é sempre meio rápido, e eu ainda não descobri a maravilha dos orgasmos múltiplos também, mas um dia a gente chega lá”.

Liberdade

“É um misto de sensações… O corpo treme, a ponta do pé fica queimando, dá vontade de me contorcer e fazer barulho, também dá uma sensação de liberdade”.

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Sonho

“Meus primeiros orgasmos eram em sonho, ficava pensando ‘como assim, que sensação maravilhosa, será que isso acontece quando a gente tá acordada?”

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Estar fora do próprio corpo 

“A sensação é maravilhosa, já tive daquelas de tremer a perninha, de se esvair, virar para o lado e dormir, já tive duplo e triplo, sensação de estar fora do próprio corpo, de perder os sentidos dos pensamentos e perguntar onde estou, várias coisas. É sempre muito intenso e meu marido não faz nada enquanto eu não gozar ou chegar ao orgasmo, as damas primeiro.”

Como Se Sabe Que Se Tem Um Orgasmo? – Reprodução/Giphy

Derretendo

“Eu sinto que meu clitóris está derretendo – mas de um jeito bom!”.

Concentrando toda a energia

“Antes de realmente rolar o orgasmo, eu sinto que meu corpo vai concentrando toda sua energia só para isso, como se, pouco a pouco, aquele prazer fosse se transformando em tudo o que importa para o meu corpo.

Na ‘hora H’, parece que é realmente isso que acontece, que só aquilo ali importa… Meu corpo se retorce inteiro e o clitóris fica quente, muito quente.

logo depois que acaba, meu corpo fica muito cansado e o que eu mais gosto de fazer é tirar um cochilo”.

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Chorando

“Eu sinto o corpo esquentar, o quadril levantar, uma vontade de gritar, e termino chorando”.

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Pressão e explosão

“Parece que você está chacoalhando uma garrafa, que a pressão vai aumentando, aumentando – e aí explode. Depois, eu só quero dormir. Gozar é melhor do que remédio para dormir!”.

Sinto até no coração

“No começo da minha vida sexual, lá pelos 13 anos, eu sentia orgasmos muito fortes. Sentia um arrepio por todo o corpo, como se fosse uma energia que começa pelo clitóris e se estende por toda a região do corpo. Depois de uns anos, ela começou a ser mais fraca, mas não deixou de ser gostosa e de me fazer sentir este arrepio pelo corpo todo.

Depois que pari, meu orgasmo ficou muito mais forte, do mesmo jeito que no comecinho, e se tornaram mais constantes durante a relação sexual.

Quando me masturbo, sinto orgasmos múltiplos: sinto que a energia flui por todo o corpo, parece até que sinto no coração.

No ato sexual com penetração, depois do orgasmo eu sinto um choque ao tocar no clitóris que chega a ser ruim, parece que é uma energia muito forte que está lá… Eu sou igual homem, depois de gozar eu preciso parar e respirar – senão não consigo mais!”.

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Orgasmo feminino: as muitas razões pelas quais as mulheres fingem atingir o clímax sexual – BBC News Brasil

  • Leire Ventas
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Como Se Sabe Que Se Tem Um Orgasmo?

Crédito, Getty Images

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De acordo com um estudo recente, a maioria das mulheres que admitiu ter fingido o orgasmo disse que era prática comum

“'Você tem uma vagina muito grande.' Essa foi a frase que me matou.

Aos 22 anos, eu não era iniciante. Eu já tinha feito sexo e sabia o que era o orgasmo.

Não diria que sempre, mas na maioria dos casos eu havia vivido o final feliz.

Mas ele me disse isso e… bem, não foi a única coisa que ele me disse.

O que acontece é que o seu clitóris é muito alto e, portanto, (com a penetração) você não goza. As outras mulheres são super rápidas'.”

Maria (nome fictício), hoje com 30 anos, conta como aquela conversa na cama marcou os encontros sexuais com o homem que seria seu parceiro nos próximos quatro anos.

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“O sexo se tornou uma corrida para ele mostrar que podia me fazer gozar com penetração. E eu, com pressão e estresse, acabava fingindo.”

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Evitar ferir os sentimentos do outro é, segundo a pesquisa, a principal razão para fingir um orgasmo

A história não é exceção, um caso em um milhão.

As mulheres com quem a BBC Mundo conversou relembram ocasiões em que simularam o orgasmo.

E os especialistas consultados concordam que é um fenômeno muito comum, algo que também é visto em pesquisas de campo.

De acordo com uma das mais recentes, publicada em novembro de 2019 na Archives of Sexual Behavior, 58,8% das participantes — 1.008 mulheres americanas heterossexuais entre 18 e 94 anos — disseram ter fingido o orgasmo ao fazer sexo com um parceiro.

Dessas, 3% disseram ter feito isso ocasionalmente. E 55% a reconheceram como uma prática frequente.

Mas por que é tão comum fazer isso? E quão preocupante é isso?

Para Blanca, fingir tornou-se costume durante um período específico: o ano seguinte ao nascimento de seu primeiro filho.

“Após o parto, meu moral estava no chão. Fiquei cheia de inseguranças por causa de minha aparência, porque meu corpo não era o mesmo de sempre.”

Além disso, ela vivia exausta e, com o retorno ao trabalho, tudo ficou pior.

“Eu estava tão cansada que fazer sexo com meu marido era um grande esforço.

E como tinha dificuldade em me concentrar — não conseguia parar de pensar no que deixava de fazer no escritório, no que precisávamos na geladeira, se os barulhos que a criança estava fazendo eram normais ou algo estava errado —, um dia eu decidi fingir. Não foi porque ele não me excitava, ou porque de repente fez algo errado. Eu só queria dormir. E a coisa se tornou um padrão.”

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A ignorância sobre o próprio corpo também desempenha seu papel nessa equação, dizem os especialistas

Ela nunca disse a ele, com quem diz ter um bom relacionamento, para não fazê-lo se sentir mal, embora tenha vergonha de saber que não conseguia falar.

Seu motivo é o mais comum de acordo com a “Escala de fingimento do orgasmo feminino”, divulgada em dezembro de 2013 também pela publicação especializada Archives of Sexual Behavior.

Os outros motivos incluídos na pesquisa são: encerrar a relação sexual, encobrir “insegurança e medo” em face da anorgasmia e aumentar a excitação.

Também por medo de perder o parceiro, acrescenta Luz Jaimes, sexólogo e secretário da Federação Latino-Americana de Sociedades de Sexologia e Educação Sexual.

“Há mulheres que temem que seus maridos as deixem porque não são bonitas ou boas o suficiente na cama”, diz ele. E para algumas delas, um orgasmo — ainda que falso — pode ser uma prova de como são experientes no campo sexual.

É o caso de Eli, 52, a quem os antidepressivos retardaram a chegada ao clímax. Ela temia que seu marido fosse embora com outra “mais jovem, mais bonita, alguém que o excitasse mais”, afundando-a ainda mais no poço em que sentia estar.

Laura Morán, psicóloga, sexóloga e escritora, resume os motivos por trás desses falsos orgasmos em duas categorias.

“Ou fazemos isso por imitação, porque temos um padrão de relações sexuais determinado por filmes pornográficos e, especialmente, os românticos, que nos mostram um orgasmo simultâneo que é alcançado após dois empurrões, e reproduzimos isso para não parecermos esquisitos” diz ela, que também é terapeuta de família e casal.

Ou por causa do que ela chama de “irritação”.

“Quero dizer quando, apesar de muita tentativa, o orgasmo não chega e faz com que você queira dar ao parceiro um prêmio pelo esforço.”

Foi o que Laura fez com um cara que ela acabara de conhecer em um casamento: recompensá-lo com um orgasmo… artificial.

“Depois de um dia inteiro e parte da noite da festa, eu sabia que não seria fácil. Mas o cara era perseverante. Tentamos todas as posições, ele me estimulou de todas as formas… Mas não aconteceu, eu não aguentava mais, e bem, ele ganhou”, lembra.

Fingir em relações esporádicas é uma história recorrente entre as mulheres consultadas pela BBC.

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Embora as mulheres geralmente sintam o direito de não simular, ainda precisamos reconhecer que não atingimos o orgasmo, diz Laura Morán

Morán, a sexóloga, também se refere a casos como este.

“Embora nós, mulheres em geral, agora sintamos que temos o direito de não fingir no sexo, a questão é que ainda temos vergonha de reconhecer que não atingimos o orgasmo”, diz.

“Pode ser devido à posição em que acreditamos que isso nos deixa, como parceiras sexuais pouco experientes, ou porque não será bem recebido pelo outro. Às vezes, simplesmente fingimos para não enfrentar o momento desagradável.”

Há quem não dramatize o assunto e mencione o aspecto lúdico. “É como fingir ser uma atriz”, diz Paula Carolina.

A ignorância sobre o próprio corpo também desempenha seu papel nessa equação, dizem os especialistas.

“A maioria de nós já ouviu falar que o clitóris é o órgão do prazer feminino, que mede até 10 centímetros etc., mas quando vamos com o protótipo 3D para os institutos, eles não são os únicos que olham para ele com um olhar de espanto”, diz ela.

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A sexóloga Laura Morán diz que muitos se surpreendem ao saber que essa imagem é a reprodução de um clitóris

Ela se refere ao modelo em tamanho natural criado pela pesquisadora Odile Fillod em 2016 a partir do trabalho da urologista australiana Helen O'Connell, que em 1998 foi a primeira a definir a anatomia exata do clitóris.

Sua forma se assemelha à de um “E” invertido e destrói a crença de que o clitóris é um pequeno órgão em forma de botão e só é encontrado na parte externa do corpo.

“Conhecer nossos corpos é fundamental, porque se não soubermos o que temos, não saberemos como obter prazer”, diz Morán.

A simulação do orgasmo não é algo, então, de uma geração específica.

E não é exclusiva entre as mulheres, nem ocorre apenas em relações heterossexuais, concordam os consultados.

“Os comportamentos sexuais e disfunções dos casais homossexuais são os mesmos dos casais heterossexuais, e fingir orgasmos também ocorre com frequência”, diz Jaimes.

Quanto aos homens, várias pesquisas indicam que, embora em menor grau, eles também fingem o clímax.

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21,2% dos homens consultados em pesquisa afirmaram ter simulado o orgasmo em algum momento, e 8,4% disseram que o faziam quase sempre

Isso foi evidenciado por uma pesquisa com 1.400 pessoas da marca de produtos eróticos Bijoux Indiscrets, segundo a qual 21,2% dos homens já simularam o orgasmo (em comparação com 52,1% das mulheres).

E 8,4% disseram que fingem quase sempre (em comparação com 11,8% das mulheres).

“Eles tendem a fingir que perdem a ereção ou têm dificuldade em mantê-la, por causa de alguma preocupação ou porque estão tomando antidepressivos (esses medicamentos atrasam a chegada ao orgasmo)”, diz Morán.

“Se eles usaram camisinha, geralmente jogam fora sem que a parceira a veja, porque é uma prova do crime.”

Questionados se a simulação pode ser benéfica em qualquer circunstância, os especialistas duvidam.

“Talvez possa funcionar como um estímulo à excitação. Ou seja, os ruídos, os gestos, os gemidos podem servir de suporte para deixar o clima mais quente, mas sempre deixando claro o que estamos fazendo e para quê”, diz Morán.

“O grande problema disso é que, se você vai a um encontro sexual por prazer e acaba fingindo, o que ganha é frustração e diminuição do desejo”, diz Jaimes.

“O desejo se alimenta da satisfação de desejos anteriores. A questão é a seguinte: mais prazer, mais desejo. Portanto, se você não obtém satisfação, seu desejo de ter relacionamentos diminui e, se alguém é negligenciado, acaba sem ter vida sexual.”

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Especialistas alertam para o perigo de se concentrar apenas no orgasmo

Os dois especialistas alertam, porém, para o problema de se concentrar apenas no orgasmo.

“É o que se diz sobre viagens, que você precisa aproveitar desde o planejamento. Embora seja difícil, quando tudo diz que você precisa alcançá-lo e haja novos brinquedos que prometem fazer você chegar ao clímax em dois minutos e sem contato”, afirma Jaimes.

Ela também insiste que não se deve ficar obcecado com o orgasmo, mas diz:

“Às vezes ele não vêm, porque estamos nervosos, exaustos, de dieta, com muito trabalho… Mas isso deve ser raro. Se você não chegar lá sete vezes de dez, dirija-se a um sexólogo.”

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Mulheres que atingem o orgasmo sozinhas, mas não conseguem quando em casal

Parece que hoje em dia, na época dos sugadores de clitóris, todas as mulheres podem desfrutar do clímax. Sim, agora pode haver mais mulheres capazes de fazer isso sozinhas, mas a realidade é que muitas, o que não conseguem é compartilhá-lo.

Se consultarmos alguma bibliografia, o estudo Ficción vs realidad en el sexo, realizado pela Bijoux Indiscrets, traz muita luz a esse respeito.

Na pesquisa, 22,5% das mulheres entrevistadas disseram que não chegavam ao orgasmo durante a relação sexual e 30% reconheciam que seus orgasmos eram muito melhores durante a masturbação.

De fato, até 52,1% das entrevistadas disseram que já fingiram um orgasmo.

Não são apenas números. Personalidades como Lily Allen admitiram fingir seus orgasmos. Durante a apresentação do novo vibrador da Womanizer, a cantora afirmou não ter tido um orgasmo até os vinte e tantos anos.

Allen iniciou assim uma campanha a favor da masturbação feminina, uma vez que, segundo dados da Womanizer, os homens se masturbam em média 156 vezes por ano; as mulheres apenas 50.

Mas o problema continua sendo que não nos masturbamos o suficiente ou são nossos parceiros que não sabem como nos estimular?

“É comum que muitas mulheres sejam capazes de se masturbar e chegar ao orgasmo sozinhas sem nenhum problema, mas, quando têm um encontro sexual, têm dificuldade em desfrutar e sentir esses orgasmos. Saber tê-los sozinha pode ajudar muito, mas não é uma garantia em si”, adianta a sexóloga Ana Lombardía.

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Nesse ponto, geralmente acontecem duas situações. Uma das habituais é termos um parceiro estável e, por diferentes motivos, não sermos capazes atingir o orgasmo com ele. A pior coisa a fazer? Fingir e enganar não apenas a outra pessoa, mas enganar a nós mesmas. Porque quanto maior for a mentira, mais difícil será escapar dela.

Mas, cuidado, ter amantes de ocasião tampouco é um seguro de prazer garantido. Muito pelo contrário. “Quando vamos para a cama com uma pessoa nova ou que acabamos de conhecer, é comum que a relação sexual não seja totalmente fluida. É difícil que os dois se harmonizem, se comuniquem, se deixem levar…

É normal que fiquem nervosos. Isso implica que muitas vezes não sentiremos tanto prazer, teremos dificuldade para nos excitar e chegar ao orgasmo”, destaca Lombardía.

Se considerarmos que muitas vezes enfileiramos relacionamentos curtos durante longos períodos, não é tão raro passarmos um tempo fazendo sexo, mas sem desfrutar de orgasmos.

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É importante ter em mente, neste contexto, que não existe uma única razão para ser um amante ruim.

Ana Lombardía relata múltiplas situações para não sentir satisfação no sexo: não saber masturbar o parceiro, não saber abordar o sexo oral, ir direto demais à penetração, movimentar-se mal durante a mesma, não dar tempo ao prazer e acabar a relação quando acaba o prazer dele, ou simplesmente sentir que é muito desajeitado no modo de tocar e estimular, assim, em termos gerais. É claro que há muito a melhorar.

Os motivos, segundo a especialista, também são muitos. “Se a pessoa se sente muito insegura, se tem pouca experiência, se está muito obcecada em agradar ou, ao contrário, se é muito egoísta.”

Há anos a psicóloga Marina Castro faz oficinas sobre prazer, tanto para homens quanto para mulheres. Sua conclusão é que não é que sempre haja amantes ruins (isso também acontece, é claro), mas que o problema é uma má combinação entre muitos fatores. O coquetel perfeito do orgasmo impossível.

“Em muitos casos, tem a ver com atitude. Sozinhas, elas se concentram em desfrutar, mas quando estão em casal se concentram em agradar”. Por outro lado, você encontra muitas pessoas que desejam agradar o parceiro, mas não possuem as ferramentas para isso. E recorrem ao pornô, basicamente porque não encontram outra referência.

Um recurso que segundo esta psicóloga pode se tornar um problema no caso dos homens e do sexo com penetração: “Encontro gente com muitas dificuldades sexuais por isso, acreditam que a forma correta é ‘comparecer’ com um bom tamanho, uma boa ereção e durar o tempo suficiente para ela chegar ao orgasmo”. Como se fosse um exame. “No final, vivem o sexo com muita frustração por não cumprirem todos esses objetivos.”

Essa atitude também não facilita as coisas para elas. “Se você está com um parceiro o tempo todo pendente de se gosta do que ele faz ou não, de necessitar saber se ele o faz bem ou se comparece, também implica uma pressão.” A conclusão é que não devemos culpar um ou outro, mas assumir que ambos devem mudar a maneira como abordam o sexo.

Como Castro insiste, diante da falta de educação sexual, dos tabus e preconceitos que ainda existem em torno da autodescoberta e da sexualidade quando somos mais jovens, é lógico aprendermos por imitação. E existem poucos exemplos para além da pornografia.

Por isso não é tão incomum acabar em uma oficina sobre sexualidade quando somos adultos. Embora pareça mentira, essas oficinas têm de tratar do básico, pois conhecemos a fisiologia do corpo humano em relação à reprodução, mas ninguém nos explica como funciona em relação ao prazer.

“Desta forma entendemos por que a penetração é a prática sexual menos eficaz para atingir o orgasmo.”

Esta não é a única tarefa pendente. Às vezes, o orgasmo não chega não porque não tocamos nos pontos-chave, mas porque é nossa mente que não nos deixa alcançá-lo.

Outro dos exercícios que Castro costuma propor em suas oficinas é permitir que as assistentes, principalmente as mulheres, completem uma frase: “A mulher que gosta de sexo é uma…”. E de acordo com ela, aparece de tudo. E nada bonito.

Algo que obviamente condiciona o prazer. “Acabam pensando que precisam gostar de sexo, mas não devem gostar muito.”

A solução para sair desse circuito é tão simples quanto complicada: melhorar a comunicação com o parceiro. Seja estável ou ocasional. A Sexacademy também tem especialistas em oficinas sobre sexualidade feminina.

Uma delas é Lydia Parrilla, psicóloga, sexóloga e formadora. Ela diz que essa é a solução, mas nem sempre é simples. “Para muitas pessoas, falar sobre sexo é algo muito difícil.

” E assim só conseguimos ampliar o problema ao infinito.

“Em nossas oficinas, o que procuramos fazer é criar um lugar de discernimento, onde não haja vergonha, onde possamos conversar sobre conceitos reais, sem medo. Desta forma, evitamos sair à procura dessa informação na internet, o local mais consultado e que cria mais confusões”.

Uma vez superada a vergonha, o que nos falta é um pouco de assertividade e empatia. Dizer a alguém que é um mau amante não é a melhor maneira de motivá-lo. “É fundamental que você tente mudar a situação com mensagens positivas. Isto é, em vez de dizer ‘você é péssimo/a na cama’, tente se concentrar no lado positivo.

Por exemplo, faça-lhe pedidos do tipo ‘gostaria que…’, diz para concluir Lombardía. Tampouco é o ideal ter ‘a conversa’ bem na hora do sexo, quando estamos mais inseguros e expostos.

Fazer isso tomando um vinho ou dando um passeio ajuda para que o assunto surja com menos tensão e possamos abordá-lo de um modo mais descontraído.

Orgasmo feminino: um guia com tudo o que você precisa saber

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Oi, tem compromisso para hoje à noite? Queremos fazer um convite, desses irrecusáveis, com três companhias que já podem ter sido consideradas más influências por aí, mas vão se tornar suas bffs (adeus, patriarcado!): um vibrador ou seus dedos, um espelhinho de mão e seu clitóris. Diz que aceita? É que os dados divulgados pelo Programa de Estudos em Sexualidade (Prosex), da USP*, apontam que 40% das brasileiras não se masturbam e 55,6% não conseguem chegar ao orgasmo.

Tudo bem, não se culpe se fizer parte das estatísticas, motivos não faltam para você ter dificuldade de gozar. Afinal, essa repressão do corpo da mulher é cultural, social, religiosa e beeem antiga – tanto que só começou a mudar nos anos 1960, com as pensadoras feministas e a revolução sexual.

“As consequências disso não têm a ver só com sexo, já que também influenciam a autonomia e a falta de conhecimento das mulheres sobre o próprio corpo”, explica Carla Cristina Garcia, socióloga da PUC-SP e autora do livro Breve História do Feminismo.

Quer a prova? Uma pesquisa** feita com mil mulheres nos Estados Unidos pediu para que elas observassem uma ilustração da anatomia feminina e reconhecessem cada parte.

Resultado: 44% das participantes não conseguiram identificar a vagina, e 60% delas não encontraram a vulva (caso você tenha dúvidas, a vulva é toda a parte visível, ou seja, a região externa. Já a vagina é o canal interno, que vai até o colo do útero).

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É justamente aí que mora o problema. Sem se conhecer e se tocar, ter prazer, sozinha ou acompanhada, fica muito mais difícil. É por essas e outras que passamos a acreditar em ideias como “mulher não consegue ter orgasmo sempre que transa” ou “homem tem mais facilidade de gozar”.

Quem nunca ouviu essas pérolas? Se você já caiu nessa, a sexóloga e ginecologista Carolina Ambrogini, coordenadora do Projeto Afrodite, centro de sexualidade feminina da Unifesp garante: é cilada. Para começar, ela lembra que o clitóris tem 8.

000 terminações nervosas – simplesmente o dobro do que possui o pênis.

Aí, você deve estar se perguntando: e aquela história de que o homem atinge o orgasmo mais rápido do que a mulher? De maneira geral, é verdade, mas, literalmente, só por alguns minutos. Uma pesquisa americana dos pioneiros no estudo da fisiologia sexual humana*** chegou a uma variação entre 7 e 15 minutos para os homens gozarem no sexo, e entre 10 e 20 minutos, no caso das mulheres.

E essa variação não tem nada a ver com a capacidade de chegar ao clímax. “O orgasmo está mais na mente do que na vagina. O clitóris responde a um estímulo de excitação que vem do cérebro.

Não é só falta de conhecimento do próprio genital, mas também uma dificuldade da mulher de formular fantasias sexuais porque teve uma educação machista, em que os desejos masculinos eram prioridade”, acredita Carolina.

A pornografia convencional não nos deixa mentir. Uma análise feita dos vídeos mais assistidos de 2017 no PornTube, site de conteúdo erótico, mostrou que as mulheres apareciam chegando ao orgasmo apenas 18,3% das vezes.

E pior: a maioria foi retratada de um jeito bem teatral, apenas com penetração e sem estímulo do clitóris.

Aqui, vale dizer que todo aquele papo sobre a mulher ter mais de um ponto para atingir o orgasmo é balela – sim! “Antigamente se ressaltava que existia o vaginal e clitoridiano, mas o orgasmo é um só, disparado pelo estímulo do clitóris.

É uma conexão entre mente e clitóris, só estímulo no genital não resolve nada”, diz a ginecologista. Isso sem contar, claro, que a diversidade anatômica do órgão sexual feminino raramente é levada em consideração nesses filmes.

Aí quem assiste fica achando que o normal é ter uma vulva pequenininha, rosada, simétrica e sem pelo. Em questão de segundos, isso já vira gatilho. Tanto que, só no Brasil, são feitas 21 mil ninfoplastias (cirurgia íntima) todos os anos, segundo levantamento da ISAPS (Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética)****. O País é líder no ranking desse procedimento, seguido dos Estados Unidos, com 11 mil (sim, quase a metade).

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Com tanta encanação, repressão e em meio a um programa de governo que incentiva a abstinência sexual entre jovens, às vezes fica difícil relaxar, falar abertamente sobre sexo e estimular o prazer.

Mas não é impossível, tá? A educadora sexual americana Betty Dodson, guru no prazer feminino, indica duas maneiras de atingir o orgasmo: a mais comum, por tensão, quando se prende a respiração e contrai todos os músculos do corpo; e a mais intensa, por relaxamento, quando se controla a respiração e os movimentos do assoalho pélvico. Nessa onda, uma geração de mulheres tem se formado para ajudar outras a se descobrirem sexualmente por meio de terapias, workshops, técnicas e sex toys feministas. Aqui, conversamos com quem tem feito isso ganhar força no Brasil. Afinal, talvez ainda não tenhamos descoberto todos os caminhos para chegar lá, mas já sabemos o principal: todas nós queremos gozar.

Terapia orgástica

“O que te impede de ter prazer?” É com essa pergunta que a psicanalista Mariana Stock recebe mulheres dispostas a se redescobrirem sexualmente na Casa Prazerela, Zona Oeste de São Paulo. E tudo começou com um questionamento de Mari sobre a própria vida sexual.

“Me achava bem resolvida sexualmente porque transava com muita gente, mas notei que sempre vivi sexos performáticos. Eu nunca era a minha prioridade em termos de gozo”, conta. Foi, então, que decidiu mergulhar no assunto, fez curso de doula, formação em terapia tântrica e abriu mão da profissão em comunicação para trabalhar com o prazer feminino.

Começou a dar palestras e falar sobre sexo e masturbação nas redes sociais, mas muita gente perguntava onde poderia aprender mais e alcançar o potencial orgástico. Aí surgiu a Prazerela, um espaço seguro, só com profissionais mulheres, que oferece cursos, massagem e a famosa (e concorrida) terapia orgástica.

Mas o que é isso? Por R$ 450, a sessão é individual e dividida em duas partes. Na primeira, acontece um bate-papo para contar sobre medos, angústias, dificuldades e a relação com a sexualidade.

Na segunda, é feito um trabalho corporal focado nas necessidades de cada mulher – assim, uma terapeuta aplica técnicas que envolvem desde um toque sutil na pele até massagem genital e o uso de vibradores para que ela atinja o potencial orgástico. Vale dizer que o método nada tem a ver com espiritualidade e é indicado para mulheres de todas as idades.

“Uma senhora de 72 anos chegou para uma sessão com muito medo, achando que aquilo não era para ela. Aí expliquei que poderia parar quando quisesse, que estava tudo bem. Quando acabou, saiu emocionada. Me abraçou e disse: ‘Obrigada por não me deixar viver sem essa experiência’”, lembra Mari. Nunca é tarde para se redescobrir, né?

Quem tem medo de se olhar, sem julgamentos? Acredite, quase todas. Ainda mais quando o assunto é a vulva. Pensando nisso, a filósofa Carol Teixeira decidiu reunir um grupo de mulheres no curso I Love My Pussy, que já aconteceu em São Paulo e no Rio de Janeiro, usando o método tântrico heart chakra.

“Diferentemente de algumas religiões, que consideram o corpo um obstáculo para iluminação ou conexão com algo superior, no tantra, o corpo é o principal veículo para essa conexão”, explica.

O objetivo do workshop, que dura um dia inteiro, é trabalhar a capacidade de dizer “não”, resgatar a sensibilidade, impulsionar a sororidade, aprender a despertar a kundalini (energia sexual, vital e criativa) e desenvolver técnicas de masturbação.

“Tem muita mulher que se diz empoderada, mas finge orgasmo entre quatro paredes porque o corpo não acompanha o empoderamento da mente”, conta Carol, que recebe um grupo eclético, com integrantes entre 21 e 60 anos. A cada nova sessão, que custa R$ 960, as reações emocionam.

“São vários os relatos de primeiros orgasmos no próprio curso ou de mulheres que relembram traumas de infância que nunca tinham acessado. As curas são profundas.” Queremos: sim ou com certeza?

Prazer? SIM!

Imagine se você pudesse voltar no tempo e ter um novo olhar sobre a sexualidade feminina. Tudo bem, sabemos que é impossível, mas dá, sim, para reaprender. Lua Menezes é terapeuta sexual, tem um projeto de literatura erótica e é criadora do Jardim das Delícias, curso online (com duração que varia a cada aluna) em formato de podcast e vídeo para ressignificar a sexualidade.

“Fomos enviadas à vida sexual sem ter conhecimento de nós mesmas. Por isso, o conteúdo do curso (que sai a partir R$ 600) tem desde a parte histórica, para entender racionalmente por que nos distanciamos tanto do nosso corpo, até a anatomia feminina e o funcionamento de um orgasmo”, diz.

Antes de iniciar o projeto, Lua passou por algumas dificuldades, inclusive por um vaginismo [condição dolorosa causada pela contração involuntária dos músculos da vagina], que não foi diagnosticado pela sua ginecologista na época. A ideia dela é evitar que outras manas vivam algo parecido.

Além, claro, de ensiná-las a encontrar o próprio caminho do prazer, evitando comparações com os homens. “É preciso mostrar que as mulheres não demoram para gozar, elas demoram para relaxar.” Fada sensata!

Não podemos falar sobre masturbação sem mencionar os “brinquedinhos”. Mas esqueça a ideia de que sex shop é sempre uma portinha duvidosa com uma vitrine de objetos fálicos e um atendente com olhar lascivo. Graças às deusas, sex shops pensados exclusivamente para mulheres estão cada vez mais comuns.

Caso da Climaxxx, loja online criada em 2016 por Larissa Ely com produtos eróticos próprios para o prazer feminino. Para tocar o projeto em conjunto, ela chamou a amiga Clariana Leal. “Na época, tinha tido um único vibrador na vida que odiei.

Quando comecei a estudar, descobri que vários sex toys são feitos de materiais tóxicos e que a indústria não é bem regulamentada. Agora, amo vibradores, mas entendi que existe um tipo certo para cada momento”, conta Clariana, que oferece consultorias pessoalmente e a distância sobre os brinquedinhos.

A pedido das clientes, elas não trabalham com acessórios que imitem um pênis, e sim com versões mais lúdicas, entregues em embalagens discretas para qualquer cidade do Brasil. O grande sucesso é o Power Bullet USB, um vibrador clitoriano pequenininho.

Para quem quer testar e se estimular, Claris dá a dica: “Tenha curiosidade e paciência com seu corpo. É importante usar dedos, olhos, pegar um espelho e ver a própria vulva, sentir o que ela deseja e o estímulo que ela prefere. Todas as respostas estão na gente”. Foi bom para você?

Às vezes, tudo o que precisamos é uma noite com a gente mesma! Então acenda uma vela, abra uma garrafa de vinho e veja nossas dicas para chegar lá:

Para ler

Que tal se inspirar com um conto erótico? O livro Delta de Vênus, da autora francesa Anaïs Nin, é hot, hot, hot

  • Para verNão deixe de assistir a Sex Education, da Netflix. Mas se o que você busca são pornôs feministas, atenta aos filmes da Erika Lust
  • Para ouvirAumente o som do Spotify com as playlists Feelin´ Myself, Feche a Porta e Pure Seduction 
  • Fontes da matéria: *Dados da pesquisa Mosaico 2.0, do Programa de Estudos em Sexualidade (Prosex) da Universidade de São Paulo (2016) / **Pesquisa feita pela instituição de caridade de câncer ginecológico Eve Appeal (2016) / ***pesquisa feita por Masters e Johnson (entre 1966 e 1970) / ****Levantamento da ISAPS (Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética), de 2017

Benefícios do orgasmo – SOGIMIG – Nós por Elas

Com parceiro ou não, é possível alcançar o ápice sexual, que dura de 8 a 10 segundos. O orgasmo gera uma descarga elétrica de até 244 milivolts e garante benefícios para a saúde

Os benefícios físicos e psicólogos do orgasmo são amplamente estudados pela comunidade científica.

  Já se sabe que o momento de maior prazer sexual é capaz de aliviar a tensão e as dores, melhorar o sono, diminuir o estresse, reduzir complicações cardíacas, fortalecer a imunidade e promover a longevidade.

Conforme publicação do The Journal of Sex Research, no caso de casais heterossexuais, o clímax feminino estimula o parceiro a se sentir mais viril e realizado sexualmente.

Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) revelou que 55,6% das brasileiras têm dificuldade para chegar ao orgasmo. As principais causas são bloqueio para se excitar (67%) e dor durante a relação sexual (59,7%). “Apesar de ser considerado um tabu, o orgasmo é extremamente benéfico.

No caso das mulheres, estudos atuais relacionam a prática a melhores resultados em tratamentos de ansiedade, depressão ou dependências.

Durante o orgasmo, ocorre um aumento do fluxo de sangue e de oxigênio no cérebro, nutrientes muito benéficos”, explica a ginecologista e diretora da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig) Thelma de Figueiredo e Silva.

As fases do ato sexual se dividem em desejo, excitação e orgasmo. No primeiro momento, não se observa alterações no corpo. É na fase posterior que o sistema nervoso libera uma substância chamada acetilcolina e provoca uma congestão sanguínea nos órgãos sexuais.

“Se na excitação acontece o inchamento da vagina e do pênis, no orgasmo ocorre o oposto, pois a noradrenalina provoca a contração dos vasos sanguíneos. É uma descarga explosiva de tensões neuromusculares, manifestação máxima da experiência sexual”, afirma Thelma.

O orgasmo não se manifesta da mesma forma em mulheres e homens e, mesmo sem um parceiro, é possível alcançar o ápice sexual. A médica recomenda conhecer o próprio corpo para explorar todas as possibilidades.

“Nos últimos anos, as inovações na medicina têm colaborado para melhor satisfação sexual.

Hoje, já é possível diminuir ou aumentar os lábios vaginais e recorrer a uma variedade de procedimentos cirúrgicos no pênis”, detalha.

O mais importante é manter a saúde mental e física em ordem e conhecer a si mesmo. Segundo a ginecologista, muitos desconhecem as zonas erógenas e não sabem como estimulá-las e, por isso, nunca contemplaram o orgasmo.

“Infelizmente, ainda existe uma censura sobre tocar o próprio corpo e se deixar ser tocado. Em alguns casos, traumas na infância, educação rígida e até mesmo problemas de autoestima impedem o orgasmo.

A receita para uma vida sexual plena envolve diálogo e autoconhecimento”, esclarece.

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