Como Se Chama Quem Muda De Religião?

Para estas religiões, tudo pode ser, só basta acreditar.

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Espiritismo

É na base do autobatismo: se acreditar nas práticas e valores do espiritismo de Allan Kardec, pode se declarar um espírita.

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Islamismo

Basta dizer com convicção “Deus é único, e Maomé, Jesus e Abraão são mensageiros de Deus” – um testemunho de fé chamado Shahada.

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Umbanda

Passe livre se você frequentar os terreiros. Só crianças e potenciais médiuns são batizados, para neutralizar os efeitos da religião anterior.

Aceitação

Nestas, os líderes precisam reconhecer sua devoção.

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Budismo

Em algumas linhas do budismo, a conversão depende de uma cerimônia. Na teravada, tida como a mais conservadora, é preciso recitar votos diante de um monge, como os de “não destruir seres vivos” e “abster-se de substâncias que intoxicam”.

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Pentecostalismo

Varia de acordo com a igreja. Na Assembleia de Deus, a maior no Brasil, é preciso frequentar o culto e ser batizado, dizendo frases como “Ide pelo mundo, pregai o evangelho. Quem crê e for batizado será salvo, quem não crê será condenado”.

Disciplina

As mais rigorosas: são muitas provas até a conversão.

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Judaísmo

Peça a conversão três vezes ao rabino. Pra testar sua fé, ele só aceitará na última. Aí vêm um ano de estudo e uma avaliação por rabinos. Homens vão para a circuncisão. Mulheres, para a etapa seguinte: um banho em que devem submergir três vezes.

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Catolicismo

Passe pelo batismo e fique um ano estudando a Bíblia. Depois faça a comunhão – você receberá a hóstia, mostrando que acredita em Cristo. Os últimos passos são a confissão ao padre e a crisma (cerimônia de confirmação dos votos de fé).

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Hinduísmo

Ofereça serviços ao templo, como limpar e cozinhar. Um mestre orientará você, então, no estudo da religião. Você receberá um nome espiritual e aprenderá a se desapegar de bens materiais – como o seu cabelo, que será todo raspado.

Fontes: Cesar Perri, diretor da Federação Espírita Brasileira; dom Pedro Luiz Stringhini, bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, Região Belém; Krishna Priya Ananda, presidente da Sociedade Gita Internacional do Brasil; lama Padma Samten, diretor do Centro de Estudos Budistas Bodisatva; pastor Aécio Ribeiro, consultor teológico da Assembléia de Deus Bom Retiro; rabino Ruben Sternschein, da Congregação Israelita Paulista; Ricardo Sasaki, diretor do Centro de Estudos Buddhistas Nalanda; Rubens Saraceni, presidente do Colégio de Umbanda Pai Benedito Sagrado; xeque Jihad Hassan Hammadeh, vice-presidente da Associação Mundial da Juventude Islâmica.

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Religião e política não se discutem? | Politize!

Como Se Chama Quem Muda De Religião?

“Política e religião não se discutem” é uma regrinha utilizada para manter a paz nos almoços da casa da avó ou o último verniz de civilidade nas reuniões de condomínio. Quando o assunto é “religião na política” o cenário tende a ficar mais explosivo, podendo atingir as proporções de uma batalha épica.

Estes assuntos realmente fazem o sangue ferver e por conta disso muitas vezes a gente deixa de se informar melhor sobre eles, infelizmente, uma coisa leva à outra.

Ao não nos informarmos, é fácil acreditar que algo que a gente discorda é provavelmente mais um caso de burrice ou de safadeza, ou pior, se for um assunto um pouco mais distante, a gente tende a generalizar esta opinião negativa para todo um grupo.

Porém, com os discursos espirituais ganhando espaço no mundo político, participar desta discussão é cada vez mais necessário. Será que existe alguma chave para interpretar este fenômeno e fugir destas simplificações tão comuns?

O sociólogo português, Boaventura de Sousa Santos, pode nos ajudar nesta tarefa. Ele chama de teologia política os discursos que reivindicam a presença da religião na esfera pública, porém, ele notou que as semelhanças entre os diversos grupos acabam aí e propôs uma tipologia para poder abordar a complexidade desta realidade.

Para entender tal tipologia é preciso lembrar que até cerca de dois séculos atrás religião e política andavam juntas. A coisa começou a mudar quando o Iluminismo propôs que o Estado deveria ser laico, ou seja, pautado pela lógica racional.

Esta filosofia animou várias correntes que quando chegaram ao poder limitaram a influência política das religiões.

Porém, até hoje as religiões tentam responder a isso, buscando reintroduzir os textos sagrados como elementos capazes de influenciar a vida pública e pelo que Boaventura percebeu tais respostas teológicas podem ser distribuídas entre dois extremos:

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Pluralistas

Acreditam que a revelação (ou textos sagrados) podem auxiliar na organização política da sociedade, porém aceitam a autonomia entre ambas. O texto sagrado ocorre em um contexto social específico, portanto deve ser interpretado de modo a encontrar um princípio que possa ser aplicado no contexto social atual.

Fundamentalistas

Acreditam que a revelação deva estruturar a sociedade em todas as suas dimensões.

Historicamente este termo foi criado no início do século XX por protestantes do sul dos EUA que ao desejarem se diferenciar das teologias modernas elencaram “Os Fundamentos” que um cristão deveria seguir, posteriormente tal termo ganhou também uma acepção quase pejorativa ao ser aplicado a grupos radicais islâmicos. Tanto nos fundamentalismos cristãos quanto nos islâmicos há um princípio escrituralista*, ou seja, o texto sagrado independe do contexto social e deve ser entendido do modo mais literal possível.

O sociólogo traça ainda um segundo eixo para classificar tais teologias de acordo com suas intervenções políticas. As extremidades de tal eixo são:

Tradicionalistas

As diferenças sociais, por já existirem também nos textos sagrados, são encaradas como naturais, inevitáveis ou até mesmo investidas de um significado que atende a algum desígnio divino. O passado glorioso existente nos textos sagrados é usado para demonstrar que as regulações sociais daquela época funcionam e portanto são um bom caminho para resolver os problemas do presente.

As desigualdades são desnaturalizadas e vistas como decorrentes de questões de um sistema social e econômico que atenta contra os princípios da religião. Traçam uma distinção entre a religião que se preocupa com os “oprimidos” e uma religião institucional que ajuda a manter os privilégios de quem esteja no poder. O progressismo tem ainda uma tendência ecumênica e inter-religiosa.

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RELIGIOSOS NA POLÍTICA: EXEMPLOS

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Para entender como o tradicionalismo tem se relacionado com a política podemos usar como exemplo o tratamento que George W. Bush, ex-presidente dos EUA, deu durante sua gestão às políticas sobre gravidez e DSTs na adolescência. Tal presidente era contra a educação sexual para adolescentes e em razão disso preferiu apoiar campanhas sobre castidade realizadas por grupos religiosos que incentivavam os jovens a manterem a virgindade como a melhor maneira de evitar uma DST ou gravidez na adolescência.

No Brasil, podemos citar a pressão política que grupos religiosos tradicionais vêm exercendo para a aprovação de leis que interditam discussões sobre discriminação contra homossexuais nas escolas.

Ao mesmo tempo existem outros grupos religiosos com postura bem mais branda, tal como os luteranos, que em mais de uma ocasião se posicionam publicamente contra leis que façam aumentar a violência contra homossexuais e que possuem inclusive uma diretriz interna de não discriminar pastores que possuam um parceiro do mesmo sexo.

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Resumindo: o que o sociólogo português demonstra é que não dá para colocar todos os religiosos no mesmo balaio, pois tanto entre cristãos como entre islâmicos há uma pluralidade de olhares políticos diferentes.

Se por um lado crescem visões fundamentalistas e tradicionalistas que buscam no passado o modo adequado que as mulheres devem se comportar, em outro extremo é possível encontrar grupos femininos que partem dos próprios textos sagrados para defenderem uma maior igualdade de direitos para as mulheres de sua religião tanto no islamismo quanto no cristianismo.

Esta é uma tipologia aparentemente simples, porém muito poderosa para se analisar como as visões dos religiosos políticos se articulam com a visão de mundo da própria pessoa que olha. Porém, deve-se tomar sempre muito cuidado, pois dentro das próprias Igrejas há um debate de ideias e frequentemente o que uma liderança defende é bem diferente do que diz um colega seu.

Além disso, é importante observar que posturas políticas convergentes não significam que os grupos pensem igualmente.

É possível que dois grupos muito diferentes convirjam em torno de uma pauta, mas que cheguem àquela decisão por motivos muito diferentes entre si.

Quando o Bispo Macedo da Igreja Universal se declara favorável à descriminalização do aborto, embora ele convirja com vários grupos feministas, isso não significa que ele parta do princípio que a mulher tem o direito de decidir sobre sua própria gestação.

Para entender esta visão literal pode-se tomar como exemplo como as religiões cristãs encaram a masturbação. Um dos capítulos do livro de Gênese fala de Onã, cujo irmão mais velho morreu sem deixar filhos.

Como o falecido era primogênito, Onã se casou com a viúva para que nela gerasse um filho que seria o herdeiro dos bens de sua família.

Onã porém, embora desfrutasse da vida de casado, na “hora H” lançava o sêmen no chão para evitar que a viúva engravidasse, assim ele ficava com a herança de seu irmão e continuaria dormindo com a cunhada. Por causa deste ato Onã foi morto pela ira divina.

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Algumas visões escrituralistas entendem que o sêmen deve ser unicamente usado para gerar filhos e por isso condena que um homem use preservativos ou pratique o onanismo (masturbação).

Já uma visão pluralista, vai perceber que, considerando o contexto da época, lançar o sêmen ao chão era uma grande traição ao irmão falecido e que é este o princípio que precisa ser resgatado do texto e reaplicado em outros contextos sociais.

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Estado laico: o que é, importância, no Brasil

O Estado laico surgiu junto ao republicanismo a fim de garantir que houvesse igualdade entre todos os cidadãos. Após diversas guerras e conflitos por conta de religião, as pessoas começaram a enxergar a necessidade de separar as decisões estatais da Igreja, pois ela não poderia servir como base para justificar as ações do governo.

A junção entre Estado e Igreja foi abandonada com o modo de governar do Antigo Regime pela maioria dos países, pois os monarcas absolutos de antes necessitavam da suposta bênção divina para justificar as suas ações. O republicanismo e a dissolução do poder estatal no Parlamento retiraram o peso das ações governamentais da religião e colocaram-no inteiramente no povo, na competência dos agentes públicos e no âmbito do Estado.

Afinal, o que é o Estado laico?

Estado laico ou, no âmbito religioso, Estado secular é aquele que não adota religião oficial, não interfere nos assuntos religiosos – a menos que esses estejam relacionados diretamente com questões jurídicas – e não se deixa ser influenciado por nenhum viés unilateral religioso, ou seja, é independente de qualquer religião.

A palavra secular também é utilizada para designar algo que é laico. Secular vem do latim saeculare, que significa mundano, ou seja, o que é do mundo físico e “não pertencente a Deus”.

Em um Estado laico, não é vedada a prática religiosa, muito pelo contrário, as pessoas são protegidas pela Constituição para manifestarem livremente suas crenças e cultos, desde que observado o princípio de que a religião pertence à vida privadae não pode servir de parâmetro para um agente público em exercício do dever.

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Em um Estado laico, não se admite qualquer ação governamental ou estatal justificada por meio de assuntos religiosos.

Muito menos se admite que assuntos religiosos assumam o caráter de lei para a garantia da hegemonia de apenas um grupo religioso.

No âmbito de um Estado laico, entende-se que toda e qualquer visão religiosa de mundo deve ser respeitada e que a liberdade de culto e de crença deve ser garantida.

Para que isso seja possível, há uma Constituição e leis que garantem o culto e respeitam todas as religiões. Do mesmo modo, aqueles que se abstêm de escolher uma crença religiosa, preferindo definirem-se enquanto ateus ou agnósticos, devem ser respeitados.

Dado o fato de que o Estado deve respeitar todas as religiões, ele não pode favorecer uma em detrimento de outra. Desse modo, é vedado ao governo ou aos agentes públicos de um Estado laico deixarem que a sua fé influencie as suas decisões enquanto pessoas públicas.

Entende-se que a religião é algo pessoal, que o favorecimento de algumas vertentes em detrimento de outras pode ocasionar conflitos civis e religiosos e que o Estado, enquanto organismo que deve garantir a igualdade, não pode tomar parte em tais conflitos a menos que em defesa da pluralidade e da igualdade.

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Tipos de Estado

A seguir, comentaremos os tipos de Estados e suas relações com a religião, também discutiremos essa relação em países específicos, como a Alemanha e a Índia.

Estado confessional é aquele que adota uma religião oficial. Essa religião adotada não terá poder irrestrito e absoluto e pode não estar tão fortemente ligada às decisões governamentais e às políticas de Estado. No entanto, o simples fato da adoção de uma religião oficial pode excluir a importância das outras.

Teocracias ou estados teocráticos são aqueles em que há uma religião oficial adotada e os sistemas Legislativo e Judiciário estão sob tutela dessa religião. As atuais teocracias são os países subjugados às leis islâmicas (como o Irã) e o Vaticano, sob domínio da Igreja Católica.

Um Estado ateu é aquele que combate à religião em seu interior por não enxergar nas práticas religiosas algo que reforce a ideologia e a postura de tal Estado.

Exemplos de Estados ateístas são os países socialistas do século XX, como a União Soviética, a China e a Coreia do Norte.

Todos os países mencionados garantem, hoje, a liberdade religiosa,e a Rússia (integrante da extinta União Soviética) é, atualmente, um país laico.

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Relação entre Igreja e Estado na Alemanha

A Alemanha nunca foi, de fato, totalmente laica, na contramão das outras repúblicas e de Estados nacionais ocidentais modernos.

Otto von Bismarck, o chanceler que realizou o processo de unificação da Alemanha no século XIX, tomou uma série de medidas que visava a separar os domínios estatais das igrejas, mas essas foram anuladas, em 1919, pela República de Weimar.

A República de Weimar foi o período republicano que a Alemanha viveu entre 1919 e 1933, regida por um sistema republicano democrático e constitucional.

No entendimento da equipe de juristas, cientistas políticos e economistas que participaram da Assembleia Constituinte (entre eles, estava o sociólogo Max Weber), a reaproximação entre Estado e Igreja era justificável por conta da histórica participação do protestantismo nos governos alemães.

A ascensão do governo nazista na Alemanha, que colocou fim à República de Weimar em 1933, reaproximou ainda mais os domínios religiosos (cristãos) do Estado.

Um dos elementos pelos quais Hitler justificou os planos de perseguição aos judeus e o estabelecimento do que ele chamou de raça pura foi a religião cristã.

Segundo o líder nazista, somente a raça ariana (branca e oriunda dos povos germânicos), que fosse igualmente cristã, teria o direito a habitar e prosperar no território alemão. A intenção de Hitler era levar a cabo o seu projeto de expansão da Alemanha e intensificação de seu governo tirânico.

Durante a Guerra Fria (conflito político-ideológico iniciado após a derrota do nazismo e o fim da Segunda Guerra Mundial), sobretudo após a construção do Muro de Berlim (que separou Berlim Oriental de Berlim Ocidental), houve uma disputa ideológica entre religiosos e políticos muito forte.

Berlim Oriental, de governo marxista, não admitia a participação religiosa dentro do governo e desestimulava a religião entre a população, assim como fez a União Soviética.

A Berlim Ocidental, de orientação política liberal e capitalista, mantinha um sistema de aproximação do governo com lideranças cristãs católicas e protestantes.

Atualmente, a Alemanha é um país oficialmente laico, apesar de apresentar uma espécie de flerte com a religião cristã nas políticas educacionais, por exemplo.

O ensino religioso de tradição cristã é obrigatório nas escolas alemãs e, geralmente, é ministrado por professores com formação para atuarem no ensino religioso, geralmente oriundos da vertente católica ou protestante do cristianismo.

Na Baviera, como em outros Estados alemães, a fixação de crucifixo na sala de aula é obrigatória por lei.

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Relação entre Igreja e Estado na Índia

O caso indiano é bastante complicado, pois o antigo Estado hindu (denominação para o modo de governar indiano predominante no país até o século XIX)deixou como sequela o sistema de castas |1|, extremamente excludente. Também eram comuns, como resultado do antigo sistema político-religioso, os casamentos infantis. Hoje, a Índia é um país laico, porém com sequelas do Estado teocrático que permanecem na cultura do povo indiano.

Como Se Chama Quem Muda De Religião? Esculturas em templo hindu.

A ideia de uma educação laica advém do iluminismo francês. Os teóricos iluministas acreditavam que oavanço político poderia ser alcançado com o avanço científico e que, quanto mais amplificado fosse o alcance do conhecimento na sociedade, melhor. Daí surgiu a necessidade de se pensar em uma educação pública, gratuita, universal e laica.

Durante a Idade Média até a Modernidade, as instituições de ensino eram somente confessionais, ou seja, adotavam concepções religiosas por serem mantidas por ordens religiosas e igrejas.

O sistema educacional brasileiro permite a existência de escolas confessionais de natureza privada ou que o sistema público de ensino estabeleça parcerias com instituições confessionais, desde que observada a garantia de acesso de toda e qualquer criança a essas instituições, não importando a sua crença ou fé religiosa.

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Qual é a importância do Estado laico?

A história da humanidade presenciou diversas formas de conflitos religiosos e políticos causados ou sustentados pela religião.

Na Antiguidade, por exemplo, Sócrates foi executado após ser julgado por denúncias de, entre outras coisas, professar a fé em outros deuses que não os gregos.

A condenação do filósofo, considerada mais tarde uma injustiça por Platão e Aristóteles, deu-se por conta da contrariedade causada por Sócrates em políticos poderosos de Atenas.

Até hoje não existe qualquer indício de que Sócrates realmente tenha professado a fé em outros deuses. No entanto, o que está em jogo não é a culpa ou não do pensador, e sim a postura do júri e da Assembleia de Atenas ao julgar um homem por sua suposta crença religiosa contrária.

Ao vermos a utilização da religião como arma para condenar um ser humano por causa de atritos políticos, fica evidente a importância de preservar-se o direito de todos de professarem e cultuarem os seus deuses.

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Em outro momento da história, a humanidade presenciou as Cruzadas, que consistiu em um conflito político com interesses políticos e territoriais que se fez passar por uma guerra santa (guerra motivada por questões religiosas).

Outro momento que chocou a humanidade foi o holocausto, provocado pelo governo nazista na Alemanha.

O genocídio perpetrado pelos nazistas tinha, em sua superfície, uma justificativa religiosa (a crença antissemita de que os judeus eram responsáveis pela ruína alemã).

No entanto, a intenção nazista era colocar no inimigo político (aparentemente pela religião) a culpa pelas mazelas sociais para unir a população em torno de uma ideologia e, consequentemente, em apoio ao líder (no caso, Adolf Hitler)

A importância do Estado laico centra-se no fato de que a liberdade religiosa é um direito humano fundamental, o qual que deve ser garantido.

Somente um Estado laico pode resguardar o respeito e a igualdade entre toda e qualquer religião, sem privilegiar algumas ou depreciar outras.

Deve-se lembrar que o ato de não professar fé em Deus (ateísmo) e o de não optar por religiões ou se abster de decidir acerca de uma religião (agnosticismo) também devem ser respeitados.

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Quando surgiu o Estado laico no Brasil?

Em 7 de janeiro de 1890, foi promulgado o Decreto 119-A, que tornava o Brasil (já republicano desde o golpe de 1889) um país laico. No ano seguinte, foi promulgada a Constituição Federal de 1891, a primeira da República. Esse documento também garantia a liberdade religiosa e retirava do governo e do Estado a adoção de uma posição religiosa oficial.

O Decreto 119-A trouxe uma série de mudanças para a vida civil e para a organização governamental brasileira. Nessa ocasião, foi criado o casamento civil, tornando o casamento religioso opcional e a união civil a forma reconhecida pelo governo. Os cemitérios, antes administrados por igrejas, passaram a ser geridos pelo poder público.

A opção pelo Estado laico faz parte do pensamento republicano e do positivismo, ideais que moveram as ações dos militares responsáveis pela Proclamação da República e pelo governo provisório do Marechal Deodoro da Fonseca.

Martinho Lutero e o Estado Laico

A Reforma Protestante, iniciada por Lutero, ocasionou o início de uma revisão da relação entre Estado e Igreja. Muitas das críticas do reformador contidas em suas 95 teses não eram apenas erros da Igreja Católica, mas erros da Igreja Católica cometidos sob a permissão estatal ou em conluio com governantes.

Como Se Chama Quem Muda De Religião? Lutero, o reformador da Igreja.

Lutero entendia que os dois domínios, da religião cristã e do Estado (que ele chamou domínio da Espada), eram criações divinas, porém distintas. O domínio da religião cristã era o primeiro e mais natural. Lutero acreditava que, se todos fossem verdadeiramente cristãos, haveria ordem e respeito, não sendo necessário o domínio da espada.

Como eram poucos os cristãos verdadeiros, isto é, que seguiam os ensinamentos de Cristo, foi necessário, segundo Lutero, que Deus criasse o domínio da espada para manter o funcionamento de tudo em sua perfeita ordem.

Notas

|1| Para a religião hinduísta tradicional, os seres humanos pertencem a castas, que são estabelecidas pelas divindades e são hereditárias. O sistema de castas tradicional estabeleceu a existência de cinco castas.

A mais nobre seria a dos brâmanes, que teriam surgido a partir da cabeça da divindade Brahma, da mitologia hindu. A mais inferior seria a dos parias, que teriam surgido a partir da sujeira dos pés de Brahma.

Esse sistema fez com que os párias fossem considerados sujos, “intocáveis” e indignos, o que os levou à marginalização extrema na sociedade indiana durante muito tempo. Com o fim da dominação inglesa, que ocorreu na primeira metade do século XX, a política de castas passou a ser repensada.

A proibição efetiva pela lei ocorreu com a Constituição Indiana de 1947. No entanto, a discriminação em razão das das castas hindus ainda acontece na Índia.

Por Francisco Porfírio Professor de Sociologia

Por que o papa Francisco decidiu mudar um trecho do Pai Nosso em italiano – BBC News Brasil

  • André Bernardo
  • Do Rio de Janeiro para a BBC News Brasil

Como Se Chama Quem Muda De Religião?

Crédito, AFP

Legenda da foto,

Em 2017, o papa Francisco já havia criticado a tradução do trecho 'não nos induzais à tentação'

Os fiéis da Igreja Católica na Itália passarão neste ano por uma provação: decorar um Pai Nosso diferente daquele a que estão acostumados.

A mudança não será tão grande — apenas uma frase — mas, tratando-se de uma das principais e mais conhecidas orações do catolicismo, qualquer alteração ganha relevância.

Até o primeiro domingo do Advento, que será celebrado este ano no dia 29 de novembro, uma nova edição (revista e atualizada) do Missal Romano, que reúne todas as orações que os padres rezam durante a missa, chegará a todas as paróquias italianas.

Na terceira edição do livro em italiano, o Pai Nosso mudará no trecho que, em português, é lido como “não nos deixeis cair em tentação”. Em italiano, o trecho atualmente é “non ci indurre in tentazione”, algo que poderia ser traduzido diretamente como “não nos induzais à tentação”.

A nova versão será “non abbandonarci alla tentazione”, com uma tradução direta que seria “não nos abandoneis à tentação”. Não haverá alteração nas traduções para outros idiomas.

Também será alterado o hino Glória em italiano. O trecho “Paz na Terra aos homens de Boa Vontade” dará lugar a “Paz na Terra aos homens amados por Deus”.

As mudanças foram propostas pelo presidente da Conferência Episcopal da Itália, o cardeal Gualtiero Bassetti, e aprovadas pelo papa Francisco no dia 22 de maio do ano passado, durante a 72ª Assembleia Geral dos bispos italianos.

“Deus não nos dá tentações. O papa Francisco recorda que a oração começa com pai e um pai não arma ciladas para seus filhos”, explica dom Edmar Peron, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

“Nosso Deus é um Deus de misericórdia. Ele está sempre conosco e nos estende a mão sempre que precisamos.”

O papa Francisco já tinha se pronunciado a respeito da versão em italiano do Pai Nosso em outubro de 2017. Em entrevista ao programa Padre Nostro, transmitido pelo canal TV 2000, o pontífice admitiu que “não nos induzais à tentação” não era uma boa tradução.

A versão brasileira não sofre com esse problema. Por aqui, há muito é rezada como “não nos deixeis cair em tentação”, muito próximo do sentido que a nova tradução italiana pretende dar à frase.

“Sou eu quem cai em tentação; não é Deus que me joga nela”, afirmou o papa ao apresentador, o padre Marco Pozza.

No italiano, o verbo “indurre” (“induzir”) foi traduzido do latim “inducere” (“empurrar”) a partir do grego “eisféro” (“conduzir para dentro”), explica o padre Paulo Bazaglia, mestre em Exegese Bíblica pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma e coordenador do Centro Bíblico Paulus.

“Jesus conversava em aramaico com seus discípulos, mas os evangelhos foram escritos em grego. O verbo grego não conseguiu traduzir a ideia presente no original aramaico.

Enquanto um significa 'fazer entrar', ou seja, dá a ideia de entrar à força, o outro tem sentido permissivo, isso é, 'deixar entrar'.

O Deus de Jesus não empurra ninguém para a queda, nem passa rasteiras ou contabiliza quantas vezes caímos para rir de nós”, diz.

Segundo a tradição católica, todos os fiéis, sem exceção, estão sujeitos a cair em tentação. Até o próprio Jesus, relatam os Evangelhos, foi tentado pelo Diabo no deserto.

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França também já passou por ajuste no Pai Nosso, em 2017

“Sim, Deus pode permitir que sejamos tentados, como aconteceu com Jesus no deserto. Mas, nunca nos propõe o mal como bem”, afirma o padre Jesus Hortal, professor emérito do Departamento de Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

“Tentar é fazer uma prova a fim de ver o resultado. O que pedimos, portanto, é que Deus não nos coloque à prova, nem tente as nossas forças. Sabemos que somos fracos e que, se colocados à prova, vamos cair.”

Coordenador do Curso de Pós-Graduação em Teologia da PUC-SP, o padre Gilvan Leite de Araújo acrescenta que, se Deus concedeu ao homem o livre-arbítrio, não pode, então, privá-lo de exercer sua liberdade de escolha.

“Um pai ou uma mãe segura a mão de uma criança até que ela aprenda a andar. Depois, dependendo da idade, orientam e corrigem, mas, ao crescer, a pessoa deverá tomar suas próprias decisões, que podem edificá-la ou destruí-la. Os pais usam todas as possibilidades para salvar um filho que está em perigo, mas caberá a ele aceitar ou não”, explica o teólogo.

Não é a primeira vez que uma congregação episcopal propõe uma alteração no Missal de seu país. Em 2017, a conferência dos bispos da França realizou um ajuste no mesmo trecho do Pai Nosso.

Desde o primeiro domingo do Advento daquele ano, que caiu no dia 3 de dezembro, a frase “não nos submeteis à tentação” ganhou nova tradução: “não nos deixeis cair em tentação” — a mesma utilizada na versão brasileira.

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Em 2019, os bispos da Congregação Episcopal de Portugal optaram por tratar Deus como “Tu” e não mais como “Vós”. A nova versão, coordenada por dom Anacleto Oliveira, bispo de Viana do Castelo, levou sete anos para ser concluída e contou com uma equipe formada por 34 especialistas.

“No Brasil, achamos mais conveniente tratar Deus como Vós. Já outros países, como Itália, França e Espanha, usa-se o Tu. É uma questão de adaptação ao uso de cada país”, explica o exegeta e missionário redentorista Padre José Raimundo Vidigal, responsável pela tradução da Bíblia Sagrada, da Editora Santuário.

Todas as conferências episcopais, explica dom Edmar Peron, têm liberdade para propor alterações nas traduções de seus missais. Mas, tão logo traduzidos e aprovados, os textos devem ser enviados para Roma.

A Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, chefiada pelo cardeal Robert Sarah, é o órgão da Santa Sé responsável por validar essas traduções.

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Segundo os Evangelhos, o Pai Nosso foi ensinado pelo próprio Jesus a pedido de um de seus discípulos

No Brasil, o setor da CNBB encarregado de traduzir os textos litúrgicos é a Comissão Episcopal de Textos Litúrgicos (CETEL).

Outro trecho do Pai Nosso que costuma suscitar polêmica em congregações evangélicas é “Perdoai as nossas ofensas”. Os mais puristas preferem “dívidas” em vez de “ofensas”.

“A tradução por 'dívidas' está correta, mas a por 'ofensas' é ainda melhor. Afinal, essas 'dívidas' são morais e não monetárias”, explica o pastor Vilson Scholz, consultor da Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) e professor de Teologia Exegética da Universidade Luterana Brasileira (Ulbra), de Canoas (RS).

“Muitas pessoas não imaginam que exista linguagem metafórica na Bíblia e tendem a interpretar tudo ao pé da letra.”

“Não nos deixeis cair em tentação” e “Perdoai as nossas ofensas” são apenas dois dos sete pedidos rezados no Pai Nosso.

Os três primeiros fazem referência a Deus: “Santificado seja o vosso nome”, “Venha a nós o vosso reino” e “Seja feita a vossa vontade”.

E os quatro últimos às nossas necessidades básicas: “O pão nosso de cada dia nos dai hoje”, “Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nós têm ofendido”, “Não nos deixeis cair em tentação” e “Livrai-nos do mal”.

Segundo os Evangelhos, o Pai Nosso foi ensinado pelo próprio Jesus a pedido de um de seus discípulos. Há duas versões: uma, mais curta, em Lucas (11, 2-4), e outra, mais longa, em Mateus (6, 9-13).

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Religiões e desigualdades sociais – Oxfam Brasil

As religiões não têm olhos só para o “outro mundo”. Ao contrário, como colocou o sociólogo Max Weber, elas possuem interesses ideais e materiais – e se dirigem a “este mundo” para tentar mudá-lo, nele agir ou dele fugir. E isso não decorre apenas das teologias e crenças, mas também dos contornos históricos.

Assim, para saber como determinada religião se relaciona com a sociedade é importante indagar se seu culto é permitido ou proibido, se seus membros são maioria ou minoria na população, se tem apoio do Estado, se está bem organizada institucionalmente etc. – fatores que variam enormemente no tempo.

Não há apenas uma forma de relação entre religião e realidade social; essas duas partes frequentemente se alternam como causa e efeito.

Estamos atravessando uma transição religiosa no Brasil. Ela vem acontecendo há mais de um século, mas se acelerou nas décadas mais recentes.

Dados dos últimos seis censos demográficos evidenciam que há três vetores principais: a) grande queda das religiões tradicionais (especialmente o catolicismo); b) um expressivo aumento e diversificação dos protestantes (neo)pentecostais; e c) um avanço tímido das religiões não cristãs e daqueles que se declaram ateus, agnósticos e afins.

Nesse ínterim, o catolicismo se reinventou diversas vezes. Até 1890 era a religião oficial e parte do Estado brasileiro. A partir de então precisou se organizar como instituição independente.

Na década de 1930 aproximou-se novamente do poder central e serviu de grande pilar de ações nas áreas de saúde e educação. A Igreja Católica garantiu um lugar ao sol mesmo quando a laicidade legal já estava instituída.

Mas sua força advinha também dos valores enraizados nas práticas da população. 

A transição rural-urbana teve impacto profundo sobre o monopólio católico, formando as bases para a pluralização do cristianismo. Cabe diferenciar o protestantismo histórico/reformado (Igreja Lutera,Calvinista, Anglicana etc.

) do pentecostal (Assembleia de Deus, Congregação Cristã, Deus é Amor, Universal etc.).

O primeiro chegou ao Brasil por meio dos imigrantes europeus no século XIX, principalmente na região Sul, mas careceu do ímpeto proselitista, ficando restrito a comunidades étnicas ou locais (apesar de suas teologias universalistas).

Manteve-se como “religião tradicional”, recompondo aqui uma parte do mundo dos imigrantes. O pentecostalismo, por sua vez, veio em diversas ondas ao longo do século XX, inicialmente por meio de missionários estrangeiros. Estilos opostos de protestantismo: os pentecostais são “expansionistas”.  “expansionistas”. 

Suas crenças, ritos e comportamento também se diferenciam. O protestantismo histórico enfatiza condutas metódicas e sobriedade.

É clássica a interpretação weberiana sobre a afinidade de sentidos entre a ética protestante (em particular, do calvinismo) e o espírito do capitalismo: são subjetividades que atribuem valor ao trabalho em detrimento do gozo material.

O pentecostalismo também se apoiou em valores do mundo do trabalho, mas seus membros sempre foram caracteristicamente mais pobres e sujeitos a instabilidades. Sua ética econômica se orienta para a providência divina: Deus provê nos momentos de dificuldade – algo mais emocional e menos ascético. 

O pentecostalismo oferecia ao migrante rural uma forma de compreender o mundo e o inseria em grupos e relações num ambiente que se tornava cada vez mais anônimo e desconhecido. As inovações rituais proporcionavam apoio e pessoalidade, o que contrastava com o lado ritualizado e impessoal dos ritos católicos. Distante da vida cotidiana, o catolicismo se viu em risco.

A emergência de movimentos de esquerda católicos a partir dos anos 1950 foi uma resposta a essa preocupação com as mudanças sociais. Contudo, a esquerda católica nunca mobilizou maciçamente a população e já na década de 1980 entrou em remissão.

Muitos foram os motivos: o Vaticano assumiu posturas mais conservadoras; a redemocratização no Brasil ampliou o espaço da esquerda fora dos âmbitos religiosos; e a ênfase na necessidade de mudança estrutural da sociedade ofuscou as necessidades mais imediatas dos indivíduos.

A Igreja reagiu novamente.

A Renovação Carismática Católica (RCC) surgiu como uma “frente pentecostal”, enfatizando o caráter emocional da relação com Deus e a crença em dons e milagres tudo isso sem romper com a hierarquia e a tradição católica.

A RCC cresceu bastante de 1980 a 2010, transformando católicos “não praticantes”em “praticantes”, mas sem tanto êxito em converter externos. Católicos eram 65% da população em 2010, segundo o Censo. Em 1960, eram 93%. 

Entre alguns pentecostais, nos anos 1970 emergiu uma nova perspectiva: a teologia da prosperidade (TP), que afirma a possibilidade de gozar neste mundo as benesses materiais proporcionadas por Deus. Esse subgrupo passou a ser identificado como neopentencostal (ex.

: Universal, Sara Nossa Terra, Renascer, Mundial do Poder de Deus). A TP incentiva o empreendedorismo e o sucesso individual, e forneceu uma ética econômica para as situações de informalidade que caracterizaram os anos 1980 e 1990, bem como para o aumento do consumo dos anos 2000.

No Censo de 2010, os evangélicos somavam 22% da população; eram apenas 4% em 1960.

O declínio católico e o crescimento evangélico são os dois principais movimentos da transição religiosa; porém, ainda são religiões cristãs, bíblicas e monoteístas. O terceiro componente é justamente o crescimento da diversidade e daqueles que não declararam religião alguma. Em bloco, essas categorias são 13% da população (os sem religião são 8%).

Apesar da grande importância cultural, o espiritismo kardecista e as religiões afro-brasileiras abarcam muito pouco da população: cerca de 2% e 0,3%, respectivamente.

Porém, os kardecistas quase duplicaram seu tamanho absoluto nos últimos dez anos; as religiões afro voltaram a crescer levemente (estavam em queda); e as outras (um conjunto vasto) quase triplicaram. 

A transição religiosa tem consequências. Do ponto de vista social, ela muda as bases de sociabilidade, solidariedade e confiança. Do ponto de vista político, altera a formação de preferências e os comportamentos eleitorais. O exemplo mais patente é o avanço pentecostal sentido no crescimento da bancada evangélica na Câmara (hoje são mais de setenta deputados).

De fato, ser pentecostal aumenta drasticamente as probabilidades de votar em candidatos de denominações afins. Mas o “voto evangélico” não é unívoco. Por um lado, o vetor religioso impele ao conservadorismo comportamental; por isso, parte dos evangélicos torna-se base da “nova direita”.

Por outro, essas pessoas são, em geral, mais pobres, o que as liga a agendas de esquerda.

Fato é que a religião está cada vez mais na esfera pública. Ironicamente, muitos pensavam que o “fim da religião” estava próximo! Poucos anteviram essa importância crescente. Agora, já não é possível ignorá-la.

Este artigo é parte do encarte Desigualdade em Movimento, publicado em parceria com Centro de Estudos da Metrópole (Cem) e Le Monde Diplomatique Brasil. Acesse a publicação completa em: http://bit.ly/olcdem 

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