Como São Os Rituais Dos Povos Indígenas Que Vivem No Brasil?

Os Yanomami são um dos maiores povos indígenas relativamente isolados da América do Sul. Eles vivem nas florestas e montanhas do norte do Brasil e sul da Venezuela.

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Davi Yanomami em uma comunidade, Brasil.

© Survival

Como a maioria dos povos indígenas do continente, os Yanomami provavelmente migraram pelo Estreito de Bering entre a Ásia e a América cerca de 15.000 anos atrás, seguindo lentamente para a América do Sul. Hoje, sua população total é de cerca de 38.000 indígenas.

Com mais de 9,6 milhões de hectares, o território Yanomami no Brasil é o dobro do tamanho da Suíça. Na Venezuela, os Yanomami vivem na Reserva da Biosfera Alto Orinoco-Casiquiare, de 8,2 milhões de hectares. Juntas, essas regiões formam o maior território indígena coberto por floresta de todo o mundo.

Os Yanomami primeiramente entraram em contato direto com invasores na década de 1940 quando o governo brasileiro enviou equipes para delimitar a fronteira com a Venezuela.

Logo depois, o Serviço de Proteção aos Índios (SPI) do governo e grupos religiosos missionários se estabeleceram no território Yanomami. Este fluxo de pessoas levou às primeiras epidemias de sarampo e gripe, resultando na morte de muitos Yanomami.

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Mulher e criança Yanomami

© Steve Cox/Survival

No início dos anos 70, o governo militar decidiu construir uma estrada cortando a Amazônia ao longo da fronteira norte. Sem aviso prévio, tratores percorreram a comunidade Yanomami de Opiktheri. Duas aldeias inteiras desapareceram em decorrência das doenças trazidas pelos invasores.

Os Yanomami continuam a sofrer com os impactos devastadores e duradouros da estrada que trouxe colonos, doenças e o álcool. Hoje, os fazendeiros de gado e os colonos usam a estrada como um ponto de acesso para invadir e desmatar a terra Yanomami.

Modo de vida

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Uma maloca Yanomami, Brasil

© Survival

Os Yanomami vivem em grandes casas comunais circulares chamadas de “yanos” ou “shabonos”. Algumas podem acomodar até 400 pessoas. A área central é utilizada para atividades tais como rituais, festas e jogos.

Cada família tem sua própria fogueira onde o alimento é preparado e cozido durante o dia. À noite, as redes são penduradas próximas ao fogo, que é alimentado durante toda a noite para manter uma boa temperatura.

Os Yanomami acreditam fortemente na igualdade entre as pessoas. Cada comunidade é independente das outras e eles não reconhecem “chefes”. As decisões são tomadas por consenso, frequentemente após longos debates, onde todos têm o direito à palavra.

Como a maioria dos povos amazônicos, as tarefas são divididas de acordo com o gênero. Os homens caçam animais, como queixadas, antas, veados e macacos, e muitas vezes usam o curare (um extrato de planta) para envenenar suas presas.

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Yanomami, Demini, Brasil

© Fiona Watson/Survival

Embora as caças equivalham a apenas 10% dos alimentos dos Yanomami, a sua prática entre os homens é considerada a mais prestigiada das habilidades e a carne é muito valorizada por todos.

Nenhum caçador come a carne que matou. Em vez disso, ele a compartilha entre amigos e familiares. Em troca, ele receberá a carne de outro caçador.

As mulheres são encarregadas das roças onde cultivam cerca de 60 culturas que correspondem a cerca de 80% dos seus alimentos. Elas também colhem nozes, mariscos e larvas de insetos. O mel selvagem também é muito valorizado e os Yanomami colhem 15 tipos diferentes.

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Menino Yanomami

© Claudia Andujar/Survival

Tanto os homens como as mulheres pescam e o timbó, veneno de peixe, é usado em viagens de pesca comunitária. Grupos de homens, mulheres e crianças batem cipós tóxicos que flutuam sobre a água. O líquido atordoa os peixes que sobem para a superfície da água e são coletados nas cestas. Eles usam nove espécies de videira apenas para envenenar os peixes.

Os Yanomami têm um enorme conhecimento botânico e utilizam cerca de 500 plantas como alimentos, remédios, para a construção de casas e de outros artefatos. Eles se sustentam em parte pela caça, coleta e pesca, mas as roças também são cultivadas em roças amplas localizadas na floresta. Como o solo amazônico não é muito fértil, um novo jardim é criado a cada dois ou três anos.

Xamanismo e festas

‘Você vê as coisas, você sonha, você conhece o xapiripë [espíritos]. Os xamãs podem curar as doenças da floresta.’ – Davi Kopenawa sobre o xamanismo

O mundo espiritual é uma parte fundamental da vida dos Yanomami. Toda criatura, pedra, árvore e montanha tem um espírito. Às vezes estes são malevolentes; eles atacam os Yanomami e acredita-se que causam doenças.

Os xamãs controlam esses espíritos inalando um rapé alucinógeno chamado yakoana. Através de suas visões e em um estado de transe, eles encontram os espíritos ou xapiripë.

O xamã Davi Kopenawa explica:

‘Só quem conhece os xapiripë pode vê-los porque são muito pequenos e brilhantes como a luz. Há muitos, muitos xapiripë, milhares de xapiripë como estrelas. Eles são bonitos e decorados com penas de papagaio e pintados com urucum e outros têm oraikok, outros usam brincos e tintura preta e dançam muito bonito e cantam de forma diferente.’

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Xamã Yanomami

© Claudia Andujar/Survival

Como é típico de caçadores-coletores e agricultores itinerantes, os Yanomami levam em média menos de quatro horas de trabalho por dia para satisfazer todas suas necessidades materiais. Muito tempo é deixado para atividades sociais e de lazer.

Visitas entre as comunidades são frequentes. Cerimônias são realizadas para marcar os eventos, tais como a colheita do fruto da pupunheira e o reahu (festa de funeral), que celebra a morte de um indivíduo.

Os Yanomami isolados

Os Yanomami relatam ter visto Yanomami isolados, que chamam de ‘Moxihatetea’. A Hutukara divulgou fotos aéreas e vídeos de seus yano – as casas comunitárias.

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Os Moxihatetea vivem na região do território Yanomami que possui a maior concentração de garimpeiros ilegais, alguns dos quais operam a apenas quilômetros de distância dos yano.

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Um menino Yanomami volta de canoa para a sua aldeia na Amazônia brasileira

© Survival

O contato com os garimpeiros poderia ser muito perigoso para os Moxihatetea, já que conflitos violentos poderiam acontecer.

Além do mais, os garimpeiros trazem malária e outras doenças que poderiam matar os Moxihatetea que não têm imunidade contra doenças comuns.

Em 2018, os Yanomami exigiram que as autoridades investigassem relatos de que garimpeiros assassinaram dois Moxihatetea. Mas nenhum garimpeiro foi investigado pela justiça.

Devido a cortes do governo, a FUNAI fechou sua base perto dos Moxihatetea. Um promotor ordenou que a FUNAI a reabrisse.

O Davi Kopenawa disse: ‘Tem muitos índios isolados. Não conheço eles, mas sei que o sofrimento deles é o mesmo que o nosso… Quero ajudar os meus irmãos isolados que são do nosso sangue… É muito importante os isolados poderem morar na terra deles.’

A corrida do ouro e o genocídio

Durante a década de 1980, os Yanomami sofreram imensamente quando cerca de 40.000 garimpeiros brasileiros invadiram suas terras. Os garimpeiros atiravam neles, destruíam muitas aldeias, e os expuseram às doenças para as quais não tinham imunidade. Em apenas sete anos, vinte por cento dos Yanomami morreram.

Depois de uma longa campanha internacional liderada por Davi Kopenawa Yanomami, pela Survival e pela Comissão Pró Yanomami (CCPY), a terra Yanomami no Brasil foi finalmente demarcada em 1992 e ficou conhecida como Parque Yanomami, e os garimpeiros foram expulsos.

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Garimpeiros trabalham ilegalmente na terra dos Yanomami

No entanto, após a demarcação, os garimpeiros voltaram para a área, provocando tensões. Em 1993, um grupo de garimpeiros entrou na aldeia de Haximu e assassinou 16 Yanomami, incluindo um bebê.

Depois de um clamor nacional e internacional, um tribunal brasileiro condenou cinco garimpeiros por genocídio. Apenas dois deles estão cumprindo sentenças na prisão.

Este é um dos poucos casos, em todo o mundo, onde um tribunal condenou os réus por genocídio.

A invasão de garimpeiros à terra Yanomami continua. A situação na Venezuela é muito séria, e alguns Yanomami têm sido envenenados e expostos a ataques violentos. As autoridades pouco têm feito para resolver estes problemas.

Os indígenas no Brasil ainda não têm assegurados os direitos à propriedade sobre as suas terras.

O governo se recusa a reconhecer a propriedade das terras indígenas, apesar de ter assinado a Lei Internacional (Convenção 169 da OIT) que lhes garante o direito à terra.

Além disso, várias pessoas dentro do cenário político brasileiro gostariam de ver o território Yanomami reduzido e aberto à mineração, a pecuária e a colonização.

Ademais, o exército brasileiro construiu quartéis em comunidades Yanomami, o que tem aumentado a tensão no local. Os soldados têm prostituído mulheres Yanomami, algumas das quais foram infectadas com doenças sexualmente transmissíveis.

Ameaças recentes

Milhares de garimpeiros trabalham ilegalmente na terra Yanomami, transmitindo doenças mortais, como a malária, e poluindo os rios e as florestas com mercúrio. Pecuaristas também estão invadindo e desmatando a fronteira leste de suas terras.

A saúde dos Yanomami está debilitada e os serviços médicos essenciais não chegam a eles, especialmente na Venezuela.

O Congresso Nacional brasileiro está debatendo um projeto de lei que, se aprovado, irá autorizar a mineração em grande escala em territórios indígenas. Isso será extremamente prejudicial para os Yanomami e para os outros povos indígenas do Brasil.

Xamã Davi Kopenawa Yanomami, fala sobre o projeto de lei de mineração e o que ele significaria para o seu povo.

Os Yanomami não foram devidamente consultados e têm pouco acesso à informação independente sobre os impactos da mineração.

Davi Kopenawa, porta-voz Yanomami e Presidente da Hutukara Associação Yanomami, adverte para os perigos:

‘Os Yanomami não queremos que o Congresso Nacional aprove nem que o Presidente assine esta lei. Nós não queremos aceitar esta lei.’

‘Tem que respeitar a nossa terra. A terra é patrimônio, patrimônio que protege nós.’

‘A mineração vai destruir a natureza. Vai destruir os igarapés e os rios, e matar todos os peixes e o meio ambiente- e vai matar nós índios. E vai trazer doenças que nunca antes existiam na nossa terra.’

Resistência e organização Yanomami

Como resultado do crescente contato e interação com pessoas de fora e confrontados com sérios ataques a seus direitos, os Yanomami formaram organizações regionais para defender seus direitos.

Em 2004, os Yanomami de onze regiões do Brasil se reuniram para formar a sua própria organização, a Hutukara (que significa ‘a parte do céu de onde a terra nasceu’), para defender seus direitos e administrar seus próprios projetos.

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Os Yanomami na Venezuela formaram sua própria organização chamada Horonami em 2011 e os Yanomami em outras regiões dos dois países criaram organizações semelhantes.

Como a Survival ajuda?

A Survival apoia os Yanomami há décadas. Nós lideramos a campanha internacional pela demarcação do território Yanomami, juntamente com Davi Kopenawa e a ONG brasileira Comissão Pró Yanomami. Nós também apoiamos seus projetos de saúde e educação. Estamos lutando junto dos Yanomami e dos povos indígenas em todo o Brasil para que #PareOGenocídio.

Apesar dos repetidos pedidos dos Yanomami, as autoridades brasileiras não removem os garimpeiros ilegais, nem resolvem a crise da saúde. A saúde Yanomami está agora em risco, com a malária e outras doenças se espalhando.

Lideranças do povo Yanomami lançaram a campanha global #ForaGarimpoForaCovid para pressionar o governo a expulsar 20.000 garimpeiros ilegais de sua terra durante a pandemia do coronavírus. A campanha tem o suporte de várias organizações do Brasil e do mundo.

  • Junte-se a nós:
  • – Envie um email para o governo e exija a interrupção do garimpo ilegal e da destruição do território dos Yanomami;
  • – Assine a petição da campanha global #ForaGarimpoForaCovid

– Envolva-se! Use esse kit para fazer barulho e pressionar por mudanças.

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Família Yanomami

Rituais – Povos Indígenas no Brasil

por Renato Sztutman, antropólogo. Professor do Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo, pesquisador do Núcleo de História Indígena e do Indigenismo/NHII-USP e colaborador do ISA

Como São Os Rituais Dos Povos Indígenas Que Vivem No Brasil? A entidade letani figura no ritual hetohokÿ (“casa grande”), realizado pelos Javaé (TO). Nos anos 1990,este ritual, que marca a entrada dos jovens para o mundo da casa dos homens, foi retomado. Foto: Patrícia de Mendonça Rodrigues, s/d.

Os mitos contam como as coisas chegaram a ser o que são. Contam como as divindades, os homens, os animais e as plantas se diferenciaram. Os rituais, por sua vez, fazem o caminho inverso dos mitos.

E, não por acaso, eles se dispõem muitas vezes a contar o mito, a recriar o mito, promovendo uma espécie de retorno a esse tempo de indiferenciação geral em que divindades, homens, animais e plantas se comunicavam entre si, e produziam sua existência por meio dessa interação.

As populações indígenas acreditam que esta comunicação, esta interação deve se dar de maneira mediada e é indispensável para a produção de pessoas e da própria sociedade. Afinal, é do cosmos mítico que são extraídas as matérias-primas para a constituição das pessoas e da sociedade.

Perder de vista esta comunicação, esta interação é entregar-se à inércia, à permanência num mundo sem sentido.

Os rituais de iniciação, por exemplo, consistem em fazer com que neófitos [iniciantes] sejam separados do convívio social e, assim, se submetam a um estado de liminaridade no qual a fronteira do mundo social, humano, parece borrar-se. É somente passando por esse estado de liminaridade que o neófito poderá voltar a este mundo, agora de maneira transformada.

Os rituais funerários, de sua parte, consistem em separar os vivos do morto, fazendo que o último retorne ao outro mundo, mundo não-humano. Toda morte coloca os vivos, nela envolvida, num estado de liminaridade. Por isso não é de se espantar que os rituais funerários ou pós-funerários sejam, entre os povos indígenas, muitas vezes aproveitados para a realização da iniciação de jovens.

Índio Ticuna durante ritual, Belém do Solimões, Terra Indígena Évare I, Amazonas. Foto: Frei Arsênio Sampalmieri, 1979

Podemos dizer que essa comunicação ritual se estabelece entre seres humanos e seres não-humanos, como espíritos, divindades, donos de espécies naturais, subjetividades que habitam corpos animais e vegetais etc.

; todos dotados de diferentes potências.

Mas não podemos esquecer que essa comunicação acaba por se fazer entre pessoas de proveniências distintas: gente de outras aldeias, de outros territórios e mesmo de outras etnias.

Os rituais indígenas são uma celebração das diferenças. Em primeiro lugar, das diferenças entre os seres que habitam o cosmos.

Os humanos sabem que muito do que possuem – aquilo que chamamos de cultura – não foi meramente “inventado” por eles mesmos, mas sim tomado, no tempo do mito, de outras espécies, e mesmo de inimigos há muito não vistos.

Os rituais indígenas são, além disso, uma celebração das diferenças entre os próprios seres humanos, diferenças sem as quais não haveria nem troca nem cooperação. E para celebrar essas diferenças uma intensa trama de prestações – de comida e bebida, sobretudo, mas também, em certas ocasiões, de cantos e artefatos – é posta em movimento.

[Agosto, 2008]

Panorama da Diversidade

Bororo

Foto: Kim-Ir-Sam, 1973.
Foto: Kim-Ir-Sam, 1973.

O ritual funerário dos Bororo (MT) marca um momento especial de socialização dos jovens. Não só porque muitos deles são formalmente iniciados, mas, também, porque é por meio de sua participação nos cantos, danças, caçadas e pescarias coletivas que eles têm a oportunidade de aprender e perceber a riqueza de sua cultura.

 Foto: Michel Pellanders, 1989.
Foto: Michel Pellanders, 1989.

Na corrida de toras, que está relacionada à realização de diferentes rituais, os Krahô (TO) dividem-se em duas equipes, ditas “metades”. Cada uma delas carrega uma seção de tronco de buriti (ou outro vegetal), cujo formato, tamanho e ornamentação são variáveis. Os Krahô são um grupo Timbira, da família lingüística Jê. Outros povos Timbira e Jê também realizam corridas de toras.

 Foto: William Crocker, 1975.
Foto: William Crocker, 1975.

Entre os Canela (MA), grupo Timbira, os meninos são introduzidos na sua classe de idade por meio de alguns rituais de iniciação. Esses rituais treinam os meninos para se tornarem guerreiros. Tradicionalmente, a maioria das meninas está associada de modo a receber cintos de maturidade, necessários para que elas se casem.

 Foto: Bartomeu Meliá, 1980
Foto: Bartomeu Meliá, 1980

No yãkwa, ritual realizado pelos Enawenê-Nawê (MT), os habitantes da aldeia, divididos em clãs, realizam uma troca generalizada de alimentos, cantos e danças. O ritual, que dura vários meses e possui duas fases distintas, visa cumprir os ensinamentos dos espíritos subterrâneos, yakairiti.

 Foto: Cláudia Andujar, s/d.
Foto: Cláudia Andujar, s/d.

A primeira iniciação dos meninos Karajá (MT/TO) se dá por volta dos sete ou oito anos de idade. Consiste na perfuração do lábio inferior, que irá receber um adorno. A perfuração é feita com a clavícula de um macaco, e se dá na presença dos pais.

 Foto: Milton Guran, 1991.
Foto: Milton Guran, 1991.

Na maloca Toototobi, dos Yanomami (AM), homens realizam sessão com o pó alucinógeno, yãkuãna. Este é muito presente na iniciação dos pajés Yanomami, e deve sempre se dar sob a condução dos mais velhos.

 Foto: Milton Guran, 1985.
Foto: Milton Guran, 1985.

Homens xinguanos disputam o huka-huka na aldeia dos Yawalapiti (MT). A luta integra o ritual intertribal kwarúp, que se dá em homenagem aos mortos dos diferentes grupos que habitam a região do alto Xingu.

Como São Os Rituais Dos Povos Indígenas Que Vivem No Brasil? Foto: Mônica Pechincha, 1992.

Os bobos (bobotegi) são personagens que figuram na Festa do navio, realizada pelos Kadiwéu. Este longo ritual remonta aos tempos da Guerra do Paraguai, quando este povo lutou pelo Brasil.

Foto: Marcos Issa,1996.

Apesar de desterrados na cidade de São Paulo, os Pankararu, que migraram do estado de Pernambuco, continuam realizando suas cerimônias, cantos e danças.

Cultura indígena: características e curiosidades

A cultura indígena brasileira é vasta e diversificada, ao contrário do que pensa o senso comum.

Os historiadores estimam que, no início do século XVI, havia quatro agrupamentos linguísticos principais: tupi-guarani, , caribe e aruaque.

Essas famílias linguísticas compartilhavam o mesmo idioma e culturas semelhantes.

Antes da colonização, os índios que habitavam o território (hoje denominado Brasil) tinham uma cultura similar em alguns pontos, tais eram: organização social baseada no coletivismo; ausência de política, Estado e governo; ausência de moeda e de trocas mercantis; religiões politeístas baseadas em elementos da natureza; e ausência da escrita.

Como São Os Rituais Dos Povos Indígenas Que Vivem No Brasil? Apesar de vasta, a cultura indígena tem elementos comuns entre as tribos.

A visão europeia sobre os povos indígenas foi, desde a colonização, etnocêntrica, a qual considera o modo de vida indígena inferior por não conter elementos considerados, pelos europeus, símbolos de civilização e progresso. No entanto, a antropologia e a sociologia contemporâneas já desmistificaram essas análises preconceituosas, estabelecendo que as diferenças culturais entre os povos não são motivos para estabelecer-se uma hierarquia cultural.

Saiba mais: Escravidão indígena no Brasil colonial – início e fim

Como era a cultura indígena

Os povos indígenas, apesar de terem pertencido a vários grupos diferentes com pontuais diferenças de comportamento e cultura, tinham elementos comuns que consolidavam uma cultura indígena como um todo.

Eles tinham religião, hábitos, costumes e comportamentos similares, a divisão do trabalho também era parecida entre todos os povos, e o modo de vida deles era baseado na caça, na pesca e na coleta, acrescida da agricultura de algumas plantas, como a mandioca.

A religião indígena, baseada em conjuntos de mitos sobre seres espirituais, era variada, entretanto era comum a crença em entidades espirituais que habitavam o mundo material. Também se acreditava em potências espirituais encarnadas por animais e na existência de pessoas que poderiam estabelecer contato com o mundo espiritual (pajés), sendo homem ou mulher.

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Tupã era o ser sobrenatural supremo que controlava a natureza e, como é comum nas religiões a identificação dos seus deuses com os seus povos, era representado pela figura de um índio poderoso. Além desse deus, existia a figura mística do Abaçaí, que, para alguns povos, tratava-se um espírito maléfico que perturbava a vida dos índios.

Os povos Tupinambá desenvolveram mitos de criação do mundo e acreditavam em sua possível destruição futura, por meio de dilúvios que matariam todos. Eles também acreditavam em entidades como Maire-Monan, que teria ensinado a agricultura à humanidade para que esta pudesse alimentar-se melhor.

Os pajés, que são as pessoas que podem entrar em contato com as entidades espirituais, utilizam a sabedoria aprendida com os espíritos para aconselhar as pessoas e fazer rituais de cura.

Os rituais, chamados pajelanças, poderiam ser feitos em festividades, como forma de agradecimento e de pedido, e para efetuar curas medicinais. Eles envolviam, em alguns casos, música e dança.

Era comum o pajé utilizar-se da inalação de grandes quantidades de fumaça de tabaco para que, em transe narcótico, pudesse fazer contato com os espíritos.

Os índios utilizam adornos corporais e pinturas com materiais extraídos da natureza, como a tintura de urucum, os colares de peças naturais, e os botoques e adornos feitos com base na arte plumária (que utiliza plumas e penas de aves). Há uma importante simbologia por trás dos adornos e das pinturas corporais, que podem identificar o sexo, a idade, a aldeia e a posição social do índio, estabelecendo uma espécie de identidade cultural dos povos indígenas.

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Como São Os Rituais Dos Povos Indígenas Que Vivem No Brasil? Pinturas feitas em pernas de índios de tribo amazônica próxima da cidade de Manaus.

  • Também é comum a produção de artesanatos para ornamento, de utensílios, como cestas de palha e cuias, e, nas tribos antigas, de arcos, flechas e lanças utilizadas para a caça e para a guerra.
  • Veja também: Índios tupinambás trazidos à França no século XVI para serem estudados

Características da cultura indígena

Se considerarmos apenas as culturas desenvolvidas por povos indígenas brasileiros, já temos uma grande gama cultural.

É característica comum das várias etnias indígenas brasileiras a valorização e o contato com a natureza, sendo que o modo de vida tribal, antes da ocupação violenta do homem branco no território brasileiro, permitia a caça, a coleta e a agricultura familiar como modos de subsistência dos povos indígenas.

As religiões animistas (aquelas que colocam como seres sobrenaturais e divinos elementos da natureza, como o Sol, a Lua e as florestas) compunham o imaginário religiosos dos povos indígenas. Antes da chegada dos portugueses, a maioria das tribos indígenas era guerreira, e essas disputavam os territórios entre si quando uma tribo migrava de um lugar para outro já habitado.

  1. Veja também: Religião – conjunto de crenças e práticas sociais
  2. Outra característica comum das diversas tribos indígenas era a fabricação de utensílios religiosos e de decoração com base em argila, madeira, bambu e penas de aves, além da confecção de pinturas corporais utilizadas em processos de caça e de guerra ou em festivais religiosos.

Como São Os Rituais Dos Povos Indígenas Que Vivem No Brasil? Crianças indígenas com pinturas tradicionais no rosto e colares típicos.

As sociedades indígenas prezam muito por duas coisas: respeito e ligação com a natureza e respeito à sabedoria dos anciãos.

É ainda comum nas tribos indígenas o pensamento de uma vivência sustentável — retirando da natureza somente aquilo que é necessário para a manutenção da vida.

As pessoas mais velhas são consideradas mais sábias, o que garante a elas certa autoridade dentro da tribo.

Os povos falantes do tupi estabeleciam uma divisão do trabalho baseada no gênero e na idade. Idosos e crianças não trabalhavam, exceto espantando pássaros e outros animais das plantações. As meninas adolescentes ajudavam no cuidado das crianças mais novas.

Homens adultos fabricavam utensílios de caça, pesca e guerra, também fabricavam canoas, guerreavam, caçavam e preparavam a terra para o cultivo.

Já as mulheres adultas eram as responsáveis pelas atividades agrícolas, pela coleta, pela fabricação de utensílios domésticos, pela preparação de alimentos e pelo cuidado das crianças.

Os índios, antes da colonização, viviam de maneira autônoma, sem a presença de elementos políticos e governamentais e de Estado. A gestão era coletivista, baseada na cooperação entre os membros de uma mesma tribo e em alianças e guerras entre tribos diferentes.

Veja também: Índios tupinambás trazidos à França no século XVI para serem estudados

Alimentação indígena

A alimentação indígena costumava ser baseada no consumo de frutas, legumes, verduras, raízes, caules, peixes e carnes de caça.

Frutos como o caju e o açaí eram comuns na alimentação de povos de algumas localidades, como o Norte e o Nordeste brasileiros. Os índios do Norte também consumiam muito o guaraná como fonte de energia para as atividades diárias e para a guerra. A mandioca era a principal fonte de carboidrato deles, por isso era amplamente cultivada.

A tapioca e a farinha de mandioca eram maneiras de estocar a mandioca para a utilização posterior.

Hoje em dia, apesar de manterem muitos hábitos alimentares, os indígenas que permaneceram tiveram que se adaptar aos hábitos alimentares da sociedade brasileira contemporânea. A caça, a pesca e a coleta, que eram possíveis quando as florestas eram preservadas, já não são mais suficientes para alimentar a pequena população indígena, devido ao desmatamento.

A introdução forçada dos indígenas no modo de vida urbano e rural (desenvolvido pelos brasileiros pós-colonização) modificou drasticamente a vida indígena dentro e fora das aldeias, entre 1500 e os dias atuais.

Dança indígena

A dança e a música tiveram e ainda têm um papel religioso dentro da cultura indígena. Geralmente a dança é realizada em rituais e festividades religiosos entoados em agradecimento ou como forma de pedidos às divindades.

Podendo ser realizada individualmente ou em grupo, geralmente a dança indígena possui uma execução de passos que requer a formação de duplas ao menos em algum momento dela. Geralmente, as danças são realizadas por pessoas com o corpo pintado, pois a pintura corporal também é um elemento da simbologia religiosa indígena.

Algumas danças de rituais xamânicos (liderados pelos xamãs, pessoas capazes de fazer uma ponte entre o mundano e o sagrado, como os pajés) entoadas por índios de tribos amazônicas utilizam também máscaras.

Podemos destacar como principais danças indígenas as listadas a seguir:

  • Acyigua: feita pelo pajé e pelo melhor caçador da tribo para resgatar a alma de um guerreiro indígena morto. Ela advém da tradição indígena Guarani.
  • Atiaru: praticada por homens e mulheres da tribo, ela objetiva afastar os maus espíritos do local.
  • Toré: entoada por várias tribos e com diferentes variações. Geralmente é feita em círculos por todos da tribo, ao ar livre, com passos definidos pela batida de um chocalho feito de cabaça e pedras.
  • Kuarup: dança típica de povos do alto Xingu, o kuarup, que é dançado por todos os membros da tribo, visa fazer uma homenagem aos membros que já morreram.

Como São Os Rituais Dos Povos Indígenas Que Vivem No Brasil? Índios brasileiros da etnia Pataxó durante ritual de dança.

Saiba também: Jogos dos povos indígenas

Influências da cultura indígena no Brasil

Historiadores apontam que, em 1500, existiam cerca de quatro milhões de indígenas habitando as terras brasileiras.

Hoje, a Funai estima que um milhão de indígenas vive no país, espalhados em 250 etnias, que, em suas aldeias, ocupam cerca de 13% do território |1|.

Essa pequena parcela ocupada somente se mantém devido à demarcação de terras indígenas.

Apesar do genocídiopraticado contra os índios desde 1500 (em especial no período das bandeiras, durante a Ditadura Militar e em conflitos de terras atuais em estados, como Mato Grosso, Amazonas e Pará) e da desvalorização dos povos indígenas, o nosso país herdou inúmeros elementos da cultura indígena.

O Brasil é um país extremamente miscigenado e pluricultural. Além da influência de povos africanos, orientais e europeus, os povos indígenas deixaram elementos importantes para a nossa cultura, sobretudo em relação aos hábitos alimentares.

A culinária nortista, por exemplo, é rica em elementos da cultura indígena, como a maniçoba e a utilização do tucupi em pratos típicos. Frutos como o caju e a acerola eram consumidos pelos indígenas, e os seus respectivos nomes tiveram origem nas línguas tupi.

O açaí, o guaranáe a tapioca, que consumimos amplamente nos dia de hoje e são, inclusive, explorados pela indústria alimentícia, são oriundos dos hábitos alimentares indígenas.

Saiba mais: Cultura brasileira – hábitos, costumes e influências

Como e com quem se aprende a cultura indígena no Brasil

A melhor maneira de aprender a cultura indígena é pelo contato direto com povos indígenas ou por meio de estudos antropológicos desenvolvidos por indigenistas (pesquisadores que se dedicam a entender a cultura indígena).

Podemos destacar como fundamentais os trabalhos desenvolvidos por Darcy Ribeiro, antropólogo a indigenista brasileiro que atuou por quase 10 anos no Serviço de Proteção ao Índio, atual Fundação de Amparo ao Índio (Funai); e por Claude Lévi-Strauss, antropólogo belga que desenvolveu trabalhos de observação da cultura indígena brasileira por décadas e lecionou Antropologia na Universidade de São Paulo (USP).

Darcy Ribeiro ajudou a fundar o Museu do Índio, que é uma instituição sediada no Rio de Janeiro e com polos em Cuiabá (Centro Cultural Ikuiapá) e em Goiânia (Centro Audiovisual do Museu do Índio). O Museu do Índio contém o maior acervo de artefatos indígenas do Brasil.

Acesse também: Dia do Índio – 29 de abril

Curiosidades

  • O caoim era uma bebida típica feita pelos tupi-guarani à base de mandioca. Em um ritual, vários membros da tribo mascavam a mandioca crua e cuspiam o bolo de mandioca misturada com saliva em uma moringa de barro que era enterrada. A fermentação da mistura resultava em uma bebida alcoólica apreciada em festas.
  • Os índios brasileiros não conheciam a metalurgia antes da chegada dos europeus ao território brasileiro.
  • Antes da chegada dos portugueses, havia tribos indígenas canibais no Brasil. Alguns relatos dão conta de que tais tribos sobreviveram até o início do século XX na Amazônia.
  • Várias palavras comuns no nosso cotidiano são de origem indígena. São exemplos: maracujá, guaraná, mandioca, caju, acerola, moringa, tambaqui, pirarucu e oca.
  • O consumo de mandioca, de peixes típicos de rios brasileiros, como o pirarucu, o cará e a caranha, e de frutas brasileiras, como a acerola, o maracujá e o guaraná, está em nossas mesas hoje graças à presença marcante da cultura indígena na formação cultural do Brasil.

Notas

|1| Dados obtidos na matéria: GOUSSINSKY, E. Brasil é líder disparado no genocídio de índios na América Latina. Disponível em: https://noticias.r7.com/prisma/nosso-mundo/brasil-e-lider-disparado-no-genocidio-de-indios-na-america-latina-24042018. Acesso em: 13/04/2019.

Por Francisco Porfírio Professor de Sociologia

Como são os rituais do povos indigenas que vivem no Brasil?​

Como São Os Rituais Dos Povos Indígenas Que Vivem No Brasil?

Existem diversos tipos de rituais que os indígenas brasileiros realizam, grande parte deles estão relacionados com cerimônias importantes como casamento, morte, nascimento e derivados.

Assim podemos dizer que as coisas em comum que eles tem nos rituais, é que todos se preparam pintando seus corpos, colocando 'maquiagem no rosto, com muita música e dança, normalmente fazendo um circulo e alguma vezes com a presença de uma fogueira.

Espero ter ajudado! Bons Estudos!

Como São Os Rituais Dos Povos Indígenas Que Vivem No Brasil?

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Uma grande parte dos rituais realizados pelos diversos grupos indígenas do Brasil pode ser classificada como ritos de passagem.

Os ritos de passagem são as cerimônias que marcam a mudança de um indivíduo ou de um grupo de uma situação social para outra.

Como exemplo, podemos citar aqueles relacionados à mudança das estações, aos ritos de iniciação, aos ritos matrimoniais, aos funerais e outros, como a gestação e o nascimento.

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Durante muitos séculos o mundo grego esteve organizado em comunidades rurais formadas por grandes famílias, chefiadas por um patriarca. As aglomeraçõe

s urbanas só começaram a ganhar importância a partir do século VII a.C., e foi então que uma nova forma de organização social se difundiu.

Que forma de organização foi essa? *2 pontosa) politikus, ou cidade-Estado que abriu caminho para a criação do regime político chamado democracia.b) politikus, ou cidade-Estado que abriu caminho para a criação do regime político chamado monarquia.c) pólis, ou cidade-Estado que abriu caminho para a criação do regime político chamado democracia.

d) pólis, ou cidade-Estado que abriu caminho para a criação do regime político chamado monarquia​

Os gregos, que viveram o apogeu socioeconômico e cultural, são considerados os fundadores da cultura ocidental. De acordo com essa afirmativa, os greg

os viveram seu apogeu: *2 pontosa) entre os séculos VI a.C. e V a.C.b) entre os séculos III a.C. e II a.C.c) entre os séculos V a.C. e IV a.C.d) entre os séculos IV a.C. e III a.C.​

identifique os coeficiente das seguintes função f(x)=2x +7​

atividade: realiza uma margem decorada com modelo grafismo indígena e na parte interna crie um desenho relacionado com o temaajudaaaa​

A palavra “musa”, que em português tem o significado de ‘aquela que inspira’, relaciona-se às nove filhas da deusa grega Mnemosine, a quem se atribuía

a capacidade de inspirar a criação artística e científica. As Musas preservavam a cultura e o conhecimento e por isso eram também as protetoras da educação.

Seu templo era chamado Museu, palavra que ainda hoje usamos para nos referir a edifícios e instituições que preservam e promovem objetos e processos artísticos. Para guardar e propagar o conhecimento, as Musas utilizavam a mousiké, termo que designava uma manifestação que integrava o que hoje chamamos separadamente de: *2 pontosa) Música, teatro e dança.

b) Música, teatro e poesia.c) Dança, teatro e poesia.d) Música, dança, e poesia.​

1 — Até o início da década de 1920, o Brasil possuía uma cultura conservadora e acadêmica. Nesse sentido, a Semana de Arte Moderna tinha como principa

l objetivo:a) Difundir uma expressão nova e moderna da arte brasileira.

b) Difundir uma expressão antiga e clássica da arte brasileira.c) Difundir uma expressão rebelde e inovadora da arte brasileira.d) Difundir uma expressão antiga e contemporânea da arte brasileira.

2 — Durante os dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, a cidade de São Paulo foi o cenário desse encontro artístico que contou com a participação de:a) Escritores, atores, arquitetos, escultores e pintores.b) Escritores, intelectuais, arquitetos, escultores e músicos.

c) Escritores, intelectuais, atores, músicos e pintores.d) Escritores, intelectuais, arquitetos, escultores e pintores.3 — Qual foi o lo

Existe linhas em suas obras?

cite duas artes que sao consideradas audiovizuais e quais linguagens exploram (verbal ,visual,sonora)​

As encenações ocorriam em grandes teatros ao ar livre, com arquibancadas dispostas em torno de uma área circular de terra batida ou lajes de pedra. Es

se espaço, chamado orquestra, era ocupado pelo numeroso Coro.

As máquinas de cena eram amplamente utilizadas nos espetáculos.

Esses mecanismos de cenografia podiam incluir cenários giratórios que permitiam trocar a ambientação da cena rapidamente, plataformas móveis para entrada das cenas violentas ou máquinas que reproduziam o barulho de trovões.

De acordo com essa afirmação as encenações contavam com um número máximo de atores, assim, era preciso que cada um deles interpretasse vários papéis no decorrer da encenação. Quantos atores no máximo eram permitidos nas encenações? *2 pontosa) até seis atores.b) até cinco atores.c) até quatro atores.d) até três atores.​

Qual era a principal recurso utilizado projetos de Oscar Niemeyer?

Rituais Indígenas

Uma grande parte dos rituais realizados pelos diversos grupos indígenas do Brasil pode ser classificada como ritos de passagem.

Os ritos de passagem são as cerimônias que marcam a mudança de um indivíduo ou de um grupo de uma situação social para outra.

Como exemplo, podemos citar aqueles relacionados à mudança das estações, aos ritos de iniciação, aos ritos matrimoniais, aos funerais e outros, como a gestação e o nascimento.

Entre os Tupinambá – grupo indígena extinto que habitava a maior parte da faixa litorânea que ia da foz do rio Amazonas à ilha de Cananéia, no litoral paulista-, quando nascia uma criança do sexo masculino, o pai levantava-se do chão e cortava-lhe o umbigo com os dentes.

A seguir, a criança era banhada no rio, após o que o pai lhe achatava o nariz com o polegar. Em seguida, a criança era colocada numa pequena rede, onde eram amarradas unhas de onça ou de uma determinada ave de rapina.

Colocavam-se, ainda, penas da cauda e das asas dessa ave e, também, um pequeno arco e algumas flechas, para que a criança se tornasse valente e disposta a guerrear os inimigos.

O pai, durante três dias, não comia carne, peixe ou sal, alimentando-se apenas de certo tipo de farinha. Não fazia, também, nenhum trabalho até que o umbigo da criança caísse, para que ele, a mãe e a criança não tivessem cólicas. Três vezes por dia punha os pés no ventre da esposa.

Nesses dias, o pai fazia pequenas arapucas e nelas fazia a tipóia de carregar a criança; tomava, também, o pequeno arco e as flechas e atirava sobre a tipóia, pescando-a depois com o anzol, como se fosse um peixe. Assim, no futuro, a criança caçaria ou pescaria.

Quando o umbigo caía, o pai partia-o em pedacinhos e pregava-os em todos os pilares da oca, a fim de que o filho fosse, no futuro, um bom chefe de família. O pai também colocava aos pés da criança um molho de palha, que simbolizava os inimigos.

Quando todas essas práticas tinham sido realizadas, a aldeia por inteiro se entregava às comemorações. Nesses dias, era escolhido um nome para o recém-nascido.

Através desse rito de incorporação, o pai assumia a paternidade e se reconhecia ao recém-nascido, um lugar na sociedade Tupinambá, como homem ou mulher.

Cabe destacar que nesses rituais ligados à gestação e ao nascimento não só a criança, como também seus pais, eram submetidos ao ritual de passagem.

O reconhecimento da gravidez da mulher punha o pai e a mãe num estado de cuidados especiais, separando-os, de certo modo, pela maneira de se comportar, dos demais habitantes da aldeia.

Ficavam, assim, segregados até que a criança nascesse e os ritos de sua incorporação fossem realizados, momento em que eles eram reintegrados à vida normal, desempenhando um novo papel social: pai e mãe de um novo membro da sociedade.

Bibliografia Melatti, Julio Cesar. Índios do Brasil. Hucitec, 1980.

Maestri, Mário. Os senhores do litoral. Editora da Universidade/UFRGS, 1994

Os rituais dos guerreiros Xavantes

Não são nem cinco da manhã na aldeia xavante de Nossa Senhora da Guia, a cerca de uma hora e meia de General Carneiro (MT), a cidade mais próxima da comunidade. Uma espécie de uivo coletivo é ouvido de um dos cantos da aldeia, mas ainda não é possível enxergar nada por causa da escuridão.

É um grupo de adolescentes que se prepara para um importante ritual. Antes do sol raiar, os pais dos meninos Xavantes preparam seus filhos para um confronto chamado Oi’o, que significa ‘luta de raízes’.

No meio da tribo, com toda a comunidade ao redor, os meninos se confrontam, para provar sua coragem e bravura.

A luta é parte de uma série de etapas que o garoto Xavante deve passar antes de chegar na fase adulta. Quando o garoto Xavante completa 10 anos, ele vai para uma casa afastada do resto da aldeia, chamada H’o.

Ali, junto com os outros meninos da mesma idade, ele ganha um padrinho, que o ensina a caçar, pescar e a “respeitar os mais velhos para ser um adulto respeitado”, segundo explica Elias Tsirobo, irmão do cacique de Nossa Senhora da Guia.

Nessa casa afastada, ele fica longe da família e de outras mulheres e só sai depois de cinco anos. A luta de raízes que acontece nesta manhã é um dos rituais pelos quais eles têm que passar ao longo desse tempo.

Devidamente pintados e adornados, os meninos, de três a 16 anos, se enfrentam de acordo com a idade. A luta ocorre com uma raiz, daí o nome do confronto. A pintura é parecida mesmo entre os clãs diferentes. O pai também faz um prepara com folhas e ervas para os meninos.

“Não posso dizer do que é feita, senão os inimigos também vão fazer igual”, explica Elias Tsirobo. Segundo as crenças, é essa bebida que faz com que o menino fique forte o suficiente para ganhar a luta. Mulher grávida não pode ajudar a pintar os meninos. “Dá medo, covardia.

Não é bom”, explica Elias.

O confronto tem regras. Dura alguns segundos, não é permitido atingir a cabeça e os pais interrompem a luta assim que o menino aparenta desistir, ou começa a chorar, o que é muito comum entre os pequenos. Uma única menina, de cerca de sete anos, entrou na luta naquele dia. E venceu. “Ela vai ser guerreira”, disse o pai da garota, Gutenberg Aiwede’wa Abho’odi.

As mulheres dessa tribo não têm longos cabelos até a cintura. Na cultura Xavante, sempre que um parente morre, a família toda – inclusive as crianças – raspam a cabeça, em sinal de luto e respeito.

Segundo a Funai, os Xavantes totalizam 28.000 pessoas hoje, espalhados pelo Estado do Mato Grosso. Eles são fortes e grandes e a maioria dos adultos fala português e se veste com roupas compradas na cidade.

Há uma alta dissidência de diabetes e obesidade entre os indígenas dessa etnia. Segundo explica Claudio Rodrigues, coordenador distrital do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei), a alimentação é um problema para esses povos, que têm uma dieta baseada na comida que é vendida nas cidades.

“A cultura da terra foi perdida. Então, eles não plantam mais nada, e comem a mesma coisa que o homem branco”, diz. Para Rodrigues, é necessário que o Governo, mais do que prestar assistencialismo em forma de dinheiro, ensinasse novamente os indígenas a plantar e caçar.

“O Governo deveria ensiná-los novamente”.

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