Como Evitar Que O Bebe Engula Ar?

Quase todos os bebês, a partir de duas semanas de vida, passam por um período de irritação em algum momento do dia sem nenhuma razão especial, aparentemente.

No entanto, às vezes esse período normal de irritação acaba se transformando em períodos prolongados de choro contínuo que parece não se acalmar por nada. Esses episódios que testam o coração da nova mamãe podem indicar que o bebê está com cólicas.

Leia mais para descobrir o que é a cólica e o que você pode fazer para tentar confortar seu bebê.

O que é cólica?

A cólica pode ser definida por episódios de choro intenso e alto, sem nenhuma razão aparente, por três ou mais horas ao dia, durante três ou mais dias por semana, por cerca de três semanas seguidas ou mais. Esses períodos de choro normalmente começam entre duas e quatro semanas de vida e podem ocorrer a qualquer momento do dia ou da noite, frequentemente entre seis da tarde e meia-noite.

Cerca de um quinto dos bebês tem cólicas. Meninos e meninas são afetados igualmente e bebês que mamam no peito ou tomam fórmula também. Esse choro intenso geralmente atinge o pico entre o segundo e o terceiro mês de vida do bebê, mas o tempo que as cólicas normalmente duram varia de bebê para bebê. Ela costuma passar completamente até no máximo 6 meses de vida.

O que causa cólicas?

Os especialistas não sabem ao certo o que causa as cólicas, mas algumas explicações possíveis são:

  • O sistema digestivo do bebê ainda está se desenvolvendo, causando desconforto, que o bebê comunica com o choro.
  • O refluxo pode estar fazendo o bebê se sentir desconfortável.
  • O bebê está com gases e isso causa o desconforto.
  • Bebês com poucas semanas podem se sentir superestimulados pelo ambiente quando o dia chega ao fim e o choro acontece quando essa nova informação – o desconforto – se torna a gota d'água.
  • Algumas pesquisas sugerem que as alergias alimentares (a alérgenos a que os bebês são expostos no leite materno ou nas fórmulas) ou a exposição à fumaça do cigarro podem causar cólicas.

Sintomas da cólica

É natural sentir-se ansiosa a respeito desenvolvimento de seu recém-nascido e preocupar-se a respeito da diferença entre o choro da cólica e o choro normal. Se você suspeita que seu bebê está com cólica, preste atenção se ele:

  • Encolhe e estica as pernas
  • Arqueia as costas
  • Mexe os braços e pernas
  • Fica o rosto corado ou avermelhado enquanto chora
  • Fecha as mãozinhas
  • Parece estar com dor
  • Está com a barriga inchada e solta gases. Esse sintoma de cólica pode ser por causa do ar que o bebê que chora acaba engolindo, ou por precisar arrotar mais depois de mamar.

Ideias que podem ajudar a evitar o choro da cólica

Muitos pais sentem-se desamparados e confusos ao tentar ajudar seu bebê com cólica. As ideias abaixo poderão limitar ou evitar o choro antes de começar:

  • Estudos demonstraram que pegar o bebê no colo e proporcionar diversas oportunidades de contato pele a pele nas primeiras semanas de vida pode fazer com que os episódios de choro sejam menores conforme ele cresce.
  • Alimente o bebê sempre que ele estiver com fome, não necessariamente seguindo horários fixos.
  • Faça o bebê arrotar depois de cada mamada. Para tanto, segure-o sobre o ombro e dê tapinhas delicados em suas costas.
  • Durante a mamada no peito ou na mamadeira, sente-se com a coluna reta para evitar que ele engula ar.
  • Se o bebê mama na mamadeira e apresenta cólicas, mude de mamadeira ou de bico – isso talvez ajude a reduzir a quantidade de ar que ele engole

Como acalmar um bebê que chora

Uma vez que o chorose tornar inevitável, esses truques às vezes ajudam a acalmaras cólicas em bebês::

  • Balance o bebê suavemente para acalmá-lo.
  • Ofereça uma chupeta ao bebê — o movimento de sucção talvez acalme-o.
  • Coloque-o em um moisés ou cadeirinha de balanço, pois o movimento pode confortá-lo.
  • Ande com o bebê em um canguru ou sling ou segure-o perto de seu peito. Tanto o movimento quanto o contato podem acalmá-lo.
  • Coloque o bebê em seu colo, de barriga para baixo, e esfregue suas costinhas.
  • Coloque uma música baixinho, ou ligue o ventilador ou aspirador de pó para gerar um barulhinho de fundo.
  • Leve o bebê para passear de carro. O movimento e o ruído podem surtir um efeito calmante.
  • Dê um banho morno no bebê.
  • Proporcione momentos relaxantes para seu bebê, ele pode estar se sentindo superestimulado pela luz ou pelo barulho.

Lembre-se, às vezes o bebê vai chorar independentemente do que você fizer. Experimente abordagens diferentes; se o método não funcionar em uma semana, passe para o próximo item na lista. Talvez você perceba que, depois de tentar quase tudo, a fase de cólicas de seu bebê finalmente passou.

Lidando com as cólicas do ponto de vista dos pais

Quando o bebê tiver cólicas, é importante prestar atenção ao seu estado emocional. Cuidar de um bebê com cólica pode ser difícil e faz com que muitos pais se sintam ansiosos e despreparados, sem falar no estresse. Mas, bastante cuidado: não importa o seu nível de frustração, nunca chacoalhe um bebê.

Chacoalhar um bebê pode causar hemorragia cerebral, levando a danos permanentes e até à morte. Se você estiver se sentindo fora de controle e incapaz de lidar com o choro, peça para um adulto em quem você confia para cuidar de seu bebê enquanto você se recupera.

Se você estiver sozinha com seu pequeno, coloque-o no berço ou outro local seguro e deixe o cômodo, para fazer uma pausa.

Outras dicas para lidar com a ansiedade que as cólicas trazem:

  • Peça e aceite ajuda da família e dos amigos que puderem ficar com o bebê por curtos períodos, proporcionando momentos de descanso para você.
  • Fale com seu médico sobre formas de lidar com a frustração causada pelo choro constante.
  • Busque grupos de mães ou fóruns online para encontrar mais dicas e conselhos de outras mães passando pela mesma coisa. Tente descansar e dormir o suficiente.
  • Não se sinta culpada ao tentar acalmar o bebê. Segurar e confortar o bebê não é mimar, mas apenas uma tentativa de fazer com que ele se sinta melhor.
  • Mantenha-se otimista. Este período vai passar e ter um bebê com cólica não significa que você terá uma criança difícil no futuro.

Como Evitar Que O Bebe Engula Ar?

Quando procurar um médico

Após experimentar algumas das técnicas para acalmar o bebê, você provavelmente descobrirá qual é a mais eficaz para vocês dois. Porém, se o choro persistir e nada parecer ajudar, talvez seja a hora de procurar um médico. Seu médico poderá confirmar a cólica ou o que quer que esteja causando o choro excessivo no bebê.

Busque seu médico se:

  • Estiver chorando de maneira muito alta e estridente.
  • Estiver com lábios e/ou pele com uma tonalidade azulada durante o choro.
  • O bebê estiver vomitando repetidamente ou perdendo peso.
  • O bebê apresentar diarreia ou sangue nas fezes.
  • O bebê estiver mamando ou urinando menos que o normal.

Mamãe e papai, apesar da frustração diante do choro do bebê, lembrem-se de que estão fazendo um ótimo trabalho. Logo o choro passará, então basta lembrar que vocês vão conseguir.

Quando estiverem prontos, leiam sobre o que mais pode ser útil para cuidar de seu recém-nascido

Como Evitar Que O Bebe Engula Ar?

O primeiro mês de vida

O nascimento de um bebé é sempre um momento muito desejado pelos pais mas também motivo de grande ansiedade, em particular quando se trata de um primeiro filho. A escolha do Pediatra deverá ser pensada e programada ainda durante a gravidez.

É aconselhável que os pais realizem uma consulta pré-natal com quem irá seguir o bebé, em que poderão esclarecer dúvidas e obter informações que lhes serão particularmente úteis nos primeiros dias de vida do bebé, evitando assim algumas situações de stress.

É fundamental que estabeleçam empatia com o Pediatra que vai seguir o vosso filho e no qual deverão depositar toda a confiança. É mais fácil que este primeiro contacto decorra num ambiente tranquilo, ainda sem a presença do bebé.

A ida para a maternidade

Algumas semanas antes da data prevista para o parto, é importante que já tenha preparada a mala que irá levar para a maternidade.

Para o recém-nascido (RN) deverá separar 4 mudas de roupa, nas quais deverá incluir interiores, meias ou collants, babygrows ou cueiros e casaquinhos de malha, e eventualmente, para o primeiro dia, um gorro.

Para a mãe deverá colocar camisas de dormir de preferência abertas à frente para facilitar a amamentação, roupa interior e artigos de higiene pessoal. É importante que a mãe esteja atenta aos sinais de alarme explicados pelo médico Obstetra que devem motivar a ida para a maternidade.

O nascimento

Actualmente na maioria dos hospitais públicos ou privados, a grávida pode estar acompanhada durante todo o trabalho de parto, pelo pai do bebé ou eventualmente por outro familiar, o que associado ao facto de na maioria dos casos poder optar pela analgesia epidural, possibilita uma maior tranquilidade.

No momento do nascimento está sempre presente um neonatologista (nos hospitais públicos só nos partos distócicos (fórceps, ventosas ou cesarianas) ou se existe qualquer factor de risco é que é chamado o neonatologista).

Se tudo corre bem, após o corte do cordão umbilical o recém-nascido é colocado por breves segundos em contacto com a mãe e logo depois colocado sob uma fonte de calor, para evitar que arrefeça e é feita uma primeira observação sumária do bebé.

Já todos eventualmente terão ouvido falar do Índice de Apgar – trata-se de uma classificação que é atribuída ao recém-nascido ao primeiro e ao quinto minutos de vida e que resulta da soma de 5 itens – frequência cardíaca, frequência respiratória, cor, reflexos e tónus muscular.

A cada item é atribuída uma pontuação de 0 a 2 e portanto o Índice Apgar varia de 0 a 10. No fundo, este Índice serve para avaliar a adaptação do recém-nascido à vida extra-uterina e poderá indicar se há necessidade de proceder a manobras de reanimação.

Se estiver tudo bem, o recém-nascido é pesado, é feita a administração de uma injecção de vitamina K (porque o sistema de coagulação do recém-nascido é muito imaturo) e é aplicada uma pomada com antibiótico nos olhos (para evitar a infecção com micro-organismos presentes no canal de parto). Após estas manobras iniciais, e caso esteja tudo dentro da normalidade, o recém-nascido é vestido e colocado junto da mãe.

Quando é que o recém-nascido deve começar a mamar?

Logo que possível o bebé é adaptado à mama, com o apoio duma enfermeira. O início tão precoce quanto possível da amamentação é um dos factores fundamentais para o seu sucesso. O horário das mamadas deverá ser livre, no entanto, por norma o intervalo entre mamadas não deverá passar ultrapassar as 4 horas, contabilizando-se o tempo a partir do início da mamada.

Se o bebé quiser mamar com menos intervalo não tem problema. Normalmente nos primeiros dias de vida o recém-nascido está muito adormecido e por vezes é difícil acordá-lo durante a mamada. Por isso há que estimulá-lo, por vezes até com pequenos beliscões nos dedos dos pés.

Não adianta deixar o bebé mamar por longos períodos – o que vai acontecer é que não está a comer, está apenas a chuchar, a engolir ar e a macerar os mamilos da mãe. Em média se estiver 20 a 30 minutos será mais do que suficiente, desde que se vá estimulando para que o bebé permaneça acordado e vá mamando.

Uma das grandes dúvidas da mãe que amamenta é a de saber se o leite chega, até porque sente que tem muito pouca quantidade e é só o colostro. Na natureza é tudo feito conforme as necessidades- nos primeiros dias o bebé não precisa de grande quantidade de leite e o colostro é o suficiente para satisfazer as suas necessidades.

À medida que os dias passam a mãe vai tendo mais leite para alimentar o bebé de modo adequado. Só pelo peso e pelo intervalo entre as mamadas é que poderemos saber se o recém-nascido está a ser bem alimentado. O bebé perde peso nos primeiros dias de vida, uma perda que pode chegar aos 10% do peso ao nascer.

Daí a importância do controlo do peso, idealmente à saída da maternidade e depois na primeira consulta por volta do 10º dia de vida, altura em que já deverá estar próximo do peso inicial. A partir desta altura o peso deverá ser controlado periodicamente de acordo com as indicações do Pediatra.

Qual a posição correcta para deitar o bebé?

Até à década de 90 aconselhava-se a que o bebé dormisse na posição de barriga para baixo.

Leia também:  Como Terminar Um Relacionamento Quando Se Ama?

A partir dessa altura e devido a vários estudos em que se associou a síndrome de morte súbita com esta posição, passou a ser internacionalmente aconselhado que o recém-nascido seja deitado preferencialmente de costas, ou seja, de barriga para cima.

Alguns pais ficam de certo modo preocupados pelo facto de acharem que nesta posição há maior risco do bebé poder aspirar o vómito se bolsar ou vomitar, no entanto, eles têm uma enorme capacidade de se proteger se tal acontecer e esta deve continuar a ser a posição preferida.

A cabeceira deverá estar também ligeiramente elevada e a cara do bebé deverá ficar virada de lado, de modo alternado. Quando o bebé dorme sempre com a cabeça virada para o mesmo lado tem tendência a ficar com assimetria da cabeça e eventualmente pode levar a desvios posturais da cabeça e do pescoço que se não corrigidos atempadamente poderão exigir fisioterapia.

É importante o bebé arrotar sempre após cada mamada? E o bolsar, é normal?

O arroto resulta da expulsão do ar que o bebé engole durante a mamada ou durante o choro. Normalmente ele tem necessidade de o fazer, no entanto não é obrigatório que tal aconteça após cada mamada.

Normalmente a posição ideal será junto ao ombro do adulto, dando algumas pancadinhas no dorso, mas também poderá ser com o bebé sentado, segurando o queixo com uma mão e flectindo o tronco sobre o abdómen. Se o bebé não arrotar poder-se-á deitar sem problema, respeitando as recomendações anteriormente referidas.

Por vezes, já deitado, o bebé dá sinais de desconforto e de querer arrotar, basta levantá-lo e após arrotar ficará logo mais tranquilo. O bolsar é relativamente frequente nos bebés ainda que haja uns mais bolsadores do que outros – é mais frequente nos bebés muito sôfregos e que engolem muito ar durante a mamada.

Na passagem do esófago para o estômago existe um esfíncter que funciona como uma válvula que deixa passar os alimentos para baixo mas impede que voltem para cima quando o estômago se contrai. É normal nos bebés este esfíncter estar ainda relativamente imaturo, o que faz com que este mecanismo seja ineficaz.

Isto, associado ao facto do bebé se alimentar apenas de leite e de a sua posição ser sobretudo deitada, favorece a passagem do leite para o esófago e o bolsar. O bolsar só tem problema se for em grande quantidade de tal modo que o bebé não aumente de peso ou se provoca infecções respiratórias por aspiração de leite.

Se o bebé vomitar, sobretudo se frequentemente ou com agravamento progressivo, então o Pediatra assistente deverá ser contactado. Caso contrário, trata-se de uma situação que tende a melhorar com o crescimento. Se o bebé está a ser amamentado, se se diminuir alguns minutos a duração da mamada será suficiente para evitar o “bolsar” em excesso – nesta situação não se tem a noção da quantidade que o bebé come e provavelmente será demais, nomeadamente se já está numa fase em que mama com maior avidez e sofreguidão.

  • No caso de estar a ser alimentado com leite de fórmula poder-se-á optar por um leite antirefluxo – AR – pois estes são leites mais espessos. De qualquer modo, estes bebés deverão sempre ser deitados com a cabeceira elevada e com a cara virada para o lado
  • Na próxima semana falaremos do exame físico do recém-nascido e dos cuidados que devem ser prestados nos primeiros dias de vida.

Arroto e Cólicas – Saúde do seu bebé

O assunto arroto sempre permeia as rodas de conversas das mamãs que normalmente têm muitas dúvidas em relação ao tema. Será que realmente o bebé deve arrotar? E se não arrotar, tem algum problema? Até quando eu tenho que colocar meu bebé para arrotar?

Realmente essa questão gera alguns pontos de interrogação, já que as mamãs não conhecem o motivo que faz do arroto um cuidado importante no dia-a-dia de um bebé. Aproveitando, mamã: você sabe como surge o arroto? É válido o bebé arrotar? Bem, vamos lá…

Quando o bebé está a mamar, seja no peito ou no biberon, geralmente há uma ingestão de ar, isto é, o bebé engole ar.

Isso ocorre principalmente em bebés que mamam no biberon, pois a anatomia entre o peito da mãe e a boca do bebé é perfeita, encaixando-se de uma forma que dificulta a entrada de ar se mamã e bebé estiverem na posição correta.

Já o encaixe do bico do biberon e a boca do bebé não é tão perfeito assim, facilitando a entrada de ar.

O ar entra até o estômago do bebé que é mais leve que o leite e por isso tende a voltar. Quando o ar volta é o que conhecemos por arroto, que pode vir acompanhado de uma pequena quantidade de leite, a regurgitação.

Por normalmente o arroto vir acompanhado de uma regurgitação, o bebé que estiver deitado de costas ou de bruços no berço pode aspirar o leite que voltou e se asfixiar.

Portanto, a questão se deve arrotar ou não é relativa. Caso o bebé mame sem problema (sem entrada de ar), não existe a necessidade de esperar um arroto.

Arroto contra cólicas – Outra consequência do bebé que engole ar e não arrota são as cólicas. Com o estômago cheio de ar e o sistema digestivo ainda imaturo, aparecem as terríveis cólicas. Os bebés choram muito e nada os consolam.

O arroto é uma forma de tentar evitar que as cólicas apareçam. Fazer massagens na barriga e exercícios tipo bicicleta no bebé de barriga vazia são maneiras de fazer com que o bebé elimine os gases e também evitar as cólicas.

Depois da mamada, a mamãe deve colocar seu bebê na posição vertical com a cabeça no seu ombro e a barriga encostada no peito. O arroto aparece até os dez primeiros minutos, às vezes, pode demorar um pouco mais.

Posições ideais para o bebé – A mamã não deve se preocupar caso seu bebé não arrote. Provavelmente a mamã não ouviu o arroto, que nem sempre vem com barulho, ou o bebé não engoliu ar durante a mamada e, portanto, não tem ar para sair, não havendo o arroto.

Se a mamã estiver com muita pressa ou tem um compromisso que a impeça de colocar seu bebé para arrotar, é melhor que coloque o bebé deitado de barriga para cima. (A posição em que o bebê deve ficar deitado foi, é e continuará sendo alvo de vários estudos. Actualmente a posição “de barriga para cima” é aconselhada como a mais segura.

Uma das melhores posições para que o bebé não engula ar durante a amamentação é aquela em que o bebê fica com a cabecinha apoiada na volta de dentro do cotovelo da mamã, barriga encostada com a barriga da mamã e de boca bem aberta abocanhado a maior parte da aréola do seio da mamã.

Colocar o bebé para o arrotar deve ser um cuidado por pelo menos até o sexto mês de vida do bebé onde o sistema digestivo do bebé já está bem mais maduro.

  • Dicas
  • Coloque o bebé na posição vertical com a cabecinha no seu ombro e se precisar dê umas palmadinhas bem levezinhas nas costas para estimular o arroto.
  • Ao colocar o bebé no berço sempre coloque-o de barriga para cima mesmo que ele tenha acabado de mamar e não tenha arrotado.

O arroto não está associado à saciedade do bebé. Se o bebé mamar correctamente, sem engolir ar, não tem motivo para forçar um arroto.

Postura correta ao amamentar evita problemas para o bebê; aprenda cinco posições

Engana-se quem acha que o bebê é como um cachorrinho, que mal acaba de nascer, se aninha na barriga da mãe e começa a mamar. O recém-nascido tem muito a aprender.

“Os bebês nascem com o reflexo da sucção: quando alguma coisa toca o céu da boca deles, começam a sugar”, diz a enfermeira sanitarista Celina Valderez Feijó Köhler, conselheira em amamentação da UNICEF/Organização Mundial da Saúde.

“Entretanto, para mamar, ele terá de aprender a abrir bem a boca, a praticar a preensão do mamilo e de boa parte da aréola”, explica ela.

Não existe uma única posição para amamentar, mas algumas regras básicas devem ser respeitadas. O corpo do recém-nascido precisa ficar alinhado. Ele não deve ficar virado, dobrado para frente ou para trás, causando desconforto.

O lactente deve ser acomodado de frente para a mama, com o nariz apontado para o mamilo e o queixo tocando o peito ou quase (leia mais sobre a importância da pega abaixo).  “A proximidade com o corpo da mãe é muito importante.

O bebê deve ser levado até a mama e não o contrário”, diz a pediatra Maria Beatriz Reinert do Nascimento, da Maternidade Darcy Vargas, em Joinville (SC), e membro da IBCLC (Internacional Board of Lactation Consultant Examiners).

A mão também precisa estar confortável. Ela deve encontrar uma posição na qual se sinta bem.

“Se ela sofreu uma cirurgia cesariana, por exemplo, pode colocar o bebê atravessado, na horizontal, sem que os pés toquem a barriga dela; a mãe também pode dar de mamar deitada”, diz o pediatra Marcus Renato de Carvalho, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro e co-autor do livro “Da Gravidez à Amamentação” (Ed. Integrare).

A importância da pegaMais do que a posição do bebê em relação ao corpo materno, é fundamental que sua boca esteja bem posicionada no seio.

“A boca do bebê deve abocanhar o bico e parte da aureola, principalmente a porção inferior.

Ela deve estar bem aberta, com os lábios rebatidos para fora, tipo peixinho”, descreve a enfermeira obstétrica Márcia Regina da Silva, responsável pelo curso de gestante do Hospital e Maternidade São Luiz, em São Paulo.

Além disso, a parte de cima da aureola deve ficar mais visível do que a de baixo, e é indicado que o queixo toque a mama. Aliás, as mamas devem estar bem macias e não cheias demais. Do contrário, o bebê só conseguirá abocanhar o mamilo, e não toda a aureola. 

Existe a ideia de que, se o bebê não estiver bem posicionado ao mamar no peito, ficará com gases e, consequentemente, terá cólicas. Mas não é verdade.”Para conseguir tirar o leite do seio, o bebê precisa respirar apenas pelo nariz, porque fica com os lábios completamente vedados. Portanto, não há chance de ‘engolir’ ar, o que propicia os gases”, explica Celina Valderez Feijó Köhler. “Já com a mamadeira, devido à incompleta vedação labial, pode ser que ele engula ar e, aí sim, tenha cólicas”.Se a criança amamentada no peito tiver gases, muito provavelmente “engoliu” ar ao chorar, não ao mamar.

Algumas técnicas ajudam o recém-nascido a encontrar a pega correta. “A mãe pode fazer cócegas e estimular o bebê passando o mamilo nos lábios e na bochecha do lactente.

Isso faz com que, por instinto, ele abra a boca, num reflexo de apreensão”, explica Marcus Renato de Carvalho. “Quando abrir, a mãe introduz o seio”.

Se ele não pegar certo da primeira vez, a mãe deve retirar o bico e colocá-lo novamente da forma correta.

A dica principal que vai para a mãe é: tenha calma. Mamar é uma novidade, tanto para o recém-nascido quanto para a mulher. Com o tempo –e esse tempo é curto, acredite– os dois se adaptam, até que amamentação se torne um momento prazeroso para ambos. 

Desenvolvimento do bebê

A amamentação fortalece e ajuda a moldar os ossos da face do bebê e garante o crescimento correto dos rosto da criança. Isso porque a sucção exige o trabalho muscular na proporção correta. O mesmo não se pode dizer da mamadeira. Se o furo for muito grande, o esforço para mamar é pequeno, o que contribui para o baixo desenvolvimento muscular.De acordo com a dentista Adriana Mazzoni, especializada em ortopediatria, a melhor posição para amamentar é a ortostática robin (popularmente conhecida como clássica ou madona – veja no álbum de fotos). Ela permite que o bebê tenha bastante contato com a mãe e perceba o mundo ao seu redor –já que um lado da criança toca o corpo da mãe e o outra está voltado para o ambiente.O mais importante, porém, é que a mulher lembre-se de variar o lado que o bebê fica posicionado nas mamadas. “Quando amamentado no peito, a mãe acaba trocando, na mesma mamada, o bebê de uma mama para a outra. Quando é alimentado com a mamadeira, a mulher às vezes se esquece de trocar a posição do bebê, o que faz com que um lado do rosto se desenvolva mais do que o outro. Para estimular a musculatura, estrutura óssea e dentição de maneira simétrica, é preciso variar os dois lados”.

Adriana explica que não é necessário mudar o tipo de posição para dar de mamar, mas apenas inverter a criança quando for trocar o peito. Portanto, se você e a criança estão adaptados à posição clássica, por exemplo, não é preciso tentar nenhuma outra. “O bebê é sensível e precisa de rotina. Ele gosta que seja sempre igual, só trocando de lado sempre”, diz.

Leia também:  Como Fazer Verniz Que Brilha No Escuro?

Mas é importante que a cabeça do bebê fique reta, pois na hora de deglutir o leite, se ele estiver muito deitado, por exemplo, a posição da língua fica errada e isso pode trazer problemas na fala futuramente, segundo Adriana.

A dentista afirma, ainda, que o aleitamento materno é tão importante que fortalece até a musculatura cervical do bebê, o que não acontece quando a alimentação é feita com uma mamadeira. 

Não é apenas o bebê que tem de se sentir bem na hora da mamada. A mãe também. Veja dicas:• Escolha um cantinho tranquilo. O barulho pode tirar a atenção do bebê, atrapalhar a mamada e deixar a mulher mais cansada;• Deixe sempre um copo de água ao alcance da mão para não ter de interromper a mamada. Caso você ainda não tenha passado pela experiência, dar de mamar dá muita sede;• Mantenha sempre as costas e os pés apoiados. Se preferir, estenda as pernas em uma banqueta;• Varie as posições da mamada para reduzir os ferimentos nos seios;• Traga o bebê até a mama em vez de levar a mama até o bebê;• Escolha uma poltrona com braços para se apoiar. Se for o caso, use uma almofada de amamentação.

Bebés com flatulência: quando dói a barriga

Isto provoca gritos e choros contínuos, em 20% ou 30% dos bebés saudáveis, cuja causa ainda não é muito evidente.

Alguns especialistas atribuem esta situação tão avassaladora às cólicas, mais propriamente à conhecida “cólica do lactente” provocada pelos gases. Como o sistema digestivo do bebé ainda não está totalmente desenvolvido geram-se estes problemas.

Como é que os pais descobrem que os filhos têm flatulência?

Alguns bebés têm muitas dificuldades em eliminar o ar da barriga e necessitam arrotar depois de cada refeição. Outros, pelo contrário, dificilmente têm problemas com isto.

Pode acontecer que a criança pare repentinamente de mamar ou de beber do biberão e comece a chorar, a protestar com veemência, contorcendo-se e fazendo caretas quando a mãe o quer colocar na cama depois de o amamentar.

Embora a causa possa ser a flatulência, muitas vezes o bebé simplesmente tem “chichi”. Encontrará mais informações sobre isso em nosso artigo Sem fraldas.

As crianças que bebem do biberão têm mais flatulência do que aquelas que são amamentadas?

As parteiras garantem que o problema da flatulência é menos acentuado nos bebés que mamam do que naqueles que bebem do biberão há poucos dias. Isto relaciona-se, principalmente, com o facto de as crianças que mamam poderem controlar o fluxo do leite, até certo ponto, mamando assim mais devagar e engolindo menos ar.

Outra razão é que quando o bebé se coloca corretamente junto ao mamilo, a anatomia da sua boca adapta-se perfeitamente à forma e não deixar entrar ar.

Uma bebé de biberão engole bastante mais ar devido ao desenho da tetina. Portanto, os pais devem ter em conta o seguinte durante a alimentação:

  • A inclinação do biberão é perfeita quando o leite ocupa todo a parte da tetina que pode deixar entrar o ar.
  • O bebé não deve comer deitado, mas sim meio erguido.
  • Depois de cada refeição tem que lhe dar umas palmadinhas para o ajudar a arrotar.

Existem algumas tetinas que podem ajudar como o biberão Calma, da marca Medela, que foi desenhado inspirando-se no mamilo da mulher.

Atenção! Os bebés que também mamam precisam de arrotar com frequência, especialmente, quando a mãe tem um reflexo de ejeção de leite marcado e o bebé bebe rápido.

Como é que os pais podem ajudar o bebé a arrotar?

Os pais não devem ter medo da flatulência. Existem três posições para ajudar o bebé a arrotar:

Colocar o bebé sobre o ombro

Com o rabinho sentado na dobra do cotovelo, o bebé coloca a cabeça no ombro da mãe ou do pai, que o acaricia ou lhe dá umas palmadinhas nas costas.

A posição do avião

O bebé coloca-se de boca para baixo, no antebraço do adulto, que lhe segura a cabeça com a mão.

Sentado numa posição erguida

O bebé senta-se no colo do pai ou da mãe, com as costas contra o estômago do adulto. Segure a criança por debaixo dos braços e incline ligeiramente o tronco dela para a frente. Com a mão livre, pode acariciar ou dar umas leves palmadinhas nas costas.

É melhor que os pais tentem todas as posturas para ver o que é mais confortável para eles e para o bebé. Se os arrotos demorarem muito tempo, vá mudando de posição.

É necessário ir ao médico por causa de flatulência?

A maioria dos bebés supera esta fase difícil com facilidade. Assim que se tornam mais ágeis e se conseguem mover sozinhos, a flatulência causada pelo excesso de ar na barriga desaparece.

No entanto, é absolutamente necessário levar ao pediatra os bebés que sofrem fortemente de flatulência e osque desenvolvem dores acentuadas de um dia para o outro. Estes são alguns sintomas que exigem ir ao pediatra imediatamente:

  • Flatulências com gritos após cada refeição.
  • Excrementos líquidos, espumosos ou que salpicam.
  • Fezes extremamente sólidas.
  • Não querer beber.
  • Se o bebé não engordar.

Nestes casos, além da flatulência combinada com outros sintomas, pode-se esconder uma doença grave que o pediatra deve perceber e, se necessário, tratar.

Atenção! Quanto mais jovem é o bebé, menos tempo deve esperar entre o aparecimento da doença e a visita ao pediatra.

Além disso, os pais que têm medo ou estão sob muito stresse por causa desses problemas também devem ir ao médico com o bebé. Especialmente, os pais de bebés que gritam, muitas vezes, precisam de aconselhamento profissional e ajuda. Com algumas sessões ou com uma consulta, podem ficar bastante mais calmos.

Dicas de prevenção e tratamento

Embora muitas vezes se recomende que as mães que amamentam evitem alimentos flatulentos, isso não está comprovado. O mesmo acontece com o chá para amamentar. Se gosta, pode tomar sem problemas.

Quando der o biberão ao bebé tente não deixar espuma dentro depois de o agitar.

Às vezes, vale a pena experimentar com o tamanho do orifício da tetina, para deixar entrar o mínimo de ar possível.

Também pode relaxar o estômago do bebé fazendo-lhe suaves massagens circulares na barriga, no sentido horário (se necessário, com óleo de cominho). Um peido sonoro indica que a flatulência se dissolveu literalmente.

Contra a flatulência frequente, as parteiras também recomendam remédios homeopáticos, como a camomila e supositórios de cominho.

Se o pediatra detetar intolerância a algum alimento, ele recomendará uma dieta especial. Assim sendo, será descartado qualquer tipo de experimento e o pediatra deve controlar qualquer mudança na alimentação.

Os Gases e a Cólica do bebê – por Dr. Carlos González — Instituto Maternidade Consciente

Tanto os bebês como os adultos podem ter gases no estômago ou no intestino (sobretudo no intestino grosso). Mas são duas questões completamente diferentes. O gás encontrado no estômago é ar, ar normal e corrente que o indivíduo engoliu (é o que os médicos chamam aerofagia, engolir ar). Os bebês podem engolir ar ao se alimentar, ou ao chorar, também quando chupam dedo ou chupeta.

O gás que está no intestino é diferente, basta cheirá-lo para perceber. Contém nitrogênio do ar deglutido (o oxigênio foi absorvido pelo tubo digestivo) e gases que são produzidos no próprio intestino pela digestão de certos alimentos e que dão seu odor característico.

Quando um bebê engole muito ar, seria possível que soltasse muito “pum”, porém é mais fácil que o excesso saia por cima, com arrotos. Um excesso de gases no intestino é mais provável que seja proveniente da digestão que do ar deglutido.

Quando o bebê não mama corretamente, porque está com a pega errada ou tem outra dificuldade, é possível que tome muita lactose e pouca gordura e a sobrecarga de lactose pode produzir um excesso de gases. Além disso, por estar com a pega errada, é provável que engula ar enquanto mama.

Mas nem a pega incorreta é a principal causa dos gases, nem os gases são o principal sintoma da pega incorreta.

Os gases em excesso no intestino só podem ser eliminados sob a forma de “pum” . Por sorte, não podem fazer o caminho inverso e sair pela boca.

É mais fácil eliminar o ar do estômago (quer dizer, arrotar) em posição vertical que em posição horizontal. Como nossos antepassados estavam sempre no colo de suas mães, em posição mais ou menos vertical, não deviam ter muito problema.

No século passado o uso das mamadeiras e dos berços ficou generalizado. Com a mamadeira, o bebê pode engolir muito ar, e no berço é difícil soltá-lo; por isso parecia importante colocar o bebê para arrotar antes de colocá-lo no berço.

Contudo, não parece que os gases incomodam os bebês, salvo em casos extremos.

Muita gente pensa que a principal causa do choro em bebês pequenos seja os gases; e muitos dos medicamentos que ao longo do tempo se tem recomendado para a cólica do lactente se supunha que ajudavam a expulsá-los (esse é o significado da palavra carminativo), ou para evitar a formação de bolhas (nunca entendi o porquê, mas sim, algumas gotas para cólicas são antiespumantes).

Nem todos estão de acordo com a causa das cólicas (mais adiante explicarei minha teoria favorita), mas parece que não restam mais defensores sérios da teoria dos gases.

Há muitos anos, quando não se sabia que o excesso de raio x era maléfico e se faziam radiografias por qualquer bobagem, alguém teve a idéia de fazer radiografias dos bebês que choravam (o gás é visto perfeitamente como uma grande mancha negra na radiografia).

Comprovou-se que os bebês têm poucos gases quando começam a chorar, porém muitos gases quando levam um tempo chorando. O que ocorre é que engolem ar ao chorar, e como não podem chorar e arrotar ao mesmo tempo, vão acumulando gases até que param de chorar. A mãe costuma explicar assim: “Tadinho, estava chorando muito porque estava cheio de gases.

Peguei, dei uns tapinhas, ele, conseguiu arrotar e melhorou”. Na realidade, a interpretação correta seria: “Tadinho, chorava porque estava com saudade de mim. Quando peguei ele no colo e fiz carinho, ele se tranquilizou e deu um arroto enorme com todo o ar que tinha engolido enquanto chorava”.

Acho que isso explica a importância do arroto no século passado. Quando a mãe tentava colocar o bebê no berço logo após acabar de mamar, o bebê chorava desesperado. Em vez disso, se ficasse com ele no colo e o embalasse um pouco antes de colocá-lo no berço, era mais fácil que o bebê se traquilizasse e dormisse.

Durante esse tempo que estava nos braços, claro, o bebê arrotava.

E como ninguém queria reconhecer que o colo da mãe era bom para o bebê (como vai ser bom? O colo da mãe é mau, estraga, o bebê não tem que ficar no colo, ou ficará manhoso!), preferiram pensar que era o arroto, e não a presença da mãe, que havia feito o milagre.

A verdade é que muitas mães modernas têm a ideia de que o arroto é importantíssimo, fundamental para a saúde e bem estar do seu filho. Tem que arrotar custe o que custar.

Mas os bebês amamentados, se mamaram corretamente, não engolem quase nada de ar (os lábios se fecham hermeticamente sobre o peito, razão pelo qual o ar não entra; e dentro do peito não tem ar, ao contrário da mamadeira). Muitas vezes, os bebês de peito não arrotam depois de mamar.

Por outro lado, quando estão com a pega errada, é possível que engulam ar, fazendo um barulho como de beijinhos, porque fica uma frestinha entre os lábios e o peito.

Uma vez uma mãe me explicou que seu filho custa a arrotar, que tem de ficar uma hora dando tapinhas nas costas, que ele chora, inclusive,de tão mal que fica, até que por fim pode eliminar os gases. Pobre criatura, o que acontece é que não tem gases para eliminar; chora de tantos tapinhas e voltas que dão com ele, e ao final elimina o ar que engoliu enquanto chorava.

Não fique obsessiva com o arroto. Depois de mamar, é uma boa ideia deixar o bebê por um tempo no colo. Isso ele vai gostar. Se nesse tempo eliminar os gases, está bem. E se não, pode ser que não tenha gases.

Não lhe dê tapinhas nas costas, não lhe dê camomila, nem erva-doce, nem água, nem nenhum remédio para gases (nem natural nem artificial, nem alopático nem fitoterápico, nem comprado, nem o que tenha em casa).

Leia também:  Como Saber Quando Termina A Fidelização?

A Cólica

Os bebês ocidentais costumam chorar bastante durante os primeiros meses, o que se conhece como cólica do lactente ou cólica do primeiro trimestre. Cólica é a contração espasmódica e dolorosa de uma víscera oca; há cólicas dos rins, da vesícula e do intestino.

Como o lactente não é uma vesícula oca e o primeiro trimestre muito menos, o nome logo de cara não é muito feliz. Chamavam de cólica porque se acreditava que doía a barriga dos bebês; mas isso é impossível saber. A dor não se vê, tem de ser explicada pelo paciente.

Quando perguntam a eles: “por que você está chorando?”, os bebês insistem em não responder; quando perguntam novamente anos depois, sempre dizem que não se lembram.

Então ninguém sabe se está doendo a barriga, ou a cabeça, ou as costas, ou se é coceira na sola dos pés, ou se o barulho está incomodando, ou simplesmente se estão preocupados com alguma notícia que ouviram no rádio.

Por isso, os livros modernos frequentemente evitam a palavra cólica e preferem chamar de choro excessivo na infância. É lógico pensar que nem todos os bebês choram pelo mesmo motivo; alguns talvez sintam dor na barriga, mas outro pode estar com fome, ou frio, ou calor, e outros (provavelmente a maioria) simplesmente precisam de colo.

Tipicamente, o choro acontece sobretudo à tarde, de seis às dez, a hora crítica. Às vezes de oito à meia-noite, às vezes de meia-noite às quatro, e alguns parecem que estão a postos vinte e quatro horas por dia. Costuma começar depois de duas ou três semanas de vida e costuma melhorar por volta dos três meses (mas nem sempre).

Quando a mãe amamenta e o bebê chora de tarde, sempre há alguma alma caridosa que diz: “Claro! De tarde seu leite acaba!”. Mas então, por que os bebês que tomam mamadeira têm cólicas? (a incidência de cólica parece ser a mesma entre os bebês amamentados e os que tomam mamadeira).

Por acaso há alguma mãe que prepare uma mamadeira de 150 ml pela manhã e de tarde uma de 90 ml somente para incomodar e para fazer o bebê chorar? Claro que não! As mamadeiras são exatamente iguais, mas o bebê que de manhã dormia mais ou menos tranquilo, à tarde chora sem parar.

Não é por fome.

“Então, por que minha filha passa a tarde toda pendurada no peito e por que vejo que meus peitos estão murchos?” Quando um bebê está chorando, a mãe que dá mamadeira pode fazer várias coisas: pegar no colo, embalar, cantar, fazer carinho, colocar a chupeta, dar a mamadeira, deixar chorar (não estou dizendo que seja conveniente ou recomendável deixar chorar, só digo que é uma das coisas que a mãe poderia fazer). A mãe que amamenta pode fazer todas essas coisas (incluindo dar uma mamadeira e deixar chorar), mas, além disso, pode fazer uma exclusiva: dar o peito. A maioria das mães descobrem que dar de mamar é a maneira mais fácil e rápida de acalmar o bebê (em casa chamamos o peito de anestesia), então dão de mamar várias vezes ao longo da tarde. Claro que o peito fica murcho, mas não por falta de leite, mas sim porque todo o leite está na barriga do bebê. O bebê não tem fome alguma, pelo contrário, está entupido de leite.

Se a mãe está feliz em dar de mamar o tempo todo e não sente dor no mamilo (se o bebê pede toda hora e doem os mamilos, é provável que a pega esteja errada), e se o bebê se acalma assim, não há inconveniente. Pode dar de mamar todas as vezes e todo o tempo que quiser. Pode deitar na cama e descansar enquanto o filho mama.

Mas claro, se a mãe está cansada, desesperada, farta de tanto amamentar, e se o bebê está engordando bem, não há inconveniente que diga ao pai, à avó ou ao primeiro voluntário que aparecer: “pegue este bebê, leve para passear em outro cômodo ou na rua e volte daqui a duas horas”.

Porque se um bebê que mama bem e engorda normalmente mama cinco vezes em duas horas e continua chorando, podemos ter razoavelmente a certeza de que não chora de fome (outra coisa seria um bebê que engorda muito pouco ou que não estava engordando nada até dois dias atrás e agora começa a se recuperar: talvez esse bebê necessite mamar muitíssimas vezes seguidas).

E sim, se pedir para alguém levar o bebê para passear, aproveite para descansar e, se possível, dormir. Nada de lavar a louça ou colocar em dia a roupa para passar, pois não adiantaria nada.

Às vezes, acontece de a mãe estar desesperada por passar horas dando de mamar, colo, peito, colo e tudo de novo. Recebe seu marido como se fosse uma cavalaria: “por favor, faça algo com essa menina, pois estou ao ponto de ficar doida”. O papai pega o bebê no colo (não sem certa apreensão, devido às circunstâncias), a menina apoia a cabecinha sobre seu ombro e “plim” pega no sono.

Há várias explicações possíveis para esse fenômeno. Dizem que nós homens temos os ombros mais largos, e que se pode dormir melhor neles. Como estava há duas horas dançando, é lógico que a bebê esteja bastante cansada.

Talvez precisasse de uma mudança de ares, quer dizer, de colo (e muitas vezes acontece o contrário: o pai não sabe o que fazer e a mãe consegue tranquilizar o bebê em segundos).

Tenho a impressão (mas é somente uma teoria minha, não tenho nenhuma prova) de que em alguns casos o que ocorre é que o bebê também está farto de mamar. Não tem fome, mas não é capaz de repousar a cabeça sobre o ombro de sua mãe e dormir tranqüilo.

É como se não conhecesse outra forma de se relacionar com sua mãe a não ser mamando. Talvez se sinta como nós quando nos oferecem nossa sobremesa favorita depois de uma opípara refeição. Não temos como recusar, mas passamos a tarde com indigestão.

No colo da mamãe é uma dúvida permanente entre querer e poder; por outro lado, com papai, não há dúvida possível: não tem mamá, então é só dormir.

Minha teoria tem muitos pontos fracos, claro. Para começar, a maior parte dos bebês do mundo estão o dia todo no colo (ou carregados nas costas) de sua mãe e, em geral, descansam tranquilos e quase não choram.

Mas talvez esses bebês conheçam uma outra forma de se relacionar com suas mães, sem necessidade de mamar.

Em nossa cultura fazemos de tudo para deixar o bebê no berço várias horas por dia; talvez assim lhes passemos a idéia de que só podem estar com a mãe se for para mamar.

Porque o certo é que a cólica do lactente parece ser quase exclusiva da nossa cultura. Alguns a consideram uma doença da nossa civilização, a consequência de dar aos bebês menos contato físico do que necessitam. Em outras sociedades o conceito de cólica é desconhecido. Na Coreia, o Dr. Lee não encontrou nenhum caso de cólica entre 160 lactentes.

Com um mês de idade, os bebês coreanos só passavam duas horas por dia sozinhos contra as dezesseis horas dos norteamericanos. Os bebês coreanos passavam o dobro do tempo no colo que os norteamericanos e suas mães atendiam praticamente sempre que choravam.

As mães norteamericanas ignoravam deliberadamente o choro de seus filhos em quase a metade das vezes.

No Canadá, Hunziker e Barr demonstraram que se podia prevenir a cólica do lactente recomendando às mães que pegassem seus bebês no colo várias horas por dia. É muito boa idéia levar os bebês pendurados, como fazem a maior parte das mães do mundo.

Hoje em dia é possível comprar vários modelos de carregadores de bebês nos quais ele pode ser levado confortavelmente em casa e na rua. Não corra para colocar o bebê no berço assim que ele adormecer; ele gosta de estar com a mamãe, mesmo quando está dormindo.

Não espere que o bebê comece a chorar, com duas ou três semanas de vida, para pegá-lo no colo; pode acontecer de ter “passado do ponto” e nem no colo ele se acalmar. Os bebês necessitam de muito contato físico, muito colo, desde o nascimento. Não é conveniente estarem separados de sua mãe, e muito menos sozinhos em outro cômodo.

Durante o dia, se o deixar dormindo um pouco em seu bercinho, é melhor que o bercinho esteja na sala; assim ambos (mãe e filho) se sentirão mais seguros e descansarão melhor.

A nossa sociedade custa muito a reconhecer que os bebês precisam de colo, contato, afeto; que precisam da mãe. É preferível qualquer outra explicação: a imaturidade do intestino, o sistema nervoso… Prefere-se pensar que o bebê está doente, que precisa de remédios.

Há algumas décadas, as farmácias espanholas vendiam medicamentos para cólicas que continham barbitúricos (se fazia efeito, claro, o bebê caía duro). Outros preferem as ervas e chás, os remédios homeopáticos, as massagens. Todos os tratamentos de que tenho notícia têm algo em comum: tem de tocar no bebê para dá-lo.

O bebê está no berço chorando; a mãe o pega no colo, dá camomila e o bebê se cala. Teria seacalmado mesmo sem camomila, com o peito, ou somente com o colo.

Se, ao contrário, inventassem um aparelho eletrônico para administrar camomila, ativado pelo som do choro do bebê, uma microcâmera que filmasse o berço, um administrador que identificasse a boca aberta e controlasse uma seringa que lançasse um jato de camomila direto na boca… Acredita que o bebê se acalmaria desse modo? Não é a camomila, não é o remédio homeopático! É o colo da mãe que cura a cólica.

Taubman, um pediatra americano, demonstrou que umas simples instruções para a mãe (tabela 1) faziam desaparecer a cólica em menos de duas semanas. Os bebês cujas mães os atendiam, passaram de uma média de 2,6 horas ao dia de choro para somente 0,8 horas.

Enquanto isso, os do grupo de controle, que eram deixados chorando, choravam cada vez mais: de 3,1 horas passaram a 3,8 horas. Quer dizer, os bebês não choram por gosto, mas porque alguma coisa está acontecendo.

Se são deixados chorando, choram mais, se tentam consolá-los, choram menos (uma coisa tão lógica! Por que tanta gente se esforça em nos fazer acreditar justo no contrário?).

  • Tabela 1 – Instruções para tratar a cólica, segundo Taubman (Pediatrics 1984;74:998)
  • 1- Tente não deixar nunca o bebê chorando.
  • 2- Para descobrir por que seu filho está chorando, tenha em conta as seguintes possibilidades:
  • a- O bebê tem fome e quer mamar.
  • b- O bebê quer sugar, mesmo sem fome.
  • c- O bebê quer colo.
  • d- O bebê está entediado e quer distração.
  • e- O bebê está cansado e quer dormir.
  • 3- Se continuar chorando durante mais de cinco minutos com uma opção, tente com outra.
  • 4- Decida você mesma em qual ordem testará as opções anteriores.

5- Não tenha medo de superalimentar seu filho. Isso não vai acontecer.

6- Não tenha medo de estragar seu filho. Isso também não vai acontecer.

No grupo de controle, as instruções eram: quando o bebê chorar e você não souber o que está acontecendo, deixe-o no berço e saia do quarto. Se após vinte minutos ele continuar chorando, torne a entrar, verifique (um minuto) que não há nada, e volte a sair do quarto. Se após vinte minutos ele continuar chorando etc. Se após três horas ele continuar chorando, alimente-o e recomece.

As duas últimas instruções do Dr. Taubman me parecem especialmente importantes: é impossível superalimentar um bebê por oferecer-lhe muita comida (que o digam as mães que tentam enfiar a papinha em um bebê que não quer comer); e é impossível estragar um bebê dando-lhe muita atenção.

Estragar significa prejudicá-lo. Estragar uma criança é bater nela, insultá-la, ridicularizá-la, ignorar seu choro. Contrariamente, dar atenção, dar colo, acariciá-la, consolá-la, falar com ela, beijá-la, sorrir para ela são e sempre foram uma maneira de criá-la bem, não de estragá-la.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*