Como Se Chama A Arvore Que Nos Fornece Cacau?

  • Como Se Chama A Arvore Que Nos Fornece Cacau?
  • Foto 1- Detalhe da flor da espécieComo Se Chama A Arvore Que Nos Fornece Cacau?
  • Foto 2- Detalhe das folhasComo Se Chama A Arvore Que Nos Fornece Cacau?
  • Foto 3- Detalhe do frutoComo Se Chama A Arvore Que Nos Fornece Cacau?
  • Foto 4– Detalhe das sementesComo Se Chama A Arvore Que Nos Fornece Cacau?
  • Foto 5- Detalhe do troncoComo Se Chama A Arvore Que Nos Fornece Cacau?
  • Foto 6– Vista geral da espécie.
  • Família:  Malvaceae
  • Nome científico:Pachira aquatica Aubl.
  • Nomes populares:cacau-selvagem, castanheiro-da-guiana.
  • DESCRIÇÃO DA ESPÉCIE:
  • Árvore heliófita, higrófita, que ocorrem terrenos alagadiços ou inundáveis, nas margens e nos barrancos de rios e lagoas,  onde  provém a palavra “aquática”
  • Folhas:compostas digitadas, com 5 a 7 folíolos, peciolados e glabros com até 26 cm de comprimento.
  • Flores:grandes vistosas isoladas nas extremidades dos ramos.
  • Fruto: as sementes podem ser consumidas cozidas, torradas, fritas, ou assadas, ou ainda moídas usadas para substituir o café ou o chocolate.
  • Floração: setembro a novembro.
  • Frutificação:abril a junho
  • Ocorrência:Toda a região amazônica até o Maranhão.

Utilização: Sua madeira é utilizada para a fabricação de utensílios para variadas finalidades. Suas sementes podem ser consumidas cozidas, torradas, fritas, ou assadas, ou ainda moídas; sendo usadas na substituição do café ou chocolate.

Medicinal: A pele do fruto verde imaturo é utilizada no tratamento da hepatite. As sementes são usadas como anestesia. A casca é usada medicinalmente para tratar queixas de estômago e dores de cabeça.

Bibliografia consultada. 

LORENZI, Harri, 1949- Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil, vol. 1/ Harri Lorenzi. – – 3. Ed. – – Nova Odessa, SP; Instituto Plantarum, 2000.352 p.

A redescoberta da árvore de cacau responsável pelo ‘Rolex dos chocolates’ – BBC News Brasil

  • Lavinia Wanjau
  • Da BBC Travel

Como Se Chama A Arvore Que Nos Fornece Cacau?

Crédito, Mariusz Szczawinski / Alamy

Legenda da foto,

Variedade rara de cacau foi encontrada por acaso recentemente no Peru

Viajar para o cânion do rio Marañón, no norte do Peru, é como voltar no tempo. A paisagem montanhosa é repleta de casas de tijolos de barro.

A eletricidade, que chegou a essa região há apenas três anos, está disponível apenas em algumas moradias, e o fornecimento de energia pode ser instável. Funciona só cinco dias por semana, e você nunca sabe quais cinco dias serão esses.

Com poucas estradas pavimentadas, os moradores dessa região remota dependem de mulas e bicicletas para o transporte.

O fato de o cânion do rio Marañón ter permanecido relativamente intocado pelo homem foi uma bênção, uma vez que foi aqui que a árvore que produz uma das variedades de cacau mais raras do mundo floresceu.

Este cacaueiro é nativo da selva amazônica e tem a honra de ser a variedade mais antiga do fruto — sua existência remonta há pelo menos 5,3 mil anos. Entre os séculos 17 e 19, o chamado cacau puro nacional foi amplamente cultivado no Equador, onde suas cobiçadas vagens ajudaram a abastecer o então maior fornecedor de cacau do mundo.

Até que aconteceu uma tragédia: uma praga se espalhou pelas lavouras de cacau do Equador, dizimando a espécie, que era altamente vulnerável. Por meio do cruzamento com variedades mais fortes de cacaueiros, os agricultores conseguiram impedir a propagação da praga, mas as novas árvores fruto do cruzamento não eram capazes de produzir grãos com mesma qualidade do puro nacional.

No início do século 20, especialistas declararam extinta esta variedade de cacaueiro, e acreditava-se que seu delicioso fruto estivesse perdido para sempre.

Em 2007, dois americanos, Dan Pearson e seu enteado Brian Horsley, forneciam equipamentos e alimentos para empresas de mineração nos arredores do cânion do rio Marañón, perto da fronteira com o Equador, quando se depararam com uma árvore de aparência estranha, com vagens do tamanho de uma bola de futebol americano crescendo do seu tronco.

Intrigados, sem saber do que se tratava, eles enviaram várias amostras da espécie ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) em busca de uma resposta. Para surpresa de todos, as amostras eram de cacaueiro puro nacional.

Localizado entre os picos dos Andes, o rio Marañón (que por acaso é a cabeceira do rio Amazonas) esculpiu o cânion de mesmo nome, criando uma barreira natural que salvou um pequeno grupo de cacaueiros puro nacional da praga. Ninguém conseguia acreditar que aqueles dois homens haviam encontrado o cacau que há muito tempo dava-se como extinto.

“Quando eles ligaram com os resultados dos testes genéticos em mãos e perguntaram: 'Você está sentado?', eu sabia que havia encontrado algo especial”, conta Pearson.

Crédito, National Geographic Image Collection / Alamy

Legenda da foto,

O cânion do rio Marañón permanece até hoje relativamente intocado pelo homem

Os cacaueiros são nativos da Floresta Amazônica, que se estende por grande parte do Peru moderno. Mas, diferentemente dos maias e astecas, que fermentavam, assavam e moíam o cacau para fazer uma bebida amarga usada em rituais religiosos, acredita-se que os incas, no Peru, não eram grandes consumidores do fruto.

Os missionários espanhóis do século 16 achavam a bebida maia asquerosa, mas quando adicionaram açúcar a ela, ao chegar na Espanha, o chocolate se tornou uma febre no mundo todo, fazendo nascer uma indústria global — que, nos séculos seguintes, seria dominada pelo chocolate produzido com o grão puro nacional.

Isso porque, enquanto a maioria das vagens de cacau contém apenas grãos roxos, o cacaueiro puro nacional também produz grãos brancos, conhecidos por seu sabor frutado e floral, sem ser amargo.

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Por terem sobrevivido isoladamente por um século, os cacaueiros do cânion do rio Marañón desenvolveram uma mutação genética que os levou a produzir vagens com uma proporção significativamente maior de grãos brancos do que as árvores que haviam sido cultivadas no Equador séculos antes.

Crédito, Phil Crean nature / Alamy

Legenda da foto,

Em 2007, Dan Pearson e Brian Horsley encontraram um cacaueiro raro que acreditava-se ter sido extinto no início do século 20

A (re)descoberta dessa espécie foi o começo da jornada de Pearson e Horsley no mundo do chocolate. O cacaueiro com que se deparam ainda permanece de pé na propriedade de um fazendeiro local chamado Don Fortunato.

Usando mudas do que agora chamam de “árvore mãe”, os dois fundaram a empresa Marañón Chocolate e começaram a multiplicar a população de cacaueiros puro nacional no cânion. Em parceria com agricultores locais como Fortunato, Pearson e Horsley aprenderam a cuidar das árvores no viveiro, além de fermentar e secar os preciosos grãos de cacau depois de colhidos.

Após terem dominado devidamente essas etapas, Pearson viajou para a Suíça com o objetivo de transformar os grãos do cacaueiro em um chocolate exclusivo por meio de um acordo com um renomado fabricante.

Esse chocolatier, que Pearson prefere não citar o nome, havia sido recomendado por Franz Ziegler, chef de confeitaria aclamado mundialmente, e seu colega Paul Edwards, da Chef Rubber, empresa dedicada à culinária.

Crédito, National Geographic Image Collection/Alamy

Legenda da foto,

O cânion do rio Marañón impediu um pequeno grupo de cacaueiros de ser dizimado por uma praga na lavoura

“Em nossos 50 anos somados trabalhando com chocolate, nunca provamos um sabor como este”, disseram Zeigler e Edwards em uma declaração conjunta em 2011, quando o chocolate foi apresentado no Instituto de Educação Culinária (ICE, na sigla em inglês), nos Estados Unidos.

“Tivemos que ver com nossos próprios olhos, então, viajamos para o Peru, conhecemos as famílias das fazendas, vimos as árvores, os grãos brancos, o teste genético e depois observamos o processamento pós-colheita que eles desenvolveram. Vimos o passado e o futuro do chocolate.”

Hoje, Pearson e Horsley continuam cultivando os cacaueiros e colhendo os grãos de acordo com a tradição local, um processo que os visitantes podem presenciar entre meados de janeiro e início de junho.

Durante a temporada de colheita, mais de 400 agricultores que fornecem grãos para a Marañón Chocolate se levantam ao amanhecer para tirar manualmente as vagens das árvores, usando longas varas de bambu com lâminas curvas nas pontas.

As vagens são mantidas fechadas até Pearson ou Horsley chegarem para inspecioná-las e garantir que contenham a proporção correta de grãos brancos. Os grãos são então extraídos à mão, e eles compram na mesma hora dos agricultores, pagando um valor quase 50% acima do preço de mercado local para apoiá-los.

Os grãos colhidos são transportados até a unidade de processamento da Marañón Chocolate, a poucos quilômetros das fazendas, primeiro por burros e depois por motocicletas. Eles são secos e fermentados antes de serem enviados para o fabricante de chocolate na Suíça.

Crédito, Dawn Marie Jones/Alamy

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Enquanto a maioria dos cacaueiros produz grãos roxos, o puro nacional também produz grãos brancos, conhecidos por seu sabor frutado e floral

Lá, os grãos são processados mais uma vez em uma antiga máquina de conchagem (que permite misturar e arejar o chocolate líquido) de 1879 para produzir o produto final: Fortunato Nº 4.

O produto, que tem a assinatura da Marañón Chocolate, recebeu esse nome em homenagem ao fazendeiro Don Fortunato, e porque foi a quarta amostra genética enviada para teste que foi confirmada como sendo do lendário cacau.

Especialistas em chocolate do mundo todo elogiaram o Fortunato Nº 4 por seu sabor encorpado, textura suave e por não amargar. O chef de confeitaria suíço Roger Von Rotz o descreveu como “o Rolex dos chocolates”, enquanto o chef peruano Gastón Acurio declarou: “Acabei de experimentar o melhor chocolate que já comi em toda a minha vida”.

A venda do Fortunato Nº 4 é limitada a fabricantes de chocolate finos, que o transformam em criações voltadas ao consumidor e disponibilizam para venda na internet ou em lojas físicas locais.

Você pode comprar o chocolate fabricado com cacau puro nacional a partir de fornecedores como Moonstruck Chocolate Company, nos Estados Unidos, House of Anvers, na Austrália, e Solkiki Chocolatemaker, no Reino Unido.

Ser o berço do chocolate mais raro do mundo enche de orgulho a comunidade do cânion do rio Marañón. Graças aos grãos de cacau exclusivos, sua importância cresceu internacionalmente, sobretudo após o reconhecimento de chocolatiers de renome mundial.

Crédito, Dawn Marie Jones/Alamy

Legenda da foto,

Pearson e Horsley usam os grãos puro nacional para produzir seu chocolate, o Fortunato No 4

Don Fortunato, que cobra royalties pelas vendas do Fortunato Nº 4, é um homem feliz. Isso me ajudou financeiramente e me tornou famoso”, diz ele com um sorriso orgulhoso no rosto.

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Até hoje, ele cuida do cacaueiro puro nacional em sua propriedade, vigiando a “mãe” do chocolate que renasceu das cinzas.

  • Leia a versão originaldesta reportagem (em inglês) no site BBC Travel.

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  • Nome popular cacau
  • Outros nomes cacau, cacao, chocolate, massaroca, cacao-forasteiro, cacau-da-bahia, cacau-do-brasil, cacau-verdadeiro
  • Categoria frutíferas
  • Ordem Malvales
  • Família Malvaceae
  • Subfamília Byttnerioideae
  • Tribo Theobromateae
  • Subtribo —
  • Gênero Theobroma
  • Espécie Theobroma cacao
  • Origem México, Onduras e Venezuela
  • Tamanho até 7 m
  • Propagação por estaca e por semente
  • Iluminação
  • Rega muita água
  • Plantio
  • Perfumada sim
  • Floração
  • Frutos comestíveis

Você é daqueles que troca qualquer sobremesa por uma caixa de bombons? Então, agradeça aos maias e astecas por isso, afinal, desde 1500 a.C. essas civilizações já consideravam o cacau sagrado. Só que a bebida feita por aqueles povos não tinha nada a ver com um gostoso chocolate quente – aliás, nem doce era, parecia um chá muito amargo e… apimentado! Se a ideia de um cacau com esse sabor lhe soa estranha, você se surpreenderia ainda mais ao pegar um fruto na mão.

A fruta do cacaueiro tem o jeitão de uma bola de futebol americano: passa dos 40 cm, é pesado e ovalado, com uma casca tão dura que é preciso uma boa faca de serra para parti-la. Dentro, as sementes ficam envoltas por uma polpa doce que lembra em sabor e aparência uma fruta-do-conde.

Cacau fornece sementes e poupa que se torna alimentos

Essa polpa branca ainda não é a base do chocolate – o doce que tanto amamos vem da semente, muito amarga, que precisa fermentar, secar e tostar. Ao pó do cacau, acrescenta-se, então, leite, açúcar, aromatizantes e toda sorte de complementos, como licores, passas e crocantes.

Os usos do cacau estão longe de se restringirem às sobremesas. Na Amazônia, se produz um xarope caseiro muito comum chamado “capilé”, servido como licor. Na Colômbia, as folhas do cacaueiro são a base de um chá diurético.

No México e na Venezuela, o óleo extraído das sementes é colocado sobre feridas e queimaduras, acelerando a cicatrização. Essa propriedade renovadora se deve ao glicerol, substância da manteiga de cacau que se transforma em produtos para hidratar mãos e lábios.

Outro princípio ativo importante do cacaueiro é a teobromina, que tem ação vasodilatadora e vem sendo bem explorada pela indústria farmacêutica em remédios para controlar a pressão.

O plantio do cacaueiro no Brasil

No Brasil, o cacaueiro se deu bem no clima da Bahia, principal estado produtor da espécie. A árvore alcança 6 metros e tem flores brancas perfumadas, que lembram orquídeas e surgem em cachos direto do tronco.

As sementes precisam de sol pleno e solo fértil para se desenvolver: prepare a cova com uma misture de terra, esterco (de vaca ou frango) e calcário dolomítico, um produto encontrado em casas agrícolas que deixa o solo menos ácido.

Plante a semente a 1 cm de profundidade, para que ela tenha força de brotar, caso contrário, morre por fungos.

Para a árvore se desenvolver rapidamente e, em três anos, produzir os primeiros frutos, adube-a com sulfato de amônio, superfostato simples e cloreto de potássio a cada três meses, todos fertilizantes vendidos em grandes casas de jardinagem.

Do pé de cacau ao ovo de Páscoa

“Como o chocolate virou ovo?”, você deve estar se perguntando às vésperas da Páscoa. Muito antes de o cristianismo existir, os povos do Oriente, do Mediterrâneo e do Leste Europeu já cultivavam o hábito de trocar ovos decorados para comemorar a chegada da primavera e o início da vida. Naquela época, eles eram de galinha. Em 325 d.C., surgiu a ideia de aproveitar o símbolo para celebrar a ressurreição de Jesus. E só no século 18 é que os confeiteiros franceses resolveram transformar os ovos pequeninos de galinha em sobremesas comestíveis e prazerosamente lambuzentas. Que boa ideia a deles!

Do cacau ao chocolate: história e origem

Cacau.

O cacau é obtido a partir das sementes de uma árvore de pequeno porte (4-8 metros de altura) nativa da América Central (México) e da zona norte da América do Sul.

O nome científico (Theobroma cacao L.) foi atribuído por Carl Lineu (1707-1778) no segundo volume da obra Species Plantarum (1753) – publicação fundadora da nomenclatura botânica contemporânea.

Lineu utilizou parte do nome que outros autores haviam atribuído a esta planta (cacao) e criou um novo género (Theobroma) que significa alimento divino (do grego theós = deus; do grego brôma = alimento).

A planta do cacau

O cacaueiro apresenta um tipo de floração e frutificação pouco comum, ou seja, as flores (e os subsequentes frutos) nascem no tronco principal ou nos ramos que lhe estão próximos. Este tipo de floração (cauliflora) também ocorre nas olaias (Cercis siliquastrum L.).

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Após a colheita dos frutos, as sementes são submetidas a um processo fermentativo e oxidativo para desenvolverem o aroma característico do cacau. Segue-se a secagem, que tem como objectivo diminuir o teor de água, sendo depois processadas industrialmente (em geral, nos países consumidores).

Interior do fruto do cacaueiro.

Factos históricos

O cacau chegou à Europa no início do século XVI, trazido pelos conquistadores espanhóis, mas apenas no século XVII entrou nos circuitos europeus e se tornou verdadeiramente popular.

Para responder à crescente procura, estabeleceram-se plantações nas colónias francesas das Índias Ocidentais (Caraíbas) e nas colónias espanholas americanas.

Nas civilizações pré-colombianas, o cacau era consumido sob a forma de uma bebida, à qual se adicionava piripiri e baunilha; estas especiarias são nativas da mesma região onde se encontravam os cacaueiros silvestres. Para além de se utilizarem na preparação de bebidas, as sementes de cacau também se utilizaram como moeda.

Contudo, a expressão popular “ter cacau” não terá tido origem nesta prática da Mesoamérica, mas surgiu  no final do século XIX, quando as fortunas provenientes do cultivo e do comércio de cacau produzido na colónia portuguesa de São Tomé impressionaram a sociedade lisboeta; ter cacau era, então, sinónimo de ter fortuna.

Produção de chocolate.

Do cacau à industria do chocolate e à famosa semana inglesa

Em 1828, o químico holandês Johannes van Houten (1801-1887) inventou uma prensa capaz de separar a manteiga de cacau dos sólidos de cacau. Este último produto (cacau magro) podia agora ser utilizado num conjunto de produtos novos, entre os quais o chocolate em barra.

No final do século XIX, a firma Cadbury’s era a principal indústria britânica de chocolate e era, simultaneamente, propriedade de uma família quaker (grupo protestante conhecido pelo seu pacifismo) que tinha preocupações sociais vanguardistas.

Foi nesta empresa que se iniciou um novo tipo de horário de trabalho semanal, no qual as tardes de sábado, e não apenas o domingo, passaram a ser de descanso e lazer – a famosa semana inglesa.

Foi também a Cadbury’s que construiu Bournville, uma vila modelo situada no sul de Birmingham, para alojar os trabalhadores fabris. A direção da Cadbury’s queria demonstrar que um ambiente de trabalho agradável era útil não apenas aos trabalhadores, mas também à empresa e à sociedade. A fábrica possuía vestiários aquecidos, cantina, jardins, campos de desporto, creches e serviços médicos.

Frutos maduros de cacaueiro.

O cacau de São Tomé e a escravatura

No início do século XX, surgiram rumores de que o cacau proveniente de São Tomé, e utilizado na fábrica da Cadbury’s, seria produzido com recurso a escravos trazidos de Angola para São Tomé.

Em 1905, quatro anos após as primeiras denúncias, a Cadbury’s enviou uma expedição a África para averiguar a situação dos trabalhadores nas roças santomenses. A expedição regressou em 1907 com depoimentos e registos fotográficos que confirmaram os rumores.

  • Ponderou-se alterar a situação da escravatura em São Tomé, através de pressão diplomática dirigida às autoridades de Lisboa, mas na capital portuguesa vivia-se um clima pouco propício à análise destas questões devido às convulsões políticas causadas pelo governo ditatorial de João Franco, que contribuiria para o Regicídio e posterior queda da Monarquia Constitucional.
  • Entretanto, a situação das roças santomenses e da sua ligação à Cadbury’s tornou-se notícia internacional e a empresa deixou de adquirir cacau proveniente da colónia portuguesa.
  • Esta decisão foi tomada não apenas por intrínsecas questões morais, mas também por pressão dos consumidores britânicos e europeus que tinham gradualmente adquirido uma consciência social na qual situações como as que se viviam em São Tomé eram inaceitáveis.

Sementes de cacau e cacau em pó.

Embora a escravatura tenha sido oficialmente abolida, em alguns países africanos produtores de cacau (a Costa do Marfim é o maior produtor mundial) ainda persiste a tragédia do trabalho infantil, usado na colheita e secagem das sementes de cacau. O Protocolo de Harkin–Engel, assinado em 2001, no âmbito da Organização Mundial do Trabalho, é um acordo internacional que tenta responder a esta situação.

A manteiga de cacau

A manteiga de cacau derrete à temperatura do corpo humano (±36 °C), razão pela qual é utilizada como excipiente em preparações farmacêuticas e, também, na indústria de cosméticos. A única gordura utilizada nos chocolates de superior qualidade é a manteiga de cacau e não outras (margarina e/ou natas).

Os diferentes tipos de chocolate contêm percentagens distintas de sólidos cacau, manteiga de cacau, outras gorduras e açúcar, conforme estabelecido na Directiva Comunitária 2000/36/CE, disponível online.

Na Europa, têm fama os chocolates produzidos na Bélgica e na Suíça. Foi na cidade suíça de Vevey que, em 1875, Daniel Peter (1836-1919), em colaboração com Henri Nestlé (18141890), criou o popular chocolate de leite, ao adicionar leite em pó à massa de cacau.

A confecção de chocolate ocorre em quase todos os países europeus, onde pequenas empresas têm criado novas experiências degustativas e sensoriais que perpetuam a longa história do cacau e da sua relação com os humanos.

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