Como Se Chama A Pessoa Que Faz Grafite?

Laura Aidar

Arte-educadora e artista visual

  • O grafite é um tipo de arte urbana caracterizado pela produção de desenhos em locais públicos como paredes, edifícios, ruas, etc.
  • É bastante usado como forma de crítica social, e, além disso, é uma maneira de intervenção direta na cidade, democratizando assim, os espaços públicos.
  • O termo grafite, de origem italiana graffito – plural graffite – significa “escrita feita com carvão”.

Origem do Grafite

Se falarmos sobre os primórdios do grafite, teremos que voltar milhares de anos, quando os homens faziam inscrições nas cavernas. Há exemplos de intervenções feitas em locais públicos já na época do Império Romano.

Na contemporaneidade, essa manifestação artística está relacionada principalmente ao hip-hop, movimento cultural que teve início no começo dos anos 70 nos EUA pelas comunidades latinas, afro-americanas e jamaicanas.

No hip-hop são três as vertentes da arte: rap (música), breakdance (dança) e grafite (pintura mural).

Como Se Chama A Pessoa Que Faz Grafite?Frame da série The Get Down (Netflix), que contextualiza o surgimento do hip hop e do grafite nos EUA nos anos 70

O bairro novaiorquino do Bronx foi o berço do grafite, onde os primeiros desenhos foram feitos com tinta spray. Naquela época, os jovens utilizavam a arte nas ruas como forma de protesto.

Grafite no Brasil

Como Se Chama A Pessoa Que Faz Grafite?Grafite em Belo Horizonte, Brasil

A história do grafite no Brasil surgiu na década de 70, precisamente na cidade de São Paulo. ELA NASCE numa época conturbada da história do Brasil, em que a população era silenciada pela censura com a ditadura militar no poder.

Paralelamente ao movimento que despontava em Nova Iorque, o grafite surge no cenário nacional como uma arte transgressora. A linguagem da rua não pede licença e grita nas paredes da cidade os incômodos de uma geração.

A partir de então, a arte de grafitar se transforma em um importante veículo de comunicação urbana e colabora para a existência de outras vozes. Outros sujeitos históricos e ativos passam a ter a chance de participar artística e politicamente da cidade.

É importante ressaltar que o grafite, inicialmente, foi uma arte caracterizada pela autoria anônima. O grafiteiro – ou writter – transformava a cidade em um suporte de comunicação artística sem delimitação de espaço, mensagem ou mensageiro.

Portanto, a preocupação naquele momento era a arte em si e não o nome de seu autor. Por esse motivo, os ditos “cânones” são retirados de sua posição central para dar lugar a uma arte de todos e para todos.

Assim, desde a década de 70, os grafiteiros brasileiros se apropriaram do espaço público a fim de transmitirem mensagens de cunho político, social, cultural, humanitário e, sobretudo, artístico.

Um importante nome do grafite no Brasil foi o artista Alex Vallauri (1949-1987), considerado precursor do movimento no país. Ele utilizou diversos suportes para estampar sua arte, além dos muros e paredes da cidade. Seus desenhos eram simples e objetivos em meio ao caos urbano, facilitando a compreensão da mensagem.

Como Se Chama A Pessoa Que Faz Grafite?O desenho dessa bota fez história nos anos 80 no Brasil. Alex Vallauri é considerado o pioneiro do movimento do grafite no país

  1. A arte nesse momento, passa a ser não somente vista dentro dos museus ou dos centros culturais, mas também nas paredes das ruas, nos túneis e nos prédios da cidade.
  2. Com efeito, o grafite é definido como mais que uma linguagem artística, torna-se assim, um importante instrumento de protesto e de transgressão dos valores estabelecidos.
  3. Esse tipo de expressão possibilitou a comunicação entre os moradores da cidade, a união de muitas culturas que coexistem; em outras palavras, facilitou a fusão entre o centro e a periferia.
  4. No Brasil, essa arte disseminou-se rapidamente pelo país e, hoje em dia, segundo estudiosos do tema, o grafite brasileiro é considerado um dos melhores do mundo.

Representantes do grafite

Confira alguns nomes de destaque no cenário do grafite nacional e internacional.

Keith Haring (EUA)

Como Se Chama A Pessoa Que Faz Grafite?O grafiteiro americano Keith Haring no metrô, anos 80

Artista e ativista americano que nasceu em 1958 na Pensilvânia. Com extensa produção na década de 80, contribuiu muito para o movimento do grafite.

Declaradamente homossexual, Haring contrai AIDS e faleceu em 1990, com 31 anos.

Banksy (Inglaterra)

Como Se Chama A Pessoa Que Faz Grafite?Grafite de Banksy em Paris, na França

  • Banksy é um artista de rua e ativista político que nasceu na Inglaterra em 1974.
  • Seus trabalhos são geralmente produzidos com a técnica do stencil (molde vazado) e encontrados na cidade de Bristol, Londres e em várias outras partes do mundo.
  • A identidade de Banksy é obscura, mas especula-se que seja o músico Robert Del Naja.

Os Gêmeos (Brasil)

Como Se Chama A Pessoa Que Faz Grafite?Grafite dos brasileiros Os Gêmeos pintado em prédio em Lisboa, Portugal

Os irmãos Otávio e Gustavo Pandolfo são conhecidos como “Os Gêmeos”. Nasceram em São Paulo no ano 1974 e começaram a pintar em 1987.

São muito reconhecidos no país e também internacionalmente, tendo trabalhos nos Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Grécia, Cuba, entre outros lugares.

Eduardo Kobra (Brasil)

Como Se Chama A Pessoa Que Faz Grafite?Povos Nativos dos 5 Continentes, Rio de Janeiro

Eduardo Kobra é um artista paulistano que nasceu em 1975. No começo da carreira foi pichador, depois grafiteiro e hoje considera-se pintor muralista. Desenvolve trabalhos de grandes dimensões.

Sua obra Povos Nativos dos 5 Continentes, no Rio de Janeiro foi eleita o maior grafite do mundo, com 15 metros de altura e 170 metros de largura.

Negahamburguer (Brasil)

Como Se Chama A Pessoa Que Faz Grafite?A artista Negahamburguer em frente a uma obra

A paulistana Evelyn Queiróz denuncia as diversas opressões vividas pelas mulheres por meio do grafite e outros tipos de arte.

Em entrevista, afirmou sobre sua arte:

Todo o julgamento sobre o corpo feminino é falta de amor e respeito com o próximo, então é isso que eu mais quero comunicar.

Lady Pink (Equador)

Como Se Chama A Pessoa Que Faz Grafite?A artista Lady Pink em frente a um grafite

Sandra Fabara nasceu em 1964 no Equador e cresceu no bairro americano do Queens. Quando começou sua carreira artística – em 1979 – passa a adotar o nome de Lady Pink.

É uma das primeiras mulheres no movimento hip hop em Nova Iorque.

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Arte-educadora, artista visual e fotógrafa. Licenciada em Educação Artística pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2007 e formada em Fotografia pela Escola Panamericana de Arte e Design, localizada em São Paulo, em 2010.

Conheça um pouco dos estilos e "gírias" do mundo do grafite

Expressão nos muros, o grafite transcendeu os preconceitos e faz parte das paisagens urbanas mais comuns. Por muito tempo, a arte foi vista como contravenção, mas atualmente o grafite é representante da street art e transforma a cidade em uma galeria a céu aberto.

Não é difícil cruzar com um grafite pelas ruas da grande Vitória, mas você sabe o que cada um deles significa? Veja os tipos de grafite e o que cada um deles representa.

Tag É a assinatura do “writer” ou grafiteiro. A tag é o nome do artista, que aparece próximo da arte no muro.

Crew Grupo de grafiteiros que se juntam para realizar trabalhos grandes.

Stencil O stencil é o grafite feito através de um molde. Esse molde é recortado em radiografias ou qualquer outro material rígido. Usando essa arte, o spray é feito por cima, deixando o desenho na parede. É mais rápido de fazer e pode ser encontrado repetidas vezes em repetidos lugares.

3D O nome diz muita coisa também. São aqueles grafites que dão a impressão de que estão saindo da parede.

Como Se Chama A Pessoa Que Faz Grafite?Graffiti 3D (Foto: Reprodução Internet)

Wild Style O estilo nasceu em Nova Iorque nos anos 70 e domina os muros. Entre letras e setas, um grafite bem colorido e quase indecifrável.

Personagem ou Boneco Aquele grafite muito realista que retrata alguém ou forma um personagem. Muito comum pelas ruas da Grande Vitória.

Como Se Chama A Pessoa Que Faz Grafite?Graffiti tipo personagem ou boneco (Foto: Reprodução Internet)

Thrown Up Grafite que usa mais letras, uma peça feita rapidamente. Thrown Up quer dizer “vômito” en inglês, o que pode dar uma noção melhor da forma como eles são feitos.

Como Se Chama A Pessoa Que Faz Grafite?Graffiti no estilo Thrown Up (Foto: Reprodução Internet)

Bombing São as letras arredondadas e bem próximas do Thrown Up. O termo também é utilizado para designar o grafite feito em lugares não autorizados.

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De crime a arte: a história do grafite nas ruas de São Paulo – BBC News Brasil

  • Lais Modelli
  • De São Paulo para a BBC Brasil

Como Se Chama A Pessoa Que Faz Grafite?

Crédito, Leo Pinheiro

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Para Bárbara Goys, criadora de um dos painéis apagados na ação da prefeitura, é preciso valorizar a importância do grafite no desenvolvimento turístico da cidade

No início da década de 1980, desenhos enormes de frangos assados, telefones e botas de salto fino começaram a aparecer em muros de São Paulo.

Eram alguns dos primeiros grafites em espaço público da capital paulista, feitos pelo artista etíope radicado no Brasil Alex Vallauri.

Naquela época, com a liberdade de expressão caçada pela ditadura militar, o grafite era considerado crime pela legislação brasileira. “A própria ocupação da rua já era vista como um ato político”, diz o sociólogo e curador de arte urbana Sérgio Miguel Franco.

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E nas obras de Alex Vallauri era possível entender o lado político do grafite paulistano: um dos seus primeiros desenhos foi o “Boca com Alfinete” (1973), uma referência à censura.

Nos anos seguintes, ele encheu os muros da capital de araras e frangos que pediam Diretas Já, o slogan do movimento por eleições diretas no final da ditadura.

Vallauri influenciou outros artistas a ocuparem as ruas da capital paulista e a data de sua morte – 27 de março de 1987 – é lembrada como o Dia do Grafite no Brasil.

O aniversário de 30 anos da data, em 2017, criou nos artistas a expectativa de que este seria um ano de valorização do trabalho que fazem na cidade.

No entanto, em 14 de janeiro, o novo prefeito da capital paulista, João Doria Jr. (PSDB), anunciou que seria apagados os painéis da avenida 23 de Maio, como parte do programa “São Paulo Cidade Linda”.

A decisão provocou críticas dos artistas e dividiu opiniões entre especialistas em arte urbana.

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Primeira versão do painel na passagem subterrânea que liga à avenida Dr. Arnaldo à avenida Paulista, em São Paulo

Com a polêmica gerada após a ação, a Secretaria da Cultura de São Paulo afirmou que pretende cria uma área para grafiteiros e muralistas no bairro da Mooca, na zona leste de São Paulo, chamada de grafitódromo. Segundo Doria, assim como a arte fica nos museus, o grafite também deve ficar em “lugares adequados”.

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“Por trás de um grafite existe uma história que não pode ser ignorada. Ignorar a história de uma obra de arte é um tiro no pé”, diz a grafiteira Bárbara Goys

A ideia é inspirada em Wynwood, um bairro de Miami que abriga painéis e murais de arte urbana, assim como a venda de produtos licenciados para viabilizar o negócio.

“Doria não precisa olhar para Miami para intervir nas artes de rua. O mundo é que olha para nós. São Paulo sempre foi a capital do grafite mundial”, afirma Rui Amaral, autor do primeiro grafite pintado à mão em São Paulo, em 1982.

Para o artista plástico Jaime Prades, que também fez parte da primeira geração de grafiteiros, o grafitódromo representa um limite para liberdade de expressão. “É uma visão paternalista que quer impor o que considera 'certo'. Logo, o grafite é algo errado, que tem que ser contido e controlado”, diz.

“Mas nesse caso, não seria mais grafite, já que a alma do grafite é interagir com a cidade livremente.”

A prefeitura também informou que criará um programa de grafite, que terá início com a criação, na rua Augusta, do Museu de Arte de Rua (MAR), no qual 150 artistas terão seus painéis expostos por até três meses.

“Criar um distrito para o grafite pode ser interessante, pois daria total liberdade para aqueles artistas exercitarem sua arte. Seria necessário verificar quais seriam estes critérios para estabelecer o local certo. Eles teriam que ser ouvidos e a população também”, defende o arquiteto João Graziosi, professor de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie.

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Jamie Prades trabalha em grafite feito nos túneis da Paulista em 1987

Graziosi diz, no entanto, que a criação do grafitódromo não deve excluir outros locais da cidade possíveis para os murais e grafites. “Os painéis da 23 de maio, assim como a parte de baixo de viadutos e uma série de paredes cegas existentes na cidade ficaram bem melhores com a intervenção artística, por exemplo. Acho que deveriam continuar a existir.”

Já para a arquiteta e professora Ana Cláudia Scaglione Veiga Castro, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, “a ideia de grafites em 'lugares adequados' pareceria inadequada se não fosse trágica”.

“Trata-se de uma espécie de ação de marketing que busca dar visibilidade a essa ideia de prefeito-gestor, aquele que administra a cidade como se esta fosse uma empresa. Nesse caso, o 'gerente' da empresa quer dar um exemplo para seus 'funcionários e clientes' de que não se deve sujar as paredes.”

A discussão sobre o grafite como arte ou como vandalismo, segundo Rui Amaral, reflete o modo como cada gestão pública entende essas intervenções urbanas.

A autorização para fazer intervenções na avenida 23 de Maio, por exemplo, era pedida pelos artistas desde a gestão de Jânio Quadros (1986 a 1989), mas foi autorizada somente no fim da gestão de Fernando Haddad (PT), em 2016.

“A avenida 23 de Maio foi o ápice do movimento artístico urbano paulistano”, relembra Amaral, que é responsável pelas gravuras do buraco da av. Paulista, desenhados pela primeira vez, de forma ilegal, em 1989 e legalizados em 1991 pela gestão de Luiza Erundina (PT).

Até 2011, o grafite em edifícios públicos era considerado crime ambiental e vandalismo em São Paulo. A partir daquele ano, somente a pichação continuou sendo crime.

De um modo geral, a pichação – que costuma trazer frases de protesto ou insulto, assinaturas pessoais ou de gangues – é considerada uma intervenção agressiva e que degrada a paisagem da cidade. O grafite, por sua vez, é considerado arte urbana.

Para o sociólogo Alexandre Barbosa Pereira, pesquisador de Antropologia Urbana da Unifesp, a dissociação entre grafite e pichação contribuiu para que o grafite começasse a ser aceito, mas apenas como forma de combate ao picho.

O pesquisador lembra que uma das justificativas da gestão Doria para apagar os painéis da 23 de Maio era a presença de pichação sobre eles.

“O grafite, mais associado à arte, é mais facilmente entendido como forma de ação do Estado e mesmo do mercado, já a pichação, execrada pela maioria da população, é uma máquina de guerra, nômade e difícil de ser capturada. Assim, fica mais fácil criminalizar esta e mesmo criar certo pânico moral em torno dela como forma de marketing político e publicidade pessoal.”

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Primeiro grafite pintado à mão em São Paulo foi feito por Rui Amaral em 1982

Outro efeito da decisão de legalizar somente o grafite, segundo Rui Amaral, é a confusão entre os conceitos de grafite, pichação e muralismo.

De acordo com o artista, foi o que aconteceu na decisão do atual prefeito de apagar os painéis da avenida 23 de Maio. “O que havia na 23 de Maio eram murais, e não grafite. Os murais são painéis autorizados e encomendados”, afirma.

“(A artista plástica japonesa naturalizada brasileira) Tomie Ohtake também tem painéis em espaços públicos e duvido que a gestão pública mexeria na obra dela sem consultar os responsáveis.”

A artista plástica Bárbara Goys, autora de um dos painéis apagados da 23 de Maio, diz que ação contra as obras é “um tiro no pé”. “Por trás de um grafite existe uma história que não pode ser ignorada”, diz.

“A própria capital criou um guia mapeando os grafites na cidade. Não sei como será agora, talvez tenham que refazer este guia. E, infelizmente, agora a avenida 23 de Maio perde o título de maior mural a céu aberto da América Latina.”

Qual é exatamente a origem do grafite em São Paulo? Para acadêmicos, ele é fruto dos jovens do movimento hip hop que nasceu na periferia da capital. Mas para alguns dos pioneiros da arte de rua na cidade, o grafite paulistano nasceu de movimentos artísticos consagrados, que foram trazidos para um contexto público e urbano.

Segundo o sociólogo Sérgio Miguel Franco, os primeiros desenhos que apareceram na capital eram influenciados pelas culturas negra e latina e traziam consigo um traço marginal. “O grafite foi um espelho próspero para a cultura desenvolvida pelos jovens de origem periférica da cidade.”

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Prades, membro de um dos primeiros grupos de grafiteiros do Brasil, diz que experiência era “catarse”

Para o artista Prades, os 20 anos de censura e isolamento cultural imposto pela ditadura militar fizeram com que os grafiteiros que passaram a ocupar as ruas na década de 1980 se inspirassem na obra dos artistas plásticos da geração dos anos 1960.

“O pensamento que alimentava as ações de arte nas ruas era fruto da nossa tradição modernista, da anarquia antropofágica, da poética neoconcretista, da irreverência inspiradora de Flavio de Carvalho, Waldemar Cordeiro, Lygia Pape, Lygia Clark, Hélio Oiticica, Artur Barrio, Nelson Leirner, Mira Schendel e muitos outros”, conta.

Prades era membro do Tupinãodá, um dos primeiros grupos de artistas grafiteiros do Brasil. O coletivo, responsável pela ocupação do Beco do Batman, na Vila Madalena, escolhia lugares públicos considerando sua relevância para a cidade de São Paulo.

“Evitamos sair por aí pintando nas paredes das casas das pessoas, não fazia sentido. Quando decidíamos pintar, escolhemos espaços públicos de grande impacto urbano”, afirma.

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“Era uma catarse, um grito de jovens artistas de uma geração esmagada pela brutalidade insana e truculenta da ditadura. Artistas que não trilharam o caminho da formalidade e que, ao perceberem a dificuldade de encaixar-se no sistema da arte, procuraram encontrar o seu próprio espaço.”

História do grafite: conheça a história dessa arte! – Blog do Stoodi

Entenda o que é o grafite e suas características

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Quem vive nos grandes centros urbanos pode encontrar os grafites com certa frequência. Tomando proporções cada vez maiores, o grafite se impõe nos muros das cidades, dispensando a necessidade de se expor em galerias.

O fato é que, ainda que já conte com certo tempo de história — a Humanidade explora a pintura artística em paredes desde a arte rupestre. Contudo, as opiniões divergem, pois há quem acredita que o grafite seja vandalismo e outros o classificam como arte, revelando a necessidade de debatermos esse tema sobre o que é grafite.

Então, vamos saber mais sobre a história do grafite? Continue a leitura para ficar mais informado!

  • O grafite é uma forma de expressão artística que utiliza locais públicos — muros, paredes de grandes edifícios e até o chão — como tela.
  • Tal como o conhecemos, a história do grafite remonta ao final dos anos 1960 e início dos anos 1970 em cidades como Paris e Nova York, locais que começaram a mostrar em suas paredes as primeiras obras de artistas anônimos que buscavam se expressar.
  • Como dissemos, duas das maiores metrópoles mundiais foram o cenário para o nascimento dessa arte urbana: Paris e Nova York.

No entanto, há relatos de que no Império Romano, há mais de 2 mil anos, alguns muros de Roma já ostentavam pinturas que criticavam políticos, em imagens cheias de ironia. Em Pompeia, ainda é possível encontrar muros com pinturas que simbolizavam um protesto.

Foram durante os anos 60 e 70 do século passado que trouxeram os ideais do grafite, com temas da transgressão e da contracultura, um movimento que criticava e questionava a cultura determinante de uma cidade. Essas características embasaram e movimento e existem até hoje, na atualidade.

  1. Assim, é possível pensar em onde e como surgiu o grafite nessas cidades, mas não conseguimos, por exemplo, atribuir nomes aos seus principais expoentes, pois ainda se tratava de uma arte considerada marginal.
  2. Foi das periferias que surgiu o grafite, desenvolvido ao lado de culturas como a do hip hop, além do famoso movimento Flower Power dos hippies.
  3. Saindo dos muros de vizinhanças como o Bronx, o grafite tomou conta dos metrôs e, por vezes, até dos próprios trens, levando a arte e o protesto da periferia para outros cantos de Nova York.
  4. Em Paris, houve o movimento conhecido como “Maio de 68”, em que estudantes das duas maiores universidades da cidade iniciaram um protesto contra o que acreditavam ser uma política retrógrada das instituições de ensino.

Os sindicatos também passaram a protestar, em resposta a um certo clamor mundial, já que aquele ano foi marcado por fatos muito impactantes globalmente, como o assassinato de Martin Luther King Jr. nos EUA, o fortalecimento dos regimes militares na América Latina e a guerra no Vietnã.

Nesse contexto, artistas anônimos deixaram seu descontentamento estampado nos muros da capital francesa, marcando, assim, o início dessa forma de expressão no Velho Continente.

Jean-Michel Basquiat foi um grafiteiro de Nova York que depois se tornou um artista neo-expressionista. Iniciando sua arte em prédios abandonados, Basquiat transitou entre vários círculos no mundo artístico alternativo da cidade entre os anos 1970 e 1980, tendo sua carreira promovida após uma grande exposição, o The Times Square Show.

Além dele, o artista Keith Haring começou desenhando com giz nas paredes de estações de metrô de Nova York, chegando a ter seu trabalho estampado em paredes do mundo todo, incluindo o Muro de Berlim.

Os dois artistas chegaram a produzir também telas e morreram prematuramente. Dessa forma, suas obras chegam a valer muito no mercado dos leilões de arte.

Como Se Chama A Pessoa Que Faz Grafite?

A contracultura daquela época chegou a refletir no Brasil, trazendo resultados imediatos na música e no movimento tropicalista. Mas a periferia de São Paulo não demorou muito para seguir os passos das grandes metrópoles mundiais e também começou a usar o grafite como forma de expressar artisticamente suas opiniões contra outras as imposições culturais.

Tomando mais força no início da década de 1980, o grafite na capital paulista virou polêmica, sendo considerado vandalismo e pichação, ou admirados pelos urbanistas como arte e forma de expressão artística.

Um exemplo brasileiro de um dos grandes nomes dessa arte, como Basquiat e Keith Haring, é o italiano Alex Vallauri, que morreu jovem, aos 37 anos. O dia de sua morte, 27 de março, é a data em que é celebrado o Dia do Grafite no Brasil.

O grafite brasileiro evoluiu muito de Vallauri para cá e, além de já ser considerado por cada vez mais pessoas como expressão da arte contemporânea, essa expressão já conta com grandes nomes nacionais expondo em grandes painéis ao redor do mundo.

Os gêmeos talvez sejam o maior expoente brasileiro do grafite e têm painéis expostos nas maiores cidades do mundo, incluindo a fachada do museu nacional de arte moderna do Reino Unido, o Tate Modern, obra de 2008.

Os irmãos Pandolfo ainda têm muito de sua arte pelas ruas de sua cidade natal, São Paulo, na região central, em muros na Liberdade e, recentemente, tiveram apagada com tinta cinza uma das maiores obras de grafite do mundo, que eram os murais da Av. 23 de maio.

Kobra é outro dos artistas mais famosos do Brasil na arte do grafite. Autor do maior mural grafitado do mundo — “Chocolate”, com 5.742 metros” — Eduardo Kobra também tem grande parte de suas obras espalhadas pelo mundo. Em contraponto ao estilo mais lúdico da dupla Osgemeos, Kobra usa o realismo carregado de cores como marca pessoal.

Em comum, os artistas brasileiros têm o fato de terem iniciado a escrever em muros como pichadores, ainda de forma clandestina. Hoje, eles conseguiram conquistar espaço nas capitais urbanas, sendo cada dia mais presente no cotidiano.

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Afinal, qual é a diferença entre grafite e pichação?:

Os muros da avenida 23 de Maio, na cidade de São Paulo, já foram considerados a maior obra de grafite da América Latina. Em 2015, o local tinha mais de cinco quilômetros de paredes grafitadas.

No início deste ano, as paredes da 23 de Maio ficaram mais cinzas.

O prefeito João Doria decidiu apagar os grafites, em uma ação que faz parte do programa Cidade Linda, que visa combater a poluição visual. Apenas oito obras foram mantidas na avenida.

As obras remanescentes foram escolhidas pelo seu estado de conservação, definindo que seriam apagados grafites que tivessem pichações por cima.

A ação causou muita polêmica. Ativista consideraram a retirada dos grafites um ato arbitrário da Prefeitura de São Paulo, que não teria o entendimento do valor da arte de rua.

Com o pretexto de embelezar a cidade, muitas obras de arte foram apagadas e taxadas como pichação. Como reação, pichadores deixaram recados ao prefeito em vários pontos da cidade.

O mural do grafiteiro e muralista Eduardo Kobra, na avenida 23 de Maio, foi pichado em protesto contra o apagamento de outras ilustrações.

Após a polêmica, o prefeito voltou atrás em algumas decisões e anunciou um projeto para permitir a pintura de murais de grafite na cidade, como um “museu de arte de rua a céu aberto”. Na proposta, um grupo de grafiteiros receberá recursos da prefeitura para fazer intervenções em pontos previamente escolhidos da cidade.

O prefeito João Doria decidiu apagar os grafites

Imagem: LUIZ CLAUDIO BARBOSA/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO

“Nós não vamos admitir a presença de pichadores. Respeitaremos os muralistas e grafiteiros. Se eles pensam que com ataques, com pichações vão inibir a ação do prefeito, ao contrário, a perseverança só aumenta para defender a cidade”, disse Doria.

Em fevereiro, Doria sancionou uma lei antipichação. Quem pichar imóveis públicos ou privados na cidade pagará multa de R$ 5.000 a R$ 10 mil. No início do ano, dezenas de pichadores foram detidos pela polícia.

A prefeitura também passou a considerar o grafite como manifestação artística, mas só vai permitir aqueles feitos com autorização do proprietário do bem privado ou com autorização de órgão competente, no caso de bem público.

A confusão entre grafite e pichação

Qual é a diferença entre grafite e pichação? Ambas são pinturas feitas com tintas spray ou de latas. Ambas são manifestações que nasceram no século XX, dentro de uma produção cultural urbana. No entanto, uma é mais aceito que a outra.

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A palavra “Grafite” deriva do italiano grafitto, usualmente é conceituado como “inscrição ou desenho de épocas antigas, toscamente riscado à ponta ou a carvão, em rochas, paredes, vasos etc.”. Um grafismo seria um desenho ou imagem.

No dicionário Aurélio, pichação possui “caráter político, escrito em muro de via pública”. É associado à palavra, mas na prática, nem toda pichação busca transmitir uma mensagem política.

A principal diferença é que a pichação advém da escrita, enquanto o grafite está diretamente relacionado à imagem.

A distinção entre as práticas do grafite e da pichação é algo que acontece especificamente no Brasil. Em países como os Estados Unidos e Colômbia, as duas práticas possuem a mesma nomenclatura: grafite, relacionado a qualquer transcrição feita na arquitetura urbana.

Em São Paulo, a pichação é conhecida por seus praticantes como “pixo”, sem o uso da norma culta. Em geral, o “pixo” são assinaturas do apelido do grafiteiro, o nome de um grupo ou um alfabeto (tipografia). Elas foram adotadas por uma parcela de jovens da periferia.

Essa linguagem sempre despertou muita polêmica. A pichação é arte? Uma grande parcela da população não considera esta manifestação estética como algo belo. Essa forma de expressão é comumente associada ao vandalismo, delinquência e poluição visual.

Já o grafite também nasceu nas ruas e sempre transitou por esferas de marginalidade da transgressão. Cada vez mais, o grafite ganha legitimidade, é reconhecido como arte pela sociedade. É associado a uma prática artística urbana, que tem como principal aspecto a cidade como dispositivo ou “tela”.

Para defensores do “pixo”, uma obra não precisa ser necessariamente bela ou autorizada para ser considerada arte. Outros acreditam que o “pixo” seria um tipo de intervenção e performance, rápida e transgressora.

O estilo de “pixo” de São Paulo tem sido objeto de estudo. A pichação paulista conhecida como “Tag Reto” se tornou um estilo de letra com elementos originais e únicos no mundo. Esse estilo de letra é caracterizado por letras retas, alongadas e pontiagudas, que procuram ocupar o maior espaço possível no suporte.

Uma arte marginal em sua raiz

O primeiro grafite foi registrado no movimento de contracultura parisiense de 1968. Seus adeptos inscreveram em diversos muros daquela cidade mensagens de cunho político. Mas naquele contexto, os muros eram pichados para transmitir mensagens políticas e de contestação.

O ato de grafitar se popularizou nos Estados Unidos durante a década de 1970, especialmente na cidade de Nova York, considerada o berço dessa expressão artística, eu trazia novas características.

  Ele surgiu dentro de grupos de jovens que viviam nos guetos e periferias e se organizavam em grupos chamados crews.

Eles buscavam deixar a “marca” ou o nome do grupo na cidade, pichando muros, trens, prédios, chãos e monumentos.  Circular pela cidade era uma forma de expressão pessoal, mas também de conquista de respeito no grupo.  Quanto mais arriscada ou maior a visibilidade do grafite, maior era o prestígio de seu autor.

No Brasil, a prática do grafite foi incorporada na década de 70, influenciada por artistas norte-americanos.

As técnicas de pintura e as referências visuais foram trazidas por artistas de classe média de São Paulo, como os pioneiros Alex Vallauri e Rui Amaral, que tinham contato com o que era produzido em Nova York. Na época, o que estava em voga eram os stêncils inspirados pela estética da pop art.

Durante a década de 1980, o grafite foi inserido como um dos elementos fundamentais do movimento Hip Hop. Em São Paulo, artistas como Os Gêmeos, Binho, Speto, Tinho e Onesto frequentavam a cena cultural do Hip Hop e muitas vezes grafitavam de forma coletiva.

A partir dos anos 2000, artistas do grafite chamaram a atenção das galerias brasileiras e ganharam mais espaço no mercado de arte. A maior projeção foi dos artistas OsGêmeos, eu começaram a grafitar na rua e ganharam projeção internacional. Eles chegaram a pintar murais gigantes em diversos países, entraram em galerias e museus e foram parar na fachada do avião da seleção brasileira.

A contradição rua versus galerias de arte

Enquanto o pixo permanece como um símbolo de vandalismo, e seus praticantes considerados marginais, o grafite adquire conotação de arte. Estar dentro de uma galeria tem um poder simbólico: o reconhecido valor por uma parcela da sociedade que se relaciona com o mercado da “alta” cultura. 

O primeiro grafiteiro a expor em uma galeria foi Jean Michel-Basquiat, no final da década de 70.

Ele começou a fazer grafites em prédios abandonados de Nova York e ganhou notoriedade mundial quando seus desenhos foram expostos em galerias de artes com a chancela de Andy Warhol, ícone da arte contemporânea.

Outro ícone dessa geração de norte-americanos foi Keith Haring, que realizou diversas exposições em museus.

Quando o grafite deixa as ruas ainda é considerado grafite? Parte dos grafiteiros despreza aqueles que estão expondo em galerias de arte, por acreditarem que o lugar do grafite é na rua.

Além disso, ao ter retorno com a venda em galerias, o grafiteiro não se tornaria mais espontâneo.

Existem ainda os grafiteiros que não acreditam que pintar na rua com apoio financeiro da prefeitura não seria uma produção “autêntica”, com o espírito do grafite tradicional.

Grafite e a lei

A Lei brasileira considera que o Estado deve proibir comportamentos nocivos ao meio ambiente e no espaço urbano.  Neste sentido, a pichação pode ser enquadrada como dano ao patrimônio ou crime ambiental.

Apesar disso, a Constituição Federal diz constituir ao patrimônio cultural brasileiro as criações artísticas merecendo especial proteção do Poder Público.

Em 2011 entrou em vigor a Lei Federal que passou a considerar o grafite como uma conduta legalizada (diferente da pichação), desde que exista o consentimento do proprietário, tendo como definição “grafite é a prática que tem como objetivo valorizar o patrimônio público e privado mediante a manifestação artística sob o consentimento de seus proprietários”.

Os pichadores sempre sofreram uma abordagem policial ostensiva. Eles são considerados transgressores e a ilegalidade sempre foi uma questão central na realização dessa atividade.

Apesar do grafite já ser reconhecido pela lei, muitos grafiteiros ainda enfrentam problemas com a polícia e são enquadrados sob a acusação de “poluição visual”, resultando em boletim de ocorrência.

PARA SABER MAIS

LIVRO: Pixação não é pichação, de Gustavo Lassala. ALTAMIRA EDITORIAL, 2010

DOCUMENTÁRIO: PIXO, de João Wainer.  2009

Grafite: Uma forma de arte pública

O grafite é uma forma de arte contemporânea de características essencialmente urbanas. São pinturas e desenhos feitos nos muros e paredes públicos. Não é simplesmente uma pichação, mas uma expressão artística. Tem a intenção de interferir na paisagem da cidade, transmitindo diferentes idéias. Não se trata, portanto, de poluição visual.

Grafia é a escrita. Nas artes plásticas, a palavra grafite, ou graffito (em italiano), significa marca ou inscrição feita em um muro, e é o nome dado às inscrições feitas em paredes desde o Império Romano. Grafismo, por sua vez, é a maneira de traçar linhas e curvas sob um ponto de vista estético.

No período contemporâneo, as primeiras manifestações dessa forma de arte surgiram em Paris, durante a chamada revolução cultural, em maio de 1968. A estética do grafite é bastante associada ao hip-hop, uma forma de expressão artística que também surgiu nas ruas.

Nos Estados Unidos, um importante artista grafiteiro foi Jean-Michel Basquiat (1960-1988).

Original de uma família haitiana, Basquiat buscou, para sua arte, raízes na experiência da exclusão social, no universo dos migrantes e no repertório cultural dos afro-americanos.

Ao longo da década de 1970, seus “textos pintados” tomam os muros de Nova York, principalmente nos bairros que eram redutos de intelectuais e artistas, tornando Basquiat conhecido.

Alex Vallauri (1949-1987) é considerado um dos precursores do grafite no Brasil. Etíope, chegou a São Paulo em 1965. Estudou gravura e formou-se em Comunicação Visual pela FAAP. Em 1978, passou a fazer grafites em espaços públicos da cidade. Produziu silhuetas de figuras, utilizando tinta spray sobre moldes de papelão.

Morou em Nova York entre 1982 e 1983. Durante esse período, também fez grafites nos muros da cidade. Em sua produção destaca-se a série A Rainha do Frango Assado, que também foi tema de instalação apresentada na 18ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1985. Sua obra foi apresentada na retrospectiva “Viva Vallauri”, realizada no Museu da Imagem e do Som – MIS, em São Paulo, em 1998.

Juntamente com o grafite de Vallauri, destacam-se os trabalhos de Waldemar Zaidler e Carlos Matuck. O grupo Tupinão Dá – composto por Carlos Delfino, Jaime Prades e Milton Sogabe – é outra referência importante quando o assunto é o grafite em São Paulo. O grupo realizou performances e grafitagens pela cidade durante toda a década de 1980.

O Dia Nacional do Grafite é 27 de março e foi instituído após a morte de Vallauri, que ocorreu nesse dia, no ano de 1987.

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