Como É Que Se Pode Engravidar?

Um estudo divulgado pela American Society for Reproductive Medicine mostra que a probabilidade de engravidar aumenta nos dias anteriores à ovulação, considerado o 14º dia do ciclo.

O mesmo estudo também mostra que mulheres que têm relações sexuais diárias ou a cada dois dias nos dias que antecedem a menstruação têm maior probabilidade maior de engravidar, em comparação com aquelas que tem apenas uma relação na época fértil.

A observação do muco cervical no período da ovulação pode, também, aumentar as chances de gravidez. O muco claro, elástico e cristalino na época da ovulação é um bom sinal de fertilidade.

Estima-se que dois em cada dez casais enfrentam dificuldade para engravidar.

Em média, 30% das ocorrências estão relacionadas a fatores dependentes da mulher, 30% do homem, 30% de ambos os sexos e 10% por motivos indeterminados.

Vários fatores podem determinar tal diagnóstico – que somente será confirmado depois de um ano de tentativas. Até lá, manter a boa saúde e ter tranquilidade são medidas que valem ouro.

Como É Que Se Pode Engravidar?

Tanto para a mulher quanto para o homem, a idade é fator preponderante. No primeiro caso, as chances de reprodução diminuem a partir dos 35 anos.

“Aos 40, a mulher tem 8% da capacidade reprodutiva; aos 43, 1%”, diz o ginecologista e obstetra Emerson Cordts, especialista em reprodução humana do Hospital São Luiz, em São Paulo.

Já no caso do homem, a alteração na qualidade do sêmen começa aos 40 anos.

Distúrbios de ovulação (como a síndrome dos ovários policísticos), obstruções na trompa (ocorre na endometriose), doenças sexualmente transmissíveis (como gonorreia), genética (falência ovariana, por exemplo), doenças imunológicas (como inflamação da tireoide) e outras causas menos comuns (como inflamação no colo do útero) são algumas das razões que levam ou podem levar à infertilidade feminina. “A endometriose, como doença isolada, atinge 50% das pacientes inférteis”, afirma Dr. Cordts.

O que também se tem observado nos últimos dez anos é uma relação entre obesidade e infertilidade, aponta o médico do São Luiz.

Nas mulheres, a obesidade interfere na ovulação e ainda pode levar ao desenvolvimento de hipotiroidismo, diabetes e síndrome dos ovários policísticos, entre outros distúrbios.

“Todas as causas endócrinas que levam à infertilidade acontecem com mais frequência na paciente obesa”, comenta Cordts. Para os homens, os quilos a mais alteram negativamente a produção de espermatozoide.

O anticoncepcional não é causa de infertilidade. Cordts conta que, atualmente, algumas mulheres deixam para engravidar depois dos 35 anos. Enquanto isso, elas usam contraceptivo. Quando decidem ter o bebê, os óvulos já não tem a mesma “eficiência”. Então, culpam a pílula. O problema está relacionado à idade e não à pílula.

Outra confusão que os leigos às vezes fazem é entre esterilidade e infertilidade. Na verdade, o primeiro termo é considerado antigo pela classe médica. Ele define a pessoa que não vai conseguir ter filhos, seja em razão da idade ou de outros fatores. Na infertilidade, considera-se o casal que está tendo dificuldade para engravidar, mas pode atingir o objetivo com o devido tratamento.

Fontes:

Dr. Sérgio dos Passos Ramos CRM17.178 – SP

Mehoudar, Anna. O pré-natal. In:Da Gravidez aos cuidados com o bebê.P27-30. 2012. 1ª Edição. Summus Editorial. São Paulo-SP

MENGE, A. C. et al. The incidence and influence of antisperm antibodies in infertile human couples on sperm-cervical mucus interactions and subsequent fertility. Fertility and sterility, v. 38, n. 4, p. 439-446, 1982.

HOWE, Geoffrey et al. Effects of age, cigarette smoking, and other factors on fertility: findings in a large prospective study. British medical journal (Clinical research ed.), v. 290, n. 6483, p. 1697, 1985.

HENRY, Louis. Some data on natural fertility. Biodemography and Social Biology, v. 8, n. 2, p. 81-91, 1961.

HUGHES, Edward G.; FEDORKOW, Donna M.; COLLINS, John A. A quantitative overview of controlled trials in endometriosis-associated infertility.Fertility and sterility, v. 59, n. 5, p. 963-970, 1993.

PASQUALI, Renato; PATTON, Laura; GAMBINERI, Alessandra. Obesity and infertility. Current Opinion in Endocrinology, Diabetes and Obesity, v. 14, n. 6, p. 482-487, 2007.

HAMMOUD, Ahmad O. et al. Male obesity and alteration in sperm parameters. Fertility and sterility, v. 90, n. 6, p. 2222-2225, 2008.

Entenda quais são as reais chances de engravidar em cada idade

Estudar, fazer uma carreira de sucesso, encontrar a pessoa certa, ter filhos. Esse é o sonho de muitas mulheres. Só que nem sempre os planos que fazemos se realizam no período que imaginamos, não é?

Com isso começam a surgir as preocupações em relação a idade e as chances para engravidar. Infelizmente o tempo não é gentil quando o assunto é fertilidade feminina. Decidir ficar grávida somente para aproveitar que você está na melhor idade para manter uma gestação também não parece uma boa alternativa.

Afinal, ser mãe não inclui apenas a capacidade do corpo de gestar um bebê, mas estar preparada emocionalmente para assumir esse novo papel, ter estabilidade financeira, entre várias outras coisas.

Com os tratamentos de fertilização e reprodução assistida esse assunto ficou menos complicado e pode ser solução para muitas mulheres. Entretanto, você sabe quais são as chances reais de engravidar em cada idade? Confira o nosso post e aprenda um pouco mais sobre esse assunto.

Gravidez aos 18 anos

Do ponto de vista biológico, uma gravidez aos 18 anos é ideal, se a mulher não tem nenhum problema de saúde, ela encontra-se em uma das suas épocas mais altas de fertilidade (http://www.procriar.com.br/blog/2017/07/06/fertilidade-o-que-voce-precisa-saber/)  da vida.

A quantidade e a qualidade dos óvulos é ótima, o risco de que haja algum problema durante a gestação e de má formação do feto são pequenos.

A fertilidade feminina está ligada diretamente a idade pois quando uma menina nasce ela já tem uma espécie de estoque de óvulos, cerca de 2 milhões. Eles não são mais produzidos durante a vida, ou seja a medida que a mulher envelhece menos óvulos ela terá.

Para se ter uma ideia, quando a mulher chega na puberdade ela tem aproximadamente 400 mil óvulos. Já houve uma perda considerável desde o nascimento.

Quando falamos do ponto de vista emocional, uma gravidez aos 18 anos não soa como o ideal hoje em dia. Normalmente, quando elas ocorrem são gestações não planejadas e a mulher precisa se adaptar a situação sem ter se preparado para isso antes.

Com 18 anos, a maioria das pessoas estão começando a faculdade, se dedicando aos estudos, buscando conhecer o mundo e descobrir que rumos tomar no futuro. Se você fizer uma entrevista com adolescentes do ensino médio, quantas delas você imagina que dirão que desejam engravidar aos 18? Provavelmente, serão poucas.

Gravidez aos 25 anos

Aos 25 anos, as chances de uma mulher conseguir engravidar permanecem grandes. Ela continua em seu período de vida mais alto de fertilidade, que vai até os 30 anos, e com o organismo em condições ideais para manter a gestação.

As chances de engravidar são de 18% por mês, que representa 85% de chances de engravidar durante o período de um ano.

Nesta faixa da vida, entre os 25 e 30 anos, provavelmente a mulher se encontra em uma situação de maior maturidade emocional. Ela teve tempo para analisar se quer mesmo uma gravidez e planeja-la. Porém, é importante lembrarmos que todos os casos variam dependendo de cada pessoa.

Uma mulher pode se sentir preparada para ser mãe aos 18 anos, enquanto outra pode não sentir o mesmo aos 25. O que estamos abordando aqui são alguns aspectos que devem ser levados em consideração, dentre eles o biológico e o emocional.

Gravidez aos 30 anos

Como mencionamos acima, os médicos consideram que o período de fertilidade alta da mulher  continua até os 30 anos. Entretanto, as chances de engravidar começam a diminuir de maneira acentuada após essa idade, principalmente depois dos 35 anos.

Dos 31 aos 35 anos a probabilidade de engravidar é de 15%  em cada mês de tentativa, ou seja 80% de chances de gravidez em um período de 12 meses. Com 35 anos, essa taxa cai significativamente para 9% ao mês e 50% durante o ano.

Um estudo do Ministério da Saúde, divulgado em 2014, demonstrou como as mulheres tem optado por engravidar mais tarde. Até o início do século 20, somente 22,5% das mulheres se tornavam mãe aos 30 anos, na atualidade esse percentual subiu para 30,2.

Esse indicativo está fortemente ligado ao aumento do número de mulheres nas faculdades e no mercado de trabalho, que com isso acabam deixando a gravidez para quando tiverem mais estabilidade.

Como É Que Se Pode Engravidar?

Gravidez aos 40 anos

A gravidez após aos 40 anos é considerada de risco e as chances de conseguir engravidar são pequenas. Nesta idade a probabilidade é a mesma que com 35 anos, 9% durante um mês de tentativas e 50% dentro de um ano.

Entre os 41 e 42 anos as chances caem para 4% durante o mês  e 20% durante o ano. O cenário muda ainda mais dentre os 43 e 45 anos, quando as probabilidade de engravidar dentro de um mês é de apenas 0,2% e de 1% em um ano inteiro de tentativas.

Quando uma mulher tenta engravidar a partir dos 40 anos é porque ela realmente tem esse sonho e deseja ser mãe. As porcentagens não parecem favoráveis, mas os métodos de reprodução assistidas podem ajudar muito nisso.

Uma alternativa é quando a mulher sabe que quer ser mãe no futuro, fazer a coleta dos óvulos antes dos 35 anos e congelá-los. Existe uma técnica chamada criopreservação (http://www.procriar.com.br/blog/2016/11/04/5-fatores-que-levam-as-mulheres-fazer-criopreservacao-de-embrioes/)  que permite essa possibilidade. E no futuro, caso seja necessário, a fertilização com óvulos mais novos aumenta muito a taxa de sucesso da mesma.

Idade e fertilidade masculina

Já conseguimos entender como as chances de engravidar e a idade da mulher estão ligadas, mas e com o homem será que acontece algo similar? De acordo com estudo realizado pela Escola de Medicina de Harvard, apresentado no ano passado, sim.

O processo não acontece com a mesma intensidade como na mulher, mas o estudo liderado pela especialista em Biologia Reprodutiva, Laura Dodge, apontou que a idade do homem tem uma influência importante para o sucesso da fertilização in vitro.

De acordo com os resultados, quando a fertilização era feita em uma mulher com menos de 30 anos e um homem entre 30 e 35 anos, a taxa de sucesso foi de 73%. Quando o sêmen utilizado era de homens entre 40 e 42 anos, a taxa caiu para 42%.

Para entender melhor sobre a fertilidade de cada pessoa é necessário fazer uma avaliação individual. Acesse o nosso site e agende sua consulta (http://www.procriar.com.br/agendar-consulta)  em uma de nossas clínicas para descobrir as suas chances de engravidar e qual o melhor tratamento para você e seu parceiro.

Quer saber mais?

Se você gostou deste artigo e quer saber mais sobre outros fatores que influeciam a infertlidade feminina, leia o nosso texto sobre as causas da infertilidade femina.

Leia também:  Como Conquistar Um Rapaz Que Tem Namorada?

Equipe Médica Revisora do Texto

Dr. Ricardo Marinho, Dra. Hérica Mendonça, Dra. Leci Amorim, Dr. Fábio Peixoto, Dra. Luciana Calazans e Dr. Leonardo.

Como funciona o cálculo do período fértil?

Alguns casais parecem engravidar simplesmente falando sobre isso. Para outros, leva tempo. Se você está procurando dicas sobre como engravidar, o nosso blog reúne tudo o que você precisa saber. Comece entendendo como é feito o cálculo do período fértil.

Entender quando você está ovulando – e fazendo sexo regularmente no período fértil (3 dias antes e 3 dias após ovulação) pode melhorar as chances de o casal engravidar. A ovulação é o processo no qual um óvulo maduro é liberado do ovário e apto para se encontrar com espermatozoide na tuba uterina.

Esses dias são importantes porque o óvulo pode ser fertilizado por cerca de 12 a 24 horas depois de liberado. Além disso, os espermatozoides podem viver dentro do trato reprodutivo feminino até cinco dias após a relação sexual, sob as condições corretas. Sua chance de engravidar é maior quando há espermatozoides vivos nas trompas de Falópio durante a ovulação.

Quando pensamos no cálculo do período fértil é preciso saber se o seu ciclo menstrual é regular (ou seja, se a menstruação tem data certa para acontecer).

Por exemplo, em um ciclo médio de 28 dias, a ovulação geralmente ocorre cerca de 14 dias antes do início do próximo período menstrual.

Para as mulheres que têm ciclos menstruais de 28 a 32 dias, a ovulação pode ocorrer entre os dias 11 e 21, mas isso ocorrerá somente em UM desses dias. Lembre-se, isso é apenas uma média de dias em que a ovulação pode ocorrer – o ciclo de cada mulher é diferente. A ovulação dura apenas de 12 a 24 horas.

Além do cálculo do período fértil, você também pode procurar por sinais e sintomas de ovulação, incluindo:

Mudança nas secreções vaginais

Pouco antes da ovulação, você pode notar um aumento nas secreções vaginais claras, úmidas e viscosas, o que facilita a chegada dos espermatozoides ao óvulos maduro. Logo após a ovulação, o muco cervical diminui e torna-se mais espesso, nublado e menos perceptível.

Mudança na temperatura corporal basal

A temperatura do seu corpo em repouso aumenta ligeiramente durante a ovulação. Usando um termômetro projetado especificamente para medir a temperatura corporal basal, você pode verificar a sua temperatura todas as manhãs antes de sair da cama. Registre os resultados e procure um padrão. Você estará mais fértil durante os dois ou três dias antes que a temperatura suba.

Aumento da libido e do apetite também são causados pela progesterona e pode haver dor pélvica, como se fosse uma cólica.

Separamos algumas dicas simples para te ajudar com o cálculo da ovulação e consequentemente aumentar suas chances de engravidar:

Faça sexo regularmente

Faça sexo perto da época da ovulação. Ter relações sexuais todos os dias às vezes não é possível. Porém, o ideal é fazer sexo a cada dois ou três dias por semana, começando logo após o final do período menstrual. Isso pode ajudar a garantir que você tenha relação sexual quando estiver mais fértil.

Mantenha um peso normal. Mulheres com sobrepeso e baixo peso apresentam maior risco de distúrbios de ovulação

Sem ovulação não há período fértil e não se pode engravidar. Por isso é importante que a mulher tenha esse controle e consiga fazer um cálculo do período fértil mesmo que de maneira mais intuitiva, em casa, através da tabelinha.

Outras dicas mais gerais seriam:

Não fume. O tabaco tem múltiplos efeitos negativos sobre a fertilidade, sem mencionar sua saúde geral e a saúde de um feto. Se você fuma, pergunte ao seu médico para ajudá-lo a parar antes da concepção.

Não beba álcool. O uso pesado de álcool pode levar à diminuição da fertilidade e é prejudicial durante a gravidez.

Suspenda a cafeína. Pesquisas sugerem que a fertilidade não é afetada pelo consumo de cafeína de menos de 200 miligramas por dia. Isso é cerca de uma a duas xícaras de café por dia.

Não exagere nos exercícios extenuantes. Exercícios vigorosos e intensos de mais de cinco horas por semana foram associados à diminuição da ovulação.

Além disso, considere conversar com seu médico sobre o planejamento. Peça para ele te explicar exatamente sobre o cálculo do período fértil. Ele pode avaliar sua saúde geral e ajudá-la a identificar mudanças que possam melhorar suas chances de uma gravidez saudável.

Exames para diagnosticar infertilidade feminina – Clínica CEU Diagnósticos

A infertilidade atinge cerca de 15% da população, mas apenas 5% dos afetados continua sem filhos. Isso se dá pelos avanços da medicina, que hoje permite diagnosticar e tratar as diversas causas de infertilidade com mais eficácia do que nunca.  

Em uma investigação de fertilidade, tanto o homem quanto a mulher devem se submeter a exames e consultas com especialistas. Afinal, é a única maneira de determinar a situação do casal e selecionar os tratamentos mais indicados para possibilitar uma gestação saudável. 

O diagnóstico da infertilidade feminina vai depender de alguns exames e um bom acompanhamento médico, pois vários fatores influenciam nessa condição, como obesidade, baixo peso, idade avançada, histórico familiar, condições genéticas, entre outros. 

A seguir, saiba mais sobre o que pode provocar infertilidade nas mulheres e os principais meios de diagnóstico adotados atualmente. 

Como diagnosticar infertilidade feminina?

No caso da infertilidade feminina, existem algumas doenças que podem provocar dificuldades para ovular, fertilizar e manter a gravidez, e em alguns casos chegam ao ponto da mulher não ser capaz de gerar o próprio filho. São exemplos:

  • Síndrome do Ovário Policístico (SOP);
  • Tumores hormonais;
  • Alterações nas tubas uterinas;
  • Miomas e pólipos no útero;
  • Endometriose.

A SOP desregula o ciclo menstrual da mulher, provocando ausência de ovulação e o surgimento de microcistos nos ovários. Sem ovular ou ovulando irregularmente, a mulher não consegue liberar um óvulo viável para ser fecundado, ou seja, não consegue conceber. 

Tumores hormonais também podem desregular o ciclo e afetar a ovulação, como os tumores que produzem prolactina e hormônios andrógenos.

O hipotireoidismo, uma doença da tireoide, afeta a produção hormonal como um todo, e o ciclo menstrual da mulher é completamente dependente da ação de hormônios.

Quando esse processo não está equilibrado todas as funções podem ser comprometidas, inclusive a ovulação.

As tubas uterinas são o canal que liga o útero aos ovários. Depois da ovulação, o óvulo viaja pela tuba e ali permanece até encontrar os espermatozoides. É nas tubas que ocorre a fertilização do óvulo, e o embrião formado segue o caminho até o útero, onde se fixa e inicia seu desenvolvimento. 

É uma parte extremamente sensível do sistema reprodutor feminino, que é facilmente afetado pela endometriose e outras inflamações, aderências e obstruções. Essas alterações nas tubas impedem o transporte do óvulo e do embrião, impossibilitando a fertilização e a chegada do embrião ao útero. 

Quando a fertilização ocorre e o embrião chega ao útero, ele precisa encontrar boas condições para se desenvolver. A primeira delas é a parede do útero, onde está localizado o endométrio, a camada que reveste o órgão. É nela que ocorre a nidação, a fixação do embrião. 

Mulheres portadoras de endometriose produzem essa camada fora do útero, em outros órgãos, como os ovários e as tubas, impedindo a nidação. Malformações uterinas, miomas, pólipos e cistos no útero também podem interferir nesse processo. 

Para diagnosticar essas e outras doenças, existem dois exames principais: o ultrassom transvaginal e o exame de sangue de dosagem hormonal e o CA-125.

Ultrassom transvaginal

A ultrassonografia transvaginal é utilizada em diversos momentos no processo de diagnosticar infertilidade feminina. Por de ser um exame de imagem bastante completo, ele é usado rotineiramente para avaliar a saúde dos órgãos reprodutivos, como útero, ovários e trompas. 

Com o ultrassom, o ginecologista pode verificar se há alguma obstrução, tumor, cisto, mioma, pólipo ou outra alteração nessas estruturas, o que facilita o tratamento desses casos. Dependendo do tamanho e do tipo de massa encontrada, a paciente pode ser submetida a cirurgias ou a tratamento com medicamentos. 

Os médicos também avaliam o tamanho e o volume dos órgãos, especialmente os ovários e o útero, bem como a avaliação do muco cervical.

A endometriose também pode ser diagnosticada com a ajuda do ultrassom. Nesse caso, como o endométrio pode se desenvolver em órgãos como o intestino, é fundamental seguir à risca o preparo indicado para o exame, para que o diagnóstico seja correto:

  • No dia anterior ao exame, ingerir gotas ou um comprimido de laxante simples;
  • No dia do exame, cerca de duas horas antes da realização, usar uma bisnaga de laxante por via retal, para limpeza do intestino baixo.

O uso dos laxantes também impede o acúmulo de gases na região, que podem atrapalhar nas formação das imagens do ultrassom. 

O ultrassom transvaginal também é útil no rastreamento da ovulação. O exame avalia se a mulher está ovulando corretamente durante o ciclo menstrual, para atestar ou descartar a infertilidade por este motivo. Também ajuda a monitorar a indução da ovulação, para mulheres que estão em tratamento para engravidar. 

O exame é simples, indolor e pode causar apenas um desconforto leve, por necessitar da introdução do transdutor no canal vaginal da mulher. Tem duração média de 10 minutos, e é ideal que a mulher esteja com a bexiga cheia para facilitar a visualização dos órgãos.

Exame de sangue

Além dos exames típicos de rotina, como hemograma, glicemia e colesterol, existem dois exames de sangue que são fundamentais para diagnosticar infertilidade. O primeiro deles é a dosagem hormonal, que permite saber se o ciclo da mulher está funcionando como deve para permitir uma gravidez.

Para realizá-lo, a mulher precisa coordenar com o seu médico a data correta para a coleta do sangue. O material precisa ser colhido na fase lútea média, que costuma ocorrer por volta do sétimo dia do ciclo. Os resultados podem ser alterados se o exame for realizado no momento errado do ciclo; por isso, muita atenção! 

  • Marque o dia previsto para a sua menstruação e, com a ajuda do seu ginecologista, determine a data mais adequada para fazer o exame. 
  • Se um desequilíbrio hormonal for detectado no sangue, um primeiro passo pode ser a tentativa de regularizar novamente o organismo, com a ajuda de medicamentos hormonais e outros. 
  • Além da dosagem hormonal, o exame CA-125 identifica o marcador tumoral de mesmo nome, ou seja, indica se a mulher está com algum tipo de câncer de ovário, trompas, mama ou endométrio. Alta dosagem de CA-125 também pode significar:
  • Endometriose;
  • Miomas;
  • Pancreatite;
  • Doença inflamatória pélvica (DIP), que também pode prejudicar a fertilidade. 
  1. Conforme mostramos, diagnosticar infertilidade feminina é uma tarefa para médicos especialistas, que irão prescrever os exames e tratamentos mais indicados para cada caso.
  2. Se você está passando pela sua investigação de infertilidade, conte com a Clínica CEU para realizar exames de ultrassonografia e biópsias com confiança e conforto neste momento delicado.  
  3. Clique aqui e agende agora mesmo o seu exame de forma prática e online.
  4. Exames para diagnosticar infertilidade feminina
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Menopausa precoce e as chances da mulher engravidar

A menopausa precoce acomete uma pequena parte das mulheres que desejam engravidar. Por não ser comum, muitas vezes, acaba aparecendo de surpresa na vida das mulheres que ainda estariam em idade biológica e fértil para conseguir gerar um filho.

Porém, será que a menopausa precoce impossibilita que a mãe consiga realizar o seu sonho em ser mãe?

Desta forma, resolvemos preparar um texto para abordar como a menopausa precoce, que acomete grande parte das mulheres em idade biológica normal, afeta os planos de ter filhos e se há soluções para o caso. Continue acompanhando e entenda mais. 

Desejamos uma excelente leitura!

O que é menopausa precoce?

A menopausa precoce é um quadro clínico em que a mulher apresenta menopausa, isto é, período onde deixa de menstruar e ovular. Geralmente, ocorre antes dos 32 anos e por isso é chamada de precoce, já que o período natural seria em torno dos 40 anos de idade.

  • A menopausa precoce não acontece por conta de distúrbio hormonal, mas sim por conta de falência ovariana na mulher ainda em idade fértil. 
  • Essa falência ovariana prematura, também conhecida como FOP, se dá pela perda temporária ou até definitiva da função do organismo em produzir hormônios após a menarca (primeira menstruação). 
  • Ocorrendo antes dos 40 anos, se caracteriza por um número menor de folículos ovulatórios, resultando na alteração hormonal.

Entretanto, não há uma causa que determine como o problema surge. A menopausa precoce pode se originar de vários fatores, como da própria genética, por exemplo. 

Desta forma, é importante que a mulher saiba identificar no histórico da mãe e das avós quando elas entraram na menopausa, pois há uma tendência que o cenário se repita.

Alguns médicos também apontam que outros fatores externos ajudam a antecipar a menopausa, sendo eles: tratamentos contra câncer ou após a remoção dos ovários.

Tratamentos como quimioterapia e radioterapia visam impedir o crescimento celular de células malignas. O que acontece também é que nesses tratamentos não apenas as células malignas são atingidas, como as benignas. 

Dessa maneira, os efeitos colaterais desses procedimentos contra o câncer podem resultar na falência prematura dos ovários, ocasionando a menopausa precoce.

Doenças autoimunes, como lúpus também podem fazer com que o quadro de menopausa precoce se instale ao alterar e acelerar a mudança hormonal no organismo.

Sintomas da menopausa precoce

  1. Alguns sintomas, como: calor em excesso, suores noturnos, desconforto corporal, ondas de calor (que podem durar até meia hora), irregularidade menstrual, que diminui progressivamente ou desaparece em alguns meses, podem apontar a menopausa precoce.

  2. Ressecamento vaginal, aumento de peso, perda de memória, irritabilidade, perda de massa óssea, ansiedade, depressão e alterações no humor também não sintomas da menopausa precoce.

  3. Esses sintomas são também muito parecidos com o da menopausa natural e a idade precisa ser levada em conta, além do histórico familiar, para saber de onde pode ter iniciado.

     

  4. Por isso, ao notar sinais de boa parte deles, é importante consultar um médico especialista na área de ginecologia para ajudar a entender melhor seu caso.

Diagnóstico da menopausa precoce

Com a presença dos sintomas acima, fica mais fácil determinar se a menopausa prematura existe no organismo da mulher. O diagnóstico é muito importante, principalmente para as mulheres que desejam ter filhos. 

  • Por meio de exame físico feito pelo médico, exames de dosagem hormonal e o ultrassom ovariano, é possível identificar com precisão se os sintomas apresentados se tratam de menopausa precoce. 
  • Exames de sangue também devem ser realizados para investigar se há presença de doenças autoimunes, como lúpus, por exemplo.
  • Com o diagnóstico correto, o tratamento de Terapia de Reposição Hormonal, a TRH, pode ser uma das alternativas para que a mulher retome o seu ciclo fértil.
  • Esse tratamento se faz ainda mais importante, pois mulheres que apresentam menopausa precoce tendem a possuir um risco 4x maior para desenvolvimento de doenças cardíacas e 7x maior para desenvolvimento de osteoporose, por conta da fragilidade do organismo sem o ciclo fértil em dia.

Menopausa precoce e as chances de engravidar

  1. A mulher que apresenta o quadro de menopausa possui uma chance menor que 10% para conseguir engravidar naturalmente.
  2. A partir de procedimentos de implantação de óvulos, por meio de ovodoação e Fertilização In Vitro, as chances para que uma mulher com menopausa precoce engravide aumenta para até 50%.

     

  3. Se você ainda não conhece o procedimento de fertilização in vitro, te convidamos a ler nosso ebook gratuito “Fertilização in vitro: como o método garantiu o aumento das taxas de sucesso na Reprodução Assistida”.

  4. A menopausa precoce diminui e muito as chances de uma gravidez natural, entretanto, com o tratamento adequado e indicado por um especialista, as chances tendem a aumentar consideravelmente. 

Mais sobre menopausa

  • A menopausa é uma das preocupações para as mulheres que desejam engravidar depois da idade fértil ter passado. 
  • Por isso, para dar continuidade ao assunto, indicamos a leitura do material “Menopausa: como combater os sintomas” para que você entenda ainda mais sobre os efeitos da menopausa no organismo e em sua fertilidade.
  • Esperamos que goste!

Considerações finais

  1. A menopausa pode ser um dos grandes desafios que as mulheres enfrentam quando ainda desejam engravidar. 
  2. Porém, quando ela acontece antes do previsto, esse desafio pode ficar ainda maior para a realização do sonho da maternidade. 
  3. Por isso, buscar ajuda ao notar os primeiros sintomas pode ajudar a reverter essa situação com o tratamento adequado para cada tipo de caso. 
  4. Se você está em busca de profissionais e alternativas que te ajudem a engravidar com saúde, clique aqui e conheça as melhores técnicas de medicina reprodutiva do Brasil.
  5. O nosso compromisso maior é gerar possibilidades para a vida.

Engravidar depois dos 35

Engravidar é uma jornada emocionante, mas é perfeitamente natural ter dúvidas a respeito de quanto tempo demora para isso acontecer, principalmente depois dos 35.

A boa notícia é que você pode engravidar depois dos 35 e 40 e perseverar em ter um bebê saudável, embora talvez não seja tão rápido engravidar quanto seria aos 20.

Talvez você precise ter um pouco de paciência e entendimento sobre sua janela de fertilidade ao monitorar os ciclos com a ajuda de um teste de ovulação, mas ainda há boas possibilidades de ter um bebê aos 35 anos ou mais.

  • Você pode engravidar depois dos 35 ou até mesmo 40, embora isso possa demorar um pouco mais
  • Toda mulher nasce com um número definido de óvulos, e esse número diminui com a idade
  • Se você quer um bebê e tem mais de 35, talvez seja recomendável cogitar a ideia de tentar o quanto antes
  • Consulte seu(sua) médico(a) se você tem mais de 35 e está tentando engravidar há mais de 6 meses
  • Se você tem mais de 40 e quer um bebê, sugerimos que você consulte seu(sua) médico(a) assim que decidir começar a tentar
  • Saber sua janela de fertilidade usando um teste de ovulação pode ajudá-la a engravidar mais rápido1
  • Faça mudanças saudáveis no estilo de vida, como tomar ácido fólico, seguir uma dieta saudável e deixar de fumar
  • Caso não seja possível engravidar naturalmente, também existem alternativas, como doadoras de óvulo e tratamento para fertilização in vitro (FIV)

Posso engravidar depois dos 35 ou 40?

Sim, você pode, embora talvez você demore um pouco mais a engravidar do que uma mulher aos 20. Toda mulher nasce com um número definido de óvulos nos ovários, e a liberação de óvulo acontece em todo ciclo menstrual. Se você não engravida durante esse ciclo, o óvulo se perde e não é substituído.

Você pode ler mais sobre a quantidade de óvulos que você possui aqui. Se você tem mais idade e está tentando engravidar, monitorar a ovulação e aprender a respeito do seu organismo é importante e pode ajudá-la a engravidar mais rápido. Você pode saber mais sobre como identificar seus dias mais férteis aqui.

Professor Bill Ledger, especialista em fertilidade

É importante agir mais rápido. “Converse com seu médico, busque ajuda de um especialista em fertilidade mais cedo do que alguém na casa dos 20”, diz o Professor William Ledger. Você pode saber mais em nosso vídeo sobre o efeito da idade na fertilidade

Quais são as chances de engravidar depois dos 35 ou 40?

  • Quando se tem 30 anos ou menos, as chances de concepção durante um único ciclo menstrual são maiores, quase 20%. Isso cai para 5% aos 402
  • Essa queda percentual por ciclo pode parecer desoladora, mas ao analisar a taxa percentual de concepção durante um período de um ano ou dois, os números são mais animadores.
  • Na tabela abaixo, você pode ver a probabilidade de engravidar em diferentes faixas etárias durante um período de um ou dois anos, considerando duas relações sexuais vaginais por semana3
Faixa etária (anos) Grávida após 1 ano (12 ciclos) (%) Grávida após 2 anos (24 ciclos) (%)
19-26 92 98
27-29 87 95
30-34 86 94
35-39 82 90

Então, como você pode ver, ainda existe uma boa chance de engravidar depois dos 35; trata-se apenas de quanto maior é a idade, maior é o tempo que isso pode levar. Ainda assim, é uma boa ideia conversar com seu(sua) médico(a) se você tem mais de 35 e está tentando há mais de 6 meses. Se você tem mais de 40, é aconselhável conversar com seu(sua) médico(a) imediatamente.

Como posso engravidar naturalmente depois dos 35 ou 40?

Se você está tentando engravidar depois dos 35 anos ou mais, você pode aumentar suas chances de concepção ao saber quando acontece a ovulação, que é quando os ovários liberam óvulos. Uma das razões por que muitos casais demoram para engravidar é que 1 entre 2 casais pode estar tentando engravidar na hora errada do mês.

4 Só existem alguns dias em cada ciclo menstrual nos quais é possível engravidar, e os dias férteis podem variar entre ciclos. Saber quando são os dias férteis pode ajudá-la a engravidar mais rápido.

Os testes de ovulação detectam o aumento de um hormônio chamado de hormônio luteinizante (LH), que ocorre 24 a 36 horas antes da ovulação e identifica os 2 dias mais férteis.

Uma vez que o espermatozoide pode sobreviver por até 5 dias, a janela de fertilidade é, na verdade, de aproximadamente 6 dias; por isso, é recomendável investir em um teste que também detecta o aumento de estrogênio. Esse aumento de estrogênio acontece nos dias anteriores ao aumento de LH; por isso, identificar esses dias dá a você uma janela de fertilidade mais ampla e aumenta suas chances de engravidar.

Professor Bill Ledger, especialista em fertilidade

Cada pessoa é diferente, e as mulheres não podem confiar nas médias da população para entender sua própria fertilidade. Saber quando estão ovulando é uma das medidas mais fáceis que as mulheres podem tomar para entender sua fertilidade.

Os testes de ovulação são o caminho mais fácil para prever com precisão quando será a ovulação. Seu ciclo pessoal é controlado pelos níveis hormonais individuais.

Eu incentivo todas as mulheres que planejam engravidar a usar testes de ovulação; é emocionalmente reconfortante entender seus próprios corpos, e isso ajudará a melhorar suas chances de conseguir engravidar mais rápido.

Existem outros métodos para determinar o momento da ovulação, como medir a temperatura corporal basal ou o método de calendário.

No entanto, muitos métodos só indicam a ovulação depois que ela acontece; por isso, leva tempo para criar um padrão da fertilidade e, uma vez que muitas mulheres têm ciclos menstruais variáveis, essa não é a melhor maneira de identificar os dias férteis.

Quando você tem mais de 35, ou principalmente 40 ou mais, e quer engravidar mais rápido, usar um kit para previsão de ovulação pode ajudá-la a identificar os dias mais férteis e aumentar suas chances de engravidar rápido5

Existe algo mais que eu possa fazer?

Independentemente da sua idade, há algumas mudanças no estilo de vida que você pode fazer para ajudá-la a engravidar, como:

  • deixar de fumar
  • reduzir o consumo de álcool
  • tomar ácido fólico
  • seguir uma dieta saudável

Você também pode envolver seu parceiro. São necessários dois para fazer um bebê, e seu parceiro também pode seguir alguns passos para ajudar a aumentar suas chances de concepção.

Manter a forma e a saúde, reduzir o álcool e deixar de fumar podem ajudá-lo a produzir espermatozoides saudáveis. Ele também deve usar cuecas folgadas e evitar banhos quentes: manter os testículos arejados pode ajudar na qualidade dos espermatozoides.

E se você for usar algum lubrificante, certifique-se de comprar aquele do tipo “favorável a espermatozoides”.

Você pode ver mais recomendações em nosso artigo As 10 coisas mais importantes para ajudar a engravidar.

Embora a fertilidade decaia depois dos 35, ainda é possível engravidar e seguir com uma gravidez saudável. É importante consultar seu(sua) médico(a), realizar o cuidado pré-natal correto e saber o momento da ovulação para aumentar suas chances de engravidar naturalmente depois dos 35.

Obviamente, existem outras opções para engravidar, como usar uma doadora de óvulo ou congelar seus óvulos.

Você também pode usar a fertilização in vitro (FIV), quando um espermatozoide e um óvulo são combinados em laboratório e o embrião é congelado e então transferido para o útero quando você está pronta.

No entanto, tratamentos de fertilidade dependem de muitos fatores, como sua saúde e idade na ocasião do congelamento do embrião. Converse com um(a) especialista em fertilidade e com seu(a) médico(a) se você estiver considerando um método alternativo, como uma doadora de óvulo ou tratamento para FIV.

Não é tão fácil assim engravidar: até os 30 anos, chances não passam de 20%

Tenho certeza que você, que usa algum método contraceptivo, seja ele a pílula ou a camisinha (ou ambos), já ficou com medo de engravidar. Afinal, parece que é algo que ocorre com muita frequência, pelo menos é o que reparamos ao andar por aí —quantas barrigas você viu hoje? Mas se você é do time “não quero engravidar agora”, saiba que, não, não é tão fácil assim ficar grávida.

As chances de engravidar de uma mulher com menos de 30 anos, que tem ciclos menstruais regulares e relações sexuais todos os dias por um ano, fica entre 15 e 20% ao mês Isso quer dizer que, a cada 10 mulheres, apenas duas engravidariam.

E para as “sortudas”, essa gravidez ainda pode levar um tempo para acontecer. Segundo um estudo de 2003, publicado no periódico Human Reproduction, para um casal fazendo sexo desprotegido, isso geralmente demora seis meses. Se após um ano tentando os testes derem negativo, o casal é considerado infértil.

As dificuldades começam antes mesmo de os espermatozoides entrarem no útero

Imagem: iStock

Por que as taxas são baixas?

Para entender o que está por trás dessas estatísticas relativamente baixas em torno de uma gravidez, é preciso entender como funciona, de fato, a fecundação e, principalmente, o organismo da mulher.

Na série “Explicando… O Sexo”, da Netflix, os especialistas em fertilidade comparam o corpo feminino a um labirinto. O encontro entre o espermatozoide e o óvulo só dará certo se ocorrer na janela (ou melhor, no caminho) correto.

Após a ejaculação, os espermatozoides se encontram na vagina. Antes de entrarem no útero, o colo, que funciona como uma espécie de “guardião”, bloqueia a passagem de quase 99,9% deles.

Imagine que essa decisão de quem entra e quem sai é menos parecida com o Tinder e mais com a vida real.

Não é uma seleção entre o mais rápido ou o mais forte, e sim uma tentativa de excluir os “anormais” (cabeças com formatos estranhos ou duas caudas, por exemplo).

E esse processo tem que ocorrer rapidamente. Os espermatozoides duram apenas uns três dias no canal vaginal e o óvulo só dura cerca de oito horas depois da ovulação.

O encontro entre os espermatozoides e o óvulo na trompa uterina, também chamada de trompas de Falópio

Imagem: iStock Após entrarem no útero, eles então são impulsionados pelas contrações uterinas até as trompas. Lá, eles esperam a gloriosa entrada do óvulo. Quando isso finalmente ocorre, os espermatozoides nadam freneticamente, chegando a 48 km/h, até se prenderem a ele. Por fim, um sortudo consegue entrar. E já que estamos falando em estatísticas, apenas um em 250 milhões consegue entrar no óvulo.

Agora que você já sabe o que tem que acontecer, aqui vão os obstáculos do tal “labirinto”. Primeiro, os ovários podem não produzir um óvulo, por causa de algum desequilíbrio hormonal. Segundo, se o óvulo for realmente liberado, mais de um espermatozoide pode fecundá-lo, o que reduz as taxas de sobrevivência do embrião.

Além disso, os espermatozoides podem simplesmente não chegar até o óvulo. Alterações no útero ou na trompa funcionam como obstáculos para essa locomoção. Por fim, se a fecundação ocorrer, o óvulo fecundado precisa descer para se aninhar no endométrio, que também pode estar comprometido.

Menos espermatozoides e baixa qualidade

Até agora, só o formato estranho dos espermatozoides foi citado, mas os homens também têm seu papel nas dificuldades em engravidar. O principal problema é justamente a quantidade de espermatozoides que são soltos no mundo: quanto menor esse número, menores as chances de fecundação. O assustador é que essa quantidade tem ficado cada vez menor, pelo menos em algumas partes do mundo.

Um estudo de 2017 publicado no periódico Human Reproduction Update revelou que a contagem média de esperma tem caído ao longo dos anos.

Os cientistas descobriram que nos Estados Unidos, Europa, Austrália e Nova Zelândia, a contagem era de 99 milhões/ml em 1973 e caiu para 47 milhões/ml em 2011.

Já na América do Sul, Ásia e África, as contagens, que começaram a partir de 1986, eram de 72,7 milhões/ml e reduziram para 62,6 milhões/ml em 2020 —para os pesquisadores, isso não é uma diminuição considerável.

Segundo uma pesquisa de 1998, publicada no The Lancet, quando as contagens são de até 40 milhões, as chances de engravidar em um mês aumentam. O problema existe quando ela é de 15 milhões. As causas? Anabolizantes, exposição a pesticidas e até o tipo de cueca diminuem a quantidade de esperma.

Mas o problema maior, na verdade, é a qualidade do esperma, que diminui ao longo dos anos. Além de se perderem com mais facilidade no labirinto feminino, o esperma mais velho acumula mutações que podem chegar até o bebê.

Em 2017, um estudo publicado na Nature mostrou que quanto mais velho o pai, maior a chance que ele transmita alterações no genoma aos filhos. Em média, a cada ano, um homem acumula 1,51 nova mutação em seus espermatozoides.

As chances são de um em 250 milhões de um espermatozoide conseguir entrar no óvulo

Imagem: iStock

A perda de óvulos

As células germinativas de ambos os sexos são produzidas ainda no período fetal, na barriga da mãe. Lá elas escolhem se virarão testículos ou ovários.

Enquanto as que escolhem virar testículos ficam se dividindo, produzindo espermatozoides pelo resto da vida do homem, as que escolhem os ovários se mantêm.

Isso significa que as mulheres produzem óvulos imaturos uma única vez na vida (geralmente quando atingem a sexta semana da gestação), enquanto os homens ganham espermatozoides novos até a velhice.

Os números são um pouco assustadores para elas. Um feto de 20 semanas, por exemplo, tem cerca de sete milhões de óvulos. Uma recém-nascida tem dois milhões. Na puberdade, de 300 a 400 mil.

E assim vai, perdendo óvulos e mais óvulos ao longo da vida. Uma vez por mês, um óvulo é liberado e mais ou menos mil morrem.

É por isso que as mulheres têm dificuldade de engravidar quando se aproximam dos 40 anos, chegando aos 50 praticamente sem óvulos.

A chance de engravidar quando se tem entre 36 e 37 anos cai para 15%; aos 38 e 40 anos, é 10%; após essa idade, a chance é ínfima, não chegando a 1%. Além da quantidade de óvulos ser bem menor, assim como o que ocorre com os homens, a qualidade deles também diminui, prejudicando a fertilização. Na menopausa, essa fonte se esgota.

As mudanças socioculturais no mundo fizeram a gravidez se tornar um plano tardio, pelo menos para uma parte das pessoas.

Não à toa, a idade em que há mais procura pelo congelamento de óvulos é 37 anos. As mulheres que têm esse poder de escolha, decidem “adiar” esse esgotamento.

Quando o óvulo é congelado, as chances de engravidar são as mesmas da idade que a mulher tinha quando optou pelo método.

Além desse procedimento, também é muito utilizada a fertilização in vitro. As taxas de gravidez, nesse caso, são maiores do que tentar sem a ajuda da tecnologia, subindo para quase 60%.

Isso porque o embrião já é colocado “pronto” dentro da mulher. Mas não é 100% porque esse embrião deve evoluir sozinho e aderir à parede do útero.

O caminho para sair do labirinto, entretanto, já está praticamente revelado.

Fontes: Carolina Curci, médica especializada em ginecologia e obstetrícia na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e pós-graduada em medicina reprodutiva; Karina Tafner, ginecologista e obstetra especialista em endocrinologia ginecológica e reprodução humana pela Santa Casa e especialista em reprodução assistida pela Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia).

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