Como E Que Os Microbios Podem Ser Uteis?

O que são microorganismos?

Como E Que Os Microbios Podem Ser Uteis? Os microrganismos são seres vivos muito pequenos, tão pequenos que não podem ser vistos a olho nu. Há três tipos de microrganismos: os “bons”, os “maus” e os perigosos. Os microrganismos “bons” são úteis porque:

  • – Permitem “fazer” alimentos e bebidas (queijo,iogurte, cerveja e vinho);
  • – Fazem parte de medicamentos (penicilina);
  • – Ajudam na digestão dos alimentos.

Os microrganismos “maus” ou de alteração dos alimentos, normalmente, não provocam doença mas sim alterações nos alimentos, como mau cheiro, mau sabor e mau aspecto.

Os microrganismos perigosos fazem com que as pessoas adoeçam e podem mesmo matar. São chamados patogênicos. A maior parte deles não altera a aparência do alimento.

Os microrganismos são tão pequenos que é necessário um milhão para cobrir a cabeça de um alfinete.

Bactérias, vírus, leveduras, bolores e parasitas, são todos microrganismos. O cheiro, o sabor e a aparência dos alimentos não são os fatores indicados para ajuizar se o alimento vai provocar uma doença de origem alimentar. É verdade que alguns microrganismos esporulados modificam o aspecto do alimento e são perigosos. O exemplo é o bolor verde do pão, um fungo que pode produzir toxinas.

  1. Exemplos de microrganismos perigosos que podem originar doenças de origem alimentar:
  2. – Bactérias – Salmonella, Shigella, Campylobacter e E. coli;
  3. – Parasitas – Giardia, Trichinella;
  4. – Vírus – Hepatite A, Norovírus.

FONTE: Organização Mundial da Saúde-Departamento de Segurança Alimentar, Zoonoses e Doenças de Origem Alimentar, Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge; Manual das 5 chaves, 2006.

Os químicos não devem ser esquecidos:

Os microrganismos não são os únicos causadores de doenças de origem alimentar. As pessoas também adoecem devido à intoxicação por químicos. Estes incluem:

  • – Toxinas naturais;
  • – Metais e poluentes ambientais;
  • – Químicos usados no tratamento de animais;
  • – Pesticidas usados inadequadamente;
  • – Químicos usados nas limpezas;
  • – Aditivos alimentares usados inadequadamente.

Podem adotar-se medidas simples, como lavar e descascar, para reduzir o risco de contaminação por químicos que se encontram na superfície dos alimentos. Um armazenamento adequado pode evitar ou reduzir a formação de algumas toxinas naturais.

“Intoxicação” é o termo utilizado para descrever uma doença provocada por um contaminante químico. Algumas toxinas “naturais” (p.ex. aflatoxinas) são causadas por bolores que se desenvolvem nos alimentos. A ingestão de aflatoxinas pode ter efeitos graves no fígado que podem levar ao aparecimento de câncer com o passar do tempo e a quantidade de consumo na alimentação.

  1. FONTE: Organização Mundial da Saúde-Departamento de Segurança Alimentar, Zoonoses e Doenças de Origem Alimentar, Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge; Manual das 5 chaves, 2006
  2. Os alimentos preferidos dos microrganismos?
  3. Molhos e cremes, maionese, pastéis de carne, preparados co leite e ovo,hortaliças, carnes e pescados crus carnes cozidas consumidas frias
  4. Como se contamina um alimento?
Como E Que Os Microbios Podem Ser Uteis?
  • Mãos sujas e/ou hortifrutigranjeiros sem a higiene adequada
  • contaminam os alimentos,
  • causando diarréias e vômitos
  • Lembre de:
  • Lavar as mãos antes de manipular os alimentos, e sempre que mudar de tarefa;
  • Não manipular alimentos quando estiver com qualquer doença ou ferida infectada.
  • Como o lixo pode contaminar os alimentos?
Como E Que Os Microbios Podem Ser Uteis?
  • Insetos pousam no lixo, e
  • Pousam sobre os alimentos
  • Contaminando os alimentos
  • A pessoa consome esses alimentos
  • E fica doente

O que fazer para evitar?

Manter os recipientes com lixo e resto de alimentos tampados para evitar a presença de insetos e roedores.

Elaborado pelas acadêmicas de nutrição: Jaqueline de Oliveira Fagundes e Luciane Schutz Machado

Revisado pela nutricionista: Adriana Lockmann

Você sabe o que são os microrganismos?

Como E Que Os Microbios Podem Ser Uteis?

Os microrganismos são seres formados por apenas uma célula, ou que sejam muito pequenos, invisíveis ao olho humano e, por isso, somente podem ser visualizados com o auxílio do microscópio, que é um aparelho de alta precisão, capaz de ampliar inúmeras vezes uma determinada imagem. Deles fazem parte os protozoários, bolores, as leveduras, as bactérias e os vírus.

  • Segundo Adriana Lara Fonseca, professora do Curso a Distancia CPT Segurança Alimentar em Restaurantes e Lanchonetes – Treinamento de Manipuladores de Alimentos, em Livro+DVD e Curso Online, “Independentemente do tipo de clima, eles estão presentes em todos os lugares, ou seja, na terra, na água, no ar e, também, no corpo humano e dos animais”.
  • a) Os vírus

Os microrganismos, causadores de doenças, possíveis de serem transmitidos pelos alimentos ao homem são: – vírus;- bactérias, – fungos;- protozoários; e – vermes.

Os vírus, devido ao seu pequeníssimo tamanho, são os únicos invisíveis ao microscópio óptico. São parasitas intracelulares obrigatórios em virtude de não possuírem a capacidade de síntese que outros microrganismos possuem. Podem ser transmitidos diretamente de um hospedeiro para outro (ex.

: Gripe) ou através do ar, água e alimentos. As gastroenterites por Rotavírus são doenças causadas por vírus, as quais se manifestam principalmente em crianças. A incubação dura cerca de 48 h, regredindo após três a cinco dias. Os vírus podem ser eliminados por muitos dias (até 40 dias).

b) As bactérias

As bactérias são os microrganismos causadores das doenças chamadas “intoxicações” em seres humanos, que podem ser causadas por ingestão de alimentos contaminados por grande quantidade de bactérias ou pelas substâncias que elas produzem (toxinas).

A maioria das bactérias se reproduzem em ambientes com temperatura na faixa da zona de risco (entre 5ºC e 65ºC), porém, existem algumas que conseguem sobreviver, mesmo quando a temperatura é mantida nas zonas de segurança (abaixo de 5ºC e acima de 65ºC).

Entretanto, nessas condições, elas ficam paralisadas, e, quando o ambiente fica propício, elas voltam a se desenvolver. É por isso que alimentos cozidos estragam, quando são mantidos fora de ambientes refrigerados.

c) Fungos

Os fungos são seres vivos micro ou macroscópicos. Alguns produzem toxinas, conhecidas genericamente por micotoxinas (quando se desenvolvem em alimentos) e apresentam-se em forma de cogumelos, leveduras e bolores.

Assim como as bactérias, os fungos podem ser úteis ou patogênicos.

Entre os patogênicos, há os que causam diversas infecções no homem, nos animais e nos vegetais, e ainda os que provocam a deterioração de materiais como madeira, papel, alimento e outros.

d) Os protozoários

Os protozoário são seres heterótrofos. Podem viver isolados ou formar colônias e podem ter vida livre ou associar-se a outros organismos, habitando os mais variados tipos de ambiente. Entre as doenças causadas por protozoários, citam-se: amebíase, giardíase, toxoplasmose, balantidiose,e Crypstoporidium parvumemuris Criptosporidíose.

e) Os vermes

Entende-se como verme o animal com o corpo alongado e/ou achatado e sem esqueleto interno ou externo. Vermes não possuem membros, embora possam ter apêndices reduzidos na superfície para a locomoção. São encontrados em praticamente qualquer habitat, incluindo o mar, os rios e o subterrâneo. Muitos também são parasitas, como a tênia e a lombriga.

Alguns vermes, notavelmente a minhoca, desempenham um papel muito importante na ecologia.

Entre as doenças causadas por vermes, citam-se: Teníase, Ascaridíase, Tichinella spiralis ou Triquinelose, Trichocephalus trichiurus, Enterobius   vermiculares ou Enterobíase, Fascíola hepática ou Fasciolose e, por fim, Strongyloides  stercoralis ou Estrongiloidíase.

  1. Conheça os Cursos a Distância CPT, em Livros+DVDs e Cursos Online, da área Segurança Alimentar.
  2. Fonte: Só Biologia; Wikipédia.

Por Silvana Teixeira. Como E Que Os Microbios Podem Ser Uteis? Como E Que Os Microbios Podem Ser Uteis? AVISO LEGAL

Este conteúdo pode ser publicado livremente, no todo ou em parte, em qualquer mídia, eletrônica ou impressa, desde que contenha um link remetendo para o site www.cpt.com.br.

Seu comentário foi enviado com sucesso!

Informamos que a resposta será publicada o mais breve possível, assim que passar pela moderação.

Obrigado pela sua participação.

Como domamos os micróbios antes que eles nos dominassem – BBC News Brasil

  • Edison Veiga
  • De Milão para a BBC News Brasil

Como E Que Os Microbios Podem Ser Uteis?

Crédito, Getty Images

Legenda da foto,

Cientista observa micróbios em laboratório; estudo identifica que relação entre células humanas e micróbios não é equilibrada

Cerca de metade de nós não somos nós. Melhor dizendo: somos 50% humanos e 50% micróbios – o microbioma, esse conjunto de trilhões e trilhões de bactérias, vírus, fungos e outros organismos minúsculos que habitam nossos órgãos e tecidos.

Mas se engana quem pensa que a relação entre nós e eles seja de igual para igual. O que cientistas americanos acabam de descobrir é que, ao longo da evolução, os animais domamos os micróbios – e este controle garantiu que eles fossem úteis ao nosso organismo, sem que nos dominassem.

“Acreditamos que esse processo evoluiu de forma a beneficiar os humanos”, comentou à BBC News Brasil o engenheiro biomédico Lawrence David, professor de genética molecular e microbiologia da Universidade Duke, nos Estados Unidos.

  • Como as bactérias que você carrega podem afetar seu estado de espírito

A lógica desse fenômeno, conforme os cientistas explicam em artigo publicado nesta segunda, 29, no periódico Nature Microbiology, é uma relação de causa e consequência semelhante à que acontece em um lago, na natureza: se há muitos nutrientes sobrando, o local se torna pantanoso, repleto de algas e beirando a insalubridade.

Isso é chamado de eutrofização. Acontece devido ao aumento das concentrações de nitrogênio ou fósforo na água, causando um desequilíbrio que acaba prejudicando o ecossistema.

Conforme concluiu a equipe de David, portanto, o segredo para termos domado nosso microbioma – e, ao longo do tempo, feito desses bichinhos nossos úteis hóspedes – está no fato de que nosso organismo sempre os deixa com fome.

Leia também:  Conjunto De Vidros Encaixados Que Formam Uma Janela Ou Porta Como Se Chama?

Crédito, Jared Lazarus/Divulgação Universidade Duke

Legenda da foto,

O professor de genética molecular Lawrence David, da Universidade Duke, nos Estados Unidos, é o autor da pesquisa

Os animais – inclusive os seres humanos – dependem das comunidades de micróbios que vivem em seus corpos. É graças a esses serezinhos que conseguimos digerir alimentos, sintetizar vitaminas, fortalecer sistemas imunológicos e realizar uma vasta gama de fenômenos bioquímicos.

Ao mesmo tempo, esses microorganismos não conseguiriam viver sem os animais como seus hospedeiros.

Por décadas, pesquisadores acreditavam que essa relação de interdependência fosse uma simbiose equilibrada, um ganha-ganha em que não houvesse um dominante.

Pois é exatamente isso que a atual pesquisa contraria. Essa relação entre hospedeiros e hóspedes não é nenhum conto de fadas. Os cientistas descobriram que, em nome do benefício próprio, os animais privam seus micróbios de nutrientes. Deixando-os com fome, eles são escravizados – e acabam fazendo o serviço que precisamos.

“Há uma hierarquia natural entre as bactérias e nós”, afirma David. “E nós, como anfitriões, damos as cartas neste jogo.”

Acreditava-se que, para o microbioma, o intestino fosse um paraíso de nutrientes. Ou, nas palavras de David, um local “onde abundam alimentos e recursos, uma verdadeira Fábrica de Chocolate de Willy Wonka”.

Não é à toa que, de acordo com estudos, existem mais bactérias residindo por grama no intestino do que em qualquer outro ecossistema do mundo.

No total, a soma desses microorganismos do intestino chega a 3 quilos em um ser humano – é muito, o equivalente ao fígado ou ao cérebro.

A crença, portanto, era que essa abundância fosse resultado da hospitalidade do intestino. O local seria tão agradável a esses bichinhos, que as condições teriam favorecido essa proliferação – benéfica para os animais, pois o microbioma ajuda na digestão.

Entretanto, agora se descobriu que não é bem assim. Os pesquisadores analisaram essa estrutura e concluíram que ela reproduz qualquer outro ecossistema do planeta, ou seja, é um ambiente em que os seres vivos competem entre si pelos recursos.

Legenda da foto,

Os cientistas descobriram que os micróbios nos intestinos dos mamíferos replicam os mesmos ecossistemas do planeta

Para tanto, foram medidas as proporções de nitrogênio das fezes de diversos animais. No total, foram analisados mais de 30 tipos de mamíferos – zebras, girafas, elefantes, ovelhas, bois, humanos etc.

As amostras de fezes foram trituradas e, em seguida, no laboratório, tiveram os átomos de nitrogênio e carbono contados.

E aí veio a descoberta: descobriu-se que os micróbios no intestino humano têm acesso a uma média de apenas um átomo de nitrogênio para cada dez átomos de carbono – enquanto os micróbios de vida livre desfrutam de uma dieta composta de um nitrogênio a cada quatro carbonos.

Trocando em miúdos: os bichinhos que habitam seu organismo estão com fome. E isso é bom.

“O que descobrimos é que os animais desenvolveram uma maneira de manter as bactérias 'na coleira', deixando-as famintas por nitrogênio”, explica David. “Como os micróbios do intestino dependem dos nutrientes que fornecemos, podemos controlar quais bactérias crescem e quanto elas crescem.”

Partindo dessa premissa como verdadeira, uma outra analogia foi feita pelos cientistas: a de como a vida ocidental, com os hábitos alimentares não muito saudáveis e o uso e o abuso de antibióticos, pode estar atrapalhando essa relação.

“O estudo também sugere por que a dieta ocidental pode ser ruim para nós. Quando as pessoas ingerem muita proteína, isso prejudica a capacidade de o hospedeiro absorver esse nitrogênio do intestino delgado. Assim, mais nitrogênio acaba chegando ao intestino grosso.

Esse desequilíbrio mina nossa capacidade de controlar as comunidades microbianas”, aponta o cientista.

“Uma maneira de explicar o estudo é comparar nossos intestinos aos lagos”, exemplifica David. “Normalmente, os lagos não contêm muitos nutrientes em excesso.

Mas, quando fertilizantes acabam despejados neles, esses ecossistemas mudam e você vê florescerem muitos organismos indesejados, como as algas.

Essa pesquisa sugere que um fenômeno semelhante ocorre no intestino, onde quando muito nitrogênio é ingerido, em forma de proteína, podem ocorrer desenvolvimentos anormais de bactérias.”

Esses hábitos podem deixar a relação de poder mais favorável aos micróbios, portanto. Em última análise, enfraquece nosso organismo, deixando-nos mais vulneráveis a doenças.

Por essa teoria, se os humanos estão “perdendo o controle” sobre os micróbios, parece natural imaginar que o uso de antibióticos, ao eliminar populações inteiras de microorganismos, seria uma solução para mostrar, afinal, quem é que manda no pedaço.

Mas não é bem assim. Um estudo anterior realizado pela mesma equipe mostrou que tal comportamento seria imprudente, um verdadeiro tiro no pé.

Na ocasião, eles deram medicamentos a dez camundongos e passaram a monitorar suas fezes diariamente. Notaram que quando os micróbios se esgotaram, o intestino dos ratos começou a acumular as fontes de alimento dos microorganismos.

Pouco tempo depois, o microbioma passou a florescer novamente, mas de modo mais intenso e desequilibrado.

Os cientistas não sabem qual seria o “número ideal” de bactérias no intestino, mas estão convencidos de que é preciso um equilíbrio.

No caso de seres humanos, eles acreditam que após o uso de antibióticos, o microbioma fica alterado por meses ou até anos. E essa alteração acaba deixando o organismo mais fértil para a invasão de bactérias nocivas e causadoras de doenças.

“Normalmente, os patógenos têm dificuldade em colonizar o intestino. Afinal, há trilhões de outras bactérias ali, que eles precisam vencer para sobreviver.

Mas se, de repente, tirarmos a competição microbiana por recursos, perdemos o controle, e as bactérias ruins que causam doenças desagradáveis encontram um caminho aberto”, explica David.

Legenda da foto,

O uso de antibióticos pode estar deixando o organismo humano mais fértil para a invasão de bactérias nocivas e causadoras de doenças

Micro-organismo – Wikipédia, a enciclopédia livre

Bactéria Escherichia coli aumento de 10 000 num microscópio eletrônico.

Micro-organismos (pré-AO 1990: microorganismos), microrganismos ou micróbios são organismos que só podem ser vistos ao microscópio. Incluem os vírus, as bactérias, os protozoários, as algas unicelulares, fungos (as leveduras unicelulares assim como os demais fungos pluricelulares) e os ácaros. Diferente do que muitos pensam, seres microscópicos não são necessariamente seres unicelulares, um exemplo disso são os próprios ácaros.[1]

Esta designação não tem valor taxonômico, uma vez que engloba organismos de diferentes reinos, mas é utilizada na ciência e na tecnologia (como na fabricação de alimentos fermentados). A disciplina que estuda os micro-organismos é a microbiologia.

Muitos microrganismos são agentes patogênicos, mas muitos são benefícos para outras espécies, vivendo como simbiontes, ou para o meio ambiente, como as bactérias que decompõem a matéria orgânica dentro do ciclo biogeoquímico.[1] Podem encontrar-se micro-organismos em todos os habitats, tolerando os ambientes mais extremos,[2] desde o fundo dos oceanos, passando pelo solo terrestre, e até na atmosfera.[3]

Vírus

Os vírus são partículas formadas por uma cápsula proteica que protege o material genético (DNA ou RNA); só estando no interior de uma célula viva são capazes de realizar o metabolismo e a reprodução, por isso não são considerados seres vivos por alguns autores, embora mostrem uma evolução genética e sejam, em muitos casos, capazes de reconhecer o seu hospedeiro.

[1]
Uma vez que eles parasitam um ser vivo, são normalmente patogênicos, matando as células onde se reproduzem, para libertar as novas partículas virais. Vírus são responsáveis por doenças do ser humano como a Dengue, o Sarampo e o AIDS. Nos animais, são responsáveis por epidemias como a Peste Suína,[4] a Febre Aftosa dos bovinos,[5] e a Doença de Newcastle que ataca aves.

[6]

Devido à sua rápida reprodução, algumas espécies de vírus têm sido usados em estudos de genética e de biologia molecular, incluindo a produção de organismos geneticamente modificados.[1]

Bactérias

As bactérias são organismos unicelulares que não possuem carioteca (um núcleo celular organizado);são procariontes. Podem encontrar-se no fundo dos oceanos, no solo, no sistema digestivo de muitos seres vivos como animais, o ser humano e no sistema radicular de várias espécies de plantas.[1]

Estes micro-organismos têm uma grande importância para a biosfera, pois são os principais responsáveis pela reciclagem de nutrientes, em especial do nitrogênio e do enxofre.

[7] Para além disso, muitas espécies de animais e vegetais dependem das bactérias para a sua sobrevivência: os mamíferos ruminantes e outros animais só podem alimentar-se exclusivamente de vegetais graças a bactérias simbiontes nos seus tubos digestivos.

O ser humano alberga no intestino várias espécies de bactérias, umas comensais, outras simbióticas, como os lactobacilos que produzem a enzima beta galactase que facilita a digestão da lactose do leite e as

  • bifidobactérias, que podem inibir a atividade de outras bactérias deletérias para o organismo.[8]
  • Entre as plantas, deve salientar-se a simbiose entre as leguminosas e o Rhizobium, bactéria fixadora do nitrogênio do ar, que o transforma em nitratos e nitritos, importantes nutrientes para essas plantas.[7]
  • Algumas bactérias podem ser beneficiais aos seres vivos, auxiliando na decomposição de animais e vegetais e na produção de alguns alimentos.
  • Exemplos: queijo, iogurte e vinagre.
  • Muitas espécies de bactérias são utilizadas industrialmente, por exemplo na produção de insulina, iogurte e vinagre.[7]
Leia também:  Como Consultar Quanto Vou Receber De Irs?

Fungos

Os fungos são organismos heterotróficos, ou seja, alimentam-se de matéria orgânica e, por isso, existem várias espécies parasitas de animais e plantas; podem encontrar-se em vários tipos de habitats, desde que a umidade e quantidade de matéria orgânica sejam adequadas.[1]

Entre os fungos unicelulares com importância econômica deve mencionar-se a levedura-da-cerveja, Saccharomyces cerevisae, utilizada não só na fermentação da cerveja e outras bebidas alcoólicas (converte o açúcar existente na matéria prima em álcool), mas também na fabricação de pão.[9] Existem alguns fungos que podem causar algumas doenças nos seres humanos como micoses.

Protozoários

Os protozoários são micro-organismos heterotróficos, podem ser encontrados em ambientes aquáticos, e em ambientes terrestres úmidos.

Algumas espécies de protozoários são agentes de doenças infecciosas, como a Malária, causada pelos plasmódios, e a Disenteria amébica, causada pela Entamoeba histolytica.[1] Alguns protozoários auxiliam na decomposição de restos de animais e vegetais.

Referências

  1. a b c d e f g Brites, Alice Dantas (s.d.) Introdução aos organismos microscópicos. Biologia no site UOL Educação
  2. ↑ Harper, Colin R. Townsend | Michael Begon | John L. (1 de janeiro de 2009). Fundamentos em Ecologia. [S.l.]: Artmed Editora. ISBN 9788536321684 
  3. ↑ Os micro-organismos. No site do Departamento de Engenharia Química da Universidade Federal de Santa Catarina
  4. ↑ Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária de Alagoas. 2011. Peste Suína.
  5. ↑ Gonçalves, F. S. 2008. Febre aftosa. No site InfoEscola
  6. ↑ «Marques, E. (s.d.) Doença de Newcastle. No site Saúde Animal». Consultado em 5 de novembro de 2011. Arquivado do original em 25 de dezembro de 2011 
  7. a b c Seixas, C. F. B. (s.d.) Conheça a importância e as várias utilidades das bactérias. Biologia no site UOL Educação
  8. ↑ Kaufman, Dina. 2006. Sobre a flora intestinal. No site Dinakaufman.com
  9. RAW, Isaias et. al. A biologia e o homem. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2001.
  • Portal da biologia

Obtida de “https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Micro-organismo&oldid=60945614”

Microrganismos: Introdução aos organismos microscópicos

Microrganismo é o nome dado a todos os organismos compostos por uma única célula e que não podem ser vistos a olho nu, sendo visíveis apenas com o auxílio de um microscópio.

Logo, esta é uma classificação artificial – e sob o nome de “microorganismo” podem estar reunidos organismos pertencentes aos mais diversos grupos, como, por exemplo, vírus, bactérias, fungos unicelulares e protistas.

A área que estuda esses pequenos organismos é chamada de microbiologia. Muitas vezes, o termo é associado à transmissão de doenças. No entanto, nem todos os microorganismos são patogênicos, existindo até mesmo aqueles que são benéficos à saúde humana, como é o caso das bactérias da flora intestinal.

Vírus: parasitas celulares

O nome vírus vem do latim, vírus, que significa peçonha ou veneno. Os vírus são estruturas microscópicas cujo comprimento varia, em média, entre 0,05 e 0,9 micrômetros. Para ter uma idéia, 1 micrômetro equivale à milésima parte do milímetro. Desta forma, os vírus só podem ser observados por meio de técnicas de microscopia eletrônica.

Vírus são acelulares e dependem de células vivas para se reproduzirem. Por este motivo, são considerados como parasitas celulares obrigatórios. Quando não se encontram dentro da célula hospedeira, permanecem numa forma dormente chamada de vírion. Os vírus causam doenças em animais, vegetais e até mesmo em bactérias.

Cada vírus é formado por uma cápsula protéica, chamada de capsídio, e ácido nucléico, que pode ser tanto DNA (adenovírus) quanto RNA (retrovírus). As proteínas presentes na superfície do capsídio são responsáveis pelo reconhecimento e pela ligação do vírus à célula hospedeira. Já o material genético atua na replicação viral.

Um dos vírus mais estudados ataca bactérias, sendo, por isso, chamado de bacteriófago. As proteínas presentes no capsídio do bacteriófago reconhecem a célula da bactéria, ligando-se à sua superfície e liberando enzimas que perfuram a parede celular, permitindo que o DNA viral penetre na célula hospedeira.

Ao atingir o núcleo celular, o DNA viral é transcrito em RNA, que, por sua vez, atua na codificação de proteínas de novos vírus. Este processo é realizado pelas enzimas da célula, que confundem o material genético do vírus com o seu próprio DNA. Assim, em poucos minutos, a célula hospedeira é tomada por partículas virais e acaba por romper-se, liberando milhares de novos vírus.

Os vírus são responsáveis por inúmeras doenças, genericamente chamadas de viroses, que acometem tanto vegetais quanto animais. Algumas viroses que atacam o homem são a gripe, a caxumba e a Aids. Para diversas doenças virais já foram desenvolvidas vacinas que previnem o contágio e a conseqüente propagação do vírus.

Porém, os vírus também podem ser úteis ao homem. São muito utilizados em estudos de genética e biologia molecular, pois fornecem um modelo simples e de rápida reprodução, que permite estudos acerca da replicação e transcrição do material genético, além de serem empregados como vetores para produzir organismos geneticamente modificados.

Bactérias: organismos procariontes

As bactérias são seres microscópicos que surgiram na Terra há mais de 4 bilhões de anos. São organismos procariontes, ou seja, que não possuem um núcleo organizado, e que pertencem ao reino Monera. São unicelulares, medindo, em média, entre 0,3 e 2 micrômetros. Sua nutrição pode ser tanto autótrofa quanto heterótrofa. Quanto à reprodução, pode ser sexuada ou assexuada.

As bactérias habitam os mais diversos ambientes, podendo ser encontradas em locais tão diferentes quanto o trato intestinal de animais, as profundezas marinhas e as raízes das plantas.

O corpo da bactéria é revestido, externamente, pela parede celular, uma estrutura rígida, composta por peptídeos e açúcares, que se situa logo acima de membrana plasmática e que envolve e protege a célula. Algumas bactérias possuem flagelos na superfície da parede celular, cuja função é auxiliar na sua movimentação.

No citoplasma da célula bacteriana encontram-se os ribossomos e o seu material genético. Este é composto por uma molécula de DNA circular e, em algumas espécies, também por pequenos filamentos de DNA chamados de plasmídios.

Diversas doenças são provocadas pelas bactérias, como a cólera, a sífilis e a tuberculose. Para muitos desses males existem antibióticos específicos que inibem o crescimento das bactérias.

Porém, as bactérias também possuem grande importância ecológica e diversas utilidades para o homem.

Elas atuam na decomposição da matéria orgânica, participam do ciclo do nitrogênio, são empregadas na fabricação de remédios e cosméticos, entre outros exemplos.

Fungos unicelulares

O reino Fungi engloba uma grande variedade de organismos, cerca de 70.000 espécies, que habitam ambientes diversos e que apresentam uma grande variação de forma e tamanho. São eucariontes, aclorofilados e heterótrofos, ou seja, não produzem seu próprio alimento, dependendo de fontes de matéria orgânica, viva ou morta, para a sua alimentação.

Os fungos classificados como microorganismos são aqueles compostos apenas por uma única célula, e pertencem a duas classes: Deuteromycetes e Ascomycetes.

Um exemplo de fungo unicelular é a levedura (Saccharomyces cerevisae). A levedura se reproduz rapidamente, através de processos assexuados.

Para obter energia, a levedura realiza a fermentação e, por esse motivo, é utilizada na fabricação do pão e de bebidas alcoólicas.

Na produção do pão, as leveduras consomem a glicose presente na massa e, através da fermentação desse açúcar, liberam gás carbônico e álcool etílico. O gás liberado cria pequenas bolhas no interior da massa, que fazem o pão crescer e ficar macio.

Na fabricação de bebidas, as leveduras são utilizadas para fermentar diversos ingredientes e, através desse processo, liberar o álcool etílico. Na fabricação do vinho, as leveduras fermentam os açúcares presentes na uva; na produção de cerveja, fermentam a cevada.

Muitos protozoários provocam doenças

Os protozoários são seres unicelulares, eucariontes e heterótrofos. De acordo com a sua estrutura de locomoção (pseudópodes, cílios ou flagelos) são divididos em quatro filos: Sarcodina, Flagellata, Ciliophora e Sporozoa.

Os protozoários realizam as trocas gasosas, a absorção e a excreção de substâncias através de sua membrana plasmática, que pode ser simples ou recoberta por uma carapaça calcária (foraminíferos). Sua reprodução pode ser sexuada, assexuada ou, ainda, pode envolver a alternância de gerações.

Muitos protistas são parasitas e provocam doenças em animais e humanos. Este é o caso da Entamoeba histolytica, sarcodíneo que provoca a disenteria amebiana, do Leishmania brasiliensis, flagelado que provoca a úlcera de Bauru, e do Plasmodium sp., que infecta mosquitos do gênero Anopheles, transmitindo a malária.

O que são microrganismos patogênicos?

Mesmo sem enxergar a olho nu, todos nós já ouvimos falar em microrganismos. Mas você sabia que nem todo microrganismo está ligado a doenças e que um adulto de tamanho médio transporta no intestino cerca de dois quilos de microrganismos inofensivos e necessários à digestão?

A maior parte das bactérias, fungos, vírus e protozoários não faz mal algum à saúde humana e pode até trazer benefícios. Sendo assim, podemos dividir os microrganismos em dois grandes grupos: os patogênicos e os não patogênicos, dependendo do gênero, espécie, subespécie e sorotipo do microrganismo em questão.

Não patogênicos 

Microrganismos inofensivos são aqueles que estão à nossa volta e participam de diversos processos da natureza, mas que não nos causam problemas de saúde humana, a não ser que entrem em contato com algum indivíduo com sistema imunológico debilitado ou estejam em alta concentração no ar ou alimento. Dentre os microrganismos inofensivos em geral destacam-se os deteriorantes.

Leia também:  Como Começar A Correr Para Quem Nunca Correu?

Microrganismos deteriorantes fazem parte da microbiota natural de alimentos como carnes e produtos lácteos e são inócuos ao consumo, ou seja, não representam riscos ao consumi-los. 

Em alimentos recém-processados e in natura, eles se encontram em baixa concentração, sendo então inofensivos aos seres humanos saudáveis. O tempo de crescimento desses microrganismos normalmente é o que determina a vida útil ou vida de prateleira dos alimentos. 

Condições de armazenamento e transporte inadequados comprometem a vida útil destes alimentos, acarretando no desenvolvimento acelerado desses microrganismos, gerando odores e alterações de textura indesejáveis. Como exemplos de microrganismos desse tipo, temos Lactobacillus em laticínios e Pseudomonas em carnes². 

Os microrganismos úteis/benéficos não são só os que povoam nossos tratos gastrointestinais e que auxiliam na absorção de nutrientes, mas também são usados na indústria alimentícia para participar da fabricação de determinados alimentos e/ou conferir a eles características organolépticas (odor, sabor e aroma) especiais. 

Nesse contexto, pode-se destacar as leveduras, que são os fungos que transformam o açúcar em álcool através do processo de fermentação. Dentre a categoria destes microrganismos, destacam-se principalmente a Saccharomyces cerevisiae,  que são usadas na produção de pão, vinho e cerveja.

Ainda dentre os microrganismos benéficos, podemos destacar o fungo Penicillum, composto principal da penicilina, que revolucionou a medicina com suas propriedades antibacterianas. 

Microrganismos patogênicos: os causadores de doenças

  • Microrganismos patogênicos são capazes de produzir doenças infecciosas em seus hospedeiros nas condições favoráveis à sua sobrevivência e desenvolvimento, e produzem compostos tóxicos que podem ser transmitidos pelo ar, por alimentos contaminados ou até mesmo por  contaminação cruzada, via contato com superfícies que contenham esses patógenos. 
  • Nas ocorrências de intoxicação e infecção alimentar, o período de incubação, a gravidade e a duração da doença podem ser diferentes, em função da idade, do estado nutricional e imunológico, da sensibilidade individual e da quantidade de alimento ingerido³. 
  • Não somente os seres humanos são afetados, mas sabe-se que todos os seres vivos podem vir a ter infecções provenientes da exposição a um agente patogênico.
  • As doenças desse tipo em animais de corte, por exemplo, diminuem sua fome e disposição, causando morte prematura e tornando sua carne indisponível para consumo, causando perdas econômicas para o setor agropecuário. 

Dentre as espécies e subespécies da famosa Salmonella spp.

, há aquelas que causam doenças mortais em galinhas e em humanos, causando salmoneloses de diferentes sintomas. Pode-se também citar a Escherichia coli, presente em diversos ambientes. A maior parte das espécies existentes é inofensiva e está presente no trato intestinal natural de mamíferos. Contudo, existem algumas cepas de E. coli patogênicas que provocam hemorragias e até morte. 

Plantas também estão suscetíveis a ataques de microrganismos patogênicos específicos a elas. Cerca de 70% das principais doenças em plantas são causadas por fungos, como o organismo Botrytis cinerea que ataca morangos, uvas e flores em geral, causando perdas de plantações inteiras e prejuízos. 

  1. Muitos estudos são conduzidos desde a antiguidade para caracterizar e diferenciar bactérias patogênicas e não patogênicas, principalmente nos quesitos resistência e interação entre elas. 
  2. Na indústria de alimentos, a pesquisa concentra-se em aumentar a eficiência de tratamentos térmicos como a pasteurização e desenvolver novos processamentos para minimizar a carga microbiana, além de pesquisas sobre alimentos probióticos (microrganismos benéficos) para melhorar a flora intestinal e garantir mais saúde e qualidade de vida. 
  3. Uma outra alternativa que vem ganhando muito destaque, são os biossensores, que auxiliam na detecção prematura de alimentos quanto a contaminação por diferentes microrganismos, garantindo mais segurança para o consumidor final e qualidade durante toda a etapa logística para indústria alimentícia.

A TNS combate o crescimento microbiano!

Para controle e inativação de microrganismos deteriorantes e patogênicos, o antimicrobiano TNS tem atividade comprovada, podendo ser incorporado em diversas matrizes, inibindo e/ou desacelerando o crescimento de bactérias em superfícies como plásticos, têxteis e cerâmicos e vários outros. Entre em contato com nossos especialistas e saiba mais!

Fontes bibliográficas:

[1] Henrique Lins de Barros, Biodiversidade em questão, Rio de Janeiro: Claro Enigma/Fiocruz, 2011.

[2] ALCANTARA, Marcela de; MORAIS, Isabela Cristina Lobo de; SOUZA, Cyllene de M. O. da C. C. de. Principal Microorganisms involved in the decay of sensory characteristics of meat products. Revista Brasileira de Higiene e Sanidade Animal, [s.l.], v. 6, n. 1, p.1-20, 2012. GN1 Genesis Network. http://dx.doi.org/10.5935/1981-2965.20120001.

[3] Portal Educação. Microrganismos Patogênicos e Não-Patogênicos. Disponível em 2013.

[4] Tomaz, I. L. Doenças das Plantas – Diagnóstico das Micoses e Taxonomia dos seus Agentes. Colecção Euroagro, Publicações Europa-América, Portugal. 2002.

Os vírus que melhoram a sua saúde

Um novo estudo acaba de abrir uma possibilidade tão surpreendente como lógica sobre o que está acontecendo neste momento no nosso intestino e provavelmente no resto do corpo. O trabalho se centrou na exploração do microbioma humano, formado por dezenas de trilhões de bactérias de 1.200 espécies diferentes que habitam nosso organismo.

A maioria está no sistema digestivo, e sua contribuição à digestão, à eliminação de agentes patogênicos e à produção de proteínas é essencial. Às vezes, esta comunidade também pode se rebelar e causar várias doenças, de diabetes a transtornos mentais.

Os detalhes destas conexões não estão claros, porque grande parte do microbioma ainda é um território inexplorado.

O novo estudo analisou a composição genética do microbioma de duas pessoas e encontrou em ambas uma nutrida comunidade de vírus bacteriófagos, literalmente devoradores de bactérias, vivendo entre micróbios. Os investigadores identificaram as espécies desses vírus e depois cruzaram os dados com os de outras 64 pessoas de vários países.

Os resultados, publicados na revista PNAS, mostram que metade dos voluntários, todos sadios, tinha em seus intestinos os mesmos 23 vírus bacteriófagos.

Por outro lado, ao analisar pacientes com a doença de Crohn e colite ulcerosa, duas enfermidades inflamatórias do intestino, encontraram uma comunidade de vírus mais reduzida e diferente do que se via nas pessoas saudáveis.

Esse resultado se assemelha muito ao de trabalhos anteriores que mostram a existência de um microbioma “saudável” e outros relacionados a diversas doenças. Do mesmo modo, os autores acreditam que cada pessoa tem um “fagoma” único, e que este também pode estar são ou doente.

“A implicação mais importante do nosso estudo é que devemos considerar os vírus não só como causadores de doenças, mas também, possivelmente, que sejam benéficos para a saúde humana”, diz Mark Young, pesquisador da Universidade Estadual de Montana (EUA) e principal autor do estudo, em entrevista ao EL PAÍS.

“A implicação mais importante do nosso estudo é que devemos considerar os vírus não só como causadores de doenças, mas também, possivelmente, que sejam benéficos para a saúde humana”

Os bacteriófagos do sistema digestivo vivem em estado latente dentro das bactérias. O estudo identificou fragmentos de DNA viral de dezenas de espécies de bacteriófagos incrustados no genoma dos micróbios. Eles podem entrar em uma fase ativa, quando começam a se replicar e aniquilam as bactérias. Em 2010, um estudo similar confirmou a existência desses vírus nas fezes.

Os autores indicavam que eles controlam a população bacteriana como predadores numa imensa savana, o que contribui para o equilíbrio de todo o ecossistema. O estudo de Young mostra que um indivíduo qualquer pode ter até 2.800 espécies de fagos ativos em seu intestino, muitos deles ainda por identificar.

Até agora, pouquíssimos cientistas se ocuparam de estudar esta pequena e intrigante comunidade.

“Os vírus e os seres vivos estão interagindo desde o começo da evolução”, recorda Young. Por isso, “não é surpreendente que, em alguns casos, vírus e humanos tenham evoluído para fomentar a saúde”, acrescenta.

No entanto, é preciso cautela com os resultados, admite Young. Este campo ainda é muito novo, e, como no caso de centenas de estudos sobre o microbioma, por enquanto existe apenas uma correlação entre a presença dos vírus e a saúde, não uma relação de causa e efeito.

Além disso, é preciso estudar muito mais gente para confirmar os resultados.

“É necessário fazer estudos muito mais extensos, mas tudo o que este trabalho diz faz bastante sentido”, opina Manuel Zúñiga, pesquisador do Conselho Superior de Pesquisas Científicas da Espanha especialista em bactérias lácticas e probióticos.

“Estes vírus dependem das bactérias para sobreviver”, detalha. “Sabemos que as doenças alteram a comunidade bacteriana e, portanto, a comunidade viral que vive delas também muda”, ressalta.

Assim como as bactérias do trato digestivo são usadas como terapia nos transplantes de fezes, os fagos também são promissores como tratamento. Estes vírus são muito seletivos, e cada espécie se alimenta de um tipo muito específico de micróbios.

Um possível uso terapêutico seria empregá-los no combate a infecções, substituindo os antibióticos, o que permitiria reduzir significativamente os efeitos colaterais (aniquilar a flora bacteriana benéfica) e solucionar a preocupante falta de novos antibióticos.

A equipe de Young pretende agora analisar que papel desempenham os vírus bacteriófagos nos transplantes de fezes.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*