Como É Que Luis De Camoes Perdeu O Olho?

Daniela Diana

Professora licenciada em Letras

Luís de Camões (1524-1580) foi um poeta e soldado português, considerado o maior escritor do período do Classicismo. Além disso, ele é apontado como um dos maiores representantes da literatura mundial.

Autor do poema épico “Os Lusíadas”, revelou grande sensibilidade para escrever sobre os dramas humanos, sejam amorosos ou existenciais. Pouco se sabe sua vida, portanto, o local e os anos de nascimento e morte ainda são incertos.

Biografia de Camões

Filho de Simão Vaz e Ana de Sá, Luís Vaz de Camões nasceu em Lisboa por volta de 1524. Provavelmente teve uma boa e sólida educação, na qual aprendeu sobre história, línguas e literatura.

Estudos indicam que ele era indisciplinado e que supostamente teria ido à Coimbra para estudar. No entanto, não há registros de que ele tenha sido aluno da Universidade.

Ainda jovem, interessou-se pela literatura iniciando sua carreira literária como um poeta lírico na corte de Dom João III. Muitos historiadores dizem que nesse período Camões teve uma vida muito boêmia. Na altura, também passou por uma desilusão amorosa, momento em que decidiu tornar-se um soldado.

Assim, ingressou no Exército da Coroa Portuguesa em 1547 e, no mesmo ano, embarcou como soldado para a África. Foi ali que Camões perdeu o olho direito.

Como É Que Luis De Camoes Perdeu O Olho?Luís de Camões, um dos maiores poetas de língua portuguesa

Em 1552, ele volta a Lisboa e continua com sua vida boêmia e de promiscuidade. No ano seguinte, embarca para as Índias, onde participa de várias expedições militares.

Estudos apontam que ele foi preso tanto em Portugal, quando no Oriente. Foi durante uma de suas prisões que ele escreveu sua obra mais conhecida: Os Lusíadas.

Quando retornou a Portugal, resolveu publicar sua obra. No momento, recebeu uma pequena quantia em dinheiro do Rei Dom Sebastião. Muitas vezes incompreendido pela sociedade, Camões se queixou pelo pouco reconhecimento que teve em vida. Foi somente após sua morte que sua obra passou a ser foco das atenções.

Hoje, ele é considerado um dos maiores escritores de língua portuguesa e ainda, um dos maiores representantes da literatura mundial. Seu nome é conhecido em todo o mundo e é usado em diversas praças, avenidas, ruas e instituições.

Camões faleceu dia 10 de junho de 1580 em Lisboa, provavelmente vítima de peste. No final da sua vida, passou por grandes problemas financeiros morrendo pobre e infeliz, uma vez que não teve o reconhecimento que merecia.

O Dia de Portugal é celebrado em 10 de junho em comemoração à data de sua morte.

Como É Que Luis De Camoes Perdeu O Olho?Túmulo de Camões no Mosteiro dos Jerônimos, em Lisboa

Características e obras de Camões

Camões escreveu poesias, epopeias e obras de dramaturgia. Foi assim que tornou-se um poeta múltiplo, sofisticado e ao mesmo tempo, popular.

  • Decerto que ele possuía grande habilidade poética, na qual soube explorar com muita criatividade as mais diferentes formas de composição.
  • Foi um dos maiores poetas do Renascimento, mas às vezes se inspirou em canções ou trovas populares escrevendo poesias que lembram várias canções medievais.
  • Seus versos revelam que estudou os clássicos da Antiguidade e os humanistas italianos.
  • Suas obras de maior destaque são:
  • El-Rei Seleuco (1545), peça de teatro;
  • Filodemo (1556), comédia de moralidade;
  • Os Lusíadas (1572), grande poema épico;
  • Anfitriões (1587), comédia escrita em forma de auto;
  • Rimas (1595), coletânea de sua obra lírica;

Os Lusíadas: a grande obra de Luís de Camões

A poesia épica “Os Lusíadas”, publicada em 1572, celebra os feitos marítimos e guerreiros de Portugal. Destacam-se as conquistas ultramarinas, as viagens por mares desconhecidos, a descoberta de novas terras, o encontro com povos e costumes diferentes.

Tomando como assunto central a viagem de Vasco da Gama às Índias, Camões fez do navegador uma espécie de símbolo da coletividade lusitana. Ele exaltou a glória das novas conquistas e as proezas dos navegadores portugueses.

Como É Que Luis De Camoes Perdeu O Olho?Capa da primeira edição de Os Lusíadas

Isso permitiu comparar os feitos dos portugueses com as façanhas dos lendários heróis dos poemas de Homero (Odisseia e Ilíada) e de Virgílio (Eneida).

Camões usou os modelos clássicos para cantar os acontecimentos do seu tempo, que ao contrário dos antigos, eram reais e não fictícios. Camões faz algumas entidades mitológicas participarem da ação.

Assim, coube a Vênus o papel de protetora dos portugueses. Ela os defende do deus Baco que quer destruir a frota de Vasco da Gama.

No final do poema, os navegantes são levados à ilha dos Amores, onde são recompensados de seus esforços por sedutoras ninfas.

Curiosidade

Camões sofreu um naufrágio na costa do Vietnã e diz a lenda que ele nadou salvando o manuscrito de Os Lusíadas na mão.

Como É Que Luis De Camoes Perdeu O Olho?Selo em comemoração aos 400 anos do nascimento do poeta (1924)

Poesias de Camões

A maior parte da poesia lírica de Camões é composta de sonetos e redondilhas (estrofes com versos de cinco ou sete sílabas). Confira abaixo alguns exemplos:

Exemplo I

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente,
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,

  1. Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
  2. Verdes são os campos,
    De cor de limão:
    Assim são os olhos
  3. Do meu coração.
  4. Campo, que te estendes
    Com verdura bela;
    Ovelhas, que nela
    Vosso pasto tendes,
    De ervas vos mantendes
    Que traz o Verão,
    E eu das lembranças
  5. Do meu coração.
  6. Gados que pasceis
    Com contentamento,
    Vosso mantimento
    Não no entendereis;
    Isso que comeis
    Não são ervas, não:
    São graças dos olhos
  7. Do meu coração.

Exemplo III

  • Quem diz que Amor é falso ou enganoso,
    Ligeiro, ingrato, vão desconhecido,
    Sem falta lhe terá bem merecido
  • Que lhe seja cruel ou rigoroso.
  • Amor é brando, é doce, e é piedoso.
    Quem o contrário diz não seja crido;
    Seja por cego e apaixonado tido,
  • E aos homens, e inda aos Deuses, odioso.
  • Se males faz Amor em mim se vêem;
    Em mim mostrando todo o seu rigor,
  • Ao mundo quis mostrar quanto podia.
  • Mas todas suas iras são de Amor;
    Todos os seus males são um bem,
  • Que eu por todo outro bem não trocaria.

Frases de Camões

  • “O fraco rei faz fraca a forte gente.”
  • “Ah o amor… que nasce não sei onde, vem não sei como, e dói não sei porquê.”
  • “Coisas impossíveis, é melhor esquecê-las que desejá-las.”
  • “Jamais haverá ano novo se continuar a copiar os erros dos anos velhos.”
  • “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser, muda-se a confiança; Todo o mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades.”

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  • A Linguagem do Classicismo

Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.

Luís Vaz de Camões: biografia, características, obras – Português

Luís Vaz de Camões é considerado um dos mais importantes autores da literatura portuguesa. Ele nasceu no ano de 1524, na cidade de Lisboa. Muito do que se sabe de sua vida não passa de especulação e lenda. No entanto, estudiosos afirmam que ele foi soldado, perdeu um olho no Marrocos, e viveu alguns anos na Índia, em Macau e em Moçambique.

O autor, que morreu em 1580, escreveu Os Lusíadas, um poema épico do classicismo português. Assim, é possível observar, nas obras do escritor, asseguintes características dessa escola literária: versos regulares, amor e mulher idealizados, bucolismo, além de referências greco-latinas.

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Biografia de Luís Vaz de Camões

Como É Que Luis De Camoes Perdeu O Olho? “Retrato de Camões” (1581), de autor desconhecido.

Luís Vaz de Camões nasceu, oficialmente, em 1524, na cidade de Lisboa, mas alguns estudiosos afirmam que pode ter sido em 1525. Fato é que a vida do escritor é cercada de especulações e lendas. Contudo, acredita-se que estudou Filosofia e Literatura na Universidade de Coimbra, onde seu tio, o frade D. Bento de Camões, era chanceler.

O escritor lutou, como soldado, em Ceuta, no território do Marrocos. Nesse período, perdeu o olho direito em batalha. De volta a Portugal, em 1552, foi preso devido a um desentendimento com certo funcionário da Corte. Um ano depois, recebeu o perdão do rei. Partiu, então, para Goa, Índia, em 1553. Alguns estudiosos afirmam que ele começou a escrever Os Lusíadas nessa época.

Em Macau, trabalhou como provedor-mor de defuntos e ausentes. Quando voltava para Goa, sofreu um naufrágio e quase perdeu os originais de sua obra-prima. O que se conta é que nadou com um braço enquanto o outro permanecia erguido e segurava o manuscrito. Nessa ocasião, sua amante chinesa Dinamene acabou morrendo. À sua memória, o poeta dedicou váriosversos.

Em 1568, estava vivendo, em Moçambique, em péssimas condições financeiras. Um ou dois anos depois, decidiu voltar a Portugal, com ajuda de amigos, que pagaram suas dívidas e compraram a passagem. Desse modo, em 1572, publicou Os Lusíadas, dedicado ao rei D. Sebastião (1554-1578), que concedeu ao autor uma pensão durante três anos.

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No fim da vida, o poeta estava doente e pobre. Morreu em 10 de junho de 1580, sem deixar dinheiro para pagar o próprio enterro. No mais, as obras do autor acabaram servindo aos estudiosos como fonte de informação acerca de sua biografia. Eles buscavam, assim, trazer luz à vida do lendário Camões.

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Características das obras de Luís Vaz de Camões

A poesia camoniana é caracterizada pelo uso da medida nova, isto é, versos decassílabos (10 sílabas).

No entanto, alguns de seus poemas dialogam com o trovadorismo (poesia medieval), portanto, apresentam redondilhas, que são versos de cinco ou sete sílabas.

Além disso, o poeta demonstra uma visão filosófica do amor, definido por meio de antíteses e paradoxos, como comprova esta estrofe de um de seus sonetos mais famosos:

  • Amor é um fogo que arde sem se ver, É ferida que dói, e não se sente, É um contentamento descontente,
  • É dor que desatina sem doer.
  • As principais temáticas da poesia camoniana são:
  • o desconcerto do mundo;
  • a inconstância; e
  • o sofrimento amoroso.

Camões vivia em uma época em que a racionalidade era extremamente valorizada, em oposição à fé religiosa, que marcara o período histórico anterior, ou seja, a Idade Média.

Portanto, apontar o desconcerto (o desequilíbrio) da realidade era uma forma de tirar dela o véu das ilusões.

Assim, a constatação de que tudo na vida é transitório eliminava a importância das coisas mundanas.

Ainda nesse sentido, somente o pensamento filosófico e a arte podiam atingir o equilíbrio, a harmonia perfeita. A razão e a expressão artística estavam, dessa forma, em posição de superioridade se comparadas aos afazeres diários e às regras sociais. Por isso, o amor carnal mostrava-se inferior ao amor ideal, filosófico e não sexualizado.

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Obras de Luís Vaz de Camões

Como É Que Luis De Camoes Perdeu O Olho? Capa do livro “Os Lusíadas”, de Luís Vaz de Camões, publicado pela editora BestBolso. [1]

  • Os Lusíadas (1572) — epopeia
  • Anfitriões (1587) — teatro
  • Filodemo (1587) — teatro
  • Rimas (1595) — poesia lírica
  • El rei Seleuco (1645)|1| — teatro

Os Lusíadas

Os Lusíadas é a obra-prima de Camões e único livro publicado durante a vida do autor. A obra é um poema épico, dividido em 10 cantos, com versosdecassílabos (10 sílabas poéticas). Por ser uma epopeia, traz a figura heroica de Vasco da Gama (1469-1524) e enaltece a nação portuguesa:

As armas e os Barões assinalados Que da Ocidental praia Lusitana Por mares nunca de antes navegados Passaram ainda além da Taprobana, Em perigos e guerras esforçados Mais do que prometia a força humana, E entre gente remota edificaram Novo Reino, que tanto sublimaram;

[…]

  1. O poema foi dedicado ao rei D. Sebastião I:
  2. Vós, poderoso Rei, cujo alto Império O Sol, logo em nascendo, vê primeiro, Vê-o também no meio do Hemisfério, E quando desce o deixa derradeiro; Vós, que esperamos jugo e vitupério Do torpe Ismaelita cavaleiro, Do Turco Oriental e do Gentio
  3. Que inda bebe o licor do santo Rio:
  4. Inclinei por um pouco a majestade Que nesse tenro gesto vos contemplo, Que já se mostra qual na inteira idade, Quando subindo ireis ao eterno templo; Os olhos da real benignidade Ponde no chão: vereis um novo exemplo De amor dos pátrios feitos valorosos, Em versos divulgado numerosos.

[…]

O livro conta a viagem de Vasco da Gama e de sua frota portuguesa a caminho da Índia.

No início da aventura, os deuses do Olimpo discutem se os lusitanos devem ter sucesso em sua empreitada.

Com aprovação deles, a frota chega a Moçambique e depois parte para Melinde, onde Vasco da Gama conta ao rei desse lugar a história gloriosa de Portugal.

Depois da narrativa, a frota de Gama segue rumo a Calicute, na Índia. No entanto, Baco, Netuno e outros deuses do mar decidem, com a ajuda de Éolo, afundar os navios da expedição, pois temem que os portugueses acabem sendo tão poderosos quanto os deuses. Quase vencidos pela tempestade, Vasco da Gama roga a Deus:

  • Vendo Vasco da Gama que tão perto Do fim de seu desejo se perdia, Vendo ora o mar até o Inferno aberto, Ora com nova fúria ao Céu subia, Confuso de temor, da vida incerto, Onde nenhum remédio lhe valia, Chama aquele remédio santo e forte
  • Que o impossível pode, desta sorte:
  • — Divina Guarda, angélica, celeste, Que os céus, o mar e terra senhoreias:
  • Tu, que a todo Israel refúgio deste Por metade das águas Eritreias; Tu, que livraste Paulo e defendeste

[…]

Após a prece, Vasco da Gama é ajudado por Vênus e chega a Calicute, onde vive mais perigosas aventuras. Em seguida, ao regressar a Portugal, os navegantes encontram a Ilha dos Amores.

Ali, ninfas, atingidas pelas flechas de Cupido, apaixonam-se pelos navegantes portugueses, que têm, assim, em um lugar agradável, a recompensa pela sua coragem, antes de retomarem o caminho de volta a casa.

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Poesias de Luís Vaz de Camões

No seguinte soneto de Camões, o eu lírico fala da passagem do tempo. Diz que o destino trouxe a dor e recorda a felicidade do passado, mas o eu lírico chega a duvidar das alegrias que sentiu, já que elas passaram tão rápido. Por fim, ele conclui que já não tem nada a perder, a não ser a vida, e lamenta ainda estar vivo:

Ah! Fortuna cruel! Ah! duros Fados! Quão asinha em meu dano vos mudastes! Passou o tempo que me descansastes,

  1. Agora descansais com meus cuidados.
  2. Deixastes-me sentir os bens passados, Para mor dor da dor que me ordenastes; Então numa hora juntos mos levastes,
  3. Deixando em seu lugar males dobrados.
  4. Ah! quanto melhor fora não vos ver, Gostos, que assim passais tão de corrida,
  5. Que fico duvidoso se vos vi:
  6. Sem vós já me não fica que perder, Se não se for esta cansada vida,
  7. Que por mor perda minha não perdi.

No que se refere às características do classicismo, o poema possui a medida nova, isto é, versos decassílabos. Esse rigor formal produz uma estrutura harmônica, equilibrada.

É possível apontar também influência greco-latina quando a voz poética faz referência à Fortuna e ao Fado como a divindades.

Por fim, temos a temática da inconstância, recorrente na poesia camoniana.

Já no próximo soneto, a medida nova também é utilizada para falar do Amor. Assim, o eu lírico afirma que a Morte poderia acabar com o Amor por meio da Ausência e do Tempo. Além disso, a Morte uniria contra o Amor duas forças contrárias: a Razão e a Fortuna (destino).

  • Contudo, a voz poética diz que, se a Morte é capaz de separar o corpo da alma, o Amor pode juntar e unir duas almas em um mesmo corpo. Dessa forma, o Amor vence a Morte, apesar da Ausência, do Tempo, da Razão e da Fortuna:
  • A Morte, que da vida o nó desata, Os nós, que dá o Amor, cortar quisera Na Ausência, que é contr’ele espada fera,
  • E co Tempo, que tudo desbarata.
  • Duas contrárias, que uma a outra mata, A Morte contra o Amor ajunta e altera: Uma é Razão contra a Fortuna austera,
  • Outra, contra a Razão, Fortuna ingrata.
  • Mas mostre a sua imperial potência A Morte em apartar dum corpo a alma,
  • Duas num corpo o Amor ajunte e una;
  • Porque assim leve triunfante a palma, Amor da Morte, apesar da Ausência,
  • Do Tempo, da Razão e da Fortuna.
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Escola literária de Luís Vaz de Camões

Como É Que Luis De Camoes Perdeu O Olho? “Mona Lisa”, de Leonardo da Vinci (1452-1519), é a obra mais famosa do renascimento.

O classicismo é uma escola literária que teve seu auge, na Europa, no século XVI, como reflexo do renascimento. Portanto, as obras de Luís Vaz de Camões apresentam características dessa escola, tais como:

  • Racionalismo
  • Antropocentrismo
  • Neoplatonismo
  • Semipaganismo
  • Influência greco-latina
  • Simplicidade
  • Harmonia
  • Amor idealizado
  • Mulher idealizada
  • Rigor formal
  • Bucolismo

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Frases de Luís Vaz de Camões

A seguir, vamos ler algumas frases de Camões, retiradas de sonetos do poeta, cujos versos foram aqui convertidos em prosa:

  • “Que pena sentirei, que valha tanto, que inda tenho por pouco o viver triste?”
  • “Por sinal do naufrágio que passei, em lugar dos vestidos, pus a vida.”
  • “Jura Amor que brandura de vontade causa o primeiro efeito; o pensamento endoudece, se cuida que é verdade.”
  • “Converteu-se-me em noite o claro dia; e, se alguma esperança me ficou, será de maior mal, se for possível.”
  • “Amor um mal, que mata e não se vê.”
  • “Não sei para que é ter contentamento, se mais há de perder quem mais alcança.”
  • “Dobrada glória dá qualquer vingança, que o ofendido toma do culpado, quando se satisfaz com coisa justa.”
  • “Todo o mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades.”
  • “O tempo cobre o chão de verde manto, que já coberto foi de neve fria, e, enfim, converte em choro o doce canto.”
  • “Louvado seja Amor em meu tormento, pois para passatempo seu tomou este meu tão cansado sofrimento!”
  • “Qualquer grande esperança é grande engano.”
  1. Nota
  2. |1| Segundo Vanda Anastácio, doutora em Estudos Portugueses, “esta peça permaneceu desconhecida até 1645, data em que surge publicada na primeira parte das Rimas dadas à estampa por Paulo Craesbeeck”.
  3. Crédito da imagem
  4. [1] Grupo Editorial Record (reprodução)
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Biografia de Luís de Camões

Como É Que Luis De Camoes Perdeu O Olho?

Luís Vaz de Camões foi um grande poeta épico e lírico português, considerado “o maior poeta de língua portuguesa de todos os tempos”. Ainda se desconhece o lugar e a data exactos em que Camões nasceu, mas acredita-se que terá sido em Lisboa, por volta de 1524.

Luís de Camões foi fruto da relação de Simão Vaz de Camões e de Ana de Sá. Passou a sua infância, em Lisboa, e cedo partiu, juntamente com a sua família, para estudar em Coimbra. O seu tio Bento, um sacerdote muito sábio, encarrega-se da sua educação e guia-o nos estudos.

Mais tarde, Luís de Camões regressa a Lisboa e alista-se como soldado, como forma de defender a sua Pátria nas províncias além-mar. Parte para Ceuta, onde é ferido no decorrer de uma batalha. Camões perde assim um dos seus olhos.

Após dois anos de guerra, volta para Lisboa, onde levou uma vida boémia e conhece a prisão em virtude de desacatos em que esteve envolvido. Perdoado, abandona o cárcere e parte para a Índia. Terá então participado numa expedição ao Malabar em 1553. Depois, Camões foi para Macau.

E foi aí, que numa gruta, Luís de Camões terá escrito uma grande parte d’ Os Lusíadas. As aventuras não abandonam Camões e, ao largo do Camboja, sofre um naufrágio, conseguindo salvar-se a si e os manuscritos d’ Os Lusíadas. Esta foi a obra que sem dúvida destacou Camões.

O poema d’ Os Lusíadas é uma epopeia em dez cantos, baseada na viagem de Vasco da Gama à Índia. Esta obra complexa tornou-se num símbolo, sobretudo durante a dependência portuguesa de Espanha. A epopeia foi dedicada ao rei D. Sebastião.

Em 1556, Luís de Camões aceita uma função pública e, doze anos mais tarde, chega a Moçambique, onde aperfeiçoa o seu poema épico e trabalha no Parnaso de Luís de Camões, obra que lhe viria a ser roubada.

Para regressar a Lisboa, o poeta tem que recorrer a Diogo do Couto e mais alguns amigos, que lhe pagam a viagem, bem como as dívidas entretanto assumidas por Camões. A chegada verifica-se em 1570 e, no ano seguinte, Camões obtém o alvará necessário para a impressão d’ Os Lusíadas. Em 1572, sai a primeira edição da epopeia.

É neste mesmo ano que D. Sebastião atribui uma tença anual de 15000 réis ao poeta, um valor relativamente baixo para um grande génio, como era Camões.

Anos mais tarde, Portugal é derrotado na Batalha de Alcácer-Quibir, onde ocorre o desaparecimento do rei D. Sebastião, e consequentemente Portugal perde a sua independência para a Espanha. Estes factores vão fragilizar Luís de Camões, que chega mesmo a adoecer. Camões faleceu no dia 10 de Junho de 1580 em estado de pobreza, como testemunhou o seu amigo Diogo do Couto.

Ao longo dos tempos, outros autores portugueses encarregaram-se de glorificar o nome de Camões, fosse através da sua evocação, fosse por meio do retomar de figuras por ele criadas, podendo-se citar nomes como o de Almeida Garrett, Fernando Pessoa, entre outros…

Como Luís de Camões, muito poucos conseguiram ser. Pois ele não foi só um mero poeta, foi também um patriota e valente soldado.

Em sua homenagem, o povo português ergueu-lhe uma estátua na Praça Luís de Camões, em Lisboa.

E todos os anos, no dia 10 de Junho, data da sua morte, o seu nome, a sua obra e a sua vida são comemorados, figurando no calendário nacional como o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

Biografia de Lu�s de Cam�es

Poeta portugu�s

Lu�s de Cam�es (1524-1580) foi um poeta portugu�s. Autor do poema Os Lus�adas, uma das obras mais importantes da literatura portuguesa, que celebra os feitos mar�timos e guerreiros de Portugal. � o maior representante do Classicismo Portugu�s.

Nascimento e Juventude

Lu�s Vaz de Cam�es nasceu em Lisboa, Portugal, por volta de 1524. Era filho de Sim�o Vaz de Cam�es e Ana de S� e Macedo, aparentada com a casa de Vimioso, da alta nobreza portuguesa, e sobrinho de D. Bento de Cam�es, c�nego da Igreja de Santa Cruz de Coimbra.

Em 1527, durante uma epidemia de Peste, em Lisboa, D. Jo�o III e a corte transferiram-se para Coimbra, e Sim�o, a mulher e o filho, com apenas tr�s anos, acompanharam o rei.

Lu�s de Cam�es viveu sua inf�ncia na �poca das grandes descobertas mar�timas e tamb�m no in�cio do Classicismo em Portugal. Foi aluno do col�gio do convento de Santa Maria. Tornando-se um profundo conhecedor de hist�ria, geografia e literatura.

Em 1537, D. Jo�o III transferiu a Universidade de Lisboa para Coimbra. Cam�es iniciou o curso de Teologia, mas levava uma vida irrequieta, desordeira, al�m da fama de conquistador, mostrando pouca voca��o para a Igreja.

O Poeta e o Soldado

Em 1544, com 20 anos, deixou as aulas de teologia e ingressou no curso de filosofia. J� era conhecido como poeta. Nessa �poca, comp�s uma elegia � Paix�o de Cristo, que ofereceu a seu tio. Seus versos revelam que ele estudou os cl�ssicos da Antiguidade e os humanistas italianos.

Em 1544, com 20 anos, encontra-se com D. Catarina de Ata�de, dama da rainha D. Catarina da �ustria, esposa de D. Jo�o III e, desse encontro nasce uma ardente paix�o, mais tarde imortalizada pelo poeta, que se referia � dama do pa�o, com o anagrama �Nat�rcia�.

Nessa �poca, a intelectualidade nacional era incentivada, sobressaindo-se escritores, pensadores e poetas, como S� de Miranda e o pr�prio�Cam�es.

Em um sarau, seguido de um torneio po�tico, o espanhol Juan Ramon, sobrinho de um professor da Universidade, sentiu-se ofendido por causa dos versos de Cam�es.

Seguiu-se um duelo e o espanhol saiu ferido, o que terminou na pris�o do poeta, sob o protesto dos estudantes. No final de muitas discuss�es, Cam�es � perdoado, com a condi��o de ser desterrado durante um ano em Lisboa.

Na capital, os versos do poeta eram apreciados pelas damas da corte. Era perseguido por outros poetas, sendo v�tima de muitas intrigas para desprestigi�-lo e afast�-lo da corte. Para fugir das persegui��es, em 1547, Cam�es resolve embarcar, como soldado, para a �frica. Serviu dois anos em Ceuta. Combateu contra os mouros e durante uma briga perdeu o olho direito.

Em 1549, Lu�s de Cam�es retorna para Lisboa e entrega-se a uma vida desregrada. Em 1553, envolve-se em novo incidente, ferindo um empregado do pa�o. Foi preso e permaneceu um ano encarcerado.

Nessa �poca, inspirado nas conquistas ultramarinas, nas viagens por mares desconhecidos, na descoberta de novas terras e no encontro com costumes diferentes, escreve o primeiro canto de sua imortal poesia �pica, Os Lus�adas.

Posto em Liberdade, em 1554, Cam�es embarca para as �ndias. Esteve em Goa, e toma parte de v�rias outras expedi��es militares.

Como É Que Luis De Camoes Perdeu O Olho? Cam�es – Retrato pintado em Goa (1581)

� nomeado provedor em Macau, na China e durante sua estada a�, escreveu mais 6 contos de seu poema �pico. Em 1556, parte novamente para Goa, mas sua embarca��o naufraga na foz do rio Nekong.

Cam�es consegue se salvar nadando, levando consigo os originais dos Lus�adas. Chegando a Goa, � preso novamente em consequ�ncia de novas intrigas. Ali recebeu a not�cia da morte prematura de D. Catarina de Ata�de.

Os Lus�adas

Em 1569, Cam�es resolve voltar para Portugal e embarca na nau Santa F�, levando consigo um escravo, que lhe acompanhou at� seus �ltimos dias. Chega a Cascais em 7 de abril de 1570. Depois de 16 anos, estava de volta � sua p�tria. Em 1572, publica seu poema Os Lus�adas. Que celebra os feitos mar�timos e guerreiros de Portugal.

Cam�es faz do navegador uma esp�cie de s�mbolo da coletividade lusitana e exalta a gl�ria das conquistas, os novos reinos formados e o ideal de expans�o da f� cat�lica pelo mundo. O poema � composto de dez cantos, cada canto � formado por estrofes de oito versos. Com o sucesso, Cam�es recebe do rei D. Sebasti�o uma pens�o anual, que mesmo assim n�o o livrou da extrema pobreza em que vivia.

Inspirado em A Eneida, de Virg�lio, Cam�es narra fatos heroicos da hist�ria de Portugal, em particular a descoberta do caminho mar�timo para as �ndias por Vasco da Gama. No poema, Cam�es mescla fatos da Hist�ria Portuguesa a intrigas dos deuses gregos, que procuram ajudar ou atrapalhar o navegador.

Um aspecto que diferencia Os Lus�adas das antigas epopeias cl�ssicas � a presen�a de epis�dios l�ricos, sem nenhuma rela��o com o tema central que � a viagem de Vasco da Gama. Entre os epis�dios, destaca-se o canto III que relata o assassinato de In�s de Castro, em 1355, pelos ministros do rei D. Afonso IV de Borgonha, pai de D. Pedro, seu amante:

  • Canto III
  • Passada esta t�o pr�spera vit�ria, Tornado Afonso � Lusitana Terra, A se lograr da paz com tanta gl�ria Quanta soube ganhar na dura guerra, O caso triste e digno da mem�ria, Que do sepulcro os homens desenterra, Aconteceu da m�sera e mesquinha
  • Que depois de ser morta foi Rainha.
  • Tu, s� tu, puro amor, com for�a crua, Que os cora��es humanos tanto obriga, Deste causa a molesta morte sua, Como se fora p�rfida inimiga. Se dizem, fero Amor, que a sede tua Nem com l�grimas tristes se mitiga, � porque queres, �spero e tirano,
  • Tuas aras banhar em sangue humano.
  • Estavas linda In�s, posta em sossego, De teus anos colhendo doce fruto, Naquele engano da alma, ledo e cego, Que a fortuna n�o deixa durar muito, Nos saudosos campos do Mondego, De teus formosos olhos nunca enxuto, Aos montes ensinando e �s ervinhas
  • O nome que no peito escrito tinhas.
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Um Poeta M�ltiplo

Cam�es foi um poeta sofisticado e popular.�o poeta erudito do Renascimento, mas �s vezes, se inspirava em can��es ou trovas populares e escreveu poesias que lembram as velhas cantigas medievais.

Al�m de Os Lus�adas, Cam�es escreveu poemas l�ricos, versos buc�licos, as com�dias El-rei Seleuco, Filodemo�e Anfitri�es�e uma cole��o de sonetos de amor, entre eles o mais famoso�O Amor � fogo que arde sem se ver:

  1. Amor � fogo que arde sem se ver, � ferida que d�i, e n�o se sente, � um contentamento descontente, � dor que desatina sem doer, � um n�o querer mais que bem querer, � um andar solit�rio por entre a gente, � nunca contentar-se de contente, � cuidar que se ganha em se perder, � querer estar preso por vontade, � servir a quem vence, o vencedor, � ter com quem nos mata, lealdade. Mas como causar pode seu favor Nos cora��es humanos amizade,
  2. Se t�o contr�rio a si � o mesmo Amor?

Morte

Lu�s�de Cam�es morreu em Lisboa, Portugal, no dia 10 de junho 1580, em absoluta pobreza. Segundo alguns bi�grafos, Cam�es n�o tinha sequer um len�ol para lhe servir de mortalha. Teria sido enterrado em cova rasa. Mais tarde, em 1594, Dom Gon�alo Coutinho, mandou esculpir uma l�pide com os dizeres: “Aqui jaz Lu�s de Cam�es, Pr�ncipe dos Poetas do seu tempo. Viveu pobre e assim morreu”

Luís Vaz de Camões

“Viajante, letrado, humanista, trovador à maneira tradicional, fidalgo esfomeado, numa mão a pena e noutra a espada, salvando a nado num naufrágio, manuscrita, a grande obra da sua vida, Camões assumiu e meditou a experiência de toda uma civilização cujas contradições viveu na sua carne e procurou superar pela criação artística”. Este comentário foi feito por dois grandes historiadores da literatura portuguesa, Antonio José Saraiva e Oscar Lopes, apontando a grandeza de um dos maiores poetas de todos os tempos, Luís de Camões.

A vida de Camões está envolta em lendas. Não se tem certeza de todos os dados, sendo muitos deles baseados em suposições. Nascido por volta de 1524 de uma família da pequena nobreza, Luís Vaz de Camões recebeu uma educação esmerada, tendo provavelmente cursado Humanidades em Coimbra.

Quando jovem, frequentou círculos aristocráticos e a boêmia literária de Lisboa. Entretanto, optou pela carreira das armas e combateu no Marrocos, onde perdeu um olho em combate. Em 1550 alistou-se para a Índia, mas não chegou a embarcar.

Em 1552, envolveu-se numa briga em que feriu um funcionário do Paço, Gonçalo Borges. Como consequência, foi preso. Passados alguns meses, recebeu o indulto através de uma carta régia de perdão, datada de 7 de março de 1552.

Embarcou a seguir para a Índia. No Oriente, viveu um período acidentado. Esteve em Goa, no Golfo Pérsico, em Ternate, e em Macau, onde obteve o cargo de provedor de defuntos e ausentes.

Já na viagem de volta, naufragou na costa da Conchinchina (no Vietnã). Neste naufrágio teria perecido sua companheira chinesa. Consta que Luís de Camões fugiu a nado, salvando os manuscritos do que seria sua obra maior, “Os Lusíadas”. Nesta mesma obra o poeta narrou o episódio do naufrágio no canto X.

Em setembro de 1560 chegou a Goa, onde acabou novamente preso por dívidas. Lá travou relações com pessoas poderosas, como o Vice-Rei dom Francisco Coutinho, a quem suplicou em versos que o livrasse da prisão.

Em 1567, depois de anos no Oriente e premido por dificuldades econômicas, aceitou a oferta de um emprego em Moçambique, feita por um amigo que lhe pagou as passagens.

Dois anos depois, retornou a Lisboa. Trazendo os manuscritos de “Os Lusíadas”, procurou um editor para a obra. Em 1572 a obra foi editada. Luís de Camões conseguiu uma pensão no valor de 15.000 reis, concedida através de alvará de D. Sebastião, o rei de Portugal, a quem a obra é dedicada. A quantia, porém, era muito modesta.

Apesar da fama e do prestígio como poeta, seus últimos anos foram de miséria. Morreu em 1580 e seu enterro foi pago por uma instituição de caridade, a Companhia dos Cortesãos.

Luís de Camões – Infopédia

Poeta português, filho de Simão Vaz de Camões e de Ana de Sá e Macedo, Luís Vaz de Camões terá nascido por volta de 1524/1525, não se sabe exatamente onde, e morreu a 10 de junho de 1580, em Lisboa.

Pensa-se que estudou Literatura e Filosofia em Coimbra, tendo tido como protetor o seu tio paterno, D. Bento de Camões, frade de Santa Cruz e chanceler da Universidade.

Tudo indica que pertencia à pequena nobreza.

Atribuem-se-lhe vários desterros, sendo um para Ceuta, onde se bateu como soldado e em combate perdeu o olho direito – perda referida na Canção Lembrança da Longa Saudade – e outro para Constância, entre 1547 e 1550, obrigado, diz-se, por ofensas a uma certa dama da corte.

Depois de regressado a Lisboa, foi detido, em 1552, em consequência de uma rixa com um funcionário da Corte, e preso na cadeia do Tronco. Saiu logo no ano seguinte, inteiramente perdoado pelo agredido e pelo rei, conforme se lê numa carta enviada da Índia, para onde partiu nesse mesmo ano, quer para mais facilmente obter perdão quer para se libertar da vida lisboeta, que o não contentava.

Segundo alguns autores, terá sido por essa altura que compôs o primeiro canto de Os Lusíadas.

Na Índia parece não ter sido feliz. Goa dececionou-o, como se pode ler no soneto Cá nesta Babilónia donde mana.

Tomou parte em várias expedições militares e, numa delas, no Cabo Guardafui, escreveu uma das mais belas canções: Junto dum seco, fero e estéril monte.

Viajou de seguida para Macau, onde exerceu o cargo de provedor-mor de defuntos e ausentes, e escreveu, na gruta hoje reconhecida pelo seu nome, mais seis Cantos do famoso poema épico.

Voltou a Goa, naufragou na viagem na foz do Rio Mecom, mas salvou-se, nadando com um braço e erguendo com o outro, acima das vagas, o manuscrito da imortal epopeia, facto documentado no Canto X, 128.

Nesse naufrágio viu morrer a sua “Dinamene”, rapariga chinesa que se lhe tinha afeiçoado.

A esta fatídica morte dedicou os famosos sonetos do ciclo Dinamene, entre os quais se destaca Ah! Minha Dinamene! Assim deixaste.

Em Goa sofreu caluniosas acusações, dolorosas perseguições e duros trabalhos, vindo Diogo do Couto a encontrá-lo em Moçambique, em 1568, “tão pobre que comia de amigos”, trabalhando n'Os Lusíadas e no seu Parnaso, “livro de muita erudição, doutrina e filosofia”, segundo o mesmo autor.

Em 1569, após 16 anos de desterro, regressou a Lisboa, tendo os seus amigos pago as dívidas e comprado o passaporte. Só três anos mais tarde conseguiu obter a publicação da primeira edição de Os Lusíadas, que lhe valeu de D. Sebastião, a quem era dedicado, uma tença anual de 15 000 réis pelo prazo de três anos e renovado pela última vez em 1582 a favor de sua mãe, que lhe sobreviveu.

Os últimos anos de Camões foram amargurados pela doença e pela miséria. Reza a tradição que se não morreu de fome foi devido à solicitude de um escravo Jau, trazido da Índia, que ia de noite, sem o poeta saber, mendigar de porta em porta o pão do dia seguinte.

O certo é que morreu a 10 de junho de 1580, sendo o seu enterro feito a expensas de uma instituição de beneficência, a Companhia dos Cortesãos. Um fidalgo letrado seu amigo mandou inscrever-lhe na campa rasa um epitáfio significativo: “Aqui jaz Luís de Camões, príncipe dos poetas do seu tempo. Viveu pobre e miseravelmente, e assim morreu.”

Se a escassez de documentos e os registos autobiográficos da sua obra ajudaram a construir uma imagem lendária de poeta miserável, exilado e infeliz no amor, que foi exaltada pelos românticos (Camões, o poeta maldito, vítima do destino, incompreendido, abandonado pelo amor e solitário), uma outra faceta ressalta da sua vida. Camões terá sido de facto um homem determinado, humanista, pensador, viajado, aventureiro, experiente, que se deslumbrou com a descoberta de novos mundos e de “Outro ser civilizacional”.

Por isso, diz Jorge de Sena: “Se pouco sabemos de Camões, biograficamente falando, tudo sabemos da sua persona poética, já que não muitos poetas em qualquer tempo transformaram a sua própria experiência e pensamento numa tal reveladora obra de arte como a poesia de Camões é.”

A 10 de junho, comemora-se o Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas.

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