Como Saber Quem Sao Os Nossos Antepassados?

Como Saber Quem Sao Os Nossos Antepassados?Foto: Reprodução|||

A curiosidade é grande pra descobrir nossos antepassados. Tanto, que os sites de busca, incluindo os de governo, são os mais acessados.

E as opções são inúmeras. Desde os particulares, estrangeiros, até os de museus que pesquisam os ascendentes que vieram na grande imigração para o Brasil, nos dois últimos séculos.  Quando se trata de italianos, japoneses, judeus, espanhóis, então nem se fala. O Brasil receptivo tem descendentes de quase toda a Europa.

Testamos quatro sites de busca familiar. Veja abaixo como funcionam e como pesquisar neles.

  • Arquivo Nacional
  • Descendentes de imigrantes que desembarcaram no Rio de Janeiro, no período de 1875 a 1910, podem ter acesso fácil a informações dos seus antepassados.
  • O Arquivo Nacional tem um link em sua página na internet, para acesso à base de dados com o nome “Entrada de Estrangeiros no Brasil – porto do Rio de Janeiro”.
  • Os arquivos contêm 1,3 milhão de nomes de estrangeiros que entraram no país durante o período.
  • Basta entrar neste link e escolher a opção consulta, na aba do lado esquerdo.
  • Family Search
  • O site Family Search também vem ajudando a encontrar os parentes.
  • Nele é possível buscar informações e documentos de imigrantes que chegaram no Brasil entre 1902 e 1980.
  • Para quem procura informações de antepassados mais distantes, o site pode ser uma comovente mina de ouro, afinal era incomum que nossos avós, ou bisavós, tirassem registros em fotografias.
  • Basta clicar no link e fazer a busca.

Como Saber Quem Sao Os Nossos Antepassados?árvore genealógica – MyHeritage

  1. MyHeritage
  2. No MyHeritage é possível traçar a árvores genealógica e mais um serviço superinteressante.
  3. Você pode saber suas origens étnicas com o MyHeritage DNA.
  4. Demos uma matéria extensa e explicativa aqui no SóNotíciaBoa sobre como funciona e o que é este site de busca de família.

Os sites de família de MyHeritage são baseados em assinaturas. A assinatura Básica é gratuita.

E o link é este aqui. Antes, você deve fazer um cadastro básico.

Como Saber Quem Sao Os Nossos Antepassados?Foto: Reprodução Museu da Imigração

  • Museu da Imigração
  • O Museu da Imigração do Estado de São Paulo  herda do antigo Memorial do Imigrante toda a história de preservação da memória das pessoas que chegaram ao Brasil por meio da Hospedaria de Imigrantes.
  • Pra quem tem interesse, além de consulta do acervo on-line, você também pode visitar a antiga Hospedaria, no Brás, onde são expostas fotografias, móveis, objetos e até o cenário do antigo local por onde passavam imigrantes vindos de outros países, em especial da Europa.
  • O endereço é Rua Visconde de Parnaíba, 1316, São Paulo, capital.
  • No acervo, tem livro de bordo, jornais, registros, fotos, lista de imigrantes desembarcados no Porto de Santo, Rio de Janeiro e Espírito Santo e uma série de informações úteis e sentimentais.

Pra quem quiser, a busca é bem completa. Basta entrar neste link.

Como Saber Quem Sao Os Nossos Antepassados?

Por Andréa Fassina, da redação do SóNotíciaBoa

Mapeamento genético permite conhecer o passado de até 8 gerações

A proposta é curiosa. Você coleta uma pequena quantidade de saliva, envia a um laboratório pelo correio e, pouco tempo depois, recebe um mapa detalhado com os países de origem de seus ancestrais. Apelidado de teste de ancestralidade, esse exame virou febre nos Estados Unidos.

Segundo pesquisa publicada na MIT Technology Review, até o início de 2019 pelo menos 26 milhões de pessoas já haviam coletado amostras de saliva para ter um pedacinho do genoma analisado. Agora a mania vem se popularizando no Brasil também. E por uma razão principal: o preço.

Quando surgiram, em meados dos anos 80, as análises de DNA eram caríssimas.

Para fazer o mapeamento genético, o indivíduo tinha de desembolsar cerca de 10 000 dólares (algo em torno de 40 000 reais, na cotação atual).

À época, obter as informações genéticas de alguém era pouco acessível e levava meses. Mas a conclusão do sequenciamento do genoma, em 2003, e o desenvolvimento de novas tecnologias de análise mudaram esse cenário.

É nessa simplificação de processo que a investigação sobre a ancestralidade pega carona. “Hoje, você só precisa pesquisar aproximadamente 700 000 pontos do DNA, o equivalente a 0,01% do código genético da pessoa. Isso reduziu o custo da análise”, afirma Ricardo di Lazzaro Filho, médico e CEO da Genera, uma das empresas que oferecem a novidade no Brasil.

Os kits para descobrir a origem dos ancestrais são vendidos pela internet, em sites como o da Amazon e o do Mercado Livre, e trazem na embalagem as instruções de como proceder.

Ao receber o produto em casa, basta coletar a saliva com um cotonete e enviá-la ao laboratório.

“Com isso, conseguimos analisar até oito gerações, o que corresponde aos tataravós dos bisavós daquela pessoa”, diz Cesário Martins, diretor-geral do meuDNA, marca brasileira do centro de diagnósticos genéticos Mendelics.

De acordo com o executivo, as amostras são analisadas por meio de inteligência artificial e comparadas às de populações que constam nos bancos genéticos da companhia (vale lembrar que o genoma é 99,9% igual em todos os seres humanos). É o cruzamento dessas informações que permite descobrir de que locais partiram nossos familiares.

As aparências enganam

Nesse processo, como na maioria das vezes a principal referência são histórias incompletas sobre a migração de nossos antepassados, surgem surpresas. É comum pessoas que acreditavam ter sangue 100% europeu descobrirem ascendência africana. E vice-versa.

Foi o que aconteceu com Leonardo Oliveira, de 33 anos, analista de­­­ ­su­p­pl­y chain da Bayer, multinacional alemã.

Ele recebeu um convite da empresa, durante uma ação sobre cultura inclusiva, para fazer a análise de sua ancestralidade. E se surpreendeu com o resultado.

Embora tivesse a informação de que havia espanhóis em sua árvore genealógica, tanto do lado paterno quanto do materno, o profissional acreditava que sua origem fosse quase 100% africana.

Como Saber Quem Sao Os Nossos Antepassados? Leonardo Oliveira, analista de supply chain da Bayer: surpresa ao descobrir a ascendência britânica | Foto: Leandro Fonseca VOCÊ S/A

“Mas o teste indicou que 43% de minha ancestralidade veio da África, 38% da Europa, mais especificamente das Ilhas Britânicas, 10% da região sul-americana e 9% da América Central”, afirma. “Esses dados pegaram a mim e a minha família de surpresa.”

Passado o espanto, Leonardo comenta que a ação da multinacional o levou a refletir sobre o preconceito que a sociedade nutre contra determinados grupos. Para ele, esse comportamento não faz sentido porque, de um jeito ou de outro, estamos todos conectados. “No fim das contas, essa experiência me trouxe o desejo de ser um agente de mudança, de trabalhar em prol da inclusão.”

Era essa, aliás, a intenção da Bayer ao aplicar os exames de ancestralidade. Doze empregados — incluindo o CEO, Marc Reichardt — participaram da ação, que integrou a Semana da Diversidade.

Na ocasião, a equipe responsável pelo projeto selecionou empregados de várias etnias e juntou todos numa sala.

“A ideia era que cada um falasse o que sabia a respeito da origem de seus antepassados”, conta Aline Cintra, diretora de gestão de talentos e de inclusão e diversidade da Bayer.

Depois disso, eles foram convidados a fazer o teste patrocinado pela empresa. A saliva foi coletada ali mesmo e, segundo Aline, o grupo ficou empolgado com a proposta. Quando os resultados saíram, os funcionários foram reunidos outra vez e descobriram que sua composição genética era mais diversa do que imaginavam.

Segundo a diretora, isso suscitou muitas reflexões. A principal delas: somos mais do que aparentamos ser. “Queríamos que os funcionários pensassem nos rótulos que põem em si mesmos e nos outros e, a partir daí, quebrassem preconceitos”, diz Aline. Após a experiência, o grupo “examinado” participou de um bate-papo com outros funcionários da Bayer.

Conhece-te a ti mesmo

Desvendar a origem dos familiares ajuda a compreender melhor quem somos e o papel que desempenhamos no mundo. É isso que diz a psico­genealogia.­­ Essa disciplina, que surgiu nos anos 70, estuda como a árvore genealógica afeta e influencia nossas emoções. Exemplo: um indivíduo com compulsão alimentar que, ao investigar o problema, descobre que os ancestrais passaram fome.

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Nesse sentido, o teste de ancestralidade funciona como uma ferramenta capaz de estimular o autoconhecimento. “Quando conhecemos nossa história familiar, percebemos certas circunstâncias e temos a chance de ressignificá-las”, afirma Letícia Baccin, professora na Escola Internacional de Psicogenealogia Evolutiva.

Foi justamente para tentar construir sua árvore genealógica que Alexandre Pimentel, de 34 anos, decidiu investigar a ancestralidade dois anos atrás. Depois de ler uma reportagem sobre o assunto, ele pesquisou laboratórios que ofereciam o serviço e comprou o kit da marca israelense My Heritage.

Antes de fazer o teste, o administrador de empresas acreditava que grande parte de seu DNA fosse de origem indígena e que tivesse um tataravô africano. Segundo ele, o resultado trouxe informações inesperadas. “Só 1,6% de minha ancestralidade veio de povos indígenas da Amazônia. O restante é de origem europeia e, para minha surpresa, um pedacinho do meu DNA é judeu”, conta.

Para ele, essa informação ajuda a explicar o interesse e a admiração que sempre teve pelo judaísmo. Alexandre diz que chegou a procurar parentes no site da My Heritage (alguns laboratórios disponibilizam uma ferramenta de pesquisa de familiares), mas não quis levar a busca adiante.

Importante saber

Apesar de todo o sucesso que vem fazendo no mercado (no fim do ano passado, por exemplo, a marca de roupas Amaro lançou uma coleção chamada DNA, que reuniu peças criadas com base nas informações genéticas coletadas de 19 influenciadoras), o experimento apresenta limitações.

Segundo Tábita Hünemeier, especialista em genética humana e professora na Universidade de São Paulo (USP), a confiabilidade desses testes depende da variedade de dados utilizados pelo laboratório.

“Se o indivíduo for muito miscigenado, é preciso assegurar que no banco de comparação existam amostras de populações que fizeram parte da história dele.

No caso dos brasileiros, temos de considerar portugueses, italianos, indígenas e diversos africanos”, afirma Tábita.

Outro ponto relevante é que esses serviços não separam a origem por linhagem, ou seja, não dá para saber se determinada nacionalidade veio da mãe ou do pai, tampouco revelam a possibilidade de desenvolver doenças, como câncer ou mal de Alzheimer.

Algumas companhias até oferecem informações de saúde, mas, para ter acesso a elas, o cliente paga um valor mais alto — e, se quiser uma avaliação correta, precisa contratar um especialista para traduzir os dados e evitar mal-entendidos. “Dizer que um indivíduo tem grande probabilidade de apresentar uma doença genética ao longo de sua existência pode criar mais ansiedade do que melhorar a vida dele”, alerta Tábita.

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Por outro lado, as versões mais abrangentes mostram informações relevantes, como mutações na enzima CYP1A2, responsável pela metabolização de várias substâncias. Ao saber disso, por exemplo, o médico pode personalizar a dose de um antidepressivo, tornando o remédio mais eficaz para o paciente.

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Outra questão que permeia esses exames é o fornecimento do material genético a um laboratório desconhecido. É fundamental avaliar quais são os termos de uso e a política de privacidade adotados pela companhia que ficará com seu material.

A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, no 13.709, de agosto de 2018, proíbe o uso de informações genéticas para obtenção de vantagem financeira.

“É preciso saber a condição em que o material está sendo armazenado, como será usado, quem terá acesso a ele, até quando será guardado e se será ou não compartilhado. Essas informações são disponibilizadas pelas empresas na contratação do serviço.

E é possível fazer escolhas em relação à restrição do uso e ao tempo de armazenamento”, diz Tábita, especialista da USP.

Embora as companhias garantam que os dados fornecidos pelos clientes sejam sigilosos, já houve um caso, nos Estados Unidos, em que um assassino foi preso depois de cruzarem o DNA da cena do crime com um banco de dados de uma empresa que realiza análises de ancestralidade. Ou seja, a quebra do sigilo é um risco que deve ser considerado.

Seja como for, uma coisa é certa: não vai faltar assunto no almoço de domingo para quem decidir resgatar as origens de seus ancestrais.

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‘Como descobri que meus antepassados participaram do tráfico de negros escravizados’ – BBC News Brasil

  • Jaime González
  • BBC News Mundo

Como Saber Quem Sao Os Nossos Antepassados?

Crédito, Getty Images

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O tema escravidão ainda desperta calorosos debates em ambos os lados do Atlântico

“Às vezes é melhor não mexer no passado.”

Durante semanas, fiquei pensando sobre essa frase que um amigo me disse, em tom sério, quando contei a ele detalhes da pesquisa que estava fazendo.

Era um documentário sobre a participação catalã no tráfico de negros escravizados no século 19, a partir da trajetória de dois antepassados meus que, de acordo com documentos históricos, estariam envolvidos com esse tipo de transação.

Assim que comecei a pesquisar sobre o tema, me dei conta sobre como é difícil falar hoje em dia sobre escravidão, assunto que desperta calorosos debates dos dois lados do Atlântico e que em certos círculos ainda é um tabu.

Por um lado, há aqueles que defendem que a verdade deve vir à tona e que os países que se beneficiaram do tráfico de negros escravizados têm uma dívida com os descendentes de milhões de vítimas do comércio escravista.

Por outro lado, há aqueles que, como meu amigo, acreditam que, 200 anos após a abolição da escravidão, não vale a pena reabrir feridas do passado, e que devemos olhar para frente.

No meu caso, apesar das dúvidas que surgiram no meio do caminho, desde o início estava claro que – não importa quão desconfortável seja esse passado – é uma história que deve ser contada.

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Em 2018, a prefeitura de Barcelona decidiu remover a estátua de Antonio López do centro da cidade

O meu interesse pelo assunto começou no início de 2018 em Barcelona, cidade em que nasci e na qual mora grande parte da minha família, quando surgiu uma forte polêmica em torno da figura de Antonio López y López, o primeiro marquês de Comillas.

No século 19, López era um dos principais empresários e mecenas da capital catalã, graças à enorme fortuna que conseguiu acumular com seus negócios na ilha de Cuba.

Há um ano, a prefeitura de Barcelona decidiu retirar sua estátua do centro da cidade, atendendo ao pedido de várias organizações, dada a ligação que ele tinha, segundo alguns historiadores, com o tráfico de negros escravizados.

Aqueles que se opuseram à medida argumentaram que López estava sendo usado como “bode expiatório” e que não era possível afirmar com certeza absoluta que ele havia sido escravista.

Acompanhei de perto todo esse debate, o que me fez questionar pela primeira vez se era possível que meus antepassados, que, assim como López faziam parte da elite econômica de Barcelona no século 19, tivessem participado do tráfico de negros escravizados.

É uma questão sobre a qual nenhum parente próximo parecia ter certeza, apesar de ser uma possibilidade que não poderia ser descartada, dada a relação histórica que uma parte da burguesia catalã tinha com a escravidão.

Mas bastaram algumas buscas na internet para encontrar vários livros e documentos que falavam sobre a conexão de dois antepassados meus com o comércio transatlântico.

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Chopitea se tornou um dos homens de negócios mais importantes da capital chilena

O primeiro deles foi Pedro Nicolás de Chopitea, tataravô do meu avô, de um pequeno povoado de Vizcaya, no País Basco, e que migrou para Santiago do Chile na última década do século 18.

Chopitea se tornou um dos empresários mais importantes da capital chilena, negociando todos os tipos de mercadorias entre a Europa e a América do Sul.

Em algumas ocasiões, entre as remessas transportadas em seu nome, também havia escravos.

A participação de Chopitea no tráfico escravista foi documentada pelo historiador chileno Francisco Betancourt Castillo, que há dez anos estuda o papel dos comerciantes bascos no Chile durante a última fase da colônia.

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A participação de Chopitea em operações de traslado de escravos fica evidente 'nas correspondências que ele trocava com dois de seus sócios'

Me encontrei com Betancourt na sede do Arquivo Nacional em Santiago, onde está guardada parte da correspondência que meu antepassado trocou com seus parceiros comerciais, detalhando algumas operações de traslado de negros escravizados de que havia participado.

Segundo Betancourt, era comum naquela época, quando o tráfico de negros escravizados ainda não era proibido, que grandes comerciantes do Cone Sul, como Chopitea, se dedicassem às vezes a essa atividade “se houvesse uma conjuntura favorável, aproveitando suas redes de contatos”.

Eram operações mercantis triangulares. Por exemplo, transportavam produtos subtropicais do Peru para o Chile e Argentina, e negros escravizados de Buenos Aires para Valparaíso e Lima.

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Francisco Betancourt diz que era comum que grandes comerciantes do Cone Sul, como Chopitea, às vezes se envolvessem com o tráfico de negros escravizados

Betancourt ressalta que, embora o tráfico de negros escravizados não tenha sido, de forma alguma, a principal atividade comercial de Chopitea, sua participação nesse negócio é evidente “nas correspondências que trocou com dois de seus sócios”.

“Chopitea era o vínculo entre eles dois, geograficamente. Ele estava encarregado de receber os escravos que chegavam ao Chile vindos do Rio da Prata. Era responsável pelo financiamento que essas operações demandavam e depois pelo transporte dos negros escravizados, às vezes em seus próprios barcos, até o Peru, para os mercados urbanos de Lima e Callao”.

Nas cartas que Betancourt me mostrou, datadas de 1803 a 1804, o caixeiro de Chopitea dá detalhes de várias caravanas de escravos que meu antepassado tinha que receber no Chile.

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No Arquivo Nacional de Santiago está guardada a correspondência de Pedro Nicolás de Chopitea

O mais chocante de ler esta correspondência é a descrição sobre o estado em que os negros escravizados se encontravam, tanto psicologicamente como fisicamente, enquanto eram levados de um território para outro.

Eram jornadas que poderiam durar dois meses em que, se não morriam vítimas das péssimas condições da viagem ou de doenças, os negros precisavam sobreviver em um território totalmente desconhecido.

Em uma das cartas, o caixeiro de Chopitea conta como vários escravos escaparam depois que alguém disse a eles “que estavam sendo levados para uma terra horrível, onde as pessoas tinham quatro olhos e comiam gente – e que seriam devorados assim que chegassem, sendo jogados em caldeirões de óleo fervendo”.

“Isso deixava eles tão apavorados que esperavam a oportunidade de fugir, como de fato acontecia.”

Em outra, explica como um dos líderes dos negros escravizados se jogou em um rio na Argentina, pensando que assim chegaria a Guiné, sua terra natal.

“Talvez ele estivesse apenas se despedindo e, em seu espírito, pensou que voltaria ao seu país”, diz Betancourt.

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Esta correspondência descreve a situação em que os escravos se encontravam

Segundo o historiador, fica claro a partir dessas cartas que, para esses comerciantes, a participação no tráfico de escravos “era um tanto complexa”.

“Por um lado, há um incentivo econômico que faz com que considerem os negros escravizados como 'peças', como qualquer outra mercadoria. Mas é possível perceber nas cartas que há uma certa preocupação ou cuidado porque se trata de uma mercadoria que é distinta das demais”.

Os historiadores destacam o pouco conhecimento que os chilenos têm atualmente sobre o papel que seu país desempenhou no tráfico de negros escravizados.

No Arquivo Nacional de Santiago, também me encontrei com Juan José Martínez Barraza, historiador econômico da Universidade de Santiago do Chile, que passou anos pesquisando sobre o fenômeno da escravidão no Cone Sul.

Segundo ele, “o tema da escravidão foi esquecido porque de uma maneira geral a época da colônia foi deixada de lado como objeto de estudo no Chile”.

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Os historiadores afirmam que os chilenos sabem pouco atualmente sobre o papel que seu país desempenhou no tráfico de negros escravizados

“O que sabemos é que, no total, durante todo o período colonial, cerca de 12 milhões de escravos foram traficados de um continente para outro.

Estes 70 mil negros escravizados que chegaram ao Cone Sul, principalmente ao Rio da Prata, correspondem a aproximadamente 1% do tráfico total.

Embora pareça um percentual insignificante, não foi, se considerarmos o que representou em termos econômicos para esses lugares”, diz o historiador.

“Por exemplo, em 1777, havia 40 mil habitantes em Santiago e cerca de 50 mil em Lima. Portanto, a chegada de 70 mil pessoas, que também se reproduziram, foi significativa em termos econômicos”, acrescenta.

Segundo Martínez Barraza, os negros escravizados desempenharam um papel importante na economia local do Chile colonial.

Muitos ficaram nas cidades para realizar trabalhos domésticos e artesanais. Outros foram forçados a trabalhar nos campos ou nas minas.

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Com a independência do Chile, Pedro Nicolás de Chopitea e Mariano Serra retornaram à Espanha.

Durante as batalhas pela independência do Chile no início do século 19, meu antepassado Pedro Nicolás de Chopitea, como muitos outros comerciantes radicados em Santiago, apoiou a ala monarquista que defendia os interesses da Coroa Espanhola.

Isso fez com que todos os seus bens e propriedades fossem confiscados – e ele foi forçado a deixar o Chile com a família, indo viver na cidade de Barcelona em 1819.

Um tempo antes, Mariano Serra, que também é tataravô do meu avô, que havia sido contador de Chopitea em Santiago, havia chegado à capital catalã vindo do país sul-americano.

Serra, nativo de uma pequena vila de pescadores na costa catalã, fundou com seu filho uma empresa comercial em Barcelona, que em poucos anos se tornou uma das mais importantes da cidade.

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Documentos históricos mostram que Mariano Serra financiou uma expedição de escravos

Como outros membros importantes da burguesia de Barcelona, que na primeira metade do século 19 havia regressado à Espanha após fazer fortuna nas “Américas”, Serra também tinha alguma ligação com o tráfico de negros escravizados.

Documentos judiciais mostram que, em 1839, ele foi fiador de uma expedição escravista que partiu do porto de Barcelona e foi interceptada por navios da marinha britânica que patrulhavam as águas do Atlântico, numa época em que o tráfico já estava proibido.

Esta constatação foi feita pelo historiador Martin Rodrigo Alharilla, que detalhou a participação catalã no tráfico de escravos no livro Negreros y esclavos: Barcelona y la esclavitud atlántica (siglos XVI-XIX), de sua autoria.

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Serra fundou junto a seu filho em Barcelona uma empresa comercial que em poucos anos se tornou uma das mais importantes da cidade

“Sabemos que essa expedição era dedicada ao tráfico de escravos, por isso era uma expedição ilegal. Sabemos que o fiador estava envolvido no financiamento e na organização. Não é possível saber quanto dinheiro ele investiu, tampouco podemos saber o papel que ele desempenhou na expedição, embora possamos intuir que foi o principal responsável”, diz Rodrigo Alharilla.

“Não podemos dizer que sua fortuna (de Serra) foi acumulada com base no tráfico de escravos, porque seria impreciso, mas podemos dizer que parte de sua fortuna teve a ver com a participação no comércio de escravos.”

O historiador afirma que, se alguém investigar alguns dos principais membros da burguesia de Barcelona no século 19, vai descobrir que “estiveram envolvidos de uma forma ou de outra no tráfico de escravos”. Ele cita como exemplo o Banco de Barcelona, a primeira instituição financeira privada da Espanha fundada em 1844.

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Em Barcelona, as elites econômicas do século 19 defendiam a necessidade de trabalho escravo para plantações de cana de açúcar em países como Cuba

“No conselho do governo havia participação de destaque de personagens ligados ao comércio escravista, alguns que operavam a partir do porto de Barcelona e outros de Havana ou Matanzas (em Cuba) e que depois voltaram para Barcelona.”

De acordo com Rodrigo Alharilla, pouco se sabe sobre a participação catalã no tráfico de negros escravizados porque “os historiadores não têm estudado este assunto com intensidade suficiente”. Além disso, “é um tema desconfortável que gera certa preocupação e rejeição em alguns setores das elites atuais, que imaginam ou sabem que seus ancestrais poderiam estar envolvidos” nessas atividades.

O historiador ressalta que Espanha e Portugal são os dois únicos países europeus em que não houve “debate sobre a memória ligada ao tráfico de negros escravizados”.

“Na França, na Holanda e na Inglaterra, que são países envolvidos no comércio de escravos, foi feito. Na Espanha e em Portugal não foi feito e, portanto, está pendente.”

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'Os historiadores e jornalistas têm a tarefa de trazer à tona toda essa história'

Após ter acesso a documentos que mostram que tanto Pedro Nicolás de Chopitea, quanto Mariano Serra participaram de uma maneira ou de outra do tráfico de negros escravizados, quis saber a opinião da minha mãe sobre este assunto, uma vez que se tratava de seus antepassados.

“Acho muito bom que este tema seja abordado com rigor máximo e que haja um estudo aprofundado sobre todas as circunstâncias envolvidas. Sou historiadora de formação e acredito que a verdade, dentro do possível, deve sempre ser revelada”, afirmou.

“A história das famílias é cheia de pontos obscuros, e as pessoas são reticentes em criticar seus próprios antepassados. Mas acredito que os historiadores e jornalistas têm a tarefa de trazer à tona toda essa história.”

“A verdade é que você não pode julgar as ações de 200 anos atrás com os critérios que temos agora de moralidade e ética.”

O lugar que escolhi para encontrar com minha mãe em Barcelona, ​​que agora é um hotel, era a casa em que vivia outro antepassado nosso, a bisavó do meu avô, Dorotea de Chopitea.

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Dorotea de Chopitea se casou com José María Serra aos 16 anos

Nascida no Chile, ela era filha de Pedro Nicolás de Chopitea e chegou com seus pais e irmãos em Barcelona em 1819, quando tinha três anos. Com apenas 16 anos, se casou com José María Serra, filho de Mariano Serra.

Graças ao vasto trabalho social que realizou, Dorotea se tornou uma das figuras mais respeitadas de Barcelona na segunda metade do século 19.

Ela investiu toda a fortuna que o marido deixou para ela quando morreu na construção de diversas creches, escolas e hospitais para a população carente.

Em 1983, o Papa João Paulo 2° abriu caminho para a beatificação de Dorotea de Chopitea, ao nomeá-la Venerável.

“Após a morte do marido, que a deixou como herdeira de todos os seus bens, ela viu que poderia realizar um trabalho social quase ilimitado com os recursos que tinha”, contou minha mãe.

“Ela fez um voto de pobreza em que tudo o que possuía era para os pobres. No fim de seus dias, alcançou seu objetivo. Se você olhar todos os projetos e empresas que existem em Barcelona, muitas das quais ainda sobrevivem, vai perceber que ela efetivamente conseguiu.”

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Um dos últimos projetos de Dorotea de Chopitea foi o financiamento da construção de uma capela no topo da montanha Tibidabo, em Barcelona

A verdade é que não sabemos por que Dorotea, uma mulher que pertencia a uma das elites econômicas de Barcelona que se beneficiaram do comércio de negros escravizados, decidiu se desfazer de todos os seus bens.

O que sabemos é que um de seus últimos projetos foi o financiamento da construção de uma capela no alto do Monte Tibidabo, em um dos terrenos que cedeu aos salesianos de Don Bosco, com quem manteve um relacionamento próximo em seus últimos anos de vida.

Com o tempo, esta capela se tornou o Templo do Sagrado Coração, que se ergue imponentemente sobre Barcelona.

Talvez este templo – em cujas colunas estão gravados os nomes de algumas das maiores fortunas catalãs do século 19 – pode ser visto como símbolo de uma cidade que, como muitas outras ao redor do mundo, ainda está debatendo como lidar com seu passado colonial.

Quando comecei a pesquisar a história dos meus antepassados, não imaginava quão complicado pode ser às vezes falar sobre onde viemos.

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O Templo do Sagrado Coração, imponente sobre Barcelona, é dedicado à expiação dos pecados

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Como descobrir quem são os seus ancestrais e onde viveram – Qual o nosso DNA?

Sempre tivemos curiosidade com relação à nossa história, assim, fomos pesquisando nossa ascendência e tentando construir uma árvore genealógica. Mas tudo terminava nos países europeus de onde partiram os imigrantes que chegaram no Brasil.
Sempre desejamos saber mais sobre nossa história e, principalmente, sobre as características de nosso DNA, que revela, além da história, as possibilidades de problemas e virtudes. E aí aliou-se o desejo com a possibilidade.

Tudo começou com a Mariana (filha do Rômulo, minha enteada) que nos enviou os dados do teste de DNA que havia feito. Um teste relativamente fácil para quem vive em Nova York, já que basta fazer a compra pelo site https://www.23andme.com/  e aguardar o kit que chega, contendo um potinho, com uma substância que deverá ser misturada à saliva que você terá que cuspir numa cavidade deste kit. Depois é só devolver pelo correio e aguardar. Foi o que fizemos, motivados pelos relatos da Mariana. Em menos de 30 dias recebemos nosso resultado por e-mail. Pagamos um pouco menos de US$ 100,00 por cada teste (por sorte havíamos comprado dólares antes da alta, ao longo de 2019). Vi que no Brasil já há algumas empresas fazendo testes, mas achei bem mais caro do que o de Nova York. De qualquer forma, se tiverem interesse,  pesquisem e encontrarão informações sobre a Genera, meuDNA e outras. Mas é bom checar avaliações, antes de mais nada. No caso da 23andMe, nós já tínhamos boas referências.
De minha família, pai do meu pai, consegui construir um bom caminho dos Fávero, que na verdade eram Favaro (grafia correta), até chegar à Itália, na Região do Vêneto, mais precisamente em Treviso, na pequena cidade de Lória.
Dos Piccinato, mãe de meu pai, chegamos também ao Vêneto, mas desta vez na cidade de Verona (ou próximo).
Dos Bolezina, mãe de minha mãe, conseguimos descobrir que nossos antepassados vieram de Robecco Sul Naviglio, região de Milão, Itália.
Dos Remus, sabemos que vieram da Polônia, mas enquanto era território disputado e que, possivelmente, tenham vindo da antiga Prussia (mas disso eu não tenho documentos). Bem, meus resultados não foram tão surpreendentes. Sabia que eu deveria ter origem europeia, mas pensei que poderia ter tido alguma mistura. Gosto da ideia dos cruzamentos fortalecendo e tornando mais una nossa humanidade. Mas descobri que sou 98,8% europeia! Sim, praticamente 100% europeia. Destes, 37% italiano (justo do Norte), 16,1% francês e alemão, possivelmente de Berlim (bem que muitas vezes ouvi que tinha características destes países) e 20% do leste europeu. Este último, porém, não precisou a região, mas cita que pode ser da Polônia. De qualquer forma, descobri que bem antes disso eu tenho traços do Neanderthal, ainda bem presentes, com 2% do DNA, o que é bastante, diz o estudo, o que faz com que, por exemplo, eu não fique com raiva quando estou com fome e tenha um senso de direção um pouco falho (até que não). Muito interessante também detectar o Haplogrupo materno. Sim, todos viemos da África. No caso, meus ascendentes há 180.000 anos. Todos os membros do H2 descendem de uma mulher que viveu no Oriente Médio cerca de 12.000 anos atrás, perto do final da Era do Gelo. Embora concentrado na Turquia e no Cáucaso ao longo de sua história, o haplogrupo atravessou a Europa desde o Oriente Médio até a região basca do norte da Espanha e depois mais gradualmente até as Ilhas Britânicas. Embora o H2 ainda possa ser encontrado em baixos níveis entre as populações da Arábia Saudita, Daguestão e outros países do Oriente Médio, é surpreendentemente comum na Suécia, onde até 11% dos suecos do sul carregam H2. Somente 1 em cada 1.700 pesquisados são deste haplogrupo, sendo que além de mim, Lucas, o evangelista, é do mesmo grupo. Incrível, não?! O estudo do DNA ainda aponta algumas características pessoais. Descobri, enfim, que minha aversão ao Coentro não é coisa de quem não se esforça para gostar de alimentos e temperos. É mesmo uma característica do meu DNA, já que sinto o mesmo gosto de sabão.

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Também descobri que minha irritação ao ouvir o som da mastigação, especialmente quando tento me concentrar, chamada de Misofonia, é outra característica do DNA, assim como a tendência a enjoar com o movimento. Duas características bem reais de meu ser! Mas não é somente de aversões que é feita a minha leitura de DNA. Descobri que gosto tanto de doce quanto de salgado, que prefiro baunilha do que chocolate, como sabor de sorvete, que meu medo de falar em público é equilibrado pelo prazer de fazê-lo, entre outros dados, como a cor da pele (clara) e dos olhos (azuis ou azuis esverdeados). Claro que isso são as maiores probabilidades, já que tudo vem em percentuais no estudo, e que se confirmaram no meu caso. Mas, numa família de 7 irmãos, vamos ter algumas características que se posicionam nas minorias. No meu caso, o único que não bateu no percentual maior foi com relação ao tipo de lóbulo de orelha, já que o meu é unido e no estudo a maior parte dos meus parentes o tem separado. Sim, até isso é derivado do DNA e apontado no estudo, entre tantas outras características.

Sempre tive interesse sobre as origens de minha família, sobre os Freitas e Anjos (avôs e avó paternos), os Dieguez e Bertolaso (avô e avó maternos). Ainda não consegui perquirir a genealogia dos Anjos (avó materna), o que farei oportunamente. Sei que essa minha avó nasceu em Pelotas e outras duas avós, nasceram e se criaram em Colônia do Sacramento, no século XVII, quando aquele território era de domínio português. Meu avô paterno, de sobrenome Freitas, nasceu em Portugal, no Município de Águeda, na localidade denominada Óis da Ribeira Eles se conheceram em Pelotas e lá casaram.  Meu avô materno, de sobrenome Dieguez, nasceu na Espanha, no município de Vilaboa (Pontevedra). Minha avó materna, de sobrenome Bertolaso, nasceu na Itália, no município de Concamarise (região de Verona, no Vêneto). Eles emigraram para o Uruguai, lá casaram e vieram para o Rio Grande do Sul.

O Programa 23andMe, com o DNA extraído de meu sangue, constatou que basicamente meus ancestrais são do Sul da Europa (70,7%, principalmente espanhol, português e italiano) e do Norte da Europa (19,6%, principalmente francês e alemão, o que foi uma surpresa para mim). As demais origens são da Ásia Ocidental e do Norte da África (9,7%).

Quanto a algumas características indicadas, uma delas é a dificuldade de combinar com o tom musical, o que é verdade; confirmou que a minha possibilidade era de ter olhos azuis ou verdes (o que foi é real); também informou que eu teria propensão a medo de altura (isso é terrivelmente verdadeiro); quanto a menos probabilidade de ter medo de falar em público, penso que acertou, pois também sou professor; em relação ao sabor, viu probabilidades de eu não gostar de coentro, o que errou largamente, pois sou apaixonado por coentro.

De acordo com esse estudo do DNA, minha origem remonta a uma mulher que viveu na África há aproximadamente 7.000 anos (280 gerações atrás). Quanto ao homem que teria originado a minha linha, ele viveu provavelmente na Europa há em torno de 30.000 (1.200 gerações).

Concluindo

Nós nos divertimos e nos informamos muito vendo os dados que compõem nosso ser, tanto físico quanto comportamental. E este também é um presente para nossos irmãos, que dividem o mesmo DNA. Há outros dados e informações que poderíamos pagar mais para obter, inclusive um livro impresso, mas paramos por aqui mesmo. E vocês, já tiveram curiosidade em fazer este estudo?

Importante

  • O Viajante Maduro viaja como ideal de vida e profissão.
  • Esta matéria contou com a colaboração da futura publicitária Lúcia Fávero Moraes.
  • A opinião aqui expressa é a nossa verdade!

6 dicas para encontrar informações sobre seus antepassados

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Imigrantes europeus em São Paulo, no final do século 19 (Foto: Wikimedia Commons)

Traçar a genealogia aprofundada de uma família é uma tarefa difícil: com o passar dos anos, documentos se perdem, grafias de nomes mudam, sem falar na falta de continuidade da história oral passada entre gerações. Mas não é impossível realizar esse trabalho e, especialmente com o avanço da tecnologia, há diversas ferramentas que podem ser úteis na missão. Confira algumas:

Buscas onlineDo conforto do próprio sofá, é possível acessar sites gratuitos de pesquisa genealógica, como o Family Search, organização operada pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (mais conhecidos como Mórmons), no qual é possível encontrar documentos de imigrantes que chegaram ao Brasil entre 1902 e 1980. Há também o Geneanet, uma comunidade com mais de 3 milhões de membros e 6 bilhões de pessoas em árvores genealógicas.

Bibliotecas de genealogiaAlgumas cidades no mundo têm bibliotecas específicas sobre genealogia, como a Biblioteca Genealógica de Lisboa e a de Salt Lake City, maior biblioteca de genealogia do mundo, que oferece serviços gratuitos de busca com guias e genealogistas — são cerca de 3,3 bilhões de nomes de pessoas dos cinco continentes, indexados por 150 mil indexadores que trabalham em 128 países.

Museu da ImigraçãoO acervo do Museu da Imigração na cidade de São Paulo guarda registros de imigrantes que chegaram ao Brasil entre os séculos 19 e 20 e pode ser útil na investigação. 

Arquivo NacionalNo Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro, é possível encontrar a lista de imigrantes que chegaram ao Brasil de navio entre 1875 e 1910, e pedidos de naturalização desde 1823. O fornecimento dos documentos é gratuito (mas é necessário pagar por cópias autenticadas de documentos) e é possível fazer consultas online.

Leia também:+ Por que o DNA ancestral é uma ferramenta poderosa para entender o passado+ Fiz dois testes genéticos de ancestralidade e os resultados me surpreenderam

Associações de genealogiaO Brasil tem grupos e associações específicos de pesquisa genealógica, entre elas a Associação Brasileira de Pesquisadores de História e Genealogia (Asbrap), que fornecem auxílio à pesquisa genealógica.

Testes de DNANa capa da GALILEU de abril, falamos mais sobre testes genéticos de ancestralidade. Rápidos e acessíveis, eles trazem pistas sobre antepassados e cruzam as informações com uma base de dados que não para de crescer, aumentando as chances de um mapeamento genealógico bem sucedido.

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