Como Era O Mundo No Tempo Em Que Anne Frank Esteve Fechada No Anexo?

Como Era O Mundo No Tempo Em Que Anne Frank Esteve Fechada No Anexo? Estàtua de cera de Anne Frank no Museu Madame Tussaud, outra atraçao turistica de Amsterdam

Na minha passagem de 4 dias por Amsterdam eu montei um Roteiro flexível ( que você pode ver aqui) com algumas das atrações que considerava imperdíveis e tempo para explorar a cidade e descobrir tantas outras. Uma dessas visitas que eu sabia que tinha de fazer e que de fato foi a primeira coisa que visitei ao chegar foi o Museu Anne Frank em Amsterdam, entre os três museus mais populares da cidade!

Como Era O Mundo No Tempo Em Que Anne Frank Esteve Fechada No Anexo?A casa que serviu de esconderijo para Anne Frank e sua familia durante o Nazismo é hoje um museu extraordinàrio em Amsterdam

Um pouco da triste història de Anne Frank

Eu ainda não havia lido o livro  que reproduz o diário de Anne Frank, mas conhecia a sua historia, uma garota de 13 anos de família judia que se mudou para a Holanda para fugir da perseguição nazista.

O agravamento da situação com as trágicas imposições nazistas fez com que a família de Anne Frank, sem saída, procurasse um esconderijo. O local preparado era uma casa de fundo, um anexo ao escritório de Otto Frank, o pai de Anne.

Nessa casa além da família Frank também viveram escondidos a família Van Pel, pois Herman Van Pel trabalhava junto a Otto.

Como Era O Mundo No Tempo Em Que Anne Frank Esteve Fechada No Anexo?Estàtua de cera de Anne Frank no Museu Madame Tussaud, outra atraçao turistica de Amsterdam

Juntos, eles viveram escondidos nessa casa durante 2 anos, de 1942 a 1944, e a rotina dolorosa e difícil foi descrita por Anne Frank em seu diário. Eles viviam enclausurados, no escuro, com cortinas por todas as janelas evitando que alguém os visse e também evitavam ao máximo qualquer tipo de barulho que pudesse denuncià-los.

Anne, escreveu tristes mas inspiradoras passagens em seu diário. Ela conta como era viver escondida e com medo, sem poder frequentar a escola, sem poder sair à luz do sol ou caminhar na rua.

O diário era uma forma de tirar um pouco do sofrimento dentro de si e colocà-lo no papel, além de ser um passatempo, uma distração, entre as tão poucas existentes dentro da casa.

Como Era O Mundo No Tempo Em Que Anne Frank Esteve Fechada No Anexo?Foto: http://www.annefrank.org . Trecho de diário de Anne Frank em exposiçao no Museu

Eram 7 pessoas e posteriormente 8 vivendo escondidas no local e quatro empregados de Otto sabiam e ajudavam as famílias a comprar comida, trazer e enviar cartas além de ser um apoio moral.

Anne Frank filosofa sobre a vida e escreve seus pensamentos no diário que se tornou seu melhor amigo neste período de sua vida, que infelizmente foi o final, pois sua família foi denunciada e o esconderijo descoberto.

Como Era O Mundo No Tempo Em Que Anne Frank Esteve Fechada No Anexo?Foto:http://www.annefrank.org . A entrada do esconderijo era mascarada por essa prateleira mòvel

O mais interessante dessa história é que Anne Frank gostava realmente de escrever, não apenas descrevendo sua rotina no diário, como também escrevendo pequenas historias e pensamentos. Ela manifestou o desejo de se tornar escritora ou jornalista depois que a guerra acabasse.

Quanto ao diário, ela parecia saber que um dia milhares de pessoas o leriam e portanto ela o reescreveu, no entanto não conseguindo finalizar o trabalho até agosto de 1944 quando todos foram descobertos e presos.

Alguém os havia denunciado, mas nunca a identidade dessa pessoa foi descoberta.

Anne Frank, sua mae e irma foram para Auschwitz e Anne morreu là aos 15 anos de idade. O único sobrevivente  de todos que moraram no esconderijo foi o pai de Anne, Otto Frank, que retornou a Amsterdam, recuperou o diário de sua filha e cumpriu o seu último desejo, de ter sua história publicada.

Como é a visita ao Museu Anne Frank em Amsterdam

A antiga casa que serviu de esconderijo para a família de Anne Frank e a família Van Pel se transformou em um Museu desde 1960.

Milhares de pessoas do mundo todo visitam o local, comovidas com a historia de Anne Frank e também interessadas em saber como era o esconderijo em que ela viveu e escreveu seu fabuloso diário. Muitas outras não tiveram contato com a historia de Anne Frank e acabam conhecendo ao fazer a visita.

[alert type=”error|success|info” close=”true”]Infelizmente nao é possível tirar fotos do interior da casa![/alert]Como Era O Mundo No Tempo Em Que Anne Frank Esteve Fechada No Anexo?Foto: http://www.annefrank.org . Ambientes internos da casa que serviu de esconderijo a Anne Frank e mais 8 pessoas em Amsterdam, durante o Nazismo

A casa é mantida com as janelas fechadas, para tentar incorporar o ambiente como era durante o esconderijo.

É possível passar pelos aposentos da casa e ler diversos trechos do diário de Anne Frank contando historias e fatos sobre a sua vida enclausurada relacionada com cada ambiente.

Há frases projetadas na parede, fotos, filmes e objetos que tentam ilustrar um pouco do que aconteceu dentro daquele local e na vida daquelas pessoas.

Mesmo quem não conhece a historia, não se perde no museu que é todo sinalizado num trabalho extraordinário de curadoria que emociona os visitantes.

É possível ver trechos originais do diário de Anne Frank, inclusive os que ela teria modificado já pensando que um dia poderia ser publicado.

Mas o que realmente me comoveu foi um  vídeo com o seu pai contando quando encontrou o diário e passou a lê-lo, decidindo então realmente publicà-lo e cumprir o desejo de sua filha, injustamente morta.

“Durante o dia temos sempre que andar levemente e falar sem barulho, porque não nos podem ouvir no armazém.” Anne Frank, 11 de julho de 1942 

“ Sst… pai, quieto, Otto, sst… Anda cá, já não podes deixar a água correr. Anda devagar!” Estes foram os vários avisos para o pai na casa de banho. Às nove horas em ponto ele tem de estar na sala. Nem uma gota de água pode correr, já não se pode ir à casa de banho,não se pode andar, tudo quieto”

Anne Frank, 23 de agosto de 1943 

“Quando escrevo, sinto um alívio, a minha dor desaparece, a coragem volta.” Anne Frank, 5 de abril de 1944 

“O que passou, já não podemos mudar. A única coisa que podemos fazer é aprender com o passado e compreender o que significa a discriminação e a perseguição de gente inocente. A minha opinião é que todos temos a obrigação de combater os preconceitos.”

Otto Frank, 1970

Quanto custa a visita ao Museu Anne Frank em Amsterdam

Adultos pagam 9 euros, crianças e adolescentes de 10 a 17 anos pagam 4,50 euro, e crianças até 9 anos possuem a entrada free.

Como a Casa de Anne Frank é um dos pontos turísticos mais visitados de Amsterdam há sempre filas, portanto o ideal é fazer a compra do ingresso online. Veja mais informações aqui.

Compre seu ingresso online para o Museu de Anne Frank e evite as filas

Essa opção de ingresso é um combo oferecido pela Ticket Bar, uma das melhores e mais confiáveis empresas para comprar ingressos e passeios na Europa.

Junto ao ingresso do museu você tem direito ao ônibus turístico hop on hop off, de 2 andares pela cidade.

O legal deste passeio de ônibus é a possibilidade de ver vários pontos turísticos da cidade escolhendo onde descer e pegar o ônibus novamente, sendo valido por 24 horas.

  • Os horàrios de funcionamento do Museu são:
  • De Novembro a Março
  • Diariamente  9:00 am – 7:00 pm (sábados  9:00 am – 9:00 pm).
  • De Abril a Outubro Diariamente 9:00 am – 9:00 pm, (sábados 9:00 am – 10:00 pm).
  • Em Julho e Agosto o museu é aberto diariamente até 10:00 pm.
  • Lembrando que o museu fecha as portas 30 minutos antes do último horário.

Onde fica e como chegar até o Museu de Anne Frank em Amsterdam

O Museu de Amsterdam està localizado no centro de Amsterdam. O endereço é  Prinsengracht 263-267.

Eu estava hospedada bem próximo da estação Central e fui andando, cerca de 20 minutos. Para quem está mais longe ou prefere ir de transporte publico, segue as seguintes opções: Trams 13, 14 e 17 e ônibus 170, 172 e 174 descendo na parada ‘Westermarkt’

Visite a Casa de Anne Frank online e em 3D

Neste link você pode ter uma ideia do que te espera na visita presencial. É possível ver um vídeo e saber mais sobre a casa que serviu de esconderijo a Anne Frank e sua família.

Além disso, segue abaixo uma lista com alguns dos melhores passeios em Amsterdam. Você pode comprar o passeio online para facilitar a sua viagem.

Espero que tenha gostado do artigo e que ele tenha sido útil no planejamento de sua viagem!

Monique Ribeiro

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Quem foi Anne Frank?

Who was Anne Frank?

Anne Frank nasceu a 12 de junho de 1929 na cidade alemã de Frankfurt. Tem uma irmã, Margot, de cerca de três anos mais velha. A situação na Alemanha não era a melhor: havia poucos empregos e muita pobreza. E é nesse cenário que Adolf Hitler e o seu partido recebem o apoio de um número crescente de adeptos. Hitler odiava os judeus, culpando-os pelos problemas do país, e deu voz aos sentimentos anti-semitas que prevaleciam na Alemanha. Por causa desse ódio aos judeus e da má situação do país, os pais de Anne, Otto e Edith Frank, decidem mudar-se para Amesterdão. Aí, Otto fundou uma empresa que comercializava pectina, um agente gelificante para a preparação de geleias. 

Como Era O Mundo No Tempo Em Que Anne Frank Esteve Fechada No Anexo?Coleção de fotos: Anne Frank Stichting, Amesterdão / fotógrafo desconhecido

Anne sente-se, desde logo, em casa na Holanda. Aprendeu a língua, fez novos amigos e andou numa escola holandesa no bairro. O seu pai trabalhou arduamente para fazer prosperar o negócio, mas não foi fácil. Otto tentou também montar um negócio em Inglaterra, no entanto não teve sucesso. Acabaria por encontrar uma solução ao vender ervas e especiarias, além da pectina.

A 1 de setembro de 1939, quando Anne tem 10 anos, a Alemanha nazi invade a Polónia: começa a Segunda Guerra Mundial. Passados uns meses, a 10 de maio de 1940, os nazis também invadem a Holanda. Cinco dias depois, o exército holandês rendeu-se. Aos poucos, mas inexoravelmente, os ocupantes introduziram leis e regulamentos que tornaram a vida dos judeus mais difícil.

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Parques, cinemas e lojas não-judaicas, entre outros locais, estavam proibidos aos judeus. Por causa destas regras restritivas, eram cada vez menos os lugares onde Anne podia ir. O seu pai perde o seu negócio, uma vez que já não é permitido aos judeus terem empresas próprias. Todas as crianças judias, incluindo Anne, tiveram que ir para uma escola judaica separada.

Como Era O Mundo No Tempo Em Que Anne Frank Esteve Fechada No Anexo?Coleção de fotos: Anne Frank Stichting, Amesterdão / fotógrafo desconhecido

Os nazis vão cada vez mais longe. Os judeus tiveram de começar a usar uma estrela de David e surgiram rumores de que todos os judeus teriam de deixar a Holanda.

Quando Margot recebeu um telefonema a 5 de julho de 1942 para se inscrever para trabalhar na Alemanha nazi, os pais ficam desconfiados.

Eles não acreditam que se trate de trabalho e decidem esconder-se no dia seguinte para escapar da perseguição.

Na primavera de 1942, o pai de Anne tinha começado a instalar um esconderijo no anexo secreto da sua empresa, no nº 263 de Prinsengracht. Ele é ajudado pelos seus antigos colegas. Passado pouco tempo, mais quatro pessoas juntam-se a eles no Anexo Secreto. O espaço é muito apertado; Anne tinha de permanecer muito silenciosa e estava frequentemente com medo.

Pelo seu décimo terceiro aniversário, pouco antes de passar a viver no esconderijo, Anne recebe um diário de presente.

Durante os dois anos em que permanece escondida, Anne escreve sobre o que se vai passando no Anexo Secreto, mas também sobre o que sente e pensa.

Além disso, escreve histórias curtas, começa um romance e anota passagens de livros que lia no seu Livro de Belas Frases. Escrever ajudou-a a aguentar os dias.

Quando o Ministro da Educação do governo holandês no exílio, na Inglaterra, fez um apelo na Radio Orange para se manter diários e documentos de guerra, Anne tem a ideia de reescrever os seus diários individuais numa única história, com o título Het Achterhuis (O Anexo Secreto).

Como Era O Mundo No Tempo Em Que Anne Frank Esteve Fechada No Anexo?Coleção de fotos: Anne Frank Stichting, Amesterdão

Anne começa a reescrever o seu diário mas, antes que pudesse terminar, ela e as outras pessoas que estavam escondidas são descobertas e presas por polícias a 4 de agosto de 1944. A polícia também prende duas das pessoas que os ajudavam. Até hoje, não se sabe ao certo qual a razão para a busca policial.

Apesar da busca, uma parte dos escritos de Anne são preservados: dois outros amigos salvam os documentos antes que o Anexo Secreto seja esvaziado por ordem dos nazis.

Passando pelo Sicherheitsdienst, o serviço de inteligência da polícia de segurança alemã, pela prisão em Amesterdão e pelo campo de trânsito de Westerbork, as pessoas escondidas foram enviadas para o campo de concentração e extermínio de Auschwitz-Birkenau.  A viagem de comboio demorou três dias, durante os quais Anne e outras mais de mil pessoas viajaram apertadas em vagões de gado. Há pouca comida e água, e apenas um barril a servir de sanita.

Ao chegarem a Auschwitz, os médicos nazis avaliavam quem podia ou não ser submetido a trabalho forçado pesado. Cerca de 350 pessoas que viajaram com Anne foram imediatamente mortas nas câmaras de gás. Anne foi enviada para o campo de trabalho para mulheres, com a sua irmã e a sua mãe. Otto acabou num campo para homens.

No início de novembro de 1944, Anne é transportada novamente. Juntamente com a sua irmã, foi deportada para o campo de concentração de Bergen-Belsen. Os seus pais ficam em Auschwitz.

As condições em Bergen-Belsen são também miseráveis: quase não há comida, está frio, e Anne, como a sua irmã, fica com febre tifoide.

Em fevereiro de 1945, ambas morrem das consequências dessa doença, primeiro Margot e pouco depois Anne.

De todos os que se escondiam no Anexo Secreto, apenas Otto, o pai de Anne, sobreviveu à guerra. Ele foi libertado de Auschwitz pelos russos e, durante a sua longa viagem de volta para a Holanda, fica a saber que a sua esposa Edith morreu. Já na Holanda, fica a saber que também Anne e Margot não sobreviveram.

Como Era O Mundo No Tempo Em Que Anne Frank Esteve Fechada No Anexo?

Os diários de Anne causam profunda impressão em Otto. Ele lê que Anne queria se tornar escritora ou jornalista e pretendia publicar as suas histórias sobre a vida no Anexo Secreto. Uns amigos convencem Otto a publicar o diário e a 25 de junho de 1947 é publicado Het Achterhuis (O Anexo Secreto), numa edição de 3000 exemplares.

E não ficou por aí: o livro viria a ser traduzido para cerca de 70 línguas e adaptado para teatro e cinema.

Pessoas de todo o mundo ficaram a conhecer a história de Anne e, em 1960, o esconderijo torna-se um museu: a Casa de Anne Frank. Otto continuou estreitamente envolvido com a Casa de Anne Frank e o museu até à sua morte, em 1980.

Ele esperava que os leitores do diário tomassem consciência dos perigos da discriminação, do racismo e do ódio contra os judeus.

Os angustiantes momentos finais de Anne Frank no campo de concentração

Após serem descobertas no Anexo Secreto e transportadas para Auschwitz, os últimos sete meses das irmãs Frank nos campos estão bem documentados, mas são raramente discutidos

Fabio Previdelli Publicado em 11/07/2020, às 08h00

Em 3 de setembro de 1944, Anne Frank e as outras sete pessoas que viviam escondidas no Anexo Secreto foram transportadas para Auschwitz. Ao lado de mais de mil prisioneiros judeus, aquele seria um dos últimos trens de deportação semanais que levaram mais de 100 mil judeus holandeses paras as chamadas fabricas da morte.

Entretanto, apesar de sua história ser amplamente difundida pela publicação póstuma de seu diário, poucas pessoas sabem o que aconteceu com a jovem garota após sua captura, afinal, a última entrada de seu diário data de 1º de agosto de 1944, três dias antes de sua prisão.

Como consequência, os momentos finais da menina judia que comoveu o mundo ficaram esquecidos durante anos e só foram resgatados graças aos vários testemunhos de sobreviventes do Holocausto que cruzaram o caminho de Anne Frank.

Como Era O Mundo No Tempo Em Que Anne Frank Esteve Fechada No Anexo?Entrada de trem de Auschwitz / Crédito: Getty Images

Boa parte desses relatos foram dados ao cineasta Willy Lindwer, que em 1988 produziu um documentário “Os Últimos Sete Meses de Anne Frank” — o material não compilado se tornou mais tarde um livro.

Apesar do frenesi que viviam, a chegada da família Frank em Auschwitz ocorreu com um pedacinho de esperança, já que eles esperavam que a dedicação ao trabalho e uma rápida vitória dos Aliados os ajudariam a sair do campo com vida.

“Anne estava muito calma e quieta e um pouco retraída. O fato de terem terminado ali a afetou profundamente — isso era óbvio”, afirmou a sobrevivente Ronnie Goldstein-van Cleef, que conheceu a família Frank em Westerbork e era próximo de Anne no campo de trabalho de Birkenau. “Anne costumava ficar ao meu lado [na chamada] e Margot sempre estava por perto”.

Depois de várias semanas em Birkenau, as irmãs Frank contraíram os ácaros da pele que causam sarna. Confinadas em um espaço dedicado a pessoas com a doença, as meninas ficaram sem os cuidados da mãe pela primeira vez. “As garotas Frank pareciam terríveis, suas mãos e corpos cobertos de manchas e feridas da sarna”, disse Cleef. “Elas estavam de uma maneira muito ruim; lamentável”.

Lenie de Jong-van Naarden era outra judia holandesa que conhecia as mulheres Frank em Auschwitz.

Quando as irmãs foram confinadas ao quartel da sarna, ela ajudou Edith Frank a cavar um buraco sob a estrutura para contrabandear pão para as filhas.

“No quartel onde [as garotas Frank] estavam, as mulheres enlouqueceram completamente”, disse a mulher que, junto com outras testemunhas, observou a incansável devoção de Edith Frank aos filhos.

Já a sobrevivente Bloeme Evers-Emden, que conheceu Anne Frank em 1941, quando as crianças judias foram forçadas a frequentar a mesma escola em Amsterdã, o Liceu Judaico, reecontrou a garota em Auschwitz e relembrou a conversa que tiveram sobre o preço da guerra em suas famílias.

Como Era O Mundo No Tempo Em Que Anne Frank Esteve Fechada No Anexo?Página do Diário de Anne Frank / Crédito: Getty Images

“Quando [Anne] estava escondida, o que era uma situação muito prejudicial, sua mãe era alguém contra quem ela se rebelou”, disse Evers-Emden. “Mas no campo, tudo isso caiu completamente. Ao apoiarem-se mutuamente, elas conseguiram se manter vivas — embora ninguém possa combater o tifo”, lamentou.

Enquanto o exército russo avançava para a Polônia em outubro, muitas das 39 mil prisioneiras do campo — entre elas Anne e Margot — foram transportadas para o oeste, para a Alemanha. Tendo sido forçado a ficar para trás, Edith Frank morreu de exaustão e tristeza no início de 1945.

Embora não estivesse equipado com instalações para matar, Bergen-Belsen ficou severamente superlotado e atormentado pelas doenças. Com isso, dezenas de valas comuns foram preenchidas durante o último inverno da guerra, o que incluía, infelizmente, as das irmãs Frank.

“Tifo era a marca registrada de Bergen-Belsen”, explica a sobrevivente Rachel van Amerongen-Frankfoorder, que conheceu a família Frank em Westerbork.

“[Anne e Margot] tinham aqueles rostos vazios, pele sobre osso. Elas estavam terrivelmente frias.

Elas tinham os lugares menos desejáveis ​​no quartel, abaixo, perto da porta, que era constantemente aberta e fechada. Dava para ver as duas morrendo”.

A sobrevivente Janny Brandes-Brilleslijper deu o relato mais detalhado dos últimos dias das irmãs Frank. Durante meses, ela ajudou a “organizar” alimentos e roupas para as meninas, cujos corpos finalmente sucumbiram ao tifo.

Como Era O Mundo No Tempo Em Que Anne Frank Esteve Fechada No Anexo?Túmulo de Anne e Margot Frank / Crédito: Getty Imagens

“Em um certo momento de seus últimos dias, Anne estava na minha frente, embrulhada em um cobertor”, conta. “Ela não tinha mais lágrimas, e me disse que tinha horror aos piolhos e pulgas em suas roupas e que jogara todas elas fora. Era o meio do inverno e ela estava enrolada em um cobertor. Juntei tudo o que pude encontrar para dar a ela o que se vestir novamente”.

Três dias após seu perturbador encontro com Frank, Brandes-Brilleslijper descobriu que as duas irmãs estavam mortas. “Primeiro, Margot caiu da cama no chão de pedra”, relembra.

“Ela não conseguia mais se levantar. Anne morreu um dia depois. Três dias antes de sua morte por tifo, foi quando ela jogou fora todas as suas roupas durante alucinações terríveis.

Isso aconteceu pouco antes da libertação”.

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Uma visita ao anexo secreto de Anne Frank

* Por Letícia V.

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Como Era O Mundo No Tempo Em Que Anne Frank Esteve Fechada No Anexo?

Há 60 anos, em 3 de maio de 1960, a Casa de Anne Frank era aberta ao público pela primeira vez. A ideia de transformar o local em museu partiu de Otto Frank, pai da menina, como uma forma de evitar que o prédio fosse demolido.

Após três anos de trabalho da Fundação Anne Frank, essa cruel parte da história, retratada em O diário de Anne Frank, ganhava mais um importante capítulo: a memória da família seria preservada ao mostrarem para o mundo o lugar onde tudo aconteceu.

Quem já leu ou assistiu A culpa é das estrelas certamente se lembra da visita que Hazel e Augustus fazem à Casa de Anne Frank, e eu, como boa fã de livros e de história, quando incluí Amsterdã no meu roteiro de viagem, coloquei uma visita ao museu no topo da minha lista de prioridades. Sabendo que os ingressos estavam entre os mais concorridos do mundo, salvei na agenda a data exata do início das vendas. Dois meses depois, estava de pé na Westermarkt 20, pronta para o que seria uma das experiências mais intensas da minha vida.

O prédio tinha sido modernizado para receber os visitantes, com guarda-volumes, guias virtuais em diversos idiomas e apresentações em vídeo. Contudo, passar pela estante que esconde a entrada do anexo secreto é como voltar no tempo.

De repente, você está na década de 1940, naquele espaço pequeno, com muitas escadas e decoração antiga. Tudo lá dentro é precioso.

Os guias de áudio contextualizam cada cômodo, usando trechos do próprio diário para apresentar os espaços através dos olhos de Anne.

No anexo, já com poucos móveis, são as paredes que contam as partes mais importantes e tocantes da história.

Um mapa ajudava o grupo a acompanhar os avanços das tropas aliadas na esperança de que a guerra chegasse logo ao fim, recortes de revistas decoravam o quarto de Anne e, por último, o detalhe que me tocou mais profundamente: marcações, feitas a lápis, acompanhavam o crescimento das irmãs Frank no período dentro do anexo. Não consigo imaginar uma forma mais óbvia de deixar claro que existia vida ali dentro.

Como Era O Mundo No Tempo Em Que Anne Frank Esteve Fechada No Anexo?

(Foto: Site oficial)

Além disso, há fotos, vídeos, depoimentos e objetos (originais ou réplicas) por todo o museu. Cada cômodo guarda uma memória própria e, no decorrer da visita, é impossível não se perguntar como seria passar dois anos ali.

O medo constante de serem descobertos, os dias inteiros evitando fazer qualquer som, a saudade de um mundo que foi roubado deles. É triste duro pensar que a trajetória da família e dos outros quatro moradores do anexo secreto não teve um final feliz.

Que belo seria se tivesse… Mas, no fim das contas, podemos tirar muita inspiração das palavras de Anne, que manteve a esperança viva até o último momento e que, através do diário, nos deixou lições extremamente valiosas e atemporais.

Falando em diário, a sala onde estão expostas as páginas e os cadernos originais encerra a visita e cumpre muito bem a função de embargar gargantas e arrancar lágrimas.

A pessoa que entra na Casa de Anne Frank não é a mesma que sai. E a maior das reflexões começa quando você se pergunta o porquê de aquelas pessoas estarem escondidas ali.

O que teria acontecido se alguém como Hitler nunca tivesse chegado ao poder? Quantos destinos seriam diferentes se essa parte da história não fosse real? Para os alemães que elegeram democraticamente seu líder em 1933, não era possível prever o futuro, mas nós das gerações posteriores podemos contar com essa grande lição da história.

É nossa responsabilidade impedir que horrores como o holocausto voltem a acontecer, e não podemos esquecer nem por um momento a importância dessa missão. Nosso dever é buscar rumos melhores para o mundo, por Anne e por todos os outros.

  • Como visitar?
  • O preço da entrada para adultos é de €10,50, e existem preços especiais para jovens até 17 anos.
  • As vendas são abertas com dois meses de antecedência e os ingressos se esgotam em poucos dias.
  • O museu encontra-se fechado temporariamente por conta da quarentena.

Também é possível visitar a Casa de Anne Frank em um tour virtual disponível em inglês, espanhol, holandês e alemão no próprio site do museu. Acesse aqui.

Letícia trabalha no marketing da Intrínseca, ama livros históricos e sonha em viajar pelo mundo conhecendo os cenários das histórias que lê.

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Como era o esconderijo onde viveu Anne Frank?

Chamado de “anexo secreto”, o refúgio da alemã Anne Frank ficava nos fundos do prédio da empresa do pai da garota, em Amsterdã, na Holanda.

Foi lá que sua família e outras quatro pessoas, todos judeus, viveram clandestinamente, numa tentativa de se esconder dos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. E foi de lá também que Anne registrou, em seu diário, o angustiante dia-a-dia das pessoas que viviam no local.

As narrativas do diário terminam três dias antes de o lugar ser descoberto. Em 4 de agosto de 1944, os moradores do esconderijo foram levados para o campo de concentração de Auschwitz, na Polônia.

Anne – então com 15 anos – e sua irmã Margot morreram de tifo no campo de Bergen-Belsen, na Alemanha, em 1945. Apenas o pai, Otto Frank, sobreviveu – foi ele o responsável pela publicação do diário da filha, que vendeu mais de 30 milhões de exemplares no mundo até hoje, fazendo de Anne um ícone do genocídio sofrido pelos judeus.

O ANEXO SECRETO

Como Era O Mundo No Tempo Em Que Anne Frank Esteve Fechada No Anexo?

“O esconderijo ficava no prédio do escritório do papai”, registra Anne em 9 de julho de 1942, o dia em que a família Frank se mudou para lá. O edifício tinha dois andares, com escritórios, moinho e depósito de grãos. Na parte de trás estava o “anexo secreto”

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Como Era O Mundo No Tempo Em Que Anne Frank Esteve Fechada No Anexo?

1) Armário discreto
“Ninguém jamais suspeitaria da existência de tantos cômodos por trás daquela porta cinza e lisa”, escreve Anne em 9 de julho de 1942. Logo após a família Frank se mudar para o anexo, uma estante de livros foi erguida na frente da porta, tornando o esconderijo um local quase invisível

2) Distúrbios no sono
“A hora de dormir começa sempre com enorme agitação. Cadeiras são arrastadas, camas puxadas, cobertores desdobrados…”, Anne escreve em 4 de agosto de 1943. À noite, a sala comum virava o quarto da outra família que morava lá, os Van Pels, e de Fritz Pfeffer, amigo dos Frank

3) Fast food
Meia hora era o tempo máximo para o almoço – era quando os funcionários do armazém estavam fora e rolava de fazer um pouquinho de barulho. O cardápio, em geral, era baseado em batatas, enlatados e sopas, que os amigos da família compravam no mercado negro e deixavam, na surdina, no refúgio

4) Banho semanal
Só dava para tomar banho aos domingos, de manhã. Como não havia chuveiro por lá, o banho era de canequinha, dentro de uma tina com água aquecida. Cada um usava um local diferente. Anne, por exemplo, o tomava no “espaço toalete do escritório”

5) Querido diário
Anne fazia seu dever de casa logo após o almoço. Seus estudos se dividiam entre línguas, história, taquigrafia ou qualquer outro curso que se pudesse comprar por correspondência. Isso acontecia no quarto ou na sala comum. Também era nesse horário que Anne escrevia em seu diário.

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Sete perguntas sobre Anne Frank, a autora do diário mais famoso do mundo, que completaria 90 anos – BBC News Brasil

  • André Bernardo
  • Do Rio de Janeiro para a BBC News Brasil

Como Era O Mundo No Tempo Em Que Anne Frank Esteve Fechada No Anexo?

Crédito, Anne Frank Museum

Legenda da foto,

Diário teve quatro versões, sendo a segunda uma revisão feita pela própria Anne com esperança de ter seu relato publicado

“Eu me sinto como um pássaro de asas cortadas, que fica se atirando contra as barras da gaiola. 'Me deixem sair!', grita uma voz dentro de mim”.

O relato de Anne Frank faz parte do diário que ela escreveu entre 12 de junho de 1942 e 1º de agosto de 1944 – a maior parte no período em que permaneceu confinada nos fundos de um prédio de três andares, em um esconderijo apelidado de anexo secreto, no nº 263 da rua Prinsengracht, em Amsterdã, na Holanda.

Se não tivesse morrido, de tifo e inanição, no campo de concentração nazista de Bergen-Belsen, na Alemanha, estaria completando 90 anos.

O diário com capa de pano xadrez que ela ganhou de presente em seu 13º aniversário virou livro póstumo na Holanda, em 1947, com o título de Het Achterhuis (O Anexo Secreto, em tradução livre).

Nos EUA, onde foi lançado em 1952, rebatizado de The Diary of a Young Girl (O Diário de Uma Jovem Garota, em tradução livre), chegou a ser rejeitado por 15 editoras.

'”Tolo”, “enfadonho” e “inoportuno” foram alguns dos adjetivos usados pelo editor Alfred A. Knopf para justificar sua recusa. “Não passa de um registro monótono de brigas típicas de família, amolações triviais e emoções adolescentes”, avaliou o dono da editora que levava seu sobrenome.

Ao longo de décadas, a jovem que emocionou o mundo ao relatar a perseguição nazista aos judeus despertou tanto a ira de detratores, como o ensaísta francês Robert Faurisson, de The Diary of Anne Frank – Is It Authentic? (O Diário de Anne Frank – Ele é autêntico?, em tradução livre), quanto a simpatia de admiradores, como o líder sul-africano Nelson Mandela e o escritor americano Philip Roth.

Enquanto o primeiro declarou que, enquanto esteve preso, o diário o encorajou a lutar contra o apartheid, o segundo afirmou, em Diário de Uma Ilusão (1979), que Anne foi “uma escritora maravilhosa”. “Um assombro para uma menina de 13 anos”, sublinhou.

Em 1960, a casa onde Anne Frank permaneceu escondida dos 12 aos 15 anos foi transformada em museu. Desde então, recebe uma média de 1,2 milhão de visitantes por ano.

Polêmicas associadas a Anne e seu diário, aliás, não faltam. Em 1983, uma escola do Alabama (EUA) tentou banir o diário sob a alegação de que era “depressivo”. Em 2018, um colégio de Vitória (ES) suspendeu sua leitura por ter sido considerada “pornográfica”.

“A cada ano, na proporção que diminui o número de testemunhas oculares do Holocausto, a importância de O Diário de Anne Frank tende a crescer”, afirmou Jan Erik Dubbelman, responsável pelo departamento internacional da Casa Anne Frank, em Amsterdã.

“Ele tem muito a nos ensinar sobre o quão frágil a vida pode ser e o quão urgente e necessário é proteger a dignidade humana.”

Quatro. A primeira delas, chamada de a versão “A”, é o manuscrito original, sem cortes. A segunda, ou “B”, é a versão revisada pela própria Anne.

Quando ouviu no rádio, em 29 de março de 1944, que Gerrit Bolkestein, um membro do governo holandês no exílio, pretendia transformaria cartas, diários e afins em documentos históricos assim que a Segunda Guerra acabasse, a jovem decidiu reescrever seu diário, usando nomes falsos – a família Frank se tornaria os Robin – e adotando o gênero epistolar.

“Imagine como seria interessante se eu publicasse um romance sobre o Anexo Secreto. Só o título faria as pessoas acharem que é uma história de detetives”, escreveu, radiante, naquele mesmo dia.

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A terceira, ou “C”, é a versão editada por seu pai, Otto Frank, em 1947. Nela, omitiu detalhes considerados desnecessários, como as reflexões de Anne sobre sexualidade – a certa altura, ela descreve a genitália feminina como um “buraquinho tão pequeno que mal consigo imaginar como um bebê pode sair dali” – ou suas explosões de raiva contra a mãe, Edith.

A quarta e última, a “D”, é a versão revista, ampliada e organizada pela escritora e tradutora alemã Mirjam Pressler. Lançada em 1995, a “edição definitiva”, de mais de 700 páginas, resgata os trechos suprimidos pelo pai em 1947.

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'A cada ano, na proporção que diminui o número de testemunhas oculares do Holocausto, a importância de O Diário de Anne Frank tende a crescer', diz Jan Erik Dubbelman

Em geral, à tarde, quando boa parte dos moradores do “anexo secreto” tirava um cochilo. O esconderijo, um labirinto de cômodos com pouco mais de 120 metros quadrados, era dividido entre a família Frank (Otto, Edith, Margot e Anne) e a família van Pels (o sócio de Otto, Hermann, sua esposa, Auguste, e seu filho, Peter), além de um dentista amigo das duas famílias, Fritz Pfeffer.

Escritora compulsiva, Anne usou um diário, dois cadernos e 324 folhas avulsas de papel colorido para escrever e reescrever suas memórias. O dia dela, na maioria das vezes, começava cedo: por volta das 7h, ela pulava da cama para se lavar e tomar café.

Depois das 8h30, quando os funcionários chegavam ao armazém para trabalhar, não podia mais fazer barulho. De meias ou descalça, evitava os degraus mais barulhentos das escadas, não utilizava água corrente, nem dava descarga na privada. Tossir, espirrar ou dar risadas era proibido. Conversar, só em sussurros.

Anne passava as manhãs lendo e estudando. Por volta das 12h30, quando os funcionários saíam para almoçar, ela fazia sua refeição – a comida era racionada e carne, leite e ovos eram itens cada vez mais escassos – e, em seguida, ligava o rádio na BBC para ouvir notícias.

Como nenhum dos oito moradores, por medida de segurança, tinha autorização para deixar o anexo, quem levava roupas e alimentos para eles eram quatro empregados de confiança de Otto: Miep Gies, Johannes Kleiman, Victor Kugler e Bep Voskuijl.

Banho, só aos sábados ou domingos. E, mesmo assim, de caneca, em uma tina com água aquecida. Por medida de segurança, as cortinas estavam sempre fechadas.

Nem colega de turma, como sugerem alguns, nem amiga imaginária, como especulam outros. Kitty Francken era uma das protagonistas de Joop ter Heul, uma série de cinco livros infanto-juvenis escrita pelo romancista holandês Setske de Haan sob o pseudônimo de Cissy van Marxveldt.

Publicados entre 1918 e 1925, os quatro primeiros volumes narram o dia a dia de um grupo de amigas, da fase escolar à maternidade.

Durante muito tempo, Anne endereçou suas cartas no diário às personagens da série: Conny, Marianne, Phien, Emmy, Jettje e Poppie. Até que, ao ouvir pela BBC o pronunciamento do ministro da Educação holandês, Gerrit Bolkestein, que prometera publicar os relatos dos sobreviventes da guerra, Anne resolveu dar ao diário o nome de Kitty.

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O 'anexo secreto' onde Anne e sua família se escondeu durante a Segunda Guerra ficava atrás de uma prateleira de livros

Até dezembro de 2016, a hipótese mais aceita era a de que Anne Frank e os demais moradores do “anexo secreto” teriam sido vítimas de uma denúncia anônima. No entanto, um estudo da Casa de Anne Frank, coordenado pelo pesquisador Gertjan Broek, indica que o esconderijo pode ter sido encontrado por acaso.

Os nazistas que descobriram o paradeiro dos clandestinos no dia 4 de agosto de 1944 estariam, na verdade, investigando uma possível fraude na distribuição de cupons de alimentos – meses antes, dois funcionários da empresa que funcionava no mesmo prédio, Martin Brouwer e Pieter Baatzelaar, foram presos acusados de vender cupons de forma ilegal – ou uma empresa que dava permissão de trabalho a judeus.

“A hipótese de traição não está descartada”, afirmou, à época, Ronald Leopold, diretor-geral da instituição, “mas outras hipóteses devem ser consideradas”.

Durante muito tempo, houve quem afirmasse – revisionistas que contestam o Holocausto, principalmente – que o relato de Anne Frank teria sido forjado.

Algumas teorias apontam Otto Frank, o pai de Anne, como o verdadeiro autor. Outras, Miep Gies, a secretária do armazém que guardou os pertences que não foram levados pelos nazistas e, em junho de 1945, os entregou ao único sobrevivente da família.

Outras, ainda, o dramaturgo americano Meyer Levin, o primeiro a tentar adaptar o diário para o teatro.

Um dos muitos defensores da tese, Heinrich Buddeberg, um líder político de direita alemão, chegou a ser processado por calúnia e difamação.

Contratados pelo Instituto para Documentação de Guerra, especialistas forenses em caligrafia puderam comprovar a autenticidade do diário.

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Mais de 35 milhões de exemplares do Diário de Anne Frank já foram vendidos no mundo

Segundo a Fundação Anne Frank, que detém os direitos da obra, não. A instituição, fundada por Otto Frank em 1963 e sediada na Suíça, alega que O Diário de Anne Frank tem coautoria dele – que o editou em 1947 – e, por essa razão, só cairá em domínio público em 2051.

De acordo com a legislação holandesa, uma obra literária pode ser publicada por qualquer editora sem precisar pedir autorização ou pagar direitos autorais aos herdeiros no dia 1º de janeiro que se segue ao aniversário de 70 anos da morte do autor ou do último autor vivo.

Otto Frank morreu em 19 de agosto de 1980, aos 91 anos. Traduzido para mais de 70 idiomas, O Diário de Anne Frank já vendeu mais de 35 milhões de exemplares – 400 mil deles só no Brasil. Desde que foi publicado pela primeira vez, em 1947 na Holanda e em 1952 nos EUA, deu origem a diversas adaptações: de peças a filmes, de documentários a quadrinhos, de animações à realidade virtual.

Nanette Blitz Konig, de 90 anos, foi uma das últimas pessoas a verem Anne Frank com vida. As duas estudaram juntas no Liceu Judaico, em Amsterdã.

Já na escola, Anne deixava transparecer sua paixão pela escrita. Quando indagada por uma de suas colegas o que tanto escrevia em seu diário, respondia: “Não é da sua conta!”. Seu sonho, quando crescesse, era ser jornalista ou escritora.

Por infelicidade, Anne e Nanette voltaram a se encontrar, através de uma cerca de arame farpado, no campo de concentração de Bergen-Belsen.

“Estava careca e muito debilitada. Praticamente uma morta-viva”, descreve Nanette, que conheceu o marido, o húngaro John Konig, na Inglaterra, e, desde 1953 vive no Brasil, na companhia dele.

Anne e Margot, sua irmã, morreram em fevereiro de 1945, aos 15 e 18 anos, respectivamente. Seus corpos foram enterrados em valas comuns. O campo de concentração de Bergen-Belsen foi libertado por tropas inglesas em 12 de abril de 1945.

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22 maio 2019

Biografia de Anne Frank

V�tima do holocausto nazista

Anne Frank (1929-1945) foi uma jovem judia v�tima do nazismo. Morreu no campo de concentra��o de Bergen-Belsen, na Alemanha, deixando escrito um di�rio, que foi publicado por seu pai, sobrevivente do campo de concentra��o de Auschwitz (Pol�nia), intitulado “O Di�rio de Anne Frank”.

Inf�ncia e adolesc�ncia

Anne Marie Frank nasceu em Frankfurt, Alemanha, no dia 12 de junho de 1929. Filha dos judeus, Otto Frank e de Edith Holl�nder Frank, em 1933, saiu da Alemanha com a fam�lia, para fugir das leis de Hitler contra os judeus.

A fam�lia�emigrou para a Holanda, onde seu pai se tornou diretor administrativo de uma empresa que fabricava produtos para fazer geleia. Anne e a irm� Margot estudaram na escola Montessori e depois foram para o Liceu Israelita.

  • Durante a Segunda Guerra Mundial, em maio de 1940, a Holanda foi invadida pelos nazistas, �poca que come�aram as restri��es contra os judeus com uma s�rie de decretos antissemitas: deviam usar uma estrela amarela de identifica��o e eram submetidos a diversas proibi��es, como andar nos bondes, de frequentar teatros, cinemas ou qualquer outra forma de divers�o etc.
  • No dia 12 de junho de 1942, quando completou 13 anos de idade, Anne ganhou um di�rio e nesse mesmo dia come�ou a escrever o seu cotidiano.
  • Como Era O Mundo No Tempo Em Que Anne Frank Esteve Fechada No Anexo?

Esconderijo

No dia 9 de julho de 1942, para n�o ser presa, a fam�lia de Anne Frank se mudou�para um esconderijo, localizado na Prinsengrecht, 263, com mais quatro judeus, nos fundos da f�brica onde Otto Frank trabalhava. A fam�lia permaneceu ali at� 04 de agosto de 1944.

Anne Frank relatou em seu di�rio os conflitos de uma adolescente e a tens�o de se viver escondida sobrevivendo com a comida armazenada, a ajuda recebida de amigos, o sofrimento da guerra, os bombardeios que aterrorizavam a fam�lia, e a possibilidade de o �anexo secreto� ser descoberto e serem mortos a tiros.

Pris�o e morte

Na manh� de 04 de agosto de 1944, o esconderijo onde estava a fam�lia de Anne Frank foi invadido pela Guestapo e as oito pessoas foram levadas para uma pris�o em Amsterd�, depois foram transferidos para Westerbork, um campo de triagem.

Em 03 de setembro foram deportados e chegaram a Auschwitz (Pol�nia). Edith Frank morreu em Auschwitz-Birkenau em 6 de janeiro de 1945, de fome e exaust�o.

Anne e sua irm� foram levadas para Bergen-Belsen, campo de concentra��o perto de Hannover (Alemanha). A epidemia de tifo que assolou o local no inverno e resultou em terr�veis condi��es de higiene, matou milhares de prisioneiros, inclusive Margot, e alguns dias depois, Anne.

Anne Frank faleceu em Bergen-Belsen, Alemanha, provavelmente em 12 de mar�o de 1945, com apenas 15 anos de idade.

Di�rio de Anne Frank

O pai de Anne, Otto Frank, foi o �nico dos oito amigos a sobreviver aos campos de concentra��o. Foi libertado pelas tropas russas. Chegou a Amsterd� em 3 de junho de 1945, onde�ficou at� 1953.

  1. O di�rio de Anne Frank foi encontrado por Miep Gies e Bep Voskuijl, as duas secret�rias que trabalhavam no pr�dio que serviu de esconderijo, e entregue a Otto�Frank.
  2. O Di�rio de Anne Frank, escrito entre 12 de junho de 1942 e 1 de agosto de 1944, onde ela se dirige a sua querida Kitty, uma amiga imagin�ria, para contar o cotidiano de sua vida e�o per�odo de reclus�o no esconderijo,�constituiu um comovente testemunho desse tempo de terror e persegui��o.
  3. Depois de muito esfor�o, os escritos de Anne Frank foram publicados por seu pai, em 1947, com o t�tulo �O Di�rio de Anne Frank�.

O livro foi traduzido em mais de 30 idiomas. O filme biogr�fico �O Di�rio de Anne Frank, foi lan�ado em 1959 e recebeu 3 premia��es do Oscar. O local do esconderijo de Anne Frank, em Amsterd�, � hoje um museu �Casa de Anne Frank�, inaugurado em 3 de maio de 1960.

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