Como Impedir Que Ratos E Outros Facam Buracos Naterra Junto A Casa?

Como Impedir Que Ratos E Outros Facam Buracos Naterra Junto A Casa?
Roedores têm estratégias sofisticadas de sobrevivência e são capazes de driblar armadilhas Foto: Arte de Andre Mello

RIO – Ter uma casa segura e comida farta é prioridade na vida de muita gente. E é exatamente isso que os ratos encontram em muitas residências e condomínios. Para proteger seus interesses, esses roedores são capazes de adotar estratégias surpreendentes, cujo combate exige perspicácia. Entender melhor como eles vivem é um importante passo rumo à vitória numa batalha que já dura séculos.

— Ao contrário do que a população acha, os ratos são muito inteligentes. Eles preferem alimentos saudáveis, por exemplo, e não comem coisas estragadas.

E quando encontram algo que acham saboroso, mantêm essa informação na memória e sempre voltam para buscar mais, guiados pelo olfato — descreve o biólogo especialista em roedores Jerônimo da Fonseca, que é gerente de controle de vetores da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb), onde trabalha há 20 anos.

Um comportamento típico das ratazanas ilustra bem a complexidade desses bichos. Segundo Fonseca, quando falta comida, as fêmeas podem canibalizar seus filhotes para sobreviver. Mas, assim que encontram alimento novamente, entram no cio e voltam se reproduzir, colonizando o local.

A ratazana, diga-se de passagem, é uma das espécies mais comuns em cidades como o Rio, ao lado do rato-de-telhado e do camundongo. E saber como cada uma delas se comporta é outra peça-chave no controle dos animais. O biólogo e diretor técnico da Rodantech Dedetizadora, Vinicius Rocha, comenta algumas dessas particularidades:

— A ratazana circula mais nas tubulações de esgotos e rios. Ela tem a habilidade de nadar e pode, inclusive, sair pelo vaso sanitário.

Já o rato-de-telhado habita as partes mais altas, graças à capacidade de escalar e andar em fios. Eles também têm uma alimentação mais seletiva, com frutas, cereais e grãos.

Enquanto isso, o camundongo fica mais dentro de casa e circula muito entre a cozinha e a sala.

Para quem quer esses bichos o mais longe possível, também é fundamental compreender o que os atrai. Neste caso, o cheiro de alimentos é um dos primeiros tópicos da lista. Mantimentos devem estar sempre guardados em potes bem vedados. A ração dos animais também merece atenção.

— Muita gente acha que ter cães e gatos é um recurso eficaz de combate aos roedores. Mas quando potes de ração ficam expostos por muito tempo, sobretudo na madrugada, os ratos são atraídos — ressalta Fonseca.

LIMPEZA É INDISPENSÁVEL

O professor de saneamento do curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Viçosa, Artur Kanadani Campos, acrescenta que cuidados como o acondicionamento e destinação adequada do lixo, a limpeza periódica e a manutenção dos encanamentos das redes de esgoto também são muito importantes. Outro conselho é evitar o acúmulo de caixas, embalagens, pilhas de jornais e entulhos que possam servir como abrigo para os animais.

— Também é fundamental fazer a manutenção periódica dos gramados e dos jardins, bem como a limpeza dos terrenos baldios e das ruas, para evitar o estabelecimento de colônias de roedores no perímetro e nas residências — elenca ele. — Essas medidas precisam ser adotadas de forma coletiva, já que o descuido de alguns pode levar a condições favoráveis para o estabelecimento de novas colônias e os ratos podem facilmente migrar entre casas vizinhas.

Subestimar os riscos oferecidos por ratos é outro erro grave.

Esses animais transmitem mais de 40 tipos de zoonoses, das quais a leptospirose, cujo contágio se dá pela urina dos roedores, é a mais conhecida.

Só no ano passado, o Rio registrou 37 casos e sete mortes (19% dos pacientes), segundo dados do Comlurb. Este ano já foram seis registros até fevereiro, sem que houvesse óbito confirmado.

Fonseca afirma que uma divisão dentro da companhia concentra esforços para combater os animais na cidade. São 286 profissionais que fazem vistas periódicas a praças e locais públicos, além de atenderem a solicitações de moradores.

Segundo ele, qualquer pessoa que enfrente problemas com ratos em casa pode ligar para Central de Atendimento da Prefeitura do Rio (1746) e pedir uma visita para que os procedimentos adequados sejam tomados.

— Direcionamos uma viatura para atender à demanda e, uma vez constatado o problema, efetuamos o controle com raticida. Também orientamos os moradores sobre as medidas de prevenção necessárias e retornamos sete dias depois para ter certeza de que os roedores foram eliminados — detalha ele.

Segundo Fonseca, buscar esse suporte é importante, porque usar os produtos comercializados para o controle de ratos nem sempre funciona. Em geral, os moradores não distinguem qual é a espécie exata e isso os impede de adotar os procedimentos corretos.

— As pessoas podem optar por um produto que o rato não vai comer, por exemplo. E caso usem uma ratoeira, o equipamento dificilmente vai eliminar uma ratazana ou um rato de telhado, já que são maiores e mais espertos. E ainda que mate um animal, não eliminará a colônia — exemplifica ele.

ILEGAL E INEFICIENTE

Outro recurso pouco eficiente é o chumbinho, que muita gente compra no mercado ilegal — a comercialização é proibida. Além de oferecer riscos à saúde humana, o produto também não elimina a colônia, como explica Vinicius Rocha.

— Quando é envenenado dessa maneira, o rato não morre imediatamente. Isso acontece só quando ele já está de volta à família. E, depois que um segundo integrante morre do mesmo jeito, os outros entendem que aquele alimento está contaminado e param de consumi-lo — diz ele.

Se os ratos têm versatilidade para driblar algumas armadilhas, eles ainda não são tão espertos em relação às pistas que deixam por onde passam. O biólogo e diretor técnico da Rodantech Dedetizadora, Vinicius Rocha, afirma que estar atento a estes sinais ajuda a agir na hora certa.

— O principal indicativo são as fezes. Inclusive, os especialistas conseguem identificar qual é a espécie de roedor por meio delas — afirma ele, acrescentando que a urina também denuncia a presença dos animais.

Outra pista importante são as manchas escuras no canto das paredes, na altura do rodapé. Segundo Rocha, como estes bichos têm muita gordura no corpo e tendem a caminhar sempre encostados nos cantos, este rastro vai se formando com o tempo.

Alimentos e embalagens roídas são outros fortes indícios. Além disso, como lembra Rocha, os dentes incisivos desses animais nunca param de crescer. Então, eles precisam estar sempre roendo algo, mesmo que não seja alimento.

— Fio elétrico é algo que eles roem com frequência. Muitas vezes, entram em carros, nas garagens, para isso ou usam os fios das redes elétricas dos prédios e das casas. Isso é muito perigoso, porque pode causar curto-circuitos — alerta o biólogo.

Para quem mora em prédio, Rocha afirma que a presença de roedores nas partes mais altas é menos frequente. Mesmo assim, eles podem subir pelas tubulações e árvores que encostam nas paredes externas.

Em edifícios que ainda têm vãos internos por onde os moradores de cada andar descartam o lixo (e que são proibidos) os cuidados devem ser redobrados, já que estes animais podem percorrer essas instalações, atraídos pelo cheiro de alimentos.

— Essas estruturas ficam muito danificadas com o tempo. Então, os ratos conseguem escalá-las — alerta ele.

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Ratos no jardim: o que fazer para controlar essa praga?

A maioria dos roedores tem hábitos herbívoros. Isso significa que ratos no jardim são uma ameaça. Em busca de alimento, eles destroem hortas e acabam com qualquer trabalho paisagístico.

A questão é que, em ambientes externos, o desafio de controlar uma infestação se torna maior. Venenos nem sempre são eficazes, além de pôr em risco a segurança de outros seres vivos.

Portanto, você deve conhecer os métodos mais garantidos para afastar ratos do quintal. Continue conosco e saiba o que fazer para proteger suas plantas.

Por que ratos no jardim são um problema

No Brasil, existem dois tipos de ratos que atacam os jardins com mais frequência. Um deles é a ratazana (Rattus norvegicus), que vive em tocas ou galerias no subsolo. Ela também recebe o nome popular de rato de esgoto, justamente porque consegue nadar pelas tubulações.

Esse bichão, que chega a 25 centímetros de comprimento na fase adulta, vive perto de rios e banhados. Pode, ainda, habitar terrenos baldios e depósitos de lixo.

Outra espécie que ronda as áreas verdes é o rato preto, ou rato de telhado (Rattus rattus). Apesar do nome, a colônia nem sempre se instala no forro de uma edificação. Ela pode escolher um arbusto ou uma fresta num muro para fixar moradia.

Ao contrário do que pensam os leigos, esses animais não gostam de comida estragada. Eles preferem opções saudáveis como frutas, cereais e grãos. Desse modo, o pátio de uma residência ou os canteiros de uma propriedade rural representam fontes generosas de nutrientes.

Os ratos geralmente escavam embaixo das plantas para chegar ao alimento. Assim, vão estragando gemas e raízes, o que compromete o crescimento do vegetal. Alguns detonam as sementeiras das hortaliças, enquanto outros trepam em árvores, danificando as cascas. Nem mesmo flores ornamentais escapam.

Saiba mais: 7 sinais de infestação por ratos

O pior é que tamanha fartura favorece a proliferação da praga. E o ciclo biológico é rápido. Tão logo a fêmea dá a luz a uma ninhada, ela pode engravidar novamente. Pouco mais de três semanas se passam e outras crias – entre seis e 12 – surgem para ampliar a família.

Ou seja: você deve realizar a desratização imediatamente. Do contrário, os ratos se multiplicam e vão causando estragos cada vez maiores no entorno.

Gatos não caçam ratos com tanta eficácia assim

Talvez manter gatos de estimação seja suficiente para impedir a presença de invasores, certo? Não exatamente.

Os ratos se escondem com facilidade. Quando notam predadores nos arredores, a tendência é que passem mais tempo refugiados dentro do ninho. Isso não quer dizer que a infestação foi controlada, mas, sim, que as criaturas apenas estão esperando a hora certa de agir.

Pesquisadores da Universidade de Fordham, nos Estados Unidos, testaram esse comportamento. Eles monitoraram alguns bichanos durante 79 dias. Ao fim da experiência, apenas dois ratinhos haviam sido capturados, o que demonstrou o poder de autopreservação da praga.

Além do mais, a própria ração dos felinos serve de alimento para ratos. Quando a comidinha fica em potes abertos,  ao ar livre, ela atrai os seres indesejados. O ataque ocorre sobretudo de madrugada.

Veneno para rato pode ameaçar a saúde humana

Se os predadores naturais não resolvem o problema, como evitar ratos no jardim? Muita gente recorre a plantas aromáticas.

Hortelã e aroeira são exemplos de repelentes de pragas. O odor característico dessas ervas afasta mosquitos e outros insetos, por exemplo. Porém, a eficácia contra roedores é questionável, especialmente se a colônia já estiver com um número elevado de indivíduos.

Nas infestações mais graves, o uso de raticida acaba sendo uma solução mais provável. Só que a aplicação de venenos exige conhecimento técnico.

Primeiro, é preciso reiterar que estamos falando de criaturas inteligentes. Ratazanas e ratos de telhado não comem qualquer coisa, muito menos se parecer suspeita.

Caso um membro da colônia adoeça após ingerir um alimento envenenado, os demais evitarão aquele produto. Em outras palavras, eles vão continuar vivos e à procura de opções mais saudáveis para o cardápio.

Outro recurso bastante problemático é o chumbinho. A comercialização dessa substância, inclusive, já foi proibida no país. Não só as bolinhas acinzentadas são ineficazes para a dedetização de ratos, como representam perigo à saúde humana. Há risco de intoxicação, cujos sintomas incluem vômito, náusea e taquicardia.

Saiba mais: Chumbinho não serve para matar ratos

Como controlar ratos no jardim

Como você viu até aqui, eliminar uma infestação de ratos no pátio ou no quintal não é tão simples de se resolver. As plantas oferecem alimento em abundância aos roedores, que também são especialistas na arte da fuga. Sendo assim, a solução é tornar o ambiente uma área menos convidativa aos invasores.

  • Confira algumas dicas para impedir o acesso e o abrigo de ratos no seu jardim:
  • – Acondicione o lixo em latões ou caçambas fechadas;
  • – Evite entulho de caixas, embalagens e outros materiais no pátio, pois podem servir de esconderijo para as pragas;
  • – Instale grades nos ralos, evitando que as ratazanas saiam pela tubulação de esgoto;
  • – Mantenha os gramados sempre aparados;

– Exija a limpeza de terrenos baldios no perímetro. Um vizinho que esteja atraindo mosquitos, baratas e ratos também deixa sua propriedade vulnerável a infestações. Se necessário, denuncie o caso ao órgão competente da prefeitura.

Esses cuidados já ajudam a diminuir a incidência de pragas no local. Junto a isso, você deve encontrar soluções para imunizar o jardim sem comprometer a integridade das plantas.

Conte com a experiência da Hoffmann. Nossas iscas de jardim são ideais para realizar a desratização em ambientes externos. Pequenos, mas altamente eficazes, os equipamentos podem ser instalados com discrição entre folhagens e arbustos. Essa medida preserva a beleza estética do trabalho de paisagismo.

Nossa equipe também utiliza domissanitários recomendados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Tratam-se de substâncias de uso controlado, aplicadas apenas por profissionais. Observadas as normas de boas práticas, esses produtos agem no controle de pragas sem risco à saúde humana ou ao meio ambiente.

Entre em contato conosco e solicite um orçamento para controle de ratos. Fones: (51) 3545-4999 | (51) 98111-4999 | (54) 99983-5959. Whatsapp: (51) 99749-4400. Atendemos em todo o Rio Grande do Sul.

Como Impedir Que Ratos E Outros Facam Buracos Naterra Junto A Casa?

Rato, o pior amigo do homem

Um dia você resolve limpar a despensa de casa e – surpresa! – descobre que o lugar está infestado de ratos. Os sacos de comida estão furados e vazios, nem as embalagens dos eletrodomésticos se salvaram. A presença dos bichos é repugnante, mas não há motivo para desespero, você pensa. Afinal, há no mercado um arsenal de ratoeiras e iscas envenenadas.

Depois de armar uma arapuca perfeita, você vai dormir sossegado, certo de que os intrometidos estão com as horas contadas. Doce ilusão. No dia seguinte, as armadilhas estão intocadas. Os ratos não deram nem uma mordida. Em compensação, devoraram mais um pouquinho da comida que restava, como se adivinhassem suas intenções.

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Esses roedores são mesmo tão inteligentes?

Bem, se os ratos fossem assim tão fáceis de derrotar, eles não seriam um dos inimigos mais antigos – e odiados – da humanidade. Segundo o zoólogo americano Anthony Barnett, já faz 10 mil anos que tentamos nos livrar deles.

“Convivemos com os roedores pelo menos desde que a agricultura começou”, diz Barnett, professor emérito da Universidade Nacional da Austrália e autor do livro The Story of Rats.

 Depois de tanto tempo de convivência, não é de espantar que os dentuços tenham aprendido nossas manias e nossas falhas e desenvolvido truques para conviver conosco sem correr muito risco.

Mas o convívio com a humanidade não mudou só a vida dos ratos. Segundo Barnett, esses animais, na mão contrária, alteraram a história da humanidade também. Especialmente na ciência, mas não só.

Os gatos, por exemplo, que na antiga mitologia egípcia alcançaram o status de divindade, só foram admitidos nas casas depois que as pessoas perceberam sua utilidade na caça aos roedores. Até na Bíblia os ratos mereceram citação.

Em algumas passagens, escritas há 3 mil anos, eles são classificados como “impuros”. Os homens tementes a Deus deveriam manter distância deles.

Essa rusga histórica teve dois momentos cruciais. O primeiro deles foi a fundação das primeiras cidades, há 10 mil anos, que, desde então, propiciam uma fonte inesgotável de alimento e abrigo para os roedores.

“Nós fornecemos muita comida e boas condições de sobrevivência para eles”, afirma Neide Ortêncio Garcia, do Centro de Controle de Zoonoses de São Paulo.

Tanto é assim que, dos milhares de tipos de roedores nas florestas capazes de sobreviver de vegetais e insetos, as três espécies mais numerosas do mundo são aquelas que vivem nos esgotos, nos depósitos e nas ruas das cidades. São elas a ratazana (Rattus norvegicus), o rato de telhado (Rattus rattus) e o camundongo (Mus musculus).

As grandes navegações, no século XIV, selaram de vez a aliança dos bigodudos conosco. A bordo das caravelas e de outras embarcações, essas três espécies se espalharam do seu local de origem – a Eurásia – para o resto do mundo.

Poucas vezes, aliás, homens e roedores estiveram tão próximos. Eles infestavam os navios, e se alimentavam da mesma comida que os marinheiros. Matá-los ajudava os tripulantes a aliviar o tédio, mas também fornecia uma boa refeição.

Um dos marinheiros de Fernão de Magalhães (1480-1521) – comandante da primeira viagem ao redor do mundo – relatou que lamentava comer biscoitos que fediam a urina de rato e não conseguir nenhum desses animais para comer.

“Eles provavelmente eram uma boa fonte de vitamina C e ajudavam a aliviar doenças como o escorbuto”, afirma Barnett.

Nojento é relativo: até hoje nós desfrutamos dos ratos como alimento. Os irulas, um grupo étnico do sul da Índia, capturam milhares de ratos por ano, os cozinham e os colocam como ingredientes de uma farta (mas não necessariamente deliciosa) refeição.

Para quem tem estômago forte e não se preocupa com doenças, o Larousse Gastronomique, um dos mais importantes livros de culinária do mundo, traz uma receita em que ratazanas e ratos devem ser limpos, despelados, temperados com óleo e cebolas e grelhados em fogo alto.

Duro de matar

Para as pessoas de paladar tradicional, no entanto, ter ratos na despensa não significa ter um item a mais no cardápio do mês, mas apenas um problema difícil de resolver.

Entre os vários truques que ratazanas e ratos de telhado desenvolveram para evitar nossos ataques, está uma habilidade especial em evitar armadilhas e devorar apenas a comida saudável.

Não se trata de um sexto sentido ou de uma esperteza diabólica: eles simplesmente têm aversão a objetos novos colocados em um ambiente conhecido, uma característica que os cientistas chamam de neofobia. Como as ratoeiras e o veneno são novidades, acabam intocados. Já a comida que estava lá…

É preciso astúcia para capturar um rato. “Existem muitas estratégias para enganá-los”, afirma Neide. Uma delas é colocar pequenos alimentos inofensivos durante dias, até que os ratos se acostumem a comê-los, e só depois acrescentar veneno.

Outro truque é utilizar substâncias químicas que só fazem efeito mais de cinco dias depois de ingeridas, o que impede que os animais relacionem a morte de um de seus companheiros ao alimento ingerido. As ratoeiras só funcionam com espécies menos desconfiadas, como o camundongo.

“O mais eficaz é retirar a comida disponível e, com ela, as condições de sobrevivência dos roedores”, diz Neide.

Por que exterminar os ratos? Porque eles transmitem doenças ao ser humano. São pelo menos 55 enfermidades, segundo Normam Gratz, biólogo aposentado da Organização Mundial de Saúde (OMS), que listou doenças transmitidas direta ou indiretamente pelos rabudos.

Mas ele mesmo reconhece que o número certamente é maior. Nenhuma delas teve um impacto maior que a peste negra, que começou no século 14, na Ásia, e invadiu a Europa.

Uma das hipóteses afirma que, durante uma batalha, guerreiros turcos, sem conseguir romper a muralha de uma cidade na atual Ucrânia, arremessaram cadáveres contaminados para dentro dos muros.

A peste, causada por bacilos transmitidos por pulgas de ratos, espalhou-se rapidamente e matou cerca de 25 milhões de europeus – um terço da população do continente naquela época.

Mas a lista de doenças graves transmitidas por roedores não termina aí. A leptospirose, por exemplo, uma infecção provocada por uma bactéria que causa febre, dores e às vezes hemorragias e morte, é transmitida pela urina de ratos. A doença infecta centenas de pessoas todo ano e é um dos maiores riscos decorrentes de enchentes.

E há ainda as enfermidades causadas por hantavírus, micróbios que vivem nas secreções dos roedores e são transmitidos pelo ar. Apesar de terem sido detectadas há poucas décadas, as doenças causadas por hantavírus já se espalharam pelo mundo e têm alto índice de letalidade.

“Os ratos são uma rede global e subterrânea de transmissores de doenças”, diz Bartlett.

Especialistas e entediados

Graças à diversidade existente entre elas, as três espécies de ratos adaptadas ao homem ocupam habitats diferentes e acabaram por cobrir praticamente todas as possibilidades de convívio humano: camundongos, por exemplo, preferem lugares fechados (como um armário). Ratos de telhado são encontrados normalmente no ambiente que lhes dá o nome. Já as ratazanas costumam cavar buracos no chão e possuem uma habilidade impressionante para caminhar nesses túneis.

Em seu habitat, eles são eficientes como atletas profissionais em sua especialidade.

Experiências com ratos em labirintos, que já são realizadas há mais de cem anos, desde 1900, mostraram que esses animais não só são capazes de aprender os caminhos com rapidez, mas também conseguem inventar atalhos e retornar sem dificuldades para o ponto de partida.

Um biólogo comparou essa habilidade à de um pianista que, depois de aprender uma peça, consegue tocá-la de trás para a frente com a mesma desenvoltura. Nessa área, a inteligência dos roedores chega a rivalizar com a humana.

Cientistas fizeram experiências em que estudantes universitários e ratos precisavam achar a saída de labirintos de desenho idêntico. Os humanos perderam de lavada: os roedores não só conseguiram acertar de primeira como gravaram mais rapidamente o percurso. No entanto, o desempenho dos estudantes melhorou com o tempo e, depois de muito treino, eles conseguiram trazer o troféu para a nossa espécie. Ufa!

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Não se sabe ao certo qual a origem dessa incrível noção espacial, mas alguns fatores ajudam os ratos. Um deles são os bigodes, que funcionam como órgãos sensoriais e permitem que eles achem o caminho até mesmo no escuro. Também é importante o gosto natural por explorar ambientes novos.

Mesmo faminto, um rato que seja colocado em um lugar desconhecido irá explorar o ambiente inteiro antes de partir para a refeição. Ele consegue com isso aprender os caminhos, encontrar novos parceiros, água ou abrigo e também, por incrível que pareça, aliviar o tédio.

Os ratos tendem a preferir situações novas. E frequentemente se enjoam de atividades repetitivas. Se treinarmos uma cobaia para acender e apagar a luz da gaiola, ela a princípio ficará acionando o interruptor apenas pela diversão da mudança.

Só quando estiver cansada da brincadeira é que deixará o quarto com a luminosidade que achar adequada.

O gosto por mudanças pode ser muito útil para o aprendizado dos roedores, como mostraram algumas experiências do psicólogo canadense Donald Hebb, um dos pioneiros da psicobiologia.

Ele levou alguns ratos de telhado para sua casa, onde eles poderiam brincar com suas duas filhas, uma de cinco e outra de sete anos.

Depois de um dia de diversão, esses felizardos se saíram muito melhor nos testes de laboratório que os colegas que ficaram presos no tédio das gaiolas.

A inteligência e o aprendizado dos ratos também se estendem ao principal fator da sua vida: a comida. Se tiver acesso a diversos tipos de alimento, um roedor comerá um pouco de tudo e manterá uma alimentação equilibrada em calorias e nutrientes.

Algumas pesquisas indicam que o ser humano também teria essa habilidade inata, mas o acesso que temos hoje a comidas muito saborosas e pouco saudáveis bagunçou nossos hábitos alimentares.

Apesar de terem uma dieta saudável por instinto, os ratos também aprendem com seus ancestrais os lugares que oferecem boas refeições e identificam, pelo cheiro de outros roedores, que comidas podem ser atacadas sem problema.

Comer (quase) sem frescura

Apesar de todo o conhecimento sobre os bichos, os cientistas ainda se deparam com peculiaridades.

Em um experimento, antes mesmo de o estudo começar, um grupo de pesquisadores enfrentou um dilema: as ratazanas não gostaram do alimento que lhes foi dado, uma conhecida marca de cereal matinal.

O teste só foi adiante quando alguém esqueceu por ali um pedaço da embalagem do cereal. Os ratos adoraram o petisco e a experiência finalmente foi feita.

Comida é fundamental para entender a sociedade dos ratos. É a comida, ou melhor, a quantidade dela, que determina o tamanho de uma população de ratos.

“Quando há muito alimento, as fêmeas procriam mais”, afirma o biólogo Luiz Eloy Pereira, do Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo.

Em situações de fartura, as ratazanas têm uma gestação de apenas 22 dias, podem ter até 13 filhotes de uma só vez e engravidar novamente 21 horas depois de parir. Ou seja: em um ano, uma fêmea pode dar à luz mais de 200 felpudinhos.

Mas a superpopulação dá origem a conflitos, e a programação biológica das ratazanas também prevê essa situação. Se o ambiente já estiver lotado e com pouca comida, o número de filhotes será menor e, em alguns casos, a fêmea poderá até devorar alguns dos que nascerem.

“Ratos lutam para dominar um espaço e também as fontes de comida. São animais territoriais que não aceitam invasões”, diz Luiz Eloy. As lutas entre machos envolvem patadas, arranhões, cortes e mordidas, mas nunca levam à morte, ou ao menos não diretamente.

Experiências mostram que, quando ratos são colocados no ambiente de outros, os conflitos dão origem a três grupos de machos. Os primeiros, chamados de alpha, são grandes, movem-se livremente e atacam intrusos. Os segundos, apelidados de beta evitam os alpha, mas não têm dificuldade em se alimentar e sobreviver.

Já o terceiro grupo (ômega) anda e come pouco, ganha uma aparência deprimida, perde peso e, se não tiver para onde fugir, morre.

O motivo desses óbitos ainda é um mistério para os cientistas, mas acredita-se que, de alguma forma, o estresse social debilita o sistema imunológico dos roedores e os torna mais suscetíveis a infecções. Pois é. Os ratos também têm seus párias.

Seus hábitos sociais complexos e sua capacidade de aprender, de procriar e de comer de tudo fizeram dos ratos as cobaias favoritas dos cientistas ao longo do século XX.

Hoje, mais de 80% das pesquisas feitas com animais envolvem roedores (incluídos aí os coelhos e os porquinhos-da-índia), originando uma demanda que criou gerações e gerações de bichos que nunca viveram fora de ambientes controlados. Resultado: os animais de laboratório são hoje bichos muito diferentes de seus parentes selvagens.

A ratazana de laboratório, uma das espécies mais utilizadas, adquiriu características diferentes, como perda da neofobia – aquela desconfiança de elementos estranhos ao seu hábitat, porque isso atrapalharia muito as pesquisas.

Hoje, há ratos de todo tipo, criados por empresas especializadas em desenvolver cobaias para pesquisas específicas. Para estudos sobre hipertensão, por exemplo, há cobaias que vêm “de fábrica” com pressão alta. Em outros casos, é preciso animais muito semelhantes uns aos outros, para diminuir a variabilidade de um indivíduo para outro.

Para essas ocasiões, as empresas fabricam milhares de ratos com código genético idêntico, como se fossem gêmeos múltiplos. A última novidade, anunciada no mês passado, foi o rato com controle remoto. Funciona assim: os cientistas instalaram três eletrodos no cérebro do animal, dois deles dando indicações da direção que ele deve seguir.

Quando ele segue a orientação, recebe uma descarga do terceiro eletrodo, plugado a uma região que fornece sensação de prazer ao bichinho. Graças a essas pesquisas, a ciência já conseguiu, ao menos nas cobaias, vencer inúmeras enfermidades que ainda afligem os humanos, como mal de Parkinson, nanismo, obesidade e vários tipos de câncer.

Toda essa pesquisa, no entanto, ainda não foi capaz de responder à pergunta que você se faz quando se vê ludibriado pelos ratinhos do seu porão: os ratos são inteligentes ou é tudo apenas instinto? “Não existe um consenso a respeito do que é aprendizado ou inteligência em animais”, afirma Anthony Barnett. “Tudo o que podemos dizer é que muitas vezes os ratos parecem pensar de modo mais rápido e lógico que nós.”

Para saber mais

The Story of Rats, Their Impact On Us And Our Impact On Them. S. Anthony Bamett, Allen & Unwin, 2002

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