Como Saber Onde Votar Pelo Telemovel?

VALPARAÍSO (Goiás) — O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, conheceu neste domingo algumas propostas de sistemas alternativos de votação on-line, como por aplicativo de celular ou sites. A iniciativa faz parte do projeto Eleições no Futuro, lançado pelo TSE com o objetivo de estudar possíveis substitutos da urna eletrônica.

Apuração em tempo real:  Acompanhe a partir das 17h deste domingo

De acordo com Barroso, uma comissão do TSE irá estudar as propostas e, caso uma delas seja considerada satisfatória, ela poderá começar a ser implementada já em 2022, mas de forma gradual. 

O TSE abriu, em setembro, um edital de chamamento público para que empresas apresentassem propostas de votação online. Trinta e uma empresas enviaram sugestões.

Dessas, 26 estão fazendo demonstrações neste domingo. Barroso e o vice-presidente do TSE, Edson Fachin, conheceram quatro delas, que fizeram uma apresentação em Valparaíso (GO).

As outras apresentações estão sendo feitas em São Paulo e Curitiba.

Bolsonaro:  Presidente vota sob forte esquema de segurança no Rio e depois passeia pela região

De acordo com Barroso, as urnas eletrônicas, utilizadas desde 1996, são seguras, mas se tornam obsoletas rapidamente, demandando um custo elevado para serem substituídas. Além disso, o ministro afirmou que o processo de compra é complexo e nem sempre consegue ser concluído a tempo da eleição.

— Nós convocamos empresas de tecnologia a apresentarem soluções tecnológicas para que a votação possa ser feita pelo próprio dispositivo do eleitor, seja seu telefone celular, seja seu tablet ou eventualmente seu computador — explicou Barroso, durante entrevista coletiva após as apresentações. — O objetivo, portanto, é esse: baratear o custo da eleição digital brasileira e evitar as complexidades que a cada dois anos nós temos com procedimentos de licitação.

Eleição:  Com qual candidato a prefeito você mais se identifica? Faça o teste

Barroso afirmou que uma comissão, formada por ele, Fachin e o ministro Alexandre de Moraes (os dois próximos presidentes do TSE), irá analisar as propostas. De acordo com ele, as empresas terão que comprovar sigilo do voto, eficiência e segurança no sistema. Caso alguma seja considera satisfatória, a implementação poderá começar, de forma gradual, na próxima disputa.

— Vai depender da segurança que nós possamos ter com as alternativas oferecidas. Nós temos um teste tríplice: segurança, sigilo e eficiência. Se algum se modelo se mostrar confiável, eu imagino que sim, já possamos começar a implementar em 2022. Provavelmente será uma implementação progressiva, e não um estalar de dedos em que se mude tudo.

Como Saber Onde Votar Pelo Telemovel?
Primeiro turno das eleições municipais. De máscara, mas sem manter distanciamento, eleitores formam fila para votar no CIEP Ayrton Senna, na Rocinha Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

Como Saber Onde Votar Pelo Telemovel?
Acessórios de proteção contra o coronavírus são obrigatórios também para quem trabalha nas seções eleitorais Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

Como Saber Onde Votar Pelo Telemovel?
Na escola CAIC Euclides da Cunha, em Rio das Pedras, um funcionária aplica álcool nas mãos de eleitor antes do voto Foto: Fabiano Rocha / Fabiano Rocha

Como Saber Onde Votar Pelo Telemovel?
Nas primeiras horas de urnas abertas, fila para votação no CIEP Ayrton Senna se estendeu pela passarela da Rocinha Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

Como Saber Onde Votar Pelo Telemovel?
Fila de eleitores na Passarela da Rocinha Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

Como Saber Onde Votar Pelo Telemovel?
O 1º turno das eleições acontece neste domingo das 7h às 17h. Por causa da pandemia, as três primeiras horas de votação são preferenciais para pessoas acima de 60 anos Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

Como Saber Onde Votar Pelo Telemovel?
Proteção: mesários trabalham com face shield e máscara Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

Como Saber Onde Votar Pelo Telemovel?
Eleitor próprio borrifador de álcool 70°, enquanto espera a vez de votar no Ciep Ayrton Senna Da Silva, Rocinha Foto: Hermes de Paula / Agência O Globo

Como Saber Onde Votar Pelo Telemovel?
Eleitores formaram filas para votar cedo no CIEP Ayrton Senna, na Rocinha Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

Como Saber Onde Votar Pelo Telemovel?
Edda Gutierrez e a filha Patricia compartilham álcool gel na Escola Municipal São Tomaz de Aquino, no Leme, Zona Sul do Rio, onde votaram Foto: Ana Branco / Agência O Globo

Proteção e humor: Tercio Galdino aproveitou a necessidade de se proteger e se transformou em astronauta para votar na Escola Municipal São Tomaz de Aquino, no Leme Foto: Ana Branco / Agência O Globo

Uso de máscara é obrigatório para entrar nos locais de votação. Na foto, Colégio Penedo, rua Raul Pompeia, Copacabana. Foto: Ana Branco / Agência O Globo

Nas seções de votação, álcool em gel estão à disposição de mesários e eleitores, que devem higienizar as mãos antes e depois de registrar o voto na urna Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

Pessoas que trabalham nas seções tentam organizar fluxo de entrada de eleitores para evitar aglomerações Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

Idosos possuem preferência para votar no horário entre 7h e 10h Foto: Domingos Peixoto / Domingos Peixoto

Movimentação já ocorre nos locais de votação. Na imagem, seção localizada no bairro do Catete. Foto: Raphaela Ribas / Agência O Globo

Eleitores aguardam em fila na Escola Sérgio Buarque de Holanda, na Barra da Tijuca Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo

Pessoas esperam na fila para votar em uma seção eleitoral do Complexo do Alemão durante as eleições municipais no Rio de Janeiro Foto: RICARDO MORAES / REUTERS

As propostas apresentadas em Valparaíso incluíram um aplicativo com biometria facial e um site com criptografia de ponta a ponta. Essas empresas já utilizam as ferramenta em eleições de algumas organizações, como sindicatos e conselhos de classe.

O presidente do TSE não quis comentar em detalhes as propostas apresentadas, alegando que terá que avaliá-las no futuro, mas dissse “impressionado”:

— Eu não posso prejulgar, porque nós vamos ter que algum momento fazer escolhas. Mas fiquei muito bem impressionado com as potencialidades do sistema de eleição digital.

Urna já é aplicativo, argumenta ministro

Durante a entrevista coletiva, Barroso defendeu a possibilidade de mudança argumentando que a urna eletrônica também é um aplicativo, mas um “aplicativo caro”.

— A urna eletrôncia não deixa de ser um aplicativo, só que ela é um aplicativo caro. Nós estamos tentando substituí-la por um aplicativo mais barato. Até hoje, com a urna eletrônica, nós não tivemos nenhuma hipótese de fraude.

O presidente do TSE citou o fato de transações bancárias serem feitas de forma digital como um indicativo de segurança:

— É preciso ter em conta que hoje em dia se fazem transações bancárias de milhões de reais ou milhões de dólares por aplicativo. Portando, é só uma questão de se estabelecer os mecanismo adequados de seguranç.

Mas que é possível, claramente é. Se não, o sistema financeiro, por exemplo, não estaria funcionando de maneira quase que totalmente digital. Nem tudo que é novo é melhor.

Mas acho que a gente não pode ter medo da modernidade.

Barroso ponderou, contudo, que mesmo com a mudança talvez continue sendo necessário ir até a seção eleitoral, para garantir que o voto seja secreto. 

— Eu não tenho certeza que se vá encontrar um mecanismo tecnológico para tonar dispensável a ida do eleitor à seção eleitoral. Pela Constituição brasileira o voto tem que ser secreto. Portanto, nós temos que ter certeza que o patrão ou o coronel não estão atrás do eleitor. Não sei se há solução tecnológica para isso.

Mesmo caso isso seja necessário, o ministro argumentou que a mudança valeria a pena:

— Se não houver (garantia de segurança), o que o projeto Eleições no Futuro vai fazer é eliminar o custo da compra para substituição de urnas e o tormento burocrático que tem sido as licitações. Mas talvez não elimine a necessidade do eleitor ainda assim comparecer ao local de votação, usando seu próprio dispositivo.

Leia também:  Como Se Chama Uma Pessoa Que Só Pensa Em Si?

TSE avalia voto online ou por celular para Eleições 2022 | Brasil

O primeiro turno das Eleições 2020 também foi marcado pelas demonstrações de sistemas alternativos às urnas eletrônicas, como os que permitem votação online ou pelo celular. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, acompanhou algumas das propostas e não descartou uma mudança já nas Eleições 2022.

Como Saber Onde Votar Pelo Telemovel?

Luís Roberto Barroso, presidente do TSE (Imagem: Antonio Augusto/Ascom/TSE)

Barroso compareceu ao Colégio da Polícia Militar de Valparaíso de Goiás (GO), onde quatro empresas apresentaram seus sistemas de votação. Segundo o ministro, os estudos sobre a mudanças no sistema de votação são válidos porque outras operações que exigem mais segurança, como transações bancárias, já são feitas por aplicativo.

“A aplicabilidade ou não de um novo modelo em 2022 vai depender da segurança que possamos ter com as alternativas oferecidas. Nós temos um teste triplo: segurança, sigilo e eficiência. Se algum dos modelos se mostrar confiável, imagino que sim, já possamos implantar em 2022”, afirmou Barroso.

O presidente do TSE reforçou que as urnas eletrônicas são seguras, mas explicou que elas representam um custo significativo. Segundo ele, o país conta com 500 mil urnas e, a cada eleição, cerca de 100 mil precisam ser substituídas. Com o dólar em alta, ele avalia que o valor para a troca dos equipamentos chega a R$ 1 bilhão.

Ainda de acordo com Barroso, o modelo atual também exige, a cada eleição, uma licitação complexa que demanda muitos recursos administrativos e costuma ser judicializada, o que pode impedir a atualização das urnas a tempo das eleições, como aconteceu em 2020. “O objetivo é esse: baratear o custo da eleição digital brasileira e evitar as complexidades que a cada dois anos nós temos com o procedimento de licitação”, resumiu.

Como Saber Onde Votar Pelo Telemovel?

Despesas com urnas chegam a R$ 1 bilhão (Imagem: Antonio Augusto/Ascom/TSE)

As empresas que apresentaram seus sistemas em Valparaíso de Goiás foram GoLedger, RelataSoft, Infolog e o estoniano Centro de Excelência em Defesa Cibernética. Além delas, outras 12 demonstraram suas propostas em São Paulo e 10, em Curitiba. Entre as que haviam apresentado interesse em apresentar soluções, estão Claro, IBM e Smartmatic.

TSE descarta voto impresso

Os estudos sobre votação online ou por aplicativo indicam o caminho que o TSE pretende seguir nos próximos anos. Segundo Barroso, ainda que aconteça uma mudança, o tribunal seguirá com o controle do sistema de votação. O ministro também descartou a possibilidade de um retorno para um sistema de voto impresso.

“Não podemos ter medo da modernidade. Não podemos retroagir à cédula impressa. Já descartamos essa possibilidade. Todo candidato que perder vai pedir verificação dos votos eletrônicos com as cédulas de papel e o processo eleitoral vai deixar de ser simples e seguro”, afirmou.

As propostas fazem parte do projeto Eleições do Futuro, que teve chamamento público em setembro. Após demonstração com candidatos fictícios no primeiro turno, as 26 empresas participantes apresentarão suas soluções no TSE. Em seguida, o tribunal criará uma comissão para analisar a viabilidade dos sistemas.

Com informações: CNN, Correio Braziliense.

Eleições 2020: Como justificar a ausência pelo celular de forma rápida

1 de 1 — Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

— Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O eleitor que não votar nas eleições municipais de 2020 poderá justificar a ausência pelo e-Título, disponível para celulares e tablets. Para isso, será necessário ter baixado ou atualizado o aplicativo lançado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O primeiro turno das eleições deste ano está marcado para o dia 15 de novembro. Nas cidades em que for necessário, o segundo turno será no dia 29 do mesmo mês. Serão eleitos prefeitos e vereadores.

O aplicativo aceitará as justificativas dos eleitores que estiverem fora de seu domicílio eleitoral ou que estarão impedidos de comparecer à votação. O modelo é o mesmo já adotado pelo Portal do TSE na internet.

Segundo o TSE, o e-Título é uma alternativa ao título de eleitor impresso e tem validade oficial para efeitos de identificação. Lançado em 2017, o aplicativo apresenta os dados do eleitor, informações sobre o local de votação, além de funções como a possibilidade de geração de quitação eleitoral e de nada-consta de crimes eleitorais e a autenticação de documentos.

Para baixar o programa, basta procurar “e-Título” na loja de aplicativos de celulares e tablets com sistemas operacionais iOs e Android ou acessar o hotsite do título de eleitor no portal do TSE.

Instabilidades pelo grande número de acesso tem trazido transtorno a alguns eleitores que tentam justificar o voto neste domingo, pelo aplicativo e-Título. Segundo o TSE, “pode haver instabilidade momentânea no uso do aplicativo em razão do excesso de acessos.”

Este ano o aplicativo teve 12,8 milhões de downloads, e a orientação da Justiça Eleitoral nesses casos é esperar um pouco e tentar novamente o acesso. Apesar dos problemas, no último balanço divulgado até o fechamento dessa reportagem, cerca de 400 mil eleitores já haviam justificado ausência pelo aplicativo, conforme o órgão.

Veja como justificar ausência nas eleições 2020 pelo celular:

  • Abra a loja de aplicativos do seu celular ou tablet (App Store no caso de aparelhos iOS ou Play Store no caso de aparelhos Android).
  • Digite “e-Título” na busca e faça o download.
  • Para acessar o programa, aceite os termos de uso, informe nome, data de nascimento, o número do CPF ou do título de eleitor, nome da mãe e do pai.
  • Crie uma senha de acesso.
  • No botão “Mais opções”, no canto inferior direito da tela, o sistema oferece várias opções, incluindo a de “Justificativa de Ausência”.
  • Preencha os dados da eleição que deseja justificar, o motivo e o e-mail
  • Anexe um documento que comprove o motivo da ausência e clique em “Concluir”.
  • Com esse sistema, é possível justificar a ausência em votações passadas.
  • No caso das eleições de 2020, este método estará disponível a partir do dia seguinte ao da votação

Tribunal Superior Eleitoral – O Tribunal da Democracia

Adriano Alves de Sena1

Você sabia que, no dia da eleição, ao votar, é proibido o ingresso na cabine de votação portando aparelho celular ou qualquer outro equipamento que possa registrar o voto?

Essa proibição foi incluída na Lei das Eleições2 em 2009 e se encontra em vigor desde então, conforme consta no parágrafo único do art. 91-A: “Fica vedado portar aparelho de telefonia celular, máquinas fotográficas e filmadoras, dentro da cabina de votação.”

Tal medida objetivou proteger o livre exercício do direito ao voto. Como se sabe, o voto é secreto, portanto, não se admite a possibilidade de que o cidadão seja fiscalizado em sua orientação política ao exercer a escolha dos representantes. O sigilo do voto é a base para a liberdade de escolha.

O fato de o voto ser sigiloso não impede o uso da liberdade de expressão. No dia da votação, o cidadão pode manifestar seu apoio a propostas dos partidos ou dos candidatos silenciosamente, indicando sua preferência política. Contudo, relembra-se que o voto é um direito de cada pessoa e deve ser exercido de forma secreta para a escolha dos representantes políticos.

Admitir o registro visual do exercício do voto poderia expor parte dos eleitores ao aliciamento por candidatos que não respeitam as regras para as eleições. Esses candidatos estariam diante de uma forma para captação ilícita de votos e, consequentemente, para corrupção, ante a possibilidade de obterem comprovação, por meio de imagens e vídeos, de que determinado eleitor lhe atribuiu o voto.

No momento em que está na cabine de votação, o eleitor exerce um ato formal que consolida a democracia, não sendo permitido que outra pessoa o exerça em seu lugar.

Leia também:  O Que É O Uber E Como Funciona?

O legislador não poderia deixar vulnerável a liberdade do cidadão de decidir por meio do voto o futuro da nossa sociedade.

Sem essa alteração da lei, o registro do voto com a imagem que indique em quem o eleitor votou poderia ser usado na troca por promessa de emprego, cestas básicas, materiais de construção, dentre várias possibilidades, haja vista que o voto assumiria a conotação de moeda de troca nas eleições.

Além disso, poderia haver retaliação política do candidato eleito contra determinada localidade em que obtivesse poucos votos, atrasando-lhes as políticas públicas.

A violação do sigilo do voto é crime previsto no Código Eleitoral que compromete a lisura das eleições e pode ser praticado pelo próprio eleitor, ou por qualquer outra pessoa.

Para evitar que tais registros de votos possam ocorrer, o Tribunal Superior Eleitoral regulamentou3 que tais aparelhos ficarão retidos na mesa receptora enquanto o eleitor estiver votando, sendo-lhe devolvido imediatamente após o voto.

Como se percebe, a proibição de outros equipamentos, além da urna eletrônica, que possam registrar ou gravar o voto na cabine de votação protege o eleitor de investidas de quem quer substituí-lo na sua vontade política.

Essa inovação da lei assegurará ao cidadão a participação nas eleições com a convicção de que sua escolha reflita o melhor para o país, seu estado ou seu município.

A Justiça Eleitoral estará atenta para que o eleitor exerça sua cidadania sem ser coagido em sua vontade.

1 Bacharel em Direito. Técnico judiciário da Escola Judiciária Eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral.

2 A Lei nº 12.034, de 2009, inseriu o art. 91-A na Lei n° 9.504, de 1997, Lei das Eleições.

3  Resolução-TSE n° 23.399 – Dispõe sobre os atos preparatórios para as eleições de 2014.Art. 88.

Na cabina de votação é vedado ao eleitor portar aparelho de telefonia celular, máquinas fotográficas, filmadoras, equipamento de radiocomunicação, ou qualquer instrumento que possa comprometer o sigilo do voto, devendo ficar retidos na mesa receptora enquanto o eleitor estiver votando (Lei nº 9.504/1997, art. 91-A, parágrafo único) (grifo nosso).

Voto em casa e pelo celular! Como é a tecnologia em eleições pelo mundo

Enquanto os eleitores brasileiros decidem o futuro do país depositando seus votos em urnas eletrônicas, como vai ocorrer neste domingo (28), vários lugares do mundo adotam outras formas tecnológicas bastante diferentes para escolher seus representantes — desculpe, mas nenhuma delas envolve imprimir o voto.

Vindos de países tão diversos como Estônia, Colômbia, Estados Unidos e Dinamarca, esses métodos vão de voto enviado pela internet até votação usando aplicativo para celular blockchain, a tecnologia por trás da moeda virtual bitcoin.

A implantação dessas diferentes abordagens tecnológicas divide analistas.

Para defensores, elas têm o poder de minimizar as suspeitas de fraude, já que a apuração poderia ocorrer em tempo real e seria possível conferir se um voto foi colocado, de fato, na conta de um candidato.

Para críticos, votar pela internet não acaba com os problemas existentes e a transparência pode ser usada para coagir eleitores a apoiar um determinado candidato.

VEJA TAMBÉM:

Votação online mais antiga do mundo

O mais antigo sistema eleitoral a usar algum tipo de votação pela internet é o da Estônia. Um dos países mais conectados do mundo, a ex república soviética é exemplo em governo eletrônico, ou seja, muitas das interações entre o cidadão e a esfera pública são feitas sem sair de casa, por meio do celular.

O sistema de votação eletrônica criado em 2005 foi o primeiro do mundo a ser usado em eleições parlamentares, o que ocorreu dois anos mais tarde. Desde então, 30% dos estonianos preferem votar dessa forma.

Chamado de i-Voting, o sistema funciona assim: durante o período eleitoral, o cidadão se conecta à plataforma eleitoral usando sua identidade digital, uma espécie de RG digital que confere um código único; quando o voto chega à Comissão Nacional Eleitoral, a identidade do votante é removida para garantir que o apoio a um candidato seja anônimo.

$escape.getH()uolbr_geraModulos(‘embed-infografico’,‘/2018/urna-eletronica-1539462899216.vm’)

Prevendo que o voto remoto pode estar sujeito à pressão externa, a Estônia criou uma forma de contornar coações: cada eleitor pode votar quantas vezes quiser. Só que cada novo voto anula o anterior, de forma que permanece a lógica de um voto por cabeça.

Experiência norte-americana

Já a blockchain passou a ser empregada no registro de votos mais recentemente. O primeiro caso foi o do estado norte-americano de West Virgínia. Em maio deste ano, o governo estadual testou um sistema para militares em missões no exterior votarem nas primárias eleitorais.

Os interessados se cadastraram junto ao sistema eleitoral do estado, que enviou credenciais de acesso. Com elas e usando dados biométricos, votaram usando um aplicativo para celular.

O governo de West Virginia pretende agora usar esse mesmo sistema durante as chamadas eleições de meio de mandato, que ocorrerão em novembro e renovarão parte das cadeiras de deputados e senados do Congresso dos EUA.

Apesar de também ser feita pela internet, a votação usando blockchain (inglês para “corrente de blocos”) funciona de forma diferente. Cada voto é incluído em um pacote de dados criptografados. Esses pacotinhos são emparelhados em uma grande “corrente de blocos”.

Votação na Estônia é feita pela internet de casa

Imagem: Divulgação/Estônia

Apuração ao vivo, 'quem ganhou meu voto?'…

A blockchain, criada junto com o bitcoin, funciona como um grande e seguro livro contábil com cópias por várias bibliotecas – para evitar que o sistema seja tirado do ar, há várias cópias dele espalhadas pela internet. Como os dados que compõem esse livro estão bastante embaralhados, tentar alterá-los é uma tarefa árdua.

Além disso, fazer isso corromperia a corrente inteira, já que cada elo está intrinsecamente ligado ao outro.

O processo também é transparente, porque os elos dessa corrente podem ser checados por qualquer um e à medida que são incorporados. Também é anônimo, já que você não vê o nome de quem deu determinado voto, mas, sim, o código usado por aquela pessoa.

$escape.getH()uolbr_geraModulos(‘embed-infografico’,‘/2018/whatsapp-e-o-vilao-da-eleicao-1539437805757.vm’)

Para Tatiana Trícia de Paiva Revoredo, especialista em blockchain, isso traz as seguintes vantagens:

  • Você pode checar se seu voto foi, de fato, computado para determinado candidato: responde à pergunta: “meu voto foi mesmo para o meu candidato?”
  • apuração em tempo real, ou seja, o resultado vai sendo mostrado à medida que os votos vão saindo dos celulares.

Antes de West Virginia, a blockchain foi usada em outras votações. A Dinamarca fez um teste no ano passado: enquanto a eleição ocorria da forma tradicional, os eleitores podiam também votar pela “corrente de blocos”.

$escape.getH()uolbr_geraModulos(‘embed-infografico’,‘/2018/blockchain-1535645083586.vm’)

Já na Colômbia, o sistema foi usado no plebiscito para selar a paz com as Forças Armadas Revolucionárias (Farc). A ação foi voltada aos colombianos que estavam fora do país.

VEJA TAMBÉM:

Quem defende x quem é contra

  • Para Revoredo, sistemas eleitorais que se apoiem na internet e garantam transparência da apuração e identidade anônima dos eleitores é o futuro.
  • A gente está indo para um mundo descentralizado, em que a internet é 100 % descentralizada, usa inteligência artificial e transações feitas de uma pessoa a outra
  • “Uma das coisas mais fantástica da blockchain é que você evita a fraude, pois coloca a possibilidade de transacionar nas mãos do cidadão.”
  • Nem todos os entendidos nessa tecnologia, porém, são entusiasta de sua aplicação para registrar e apurar votos.
  • “O problema aqui não é que a blockchain é ruim, é que qualquer coisa que você possa querer ao usar blockchain em eleições civis traz novas vulnerabilidades que não existiam antes e é mais fácil, simples e seguro de fazer com outras abordagens”, afirma Matt Blaze, pesquisador de segurança da Universidade da Pensilvânia.
  • Com 25 anos de pesquisa em como usar criptografia para levar maior segurança a sistemas conectados indispensáveis para a sociedade, ele é um dos críticos das inovações promovidas em West Virginia.
Leia também:  Como Saber Qual O Meu Medico De Familia?

Parem essa besteira. Eleições importam muito. Os requerimentos para elas evoluíram durante séculos de democracia. A votação não é uma zona livre para testes de uma ideiazinha inteligente de startup

E no Brasil? Funcionaria?

Ainda que defenda a tecnologia, Revoredo enxerga alguns entraves para que seja implantada no Brasil:

  • falta de maturidade: a tecnologia precisa ser melhor desenvolvida antes de ser aplicada na votação;
  • acesso a banda larga ainda não é universal e as pessoas ainda têm dificuldade de lidar com processos digitais;
  • barreiras regulamentares com relação a proteção de dados: como a blockchain é global e não ficaria necessariamente só no Brasil, a legislação poderia ser um entrave;
  • resistência de líderes políticos e do sistema público.

Tirar a votação de um ambiente controlado e levá-la para a casa do eleitor, por exemplo, cria calafrios em autoridades eleitorais. Algumas características do sistema eleitoral brasileiro foram criadas para evitar que a figura do voto de cabresto, comum na República Velha (1889-1930), ganhe uma edição 2.0.

Naquela época, líderes regionais controlavam, entre outras coisas, como votavam uma determinada população local. Para Revoredo, a tecnologia pode apaziguar muitos das discussões que temos atualmente. E, caso surjam outros problemas, talvez não sejam culpa da tecnologia.

Com relação ao coronelismo, eu te respondo com outra pergunta: todo mundo aqui tem conta em banco. Quando você vai lá e saca dinheiro, pode vir um ladrão na porta e te roubar? Pode. Mas é por isso que você vai dizer que o banco não é útil?

Revoredo

Onde votar nas eleições presidenciais? A resposta está à distância de um SMS – Renascença

Os portugueses são este domingo chamados a eleger o Presidente da República. Para ficar a saber o local de voto basta enviar uma mensagem de telemóvel, por exemplo. Na hora de votar vai ser preciso cumprir várias regras sanitárias devido à pandemia de Covid-19.

A informação sobre a mesa de voto onde cada eleitor está recenseado pode ser obtida através do envio de um SMS grátis para o número 3838, explica o Ministério da Administração Interna (MAI).

A mensagem de telemóvel tem que ter o seguinte conteúdo: “RE (espaço) número de Cartão do Cidadão ou Bilhete de Identidade (espaço) data de nascimento=aaaammdd”. Por exemplo: “RE 00000000 19900101”.

Na resposta, o eleitor recebe um SMS com o nome, o concelho, a freguesia e o local e seção de voto.

Para saber onde votar, os portugueses também podem recorrer à internet, através do site www.recenseamento.mai.gov.pt, e inserir o número de Cartão do Cidadão ou Bilhete de Identidade e a data de nascimento.

Além destas formas digitais, há sempre a alternativa de consultar os editais disponíveis nas juntas de freguesia.

Quatro regras de ouro: máscara, distância, desinfetar as mãos e caneta própria

  • A administração eleitoral informou este sábado que foram alterados 20 locais de voto nas eleições presidenciais de domingo em sete concelhos do país, para garantir a segurança devido à pandemia de covid-19.
  • Em comunicado, a administração eleitoral da secretaria-geral do Ministério da Administração Interna (SGMAI) admite ainda que “estas alterações, e outras que possam ainda ocorrer” até domingo, “por motivos de força maior, estão a ser comunicadas localmente pelos canais das respetivas Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia”.
  • As mudanças das mesas de voto, para locais maiores, vão acontecer nos concelhos de Aljustrel, Mirandela, Vila Flor, Coimbra, Soure, Marco de Canaveses, Coruche, Ourém, Santarém e Viana do Castelo.
  • São abrangidas pelas mudanças mesas colocadas nas freguesias de Aljustrel e Rio de Moinhos (Aljustrel), Barcel, Marmelos e Valverde da Gestosa (Mirandela), Santa Comba da Vilariça (Vila Flor), Santo António dos Olivais (Coimbra), Alfarelos, Figueiró do Campo, Gesteira e Brunhós, Granja do Leneiro, Soure, União de Freguesias de Gracias Pombalino, Vinha da Rainha (Soure), Alpendurada, Várzea e Torrão, (Marco de Canaveses), Nossa Senhora da Piedade (Ourém), Moçarria (Santarém), Amonde e Mujães (Viana do Castelo).

De acordo com o MAI, para as eleições presidenciais de domingo serão constituídas 12.450 secções de voto, 12.273 em território nacional e 177 no estrangeiro, o que corresponde ao empenhamento de 62.250 membros de mesa.

Nas presidenciais deste domingo, os eleitores devem ainda adotar quatro medidas essenciais: utilizar máscara, manter a distância de segurança enquanto aguardam pela sua vez de votar, desinfetar as mãos e utilizar caneta própria.

O Ministério da Administração Interna reitera estarem garantidas, para o exercício do direito de voto nas eleições presidenciais deste domingo,todas as condições sanitárias impostas pelas autoridades de saúde e de fiabilidade do sistema eleitoral.

O MAI adianta que, para garantir a segurança sanitária durante as eleições deste domingo, foram adquiridos e distribuídos milhares de equipamentos de proteção. No total, são 134.840 pares de luvas, 337.100 máscaras cirúrgicas, 101.842 embalagens de gel de 500 ml e 67.420 viseiras, num total de 120 toneladas de material profilático.

Onde votar? Três formas de encontrar a sua secção de voto

Dia 24 de janeiro, os portugueses são chamados às urnas para escolherem o próximo Presidente da República. Os locais da votação abrem às 8h00 e encerram às 19h00 e é importante que saiba previamente, com exatidão, o local onde pode votar.

O ECO explica-lhe três formas de obter essa informação.

1. Internet

Com a ameaça da pandemia, todo o cuidado é pouco. Por isso, dê preferência à consulta de informação por meios remotos, como é o caso da internet.

Para saber onde pode votar este domingo, aceda ao site do recenseamento eleitoral do Ministério da Administração Interna, clicando aqui.

De seguida, preencha o primeiro campo com o seu número do cartão de cidadão. Preencha também o segundo campo com a sua data de nascimento, no seguinte formato: imaginando que nasceu a 5 de abril de 1960, deve introduzir “19600405”, ou seja, AAAAMMDD, em que AAAA = Ano, MM = mês e DD = dia).

Deve ainda introduzir o código de confirmação que surge na imagem. Ao clicar em pesquisar, será informado do local de voto, com a respetiva morada e o número de secção.

2. SMS grátis

Outra forma segura de saber em que local pode votar é enviando uma mensagem de texto para o número “3838” com a mensagem “RE XXXXXXXX AAAAMMDD”, em que XXXXXXXX é o número do seu cartão de cidadão e AAAAMMDD é a sua data de nascimento.

Se for maior de 18 anos e estiver recenseado para as eleições Presidenciais, receberá de volta a informação do local onde pode votar e respetiva secção de voto.

3. Junta de Freguesia ou Câmara Municipal

  • Pode ainda saber o local de voto e secção da forma mais tradicional: consultando o edital afixado na sua Junta de Freguesia ou Câmara Municipal.
  • Segundo a Comissão Nacional de Eleições, “os editais indicam também o número de eleitores inscritos”.
  • Além disso, “pode, também, conhecer o local de voto através da sua Junta de Freguesia, aberta para esse efeito no dia da eleição, para além de outras formas de acesso à referida informação disponibilizadas pela administração eleitoral”, explica a Comissão Nacional de Eleições.

Acima de tudo, não se esqueça de que o tradicional número de eleitor foi abolido há já vários anos, pelo que, antes de votar, basta indicar ao presidente da mesa o seu nome, apresentando o seu cartão de cidadão. E, por causa da pandemia, não se esqueça de levar máscara, álcool-gel e, se possível, caneta própria.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*