Como Saber Onde Ainda Ha Gasoleo?

Quem está a pensar adquirir um carro novo tem, à partida, de se decidir pelo tipo de motorização que é ideal para si.

Há um número crescente de condutores que vão optar por modelos 100% eléctricos, outros pelos híbridos, que surgem como uma alternativa válida aos diesel em termos de custos de utilização, com muitos a preferirem os híbridos plug-in (PHEV), solução que promete o melhor dos dois mundos, desde que se recarregue regularmente a bateria.

Mas é garantido que, em 2021, muitos continuarão a optar por motores a gasóleo, seja por uma questão de gosto pessoal, pelo tipo de utilização que dão ao veículo ou pela dificuldade de recarregar na zona em que habitam.

Em Portugal, durante 2020, os diesel representaram 26,2% das vendas, ligeiramente abaixo da fatia que detinham no mercado europeu no ano anterior (30,5%), mas com a mesma tendência para descer gradualmente, uma vez que não é necessário recuar muitos anos para encontrar os diesel a controlar 60% do mercado.

Esta redução foi motivada pela falta de interesse por parte dos clientes, sobretudo porque passaram a ter no mercado mecânicas alternativas (eléctricas e electrificadas) que lhes oferecem opções com menores custos e a dar provas de maior responsabilidade social.

A vontade manifestada por alguns países de banir o gasóleo como combustível contribuiu, igualmente, para este crescente desinteresse.

O maior problema dos diesel será conhecido em 2021

Nos últimos anos, as emissões médias de dióxido de carbono dos motores de combustão têm vindo a cair, de forma mais evidente graças à colaboração das versões híbridas, PHEV e eléctricas.

Mas, apesar disso, a Comissão Europeia (CE) está consciente que há uma grande discrepância entre os valores anunciados e homologados pelos fabricantes em testes laboratoriais, e os consumos e emissões que efectivamente são conseguidos durante uma utilização do veículo em condições reais. E o problema que os técnicos da CE enfrentam é que, apesar das sucessivas normas introduzidas (Euro 5a, Euro 5b, Euro 6b, Euro 6c, Euro 6 Temp e Euro 6d, nada menos do que seis durante um período de 10 anos), a divergência entre as emissões teóricas (as homologadas) e as reais não tem diminuído. O que leva à introdução da Euro 7, a ser apresentada ainda em 2021.

Como Saber Onde Ainda Ha Gasoleo?

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Os motores de combustão, para cumprirem as limitações Euro 7, vão ver o seu preço aumentar de forma significativa, o que reduzirá a sua apetência no mercado

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Espera-se que a mais recente norma antipoluição seja revelada em meados do ano, para depois ser alvo de uma (profunda) discussão até final de 2021, altura em que será adoptada.

Os fabricantes vão manifestar a sua oposição aos objectivos do legislador mas, como tem sido habitual, é expectável que pouco alcancem com os seus protestos.

Independentemente dos pormenores, depois da Euro 7 ser adoptada no último trimestre do ano, entrará em vigor em 2025 e se promete restringir grandemente os motores a gasolina, vai ser muito nefasta para os motores a gasóleo, que terão de recorrer a mais sistemas e dispositivos para limitar a emissão de gases nocivos.

É necessário ter presente que os motores de combustão têm beneficiado, até aqui, de algum proteccionismo, pelo menos na forma como a CE tem permitido que sejam favorecidos no método como são determinados os consumos e emissões.

Numa altura em que todos os estudos apontam que a maioria dos condutores (80%) percorre entre 40 e 80 km por dia, variando o valor consoante o país europeu (40 km no Reino Unido e 80 km na Polónia), é difícil aceitar que as medições laboratoriais partam sempre do princípio que o motor já estava, à partida, à temperatura ideal de funcionamento.

Como Saber Onde Ainda Ha Gasoleo? Um motor eléctrico contém um número de peças consideravelmente inferior, vantagem que aumenta à medida que o nível de potência sobe

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Tão pouco é justificável que o período de reciclagem do filtro de partículas não seja considerado no ciclo de testes – o que é ainda mais frequente nos veículos que percorrem deslocações mais curtas –, período em que as partículas grandes capturadas pelo filtro se transformam noutras mais pequenas por incineração, não desaparecendo por completo.

Há muitas marcas a virar já as costas aos diesel

Por muito que se oponham ao que acusam ser uma perseguição aos motores a gasóleo sem suporte científico, os construtores de automóveis sabem que os motores diesel vão mesmo desaparecer a prazo.

A partir de 2025, quando a Euro 7 for implementada, é altamente provável que sejam os próprios fabricantes que não os querem continuar a propor aos clientes, dado o incremento que se espera que exista no preço, para os colocar de acordo com os novos limites de emissões nefastas.

Como Saber Onde Ainda Ha Gasoleo? Aquela que era a maior fábrica de motores diesel do mundo, a PSA em Tremery, agora fabrica motores eléctricos

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Mas há outro indício importante para suportar a ideia de que os diesel se aproximam do fim de ciclo, depois de terem dominado o mercado europeu durante décadas.

A maioria dos fabricantes já começou a tratar de interromper a produção em algumas das suas fábricas especializadas em unidades motrizes diesel, para as adaptar à produção de veículos ou de motores eléctricos.

Um dos exemplos mais flagrantes chega-nos da PSA, agora Stellantis, que tinha na fábrica francesa de Tremery, a maior do mundo em capacidade de produção.

De acordo com a Reuters, depois de ter fabricado 90.000 motores eléctricos em 2020, Tremery vai atingir 180.000 este ano, para depois continuar a crescer até aos 900.000 em 2025.

E com os motores eléctricos a possuírem somente 1/5 das peças de um motor de combustão, há algumas preocupações em relação ao futuro dos 3000 empregados desta linha de produção francesa. A Plateforme Automobile, um grupo de lobby da indústria automóvel local, prevê que dos 400.

000 postos de trabalho do país ligados a esta indústria, 15.000 estejam em risco. Ainda assim, uma gota de água face aos 100.000 que se estima que possam desaparecer na Alemanha.

Pode continuar a comprar diesel, mas…

A resposta à questão que colocamos de início, sobre se ainda é uma boa ideia adquirir um veículo com motor a gasóleo, é sim. Isto partindo do princípio que este tipo de motorização é a que mais vantagens lhe dá, para o tipo de utilização que tem em vista.

Se habita numa zona mal servida com postos de carga e não tem hipótese de recarregar em casa, se realiza grandes deslocações regularmente e não se pode dar ao luxo de parar uma hora para recarregar a bateria, ou se tem de rebocar algo pesado, o diesel ainda é uma boa opção.

Mas este é um nicho de mercado com tendência para se tornar cada vez mais… nicho.

Abasteci o depósito com o combustível errado! E agora?

  • Outrora mais comum (até porque os bocais de abastecimento e as mangueiras tinham o mesmo tamanho), abastecer o carro com o combustível errado não se tornou totalmente algo do passado.
  • É que se a menor dimensão do bocal de enchimento de um carro com motor a gasolina e a maior largura da mangueira de um carro com motor a gasóleo tornam quase impossível encher o depósito de um carro a gasolina com gasóleo, o mesmo não acontece ao contrário.
  • Ora, se és daquelas pessoas que trocam com frequência entre um carro a gasolina e outro a gasóleo, e tiveres o azar de abastecer com o combustível errado, sabes o que te espera?
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Neste artigo vamos tentar dissipar mitos e explicar-te todos os problemas que o teu carro pode ter caso o obrigues a uma mudança “forçada” de dieta.

Abastecer um carro Diesel com gasolina

Imagina este cenário: chegas ao posto de abastecimento com o teu carro Diesel, enganas-te e abasteceste com gasolina. Neste cenário tens duas hipóteses: ou ligaste ou não ligaste o carro.

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Se te apercebeste do erro e não chegaste a ligar o carro —  aliás, ligar a ignição já é prejudicial —, apenas tens de chamar o reboque para que na oficina procedam ao esvaziamento do depósito.

Se não te apercebeste do erro e, por azar, ligaste a ignição ou colocaste o motor a trabalhar, a fatura será mais elevada. E mesmo que te tenhas apercebido do erro atempadamente e recorras ao truque de atestar o que faltava novamente com gasóleo e ligues o motor, não vai evitar problemas, sobretudo nos motores Diesel modernos.

Neste caso, o melhor que tens a fazer é desligar o motor o mais rapidamente possível e chamar a assistência em viagem.

Depois disto prepara-te para uma reparação que vai envolver a limpeza do circuito de alimentação de combustível, substituição do filtro de gasóleo e ainda para a possibilidade de tanto a bomba injetora como os injetores estarem avariados devido a esta nova e indesejável dieta.

Como Saber Onde Ainda Ha Gasoleo?

Gasóleo num motor a gasolina

Hoje em dia, devido à dimensão do bocal de enchimento dos carros a gasolina, será mais difícil colocar gasóleo num carro a gasolina — difícil, mas não impossível.

Na eventualidade de tal acontecer e tenhas dado conta a tempo do erro, onde colocas apenas um pouco de gasóleo, temos boas notícias. Se atestares o resto do depósito com gasolina, e este fique cheio sobretudo com gasolina, o problema pode ser resolvido sem teres de visitar a oficina. A probabilidade é que, quando em funcionamento, notes um menor rendimento do motor.

Porém, se a proporção de gasóleo for superior à de gasolina no depósito, não ligues o motor. Vais ter de visitar o mecânico para que este esvazie o depósito.

Caso tenhas colocado o motor a trabalhar, sendo a maioria do combustível no depósito gasóleo, então o melhor é mesmo ter esperança de que o combustível errado não tenha passado pelo catalisador sem ter sido queimado. Se tal se confirmar prepara-te para uma reparação bem dispendiosa.

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Carro a diesel vale a pena para economizar na alta dos combustíveis?

Os combustíveis já somam alta de aproximadamente 30% em 2021. Diante desse aumento, os carros movidos a diesel podem parecer tentadores: afinal, o preço do óleo derivado do petróleo, apesar de também ter sofrido elevação, ainda é aproximadamente 21% mais em conta que o da gasolina. Será que vale a pena?

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Do ponto de vista estritamente financeiro, a resposta é negativa para a maioria dos consumidores. Isso porque o motor a diesel faz o preço de compra dos modelos disparar. O mesmo modelo, quando equipado com motor flex, pode ter valor até 25% mais baixo.

O levantamento leva em consideração duas picapes (Chevrolet S10 e Toyota Hilux) e dois SUVs (Jeep Compass e Renegade).

Entre os veículos selecionados, a reportagem comparou versões similares em termos de equipamentos e acabamento: o que varia é apenas a motorização, flex ou a diesel.

Porém, os SUVs restringem a tração 4×4 apenas à motorização sem centelha. Confira os preços:

Veículo
Preço com motor flex
Preço com motor a diesel
Diferença de preço entre as versões
Chevrolet S10 LTZ 4×4 R$ 188.430 R$ 226.420 R$ 37.990
Toyota Hilux SRV 4×4 R$ 184.990 R$ 224.790 R$ 39.800
Jeep Renegade Longitude R$ 116.790 R$ 156.590 R$ 39.800
Jeep Compass Longitude R$ 148.990 R$ 188.990 R$ 40.000

Como Saber Onde Ainda Ha Gasoleo?Na versão Longitude, motor a diesel aumenta o preço de compra do Jeep Compass em exatos R$ 40 mil

Custo por quilômetro rodado

Conhecidos os preços dos carros, é hora de saber os valores do diesel S10 (cujo uso é obrigatório em veículos novos), do etanol e da gasolina. Os dados tomados por base são os valores médios do litro desses combustíveis em todo o Brasil, divulgados pelo último relatório da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Confira:

Combustível
Diesel S10
Gasolina comum
Etanol comum
Preço médio segundo a ANP R$ 3,939 R$ 4,917 R$ 3,378

Tomando os preços dos carros e dos combustíveis como referências, a reportagem fez uma estimativa do custo por quilômetro rodado de picapes e SUVs com motor a diesel e flex, baseada no consumo divulgado pelo PBE.

Consumo
etanol cidade
etanol estrada
gasolina cidade
gasolina estrada
diesel cidade
diesel estrada
Chevrolet S10 LTZ 4×4 5,0 6,2 7,4 9,0 8,7 10,6
Toyota Hilux SRV 4×4 4,8 5,6 6,9 8,1 9,0 10,5
Jeep Renegade Longitude 6,9 8,6 10,0 12,0 10,2 12,9
Jeep Compass Longitude 6,1 7,5 8,8 10,8 10,3 13,4

A constatação é de que o motorista só conseguirá pagar a diferença no preço de compra dos veículos a diesel após rodar centenas de milhares de quilômetros. Isso, considerando apenas o preço do combustível no cálculo dos gastos por quilômetro.

Contudo, vale lembrar que despesas como seguro e taxas, entre as quais o IPVA, têm relação direta com o preço do veículo: ou seja, também tendem a ser mais altas em carros a diesel.

Preço do Km rodado (média entre estrada e cidade)
Etanol
Gasolina
Diesel
Chevrolet S10 LTZ R$ 0,61 R$ 0,61 R$ 0,41
Toyota Hilux SRV R$ 0,65 R$ 0,66 R$ 0,41
Jeep Renegade Longitude R$ 0,44 R$ 0,45 R$ 0,35
Jeep Compass Longitude R$ 0,50 R$ 0,51 R$ 0,34

Jeep Renegade a diesel é o menos vantajoso

No fim das contas, o veículo no qual a diferença no preço seria compensada mais rapidamente pelos gastos com combustível é a Toyota Hilux. Mesmo assim, o motorista precisa rodar pelo menos cerca de 157 mil quilômetros para cobrir o valor de compra mais elevado.

Como Saber Onde Ainda Ha Gasoleo?Jeep Renegade é o que mais demora a cobrir o investimento extra na compra

Na outra ponta, o Jeep Renegade é, entre os carros pesquisados, o menos vantajoso do ponto de vista financeiro para quem o adquire com motor a diesel. Nele, é necessário rodar, no mínimo, 379 mil quilômetros para compensar o valor de compra mais alto com o gasto de combustível. Veja a estimativa de todos os veículos:

Quilometragem necessária para compensar a diferença no preço

Modelo
Com etanol
Com gasolina
Chevrolet S10 191.831,72 km 196.620,14 km
Toyota Hilux 161.083,14 km 157.052,71 km
Jeep Renegade 417.123,86 km 379.183,60 km
Jeep Compass 244.060,12 km 236.934,98 km
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Como Saber Onde Ainda Ha Gasoleo?Entre os carros pesquisados, Toyota Hilux é a mais vantajosa nas versões a diesel

Carros a diesel têm vantagens técnicas

Do ponto de vista puramente financeiro, portanto, a compra de carros a diesel só compensa para quem roda grandes quilometragens. Porém, para os motoristas comuns, eles podem valer a pena por outro motivo: têm algumas vantagens técnicas em relação aos similares com motor flex.

No caso dos SUVs da Jeep, Renegade e Compass – os únicos de seus segmentos que oferecem os dois tipos de motorização -, sempre trazem tração 4×4 quando movidos a diesel: vale lembrar que, no Brasil, esse combustível é, por lei, restrito a veículos com todas as rodas motrizes ou com capacidade de carga de ao menos uma tonelada. Já as versões flex dispõem unicamente de tração dianteira.

Mais torque

Além disso, os dois modelos têm melhor desempenho quando equipados com motor a diesel. Isso porque a unidade 2.

0 turbodiesel que equipa ambos os modelos desenvolve 170 cv de potência e 35,7 kgfm de torque. Por sua vez, o 1.

8 flex do Renegade não passa de 139 cv com etanol e de 135 cv com gasolina, enquanto o torque fica em 19,3 kgfm com o primeiro combustível e  em 18,8 kgfm com o segundo.

No Compass, a diferença de potência é pequena, mas, em torque, a vantagem segue amplamente favorável ao diesel. O motor 2.0 flex dessa gama rende 166 cv com gasolina e 159 cv com gasolina, mas “apenas” 20,5 kgfm com o primeiro combustível e 19,9 kgfm com o segundo, na ordem.

Como Saber Onde Ainda Ha Gasoleo?Potência da Chevrolet S10 praticamente não muda com motor a diesel ou flex: diferença está no torque

Com as picapes, a situação é semelhante. A Chevrolet S10 é até ligeiramente mais potente com motor 2.5 flex: são 206 cv com etanol e 197 cv com gasolina. Porém, o torque fica em 27,3 kgfm com o combustível vegetal e em 26,3 com o derivado do petróleo. Já o propulsor 2.8 turbodiesel entrega 200 cv e 51 kgfm.

Por fim, na gama Hilux, a unidade 2.8 turbodiesel desenvolve 204 cv e 50,9 kgfm na versão SRV. Bem mais que o 2.7 flex, cuja potência é restrita a 163 cv com etanol e 159 cv com gasolina, e o torque, a 25 kgfm com os dois combustíveis.

Outras possíveis vantagens dos carros a diesel

Graças ao maior torque, alguns modelos podem ter maiores capacidade de carga ou de reboque. Esses quesitos, aliados ao desempenho, podem, portanto, justificar o valor a mais exigido na compra dos carros a diesel. Entretanto, se o foco é unicamente financeiro, esses modelos só valem a pena para quem for usá-los de modo intenso.

Boris Feldman enumera prós e contras do uso do diesel em SUVs e picapes: assista ao vídeo!

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SOBRE

Por que os carros movidos a gasolina e diesel estão com os dias contados em países europeus e vários emergentes – BBC News Brasil

  • Daniela Fernandes
  • De Paris para a BBC Brasil

Como Saber Onde Ainda Ha Gasoleo?Legenda da foto,

Governos de países europeus e asiáticos pretender proibir a venda de carros movidos com combustíveis fósseis | Foto: Getty Images

Os carros a gasolina e diesel estão com os dias contados em vários países europeus e alguns grandes emergentes. Governos anunciaram planos de proibir a venda de automóveis movidos a combustíveis fósseis nos próximos anos como parte de esforços para conter a poluição.

A Índia fixou o objetivo de pôr fim à comercialização de veículos com motores a combustão em 2030 e prevê comercializar carros elétricos em grande escala.

A China, maior mercado automotivo mundial, causou surpresa recentemente ao anunciar que se prepara para proibir a venda de carros movidos a combustíveis fósseis. O calendário ainda será definido.

O país vem ampliando sua frota de carros elétricos e já se tornou, no ano passado, o maior mercado mundial desse setor, ultrapassando os Estados Unidos.

A China representou 40% das vendas globais de carros elétricos em 2016, que totalizaram mais de 750 mil unidades, de acordo com um estudo da Agência Internacional de Energia (AIE), com sede em Paris.

O governo brasileiro, por sua vez, está elaborando o Rota 2030, nova política industrial para o setor automotivo. Mas não deve haver, pelo menos na primeira fase, regras para estimular o desenvolvimento de carros elétricos e híbridos (com motor elétrico e outro a combustão) no país.

Entre as propostas discutidas para o novo programa está a de alíquotas menores do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros elétricos. No Brasil, não há carros de passeio a diesel, apenas veículos leves comerciais, caminhões e ônibus.

A França e o Reino Unido anunciaram o fim da venda de carros novos a diesel e gasolina até 2040. Na Áustria, isso poderá vigorar já em 2020. Na Noruega o prazo previsto é 2025 e, na Holanda, 2030.

A Alemanha deverá seguir o exemplo, afirmou a chanceler Angela Merkel, sem fixar, no entanto, uma data. O assunto teve destaque na última campanha eleitoral, em setembro.

A iniciativa, segundo Merkel, “vai na direção certa”, embora o governo alemão tenha decidido manter, diferentemente de outros países europeus, as vantagens fiscais para os carros a diesel porque eles emitem menos CO2, diz a chanceler.

O setor automotivo alemão emprega 800 mil pessoas e é um dos maiores exportadores do país.

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No Brasil foram vendidos apenas pouco mais de 6,1 mil carros elétricos até o momento, segundo a Anfavea; vendas triplicaram em 2017 | Foto: Oswaldo Corneti/Fotos Públicas

Foi justamente uma montadora alemã, a Volkswagen, que causou o escândalo do “dieselgate”, em 2015. A empresa reconheceu ter fraudado em grande escala o nível de emissões de poluentes de seus motores. O caso continua afetando as vendas mundiais de automóveis desse tipo.

Segundo um estudo do banco suíço UBS, os carros novos a diesel poderão praticamente desaparecer do mercado já em 2025. Sua participação no mercado mundial deverá ser de apenas 4% em 2025, contra 13,5% atualmente, diz o relatório.

Na Europa, a queda deverá ser bem mais brutal: a fatia de mercado dos carros a diesel, de 50% hoje, será de apenas 10% em 2025, segundo o UBS.

O documento aponta vários fatores para a derrocada dos automóveis a diesel. Além do “dieselgate” – que abalou a confiança dos consumidores – regulamentações cada vez mais rigorosas em termos de emissões de poluentes tendem a encarecer os modelos e torná-los menos atraentes.

Alguns carros populares já nem são mais fabricados na versão com motor a diesel.

A montadora sueca Volvo anunciou que fabricará, a partir de 2019, apenas carros elétricos ou híbridos (o motor a combustão que complementa e eventualmente alimenta o elétrico é geralmente a gasolina).

Para o banco suíço, as vendas de automóveis elétricos e híbridos crescerão, o que contribuirá para baixar os preços.

Países europeus dão incentivos fiscais para a compra de carros elétricos.

Foi-se o tempo em que governos europeus exaltavam as vantagens dos carros a diesel, como o menor consumo de combustível e emissões de CO2 mais baixas do que os movidos a gasolina.

A política de favorecer o diesel, com uma série de incentivos fiscais, começou a ser adotada no início dos anos 80, após um novo choque nos preços do petróleo.

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“Privilegiar os motores a diesel por tanto tempo foi um erro”, disse o ex-primeiro-ministro francês, Manuel Valls. Na França, chamada por alguns de “pátria do diesel”, dois terços da frota de carros particulares é movida a esse combustível. Há uma década, era de quase 80%.

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Os veículos a diesel passaram a ser apontados como um dos grandes vilões da poluição do ar nas cidades | Foto: Reuters

Hoje, os veículos a diesel passaram a ser apontados como um dos grandes vilões da poluição do ar nas cidades, em razão das emissões de dióxido de azoto e de partículas finas.

Paris, Madri, Atenas e Cidade do México decidiram banir totalmente a circulação dos carros a diesel até 2025.

A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, quer proibir também a circulação de veículos a gasolina na cidade em 2030.

Carros a diesel e modelos a gasolina mais antigos vêm sofrendo cada vez mais restrições de circulação em países europeus.

Cerca de 200 cidades do continente, de uma dezena de países, criaram áreas onde apenas veículos considerados pouco poluentes podem ter acesso. São as chamadas “zonas de baixa emissão”.

São vários os sistemas utilizados para limitar a circulação de carros poluentes em áreas centrais: selos em função do ano de fabricação, pedágios, como em Londres e Estocolmo, e rodízios.

Na zona central de Londres, os motoristas de carros a diesel terão de pagar uma taxa extra para estacionar.

A prefeitura de Paris, que criou um sistema público de aluguel de carros elétricos, praticamente declarou guerra aos motoristas nos últimos anos. Mas apesar de inúmeras medidas, como transformação de vias em áreas pedestres e expansão de ciclovias, a capital continua ultrapassando os limites de poluição exigidos por normas europeias.

Os planos de acabar com a produção de automóveis a diesel e gasolina em alguns países da Europa lançaram questionamentos sobre a viabilidade da substituição dessas frotas pela de carros elétricos.

As baterias ainda não têm autonomia suficiente para distâncias mais longas, o tempo para carregá-las é longo e em boa parte dos países faltam pontos de recarga.

O desenvolvimento dos carros elétricos é totalmente dependente do apoio público, tanto para sua comercialização quanto para a criação de infraestruturas, pelo setor privado, para carregar os veículos.

Além disso, a energia necessária para “abastecer” os carros também pode representar um problema. Especialistas afirmam que na França seria necessário construir uma central nuclear para alimentar uma frota nacional de carros elétricos.

Na China, causa grande preocupação entre ambientalistas o fato de grande parte da energia elétrica local ser produzida por usinas térmicas a carvão.

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A China, maior mercado automotivo mundial, causou surpresa ao anunciar que se prepara para proibir a venda de carros movidos a combustíveis fósseis. | Foto: Getty Images

Outros apontam também para o elevado nível de emissões de CO2 na fabricação das baterias.

A frota mundial de carros elétricos totalizou no ano passado 2 milhões de automóveis, o que representa apenas 0,2% do total de veículos leves para passageiros em circulação no mundo, segundo a Agência Internacional de Energia. Em 2015, o número era de cerca de 1,3 milhão.

No Brasil, esse mercado é ainda mais incipiente. De 2012 a outubro deste ano, foram emplacados no paíssomente 6,1 mil carros elétricos e híbridos, segundo dados da Anfavea, que reúne as montadoras. Os compradores são empresas e táxis.

Mas se forem considerados apenas os veículos 100% elétricos (que não têm motor a combustão), o número cai para somente cerca de 600 no Brasil.

Várias empresas aguardam as decisões do governo em relação ao Rota 2030 para definir estratégias na área de carros elétricos.

O novo regime automotivo deveria entrar em vigor em janeiro de 2018, mas as discussões estão bloqueadas por divergências entre setores do governo e pelo temor de que as futuras regras possam ser contestadas na Organização Mundial do Comércio, como ocorreu com o programa anterior, o Inovar-Auto, que expira no fim de dezembro.

Para o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Robson Braga de Andrade, o etanol – feito de cana de açúcar e apresentado, em um primeiro momento, como ecologicamente correto e sustentável – e as tecnologias em torno dele não devem ser abandonadas.

“Temos uma tecnologia de ponta consolidada e a oportunidade de influenciar todo o futuro da indústria automotiva a partir dela”, afirma Andrade.

A japonesa Nissan está fazendo testes no Brasil usando etanol como energia para alimentar baterias dos carros elétricos híbridos. A previsão da montadora é que a tecnologia esteja disponível em 2020.

Ecologistas apontam para a vantagem do etanol ser menos poluente do que a gasolina, mas ressaltam preocupações em relação à degradação ambiental causada pelo uso de fertilizantes e queima de plantios (prática sazonal) têm alertado sobre o desmatamento provocado pela expansão do plantio.

Preço dos combustíveis sobe, mas ainda há gasóleo abaixo de 1 euro

O valor dos combustíveis continua a subir, embora ainda não esteja nos Preços de Venda ao Público (PVP) anteriores ao estado de emergência – a 20 de março.

Segundo dados da Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE), o PVP da gasolina ontem, dia 1 de junho, era de 1,373 euros por litro, mais 2,6 cêntimos do que no dia 25 de maio, a passada segunda-feira.

O mesmo no caso do gasóleo, cujo PVP era ontem de 1,21 euros por litro contra os 1,18 euros de há uma semana. Mais 2,5 cêntimos por litro.

Valores que, em ambos os casos, são esta terça-feira de 1,372 e 1,21 euros, respetivamente.

Mesmo assim, continua a ser possível pagar o litro de gasóleo por menos de 1 euro. Ficam aqui os dados dos postos de combustíveis com os valores mais baratos, no Continente, esta terça-feira, disponibilizados no site da Direção Geral de Energia e Geologia, segundo a informação fornecida pelos comercializadores. Se tiver na zona, pode ser útil.

Gasolina(s) Gasóleo(s)
Intermarché Melgaça 1.119€ Intermarché Melgaço 0.999€
Intermarché Marinhas 1.159€ Intermarché de Soure 0.999€
Intermarché Belmonte 1.159€ Intermarché Arruda dos Vinhos 0.999€
Intermarché Fundão 1.164€ Intermarché Valença 1.013€
Intermarché de Soure 1.169€ Intermarché Ovar 1.022€

Estes valores acontecem num dia em que o petróleo negoceia outra vez em alta devido à expectativa de que os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) vão chegar a acordo para prolongar os cortes de produção esta semana.

Em Londres, o Brent, que serve de referência às importações portuguesas, sobe, pelo quarto dia, 2,66% para 39,34 dólares. 

A OPEP vai reunir-se para decidir sobre os níveis de produção e a Arábia Saudita já fez saber que é favorável a um prolongamento dos cortes por um período entre um a três meses.

Uma intenção que contrasta com a da Rússia, que pretende aliviar os cortes já a partir de julho.

 Recorde-se que em abril, OPEP+ decidiu efetuar um corte de 9,7 milhões de barris por dia na produção, que vigora até ao final de junho.  

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