Como Era O Mundo Quando O Sporting Foi Campeão?

Como Era O Mundo Quando O Sporting Foi Campeão?

“Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. Jospeh Goebels disse-o, e os seus seguidores da propaganda do Benfica esforçam-se por cumprir isto dia após dia.

No entanto as provas documentais voltam repetidamente a desmentir esse mesmo clube. Olhem o caso do Campeão de 1935-36, título que eles erradamente contabilizam nos seus supostos 35.

Vejam este jornal da altura, claro como a água.

Como Era O Mundo Quando O Sporting Foi Campeão?

Sporting Campeão Nacional. Claro como a água. Sem nenhuma dúvida.

No entanto o Benfica ganhou um troféu esse ano é verdade. Um troféu que era experimental, e secundário, e como tal onde jogavam alguns jogadores que não eram os principais. Um pouco como a Taça da Liga nos dias que correm.

E aqui está o recorte do que foi dito no dia em que a ganharam, precisamente ao Sporting.

Como Era O Mundo Quando O Sporting Foi Campeão?

Datado desse mesmo ano, claro como a água: Benfica Campeão da Primeira Liga. Não campeão Nacional como erradamente querem fazer parecer.

Até há uns anos, estes títulos eram todos separados, e apareciam dentro da contabilidade de cada clube. O errado, e claramente mentiroso, é o Benfica tentar tomá-los como titulo de Campeão Nacional. Esse foi atribuído na altura, ao Sporting, e não é 70 anos depois que se muda isso.

Reescrever a história era algo que Goebbels gostava muito. E que tem muitos adeptos para os lados de Carnide. Mas não deixa de ser uma mentira.

Artigo publicado originalmente a Outubro 10, 2016

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Rui Silva foi campeão do mundo há 20 anos

Faz 20 anos que Rui Silva conseguiu o seu primeiro título de campeão do mundo, conquistado nos Mundiais de pista coberta, em 2001, que se realizaram em Lisboa, no Pavilhão Atlântico entre os dias 9 e 11 de março.

Como Era O Mundo Quando O Sporting Foi Campeão?

Com uma carreira cheia de conquistas, Rui Silva, é especialista em meio fundo, designadamente os 1500 e os 3000 metros e conquistou 10 medalhas em grandes competições internacionais, com as cores de Portugal, entre as quais um título de campeão mundial e três títulos de campeão europeu (em pista coberta), afirmando-se como um dos melhores atletas portugueses de sempre.

Rui Silva começou no futebol, nos iniciados do União de Santarém, antes de fazer a passagem para o atletismo, aos 15 anos, seduzido pelo treinador do Estrela Ouriquense, Pedro Barbosa.

Hoje recordamos a entrevista publicada na primeira edição da revista DADA, em abril de 2007. Foi no Estádio Municipal do Cartaxo que Rui Silva nos contou como se tornou no atleta português com mais medalhas em pista coberta e um dos melhores do mundo.

Quem é o Rui Silva? Como pessoa sou uma pessoa calma, sossegada, gosto de estar no meu cantinho, como atleta acho que toda a gente já me conhece.

Comecei aqui no Cartaxo, no Estrela Ouriquense, com treze anos mais ao menos e estive aqui até aos meus dezoito anos e no ano de 1996 fui para Lisboa para representar o Sporting Clube de Portugal.

Já nessa altura o seu sonho era ser atleta?Era difícil, não pensava em conseguir resultados para garantir a minha independência

Mas já pensava em ser atleta como profissão?Sim, normalmente quando os jovens pensam em ser futebolistas, eu não tinha muito jeito para o futebol, mas tinha jeito para correr.

Quando estava aqui no Estrela não tinha muito bem a perceção das minhas qualidades, toda a gente dizia que eu tinha muito jeito, mas do dizer ao concretizar vai uma grande diferença, então quando fui convidado para representar o Sporting comecei a ter outro tipo de resultados e a acreditar que era possível concretizar os sonhos que tinha. Foi quando comecei a ir aos campeonatos da Europa e do mundo e comecei a chegar à final e a conquistar algumas medalhas.

Quando entrou no Estrela Ouriquense, o que o motivou, já era o sonho ou foi alguém que o motivou?Foi por acaso, antes do Estrela estive num clube do Bairro ali em Vila Chã de Ourique ali junto ao Gil, e o Artur Guedes dava uns treinos e eu comecei a correr com uns amigos do bairro e treinava duas ou três vezes por semana, até que o Estrela resolveu fazer uma secção de atletismo e o meu treinador passou a ser o Pedro Barbosa até eu sair daqui.

Como Era O Mundo Quando O Sporting Foi Campeão?

Como foi a ida para o Sporting?Como eu ia aos campeonatos nacionais e normalmente há sempre pessoas que estão lá com equipas de seniores e embora o convite já tenha sido feito quando ainda era júnior achou-se que seria melhor eu esperar e entrar pelos seniores e foi isso que acabou por acontecer. Comecei a treinar duas vezes por dia.

Teve mais convites?Sim do Maratona Clube de Portugal e do Benfica, mas a proposta do Sporting foi a melhor.

Já nessa altura era Sportinguista?O meu clube é o Sporting, não era nessa altura, mas aprendi a ser Sportinguista.

O clube deu-me todas as condições.

Como era a sua vida nessa época?Tinha dezoito anos e tinha ido poucas vezes a Lisboa. Fui dividir um apartamento com dois colegas que representavam o Sporting e vivi com eles durante quatro anos, depois fui para casa própria.

Qual foi a sua primeira grande medalha?Foi no europeu de 1998.

Qual foi a sensação?É só aquele momento, vinte ou trinta segundos quando acabamos a prova, que se sente que o objetivo foi concretizado.

Quando não se consegue é a frustração, às vezes não se consegue o primeiro, mas consegue-se o segundo ou o terceiro. Mas tudo depende dos atletas porque para alguns o objetivo é chegar à final e conseguir os mínimos para estarem presentes nesses campeonatos.

Dependendo do campeonato, só podem ir dois ou três atletas por país. Há atletas que o objetivo deles é passo a passo.

E o seu é qual?Estar sempre presente na final e depois é os lugares da frente.

Não é sempre o primeiro lugar?O objetivo é sempre o primeiro lugar mas por exemplo nos jogos olímpicos o meu objetivo era conseguir uma medalha, tinha noventa por cento de probabilidades de conseguir o terceiro, o primeiro e o segundo lugares eram quase inatingíveis, o que não quer dizer que não conseguisse, um dos atletas que ficou à minha frente continua a ser o melhor do mundo. Há que ser realista é lógico que trabalho para ser primeiro e sei quais é que são as minhas qualidades e não posso querer mais do que aquilo que posso dar.

Quando vai para as competições sabe sempre com quem vai competir e quais as capacidades dessas pessoas?Sim, mas os campeonatos são sempre diferentes do resto das competições, estamos sempre dependentes de nós próprios, não há jogos de equipas e no atletismo mesmo que estejam presentes atletas do mesmo país é sempre uma prova individual. E não ganha sempre o que está em melhor forma, normalmente ganha o que é mais inteligente a correr.

Quando ganha, sente que é só por si ou é também pelo país?Quando ganho é pelo país, represento a seleção e claro represento-me como atleta e tento melhorar sempre o meu currículo, mas também represento o Sporting e é claro que o benefício que vem para mim também vem para a seleção, para o clube ou para a marca que me patrocina.

Como Era O Mundo Quando O Sporting Foi Campeão?Berlim 2009

E cantar o hino como é?É emocionante, sobretudo quando as provas são cá como aconteceu no pavilhão multiusos com toda a gente a cantar. Agora quando as provas são no estrangeiro mal se consegue ouvir o som. É diferente dos jogos de futebol onde há sempre uma massa humana muito maior. No atletismo são poucas as pessoas que se deslocam para ver as provas.

Nos últimos segundos antes de cortar a meta o que pensa? Vê os adversários?Nos últimos metros já não se consegue, quanto muito tentar olhar pelo canto do olho, depende dos estádios, por vezes consegue-se ver pelos ecrãs quando estes estão posicionados para a reta da meta e se a distância do adversário for grande no ecrã ao vivo ainda é maior. Mas aqueles metros finais às vezes serve só para uma pessoa se conformar com aquele lugar ou então saber que vai ganhar, mas aquele relaxe dos últimos cinco metros é o suficiente para ser surpreendido se vier algum atleta em cima.

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Essas provas são muitos desgastantes?Para mim os campeonatos acabam por ser mais desgastantes psicologicamente do que fisicamente. Nos últimos quinze dias antes da prova abranda-se o treino e a forma vem ao de cima, mas depois é o stress competitivo do aproximar da competição, as eliminatórias, as meias finais e as finais são normalmente uns dias muito desgastantes.

E há muita pressão por parte do clube?Não, mas da parte da comunicação social há a pressão para as medalhas, mas eu crio a minha própria expectativa para estar estimulado no dia da competição.

Já me aconteceu estar a participar nas eliminatórias e já me estarem a falar da final e muita coisa pode acontecer, já me aconteceu cair numa prova, ser eliminado ou os adversários serem melhores. Muita coisa pode acontecer até às finais.

Eu considero mais difícil passar as duas primeiras fases do que estar presente na final. Na final já sessenta ou setenta por cento da pressão já foi.

E dependendo dos atletas que estão presentes passa a haver um objetivo e sabemos logo mais ao menos onde podemos situar a nossa classificação apesar de se lutar sempre pelo lugar da frente.

É o atleta português mais medalhado em pista coberta. A sua especialidade é os 1500 metros?Sei que no total tenho onze medalhas e mais de metade delas foi em pista coberta. Campeonatos normalmente tenho participado sempre nos 1500 metros mas em pista coberta participei também nos 3000 metros. A pista coberta surge para que os atletas não estejam parados no Inverno.

Em termos de estratégia qual é a diferença entre os 1500 e os 3000 metros?Os 1500 metros é uma prova mais rápida e em termos de percentagem é uma prova que requer sessenta por cento de resistência e o resto é velocidade enquanto que a dos 3000 metros já envolve oitenta por cento de resistência.

Quem foram ou são as pessoas que contribuíram para os seus resultados?Não se faz nada sozinho, uma prova é o resultado do trabalho de muita gente e eu estou encarregue de mostrar se esse trabalho foi bem feito ou não, e se o objetivo foi alcançado, eu sou a face visível do trabalho. Há o treinador, os massagistas, o médico da federação, a família, o clube, a federação que nos dá as verbas mas foram o Pedro Barbosa e o Artur Guedes que despoletaram todo este ciclo que foi até hoje a minha carreira. Sempre que eu vou a um campeonato e consigo um objetivo lembro-me deles pois se estou no atletismo foi graças a eles, principalmente o Pedro porque foi ele que me disse para começar a trabalhar as distancias mais curtas, a coordenação, a técnica, a velocidade para vir a ser um atleta de mais qualidade e hoje em dia prefiro fazer as distancias mais curtas. Eu sei que sou eu que tenho de treinar, mas quando chego à pista está ali o trabalho de muita gente, as coisas tem de ser planeadas, tem de haver objetivos. Em casa as coisas também tem de estar bem, e depois há também os colegas porque em determinados treinos mais específicos por vezes é necessário a ajuda dos colegas.

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Quais são os seus ídolos?Quando eu comecei os meus ídolos eram o Carlos Lopes o Fernando Mamede e a Rosa Mota. Quando mudei para o Sporting eram os irmãos Castro que depois acabei por ser colega deles.

E eles acompanham a sua carreira?No atletismo acabamos por ser uma família, e depois dos resultados recebo sempre mensagens ou de felicitação quando ganho ou de apoio quando não ganho, o que é importante pois é sinal que somos reconhecidos.

Como é que a sua família vê o seu percurso no atletismo?Eu venho de uma família bastante humilde, o meu pai morreu tinha eu doze anos e foi a razão da minha vinda para cá, na altura vivia na zona de Santarém, a minha mãe é surda muda e eu vim para casa dos meus avós e o meu avô nunca viu a minha profissão como uma coisa de futuro ou de sucesso, não conseguia compreender. Depois fui para o Sporting e criei a minha independência. Hoje sou casado tenho uma filha e um filho que acompanham a minha carreira e me apoiam e a minha mãe fica toda contente quando ganho, gosta de ver e coleciona os recortes dos jornais.

A carreira de atleta obriga a muitas privações?Não podemos andar toda a noite em discotecas.

Quando fui para Lisboa para o Sporting fui viver com colegas também atletas e não tínhamos vícios, tinha uma rotina de levantar de manhã, ir para o estádio e treinar das nove e meia até ao meio dia, almoçávamos e depois voltávamos a casa e às cinco novamente treino até às sete e casa.

Hoje tenho também a minha rotina de treinos e quando volto para casa é para estar com a minha família. A minha filha gosta que faça os trabalhos da escola com ela e depois vou brincar com eles. Estou com eles durante a semana porque as competições normalmente são ao fim-de-semana.

O seu estatuto hoje permite-lhe ter uma vida estável.

E quando começou na altura que foi para o Sporting?Dava para viver, ganhava acima do ordenado mínimo nacional e a casa e a alimentação eram dados pelo clube, hoje em dia não me posso queixar, apesar de ter uma profissão de desgaste rápido e daqui a uns anos já não posso competir, mas não é como os futebolistas, as pessoas por vezes tem uma ideia errada.

Como lida com as derrotas?Numa competição tento sempre obter o melhor resultado possível, quando não consigo aproveito isso para me dar força para competições futuras e me dar mais garra para cumprir os meus objetivos, mas não me vou abaixo apesar dos comentários da comunicação social que prefiro não saber o que dizem pois para eles só é notícia o melhor e o pior.

Quando pensa parar?O mais tarde possível, estou com vinte e nove anos e normalmente o fim é depois dos trinta e cinco anos, até lá vou ter de subir de distancia ou seja competir pelas provas mais lentas, o corpo humano tem limites e perde-se velocidade, mas com a técnica as coisas acabam por sair bem.

Não tenho problemas e estou em boa condição física apesar de no ano passado ter estado lesionado, mas isso faz parte, agora é tentar evitar que isso me aconteça.

E depois gostava de treinar miúdos numa escola de atletismo?Gostava, mas isso é lutar contra tudo e contra todos, é muito difícil pois não há patrocínios e é preciso equipamentos, alimentação, transporte para a deslocação para as competições, alimentação para os miúdos e remuneração para os treinadores (mesmo que não seja a cem por cento) e requer também deixar a família para levar os miúdos às competições e eu não querendo parecer egoísta mas não quero privar a minha família de estar comigo, apesar de ter nascido de uma situação destas e de dar muito valor às pessoas que fizeram todos esses sacrifícios por mim.

Tem de haver uma escola que possa receber os miúdos que querem correr, cá existe o Ateneu e o Pedro Barbosa que está à frente da secção de atletismo. E ao princípio é tudo muito bonito mas quando é preciso por a máquina a funcionar já é mais complicado é por isso que não me vejo a fazer isso.

Como se sente por haver uma prova de atletismo com o seu nome?É claro que me sinto orgulhoso estou na terra que me viu nascer para o atletismo e ser reconhecido por isso é bastante gratificante.

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Faz sempre questão de estar presente?Sempre que posso sim, é a prova com o meu nome é a prova que é feita na minha terra.

Sinto-me acarinhado pelas pessoas.

Quais são as suas próximas metas?Os Campeonatos e estar em condições para chegar aos lugares da frente. Agora vou ter o campeonato do mundo em Agosto e no próximo ano o campeonato europeu e se Deus quiser os Jogos olímpicos.

Qual a receita para vencer?Qualidade e gosto por aquilo que se faz, mas acima de tudo tem de se ter vontade de trabalhar.

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Anderson Polga

«O primeiro campeão do Mundo do futebol português». O rótulo por si só já diz muito do que se esperava de Anderson Polga quando aterrou em Lisboa para jogar no Sporting, onde esteve nove épocas, praticamente sempre titular no eixo defensivo leonino.

Se o lugar no onze dos vários treinadores que passaram em Alvalade durante a estadia de Anderson Polga foi uma constante, o mesmo não se pode dizer da opinião dos adeptos sportinguistas.

Polga nunca foi consensual, talvez pelas expectativas criadas aquando da saída do Brasil, talvez pelos poucos títulos que conquistou ao serviço do clube, mas o certo é que de Anderson Polga podia sempre esperar-se um central tranquilo e fiável, com um estilo pouco habitual para a altura – fazia poucas faltas e jogava sempre com simplicidade. 

Como muitos, Polga saiu de Alvalade sem o desejado título de campeão, mas, para agrado dos adeptos ou não, «o primeiro campeão do Mundo do futebol português» marcou mesmo uma era em Alvalade.

De ajudante de limpeza ao rival goleador de… Ronaldinho

Desde a infância que Polga sempre foi uma pessoa tímida. Nascido em Santiago, no interior do Rio Grande do Sul, onde esteve até fazer 17 anos, o brasileiro começou por ter uma vida pacata junto da família e dos amigos do bairro, com os quais começou a jogar futsal desde cedo, numa equipa chamada Tamiosso.

Aí, Polga começou a destacar-se pela força física, que o levava a atuar em vários escalões do clube, já numa altura em que a vida familiar tinha dado uma grande volta. João, pai de Polga, sofreu um AVC e a família passou a sentir cada vez mais dificuldades financeiras.

Polga decidiu pôr mãos à obra, quase literalmente.

Apenas com sete anos, ainda uma criança, Anderson Polga transportou a força física do futsal para a empresa de pintura do tio, onde passou a ser ajudante de limpeza e a ganhar o seu dinheiro, que utilizava para comprar as suas coisas, incluindo aquelas que usava para praticar desporto. Enquanto ocupava grande parte do tempo a mexer em ácido e a lixar paredes, o resto desse tempo era utilizado para jogar futebol amador, sempre contra adversários mais velhos e agressivos.

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Polga passou vários anos em Alvalade, tendo-se tornado capitão do Sporting ©Catarina Morais

Polga continuava a ser um miúdo tímido e discreto de personalidade, mas no campo de futebol dava cada vez mais nas vistas ao serviço do Cruzeiro, clube da cidade de Santiago. Aos 17 anos, chegou o momento que ninguém da família de Anderson Polga esperava.

Ao participar pela terceira vez na Copa Santiago, um torneio de futebol sub-17 realizado na sua cidade, Polga deu nas vistas e acabou por dividir o protagonismo com um jogador que viria a ser seu colega dentro de pouco tempo e um dos melhores jogadores da história do futebol.

Em três jogos, Polga fez três golos e dividiu o estatuto de melhor marcador com… Ronaldinho Gaúcho, que tinha marcado três em sete jogos. Já não havia volta a dar.

As exibições de Polga chamaram a atenção de vários clubes e aos 17 anos, contra a vontade de Iolanda, a mãe que tanto desejava ver o filho com a farda militar, Polga apanhou o autocarro para Porto Alegre e assinou um contrato profissional com o Grémio, onde viria a reencontrar Ronaldinho.

Tite, Scolari e Polga, o campeão do Mundo

Não é à toa que os nomes de Tite e Scolari aparecem destacados em cima. Os dois treinadores tiveram extrema importância na carreira de Anderson Polga, que chegou ao Grémio, na altura treinado por Celso Roth, para ser médio defensivo e passou para central com a chegada de Tite.

O novo treinador do emblema de Porto Alegre implementou um esquema com três centrais e a tranquilidade e leitura de jogo de Polga foram fatores chave para a mudança posicional.

De «volante», como se diz no Brasil, Polga passou a ser «zagueiro» (defesa central), um dos melhores do campeonato.

Já com uma Copa do Brasil e dois estaduais, Polga era um dos nomes mais cotados entre os defesas brasileiros e foi com naturalidade que o seu nome começou a entrar na lista de potenciais convocáveis para a seleção, que se preparava para participar no Mundial de 2002. Tite não tinha dúvidas da qualidade do jovem defesa e Scolari, se as teve, não demorou muito a dissipá-las.

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Polga, com a camisola 14, fez dois jogos no Mundial 2002 pela seleção brasileira, que acabaria por sagrar-se campeã ©Getty Images

Já com o apuramento para o Mundial confirmado, o selecionador brasileiro decidiu aproveitar para testar algumas caras novas, entre elas estava Polga. O defesa estreou-se num particular frente à Bolívia e logo na primeira internacionalização pela Canarinha apontou um dos golos da vitória por 6×0.

A restante preparação ajudou Scolari a acabar com todas as incertezas e o selecionador acabou por dar razão àqueles que consideravam Polga o terceiro melhor central do Brasil. Lúcio, Roque Júnior, Edmilson e Anderson Polga foram os quatro escolhidos para o Mundial no Japão e Coreia do Sul, conquistado precisamente pela seleção brasileira.

Como era esperado, Polga não foi uma figura decisiva no escrete, mas participou em dois jogos da fase de grupos.

Se aos 17 anos o adolescente Anderson Polga ainda não tinha visto o mar, um avião ou ido ao cinema, aquele Polga de 23 anos tinha visto o mundo. Pentacampeão brasileiro, um ano antes de deixar a América do Sul e viajar para a Europa. Disputado por Benfica e Sporting, acabou em Alvalade, onde não tardou a afirmar-se e de onde sairia apenas nove épocas depois.

O primeiro campeão do Mundo em solo português

Bem mais longa do que a etapa no Grémio foi a aventura no Sporting.

Porque o sucesso também pode ser relativo, pode dizer-se que Polga não encontrou em Alvalade o clube que esperaria, nem os adeptos sportinguistas viram no brasileiro aquilo que o rótulo de «primeiro campeão do Mundo a jogar em Portugal» fazia transparecer.

No Sporting, Polga foi bem sucedido se olharmos para as nove épocas que passou em Alvalade. 342 jogos num clube com o Sporting, para um jogador brasileiro, que, especialmente no início do século tinha a tradição de mudar várias vezes de clube, é um excelente registo, mas o número de títulos foi bem inferior.

O estatuto com que Polga veio do Brasil (e a qualidade, claro) levou o brasileiro imediatamente para o onze de Fernando Santos. A tranquilidade do central deu logo nas vistas.

Mais experiente e cada vez mais habituado ao futebol europeu, a leitura de jogo do internacional brasileiro era cada vez mais elogiada, até porque Polga tinha a particularidade de fazer poucas faltas quando comparado com outros colegas de posição.

O passar dos anos em Alvalade trouxe, como tudo na vida, pontos altos e pontos baixos na carreira de Polga, que confessou, mais tarde, ter ficado adepto do Sporting pelo que viveu no clube.

Apesar de ter sido titular em praticamente todas as épocas, o brasileiro viveu alguns períodos negativos de leão ao peito. Um dos piores foi precisamente em Alvalade, na final da Taça UEFA perdida para o CSKA.

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Polga, um dos habituais titulares, ficou no banco e revoltou-se com Peseiro, mas o treinador viria a abandonar o clube poucos meses depois e o defesa brasileiro acabaria por regressar à titularidade.

Como Era O Mundo Quando O Sporting Foi Campeão?

Último jogo pelo Sporting foi no Jamor, na final da Taça de Portugal perdida para a Académica ©Catarina Morais

Foi praticamente sempre assim. Nesses dez anos em Alvalade, Anderson Polga não foi sempre o jogador mais amado pelos adeptos, mas enquanto alguns jogadores entravam e saíam de Alvalade, Polga ia ficando e transmitia os valores do clube aos mais novos, mesmo quando o momento individual não era o melhor.

Apesar de ser um defesa bastante fiável e elegante a jogar, o internacional brasileiro ficou marcado por alguns jogos negativos, especialmente em partidas da Liga dos Campeões, embora fosse um dos jogadores mais experientes do plantel.

O registo goleador que tinha mostrado no Brasil também nunca foi visto em Alvalade, onde demorou 1502 dias a marcar o primeiro golo.

Com Paulo Bento como treinador, Polga conquistou os únicos títulos em nove épocas – duas Taças de Portugal e duas Supertaças – e foi titular em todas as finais.

Acabou também por ser numa final que Anderson Polga se despediu do clube que aprendeu a amar, apesar de alguns desgostos.

Foi assim, desolado, que deixou o Sporting depois de perder a final da Taça de Portugal frente à Académica, já com a braçadeira de capitão no braço esquerdo.

Demorou, mas a despedida de Anderson Polga acabou mesmo por acontecer. O desejo era regressar ao Brasil e assim foi. Assinou pelo Corinthians, onde reencontrou Tite, mas só fez três jogos.

O suficiente para ganhar o estatuto de campeão do Mundo de clubes. Acabaria a carreira pouco depois, de forma tímida, mesmo à sua imagem.

Assim foi a carreira de Anderson Polga: o primeiro campeão do Mundo a pisar solo português.

Bruma: «Que o Sporting seja campeão, é o meu clube do coração»

A fazer uma temporada de muito bom nível no Olympiakos, Bruma não esquece a Seleção Nacional e o Sporting. O extremo de 26 anos tem nove internacionalizações e acredita estar a fazer o que é necessário para regressar às escolhas de Fernando Santos a tempo de ser chamado para o Campeonato da Europa. 

Em entrevista ao Maisfutebol, Bruma surge mais falador, até mais seguro. Do menino tímido e com medo das palavras pouco sobra. Prova disso é a prova de amor pública exibida sobre o Sporting, o clube onde começou a jogar em Portugal.

Bruma tem contrato com o PSV Eindhoven até 2023. Em Atenas já leva 23 jogos e cinco golos. 

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Maisfutebol – Está satisfeito com a sua época no Olympiakos?

Bruma – Por acaso, sim, está a ser a minha melhor temporada nos últimos anos. Era isso que eu queria com este empréstimo. Precisava de ter um treinador que confia em mim e estou muito satisfeito com a opção que fiz. O meu futebol continua dentro de mim e precisava de jogar regularmente. Tenho de agradecer a confiança do mister Pedro Martins.

MF – Como é que o Pedro Martins o convenceu a ir para Atenas?

B – Eu estava em Eindhoven e o Pedro mandou-me uma mensagem. Acabei o jogo, li a mensagem e liguei ao mister. ‘Mister, sinceramente acho muito difícil que o PSV me deixe sair’. O mister convenceu-me logo.

‘Filho, vem para cá que vai ser bom para ti, acredita em mim e tudo vai correr bem’. Pensei muito na conversa, durante uma semana. Decidi à última da hora e pedi ao PSV. Não foi fácil, mas aceitaram. Liguei ao Pedro Martins e dei-lhe a boa notícia (risos).

O mister tem-me ajudado bastante, num momento em que eu estava a precisar.

MF – Nota-se que o mister Pedro Martins acredita em si e gosta de si.

B – É verdade, sinto que o Pedro gosta de mim. Só posso ficar contente. Quero ajudá-lo, é um treinador fantástico e todas as pessoas o adoram aqui. Trata bem todos os jogadores e tem o plantel na mão. Ninguém lhe pode apontar nada.

MF – O Bruma tem jogado mais sobre a esquerda ou sobre a direita esta época?

B – Tenho jogado quase sempre na direita e eu sinceramente não gosto muito (risos). Tive de me adaptar, porque nos últimos anos habituei-me a partir da esquerda e a procurar as zonas interiores. Mas tem corrido bem.

MF – Saiu do PSV porque estava desiludido ou mais pela pressão boa feita pelo Pedro Martins?

B – Não estava muito mal no PSV, mas queria jogar mais e ter muitos minutos de competição. O treinador do PSV contava comigo. Só que o Pedro Martins convenceu-me, agradou-me a abordagem dele e quis agarrar esta oportunidade. Não estava mal na Holanda.

MF – O campeonato está a correr bem e na Liga Europa perderam a eliminatória contra o Arsenal por muito pouco. Custou sair daquela forma?

B – Custou, é verdade. A liga grega está praticamente ganha. Na Liga Europa não tivemos sorte. Lutámos até ao fim, criámos problemas a uma grande equipa como o Arsenal. Tivemos mérito e fizemos uma boa campanha. Tenho jogado todos os anos na Champions ou na Liga Europa e isso é o que mais motivação me dá. São os melhores palcos e tenho de desfrutar.

MF – O campeonato grego tem o mesmo nível do português ou está um bocadinho abaixo?

B – São dois bons campeonatos. Na Grécia há quatro maiores clubes (Olympiakos, PAOK, AEK e Panathinaikos) e os outros têm dimensão média. Até nisso é parecido com Portugal. É uma liga boa para poder sobressair e dar um passo em frente. Quem está nestes campeonatos está sempre perto de chegar aos melhores campeonatos.

MF – No Olympiakos há mais três portugueses no plantel. Fale-nos um pouco sobre cada um deles.

B – Já os conheço a todos há alguns anos. O José Sá e o Rúben Semedo até estiveram comigo na Seleção A e o Semedo é um velho amigo dos tempos do Sporting.

O Tiago [Silva] é um rapaz tranquilo, sempre no canto dele, mais reservado. O Sá vive no mundo dele. Chega, não fala com ninguém, ainda meio adormecido (risos). Depois falamos com ele e lá desperta.

O Semedo é o mais brincalhão de todos, não sabe quando parar, está sempre a brincar.

MF – O Semedo é a pessoa mais próxima do Bruma?

B – Sim, é com quem passo mais tempo. Às vezes vem cá a casa, vemos televisão e jogamos Uno [jogo de cartas].

MF – Ainda se lembra da sua estreia na equipa principal do Sporting?

B – Claro, é inesquecível. Eu fazia parte da equipa B e informaram-me que ia ser promovido. Na primeira semana o professor Jesualdo só me dava na cabeça. Foi duro. Como tinha de passar a bola, onde tinha de me colocar.

Ao fim de um mês estava outro jogador, as coisas começaram a correr-me muito bem. O Jesualdo é mesmo um professor, tinha muita paciência comigo. Aprendi bastante com ele e só lhe posso agradecer.

Se não fosse ele, não sei onde estaria.

MF – Já saiu há oito anos do Sporting. Tem saudades?

B – O Sporting sempre foi o meu clube do coração e sempre me deu tudo. Que seja campeão, finalmente. Não tenho nada a apontar a ninguém. Separámo-nos em 2013, na altura foi o que achei melhor.

Desejo-lhe a maior sorte e que ganhe este ano o campeonato. As coisas estão a correr bem este ano, ainda vou vendo os jogos aqui em Atenas.

Eu e o Rúben jogámos lá, o Sá jogou no Benfica e no Porto, o Tiago esteve no Belenenses.

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