Como Saber Qual O Meu Medico De Familia?

  • A Constituição da República Portuguesa, no que se refere aos Direitos e Deveres  Fundamentais, estabelece que todos os cidadãos gozam dos direitos e estão sujeitos aos deveres consignados na lei fundamental, tendo todos a mesma dignidade social e igualdade perante a lei.
  • Por isso “ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual”, independentemente do local geográfico ou país onde se encontre.
  • Na vertente da saúde, a nossa Lei Fundamental estabelece que “todos têm direito à proteção da saúde e o dever de a defender e promover”, destacando-a deste modo como um dos elementos basilares da dignidade social.

Como Saber Qual O Meu Medico De Familia?

  1. Estabelece ainda que o direito à proteção da saúde é realizado “através de um serviço nacional de saúde universal e geral e, tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos, tendencialmente gratuito”, passando pela “criação de condições económicas, sociais, culturais e ambientais que garantam, designadamente, a proteção da infância, da juventude e da velhice, e pela melhoria sistemática das condições de vida e de trabalho, bem como pela promoção da cultura física e desportiva, escolar e popular, e ainda pelo desenvolvimento da educação sanitária do povo e de práticas de vida saudável”.
  2.  A fim de assegurar o direito à proteção da saúde, incumbe prioritariamente ao Estado: garantir o acesso de todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica, aos cuidados da medicina preventiva, curativa e de reabilitação; garantir uma racional e eficiente cobertura de todo o país em recursos humanos e unidades de saúde; orientar a sua ação para a socialização dos custos dos cuidados médicos e medicamentosos; disciplinar e fiscalizar as formas empresariais e privadas da medicina, articulando-as com o serviço nacional de saúde, por forma a assegurar, nas instituições de saúde públicas e privadas, adequados padrões de eficiência e de qualidade; disciplinar e controlar a produção, distribuição, comercialização e o uso dos produtos químicos, biológicos e farmacêuticos e outros meios de tratamento e diagnóstico; estabelecer políticas de prevenção e tratamento da toxicodependência.
  3. Estruturas de acesso aos cuidados

Os Cuidados de Saúde Primários, estrutura hoje reconhecida como um sólido e fiável sistema de saúde, foram implementados em Portugal no longínquo ano de 1963 como uma verdadeira rede de prestação de serviços em que foram criados três tipos de instituições: os Serviços Médicos Sociais das Caixas de Previdência essencialmente vocacionados para a saúde materno-infantil e planeamento familiar, Assistência caritativa e a Medicina privada e liberal. Contudo só em 1971 foram concretizadas as medidas que levaram à criação dos Centros de Saúde na quase totalidade dos concelhos do País.

Ao elevado nível de aceitação das populações se deve o sucesso da implementação dos CSP em Portugal sendo um dos responsáveis pela evolução altamente favorável dos indicadores de saúde que atualmente ostentamos, mesmo a nível internacional.

O acesso dos cidadãos (utentes) à prestação dos Cuidados de Saúde Primários (CSP), é atualmente garantido através de uma complexa estrutura de meios materiais e humanos onde e através da qual os serviços são cabalmente realizados e que podem ser de dois tipos: através das Unidades de Saúde de Cuidados Personalizados (USCP), ou das Unidades de Saúde Familiar (USF) dos Centros de Saúde (CS).

Como Saber Qual O Meu Medico De Familia?

Para o real cumprimento do estabelecido na nossa lei fundamental no que respeita aos direitos de acesso à proteção na saúde em condições de igualdade, designadamente através dos Serviços de Cuidados Primários, pelo menos teoricamente, todos os cidadãos nacionais deveriam estar inscritos no SNS e terem atribuído um Médico de Família, realidade que está longe de se cumprir. Segundo recentes declarações do Bastonário da Ordem dos Médicos, faltam mais de 5000 médicos no SNS.

  • Vários números são frequentemente avançados, quer por políticos, opinion makers e jornalistas, na maior parte das vezes como “armas de arremesso”, que os números normalmente vêm desmentir.
  • De facto, de acordo com a página “Transparência” do SNS, os dados relativos a novembro de 2019, revelam que dos 10 298 150 utentes inscritos nos CSP, 9 587 875 têm Médico de Família atribuído, mas ainda existem 710 275 sem Médico de Família atribuído, sendo que destes últimos há 25654 que não o têm atribuído por opção.
  • A especialidade de Medicina Geral e Familiar
  • De entre os profissionais das várias especialidade médicas envolvidas no cumprimento das suas obrigações de proteção da saúde constitucionalmente consignadas para com os cidadãos portugueses, destacamos o Médico de Família por ser o elemento que está na linha da frente do aconselhamento e apoio médico dos utentes da saúde, necessitando para isso de uma ampla capacitação em várias áreas do conhecimento médico, interação social, estratégia comunicacional e não só!

Como Saber Qual O Meu Medico De Familia?

Existem por todo o mundo várias definições para a profissão/especialidade de Médico de Família que aqui poderemos sintetizar, como sendo os especialistas com formação específica nos princípios da disciplina generalista de clínica geral, especialmente vocacionados para interacionar com as comunidades.

São médicos pessoais, especialmente responsáveis pela prestação de cuidados abrangentes e continuados a todos os cidadãos que procuram cuidados médicos, independentemente da sua idade, sexo ou doença.

A prestação de cuidados deve ser feita no contexto das respetivas famílias, comunidades e culturas mantendo sempre o respeito pela sua autonomia e assumindo-se como responsável profissional para com a comunidade onde está integrado.

Os médicos de família desempenham o seu papel profissional proficientemente, promovendo a saúde, prevenindo a doença e prestando cuidados médicos curativos, paliativos e de acompanhamento.

Em negociação com os seus pacientes, integram fatores psicológicos, físicos, sociais, culturais e existenciais, recorrendo aos conhecimentos, confiança e empatia gerados pela repetição de contactos médico-paciente ao longo do tempo.

Conseguem esse resultado quer diretamente, quer através dos serviços de outros especialistas ou serviços, em função das necessidades do paciente e dos recursos disponíveis na comunidade.

Adicionalmente, os médicos de família devem promover o desenvolvimento e manutenção das suas aptidões profissionais, bem como dos seus valores e equilíbrio pessoais, como base para a prestação de cuidados efetivos e com elevado nível de segurança.

Como Saber Qual O Meu Medico De Familia?

A caraterização do papel do Médico de Família aqui feita deve ser entendida no contexto da prática clinica, constituindo um ideal a que todos os médicos de família deverão aspirar, não significando isso que os elementos identificados sejam exclusivos desta especialidade, sendo outrossim aplicáveis à profissão médica em geral. É no entanto, a especialidade de Medicina Geral e Familiar a que melhor consegue implementar todos aqueles aspetos em simultâneo.

  1. No fundo, é o médico especializado numa pessoa específica e que idealmente a conhecerá melhor que qualquer outro, podendo vir a acompanhá-la desde o momento em que nasce, até ao término do seu ciclo de vida.
  2. Representação internacional
  3. A nível mundial os Médicos de Família estão representados na WONCA – Organização Mundial de Médicos de Família, uma organização profissional global de caráter científico, sem fins lucrativos, que representa médicos de família e clínicos gerais de todas as regiões do mundo e de que a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar é membro.
  4. Fundada em 1972 por 18 membros, é hoje composta por 122 organizações-membros representando cerca de 500 000 médicos de família em mais de 130 países e territórios em todo o mundo, sendo que só na europa possui 47 organizações-membros que representam mais de 120 000 médicos de família.
  5. A missão da WONCA é melhorar a qualidade de vida dos povos em todo o mundo, definindo e promovendo seus valores, além de promover e manter altos padrões de atendimento na clinica geral/medicina familiar abrangentes e continuados para o indivíduo, no contexto familiar e da comunidade, entre outras atividades.

O que é o Médico de Família? | Vida Saudável | Conteúdos produzidos pelo Hospital Israelita Albert Einstein

  • Por dr. Rafael Herrera Ornelas, médico de família do Hospital Israelita Albert Einstein/ CRM SP 147 536
  • ​O que é um médico de família e como ele atua?
  • A medicina de família e comunidade é uma especialidade médica e para ser reconhecido como profissional nessa especialidade é necessário, após a faculdade, fazer uma residência médica e/ou prestar uma prova de titulação na especialidade.O profissional dessa especialidade pode atuar em diversos cenários, tanto no setor público quanto privado do sistema de saúde, como:
  • Ambulatórios;
  • Hospitais;
  • Gestão de serviços de saúde;
  • Ensino e pesquisa.

Costumo dizer que o médico de família é um especialista para além das doenças, ele é especialista em gente. Sua atuação é baseada na relação médico-paciente, que deve ser individualizada para cada pessoa. Além disso, esse especialista tem o papel de evitar que as pessoas façam exames desnecessários, procedimento, consultas e intervenções que não sejam indicadas ou que possam trazer mais riscos do que benefícios.A atuação do médico de família traz o privilégio de todos os dias poder ouvir toda e qualquer pessoa e poder cuidar delas.

Que tipo de atendimento ele realiza?

Realizamos atendimentos às pessoas independente do gênero, idade, doença ou condição de saúde. Podendo atender gestantes, crianças, adultos e idosos com as mais diversas dúvidas e queixas (ginecológicas, respiratórias, cardiológicas, urinárias…).

Como um médico de família pode contribuir para minha saúde? O que ele precisa saber de mim?

O médico de família faz um atendimento individualizado para as pessoas com os mais diversos históricos. Para a construção dessa relação de cuidado é importante que o médico de família saiba além do histórico de saúde, o entendimento de vida, medos, angustias, desejos, sonhos e planos de seus pacientes.

Essas são informações importantes para que, de forma compartilhada, possamos buscar uma melhora na qualidade de vida, manutenção da saúde, cuidado das doenças e diminuição da carga que as doenças podem trazer para as pessoas.

Na Clínica Einstein esse atendimento é feito por médicos e enfermeiros, com apoio de nutricionistas, educadores físicos, psicólogos, entre outros, trabalhando juntos para garantir o cuidado da sua saúde e construir um plano de cuidado exclusivo para você.

Quais doenças um médico de família trata?

O treinamento do médico de família é focado nas condições mais prevalentes na população, por exemplo: 

  • Medidas de prevenção (check-ups);
  • Promoção da saúde;
  • Hipertensão;
  • Diabetes;
  • Doenças respiratórias;
  • Corrimento. 
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Como é a relação do médico de família com outras especialidades?

Atuamos de forma conjunta com as mais diversas especialidades médicas e também com outras profissões, tanto do universo da saúde como de outras áreas, quando for importante para a pessoa atendida.

Às vezes é necessário compartilhar o cuidado com outro profissional médico quando um tratamento não esta trazendo o resultado esperado ou quando existe uma condição que não é tão prevalente.  Dessa forma conseguimos atender de forma complementar e conjunta com todas as especialidades.

Qual a diferença entre um médico de família e um clínico geral?

O médico de família para ser denominado como tal deve fazer uma residência médica e/ou prestar uma prova de titulação na especialidade. Ele atende independente de gênero ou idade.

Já o clínico geral, no Brasil, usualmente é denominado como tal, por ter feito uma residência de clínica médica.

Em alguns locais aquele profissional que fez medicina, porém não fez uma residência também é chamado de clínico geral.

Esse escopo de atuação amplo com esse olhar individualizado, centrado na pessoa, entendendo seu contexto de forma integral com um compartilhamento do cuidado também diferenciam esse profissional.

Como é o acompanhamento? O médico de família me acompanhará pela vida inteira?

Sim, diversos estudos sugerem que pessoas que tem o seu médico de família que o acompanham por um longo período de tempo tem uma saúde melhor, controlam mais suas doenças e internam menos.

Gosto muito da seguinte frase para descrever esse acompanhamento: “Estarei lá quando precisar de mim.

Vou me esforçar para te entender na sua própria história, oferecer cura se eu puder, tentar aliviar sua dor, sempre oferecer conforto, fazer o meu melhor para não te expor a nenhum mal. E você precisa saber que seus segredos estão seguros comigo.

” Stavdal, Anna. Medical Humanism and our values as family doctors. In: Kidd, M; Heath, I; Howe, A. Family Medicine The Classic Papers. CRC Press, 2017. Cap. 01, p1-6

Como Saber Qual O Meu Medico De Familia?

6 informações que deve saber acerca do médico de família

A relação entre médico, principalmente médico de família, e doente não se restringe meramente ao plano científico, visto que ambos são dotados de profundidade psicológica. Antes é uma relação essencial para o sucesso terapêutico, influenciada quer pelas características pessoais, quer pela conduta de ambos.

O importante papel do médico de família

Como Saber Qual O Meu Medico De Familia?

O médico de família é habitualmente o primeiro ponto de contacto do doente com o sistema de saúde. Tem como principais funções utilizar eficientemente os recursos da saúde, coordenar a prestação de cuidados, trabalhar com outros profissionais no contexto dos cuidados primários e gerir a ligação com outras especialidades médicas, sempre que tal seja pertinente.

  • É, assim, um verdadeiro gestor de recursos, visto que pode, dentro de certos limites, controlar o internamento hospitalar, o uso de exames complementares, de terapêuticas e o encaminhamento para outros especialistas.
  • O médico de família assume uma abordagem centrada no doente, na família e na comunidade e tem um processo de consulta distinto dos restantes clínicos, já que a relação estabelecida com o doente é mantida ao longo do tempo.
  • O compromisso estabelecido entre o médico de família e o doente não tem prazo, nem termina com a cura da doença ou do tratamento.
  • No médico de família, o doente encontra um profissional dotado de um conjunto de conhecimentos e técnicas especiais, que adota uma postura disponível, pronto para analisar e tratar qualquer problema de saúde e entendê-lo dentro do contexto pessoal, familiar e social do doente.

1. Como escolher e efetuar a inscrição no médico de família?

Antes de mais, deve dirigir-se ao centro de saúde da sua área de residência, fazendo-se acompanhar do seu documento de identificação (cartão de cidadão ou passaporte), comprovativo de residência e cartão ou número de beneficiário da segurança social ou do subsistema de saúde.

Uma vez inscrito, pode escolher o seu médico de família, de entre os que trabalham no centro de saúde. Se o médico da sua eleição tiver a sua lista de utentes completamente preenchida, é provável que seja aconselhado a optar por um dos médicos em cuja lista existam vagas.

Em caso de mudança provisória de residência, é possível fazer uma inscrição temporária noutra unidade de saúde.

Para tal, é necessário que as razões da sua mudança sejam expostas por si no centro de saúde da área de residência temporária.

Mais uma vez, para fazer o pedido de transferência do seu processo clínico e o pedido de inscrição temporária, será necessário levar consigo os mesmos documentos de que necessitou no ato de inscrição.

2. Gostava de mudar de médico de família. É possível fazer essa alteração?

No caso de pretender mudar de médico de família, deve apresentar o seu pedido, por escrito, devidamente justificado, ao diretor do centro de saúde, a quem caberá tomar a decisão.

 No entanto, também os médicos de família podem recusar ou cancelar a inscrição de qualquer utente nas suas listas, desde que tal seja feito através de pedido escrito e justificado.

Também neste caso a decisão cabe ao diretor do centro de saúde.

3. Toda a família deve estar inscrita no mesmo médico de família?

Não é obrigatório que toda a família esteja inscrita no mesmo médico de família, até porque muitas vezes, por diversas razões, tal não é possível. No entanto, o ideal é que todos os elementos que compõem a família estejam inscritos no mesmo médico, pois só assim é possível obter uma maior compreensão dos problemas que afetam a família.

4. Em caso de necessidade de relatório médico, é possível pedi-lo ao médico de família?

Apesar de qualquer médico estar perfeitamente capacitado para emitir relatórios comprovativos da aptidão física ou mental, na grande maioria dos casos estes atestados são emitidos pelo médico de família. Assim, em caso de necessidade de relatório médico, deve recorrer a uma consulta no seu centro de saúde.

5. O que é uma consulta de vigilância da saúde e quando deve ser realizada?

A consulta de vigilância de saúde serve, como o nome indica, para vigiar o estado de saúde, de forma regular.

Todas as pessoas beneficiam de acompanhamento médico próximo e regular, mas há grupos populacionais mais vulneráveis (por exemplo, crianças, grávidas, idosos e pessoas com doença crónica) que requerem ainda maior atenção. Assim sendo, as consultas com o médico de família devem ser programadas, periódicas e regulares.

6. Como manter a inscrição no médico de família?

Caso não recorra ao centro de saúde durante 5 anos consecutivos é possível que seja notificado e que lhe seja solicitado que informe se deseja permanecer inscrito. Caso não o faça nos 90 dias que se seguem a essa comunicação, fica sem médico de família atribuído.

De forma habitual, a notificação é geralmente endereçada numa carta que possui um código de ativação. De forma a manter o médico de família, deve contactar a sua unidade de saúde presencialmente, por telefone ou e-mail, indicar o código de ativação e atualizar os seus dados pessoais, caso necessário.

Na eventualidade de não entrar em contacto com a sua unidade de saúde, é integrado na lista de utentes inscritos sem contacto nos últimos 5 anos e é aberta uma vaga na lista do seu médico. Tal não prejudica o seu direito de, a qualquer momento, requerer novamente a atribuição de médico de família.

Veja também:

Quem tem Covid-19 e não tem médico de família ″ficará com médico de família″

Graça Freitas e António Lacerda Sales

© Tiago Petinga/Lusa

  • Graça Freitas garante que foram dadas indicações para que fosse atribuído um médico de família aos doentes que tenham contraído Covid-19 e não o tivessem até então.
  • “Quem não tem médico de família, ficará com um médico de família atribuído nestas condições”, disse a diretora-geral da Saúde, depois de questionada pela TSF sobre as dificuldades com que os doentes com Covid-19 isolados em casa se podem deparar para conseguir uma baixa médica, em especial se não tiverem médico de família.
  • “A indicação que demos até agora é que para utentes sem médico de família tivessem cobertura por médicos de família”, reforçou Graça Freitas, na conferência de imprensa diária sobre a pandemia do novo coronavírus em Portugal.
  • “A indicação que foi dada é que um utente não poderia ficar desprotegido por não ter médico de família, mas isso poderá variar de centro de saúde para centro de saúde”, nota.

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Por sua vez, o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, admite que possa haver casos pontuais, mas afirma que “neste momento não haverá ninguém sem médico de família, garantidamente”.

  1. “Mesmo as faixas mais vulneráveis da população, como migrantes ou refugiados, vão ficar abrangidos por esta situação e todos eles terão direito à sua assistência e ao seu médico de família”, assegura.
  2. A pergunta surge depois de a TSF ter chamado a atenção para as potenciais dificuldades que os doentes com Covid-19 que estão isolados em casa podem enfrentar para obter uma baixa médica, já que a informação disponível é escassa e omissa.
  3. No caso concreto do jovem com Covid-19 cuja situação foi retratada na TSF, não tem médico de família e foi-lhe indicado que devia contactar o delegado de saúde da área de residência para pedir um Certificado de Incapacidade Temporária para o trabalho.

Diogo Marques foi diagnosticado há mais de uma semana e nunca foi designado um médico específico para acompanhar o seu caso. Todos os dias um profissional do Serviço Nacional de Saúde telefona-lhe para avaliar a evolução dos sintomas, mas nem sempre é a mesma pessoa.

Segundo o últimos dados do Observatório Português dos Sistemas de Saúde, referentes a 2019, ainda há mais de 710 mil utentes em Portugal sem médico de família atribuído, sendo que foi promessa do Governo de António Costa dar médico de família a todos os portugueses.

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Olha, ganhei um médico de família!

Fechada em casa, entre a família em versão concentrada e esta experiência ácida para quem gosta de redações de jornais que é o teletrabalho, fui esta semana surpreendida por um inesperado mail do meu Centro de Saúde. “Caros utentes, sou a vossa médica de família e estou a contactar-vos no contexto da actual pandemia.

Considerando que nos encontramos em estado de emergência nacional, e de forma a proteger a saúde de todos, agradeço que privilegiem os contactos indiretos, estando o meu endereço eletrónico disponível para qualquer situação que necessitem. Desejo a todos que se protejam e envio algumas sugestões em anexo. Com os melhores cumprimentos.

LC (médica especialista em Medicina Geral e Familiar)”.

Gritei para os rapazes – “Olha, já temos médico de família!” – e parei para pensar. Vivemos no bairro há cinco anos e há cinco anos que esperávamos por esta notícia.

Recebê-la em plena pandemia parecia do outro mundo e foi com uma pergunta que respondi ao simpático mail. “Bom dia, grata pelo contacto.

Não sabia que tinha médica de família – da última vez que fui ao Centro de Saúde disseram-me que não tinha e não era previsível que tivesse tão cedo.

Significa que passamos a ter médico para durar ou apenas para este período da epidemia?”. A resposta foi quase automática (confirmando, suponho, que as urgências e os centros de saúde ficaram subitamente às moscas): “Cara Ângela Silva, já tem médica de família atribuída …

temos todos é de ultrapassar esta situação. Proteja-se! Disponível para qualquer esclarecimento adicional, com os melhores cumprimentos, LC”. Respondi na hora: “Ótima notícia! Mal isto acalme e esperando não precisar de recorrer à sua ajuda antes, iremos contactá-la para abrirmos processo.

Bom trabalho! Obrigada. Â.S.”

A nossa história é corriqueira. Vivemos no bairro há cinco anos e mal aterrámos na zona fomos inscrever-nos no Centro de Saúde onde, para grande desgosto nosso, ficámos a saber que não teríamos médico atribuído, nem previsão sobre quando isso aconteceria.

Na nossa anterior residência tínhamos tido mais sorte e durante anos habituámo-nos a recorrer com frequência ao 'nosso' médico. Mas agora, paciência, restava-nos esperar, sabendo que sempre que necessitássemos podíamos pedir um consulta extra.

Não é a mesma coisa mas sempre nos garantia alguma retaguarda.

A última vez em que estive no Centro de Saúde foi há cinco meses para regularizar vacinas e não havia novidade. Nem médico de família, nem previsão. A lista de espera era longa. Tínhamos que esperar. E pronto, deixámos de pensar no assunto. Eis senão quando, em plena pandemia Covid-19, o mundo mudou.

Ainda tentei perceber se isto tinha alguma coisa a ver com a situação com que o país está confrontado mas ninguém me soube responder. Podia haver notícia – será que libertaram médicos para os centros de saúde para dar resposta a suspeitas de casos Covid e assim aliviar os hospitais? Mas se me tinha sido atribuído um médico para ficar, não fazia sentido.

Não encontrei ninguém disponível para esclarecer. Mas foquei-me na boa notícia – já temos o 'nosso' médico.

Foi na boa altura. Fã do Serviço Nacional de Saúde, durante anos abusei dele. Vivia perto de um hospital público e fui vezes sem conta com os meus filhos para as urgências, às vezes por tuta e meia.

Dores de garganta, entorces no futebol, ranhos imparáveis, pés torcidos no râguebi, expetoração, febres súbitas, se chegavam a tempo do Centro de Saúde embora lá, mas se os pais chegavam fora de horas e chegavam quase sempre, vamos ali no instante à urgência que fica arrumado.

As esperas eram chatas mas treinava-se a paciência, era de borla e a equipa tôpo de gama. Já nos conhecíamos de gingeira. Os médicos dos serviços públicos são parte das nossas vidas.

Hoje, com o SNS ligado à máquina numa luta desigual com um vírus que virou o mundo do avesso, tudo o que fiz me parece imbecil. O Serviço Nacional de Saúde foi violentamente descapitalizado, já sabemos, mas é uma pérola e as pérolas têm que ser bem tratadas.

A prova de que não chega para tudo é a situação angustiante dos milhares de portugueses que, tendo ou não médico de família, se viram subitamente num limbo de espera incerta, com exames e consultas cancelados, sem saberem quando chega a sua vez porque há um monofoco chamado Covid.

E não é só no serviço público que os doentes 'normais' ficaram em stand by, é no setor privado que agora todos reconhecem ser uma peça essencial desta engrenagem.

São histórias de angústia. Doentes cancerosos a quem suspenderam a radioterapia. Doentes a aguardarem colonoscopias que eram urgentes mas deixaram de ser.

Diagnósticos que exigiam sequência e tratamento, era suposto não perder tempo mas agora não dá. Hipertensos e doentes cardíacos a acumularem sedentarismo e ansiedade com a vigilância corrente entre parêntesis.

E como o medo paralisa, a malta fecha-se, não refila, espera que passe. Oxalá.

Nós cá por casa não vamos ser pobres e mal agradecidos. Vamos marcar consulta para logo que seja possível com a nossa nova médica. Mas também vamos repensar a forma como passaremos a recorrer ao SNS. Talvez as teleconsultas funcionem. Talvez possamos tirar dúvidas por mail.

Talvez a linha Saúde 24 ganhe saúde. Nunca mais iremos com anginas a correr para o médico. E vamos passar a palavra: quando alguém estoirar um pé a jogar à bola, deve começar por dar tempo ao tempo com umas horinhas de gelo.

As notícias que nos contam da quebra de milhares de pessoas nas urgências e nos centros de saúde nestas semanas de pânico Covid terão, seguramente, um lado mau – há quem esteja a evitar ir ao médico quando devia exigir ir, por ter medo dos contágios – mas também têm um lado bom – há quem possa mesmo dispensar a corrida à consulta e talvez se aprenda com isso.

Se o balanço final não for trágico, se a contabilidade não mostrar que para estancar o número de mortes por Covid se deixaram morrer pessoas que foram privadas de acompanhamento médico escandalosamente adiado, podemos não nos indignar.

É muito cedo para saber a verdade desta guerra sobre a qual nos garantiram que ninguém mentiria a ninguém. Eu, pelo sim, pelo não, vou forçar o primeiro encontro com a minha nova médica. E já decidi: vou levar champanhe.

Saúde, SNS!

Saiba como ter um médico de família

Ter um médico de família é ter uma espécie de amigo que visita em horas de aperto. Aquele amigo que é o primeiro a detetar problemas de saúde e o último a sair de cena quando se impõe um tratamento. E mal esteja curado, lá está ele a agendar a próxima consulta!

Desde 2016 que todas as crianças nascidas em Portugal tem automaticamente um médico de família de acordo uma medida do projeto “Nascer Cidadão”.

Ele inscreve os bebés no Registo Nacional de Utente de modo a que passem a contar de forma imediata, com um número de utente e respetivo médico de família (normalmente o mesmo médico da mãe, sendo que caso os pais do bebé não tenham médico de família, o hospital onde nasceu a criança comunica o nascimento da mesma ao coordenador do centro de saúde mais próximo da sua residência).

Contudo, a medida é recente e por isso ainda há muitos portugueses – cerca de 700 mil – sem médico de família, sendo esta situação mais marcante na região de Lisboa e Vale do Tejo. Não fique de fora! Continue a ler este artigo e saiba como ter um médico de família!

Entretanto sugerimos também a leitura do nosso artigo sobre exames a fazer regularmente para check-up médico.

Qual é a importância do médico de família?

O nome diz tudo! Um médico de família é importante porque conhece o historial clínico das famílias que assiste, criando assim uma relação de confiança e proximidade com os utentes.

Além disso – ou por isso mesmo – é aquele que ao logo dos anos deteta eventuais problemas de saúde e, claro, ajuda no seu tratamento e/ou prevenção, chegando mesmo a preocupar-se mais com os seus pacientes do que outros médicos que possam ser consultados esporadicamente, devido ao fator proximidade.

Para mais, um médico de família compromete-se com utentes e não com uma especialidade médica, conjunto de técnicas específicas ou grupo de doenças.

Ou seja, está disponível para ajudar a identificar e resolver qualquer problema de saúde em qualquer pessoa, sem se limitar a um problema definido.

E este compromisso não tem prazo de validade porque um médico de família não cessa as suas funções com a cura da doença ou o fim do tratamento. Daí a importância de ter um médico de família.

Como ter um médico de família?

Em primeiro lugar, para ter o seu médico de família deve estar inscrito no centro de saúde da sua área de residência. Se ainda não fez a sua inscrição, basta dirigir-se à unidade mais próxima, levar consigo os seus documentos de identificação e comprovativo de residência e passar a usufruir dos serviços.

Se está inscrito, só precisa de escolher aquele que quer que seja o seu médico de família, de entre os profissionais que trabalham nesse centro de saúde e têm disponibilidade para seguir mais utentes ou então, pedir que lhe atribuam um.

Como mudar de médico de família?

Já tem um médico de família, mas quer mudar? Pode fazê-lo endereçando um pedido por escrito, devidamente justificado, ao diretor ou coordenador do centro de saúde em causa.

Como incluir toda a família no mesmo médico?

Para que todos tenham o mesmo médico de família é importante que estejam inscritos no mesmo centro de saúde, claro, e solicitem que lhes seja atribuída a mesma pessoa. Porém, isso nem sempre é possível porque o médico em causa pode não ter disponibilidade para atender mais pessoas, por exemplo.

E agora que sabe o que fazer para ter um médico de família, clique aqui e perceba também o que é e para que serve um centro de saúde!

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Vacinação Covid-19: Como fazem as pessoas sem médico de família? – Renascença

  • Veja também:
  • Os centros de saúde ainda não sabem como contactar todos os utentes cobertos pela segunda fase de vacinação contra a Covid, uma vez que muitos utentes são seguidos no privado ou não têm médico de família.
  • Decorre nesta altura um trabalho administrativo intenso para cruzar listas e chegar às pessoas com 50 anos que sofrem de determinadas patologias.
  • Nuno Jacinto, da Associação de Médicos de Medicina Geral e Familiar, diz que tem de haver uma articulação entre médicos do público e do privado.

“Essa é uma das grandes preocupações. Pode haver aqui várias estratégias.

Foi disponibilizado agora pela tutela uma plataforma onde é possível fazer a inscrição e o registo e os utentes podem fazer o registo dando indicação de que querem ser vacinados e que têm critério para tal, mas temos essas limitações inerentes ao uso da internet, e pode não ser acessível para todos”, diz.

“Se tivermos a falar de doentes que estejam a ser seguidos no privado, provavelmente a maneira mais fácil será promover a articulação entre médicos e fazer com que os colegas que estão no privado emitam um relatório que será entregue ao médico de família desse utente, apesar de ele não ir lá com frequência dando a indicação de que determinada pessoa tem critérios para ser vacinado. Caso o utente não tenha médico de família atribuído, mas esteja inscrito nalguma unidade, dependendo da unidade onde esteja poderá contactar a própria unidade”, acrescenta Nuno Jacinto.

Por enquanto, diz o médico, pede-se que os utentes aguardem uma chamada e que apenas contactem os centros de saúde em último caso, para não sobrecarregar os profissionais.

“A ideia neste momento é aguardar o contacto, porque esse trabalho está a ser feito, muito à custa dos profissionais e das próprias unidades.

Se eventualmente alguém que cumpre um desses critérios e que veja que nos próximos dias, ou na próxima semana, ou no tempo em que começa a vacinação não seja chamado poderá contactar o médico de família, mas nesta fase o princípio é esperar pela chamada, porque nós não temos capacidade de sermos inundados com todos os pedidos de contacto e dar resposta a mais todas essas solicitações.”

Nuno Jacinto explica que neste momento os médicos estão a cruzar informações. “Temos recebido da tutela as listas de utentes, com os utentes supostamente elegíveis, que cumprem os critérios para esta fase.

Essas listas estão a ser validadas pelas unidades, médicos e enfermeiros de família que estão a fazer esse trabalho, percebendo se há mais utentes que, cumprindo os critérios, não estão incluídos naquelas listas e, portanto, também têm de ser chamados para essa vacinação.”

Surge agora uma preocupação grande porque a primeira fase de vacinação destes cidadãos vai cruzar-se com a segunda fase dos lares e dos profissionais de saúde, que arranca já na próxima semana.

“Ainda estamos numa altura em que estamos a fazer as segundas doses das vacinas nos lares e estamos também a vacinar com a segunda dose os profissionais que fizeram a primeira dose nas últimas semanas.

Vai obviamente haver uma sobreposição que nos preocupa, vão aparecer mais estes doentes para vacinar e obviamente que a rotina das unidades de saúde vai ter de ser alterada, porque é uma tarefa grande e complexa que exige atenção e dedicação.”

“É mais uma alteração às nossas rotinas e mais uma tarefa em cima de algo que já era complicado fazer”, conclui Nuno Jacinto.

Saiba como escolher médico de família e tratar da inscrição num centro de saúde

Numa altura em que a situação pandémica limita ou cria várias dúvidas em relação aos procedimentos ligados às unidades de saúde, a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO) elaborou um conjunto de informações que podem ser relevantes na hora de fazer a inscrição ou, até, caso pretenda escolher o médico de familia.

Primeiramente, é importante saber distinguir quais são os estabelecimentos de prestação de cuidados de saúde primários. Existem dois tipos – as Unidades de Saúde de Cuidados Personalizados, ou USCP (os antigos centros de saúde) e as Unidades de Saúde Familiar (USF).

Para fazer a inscrição numa destas unidades, dirija-se à que está mais próxima da sua área de residência.

Leve consigo o número de utente, um documento de identificação (cartão do cidadão ou passaporte), um comprovativo de morada e o número de identificação fiscal, assim como o(s) comprovativo(s) dos benefícios de saúde a que tem direito, como isenções e comparticipações, se for esse o caso.

No caso dos recém-nascidos, a inscrição e a atribuição de um médico de família são agora automáticas. A possibilidade foi introduzida pelo projeto ‘Nascer Utente’, que transferiu essas tarefas para a instituição com bloco de partos onde o bebé nasce.

Caso mude de residência, tem a possibilidade de permanecer no mesmo centro de saúde, mas prescindindo de serviços como os cuidados domiciliários. Caso deseje mesmo mudar, pode fazê-lo de forma gratuita no centro de saúde para o qual pretende ser transferido, levando os mesmos documentos que são pedidos na inscrição.

Em caso de mudança provisória de residência, pode fazer uma inscrição temporária noutra unidade de saúde. Para isso, terá de expor as razões da sua mudança no centro de saúde da área de residência temporária, levando os mesmos documentos de que necessita no ato de inscrição para, assim, fazer o pedido de transferência do seu processo clínico e um pedido de inscrição temporária.

Pode ainda escolher um médico de família entre os profissionais que trabalham no centro de saúde, caso ainda existam vagas. Se já tem médico de família, mas quer mudar, deve endereçar um pedido escrito, devidamente justificado, ao diretor do centro.

É importante sublinhar que os médicos de família podem recusar ou cancelar a inscrição de qualquer utente nas suas listas, via pedido escrito e justificado. Em ambos os casos, a decisão cabe ao diretor do centro de saúde.

Pedir e usar os serviços

Atualmente, a lei dispensa o pagamento de taxas moderadoras a todos os utentes que acedam a cuidados de saúde primários, sejam eles consultas ou meios complementares de diagnóstico e terapêutica (MCDT) – tais como exames ou cuidados curativos –, desde que os mesmos sejam prescritos no âmbito dessas consultas e realizados em instituições públicas de saúde.

A marcação de consultas presenciais pode ser feita pelo utente, um familiar ou amigo, por telefone, internet (na área do cidadão do Portal do SNS), presencialmente, na USF/USCP onde está inscrito, ou ainda através da linha SNS 24 (808 24 24 24). Já as consultas urgentes implicam a deslocação do utente até à sua unidade de saúde ou ao serviço de atendimento permanente, ou urgente, do centro de saúde da área da ocorrência.

As USF e USCP disponibilizam ainda cuidados domiciliários, mediante solicitação. Têm direito a usufruir destes cuidados em casa os utentes que não conseguem deslocar-se até ao centro de saúde por doença súbita, incapacidade crónica ou velhice.

Como utente inscrito num centro de saúde, tem ainda acesso aos seguintes serviços: obtenção de receitas de medicamentos usados continuadamente por doentes crónicos (consulta sem a presença do utente), relatórios, como atestados comprovativos da aptidão física ou mental do utente (implica marcação de consulta) e a realização de exames complementares de diagnóstico, como análises clínicas e radiografias, mediante a prescrição médica e se a unidade de saúde estiver equipada para os fazer.

Inscrever o bebé

A inscrição de recém-nascidos no Registo Nacional de Utentes é feita de forma automática pela instituição com bloco de partos onde nascem através do projeto ‘Nascer Utente’. Estes bebés são integrados na lista de utentes do médico de família da mãe e/ou do pai (caso estejam em listas diferentes, prevalece a da mãe).

Quando nenhum dos progenitores tem médico de família, a instituição com bloco de partos onde a criança nasceu deve comunicar o nascimento ao coordenador da USF ou UCSP mais próxima da residência da criança (Projeto Notícia Nascimento).

Nestes casos, o coordenador é o responsável pela inscrição do bebé na lista de utentes de um médico de família, preferencialmente de uma USF do agrupamento de centros de saúde (ACES) em questão.

Se, neste segundo cenário, os pais preferirem a inscrição numa UCSP, podem declará-lo expressamente.

Manter a inscrição

Um utente que não recorra ao centro de saúde durante cinco anos consecutivos e que seja notificado disso pelo Agrupamento de Centros de Saúde onde a sua unidade de saúde se insere fica sem médico de família atribuído, caso não informe que deseja permanecer inscrito num prazo de 90 dias após a data da receção da notificação.

A notificação é feita através da Área do Cidadão do portal SNS 24, e-mail ou SMS, caso tenha indicado um número de telemóvel, ou através de uma carta com um código de ativação.

Para manter o médico de família, o utente tem de contactar a sua unidade de saúde presencialmente, por telefone, e-mail ou correio para indicar o código de ativação e, se necessário, atualizar os seus dados (nome, morada, estado civil, etc.) e do seu agregado familiar.

O contacto do utente atualiza de imediato a sua inscrição na respetiva unidade de saúde.

Caso não o faça, é integrado na lista de “utentes inscritos no ACES [Agrupamento de Centros de Saúde] sem contacto nos últimos cinco anos” e é aberta uma vaga na lista do médico de família.

A alteração de classificação de “utente com médico de família atribuído” para “utente inscrito no ACES sem contacto nos últimos cinco anos” não prejudica o seu direito a, em qualquer momento, requerer a atribuição de médico de família na unidade de cuidados primários da sua área de residência.

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