Como Me Lembrar De Algo Que Esqueci?

5 formas de você fortalecer sua memória e não se esquecer do seu estudo

Definida pelo dicionário Michaelis como “Faculdade de lembrar e conservar ideias, imagens, impressões, conhecimentos e experiências adquiridos no passado”, uma boa memória faz toda a diferença na vida do vestibulando.

Já pensou estudar um ano inteiro e, com o passar do tempo, não se lembrar de mais nada? É por ela que exercemos a habilidade de acessar essas informações que ficam guardadas em nossa mente.

O que seria do nosso aprendizado sem uma boa memória para nos ajudar nos vestibulares?

Como Me Lembrar De Algo Que Esqueci?

O professor Rafa explica que a memória não é algo simples. Para se ter uma ideia, ela envolve diferentes áreas do cérebro, várias células nervosas – como os neurônios e suas sinapses – e complexas reações químicas.

Esse é um assunto bastante profundo e com constantes descobertas pelos neurocientistas. Porém, o que se sabe até agora é que existem as memórias de curto prazo e memórias de longo prazo.

Como Me Lembrar De Algo Que Esqueci?

“A memória que o vestibulando mais vai usar é a memória de longo prazo”, diz o prof. Rafa. Ela é formada por memórias declarativas, aquela que você se recorda de eventos e fatos marcantes que vivenciou, e por memórias não-declarativas, que são construídas pela prática, associação e dicas.

Deu para ter uma noção de como é importante praticar muito, né?! É por isso que fazer resumo, fichamento, mapa-mental, lista de exercícios e simulados ajuda tanto a memorizar o conteúdo.

“Quanto mais você continua estimulando sinapses para aquele tipo de exercício – indiferente da disciplina – mais você vai continuar agindo com reações químicas para que aquilo seja fortalecido e seja lembrado”, esclarece o professor.

Como Me Lembrar De Algo Que Esqueci? – Então não adianta estudar na véspera da prova? 

Na verdade, não é que não adianta. Você pode estudar, armazenar as informações na memória de curto prazo e até utilizar o conteúdo naquele momento do exame. Porém, a nossa memória é muito seletiva e ela elimina aquilo que acredita não precisar mais.

Dessa forma, vai chegar no fim do ano e você não vai se  lembrar de todas as informações no seu vestibular.

Para evitar que isso aconteça “Você precisa fortalecer sua memória. Você tem que ser exposto, toda hora, àquele tipo de estímulo para que as sinapses sejam provocadas”, lembra Rafa.

Quer saber como fazer isso?

Como Me Lembrar De Algo Que Esqueci?

Confira 5  dicas para deixar a sua memória ainda melhor: 1. Leia com bastante frequência:

Procure ler sempre. Além de ajudar a ter mais repertório cultural e noções de linguagens, a leitura pode te apresentar muito conteúdo e ajudar a desenvolver seu senso crítico. Desta forma, você terá sempre um estímulo diferente em seu cérebro. 2. Faça exercícios 

Depois de estudar todo o conteúdo, tenha o hábito de resolver o maior número possível de exercícios sobre o assunto. Será na tentativa, erro e correção que você amarrará todos os detalhes da matéria e contribuirá para esse assunto se consolidar na memória de longo prazo. 3.  Separe um tempo para as revisões

Como vimos acima, umas das formas de reter informação na memória de longo prazo é por meio de dicas e associações. Por isso, nada melhor do que acompanhar todo o conteúdo na aula de revisão.

4. Atente-se a sua alimentação

Procure comer alimentos ricos em vitaminas do complexo B, ômega-3, fisetina e colina, eles contribuem para o funcionamento e manutenção dos neurônios. Por exemplo: maçã, tomate, uva, peixes, gema de ovo, pêssego, kiwi, fígado bovino e cereais integrais.

5. Durma pelo menos 8 horas por dia

A qualidade do sono está diretamente relacionada à saúde da nossa memória. Por isso, descanse bem todos os dias para se lembrar das informações com mais facilidade – não adianta compensar no final de semana, ok?

Esquecimentos frequentes podem ser causados por fatores orgânicos ou psicossociais

Cotidiano | Viver com saúde Deu branco?

Como Me Lembrar De Algo Que Esqueci? Gabriela da Silva/GES-Especial Listas com itens separados por categorias facilitam na ida ao supermercado

Abrir a porta da geladeira e não saber mais o que foi buscar. Lembrar de alguma coisa durante uma conversa, esquecer o que ia falar, lembrar de novo, esquecer de novo. Não gravar o nome de alguém a quem acabou de ser apresentado.

Não lembrar onde colocou as chaves de casa, o que comeu no almoço ou sequer a senha que acabou de criar. “Eu tenho certeza que guardei em algum lugar, mas não lembro onde” também é uma frase bem típica na sua rotina.

Será que é só falta de atenção ou é a memória dando sinais de que já não está mais aquela coisa?

Em geral, os esquecimentos podem ser provocados por fatores biológicos ou psicossociais.

Aí estão incluídos a falta de vitaminas B12 e a B9, ômega 3, zinco, ferro e fósforo, já que alguns destes nutrientes ajudam a conduzir os impulsos elétricos que levam informações para o cérebro, questões da tireoide e alterações nas funções renal e hepática, além de estresse, depressão e ansiedade, uso de medicamentos antidepressivos, consumo de drogas e álcool, má alimentação e falta de sono. “Mas a questão principal é a atenção, se a gente não coloca atenção acaba não memorizando. Normalmente, se relaciona a perda de memória com envelhecimento, mas hoje em dia não tem mais idade para as queixas. São muitas informações e tu não consegues processar tudo ao mesmo tempo. Então, vai processar aquilo em que colocar a tua atenção”, explica a psicóloga Lidiane Andrade Klein, especialista em neuropsicologia. Segundo ela, não tem estratégia, a pessoa tem que ter a intenção de colocar a atenção no momento específico. “Aí os pais reclamam da criança que não consegue prestar atenção na escola, mas fica horas atenta ao videogame. Claro, porque ativa circuitos que estão relacionados ao prazer e ela quer estar ali. Quando tem motivação acaba direcionando mais a atenção”, destaca.

Estratégias

Às vezes, mesmo quando a pessoa percebe que está esquecendo as coisas do dia a dia com frequência, não consegue achar meios para acabar com os esquecimentos, por isso Lidiane ressalta a importância do autoconhecimento e de estratégias para manter a memória ativa. Isso porque, em algumas situações, os lapsos podem estar envolvidos com a organização do ambiente externo, exemplifica.

De uma hora para outra, a coordenadora de eventos Neuza Schmidt, 60 anos, começou a notar que estava esquecendo das coisas a fazer mais do que o normal.

“Parei para pensar o motivo e percebi que começou quando troquei de sala no trabalho, porque afetou também minha organização mental”, conta. Identificar a origem do problema a ajudou a pensar em estratégias para lembrar das tarefas diárias. “E envolve mais do que isso.

É o que a gente faz, a forma que se alimenta, sono, tudo vai influenciar. Antes, não tinha parado para refletir sobre isso”, comenta.

A memória vai sendo afetada com o passar do tempo, mas o natural é que não ocorram perdas tão significativas, que vão atrapalhar a vida da pessoa. “O esquecimento não é normal no envelhecimento”, destaca a psicóloga Lidiane.

Quando as falhas para lembrar passam a comprometer as atividades rotineiras é importante procurar um médico para avaliação.

“Muitas vezes, as famílias demoram a levar idosos a um profissional, por exemplo, porque acham que é normal esquecer de tudo com o avançar da idade”, alerta.

Você é aquilo que você lembra

Memória é a codificação, o armazenamento e a recordação das informações. Mais do que isso, se trata também de uma questão de identidade. “O que nós somos é o resultado das nossas memórias e das nossas vivências. Imagine se não lembrar o que gosto de comer, o que gosto de vestir, das pessoas que eu gosto, o quanto isso deve ser triste.

Porque aí você já não se reconhece mais como pessoa, fica um vazio e um questionamento: quem eu sou?”, reflete a psicóloga Lidiane Klein. O acervo da memória faz com que cada pessoa seja diferente uma da outra, com experiências diferentes. “O conjunto de memórias de cada um determina o que se denomina personalidade ou forma de ser”, observa.

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As emoções e o estado de ânimo são os fatores que mais influenciam no armazenamento de informações. Por isso, é mais fácil lembrar do dia do nascimento de um filho, por exemplo, do que o que comeu no jantar na segunda-feira da semana passada. “O que mais faz lembrar é a emoção que aquilo gerou, tanto a positiva quanto a negativa.

Quando tem uma carga emocional muito grande, a gente lembra daquela situação e faz algum sentido para ti. Se não faz sentido é muito mais fácil esquecer. A gente lembra muito mais de coisas que a gente vivenciou do que outros nos contaram. Quando a gente vive, está com todos os estímulos cinestésicos ali ativados”, enfatiza Lidiane.

Não há controle e não se sabe tudo o que fica armazenado, mas quanto mais um momento se torna especial, mais é lembrado.

Como Me Lembrar De Algo Que Esqueci? Gabriela da Silva/GES-Especial Lidiane explica que emoções e estado de ânimo são os fatores que mais influenciam no armazenamento de informações

Tem que haver interesse

Atenção é a capacidade e o esforço realizado para focar, selecionar e processar um estímulo do ambiente, em detrimento de outro.

De acordo com Lidiane, a atenção compreende uma capacidade cognitiva multidimensional, sendo pré-requisito para a memória, para novas aprendizagens e para outros aspectos da cognição (conjunto de habilidades cerebrais/mentais necessárias para a obtenção de conhecimento). Uma de suas principais características é o interesse e a necessidade em relação à tarefa em questão.

A psicóloga explica que existem dois elementos fundamentais para que haja atenção plena ao que se está fazendo. “É intencional, ou seja, estamos conscientemente praticando-a. E estamos aceitando, em vez de julgando o que percebemos ou notamos”, descreve.

Estar conversando com alguém e se dar conta de que não escutou praticamente nada do que a outra pessoa disse, por exemplo, está mais para falta de atenção do que perda de memória. “Estamos tão absortos em nossos pensamentos sobre o que aconteceu ou está para acontecer que percebemos bem menos o presente. Estar mais engajado no momento presente pode levar a uma experiência mais rica das coisas”, observa Lidiane.

Oficina para trabalhar a memória

Com casos da doença de Alzheimer na família, a aposentada Seila Maria Acauan Hartz, 70 anos, fica preocupada com as falhas de memória e se assustou quando a energia elétrica de casa chegou a ser cortada porque esqueceu de pagar a conta.

Para evitar que situações como essa não se repitam e prevenir problemas mais graves, ela tem seus métodos para lembrar das coisas do dia a dia. “A memória visual ajuda muito. Quando coloco um objeto em determinado lugar, vejo bem onde estou colocando, presto muita atenção no local”, diz.

No último mês, ela participou da Oficina de Memória, ministrada pela psicóloga Lidiane Klein em Novo Hamburgo.

Ao todo, foram cinco encontros, de cerca de 1h30 cada, baseados em temas como o funcionamento da cognição durante o envelhecimento, estímulo a habilidades cognitivas (memória, atenção, funções executáveis) e estratégias de memorização e convivência social.

A oficina, aberta para todas as idades, inclui teoria e exercícios práticos que podem ser aplicados no cotidiano, como a elaboração de listas de compras divididas por categorias, que facilitam bastante a ida ao supermercado. “Não é ruim utilizar estes recursos. Hoje em dia a gente tem que dar conta de tantos estímulos, que só vão trazer benefícios”, diz Lidiane.

Como Me Lembrar De Algo Que Esqueci? Gabriela da Silva/GES-Especial Seila compartilha com demais participantes da oficina experiências e estratégias que utiliza para lembrar de tarefas do dia a dia

Doença temida

Entre um dos problemas mais graves e mais temidos que podem afetar a memória está a doença de Alzheimer, que atinge em média 7% dos idosos. A doença pode causar perda de funções cognitivas, causada pela morte de células cerebrais, como orientação, atenção e linguagem, além da memória.

No entanto, se diagnosticada logo no início, é possível retardar seu avanço ou ainda controlar os sintomas, garantindo melhor qualidade de vida ao paciente. “O esquecimento tem um limite. No caso do Alzheimer, a pessoa acaba esquecendo fatos recentes, mas lembra da infância. É uma doença progressiva e chega um ponto em que o paciente não vai mais lembrar de nada”, observa Lidiane.

Ela explica que não é possível trabalhar com reabilitação, mas há métodos para fortalecer outras memórias, para que não se percam tão facilmente. “A escolaridade é muito importante também, principalmente porque a pessoa vai criando uma reserva cognitiva (capacidade cerebral para lidar com lesões no sistema nervoso, formada por experiências intelectuais).

Se há duas pessoas de 65 anos, a que tem mais escolaridade vai demorar mais para desenvolver a doença porque ela tem mais reserva cognitiva”, ressalta.

  • Tipos de memória
  • Memória de longo prazo declarativa Semântica: refere-se a lembranças de conhecimentos gerais ou com base em fatos, como saber quais as cores da bandeira do Brasil.
  • Memória de longo prazo declarativa Episódica: refere-se a lembranças de eventos e responde o que, onde e quando.

Memória processual: como lembrar como se escova os dentes ou como se dirige um carro. É esse tipo de memória que faz não esquecer como se anda de bicicleta.

  1. Memória de trabalho: memória breve, serve para “gerenciar a realidade”, mantém-se no mínimo por alguns minutos.
  2. Memória prospectiva: intenção de realizar alguma ação em um momento futuro, como lembrar de tomar um medicamento.
  3. Estratégias de memorização externas
  • Calendário: pode ser usado para marcar datas de vencimentos de contas.
  • Notas com lembretes em destaque
  • Agenda: recurso complexo, porque a pessoa tem que lembrar de abrir a agenda para checar o compromisso anotado
  • Organização do ambiente
  • Listas divididas em categorias. Exemplo: creme dental, papel higiênico, sabonete, leite, pão, manteiga

Estratégias de memorização internas

  • Repetição
  • Gravar primeiras letras de uma sentença. Exemplo: para decorar o nome dos planetas (Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão) lembrar de “Minha vó tem muitas joias, só usa no pescoço”
  • Criação de imagens mentais
  • Para reconhecimento de faces: identificar uma característica peculiar do rosto a ser memorizado (ex.: olhos azuis)
  • Escolher palavra-chave que representa um objeto que pode ser imaginado; conversão de palavra-chave para imagem mental.
  • Fortalecer o planejamento da intenção futura. Exemplo: “Quando chegar ao escritório sentarei na minha cadeira e olharei para o computador. Então mandarei um e-mail para um cliente”.
  • Ler e reler para memorizar textos

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"Eu sei, mas esqueci…" 3 passos simples para você lembrar o que estudou na hora da prova

Um verdadeiro supervilão, o branco já derrubou inúmeros candidatos aos mais diversos cargos.

Quando “dá um branco”, é como se a resposta à questão estivesse bem ali, na sua cabeça, mas você simplesmente não consegue alcançá-la, não consegue lembrar o que estudou. Talvez você se lembre de ter estudado isso, mas a resposta não vem.

Já passou por isso? Claro que sim. A boa notícia é que da próxima vez que ele vier, você terá as armas certas para combate-lo.

…antes mesmo de ter de enfrentar o branco, você pode evitar que ele ocorra. E a boa notícia é que você faz isso dormindo.

Entendendo

Cientificamente falando, o “branco” é uma condição fisiológica decorrente de uma situação de estresse; as glândulas suprarrenais respondem produzindo mais cortisol, um hormônio que causa aumento da pressão arterial e da capacidade muscular.

Como Me Lembrar De Algo Que Esqueci?Nosso corpo evoluiu por milhões de anos para enfrentar os perigos quando éramos caça ou caçadores, e as melhores respostas para situações de estresse eram bater ou correr – por isso era melhor capacidade muscular do que capacidade de lembrar algo que você estudou. Mas essa capacidade muscular adicional tem um preço: redução da capacidade de acessar memórias. É a evolução agindo contra o progresso…

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Enfrentando

Como Me Lembrar De Algo Que Esqueci?

Isso significa que quando der branco em alguma questão, o melhor a se fazer é passar para a próxima, e voltar depois. Assim você dá um tempo para seu corpo reestabelecer os níveis hormonais normais e, quando você voltar à questão, verá que o conhecimento estará acessível.

Tenha em mente que você sabe a resposta. Ela apenas está inacessível por alguns minutos. Então, mantenha a tranquilidade, respire fundo, e continue respondendo a prova.

Conforme você resolver outras questões, estará ativando várias informações (sinapses). Dessa forma,  o acesso ao acervo de conhecimentos guardado no seu cérebro torna-se mais fácil.

É provável que no meio da resolução de outra questão a resposta lhe ocorra, daí é só anotar e marcar o gabarito.

Mas antes mesmo de ter de enfrentar o branco, você pode evitar que ele ocorra. E a boa notícia é que você faz isso dormindo.

Evitando

Para evitar o branco e lembrar o que estudou, é preciso evitar o pico de cortisol e, para isso, é preciso evitar a situação de estresse.

Como Me Lembrar De Algo Que Esqueci?

Além disso, dormir bem na véspera da prova é especialmente importante. Isso reduz consideravelmente os níveis de estresse no dia seguinte.

Amnésia Global Transitória

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Como Me Lembrar De Algo Que Esqueci?

Por Maramélia Miranda **. Atualizado Setembro de 2020.

O que é Amnésia Global Transitória??? 

É um quadro neurológico onde ocorre uma súbita perda da memória e da orientação temporal e/ou espacial, e cuja causa não está associada às condições neurológicas mais comuns, como epilepsia ou AVC.

O sintoma principal é a pessoa ficar, de repente, desorientada, sem saber onde está ou o que está fazendo.

Os maiores fatores de risco conhecidos para a amnésia global transitória são a idade, geralmente ocorrendo em maiores de 50 anos, a ocorrência de episódios de estresse ou esforço físico antes do evento, e é comum ocorrer em pessoas com antecedentes de enxaqueca.

Sintomas

Durante o episódio de amnésia global transitória (AGT), o sintoma principal é a pessoa geralmente não saber onde está, ou onde estava, o que estava fazendo ou qual atividade iria fazer; os sintomas começam de forma súbita, e muitas vezes a pessoa afetada fica fazendo perguntas de forma repetitiva, esquecendo no minuto seguinte o que acabou de falar, mas permanecendo com a linguagem, coordenação, fala e a força muscular totalmente normais. Ocorre uma falha na habilidade de guardar novas memórias, e de recordar fatos da memória recente. Não há alteração na autopercepção, de quem são ou das pessoas que conhece, apenas uma alteração da memória em relação aos fatos ou lugares, ou até algumas pessoas conhecidas, na maioria das vezes levando a questionamentos e intensa preocupação de como é que pode estar acontecendo aquela falha da memória de forma tão estranha e repentina.

O quadro dura geralmente algumas horas, e há uma recuperação gradual e lenta, quase nunca ultrapassando 24 horas.

Durante o episódio, o ideal é que haja alguém da família ou amigos que testemunhem os fatos ocorridos, para que depois possa ser caracterizado o quadro como sendo AGT, uma vez que os pacientes não saberão explicar ao neurologista o que aconteceu durante e ao final dos sintomas, em virtude da falha lacunar da memória naquele período de horas.

Quando o episódio de AGT termina, o paciente geralmente não se lembra de nada do que aconteceu, e não consegue recuperar algumas memórias de horas antes do início do quadro. Muitos pacientes podem começar a relembrar em forma de “flashes”, algumas coisas do evento, sendo extremamente raro a pessoa acometida voltar a se lembrar de tudo do ocorrido.

Fatores de risco

Um dos fatores de risco mais recentemente relacionados à AGT é a insuficiência venosa jugular, condição onde há um retorno do sangue pelas veias jugulares, em direção contrária do seu fluxo habitual, ocasionando ingurgitamento da circulação venosa no cérebro, e sendo esta fisiopatologia a causadora de edema e da falha dos mecanismos de memória nas regiões temporais, mais especificamente dos hipocampos. Nesta linha de fisiopatologia, a ocorrência de crises de AGT relacionadas a grande estresse, brigas, discussões, esforços físicos, durante ou após realização de academia, atividade física ou relação sexual, atividades físicas em geral, pegar muito peso, crises de diarréia, ou de constipação, crises de vômitos recorrentes, ou seja, todas estas condições onde o nosso organismo responde com um aumento da pressão intra-abdominal, a chamada manobra de Valsalva, tem sido fatores bastante correlacionados à AGT nos últimos anos.

O maior estudo retrospectivo com pacientes com AGT foi publicado em 2020 na revista JAMA Neurology, por um grupo de neurologistas da Mayo Clinic de Rochester, nos EUA, e identificou a presença de enxaqueca e de episódios de AGT em idade mais jovem como possíveis fatores de risco para recorrência das crises na população estudada, de 1044 casos de AGT. 

Como é feito o diagnóstico? 

Para o correto diagnóstico da AGT, é necessário, portanto, haver:

  • perda temporária da memória, presenciada por uma testemunha, durando algumas horas; 
  • cognição normal (habilidade de reconhecer objetos pessoais, dirigir carro, ou seguir comandos simples, por exemplo);
  • identidade pessoal e reconhecimento de pessoas conhecidas e familiares intacta, apesar da perda aguda da memória;
  • ausência de sinais indicando uma lesão particular no cérebro, como, por exemplo, fraqueza em algum membro do corpo, boca torta, fala enrolada, dormências, movimentos involuntários ou déficit de linguagem;
  • duração do evento não mais do que 24 horas, sempre com retorno gradual da memória;
  • sem evidência de epilepsia ou crise convulsiva durante o episódio, mesmo que do tipo parcial ou parcial complexa, e sem antecedentes de epilepsia ou trauma craniano recente.

A AGT é uma condição que não costuma deixar nenhuma sequela ou alteração na memória dos pacientes, após o término dos sintomas. Estes dados são fundamentais para tranquilizar os pacientes e suas famílias.

Exames complementares

Os testes diagnósticos a serem realizados incluem exames para investigar um possível AVC ou episódio epiléptico: tomografia e/ou ressonância magnética da cabeça, angiorressonância da cabeça, triagem para fatores de risco cardio e cerebrovasculares, e um eletroencefalograma (EEG) para descartar doença ou episódio de origem epileptogênica. É importante a investigação de fatores psicossomáticos e transtornos psiquiátricos associados, que costumam se relacionar à ocorrência de AGT.

Um exame que recentemente tem sido descrito com alterações em pacientes com AGT é a pesquisa de insuficiência venosa crônica, através do ultrassom venoso cervical para investigar esta condição. O problema é que são poucos os lugares que realizam este exame.

Tratamento

Na fase aguda, na hora dos sintomas de alteração da memória e orientação, não há tratamento específico, apenas resguardar e tranquilizar o paciente para que não faça nada “errado”, sem perceber. Geralmente a recuperação ocorre ao longo das horas subsequentes ao início do quadro.

Após a análise dos exames complementares, a terapia é direcionada conforme a possível causa, se esta foi de alguma forma identificada: na possível etiologia vascular, costuma-se prescrever antiagregantes plaquetários; caso seja um episódio com suspeita de evento epiléptico, indica-se o uso de anticonvulsivantes.

Casos relacionados a transtornos psicológicos / psiquiátricos costumam responder bem ao tratamento das comorbidades psiquiátricas associadas.

Em situações onde é feito o diagnóstico de insuficiência venosa crônica, medidas para evitar a ocorrência deste refluxo jugular podem ser realizadas (tratamento de constipação, evitar treinos com mudanças súbitas de intensidade física, treinamentos em crescendo, etc…).

LINKS

Morris et al. Factors Associated With Risk of Recurrent Transient Global Amnesia. JAMA Neurology 2020. 

** Dra. Maramélia Miranda é neurologista da UNIFESP-EPM, especializada em AVC e Doppler Transcraniano, editora do blog iNeuro.com.br.

Como lembrar do que lemos: 9 dicas para melhorar sua memória

Há um estudo do psicólogo alemão Herman Ebbinghaus onde afirma que cerca de 50% do que lemos é esquecido, caso não seja revisado no dia seguinte. É a chamada curva do esquecimento, uma junção daquilo que aprendemos com o efeito do tempo na memória.

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Ok, já conseguimos compreender que é normal esquecermos de uma parte do que consumimos, mas se está cansado de ler e dias depois não recordar, nós vamos ajudar a diminuir essa taxa. Por isso, continue a leitura e veja as melhores dicas para relembrar aquilo que lê.

1. Faça resumos

  • Toda vez que você revisita algo que já leu ou já conhece tende a memorizar mais, por isso, fazer resumos ajuda em como lembrar do que lemos.
  • Uma boa prática aqui é, quando estiver lendo um livro e quiser recordar as páginas lidas na próxima vez que o pegar, faça resumos das que leu por último.
  • Assim como no tempo de escola, que eram solicitados resumos para depois compartilhar as partes estudadas, faça isso com a leitura e, antes de recomeçar, faça uma leitura do seu resumo.

Manter um caderno de resumo dos seus livros preferidos também pode ajudar na memorização.

Além disso, sempre que precisar revisitar algum tópico, já sabe onde encontrar as informações.

2. Tenha anotações no livro

  1. Muitas pessoas têm pena de rabiscar ou marcar partes nos livros físicos, mas a verdade é que as anotações nas próprias páginas também auxiliam a lembrar daquilo que leu.

  2. Além disso, se você faz parte das pessoas que têm a memória fotográfica aguçada é capaz de lembrar-se com facilidade daquela pequena anotação que fez no topo da página.

  3. Sem contar que, ao marcar as partes importantes, fica mais fácil de encontrar depois para o seu resumo, por exemplo.

3. Compartilhe o que acabou de ler

Já ouviu aquele ditado onde diz que quanto mais compartilhamos mais aprendemos? Exatamente assim é que vai exercitar a sua memória e lembrar-se das coisas que lê: dividindo a informação com um amigo.

Conte sobre o livro que está lendo. Fale do que se trata e como a escrita está ajudando você a compreender o assunto, assim, você leva as informações para outras partes do cérebro, podendo resgatá-las com facilidade, nem que seja por associação com a conversa que teve sobre o conteúdo.

4. Formule associações

Você já lembrou de um número aleatório só porque fez uma associação dele com a data de nascimento de alguém? Ou o nome do personagem lembrou de algum conhecido? Essas associações permitem a memorização melhor do conteúdo.

Em vez de apenas passar os olhos pela leitura, reconhecendo as palavras e ideias descritas ali, faça com mais atenção e se envolva com a escrita, fazendo uma relação com coisas que o ajudem a recordar depois.

5. Crie um mapa mental

Muito comum durante os estudos, o mapa mental também pode ajudar a memorizar aquilo que está lendo. Vamos supor que está fazendo uma pesquisa na internet e encontrou diferentes materiais sobre o assunto, um mapa mental pode ser útil.

Você pode fazê-lo em formato físico ou até mesmo em sites específicos, como o Mindmeister. Coloque a ideia central e vá criando ligações com outros temas abordados nas pesquisas, ao final revise as anotações e ficará fácil a assimilação do conteúdo.

O mesmo pode ser feito com livros, assim está criando novas maneiras de lembrar do que lemos.

6. Leia mais de um livro ao mesmo tempo

Você deve estar se perguntando como lembrar do que lemos ao ler dois ou três livros ao mesmo tempo, se com apenas um já é difícil, mas saiba que intercalar as leituras auxilia na memorização.

Falei no início que o nosso cérebro esquece rapidamente aquilo que lemos, certo? Também na primeira dica mencionei sobre revisão dos materiais. Sendo assim, ao ler mais de um livro está praticando a revisão e, automaticamente, reduzindo as chances do seu cérebro esquecer rápido o conteúdo.

Eles nem precisam ser sobre a mesma temática, mas só o fato de ter que revisitá-lo para continuar o assunto já vai lhe agregar.

7. Grave um áudio com informações importantes

Se você tem o costume de escutar podcast essa dica de como lembrar do que lemos vai ser muito útil: gravar um áudio com as informações mais importantes ou até mesmo as suas considerações sobre o assunto.

Essa é também uma prática de memorização, porém, faça de uma forma prática, com poucas informações, para facilitar a lembrança.

8. Prefira leitura em papel

É claro que estamos imersos na internet, mas justamente pela enxurrada de informações que lemos durante o dia é que a leitura em papel tende a ser a melhor opção.

Como lembrar coisas

Como lembrar coisas (como nomes) que tendemos a esquecer

Nunca encontrou alguém e logo depois que apertou a mão dele, você já está se perguntando qual era mesmo o nome dele? Ou sair e se perguntar se você trancou a porta de casa, ou fechou as janelas, ou se desligou aquele aparelho?

Ao longo do tempo inventaram muitos truques, estratégias e sistemas para lembrar os nomes, etc.

Entretanto eu sempre achei todos eles meio complicados, como os “ganchos” de memória – uma lista de imagens e palavras correspondentes para lembrar uma lista de coisas. Em nenhuma circunstância eu me lembro dos “ganchos”.

Qual é o propósito se lembrar de um conjunto de “ganchos” e, em seguida, uma lista de coisas associadas? Parece um pouco complicado.

Ou aquele que associa à pessoa algo que rima com o nome dela? Fico tão ocupado tentando encontrar algo que rima com o nome que já me esqueci do nome.

Eu sei que eu estou sendo um pouco bobo aqui, mas sistemas para mim só funcionam se eu tiver tempo para tornar o sistema automático. Quando você estiver encontrando muitas pessoas, isso não parece conveniente. Eu já vi uma demonstração em que uma pesssoa conhece 50 pessoas e se lembra de todos os nomes. Impressionante. É para demonstração.

Então, aqui está o que funcionou para mim ao longo dos anos para me lembrar das coisas…

ESTAR PRESENTE! Isso significa que eu paro todo o barulho dentro da minha cabeça e afasto todo o barulho da sala, olho a pessoa nos olhos enquanto ouço claramente como ela diz o nome dela. Vai direto para dentro. Então eu digo o nome de volta para ela. Se tivermos uma conversa, eu repito várias vezes o nome dela. Depois disso eu raramente esqueço o nome.

Para descrever o que acontece, é como se eu tomasse uma inspiração quando ela diz o nome enquanto diminuo ou interrompo tudo, exceto o som do nome. Na maioria das vezes, nós não nos lembramos de um nome porque quando a pessoa está dizendo o seu nome, nós estamos em algum outro lugar. Estamos distraídos ou desinteressados. Eu coloco toda a minha atenção na outra pessoa.

Leva apenas um segundo.

Lembre se você fez algo antes de sair de algum lugar ou cuidou de alguma coisa…

Ao trancar a porta ou alguma outra tarefa: olhe para a fechadura, sinta a chave em sua mão sendo conduzida para a fechadura e girando, ouça o clique do fechamento e diga para si mesmo: “Estou trancando a porta”.

Eu nunca tive que voltar para conferir se havia realmente trancado a porta. Se eu tiver que voltar para ter certeza, eu faço isso mentalmente porque a imagem já está lá.

Eu nunca tive que dar meia volta e voltar para conferir.

Passo a passo:

  • Veja primeiro o que você está fazendo ou quem está com você.
  • Sinta a chave, o aperto de mão, etc.
  • Ouça o barulho que a chave faz ou o som do nome da pessoa.
  • Diga a si mesmo: “Eu estou fazendo isso” ou “Bill”, enquanto você vê e sente.  

Lista de coisas: eu escrevo uma lista. Então, a minha mente não está sobrecarregada com uma lista de coisas.

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