Como Saber Que O Leite Subiu?

  • Como Saber Que O Leite Subiu?

  • O preço do litro de leite no Brasil disparou e é o maior valor registrado para um mês de julho e o segundo mais alto de toda a série histórica do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), desenvolvido desde 2004.

O valor do litro de leite atingiu R$ 1,7573 na “Média Brasil”. Só ficou abaixo do registrado em julho de 2016, quando foi de R$ 1,7751/litro.

  1. O principal motivo desse valor recorde no preço é a disputa dos laticínios para refazer estoques de derivados lácteos.
  2. As empresas não esperavam um aumento tão grande no consumo, causado principalmente pelo auxílio emergencial do governo por causa da pandemia.
  3. Nas fazendas, o clima é de otimismo, mas ao mesmo tempo de incertezas quanto ao segundo semestre.

Como Saber Que O Leite Subiu?

O consumo de leite e laticínios foi impulsionado pela distribuição do auxílio emergencial

Por que o preço do leite subiu?

  • Normalmente os laticínios fazem compras maiores antes de abril, prevendo que a captação caia nos meses seguintes.
  • Mas, neste ano, devido a pandemia do novo coronavírus, as incertezas foram ainda maiores e, por isso, as indústrias reduziram os investimentos na composição dos estoques.
  • O que o setor não previa era que, com os programas de auxílio emergencial do governo federal, com valor médio de R$ 600,00 para até duas pessoas por família, as vendas de leite e dos seus produtos dispararam.
  • As vendas aumentaram principalmente nos supermercados já que ficaram livres das restrições de funcionamento por estarem entre os serviços essenciais.
  • De acordo com o Cepea, o aquecimento nas vendas em maio e junho, reduziram ainda mais os estoques.

Como Saber Que O Leite Subiu?

As vendas aumentaram muito nos supermercados, reduzindo os estoques

Diante da lei da oferta e procura, houve elevação do preço dos derivados lácteos em junho: de 17,7% no caso do UHT, de 23% para a muçarela e de 10,9% no leite em pó.

No campo, a oferta menor em junho provocou uma disparada no valor do leite spot. Em Minas Gerais, a média o preço do leite spot ficou 45% acima do de maio, chegando a R$ 2,28/litro.

É preciso lembrar ainda que, entre março e agosto, os preços já estariam elevados para produtores por causa da redução do período de chuva, afetando a pastagem.

Aumento dos custos de produção do leite

Mas, se essa combinação de fatores está gerando bons lucros neste momento, o pecuarista leiteiro está gastando mais para produzir.

Pesquisa do Cepea aponta que os custos de produção leiteira estão maiores se comparados com o ano passado.

O principal motivo dessa elevação foi o aumento do preço do milho. Para se ter uma ideia, no Brasil entre 60 a 80% de todo custo de produção é direcionada para a alimentação animal.

Neste ano, o produtor está precisando gastar o equivalente a 35,2 litros de leite para compra de uma saca de 60 kg de milho. Em junho de 2019, essa relação era de 24,9 litros por saca de 60 kg.

Dessa forma, o poder de compra do produtor de leite diminuiu quase 30% na comparação anual. Esses fatores afetam diretamente no preço do produto.

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Perspectivas para o segundo semestre

Os custos de produção para o produtor de leite deve continuar desafiador ao longo do segundo semestre deste ano, em virtude da forte demanda interna por rações e o alto preço do insumo, refletindo a expansão das produções de carnes, sobretudo de aves e suínos.

Além disso, com a chegada da safra de leite de inverno da Região Sul, a tendência é de aumento sazonal da captação, o que em geral se reforça no último trimestre do ano com o aumento da produção do Sudeste.

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Os laticínios enfrentam um grande desafio em relação ao custo do leite

Para os laticínios, o desafio será a disputa pela matéria prima, que pode ficar mais acirrada caso as margens mais apertadas desestimulem o produtor.

Veja onde encontrar resfriado de leite

Outro ponto que serve de alerta ao produtor é quanto à duração do efeito renda causado pelos auxílios emergenciais.

Assim que a pandemia cair no Brasil e a situação aos poucos comece a se normalizar, a tendência é de que o governo federal reduza ou até elimine os auxílios emergenciais. Com  isso, o consumo de leite poderá cair, afetando nas cotações do leite.

Veja também: MF Rural Opinião: Beber leite faz mal?

Muito pouco leite materno? Como aumentar uma baixa produção de leite

Muitas mães preocupam-se que possam ter uma baixa produção de leite, mas pode ser difícil saber ao certo. Continue a ler para perceber se tem mesmo uma baixa produção de leite e o que pode fazer acerca disso.

Como Saber Que O Leite Subiu?

“Tenho leite materno suficiente?” é algo com que as novas mães se preocupam com frequência. Mas, se o seu bebé estiver saudável e a crescer bem, o mais provável é que esteja tudo bem.

No entanto, se estiver preocupada com a sua produção de leite, é importante pedir aconselhamento cedo. Se tudo estiver bem, mais depressa fica tranquilizada.

Além disso, evita a armadilha de dar leite de fórmula ao seu bebé, sem necessidade, o que pode reduzir a sua própria produção de leite.

Um pequeno número de mães pela primeira vez tem dificuldade em produzir leite materno suficiente devido a motivos médicos, que incluem:

  • Uma perda de sangue excessiva (mais de 500 ml) durante o parto ou a retenção de fragmentos da placenta podem atrasar a descida do seu leite (que geralmente acontece cerca de três dias após o parto).1
  • Um historial de síndroma do ovário policístico, diabetes, distúrbios da tiróide ou outros distúrbios hormonais. Por vezes, as mães com estas condições têm uma baixa produção de leite.2
  • A hipoplasia mamária, uma condição médica rara em que não existe na mama suficiente tecido glandular produtor de leite.3
  • Cirurgias mamárias anteriores ou traumatismos da mama – apesar de muitas mães que fizeram cirurgia amamentarem com sucesso.4

Se alguma destas condições se aplicar a si, consulte um consultor em aleitamento materno ou especialista em amamentação.

Assim que o seu leite descer, os seus seios começam a produzir leite seguindo um processo de “oferta e procura”. Cada vez que é removido leite, quer pelo seu bebé a alimentar-se, quer por extração, os seus seios produzem mais.

É por este motivo que dar biberões de leite de fórmula pode reduzir a sua produção de leite – o seu corpo não está a receber a mensagem para produzir mais leite, porque não está a ser removido nenhum.

A forma como o seu bebé mama também afeta a sua produção. Quanto maior for a frequência e a eficácia da sua amamentação, mais leite produzirá. Se o seu bebé não tomar leite suficiente durante uma sessão de amamentação, é essencial extrair regularmente para proteger a sua produção de leite. Veja mais conselhos abaixo.

Apesar de uma baixa produção de leite ser rara, durante as suas primeiras semanas, o seu bebé pode ainda ter dificuldades em tomar o suficiente, por outras razões.

Pode não estar a mamar com a frequência suficiente, ou durante o tempo suficiente, especialmente se estiver a tentar seguir um horário de amamentação, em vez de amamentar a pedido do bebé.

Pode não estar a agarrar bem a mama ou pode ter uma condição que torna mais difícil tomar o leite.

Os seguintes sinais mostram que o seu filho não está a receber leite suficiente:

  • Ganha pouco peso. É normal nos primeiros dias os recém-nascidos perderem 5% a 7% do peso que tinham à nascença – alguns perdem até 10%. No entanto, depois disso devem ganhar pelo menos 20 a 30 g por dia e ter de novo o peso que tinham à nascença por volta dos dias 10 a 14.5,6,7 Se o seu bebé perdeu 10% ou mais do peso que tinha à nascença, ou se não começou a ganhar peso por volta dos dias 5 ou 6, deve consultar um médico imediatamente.
  • Fraldas molhadas ou sujas insuficientes. O número de cocós e chichis que o seu bebé tem por dia é um bom indicador para saber se ele está ou não a receber leite suficiente. Veja o nosso artigo que explica o padrão que o seu bebé deve seguir em Amamentar o seu recém-nascido: o que esperar na primeira semana. Consulte um médico se estiver preocupada, ou se tiver notado que as fraldas sujas estão menos molhadas e menos pesadas.
  • Desidratação. Se o seu bebé tiver uma urina de cor escura, a boca seca ou icterícia (pele ou olhos amarelados), ou se estiver letárgico e relutante em mamar, pode estar desidratado.6 A febre, diarreia e vómitos ou o sobreaquecimento podem provocar a desidratação nos bebés. Se notar algum destes sintomas, consulte um médico rapidamente.

Tipicamente, os recém-nascidos mamam com frequência – cerca de 10 a 12 vezes por dia ou todas as duas horas – e isto não é sinal de que não tem leite suficiente. Não se esqueça de que o seu bebé também mama para receber conforto e é difícil perceber quanto leite toma em cada sessão de amamentação – a quantidade pode variar.

As situações abaixo são perfeitamente normais e não são sinais de uma fraca produção de leite:

  • o seu bebé quer mamar com frequência
  • o seu bebé não quer que deixe de o ter ao colo
  • o seu bebé acorda durante a noite
  • sessões de amamentação curtas
  • sessões de amamentação longas
  • o seu bebé toma um biberão depois de uma sessão de amamentação
  • sente os seus seios mais moles do que nas primeiras semanas
  • os seus seios não perdem leite ou costumavam perder leite e agora não
  • não consegue extrair muito leite
  • tem seios pequenos

Se suspeitar que o seu bebé não está a receber leite suficiente, consulte um consultor em aleitamento materno ou especialista em amamentação.

Eles irão avaliar se tem uma baixa produção de leite e observar uma sessão de amamentação, para ver se o seu bebé agarra bem a mama e toma o leite suficiente.

Poderão sugerir que ajuste a sua posição de amamentação ou a forma como o seu bebé agarra a mama para poder mamar melhor.

Também pode experimentar ter mais contacto pele com pele com o seu bebé antes e durante as sessões de amamentação, para estimular a hormona oxitocina que faz fluir o seu leite. Ou use técnicas de relaxamento, como ouvir a sua música repousante preferida, para reduzir a ansiedade que possa estar a afetar a sua produção.8

Com apoio, a maioria das mães com baixa produção de leite consegue amamentar os seus bebés parcialmente e algumas conseguem desenvolver uma produção de leite completa.

Se o seu bebé ainda não estiver a tomar leite suficiente diretamente da mama, talvez por ter sido prematuro ou por ter necessidades especiais, poderá ter de extrair leite para proteger a sua produção e o seu profissional de saúde poderá prescrever galactogogos (medicamentos para aumentar a produção de leite).

Se ainda não consegue extrair leite suficiente para o seu bebé, vai precisar de o complementar com leite de dadoras ou com leite de fórmula, sob a orientação de um profissional médico. Um sistema de nutrição suplementar (SNS) pode ser uma forma satisfatória de ele tomar todo o leite de que precisa na mama.

Se precisar de dar um impulso à sua produção de leite nos primeiros cinco dias após o parto, pode usar um extrator de leite elétrico duplo com tecnologia de iniciação, como o Symphony da Medela. Este tipo de extrator foi concebido para imitar a forma como o bebé estimula os seios quando mama e está demonstrado que aumenta a produção de leite a longo prazo.9

Assim que o seu leite descer, a extração dupla significa que pode extrair mais leite em menos tempo.10 Este método também drena melhor os seios, o que também ajuda na produção de leite.

Apesar de todas as mães serem diferentes, muitas vezes, é boa ideia extrair leite logo após ou uma hora depois de uma sessão de amamentação. Isto pode parecer um contrasenso porque geralmente é mais fácil extrair de uma mama cheia. Mas deve pensar na sua sessão de extração como “fazer uma encomenda de leite” para o dia seguinte.

No início, pode recolher apenas pequenas quantidades, mas não desanime – com a extração regular, as quantidades aumentam.

Procure retirar leite (através da amamentação e da extração) oito a doze vezes por dia, incluindo uma sessão à noite, quando os seus níveis da hormona prolactina, produtora de leite, estão mais elevados. Quanto maior a frequência da retirada de leite, melhor.

Depois de dois ou três dias de extração regular, deverá notar um aumento significativo na produção. Para aconselhamento sobre como obter mais leite em cada sessão de extração, leia as dicas sobre extração de leite materno.

Se o seu bebé não está a mamar diretamente de todo, ou se não consegue extrair leite suficiente para ele, uma técnica chamada “extração com a ajuda das mãos” pode ser útil.

Foi demonstrado que aumenta a quantidade de leite que as mães conseguem extrair numa sessão.11,12 Todo o processo demora cerca de 25 a 30 minutos.

Lembre-se de que quanto mais vazios estiverem os seus seios, mais rapidamente produzem leite.

Siga estes passos simples:

  • Massaje os seios.
  • Faça extração dupla usando um sutiã de extração para manter as suas mãos livres.
  • Durante a extração, use os seus dedos e o polegar para comprimir a sua mama durante alguns segundos. Solte e repita. Faça compressões nos dois seios até o fluxo de leite diminuir para apenas umas gotas.
  • Massaje de novos os seios.
  • Termine extraindo manualmente ou fazendo extração simples, comprimindo os seios e alternando de um para o outro, para os drenar tão completamente quanto possível.

Assim que o seu bebé estiver a ganhar peso e a sua produção de leite tiver aumentado, pode passar para a amamentação em exclusivo.

Referências

Referências

1 Pang WW, Hartmann PE. Initiation of human lactation: secretory differentiation and secretory activation. J Mammary Gland Biol Neoplasia. 2007;12(4):211-221.

2 Vanky E et al. Breastfeeding in polycystic ovary syndrome. Acta Obstet Gynecol Scand. 2008;87(5):531-535.

3 Neifert MR et al. Lactation failure due to insufficient glandular development of the breast. Pediatrics. 1985;76(5):823-828.

4 Neifert M et al. The influence of breast surgery, breast appearance, and pregnancy-induced breast changes on lactation sufficiency as measured by infant weight gain. Birth. 1990;17(1):31-38.

5 C Tawia S, McGuire L. Early weight loss and weight gain in healthy, full-term, exclusively-breastfed infants. Breastfeed Rev. 2014;22(1):31-42.

6 Lawrence RA, Lawrence RM. Breastfeeding: A guide for the medical profession. 7th ed. Maryland Heights MO, USA: Elsevier Mosby; 2010. 1128 p.

7 World Health Organisation. [Internet]. Child growth standards; 2018 [cited 2018 Feb]

8 Keith DR et al. The effect of music-based listening interventions on the volume, fat content, and caloric content of breast milk-produced by mothers of premature and critically ill infants. Adv Neonatal Care. 2012;12(2):112-119

9 Meier PP et al. Breast pump suction patterns that mimic the human infant during breastfeeding: greater milk output in less time spent pumping for breast pump-dependent mothers with premature infants. J Perinatol. 2012;32(2):103-10.

10 Prime DK et al. Simultaneous breast expression in breastfeeding women is more efficacious than sequential breast expression. Breastfeed Med. 2012;7(6):442-447.

11 Stanford University School of Medicine [Internet]. Stanford, CA, USA: Maximizing Milk Production with Hands-On Pumping; 2017. [Accessed 30.04.2018].

12 Morton J et al. Combining hand techniques with electric pumping increases milk production in mothers of preterm infants. J Perinatol. 2009;29(11):757-764.

Para amamentar é preciso acreditar em fadas

Como Saber Que O Leite Subiu?

Para mim o tema amamentação nunca foi assim aquela coisa encantada e que faz ver unicórnios a tantas mulheres. Lembro-me perfeitamente de no primeiro curso de preparação para o parto estarmos a ver vídeos de mulheres a extraírem leite com uma bomba e de eu estar a olhar para aquilo como se tivesse um prato de iscas de cebolada à frente. Antes que me venham esfregar na cara todos os estudos da OMS sobre os benefícios da amamentação, e os vínculos mãe-bebé, e que crianças que não mamam são marginais em potência, deixem-me que vos diga que, nos dias que correm, não há como ser desinformado em relação ao tema. Está tudo à disposição, somos bombardeados com toneladas de informação, por isso não há como não saber. Mas depois existe uma coisa chamada “escolha” que, graças a Deus, nos permite isso mesmo: fazer opções e decidir o que é melhor para nós e, neste caso, para a nossa dinâmica familiar.

Voltando ao início. Dizia eu que nunca olhei para a amamentação como o expoente máximo da maternidade. Quanto muito, era um meio necessário para atingir um fim: alimentar uma criança. Mas como há outras hipóteses à disposição, quando o Mateus nasceu já estava 94,2% decidida a não amamentar. Depois o miúdo trocou-me as voltas,

 nasceu mais cedo, assim que pôs um pé neste mundo já alguém lhe tinha espetado um biberão na boca. Tinha de ser, era prematuro, precisava de comer, não se podia esforçar a mamar, blá blá blá. Apesar dos meus 94,2% convictos, houve ali um lado emotivo a puxar por mim e tentei dar de mamar enquanto estive na maternidade. Não foi propriamente um sucesso. O miúdo não estava para aí virado, adormecia, cansava-se e, como já tinha experimentado o biberão e percebeu que era infinitamente mais fácil, nem sequer fazia grande esforço para parecer interessado na mama. Quando chegou a hora de ir para casa tive de tomar uma decisão e optei por não continuar com aquela brincadeira. Não queria passar a vida a stressar por ele não comer, obcecada com os gramas que ele perdia ou ganhava, não saber exactamente que quantidade de leite estava a ingerir, por isso achei que o melhor para todos (sobretudo para a minha sanidade mental) era render-me ao leite adaptado. Não bateu qualquer espécie de arrependimento, mas confesso que na hora de tomar o comprimido para secar o leite fiquei ali a balançar. Mas passou rápido.

Sempre disse que numa segunda gravidez, se tudo corresse bem, talvez fosse capaz de tentar amamentar de forma mais consistente. Mas, claro, não correu tudo bem, na verdade correu tudo pior. A Benedita nasceu e começou logo a ser alimentada por sonda, com leite adaptado.

Foi assim um misto de preocupação e alívio. Claro que queria que ela estivesse bem, a alimentar-se normalmente mas, por outro lado, tinham-me tirado de cima o peso da amamentação. Achava eu.

Para aí ao segundo dia disseram-me que ela não estava a reagir muito bem ao leite e que talvez fosse bom eu tentar extrair para lhe darem pela sonda. Não pensei duas vezes. Se era o melhor para ela, então vamos a isso.

Logo nessa noite deixaram-me uma bomba automática no quarto e lá me dediquei eu à tarefa de tentar tirar qualquer coisinha. Tinham-me dito que tudo se aproveitava, nem que fosse só uma gota, e foi mesmo isso que consegui, uma ou duas gotas.

Nos primeiros dias sentia-me envergonhada quando tocava a campainha a pedir que alguém viesse recolher o frasquinho do leite, porque as quantidades eram ridículas. Mas pronto, estava a fazer a minha parte e a rezar para que aquilo fizesse alguma diferença no estado da bebé.

Nos dias seguintes a coisa foi melhorando e tornei-me uma vaca. Mesmo. Os meus dias eram passados a tirar leite, tanto na maternidade como em casa. A cada duas ou três horas lá ia eu e já conseguia encher frascos. Sim, frascos, assim no plural. Podia ter montado um negócio de queijos naquela altura, à conta de tanto leite que tirava.

Claro que a miúda não bebia aquilo tudo, nem de perto nem de longe, mas achei que era bom ir fazendo algum stock enquanto desse. Passava o dia no hospital a tirar leite e depois vinha para casa à noite e fazia o mesmo. Às tantas já não podia com o barulho da máquina, estava a ficar maluca, mas estava focada na missão “armazenar leite”.

Dois ou três dias antes de a Beni ter alta, quando já não estava a ser alimentada por sonda, começámos a tentar pô-la na mama. A miúda era esperta, aprendeu depressa o que tinha de fazer, mas mamava cinco segundos e adormecia cinco minutos.

Era um infernooooooooo! Estava para aí uma hora a tentar que ela comesse e, mesmo assim, depois ainda era preciso fazer um reforço com o biberão. Mas tudo bem, ela era muito pequena, era preciso tempo. Até que viemos para casa.

Além da Beni trouxe todo um carregamento do leite que tinha tirado até ali e que, achei eu, ia dar para uns cinco meses.  Eram frascos e mais frascos, achava mesmo que tinha ali leite para a vida. Hã hã.

O processo de alimentar a criança era uma seca pegada porque, basicamente, tinha o pior de vários mundos. Uma hora a dar de mamar, meia hora a dar biberão e a seguir para aí mais meia hora a tirar leite com a bomba. Ou seja, de cada vez que ela comia eram duas horas nisto. E quando acabava já estava quase na hora de recomeçar.

Repetia o mantra do “estás a fazer o que é certo, isto é bom para a miúda, estás a fazer o que é certo”, mas andava esgotada com aquilo. E a coisa descambou violentamente quando, ao fim de poucos dias, fiz uma mastite. Uma noite acordei a tremer de frio (estávamos em Agosto), não conseguia parar, febre a 40 graus, dores horríveis no peito, uma desgraça.

Não fazia ideia do que era, mas fiquei a saber assim que falei com a médica. Continuei a dar de mamar e a tirar leite naqueles dias, foi assim das experiências mais horríveis de todo o sempre. O peito parecia pedra, fazia massagens, punha cenas de água fria, e água quente, e água assim assim, mas não havia meio.

Acabei a antibiótico e ficou logo ali assente que se fizesse outra mastite acabava a brincadeira da amamentação. Lamento, mas não tenho vocação para mártir e aquilo não era bom para ninguém.

Mas pronto, a mastite passou e eu estava determinada em continuar com a amamentação exclusiva pelo menos até aos três meses. Quando a coisa corria bem (ou seja, quando não estava cheia de dores e com o peito todo destruído) era realmente um momento muito bom. Probleminha: depois da mastite a produção de leite diminuiu drasticamente.

Eu, que enchia frascos a cada extração, de repente levava três ou quatro dias para conseguir juntar o suficiente para um biberão. Toda a gente dizia “tens de estimular, tens de estimular, tens de estimular”, mas não havia maneira.

Continuava a dar de mamar, continuava a tentar tirar com a bomba, mas acho que nem com o Brad Pitt a lamber-me as mamas conseguia estimular mais. E, claro, fui começando a ficar cada vez mais stressada. A miúda mamava, mas não era o suficiente, estava ali uma hora ou mais e continuava a chorar, por isso lá ia eu ao stock de leite congelado.

Stock esse que não conseguia repor, porque já não estava a conseguir tirar quase nada. Os frascos que eu achava que iam dar para uma vida estavam a desaparecer à velocidade da luz.

Penso que foi mais ou menos nesta altura, em que estava a passar-me da cabeça, que pedi ajuda à Constança, do Centro do Bebé. E lembro-me perfeitamente de ela me ter dito que “para amamentar é preciso acreditar em fadas”. E é mesmo, filhos. Eu sei que não faltam para aí pessoas com histórias maravilhosas, com processos de amamentação que sempre correram às mil maravilhas, mas não foi mesmo o meu caso. E nem sequer foi má vontade ou embirração, eu estava mesmo decidida a que a coisa corresse bem e que se prolongasse. E, quando não se consegue, começa a bater aquele sentimento de frustração. E irritação. Há tantos factores que podem contribuir para que a amamentação corra mal, que só mesmo acreditando em fadas é que podemos achar que vai tudo ser um mar de rosas. A pediatra da Beni, que sempre achou que eu jamais daria de mamar, dizia-me que já tinha feito a minha parte, que tinha amamentado no período mais crítico da bebé, mas eu sentia que não era o suficiente. E quando ela me aconselhou a comprar uma lata de leite adaptado, só para ter em casa assim em modo SOS, aquilo foi uma facada no coração. Comprei a lata, mas resisti até aos limites do impossível.

E o impossível foi quando o stock de leite congelado acabou, quando não conseguia tirar praticamente nada,  e quando, na consulta dos dois meses, se percebeu que a miúda não estava a crescer tanto como o suposto. Segundo a pediatra, era preciso dar ali um boost com leite adaptado.

E da mesma maneira que não pensei duas vezes quando, na maternidade, me disseram que precisava de tirar leite para lhe dar, também não pensei duas vezes quando me disseram que precisava do leite de lata. Se era o melhor para ela, então siga. Até porque não havia mesmo outro remédio.

Durante algum tempo, pouco, ainda tentei continuar a amamentar e dar o leite adaptado, mas não havia volta a dar, o meu leite tinha mesmo falecido, paz à sua alma. A miúda ficava ali mais no mimo do que outra coisa, mas depois o que a alimentava mesmo era o biberão.

Por isso dei por encerrado o tema amamentação. 

Não atingi a meta que tinha traçado, mas fiquei de consciência tranquila. Sei que fiz tudo aquilo que estava ao meu alcance, sei que passei horas e horas e horas a amamentar e a tirar leite, sei que houve momentos horríveis, e esgotantes e cheios de dores, e outros muito bons e tranquilos.

Olhando para trás, com a devida distância, acho que o balanço até foi positivo. Mas, e agora com a devida propriedade, posso dizer que continuo a achar que não é essa maravilha toda que tanta gente apregoa. É bom quando corre bem, é uma merda desesperante quando corre mal, por isso não sei se repetia.

A sociedade ainda está muito virada para a culpabilização das mulheres que, por um motivo ou por outro, optam por não amamentar. Lembro-me, quando foi do Mateus, várias pessoas me dizerem “não digas que não estás a amamentar por opção, diz que é por não teres leite”.

Olha que merda, hã? Então agora não posso decidir o que quero fazer com os meus filhos e com as minhas mamas sem ter gente a moer-me o juízo?

Que cada mãe faça o que quer e o que, em consciência, acredita ser o melhor. Se for amamentar, óptimo. Mas só enquanto for bom, porque depois disso torna-se um suplício e ninguém ganha nada com isso.

Preço do leite ao produtor em janeiro cai 4,3%; custo de produção sobe 3,29%

Foto: Alcides Okubo Filho/Embrapa

Da redação//AGROemDIA

O cenário para a pecuária leiteira neste início de ano é pouco animador, como mostram os dados do Boletim do Leite de Fevereiro do Cepea/Esalq/USP, divulgado nesta sexta-feira 19. De acordo com a publicação, o preço do leite ao produtor caiu em janeiro, enquanto os custos de produção subiram, pressionados principalmente pelo concentrado.

Segundo a publicação, o preço do leite captado em dezembro de 2020 e pago aos produtores em janeiro de 2021 registou queda de 4,3% na “Média Brasil” líquida, chegando a R$ 2,0344/litro. A tendência, assinala o centro de estudos, é que o recuo nas cotações persista nos próximos meses.

Paralelamente, informa o boletim, os custos de produção seguem em alta. Em janeiro, o Custo Operacional Efetivo (COE) da pecuária leiteira subiu 3,29% na “média Brasil” (BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP), bem acima da alta verificada no mesmo mês de 2020, que havia sido de 1,62%.

  • Leia, abaixo, as análises da Equipe Leite do Cepea:
  • Demanda retraída por lácteos pressiona cotações no campo
  • Natália Grigol e Juliana Santos/Cepea

O preço do leite captado em dezembro de 2020 e pago aos produtores em janeiro de 2021 registou queda de 4,3% na “Média Brasil” líquida, chegando a R$ 2,0344/litro.

E pesquisas ainda em andamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, apontam que a essa tendência de queda deve permanecer nos próximos meses.

A expectativa é de que o leite captado em janeiro e pago ao produtor em fevereiro registre recuo médio de cerca de cinco centavos por litro.

  1. A desvalorização do leite no campo se deve ao enfraquecimento da demanda por lácteos, dado o contexto de diminuição do poder de compra do brasileiro, do fim do auxílio emergencial para muitas famílias, do recente agravamento dos casos de covid-19 e da elevação do desemprego.
  2. Colaboradores consultados pelo Cepea informaram que, diante da instabilidade do consumo, há um esforço das indústrias em ajustar a produção para manter os estoques controlados, de modo a evitar quedas mais bruscas de preços, tanto para os derivados quanto para o produtor.
  3. No entanto, o nível de estoques vem crescendo, e, desde dezembro de 2020, observa-se a intensificação da pressão exercida pelos canais de distribuição junto às indústrias para obter preços mais baixos nas negociações de derivados.

Pesquisas do Cepea, com apoio financeiro da OCB, mostram que, na média de janeiro, os preços do leite UHT e do queijo muçarela negociados no atacado do estado de São Paulo caíram 6,8% e 8,9%, respectivamente, enquanto os do leite em pó se mantiveram praticamente estáveis.

As negociações de leite spot em Minas Gerais também recuaram, 12,3% na média mensal de janeiro. A tendência de queda continuou em fevereiro para os derivados (ver seção Derivados na página 5). No caso do spot, a média mensal recuou 0,7%.

Esses resultados devem influenciar negativamente a precificação do leite captado em fevereiro e pago ao produtor em março.

Apesar de haver uma perspectiva de queda nos preços do leite no campo para fevereiro e março, espera-se que a média neste primeiro trimestre de 2021 ultrapasse a verificada no mesmo período de 2020 (quando a média foi de R$ 1,4655/litro, em termos reais – os valores foram deflacionados pelo IPCA de dezembro/20).

No entanto, é importante pontuar que preço não é sinônimo de rentabilidade. Mesmo que os valores do leite estejam em patamares considerados altos para o período do ano, a valorização considerável e contínua dos grãos (principais componentes dos custos de produção da pecuária leiteira) tem comprometido a margem do produtor e limitado o potencial de crescimento da atividade.

  • Pesquisas do Cepea mostram que o pecuarista precisou de, em média, 41,2 litros de leite para a aquisição de uma saca de 60 kg de milho, 16,3% a mais que em dezembro/20.
  • Ano se inicia com alta nos custos
  • Rodolfo Jordão/Cepea

O Custo Operacional Efetivo (COE) da pecuária leiteira iniciou 2021 em elevação.

Em janeiro, o COE subiu 3,29% na “média Brasil” (BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP), bem acima da alta verificada no mesmo mês de 2020, que havia sido de 1,62%.

Assim como observado ao longo do ano passado, o item que mais influenciou o avanço nos custos em janeiro foi o concentrado, que se subiu 4,09%, devido aos aumentos nos preços dos grãos.

No caso da soja, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa avançou fortes 10,04% de dezembro/20 para janeiro/21. Quanto ao milho, o Indicador ESALQ/ BM&FBovespa teve expressiva alta de 11,04% na mesma comparação. Os estados que tiveram as maiores elevações nos custos de concentrado foram Minas Gerais (6,93%) e Paraná (3,64%).

Além disso, a valorização da suplementação mineral – de 3,64% na “média Brasil” – também se refletiu sobre os custos em janeiro. Esse cenário se deu diante do avanço do dólar em relação ao Real, de 4,28% de dezembro/20 para janeiro/21. Minas Gerais e Paraná foram os estados onde os valores da suplementação mineral subiram com mais força, 5,51% e 4,8% respectivamente.

Relação de troca

Diante da redução de 4,32% no preço do leite em janeiro (“média Brasil”) e da elevação nos valores do milho no mesmo período, a relação de troca ficou desfavorável ao produtor. Esse cenário é verificado após um final de ano de melhora no poder de compra.

Assim, em janeiro, foram necessários 41,12 litros de leite para a compra de uma saca de milho de 60 kg, contra 35,43 litros de leite em dezembro.

Trata-se, também, do momento mais desfavorável ao pecuarista leiteiro desde maio de 2016, quando foram precisos 44,49 litros de leite para realizar a mesma troca.

Preço do leite pago ao produtor em agosto sobe 10,5%

São Paulo, 31 – O preço do leite captado em julho e pago ao produtor em agosto subiu 10,5% ante o mês anterior, a R$ 1,9426 o litro, informa o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A “média Brasil” é novo recorde da série histórica do Cepea.

O anterior havia sido registrado em agosto/16, quando foi de R$ 1,7815/litro (dados deflacionados pelo IPCA de julho/20). No ano, a alta da média Brasil é de 42,9%.

“Esse avanço foi acentuado entre os meses de junho e agosto, quando os valores subiram 40,1% – nesse período, a valorização do leite ao produtor esteve atrelada à maior competição entre as indústrias de laticínios para garantir a compra de matéria-prima”, disse o Cepea em nota.

Segundo o centro de pesquisas, é comum os preços do leite reagirem entre março e agosto, devido à sazonalidade da produção.

Mas a situação foi agravada “pelas condições climáticas mais severas, que impactaram a retomada da produção leiteira (com destaque para a estiagem no Sul do País), pelo aumento nos custos de produção em relação ao ano anterior e pelos efeitos encadeados associados à pandemia de covid-19”.

Ainda conforme o Cepea, o valor do leite spot (negociado entre indústrias) em Minas Gerais saltou de R$ 2,24/litro na primeira quinzena de julho para R$ 2,75 na segunda quinzena de agosto, alta de 22,6%.

“A média mensal de agosto, de R$ 2,66/litro, superou em 12,2% a de julho e em 68,1% a de agosto de 2019, em termos reais – esse é também o maior valor da série histórica do Cepea, iniciada em julho em 2004.

Sobre o mercado pecuário, o Cepea disse ainda: “A atípica queda de preços ao produtor em maio, a própria defasagem temporal no repasse das condições de mercado ao produtor (característica da cadeia do leite) e o aumento dos custos de produção em 2020 deixaram pecuaristas mais cautelosos – muitos secaram as vacas ou diminuíram os investimentos. Essas ações dificultaram a retomada do crescimento da produção, já que a atividade leiteira é diária e seu planejamento tem efeitos tanto imediatos quanto nos meses posteriores”.

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Levantamento mostra cen�rio do mercado do leite e derivados

Levantamento feito pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento mostra a situação do mercado do leite e seus derivados. O aumento de preços de insumos elevou o custo de produção e, por consequência, os valores pagos aos produtores subiram mais de 50%, em média, este ano. Os consumidores sentem essa variação nas gôndolas dos supermercados.

Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), responsável pelo levantamento, entre os vários motivos está o aumento nos preços da soja e milho, principais componentes da ração fornecida aos animais. O trabalho demonstra que neste ano a elevação nos preços dos grãos, principais itens nos custos de produção da bovinocultura leiteira, é superior aos patamares pagos aos produtores.

No Paraná, só em 2020, o preço do leite subiu 51% em relação ao ano passado, reproduzindo um efeito cascata sobre o preço dos derivados como queijos, iogurtes e cremes para os consumidores. Já os custos de produção, subiram mais do que isso. A ração subiu 53%, pressionada pelo aumento no custo do farelo de soja que está 84% mais caro.

Segundo o técnico do Deral, Fábio Mezzadri, médico veterinário e autor do estudo, os produtores estão recorrendo ao aumento das receitas e melhoria da rentabilidade com o aumento no preço do leite para cobrir os custos elevados da soja e milho.

ESTIAGEM – Outros fatores contribuem para o aumento no preço do leite.

Segundo o Deral, a estiagem atrasou o desenvolvimento das pastagens de inverno, e agora, prejudica o plantio e o desenvolvimento das forrageiras de verão, o que tem retardado a produção de alimentos para as vacas leiteiras, ocasionando queda na produção dos rebanhos, com consequente diminuição da oferta de leite no mercado.

Além disso, devido à pandemia e quarentena, com mais famílias em casa, o consumo se mantém aquecido no comércio varejista e há uma valorização do leite no mercado entre as indústrias. E também está havendo um acréscimo nas exportações de lácteos este ano.

PREÇOS –  De acordo com a pesquisa, a média estadual dos preços do leite recebidos pelos produtores em setembro de 2020 foi de R$1,97, ou seja, 49% superior ao mesmo mês de 2019, quando o valor recebido foi de R$ 1,32.

 De janeiro a setembro a alta foi de 46%, com preços passando de R$ 1,35, para R$ 1,97 o litro. Nesta primeira quinzena de outubro, os preços têm se mantido em alta.

Ainda segundo o Deral, na semana entre os dias 05 a 09/10, a média do preço recebido pelo produtor por litro do leite foi de R$ 2,04, ou seja, 3,5% maior que a média de setembro (R$1,97).

CUSTOS – Em relação aos custos de produção, o Deral demonstra que no acumulado do ano de 2020 (janeiro a setembro), o preço da saca de soja (60kg) se elevou em 57%, passando de R$ 77,64 em janeiro, para R$ 122,11 em setembro.

Na comparação de setembro de 2019 (R$ 73,54), a setembro de 2020 (R$ 122,11), a alta foi de 66%. “Portanto, altas maiores do que as observadas no valor do litro do leite pago aos produtores”, afirmou o veterinário.

  Assim como a soja, foram observadas altas elevadas também no milho, outro importante insumo que faz parte da dieta do gado leiteiro.

Ainda segundo o Deral, na comparação do mês de setembro de 2019 e setembro de 2020 o acréscimo foi de 79% (alta superior a observada no valor do leite recebido no mesmo período), nos preços da saca de 60Kg, passando de R$ 28,09 para R$ 50,33 respectivamente. No acumulado do ano, (janeiro a setembro), a alta foi de 28%, passando de R$ 39,19 em janeiro/2020, para R$ 50,33 em setembro/2020.

OTIMISMO E CAUTELA – Apesar da crise, pandemia e estiagem, o atual momento é de otimismo e de recuperação da rentabilidade do setor leiteiro.

Tem contribuído ainda para este cenário promissor, o crescimento das exportações de lácteos, que se elevaram este ano 25% em receita e 24% em volume no acumulado do ano (2020/janeiro a setembro), comparativamente a igual período de 2019. 

Mas a análise do Deral é que o atual momento também pede cautela aos produtores.

Segundo o veterinário Fábio Mezzadri, muitas empresas (laticínios) e assistentes técnicos, têm orientado os produtores a segurarem maiores investimentos neste período crítico.

A orientação vale para investimentos que não são essenciais para as boas práticas de manejo, alimentação e sanidade, indispensáveis a uma produção de qualidade).           

INCERTEZAS –  Segundo o técnico do Deral, o ano de 2020, tem sido bastante atípico para a atividade leiteira. Assim como outros setores do comércio e do agronegócio.

“Já observamos neste período os preços pagos aos produtores e os preços no mercado varejista ora subindo e em outros momentos caindo.

Por outro lado, empresas ora operando com estoques lotados e ora com dificuldades em encontrar matéria-prima”, destaca.

Em relação ao comércio, a partir do segundo semestre, a situação melhorou, muitas redes de restaurantes e lanchonetes “fast-food” que ainda permaneciam fechadas, ou em situação de instabilidade, tiveram permissão para reabrir, mesmo que ainda com algumas restrições devido a pandemia. Apesar de os produtores de leite estarem recebendo a mais pelo litro do produto, muitos ainda estão se recuperando financeiramente dos preços baixos praticados nos últimos anos. Cenário que ocasionou até o abandono da atividade por muitos produtores. 

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