Como É Que Os Romanos Integram Os Povos Conquistados No Imperio?

O Império Romano é sem dúvidas um dos mais importantes períodos históricos, não só para a Itália, mas para todo o ocidente. Basta ver como os monumentos históricos de Roma atraem milhares e milhares de turistas, isso sem falar nas heranças de costumes e invenções. 

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Neste contexto, chamamos de Império Romano o período histórico de Roma que teve início em 27 a.C. e terminou em 475 d.C.. Mais precisamente, foi o período que marcou o fim da Idade Antiga e o início da Idade Média. 

A etimologia da palavra Império já diz muito: vem do latim Imperator, que quer dizer aqueles que mandam. Estamos falando dos 500 anos marcados pela ordem absoluta de grandes nomes da história, muitos dos quais estão eternizados nas vias romanas. Além disso, foi nesse intervalo em que surgiu o cristianismo e que aconteceu muito do que lemos hoje na bíblia sagrada.

Nas próximas linhas, vamos falar sobre os anos de Império Romano. Vale lembrar que é tudo um grande resumo, pois poderia criar um blog somente para falar sobre isso. 

Como É Que Os Romanos Integram Os Povos Conquistados No Imperio?

O início do Império Romano se deu com a morte do Ditador Júlio César. Tal fato teria gerado muitas crises internas na República de Roma, que já não estava lá muito firme. No ano 31 a.C. Otávio, também chamado de príncipe, assumiu o controle. Ele era herdeiro de César e posteriormente recebeu o título de Augusto. 

No primeiro momento ainda restavam algumas instituições da República, as quais auxiliavam Otávio Augusto no poder. Eram instituições como o senado e o exército. 

Este primeiro momento ficou conhecido como “Pax Romana”, ou paz romana. Foram cerca de 250 anos sem crises muito sérias ou guerras sanguinárias. As províncias que eram ligadas a Roma pagavam impostos e isso rendeu muito poder econômico aos imperadores. 

Adorando imperadores

Como É Que Os Romanos Integram Os Povos Conquistados No Imperio?Da esquerda para a direita, de cima para baixo, temos os bustos de: Calígula, Nero, Vespasiano, Domiciano, Antonino Pio e Caracalla.

Diferente da monarquia, a sucessão dos imperadores romanos não acontecia pela hereditariedade. Na verdade, os imperadores tinham todos os poderes nas mãos, o que antes era dividido por outras instituições da república. 

Os imperadores eram adorados como deuses. Por isso mesmo é que se faziam monumentos como arcos do triunfos, edifícios enormes, palácios e reverências. Inclusive, muito do que vemos hoje em Roma é fruto dos tempos de império, mesmo que alguns sejam apenas ruínas, é algo impressionante de se ver. 

Um bom exemplo é o Coliseu, que foi construído no ano 79 d.C.. Além de seguir firme como testemunho do Império, ele serviu e serve de exemplo para muitas construções que fazemos hoje: vai dizer que não reconhece o formato dos estádios de futebol?

Mudanças importantes do Império Romano

Uma das características mais marcantes deste período foi a expansão territorial do Império Romano. Da Inglaterra ao Egito, do mediterrâneo a Marrocos. Cada vez mais povos foram agregados aos romanos, resultando em uma enorme miscigenação e no aspecto multicultural. 

Como É Que Os Romanos Integram Os Povos Conquistados No Imperio?

Os que não eram considerados cidadãos também pagavam impostos ao Estado, que ficava cada vez mais rico. 

Como diz o ditado, todos os caminhos levam a Roma. E nessa época isso foi mais do que necessário. 

Com essa enorme expansão territorial, Roma precisou ampliar, criar e fazer manutenção em muitas estradas e vias de comunicação. Uma das estradas mais conhecidas e talvez a mais importante é a Via Appia. 

Você deve estar se perguntando: mas como o imperador garantia seu poder e sua ordem em todo este vasto território? Acertou quem pensou em forças militares. O Império Romano mantinha tropas militares que, por meio das estradas, chegavam até as províncias e garantia os poderes imperiais. 

Como É Que Os Romanos Integram Os Povos Conquistados No Imperio?

Os romanos chegaram a totalizar mais de 50 milhões de pessoas, as quais eram protegidas por um exército de apenas 390 mil homens. 

O poder das províncias

A partir do século I, algumas províncias passaram a ser controladas por membros escolhidos pelo senado, enquanto outras eram geridas por militares. As províncias dos militares eram responsáveis por pacificar áreas que ainda não eram dominadas e também as fronteiras. 

Com o passar dos séculos, os imperadores romanos ampliaram a cidadania. Dessa forma, muito mais impostos foram arrecadados e muitas obras eram viabilizadas, como os aquedutos, estradas e monumentos. 

Além disso, foi dessa expansão populacional que surgiram línguas conhecidas até hoje, como o português, francês e italiano. 

Jesus Cristo e o Império

Como É Que Os Romanos Integram Os Povos Conquistados No Imperio?Cena da novela “Jesus”, produzida pela Rede Record.

Foi no contexto do Império Romano que nasceu Jesus Cristo, um humilde judeu que vivia na Palestina. Ao propagar suas ideias religiosas, ele foi ganhando muitos seguidores, a ponto de afrontar os romanos. 

O fim dessa história já conhecemos: os romanos crucificaram Jesus Cristo, mas suas ideias continuaram a ser propagadas, ganhando adeptos de todos os lugares, sobretudo entre os mais pobres. 

O cristianismo pregava a crença em um só Deus, diferente da prática romana de cultuar imperadores como deuses. Assim, além de ter princípios de justiça social, a religião ia contra os princípios dos que exploravam os mais pobres, ou seja, os imperadores. 

O tempo se passou e os cristãos passaram a ser perseguidos pelo império. Isso aconteceu até o momento em que o próprio imperador se converteu a religião cristã. Tal fato mudou muito a realidade do império, pois a perseguição passou a ser contra os que adoravam vários deuses. 

O império divididoComo É Que Os Romanos Integram Os Povos Conquistados No Imperio?

Em meados do século IV, os bárbaros invadiam o império romano constantemente, ameaçando todo o território de Roma. Sendo assim, o imperador Teodósio sugeriu que o império fosse dividido em duas partes: Império Ocidental e Império Oriental. 

A sede do primeiro ficava em Ravena, enquanto a do império oriental ficava em Bizâncio. 

Apesar do plano ter o objetivo de conter as invasões bárbaras, não foi o suficiente nem para conter as crises financeiras. 

No século V, os povos inimigos de Roma tomaram muitas partes do território. Neste contexto, a península ibérica foi tomada pelos visigodos, o norte da África foi conquistado pelos vândalos, a Gália ficou com os povos francos e a Bretanha com os anglo-saxões. 

Por fim, Roma foi saqueada, destruída e teve o último imperador, Rômulo Augusto, deposto do cargo. Tal fato marcou o ano de 476 como sendo o último do Império Romano do Ocidente. Já a parte oriental permaneceu até o ano de 1453, fato que gera muitos debates históricos até os dias atuais. 

Depois disso, a população foi ruralizada e a Europa viveu os anos da Idade Média.

Imperadores romanos

Muitos dos grandes nomes que vemos nas ruas de Roma e livros de história são de grandes imperadores romanos. Afinal, foram 500 anos e eles eram tratados como deuses. Alguns construíram monumentos importantes, enquanto outros comandaram importantes invenções. 

A seguir, passarei uma lista com alguns dos mais importantes, com datas de início e fim do comando. 

  • Otávio Augusto (27 a.C. a 14 d.C.)
  • Tibério (14 a 37)
  • Caio César “Calígula” (37 a 41) – conhecido pelas loucuras e pela ostentação. 
  • Cláudio (41 a 54) -Primeiro Imperador nascido fora da Península Itálica.
  • Nero (64 a 68) – famoso pelas conquistas e megalomania.
  • Galba (junho de 68 a janeiro de 69) -Foi o líder do golpe que depôs Nero e acabou com a dinastia júlio-claudiana.
  • Flávio Vespasiano (69 a 79) – Construiu o Coliseu
  • Tito (79 a 81)
  • Domiciano (81 a 96)
  • Nerva (96 a 98)
  • Trajano (98 a 117) – Responsável pela grande expansão do Império
  • Adriano (117 a 138)
  • Antonino Pio (138 a 161)
  • Lúcio Vero (161 a 169)
  • Marco Aurélio (161 a 180)
  • Comodo (177 a 192)
  • Públio Pertinax (31 de dezembro de 192 a 28 de março de 193)
  • Dídio Juliano (28 de março de 193 a 1 de junho de 193)
  • Septimio Severo (193 a 211)
  • Pescênio Níger (9 de abril de 193 a maio de 194)
  • Clódio Albino (196 a 197)
  • Marco Aurélio “Caracala” (211 a 217)
  • Macrino (8 de abril de 217 a junho de 218)
  • Heliogábalo (218 a 222)
  • Alexandre Severo (222 a 235)
  • Maximino Trácio (235 a 238)  Lembrado por ser o imperador que iniciou a queda do Império.
  • Depois do último e até o ano de 284, vários imperadores tomaram o poder, mas por muito pouco tempo. Este fato já diz respeito à decadência do Império Romano. 

Como É Que Os Romanos Integram Os Povos Conquistados No Imperio?Veja a imagem com mais detalhes clicando no link.

Heranças do Império Romano

Como É Que Os Romanos Integram Os Povos Conquistados No Imperio?

Muitos dos grandes avanços da humanidade vieram da época do Império Romano. As fortes influências estão desde a arquitetura, até aspectos culturais como a língua que falamos. 

  • Dito isso, considere também a série de filmes, livros, seriados de televisão, peças de teatro e muitas outras formas que encontramos para transmitir os marcos históricos do Império Romano. 
  • Por fim, me conte nos comentários, você tem vontade de conhecer a Itália e caminhar as mesmas vias em que caminharam grandes imperadores? Vamos conversar
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Morte e perseguição: A intolerância religiosa no Império Romano

A antiga prática ceifou a vida de milhares de cristãos e pagãos

Carlo Cauti Publicado em 24/05/2020, às 07h30

A obscuridade é total. Densa. Penetrante. Cortada somente por tochas que iluminam pequenos cantos. O ar é pesado. Um cheiro adocicado insuportável que provoca náuseas.

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O corredor é estreito. Minúsculo. Menor do que a abertura de dois braços. Mas é alto. Tremendamente alto. Quatro metros, talvez mais. Uma altura que agrava a sensação de impotência que agride o visitante. E, do chão até o teto, tumbas. Tumbas uma em cima da outra. Covas escavadas na rocha viva.

Sepulturas que abrigam os restos mortais de quem recusou as tradições mortuárias pagãs e aguarda, quase dormindo, a ressurreição e a vida eterna. Bem-vindo às catacumbas de São Calixto, em Roma.

Um gigantesco cemitério subterrâneo que em 20 quilômetros de extensão e quatro níveis de profundidade abrigava milhares de corpos de cristãos mortos entre o século 2 e 4 d.C. Um dos lugares que melhor explicam as complexas relações entre o cristianismo e o paganismo durante os últimos séculos do Império Romano.

Quando se pensa nas relações entre a Roma antiga e a religião cristã, surgem na mente duas imagens, diferentes e dramáticas: a primeira é a das terríveis execuções em massa realizadas nos anfiteatros romanos por imperadores cruéis e violentos contra milhares de mártires. A segunda é a da vitória triunfante dos cristãos, que a partir do reinado do Imperador Constantino (306-337 d.C.) puderam professar livremente sua religião.

Não se sabe até hoje com certeza por que os romanos, tradicionalmente tolerantes com as divindades e as práticas religiosas dos povos conquistados, acabaram desenvolvendo um preconceito tão forte e um ódio tão profundo em relação aos cristãos, chegando a considerá-los a causa de todas as desgraças que se abateram sobre o Império e, por isso, perseguindo-os até a morte.

A história das perseguições e do confronto entre a religião cristã e o paganismo no Império Romano começa com a morte de Jesus, por volta do ano 33, e vai até o Édito de Milão, do Imperador Constantino, em 313, que legitimou o Cristianismo.

“O que se pensa hoje é que foram três séculos de opressão implacável e perseguição sistemática e ininterrupta dos cristãos por parte dos romanos, mas cada imperador atuou de forma própria com os cristãos.

Alguns foram mais cruéis, outros mais tolerantes.

Todos, porém, orientaram suas escolhas de forma a obter a maior vantagem política possível, quase nunca foram motivados por razões religiosas”, explica Maria Lupi, professora de História do Cristianismo da Universidade de Roma Tre.

As perseguições

As primeiras perseguições foram episódios esporádicos, em pontos distintos do Império e executadas por magistrados locais, sem um envolvimento ou uma coordenação direta de Roma. Eram massacres, expropriações de propriedades, destruição de locais de culto, ou simplesmente a proibição da prática das liturgias cristãs.

Como É Que Os Romanos Integram Os Povos Conquistados No Imperio?Crédito: Reprodução

“Cada governador, cada magistrado, tinha ampla autonomia sobre a forma de aplicar medidas repressivas, o que dependia de fatores como a situação da província na época. Se ela estava sofrendo carestias ou epidemias, a população tinha que encontrar um bode expiatório, e os cristãos eram perfeitos para esse papel”, explica o professor Potestà.

No ano 64, houve a primeira grande perseguição contra os cristãos, ordenada pelo imperador Nero. Provavelmente foi a perseguição historicamente mais conhecida, que provocou vítimas famosas, como os apóstolos Pedro e Paulo.

Os cristãos foram acusados de incendiar Roma, que ficou devastada pelo fogo. Ao associar os cristãos ao terrível incêndio, Nero exacerbou as hostilidades contra eles por todo o Império Romano e inaugurou o período das execuções espetaculares, o que incluía crucificação e uso de leões e outras feras selvagens para devorar os insurgentes.

Após esse cruento episódio, a situação voltou a relativa calma. Medidas hostis contra os cristãos foram tomadas sob o reinado dos imperadores Domiciano (81-96 d.C.) e Trajano (98-117 d.C.), que se opunham à nova religião porque acreditavam que eles ofereciam perigo para a estabilidade do Império.

Domiciano, na década de 80 d.C., deu a primeira base jurídica para as perseguições, declarando o Cristianismo religio illicita, ou seja, religião ilegal e portanto proibida. Mas por cerca de 200 anos não foram registradas grandes perseguições contra os cristãos.

Os tempos ficaram piores com a crise que o Império enfrentou no século 3 e com a chegada do imperador Décio (249-251 d.C.). Naquele momento Roma enfrentou muitos problemas, graves crises econômicas e pressão dos bárbaros nas fronteiras do Império.

“Era necessário achar uma forma de reagregação da população romana, inclusive nos ideais, para fazer frente comum contra os inimigos e as ameaças.” Era preciso um símbolo. E o imperador achou que a religião tradicional, o paganismo, seria o melhor instrumento para alcançar o objetivo.

“Décio se apresentou como um restaurador dos costumes antigos e das virtudes tradicionais de Roma. E propagandeou esse retorno ao passado glorioso como a única forma para poder enfrentar e ganhar os mortais desafios do presente”,  diz Emanuela Prinzivalli, professora de História do Cristianismo na Universidade de Roma La Sapienza.

Como É Que Os Romanos Integram Os Povos Conquistados No Imperio?Crédito: Reprodução

O Édito de Décio, de 250, ordenou que todos os cidadãos do Império fizessem um sacrifício público para os deuses, chamado supplicatio, e que fizessem oferendas, assim receberiam o libellum, certificado que atestava o sacrifício.

Os cristãos, claro, se recusaram, e então eram facilmente identificados e perseguidos. Foram massacrados das formas mais cruéis. “Essa foi a primeira verdadeira perseguição geral, porque atingiu todos os membros da comunidade cristã, dos chefes aos mais humildes, em todos os cantos do Império, não somente em Roma”, afirma a professora Lupi.

A perseguição de Décio foi seguida pela do imperador Valeriano (253-260 d.C.), que foi particularmente dura contra os chefes das comunidades, sequestrando os bens dos cristãos para tentar amenizar a situação catastrófica das finanças públicas romanas.

O objetivo de Valeriano era desestruturar de vez o cristianismo, com a destruição das igrejas, a entrega e a destruição dos livros sagrados e a morte de muitos bispos e sacerdotes.

Os políticos romanos pensavam que eliminando os chefes das comunidades cristãs os fiéis acabariam se dispersando, mas naquele momento a comunidade cristã já era suficientemente estruturada para aguentar uma violência dessa magnitude.

O imperador Galiano (253-268 d.C.), filho de Décio, imediatamente após a morte do pai emitiu um édito de tolerância que garantiria 40 anos de tranquilidade aos cristãos. Diocleciano (284-305 d.C.), ao contrário, provocou a Grande Perseguição, entre 303 e 311, que acabou sendo a última, maior e mais sangrenta perseguição oficial do cristianismo a ser implementada pelo Império.

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O Império Romano (27 a.C. – 476 d.C.) – História do Império Romano

O Império é o sistema no qual o poder político real estava nas mãos de uma única pessoa, o imperador. Teve início com o imperador Augusto, quando o Senado ficou limitado a ser um órgão de apoio desse poder político.

Se denomina Alto Império o período que vai de Augusto a Diocleciano e Baixo Império ao período que vai de Diocleciano à queda do Império Romano no Ocidente. 

O Alto Império (27 a.C. – 305 d.C.)

Como É Que Os Romanos Integram Os Povos Conquistados No Imperio? Império Romano no seu apogeu

Entre os anos 14 e 68, os herdeiros de Augusto vão se substituindo no poder: Tibério, Calígula, Cláudio e Nero. Essa sucessão dinástica foi interrompida pela guerra civil que no ano 68 aconteceu entre os três imperadores que governavam naquele ano. Esse primeiro período de crise que vive o Império será superado pelos Flavianos.

Os Flavianos foram sucedidos pela dinastia nerva-antonina (96-193), nome genérico dado aos imperadores Nerva, Trajano, Adriano, Antonino Pio, Marco Aurélio e Cómodo, com uma política similar a dos Flavianos.

Com Septímio Severo se inaugurou a dinastia dos Severos (197-235), na qual estava ele próprio, Caracala, Geta, Macrino, Heliogábalo e Alexandre Severo.

O poder absoluto de Roma, capital do Império, foi se debilitando com o tempo.

Entre os anos 235 e 300, a única propriedade de Roma foi a defesa das fronteiras do Império dos contínuos ataques dos povos bárbaros e dos que vinham do império Sassânida da Pérsia.

A pressão desses povos fez com que o exército assumisse o poder em Roma a partir de 235, momento que se conhece como Anarquia Militar e que durou cerca de cinquenta anos. Esses imperadores soldados tinham como única finalidade a luta contra os inimigos do Império.

A consequência dessas guerras foi o encarecimento da manutenção do exército e o alto grau de endividamento para mantê-lo, o que levou ao empobrecimento da população e à perda de sua identidade e valores. Um aspecto da perda de identidade foi a crise religiosa, pela invasão de novas religiões orientais.

A perseguição dos cristãos por Diocleciano, também chamada de Grande Perseguição, não foi mais que uma tentativa de eliminar os perigos que o império enfrentava.

Em 284 uma revolta militar salvou o Império e o Diocleciano se proclamou imperador. Durante o seu governo se instaurou a Tetrarquia, sistema que dividia o império entre os dois augustos e dois césares.

Diocleciano abdicou no ano 305, demonstrando a ineficiência do sistema tetrarquino sem ninguém de peso que o dirija.

O Baixo Império (305-476)

Nesta etapa acontece uma mudança da capital do Império para a antiga cidade de Bizâncio, reconstruída e ampliada por decisão do imperador.

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Em 8 de novembro de 324, dia da sua inauguração, Bizâncio passou a se chamar Constantinopla ou cidade de Constantino.

Desde a abdicação de Diocleciano, em 305, houve uma série de lutas que se prolongou até 312, quando Constantino se tornou o único imperador do Ocidente e último imperador do Império unificado. Instituiu o cristianismo como a religião oficial do Império.

Mais tarde, Teodósio dividiu o Império entre seus dois filhos, Arcádio e Honório, surgindo o Império Romano do Ocidente e o Império Romano do Oriente.

Em 476 acontece a queda do Império Romano no Ocidente. O Império Romano do Oriente, posteriormente chamado de Império Bizantino, sobreviveu até 1453, data da queda de Constantinopla, atual Istambul.

História 7º ano | O mundo romano no apogeu do Império

O MUNDO ROMANO NO APOGEU DO IMPÉRIO

O MEDITERRÂNEO ROMANO NOS SÉCULOS I E II

Expansão de Roma

A cidade de Roma situa-se na Península Itálica e foi fundada em meados do século VIII a. C.. Inicialmente era um pobre povoado de pastores e camponeses, mas entre os séculos IV a. C. e II d. C., impôs o seu domínio em toda a península e, mais tarde, a todo o Mediterrâneo e algumas regiões da Europa, formando um grande império.

Motivos da expansão romana:

  • segurança: ao princípio, os Romanos tiveram que se defender dos ataques dos seus vizinhos e, para não serem derrotados, tiveram de os submeter
  • motivações económicas: ao conquistarem territórios os Romanos ficavam com os seus bens e riquezas (produtos agrícolas, minérios, escravos, etc.)
  • motivações sociais: novos cargos para os militares, novos mercados para os homens de negócios e novas propriedades rurais para os colonos
  • ambição dos seus chefes: os chefes políticos procuravam honra e glória através de novas conquistas

Integração dos povos dominados

Os Romanos procuraram transmitir a sua civilização aos diferentes povos que faziam parte do Império de forma a promover a sua integração e desenvolver as regiões mais atrasadas.

Instrumentos de integração:

  • exército poderoso: depois da conquista, as legiões de soldados mantiam-se nas terras conquistadas para garantir a paz – pax romana (paz armada com o exército a controlar qualquer tentativa de revolta)
  • estabelecimento da administração pública: os habitantes passaram a ser governados por autoridades administrativas locais e a obedecer ao poder central – o poder do imperador
  • direito romano: todos os habitantes do Império tinham que seguir as mesmas leis romanas
  • o latim: língua oficial que passou a ser falada na maior parte das populações do Império
  • vasta rede de estradas: ligava todas as regiões do Império
  • direito de cidadania: privilégio que aos poucos passou a ser alargado a todos os habitantes do Império, tornando-os cidadãos, adquirindo assim o direito de voto e proteção legal

Pouco a pouco, os povos conquistados absorveram a língua, a religião, a cultura e os costumes dos romanos. A esta influência exercida pela civilização romana aos povos conquistados chama-se romanização.

Economia

A civilização romana foi essencialmente uma civilização urbana. Milhões de pessoas viviam em cidades, que eram ativos centros económicos e administrativos.

Nos séculos I e II, o Império romano atravessou um período de tranquilidade e prosperidade. Toda a vida económica teve um grande desenvolvimento, em particular:

  • a agricultura: produzia trigo e vinha
  • o artesanato: desenvolvimento da cerâmica, têxteis e metalurgia
  • a exploração mineira
  • a pesca
  • a extração de sal

Toda esta riqueza permitiu um intenso tráfego comercial entre as regiões do Império, facilitada pela vasta rede de estradas, rios e mar navegáveis. A moeda era utilizada nas trocas comerciais.

Podemos então caracterizar a economia romana como uma economia urbana, comercial e monetária, pois era realizada em função das cidades, baseava-se no comércio e devido à ativa circulação da moeda.

Sociedade

No Império romano existiam grandes desigualdades sociais:

  • ordem senatorial:
    • ocupavam altos cargos na administração central e no exército
    • possuíam grandes propriedades rurais, os latifúndios
    • possuíam grandes fortunas
  • ordem equestre:
    • cavaleiros que passaram a dedicar-se à administração do Império, ao comércio e aos negócios
    • possuíam grandes fortunas, embora um pouco inferiores aos membros da ordem senatorial
  • plebe:
    • pequenos proprietários de terras e camponeses – plebe rural
    • artesãos – plebe urbana
  • libertos:
    • antigos escravos que obtiveram o direito à liberdade, mas não tinham os mesmos direitos que os membros da plebe
  • escravos:
    • eram homens não livres e a eles cabiam-lhe os trabalhos mais duros

Regime político

Quando Roma iniciou a sua expansão, o seu regime político era a República. Este regime apoiava-se em três órgãos políticos:

  • As Assembleias, ou Comícios:
    • Conjunto de cidadãos que elegiam os magistrados e detinham poder legislativo
  • Os Magistrados:
    • Detinham o poder executivo, ou seja, governavam a República
  • O Senado:
    • Dirigia a política externa e nomeava os governadores das províncias

À medida que Roma se expandia, crescia a ambição de muitos governantes e muitos lutaram entre si pelo poder. Tornou-se necessário criar um regime mais forte de forma a criar união. Em 27 a. C., Octávio Augusto fundou um regime político novo, a que se chamou Império.

O Senado, os Magistrados e os Comícios continuaram a existir, mas muitos dos seus poderes foram transferidos para o imperador. O imperador concentrou assim os seguintes poderes:

  • chefiava o exército
  • dirigia a política externa
  • controlava toda a administração
  • era o supremo-sacerdote

Este tipo de regime perdurou até 476, ano da queda do Império Romano do Ocidente.

Religião

Os Romanos adotaram muitos deuses de povos dominados, o maior exemplo são os deuses oriundos da mitologia grega. Os nomes mudaram, mas os atributos eram os mesmos.

Tipos de culto:

  • familiar: realizado em casa faziam culto às almas dos antepassados (Manes), aos deuses protetores do lar (Lares) e aos deuses das provisões (Penates).
  • cívico: realizado nos templos, pelos sacerdotes

Mais tarde, surgiu uma nova religião que defendia a existência de um só Deus – o Cristianismo, que passou a ser a religião oficial do Império Romano.

Arte

Arquitetura

Os Romanos eram homens práticos, por isso, construíram edifícios públicos que lhes fossem úteis (aquedutos, basílicas), locais de lazer (termas, circos, anfiteatros) e monumentos em honra da história de Roma (arcos de Triunfo, colunas).

A arquitetura romana teve como principal influência a arquitetura grega. No entanto, é possível verificar algumas inovações como o arco de volta perfeita e a abóbada de berço.

As construções romanas caracterizavam-se ainda pela robustez e durabilidade.

Urbanismo

Também a organização das cidades tinha como príncipio a utilidade e eram todas construídas à semelhança de Roma. No centro da cidade encontrava-se o fórum, praça principal da cidade onde se encontravam alguns dos mais importantes templos e edifícios públicos. À sua volta, construía-se o núcleo urbano.

Escultura

A escultura romana caracteriza-se pelo seu realismo. Tanto as estátuas, como os baixos-relevos, representavam as figuras com perfeição anatómica e eram expressivas.

Pintura

Os Romanos pintavam sobretudo paisagens, cenas da vida quotidiana, motivos históricos ou mitológicos.

Cultura

Literatura

Nas letras, destacaram-se:

  • Cícero: grande orador do tempo da República romana
  • Virgílio: poeta, autor da epopeia “Eneida”
  • Tito Lívio: historiador, autor de “Uma História de Roma”

Direito

Uma das mais importantes realizações dos Romanos foi o direito. Grandes legisladores elaboraram leis para regular a vida da sociedade romana e o funcionamento do Estado.

O direito público romano viria mais tarde tornar-se uma das principais fontes para a organização administrativa e judicial dos futuros Estados da Europa medieval.

ROMANIZAÇÃO DA PENÍNSULA IBÉRICA

Conquista da Península Ibérica

Roma iniciou a conquista da Península Ibérica no final do século III a. C.. No entanto, esta conquista foi muito difícil devido à resistência dos povos peninsulares, entre os quais os Lusitanos. Só quando mataram o seu chefe, Viriato, à traição, puderam dominá-los e ao resto da península.

A Península Ibérica foi então dividida em três províncias: Tarraconense, Bética e Lusitânia.

A maioria das cidades ganhou alguma autonomia administrativa, sendo declaradas municípios. Um município possuía magistrados próprios, eleitos pelos habitantes.

Herança  romana na Península Ibérica

Os Romanos permaneceram cerca de 600 anos na Península Ibérica, o que fez com que se transformasse profundamente:

  • Surgiram numerosas cidades
  • Construíu-se uma vasta rede de estradas, pontes, aquedutos e templos
  • Desenvolveu-se a agricultura, o artesanato, a exploração mineira e o comércio
  • Foram adotados os costumes romanos como o vestuário e a alimentação
  • O latim tornou-se a língua dos seus habitantes
  • A religião romana foi também adotada pelos povos dominados da Península Ibérica
  • Revê aqui a matéria/resumo/síntese de História:
  • Em vídeo:
  • EXERCÍCIOS
  • Teste   |   enunciado
  • O que tens de saber neste capítulo, segundo o programa e metas curriculares de História – 7º ano:
  • DOMÍNIO: A HERANÇA DO MEDITERRÂNEO ANTIGO
  • SUBDOMÍNIO: ROMA E O IMPÉRIO
  • Conhecer e compreender a formação do Império e o processo de romanização
  1. Localizar no espaço e no tempo a fundação da cidade de Roma e as várias etapas de expansão do seu império, destacando o processo de conquista da Península Ibérica.
  2. Relacionar a expansão romana com a transformação do regime republicano em regime imperial.
  3. Caracterizar a instituição imperial como poder absoluto e de caráter divinizado.
  4. Explicar a eficácia dos fatores e agentes de integração dos povos vencidos no império.
  5. Salientar a reciprocidade (assimétrica) das influências entre romanos e romanizados.
  • Conhecer e compreender a organização económica e social da Roma imperial
  1. Demonstrar a intensa atividade económica no tempo do regime imperial (baseada numa economia urbana, comercial e monetária).
  2. Relacionar a economia de mercado com o crescimento de latifúndios e consequente migração dos pequenos proprietários para as cidades.
  3. Descrever a organização social do Império romano, salientando o caráter hierarquizado e esclavagista da sociedade.
  4. Relacionar as campanhas militares com a multiplicação do número de escravos.
  5. Descrever o quotidiano dos vários grupos sociais na Roma imperial.
  • Conhecer e compreender a cultura e a arte romana
  1. Referir as principais características da arquitetura, escultura e pintura romanas.
  2. Identificar as principais influências da arte romana.
  3. Caracterizar a originalidade artística dos romanos, sublinhando o seu carácter prático, utilitário e monumental.
  4. Reconhecer na arte romana uma forma de enaltecimento a Roma e ao Império (poesia épica, historiografia, escultura, arquitetura).
  5. Enumerar os principais géneros literários cultivados pelos romanos e seus principais autores.
  • Compreender a origem e a expansão do Cristianismo no seio das expressões religiosas do mundo romano
  1. Verificar no panteão romano a existência de aceitação, influência e assimilação aos deuses dos povos com quem contactavam.
  2. Salientar as origens hebraicas do Cristianismo.
  3. Enumerar e os princípios fundamentais da nova religião.
  4. Referir os fatores facilitadores da propagação da religião cristã no Império Romano.
  5. Relacionar a mensagem do Cristianismo com as perseguições iniciais movidas pelo poder imperial.
  6. Sistematizar as principais etapas de afirmação do Cristianismo (de religião marginal a religião oficial do Império Romano).
  • Conhecer as marcas do mundo romano para as civilizações que lhe sucederam e para as sociedades atuais
  1. Reconhecer o direito como uma das grandes criações da civilização romana, base de grande parte dos sistemas jurídico-legais atuais.
  2. Salientar a importância do latim na formação de várias línguas nacionais europeias.
  3. Salientar a importância do modelo administrativo e urbano romano.
  4. Reconhecer a qualidade da engenharia romana através da durabilidade das suas construções.
  5. Enumerar aspetos do património material e imaterial legados pelos romanos no atual território nacional.
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o conceito de romanização a partir dos monty python

Num plano metafórico, Roma nunca chegou a cair. Foi constantemente revivida e reconstruída, através de iterações políticas profundamente díspares.

Em qualquer dado tempo, na História do Ocidente, algum Estado ou ator político afirmou manter e reestabelecer a continuidade do império. A sua penetração na cultura é praticamente omnipresente. A arte tem feito profusas incursões pela antiguidade romana.

Desde as pretensões de aparência histórica de Gladiador (Gladiator) ou de A Paixão de Cristo (The Passion of Christ), até às suas férteis re-imaginações no campo da ficção científica, que projetam Roma para o futuro, como na Roma Eterna, de Robert Silverberg, ou para o espaço, em Fundação (Foundation), de Isaac Asimov. A abrangência do mercado é tão grande que nem sequer precisaríamos de ter estudado A Vida de Brian.

No entanto, o filme dos Python é um artefacto curioso no tratamento da romanização enquanto fenómeno histórico, sob a lente da cultura. Através de algum esforço intelectual, conseguimos encontrar no seu seio um campo de batalha sujo e sangrento, onde digladiam diferentes perspetivas académicas sobre a romanização.

Estas perspetivas, frequentemente contraditórias, foram largamente disputadas pela academia nos últimos cem anos.

Embora não exista uma pretensão de historicidade exata nas gentes, costumes, edifícios ou trajes retratados, é interessante constatar que frações do debate da academia alcançam, inusitadamente, este produto cultural despretensioso.

Conseguimos, assim, identificar uma comunicabilidade curiosa, que liga o debate de ponta da historiografia aos meandros da cultura. Não deixa de ser curioso que as principais obras da historiografia pós-colonial sobre a romanização sejam praticamente contemporâneas do filme em questão.

Tanto a ideia de império benigno, tão ideologicamente vincada pelos imperialismos do século XX, como a conceção de resistência, introduzida pela historiografia pós-colonial, surgem questionadas e desconstruídas no filme. A sua abordagem é manifestamente cómica, mas surge inequivocamente. Não há dúvida de que esta transição da academia para o filme não é uma linha reta.

Os Monty Python entram num jogo entre verosimilhança e absurdo. O objetivo era, necessariamente, construir um objeto cómico localizado num lugar e num tempo que despertasse o imaginário da Judeia do século I d.C. Apontaram para a necessidade de criar uma imagem suficientemente confortável e reconhecível para poder ser alterada, sem perder completamente o sentido.

A partir daí, opera-se uma narrativa de identificação e distorção, cujo objetivo principal é gerar riso, mas serve simultaneamente para convocar pensamento crítico. Nesse sentido, é interessante considerar que os Python se aproximam do debate quente da historiografia através de uma via indireta, a da sátira.

Mais do que isso, o grupo de comédia faz aproximações a conceções posteriores da historiografia, ao aludir para a simplicidade das dicotomias coloniais e pós-coloniais. O absurdo adverte para a complexidade que se encerra nos conceitos.

Enquanto prisioneiro dos romanos, Ben, na 12ª cena, glorifica os seus feitos; simultaneamente, a “Frente Popular da Judeia”  ataca a sua vilania, mesmo que apresente sinais óbvios de assimilação cultural. O subtexto do filme está, por isso, carregado de nuances.

Desta forma, a análise que temos vindo a empreender conduz à ideia de que a arte tem uma força cognitiva importante na forma como pensamos a História.

A Vida de Brian converte-se, sob a lente certa, num produto de contacto com a academia, que satiriza ideias feitas tanto no meio académico como na cultura popular, de onde emana.

Não é apenas uma sátira à religião e a Roma. É um apelo bem-humorado ao espírito crítico.

O que você precisa saber sobre o Império Romano

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Coliseu, um dos símbolos do Império Romano que ainda estão de pé (Foto: Wikimedia Commons)

Por cinco séculos, entre 27 a.C e 476 d.C, prosperou o maior império da Antiguidade Clássica e um dos maiores da história. O Império Romano foi uma das maiores potência econômicas, políticas e militares do período e, em seu auge, a maior civilização da história ocidental. Veja o que você precisa saber sobre ele:

NascimentoTudo começou com assentamentos de pastores nas margens do rio Tibre, por volta do século 8 a.C. A lenda mais famosa sobre a fundação de Roma é a dos gêmeos Rômulo e Remo, que teriam vivido na região e sobreviveram quando crianças porque foram alimentados por uma loba.

Rômulo é tido como o fundador da cidade e de fato foi seu primeiro rei, em 753 a. C. Em 509 a.C, porém, o Senado — corpo de conselheiros do rei — se rebelou contra a monarquia e destronou o rei Tarquínio, dando início a um período de república.

Os romanos começaram então a se militarizar e a conquistar territórios vizinhos.

Obra representa a lenda de Rômulo e Remo (Foto: Wikimedia Commons)

Crise na RepúblicaCom o aumento de províncias, cresceram também as desigualdades sociais, e a república enfraqueceu. A principal crise foi causada pelo assassinato de Tibério Graco, o encarregado de defender os interesses do povo no Senado, em 133 a.C.. Para completar, 100 mil escravos se revoltaram, liderados pelo gladiador Spartacus.

O Triunvirato de Júlio CésarEm 60 a.C, Júlio César fez uma aliança com os generais Marco Crasso e Pompeu Magno para o controle da república.

O chamado Triunvirato liderado por César fez conquistas importantes para aumentar o poder de Roma: conquistou toda a Gália (atual França), invadiu a Bretanha e dominou territórios germânicos.

Após a morte de Crasso, César venceu a disputa com Pompeu e se declarou ditador em 44 a.C.

Júlio César durante cerco ao povo gaulês (Foto: Reprodução)

Expansão e ápiceCésar foi assassinado por conspiradores no mesmo ano e Otávio (mais tarde conhecido como Augusto), filho adotivo de César, compôs o segundo Triunvirato, junto com Lépido e Marco Antônio.

Terminou também em disputa, vencida por Otávio, que em 31 a.C oficialmente se tornou o primeiro imperador de Roma.

Mas o ápice do império veio mesmo com o governo de Trajano, o Conquistador, que no ano 117 garantiu a Roma sua maior extensão territorial, com quase 50 milhões de pessoas sob seu domínio. 

saiba mais

A divisãoEm 284 d.C, o império foi dividido em dois, em uma tentativa de melhor administrar o poder. De um lado, havia o Império Romano do Ocidente, com a capital em Roma. De outro, o Império Romano do Oriente, com Bizâncio como capital — mais tarde, em 330, Constantino I transferiu a capital para Constantinopla, atual Istambul, na Turquia.

A quedaOs povos que não caíram sob o jugo romano e eram chamados de “bárbaros”, principalmente os visigodos, lentamente ocuparam territórios do império ocidental, cruzando o rio Danúbio em 376, saqueando Roma em 410 e, finalmente, provocando a deposição do último imperador, Rômulo Augusto, em 476. O Império Romano do Oriente, que se tornaria Império Bizantino, só caiu em 1453, com a tomada de Constantinopla pelos turco-otomanos.

Pintura retrata a queda de Roma pelas invasões germânicas (Foto: Reprodução)

LegadoO Império Romano estimulou o surgimento de novas línguas. À medida que o Império expandiu, os dialetos locais se misturaram ao latim, dando origem às línguas neolatinas, como o francês, o português e o espanhol.

O Direito romano, que surgiu para mediar as relações entre diferentes grupos sociais, é a base para o Direito Civil moderno.

As técnicas arquitetônicas desenvolvidas pelos romanos para construir templos, palácios, anfiteatros e aquedutos são relevantes até hoje, e muitas das construções sobreviveram.

E, finalmente, o maior legado do Império Romano talvez seja o cristianismo, religião que nasceu e se desenvolveu no período (apesar dos cristãos serem perseguidos durante os primeiros anos, a crença tornou-se oficial em todas as extensões romanas a partir de 380).

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