Como É Que O Homem Tem Explorado O Universo?

Na medida em que os instrumentos de observação celeste evoluem, astrônomos buscam cada vez mais enxergar além das fronteiras invisíveis do universo observável, encontrando galáxias, buracos negros, quasares e explosões a bilhões de anos-luz de distância da Terra. O objetivo: entender cada vez mais a formação e evolução dos objetos cósmicos e a própria origem do universo.

Saber a distância de objetos espaciais pode ser complicado. Às vezes, podemos confundir a distância que a luz desse objeto percorreu até chegar a nós e a distância real do objeto.

Faz sentido dizer que, se a luz de um objeto levou 100 milhões de anos-luz para chegar aqui, significa que este objeto está a 100 milhões de anos-luz de distância, mas é preciso considerar a expansão contínua – e cada vez mais rápida – do universo.

Desvio para o vermelho

Como É Que O Homem Tem Explorado O Universo? Gráfico ilustra o telescópio Hubble que observou a galáxia GN-Z11. O nome da galáxia indica o valor de seu desvio para o vermelho. Nessa linha temporal, ela está localizada próxima à era da reionização, pouco após o surgimento das primeiras estrelas (Imagem: NASA/ESA/P. Oesch/B. Robertson/A. Feild)

Por causa da expansão do universo, todos os objetos distantes ficam cada vez mais afastados. Por isso, astrônomos contam com uma série de números para calcular não apenas a idade e a distância que a luz percorreu até chegar a nós, mas também o quanto o objeto se distanciou enquanto essa luz viajava em nossa direção. Para esse cálculo, eles usam algo chamado desvio para o vermelho (do inglês redshift).

Resumidamente, o desvio para o vermelho é o modo como os astrônomos podem aprender sobre o movimento de objetos cósmicos observando como as cores mudam ao longo do tempo ou como elas diferem do que esperávamos ver.

Por exemplo, se um objeto é mais vermelho do que esperávamos, podemos concluir que ele está se afastando de nós. Se é mais azul, podemos dizer que está se movendo em nossa direção.

É que, à medida que um objeto se aproxima, as ondas de luz são agrupadas e movidas para a extremidade azul do espectro eletromagnético, onde a luz tem um comprimento de onda menor – isso é chamado de desvio de azul. No desvio para o vermelho, acontece o oposto.

A distância “real”, afetada pela expansão do universo, é chamada de “distância comóvel”.

Assim, podemos entender como objetos que deveriam estar a menos de 13 bilhões de anos-luz de distância estão, atualmente, muito mais longe que isso. Também explica como somos capazes de enxergar algo tão longe – a luz chegou até nós viajando uma distância bem inferior que a distância na qual objeto se encontra atualmente.

Dito isto, confira quais são os objetos mais distantes já encontrados no universo – até então.

Como É Que O Homem Tem Explorado O Universo? Foto: NASA/ESA/A. Riess/D. Jones/S. Rodney

Esta é a supernova mais distante do tipo la já descoberta, e ela explodiu há mais de 10 bilhões de anos. Supernovas desse tipo são usadas como indicadores de distância por causa de seus brilhos.

Com esse critério, os astrônomos medem distâncias no universo e a taxa de expansão dele.

Steve Rodney, da Johns Hopkins University, disse que “quanto mais entendermos essas supernovas, mais preciso nosso critério cósmico se tornará”.

A SN UDS10Wil foi apelidada de “Wilson” por seus descobridores, em homenagem a Woodrow Wilson, o 28º presidente dos EUA, e está em um desvio para o vermelho de 1,9. Sua distância é estimada em 17 bilhões de anos-luz.

Supernova SN 1000+0216

Como É Que O Homem Tem Explorado O Universo? Imagem: Adrian Malec/Marie Martig 

Essa é a supernova mais distante já observada, em um desvio para o vermelho de 3,8993. Ela é uma supernova do tipo II (colapso do núcleo) e pode ter se formado através do mecanismo de instabilidade dos pares, onde a produção da pares elétron-pósitron retarda o colapso gravitacional, fazendo com que toda a massa da estrela seja ejetada na explosão, sem deixar nenhum remanescente. Isso explicaria seu brilho extraordinário.

Ela foi observada primeiro em 2006. Seu pico absoluto de ultravioleta distante excedeu a magnitude absoluta total de sua galáxia hospedeira, e sua luminosidade evoluiu lentamente ao longo de vários anos, pois ainda era detectável em novembro de 2008. Tanto a alta luminosidade quanto a decaimento lento indica que o progenitor da supernova era uma estrela muito massiva.

Galáxia MACS1149-JD1

Como É Que O Homem Tem Explorado O Universo? Foto: Alma/Nasa/Esa/W. Zheng/M. Postman/The Clash Team/Hashimoto

A MACS1149-JD1 é uma galáxia cuja luz viajou uma distância de 13,28 bilhões de anos-luz até chegar à Terra. Seu desvio para o vermelho é de 9.1096 e sua distância comóvel é estimada em 30,37 Gly (gigalight-year, unidade que representa 1 bilhão de anos-luz). Ela foi fotografada pelos nossos instrumentos graças ao efeito de lentes gravitacionais – a gravidade de um aglomerado em primeiro plano faz com que a luz da galáxia distante seja distorcida e ampliada. É a segunda galáxia mais distante de nós, com distância confirmada por espectroscopia.

Em 2019, o rádio-observatório ALMA (Atacama Large Millimeter Array) coletou dados dessa galáxia e descobriu um fraco sinal de oxigênio por lá. Assim, ela bateu o recorde de presença mais distante – e mais antiga – de oxigênio já detectada no universo. Suas estrelas foram formadas apenas 250 milhões de anos após o Big Bang, que ocorreu há 13,8 bilhões de anos. 

Como É Que O Homem Tem Explorado O Universo? Foto: Nasa/Cxc/Nrc/C.Cheung/Stsci/Nsf/Nrao/Vla

O jato de raios X mais distante do universo é proveniente do quasar GB 1428, que nos envia luz de quando o universo tinha apenas 1,25 bilhão de anos – menos de 10% da sua idade atual.

Este jato vem de elétrons que aquecem fótons da radiação de micro-ondas de fundo cósmico e tem mais de 230.000 anos-luz de extensão, aproximadamente o dobro do tamanho da Via Láctea. Seu desvio para o vermelho é de 4.

72 e sua distância é estimada em 12,4 Gly.

Quasar ULAS J1120+0641

Como É Que O Homem Tem Explorado O Universo? Foto: ESO/UKIDSS/SDSS

Este é um quasar muito distante alimentado por um buraco negro com uma massa de dois bilhões de vezes a do Sol. Ele foi o quasar mais distante conhecido entre 2011 até 2017, com desvio para vermelho de 7 e distância comóvel estimada em 28.85. Aparentemente, ele data de apenas 745 milhões de anos após o Big Bang.

Essa imagem foi criada a partir de imagens obtidas de pesquisas feitas pelo Sloan Digital Sky Survey e pelo UKIRT Infrared Deep Sky Survey . O quasar aparece como um ponto vermelho fraco próximo ao centro.

Como É Que O Homem Tem Explorado O Universo? Imagem: Robin Dienel/Carnegie Institution For Science

Quem roubou o posto de quasar mais distante do universo do ULAS J1120+0641 em 2017 foi o ULAS J1342+0928.

Além de agora ser considerado o mais distante, também é alimentado pelo buraco negro supermassivo mais distante e mais antigo já encontrado.

Ele tem um desvio para o vermelho de 7,54, superando o desvio em 7 do ULAS J1120+0641 e lhe conferindo uma distância comóvel estimada em 29.36 Gly.

O ULAS J1342+0928 está localizado na constelação de Boötes e seu buraco negro supermassivo tem 800 milhões de vezes a massa do Sol. O quasar se originou em um período conhecido como “época da reionização”, quando o universo saiu de sua “Idade das Trevas”.

GRB 090423

Como É Que O Homem Tem Explorado O Universo? Imagem: ESO/A. ROQUETTE

Esse objeto foi uma explosão de raios gama (GRB) detectada em 2009. Seu brilho foi visto através do infravermelho e permitiu que os astrônomos determinassem que seu desvio para o vermelho é 8.2, sendo este um dos objetos mais distantes detectados até o momento.

GN-z11

Como É Que O Homem Tem Explorado O Universo? Imagem: NASA/ESA/G. BACON

Esta é atualmente a galáxia conhecida mais distante de nós. Ela está localizada na constelação de Ursa Maior e também é a mais antiga do universo observável. Esta galáxia tem um desvio para o vermelho de 11,09, e sua distância comóvel é estimada em 32 bilhões de anos-luz da Terra.

Quando olhamos para a GN-z11, vemos como ela estava há 13,4 bilhões de anos, ou seja, apenas 400 milhões anos após o Big bang. Mas, como em todos os outros objetos mencionados, a expansão do universo a levou a distâncias bem superiores.

Fonte: Forbes, LCO, Sky and Telescope, UCL, 

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Exploração da Lua ampliou o conhecimento do universo

http://jornal.usp.br/wp-content/uploads/DIALOGOS-NA-USP-28-07-17-BL-01.mp3 http://jornal.usp.br/wp-content/uploads/DIALOGOS-NA-USP-28-07-17-BL-02.mp3 Astronauta Buzz Aldrin fotografado por Neil Armstrong (o primeiro homem a pisar na Lua) durante a missão Apollo 11, em 20 de julho de 1969 – Foto: Neil A. Armstrong / NASA via Wikimedia Commons / Domínio público

No dia 20 de julho de 1969, os astronautas norte-americanos Neil Armstrong e Edwin Aldrin, tripulantes da Apollo 11, se tornaram os primeiros seres humanos a aterrissar na Lua. A frase de Armstrong ao pisar no solo lunar – “Um pequeno passo para um homem, um grande salto para a humanidade” – se tornou histórica. Para comentar o tamanho deste “salto para a humanidade”, com a primeira visita do homem ao satélite natural da Terra, o programa Diálogos na USP – Os Temas da Atualidade desta semana recebeu os professores Pedro Luiz Cortês, da Escola de Comunicações e Artes (ECA), e João Evangelista Steiner, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG), ambos da USP.

Pedro Cortês acredita que o Programa Apollo “representou, nos anos posteriores, ganhos significativos para a humanidade. Houve quem criticasse na época se isso representaria algum ganho significativo para a humanidade.

Tivemos uma melhor compreensão da ciência, de como surgiu a Terra e como ela evoluiu, de qual o papel da Lua nessa evolução da Terra, mas também verificamos uma série de evoluções em relação à tecnologia.

Não é uma surpresa que nos anos subsequentes, já na década de 1970, surgiram os primeiros microcomputadores”.

Ele também contextualiza o interesse da chegada à Lua a partir da corrida espacial durante a Guerra Fria, período de disputa militar e de propaganda ideológica entre norte-americanos e soviéticos, que permitiu a criação e desenvolvimento de sondas e satélites que puderam fornecer informações sobre a Lua e também sobre outros planetas a serem explorados.

João Steiner e Pedro Côrtes – Foto: Cecília bastos/USP Imagens

Steiner lembra que o lançamento do Sputnik pelos soviéticos foi um evento “marcante e um grande choque para os americanos”, pois constatou-se o quanto os soviéticos estavam avançados, a ponto de colocarem um satélite em órbita.

 Em função desse choque, os americanos criaram a Nasa (em português, Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço), centralizando em apenas um órgão os programas espaciais existentes nos EUA.

Ele aponta que a Nasa “se tornou-se um órgão extremamente eficiente, com uma ‘montanha’ de recursos à disposição e teve de inventar formas de gestão inéditas”, um projeto tão complexo e tão organizado, que viabilizou a visita do homem à Lua e criou um modelo-exemplo de como se desenvolve um programa espacial, mostrando como um  programa estratégico bem concebido tem consequências para o desenvolvimento tecnológico, industrial e econômico. O professor acrescenta que um programa espacial bem-sucedido, como o da Nasa, além de permitir a visita do homem à Lua, demonstrou “o quanto um programa estratégico de ciência e tecnologia pode ter consequências importantes para a sociedade”. Ouça a íntegra da entrevista nos áudios acima.

Como É Que O Homem Tem Explorado O Universo?Política de uso A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal da USP e do autor. No caso dos arquivos de áudio, deverão constar dos créditos a Rádio USP e, em sendo explicitados, os autores. Para uso de arquivos de vídeo, esses créditos deverão mencionar a TV USP e, caso estejam explicitados, os autores. Fotos devem ser creditadas como USP Imagens e o nome do fotógrafo.

Por que conhecemos mais sobre o universo do que o próprio oceano?

Pode ser que, a princípio, seja um pouco contra intuitivo conhecermos mais sobre o universo que está tão mais distante do que o oceano que está logo ali.

Afinal, cerca de 71% da superfície da Terra é coberta por água. Desses, 97% é água salgada.

Sendo assim, como é possível conhecermos mais sobre o cosmos do que nosso próprio quintal? É por que não temos interesse? É por não ser importante ou ser algo irrelevante? Vamos descobrir!

Antes de responder, vamos analisar alguns fatos:

  1. No final dos anos 40, pós Segunda Guerra Mundial, a exploração mais profunda do oceano até então era de, acreditem, apenas 900 metros;
  2. Em 1953, alcançamos o topo do Monte Everest. Sim, foi mais fácil escalar 8.848 metros do que mergulhar 1.000 metros;
  3. Na década seguinte, em 1969, Neil Armstrong pousava em solo lunar com a Apollo 11 e nada de avanços significativos na exploração oceânica;
  4. Já no século XXI, mais precisamente em 2002, possuíamos um mapa 3D mais detalhado de Vênus do que dos relevos oceânicos;
  5. Mesmo hoje em dia, com plataformas de petróleo espalhadas por todo o mundo, extraindo inúmeros barris por dia a partir da perfuração do solo oceânico, conhecemos muito pouco.
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Ok, mas qual o motivo disso? Quando falamos da exploração dos oceanos, devemos ter três coisas em mente: a escuridão, a pressão e o tamanho dos oceanos. Esses são os principais obstáculos que impedem uma ampla exploração e mapeamento dos oceanos.

A escuridão

Para falarmos da escuridão, destaquemos a importância da luz. O fitoplâncton é o maior exemplo da importância da luz solar no ambiente aquático. Trata-se de um produtor primário em ambientes aquáticos. Os produtores primários representam a base de qualquer cadeia alimentar.

Eles realizam a fotossíntese com a luz proveniente do sol e oxigenam a água e a atmosfera. Acredita-se que os fitoplânctons são responsáveis por 70% de todo o oxigênio disponível na atmosfera. Devido a isso, as costas oceânicas abrigam a maior parte da biodiversidade marinha.

Até os 200 metros de profundidade chega luz suficiente a todos os seres. Mas a partir de 200 metros, a intensidade da luz solar começa a diminuir aos poucos. Por volta dos 1.

000 metros de profundidade, uma ótima lanterna de mergulho não ilumina mais que 25 metros a frente. Para se ter uma ideia do quanto a falta de luz influencia na exploração, só conseguimos observar uma lula-gigante em seu habitat natural — a 1.

000 metros de profundidade — em 2013. Antes esses animais eram encontrados somente em barrigas de baleias ou mortas em praias.

A pressão

O que é a pressão e por que ela é um obstáculo na exploração dos oceanos? Você deve ter aprendido na escola que, se você escalar uma montanha, o ar fica mais rarefeito e a pressão atmosférica diminui. Alpinistas que escalam o Everest precisam de cilindros de oxigênio para chegarem ao topo. Você já se perguntou o porquê disso?

Basicamente, a pressão é a força exercida pelo ar — ou pela água — em um determinado ponto. Nesse ponto, a força é maior ou menor dependendo do quanto de ar existe em cima de você, a chamada coluna de ar. Portanto, quanto mais próximo ao nível do mar, mais pressão. E, quanto maior a altitude, menos pressão. Veja essa ilustração abaixo:

Ilustração de pressão atmosférica comparando as lacunas de ar em São Paulo e Santos

Como a cidade de São Paulo está a 750 metros de altitude, há menos ar em cima da cidade e, consequentemente, a pressão é menor. Já em Santos, ao nível do mar, a pressão é maior pois existe mais ar em cima da cidade. Essa é a famosa coluna de ar.

Quando falamos do ar, a pressão é muito menos agressiva. A diferença de 750 metros entre São Paulo e Santos é desprezível e não tem efeito prático na vida das pessoas. Não é mais difícil morar em São Paulo devido à altitude. Talvez seja em La Paz, que fica a 3.640 metros de altitude, mas não em São Paulo.

A lógica da pressão na água é a mesma, mas ao invés de colunar de ar, é coluna de água. E, como a água é muito mais densa que o ar, a coluna de água é muito mais agressiva.

A cada 10 metros que mergulhamos no mar, aumenta 1 atm de pressão. Logo, se ao nível do mar temos 1 atm, quando mergulhamos 10 metros no mar, temos 2 atm. Abaixo temos uma imagem que talvez ajude a entender essa lógica.

Ilustração da pressão atmosférica no oceano em camadas

Agora as coisas começam a ficar bizarras. Quando os mergulhadores chegam aos 60 metros de profundidade, a pressão é forte o suficiente para transformar o ar do cilindro em gás tóxico. A pressão no oceano é implacável e mesmo em profundidades pequenas ela faz uma diferença enorme.

Quando chegamos a 400 metros de profundidade, torna-se necessário um submarino.

Um ser humano até consegue mergulhar a uma profundidade dessas, mas é preciso um traje de mergulho tão complexo quanto de astronautas! Por este e outros motivos, acaba sendo mais fácil explorar o espaço e chegar à Lua.

Estão percebendo a diferença absurda? Quando falamos de pressão atmosférica, no ar, os 750 metros de diferença entre Santos e São Paulo não mudam nada. Mas apenas 400 metros de profundidade no mar, são precisos submarinos. Por isso achei necessário introduzir a pressão atmosférica primeiro, como base de comparação.

Agora vamos ao fundo do mar, o habitat das criaturas mais bizarras do planeta. Com mais de 10.000 metros de profundidade, a Depressão Challenger é o lugar mais profundo do oceano. Para se ter uma ideia do quão absurdamente profundo é isso, vamos fazer uma comparação básica: o lugar mais alto versus o lugar mais fundo.

A Depressão Challenger possui uma profundidade de 10.923 metros, enquanto que o Monte Everest possui uma altura de 8.848 metros. Ou seja, a Depressão Challenger é tão profunda que daria pra colocar o Monte Everest dentro dela e ainda faltaria aproximadamente 2.000 metros para chegar até a superfície do oceano!

Nós mal conseguimos mergulhar mais de 400 metros sem a ajuda de submarinos. Agora imagine a pressão no fundo da Depressão Challenger!! Usando a lógica do aumento de pressão conforme os metros de profundidade, chegamos a um total de 1.100 atmosferas de pressão no fundo da Depressão Challenger. Com 1.

100 atmosferas, cada 6 cm² tem um peso aplicado de uma Torre Eiffel. Ou seja, mais de 10 mil toneladas. Sim, é isso mesmo. Cada 6 cm² no fundo da Depressão Challenger possui um peso de 10 mil toneladas! Nessa profundidade, bolas de aço são esmagadas pela pressão como se fossem feitas de gel. E, por incrível que pareça, há vida nessas profundidades.

As chamadas criaturas abissais. Peixes dos mais variados tipos e formas.

O tamanho

Como dito anteriormente, 71% da superfície terrestre é coberta por água. Além disso, a média de profundidade dos oceanos é de, aproximadamente, 3.000 metros. Somente com esses dois aspectos já fica bem evidenciado o tamanho do oceano. É muita água. Nós conhecemos bem até os 200 metros de profundidade, além disso nós não exploramos quase nada.

O fenômeno que deixa ainda mais explícito o tamanho do oceano chama-se bioluminescência. A bioluminescência é a produção de luz por seres vivos através de processos bioquímicos, como é o caso dos vaga-lumes.

Apesar do vaga-lume ser o exemplo mais conhecido, a maior parte dos animais que usam esse aparato evolutivo vivem nos oceanos. Assim como o olho, a bioluminescência é uma característica homoplástica, ou seja, surgiu independentemente várias vezes na história evolutiva.

O mar é tão grande que podemos afirmar com certeza que a bioluminescência é o modo de comunicação mais comum do planeta. Sim, mais do que gestos, expressões, cheiros, cores ou sons.

Exemplo de bioluminescência no mar

Conclusão

Podemos concluir que o maior motivo para não explorarmos tanto o oceano é a limitação tecnológica, além de ser muito caro e trabalhoso. Cerca de 90% do oceano ainda não foi mapeado e conhecemos apenas 1/3 da biodiversidade marinha.

Walter Smith, geofísico da Agência Americana Ocêanica e Atmosférica (NOAA), apresentou um estudo que estimou as dimensões do esforço que seria necessário para mapear todo o oceano além dos 500 metros de profundidade.

O resultado foi impressionante: seriam necessários 40 embarcações, 5 anos de trabalho e cerca de 3 bilhões de dólares. Colocar isso em prática seria um trabalho árduo.

É claro que, para padrões de economia mundial, 3 bilhões não é tanto dinheiro, mas 3 bilhões de investimento para pesquisa científica? Isso é impensável na maioria dos países e, no Brasil, chega a ser cômico pensar nisso. Com esse custo de tempo e dinheiro, esse projeto seria um dos maiores investimentos científicos da história, bem como o Grande Colisor de Hádrons (LHC).

O mar, assim como o espaço, é algo fascinante. Pela grandeza, riqueza e complexidade. Quando se fala em biodiversidade, é comum pensar nas florestas tropicais, mas é nos oceanos que está a maior diversidade de espécies do planeta, mesmo conhecendo muito pouco. Formas de vida que jamais imaginaríamos.

Deixando o romantismo de lado, é muito importante que preservemos os oceanos. Além do fato de ter a maior biodiversidade do mundo, ele é importantíssimo para nós, como civilização.

Todos nós dependemos dos oceanos para a sobrevivência. Os oceanos regulam a temperatura do planeta, são os maiores produtores de oxigênio e interferem diretamente nos tipos climáticos.

Portanto, é preciso estudá-lo e preservá-lo.

Pedro Henrique. Programador e aspirante a físico. Especialista em transformar café em código e texto.

O Universo é um jogo de espelhos

O Universo provavelmente está povoado de cópias de você. E de sua mãe, do Usain Bolt e do Elon Musk. Em algumas, Bolt é sedentário e Musk é pobre. Em outras, tudo segue exatamente do jeito que está – você, inclusive, lê esta revista, nesta mesma posição.

Para encontrar essas cópias, você teria que começar a viagem mais longa da sua vida. Suba em um foguete imaginário. Deixe a Terra para trás. O Sol ficará cada vez mais distante, até sumir. Depois, as estrelas também desaparecem: cada um dos pontos brilhantes que você vê agora é uma galáxia inteira. E a viagem segue.

Eis que, em certo momento, você vê pela janela uma galáxia bem parecida com a Via Láctea. Então entra nela para dar uma explorada. Lá dentro, encontra estrelas bem familiares.

Entre elas, uma de tamanho médio com um punhado de planetas em volta. Chegando mais perto, você vê que o terceiro planeta mais próximo da estrela parece uma bola de gude azul.

Sim: um planeta idêntico à Terra, a zilhões de mastodontilhões de milênios-luz daqui.

Tudo na superfície desta outra Terra é igual à desta aqui: continentes, montanhas, oceanos. Os mesmos seres vivos, de uma ararinha azul que acaba de nascer na Amazônia de lá até o seu cachorro, criado por um clone exato seu que mora ali.

Um clone mesmo: com a sua cara, seu nome, seus medos, seus amores, seu passado.
Essa possibilidade parece absurda. É absurda. Mas pode ser real também.

Mais do que isso: se o Universo for grande o suficiente (e a princípio ele é mesmo), a existência desse seu clone lá longe é uma imposição da matemática.

Quão grande o Universo precisa ser para possibilitar tal aberração? Bom, isso tem a ver com a variedade do nosso “guarda-roupa” cósmico. Imagine que no seu armário há 10 calças e 20 camisetas. Com esse conteúdo, é possível passar 200 dias sem repetir nenhum look.

No 201º dia, porém, a repetição é obrigatória. No Universo é a mesma coisa. A região que ocupamos nele nada mais é que um conjunto de partículas, que se combinaram para formar o Sol, a Terra, os seus pensamentos. Tudo.

Porque tudo o que existe, afinal, é feito de partículas elementares. Arranje essas partículas de um jeito, e você terá uma gosma disforme de moléculas. Arrume de outro, e você terá um cérebro, um par de olhos, um corpo, este texto.

A existência da nossa realidade é só um look que o Universo escolheu para as zilhões de partículas que estão dentro dele.

O Universo é bem uniforme. Podemos supor, então, que regiões do mesmo tamanho contêm o mesmo número de partículas. Esses quarks, fótons e elétrons se combinam de muitas outras formas nas regiões vizinhas à nossa.

O que interessa é que o número de combinações dessas partículas é gigante – mas finito. Chegaremos à quantidade exata. Mas a conclusão é a mesma do guardaroupa: se tivermos mais “regiões” no Universo do que combinações possíveis entre as partículas que as habitam, em algum lugar vão existir regiões exatamente iguais.

Em um Universo imenso, portanto, um clone exato seu é bastante provável. Mais: se o Universo for infinito, é obrigatório que existam infinitos clones seus. E há motivos convincentes – impulsionados por observações feitas na última década – para acreditar que o cosmos não tem fim.

E tudo por causa de algo que mal cabe na imaginação: o formato real do Universo.

É difícil entender que o Universo sequer tenha um formato. O que vemos ao olhar para o céu parece ser um imenso vazio pontuado de estrelas. Mas esse “todo” precisa se organizar em alguma forma definida.

Isso porque ele contém massa e, segundo a Teoria da Relatividade, qualquer coisa que tenha massa cria uma curva nas dimensões de tempo e espaço. O espaço pode ser pensado como um tecido bem esticado. Uma bola de gude lançada ali vai afundar um pouco o tecido. Uma bola de boliche cria uma curvatura ainda maior.

Da mesma forma, se tiver muita matéria (muita massa) no Universo, ele se curvaria até ficar esférico. Se esse fosse o caso, então, viveríamos na superfície de uma bexiga gigantesca.

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Uma bexiga tem três dimensões (altura, largura e comprimento).

Mas uma formiga na superfície da bexiga só é capaz de perceber duas: ela pode andar de lado ou para frente e para trás, mas não para “cima” – porque, na prática, isso significa sair da bexiga.

Como a formiga, não conseguimos sair da “superfície” do Universo. O cosmos, por esse ponto de vista, consiste numa superfície 3D inserida numa esfera 4D.

Se o Universo for essa esfera quadridimensional e você sair para uma viagem espacial, sempre em linha reta, necessariamente voltaria ao ponto de início da viagem.

Mas uma esfera não é o único formato possível. O Universo pode ter muita energia escura, uma entidade que tem efeito oposto ao da massa – estica o Universo, em vez de contrair. E aí, ao contrário de uma esfera, o Universo teria uma curvatura negativa. O resultado, difícil de imaginar, mas válido para os matemáticos, é uma batata Pringles em quatro dimensões.

A última opção é um Universo que tenha uma quantidade de massa e de energia escura equivalentes, com uma anulando a outra. Nesse caso, não existe curvatura. Então o Universo não seria nem uma bexiga nem uma batata em quatro dimensões. Seria plano.

Em um Universo plano, você nunca voltaria ao ponto em que saiu, ainda que viajasse por trilhões e trilhões de anos. Se for o caso, sua viagem só teria dois itinerários possíveis: ou você encontraria o fim do Universo, uma borda depois da qual não existe nada, ou, o que é extremamente mais provável, esse Universo não tem bordas nem fronteiras. Sua extensão é infinita.

Essa discussão é importante para garantir a existência dos seus clones. Porque só um Universo plano pode ser infinito, sem limite em nenhuma direção. A boa notícia é que chegamos a uma resposta quase definitiva, graças às Micro-ondas Cósmicas de Fundo, as formas de luz mais antigas que conseguimos enxergar, emitidas poucos milhares de anos após o Big Bang.

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Na última década, a sonda WMAP, da Nasa, usou essa radiação para medir a curvatura do cosmos. O cálculo final conclui que o Universo é plano, veja só. E com uma margem de erro de apenas 0,4%.

O estudo foi reforçado pela Pesquisa Espectroscópica de Oscilação Bariônica (BOSS, em inglês), publicada em 2014, que mediu a densidade do Universo com a maior exatidão já vista. O que a BOSS detectou foi que o Universo abriga basicamente a quantidade de massa exata necessária para ser plano.

Mesmo assim, um Universo plano não é necessariamente infinito. Ele pode ser como uma tela de Pac-Man. Você sai por uma ponta e aparece na outra – ideia aparentemente absurda, mas apoiada por alguns cientistas. Mesmo assim, os especialistas concordam no seguinte: se o Universo é, de fato, plano, todos os cálculos permitem supor que ele seja infinito.

Isso quer dizer que, na sua viagem de trilhões e trilhões de anos-luz de duração, você jamais voltaria para o ponto de onde saiu. E, no caminho, começaria, obrigatoriamente, a encontrar os seus clones. Porque o único padrão possível na infinitude é a repetição.

– Tomás Arthuzzi/Superinteressante

Um novo Big Bang

Em um Universo infinito, a forma como entendemos o momento de origem muda completamente

Se o Universo é de fato infinito, ele sempre foi infinito – até no Big Bang. A Lei de Hubble mostra que o cosmos está expandindo, porque as galáxias estão se afastando (e as mais distantes se afastam mais rápido). Se o relógio girasse ao contrário, veríamos o oposto: tudo se aproximando em um Universo cada vez menor, até tudo que existe estar contido em um só ponto.

Nesse ponto de densidade absurda aconteceu o Big Bang. Essa é a explicação convencional. Mas em um Universo infinito, é preciso olhar por outro ângulo. A matemática, afinal, permite “infinitos maiores” e “infinitos menores”. Pegue uma reta infinita e serre ela ao meio. Você terá duas retas menores que a original, mas ainda infinitas.

Se o tempo corresse ao contrário, o Universo ficaria menor, mas ainda infinito. Veríamos galáxias se aproximando, até se fundirem. Só que um cosmos infinito e homogêneo tem galáxias infinitas – e a fusão de todas elas levaria a um pico de densidade em todos os seus pontos.

Conclusão: um Universo sem limites pode ter sido infinitamente denso, o que também cumpre os requisitos para o Big Bang. Boom.

Quando você encontraria sua primeira cópia? Esse cálculo foi feito pelo cosmólogo do MIT Max Tegmark. Ele é mais fácil de entender se pensarmos no Universo como uma grande colcha de retalhos.

Nosso universo visível, também chamado de horizonte cósmico, é um desses retalhos, que se estende a 42 bilhões de anos-luz em todas as direções. Dentro de cada um desses retalhos, existem 10118 unidades subatômicas que formam tudo que existe.

São 10000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000 partículas.

Todas elas estão presentes em todos os retalhos, mas podem ter combinações variáveis, gerando realidades totalmente diversas. Segundo Tegmark, você teria que elevar 210 , depois pegar o número resultante e elevá-lo à 118. Essa seria a quantidade de opções de retalhos diferentes, dígitos suficientes para travar seu computador.

Isso quer dizer que, a cada região composta de 210  elevado a 118 retalhos, vai existir, no mínimo, um que é uma cópia exata do horizonte cósmico em que vivemos. As mesmas galáxias, o mesmo sistema solar, a mesma Terra.

Chegando a um país igual ao Brasil, você encontraria alguém que vive em uma casa igual à sua, bebe a mesma cerveja com os mesmos amigos e tem as mesmas marcas de espinha no rosto. Daqui até lá, a distância máxima a se viajar é de 1010 elevado a 118 metros.

10 elevado a 10 elevado a 118: essa é a distância máxima (em metros) daqui até o próximo universo idêntico ao nosso. Mas, para cada xerox exato, o espaço está repleto de cópias distorcidas de tudo o que você conhece…

Não existe papel suficiente no planeta para escrever tantos zeros. Trata-se de um número tão imenso que nem faz diferença se ele for expresso em milímetros ou em anos-luz.

A diferença entre um milímetro e um ano-luz, afinal, consiste em meros 18 zeros.

E, de novo, estamos falando em um número com mais zeros do que grãos de areia em todas as praias e desertos da Terra – e de Marte também.    

A ficção científica vira filme de terror, porém, se pensarmos que, de acordo com a matemática, é mais fácil produzir cópias inexatas do que clones perfeitos. Então, a cada cópia exata do nosso Universo conhecido, você encontraria versões distorcidas dele. Antes de completar a jornada, você certamente encontraria uma série de Universos em que as partículas nem geraram vida.

Ou geraram, mas nada remotamente parecido com aquilo que existe agora na Terra. Em outra parte do Universo, nós, terráqueos, curamos o câncer. Em outra, Hitler venceu a Segunda Guerra. Em uma terceira, você ganhou na loteria. Afinal, a cura do câncer, o destino de Hitler ou a sua sorte no jogo nada mais são que configurações possíveis das partículas que formam o Universo.

Num cosmos grande o suficiente, a existência de clones infinitos de você é uma certeza inabalável. A de versões distorcidas de tudo o que você conhece também. Tudo o que pode existir irá existir.

– Tomás Arthuzzi/Superinteressante

Só tem um problema: nós nunca, em nenhuma hipótese, encontraremos nossas cópias ou essas versões alternativas da história. Porque dentre tudo o que você leu aqui, a única coisa realmente impossível é a viagem em que você embarcou no início deste texto.

Afinal, nada viaja além da velocidade da luz – isso Einstein já estabeleceu com a Teoria da Relatividade. Mas há uma “exceção”: a velocidade com que o próprio Universo está se expandindo.

O nosso horizonte cósmico, ou o retalho que habitamos na colcha do Universo, aumenta de tamanho sem parar. Com isso, a fronteira entre este retalho e o próximo fica cada vez mais distante.

Na borda do nosso retalho estão as galáxias mais longínquas que podemos ver. Elas emitiram sua luz pouco depois do Big Bang, há 13,8 bilhões de anos. Se o Universo não se expandisse, essas galáxias estariam a pouco menos de 13,8 bilhões de anos-luz de distância.

Mas, desde que brilharam em nossa direção pela primeira vez, elas se afastaram cada vez mais rápido. Hoje, estão a mais de 40 bilhões de anos-luz. E a distância segue aumentando a uma velocidade bem maior que a da luz.

Como é impossível construir qualquer coisa que se desloque mais rápido que a luz, jamais conseguiremos enxergar além do horizonte cósmico, do limite do retalho. A luz que esses objetos emitem jamais chegará aos nossos telescópios.

Eis a grande pegadinha da natureza: as leis que governam o cosmos são permissivas o bastante para suportar a tese de que o Universo está cheio de clones seus.

Por outro lado, elas são implacáveis a ponto de manter essas maravilhas do mundo das probabilidades completamente fora do nosso alcance. Para sempre.

O irônico é que, do ponto de vista do seu clone espacial que está lendo este texto agora, quem está fora de alcance é você. Vivamos com isso.

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O Homem e sua influência no PLANETA TERRA

  •  
  • A proteção e o melhoramento do meio ambiente humano é uma questão fundamental que afeta o bem-estar dos povos e o desenvolvimento econí´mico do mundo inteiro, um desejo urgente dos povos de todo o mundo e um dever de todos os governos.
  • (Declaração de Estocolmo sobre o ambiente humano – ONU – 1972)
  • Por Guile Rocha
  • ______________

Nosso planeta Terra, o terceiro mais próximo do sol nesse sistema solar que nos circunda. Formado por milhíµes de organismo vivos,   que interagem num complexo processo para a manutenção da vida, é um mundo que é berço de extraordinários espécimes da existência.

No ano de 1969, a primeira foto da Terra vista do espaço tocou o coração da humanidade com a sua beleza e simplicidade. Era a primeira vez que ví­amos este grande mar azul em uma imensa galáxia, e isto chamou a atenção de muitos para o fato de que vivemos em uma única Terra “ um ecossistema frágil e interdependente.

Mas nós, os seres humanos, hoje autoproclamados senhores desse mundo, já ví­nhamos há tempo transformando a Terra com nossa ação. O planeta fornece recursos que são exploráveis pela espécie humana para fins úteis.

Muitos locais onde a natureza prosperava livremente foram modificados, sujeitos í  intensa ação de origem humana.

Atualmente, a noção de nossa inconsequência é bem sabida:   intoxicação do ar e da água, chuva ácida e substâncias tóxicas, desmatamento,   perda da vida selvagem, extinção de espécies, degradação e esgotamento do solo. Mazelas e feridas que deixamos em nosso ambiente natural.

Histórico da relação homem x natureza

Não é de hoje que conseguimos verificar toda a influência do homem na natureza. Mesmo antes da descoberta do fogo, a humanidade já vinha transformando o meio ambiente para suprir todas as suas necessidades de sobrevivência.

Há 10 mil anos atrás inventamos a agricultura e começamos a domesticar animais. Assim, a espécie humana conseguiu diminuir sua dependência em relação í  natureza, tornando-se não mais ní´made, e fixando-se em habitaçíµes.

As relaçíµes ser humano x natureza mudaram de uma perspectiva de ˜™uma coisa só para uma relação de domí­nio desta por aquele.

No pensamento antigo e medieval, a ideia que se tem de natureza é que vive-se nela e retira-se dela os recursos necessários para a sobrevivência. No plano simbólico, foi inspiração para criação de deuses em várias culturas.

Utensí­lios e inovaçíµes tecnológicas surgiam, mas o desgaste da natureza não era tão grande.

O pensamento daquela época era de que há uma durabilidade dos recursos naturais, não existe a preocupação com a escassez e o fim dos mesmos.

A partir do Renascimento (séc. XVI) e com a difusão de ideias antropocêntricas e racionais, a relação entre ser humano e natureza sofre também uma mudança bem significativa.

Isso ocorreu pelo fato do ser humano passar a ser considerado o ‘centro do mundo’, um ser privilegiado por suas habilidades racionais.

Esse pensamento fortaleceu a noção de que estarí­amos aptos para explorar e nos apropriarmos da natureza – não mais como direito divino, mas utilizando a racionalidade que nos diferencia dos demais animais. Entretanto, a racionalidade parece ter ficado na teoria em muitos pontos.

Leia também:  Como Esquecer Uma Pessoa Que Não Te Ama?

Em plena revolução Cientí­fico-industrial o mundo natural passa a ser objeto de conhecimento empí­rico-racional, de uso do ser humano para bem de seu desenvolvimento de suas atividades.

No século XVII, a partir da primeira revolução industrial, a relação do ser humano com a natureza é apoiada pela visão mecanicista do mundo – e confere a natureza o ˜™status de meio de obtenção de lucro e ‘recursos naturais infinitos’   para uso dos seres humanos.

Assim começa-se a construir e intensificar uma relação cada vez mais exploratória da natureza pelo ser humano,  e esta foi transpassando os séculos num voraz uso dos recursos naturais, até que os recursos foram dando sinais de que não eram tão infinitos quanto se imaginava.

Identificando o atual cenário do século XXI, já existe uma boa parcela dos cientistas que defende a criação de um novo perí­odo geológico: o antropoceno. A mudança de perí­odo aconteceria porque, segundo cientistas, não há mais condiçíµes de se dividir as atitudes humanas í s transformaçíµes do meio ambiente.

A biologia, a quí­mica a genética e a agronomia são alguns dos campos onde os usos da natureza são exaustivamente desenvolvidos.

  Cientistas e pesquisadores alegam que as transformaçíµes causadas pelo homem na natureza são irreversí­veis e, por conta disso, estarí­amos entrando em uma era definitiva – e que para muitos pode acabar num fim trágico.

Responsabilidade com o Meio Ambiente

Com a intensificação da ação humana nas últimas décadas, a responsabilidade de proteger a saúde e o bem-estar desse ecossistema começou a surgir também na consciência coletiva do mundo.

Em 1972, durante a Conferência das Naçíµes Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, em Estocolmo, a Organização das Naçíµes Unidas (ONU) instituiu o Dia Mundial do Meio Ambiente, que passou a ser comemorado todo dia 05 de junho.

A data (escolhida para coincidir com a realização desta conferência, então inovadora) tem como objetivo principal chamar a atenção de todas as esferas da população para os problemas ambientais e para a importância da preservação dos recursos naturais.

Atualmente existe uma grande preocupação em torno do meio ambiente e dos impactos negativos da ação do homem sobre ele.

O consumo exagerado dos recursos naturais, esgotamento do solo   (pelo uso abusivo para a agropecuária e industria) a poluição de grandes áreas, por exemplo, são alguns dos pontos que exercem maior influência na sobrevivência de diversas espécies.

“Tendo em vista o acentuado crescimento dos problemas ambientais, muitos pontos merecem ser revistos tanto pelos governantes quanto pela população para que os impactos sejam diminuí­dos.

Se nada for feito, o consumo exagerado dos recursos e a perda constante de biodiversidade poderão alterar consideravelmente o modo como vivemos atualmente, comprometendo, inclusive, nossa sobrevivência. Esses problemas e outros poderiam ser evitados se os governantes e a população se conscientizassem da importância do uso correto e moderado dos nossos recursos naturais”, indica o professor de biologia da USP, Fernando Machetti .

  1.  
  2. Desmatamento acelerado   é   uma das principais responsáveis pela extinção de espécies
  3. Extinção de espécies

Como o mundo é grande e complexo, a ciência descobre novas espécies o tempo todo. Mesmo com os grandes avanços das pesquisas cientí­ficas nesses 30 anos, continuamos descobrindo novos animais e plantas. Somente em 2009, em expediçíµes cientí­ficas realizadas pelo WWF-Brasil, mais de uma dezena de novas espécies foram descobertas, inclusive de aves e peixes.

2010 foi o ano da biodiversidade, mas um estudo do mesmo ano mostrou números preocupantes sobre o assunto. Pesquisadores estimam que cerca de 150 espécies sejam extintas todos os dias no mundo. “Estamos perdendo nossa biodiversidade a uma taxa mil vezes maior do que a taxa normal.

Até 2030, poderemos estar com 75% das espécies animais e vegetais ameaçadas de extinção (em 2010, esse número era de 36%)”, indicava o então secretário sobre Biodiversidade Biológica da ONU, Oliver Hillel.

Conforme a WWF-Brasil, os cientistas sabem que, em toda a história do planeta, houve cinco grandes ondas de extinção, como a que exterminou os dinossauros, por exemplo. “Acredita-se que, atualmente, vivemos a sexta crise de extinção.

A diferença é que, ao contrário dos outros cinco episódios de extinção em massa da história geológica, dessa vez parece que uma única espécie “ a nossa “ é quase inteiramente responsável por essa crise”.  

A questão do aquecimento global

O impacto do aquecimento global será “grave, abrangente e irreversí­vel”, afirma um relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, na sigla em inglês) divulgado no final de 2014.

O relatório foi baseado em mais de 12 mil estudos publicados em revistas cientí­ficas, e conclui que,   nos próximos 20 a 30 anos, sistemas como o mar do írtico estão ameaçados pelo aumento da temperatura em 2 graus Celsius.

O ecossistema dos corais também estaria sendo irremediavelmente prejudicado pela acidificação dos oceanos.Na terra, animais, plantas e outras espécies vão começar a “se deslocar” para pontos mais altos, ou em direção aos polos.

Um ponto especí­fico levantado pelo relatório é a insegurança alimentar. Algumas previsíµes indicam perdas de mais de 25% nas colheitas de milho, arroz e trigo até 2050.

Enquanto isso, a demanda por alimentos deve continuar aumentando com o crescimento da população, que pode atingir nove bilhíµes de pessoas até 2050.

“Na medida em que avançamos [as previsíµes] no futuro, os riscos só aumentam, e isso acontecerá com as pessoas, com as colheitas e com a disponibilidade de água”, disse Neil Adger, da universidade britânica de Exeter “ um dos cientista que assina o relatório.

“Enchentes e ondas de calor estarão entre os principais fatores causadores de mortes de pessoas – também relacionados ao aquecimento global. Trabalhadores que atuam ao ar livre “ como operários da construção civil e fazendeiros “ estarão entre os que mais sofrerão. Há também riscos de grandes movimentos migratórios relacionados ao clima, além de conflitos armados”.

No outro lado da balança, há pesquisadores como o professor de climatologia da Universidade de São Paulo (USP), Ricardo Augusto Felicio,que seguem defendendo que o aquecimento global é um mito, pois não haveriam provas realistas de que a ação do homem contra a natureza estaria provocando aumento significativo na temperatura global. “Falar em média (climática) é uma verdadeira abstração, que esconde uma gama rica de fení´menos e variaçíµes. Não se pode entender clima assim. Só no último século, as temperaturas subiram e desceram duas vezes. Isso faz parte da variabilidade climática e não há nada de errado”.

O mesmo Felí­cio cita estudos que mostram que o ní­vel do mar não teve alteraçíµes significativas em relação ao derretimento de calotas polares, diz que o próprio efeito estufa é um mito e questiona eventos com cunho de defesa ambiental (como o Rio + e a ECO 92).

“São todos eventos de carnaval fora de época, em que se discutem negócios, ou seja, quanto vai se levar nesse mercado fraudulento do carbono. Todos os paí­ses querem participar disto.

Agora tem o lado obscuro de tudo isso, pois os direitos civis das pessoas começaram a entrar no jogo, bem como a criação de mais impostos e a formação de algo que ainda não conseguimos definir muito bem, entre um eco-imperialismo ou um eco-totalitarismo.

Agronegócio preocupa

Indústria da produção de carne, principalmente a bovina, envolve desmatamento, superexploração de recursos e uso abusivo de água

Pelo mundo todo, o agronegócio avança na trilha do desmatamento e da superexploração do meio ambiente. Segundo o Greenpeace, mais de 60% das áreas desmatadas no mundo são usadas para a agropecuária.  No lugar da floresta, grandes pastos para receber gado, lavouras de soja e algodão.

O que restou das árvores alimenta madeireiras e carvoarias, ou servirão de insumo para a construção civil das grandes cidades. Esse é o alto preço que pagam paí­ses como o Brasil ao apostar na grande propriedade rural como alavanca para o desenvolvimento econí´mico.

As ameaças ao Pantanal, Cerrado e Amazí´nia são apenas a face mais conhecida da destruição ambiental provocada também por grandes projetos de infra-estrutura que obedecem í s demandas da indústria e da agricultura exportadora.

E o termo agronegócio “ utilizado para modernizar a imagem do latifúndio “ não esconde que, por onde a atividade avança, crescem a degradação ambiental e a concentração fundiária. “O agronegócio também é insustentável do ponto de vista social porque expulsa os pequenos agricultores do local”, afirma Sergio Schlesinger, do Fórum Brasileiro de Organizaçíµes Não-governamentais (Fbons).

Nos Estados Unidos, segundo levantamento recente da ONU, o consumo doméstico de água corresponde a apenas 5% do gasto total do paí­s, enquanto a pecuária consome 55% destes recursos. O documentário “Cowspiracy” (disponí­vel no Netflix) tenta expor os segredos por trás da indústria de produção de carnes e laticí­nios.

Coproduzido pelo ator Leonardo DiCaprio, o filme sustenta que A indústria de carne e laticí­nios é a principal responsável pela produção de gases do efeito estufa e, consequentemente, do aquecimento global.

 O diretor do filme,   que a saí­da para a fome do mundo seria uma radical (e geral) mudança para a dieta vegana: “A produção de carne vermelha consome 11 vezes mais água e polui 5 vezes mais do que a de galinha ou porcos, mas mais do que cortar a carne vermelha, é preciso adotar uma dieta baseada em plantas.

Só assim a comunidade internacional conseguirá em 15 anos encontrar meios para alimentar as quase 800 milhíµes de pessoas que passam fome atualmente no mundo. Comer é um ato polí­tico. Ao decidir o que compíµem o seu prato, você também está decidindo alguns dos rumos que o planeta vai tomar”, indica Kip Andersen, diretor do filme.

Doenças por degradação ambiental: 12 milhíµes de mortes/ ano

E a degradação ambiental provocada pelo ser humano não afeta apenas a natureza selvagem, mas também todos que vivem nas cidades.

Aproximadamente 23% de todas as mortes prematuras no mundo são causadas por problemas de degradação ambiental, com número estimado em 12,6 milhíµes de mortes no ano de 2012.

Os dados estão no relatório Meio Ambiente Saudável, Povo Saudável (Healthy Environment, Healthy People, em inglês), lançado pelo Programa das Naçíµes Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) no último 27 de maio de 2016.

O Pnuma ressalta que as diferenças regionais dessas mortes são grandes, indo de 11% nos paí­ses europeus que integram a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econí´mico e chegando a 28% no Sudeste Asiático. A poluição do ar é a principal causa de mortes relacionadas a degradação ambiental.

As causas evitáveis de morte que o Pnuma cita como ligadas ao ambiente são as doenças diarreicas, infecçíµes respiratórias, lesíµes causadas por atividades de risco ou situação de moradia insalubre, asma, malária, lesíµes de trânsito, obstrução pulmonar crí´nica, doenças cardiovasculares, cânceres e doenças musculoesqueléticas.

A principal causa de morte por degradação ambiental, segundo o Pnuma, é a poluição do ar

Concluindo… Como observadores nós podemos ver a história da humanidade sobre diversos ângulos dependendo do ponto de referência e da questão a ser analisada: como uma evolução no tempo, ou como uma autodestruição, isto é, evolução inversa. E quando se leva em conta a relação entre homem-natureza, estamos diante de uma linha do tempo notada de modificaçíµes. Nos primórdios tinhamos um ví­nculo de reverência, de temor e respeito, em que as leis da natureza estavam de acordo, em harmonia com a vida social e seus regramentos.Posteriormente, há uma evolução tecnológica, passando o homem a uma postura de domí­nio, controlador e transformador dos mecanismos e entendimento do mundo natural conforme suas vontades e necessidades.As leis morais agora nem sempre estão em harmonia do natural, paralelamente com o ordenamento jurí­dico, esse por vezes ligados a interesses polí­ticos, a ordem econí´mica, como forma de buscar mais lucro e proveito. O terno selvagem, por alguma razão estranha,   não representa mais alguém que vem da selva, mas sim alguém que está em desalinho com a sociedade de consumo capitalista.
Entretanto, há luta para mudar para melhor. Algumas pessoas conscientes e preocupados com essa situação – do cidadão comum ao ativista, do pesquisador ao polí­tico – buscam proteção de nossa delicada natureza de forma ampla: através de normas jurí­dicas, de tratados, de polí­ticas públicas, investimentos em medidas sustentáveis, dentre outros.Mas parece carecer nos tempos atuais  uma nova visão, mais ampla,  na construção do nosso pensamento responsável e definição do nosso conceito de natureza.Documentários e pesquisas pelo globo alertam para áreas verdes devastadas em nome da agropecuária, ilhas de plástico no oceano. O que se quer é uma nova compreensão da relação entre o homem e o meio ambiente, que se lute pela concretização do nosso paradigma de sustentabilidade, do nosso objetivo de proteção e preservação do meio ambiente.

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