Como Se Chama O Homem Que Gere Uma Estalagem?

Como Se Chama O Homem Que Gere Uma Estalagem?Crédito: Keli Santos/PexelsEstalar o corpo faz bem ou mal? Descubra

O analista comercial Diego Gottardi Juvillar, de 28 anos, é uma das muitas pessoas que gostam de estalar o corpo em busca de relaxamento ou para aliviar dores. Mas será que essa prática faz bem ou mal?

Como quase tudo na seara da saúde, o exagero pode ser prejudicial. Diego, por exemplo, diz que estala o pescoço e os dedos da mão cerca de seis vezes ao dia. “Gera uma sensação de conforto e até um alívio de tensão.

É a mesma sensação de se espreguiçar”, conta. O analista nunca observou dores antes ou depois da prática. “Nunca senti nenhum problema em relação a isso.

É mais uma questão de costume, mas, se eu não fizesse, tudo bem, também.”

Ele ressalta que nunca percebeu em seus dedos o tal engrossamento das juntas, que muita gente diz acontecer com quem estala muito as articulações. “As minhas não estão mais grossas”.

Como Se Chama O Homem Que Gere Uma Estalagem?Crédito: Reprodução/arquivo pessoalO analista comercial Diego Gottardi Juvillar, de 28 anos

O que diz a ciência

Os supostos problemas ou benefícios de estalar o corpo não foram alvo de tantos estudos rigorosos pela ciência, como acontece com outras áreas, mas podemos chegar a algumas conclusões sobre o assunto.

“Não há relatos na literatura de pessoas que tenham problemas comprovadamente causados pelos estalos”, diz o médico ortopedista Mateus Saito, do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas, da USP.

Ele explica que o estalo é produzido pela passagem rápida do líquido sinovial por uma articulação, gerando pressão e som característicos. Há um efeito indireto no músculo se a pessoa estiver incomodada com determinada posição da articulação — ou seja, o músculo tende a relaxar, daí a sensação de conforto.

Para o médico, se não há dor envolvida antes ou após o hábito, normalmente também não há com o que se preocupar. “Será um problema se a prática estiver acompanhada de dor ou se for uma mania, o que pode gerar sobrecarga das articulações e atrapalhar outras atividades”, alerta o médico.

Segundo Saito, algumas pessoas sentem alívio da articulação quando estalam, associando o hábito a “colocar uma articulação no lugar”. “Mas isso não é medido ou comprovado”, afirma o especialista. “O benefício é o alívio, mas não há provas de que está se alinhando ou colocando algo no lugar.”

Como Se Chama O Homem Que Gere Uma Estalagem?Crédito: João Jesus/PexelsEstalar o corpo traz uma sensação de alívio físico

Relaxamento físico ou psicológico?

O alívio ou o relaxamento causado pelos estalos é realmente físico, de acordo com o médico. “Claro que toda manobra desse tipo tem efeito psicológico, mas acredito que haja melhora física.”

Para Saito, porém, é importante que as pessoas saibam de onde vêm o desconforto que estão sentindo. “Muitas vezes, elas sentem incômodo e estalam as costas, mas frequentemente o incômodo não é advindo da articulação, mas da postura inadequada.” Portanto, melhorar a postura é uma ação comprovada para a melhora desse incômodo.

Causa de doenças

A prática causa preocupação em muitas pessoas devido à circulação de relatos de problemas ligados ao hábito. Um estudo, por exemplo, relaciona estalos no pescoço ao risco de AVC, caso haja predisposição genética. A informação foi veiculada pelo site especializado em medicina WebMD. Essa relação, porém, ainda depende de mais pesquisas para ser comprovada.

De qualquer forma, o caminho é buscar o equilíbrio e nunca exagerar no “torce-e-retorce”, evitando, assim, lesões causadas pelo abuso dos estalos.

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Disfunção temporomandibular (DTM): o que é, sintomas e como tratar

A disfunção temporomandibular (DTM) é uma anormalidade no funcionamento da articulação temporomandibular (ATM), que é responsável pelo movimento de abrir e fechar a boca, podendo ser causada por apertar muito os dentes durante o sono, alguma pancada na região ou o hábito de roer unhas, por exemplo. 

Assim, uma anormalidade no funcionamento desta articulação e dos músculos que trabalham no movimento da mandíbula, caracteriza a DTM. Quando isso acontece, é comum sentir desconforto orofacial e dor de cabeça.

Para isso, o tratamento para a DTM é feito com a colocação de uma placa rígida que recobre os dentes para dormir, sendo também importante a realização de fisioterapia com exercícios de reprogramação postural.

Como Se Chama O Homem Que Gere Uma Estalagem?

Principais sintomas

Os sintomas mais comuns da DTM são:

  • Dor de cabeça logo ao acordar ou ao fim do dia;
  • Dor na mandíbula e na face ao abrir e fechar a boca, que piora ao mastigar;
  • Sensação de rosto cansado durante o dia;
  • Não conseguir abrir a boca completamente;
  • Um lado da face mais inchado;
  • Dentes desgastados;
  • Desvio da mandíbula para um dos lados, quando a pessoa abre a boca;
  • Estalos ao abrir a boca;
  • Dificuldades em abrir a boca;
  • Vertigem;
  • Zumbido.

Todos estes fatores fazem com que a articulação e os músculos da mandíbula sejam afetados, gerando dor, desconforto e estalos. A dor na ATM, muitas vezes, pode gerar dor de cabeça, neste caso a dor é causada pela estimulação constante dos músculos da face e da mastigação.

Como confirmar o diagnóstico

  • Para confirmar o diagnóstico da DTM e ter o correto tratamento, o ideal é procurar um cirurgião-dentista capacitado em “Disfunção temporomandibular e dor orofacial”.
  • Para diagnosticar o quadro de DTM, são feitas perguntas sobre os sintomas do paciente e em seguida, é realizado um exame físico que envolve a palpação dos músculo da mastigação e da ATM.
  • Além disso, exames complementares como ressonância magnética e tomografia computadorizada, também podem ser indicados em determinados casos.

Possíveis causas

A DTM pode ter diversas causas, desde alterações do estado emocional, fatores genéticos e hábitos orais, como o de apertar muito os dentes, que pode ser instintivo quando há sentimento ansiedade ou raiva, mas também pode ser um costume noturno que muitas vezes não se percebe. Este quadro é chamado de bruxismo, e um dos seus sinais é ter os dentes muito desgastados. Saiba como identificar e tratar o bruxismo. 

Porém, existem outras causas para o surgimento da dor na ATM, como a mastigação incorreta, ter tido alguma pancada na região, ter dentes muito tortos que forçam os músculos da face ou o hábito de roer unhas e de morder os lábios.

Como Se Chama O Homem Que Gere Uma Estalagem?

Como é feito o tratamento

O tratamento é feito de acordo com o tipo de DTM que a pessoa apresenta. De modo geral, recomenda-se sessões de fisioterapia, massagem para relaxar os músculos da face e da cabeça e uso de uma placa dentária de acrílico feita à medida pelo dentista, para uso noturno.

O uso de medicamentos anti-inflamatórios e relaxantes musculares pode também ser recomendado pelo dentista para aliviar a dor aguda. Saiba mais detalhes sobre o tratamento da dor na ATM.  Além disso, o dentista pode sugerir aprender técnicas de relaxamento para controlar a tensão muscular na mandíbula.

Quando surgem alterações em algumas partes da mandíbula, como nas articulações, músculos ou osso, e os tratamentos anteriores não surtirem efeito, a cirurgia poderá ser recomendada.

Estalos nos joelhos do corredor devem ser motivo de preocupação? | Blogs

Como Se Chama O Homem Que Gere Uma Estalagem? Estalo no joelho Shutterstock

Você conclui seu treino e, de repente, começa a escutar um estalo no joelho. Imediatamente, sua cabeça já acende o sinal amarelo, trazendo à tona uma série de questionamentos. Esse som representa algum problema sério nas minhas articulações? Devo diminuir o ritmo nos treinos? Procuro um ortopedista?

Em primeiro lugar, vale explicar como surgem esses estalos. Os ortopedistas ressaltam que o líquido sinovial, presente nos joelhos, atua como um lubrificante nas articulações.

Esse fluido possui alguns gases, que são liberados quando há a dobra da articulação. É essa liberação gasosa que gera o barulho. Você também pode notar os sons quando a articulação se move e retorna à sua posição original.

Nesses casos, não há motivo para preocupação.

O ponto-chave para saber se o estalo no joelho deve gerar apreensão é a dor. Se esse som não é associado a um incômodo na região, fique tranquilo.

“Estalos que não são acompanhados de dor não trazem problema algum às nossas cartilagens e articulações, seja quando estalamos um dedo voluntariamente ou quando os estalos são espontâneos, algo comum nos joelhos e quadris”, garante Sérgio Maurício, ortopedista da Maratona do Rio.

“No caso do estalido vir acompanhado de dor ou inchaço, pode ser indicativo de alguma lesão e necessita de um diagnóstico ortopédico. Também não devemos confundir os estalos com rangidos e crepitações. Esses sons são característicos de uma cartilagem desgastada, já com uma superfície rugosa em vez de uma lisa e sem atrito”, explica ele.

Como a cartilagem se desgasta?

Dentro dos joelhos, há uma camada de cartilagem, que atua como um amortecedor natural para que os ossos não entrem em atrito. Com as atividades de impacto, principalmente quando há uma carga excessiva, esse tecido começa a se degenerar. Perdendo sua capacidade amortecedora, a cartilagem torna-se menos volumosa. No caso do processo degenerativo, esse atrito gera os rangidos e crepitações.

O sobrepeso e uma planilha muito puxada podem contribuir para o processo de desgaste da cartilagem, explica a ortopedista Ana Paula Simões. Uma pessoa sem força muscular também está mais suscetível a sofrer com o desgaste da cartilagem, uma vez que a musculatura não absorve o impacto dos movimentos.

Outro fator que influencia é o terreno onde são feitos os treinos. O asfalto castiga mais os joelhos, por exemplo, enquanto grama e areia proporcionam mais conforto às articulações.

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  • “Se o atleta corre errado e não faz a parte da correção dos exercícios, provavelmente ele entra em um processo degenerativo acelerado”, alerta Simões.
  • Caso o estalo no joelho gere uma insegurança na hora de praticar esportes, é uma boa ideia procurar a opinião de um médico especializado.
  • Fonte: Ativo

Como Se Chama O Homem Que Gere Uma Estalagem?

Já que faz um tempão que não escrevo por aqui (muito menos algo pessoal), vou aproveitar o gancho do campeonato que disputei no último final de semana para falar um pouco sobre minha percepção de treinar, competir e ter uma vida pessoal [quase] normal.

Embora seja muito difícil botar tudo o que vou falar em prática no dia-a-dia, na minha cabeça esse tipo de coisa é muito certo. Isto se chama foco, dedicação, prazer em fazer aquilo que escolhi e driblar algumas adversidades.

De fato, eu levo uma vida dupla. É o que dizem meus amigos próximos e minha família. Eu saio de casa 6h da manhã para treinar, saio do treino para o trabalho, do trabalho para o treino e volto para casa por volta das 23h.

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É uma rotina cansativa e exaustiva, porque isso me tira muito tempo de descanso ou lazer.

Além da longa rotina de horário e de minha casa/trabalho/treino não serem nada perto um do outro, no meio do dia muitas coisas acontecem: pressão no trabalho, pressão nos treinos, trânsito, imprevistos…

No domingo eu disputei a III Etapa do Circuito Paulista e comecei a reparar como quando sempre que eu perco uma luta, as pessoas usam os mesmos argumentos para me consolar: “Mas Mayara, você tem uma vida dupla, você trabalha e ainda treina”.

Ok, pessoas, obrigada por isso, eu amo vocês de verdade e sei que falam isso de peito aberto – não estou pedindo para que não falem. Eu realmente acho um esforço tremendo.

Por um momento, até achei que era uma baita glória ou que eu devia mesmo ser uma pessoa diferenciada, mas eu vivo no meio disso e me esforçar não faz de mim uma exceção. Todos se esforçam da sua maneira. 

Eu não sou diferenciada, eu sou só mais uma. 

Eu não convivo em meio à atletas profissionais, o que faz de mim só mais uma pessoa entre tantas outras que, simplesmente, precisam se dividir entre trabalhar, treinar, algumas estudar e ainda ter filhos, competir e ter uma vida pessoal. Eu seria uma exceção se me esforçasse o mínimo e alcançasse o resultado máximo, seria um ponto fora da curva. Mas em meu meio, eu sou só mais uma.  

É claro que eu reconheço todos os meus esforços diários para manter essa rotina em pé. E eu não estou dizendo que é fácil – porque não é, mesmo! Diariamente a gente precisa fazer pequenas escolhas e isso se chama foco.

Por exemplo: eu sei que posso dormir 2h a mais para trabalhar, mas eu escolho acordar 2h antes de ir treinar. Ou então que eu posso sair do trabalho e ir encontrar uma galera para fazer um 'happy hour', mas eu escolho ir treinar. Eu podia treinar só de manhã ou só a tarde? Claro.

Mas o que isso me agregaria mais ou menos? Óbvio que eu 'saio do trilho' uma vez ou outra, mas não num panorama geral, porque a partir do momento em que me prontifiquei a fazer uma coisa, creio que eu deva fazê-la com excelência até o final.

E é por isso que cobro tanto de mim mesma o resultado de uma competição. E creio que a maioria das pessoas que tem essa dupla ou tripla jornada também.

O que também não é tão bom caso passe do ponto [reconheço que às vezes eu passo mesmo]. E talvez esse ‘passar do ponto’ seja um empecilho para conquistar os resultados esperados.

Quando eu me lesiono, por exemplo, eu acho praticamente inaceitável que eu precise ficar sem treinar.

Eu penso que talvez eu possa estar deixando de treinar durante uma hora enquanto a pessoa que eu vou enfrentar no campeonato treinou sei lá, três horas a mais do que eu – isso é doido.

Estive conversando com algumas pessoas que convivem bastante comigo, principalmente meus professores, e a opinião é unanime – o que torna um fato. Eu sempre me lesiono ou fico doente às vésperas de uma competição. E desta vez não foi diferente.

Mas o prazer de competir e de abrir mão de algumas coisas, mesmo que doam um pouquinho o coração [tipo “amigas, não vou no aniversário de vocês porque estou 100% com a cabeça na luta da semana que vem e não posso desviar o foco”], para estar lá e não deixar que toda essa rotina insana seja em vão, é muito sensacional. 

Sentir a adrenalina de um campeonato é muito incrível. E desde que eu decidi que ia voltar às competições [por volta de 2014], reconheço que cresci muito. E na verdade, a cada derrota, eu tenho crescido ainda mais.

Eu acumulei bronze para caramba este ano, perdi de vista… E como explicar? Ano passado eu obtive resultados bem melhores treinando menos. Mas a cada medalha que olho, eu tento me lembrar o que fiz de errado e como posso tentar melhorar.

Essa é uma percepção que eu não tinha lá pelos meados de 2014.

Depois da derrota de domingo, eu percebi que embora eu tenha conseguido colocar em prática quase tudo o que tenho treinado, faltaram alguns detalhes. Se fosse antes, eu nem teria ideia do que fiz durante a luta. Pelo menos eu consigo lembrar agora, hahaha.

Apesar de parecer clichê e talvez uma 'desculpa de perdedores', perder nos ensina muito.

Ganhar é sensacional, é uma sensação realmente indescritível, por isso as pessoas se perdem nas comemorações e às vezes fazem umas loucuras na hora daquela adrenalina louca.

Ganhar demais também deve ser sensacional, porque te bota numa zona de segurança tremenda. E perder é horrível, eu odeio perder.

Mas como sempre aprendi a ver o lado bom das coisas [mesmo que eu deixe prevalecer os ruins às vezes], eu tenho tentado enxergar o que melhorei e me focar no que ainda preciso ajustar.

Sou cercada de pessoas que me elevam sempre e me fazem acreditar ainda mais que dá para chegar lá. E acredito que quando chegar, vai ser igualmente incrível.

É uma caminhada longa, complexa e que precisa de persistência. 

E depois de tudo, na segunda-feira a rotina continua insana. Perder não vai te fazer acabar com a vida e ganhar não vai te fazer tirar uma semana de folga para comemorar 'metendo o louco'. 

Na verdade eu gravei um vídeo falando sobre isso de rotina vs treinos vs competições durante o Campeonato Brasileiro do ano passado que eu nunca publiquei [e nem vou, hahaha].

Mas de certa forma, acho que talvez eu devesse compartilhar com quem também precisa passar por tudo isso e mesmo assim não se derruba por nada, porque o prazer de realizar tudo isso é maior do que qualquer cansaço físico, mental, derrota…

E às vezes, até mais valioso do que umas vitórias [mas eu quero ganhar, ok?]!

“O Cortiço” – Resumo da obra de Aluísio Azevedo

Como Se Chama O Homem Que Gere Uma Estalagem? Martin Claret Editora/Unsplash/Lucas Silva/Guia Do Estudante/Reprodução

Tendo como cenário uma habitação coletiva, o romance difunde as teses naturalistas, que explicam o comportamento dos personagens com base na influência do meio, da raça e do momento histórico.

– Leia a análise de O Cortiço

Resumo
O livro narra inicialmente a saga de João Romão rumo ao enriquecimento. Para acumular capital, ele explora os empregados e se utiliza até do furto para conseguir atingir seus objetivos. João Romão é o dono do cortiço, da taverna e da pedreira. Sua amante, Bertoleza, o ajuda de domingo a domingo, trabalhando sem descanso.

Em oposição a João Romão, surge a figura de Miranda, o comerciante bem estabelecido que cria uma disputa acirrada com o taverneiro por uma braça de terra que deseja comprar para aumentar seu quintal. Não havendo consenso, há o rompimento provisório de relações entre os dois.

Com inveja de Miranda, que possui condição social mais elevada, João Romão trabalha ardorosamente e passa por privações para enriquecer mais que seu oponente. Um fato, no entanto, muda a perspectiva do dono do cortiço.

Quando Miranda recebe o título de barão, João Romão entende que não basta ganhar dinheiro, é necessário também ostentar uma posição social reconhecida, freqüentar ambientes requintados, adquirir roupas finas, ir ao teatro, ler romances, ou seja, participar ativamente da vida burguesa.

No cortiço, paralelamente, estão os moradores de menor ambição financeira. Destacam-se Rita Baiana e Capoeira Firmo, Jerônimo e Piedade.

Um exemplo de como o romance procura demonstrar a má influência do meio sobre o homem é o caso do português Jerônimo, que tem uma vida exemplar até cair nas graças da mulata Rita Baiana.

Opera-se uma transformação no português trabalhador, que muda todos os seus hábitos.

A relação entre Miranda e João Romão melhora quando o comerciante recebe o título de barão e passa a ter superioridade garantida sobre o oponente. Para imitar as conquistas do rival, João Romão promove várias mudanças na estalagem, que agora ostenta ares aristocráticos.

O cortiço todo também muda, perdendo o caráter desorganizado e miserável para se transformar na Vila João Romão.

O dono do cortiço aproxima-se da família de Miranda e pede a mão da filha do comerciante em casamento. Há, no entanto, o empecilho representado por Bertoleza, que, percebendo as manobras de Romão para se livrar dela, exige usufruir os bens acumulados a seu lado.

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Para se ver livre da amante, que atrapalha seus planos de ascensão social, Romão a denuncia a seus donos como escrava fugida. Em um gesto de desespero, prestes a ser capturada, Bertoleza comete o suicídio, deixando o caminho livre para o casamento de Romão.

Lista de personagens
Os personagens da obra são psicologicamente superficiais, ou seja, há a primazia de tipos sociais. Os principais são:

João Romão: taverneiro português, dono da pedreira e do cortiço. Representa o capitalista explorador.

Bertoleza: quitandeira, escrava cafuza que mora com João Romão, para quem ela trabalha como uma máquina.

Miranda:
comerciante português. Principal opositor de João Romão. Mora num sobrado aburguesado, ao lado do cortiço.

Jerônimo: português “cavouqueiro”, trabalhador da pedreira de João Romão, representa a disciplina do trabalho.

Rita Baiana:
mulata sensual e provocante que promove os pagodes no cortiço. Representa a mulher brasileira.

Piedade:
portuguesa que é casada com Jerônimo. Representa a mulher europeia.

Capoeira Firmo: mulato e companheiro que se envolve com Rita Baiana.

Arraia-Miúda:
representada por lavadeiras, caixeiros, trabalhadores da pedreira e pelo policial Alexandre.

Sobre Aluísio Azevedo
Aluísio Azevedo nasceu em São Luís, Maranhão, em 14 de abril de 1857. Após concluir seus estudos na terra natal, transfere-se em 1876 para o Rio de Janeiro, onde prossegue seus estudos na Academia Imperial de Belas-Artes. Começa, então, a trabalhar como caricaturista para jornais.

Com o falecimento do pai em 1879, Aluísio Azevedo retorna ao Maranhão para ajudar a sustentar a família, época em que dá início à carreira literária movido por dificuldades financeiras. Assim, publica em 1880 seu primeiro livro, Uma lágrima de mulher.

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Com a questão abolicionista ganhando cada vez mais espaço no final do século XIX, publica em 1881 o romance “O mulato”, obra que inaugurou o Naturalismo no Brasil e que escandalizou a sociedade pelo modo cru com que trata a questão racial.

Devido ao sucesso que a obra obteve na corte, Aluízio volta à capital imperial e passa a exercer o ofício de escritor, publicando diversos romances, contos e peças de teatro.

Em 1910 instala-se em Buenos Aires trabalhando como cônsul e vem a falecer três anos depois nessa mesma cidade em 21 de janeiro de 1913.

Suas principais obras são: “O mulato” (1881), “Casa de pensão” (1884) e “O cortiço” (1890).

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Conheça as 8 lesões mais comuns no joelho

Como Se Chama O Homem Que Gere Uma Estalagem?

As ocasiões que podem gerar problemas nos joelhos são muitas, como traumas ou postura incorreta. Para te deixar por dentro deste assunto importante, vamos listar as 8 lesões mais comuns nos joelhos.

1 – Rompimento do LCA (ligamento cruzado anterior)

Quando o LCA é rompido, existe uma grande chance de que uma cirurgia seja necessária, dependendo da gravidade e nível de atividade da pessoa. Essa lesão pode ser causada quando ocorre uma mudança rápida de direção, parada repentina de um movimento, pancadas e outros.

O LCA liga a tíbia ao fêmur, protegendo toda a área de movimento que são exigidos, como uma rotação, por exemplo. No tratamento, um programa fisioterapêutico é essencial para ajudar na retomada de força e movimentos.

2 – Rompimento do LCP (ligamento cruzado posterior)

Esse tipo de trauma está mais associado a fatores maiores, como acidentes de trânsito, mas também pode acontecer durante práticas esportivas de maior contato. Em fases mais avançadas, essa lesão pode causar dor e derrame no joelho.

O LCP tem a função de estabilizar a articulação, impedindo que a tíbia se desloque para trás em relação ao fêmur. Na maioria dos casos, o tratamento dessa lesão não necessita de procedimento cirúrgico, podendo ser realizado por fisioterapia e fortalecimento muscular. Exames de raios-X e ultrassonografia são os principais meios de diagnóstico dessa lesão.

3 – Luxação patelar

A patela é o osso que está localizado na frente do joelho. Em uma articulação normal, a patela está centrada na tróclea, fazendo parte do mecanismo extensor do joelho. A luxação ocorre quando esse osso sai da tróclea. A lesão pode ocorrer diretamente, por uma pancada, ou indiretamente, por uma entorse no joelho.

O tratamento da luxação começa pela recolocação do osso no lugar e imobilização temporária com a perna esticada. Depois, é necessário um reforço do músculo entorno da região, visando a retomada da estabilidade. Quando exige intervenção muscular, a luxação pode ser tratada por meio de uma artroscopia.

4 – Condromalácia patelar

Conhecida como joelho de corredor, essa lesão decorre de um amolecimento da cartilagem. Apesar de não ter uma causa exata, pode ser relacionada a fatores anatômicos.

Uma das causas mais recorrentes é a sobrecarga no joelho.

Os principais sintomas dessa lesão envolvem inchaço em torno da rótula, dor constante no meio do joelho e dor durante atividades rotineiras, como uma caminhada ou subida de escadas.

Um tratamento fisioterapêutico pode auxiliar o fortalecimento muscular e exercícios que priorizam o alongamento. Com uma musculatura reforçada o joelho ganha estabilidade, tornando atividades exigentes para os joelhos mais leves.

5 – Artrose

Como suportam um grande peso ao longo do dia, é completamente normal que a cartilagem dos joelhos tenham um desgaste com o passar do tempo. Na maioria dos casos o paciente apresenta essa complicação no joelho, mas sem a presença de dores associadas. A cartilagem do joelho é responsável pelo deslizamento, sem atrito, entre as extremidades dos ossos do joelho.

A artrose não tem cura, mas os tratamentos colaboram na redução da dor e manutenção do movimento. O tratamento vai desde medicação, terapias, até infiltrações e procedimentos cirúrgicos. O diagnóstico dessa lesão pode ser feito por meio de exames de imagem, como o raios-X e a ressonância magnética.

6 – Tendinite Patelar

É uma lesão do tendão patelar que, na maioria dos casos, está envolvida a atividades esportivas que precisam de saltos e desacelerações bruscas, como o atletismo e o futebol, por exemplo. Normalmente, a lesão afeta a fixação do tendão patelar do polo inferior da patela devido ao mecanismo que ocorre durante a desaceleração no esporte.

A tendinite patelar pode ser separada em quatro fases: a primeira promove dor após uma atividade, mas sem comprometer a funcionalidade; a segunda gera dor durante e depois das atividades, sem incapacitar a pessoa; a partir da terceira fase a dor é prolongada durante e após a atividade, com o aumento da dificuldade de realização em um nível satisfatório; e na quarta e última, ocorre um rompimento completo do tendão, sendo necessário uma intervenção cirúrgica.

7 – Síndrome do Corredor

É uma inflamação na região lateral da coxa, especificamente na banda iliotibial, decorrente da flexo-extensão excessiva do joelho que resulta do aumento da tensão ou atrito na região.

Os principais sintomas são hipersensibilidade, dor e sensação de queimação na região lateral do fêmur.

Diversos fatores podem favorecer o aparecimento desta lesão, como calçados inadequados, sobrecarga provocada por treinamentos e competições e encurtamentos musculares.

8 – Lesão no menisco

O menisco fica localizado no meio do joelho, entre o fêmur e a tíbia.

Ele é responsável pela absorção dos impactos realizados sobre os joelhos e diferentes situações podem gerar lesões nessas estruturas, especialmente, nos movimentos de rotação.

Os sintoma envolvem dores na parte lateral dos joelhos e o bloqueio do mesmo, que é causado pelo deslocamento do menisco de um lado para o outro, causando estalos e travamento em posições específicas.

Portanto, a conclusão não foge do óbvio: o joelho é uma das maiores articulações do nosso corpo, então está suscetível a diversas formas de lesões. Manter uma vida saudável é muito importante para a longevidade desse seu grande companheiro, portanto, controlar o peso, se aquecer e alongar antes dos exercícios, e fortalecer os músculos já são hábitos que vão te ajudar bastante. 

Ombro estalando? Saiba quando se preocupar!

A estrutura dos ombros do corpo humano é extremamente complexa, visto que permite diversos movimentos, como a flexão, extensão, abdução, adução, rotação medial e lateral, e circundução. Esse tipo de articulação compreende 3 graus de liberdade, ou seja, realiza movimentos em torno de 3 eixos.

As demais articulações são monoaxiais ou biaxiais, e assim, possuem menor grau de liberdade. Devido aos eixos e diferentes movimentos as articulações podem estalar, o que não é, necessariamente, um problema.

Saiba neste post quais são as causas do ombro estalando, quando um estalo pode ser prejudicial e a hora certa de procurar atendimento médico. Boa leitura!

Quais são as causas dos estalos nos ombros?

Primeiramente, é preciso entender que existem causas fisiológicas (comuns do próprio organismo) e causas patológicas para os estalos nos ombros. Entenda a seguir um pouco sobre algumas delas.

Causas fisiológicas

Mudança de pressão na cápsula articular

As articulações são estruturas que unem um osso a outro. Existem algumas que não realizam nenhum movimento, como as do crânio. As articuladas, como as dos punhos e joelhos, são chamadas de sinoviais.

Elas possuem uma cápsula articular resistente, sendo bastante vascularizada e inervada.

Além disso, essa membrana produz o líquido sinovial, essencial para a lubrificação, nutrição e para manter o deslizamento correto.

O barulho que escutamos ao esticar os dedos ou girar o ombro, por exemplo, é resultado da diferença de pressão dentro da cápsula articular. Isso acontece porque o líquido sinovial está concentrado em algum ponto e, quando a articulação é movimentada, ele passa para outro, o que gera o estalo.

É por esse motivo que, após estalar um dedo, não conseguimos estalá-lo de novo após poucos segundos. Isso porque é preciso esperar que o líquido se acumule novamente em algum ponto, o que leva alguns minutos.

Movimento das articulações, tendões e ligamentos

Como mencionado, o ombro possui diversas estruturas que permitem os mais variados tipos de movimento. Para que eles aconteçam, vários grupos diferentes são requisitados, o que pode variar de acordo com a angulação e a força utilizada.

Após retornar à posição inicial, essas estruturas precisam voltar para o seu local anatômico. Assim, é possível que um estalo seja audível quando o retorno é brusco ou o movimento necessita de grande amplitude.

Estirão de crescimento

Durante a adolescência, o organismo cresce em ritmo acelerado. Isso pode fazer com que os músculos não acompanhem o crescimento dos ossos. Assim, o tecido muscular fica menor que o ósseo, o que pode provocar estalos nos movimentos.

Se essa situação acontece com frequência exagerada durante a adolescência, é necessário procurar um médico para verificar se o crescimento e desenvolvimento estão adequados para a idade. Isso porque, caso não estejam, pode ser necessário intervir com medicação para estimular o crescimento.

Causas patológicas

Desgaste da cartilagem

A cartilagem é um tecido encontrado nas extremidades dos ossos, sendo responsável pelo deslizamento dessas superfícies. Desse modo, quando uma articulação se mexe, há um atrito mínimo entre os ossos. Além disso, a presença do líquido sinovial também contribui para um movimento sem lesão.

No entanto, existem doenças que causam o desgaste da cartilagem. Assim, em um primeiro momento, a cartilagem fica mais áspera, deixando o movimento com um atrito maior. Quando a cartilagem é destruída, os ossos se chocam, o que provoca desgastes na sua estrutura. Tanto a superfície áspera quanto o contato entre os ossos pode provocar estalos.

Esse tipo de desgaste acontece em várias doenças, como osteoartrose e o reumatismo, ou devido a traumatismos na região do ombro. Normalmente, há dor e edema associados ao quadro de estalos na região.

Síndrome do impacto

Em condições normais, existe espaço suficiente entre o acrômio (parte do osso escápula) e o manguito rotador (formado por tendões que ligam o úmero, o osso do braço, à escápula). Assim, quando o braço é levantado, os tendões deslizam facilmente abaixo do acrômio. Porém, sempre há algum grau de impacto relacionado, ou seja, fricção e compressão dos tendões, o que é fisiológico.

Dessa forma, o impacto ocorre em praticamente todos os movimentos feitos acima da altura dos ombros. No dia a dia, esse tipo de movimento não é feito com frequência, portanto, não há repercussões danosas.

No entanto, atividades repetitivas que exigem trabalho dos ombros acima de seu nível, como carregamento de peso e arremessos por atletas, podem causar inflamação nos tendões devido ao impacto constante. A compressão pode provocar estalos e dor local.

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Quando procurar um médico?

Como existem causas fisiológicas para os estalos, não é necessário procurar atendimento médico quando notar que eles acontecem, mesmo que seja com frequência ou o barulho seja alto. Porém, um especialista deve ser consultado quando há dor, inchaço ou limitação de movimento relacionada aos estalos.

Isso porque a dor está presente nas causas patológicas de estalos e deve ser investigada. Nesse caso, o profissional indicado é o ortopedista. Esse médico poderá aliviar o desconforto e a dor e também descobrirá qual é a causa do incômodo. Assim, é possível fazer um diagnóstico precoce e ficar livre de um desgaste mais sério futuramente.

Como evitar os estalos?

Uma das causas de estalos frequentes pode ser o sobrepeso, uma vez que o excesso de tecido adiposo sobrecarrega as articulações e os ossos do corpo. Assim, a perda de peso pode diminuir os barulhos das articulações e melhorar a qualidade de vida como um todo.

Além disso, o alongamento muscular e o fortalecimento dos músculos também é importante. Porém, ambos devem ser feitos de forma gradual e com o acompanhamento de um profissional especializado.

Estalar as articulações pode ser prejudicial?

Algumas pessoas têm o costume de estalar os ombros, dedos e até a coluna para aliviar a tensão. Apesar de não engrossar os dedos como muitos falam, esse hábito pode comprometer as partes moles e a cápsula das articulações. Sendo assim, é melhor evitar o alongamento de forma repetitiva.

Autores – Resumos – CANAÃ

Graça Aranha

Milkau, alemão, recém-chegado, o a uma colônia de imigrantes europeus, no Espírito Santo, aluga um cavalo para ir do Queimado à cidade de Porto do Cachoeiro. Junto com ele vai o guia, um menino de 9 anos, filho de um alugador de animais, no Queimado.

O imigrante observa a paisagem e, ao passar por uma fazenda abandonada, entregue aos poucos e pobres escravos, nota o ritmo daquela gente desamparada. Finalmente, chega ao sobrado do comerciante alemão, Roberto Schultz, em Cachoeiro. Na parte inferior do edifício fica o armazém, onde é negociada toda sorte de produtos, desde fazenda até instrumentos agrícolas.

É apresentado a outro imigrante, von Lentz, filho de um general alemão. Milkau deseja arrematar um lote de terra para se estabelecer. Schultz apresenta-lhe o agrimensor, Sr.Felicíssimo, que está para ir ao Rio Doce fazer medições de terra. Milkau, desejando aí se estabelecer, decide se juntar ao agrimensor e convida o indeciso Lentz para acompanhá-lo.

Pelo caminho, Lentz e Milkau discutem a paisagem e a raça brasileiras. Milkau crê que o progresso só se dá quando os povos se misturam. Vê, na fusão das raças adiantadas com as selvagens, o rejuvenescimento da civilização.

Enquanto acredita na humanidade, pensa encontrar no Brasil Canaã, “a terra prometida”. Lentz só se ocupa da superioridade germânica, ficando enaltecido com o triunfo dos alemães sobre os mestiços.

Para ele, a mistura gera uma cultura inferior, uma civilização de mulatos que serão sempre escravos e viverão em meio a lutas e revoltas. Acrescenta que está no Brasil, porque o estava forçando a se casar com a filha de um general, amigo do pai.

Preferiu começar vida nova, longe dos deveres e obrigações impostos por sua sociedade. Milkau conta-lhe que também não encontrava graça no viver, ansiava por uma vida mais independente, em que pudesse dar vazão à sua individualidade.

À noite, reúnem-se a Felicíssimo e ouvem de alguns homens da terra e dos trabalhadores alemães lendas, evocando o Reno e despertando saudades.

Os planos dos dois imigrantes diferem; Milkau deseja manter seu pedaço de terra e anseia por uma justiça perfeita sem ganâncias ou lutas.

Lentz está determinado a ampliar sua propriedade, ter muitos trabalhadores sob seu comando. Sonha com o domínio do branco sobre o mulato, numa confirmação de seu poder.

Após as medidas tomadas por Felicíssimo, Milkau pode levantar sua casa e Lentz deixa-se ficar, triste e angustiado, incapaz de abandonar o companheiro, dedicando-se às viagens e compras da casa.

No trajeto, encontra-se sempre com um velho colono alemão taciturno, em companhia de seus cães ferozes, mas fiéis.

Mais tarde, encontrará esse velho morto em casa, guardado pelos animais e devorado pelos urubus.

Um dia, ao retornar de Santa Teresa, Lentz traz a notícia de que, em Jequitibá, o novo pastor vai celebrar seu primeiro serviço.

Os colonos preparam uma festa e Milkau resolve juntar-se a eles como forma de se familiarizar com os costumes do povo. Pelo caminho, os amigos encontram famílias inteiras de colonos.

As mulheres se vestem com o modelo usado na partida para a nova terra, sendo possível fixar, pelo vestuário, a época de cada imigração.

Felicíssimo os convida para, depois do culto, festejarem no sobrado de Jacob Müller. Ouvem música e vêem o povo dançando. Milkau diz a Lentz que era isso o que buscava: uma vida simples em meio à gente simples, matando o ódio e esquecendo da dor. Os homens de outras terras estavam possuídos pelo demônio, devastando o mundo. Lentz vê em tudo aquilo uma existência vazia e inútil.

Milkau conhece, nesse dia, no sobrado de Müller, uma colona, Maria Perutz, que não consegue mais esquecer o encontro com o rapaz. A história de Maria é triste e solitária. O pai morreu antes que ela pudesse conhecê-lo.

A mãe viúva, criada da casa do alemão Augusto Kraus, logo falece e Maria fica sob os cuidados de Augusto, seu verdadeiro amigo. Moravam com o velho, seu filho, a nora Ema e o neto, Moritz Kraus.

Repentinamente, Kraus falece e a situação na casa de Maria se modifica.

Ema e o esposo decidem separar a moça do filho, temendo uma aproximação amorosa. A família quer ver Moritz casado com a rica Emília Schenker e o enviam para longe de Jequitibá. O rapaz parte com certa alegria, deixando Maria desgostosa, pois os dois já eram amantes.

Franz Kraus é procurado por um Oficial de Justiça que, desejando saber porque a morte do velho não foi notificada, passa-lhe um documento sobre a necessidade de arrolamento dos bens de Augusto Kraus. Solicita que lhe prepare alojamento e comida para cinco pessoas, pois darão plantão em sua casa, recebendo todos os que estiverem na mesma situação de Franz.

O grupo se instala na casa e passa a chamar os colonos, amedrontando-os com extorsões e violências.

Após a visita, cobram de Franz Kraus a alta importância de quatrocentos mil réis, além de demonstrarem certo interesse em Maria, notadamente o procurador Brederodes. Kraus sente-se ultrajado e roubado. A vida de Maria por essa época piora.

Dia-a-dia, teme que seu estado se revele, por isso aguarda desesperadamente o retorno de Moritz para lhe contar sobre o filho que espera.

Os pais do rapaz não tardam perceber o que se passa. Vendo-a mover-se pela casa languidamente, sentem ódio e temem pelo casamento do filho. Passam o dia a cochichar, a tramar para se verem livres dela. Tratam-na com mais rigor, não lhe dão quase comida, dobram-lhe os trabalhos.

Resignada, Maria resiste para desespero dos velhos. Uma manhã, trêmula e exausta deixa cair um prato. Encolerizada, Ema grita para que ela abandone a casa. O marido ameaça-lhe com um pedaço de madeira. Amedrontada, arruma uma trouxa e sai.

Pede auxílio ao pastor, mas esse, dominado pela cunhada, docemente afasta Maria que parte para a vila em busca de abrigo.

Ao verem a triste figura, os colonos tomam-na por louca, enxotando-a. Na floresta, seu único refúgio, cai prostrada e adormece. No dia seguinte, encontra uma estalagem, onde empenha a trouxa de roupa em troca de comida e abrigo.

A dona do estabelecimento lhe dá dois dias para encontrar um emprego, mas a busca é em vão. Certo dia, na hora do almoço, Milkau reconhece Maria na estalagem. Ao saber de sua história, prontifica-se a ajudá-la, levando-a para a casa de uns colonos.

A moça é aceita, mas tratada com desdém.

Um dia, trabalhando, solitariamente, no cafezal, começa a sentir as dores do parto. Temendo retornar à casa e ser maltratada, resiste até cair e, esvaindo-se em sangue, dá luz ao bebê.

Alguns porcos, que estavam nas proximidades, correm para lambê-los, mordendo o bebê que falece. A filha dos patrões chega nesse instante e, sem nada perguntar, volta à casa, dizendo que Maria tinha matado o bebê e dado a criança aos porcos.

Dois dias depois, Perutz estava presa na cadeia de Cachoeiro.

A população germânica, horrorizada com o crime de Maria, prepara-se para a vingança e o exemplo. Roberto Shultz procura os mesmos representantes da Justiça que amedrontaram e extorquiram os colonos, durante o arrolamento de bens.

Pede-lhes que deixem a punição da mãe assassina para os alemães. O procurador Brederodes, ignorado por Maria na época, insiste em puni-la para que aprenda a não ser tão orgulhosa.

Chama todos os alemães de hipócritas e parte, deixando Shultz desmoralizado.

Milkau fica sabendo do destino de Perutz e o encontro com ela em Cachoeiro choca-o. Maria tinha a face lívida e os olhos cintilantes dançavam ao sabor da loucura. Volta a vê-la dias seguidos, passando a ser olhado com desprezo e desconfiança, pois, talvez, fosse o amante. Repelido pelos moradores, resigna-se com a condição de inimigo, permanecendo ao lado de Maria.

Certa manhã, estando em companhia de Felicíssimo, Milkau encontra Maria, sendo levada por dois soldados para o tribunal. Em cada fase do julgamento, é apontada culpada.

Milkau acompanha todas as sessões, chegando a ficar amigo do juiz Paulo Maciel. Este lhe diz que o final não será feliz, pois os depoimentos não deixam brecha para a inocência.

O imigrante e Maciel aproveitam os encontros para analisar a justiça brasileira, os brasileiros e seu patriotismo.

A avaliação não é das melhores.

O juiz impossibilitado de fazer justiça por uma série de circunstâncias observa que a decadência ali existente é um “misto doloroso de selvageria dos povos que despontam para o mundo, e do esgotamento das raças acabadas. Há uma confusão geral”. Milkau crê que se pode chegar a algo melhor. Entretanto, à medida que acompanha o definhar da amiga, vai se deixando tomar pela tristeza.

Finalmente, numa noite, Milkau tira Maria da prisão e foge com ela, correndo pelos campos em busca de Canaã, “a terra prometida”, onde os homens vivem em harmonia.

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