Como Se Chama Quem Pratica Bullying?

Como Se Chama Quem Pratica Bullying?

O bullying tem mobilizado autoridades de inúmeros países, incluindo o Brasil. O problema atinge pessoas das mais diversas idades, especialmente crianças e adolescentes, e pode causar danos graves às vítimas. Em 2018, foi aprovado um projeto de lei que atribui às escolas a responsabilidade de prevenir e combater diversas formas de violência em seus meios, o que inclui o bullying. Essa medida é complementa a Lei de Combate ao Bullying, de 2015.

  • Entenda o significado do termo e como o governo brasileiro e de outros países interpreta e combate esse problema.
  • Se preferir, escute nosso podcast sobre o tema:
  • Listen to “#032 – Bullying” on Spreaker.

DEFINIÇÃO DE BULLYING

Como Se Chama Quem Pratica Bullying?

Bullying é um termo de origem inglesa, popularizado pelo professor de psicologia Dan Olweus. Em países como o Reino Unido e os Estados Unidos, alunos que intimidam alunos verbal e fisicamente são chamados de bullies (valentões). E é precisamente a essa prática que se refere o termo bullying: gestos que intimidam e agridem pessoas tanto verbal quanto fisicamente. A prática é deliberadarecorrente, ou seja, o agressor tem prazer em humilhar a vítima e volta a praticar inúmeras vezes. Os ataques ocorrem sem motivo aparente. Existem também meios mais sutis de bullying, como isolar a vítima socialmente ou espalhar boatos sobre ela.

Como Se Chama Quem Pratica Bullying?

A vítima de bullying costuma ser uma pessoa com características que a diferenciam da maioria e a tornam mais vulnerável a ataques. A prática ocorre, portanto, por conta de uma relação desigual de poder entre o perpetrador e a vítima. Outro problema é que a vítima costuma ser uma pessoa com dificuldades de se impor e impedir as agressões. Por isso, muitas vezes elas sofrem em silêncio.

Por outro lado, o agressor costuma ser uma pessoa com problemas de empatia, vindo de famílias problemáticas. Mas alguém que pratica bullying também pode querer se tornar mais popular ou simplesmente sentir-se mais poderoso. Há quem considere o bullying uma doença.

O QUE É E O QUE NÃO É BULLYING

Como Se Chama Quem Pratica Bullying?

Nem toda agressão pode ser chamada de bullying. Primeiro, o bullying geralmente ocorre entre pares (entre colegas de escola, de faculdade, de trabalho, etc). Além disso, brigas e discussões pontuais não são suficientes para caracterizar bullying, pois decorrem de outros motivos. Um exemplo clássico da prática – muito retratado em filmes infantis – é o que ocorre entre uma criança maior, mais velha e mais forte contra uma criança menor, mais nova e mais fraca. Como a criança menor não tem como se defender do “valentão”, ela sofre na mão dele. É obrigada a entregar dinheiro do lanche, é chamado de apelidos jocosos e leva surras.

Com a internet, surgiu o cyberbullying, ou seja, práticas de bullying por meios virtuais, como redes sociais. Os agressores utilizam esses meios para difundir boatos sobre as vítimas, postar fotos e conteúdos que as expõem indevidamente, entre outros.

PÚBLICO ESPECTADOR

Segundo Telma Vinha, doutora em Psicologia Educacional e professora da Faculdade de Educação da Unicamp, a presença de um público espectador é um dos elementos mais importantes para se caracterizar o bullying. Outras pessoas assistem às agressões.

A reação delas é mista: muitas riem das agressões e não as consideram danosas; outras tomam as dores da vítima. Mas a maioria, mesmo percebendo a violência, não confronta o agressor.

O motivo disso pode ser o medo de ser a próxima vítima dele (muito comum nas escolas).

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ONDE OCORRE O BULLYING?

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A prática não se limita aos colégios e às creches. Não se trata de uma mera “brincadeira de criança”. A dinâmica pode ser reproduzida em praticamente qualquer contexto social. Em faculdades, empresas, instituições públicas e qualquer outro ambiente também há bullying, mesmo que seja mais disfarçado ou tolerado. O bullying corporativo, por exemplo, é um grave problema que atinge muitos profissionais. Onde há uma relação de repetidas agressões verbais ou físicas a uma pessoa, causando-lhe dor e angústia, há um caso de bullying.

QUAIS SÃO AS CONSEQUÊNCIAS DO BULLYING?

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A prática não pode ser encarada como uma questão banal. As agressões podem ter implicações graves à vítima, principalmente em sua saúde mental. Depressão, autoestima baixa e sentimentos negativos são problemas comuns entre quem sofre ou já sofreu. Em último caso, pode haver o suicídio.

QUAL É O TAMANHO DO PROBLEMA?

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Dados do IBGE indicam que, infelizmente, a prática é generalizada. Por um lado, um terço dos estudantes brasileiros relata sofrer bullying (dados de 2011). Por outro, um em cada cinco já teria praticado, segundo estudo do IBGE de 2015, baseado em perguntas feitas a mais de 100 mil estudantes. A pesquisa de 2015 também revelou que metade dos praticantes não sabem explicar por que agridem os colegas. Os alvos mais apontados nas agressões foram aparência do corpo ou do rosto, cor ou raça, orientação sexual e origem das vítimas.

Dados do Diagnóstico Participativo das Violências nas Escolas, feito em 2016, apontam que 69,7% dos jovens afirmam terem visto algum tipo de agressão dentro da escola, seja agressão verbal, física, discriminação, bullying, furto, roubo ou ameaças.

POLÍTICAS ANTI-BULLYING: BRASIL E MUNDO

Por ser uma prática bastante comum e também muito danosa às vítimas, países têm criado formas de combatê-lo. Estados Unidos, Canadá e Noruega incluíram nos currículos planos de prevenção ao bullying, que devem ser postos em prática por cada escola. A Noruega utiliza metodologia elaborada por Dan Olweus, pesquisador que criou o termo bullying.

Outros países punem pelas vias legais. O Reino Unido, por exemplo, considera a prática um caso de assédio ou perseguição. Agressores podem ser responsabilizados criminalmente. Já a Finlândia categoriza a prática como crime específico, sujeito a multas e restrição de liberdades. As escolas em que o bullying ocorre podem ser processadas por negligência.

O Brasil adotou legislação anti-bullying em novembro de 2015. A então presidente Dilma Rousseff sancionou o Programa de Combate à Intimidação Sistemática, que prevê a capacitação de docentes e equipes pedagógicas, campanhas educativas e assistência psicológica e jurídica às vítimas e agressores.

Mas a lei também determina que se evite punir quem pratica, fato que motivou críticas de entidades ligadas à educação. No lugar da punição, deve-se privilegiar ações alternativas que responsabilizem o indivíduo e alterem o comportamento agressivo.

A lei anti-bullying brasileira se assemelha à de muitos estados americanos.

Última atualização em 18 de abril de 2018

Como Se Chama Quem Pratica Bullying?

O que é Bullying?

Daniela Diana

Professora licenciada em Letras

O bullying corresponde à prática de atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, cometidos por um ou mais agressores contra uma determinada vítima.

Em outros termos, significa todo tipo de tortura física ou verbal que atormenta um grande número de vítimas no Brasil e no mundo. O termo em inglês “bullying” é derivado da palavra “bully” (tirano, brutal).

Ainda que esse tipo de agressão tenha sempre existido, o termo foi cunhado na década de 70 pelo psicólogo sueco Dan Olweus.

O Bullying pode ocorrer em qualquer ambiente onde existe o contato interpessoal, seja no clube, na igreja, na própria família ou na escola.

Aos poucos o combate efetivo ao bullying vem ganhando importância na mídia e em ONG’s empenhadas em campanhas de anti-bullying. Isso porque essa prática tem aumentado consideravelmente nos últimos anos no país e no mundo.

Bullying na Escola

Como Se Chama Quem Pratica Bullying?O Bullying nas escolas é um dos mais comentados hoje em dia

Conflitos entre crianças e adolescentes são comuns, pois trata-se de uma fase de insegurança e autoafirmação. Porém, quando os desentendimentos são frequentes e partem para humilhações, é aí que o bullying prolifera.

Nas escolas, as agressões geralmente são praticadas longe das autoridades. Ocorrem normalmente na entrada ou saída do prédio, ou ainda quando os professores não estão por perto.

Podem também acontecer de forma silenciosa, na sala de aula, na presença do professor, com gestos, bilhetes, etc. As agressões físicas são mais difíceis de serem escondidas e muitas vezes levam a família a transferir a vítima para outra escola.

O agressor, em geral, tem uma mente perversa e às vezes doentia. Ele é consciente de seus atos e consciente que suas vítimas não gostam de suas atitudes, mas agride como forma de se destacar entre seu grupo. Assim, os agressores pensam que serão mais populares e sentem o poder com esses atos.

Os agressores buscam vítimas que normalmente destoam da maioria por alguma peculiaridade. Os alvos preferenciais são:

  • os alunos novatos;
  • os extremamente tímidos;
  • os que têm traços físicos que fogem do padrão;
  • os que têm excelente boletim, o que serve para atiçar a inveja e a vingança dos menos estudiosos.
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Consequências do Bullying

Como Se Chama Quem Pratica Bullying?As consequências do Bullying apresentam diversos sinais típicos em suas vítimas

Geralmente, as vítimas do bullying têm vergonha e medo de falar à família sobre as agressões que estão sofrendo e, por isso, permanecem caladas.

As vítimas de agressão física ou verbal ficam marcadas e essa ferida pode se perpetuar por toda a vida. Em alguns casos, a ajuda psicológica é fundamental para amenizar a difícil convivência com memórias tão dolorosas.

Aqui, portanto, cabem aos pais e familiares notarem os sintomas das crianças e/ou adolescentes. Com isso, se perceber alguma diferença no comportamento, é importante contactar os responsáveis da escola e ainda ter uma conversa franca com a pessoa que foi agredida.

Ações como esta, podem evitar constrangimentos futuros, ou mesmo tragédias, como o suicídio da vítima.

Alguns sinais típicos são observados nos alunos vítimas de bullying, entre eles:

  • recusa de ir para a escola;
  • tendência ao isolamento;
  • falta de apetite;
  • insônia e dor de cabeça;
  • queda no desempenho escolar;
  • febre e tremor.

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Tipos de Bullying

Como Se Chama Quem Pratica Bullying?O Cyberbullying é um tipo de Bullying que tem aumentado com a expansão das tecnologias de informação

  • Cyberbullying: quando o bullying ocorre por meio das tecnologias da informação, seja internet (redes sociais, e-mails, etc.) e/ou celulares (torpedos).
  • Verbal: quando o bullying acontece por meio de palavras de baixo calão, apelidos e insultos.
  • Moral: associado ao bullying verbal, ele ocorre através de boatos, difamações e calúnias.
  • Físico: quando o bullying envolve a agressões físicas, seja empurrão, bater, chutes, etc.
  • Psicológico: quando o bullying envolve aspectos que afetam o psicológico, por exemplo, chantagem, manipulação, exclusão, perseguição, etc.
  • Material: quando o bullying é definido por ações que envolvem roubo, furtos e destruição de objetos pertencentes a alguém.
  • Sexual: nesse caso, o bullying é cometido por meio de abusos e assédios sexuais.

Legislação no Brasil

Até pouco tempo, quando os casos de bullying chegavam à justiça, eles eram enquadrados em infrações previstas no Código Penal como injúria, difamação e lesão corporal.

Entretanto, em 06 de novembro de 2015 foi sancionada a Lei n.º 13.185 denominada “Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying)”. Segundo esse documento:

“Considera-se intimidação sistemática (bullying) todo ato de violência física ou psicológica, intencional e repetitivo que ocorre sem motivação evidente, praticado por indivíduo ou grupo, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de intimidá-la ou agredi-la, causando dor e angústia à vítima, em uma relação de desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas.”

Porém, segundo estatísticas atuais, cerca de 80% das escolas brasileiras ainda não punem os agressores.

Dada a importância de abordar o tema, o “Dia Mundial de Combate ao Bullying” é comemorado em todo o mundo no dia 20 de outubro. No Brasil, em 2016 foi instituído por meio da Lei nº 13.277, o “Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola”, comemorado em 7 de abril.

A escolha da data faz referência ao episódio que aconteceu em 7 de abril de 2011 no bairro do Realengo, no Rio de Janeiro.

Pela manhã, Wellington Menezes de Oliveira (23 anos) invadiu a Escola Municipal Tasso da Silveira disparando nos alunos.

O resultado do “Massacre do Realengo”, como ficou conhecido o ataque, foi a morte de 12 alunos e do próprio atirador, que se suicidou. Muitos conhecidos e familiares de Wellington afirmaram que ele sofria de bullying.

Sugestão de Filme

Como Se Chama Quem Pratica Bullying?Capa do filme “Um Grito de Socorro”

“Um Grito de Socorro” (2013) é um filme holandês que aborda o bullying sofrido por um aluno na escola. Dirigido por Dave Schram, a história é baseada no livro da escritora Carry Slee.

Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.

Bullying: como são o perfil da vítima e o perfil do agressor?

Sempre que ouvimos falar de algum caso de bullying, damos atenção primeiramente às vítimas, o que é recomendável e justo. Contudo, o agressor tem uma participação fundamental nesse problema, já que ele foi o catalisador da dor do outro. Assim, também vamos entender melhor as motivações desse seu comportamento e qual é o perfil do agressor.

Perfil do praticante

Quando identificado, o praticante de bullying geralmente demonstra ter uma atitude e um comportamento bastante negativo. Isso porque ele mostra não se importar nem com o mal que pratica nem com o sofrimento de sua vítima. Por causa disso, podemos encontrar em suas ações e movimentos diários:

Hostilidade

O perfil do agressor em relação à sua vítima costuma ser bastante hostil, justamente para intimidá-la. Geralmente, quando criança, ele pratica o bullying de uma forma mais explícita.

No entanto, ele adere a uma abordagem mais sutil e individual na fase adulta.

De qualquer forma, mesmo que as suas atitudes maldosas tenham as vítimas como alvo, qualquer pessoa pode notar a sua postura agressiva.

A culpa é da vítima

O praticante do ataque procura justificativas em alguma atitude negativa da vítima para defender as suas ações. Segundo a perspectiva dele, a vítima é a culpada pelo seu comportamento hostil. Como resultado, ele se vê no direito de humilhar, inferiorizar e excluir alguma pessoa que convive com ele.

Sadismo

Ao mesmo tempo em que a vítima da violência sofre com o bullying, o agressor sente prazer ao praticá-lo. Seu comportamento demonstra toques de sadismo, já que ele não demonstra sentir qualquer arrependimento. Até que a vítima tome alguma atitude efetiva para pará-lo, o agressor tende a repetir suas provocações, de forma gradual e cada vez mais intensa.

A perpetuação

Quase todos os praticantes de bullying foram vítimas de agressões muito parecidas no passado. Exceção disso são alguns casos em que essas pessoas se juntam a um grupo que está provocando alguém para terem a sensação de pertencimento e, assim, não serem excluídos.

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Porém, em geral, a maioria retribui às suas vítimas tudo aquilo que elas sofreram em algum momento das suas vidas. As provocações tornam-se um ciclo vicioso que só será interrompido se alguém se posicionar contra elas.

Motivações

Para entender as motivações do agressor, também é importante considerar o ambiente em que essa pessoa viveu. Quem recebeu uma educação excessivamente permissiva acredita que tem liberdade para agir como quiser. Assim, essa pessoa sempre prioriza a sua vontade mesmo que ela possa ferir os sentimentos alheios.

Dessa forma, uma boa educação é o que garante o desenvolvimento de um adulto sadio. Quando uma criança entende o conceito de limites, ela saberá se relacionar de uma forma saudável com as outras pessoas. Além disso, ela também irá desenvolver a empatia, ou seja, ela passará a se importar com os sentimentos dos demais.

A insensibilidade do poder

Um praticante do bullying sente-se recompensado quando ele provoca as pessoas. Isso porque ele se sente capaz de subjugar alguém. Com isso, ele se sente mais forte, revigorado e vivo. De certa forma, ele se alimenta da dor do outro.

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Geralmente, ele se sente motivado a destacar algumas características de outras pessoas. Em geral, elas são relacionadas ao corpo de alguém, que se torna motivo de chacota. Além disso, traços comportamentais também são destacados. Assim, pessoas tímidas ou isoladas costumam ser alvos constantes dessa busca por humilhação.

Dessa forma, o poder que o agressor acredita ter acaba minando a sua sensibilidade e a sua percepção sobre as coisas. Quanto mais ele agride alguém, mais ele se satisfaz e repete o ato. Isso fica evidente na escola, já que a vítima se torna alvo do agressor sempre que comparece ao local.

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Perfil e consequências para as vítimas de bullying

Ainda que esse texto se concentre numa discussão sobre o perfil do agressor, as vítimas de bullying são as que mais são prejudicadas com essa prática.

As mesmas podem ficar traumatizadas e sofrer com as consequências da violência mesmo estando longe do agressor.

Caso não sejam acompanhadas por um profissional, elas podem levar consequências dessa violência pelo resto da vida. Os danos mais comuns do bullying são:

Desinteresse pelo local das agressões

A vítima fará de tudo para não retornar ao local onde está sendo agredida. No entanto, se ela precisar frequentá-lo mesmo assim, ficará pouco motivada a permanecer nele. Na escola, por exemplo, ela tentará ficar o mais distante possível de todos. O desespero pode levar os mais jovens a um quadro de choro constante e contínuo.

Rendimento abaixo do esperado

Seja na escola ou no trabalho, esse indivíduo não consegue atingir o seu potencial completo. Dessa forma, seu rendimento cai bastante, fazendo com que ele entregue resultados aquém do esperado. Por causa do estímulo violento constante, esse quadro tende a continuar e decair, visto que essa pessoa não encontrará motivações para focar na sua produção.

Agressividade

Graças à violência que a vítima sofre em determinado ambiente, ela pode se mostrar mais agressiva que o comum. Basicamente, essa pessoa cria um mecanismo de defesa para impedir a aproximação dos demais e evitar novos abusos. Isso acontece com bastante frequência em crianças pequenas, que ainda não desenvolveram o seu lado sentimental.

Intervenção

A melhor forma de se combater o bullying é conscientizando a comunidade. Os pais devem se comprometer com os professores a ficarem alertas ao problema, seja na escola ou na rua. Essa responsabilidade se estende também aos funcionários de escolas, que podem ficar de olho caso algum episódio ocorra nas dependências do colégio.

Caso o problema seja bullying no trabalho, os líderes do local precisam ficar atentos às reclamações do funcionários. Nada do que acontecer nas empresas deve ser considerado bobagem, já que nenhuma violência deve acontecer na interação entre os membros de uma equipe. Se isso ocorrer, todos podem sair perdendo, independente da posição que eles ocupem.

Psicoterapia como tratamento para quem é vítima

Em ambos os casos, a ajuda de um psicoterapeuta pode ser fundamental para remediar a situação. O mesmo irá propor dinâmicas para que uma pessoa se coloque no lugar da outra. Dessa forma, a vítima entenderá as motivações do seu agressor enquanto este enxergará o mal que causa para ela. A ajuda e a reabilitação devem ser dadas o quanto antes.

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E o tratamento do agressor?

Muito se discute sobre o bullying, mas pouco atenção é dada à construção interna do agressor. Pode parecer simples, porém a identificação de um padrão comportamental pode significar a resolução imediata de um problema. Muitas vezes, a guerra está acontecendo debaixo de nossos olhos e não conseguimos enxergá-la.

Assim que os episódios forem identificados, a intervenção deve se feita de forma imediata. Da mesma forma em que devemos amparar a vítima, também devemos fazer com que o agressor enxergue o seu erro. A humanização deste último deve ser feita de forma gradual, constante e persistente, de modo que ele se torne alguém melhor.

Considerações finais sobre os perfis de quem pratica e sofre bullying

A compreensão de vítima e agressor pode ser melhor realizada quando se recebe a ajuda do nosso curso de Psicanálise Clínica online. A psicoterapia é a ferramenta perfeita para entendermos o que motiva determinados comportamentos em uma pessoa. Assim, podemos fazer a nossa participação na sociedade de form efetiva.

Já que o nosso curso é online, você pode estudar quando e onde quiser. A ideia é prover dinamismo, de modo que você possa aprender em seu próprio ritmo, sem qualquer pressão. Nesse caminho, você também poderá contar com o apoio e orientação constante de nossos professores. Graças a eles, conseguirá explorar seu potencial por completo.

No fim do curso, você terá em mãos um certificado impresso que comprova a sua formação. Contudo, a principal função dessa certificação é permitir que você atue profissionalmente como psicanalista.

Por exemplo: você poderá trabalhar com propostas de intervenção contra o bullying em escolas ou empresas! Entre em contato conosco e descubra como reformular sua vida ao se tornar um psicanalista.

Manual ensina a identificar se seu filho está praticando ou é vítima de Bullying

“Girafa”, “vovó sem dente”, “substantivo abstrato”, “cafona”, “desdentada”, “feia”, “piolho”… Estes foram os apelidos nada delicados que F.G.C.S, de 21 anos, recebeu durante toda a infância e adolescência, nos colégios pelos quais passou. Não era uma brincadeira inocente.

— Os ataques começaram quando eu tinha 4 anos e se prolongaram. Hoje, sofro de síndrome do pânico e vi minha vida destruída por pessoas sem coração — desabafa F.

Casos como os dela proliferam no mundo. Se o comportamento de alguém ou de um grupo agride, verbal ou fisicamente, de forma insistente, isso se chama bullying. O termo tem origem na palavra inglesa bully, que significa valentão, brigão. Mesmo sem uma denominação em português, é entendido como ameaça, tirania, opressão, intimidação, humilhação e maltrato.

A prática é a que mais cresce no mundo e preocupa autoridades, pais e professores.

— As vítimas de bullying, normalmente, são aquelas fora dos padrões de beleza impostos por um grupo ou sociedade — explica a psicóloga Maria Tereza Maldonado, autora do livro “Bullying e Cyberbullying — O que fazemos com o que fazem conosco?”.

Maria Tereza deixa claro em sua pesquisa que existem três grupos: os agressores, as vítimas e os espectadores do bullying. E ressalta que uma vítima pode ser também um praticante:

— É como se ele precisasse descontar em outro. Comumente, a vítima também oprime alguém, reproduz o comportamento do agressor. Não é útil ver a vítima como totalmente frágil e o autor totalmente “fortão”.

Sinais de alerta

Mas como saber se seu filho ou aluno está inserido num dos grupos de bullying e não pensar que o assunto é frescura ou uma brincadeira de criança?

— Medo de ir à escola, material escolar destruído ou rasgado, dinheiro ou merenda roubada constantemente, enjoos e dores de cabeça nas horas que antecedem a ida para o colégio ou a queixa destes sintomas antes da hora da saída ou do recreio, queda no rendimento escolar e vontade de mudar de escola. Se seu filho tem algum destes sintomas, fique atento — diz o educador Gustavo Teixeira, em seu livro “Manual antibullying”.

A prática pode estar em casa

Para o ator e autor Mar’Junior, de 50 anos, da Cia Atores de Mar, o bullying começou na própria casa. O pai, um homem autoritário e intolerante, frequentemente chamava o filho de burro. A insistência era tanta que Mar’Junior repetiu os primeiros anos primário, ginasial e científico.

— Tinha pavor de fazer prova, aquilo era um sofrimento para mim. Mesmo adulto, dirigi anos sem carteira de motorista porque tinha ataques de ansiedade com a prova.

Testes em emissoras de TV também nem pensar — descreve ele, que hoje tenta ajudar crianças e jovens que passam por situação semelhante levando às escolas o espetáculo “Bullying”: — Fazemos uma abordagem do assunto através de esquetes. A peça dura 30 minutos e ao final sempre promovemos um debate com os estudantes.

O fato é que as pessoas não estão preparadas para lidar com essa onda de violência, que muitas vezes pode parecer apenas uma brincadeira não muito inocente.

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O dia do revide

De tanto sofrer com as agressões em casa, Mar’Junior também foi uma vítima na rua. Cansou de apanhar dos “colegas”, até o dia do revide. Quando bateu em alguém, tornou-se um agressor. Formou uma espécie de bando e aterrorizou outros meninos que considerava “fracotes”.

— Quem sofre o bullying, em algum momento, tenta descontar essa raiva contida, o que está errado. Só com diálogo é possível mudar este cenário. Os pais têm que ser mais parceiros de seus filhos, ouvi-los, compreendê-los e estabelecer limites — aconselha ele, pai de duas meninas na faixa de 20 anos.

Tanto Maria Tereza Maldonado quanto Mar’Junior são enfáticos ao dizer que mesmo tendo sofrido bullying, Wellington Menezes de Oliveira não causou o massacre de Realengo por conta disso, mas sim por problemas psicológicos. Mas alertam que as marcas dessa prática são para a vida toda quando não percebidas ou tratadas.

— O bullying está em todas. Nas escolas públicas e particulares. É preciso que haja empenho para desenvoler um programa antibullying. E a melhor forma é reestabelecer o respeito que tem que haver entre seres humanos — ensina Mar’Junior.

Os 10 tipos de bullying

Os tipos de bullying diferenciam-se a partir do modo como são praticados. Podem ser entendidos como físico, moral, psicológico, material, verbal, social, sexual, preconceituoso e ciberbullying.

O bullying é toda a forma de agressão praticada ou sofrida repetidamente ou de modo contínuo em um ambiente infanto-juvenil. Esses atos de violência podem envolver um ou mais tipos de bullying, sendo prejudicial para o desenvolvimento saudável dos jovens.

Tipo de bullying O que é? Atos de violência
Físico Prática de agressões através da imposição de força física.
  • Socos
  • Tapas
  • Chutes
  • Enforcamento
  • Imobilização
  • Puxões de cabelo
Moral Agressões que envolvem questões morais sociais ou particulares.
  • Calúnia e difamação
  • Insinuações
  • Exposição a conteúdos inadequados ou indesejados
Psicológico Agressões que visam intervir ou controlar o modo de ser e estar das vítimas.
  • Intimidações
  • Ameaças
  • Chantagens
Material Violência contra o patrimônio das vítimas com o objetivo de diminuí-las ou humilhá-las.
  • Destruição, roubo ou furto de patrimônio
Verbal Agressões através de palavras (oral ou escrita).
  • Xingamentos
  • Apelidos
  • Pichações
Social Agressão através da alienação total ou parcial do convívio social.
  • Exclusão ou impedimento à participação em eventos sociais ou grupos.
Sexual Agressão de caráter sexual ou que envolvam a sexualidade.
  • Exposição da ou à nudez
  • Toques
  • Insinuações
  • Assédios
  • Imposição de comportamentos
Preconceituoso Agressões pautadas em preconceitos (gênero, crença, raça, cor, etnia, classe social, sexualidade, nacionalidade, região, etc.)
  • Xingamentos
  • Apelidos
  • Intolerância
Familiar As agressões tendem a ser comuns a outros tipos de bullying, mas vítimas e agressores fazem parte do mesmo núcleo familiar.
  • Desaprovação
  • Constrangimentos
  • Inadequação
  • Comparações
Cyberbullying Agressões equivalentes a outros tipos de bullying, mas realizadas através de redes sociais ou em ambiente virtual
  • Exposição indevida da imagem
  • Utilização de ferramentas virtuais com o intuito de humilhar a vítima.

O bullying é um tema muito explorado nas pesquisas em educação por trazer dimensões abrangentes de violência e seus efeitos no desenvolvimento psicossocial das vítimas e de agressores (bully, “valentão” em português).

1. Bullying físico

O bullying físico é caracterizado pelas agressões física sofridas pela vítima. Esses episódios de violência acontecem de modo frequente em têm como alvo sempre os mesmos indivíduos, caracterizando o bullying.

É comum que algumas pessoas compreendidas como sendo mais fortes fisicamente, utilizem dessa força para humilhar e constranger pessoas mais fracas, sabendo que essas não vão conseguir se defender ou revidar.

Com isso, a vítima é constantemente alvo de socos, chutes, tapas, puxões, imobilizações ou estrangulamentos. Como as agressões, normalmente, são de baixa intensidade, tendem a ser encaradas com menos interesse de adultos ou responsáveis, como um evento corriqueiro entre jovens.

2. Bullying moral

O bullying moral ocorre sem a utilização da força física. Nesses casos a vítima é exposta a episódios de humilhação, que envolvem questões morais.

Em geral, a vítima sofre com calúnias ou difamações em que indivíduos ou grupos atentam contra seus princípios e valores. É comum que a pessoa que sofre esse tipo de agressão seja ridicularizada ou tenha seu modo de vida caricaturado por imitações e sofram algum constrangimento perante o grupo social de qual faz parte (escola, clube, vizinhança, etc.).

3. Bullying psicológico

O bullying psicológico, em geral, funciona como ameaça de violência ou algum tipo de chantagem. Com isso, a vítima é levada a praticar ações de acordo com os interesses de seu agressor.

Esse tipo de bullying é caracterizado pelo medo ou pela necessidade de aceitação em um grupo que dão a impressão para quem está de fora, que são ações voluntárias como: dividir ou doar um lanche, furtar algo para outra pessoa, submeter-se a situações de risco, etc.

4. Bullying material

O bullying material ocorre quando a vítima tem, constantemente, bens destruídos, furtados e roubados. Normalmente, é seguido de ameaça ou intimidação.

5. Bullying verbal

O bullying verbal ocorre através do uso de palavras que magoam ou diminuem a vítima. É comum que as vítimas sejam xingadas ou recebam apelidos dos quais sentem vergonha.

Muitas vezes, nesse tipo de caso, os agressores escondem-se no anonimato, deixando mensagens ofensivas escritas em quadros, mesas ou outros lugares comuns à rotina do grupo.

6. Bullying social

O bullying social tem como fundamento a necessidade de adequação ou pertencimento a um grupo (social). Com isso, a vítima é relegada a uma exclusão imposta ou, em alguns casos autoimposta por falta de sentimento de pertença.

A vítima tem negada a sua participação em grupos de trabalho, tarefas ou eventos sociais, desenvolvendo uma percepção de inadequação ou isolamento.

7. Bullying sexual

O bullying sexual é baseado em questões que tocam a sexualidade das vítimas. Em geral, na adolescência, os jovens despertam de formas distintas para sexualidade, desse modo, alguns grupos dominam e buscam expor ou impor às vítimas determinados comportamentos.

Nesses casos, são comuns os episódios de assédio, nos quais as vítimas, por diversos fatores, podem estar sendo submetidas a esse tipo de agressão.

8. Bullying preconceituoso

O bullying preconceituoso é um comportamento de radicalização de uma série de preconceitos existentes na sociedade. Esses eventos são fundamentados na intolerância e o desrespeito às diferenças.

As vítimas são subjugadas por alguma questão étnica ou racial, por sua sexualidade ou orientação sexual, por sua condição social, ou outros fatores de diferenciação dos quais o agressor ou grupo de agressores toma como uma inadequação ao grupo.

Assim, há utilização de xingamentos ou apelidos que reforçam esses fatores de diferenciação, o que, algumas vezes, pode acontecer de forma branda e aceitas socialmente. Apelidos que remetem a questões raciais, de gênero, ou relacionados a localização (entendida como inadequada) são muito comuns nesses casos.

9. Bullying familiar

Já o bullying familiar pode englobar outros tipos de bullying, mas o grupo social em que se realiza é o próprio núcleo familiar.

Desse modo, a vítima é agredida por seus parentes, que tendem a diminuir ou ridicularizar aspectos físicos ou comportamentos. Em geral, um ou mais membros da família buscam impor um padrão familiar do qual a vítima não faz parte.

10. Cyberbullying

Por fim, o cyberbullying ou bullying cibernético, assim como o bullying familiar, pode ser uma mescla de diferentes tipos de bullying. Entretanto, assume como particularidade o ambiente em que ocorre.

Diferente dos outros tipos de bullying, o cyberbullying está presente na internet e em redes sociais. Nesses eventos, é muito comum que o anonimato dos agressores se baseie na utilização de perfis falsos (os fakes), dos quais são enviados uma série de mensagens que têm como objetivo humilhar, difamar ou atentar contra a integridade da pessoa.

Veja também a diferença entre:

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