Como Saber Quem Sou De Verdade?

Alguns de nós passam décadas buscando encontrar seu verdadeiro “eu”. Alguns anos, dezenas de livros de autoajuda, caixas de Prozac e idas à médiuns depois você tem a mesma certeza que tinha no começo: nenhuma.

Durante os últimos anos tenho buscado sentido em minha vida, me descobrir e entender quem sou como ser humano e vou lhes dizer, a cada dia nesta busca me sinto mais perdida.

Até que há alguns dias atrás lendo “A Sutil Arte de Ligar o Foda-se” e depois de algumas conversas com amigos uma ideia melhor passou pela minha cabeça.

E se o fato de não saber quem eu sou fosse a melhor coisa que poderia “me acontecer”?!

“Segundo o budismo, a ideia do “eu” não passa de uma construção mental arbitrária e, por isso, é preciso abandoná-la, porque ela sequer existe. Segundo essa filosofia, a medida arbitrária pela qual nos definimos é, na verdade, algo que nos aprisiona, e, portanto, é melhor abrir mão dela.”

– Mark Manson, A Sutil Arte de Ligar o Foda-se

A ideia de se definir é limitante e aprisiona. Ponto. É claro, cada um tem qualidades, defeitos e habilidades que já “vem de berço”, entretanto, não significa que não possamos tirar a bunda da cadeira e fazer algo sobre isso se realmente quisermos.

Acho sim importante se conhecer, entender do que você gosta ou não e tudo mais. Mas, definir quem você é, me parece algo como entrar em uma enorme zona de conforto na qual você planeja viver durante toda a sua vida. Parece muito mais medo do desconhecido do que coragem, como costumava pensar.

Sabe por que?! Porque não saber muito bem quem você é dá medo. Durante anos isso fez eu me cagar de medo. Como eu posso escolher uma faculdade se não sei quem sou? Como poderia escolher uma carreira se não conheço meu verdadeiro eu?! Se eu não souber quem sou jamais serei alguém na vida.

Esse pensamento é tão aterrorizante porque suas escolhas e atos são baseados no que você sente e acha certo naquele momento, sem ter certeza. Porque é assim que a vida é.

Como Saber Quem Sou De Verdade?

Você não vive num filme onde sabe que o mocinho – interpretado por você, obviamente – vai ficar com a mocinha no final, além de ter a casa e emprego dos sonhos. Isso tudo depois de realizar uma viagem de autoconhecimento e entender todo seu ser e o propósito de sua existência.

Mas vou te dizer, a vida é bem real e cheia de incertezas.

E nem todos querem ter sobre si o peso de precisar fazer escolhas difíceis porque a responsabilidade de ter feito o que você julgou ser o melhor naquele momento – mas se revelou ser uma escolha de bosta – é muito mais doloroso e desconfortável do que definir um rótulo e esconder-se atrás dele, fazendo só o que você está “destinado” a fazer.

Quando você se define através do seu trabalho, seus gostos, características e defeitos, ou mesmo pela opinião alheia, você está se colocando em uma zona de conforto. Está dizendo que tudo que não lhe compete está fora da sua responsabilidade e você nada pode fazer sobre aquilo. Mas eu vou te dizer algo:

Seu trabalho, seus gostos e desgostos e o que dizem sobre você não definem quem você é. Nada define, nem mesmo você.

Quando era criança eu sofri bullying o suficiente para, na minha adolescência, me impedir de olhar outras pessoas nos olhos. Eu mal falava com outras pessoas e todo esse “fuzuê” em torno da minha aparência durante minha infância me fez ser muito tímida, introvertida e me preocupar demais com o que os outros pensam sobre mim.

Eu poderia ter aceitado tudo isso e começar as definições por aí: sou tímida, não falo em público, sou péssima com pessoas, etc. Prontinho. “Me veja uma caixa grande, por favor”.

Aos 16 anos, na minha primeira redação no colégio novo, recebi nota 3 porque tentei escrever criativamente, em vez de fazer uma redação “estilo vestibular”. Eu poderia ter aceitado este rótulo também: não escrevo bem. “Na verdade, acho que cabe tudo numa caixa de sapato mesmo…”

Aos 23 anos comecei a fotografar e achava que era ótima nisso. Comecei a fotografar profissionalmente e adorava. Se me perguntasse quem eu sou diria: “Laís Schulz, fotógrafa, muito prazer.”, porque a caixa não estava apertada o suficiente, é claro. Eu precisava de menos espaço. “Bom, me dá logo uma caixa de fósforos que cabe!” – eu disse.

É claro que eu trabalho como fotógrafa e adoro isso, e persistir nessa habilidade me faz ser cada vez melhor no meu trabalho. Mas, isto não deve me definir como ser humano nem mesmo como profissional. Eu tenho a liberdade de buscar novos horizontes e testar minhas habilidades de qualquer outra forma e em qualquer outra área de atuação quando eu tiver vontade.

Eu percebi o quanto todos estes rótulos e esta busca por “se encontrar” são limitantes. À medida que nos cercamos de rótulos diminuímos cada vez mais nossos horizontes até que passamos a enxergar nossa vida através do buraco de uma fechadura.

Melhor esposa, aluno mediano, mãe do ano, Miss Universo, sem talento, vadio, indecisa, feia, inteligente, séria, bem humorado, fitness.

Viver assim é muito chato, sabia?! Você percebe que ao “escolher” e carregar consigo o rótulo de sério você vai tentar aparentar não ser doidão e engraçado quando quiser?!

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Você já percebeu que quando se coloca em uma caixa como “não sou criativo” você acabou de se limitar e conformar-se diante de qualquer situação que exija o mínimo de sua criatividade?!

Afinal, se sou feia, pra que me arrumar? Se sou fitness, meu décimo primeiro mandamento, pela graça de Moisés, é que nenhuma batatinha frita jamais chegará perto da minha boca.

Dizer que é isso ou aquilo limita a visão que o mundo tem de nós, mas acima de tudo, limita a visão que temos de nós mesmos.

Definir quem você é te faz entrar numa zona de conforto extremamente desconfortável e limitante.

Nós paramos de tentar fazer uma coisa ou outra porque “não é para nós” pelo simples medo de fracassar. Mas, a verdade é que muito do que achamos “ser” nós apenas “estamos”. Como assim?!

Bom, eu realmente acredito que podemos mudar muitas coisas em nossa vida e em nosso ser. Você pode não ter nascido com uma bola nos pés – não literalmente falando, você entende, né?! – mas, se treinar muito e se dedicar, com certeza poderá dizer que é bom no futebol.

Eu, por exemplo, sempre tive muita ansiedade. Durante bastante tempo me coloquei na caixa que levava escrita nela “sou ansiosa” em letras garrafais.

Bem, dizer que sou ansiosa todos os dias é muito cômodo, porque eu não tenho o que fazer. Sou assim e nunca vou mudar, não importa o que eu faça ou deixe de fazer.

Apesar dessa “aceitação” ser algo ruim para mim, é uma situação cômoda, sem riscos. Afinal, é muito mais cômodo nem tentar porque eu sou assim do enfrentar o medo de tentar mudar esta condição e falhar.

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Na pior das hipóteses, eu posso ser bem sucedida na minha empreitada e deixar de “ser ansiosa” durante toda a minha vida e passar para a condição de “estar ansiosa” em alguns momentos específicos.

Mas e aí, eu vou sair da minha segurança e não saberei mais o que sou, porque se não sou ansiosa, o que eu sou?! Ah, isso é um problema porque não sei viver com incerteza, preciso de uma carapuça que sirva. Preciso agora. Acho que estou ficando ansiosa de novo…

Capisce?!

Por isso não gosto de dizer que sou assim ou assado. Em algum momento decidi começar a falar de uma forma diferente. Hoje digo que estou trabalhando com algo, que gosto de escrever, que me sinto ansiosa ou triste em algum momento, que estou feliz, que me porto de forma séria quando preciso, mas que também sei tirar sarro da minha própria cara quando merdas acontecem.

Eu também sei que sou livre para experimentar o que eu quiser, quando quiser e que a incerteza diante de tudo que eu não sei deve ser um combustível e não um sinal de alerta.

Nós temos um mundo de possibilidades diante de nós e isso não deveria ser assustador. Se você não gosta de trabalhar como diretor de uma empresa e quer trabalhar de barista porque ama fazer café e conversar com pessoas, o que há de tão aterrorizante nisso?!

E o que há de errado se você fizer isso e depois perceber que não era bem o que você queria fazer e decidir que quer trabalhar como mergulhador na Austrália? A única coisa que você está perdendo tentando se encaixar e permanecendo nos rótulos que colocou ou colocaram sobre você é a sua felicidade… Só isso.

Tentar se encaixar em algumas definições específicas, um estilo, numa profissão ou num desejo são limitantes e ninguém é obrigado a viver a vida trancado em uma caixa espiando tudo através de frestas.

Abra a caixa, rasgue-a e jogue-a no lixo reciclável para que ela possa virar algo melhor. Sinta o vento nos cabelos e finja que está num comercial de shampoo, porque a vida está só começando e você não faz a mínima ideia de quem é. E isso nunca foi tão bom!

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Quem sou eu? – Testes da internet e a busca por autodefinição

Prestes a abrir mais uma guia no navegador, paro e percebo a situação em que me encontro: já deve ser o oitavo teste do Buzzfeed que respondo em sequência. Fecho a página e tento lembrar do que estava fazendo.

Noto que havia se passado meia hora desde que abri um texto que deveria ler para a aula de economia. Como fui parar aqui, tentando descobrir se sou uma deusa, uma louca ou uma feiticeira? Estava procrastinando. E, não minto, é uma das minhas atividades de procrastinação favoritas.

Tento organizar na cabeça quais testes eu havia respondido dessa vez e percebo que a maioria se iniciava com uma pergunta comum:

Quem é você…?

O mais curioso é que sempre busco por esse estilo de teste quando acesso o site. É divertido e engraçado, claro, mas não é só isso. Parece que virou parte do meu cotidiano tentar descobrir quem sou através de referências a algum personagem, música, animal… E em seguida compartilhar em alguma rede social o resultado. Mas só se eu gostar dele de verdade.

À procura da identidade

Letícia Cangane (20) é estudante dos cursos de jornalismo e audiovisual, e costuma fazer testes do Buzzfeed toda semana, como passatempo.

Gosta dos assuntos abordados, que englobam coisas que estão em pauta na internet e no mundo, da criatividade e criticidade empregada em muitos deles. “Acho que o processo de fazer o teste é divertido”, contou quando conversamos sobre esse formato quem-é-você.

“Já me fez refletir bastante. Não pelo resultado, mas por fazer o teste. Mesmo que seja uma pergunta boba, você acaba pensando mais sobre como você se enxerga.”

Para o curso de audiovisual, Letícia fez um trabalho  justamente sobre a busca pela identidade e seus mecanismos.

O grupo pensou em como as pessoas fazem testes inconscientemente procurando respostas para perguntas internas, e formulou uma caixa, enfeitada com perguntas engraçadas e memes — a pergunta quem é você também estava lá.

Na parte de dentro, um espelho mostrava que “você é você (risos), e não importa as definições e os rótulos que vão te passar, não é onde você vai encontrar as suas respostas”.

Assim como eu, Gabriella Sales (18), estudante de jornalismo, brinca que os testes são uma “ferramenta de procrastinação”. Não faz com tanta frequência, normalmente compartilha a atividade com amigos.

Ela aponta que são mais inovadores do que os tradicionais testes de revistas adolescentes, por exemplo, que existem há tempos. “Têm perguntas que me vejo sem saber responder.

‘Como você acha que seus amigos te definiriam?’, te faz pensar um pouco, ou perceber coisas sobre si que antes não pararia para pensar.”

Nessa brincadeira de fazer testes para passar o tempo, meu inconsciente, talvez, esteja procurando alguma explicação, algo que não consigo definir por mim mesma. Ou, ainda, algum tipo de consolo.

Lembro que, em 2018, o tipo de teste em alta era outro: quantos % tal coisa você é? Eram vários, e via meus amigos constantemente compartilhando-os nas redes sociais.

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Quantos % trouxa, quantos % treteiro, azarado, preguiçoso, eclético, bom partido… Parece besteira — e às vezes é mesmo —, mas alguns resultados têm certo impacto. 

“76% trouxa”, o teste dizia. “Seus níveis de trouxice são bastante elevados. Talvez seja hora de refletir um pouco”. É rir para não chorar.

Quantos %? Quem sou eu? Perguntas diferentes, proposta parecida. Definir. Identificar. 

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[Imagem: Vecteezy]

A psicóloga Marisa Abujamra define esses testes de personalidade como lúdicos. É uma brincadeira que busca definir personalidades através da “associação com símbolos, personagens, heróis, bichos, objetos, e suas características, qualidades e valores”. Para Marisa, o primeiro ponto a se considerar, nessa tendência de fazer testes, é o individualismo, que vem de uma questão histórica.

A partir dos séculos XVII e XVIII, o iluminismo alterou a forma de pensar predominante no mundo ocidental, colocando o homem como centro das coisas através do chamado antropocentrismo.

As noções de liberdade, razão e individualidade passaram a ser valorizadas. Desde então, permanecem fortes em nossa sociedade.

Em escala mais particular, “nós buscamos essa ideia da nossa individualidade, de quem somos; tentamos o tempo todo nos diferenciar do outro, e sentir que somos seres únicos”, explica a psicóloga.

Por que essa preocupação tão grande em nos definir? Diante meus questionamentos, o próximo ponto levantado por Marisa parte da psicanálise. “Todo indivíduo, para se tornar sujeito, precisa de um modelo de identificação.” Isso acontece porque, quando nascemos, temos uma relação inicial com nossos pais que é narcísica e de completude para com eles. É o ideal do eu.

Com o tempo isso muda e o indivíduo percebe a falta e tenta colocar algo no lugar, para recuperar aquele estado de perfeição. “Trata-se do ideal de ego, a instância secundária do que a gente deve ser. Substituímos esse olhar (antes direcionado aos pais ‘perfeitos’) por alguém, uma ideia, outras figuras, outra coisa”. É dessa forma que vamos construindo nossa identidade.

Marisa fala sobre a identidade ser mutável, algo que se constrói e transforma ao longo da vida, e não algo estático, como costumamos enxergar.

Me pego pensando nas tantas e tantas vezes que tentei me enxergar como um ser decidido de todas as suas verdades e inabalável em suas convicções.

Em como já tentei encaixar a mim mesma e aos outros em modelos, para depois perceber que tudo bem ser uma mistura de todos eles. Ou que eles nem existem. Por vezes, pensei na construção do eu como uma fórmula matemática.

“Nossa identidade vem daquilo que falta e pela diferenciação perante o outro”, explica Marisa. “É feita em cima de desejos, do que a gente não é e do que a gente quer ser, do que admiramos.

” Aqui se demonstra o ideal de ego da psicanálise. Como não somos completos, tentamos colocar algo no lugar. Nesse sentido, os testes como o do Buzzfeed fazem sucesso, ao fornecer uma peça que falta num quebra-cabeças.

Uma resposta para as partes que não conseguimos definir ainda.

“A gente foge do processo de autoconhecimento, porque é doloroso”

Quando perguntei se os testes já deram alguma resposta para questões internas, Letícia me contou que “na hora em que você faz as escolhas das respostas, você acaba por se conhecer melhor. Às vezes você não pensa muito nessas questões até que alguém te faça uma pergunta direta, e o Buzzfeed faz isso”.

De fato, há perguntas que me acertam em cheio. Por exemplo, quase nunca sei responder qual a minha melhor qualidade, mas, quando a pergunta é sobre meu maior defeito, a vontade é de marcar mais de uma opção. E isso diz tanto sobre tantas coisas que prefiro nem me alongar aqui.

“O processo de autoconhecimento é difícil”, diz Marisa. “Não é fácil olhar para dentro. Temos muitas dúvidas, às vezes não suportamos não saber exatamente do que a gente gosta, o que a gente quer… Então buscamos que alguém nos dê essa resposta.

” Fugir desse processo angustiante e trabalhoso parece mais confortável — há tempos, o homem busca por certezas através de oráculos, jogos de carta, cartomantes… A valorização da astrologia, ainda que alvo de muitas polêmicas, é outro exemplo.

 

Para Carolina Laurenti, professora de psicologia da Universidade Estadual de Maringá, a busca pelo autoconhecimento é alcançada na relação com o outro e não no isolamento. “É com aqueles cada vez mais diferentes de nós que nossos valores, preconceitos, limitações, potencialidades são construídos e reconhecidos por nós mesmos.”

E por que nos decepcionamos tanto quando as respostas não são as que queremos?

Gabriella conta que já aconteceu de não conseguir um resultado desejado. Principalmente em testes que comparam a um personagem, “sempre tem aquele que você gosta mais e se identifica. Aí quando dá outro você fica meio triste, pensando ‘será que eu não sou nada do que eu tinha imaginado?’” Ainda que dure pouco, a decepção é relevante nesse contexto.

Criamos na nossa cabeça uma concepção do que seria perfeito e agradaria ao outro ou a nós mesmos, fantasiamos um ideal.

“Queremos ser especiais na medida em que construímos uma ideia do que é especial dentro da gente, e se o teste não bate com o que desejamos, traz certa decepção”, diz Marisa. Ela afirma que a busca por definição é mais comum na juventude.

Nesse período, estamos tentando compreender quem somos, logo, há “busca por um alento, porque é muito angustiante o processo de crescimento e de ficar a sós com nossos pensamentos”.

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[Imagem: Vecteezy]

O pertencer também é uma questão. Quando o teste do Buzzfeed diz que sou determinado personagem, isso me coloca, indiretamente, em um grupo de pessoas que também obtiveram aquele resultado e têm as mesmas características. Supostamente, nos identificamos e, logo, há certa sensação de pertencimento.

Marisa aponta que apesar de todo o individualismo marcante na sociedade, o ser humano é um ser social. Queremos ser únicos e especiais, mas também queremos uma tribo à qual pertencer. “A necessidade de pertencimento é algo muito forte, que nos atende no sentido de nos sentirmos protegidos, reconhecidos, representados.

Esses testes também dizem a que tribo você pertence.”

Para Carolina Laurenti, sentimos necessidade de pertencer a grupos nos vários contextos da nossa vida porque “isso faz parte do que é valorizado e do modo de organização da sociedade da qual fazemos parte”. Ela aponta também que essa carência de pertencimento não é algo típico da juventude, mas faz parte de toda a vida.

Em meio a essas contradições estamos buscando nos definir, a todo momento. Nos provar, a cada instante.

Aparentemente, encontramos acolhimento em qualquer mecanismo que nos ofereça uma resposta, ainda que nem sempre gentil, positiva, ou de acordo com nossas expectativas.

“É um ‘pseudo-autoconhecimento’, mas que cria uma fantasia, por um minuto, de que estamos tendo uma resposta sobre quem nós somos”, conclui Marisa.

Fecho as inúmeras guias do navegador que estavam abertas com testes a serem respondidos, e volto a focar nas minhas tarefas.

Na próxima vez em que me encontrar nessa situação, provavelmente por estar procrastinando, talvez já tenha consolidada em mim uma noção maior de quem sou eu.

Ou, talvez, ainda esteja tudo uma bagunça, e os testes possam me ajudar, oferecendo um breve acalento no meio do barulho que é a mente da gente.

Quem sou eu? As 30 perguntas para se conhecer

Em um mundo de possibilidades quase infinitas, se conhecer parece um desafio grandioso para muitas pessoas. Todavia, refletir sobre quem sou eu garante a abertura de abordagens variadas para encontrar um propósito em comum. Assim sendo, por meio dessas 30 perguntas para si mesmo, veja como encontrar sua identidade.

Quais as suas qualidades?

Uma das primeiras perguntas para responder “quem sou eu” é conhecer as suas qualidades. Além de se ver como se enxerga, vai perceber mais sobre sua autoestima.

Você conhece os seus gostos pessoais?

Filmes, livros, teatro, música… De que maneira escolhe seus passatempos e como os seleciona? Através disso pode entender como algo te emociona, te alegra, entristece ou mesmo provoca a sua raiva.

Qual o seu medo?

Para responder “quem sou eu”, procure pensar no seu maior temor na vida. Assim, a partir do seu medo, você entende de que maneira o mundo externo influencia em seus pensamentos e ações.

O que você já abandonou?

Sejam pessoas, animais, objetos ou situações, pense em tudo aquilo que escolheu ou teve de deixar para trás. Ademais, com mais cuidado, pense nas motivações que usou para justificar esses atos.

O que mais te marcou na vida?

Reflita sobre quais são os marcos que guarda na sua experiência e procure pensar como eles ficaram impressos em você até agora. É interessante notar que nesse ponto pode se direcionar a momentos alegres ou sombrios de sua vida. Ainda assim, seja sensível e cuidadoso na busca.

Como Saber Quem Sou De Verdade?

Há algo em você em que precisa ser melhorado?

Seja honesto consigo e admita com segurança que você é um ser humano perfeitamente imperfeito. Dessa forma, respondendo à pergunta “quem eu sou”, conseguirá perceber o alcance do seu autoconhecimento. Sendo mais crítico sobre si mesmo na medida certa, perceberá por quais mudanças precisa passar.

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Para você, o que é felicidade e se sente feliz?

Você possui a ideia da natureza da felicidade e, se sim, é feliz com a vida que possui? Dedique um pouco do seu tempo para avaliar quais escolhas te deixaram feliz durante o seu percurso. Se for o caso, vá atrás do que acredita ser a fonte de sua felicidade.

Já saiu de sua zona de conforto?

Pessoas que se acomodam em determinado padrão possuem mais dificuldades em lidar com o questionamento sobre “quem eu sou”. Quando foi a última vez que se propôs a ir além de onde está? Explore as oportunidades que possui e saia da zona de conforto se isso ajudar a alcançá-las.

A quantas pessoas confiaria a sua vida?

Sente-se à vontade o suficiente para confiar a sua vida a outra pessoa? Por meio desta pergunta para alcançar “quem sou eu” perceberá:

  • O quanto confia em alguém;
  • O valor de uma pessoa para você.

Costuma ligar para o que dizem sobre você?

Comentários alheios costumam causar alguma reação em você? Se sim, pode inconscientemente buscar aprovação ou medo de julgamento alheio. Mesmo se for “não”, refletir sobre isso ajuda a enxergar como você se projeta a partir da visão dos outros.

De que modo lida com as suas falhas e erros?

Uma das formas de se conhecer é perceber a maneira como lida com tudo aquilo que não funciona em suas mãos. Contudo, saiba que isso inclui seus erros e suas falhas internas.

Qual é o seu maior sonho?

Ainda que seja uma resposta única, ela é suficiente para avaliar o quanto que você consegue sonhar. Ademais, responder essa questão pode ser o momento perfeito para traçar planos.

Qual a sua meta profissional quando criança?

Lembre-se dos momentos de sua infância enquanto imaginava ter uma profissão dos sonhos para se responder “quem eu sou”. Por meio disso, verá o quanto mudou, quais eram suas expectativas e quais delas cumpriu.

Possui uma frase que te representa muita coisa?

Seja de uma música, filme, peça ou mesmo alguém que admira, qual frase te define? É um jeito simples de entender suas motivações pessoais e como percebe o mundo externo.

Se tivesse a chance de conversar com qualquer pessoa, mesmo falecida, quem seria?

Essa pergunta é importante porque você sozinho vai definir quem é importante para você. Basicamente, um ídolo pessoal, alguém que respeita e admira com profundidade. Lembre-se de que pode ser alguém conhecido ou não, e que é importante diferenciar a inspiração da cópia.

Qual o seu projeto de vida?

Questionar-se a respeito do seu projeto de vida é importante para lidar com “quem sou eu” de maneira madura. Através disso você pode compreender:

  • Suas crenças;
  • Seus valores;
  • Seus propósitos.

Sente-se atraído a alguma causa social?

A sua presença em projetos sociais ajudam a dar uma melhor compreensão sobre a sua sensibilidade. Por exemplo, isso esclarece com mais facilidade o quanto você se importa com as necessidades de outras pessoas.

Se hoje fosse o seu último dia na terra, o que faria?

Mesmo que seja uma pergunta difícil, se mostra válida para pontuar os elementos sobre “quem eu sou” e seu lugar. Aqui saberá quais as suas prioridades e o que é importante a si.

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Você voltaria no tempo para mudar algo?

A nossa vida é construída com base nas escolhas que tomamos ao longo delas. Com base nisso, existe algo que desejaria mudar se tivesse a chance? E como isso impactaria no seu futuro?

Quais são os hábitos que mais te deixam feliz?

Não seja modesto e observe os comportamentos dos quais mais se orgulha. Seja algo físico, mental ou emocional, conscientize sobre os bons hábitos que mantém.

Quais são as pessoas mais importantes da sua vida?

Por meio disso conseguirá enxergar pontos específicos da sua personalidade e sociabilidade. Assim, atente-se ao otimismo e entusiasmo dos nomes que citará.

Se pudesse alterar qualquer coisa no mundo o que poderia ser?

Pense em tudo aquilo que te desagrada no mundo e o que faria para mudar. Aqui você trabalhará a sua ambição.

Como reage a mudanças repentinas em seus planos?

De que modo a mudança de planos ou mesmo cancelamento deles mexe com você? Compreender as suas reações diz bastante sobre a sua própria identidade.

Como a rejeição de alguém afeta você?

Você se abala ou se mantém firme quando alguém o rejeita em qualquer nível? Através do conhecimento como se comporta nessa situação, conseguirá entender melhor a sua autoestima. Ademais, conseguirá agregar confiança à própria postura.

De que maneira você se recarrega do mundo?

Após tanto interagir com o mundo externo, como você recarrega as suas forças? Quais os recursos que utiliza para se manter em equilíbrio e saudável com essa troca?

O que é sucesso para você?

Mesmo que isso seja subjetivo, sua própria ideia do que é o sucesso mostrará diretamente os seus valores.

Você se apega muito fácil a algo?

Costuma se apegar a alguma pessoa ou objeto em particular? Se sim, mostra que você possui dificuldades em se libertar de uma ideia sua a respeito de como interage com o mundo.

Seu nome possui alguma história por trás dele?

Mesmo que não haja uma história especial por trás disso, entenda a raiz do seu nome. Na família e em dicionários de nomes, tente alcançar o significado dele. Dessa forma, poderá alinhar isso com o seu propósito de vida.

Quando está só sente liberdade ou solidão?

Por meio disso, encontrará alguns sentimentos que surgem naturalmente nessas condições. A depender de sua resposta, saberá se é alguém carente ou com equilíbrio emocional.

Sente-se responsável pela vida que tem hoje?

Para finalizar as perguntas sobre “quem sou eu”, você se responsabiliza pela vida que possui hoje? É preciso ter em mente o controle que possuímos em relação a tudo aquilo que tocamos. Caso não possua por completo, entenda o que lhe foge e se empenhe a ter independência.

Considerações finais sobre quem sou eu

Embora a lista seja grande, as perguntas acima são os pilares que precisa para responder “quem sou eu”. Claro, não existe uma receita pronta, mas isso é suficiente para motivar a sua busca pessoal.

Ademais, indicamos a não ter medo de não encontrar uma resposta definida ou até encontrá-la. Mesmo que pareça confuso, você está em constante mudança e evolução. Basta apenas se dispor a acompanhar isso e moldar a sua vida para novas possibilidades.

Outra forma de se ajudar a responder “quem sou eu”, é se inscrever em nosso curso 100% online de Psicanálise Clínica. O curso te ajudará a desenvolver seu autoconhecimento para que lide com suas questões de forma madura e segura. Além de desenvolver o seu potencial, saberá quais fontes pode usar para sanar suas necessidades existenciais.

Como saber quem sou eu de verdade? – Olá como faço pra saber quem sou de

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  • Como saber quem sou eu de verdade?
  • Feita por >Anna Paula Barbosa da Silva · 12 dez 2017 Psicologia clínica

    Olá como faço pra saber quem sou de verdade pois cada hora me sinto uma pessoa diferente tenho muitas dúvidas sobre isso nao sei se isso acontece so comigo gostaria de saber como eu faço para saber na verdade quem sou eu?

    A melhor resposta 12 DEZ 2017 · Esta resposta foi útil a 70 pessoas

    Olá Anna Paula, existem inúmeros fatores que podem estar contribuindo para que você se sinta assim. No seu relato não há informações quanto a idade, mas existem fases de transição ao longo de nossas vidas em que buscamos nos descobrir ou nos redescobrir.

    Entre a infância e a adolescência, há grandes mudanças físicas, psicológicas, cognitivas, sociais. Ou seja, as pessoas estão começando a te ver de outra forma e, consequentemente, você passa a repensar o sentido que dava para si mesma e busca um novo, que se adeque melhor às suas novas condições.

    Este é apenas um exemplo, existem diversas outras fases de transição que geram conflito e requerem mudança, como da adolescência para a fase adulta e da fase adulta para a terceira idade. Podem ser outros fatores como um término de relacionamento, a perda de um ente querido, ou então um momento de reflexão.

    Enfim, o ideal seria procurar atendimento psicológico a fim de identificar o que está te angustiando e aprender como lidar com essas questões.

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    14 DEZ 2017 · Esta resposta foi útil a 49 pessoas

    Boa noite, Anna Paula! O auto- conhecimento de fato é muito importante para que tenhamos melhores condições de direcionarmos nossas vidas.

    No seu relato, você diz não saber quem é você, mas não se angustie por isso, pois há fases da vida em que nos questionamos mais, sentimos necessidade de respostas sobre questões que não conseguimos elaborar, e somente procurando ajuda, nos sentimos mais tranquilos e seguros…fale com um psicólogo. Fique bem!

    Maria Lúcia

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    14 DEZ 2017 · Esta resposta foi útil a 44 pessoas

    Essa é uma das perguntas existências que nos atravessa durante a vida de todos. Mas a partir dela, qual o seu sofrimento? Terapia também vai ajudar nesse autoconhecimento e encontro pessoal.

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    13 DEZ 2017 · Esta resposta foi útil a 47 pessoas

    Olá ! Uma coisa importante é perceber se a confusão em não saber quem você é de verdade não está vinculado a acreditar demais na opinião dos outros sobre você mesmo! Prestando atenção nisso você poderá perceber o que de fato você tem sido !

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    13 DEZ 2017 · Esta resposta foi útil a 42 pessoas

    Olá, Anna Paula, que idade você tem? Dependendo da nossa faixa etária, fazemos muitos questionamentos, principalmente na adolescência quando estamos em uma fase de transição nem criança , nem adulto que seria normal haver este conflito. Mas se essa indecisão está afetando o teu dia a dia, no trabalho, na escola, na família seria bom procurar um psicólogo para te ajudar a procurar respostas para a tua vida.

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    13 DEZ 2017 · Esta resposta foi útil a 48 pessoas

    Anna, você se sente assim devido a que? Mudanças de humor, de atitudes, de opiniões? Os comportamentos sempre tem reflexos naquilo que pensamos, sentimos, nas experiências que vivemos. Talvez inclusive você saiba quem é, mas tenha receio de ser essa pessoa. Recomendo que faça psicoterapia, que pode deixar isso mais claro para você. Boa sorte.

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    13 DEZ 2017 · Esta resposta foi útil a 43 pessoas

    Olá Anna Paula!
    Não é incomum sentir-se assim, pois somos seres humanos de possibilidades e a partir do momento em que você está aberta as mesmas tende se portar de forma diferente diante das diferentes situações. Porém, caso isso esteja-a afetando e a prejudicando é importante que busque o autoconhecimento através da terapia.

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    13 DEZ 2017 · Esta resposta foi útil a 44 pessoas

    Bom dia, Anna Paula! Saber quem você é de verdade ou ter mais auto conhecimento é uma das metas da psicoterapia. Recomendo que você comece um atendimento psicológico para se conhecer melhor e descobrir quem você é. Estou a disposição para ajudá-la nesse processo, att Renata Brito

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    13 DEZ 2017 · Esta resposta foi útil a 42 pessoas

    Oi Anna! Quem faz sentido é soldado, sabia? O fato de vc sentir-se diferente não quer se traduz necessariamente que vc tem uma afecção psíquica mas só o fato de se incomodar com esse aspecto já demanda uma atenção maior. Olhar pra dentro de si é o caminho certo pra achar a resposta! Que tal buscar auxílio de um psicólogo?

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    13 DEZ 2017 · Esta resposta foi útil a 48 pessoas

    Olá, Anna Paula.
    Ao longo da nossa vida nos construirmos e desconstruímos como pessoa, constantemente. É natural do ser humano ser dinâmico assim. Porém, algumas vezes isso pode parecer não caminhar no curso natural e me parece que é por ai que você sente essa sua questão.

    Dessa forma, é interessante que você possa buscar ajuda profissional para que juntos vocês possam clarear esse caminho no qual você caminha e buscar seu autoconhecimento, o psicólogo é o profissional mais indicado para lhe auxiliar, pois a partir da sua demanda ele pode construir junto com você questionamentos, reflexões, orientações e até soluções para essas suas angústias.

    Espero ter lhe auxiliado e me coloco a disposição para esclarecer alguma dúvida!

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    Quem sou eu

    Quem sou eu? Eu às vezes não entendo!
    As pessoas têm um jeito
    De falar de todo mundo
    Que não deve ser direito. Aí eu fico pensando
    Que isso não está bem.

    As pessoas são quem são,
    Ou são o que elas têm? Eu queria que comigo
    Fosse tudo diferente.
    Se alguém pensasse em mim,
    Soubesse que eu sou gente.

    Falasse do que eu penso,
    Lembrasse do que eu falo,
    Pensasse no que eu faço
    Soubesse por que me calo! Porque eu não sou o que visto.
    Eu sou do jeito que estou!
    Não sou também o que eu tenho.

    Eu sou mesmo quem eu sou!

    Pedro Bandeira

    Sou demasiado orgulhoso para acreditar que um homem me ame: seria supor que ele sabe quem sou eu. Também não acredito que possa amar alguém: pressuporia que eu achasse um homem da minha condição.

    Friedrich Nietzsche

    • QUEM SOU EU Sou uma pessoa feliz,
      Amo muito a vida E dela sou aprendiz; Tenho várias paixões,
      Mas, como qualquer um,
      Possuo imperfeições;
      Se os caminhos desta vida
      Ainda não sei de cor,
      Pelo menos busco,
      A cada dia,
    • Tornar-me alguém melhor.

    Dennys Távora

    Você é o que você gosta Quem sou eu? Quando não temos nada de prático nos atazanando a vida, a preocupação passa a ser existencial. Pouco importa de onde viemos e para onde vamos, mas quem somos é crucial descobrir. A gente é o que a gente gosta.

    A gente é nossa comida preferida, os filmes que a gente curte, os amigos que escolhemos, as roupas que a gente veste, a estação do ano preferida, nosso esporte, as cidades que nos encantam. Você não está fazendo nada agora? Eu idem. Vamos listar quem a gente é: você daí e eu daqui. Eu sou outono, disparado. E ligeiramente primavera. Estações transitórias. Sou Woody Allen.

    Sou Lenny Kravitz. Sou Marilia Gabriela. Sou Nelson Motta. Sou Nick Hornby. Sou Ivan Lessa. Sou Saramago. Sou pães, queijos e vinhos, os três alimentos que eu levaria para uma ilha deserta, mas não sou ilha deserta: sou metrópole. Sou bala azedinha. Sou coca-cola. Sou salada caprese. Sou camarão à baiana. Sou filé com fritas. Sou morango com sorvete de creme.

    Sou linguado com molho de limão. Sou cachorro-quente só com mostarda e queijo ralado. Do churrasco, sou o pão com alho. Sou livros. Discos. Dicionários. Sou guias de viagem. Revistas. Sou mapas. Sou Internet. Já fui muito tevê, hoje só um pouco GNT. Rádio. Rock. Lounge. Cinema. Cinema. Cinema. Teatro. Sou azul. Sou colorada. Sou cabelo liso. Sou jeans. Sou balaio de saldos.

    Sou ventilador de teto. Sou avião. Sou jeep. Sou bicicleta. Sou à pé. Você está fazendo sua lista? Tô esperando. Sou tapetes e panos. Sou abajur. Sou banho tinindo. Hidratantes. Não sou musculação, mas finjo que sou três vezes por semana. Sou mar. Não sou areia. Sou Londres. Rio. Porto Alegre.

    Sou mais cama que mesa, mais dia que noite, mais flor que fruta, mais salgado que doce, mais música que silêncio, mais pizza que banquete, mais champanhe que caipirinha. Sou esmalte fraquinho. Sou cara lavada. Sou Gisele. Sou delírio. Sou eu mesma.

    Agora é sua vez.

    Martha Medeiros

    Quem sou eu além daquele que fui?
    Perdido entre florestas e sombras de ilusão
    Guiado por pequenos passos invisíveis de amor
    Jogado aos chutes pelo ódio do opressor
    Salvo pelas mãos delicadas de anjos
    Reerguido, mais forte, redimido,
    Anjos salvei
    Por justiça lutei
    E o amor novamente busquei Quem sou além daquele que quero ser?
    Puro, sábio e de espírito em paz
    Justo, mesmo que por um instante,
    Forte, mesmo sem músculos,
    E corajoso o suficiente para dizer “tenho medo” Mas quem sou eu além daquele que aqui está?
    Sou vários, menos este.
    O que aqui estava, jamais está
    E jamais estará
    Sou eu o que fui e cada vez mais o que quero ser
    Mudo, caio, ergo, sumo, apareço, bato, apanho, odeio, amo…
    Mas no momento seguinte será diferente
    Posso estar no caminho da perfeição
    Cheio de imperfeições
    Sou o que você vê…
    Ou o que quero mostrar.
    Mas se olhar por mais de um segundo,
    Verá vários “eus”,

    Eu o que fui, eu o que sou e eu o que serei.

    Christian Gurtner

    E eis que depois de uma tarde de “quem sou eu” e de acordar à uma hora da madrugada ainda em desespero — eis que às três horas da madrugada acordei e me encontrei. Fui ao encontro de mim. Calma, alegre, plenitude sem fulminação. Simplesmente eu sou eu. e você é você. É vasto, vai durar.
    O que te escrevo é um “isto”. Não vai parar: continua.

    Olha para mim e me ama. Não: tu olhas para ti e te amas. É o que está certo.

    Clarice Lispector

    Quando eu aprendi a viver – ou não
    “Na verdade eu não sei quem eu sou”e blá blá blá Sim, uma frase clichê, que ninguém consegue responder com tanta certeza.

    Ou você consegue? Quem é você? Fico me perguntando isso há 21 anos e alguns meses e nunca tive a real certeza de quem eu sou, do que eu quero, do que vivo, qual a minha meta, qual meu desafio, o que eu quero, onde quero chegar, entre tantas perguntas… Acabo respondendo a mais fácil: apenas vou vivendo.

    Confesso, já culpei várias pessoas inocentes apenas pela minha indecisão de saber quem eu realmente era, já briguei com pessoas que eu amo pela desconfiança em seu sentimento por não ser igual ou melhor que o meu, já fiquei perdido em uma tarde de domingo no silêncio apenas para tentar meditar sobre esta questão.

    Afinal, quem eu sou? É mais fácil ficar com o óbvio e responder apenas as coisas que eu acho ser, digo, apenas minhas qualidades. Às vezes eu sei, às vezes nem sempre. Hoje é um dia que não sei quais são minhas qualidades, mas também não sei meus defeitos.

    É um turbilhão de sensações dentro de mim, vários pontos a se colocar na balança são como se eu vivesse de acordo com a vida dos outros, dos conselhos das pessoas, das dicas e opinião, como se eu não tivesse a minha própria opinião para mim mesmo, mesmo sabendo de tudo. É como se estivesse brincando de esconde-esconde, mas não conseguindo me encontrar.

    Nestes estados de crise tudo estava imperfeito por mais que todo à minha volta tentava fazer perfeito. Me pergunto, como uma pessoa pode se perder de você mesmo? Quais são os verdadeiros sintomas para toda esta angústia ou insegurança que me prende? As perguntas ficam me atormentando há tempos.

    Em uma determinada noite consegui as respostas que o mundo me perguntava, descobri que ser sincero para mim mesmo é a melhor forma de sinceridade que eu poderia ter, descobri que não adianta quanta beleza uma flor tem se ela não consegue amadurecer a raiz, que não adianta a liberdade de um pássaro se ele não possa voar, que não se brinca com sentimentos alheios e, principalmente, com o meu próprio. Naquela noite descobri tantas, mas tantas coisas, que acordei em uma terça-feira diferente, determinado a encontrar minha raiz e resumi minha vida em uma flor. Ela é bela, tem suas estações: às vezes caem pétalas, às vezes nascem pétalas, às vezes fica seca e se não tiver uma raiz fixa e estável pode chegar à morte. Preciso encontrar minhas raízes antes de querer ver o mundo florido, preciso me amadurecer se quero ser reconhecido.

    Fazer minha vida rimar com tantos versos soltos pelo mundo, aprender em quem se deve confiar e por que motivo confiar não é que eu esteja desconfiado com o mundo. Mas apenas quero para o meu jardim o verdadeiro o enraizado o florido e o sincero.

    Neste meio-tempo vivi muito sem me ‘amar’ e dar-me o valor que eu sei que eu mereço, mas estou de boa, as coisas as vezes não dão certo e pronto, sem motivo nem maiores consequências, pois não adianta gastar todo o dinheiro que se tem e dizer que ganha pouco e assim quero viver: Economizando saliva para um amanhã enraizado ou não.

    Erik Vinicios

    Sim, sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo, Espécie de acessório ou sobressalente próprio, Arredores irregulares da minha emoção sincera, Sou eu aqui em mim, sou eu. Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou. Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma.

    Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim.

    Álvaro de Campos

    Sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo, Espécie de acessório ou sobressalente próprio, Arredores irregulares da minha emoção sincera, Sou eu aqui em mim, sou eu. Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou. Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma. Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim.

    E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco inconseqüente, Como de um sonho formado sobre realidades mistas, De me ter deixado, a mim, num banco de carro elétrico, Para ser encontrado pelo acaso de quem se lhe ir sentar em cima.

    E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco longínqua, Como de um sonho que se quer lembrar na penumbra a que se acorda, De haver melhor em mim do que eu.

    Sim, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco dolorosa, Como de um acordar sem sonhos para um dia de muitos credores, De haver falhado tudo como tropeçar no capacho, De haver embrulhado tudo como a mala sem as escovas, De haver substituído qualquer coisa a mim algures na vida.

    Baste! É a impressão um tanto ou quanto metafísica, Como o sol pela última vez sobre a janela da casa a abandonar, De que mais vale ser criança que querer compreender o mundo — A impressão de pão com manteiga e brinquedos De um grande sossego sem Jardins de Prosérpina, De uma boa-vontade para com a vida encostada de testa à janela, Num ver chover com som lá fora E não as lágrimas mortas de custar a engolir. Baste, sim baste! Sou eu mesmo, o trocado, O emissário sem carta nem credenciais, O palhaço sem riso, o bobo com o grande fato de outro, A quem tinem as campainhas da cabeça Como chocalhos pequenos de uma servidão em cima. Sou eu mesmo, a charada sincopada Que ninguém da roda decifra nos serões de província.

    Sou eu mesmo, que remédio! …

    Álvaro de Campos

    Quem sou eu? A gente é o que a gente gosta. A gente é nossa comida preferida, os filmes que a gente curte, os amigos que escolhemos, as roupas que a gente veste, a estação do ano preferida, nosso esporte, as cidades que nos encantam.

    Martha Medeiros

    Toda a gente tem um rótulo, Toda a gente menos alguém, Tudo me define, nada se confirma.
    Muitos me conhecem, poucos me definem. Gosto de simplicidade e coerência Detesto falsidade e falsa paciência Tenho saudades de confiar, sem medo de me entregar.
    Disseram para do passado me libertar, para o melhor de mim mostrar Talvez tenhas razão, mas é fácil falar.

    Confiança traída, autoestima descaída. Carência ou decadência não sei qual escolher para definir este turbilhão de emoções por um sorriso despertado ou até um olhar cruzado.
    Mente confusa com esta vida que por mim não foi escolhida.
    Realidade imposta a força toda sem preparação apenas com uma bilhete e uma mala na mão.

    O que estava para vir eu desconhecia O que veio eu enfrentei sem medo de agonia
    O que o futuro me reservou jamais a mente pensou
    Já chorei, sorri, ajudei, vivi, até já caí
    Já me levantei, corri, tropecei e até lamentei.

    Mas hoje estou aqui mais maduro que uma uva no outono, mais vivido do que quando tinha o meu trono, mais presente de que sou alguém consciente daquilo que me prende aqui. Hoje penso e repenso e sei que a única forma de ser eu é respeitar aquilo q de mais simples tenho ao meu lado, as folhas caem no outono, e eu já tropecei nelas algumas vezes.

    O mar revolta-se com frequência e momentos há em que sou a onda q mais explode no final. O sol se põe todos os finais de tarde, mas com a certeza de que no dia seguinte nasce com ainda mais luz e brilho.

    E como diria Fellini “Não há nenhum fim. Não há nenhum começo. Há somente a paixão da vida.”

    eu mesmo

    A vida.

    A vida é uma bola de cristal onde você esta fardado a cuidar dela e se ela cair VC e sua “alma” também caiem .A vida também pode ser um jogo de estratégia? Sim poderia ,onde nele tem regras e desafios pra vencer! Inimigos e aliados onde todos os momentos são importantes cautela e tempo.

    Temos que jogar conforme o jogo que nois o denominamos vida.Enfrente-la ou ela te enfrentará! Confuso? Sim! A vida é deste modo confusa e ao mesmo tempo simples. Não se esqueça que ela tem uma pequena parte que tudo é questão de sorte mas você que comanda a sua sorte com determinação e garra.

    eu mesmo
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