Como É Que Os Cavalos Dormem?

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Como a maioria dos mamíferos herbívoros, os cavalos não são caracterizados por passar longos períodos de tempo dormindo, mas a base de seu sono e suas características são as mesmas que nos demais. Um bom descanso é essencial para o desenvolvimento e manutenção adequada do corpo. Um ser privado das horas necessárias de descanso ficará doente e, muito provavelmente, morrerá.

Neste artigo do PeritoAnimal, vamos explicar como os cavalos dormem, se eles fazem isso de pé ou deitados. Continue lendo!

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No passado, o sono era considerado um “estado de consciência”, definido como um período de imobilidade em que os indivíduos não respondem a estímulos e por isso não era tratado como um comportamento, nem como parte da etologia de uma espécie. Também é importante não confundir descanso com sono porque um animal pode descansar sem estar dormindo.

Nos estudos do sono em cavalos utiliza-se a mesma metodologia que em humanos. Três parâmetros são considerados, eletroencefalograma para medir a atividade cerebral, eletroculograma para o movimento ocular e eletromiograma para tensão muscular.

Existem dois tipos de sono, o sono de ondas lentas, ou não REM, e o sono de ondas rápidas, ou REM. O sono não REM é caracterizado por ondas cerebrais lentas e tem 4 fases que se intercalam durante a noite:

  • Fase 1 ou adormecimento: é a primeira fase do sono e não aparece somente quando um animal começa a adormecer, podendo aparecer também ao longo de toda a noite, dependendo da profundidade do sono. É caracterizada por ondas chamadas alfa no cérebro. O mínimo ruído pode acordar um animal nesta fase, há um registro de atividade muscular e os olhos começam a se voltar para baixo.
  • Fase 2 ou sono rápido: o sono começa a se tornar profundo, diminuem as atividades muscular e cerebral. As ondas theta aparecem, mais lentas que as alfas, e aparecem também os eixos do sono e os complexos K. Esse conjunto de ondas faz com que o sono seja mais profundo. Os complexos K são como uma espécie de radar que o cérebro tem para detectar qualquer movimento ao redor enquanto os animais dormem e acordar se detectar perigo.
  • Fases 3 e 4, sono delta ou profundo: nestas fases, predominam as ondas delta ou lentas, que correspondem ao sono profundo. A atividade cerebral é bastante reduzida mas o tônus muscular aumenta. É a fase em que o corpo realmente descansa. É também onde ocorrem mais sonhos, terrores noturnos ou sonambulismo.
  • Sonho de ondas rápidas ou sono REM: o mais característico dessa fase são os movimentos oculares rápidos ou, em inglês, rapid eye movements, que dão nome à fase. Além disso, ocorre a atonia muscular do pescoço para baixo, ou seja, os músculos esqueléticos ficam completamente relaxados e a atividade cerebral aumenta. Acredita-se que esta fase sirva para consolidar as memórias e lições aprendidas durante o dia. Nos animais em crescimento, da mesma forma, auxilia o bom desenvolvimento cerebral.

Continue lendo e veja onde e como cavalo dorme.

Cavalo dorme em pé ou detado? Você já teve essa dúvida? Vale lembrar que, assim como outros animais, alterações de rotina ou estresse podem interromper o curso natural das fases do sono do cavalo, tendo consequências no dia-a-dia.

Um cavalo pode dormir em pé ou deitado mas só pode entrar na fase REM quando está deitado, pois, como dissemos, essa fase é caracterizada por atonia muscular do pescoço para baixo, de modo que se um cavalo entrasse na fase REM em pé, ele cairia.

O cavalo, assim como outros animais que dormem em pé, é um animal presa, ou seja, ao longo de sua evolução eles tiveram que sobreviver a vários predadores, por isso dormir é um estado em que o animal está indefeso. Portanto, além disso, os cavalos dormem poucas horas, geralmente menos de três.

Como É Que Os Cavalos Dormem?

O nome do lugar onde os cavalos dormem é o estábulo e para um cavalo de tamanho padrão não deve ser inferior a 3,5 x 3 metros, com uma altura superior a 2,3 metros.

O material de cama que deve ser utilizado para que o cavalo descanse adequadamente e para atender suas necessidades é a palha, embora alguns hospitais equinos prefiram usar outros materiais não comestíveis, sem poeira e mais absorventes, já que em algumas doenças, consumir grandes quantidades de palha pode causar cólicas. Por outro lado, a palha não é recomendável para cavalos com problemas respiratórios.

Você já se perguntou se existem animais que não dormem? Confira a resposta nesse artigo do PeritoAnimal.

Como É Que Os Cavalos Dormem?

Se as condições físicas e de saúde do cavalo permitirem ele não deve passar muitas horas dentro do estábulo. Caminhar e pastorear pelo campo enriquece muito a vida desses animais, reduzindo a possibilidade de comportamentos indesejados, como as estereotipias. Além disso, favorece à boa saúde digestiva, reduzindo o risco de problemas resultantes da falta de movimento.

Outra maneira de enriquecer a área de descanso de um cavalo é colocando brinquedos, um dos mais utilizados são as bolas.

Se o estábulo for grande o suficiente, a bola poderá rolar pelo chão enquanto o cavalo a persegue.

Caso contrário, a bola pode ser pendurada no teto, para que o cavalo a acerte ou, se a dieta permitir, ser preenchida com algumas guloseimas apetitosas.

Obviamente, um ambiente silencioso, com a temperatura certa e livre de estresse acústico e visual é essencial para o bom descanso do cavalo.

Como É Que Os Cavalos Dormem?

Bibliografia

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Cavalos dormem em pé ou deitados?

Como É Que Os Cavalos Dormem?Foto Divulgação.

  • Os cavalos dormem de uma maneira ou de outra de acordo com as circunstâncias, mas devemos ter em mente que eles precisam permanecer alertas por seu instinto, com o qual evitam ser atacados. 
  • Neste artigo, vamos responder a esta pergunta.

Características do sono equino

Antes de falar sobre se os cavalos dormem em pé ou deitados, é necessário conhecer um pouco da fisiologia dos equinos.

Ao contrário do que acontece, por exemplo, com os felinos, que podem dormir profundamente um dia inteiro depois de terem comido em excesso, os cavalos não desfrutam desse “luxo” e precisam ficar alertas para evitar serem atacados.

Não importa se o animal está em pé ou deitado, com os olhos abertos ou fechados. Sempre estará prestando atenção ao que está acontecendo ao seu redor e pronto para escapar dos perigos.

Por este motivo, é um pouco difícil determinar quantas horas por dia os cavalos dormem.

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Em geral, estima-se que os potros durmam 30 minutos a cada hora (ou seja, 12 horas por dia), que os jovens durmam 15 minutos a cada hora (o que corresponde a seis horas) e adultos só dormem três horas por dia.

É bom saber também que os cavalos dormem mais quando está quente, se estão doentes ou se são potros ou idosos.

Além disso, o fator ambiental influencia muito, já que a luz e a escuridão estão relacionadas a períodos de vigília e sono, respectivamente.

Outras razões pelas quais os equinos podem dormir mais ou menos são: a época do ano, a chegada do calor, a gravidez ou a amamentação dos filhotes.

Mas como eles dormem em pé? Graças ao que é conhecido como “aparelho passivo estático”, que está presente nas patas traseiras e é responsável pelo animal não cair.

Para fazer isso, a rótula trava a tróclea femoral e trava o jarrete e, por sua vez, alivia o peso nos membros.

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Isso também começa quando o animal está acordado, por isso não fica tão cansado como se as pessoas tivessem que ficar de pé o dia todo.

Então, os cavalos dormem em pé ou deitados?

  1. Na verdade, eles fazem isso nos dois sentidos, mas o que difere é a “profundidade” do sono ou do descanso. 
  2. Desta forma, o equino pode dormir em pé sem perder o equilíbrio, mas sonha apenas na fase REM (movimentos rápidos dos olhos, em inglês) quando se deita ou se apoia.

  3. Neste estágio, os olhos se movem muito rapidamente e alguns espécimes podem mover suas pernas como se estivessem trotando pelo prado.
  4. Quando se deitam, os cavalos fazem isso de lado ou descansam o peito no chão, com o objetivo de relaxar completamente os músculos.

  5. Durante os períodos de descanso diários, os cavalos podem ter entre dois e quatro ciclos de sono e acordar entre eles para continuar com o estado de alerta necessário para sobreviver.

     

  6. Vale a pena notar também que estes animais podem acordar muito mais rapidamente que os outros a partir da sua ‘soneca‘ e ter a capacidade de fugir do perigo em questão de segundos.

Os motivos

  • Acredita-se que os cavalos durmam profundamente para economizar energia, fixar um aprendizado ou eliminar certas substâncias químicas cerebrais, como acontece com outros seres vivos, inclusive humanos.
  • Não só os cavalos dormem em pé, como também existem várias espécies de mamíferos que têm o mesmo hábito.
  • Entre eles podemos citar as vacas, burros, asnos, bisontes, búfalos, alces, veados, gnus, renas, gazelas, elefantes, rinocerontes e girafas.

Há também aves que podem descansar sem ter que se deitar! Por exemplo, patos, galinhas, flamingos, pardais, pombos, canários, gaivotas, cegonhas, andorinhões e pombas.

Se você sempre quis saber se os cavalos dormem em pé ou deitados, já tem a resposta: eles podem fazer isso das duas formas, embora não com a mesma profundidade de sono.

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Fonte: Meus Animais

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Você sabe como os cavalos dormem?

Presidente da Federação Equestre Internacional por 22 anos, o Príncipe Philip, Duque de Edimburgo, marido da Rainha Elizabeth II, faleceu na manhã da última sexta-feira em Londres. Estava ao lado da sua companheira por 74 anos no Castelo de Windsor, onde a família Real mora. Sua morte, aos 99 anos, foi anunciada pelo Palácio de Buckingham.

Antes de mais nada, a ligação da família Real com cavalos é extensa. Vem desde a época das batalhas a cavalo pelos antecessores, passando pelo amor da Rainha por esses animais. Do mesmo modo, a ligação esportiva é grande, Polo e Salto, praticados por diversos membros da realeza.

Assim sendo, o Príncipe Philip presidiu a Federação Equestre Internacional pelo mais longo período, de 1964 a 1986. Logo depois, a Princesa Anne, sua filha, o sucedeu pelos oito anos seguintes.

Entre seus feitos à frente da FEI, a introdução da Atrelagem como uma nova disciplina no quadro da federação. Modalidade que ele ajudou a se desenvolver durante sua presidência. Em sua gestão, o Duque de Edimburgo contribuiu para a padronização das regras internacionais desse esporte.

O Príncipe Philip apoiou fortemente a série FEI Jumping Nations Cup ™, que agora é uma das ‘joias’ do calendário de Salto da FEI. Também auxiliou enormemente o lançamento da FEI Jumping World Cup ™ na década de 1970. Sua participação como presidente da entidade foi ainda fundamental na criação dos Jogos Equestres Mundiais FEI ™. 

  • “O falecimento do Príncipe Philip é uma grande perda para o esporte equestre e seu legado, particularmente na Federação Equestre Internacional, viverá por muitas décadas”, comenta Ingmar De Vos, presidente da FEI. 
  • Outra curiosidade é que ele nasceu no mesmo ano de fundação da FEI e se tivesse vivo comemoraria o centenário da instituição em 2021.

Como É Que Os Cavalos Dormem?

Algumas das maiores conquistas esportivas do próprio Príncipe Philip foram na modalidade Atrelagem. Sem dúvida, tornou-se um competidor de enorme sucesso, ganhando o ouro por equipe no Campeonato Mundial de Atrelagem de 1980. Assim como o bronze em 1978, 1982 e 1984. Ele também ficou em sexto lugar individual em 1982.

Cavaleiro versátil, o Duque jogou Polo durante seu tempo na Marinha Real na década de 1940. Em sua trajetória, tornou-se um dos dez melhores jogadores da Grã-Bretanha nesse esporte. Sua paixão por todas as modalidades equestres foi compartilhada por sua esposa e passada para seus filhos.

Em especial, o Príncipe Charles, que também era um jogador de Polo, e a Princesa Anne, que conquistou o ouro individual no Campeonato Europeu de Concurso Completo de Equitação em 1971. A Princesa foi ainda prata individual e por equipe quatro anos depois, antes de se tornar a primeira British Royal a competir em uma Olimpíada – Montreal 1976.

Os netos do príncipe Philip também herdaram o amor pelos esportes equestres. A filha da Princesa Anne, Zara Tindall, conquistou o título mundial de CCE em 2006. Ela foi ainda membro equipe britânica medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Londres 2012. Os príncipes William e Harry, do mesmo modo, são vistos regularmente no campo de Polo.

Fonte: CBHCrédito das fotos: Divulgação/FEI

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Cavalo não dorme em pé!

Como É Que Os Cavalos Dormem?

Estamos no inverno e este ano o frio tem castigado a todos. Agora se está difícil para nós humanos imagina para os cavalos. E se uma de nossas maiores preocupações é com o bem estar dos nossos animais, será que prestamos atenção onde eles dormem?

Ter uma cama ideal para descansar não é apenas sinônimo de conforto, e sim é um direito do cavalo que deve ter um local limpo e adequado para repousar. E se você quer que seu cavalo tenha uma vida saudável e um ótimo desempenho, principalmente se ele for um atleta já que passa grande parte do tempo dentro das baias, é melhor prestar atenção.

Nada de deixar dormindo em cama dura, com pouco feno ou apenas em cima de borracha. Se o material para construir a cama estiver sendo um empecilho não se preocupe. Existem muitos tipos de cama.

Veja algumas e eleja a que melhor adapta ao seu ambiente:

Palha: esta é a mais tradicional e fácil de encontrar. Existem em vários tipos, como por exemplo, a de cevada, trigo ou aveia. Mas dependendo do local fique atendo, pois uma das desvantagens deste material são os fungos caso a palha esteja molhada, pois materiais feitos à base de plantas podem ficar infectados se não forem removidos com regularidade.

Serragem/ Maravalha: também são bem utilizadas e consideradas confortáveis e de fácil manutenção, principalmente pela boa característica de absorventes. Mas, lembre-se, a serragem deve ficar seca e limpa, e a manutenção varia de animal para animal. E em algumas regiões não será fácil encontrar a maravalha.

Pó de serragem: indicada caso esteja em um local que seja difícil encontrar serragem em flocos, sendo o pó a alternativa. Mas, atenção, embora ele seja mais macio que a serragem, ele tem pode irritar as vias respiratórias, especialmente em cavalos alérgicos.

Jornais: em alguns lugares os tratadores utilizam jornais cortados em tiras. São relativamente baratos e tornam-se uma espécie de palha esterilizada, útil principalmente para cavalos alérgicos às palhas. Mas, cuidado, pois quando molhados pela urina, se não trocados, serão invadidos pelos fungos.

Areia: o bom da areia é que ela pode ser lavada e reutilizada, além de preservar de forma saudável o casco dos cavalos, mas ainda que a primeira vista pareça um material ideal é necessário atentar para a existência e possibilidade de cólicas de areia no cavalo, que acontecem em terras de solo arenoso, quando o cavalo acaba ingerindo areia ao se alimentar. A areia se deposita, por gravidade, nas partes inferiores do intestino, de onde não é deslocada pelo movimento intestinal comum, podendo causar dores crônicas e absorção intestinal torna se insuficiente.

Bagaço de cana: a vantagem é que é fácil de encontrar, mas dependendo do animal e região pode trazer danos ao animal, sendo ideal para o cavalo que não desenvolva apetite pelo material.

Para isto é recomendável que os cavalos que estiverem dormindo neste material recebam volumoso à vontade em grandes quantidades, evitando que adquiram apetite pelo bagaço, pois este material é sujeito a causar cólicas, seja pela sua fermentação ou contaminação.

Quer saber mais? A TV Quarto de Milha foi conversar com a médica veterinária Claudia Leshonski que deu várias dicas. Clique aqui e assista a entrevista na íntegra! 

Por: Bárbara Siviero | Canal Rural

Descubra como é o sono do seu cavalo

Dormir e sonhar são para nós necessidades tão essenciais quanto beber e comer. Bastam alguns dias de privação do sono para que o corpo e a mente percam toda a capacidade de funcionar coerente. E para os cavalos? Eles são mais resistentes que nós às privações de sono? Existem nos cavalos, como nos homens, perturbações do sono?

Há mais de cinqüenta anos que os pesquisadores estudam o sono nos animais. É claro que sua motivação não é de conhecer melhor a vida noturna deles.

Eles procuram, sobretudo, pistas que possam permitir compreender melhor o sono do homem e de achar eventuais remédios para as múltiplas insônias e outras perturbações do sono que sofre o Homo sapiens moderno.

Estes estudos experimentais têm, contudo, permitido chamar a atenção de alguns etologistas sobre o sono dos animais.

Antes, dormir não era considerado como um dos elementos do repertório comportamental dos animais, mas antes percebido como uma simples particularidade do funcionamento do cérebro.

A descoberta das diferentes fases do sono no homem, depois a observação de similaridades nos gatos levaram as investigações em direção a outras espécies animais, então o cavalo.

Estes estudos permitiram revelar características do sono comum a todos os mamíferos. Eles igualmente sublinharam as particularidades de cada espécie…

Sono do cavalo

O sono do cavalo lembra o nosso em vários pontos de vista, mas, ao mesmo tempo, eles se diferem significativamente.

Como o homem, o cavalo possui ciclos de sono compostos de uma fase de adormecimento, de uma fase de sono lento e de uma fase de sono paradoxal.

Mas, ao invés de seriar estes ciclos um após os outros no decorrer de uma longa noite de sete horas, ele dorme por intermitência, tendo um ciclo completo de sono de tempos em tempos.

Nos cavalos com boa saúde e em segurança no seu meio, os ciclos de sono vão acontecendo várias vezes por dia, no decorrer de três ou quatro fases. Essas fases são essencialmente noturnas, mas se o meio ambiente é favorável o cavalo pode ter uma fase de sono durante o dia.

Em comparação ao sono humano, o cavalo é um pequeno “dormidor”. Ele não precisa de mais de três horas, 3 horas e meia, de sono por dia e isso vivendo em uma baia ou ao pasto.

É muito menos que nossas oito horas e quase ridículo comparado as 12 ou 14 horas do gato. As necessidades de sono dos animais variam então grandemente de uma espécie para outra. Alguns dormem muito, outros pouco.

Uns fazem longas noites ou dormem de dia enquanto outros se contentam com vários pequenos sonos de curta duração.

O cavalo é destes que dormem pouco e de maneira mais fracionada. Trata-se de uma particularidade herdada dos ancestrais selvagens. Com efeito, antes de ser domesticado, o cavalo vivia a céu aberto. Neste meio hostil, ele levava uma existência nômade em busca constante de comida e água.

De mais, seu estatuto de presa lhe impunha uma vigilância contínua. Assim, nas manadas selvagens, havia sempre uma vigília encarregada de dar alerta em caso de perigo. Os membros da manada não dormiam todos ao mesmo tempo. Os cavalos atuais comportam-se ainda assim.

O instinto de sobrevivência ainda está aí e enquanto a maior parte dos membros de um grupo repousa, há ao menos um que está de pé e que vigia.

No cavalo a duração de cada fase do sono é igualmente particular. O sono paradoxal, o dos sonhos, não dura, por exemplo, mais de três minutos no cavalo, ao passo que no homem dura 20 minutos.

Isto é fácil de compreender, uma presa como o cavalo não pode se permitir ficar muito tempo totalmente desligado do mundo exterior, deitado (relaxado) e perdido em seus sonhos… Só os carnívoros podem se dar este luxo.

As fases de sono lento são igualmente mais curtas nos cavalos, elas duram só 10 minutos enquanto no homem elas duram 40 minutos.

Dormir de pé

A característica mais conhecida e mais espantosa do cavalo é sua capacidade de dormir de pé. Mas, atenção, o cavalo só pode dormir em pé durante as fases de sonolência e de sono lento.

Para sonhar, ele deve absolutamente se deitar, pois o sono paradoxal relaxa todos os músculos inclusive os da postura.

O cavalo fechado em uma baia muito pequena para lhe permitir de se deitar é então privado do sono paradoxal (a menos que ele ache uma estratégia compensatória). Ele desenvolverá sem dúvida perturbações ligada a essa deficiência.

Mas voltemos à capacidade dos cavalos de dormir de pé. Este fenômeno é possível graças a certos ligamentos articulares capazes de bloquear as articulações das pernas em extensão.

Esse sistema permite ao cavalo ficar solidamente de pé sobre suas pernas “rigidificadas” como pilares, com um gasto mínimo de energia.

Esta capacidade não impede o cavalo de se deitar também como as vacas para dormir.

O ritmo diário de sono varia muito de um animal para outro. Assim, no início da manhã, perto de quatro horas da manhã alguns cavalos começam a acordar procurando alimentos, por exemplo. Outros esperarão o dia clarear para se levantar por volta das seis horas, para achar motivação necessária para sair completamente do sono. Há então os “madrugadores” e os “preguiçosos”.

Um animal robusto com sono frágil?

A vários anos, os estudos experimentais mostraram que o cavalo pode tolerar 6 ou 7 dias de privação de sono sem parecer sofrer fisicamente. Entretanto, o humor do animal tornar-se-á instável, tanto irritado, como agressivo. Apesar das necessidades limitadas de sono, a insônia pode perturbar o cavalo.

É essencial que o animal possa compensar um déficit de sono por um aumento de seu tempo de sonolência e que ele possa recuperar depois sua falta de sono.

Assim quando do transporte (viagem), em competições, por exemplo, é necessário que os cavalos disponham de um ambiente suficientemente tranqüilo para permitir a sonolência.

De volta à calma, em seu meio habitual o cavalo dormirá mais tempo que o habitual para compensar a falta de sono acumulada.

Tal como o homem, o cavalo pode ter perturbações de sono quando está estressado. Analisar o tempo de sono do cavalo bem como o tempo que ele passa deitado é então um bom meio de estimar como o cavalo suporta as suas condições de vida.

Um cavalo que o tempo de sono diminui ou que se deita menos é, infalivelmente, perturbado por um dos elementos de seu meio ambiente. Acontece como se o animal não ousasse mais adotar a posição deitada por medo de não poder se levantar de novo.

Uma simples mudança de cocheira pode provocar um estresse suficiente para atrapalhar o sono de certos cavalos durante várias noites.

Um cavalo que dorme curtos períodos e que faz trocas de posições freqüentes deita e levanta quase na mesma hora para dormir em pé, revela um estresse que é preciso determinar a origem (se este não está ligado a uma troca de meio ambiente).

Excesso de sono

Durante a época das competições, se o cavalo está longe de seu meio habitual por um período prolongado, é necessário experimentar (tentar) arrumar uma cocheira para que ele possa se sentir bastante seguro para se “dedicar” a um sono reparador e ter alguns sonhos, pois estes últimos são indispensáveis ao seu equilíbrio psicológico. Por isso ele deve poder se deitar, pois sem decúbito, nada de sono paradoxal. É a privação desse último que é responsável pela mudança de humor, de irritabilidade. Se a insônia existe no cavalo, seu contrário pode também acontecer. O excesso de sono é às vezes ligado a uma doença e é mesmo freqüente um sinal clínico revelador. Uma infecção viral ou bacteriana do cérebro pode se traduzir por um aumento do tempo passado em sonolência. O excesso de treino (e a fadiga que isso resulta) é uma outra causa que leva a um aumento do tempo de repouso em pé ou deitado.

Um cavalo adulto que se deita por um ou vários períodos prolongados durante o dia não está em estado normal. Uma atenção particular deve lhe ser dada a fim de identificar a origem desta modificação de comportamento.

Um sono em três tempos

Existem estados (etapas) de sono: a sonolência, o sono lento e o sono paradoxal, também chamado sono REM. Nos homens a nomenclatura utilizada é diferente, mas os estados são comparáveis. A sonolência corresponde ao estado de adormecimento. Os músculos relaxam, o coração e a respiração diminuem a velocidade.

O sono lento é assim chamado porque a atividade elétrica do cérebro é devagar no decorrer deste estado. É um sono profundo e recuperador, no decorrer do qual os músculos de sustentação não relaxam completamente. O sono paradoxal é o mais profundo. Este nome é devido à intensa atividade elétrica do cérebro que o caracteriza.

Os olhos do dorminhoco revelam esta atividade pêlos movimentos rápidos que eles descrevem sob as pálpebras fechadas. É por isso que chamamos também de sono REM (do inglês “Rapid Eye Movements”). Se o cérebro e os olhos trabalham intensamente, os músculos estão totalmente relaxados e o dorminhoco está totalmente desligado.

No decorrer do sono paradoxal que acontecem os sonhos, pelo menos estes sonhos um pouco estranhos que no homem parecem vir das profundezas do inconsciente.

No adulto, sonolência, sono lento e sono paradoxal seguem-se nessa ordem, para formar ciclos. Ignoramos ainda qual é a função exata dessas diferentes fases do sono. Sabemos em compensação, que o sono, e principalmente o sono paradoxal, é absolutamente indispensável à integridade física dos animais e do homem.

Ele dorme demais

Existe uma doença específica do sono, uma condição particular que encontramos também no homem, que se caracteriza por uma dificuldade de ficar acordado e que se traduz mesmo pela aparição súbita de episódios de sono paradoxal; é a “NARCOLEPCIA”.

Esta condição é rara. Felizmente, pois ela tem seu lado dramático. Com efeito, o cavalo que tem essa doença dorme bruscamente; ele passa rapidamente do acordado ao sono mais profundo, aquele do sonho.

Isso pode ocorrer a qualquer momento, por exemplo, no decorrer da escovação ou mesmo na hora do trabalho. No homem, esses episódios de sono paradoxal podem ocorrer durante uma refeição.

A pessoa dorme bruscamente e sua cabeça não estando sustentada pela atividade muscular corre o risco de (tombar) cair no prato. O acordar é tão rápido como o dormir.

A causa desta doença do sono não é conhecida. Não há lesões do cérebro que possam explicar. Essa perturbação do sono foi identificada em várias raças de cães. Nos cavalos, casos foram observados nos puro sangue inglês como nos cavalos “pesados”, e mesmo nos pôneis miniaturas.

Os episódios de sono ligados a esta doença duram de alguns segundos a vários minutos. Entre as crises, o cavalo tem comportamento normal. O tratamento dessa doença é muito difícil. Um medicamento pode ser usado, mas os resultados da terapia são variáveis de um caso para outro.

Essa “doença” não é uma descoberta recente. Ela foi identificada pela 1ª vez em 1924, mas ela era descrita como um desmaio. Ela aparece cedo no potro, com menos de um ano, quando este é afetado. Um potro pode apresentar várias crises durante sua juventude, depois não ter mais. Em outros os sinais podem persistir toda a vida. Nos casos mais graves o animal torna-se inutilizável.

Os cavalos dormem em pé?

  • Tiago Oliveira
  • Médico Veterinário Especializado em grandes animais 
  • Doutor pela USP
  • O sono é caracterizado por um complexo estado de inconsciência reversível, que traz alterações fisiológicas e comportamentais nos animais, e é regulado por impulsos homeostáticos e ciclos circadianos, sendo que o ciclo vigília-sono se realiza devido à grande interação de neurotransmissores no sistema nervoso central.

O sono é dividido, de forma simplista, em duas fases. A fase REM (Rapid Eyes Movement), ou fase paradoxal, é onde ocorrem movimentos oculares rápidos e atonia, perda do tônus muscular. Já a fase N-REM (Non-rapid Eyes Movement), é onde não ocorrem rápidos movimentos oculares, porém há hipotonia muscular e diminuição das frequências cardíaca e respiratória. Vários estudos descrevem a função essencial do sono em mamíferos. Sua importância se dá na manutenção da saúde em processos fisiológicos e metabólicos do organismo, e a falta deste gera alterações fisiológicas, inflamatórias, hormonais, de desempenho motor e cognitivo.

O cavalo, por ser a evolução de uma espécie típica de presa, adaptou seu padrão de sono dividindo-o em pequenos fragmentos. Há cerca de trinta períodos de sono – N-REM – com a duração de cerca de três a quatro minutos cada ao longo do dia, sendo que neste caso o animal descansa em estação.

Porém para atingir o sono REM, ou paradoxal, o animal precisa necessariamente estar em decúbito.

Esta fase também é curta e leva de três a cinco minutos para se concluir, sendo que, somadas estas fases o animal acaba dormindo por volta de três horas, ocorridas principalmente durante o período noturno.

Diversos trabalhos caracterizaram o tempo de decúbito em animais estabulados durante 24 horas e durante apenas o período noturno, sendo que o tempo de decúbito em 24 horas variou entre 8,2% e 11,5% entre os autores consultados. Já durante o período noturno esse percentual é maior, chegando a 19,9% do tempo. Entretanto, equinos podem exibir maior sonolência e menos sono profundo (N-REM e REM) quando passam a noite ao ar livre.

A maioria dos equinos entra em decúbito pelo menos uma vez ao dia quando existem condições ambientais adequadas, apesar de o decúbito prolongado poder apresentar algumas complicações cardíacas, respiratórias e compressões de órgãos e de musculatura.

O equino que não tem um espaço adequado ou não se sente seguro o suficiente para deitar-se, acaba deixando de dormir o sono paradoxal.

Este estresse pode causar um distúrbio comportamental do sono REM, com alterações comportamentais que podem colocar em risco a vida do animal, bem como dos seus contactantes.

Resumindo: os cavalos conseguem desenvolver parte do sono em pé, mas para atingir o sono profundo precisam se deitar e relaxar,,,

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