Como Se Chama A Pessoa Que Trabalha Com Barro?

Como Se Chama A Pessoa Que Trabalha Com Barro? Diana Tinoco Cruzam a cerâmica com novas linguagens e assim reinventam o ofício antigo, em taças, pratos, candeeiros, jarras, entre outras peças. Oito ateliers para seguir de perto, onde também há aulas para aprender esta arte Como Se Chama A Pessoa Que Trabalha Com Barro?

Anna Westerlund abriu a loja Together Lisboa, no Chiado. Ali, além dos bules e jarros de tampas e asas forradas a tecidos, estão também à venda os brincos feitos de cerâmica e latão

Arlindo Camacho

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Diana Tinoco

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Cécile Mestelen trabalha sobretudo com barro branco, ao qual junta um pigmento de cor e areia da praia, o que dá às peças uma textura original

Marcos Borga

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Gabi Neves e Alex Hell fundaram o Studioneves em São Paulo, Brasil. No início de 2018 mudaram-se para Portugald

Marcos Borga

Como Se Chama A Pessoa Que Trabalha Com Barro?

D.R.

Como Se Chama A Pessoa Que Trabalha Com Barro? Como Se Chama A Pessoa Que Trabalha Com Barro?

Cátia Pessoa, a cara da Caulino Ceramics, com loja e atelier perto da Sé de Lisboa

Diana Tinoco

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Diana Tinoco

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Daniel Pego

Úrsula Duarte, portuguesa, e Maud Téphany, francesa, abriram o Sedimento Ceramics Studio perto do Jardim da Estrela. Além de atelier, têm também workshops seis vezes por semana

José Carlos Carvalho

José Carlos Carvalho

Mãos ao barro: as gerações de ceramistas de Capela

Como Se Chama A Pessoa Que Trabalha Com Barro?

Uma das referências clássicas da artista Sil das Alagoas é a jaqueira. Em muitas das peças, aparecem uma mulher lendo sob a árvore. Foto: Marco 500

A tradição da cerâmica ou oleira feita no Brasil nos surpreende com uma diversidade de técnicas, modelos, temas e origens. Barro, argila ou terracota são alguns termos que nomeiam a matéria-prima base.

Associado ao trabalho feminino, o saber-fazer cerâmico de procedência popular mantém relação com as louças de barro, utilitários como panelas, moringas, potes, porrões, pratos, travessas, copos e outros suportes, consumidos em seu próprio meio de origem ou comercializados pelos mercados locais.

Ao longo do tempo, estes objetos cerâmicos ganharam novas feições, contando outras histórias, memórias e desejos, se tornaram mais sofisticados e passaram a ser vistos também como esculturas, obras de arte colecionáveis.

Exemplo contemporâneo dessa tradição cerâmica que transforma o barro em arte é a alagoana Sil da Capela. Reconhecida nacionalmente pelas suas esculturas, ela faz uso recorrente de um ícone em suas obras: a presença do livro é marcante.

Quem segura o livro são as mulheres, ladeadas por crianças curiosas com a possível história ali contada. Este elemento específico das obras aponta para um traço biográfico: envolvida com o corte da cana desde a infância, Sil não se alfabetizou no período convencional.

Hoje, no entanto, arrisca a ler e escrever pequenas frases, além de inserir a sua assinatura nas peças. A aplicação do livro em mãos maternas evoca um desejo profundo da artista, que encontrou na linguagem escultórica do barro a sua poética, o veículo de sua narrativa literária.

Sil é considerada um destaque do ateliê do mestre João das Alagoas, este último o responsável pelo surgimento de uma nova escola de cerâmica em Capela/AL.

João das Alagoas, o mestre de Capela

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João das Alagoas em seu ateliê com a representação do bumba meu boi, a marca do seu trabalho. Foto: Artur Lins

Nascido em 1958, João Carlos da Silva, conhecido pela alcunha de João das Alagoas, vive onde se criou no município de Capela, localizado na Zona da Mata alagoana, distando aproximadamente 60 quilômetros da capital Maceió. João conta que desde a infância modelava boizinhos e cavalos, brinquedos que produzia para si.

Desde cedo admirava as imagens e desenhava, copiando figuras de livros didáticos e peças publicitárias. Ele lembra, inclusive, que tinha uma coleção de livros de arte europeia em casa, citando Van Gogh, Rafael e Giotto. Ouviu falar pela primeira vez o nome de Vitalino através do rádio, em uma tarde de sábado na década de 1970 no antigo canal do Projeto Mobral.

Teve notícia do Alto do Moura e os seus ceramistas também pela televisão, em um programa da Rede Globo.

Em sua sala de trabalho – ao fundo, um pequeno rádio toca forró pé de serra – João mostra um exemplar da Revista Graciliano, dizendo que dali retirava novas referências, apontando para uma figura folclórica, assemelhada a um pássaro, chamado Zabelê.

Atualmente, com ajuda dos filhos, realiza pesquisas de imagens na internet. Cita Almeida Júnior e, principalmente, José Antônio da Silva, como influências.

No entanto, para João das Alagoas, a sua linhagem artística deve-se a dois principais nomes: Antônio Poteiro e Mestre Vitalino.

“Eu me considero um artista autodidata, primitivo. Eu trato a realidade à minha maneira. Não vou me considerar nunca um artista acadêmico, porque nunca fui à Academia.

Também não sou inocente e leigo, sei das proporções, dos estudos que os artistas de Academia fazem, entendo um pouco de perspectiva, não muito, mas não a uso.

Uso a minha liberdade para fazer os meus trabalhos, tanto no desenho, na pintura e principalmente do que vivo, que é a escultura de barro”, diz o artista.

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Peças dos artistas SIl das Alagoas, João das Alagoas e Adriana Siqueira. Fotos: Ricardo Pimental e Marco 500

João das Alagoas não domina apenas a escultura feita no barro, também conhece a madeira e sabe entalhá-la com precisão, bem como sente-se familiarizado com os pincéis e as telas, os quais diz ter abandonado por motivos financeiros.

Antes de viver somente da arte, trabalhava em um supermercado local até que em 1987 passou a  dedicar-se inteiramente à atividade criativa, vendendo suas obras em feiras e lojas de artesanato nos pontos turísticos de Maceió. Considera-se autodidata, curioso e ávido por referências externas.

Mas é em seu próprio meio de origem, na vida cotidiana de sua pequena cidade, nos costumes do campo e nos ícones do rico folclore alagoano que diz encontrar o principal alimento de sua criação:

“Minha família tem origem; meu pai tinha origem negra e ele era alfaiate.

E o meu avô, pai do meu pai, ele trabalhava aqui, em Capela mesmo, com a carroça, dessas que ainda hoje existem, que fazem frete. Por parte da minha mãe, tive uma tia que fazia panela.

Eu a conheci idosa, nunca a vi fazer, mas os meus familiares dizem que ela produzia panela utilitária, o pote, essas coisas”, relata João.

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Produção da artista Nena. Foto: Michel Rios

João comenta que deu início às esculturas observando a queima de uma senhora que fazia panelas de barro. Começou com uma série de miniaturas que representavam personagens sertanejas, presépios, ceia larga e santos, principalmente o São Francisco.

Beirando os anos 2000, o artista inventa aquele que se tornou o seu principal tema: o motivo do Bumba-Meu-Boi. João observa que os bois de Vitalino são realistas, possuem quatro patas semelhante ao animal. Viu Manoel Eudócio produzir um boi folclórico, simples e miúdo, com singelos detalhes na saia.

Lembra-se de um jarro grego que olhou nos livros, ornamentado com cenas, paisagens e figuras que rodeiam a proporção do objeto. Produziu uma síntese: com o barro, João propôs um motivo de Bumba-Meu-Boi ornamentado, com figuras levemente policromadas e em relevo, retratando a vida no campo.

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A ilustração do corpo dos seus objetos, mesmo preservando a série que lhe dá identidade, reserva a cada peça o seu aspecto único.

Menino jogando pião e menina saltando corda, trio forrozeiro, brincadeiras típicas de festas juninas como rouba bandeira, quebra pote e pau de sebo, além de figuras inspiradas nos folguedos regionais: o guerreiro, o pastoril e a cavalhada, sobre os quais o artista lembra-se festejar quando jovem, ao final do ano, na praça de sua cidade.

Aplicou o mesmo princípio criativo em outros temas, usando o motivo do folguedo cênico cavalo-marinho. Atualmente, além das figuras em alto relevo no corpo do boi, vemos o uso de bonecos tridimensionais que o envolvem. Inventivo, João não se acomoda pela estabilidade da consagração conquistada.

Aos 61 anos, o artista está constantemente pensando em recriar.    

Novas gerações: Leonilson, Nena e João Carlos Jr.

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Há aproximadamente 20 anos, João das Alagoas passou a reunir discípulos, pessoas da sua vizinhança ou participantes de projetos patrocinados pelo SEBRAE, quando ainda oferecia oficinas de modelagem. Hoje, o seu ateliê agrega em torno de 14 artesãos.

Um dos mais destacados discípulos, Leonilson Arcandio Holanda conheceu o seu mestre quando tinha apenas 8 anos de idade. Nascido no município de Capela, em 1991, este jovem artista cresceu com as mãos no barro, dando-lhe formas miniaturais.

 Espelhando-se em seu professor, aos 13 anos de idade passou a vender algumas peças a partir de motivos regionais e figuras de santo.

Atualmente, com 28 anos de idade, em fase madura de seu processo criativo, Leonilson se destaca por seus temas mais recorrentes: São Francisco, família de retirantes, presépios tradicionais e nordestinos, mandacarus com figuras suspensas, oratórios e outras referências religiosas e locais.

Dentro de suas criações, Leonilson encontra diversas possibilidades de representação. As suas figuras mostram ondulações nas vestes, corpos longilíneos e traços finos, mesmo em miniatura, conferindo movimento aos personagens, os quais variam as posições ao sabor da criatividade do escultor.

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Cadeira moldada pelo artista João Carlos Jr na Exposição Amostrada durante a DesignWeekend em São Paulo-SP. Foto: Artur Lins

Já Maria Eroneide Laurentino, conhecida como Nena, nasceu na zona rural de Capela, em 1973. Cunhada do mestre João, desde 2003 passou a modelar o barro, hoje a sua principal fonte de renda. Lembra-se da sua avó que era paneleira.

Nena conta que a sua marca é o chamado “boi vazado”, preenchido internamente por figuras tridimensionais que remetem ao cotidiano.

As suas peças são volumosas e os seus temas variados: comício de político, cinema de rua, rendeiras e uma torre cônica, com elevação em espiral, rodeada por brincadeiras infantis.

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Peça do artista Leonilson Acandio. Foto: Marco 500

Outro destaque desse grupo de ceramistas é João Carlos Jr., filho de João das Alagoas, que aprendeu desde criança observando o ofício de seu pai. João Carlos, hoje com 30 anos de idade, demonstra muita versatilidade em suas criações.

Além da sua produção, dedica-se também ao oferecimento de oficinas de modelagem em Maceió. Habilidoso e técnico, João Carlos desenvolve uma variedade de figuras e temas.

Recentemente, à convite de uma exposição que ganhou espaço na Design Weekend em São Paulo, este jovem artista, desafiado pelos curadores, produziu uma inusitada cadeira de barro estilizada, mostrando que as inovações ocorrem e surpreendem.

  • As três irmãs: Sil, Tita e Adriana
  • Como Se Chama A Pessoa Que Trabalha Com Barro?
  • Sil das Alagoas. Foto: Itawi Albuquerque

Maria Luciene da Silva Siqueira, apelidada como “Sil” desde a infância, nasceu no ano de 1979, em Cajueiro-AL. Quando criança Siklmuda-se com a sua família para trabalhar em uma fazenda de cultivo de cana-de-açúcar, na zona rural de Capela, lugar em que permaneceu até os 17 anos de idade.

Após alguns anos, por ocasião de um projeto do SEBRAE destinado à geração de renda para mulheres com filhos portadores de necessidades especiais, Sil encontra-se com João das Alagoas, em 2000.

Hoje, reconhecida como Sil da Capela, é vista enquanto uma grande revelação da cerâmica popular brasileira.

“No início, o João me ensinou a fazer uns cavalinhos com uns homens em cima, que eu chamava de cambiteiros, meu pai era cambiteiro. Era difícil porque as pessoas diziam para eu ir cuidar dos meus filhos, que [a arte] não daria futuro. [..

.] A gente só se sente diminuído quando a gente se diminui, já fiz muito isso quando achava que vim ao mundo apenas para ter filhos e ser uma dona de casa. Mas a partir do momento que conheci o meu trabalho, a minha vida mudou”, diz Sil.

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Sil da Capela possui um repertório temático amplo. Nota-se a inspiração em uma árvore típica de sua região: a jaqueira. Com o passar do tempo, as jaqueiras ganharam, em suas sombras, figuras tridimensionais as mais diversas, que representam cenas cotidianas, as quais narram os elementos familiares ao universo simbólico da artista.

Outros temas também se apresentam: o Jaraguá, a Sereia, o Casamento Matuto, o São Francisco e outras imagens de santos, figuras individuais de mães amamentando, casais namorando, crianças brincando, sanfoneiros e violeiros, pescadores e benzedeiras, entre outros motivos que a imaginação fértil possibilita.

As feições das figuras detalham um rosto mais robusto e arredondado, permitindo que a artista imprima nas cenas expressões faciais carregadas de emoções e sentidos. A peça mais marcante dessa artista é uma torre piramidal, lembrando um chapéu de guerreiro, que atinge até mais de 1 metro de altura.

Em cada nível de elevação, a torre reproduz a complexidade de um vilarejo com cenas da vida cotidiana que se põem a frente de casas interioranas.

Como Se Chama A Pessoa Que Trabalha Com Barro?A artista Adriana Siqueira. Foto:Artur Lins

 A profissão de Sil da Capela provocou muitos impactos em sua família. Duas de suas irmãs, Maria Cícera da Silva Siqueira – que assina como Tita – e Adriana Maria da Silva Siqueira, foram incentivas pela irmã mais velha a pôr as mãos no barro.

Há 12 anos Tita começou a produzir vasos e figuras de promessa – ex-votos –, por uma demanda local. Posteriormente, Tita encontrou a sua identidade criando noivas posicionadas sobre um corpo esférico adornado por flores que preenchem a proporção do objeto.

Adriana, por sua vez, há 8 anos dedica-se a modelar o barro, principalmente criando pequenas e grandes jacas, detalhando o fruto minunciosamente.

As três irmãs, ao lado de Leonilson, dividem uma pequena sala no ateliê, lugar em que diariamente a prosa corre solta durante a jornada de trabalho.

O trabalho coletivo dessa escola de ceramistas se tornou amplamente reconhecido, ganhando espaço em exposições por várias metrópoles brasileiras e estrangeiras, constando em catálogos, jornais e livros de conteúdo especializado.

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As peças desses artistas circulam o país e o mundo.

Incentivados pela marcante presença de João das Alagoas, os novos artistas buscam, cada um à sua maneira, desenvolver identidades autorais próprias, evitando repetições, sendo o estilo coletivo a fonte de aprendizado para o florescimento dos estilos individuais.

Sobre o autor

Escultura – Profissão, Carreira e Informações Gerais

  • Habilitação:
    Bacharel em Escultura
  • Duração do Curso:
  • Área:

5 anos
Humanas
Atributos do Profissional:
Criativo e Observador

Salário Médio:
R$ 1500,00

Escultura é a arte de transformar materiais em seres ou objetos. Esses materiais podem ser argila, mármore, bronze, madeira, entre outros. Os métodos utilizados para essa criação são a moldagem, a cinzelação, a fundição e a aglomeração de partículas. Desta forma, é interessante também ressaltar outras técnicas envolvidas no processo de criação:

  • Moldagem: é a utilização de um molde para criar a forma da escultura. A argila costuma ser o material mais utilizado nesse método.
  • Cinzelação: é a aplicação de peças metálicas na criação da escultura. O bronze, o ouro e a prata são exemplos de peças utilizadas nesse método.
  • Fundição: é a utilização de várias atividades para dar forma à matéria prima.
  • Aglomeração de partículas: é a organização de pequenas partículas dispostas uma do lado da outra para formarem um objeto.

O curso de Escultura fornece ao aluno conhecimentos das mais diversas técnicas sobre como tratar os materiais estudados e transformá-los em arte. A utilização das técnicas citadas acima é de fundamental importância para que o trabalho seja bem desenvolvido e reconhecido pelo público em geral.

O aluno do curso de Escultura está habilitado a trabalhar com diversas formas e símbolos, aprende também a trabalhar com técnicas tridimensionais, transformando em realidade o que muitas vezes só existe na imaginação do escultor.

Um escultor pode trabalhar na restauração de monumentos e esculturas, sejam elas públicas ou privadas, criar adereços e modelos para as mais diversas funções e aplicações, além de poder criar sua própria exposição em museus, galerias.

Não existem muitos cursos de graduação em Escultura no Brasil, porém o mais conhecido se encontra na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O curso é integral e tem duração de 10 períodos, ou seja, 5 anos.

Grade Básica Curso de Escultura

As principais disciplinas ministradas no curso de graduação em escultura pela UFRJ são:

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  • Desenho Artístico e Anatômico;
  • Plástica e Perspectiva;
  • Historia da Arte e Teoria da Percepção;
  • Geometria Descritiva;
  • Teoria da Informação;
  • Criação da Forma e Estilo;
  • Estética Artística;
  • Modelo Vivo;
  • Escultura em Madeira, Pedra e Metal.

Para ser um bom escultor é preciso ser detalhista, criativo, bastante observador e paciente. Afinal, esse trabalho é bastante minucioso e requer muita atenção e habilidade manual.

Melhores Faculdades

Como já foi dito anteriormente, o curso de Escultura não é ofertado por muitas instituições de ensino superior do país.

Porém, é importante que o aluno verifique se a faculdade possui reconhecimento do Ministério da Educação (MEC), pois somente assim o curso terá validade e o aluno receberá um diploma ao se formar.

As faculdades que oferecem o curso de Escultura com reconhecimento do MEC são:

  • Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR) – Paraná;
  • Universidade de São Paulo (USP) – São Paulo;
  • Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) – Rio de Janeiro;
  • Centro Universitário Belas Artes de São Paulo (FEBASP) – São Paulo.

Olaria – Wikipédia, a enciclopédia livre

 Nota: Para outros significados, veja Olaria (desambiguação).

Uma olaria (de “ola”, termo antigo para “panela de barro”), cerâmica,[1] oficina de oleiro ou oficina de ceramista é um local destinado à produção de objetos que utilizam o barro ou argila como matéria-prima.

Quando a produção destes objetos é em grande quantidade (em escala industrial), também podemos denominar uma olaria como sendo uma fábrica. Existe uma diversidade não muito grande de peças ou objetos fabricados em uma olaria e, salvo exceções, o produto final corresponde a tijolos, manilhas, telhas ou louças.

[2][3][4]

A olaria Tuilerie de la Bretèche, monumento histórico localizado em Ligny-le-Ribault, na França

História

A oficina de oleiro é considerada a mais antiga das indústrias, isto porque a humanidade, na pré-história, começou a substituir os vasos de cerâmica pelos vasilhames (utensílios domésticos) feitos de porongos, cocos e cabaças, entre outras cascas utilizados para o armazenamento de alimentos.[5]

A manufatura de objetos do barro e o surgimento de oficinas de oleiro ocorreu no período neolítico, quando os povos ou sociedades iniciam a confecção de instrumentos mais sofisticados para sanar o problema do armazenamento ou do preparo dos produtos oriundos da produção agropastoril, principal característica da revolução neolítica[6][7].

No Brasil

A técnica da queima do barro ou terra queimada já era de conhecimento dos índios aborígenes que viviam nas terras do atual território brasileiro.

Os colonos portugueses nada de novo trouxeram, restringindo-se apenas a estruturar e concentrar a mão de obra.

A modernização da técnica no Brasil colonial ocorreu com a ajuda dos padres jesuítas, que transformam o rudimentar processo numa produção seriada, quando introduziram o uso dos tornos e das rodadeiras.[5]
[8].

Portugal

O processo de fabrico da Louça preta de Bisalhães, em Vila Real, foi classificado pela UNESCO como Património Imaterial da Humanidade em 2016.

Esta distinção surge no seguimento de uma candidatura apresentada pela Câmara Municipal de Vila Real dada a necessidade de preservar esta atividade que se encontrava em vias de extinção.
O processo de fabrico de barro negro existe, pelo menos, desde o século XVI.

Esta distinção permitiu implementar um plano de salvaguarda que vai desde a “formação de oleiros, passando pela certificação do processo e até ao incentivo de novas utilizações e designs para este material único”.[9]

Europa

Existem peças de cerâmica (artesanato) encontradas em terra que na atualidade fazem parte do continente europeu que datam de 6000 a.C.,[10] mas somente em 1200 a.C é que são fabricados os primeiros tijolos na Europa, indicando, assim, a provável data do surgimento das primeiras oficina de oleiro no velho continente.[11]

Produtos no “sequeiro”

Processo fabril em uma olaria

A oficina de oleiro, aos moldes das olarias primitivas, possui a simplicidade como principal característica, bem diferente da produção em escala industrial.

Após coletado a matéria-prima (barro ou argila), o mesmo fica exposto ao sol por determinado período para a decomposição de material orgânico.

Em seguida, ocorre a modelagem do artefato desejado e, logo após, é estocado por um novo período para a secagem (eliminação do excesso de umidade) do mesmo. O processo final é o cozimento da peça em fornos ou em caieiras[12][13].

Equipamentos, acessórios e técnicas da olaria básica

Torno

Produtos rústicos fabricados em uma olaria

Pesquisas arqueológicas apontam que o “torno'” (ou “roda”) da modelagem da argila tem a sua origem por volta de 1000 a.C., sendo a primeira tecnologia que impulsionou as oficinais de oleiro nos critérios rapidez e perfeição de acabamento das peças. Atualmente, são muito utilizados na fabricação de peças de cerâmica como obra de arte ou artesanato, não deixando de ser uma peça industrial, pois muitos processos da indústria da cerâmica utilizam-se desta antiga tecnologia.[14]

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Este aparelho, ordinariamente de carvalho, compõem-se de um estrado retangular, o “trabul” ou “trabulo”, do centro da qual se ergue um eixo, o “quisso”. Em torno deste, move-se o “tampo” ou “tabuão”.

Não há atrito direto entre a “roda” e o “trabul”; inferiormente a ela, cruzam-se duas espessas réguas, as “pombas”, que efetuam esse contacto inevitável e se afastam do disco pelas “cravelhas”, ou sejam, curtas espiguetas de madeira. Em face à “roda”, o oleiro, com a mão direita, imprime-lhe frequentemente o movimento necessário e, logo, com as duas, modela a pasta e guia a curva.

Mais ou menos modificada, seria esta a forma usada nas antigas olarias do velho continente em seus primórdios, sendo, na atualidade, muito utilizada para o artesanato indígena.[15]

Após moldados o artefato, os mesmo ficam a secar à sombra durante um determinada tempo em prateleira chamadas de “sequeiros”.

Acessórios

  • Um dos acessórios ao lado do torno é o “augueiro”, peça destinada a manter certa quantidade de água indispensável ao trabalho.
  • Outros acessórios indispensáveis são: o “esquinote”, um pedaço de madeira para desengrossar as peças em movimentos e o “furadouro”, espécie de espátula grosseira com que se alizam as superfícies ou gravam os ornamentos.
  • A “placa” é um recurso utilizado, não por todos os oleiros, para espalhar a argilo com um “rolo” e o auxílio de “réguas” de madeira para calibrar a espessura da massa.
  • Existem as “ferramentos de acabamento” e as “ferramenta de torno” utilizadas para pequenos reparos ou modelagem, pois a principal “ferramenta” do oleiro são as suas próprias mãos.
  • O “pirômetro” é um equipamento eletrônico para o controle da temperatura do forno.
  • Os “moldes” destinam-se a confeccionar pequenas peças cerâmicas, podendo ser estas em gesso, de cerâmica, de vidro, de plástico, de cimento, de silicone e outros materiais.[16]

Forno

O forno destinado ao cozimento da argila pode ser a lenha, elétrico ou a gás. Há inúmeros tipos e tamanhos para todas as necessidades. Os fornos feitos com tijolos refratários geralmente ocupam mais espaços, porém são mais eficiente e rápidos para se alcançar o objetivo final.

As técnicas de modelagem

São três os tipos de modelagem básica (uso artesanal ou em pequenas linhas de produção):[17]

  • Modelagem de mão – técnica manual e mais primitiva, onde as peças são construídas com o uso de rolos, placas ou bolas de argila, sendo alisadas e umedecidas com as próprias mãos. Modelagem com as mãos era a técnica usada por povos primitivos e usados, na atualidade, por artesões e índios.
  • Modelada em torno – utiliza-se da primeira tecnologia desenvolvida pelos oleiros: o torno e seus acessórios.
  • Modelagem por drenagem ou o uso de moldes – técnica usual na fabricação em série de produtos de cerâmica, utilizando-se de moldes para a confecção do produto final.
  • Rolo e réguas de modelagem.

  • Modelagem manual.

  • Modelagem em torno.

  • Forno.

  • Ferramenta de modelagem (rústica).

Riscos da atividade

No Brasil contemporâneo, ocorre uma concentração de olarias no interior do país ou em zonas rurais. Em sua maioria, esta fábricas, afastadas dos grandes polos industrias, possuem características semelhantes umas às outras por serem rústicas, centenárias e predominantemente familiares.[11]

Saúde

Os riscos ocupacionais à saúde do trabalhador em olaria tornam-se presentes quando as técnicas e as atividades são recorrentes e análogas às condições de trabalho praticadas em olarias do final do século XIX ou início do século XX, pois, neste período, não utilizavam-se os equipamentos de proteção individuais recomendados, como luvas, botas e capacetes ou equipamentos de proteção coletiva, tornando-se grande a lista de problemas para os trabalhadores, como: deformidades nos dedos, varizes, problemas respiratórios, irritação nos olhos causados pela exposição direta à fumaça, lombalgias, escolioses, cifoses, perda auditiva, dermatose, problemas de pele, lesão por esforço repetitivo, entre outros. O uso de EPI e EPC é fundamental nas olarias, assim como adaptar novos equipamentos em fábricas seculares e rústicas, como vagonetes para o transporte pesado, esteiras, estufas etc.[11]

Meio Ambiente

Outro risco em potencial nas velhas olarias é para com o meio ambiente, podendo as olarias ocasionar desastres ambientais ou contribuir na poluição da região.

Locais como os barreiros (local de extração da argila) e os pátios de armazenamento da matéria-prima, o processo fabril e o cozimento do produto em antigos fornos a lenha ou em fornos sem equipamentos adequados (de tratamento e filtro do ar) podem trazer sanções penais e administrativas aos proprietários, além de causar um impacto ambiental para a comunidade em geral.[11]

Imagens

Modelagem de peças em barro ou argila:

  • Vaso sendo modelado.

  • Modelagem manual.

  • Reproduzir conteúdo

    Modelagem em equipamento elétrico.

Ver também

  • Tijolo
  • Cerâmica
  • Telha

Referências

  1. ↑ FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 218.
  2. ↑ Significado de olaria Site Senhor das Palavras – acessado em 9 de janeiro de 2012
  3. ↑ Magister, 1980, p.

    1 180

  4. ↑ O – Olaria Site Cerâmica no Rio – acessado em 9 de janeiro de 2012
  5. a b Artesanato Escola de Belas Artes da UFMG – acessado em 9 de janeiro de 2012
  6. ↑ Revolução Neolítica Portal da Arqueologia Ibérica – acessado em 9 de janeiro de 2012
  7. ↑ Magister, 1980, p.1148
  8. ↑ Produtos em Cerâmica Biblioteca do Sebrae – acessado em 9 de janeiro de 2012
  9. ↑ Olaria negra de Bisalhães declarada Património Imaterial da UNESCO Público – acessado em 15 de julho de 2017
  10. ↑ SUREDA, 1988, p.89
  11. a b c d Manual de Prevenção de Acidentes e Doenças do Trabalho nas Olarias e Cerâmicas Vermelhas de Piracicaba e Região Centro de Referência em Saúde do Trabalhador – Piracicaba – acessado em 9 de janeiro de 2012
  12. ↑ C – Caieira Site Cerâmica no Rio – acessado em 9 de janeiro de 2012
  13. ↑ Como funciona uma olaria Jornal O Florense – acessado em 9 de janeiro de 2012
  14. ↑ O Torno – Origem e Características Site Cerâmica no Rio – acessado em 18 de janeiro de 2012
  15. ↑ Portuguesa e Brasileira, 1936, p.270, v.XIX
  16. ↑ Bé-á-bá da cerâmica Site Cerâmica no Rio – acessado em 18 de janeiro de 2012
  17. ↑ Técnicas Site Ceramistas – acessado em 18 de janeiro de 2012

Bibliografia

  • Enciclopédia Magister. Brasília: Editora Amazonas Ltda., 1980. 4 v
  • SUREDA, Joan. Historia Universal del Arte:Las Primeras Civilizaciones. Barcelona, Ed. Planeta, 1988
  • Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Lisboa: Editorial Enciclopédia Ltda., 1936. 19 v

Ligações externas

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Olaria

  • «Antecedentes do capitalismo:Olaria, Cerâmica e Vidraria.» 
  • «Olaria, Ricardo Gomes Lima.» (PDF) 
  • «História da Cerâmica, Associação Nacional de Fabricantes de Cerâmica para Revestimento.» 

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