Como Provar Que A Terra É Redonda?

Comportamento

Há 500 anos, a expedição de Fernão de Magalhães, colocada à prova por tormentas, fome, sede e sublevações, completava a primeira circunavegação da história e abria rotas comerciais que são utilizadas até hoje

Assim como vemos com naturalidade, nos dias atuais, sondas e satélites serem lançados ao espaço, há quinhentos anos os europeus acostumaram-se com expedições que desafiavam os mares em busca de riquezas, especiarias e novas rotas comerciais.

Uma delas foi involuntariamente definitiva para a história do planeta, da mesma forma que se pode dizer que definitivo para todos os tempos tornou-se o fato de o homem pisar a Lua — aliás, os astronautas americanos protagonistas desse feito de meio século tinham como ídolo um navegador de meio milênio.

Trata-se do visionário e destemido fidalgo português Fernão de Magalhães, que comandou no século 16 uma frota de cinco barcos com duzentos e cinquenta homens numa fenomenal e desesperadora empreitada sob o signo de infindáveis tempestades, muita fome e violentas rebeliões de seus comandados.

Magalhães queria tão somente abrir para Portugal um novo caminho marítimo até as Ilhas Molucas, hoje Indonésia. Acabou fazendo com que sua pequena esquadra se tornasse a responsável pela primeira circunavegação, a descoberta de mares até então inimagináveis e a comprovação de que a Terra é redonda.

Como Provar Que A Terra É Redonda?ESTREITO DE MAGALHÃES Passagem descoberta por Fernão de Magalhães, no século 16, que une em seus seiscentos quilômetros de extensão os oceanos Atlântico e Pacífico

Eis um parâmetro para se mensurar as vidas que custaram essa jornada: quando a expedição retornou ao porto espanhol de Sanlúcar, em 1522, após três anos no mar, a tripulação contava apenas com dezoito sobreviventes — e o próprio Fernão de Magalhães já era um corpo lançado às águas, assassinado que fora quando entrou em conflito com a população local nas Filipinas. Mas vamos, então, ao início dessa aventura. Portugal já controlava a rota marítima para o leste, que passava pelo Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África.

Magalhães lançou então a si e ao rei Manuel I o desafio de viajar pela rota oposta, ou seja, pelo oeste, contornando a América do Sul. Acomodado com o que já possuía de domínios no mar, Manuel I desprezou a ideia.

Bastou isso para que Magalhães imediatamente procurasse o rei da Espanha, Carlos I, que delirou diante da possibilidade de dominar o continente asiático chegando às Ilhas Molucas.

Era o ano de 1519 e, assim, a expedição partiu, levando um escritor italiano que pagou para embarcar, sobreviveu a todas as agruras e tornou-se o principal relator a bordo. Seu nome: Antonio Pigaffeta.

De seu relato acerbo e realista, às vezes realista até demais, consta que Magalhães não conseguiu encontrar facilmente a passagem natural que imaginava existir, ligando o Oceano Atlântico, já conhecido, a algum mar jamais navegado, para então chegar à Ásia pelo trajeto inverso da rota já dominada pela corte portuguesa. Veio o inverno, o comandate decidiu que todos ancorariam onde atualmente é o sul da Agentina. A tripulação dormia congelada nos conveses das embarcações, os alimentos minguavam, a fome e as doenças aumentavam.

Boa parte dos marujos, formada sobretudo por espanhóis indóceis ao comandante português, decidiu se sublevar. Derrotados, os líderes da rebelição acabaram esquartejados por Magalhães.

Uma nau afundou, outra, justamente a que ainda carregava relativa quantidade de comida, desertou. Passado o inverno, no entanto, a sonhada passagem natural revelou-se ao sul mesmo da Argentina.

Foi batizada na hora, merecidamente, de “Estreito de Magalhães”.

Como Provar Que A Terra É Redonda?DONOS DOS MARES E DO MUNDO Os reis Carlos I, da Espanha (ao lado), e Manuel I, de Portugal: rotas opostas em busca de riqueza, conquistas e raras especiarias

Vencidos seus seiscentos quilômetros de extensão, estreou nos olhos de todos um mar sem fim. Magalhães sonhou que agora tudo transcorreria em paz e o chamou de “Mare Pacificum” — o imenso Oceano Pacífico, que na verdade não lhe trouxe paz alguma.

Eis um trecho do diário de Pigaffeta: “(…) comemos ratos, comemos poeira misturada a minhocas (…) bebíamos água amarelada e podre (…) também comemos o couro que que cobria parte das embarcações (…)”.

Se Magalhães acertou na existência de um estreito geográfico unindo naturalmemnte dois mares, errou na suposição de que as Molucas pertenciam à Espanha pelo traçado imaginário definido com o Tratado de Tordesilhas, separando o que era de Portugal e o que petencia à Espanha.

Ele decide então ir às Filipinas, entra em guerra com nativos e é morto. Tudo isso ocorria em um mundo totalmente desconhecido para qualquer europeu. Era o absoluto nada amedrontador cercado de mar, mar, mar, mar…

Loucos à deriva

Como Provar Que A Terra É Redonda?João Paulo de Oliveira e Costa, historiador português: “Há similaridade entre essa viagem e a ida do homem à lua. Os astronautas falavam de Fernão de Magalhães como um ídolo inspirador” (Crédito:Divulgação)

Surpreendentemente, o arremedo do que fora uma expedição, agora liderada pelo espanhol Juan Sebastián Elcano, conseguiu alcançar as cobiçadas Ilhas Molucas. Por elas, Fernão de Magalhães e duzentos e trinta e dois homens morreram, alguns vítimas de canibalismo; por elas, ensandeceu-se à deriva nas águas; por elas, gengivas viraram hemorragias devido ao escorbuto; por elas, Fernão de Magalhães teve seu corpo lançado a tubarões. Para quem queria apenas especiarias asiáticas, o porto seguro das Ilhas Molucas deu muito mais.

Ao cruzar Atlântico e Pacífico na ida e Mar Índico na volta, esse aquático exército de Brancaleone perfez a primeira circunavegação, abriu rotas comerciais que são utilizadas até hoje e dirimiu de vez a dúvida que atormentava filósofos desde a Grécia Antiga: sim, a Terra é redonda. Finalmente, desfez a lenda de que monstros habitavam o Oceano Pacífico. “Há um paralelismo entre essa viagem e a ida do homem à lua”, diz o historiador português João Paulo de Oliveira e Costa. “Os astronautas falavam de Fernão de Magalhães como um ídolo inspirador”.

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5 experimentos simples para verificar que a Terra não é plana – BBC News Brasil

Como Provar Que A Terra É Redonda?

Crédito, Getty

Legenda da foto,

Ainda há quem acredite que a Terra é plana

Pode parecer mentira, mas em pleno século 21 ainda é necessário insistir que a Terra é redonda, algo que se sabe há mais de 2 mil anos.

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Algumas teorias da conspiração que afirmam que a Terra é plana continuam se espalhando.

Estas são algumas maneiras simples de comprovar que a Terra é redonda e rebater essas ideias dos terraplanistas.

Pegue um binóculo e se sente à beira do mar. Quando avistar um barco se afastando em direção ao horizonte, note que deixará de ver, primeiramente, o casco do barco, mas ainda poderá ver o mastro e a vela, para depois perdê-los de vista.

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“Se a Terra fosse plana, você notaria que um veleiro parece menor à medida em que se afasta, mas ele sempre seria visto por completo”, explica Michelle Thaller, astrônoma da NASA, no portal Big Think.

Legenda da foto,

O que acontece quando um barco se afasta em direção ao horizonte?

O mesmo vale para o sentido contrário. Se o veleiro se aproxima, primeiro aparecem a vela e o mastro e, em seguida, o restante da embarcação.

Este exemplo é explicado por Erik Frenz no portal científico Cell.

Imagine que haja uma árvore no meio de uma vasta planície.

Se a Terra fosse plana e você olhasse para longe, veria a mesma paisagem se estivesse no chão ou na copa da árvore.

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Mas, como a Terra é redonda, ao subir em uma árvore é possível ver coisas que não estavam aparentes ao olhar estando no chão. Quanto mais você subir, mais verá no horizonte.

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Legenda da foto,

Recentemente, as teorias dos terraplanistas têm sido repetidas por mais pessoas

“Isso se deve ao fato de que partes da Terra que estavam ocultas, devido à sua curvatura, agora ficam evidentes porque a sua posição mudou”, explica Frenz.

Durante um eclipse lunar, a Terra passa entre a Lua e o Sol, o que faz com que a Terra projete sua sombra na Lua.

Note que a sombra produzida é redonda. Mesmo se a Terra fosse plana, mas com forma de disco, não produziria esse tipo de sombra.

“A única forma que pode produzir uma sombra curva, não importa qual a direção da luz, é a de uma esfera”, explica Thaller.

O cientista Neil deGrasse Tyson zombou dos terraplanistas com um tweet em que diz: “Um eclipse lunar que os terraplanistas nunca viram”.

Ao encarar um voo longo, vale notar dois fenômenos interessantes, como descreve o site Popular Science.

Em um voo transatlântico é possível ver, na maioria das vezes, a curvatura da Terra. O avião Concorde, por exemplo, oferecia uma das melhores vistas dessa curvatura.

Estima-se que a curvatura da Terra comece a ser notada a partir dos 10 quilômetros de altitude e que fique ainda mais evidente a partir dos 15 quilômetros.

Outro fato é que os aviões podem viajar em linha relativamente reta durante muito tempo sem “sair” por nenhuma das supostas bordas do planeta.

Legenda da foto,

Já conseguiu ver a curvatura da Terra?

Enquanto em algumas partes do mundo é dia, em outras é noite.

Segundo explica o Popular Science, a razão está no fato de a Terra ser redonda e girar em torno de seu próprio eixo. Por isso, enquanto o Sol ilumina uma parte da esfera, a outra permanece na escuridão.

Além disso, se a Terra fosse plana, seríamos capazes de ver o Sol ainda que fosse de noite.

O Popular Science explica que isso pode ser comparado ao que ocorre em um teatro, em que o público, que está sentado em meio à escuridão, pode ver os refletores de palco ainda que eles não cheguem a iluminá-los.

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A Terra é plana?

Mesmo depois de todas as contribuições de Isaac Newton sobre a gravitação universal, as ideias planetárias de Kepler e as propostas a respeito da gravidade feitas por Albert Einstein, alguns arriscam-se em dizer que a Terra não seria redonda, mas plana como um disco de vinil!

Chamadas de terraplanistas, essas pessoas defendem que a forma de esfera da Terra é uma mentira sustentada principalmente pela Nasa, Agência Espacial Estadunidense. O motivo para tamanha farsa, segundo essa teoria conspiratória, seria o poder financeiro e hegemônico.

De acordo com essa visão, o planeta teria um formato de disco e seria coberto pelo firmamento em forma de domo (cúpula).

O Sol e a Lua seriam muito menores do que imaginamos e fariam movimentos no espaço disponível nesse domo.

A Antártida estaria nas bordas desse disco, por isso seu território seria extremamente vigiado e impossível de ser visitado em sua totalidade. Observe como seria a Terra de acordo com essa teoria terraplanista:

Como Provar Que A Terra É Redonda?

Como provar que a Terra é plana?

Para os seguidores dessa teoria, uma das formas de comprovar que o planeta não possui curvatura é utilizar uma câmera de vídeo com altíssima capacidade de zoom, assim, ao aproximar-se ao máximo do horizonte, seria possível verificar a superfície plana da Terra. Outra forma de comprovar essa teoria, de acordo com os terraplanistas, é observar que rios extensos, como o Nilo, correm sem sofrer declives.

Provas do real formato da Terra

Há mais de dois mil anos, após observar o posicionamento de estrelas, o filósofo grego Aristóteles entendeu que o único formato possível para a Terra deveria ser o circular. Em 500 a.C.

, os gregos, além de perceberem o posicionamento diferente das estrelas quando vistas em pontos distintos da Terra, também notaram que os navios mostravam somente o mastro quando começavam a aparecer no horizonte.

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Dessa forma, essa compreensão de que a Terra é redonda decorre de observações do planeta desde tempos muito remotos. A seguir, listamos algumas simples evidências que podem comprovar o formato esférico do planeta.

1) Grandes navegações

Fernão de Magalhães, no século XVI, executou a primeira circum-navegação bem-sucedida. Ao navegar sempre na mesma direção, seu navio retornou ao ponto inicial da viagem, comprovando que o planeta é redondo.

2) Fuso horário

Os fusos horários são outra comprovação do formato circular do planeta. Caso a Terra fosse plana, o Sol deveria brilhar ao mesmo tempo para todos os habitantes. Entretanto, o que vemos é a alternância entre dia e noite para diferentes pontos no planeta.

3) Explorações espaciais

A ida do homem ao espaço, iniciada com a viagem de Yuri Gagárin, o lançamento de satélites e o movimento da Estação Espacial Internacional comprovaram por meio de inúmeras imagens o formato circular da Terra.

Essas e muitas outras evidências confirmam, portanto, que o planeta possui formato esférico e é achatado nos polos. Além disso, a Terra mantém um movimento de rotação com velocidade de 1645 km/h e gira ao redor do Sol, estrela que nos fornece luz e calor.

Publicado por: Joab Silas da Silva Júnior

7 fatos científicos que provam que a Terra NÃO é plana

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(Foto: Universidade de Leicester)

Por mais que o ser humano já saiba que a Terra é redonda há centenas de anos, algumas pessoas ainda aparentam mostrar dúvidas sobre a questão. Por isso separamos sete fatos científicos que vão te ajudar a convencer aquele colega que não tem tanta certeza sobre o formato do nosso planeta, de que ele não é — e não pode ser — plano.

Observe um barcoQuando um barco desaparece no horizonte ele não vai ficando menor e menor até não conseguimos vê-lo. Na realidade, o que ocorre é que partes da estrutura vão sumindo antes das outras: primeiro o casco da embarcação e só no fim a ponta da vela.

Isso ocorre justamente porque a Terra é redonda. Para compreender melhor, basta utilizar um binóculo ou telescópio para observar o horizonte na sua próxima ida à praia.

Olhe para as estrelasAristóteles descobriu esse fato cerca de 350 anos antes de Cristo e nada mudou desde então. Diferentes constelações são visíveis de diferentes latitudes.

Provavelmente, os dois exemplos mais marcantes são o Big Dipper e a Southern Cross.

O Big Dipper, um conjunto de sete estrelas que se parece com uma concha, é sempre visível em latitudes de 41 graus Norte ou superior, mas não abaixo de 25 graus sul.

Essas diferentes visões só fazem sentido se você imaginar a Terra como um globo, de modo que olhar “para cima” realmente significa olhar para uma faixa de espaço diferente do hemisfério sul ou norte.

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Assista um eclipseAristóteles também provou sua teoria com a observação de que, durante os eclipses lunares, a sombra da Terra na face do Sol é curvada.

Uma vez que esta forma curva existe durante todos esses fenômenos, apesar do fato de que o planeta está girando, o filósofo intuiu corretamente a partir da penumbra que a Terra é curvilínea por toda parte — em outras palavras, uma esfera.

Escale uma árvoreSe a Terra fosse plana, seria possível enxergar tudo independente de onde você está, mas, ao contrário disso, quanto mais altos estamos mais podemos visualizar.

Um bom exemplo são as estrelas: podemos vê-las, mesmo elas estando milhares de quilômetros distantes.

Ao olhar para os lados de Salvador, por exemplo, não é possível ver as luzes de Belo Horizonte, que está a uma distância bem menor do que estamos dos astros. A explicação? A Terra é esférica.

Faça uma viagem ao redor do mundoSe você tiver a sorte de ter uma visão desobstruída do horizonte e um voo comercial suficientemente alto, você pode até mesmo descobrir a curvatura da Terra a olho nu.

De acordo com um artigo de 2008 na revista Applied Optics, a curva da Terra torna-se sutilmente visível a uma altitude de cerca de 35,000 pés, desde que o observador tenha pelo menos um campo de visão de 60 graus (o que pode ser difícil a partir de uma janela do avião do passageiro).

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A curvatura torna-se mais visível acima de 50.000 pés. Os passageiros de um jato supersônico, por exemplo, tem uma visão do horizonte curvo enquanto voam a 60 mil pés.

Compre um balão meteorológicoEm janeiro de 2017, estudantes da Universidade de Leicester, no Reino Unido, amarraram algumas câmeras em um balão meteorológico e enviaram-no para o céu.

O balão subiu 77,429 pés (23,6 quilômetros) acima da superfície, bem mais que o nível necessário para ver as curvas do planeta.

O instrumento a bordo do balão enviou imagens deslumbrantes que mostram a curva do horizonte.

Compara sombrasA primeira pessoa a estimar a circunferência da Terra foi um matemático grego chamado Eratóstenes, que nasceu em 276 a. C.

Ele fez isso comparando os tamanhos de sombras no dia do solstício de verão onde hoje fica Assuão, no Egito, com uma cidade mais a leste de Alexandria.

Ao meio dia, quando o sol estava diretamente sobre a cabeça em Assuão, não havia penumbra, entretanto, uma vara colocada no chão da outra cidade lançou uma sombra.

Em uma Terra plana, não haveria nenhuma diferença entre o comprimento das sombras. A posição do sol seria a mesma, em relação ao solo. Apenas um planeta em forma de globo explica por que a posição do sol deve ser diferente em duas cidades a poucas milhas de distância.

(Com informações de LiveScience.)

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A Terra é redonda! Eis 5 formas de observar o formato do planeta

Há mais de 2.000 anos, os antigos gregos observavam a natureza e demonstravam a partir de seus experimentos que o planeta Terra era esférico. Aristóteles (384 – 322 a.

C), por exemplo, chegou a esta conclusão ao observar a sombra de nosso planeta sobre a Lua durante um eclipse. Eratóstenes (276 – 194 a.

C) mediu a sombra de um mesmo objeto no mesmo horário em lugares diferentes, e a partir da diferença de tamanho estimou a circunferência do planeta.

Da antiguidade aos dias atuais, a observação é a principal matéria-prima do método científico.

“O fato de a Terra ser redonda elucida de uma só vez várias situações medidas que você não consegue explicar utilizando a hipótese de que a Terra é plana”, afirma o professor de física Bruno Carneiro da Cunha, da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco). “E a parte muito interessante da ciência é que conseguimos chegar a consensos exatamente porque partimos de experimentos que podem ser repetidos e dados que podem ser observados por outras pessoas e chegamos à mesma conclusão.”

Como completa Gustavo Rojas, pesquisador da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), “a natureza simplesmente é, não está nem aí para o que a humanidade acha disso”.

Reunimos nos próximos parágrafos algumas observações que podem ser repetidas por qualquer pessoa e são explicadas pela forma da Terra —redonda ou, mais precisamente, de um geoide, com leve achatamento nos polos— e por seu movimento em torno do Sol.

Ali onde a vista alcança

Quando observamos um barco que navega em direção ao horizonte, a imagem que temos não é a de um objeto que fica menor e menor até se tornar invisível. Na verdade, é possível perceber que ao chegar na linha do horizonte o barco começa a desaparecer em partes, o casco do navio deixa de ser visível, depois seu corpo e por último seu mastro.

Isso acontece por conta da curvatura da Terra, que faz com que nossa visão do horizonte esteja limitada a uma linha reta que alcança até certo ponto da curvatura terrestre. A partir de lá, o objeto que segue rumo ao horizonte desaparece abaixo desta linha. Sendo assim, mesmo com a ajuda de uma luneta para ampliar a imagem, o barco ainda vai desaparecer do campo de visão.

Com a altura e o raio da esfera, é possível calcular a distância do horizonte que conseguimos enxergar

Imagem: Divulgação/CERF-IFRS

De cima da árvore, de cima da casa

A distância até onde vemos algo no horizonte está diretamente relacionada com a curvatura da Terra e com a altura de onde a observação é feita, e essa distância pode ser calculada em uma fórmula matemática.

Usando uma calculadora online da curvatura da Terra, é possível perceber que uma pessoa cujos olhos estão a 1,5 metro do chão vê o horizonte a 4,37 km. Já alguém com o olhar a 3,5 metros do chão é capaz de ver o horizonte a 6,67 km.

Ou seja, subir em uma árvore ou na laje de uma casa permite ampliar seu horizonte de visão em mais de dois quilômetros. Não acredita? Basta fazer o teste de observação em dois pontos de altura diferente -a melhor maneira é em algum lugar plano ou com espaço descampado à frente.

Dias mais longos, mais curtos e as estações do ano

Às vésperas do inverno, o número de horas de luminosidade solar é cada vez menor e as noites cada vez mais longas. Para quem está em São Paulo, no final de junho, o sol nasce por volta das 6h45 e se põe antes das 17h30.

Em dezembro, o contrário acontece. O nascer do sol acontece antes das 6h15 e o pôr do sol só chegará depois das 19h45.

O motivo dessa diferença de iluminação é descrito pelo formato da Terra e por sua inclinação, a posição das partes do planeta com maior tempo ou menor tempo diário de exposição ao Sol muda ao longo do ano -por conta do movimento de translação. Assim, em junho, o hemisfério sul passa a maior parte de seus dias na parte não iluminada do globo. Já no final do ano, o mesmo hemisfério recebe mais horas de Sol em sua face.

Esta diferença de horas de iluminação —e de diferenças climáticas entre inverno e verão— é menor conforme nos aproximamos da linha do Equador, que marca o meio do planeta.

Tamanho da sombra e ângulo de iluminação

Um objeto colocado abaixo de uma luminária não tem sombra a seu redor, no entanto, conforme afastamos este objeto da fonte de luz, o tamanho da sombra aumenta. Isso se dá pela mudança no ângulo de iluminação, e é possível calcular este ângulo ao comparar dois objetos iluminados em lugares diferentes e o tamanho de suas sombras em cada lugar.

É isso que fez o grego Eratóstenes para calcular a circunferência do planeta Terra. Um mesmo objeto em lugares diferentes da Terra no mesmo horário recebe iluminação do Sol sob diferentes ângulos.

Assim, fazendo a medida da sombra de um bastão em dois lugares diferentes da Terra (a centenas de quilômetros de distância), ele calcula a circunferência do planeta e chega ainda na antiguidade a um valor próximo do real (15% maior que o que temos hoje, segundo o físico João E. Steiner).

Crianças gregas repetiram o experimento de Eratóstenes em escola primária da cidade de Atenas

Imagem: Emmanouela Vamvaka/Divulgação Eratosthenes Experiment 2019

O experimento parece difícil de ser repetido sem ajuda, mas há um projeto global que reúne escolas de todo o mundo para refazer o experimento, trocar informações e calcular a circunferência terrestre.

Desde 2015, mais de 5.500 escolas em 105 países já participaram do experimento. A próxima medição global acontecerá em setembro de 2019.

O Cruzeiro do Sul e a Estrela Polar

O Brasil traz no centro de sua bandeira a constelação do Cruzeiro do Sul, conhecida por suas cinco estrelas mais brilhantes que apontam a direção sul. A constelação, tão conhecida dos brasileiros e dos navegadores do hemisfério sul, não é vista por quem observa o céu noturno nos Estados Unidos ou na Europa.

Já a Estrela Polar (uma das estrelas da constelação Ursa Menor), usada recorrentemente para indicar a direção norte do planeta, é vista apenas por quem está na região norte do planeta, e não serve de bússola natural para os moradores do Brasil.

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Com pontos de vistas diferentes do Universo, os moradores do hemisfério sul e do hemisfério norte veem áreas diferentes do céu.

As três estrelas conhecidas como “Três Marias” formam o Cinturão de Órion. Órion é uma constelação classificada como equatorial por estar na região central do céu e poder ser vista tanto por moradores do hemisfério sul quanto do hemisfério norte. No entanto, não sob o mesmo ponto de vista.

Quem vê Órion a partir da parte sul do planeta tem a imagem do caçador de ponta cabeça. Para testar, use um aplicativo como o Sky Map para a localização dos astros durante a observação noturna do céu.

A lua crescente, ao lado do Cristo Redentor, parece um “C” no céu do hemisfério sul

Imagem: Alessandro Buzas/Futura Press/Estadão Conteúdo

Outra curiosidade, a mudança de ponto de vista entre o hemisfério norte e sul também altera a forma como vemos a lua crescente. A lua crescente que aparece como um “C” no céu brasileiro é vista como um “C” invertido no céu dos EUA ou da Europa.

A lua crescente, ao fundo da Torre Eiffel, aparece com um “C” invertido na noite de Paris

Imagem: Ludovic Marin/AFP

Fontes: Gustavo Rojas, pesquisador da UFSCar, Bruno Carneiro da Cunha, pesquisador da UFPE, Centro de Referência para o Ensino de Física da UFRGS, Eratosthenes Experiment 2019 e “A Origem do Universo”, de João E. Steiner.

Terraplanistas? Veja como derrubar os argumentos dessa turma

Apesar de a galera que cisma em negar que a pandemia do novo coronavírus é real ter ganhado protagonismo, os terraplanistas – lembra deles? – continuam por aí, defendendo apaixonadamente a ideia de que o nosso planeta, em vez de esférico, é plano feito uma panqueca.

Se você anda meio cansado de debater com a turma do “é só uma gripezinha” e está com saudades de discutir (saudavelmente) com o pessoal que acredita que a Terra é plana, Paul Sutter, astrofísico do site Space.com, reuniu alguns argumentos científicos que ajudarão a “esquentar” a contenda.

Caiu ou brotou?

Uma das alegações que os terraplanistas usam para defender sua teoria é a de que, quando olhamos para o horizonte, ele parece “reto” e, portanto, indicaria onde o limite da panqueca do planeta se encontra. No entanto, segundo Paul, é muito fácil derrubar esse argumento.

Já reparou que, conforme nos afastamos de um objeto, ele vai se tornando menor – até gradualmente desaparecer, começando pela base? Onde será que eles vão parar… Caem do mundo no vazio do cosmos?

“Panquecão”.Fonte:  Live Science / Reprodução 

Aliás, conforme nos deslocamos em direção ao horizonte, coisas que se encontram no caminho – como montanhas e edifícios, por exemplo – vão aparecendo, começando pelos topos, até se tornarem maiores e totalmente visíveis conforme nos aproximamos mais delas. Teriam essas estruturas simplesmente brotado no caminho? Não, né! Esse efeito ocorre por conta da curvatura da Terra.

Brilha, brilha estrelinha..

Existe também a questão de que diferentes estrelas e constelações são visíveis apenas de determinados locais do planeta.

O Cruzeiro do Sul, por exemplo, só pode ser observado do Hemisfério Sul, enquanto a estrela Polaris só pode ser vista do Norte e, conforme nos deslocamos de um hemisfério a outro, os respectivos astros desaparecem do céu, “mergulhando” no horizonte, mas por quê? Porque, se viajarmos de latitudes mais ao sul em direção mais ao norte (e vice-versa), a curvatura da Terra bloqueia esses objetos celestes.

Lá e aqui.Fonte:  Toda Matéria / Reprodução 

Ainda com relação às estrelas, quando subimos em um local mais elevado para observar os astros, temos uma melhor visão dos que se encontram mais próximos da linha horizonte – objetos estes que desaparecem se voltarmos ao nível do solo. E, sim, esse efeito se dá por causa da curvatura do planeta também.

Sombras e mais

Outra forma de contestar as teorias dos terraplanistas é convidá-los para assistir a um eclipse lunar.

Não importa de onde esses eventos celestes são observados, a sombra da Terra sobre a Lua sempre – invariavelmente – será circular e isso só pode ocorrer porque o objeto que a está produzindo, ou seja, o nosso planeta, é esférico. Do início ao final do eclipse. Em qualquer eclipse lunar. Toda vez. E mais:

  • Além dos planetas do Sistema Solar, todos os milhares de exoplanetas já descobertos até hoje (absolutamente todos) são esféricos, uma vez que a gravidade necessária para a sua formação produz objetos em formato de globo.
  • Falando em gravidade, incontáveis tecnologias foram desenvolvidas e só funcionam por causa dela, incluindo os aparelhos de GPS, que calculam trajetórias e nos indicam o posicionamento de objetos ao redor do mundo.
  • A “esfericidade” da Terra conversa em perfeita harmonia com as leis da Física – que, basicamente, regem o funcionamento do Universo.

Tudo isso sem falar em todas as imagens capturadas por satélites em órbita, fotos de astronautas e telescópios espaciais, bem como relatos dos sortudos que tiveram a chance de viajar ao espaço e vislumbrar o nosso planeta de longe.

Lindeza, né?Fonte:  The Guardian / Reprodução 

Mas vale ter em mente que, conforme destacou Paul, no fundo, tanto os terraplanistas como outros negacionistas de plantão não defendem suas teorias só por teimosia ou com base em observações, mas sim por serem pessoas que, de modo geral, não confiam na Ciência e temem estar sendo constantemente enganadas. Porém, isso não significa que uma boa discussão deixará de ser divertida.

Terraplanista passa vergonha ao pegar avião para provar teoria infundada

Aqueles que acreditam que a Terra não é um globo, mas sim plana – os chamados “terraplanistas” – costumam criar verdadeiras engenhocas lógicas, argumentativas e pseudocientíficas para tentarem justificar o ponto de que estão convencidos, sem entenderem, porém, sequer como a ciência funciona.

O “líder” terraplanista Darryle Marble

  • A prova disso é o experimento realizado pelo terraplanista Darryle Marble, que ganhou notoriedade após levar um nível, instrumento para medir inclinações em planos e superfícies, a um avião, a fim de provar que a Terra não é redonda.
  • Para tal, além do nível, Marble também filmou um vídeo em Time-lapse com mais de 23 minutos de duração, e se valeu da “matemática” diante do fato de que a bolha no nível não se inclinou para comprovar sua teoria – segundo Marble, se a Terra é arredondada e o avião atravessa tal curvatura, então o nível deveria indicar o movimento.
  • “Eu gravei um vídeo em time-lapse de 23 minutos e 45 segundos que, segundo os cálculos, representam uma movimentação de 203 milhas pelo avião”, diz Marble, em vídeo.

E segue: “Segundo cálculos de curvatura que explicam o modelo do globo, isso deveria resultar em uma compensação de 5 milhas de curvatura – e, como vocês podem ver, não há compensação na curvatura [no nível]”.

Acontece que, pra além da imensa diferença proporcional entre o tamanho de um avião e a gigante dimensão do planeta, e do fato do avião compensar a curvatura sempre – e a decolagem e o pouso o “experimento” não mostra – o nível se estabiliza sobre uma superfície, e não a atmosfera da Terra.

Não é claro – como nunca é entre os terraplanistas – se Marble realmente acredita no que diz, ou se trata-se somente de gesto para chamar atenção ou eventualmente até mesmo ganhar dinheiro.

A matéria original foi publicada pelo site Bored Panda.

O cronômetro e o nível no avião

O fato, porém, é que a internet se diverte com a literal ignorância alheia, e o vídeo de Marble se tornou fonte de verdadeiras pérolas entre os comentários. “23 minutos e 45 segundos para provar que quem instalou essa mesinha no avião fez um excelente trabalho em mantê-la nivelada”, disse um dos comentaristas.

“Eu não entendo: por que eles não alugam um avião e voam até a borda do planeta?”, disse outro, referindo-se à parte da teoria da Terra Plana.

Por fim, um dos comentários resume o espírito de toda essa ladainha conspiratória: “Eu amo que os terraplanistas acham que estão usando ciência mas não sabem como a ciência funciona”.

‘A Terra é plana’, diz o vídeo

O vídeo na íntegra pode ser visto aqui.

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