Como Se Chama Uma Pessoa Que Não Tem Religião?

Intolerância é a incapacidade em aceitar o que é diferente, é não tolerar opiniões ou práticas que se diferem das suas e muitas vezes são seguidas de atitudes preconceituosas e até mesmo violentas. O Politize! já explicou o que é intolerância, e nesse texto vamos falar um pouquinho mais sobre a intolerância religiosa.

Como Se Chama Uma Pessoa Que Não Tem Religião?

Foto: Tânia Rego / Agência Brasil

Você provavelmente já ouviu falar em casos de preconceito e discriminação de pessoas por conta de sua opção religiosa, não é mesmo? Esse fenômeno acontece no mundo todo e está presente em quase todos os momentos da história. A religião, como você deve saber, já foi e ainda é motivação para guerras e conflitos. A intolerância religiosa atinge todas as crenças, mas a perseguição a determinadas religiões é mais ou menos intensa conforme a região e a época.

Religião

Antes de mais nada, vamos entender quais são as principas religiões do mundo, quais dentre elas são as mais praticadas no Brasil.

No mundo

A religião de maiores adeptos no mundo ainda é o cristianismo, que representa 31,2% da população mundial segundo dados da Pewreasearch. Em segundo lugar está o islamismo com 24,1% de adeptos e o terceiro maior grupo de pessoas é representado por aqueles que não possuem nenhuma religião, seguidos por hindus e budistas.

No Brasil

No Brasil, segundo dados do Censo de 2010, 64,6% da população era católica, seguidos de 22,2% de evangélicos. Assim como no mundo, o terceiro maior grupo no Brasil é representado por aqueles que não têm religião. Em seguida estão “outras religiões”, o espiritismo, a umbanda e o candomblé.

Como Se Chama Uma Pessoa Que Não Tem Religião?

Sugestão: Confira nosso post sobre Liberdade de Crença!

Como Se Chama Uma Pessoa Que Não Tem Religião?

Papa Francisco com fiéis no Vaticano, no dia da canonização do Papa Paulo VI. Foto: Fotos Públicas/Mazur

Intolerância religiosa na História

A história da intolerância religiosa é uma história de séculos. No Império Romano os católicos foram perseguidos. Na Idade Média, católicos perseguiram judeus e pagãos. No Brasil, os portugueses não aceitavam as crenças religiosas dos índios e os catequizaram e no período da escravidão, proibiam os negros de cultuar seus deuses. Esses são apenas alguns exemplos.

Segundo o professor Antonio Ozaí da Silva, a raíz da intolerância está na transição das religiões politeístas para as religiões monoteístas.

Isso porque, ao reconhecer a existência de um Deus único, as religiões deixam de aceitar a existência de outros deuses – não se pode haver concorrência.

É daí que surge a ideia de guerra santa, isto é, a realização de conflitos para afirmar a concepção de um Deus.

Para o professor, a intolerância é resultado do medo e insegurança e da necessidade do ser humano em possuir certezas, e conclui que ela é alimentada por grupos de poder e interesses. Por isso, para entender a intolerância a determinadas crenças, é necessário uma interpretação completa do contexto social, político e econômico.

Intolerância religiosa no Brasil

O artigo 5º da nossa Constituição atual prevê que “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias”. Mas nem sempre foi assim. A Constituição de 1824, por exemplo, declarou oficial a religião católica no país e proibiu a realização de cultos públicos de outras religiões.

Como Se Chama Uma Pessoa Que Não Tem Religião?

A partir da Constituição de 1891 houve a separação oficial dos assuntos religiosos e do Estado, ou seja, o país passou a ser laico. Isso significa que não é permitida a interferência de assuntos religiosos na atuação do Estado. A Constituição atual, além de manter a determinação de que o Estado é laico, garante a liberdade religiosa.

Para saber mais: estado laico: o que é?  

Apesar de nossas leis determinarem a liberdade religiosa, exercer uma fé pode não ser tão livre assim no Brasil.

Considerada crime de ódio, manifestações de intolerância religiosa são comuns no país e ferem tanto a Constituição quanto a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Segundo o Disque 100 do Ministério dos Direitos Humanos, há em média, uma denúncia de intolerância religiosa a cada 15 horas no Brasil. Acredita-se que esse número seja maior, pois muitas ocorrências não são denunciadas.

Segundo dados da Secretaria Especial de Direitos Humanos, de 2011 a 2014 foram feitas 504 denúncias de intolerância religiosa. As religiões mais atacadas foram as de matriz africana, umbanda e candomblé, em segundo lugar estão religiões evangélicas, e em terceiro, espíritas.

Intolerância religiosa no mundo

É difícil encontrar um país onde não haja intolerância religiosa ou extremismo por parte de praticantes de alguma religião. A crença de que uma religião é legítima e deve se sobrepor à outras está relacionada à ideia de fundamentalismo religioso.

Segundo Alex Kiefer, o fundamentalismo é resultado de uma interpretação equivocada que os fiéis fazem dos livros sagrados de sua religião.

Hoje fala-se muito do fundamentalismo islâmico, que está associado a casos de violência e até terrorismo, mas a perseguição religiosa não é uma prática restrita a uma ou outra religião.

Leia também:  A confusão entre o islamismo e o terrorismo

Em Myanmar, país vizinho da China e Tailândia, por exemplo, está acontecendo um genocídio já denunciado pela ONU de uma minoria muçulmana que vive na região, chamada rohingya.

No Tibet, há um conflito entre os budistas e o Partido Comunista Chinês, que matou milhares de tibetanos e causou a destruição de diversos templos.

No Sudão há uma guerra civil há décadas, que dentre outras motivações, está relacionada à divisão entre muçulmanos e não muçulmanos. E no Iraque, os conflitos entre as correntes sunitas e xiitas da religião islâmica já foram responsáveis por milhares de mortes.

Também existem casos de preconceito ou proibição à práticas de determinadas religiões, como aconteceu com as mulheres islâmicas, que foram proibidas de usar o véu em alguns países da Europa.

A busca pela tolerância religiosa

A religião, que teria como propósito principal a solidariedade, a união, a paz e o respeito ao próximo, tornou-se motivo de conflitos e intolerâncias, o que podemos ver com frequência em noticiários.

Nesse tópico, vamos mostrar para você algumas mensagens de livros sagrados ou profetas/lideranças de algumas religiões, nas quais demonstram a vontade pelo uso pacífico da religião.

Todas essas frases foram retiradas da cartilha “Diversidade Religiosa e Direitos Humanos” da Secretaria Especial dos Direitos Humanos:

Em cada indivíduo, em cada povo, em cada cultura, em cada credo, existe algo que é relevante para os demais, por mais diferentes que sejam entre si. Enquanto cada grupo pretender ser o dono exclusivo da verdade, o ideal da fraternidade universal permanecerá inatingível.

A regra de ouro consiste em sermos amigos do mundo e em considerarmos toda a família humana como uma só família. Quem faz distinção entre os fiéis da própria religião e os de outra, deseduca os membros da sua religião e abre caminho para o abandono, a irreligião.

Como Se Chama Uma Pessoa Que Não Tem Religião?

Se eles se inclinam à Paz, inclina-te tu também a ela e encomenda-te a Deus…

Toda crença é respeitável, quando sincera e conducente à prática do bem.

A meta última da religião é o amor. Todas as religiões e crenças são consequentemente válidas, e sua aceitação tem de ser baseada na liberdade e numa opção consciente e espontânea. De outra forma, a religião não teria como meta o amor.

  • Religiões Afro-brasileiras

Prevenir a intolerância é assumir que nenhuma verdade é única. É reconhecer que o outro tem livre arbítrio (…) Esse reconhecimento pressupõe garantir-lhe o direito de pensar, de crer; de amar, de doar, de rezar, de ser gente religiosa. Gente que exercita a missão sagrada de reconhecer no outro a imagem e semelhança de Deus, Olorum ou Javé.”

Em verdade, jamais se destrói o ódio pelo ódio. O ódio só é destruído pelo Amor. Este é um preceito eterno.

Bem Aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem Aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem Aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem Aventurados os que promovem a Paz, porque serão chamados filhos de Deus.

Intolerância religiosa em um mundo plural

Como vimos nesse texto, a intolerância religiosa está presente no mundo todo e em diversas épocas da humanidade.

Crenças que perseguem, em outro momento ou lugar são perseguidas, e essa dificuldade em aceitar a existência de um Deus diferente do seu, foi, e ainda é, motivo de grandes tragédias.

Vivemos em um mundo plural, formado por pessoas diferentes, com posicionamentos, crenças e interesses diferentes e somente o respeito mútuo pode garantir uma convivência saudável em sociedade.

Caso você presencie casos de intolerância – e não apenas religiosa – pode fazer uma denúncia anônima ao Disque 100.

O que achou desse conteúdo sobre intolerância religiosa? Deixe seu comentário.

Aviso: mande um e-mail para [email protected] se os anúncios do portal estão te atrapalhando na experiência de educação política. ????

  • Referências do texto:
    7 conflitos atuais causados por diferenças religiosas
  • Revista Espaço Acadêmico – O que é intolerância religiosa?
  • Todo Estudo – O que é intolerância Religiosa
  • Cartilha Direitos Humanos e Diversidade Religiosa
  • Toda Matéria – Intolerância Religiosa
  • Pew Research Center – Christians remain world’s largest religious group, but they are declining in Europe
  • Quais as maiores religiões do mundo e onde elas se concentram?
  • Sua pesquisa – Religiões no Brasil

Como Se Chama Uma Pessoa Que Não Tem Religião?

O que é o Bule de Russell, o argumento mais usado nas discussões entre ateus e religiosos – BBC News Brasil

Como Se Chama Uma Pessoa Que Não Tem Religião?

Crédito, Getty

Legenda da foto,

Um bule de chá está no centro de muitas discussões entre ateus e fiéis

Você toma o seu chá tranquilamente, quando um amigo aparece e diz: “Sabia que no espaço há um bule que gira em torno do Sol?”

Provavelmente, sua reação imediata seria pedir-lhe provas. Onde está o tal bule?

Mas seu amigo lhe diz que não pode mostrá-lo porque ele é tão pequeno que nem o telescópio mais poderoso do mundo consegue detectá-lo.

Embora a ideia pareça uma loucura, você acaba aceitando a situação, porque não há como demonstrar que não existe, de fato, um bule viajando pelo espaço.

Seu amigo também não tem provas, mas está convencido de que a teoria é real.

Se os dois estão no mesmo barco, a quem recai a responsabilidade de apresentar evidências sobre a veracidade ou inveracidade do bule?

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Criado por Russell, o exemplo do bule de chá leva a discussões apaixonadas sobre a existência de Deus

Aparentemente boba, essa discussão é a base de muitos dos mais acalorados debates entre ateus e fiéis.

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A analogia descrita acima é conhecida como “Bule de Chá de Russell”, porque foi exposta pela primeira vez pelo filósofo e matemático britânico Bertrand Russell em 1952, em um artigo intitulado “Is there God?” (“Deus existe?”).

O biólogo evolucionista Richard Dawkins, por exemplo, uma das figuras mais reconhecidas do ateísmo contemporâneo, refere-se ao bule de chá em várias entrevistas e eventos dos quais participa pelo mundo.

Mas o que Russell estava buscando com seu exemplo do bule de chá e que papel essa ideia desempenha nas discussões sobre a existência de Deus?

Em sua analogia, Russell reconhece que a ideia do bule espacial é absurda, mas em seguida propõe um cenário com o qual chega ao ponto que lhe interessa.

“Se a existência do bule fosse afirmada em livros antigos, ensinada como a verdade sagrada todos os domingos e incutida nas mentes das crianças nas escolas, duvidar de sua existência seria visto como uma excentricidade, e o cético mereceria a atenção de um psiquiatra… Ou de um inquisidor”, escreveu Russell.

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O filósofo britânico Bertrand Russell, que era ateu, ganhou o Nobel de Literatura em 1950

Russell, que era ateu, queria mostrar que o fato de muitas pessoas acreditarem em Deus não significava, segundo ele, que tal força realmente existisse.

Ou, em outras palavras, embora seja impossível provar que algo não exista, isso não pode ser tomado como prova de que essa coisa de fato existe.

Seguindo a analogia de Russell, muitos ateus concluem sua argumentação afirmando que quem deve apresentar as evidências são aqueles que acreditam na existência de Deus.

Até agora, dizem, não há provas de que tal ser sagrado seja real, então não veem razão para acreditar nele.

“As alegações que não podem ser provadas, as afirmações imunes à réplica, são realmente inúteis. Não importa o valor que elas possam ter para nos inspirar”, escreveu o famoso cosmólogo Carl Sagan em seu livro “O mundo assombrado pelos demônios”, no qual, a exemplo de Russell, brincou com a ideia de que em sua garagem havia um dragão invisível.

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A teoría de Russell é citada por ambos os lados para provar seus pontos

Os fieis, por outro lado, não sentem que o argumento do bule espacial os force a buscar mais provas da existência de Deus.

“O bule de Russell é pura fantasia”, disse o sacerdote, teólogo e doutor em filosofia Gerardo Remolina, ex-diretor da Universidade Javeriana, na Colômbia, durante um debate com Richard Dawkins, em 2017.

“A comparação da realidade de Deus é completamente diferente; [como prova] de Deus estamos vendo a natureza, nossa vida”, disse.

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Um dos pontos principais da discussão é: a quem cabe provar a existência ou inexistência de um Criador?

Outros, como o filósofo Alvin Plantinga, professor da Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos, dizem que o argumento do bule não se sustenta porque parte de uma premissa errada.

Russell afirma que não há como provar que o bule não exista, mas, segundo Plantinga, “temos muitas evidências contra o 'bulismo'”, isto é, vestígios indicando que o bule não está no espaço, disse em uma entrevista ao jornal The New York Times em 2014.

Se um bule realmente tivesse sido enviado ao espaço, continuou o professor, teria sido uma história sobre a qual todos nós já teríamos ouvido falar.

Portanto, em sua opinião, o mesmo raciocínio pode ser aplicado à existência de Deus: se Russell acreditava que Deus não era real, ele deveria ter apresentado provas para apoiar sua teoria.

Nas palavras de Plantinga: “Se, como Russell diz, o teísmo é como o 'bulismo', para justificar-se, o ateu deveria ter uma evidência poderosa contra o teísmo”.

Em suma, de acordo com o professor, cabe ao ateu provar que Deus não existe.

Como se pode perceber, a discussão está longe de ser resolvida e pode ser estendida a muitos de nossos dilemas existenciais.

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Todas as sociedades têm algum tipo de religião. Entenda por que a evolução da religião humana é inseparável da linha da evolução do hominídeo e sua crecente capacidade de ser social.Todas as sociedades têm algum tipo de religião. Entenda por que a evolução da religião humana é inseparável da linha da evolução do hominídeo e sua crecente capacidade de ser social.

2 junho 2019

Intolerância religiosa: Polícia Civil explica como identificar os crimes contra a liberdade religiosa – Governo do Estado do Ceará

Como Se Chama Uma Pessoa Que Não Tem Religião?

O dia 21 de janeiro marca o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. A Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) ressalta o dever que temos em respeitar a individualidade e escolha religiosa de cada indivíduo. No Brasil, desde o ano de 1890, o Brasil se tornou um estado laico, ou seja, que não adota religião oficial. Com a implementação do Decreto Federal nº 119-A/1890, houve a extensão e ampliação dos direitos à liberdade religiosa no Brasil. Com isso, todos os brasileiros e estrangeiros que vivem no País são livres para praticar sua fé, seja em ambientes fechados, em casa ou igrejas, bem como em lugares públicos.

Para quem não sabe identificar como ocorre situações de intolerância, ela costuma se manifestar através de discriminação, profanação e agressões, além de ofensas e rechaço a religiões, liturgias e cultos.

Então, simplificando, todo o cidadão brasileiro, tanto para aqueles que possuem uma religião e exercem sua crença, quanto aos que não têm religião, têm o direito e é amparado por lei para manifestar sua ideologia ou fé por uma determinada religião.

No Ceará, no ano passado, foram registradas dez ocorrências de crime contra o sentimento religioso. Todos baseados no antigo de 208 do Código Penal Brasileiro.

A infração penal prevê pena de um mês a um ano ou multa, a qualquer pessoa que publicamente, por motivo de crença ou função religiosa, impeça ou perturbe as cerimônias ou prática de culto religioso e despreza publicamente ato ou objeto de culto religioso alheio.

Os dados foram compilados pela Gerência de Estatísticas e Geoprocessamento (GEESP) da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).

Para o diretor do Departamento de Polícia Judiciária Especializada (DPJE), delegado Márcio Gutierrez, é essencial que as pessoas tomem conhecimento sobre seus direitos, no que diz respeito à manifestação religiosa.

“Quando a pessoa tem preconceito ou discriminação por sua religião ou se manifesta contra a sua escolha religiosa e não permite que você exponha sua opinião ou pratique sua religiosidade, isso se configura como crime. Seja ele por meios sociais ou pessoalmente. Ressalto que o artigo 20 da lei nº 7.

716/1989 (Lei Preconceito ou Racismo) diz que é crime praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”, finaliza Gutierrez.

Desse modo, se a vítima for humilhada, discriminada publicamente, individualmente ou através de redes sociais, ou seja impedido de expor ou praticar sua religiosidade, ela pode e deve registrar um Boletim de Ocorrência (BO), que pode ser feito presencialmente em qualquer unidade da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) ou por meio da Delegacia Eletrônica (Deletron), pelo site www.delegaciaeletronica.ce.gov.br/beo/, em qualquer horário do dia ou da noite. A Delegacia Eletrônica atende todo o Estado do Ceará.

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Em que acreditam os ateus?

A frase “Sou ateu, graças a Deus” é atribuída a Buñuel e tem as duas qualidades que Sócrates reivindicava para a filosofia: ironia e maiêutica.

A primeira é evidente, faz rir; a segunda joga luz sobre uma ideia do pensamento védico e dos místicos cristãos (Böhme, Eckart): embora você se esforce em negá-lo, Ele mesmo (ou ela mesma, se falamos da consciência) torna possível a sua negação.

Por Ele existe algo em vez de nada (Leibniz), por ela é possível o amor intelectual ao divino (Spinoza), único modo de tocar o eterno. Mas todas essas são visões do passado. Hoje, a forma mais genuína de ser religioso é ser ateu (Panikkar).

Um livro recente, Siete Tipos de Ateísmo (sete tipos de ateísmo), de John Gray, analisa o complexo legado das tradições ateias. Gray não deixa pedra sobre pedra. Dos fiéis da fé laica no progresso até as grandes teorias da evolução social, de Spencer a Marx.

A morte de Deus deixa um lugar vazio para diversos ídolos: os delírios positivistas de Auguste Comte, o exagerado recato racionalista de Stuart Mill, o magnetismo animal de Mesmer e algumas opiniões de Kant e Voltaire: “O racismo e o antissemitismo emanam de crenças centrais do Iluminismo.

” Exemplos mais próximos: o ultraindividualismo de Ayn Rand, os delirantes memes de Richard Dawkings e o trans-humanismo que almeja alçar a mente ao ciberespaço. Todos eles projetos de autodeificação, seja do indivíduo ou da sociedade.

Gray considera que a crença na espécie humana como “agente coletivo”, que se propõe grandes projetos e os realiza na história, é um mito herdado do monoteísmo. Ou a humanidade (ou um setor dela) brinca de Deus, ou os humanos acabam se transformando em deuses.

Os delírios e alucinações que antes se associavam ao sagrado desembocam agora no social

É difícil definir o ateísmo e condensá-lo numa única fórmula. Compartilho a antipatia de Gray ante certo ateísmo opressivo e claustrofóbico que reproduz as manias do monoteísmo. Talvez isso se deva a que os valores tenham algo de genético, e não podemos abrir mão de tudo o que herdamos e respiramos na infância, seja a favor ou contra.

Inimigo implacável do cristianismo, Nietzsche foi também um pensador cristão. Via no animal humano uma necessidade de redenção; o niilismo era evitável se fôssemos capazes de criar o sentido perdido após a morte de Deus. O Übermensch [Além-homem] devia desempenhar essa função, comparável à do redentor.

Gray é um ateu encantado por viver num mundo sem deuses ou com um deus inominável. Mas se declara inimigo do ateu militante que, embora negue sê-lo, é o pior crente de todos, tedioso e pouco inspirador (o nada não precisa de propaganda), e resgata ateus como Santayana, que amava a religião, ou como Schopenhauer, cujo único deus era a música.

Curiosamente, o livro perde um pouco de seu brilhantismo quando fala deles.

O último barômetro do Centro de Pesquisas Sociológicas (CIS) indica uma porcentagem histórica de não crentes na Espanha, até 27%, chegando a quase 50% no caso dos jovens.

Podemos viver sem igrejas, é certo, mas podemos viver sem religião? As religiões não são teorias do universo, e sim tentativas de dar sentido à experiência.

Se nos atemos à etimologia, podemos viver sem estar religados ao mundo e à paisagem? Em sua definição do religioso, os antropólogos recorreram ao conceito do sagrado.

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A religião não era uma questão de crenças (em um Criador, nos milagrosos ou nos benefícios da oração), mas de práticas sociais. O enfoque deixou claro que os sacerdotes não podiam definir a religião, passando a considerá-la um artefato cultural com pelo menos três elementos: literatura sagrada, comunidade sagrada e práticas rituais.

Os ídolos tradicionais saem do templo enquanto entram outros, como o trabalho e a pátria

Durkheim adotou o funcionalismo, e o sagrado passou a ser um fator de coesão social. Mas, desde Newton, o estímulo da ciência vinha desalojando o sagrado da vida civil. Marx o transformou em um narcótico idiotizante, Freud em uma neurose, e o sagrado, tão arraigado na psique humana, sentiu-se encurralado.

Então deixou de apontar para uma transcendência para se voltar sobre si mesmo, sobre o social. Essa é a tese de Roberto Calasso em La Actualidad Innombrable (a atualidade inominável). A era moderna vive ensimesmada com o social.

Para Marcel Mauss, isso era claro: “Se os deuses, cada um em seu momento, saem do templo e se tornam profanos, vemos que o relativo à própria sociedade humana (a pátria, a propriedade, o trabalho, o indivíduo) entra no templo progressivamente.” As sociedades seculares modernas se rendem ao culto de si mesmas.

São sociedades autocentradas, que não olham além de seu próprio ordenamento e não buscam modelos no cosmos ou na fisiologia, e sim na própria história e suas instituições, declarações e conquistas.

Mas a sociedade completamente secularizada é a menos secularizada de todas, pois todos os delírios, fantasmagorias e alucinações que antes se associavam ao sagrado desembocam agora no social. A religião do nosso tempo é a “religião da sociedade”.

Um indivíduo que negue o Criador pode afirmar, no entanto, que o divino está em todas as partes

Ernst Bloch é um bom exemplo de ateu que invoca concepções monoteístas. Filósofo das utopias e esperanças, de prosa telegráfica e esmerada (brinca de esconde-esconde com o leitor), ele recorre ao Antigo Testamento em busca das sementes do ateísmo. “Só um ateu pode ser um bom cristão”, afirma.

Frente à religião do Deus original, ele escolhe o Deus futuro do Êxodo. “Eu serei o que serei.” A sarça ardente revela o sonho do incondicionado, cujo caminhar culmina no bolchevismo. Muito na linha de outro livro, Sobre la Religión (sobre a religião), onde Marx a coloca “ante o tribunal da filosofia” (hegeliana).

Após seu fracasso como modelo político, o náufrago do marxismo regressa como espectro da tradição messiânica e clama justiça para todos, aqui e agora.

Marx considera que a ideia de Deus surge na história porque a vida é assediada pela miséria, mas esse Deus tem uma natureza ilusória e só existe na mente de seus fiéis (não nos esqueçamos de que Marx identifica o real com o material).

Os deuses são sempre locais: se tivesse nascido na Índia, onde o mental tem mais realidade que o material, Marx teria sido considerado um escritor piedoso.

E foi, em certo sentido, não tanto por postular uma lógica da história que culmina com a revolução (redenção), mas porque essa Bíblia subterrânea sobre a qual fala Bloch, que ressurge uma e outra vez no Ocidente em forma de prefiguração utópica, é um fenômeno mental (ou de consciência política, como quiserem). Ambos os livros se complementam com uma documentada Historia del Ateismo Femenino en Occidente (história do ateísmo feminino no Ocidente), cuja finalidade é desmentir o preconceito de que as mulheres não participaram da crença de que Deus não existe.

Santayana amava a religião, mas deplorava o monoteísmo beligerante e proselitista, que pretendia impor seu modelo à diversidade dos povos. Se dissecamos um conjunto qualquer de valores, logo veremos que nem sempre são coerentes entre si.

Não apenas é impossível que todos os seres humanos vivam de acordo com uma mesma moral, mas também a ideia de uma moral única está cheia de perigos e contradições. Nenhum conjunto de crenças ou práticas vale para todo mundo, sejam individuais ou sociais. Manter essa postura faz aparecer o fantasma do relativismo.

Mas o valor é sempre algo relativo à vida, uma dignidade que pode adquirir uma coisa a um ser vivo e, para isso, deve se ajustar às necessidades vitais.

Os valores não podem vir dos fatos, pois sem eles não poderíamos sequer perceber; tampouco podem ser objetivos, porque não é possível abstraí-los dos organismos que nos sustentam. Nesse sentido, a ironia, o humor e o pensamento nômade são eficazes ante ruidosos dogmas.

Fritz Mauthner, cuja história do ateísmo foi livro de cabeceira de Samuel Beckett, afirmava que os ateus deviam prescindir não da crença em Deus, mas da própria ideia de Deus, como propunha Eckhart.

Nesse sentido, a teologia negativa se aproxima do ateísmo do silêncio, um ateísmo contemplativo que abre mão de supostos melhoradores do mundo. Curiosamente, um ateu que negue o Criador pode afirmar que o divino está em todas as partes, embora nada possa se dizer sobre isso.

É como voltar à origem, quando o primeiro filósofo, Tales de Mileto, deixou dito que tudo estava cheio de deuses.

Não tem Religião? 7 tipos de Descrentes

Tradução José Filardo

 Por Valerie Tarico

Rótulos religiosos ajudar a reforçar a identidade. Então, quais são algumas das coisas que os não-crentes podem se chamar?

3 Junho 2012  |

Católico, Renascido, Reformado, Judeu, Muçulmano, Xiita, Sunita, Hindu, Sikh, Budista. . . .  As religiões dão rótulos às pessoas. A desvantagem pode ser o tribalismo, uma suposição que os que pertencem são melhores do que os que estão fora, que eles merecem mais compaixão, integridade e generosidade ou mesmo que a violência contra “infiéis” é aceitável.

Mas, a vantagem é que os rótulos religiosos ou espirituais oferecem uma maneira de definir quem somos.  Eles lembram os adeptos que nosso senso moral e a busca por sentido são partes essenciais do que significa ser humano.  Eles tornam mais fácil transmitir um subconjunto de nossos valores mais profundos às outras pessoas, e até mesmo para nós mesmos.

Para aqueles que perderam a sua religião ou nunca tiveram uma, encontrar um rótulo pode parecer importante.  Pode ser parte de um processo de cura ou, alternativamente, uma forma de declarar a resistência a um paradigma dominante e opressivo.  Mas, encontrar a combinação certa de palavras pode ser um desafio.

  Para que um rótulo se ajuste, ele precisa ressoar pessoalmente e também comunicar o que você quer dizer ao mundo.  As palavras têm conotações, definições e história, e como as pessoas reagem ao seu rótulo será afetado por todos os três.

  O que isso significa? Quais as emoções ela evoca? Quem você está identificando como seus antepassados intelectuais e espirituais e sua comunidade? As diferenças podem ser sutis, mas são importantes.

Se, de um jeito ou de outro, você deixou a religião para trás, e se você estiver sem saber o que se chamar, você pode experimentar um destes:

1. Ateu.

O termo ateu pode ser definido literalmente como falta de um conceito de deus humanoide, mas historicamente isso significa uma de duas coisas. Ateísmo Positivo afirma que um ser supremo pessoal não existe. Ateísmo negativo simplesmente afirma a falta de crença em tal divindade.

  É possível ser um ateu positivo sobre o Deus cristão, por exemplo, mantendo uma postura de ateísmo negativo ou até mesmo a incerteza sobre a questão de uma divindade mais abstrata como uma “força motriz”.

Nos Estados Unidos, é importante saber que ateu pode ser o rótulo mais vilipendiado por uma pessoa descrente.  Crentes devotos usam isso como um insulto e muitos presumem que um ateu não tem moral.  Até recentemente, chamar a si mesmo um ateu era um ato de desafio.  Isso parece estar mudando.

  Com a ascensão dos “Novos Ateus” e do recente movimento de visibilidade dos ateus, o termo está perdendo sua agressividade.

2. Antiteísta.

Quando ateu constantemente evocava imagens de Madeline Murray O’Hare, hostilidade em relação à religião era assumida.

  Agora que isso pode evocar uma vovó de cabelos brancos na Igreja Unitária ou o garoto gay de Glee, algumas pessoas querem um termo que transmita mais claramente a sua oposição a todo o establishment religioso.  O termo antiteísta diz: “Eu acho que a religião é prejudicial.

” Isso também implica alguma forma de ativismo que vai além da mera defesa da separação Igreja-Estado ou da educação científica.  O Antiteísmo desafia a legitimidade da fé como uma autoridade moral ou maneira de conhecimento.

  Os Antiteistas muitas vezes trabalham para expor os males causados em nome de Deus, tais como apedrejamentos, agressões aos gays, maus tratos religiosos, mutilação genital, filhos indesejados ou crimes de colarinho clerical.  Os escritores Novos Ateus, incluindo Christopher Hitchens e Richard Dawkins podem ser mais bem descritos como antiteistas.

3. Agnóstico.

Alguns ateus pensam dos agnósticos como um termo acovardado, porque ele é usado por pessoas que não possuem um conceito de deus, mas não querem ofender os membros da família ou colegas.  Agnóstico não transmite a mesma sensação de confronto ou desafio que Ateu, e por isso é usado como uma ponte.

Mas, na realidade, o termo agnóstico representa um série de posições intelectuais que têm substância importante no seu próprio direito e podem ser independentes do ateísmo. Agnosticismo forte vê a existência de deus como incognoscível, de forma permanente e para todas as pessoas.

Agnosticismo fraco pode significar simplesmente “Eu não sei se existe um deus”, ou “Nós coletivamente não sabemos se existe um deus, mas podemos descobrir no futuro.

” Alternativamente, o termo agnosticismo pode ser usado para descrever uma abordagem do conhecimento, um pouco como o ceticismo (que vem a seguir na lista). O filósofo Thomas Huxley ilustra essa posição:

O Agnosticismo não é um credo, mas um método, cuja essência reside na aplicação vigorosa de um princípio único … Positivamente o princípio pode ser expresso como “em matéria de intelecto, não finja que conclusões são certas que não estão demonstradas ou sejam demonstráveis.

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Essas três definições de agnosticismo, embora diferentes, enfocam todas o que fazemos ou podemos saber, em vez de enfocar a própria existência de um deus.  Isto significa que é possível ser, ao mesmo tempo, ateu e agnóstico.  O Autor Phillip Pullman descreveu-se como ambos.

A questão de qual termo utilizar é uma tarefa difícil; em termos estritos, eu suponho que sou um agnóstico, porque, claro, o círculo das coisas que eu sei é muito menor do que as coisas que eu não sei, e lá fora, na escuridão, em algum lugar, talvez exista um deus.

Mas, entre todas as coisas que eu sei neste mundo não vejo nenhuma evidência de qualquer deus e todo mundo que afirma saber que existe um deus parece usar isso como desculpa para exercer poder sobre outras pessoas e, historicamente, como sabemos de olhar a história só na Europa, isso envolve perseguição, massacre, o abate em escala industrial, é uma perspectiva chocante.

4. Cético.

Tradicionalmente, cético tem sido usado para descrever uma pessoa que duvida de dogmas religiosos recebidos.  No entanto, embora o agnóstico enfoque questões de deus em particular, o termo cético expressa uma abordagem mais ampla da vida.

  Alguém que chama a si próprio um cético colocou o pensamento crítico no cerne da questão.

  Céticos bem conhecidos, como Michael Shermer, Penn e Teller, ou James Randi  dedicaram a maior parte de seu esforço a desmascarar a pseudociência, medicina alternativa, astrologia e assim por diante.

  Eles amplamente desafiam a tendência humana de acreditar em coisas com base em provas insuficientes.  O comediante britânico Tim Minchen é um ateu declarado que ganha a vida em parte cutucando a religião.  Mas seu poema mais amado e hilariante, Tempestade, ataca a homeopatia e a atitude hippie.

5. Livre pensador.  

Livre-pensador é um termo que remonta ao final do século XVII, quando foi usado pela primeira vez na Inglaterra para descrever aqueles que se opunham a Igreja e à crença literal na Bíblia.  O livre pensamento é uma postura intelectual que diz que as opiniões devem ser baseadas na lógica e em provas ao invés de autoridades e tradições.

  Filósofos bem conhecidos, incluindo John Lock e Voltaire eram chamados de livres-pensadores em sua época, e uma revista, O Freethinker, foi publicada na Grã-Bretanha continuamente de 1881 até hoje. O termo ficou popular recentemente, em parte porque é afirmativo.

  Diferentemente do ateísmo, que se define em contraste com a religião, o livre-pensamento se identifica com um processo ativo para decidir o que é real e importante.

6. Humanista.

Enquanto termos como ateu ou antiteista enfocam a falta de crença em deus e agnóstico, cético e livre-pensador todos enfocam formas de conhecimento – humanista concentra-se em um conjunto de valores éticos.

Humanismo visa promover o bem-estar amplo com o avanço da compaixão, igualdade, autodeterminação, e outros valores que permitem aos indivíduos desenvolver-se e viver em comunidade uns com os outros.  Estes valores não se originam de revelação, mas da experiência humana.

  Como pode ser visto em dois manifestos publicados em 1933 e 1973, respectivamente, os líderes humanistas não se furtam a conceitos como alegria e paz interior que tenham conotações espirituais.

Na verdade, alguns pensam que a própria religião deve ser recuperada por aqueles que foram além sobrenaturalismo, mas reconhecem os benefícios da comunidade espiritual e ritual.  O Capelão de Harvard, Greg Epstein sonha incubar uma próspera rede de congregações seculares.

7. Panteísta.

Enquanto os autointitulados humanistas procuram recuperar os aspectos éticos e comunitários da religião, os panteístas concentram-se no coração espiritual da fé – a experiência de humildade, admiração e transcendência.

  Eles veem os seres humanos como uma parte pequena de uma vasta ordem natural, com o Cosmos tornado consciente em nós.  Os Panteístas rejeitam a ideia de uma pessoa-deus, mas acreditam que o santo se manifesta em tudo que existe.

  Consequentemente, eles muitas vezes têm um forte compromisso em proteger a rede sagrada da vida na qual e da qual temos a nossa existência.

  Os escritos de Carl Sagan refletem esse sentimento e, muitas vezes, são citados por panteístas, por exemplo, em uma série de vídeos “Symphony of Science” que mistura imagens evocativas do mundo natural, música atonal, e as vozes dos cientistas, e que recebeu 30 milhões de visitas.

Se nenhum destes servir. . . .

Continue procurando.  Muitos dos fundadores dos Estados Unidos eram deístas que não acreditavam em milagres ou revelação especial através de textos sagrados, mas pensavam que o mundo natural revelava um criador que poderia ser descoberto através da razão e da investigação.

Os Naturalistas assumem uma posição filosófica de que as leis que operam dentro do reino natural são as únicas leis que regem o universo e nenhum reino sobrenatural existe além dele. Os Secularistas argumentam que os padrões morais e as leis devem basear-se em fazer o bem ou mal neste mundo e que a religião deve ser mantido fora do governo.

Os Pastafarians divertidamente afirmam adorar o Monstro Voador de Espaguete, e sua religião é uma paródia bem-humorada das crenças e rituais abraâmicos.

Recentemente houve aumento acentuado nas pessoas que se identificam como descrentes e um aumento simultâneo dos esforços de visibilidade de ateu e humanistas.  Muita pessoas descrentes estão recentemente fora da religião (ou assumiram sua descrença recentemente).

  Apesar dos melhores esforços de, digamos, o Projeto Comunidade Humanista ou a Fundação Além da Crença, comunidades estáveis organizada em torno de partilha de valores seculares e práticas espirituais ainda precisam surgir.  Isso significa que nossos rótulos são em grande parte individuais e, por vezes experimentais.

  Podemos tentar um para ver se serve, viver com ele por um tempo, então tentar outra coisa.

Como um movimento, minorias sexuais e de gênero enfrentaram um desafio semelhante.  GLB começou a substituir o termo “comunidade gay” na década de 1980. Tornou-se então GLBT, e depois GLBTQ (para reconhecer aqueles que estavam questionando) ou GLBTIT (para incluir as pessoas transexuais).  Na Índia, foi adicionado um H ao final para a subcultura Hijra.

  Para adolescentes urbanos, o termo geral bicha já foi substituiu pela sigla complicada.  Bicha abraça a ideia de que a identidade sexual e de gênero é biologicamente e psicologicamente multifacetada.  Ele inclui todos os que não pensam em si como heterossexuais.

  Ativistas de direitos seculares podem, eventualmente, evoluir para um termo abrangente semelhante, mas neste meio tempo, as organizações que querem ser abrangentes, acabam com longas listas em suas páginas ‘Sobre…’ : ateu, agnóstico, humanista, livre-pensador, cético, panteísta e outros mais.

  Então, junte-se a experiência de escolher um que se encaixe e use-o por um tempo.  Ou crie o seu próprio.  Eu, muitas vezes, me chamo de “não-teísta espiritual.

” É um bocado, mas obriga as pessoas a perguntar, que é isso? e, então, ao invés de tê-los fazendo suposições, tenho que lhes dizer onde estou: Eu não tenho qualquer tipo de conceito de deus humanoide, e eu acho que as questões de moralidade e significado estão no cerne do que que significa ser humano. Talvez no próximo ano eu encontre algo que se encaixe ainda melhor.

Valerie Tarico é psicóloga e escritora em Seattle, EUA e fundadora da Wisdom Common. Ela é a autora de “Trusting Doubt: A Former Evangelical Looks at Old Beliefs in a New Light” e de “Deas and Other Imaginings”. Seus artigos podem ser encontrados em Awaypoint.Wordpress.com.

Publicado em AlterNet

Qual a diferença entre um ateu e um agnóstico?

Vamos primeiro com a definição para quem está “sem tempo, irmão”: ateu é quem não acredita em Deus e nega sua existência. Já o agnóstico afirma que é impossível afirmar com certeza se Deus existe ou não.

Entre os agnósticos, há os ateístas (que acreditam não ser possível provar a existência de Deus nem acreditam nele) e os teístas (que acreditam não ser possível provar a existência de Deus, mas preferem apostar que ele existe).

Entre os ateus famosos estão o filósofo Friedrich Nietzsche e, entre os agnósticos, o ator Charlie Chaplin.

O biólogo evolutivo Thomas Huxley – sim, ele é parente do escritor britânico Aldous Huxley – inventou a palavra “agnóstico” em 1884. Ela significa “desconhecido” em grego.

Em suas palavras, o objetivo era “denotar pessoas que, como eu, confessam ser irremediavelmente ignorantes no que diz respeito a uma variedade de assuntos – assuntos sobre os quais os teólogos e metafísicos, ortodoxos e heterodoxos, dogmatizam com a máxima confiança.”

Essa ideia ecoa até hoje graças ao trabalho do filósofo da ciência Karl Popper. Ele afirmava que uma hipótese científica sobre o funcionamento do mundo jamais pode ser comprovada satisfatoriamente.

A única esperança de um cientista é realizar um grande número de experimentos e verificar que todos reforçam a hipótese em vez de contradizê-la. Se um único experimento der errado, é porque a hipótese é errada.

Mas não existe nenhum experimento capaz de provar definitivamente que a hipótese está certa.

Nesse argumento, a hipótese da existência de Deus não pode ser falseada experimentalmente, portanto, não pertence à ciência. É algo exterior à ela, impossível de se provar ou refutar.

Ateus lançam mão de outros argumentos para afirmar sua posição. Um bastante simples é o da regressão infinita, expressado com elegância por David Hume. Ele parte da ideia de Aristóteles de que todas as coisas são causadas por outras coisas que vieram antes.

Por exemplo, o acidente de carro ocorreu porque o motorista bebeu. O motorista bebeu porque foi traído pela mulher.

A mulher traiu o motorista porque o relacionamento era infeliz… e por aí vai, até chegarmos, naturalmente, à causa final de todas as coisas: Deus, que deu start no cosmos.

O problema é que Deus por si só é uma entidade bem complexa, portanto, para assumir sua existência, é preciso continuar a regressão para estados mais simples. E aí os religiosos quebram as pernas: se tudo caminha de um estado mais simples para um mais complexo e Deus é tão complexo, então de onde ele veio?

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