Como Fazer Com Que O Periodo Venha?

Existem formas de atrasar a menstruação durante dias ou, até, meses, através do uso do remédio primosiston, tomando anticoncepcional ou usando o DIU hormonal, no entanto, nenhuma das opções consegue parar a menstruação após já ter descido.

Apesar de algumas mulheres tomarem água com sal, água com vinagre, recorrerem à pílula do dia seguinte ou ao ibuprofeno, estas soluções não são aconselhadas porque podem ser prejudiciais à saúde e provocar alterações hormonais, desregulando os ciclos. Além disso, não existe comprovação científica de que esses métodos sejam eficazes para parar a menstruação.

Caso a mulher queira adiar a menstruação para a semana seguinte, ficar um mês sem menstruar ou parar de vez a menstruação, deve conversar com o ginecologista para que seja indicada a melhor forma de o fazer.

Como Fazer Com Que O Periodo Venha?

Embora não exista nenhuma forma segura ou eficaz de parar a menstruação imediatamente ou após já ter descido, existem formas, de adiantá-la ou atrasá-la por dias ou meses, como:

1. Primosiston

O primosiston é um remédio indicado para o tratamento de hemorragias uterinas graves, mas também pode ser usado com orientação médica para ou atrasar a menstruação. Isso acontece porque este medicamento mantém os níveis de progesterona e estrogênios altos, o que impede a ovulação e atrasa a menstruação. 

A toma de primosiston permite adiantar ou atrasar, cerca de 2 a 3 dias a menstruação e, após alguns dias do seu uso, é normal que ocorra um sangramento, que não é a menstruação, mas que serve para limpar o útero. Veja para que serve o primosiston e como tomar.

2. Anticoncepcional oral

Quando a mulher toma o anticoncepcional oral é possível atrasar a menstruação para o ciclo seguinte, ficando um mês sem menstruar, através da toma de duas cartelas seguidas, ou seja, basta tomar o primeiro comprimido da nova cartela logo depois que a cartela anterior acabar para evitar que a menstruação desça.

No entanto, existem pílulas em que os últimos comprimidos são placebo, sendo normalmente de cor diferente e, por isso, para a mulher não menstruar, é importante que não se tome esses comprimidos, passando a tomar a cartela seguinte. 

Com a toma de duas cartelas seguidas a menstruação não desce porque os níveis dos hormônios estrogênios e progesterona se mantêm elevados, não acontecendo a descamação das paredes do útero. Saiba como funciona o anticoncepcional e como tomar.

3. Anticoncepcional de uso contínuo

O anticoncepcional de uso contínuo, ou pílula contínua, permite que a mulher não tenha menstruação durante vários meses, uma vez que mantém sempre elevados os níveis dos hormônios progesterona e estrogênio, inibindo o sangramento. Confira os benefícios de tomar a pílula contínua.

No entanto, pode existir uma pequena perda de sangue durante o mês, principalmente, nos 3 primeiros meses do uso desse anticoncepcional.

Como Fazer Com Que O Periodo Venha?

4. DIU com hormônio

O DIU com hormônio, conhecido cientificamente por SIU, como, por exemplo, o DIU Mirena, reduz a quantidade de sangue que a mulher perde durante a menstruação e, em alguns casos, pode parar completamente o sangramento, ficando a mulher sem menstruar durante o seu uso.

Isto acontece porque o SIU é um dispositivo que contém levonorgestrel, semelhante à progesterona que o ovário produz, o que provoca o aumento da espessura do muco da mulher e alterações na parede do útero, impedindo uma gravidez e podendo parar a menstruação. Entenda como funciona o DIU Mirena.

5.  Injeção de hormônios

A injeção com hormônios é um anticoncepcional que contém progesterona e é administrada na mulher a cada 3 meses, diminuindo a quantidade do sangramento ou parando de vez a menstruação  durante o seu uso.

A injeção com progesterona inibe a ovulação e altera o muco, evitando uma gravidez e mantém os valores de progesterona elevados, o que impede que a menstruação desça. Veja o que é o anticoncepcional injetável, como funciona e como usar.

6.  Implante

O implante é um método contraceptivo com progesterona que permite manter os níveis deste hormônio elevados, diminuindo a quantidade de sangramento ou evitando que a menstruação desça.

Além disso, o implante impede a ovulação e aumenta a espessura do muco, dificultando a passagem do espermatozoide e evitando uma gravidez.

O implante é um pequeno tubo que é colocado debaixo da pele do braço, pelo ginecologista, e que tem a duração de 3 anos. Saiba o que é o implante, vantagens e como funciona.

Como parar a menstruação de vez

Se a mulher nunca mais quiser ter menstruação pode fazer uma cirurgia em que é retirado o útero, conhecida por histerectomia, ou um procedimento que remove a parte interna do útero conhecida como ablação do endométrio.

No entanto, estes procedimentos são definitivos e, por isso, é importante que a mulher fale com o ginecologista para que possa ser avaliada a melhor opção para parar a menstruação:

1. Histerectomia

  • A histerectomia é uma cirurgia que é feita para remover o útero, o que faz com que a mulher fique sem menstruar, mas também não pode mais engravidar. 
  • Normalmente, esta cirurgia é feita em situações mais graves como câncer do útero ou do colo do útero e, por isso, esta opção deve ser sempre muito bem discutida com o médico porque é uma opção definitiva e não pode ser revertida.
  • Conheça o que é a histerectomia e os tipos de cirurgia.

Como Fazer Com Que O Periodo Venha?

2. Ablação do endométrio

A ablação do endométrio é feita, normalmente, em mulheres que têm menstruação com uma grande perda de sangue e, após ser realizada, a quantidade de sangue reduz ou a menstruação pode parar de vez. 

No entanto, após ser feita a ablação do endométrio, a probabilidade da mulher conseguir engravidar é muito baixa, uma vez que o procedimento destrói a parte interna do útero, sendo importante que esta opção seja discutida com o médico porque se a mulher desejar engravidar no futuro, esta pode não ser a melhor solução.

Porque não é possível parar a menstruação que já desceu

Não é possível parar a menstruação que já desceu porque, nesse momento, já se iniciou o processo de descamação da parede do útero. 

Esse processo acontece perto do final de cada ciclo menstrual, quando os níveis dos hormônios estrogênios e progesterona diminuem, o que faz com que as paredes internas do útero vão se descamando e dando origem ao sangramento da menstruação.

Quando é indicado parar a menstruação

Pode ser necessário parar a menstruação por algum tempo, se o ginecologista achar que a perda de sangue é desaconselhada, devido a situações como anemia, endometriose ou em alguns tipos de miomas uterinos.

Nestes casos, o ginecologista vai indicar qual a melhor forma de parar a menstruação por um determinado tempo até que a doença esteja devidamente controlada e a perda de sangue não seja um problema.

Quem não deve parar a menstruação

As meninas antes dos 15 anos de idade não devem parar a menstruação porque nos primeiros anos do ciclo menstrual é importante observar qual o intervalo entre os ciclos, a quantidade de sangue perdida e quais os sintomas que a menina tem.

A observação da duração do ciclo da menina e dos sintomas que apresenta ajudam a avaliar a saúde do seu sistema reprodutor, por exemplo, se os ovários estão a funcionar de forma correta ou se podem apresentar algum problema como cistos nos ovários.

Dicas práticas para ciclos menstruais mais confortáveis

Desde muito novas, mesmo antes de menstruarmos pela primeira vez, já escutamos que menstruar é ruim, que dói, que usar absorvente é um saco e que junto da menstruação vêm mais dores, inchaço, o “combo” ódio/amor/estresse/depressão/compulsão/ansiedade e sempre aos extremos.

Muitas vezes, as ideias negativas que construímos sobre a menstruação têm grande peso na forma com a qual nos relacionamos e vivenciamos nosso período menstrual.

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Mas, além disso, há muitas formas de termos ciclos menstruais mais saudáveis e tranquilos, com menos (ou nenhuma!) cólica, TPM e outros desconfortos supostamente relacionados a ‘hormônios, útero, ovários & cia’.

Bora ver umas dicas práticas?

Durante o ciclo menstrual inteiro: faça exercícios físicos

Praticar exercícios físicos com regularidade libera endorfina, conhecido como o “hormônio do bem estar” e não à toa: as endorfinas reduzem a ansiedade, aliviam a dor e melhoram a disposição e o sistema imunológico.

A prática de exercícios físicos também melhora a circulação sanguínea e estimula a produção de outros hormônios benéficos à nossa saúde. Juntamente com um estilo de vida saudável, ser ativa e fazer pelo menos 30 minutos de alguma atividade física diariamente é uma ótima estratégia para vivenciar um período menstrual mais confortável e com menos cólicas.

Durante o ciclo menstrual inteiro: alimente-se bem

Parece uma dica óbvia e já manjada, mas não subestime o poder da alimentação em te proporcionar ciclos menstruais incríveis ou tenebrosos. O impacto que a alimentação durante o ciclo inteiro (período entre uma menstruação e outra) tem na TPM e nas cólicas durante o período menstrual, para a maioria das mulheres, é surpreendente.

Leia o texto detalhado sobre a relação entre alimentação e ciclo menstrual

Ter uma alimentação balanceada, com todos os macronutrientes (gorduras, proteínas e carboidratos), é fundamental para produzir hormônios saudáveis, e por consequência, ovular de forma saudável – no caso de quem não utiliza contraceptivos hormonais.

Assim, produzimos, dentro do próprio ‘corpitcho’, outros hormônios benéficos que reduzem a TPM e a dor. Estas, muitas vezes, são sintomas de deficiências nutricionais ou, de forma mais abrangente, da falta de tempo de sermos mais cuidadosas com nosso organismo. Algumas formas de melhorar a qualidade da alimentação são:

  • Priorize comida de verdade. Comida de verdade é, basicamente, o que sua tataravó reconheceria como comida. A comida de verdade não vem numa embalagem com uma lista extensa de ingredientes; ela existe por si só, e na maioria das vezes poderíamos encontrá-la in natura. Reduza a quantidade de processados e ultraprocessados (alimentos produzidos em indústria) e aumente a quantidade de comida simples no seu dia a dia. Experimente novos sabores, conheça as feiras perto de você. Certamente a saúde como um todo agradece – e, dependendo das suas escolhas, o bolso também!
  • Consuma alimentos ricos em ômega 3 para cólicas. O ômega 3 é uma gordura encontrada em sementes e na pele de alguns peixes e possui ação anti-inflamatória, sendo um importante auxiliar na redução ou até eliminação das cólicas menstruais. Alguns alimentos ricos em ômega 3 são sementes de linhaça, sementes de chia, nozes e sardinha.
  • Consuma vitaminas do complexo B para sintomas de TPM. As vitaminas são substâncias que nosso corpo não produz sozinho, mas que são necessárias para a regulação de várias atividades fisiológicas do nosso organismo. É por meio da alimentação que as obtemos. As vitaminas do complexo B são um grupo de vitaminas essencial para várias funções, entre elas o humor e a disposição. Arroz integral, aveia, semente de girassol, gema de ovo e folhas verdes são excelentes fontes de vitamina B1 e B6, por exemplo, intimamente relacionadas com a sensação de bem estar e a melhora de enjoos e dor de cabeça que podem ocorrer no período anterior à menstruação.
  • Capriche no cálcio, zinco e magnésio. Estes três minerais podem ajudar bastante na redução de cólicas menstruais e na regulação hormonal. O zinco, particularmente, também é um grande aliado no combate a acne. Além das fontes de origem animal (carnes, ovos e alguns laticínios), encontramos esses nutrientes em vegetais e folhas verde-escuras, castanhas, levedo de cerveja e sementes de abóbora.
  • Evite frituras, açúcares e cafeína antes de menstruar. Geralmente, estes são alimentos que se tornam um problema quando consumidos nas cerca de duas semanas anteriores à menstruação, por intensificarem as cólicas e/ou os desconfortos. É importante testar o que não faz tão bem para você e evitar ao máximo. Pra mim, por exemplo, a cafeína é indiferente, ao passo que comer ‘friturinhas inocentes’ de óleo de cozinha provocam uma guerra de espadas no meu útero. Algumas mulheres sentem melhora quando cortam laticínios ou trigo. Se você sente muitas dores no período menstrual e tem consumido em excesso estes alimentos, pode ser uma boa reduzir/cortar durante uns dias para ver se melhora.
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Se você tem TPM e/ou cólicas fortes sem nenhuma condição ou patologia envolvidas (falaremos um pouco mais logo abaixo), experimente tentar estas dicas. Garanto que sentirá diferença!

Como Fazer Com Que O Periodo Venha?

Durante a menstruação: calor!

A boa e velha bolsa de água quente (ou um pano quentinho) traz bons resultados no alívio da cólica.

Pode ser uma boa alternar entre a região do ventre e a região das costas, próximo à lombar, dependendo de onde estiver a dor.

Esquentar os pés e tomar bebidas quentes, como chás, também podem ajudar. Eu, particularmente, tive bons resultados com chá de folha de amora (que é rico em magnésio!) e com chá de orégano.

Leia sobre as 9 maneiras para diminuir as cólicas ????

Durante a menstruação: aproveite a oportunidade para fortalecer o autocuidado

Entendemos que a rotina às vezes é exaustiva e até maçante. Acaba sendo inevitável negligenciarmos os cuidados com a nossa saúde em função de sermos produtivas. Somos cíclicas, e pelo menos durante o início do ciclo menstrual, há uma tendência de a nossa energia e disposição estarem lá embaixo, devido à queda hormonal.

Seu fluxo é muito intenso? Veja as dicas para lidar com ele

Neste caso, naturalmente gostaríamos de ficar, às vezes, um pouco mais “quietas”. A impossibilidade de colocar isso em prática pode piorar e muito a nossa relação com a menstruação.

Mas talvez, pela própria sobrevivência, seja necessário analisar quais cuidados básicos são possíveis de acrescentar na nossa rotina para vivenciarmos este período com maior conforto.

Considerando isso, é muito importante ressaltar:

Investigue situações mais complexas!

Não é normal sentir dores incapacitantes, que te impedem de levantar da cama, que causam desmaios e/ou que não passam utilizando medicamentos.

Não é normal ter oscilações de humor extremamente severas, que te prejudiquem de forma profunda nas relações pessoais e no trabalho.

Estas situações exigem uma investigação aprofundada com um profissional de confiança.

Dores pélvicas principalmente durante a menstruação podem ser um sintoma de endometriose, um distúrbio que provoca o crescimento do endométrio fora do útero e que acomete milhões de mulheres no Brasil. A endometriose causa dores, sangramentos e pode provocar até infertilidade.

Já as oscilações de humor severas durante o período da TPM, que se “estendem” do “comum”, podem ser um sinal de um tipo mais grave de TPM, a TDPM – Tensão Disfórica Pré-Menstrual, cujo tratamento é feito com auxílio médico e psicológico.

Como sempre reforço, não podemos naturalizar a dor e o sofrimento feminino como algo normal e natural. A dor é a forma que nosso organismo nos comunica que algo não está ok. Tenhamos em mente, então, que não naturalizar a dor como algo intrínseco à menstruação e a ter útero e ovários é essencial para promovermos o autocuidado e a boa relação com os nossos ciclos.

Abraço!

Menstruação: interromper ou não?

Os dias marcados pela menstruação mudam um pouco (ou muito) a rotina das mulheres.

Há quem evite usar determinadas roupas ou não se sinta à vontade para frequentar praia, piscina e academia. Fora que uma parcela considerável sofre com as cólicas.

Ainda assim, em uma pesquisa do Datafolha, das 2 004 participantes de 18 a 35 anos entrevistadas, 45% relataram gostar de passar por esse processo.

Mas qual a razão por trás desse curioso apreço pelo fluxo sanguíneo mensal? Para 39% delas, o fenômeno é um sinal de que o organismo está saudável. Será mesmo?

“A menstruação regular sugere o bom funcionamento de vários órgãos e sistemas. Quando a mulher não menstrua na idade esperada ou tem seus ciclos interrompidos sem intenção, é preciso descobrir o motivo e tratar o problema”, explica o ginecologista e obstetra Fernando Reis, coordenador do setor de Reprodução Humana do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

A questão é que esses desajustes tendem a ser puramente hormonais. “Agora, a hipótese de que a perda de sangue seja, por si só, necessária ao equilíbrio fisiológico da mulher nunca foi confirmada”, pondera o médico.

No levantamento do Datafolha, também é interessante notar que, independentemente de gostar ou não de menstruar, 74% das participantes disseram que decidir sobre o próprio ciclo menstrual daria mais controle sobre suas vidas.

A busca por acabar com a inconveniência do sangramento periódico é compreensível para mulheres cujas profissões exigem se submeter a condições atípicas, como astronautas e soldadas, mas passou a ser desejada por aquelas com rotinas bem mais comuns.

“Com os métodos contraceptivos atuais, é possível espaçar e programar a data das menstruações. E sem prejuízo para a saúde”, avalia Reis. “Se há necessidade de suprimir a menstruação, existem opções seguras”, completa.

O lado bom de interromper a menstruação

Perceba que, até aqui, falamos de necessidade. Para muitos especialistas, a interrupção da menstruação não só combateria os sintomas típicos do período – cólica, dor de cabeça e por aí vai – como amenizaria certas doenças.

Uma defensora desse raciocínio é Paula Hillard, professora de ginecologia e obstetrícia da Universidade Stanford, nos Estados Unidos. “Mulheres com problemas que causam menstruações muito dolorosas ou anemia vão ter efeitos positivos com a supressão. Isso também pode beneficiar portadoras de algumas condições, como epilepsia, enxaqueca e diabetes”, justifica a médica.

Novamente, a chave está nos hormônios. No caso do diabetes, as alterações que acompanham o ciclo aumentam o nível de açúcar no sangue. Já a epilepsia é agravada pela maior presença de estrogênio no organismo.

No Brasil, a paralisação do ciclo menstrual tem sido pregada com afinco pelo ginecologista baiano Elsimar Coutinho, autor do livro Menstruação, a Sangria Inútil, publicado em 2000. Seu argumento contra o fenômeno se baseia no fato de que, historicamente, as mulheres menstruavam muito menos do que hoje, já que tendiam a emendar uma gravidez na outra.

Estima-se que, em gerações anteriores, a média de ciclos menstruais ao longo da vida era inferior a 100, ante cerca de 350 atualmente. Sangrar com tanta frequência, portanto, nada teria de “natural”, na visão de Coutinho.

De olho nessa história e no apelo da conveniência, a farmacêutica Bayer lançou uma pílula de ciclo flexível, que permite à usuária escolher quando e com que frequência deseja menstruar. A promessa é que os ciclos possam ser reduzidos a um mínimo de três vezes por ano.

O produto é considerado mais seguro para períodos prolongados (de até 120 dias) do que as pílulas tradicionais, cujas cartelas até podem ser “emendadas”, embora muitos médicos não aconselhem isso. A verdade é que não existe consenso de por quanto tempo ou com que periodicidade é possível recorrer a essa estratégia.

E os lados negativos

Se o sangramento menstrual por si só não é um indício de saúde geral, recorrer a pílulas ou a outro tratamento hormonal para modificar o ciclo exige indicação e acompanhamento médico – principalmente quando é uma opção adotada por conforto e não prescrição. “Não existe motivo para interromper a menstruação de pessoas saudáveis”, acredita Reis.

Apesar de ser considerado um método seguro para quem está em idade fértil, o uso prolongado da pílula anticoncepcional é associado a efeitos colaterais, como eventuais prejuízos na fertilidade.

“Ela provoca uma pequena descamação no útero, tanto que o sangramento a cada ciclo vai diminuindo.

E há o risco de o endométrio atrofiar até o ponto em que não se tem mais fluxo sanguíneo”, explica a endocrinologista Elaine Frade Costa, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Por falar nisso, o sangue que surge ao final da cartela nem é menstruação de verdade, já que não inclui o óvulo não fecundado. Ou seja, quem toma pílula – mesmo sem emendar – não menstrua de fato.

No longo prazo, isso pode causar a chamada deficiência ovariana prematura. “Como o eixo hormonal reprodutivo fica bloqueado por muito tempo, existe a possibilidade de ele não voltar a funcionar normalmente ao se interromper o tratamento”, avisa Elaine. Aí é preciso fazer reposição hormonal.

Fora isso, nenhum método de supressão menstrual é infalível. “Há um intervalo em que sangramentos inesperados podem ocorrer”, aponta Paula Hillard. De acordo com a médica, o número de mulheres que conseguem chegar ao bloqueio total do sangramento ao final de um ano gira em torno de 60%.

“A supressão hormonal da menstruação não é perfeita, mas, para uma fatia expressiva da população, é capaz de trazer alívio significativo em relação à dor e a problemas médicos”, diz. Menstruar ou não deve, sim, ser uma escolha da mulher – só que bastante ponderada dentro do consultório do ginecologista.

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O que mais colocar na balança

Conforto: Não menstruar permite à mulher fazer suas atividades habituais sem sentir cólicas ou dores decorrentes do ciclo. Mas a suspensão com a pílula também pode acarretar incômodos, viu? Eles vão desde dores de cabeça até inchaços.

Financeiro: se a mulher tem um fluxo curto, de três dias, o valor desembolsado com absorventes dificilmente será maior do que o necessário para bancar métodos de interrupção do ciclo. Contudo, se o sangramento for prolongado e intenso, convém fazer as contas.

Indicação médica: não se incentiva interferir no ciclo menstrual a não ser que a mulher tenha uma doença específica ou sofra muito durante o ciclo. Até porque menstruar garante a descamação e renovação do endométrio, a camada interna do útero, para uma futura gravidez.

Riscos: ainda que incite desconfortos em alguns casos, menstruar, em geral, não traz perigos. Por outro lado, decidir parar de sangrar pode ocasionar efeitos colaterais atrelados ao método utilizado, como maior risco de trombose, além de aumento da pressão arterial.

Métodos para não menstruar

DIU hormonal: é opção só para quem já iniciou atividade sexual. O dispositivo intrauterino libera, aos poucos, pequenas doses do hormônio levonorgestrel. Mas 30% das usuárias seguem menstruando porque a função ovariana não é bloqueada.

Pílula anticoncepcional: tomá-la sem interrupção é a forma mais utilizada hoje em dia para cessar o fluxo sanguíneo. Em geral, indicam-se pílulas apenas com progesterona, e o sangramento de escape é relatado em menos de 10% dos casos.

Implantes subcutâneos: trata-se de um pequeno tubo de silicone colocado no glúteo ou no braço, com duração de, em média, três anos. O acessório solta hormônios diretamente no sangue – e eles impedem a função do ovário.

Anticoncepcional injetável: tem a mesma ação da pílula. A diferença é que os hormônios são injetados no músculo da nádega e circulam por um determinado período de tempo, que fica entre 30 e 90 dias.

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História manchada de polêmicas

De origem da vida a causa de doenças: como a menstruação foi encarada através dos séculos

– Ilustração: Veridiana Scarpelli/SAÚDE é Vital

400 a 300 a.c.

Havia a crença de que a menstruação, misturada ao sêmen, dava origem ao embrião. Portanto, menstruar sem “fertilizar” era considerado um assassinato infantil, o que levava meninas a se casarem antes do primeiro sangramento.

– Ilustração: Veridiana Scarpelli/SAÚDE é Vital

Século 6 d.c.

O arcebispo de Roma Cesário de Arles afirma que, ao contrário do que se pensava no passado, fazer sexo com uma mulher menstruada não era interessante, pois causaria doenças sérias aos filhos, como lepra, epilepsia ou possessão pelo demônio.

– Ilustração: Veridiana Scarpelli/SAÚDE é Vital

Séculos 18 e 19

Descobre-se que o sangue da menstruação é diferente daquele das veias. Mais: o fenômeno ocorreria em poucas espécies, sendo praticamente restrito a primatas. Com a popularização da teoria evolucionista, menstruar passa a ser encarado como um processo absolutamente natural.

1930

Surge o primeiro absorvente interno comercial, nos Estados Unidos. Não havia sequer uma corda, mas era melhor do que os panos usados até então. Vinham com avisos de que não interferia na hora de urinar e era apropriado para “garotas não casadas”.

1946

A Disney lança um vídeo em que explica o ciclo menstrual e dá dicas de alimentação e exercícios durante o período andar a cavalo não seria prudente. Sem muito dinheiro na época, a produtora fazia películas patrocinadas pelo governo americano.

– Ilustração: Veridiana Scarpelli/SAÚDE é Vital

1964

Um relatório da Nasa coloca em xeque a admissão de astronautas mulheres em decorrência de uma “alteração de humor durante a menstruação”. Por uma década, elas foram proibidas de ir a missões no espaço por causa dos ciclos que, sabe-se, não se alteram sem a presença da gravidade.

2011

Uma pesquisa americana revela que células-tronco encontradas no sangue menstrual podem ser utilizadas em tratamentos para esclerose lateral amiotrófica e AVCs. Já existem até bancos de sangue menstrual nos Estados Unidos.

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Menstruação e praia: é possível manejar as duas coisas?

Quem nunca passou por isso, que atire a primeira pedra. Você fica meses programando aquela tão sonhada viagem de verão e esquece de verificar um detalhe básico: seu ciclo menstrual.

Mas o que fazer quando a menstruação está marcada para acontecer bem no período em que você pretende ficar de biquíni e curtir o sol? Consultamos a ginecologista, obstetra e mastologista Fernanda Torras, especialista pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia e Sociedade Brasileira de Mastologia. Confira as dicas que ela deu: 

Se você faz uso de pílula anticoncepcional 

Se você utiliza o contraceptivo hormonal com pausa, vale emendar uma cartela na outra, sabia? Isso fará com que a menstruação não ocorra naquele mês. Contudo, vale conversar com o seu ginecologista antes para saber se o tipo de pílula que você usa é adequado para a conduta.

“Além disso, é possível fazer com que o sangue venha antes do previsto. Se você precisar que aconteça poucos dias antes, é possível interromper a cartela nesse período e realizar a sua pausa menstrual antecipadamente”, explica Fernanda Torras. Assim, você não sofre com a menstruação nas férias.

 

Se você não faz uso de pílula anticoncepcional

Infelizmente, não há nada que impeça a menstruação de acontecer. “O uso de pílulas de progesterona ou com altas doses de hormônios no período pré-menstrual é feito por algumas mulheres para atingir a essa finalidade. Mas não é indicado, uma vez que há efeitos colaterais e não há garantia de sucesso do bloqueio menstrual”, alerta a médica. 

O jeito, então, é apostar nos absorventes. Fernanda garante que os internos e os coletores são os que oferecem menores riscos de vazamento. Sem contar que não ficam para fora, ou seja, são bem discretos. A única coisa que você precisa lembrar é de trocar o absorvente interno com a cada 3 horas e o coletor a cada 6, fazendo uma boa higienização do copinho de 12 em 12 horas. 

“Se seguir o padrão de trocas e cuidados, não ocorrerá vazamentos ou desconfortos pelo fluxo menstrual.

Há ainda calcinhas de biquíni absorventes para uso em conjunto com absorventes internos e coletores, que garantem absorção em caso de vazamento acidental”, explica.

São tantas as opções existentes que entrar na água menstruada acaba nem parecendo um bicho de sete cabeças, não é mesmo? 

A ginecologista ainda desvendou alguns mitos que existem sobre a questão: 

Dúvida: é verdade que a água interrompe o fluxo menstrual?

MITO. “A água do mar ou piscina não é capaz de suspender ou segurar o fluxo menstrual”, diz Fernanda Torras. Na verdade, a pressão que a água exerce sobre a vagina faz parecer que o sangramento foi pausado, e a menor temperatura do corpo faz com que os vasos sanguíneos do útero contraiam, diminuindo o fluxo. Mas isso é apenas por um tempo, viu? 

Dúvida: ir para a praia ou piscina menstruada aumenta o risco de infecções ou bactérias? 

MITO. “Se houver higienização adequada, não há riscos. É preciso sempre limpar a vulva com água ou lenços umedecidos entre as trocas dos absorventes. Além de sempre lavar as mãos antes de introduzir o produto limpo.

O problema, muitas vezes, está no acesso a banheiros adequados para realizar o procedimento. No caso do coletor, vale frequentar a praia e trocar o copinho somente em casa depois de seis horas”, ela diz.

Para evitar infecções, intercale com absorventes externos quando você puder para que a flora vaginal respire.

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  • Absorvente Interno
  • Coletor menstrual
  • Menstruação
  • Praia

Menstruação e Ciclo Menstrual

A menstruação ou cataménio, por vezes, também chamado período, é resultado da descamação do interior do útero, sendo composto de sangue e células endometriais.

Com a diminuição das hormonas (sobretudo progesterona), no final do ciclo menstrual anterior, diminui a estimulação desta camada uterina (endométrio), que se desintegra parcialmente, saindo pelo colo do útero e vagina, dando origem ao “período” ou fluxo menstrual. 

O período menstrual ou ciclo menstrual é o intervalo de tempo desde o início de uma menstruação até à menstruação seguinte.

A este intervalo também se dá o nome de interlúnio. Trata-se do conjunto de mudanças cíclicas que permitem a gravidez.

Envolve o equilíbrio de vários órgãos e um conjunto de hormonas cuja sincronia é fundamental para que o ciclo se desenvolva normalmente.

Fases do ciclo menstrual

Por convenção, o ciclo menstrual começa com a menstruação ou cataménio, que se pode entender como um reinício de todo o sistema, na ausência de gravidez no ciclo anterior.

Depois um novo folículo é desenvolvido enquanto se “reconstrói” o endométrio.

Chegando a altura da ovulação, iniciam-se alterações da estrutura endometrial, que voltam a desaparecer na ausência de gravidez, reiniciando o ciclo.

Habitualmente distinguimos duas fases do ciclo, separadas pela ovulação.

A primeira fase, proliferativa, ou fase folicular, relaciona-se com o crescimento de um novo folículo e espessamento gradual do endométrio.

No final desta fase dá-se a ovulação e depois, o conjunto de hormonas em circulação torna o endométrio recetivo a um possível embrião. Esta segunda fase, lútea ou secretora, termina quando a mulher menstruar, iniciando-se o novo ciclo.

Quantos dias tem um ciclo menstrual?

Os ciclos de mulheres adultas saudáveis têm entre 21 e 35 dias, sendo 28 dias a média. Mulheres dos 25-35 anos aproximam-se mais do intervalo 28-35 dias. Em adolescentes pode ter entre 21 e 45 dias.

Os ciclos regulares têm uma variação inferior a 7-9 dias de ciclo para ciclo. Ou seja, a diferença entre os ciclos mais curtos e mais compridos é menor que cerca de 7 dias.

Várias teorias foram sendo apontadas para a duração média do ciclo, mas não existe evidência clara que esta esteja relacionada, nomeadamente, com o ciclo lunar, que tem 29,5 dias. As marés foram relacionadas, por serem resultado da proximidade lunar. A luz proporcionada pela lua também foi apontada como influenciadora.

Ainda relacionado com a lua, uma explicação evolucionária, de eco genético dos nossos antepassados caçadores coletores: estes usariam o ciclo lunar para medir o tempo e caçariam mais durante a lua cheia e menos durante a lua nova, pelo que existiria vantagem evolutiva para as mulheres que ovulassem numa altura específica de menor atividade, por exemplo a lua nova.

Isso levaria a uma seleção dos humanos com esse tipo de ciclos, mais próximos do “calendário” usado.

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Apesar de evidência pontual e argumentos terem aparecido ao longo dos anos para as teorias referidas, nenhuma delas foi confirmada em estudos maiores, pelo que não são, geralmente, aceites.

A lua não tem, hoje, nenhum efeito provado na fisiologia humana.

Dizemos hoje porque numa altura sem iluminação elétrica teria certamente um efeito na atividade (ou ausência desta) dos humanos à noite, o que por sua vez poderia ter efeitos na fisiologia.

A variação da duração do ciclo relaciona-se sobretudo com a variação da fase folicular. A fase lútea é relativamente constante.

Quantos dias dura a menstruação?

Numa mulher saudável, com ciclos espontâneos (sem medicação ou pílula), o cataménio (período) tem habitualmente uma duração menor que 8 dias. Dentro deste intervalo, existe grande variação entre mulheres, mas menos variação de ciclo para ciclo, numa mulher com ciclo regulares.

Sinais e sintomas no ciclo menstrual 

Um ciclo menstrual normal dá origem a variações identificáveis objetivamente e percetíveis pela mulher. Começando pela menstruação, que é um sinal objetivo do início do ciclo novo.

Esta é muitas vezes acompanhada por dores menstruais, que por vezes começam ainda antes da menstruação. Não raras vezes, pode ser necessária medicação para aliviar a dor.

Dismenorreia é o termo clínico para menstruação dolorosa, que pode ser debilitante em alguns casos.

As mudanças identificáveis continuam com as alterações do corrimento, que se torna progressivamente mais claro e transparente. Chegando a altura da ovulação, estas características são máximas e o corrimento poderá ser “esticado” entre dois dedos. Também podem ser sentidas dores durante a ovulação.

A ovulação determina mudanças hormonais que, por sua vez, levam a novos sintomas. Tensão mamária, corrimento mais espesso, entre outras alterações variáveis entre mulheres podem ser sentidas, de forma cíclica, nesta fase (fase lútea).

O sangramento antes da menstruação, especialmente se recorrente, merece uma avaliação. É, no entanto, uma queixa habitual e raramente associada a patologia, se aparecer apenas numa ocasião ou raramente.

Síndrome pré-menstrual

A síndrome pré-menstrual é um conjunto de alterações físicas, psíquicas e de humor que normalmente aparecem dias antes do cataménio (menstruação). Devem ser distinguidas de outras patologias, nomeadamente do foro psiquiátrico.

Habitualmente envolvem mudanças de humor e irritabilidade.Esta síndrome varia desde pequenas alterações, que são desvalorizadas pelas próprias mulheres, durante dois ou 3 dias, até sintomatologia severa e limitante que pode durar até duas semanas.

O tratamento, depois de bem caracterizada a situação e feito o diagnóstico, poderá passar pelo uso de fármacos, sendo a pílula um dos mais comuns. Exercício físico, diminuição da cafeína e álcool podem ajudar nos casos leves a moderados e são recomendáveis a todas as mulheres.

Qual o período fértil para engravidar?

A gravidez pode ocorrer sempre que existe fecundação do ovócito (que é gerado em cada ciclo menstrual) por um espermatozoide. Este ovócito poderá ser fecundado em cerca de 12 horas após a ovulação.

O período fértil é de cerca de 6 dias, incluindo o dia da ovulação e os 5 dias anteriores.

A probabilidade aumenta, se existiu uma relação sexual nos cerca de dois dias precedentes à ovulação, e no dia da ovulação.

Com ciclos regulares, será possível calcular a ovulação como cerca de 14 dias antes da próxima menstruação esperada.

De uma forma geral, relações cada dois a três dias poucos dias após cessação do fluxo menstrual aumentam a probabilidade de gravidez, mesmo sem uma precisa identificação da ovulação.

Menstruação irregular

Já vimos, acima, em que consiste um ciclo regular. O ciclo menstrual pode ser irregular por diversos motivos. Interessa, por isso, caracterizar as queixas e um calendário menstrual, em que são registadas as perdas menstruais. A menstruação irregular, dita como tal, tem de ser objetivada.

É frequente, depois de uma análise, explicar que as supostas irregularidades do ciclo se devem a desconhecimento da fisiologia normal. Algumas mulheres queixam-se de “menstruação desregulada” ou período irregular porque atrasam sempre (no dia do mês) quando isso pode significar que têm ciclos regulares e normais de, por exemplo, 34 dias.

Assim, uma menstruação vem sempre mais tarde no dia do mês do que a anterior.

Entre as causas mais frequentes de irregularidades menstruais podemos referir a imaturidade hormonal, (comum na adolescência), alterações estruturais do útero, como miomas ou pólipos, alterações dos ovários, como quistos ou alterações da ovulação.

Saiba, aqui, tudo sobre irregularidades do ciclo menstrual.

Alterações no cataménio (período ou menstruação)

O fluxo menstrual normal dura até 8 dias, com perda de sangue entre 5-80ml, e aparece com regularidade (ver Quantos dias tem um ciclo menstrual?). A cor varia desde que começa até acabar, e entre mulheres. A menstruação prolongada tem mais de 8 dias e deve ser estudada, se habitual.

Algumas mulheres têm um corrimento antes da menstruação diferente, que pode ter características como cor acastanhada.

A menstruação, para além do vermelho em várias tonalidades, pode ser castanha (marrom), por vezes mais escura, raras vezes quase preta, com aspeto “borra de café”.

Estas cores escuras aparecem mais vezes quando o fluxo é em menor quantidade, sendo resultado da decomposição do ferro presente no sangue.

Uma menstruação “adiantada” ou atrasada depende, como vimos, de uma correta interpretação do ciclo menstrual da mulher, e uma análise dos vários ciclos (meses) precedentes.

Tendo em conta que o fluxo menstrual total pode ser de apenas de 5ml, esta pode ser erradamente interpretada como pouca. Nestes casos, é também, como vimos, mais castanha ou escura. Da mesma forma, a menstruação abundante é difícil de objetivar.

Uma menstruação que vaze pensos grandes em pouco tempo (menos de 3 horas), que use mais de cerca de 20 pensos, que vaze habitualmente durante a noite, com coágulos grandes, que cause anemia, ou que de outra forma interfira física, psíquica ou socialmente na qualidade de vida da mulher merece avaliação.

As alterações do fluxo menstrual são interpretadas no contexto do ciclo menstrual da mulher. Daí que a sua normalidade dependerá de uma série de fatores, como a duração, timing previsto da ovulação (e se esta ocorre), idade, etc.

Nunca esquecer que a pílula e outras medicações hormonais alteraram todas estas características, na medida em que, na maioria das vezes, o ciclo menstrual é interrompido e a “menstruação” (mais corretamente chamada de hemorragia de privação), se existente, terá características em relação com o(s) fármaco(s) usado(s).

Menstruação atrasada

Uma menstruação atrasada é causa de grande ansiedade na mulher, quer deseje ou não uma gravidez. Já vimos que a variabilidade normal do ciclo pode ir até 7 dias entre os ciclos mais curtos ou longos. Se a menstruação não for regular, esta diferença pode ser muito superior.

Um atraso menstrual significativo (mais de uma semana num ciclo regular) pode ser um sinal de gravidez, mas nem sempre. Um simples teste de gravidez da farmácia poderá confirmar ou excluir gravidez com enorme certeza em poucos minutos. Atualmente, qualquer teste de urina é extremamente fiável, quando existe um atraso menstrual.

A minha menstruação será normal?

Já vimos que existe grande variabilidade naquilo que se pode considerar normal. Na dúvida, deve consultar o seu médico para esclarecer as suas dúvidas em relação a este aspeto da sua fisiologia.

Alguns sinais que deverão suscitar esclarecimento e/ou acompanhamento, serão:

  • Ausência de menstruação aos 14 anos sem desenvolvimento das características sexuais secundárias (por exemplo, crescimento mamário);
  • Ausência de menstruação aos 16 anos, independentemente do restante desenvolvimento;
  • Ausência de menstruação regular e espontânea;
  • Dores muito fortes durante a menstruação (dismenorreia), especialmente se aparecerem sem nunca as ter tido (ou com essa intensidade) e/ou não cederem facilmente a medicação;
  • Menstruações muito abundantes ou muito prolongadas (mais de uma semana);
  • Perdas sistemáticas ou abundantes de sangue fora do cataménio (período) sem uso de medicação que o justifique.

Primeira menstruação

A primeira menstruação (menarca) acontece em média entre os 12-13 anos, e normalmente até aos 15 anos. Amenorreia primária é o nome para a ausência de menstruação numa jovem que ainda não menstruou aos 16 anos, ou dois anos após o desenvolvimento das suas características sexuais secundárias, como o desenvolvimento mamário.

Puberdade, ou aparecimento de sinais sexuais secundários (desenvolvimento das mamas e pelo púbico) antes dos 8 anos numa menina poderá não ser normal. Ausência da puberdade aos 14 anos merece também estudo.

Qual a idade normal da menopausa?

A menopausa é definida por cessação permanente da menstruação, sem outra causa patológica ou fisiológica. Diagnostica-se 12 meses após a última menstruação. A idade média da menopausa é de cerca de 51 anos, sendo habitual entre os 43 e os 57 anos.

Antes dos 40 anos merece avaliação e estudo, pois nesta faixa define-se como insuficiência ovárica primária (antes chamada falência ovárica prematura).

O diagnóstico da menopausa é clínico, pelo que as análises e exames servirão apenas para avaliar dúvidas clínicas em relação à causa da amenorreia (ausência de menstruação), ou estudo de uma menopausa precoce.

A menopausa ou, mais precisamente, a peri-menopausa ou climatério pode causar várias irregularidades menstruais. Este período de transição pode durar até 5 anos ou mais, sendo altamente variável. As alterações incluem irregularidades da duração do ciclo, intervalos crescentes de amenorreia (ausência de menstruação) e cessação da ovulação.

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